SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

domingo, 2 de abril de 2017

HOMILIA DO PRIMEIRO DOMINGO DA PAIXÃO

   Leituras: Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Hebreus, 9, 11-14.
                   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João 8, 40-59:


Tempo da Paixão: Em espírito ao pé
da Cruz, passemos este tempo mais
recolhidos, meditando a Paixão e
Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.
   "Naquele tempo, disse Jesus às turbas dos judeus: Qual de vós me arguirá de pecado? Se vos digo a verdade, por que não me credes? Quem é de Deus, ouve as palavras de Deus. Por isto não as ouvis: porque não sois de Deus. Responderam-Lhe, pois, os judeus: Não dizemos bem nós, que és Samaritano, e que estás possesso do demônio? Respondeu Jesus: Eu não estou possesso do demônio; mas honro a meu Pai, e vós me desonrais. Eu não procuro a minha glória; há quem a procure e faça justiça. Em verdade, em verdade, eu vos digo que se alguém guardar a minha palavra, não verá a morte para sempre. Disseram-Lhe, então, os judeus: Agora conhecemos que estás possesso do demônio. Abraão morreu assim como os Profetas. E tu dizes: Se alguém guardar a minha palavra, não verá a morte para sempre. És, porventura, maior que o nosso Pai Abraão, que morreu? Ou maior que os Profetas que morreram? Por quem pretendes passar? Respondeu Jesus: Se eu me glorifico a mim mesmo, nula é minha glória. Quem me glorifica é meu Pai, Aquele que dizeis que é vosso Deus. E vós não O conheceis, porém, O conheço; e, se dissesse que não O conheço, seria mentiroso como vós. Eu, porém, O conheço e guardo a sua palavra. Abraão, vosso pai, sentiu júbilo porque havia de ver meu dia; ele o viu e alegrou-se. Disseram-Lhe então os judeus: Ainda não tens cinquenta anos, e viste Abraão? Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade, eu vos digo: antes que Abraão existisse, Eu sou. Apanharam eles, então, pedras para Lhe atirar; mas Jesus escondeu-se e abandonou o templo". 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Dirijo-me a todos vós, amados leitores, mas especialmente aos meus caríssimos colegas de sacerdócio.

   Se alguém merecia absoluta admiração e afeição universal, era por certo Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é  o Caminho, a Verdade e a Vida. É nosso Salvador, Mestre e nosso Exemplo: "Aprendei de mim, diz Jesus, que sou manso e humilde de coração". A doçura, a mansidão, a humildade, a amabilidade, a multidão e natureza de seus milagres, que mostravam sua bondade e seu poder, deviam ganhar-Lhe todos os corações. E, todavia, homem algum foi objeto de mais implacáveis ódios. 

   Caríssimos, que lemos neste Evangelho do 1º Domingo da Paixão? Conhecendo que os fariseus se obstinavam em maquinar contra a sua vida, Jesus procura abrir-lhes os olhos sobre a enormidade de um tal atentado: "Mas, por fim, lhes diz, de que me acusais vós? Apontai um fato e provai-o: qual de vós me arguirá de pecado?" Caríssimos, era necessário estar muito seguro de si, para falar assim a inimigos tão perversos e sagazes.

   Mas que pode a verdade sobre homens que não querem ouvir senão a paixão? Depois deste desafio tão simples e modesto, não replicar era reconhecer que Jesus era irrepreensível. "É, pois um justo, um profeta, talvez, o Messias, concluiria qualquer homem sensato. Mas a inveja diz: "É um samaritano, um inimigo de Deus e de seu povo, é um possesso: "Não dizemos bem nós, que és Samaritano, e que estás possesso do demônio?" Quê? sou inimigo de Deus e um endemoniado, porque não tenho pecado?... É que o ódio quando confundido, enfurece-se; já não sabe senão insultar e blasfemar. Toda paixão cega. 

   Caríssimos colegas de sacerdócio, se nós ministros de Nosso Senhor Jesus Cristo, cumprirmos fielmente nossos deveres, participaremos sempre da sorte de nosso Divino Mestre: "Se o mundo vos aborrece, sabei que, primeiro do que a vós, me aborreceu a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas, porque vós não sois do mundo, antes Eu vos escolhi do meio do mundo, por isso o mundo vos aborrece. Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: Não é o servo maior do que o senhor. Se eles me perseguiram a mim, também vos hão de perseguir a vós"... Portanto, tudo foi predito pelo próprio Jesus. Nós sacerdotes devemos ser a luz do mundo e o sal da terra: a luz fere os olhos doentes e a virtude desagrada ao vício: "Se eu vos digo a verdade, por que não me credes?"  Na verdade, caríssimos, aqueles orgulhosos não acreditaram em Jesus precisamente porque Ele lhes dizia a VERDADE. Lisonjeemos o soberbo, falemos o que está de acordo com seus desejos mundanos, dirijamo-nos a ele com agradáveis mentiras, e ele nos acreditará sem custo; mas, instruamo-lo com verdades que contrariam suas inclinações, e será uma felicidade, se não empregar violência contra nós: "Apanharam, então, eles pedras para Lhe atirar".

   Caríssimos, a contradição virá algumas vezes daqueles que tínhamos por amigos. São Paulo queixa-se disto de um modo especial. Escrevendo aos Gálatas, diz-lhes: "Vós recebestes-me como um Anjo de Deus, como Cristo Jesus. Era tão grande a vossa afeição para comigo, que arrancaríeis os olhos, para mos dar! Tornei-me eu logo vosso inimigo, porque vos disse a verdade?" (Cf. Gálatas IV, 16). Não há  meio termo: ou faltar aos deveres do meu ministério, sacrificando a minha consciência, ou sujeitar-me a ser estorvado nos meus desígnios, combatido, perseguido. Se quero ser bem visto do mundo, devo submeter-me aos seus erros e paixões. Ó meu Deus, preservai-me de tão culpável fraqueza! Ó meu doce Jesus, fazei que eu só procure agradar a Vós!

   No sacerdócio colegas caríssimos, aprendamos do próprio Jesus como devemos proceder para com os nossos perseguidores.

   Para um judeu, chamar-se samaritano, era um grande insulto; é-o para qualquer pessoa, chamar-se endemoniado; quanto mais para o Filho de Deus! Nosso Senhor Jesus não responde à primeira invectiva, porque não passava de um insulto; à segunda, que devia desconsiderá-Lo diante o povo, e não podia conciliar-se com o zelo da glória de seu Pai, Jesus repele-a expondo simplesmente a verdade: "Não, Eu não tenho demônio; mas honro o meu Pai, e vós em paga desonrais-Me". Que domínio sobre si mesmo! Que divina calma! Quando repreendia os vícios, diz São Jerônimo, sua voz era áspera; mas, quando se defendia de alguma afronta, usava maior mansidão. Negou que fosse possesso, afirmou que honrava o seu Pai: foi a sua única justificação.

   Caríssimos, eis o nosso modelo. Vinguemos com energia as injúrias que se referem a Deus, e desprezemos as que só a nós se referem. Trabalhemos por poder dizer como Jesus, sem que o coração desminta os lábios: "Eu, porém, não procuro a minha glória; há quem a procure e faça justiça". Sim, outro cuidará da nossa honra: Deus que vê tudo, dirige tudo, julga e manifestará tudo.

   Caríssimos, a exemplo do divino Salvador, reservemos para o juízo de seu Pai as injúrias que nos fazem. Entreguemos-Lhe a nossa reputação; a nossa causa é a sua, fá-la-á triunfar com certeza, no dia do juízo, e talvez na vida presente. Amaldiçoados pelos homens, seremos abençoados por Deus, que proporcionará a alegria dos seus servos às tribulações que tiverem padecido por ele. Sobretudo nesta conjuntura tão triste em que se encontra a Santa Madre Igreja, sofremos muitas incompreensões! O importante é que Nosso Senhor sabe que estas acusações não são verdadeiras. E é Ele quem vai nos julgar.

   A bondade de Jesus não faz mais que exasperar esses endurecidos; pegam em pedras, e querem condená-Lo, ao suplício dos blasfemos. Mas o amor que nos tem, fizera-O escolher um tormento ainda mais ignominioso e cruel. Mas, não tinha Ele poder e direito para os punir? Sim, mas quer ensinar-nos, que o poder deve muitas vezes ceder à paciência, o direito à caridade, e que há mais verdadeira grandeza em padecer do que em vingar, em não querer o que se pode, do que em poder o que se quer.

   Caríssimos colegas no sacerdócio, não esqueçamos que somos enviados como cordeiros para o meio dos lobos, e tenhamos sempre tanta paciência, que nem sequer os mais indignos tratamentos nos arranquem nunca uma palavra ofensiva. Retribuamos mal com bem e ódio com amor. O Cordeiro de Deus, que oferecemos em sacrifício no Altar, e que recebemos todos os dias como alimento da nossa alma, nos comunique estas santas disposições. Amém!   

   

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