SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

segunda-feira, 31 de julho de 2017

EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS DE SANTO INÁCIO DE LOIOLA

   Os Exercícios Espirituais de Santo Inácio, (isto é, o Retiro) constitui uma verdadeira Arte de duas coisas: para converter o pecador e para a escolha de estado, ou seja, para descobrir a vocação e a ela ser fiel. 

   Há uma frase de Santo Agostinho que substancialmente resume o que é o Retiro: "Est hominis iter ad Deum, per Deum-Hominem". Em português: É para o homem o caminho para se chegar a Deus através do Deus-Homem. Em outras palavras: O homem é um viajante, o ponto de partida é o pecado do qual o homem deve ficar limpo e fortificado contra ele para não cometê-lo de novo. Feito isto, o homem caminha para Deus que é o termo da nossa viagem, e o caminho que conduz a este termo, é o Homem-Deus, é Nosso Senhor Jesus Cristo. 

   A primeira etapa do caminho é a chamada Via Purgativa que consiste em meditar as verdades que nos purificam e ensinam-nos a combater, a destruir o pecado, seja em si, seja em suas causas. O Retiro é constituído de quatro semanas ou melhor, quatro séries de meditações. A primeira (deformata reformat= reforma o que está deformado): tem por fim destruir o império do pecado e reformar o que havia de desordenado. 

   A segunda semana ou série (reformata conformat= as coisas reformadas são conformadas às virtudes de Nosso Senhor Jesus Cristo). Como Jesus Cristo é a nossa Luz, esta série de meditações tem por finalidade conformar a nossa vida á de Jesus Cristo que é nosso modelo. Ele torna-se a forma interior e exterior do verdadeiro cristão. Esta semana do Retiro corresponde à Via Iluminativa. A alma é iluminada pelas virtudes do Divino Mestre, que é Luz, Verdade e Vida. 

   A terceira semana ou série (conformata confirmat = as coisas conformadas, são confirmadas). É uma série de meditações sobre a Paixão e Morte do Salvador, justamente para firmar a alma nas suas generosas resoluções de imitar as virtudes de Nosso Senhor Jesus Cristo. Estas meditações são as mais próprias para nos levar ao arrependimento perfeito dos nossos pecados e ao mesmo tempo, levados em primeiro lugar pelo amor de Deus, continuar odiando e evitando o pecado e ao mesmo tempo, também por amor, ficar firme na imitação das virtudes de Nosso Divino Salvador. 

   A quarta semana ou série (confirmata transformat = as coisas confirmadas, são transformadas). Aplicando-nos a contemplar o Filho de Deus na sua vida gloriosa, tende a transformar-nos neste divino objeto do nosso amor.  Por isso é chamada Via Unitiva. O normal seria que no fim do Retiro a alma pudesse exclamar com São Paulo: "Vivo, mas já não sou eu que vivo, é Jesus que vive em mim". "A minha vida é Jesus"; "Agora, só quero viver por Aquele que morreu por mim". 

   Mesmo quando se prega o Retiro para o povo, o pregador procura fazer alguma meditação correspondente a estas 4 séries. Como devemos ter a humildade de reconhecer que somos pecadores, nunca se pode deixar de fazer pelo menos uma meditação correspondente à Via Purgativa. Do contrário, o Retiro pode ser até mais agradável, mas com certeza não terá a força própria do Retiro. Pois, como vimos no início, destruir e evitar o pecado deve ser o ponto de partida. Assim como não adiantaria trocar o telhado de uma casa ou pintá-la, se os alicerces estão abalados. É a alegria ilusória de estar morando numa casa nova, quando na realidade, continua correndo o risco da ruína. 

  É evidente, que uma alma assim preparada e unida a Deus tem todas as condições de ouvir a voz de Nosso Senhor que a chama para uma consagração especial a Ele. 

  Além das meditações como acabamos de explicar, o Santo Retiro, tem o recolhimento, o silêncio, a solidão; Assim a alma tem todas as condições de ouvir e seguir o voz de Deus. Porque, na verdade, como diz a Sagrada Escritura: Deus não está na agitação e no barulho. "Conduzirei a alma à solidão e ali lhe falarei ao Coração" (Oséas II, 14). 

EXEMPLO

   Um sacerdote, exorcizando um possesso, obrigou o demônio a declarar, qual a coisa que mais temia. Disse: "Tenho medo da oração, do jejum, da esmola, da confissão, da comunhão, mas muitas pessoas rezam tão mal, jejuam e dão esmolas por vaidade, confessam-se e comungam sem fruto, de sorte que pouco me incomodo com estas coisas; tenho porém horror ao retiro, é ele que me arrebata tantas almas e é tão difícil depois recuperá-las". 

domingo, 30 de julho de 2017

PAIXÕES E MAUS HÁBITOS


"O ímpio, depois de ter caído no abismo dos pecados, tudo despreza" (Provérbios XVIII, 3).

Nada mais perigoso na luta pela salvação eterna do que a nossa propensão ao pecado. Basta pensarmos nestas palavras do Espírito Santo pela boca do Apóstolo São Paulo: "Vejo nos meus membros outra lei que se opõe à lei do meu espírito, e que me faz escravo da lei do pecado, que está nos meus membros. Infeliz de mim! quem me livrará deste corpo de morte? somente a graça de Deus por Jesus Cristo nosso Senhor" (Rom. VII, 23 e 24). "Mas pela graça de Deus sou o que sou, e a sua graça, que está em mim, não foi vã. (1 Cor. XV, 10). É a terrível concupiscência, consequência do pecado original. Este é tirado da alma pelo santo Batismo, mas a concupiscência permanece, para termos campo de luta, pela qual devemos merecer o céu. O Apóstolo diz tudo: temos dentro de nós mesmos esta lei do pecado e é pela graça de Jesus Cristo que podemos vencê-la, mas é necessário que correspondamos a esta graça para que ela não fique estéril em nossa vida.

Caríssimos, justamente por não corresponder à graça de Deus, é que pode acontecer de o pecador adquirir uma atração para mal ainda maior, que é o hábito do pecado. Não correspondendo à graça, o pecador é levado pelas suas paixões, que além  de si mesmas já serem muito fortes, tornam-se dominantes pelo hábito dos pecados provocados por elas. E pior ainda, estas paixões podem se tornar verdadeiros ÍDOLOS.

Caríssimos, é evidente, que quem luta generosamente, pondo em Deus toda a esperança, alcança infalivelmente o triunfo. A luta poderá prolongar-se, tornar-se renhida, mas acabará por uma vitória. Quem cede, porém, sem se incomodar, aquele cuja vida é assinalada por capitulações contínuas, será finalmente derrotado e cairá na escravidão do pecado e de suas paixões. E, longe de gemer sob este terrível jugo, aceita-o, ama-o, e se recusa a fazer esforços para dele se libertar. Oh! estado terrível da alma que se torna assim escrava dos sentidos, prostrando-se até diante das criaturas e alienando sua liberdade para deixar o vício dominar-lhe o coração como senhor absoluto! É portanto, um idólatra. Dando o exemplo do vício capital da gula diz São Paulo: "Falo com lágrimas, muitos procedem como inimigos da cruz de Cristo: o fim deles é a perdição, o deus deles é o ventre; e fazem consistir a sua glória na sua própria confusão, gostando somente das coisas terrenas" (Filipenses III, 18 e 19).

Os homens não adoram mais, é verdade, ídolos de madeira ou metal; não dobram os joelhos para adorar imagens inanimadas como se elas fossem deuses ou deusas. Os homens haviam de corar de tal loucura. Mas será menor a culpa de quem se entrega às paixões? Na verdade, quem se abandona ao pecado mortal, rejeita a soberania de Deus e adora a sua paixão. Deus Nosso Senhor não pode assim reinar em corações que prestam homenagem e adoração a falsas divindades.

Quando começamos a ceder a uma tendência culpável, somos inclinados a iludir-nos; julgamo-nos ainda livres. O demônio pode até fazer a pessoa se orgulhar como se estivesse dando provas de energia. E aí esta pobre alma por fim, não conseguirá mais resistir. É escrava do pecado e este é o seu deus! Coisa terrível!!! Quando uma melodia suave nos encanta os ouvidos, (estou ouvindo uma destas) estes sentimentos nos impressionam fortemente e caímos em uma espécie de êxtase, que nos faz esquecer todos os seres, que deixam, por assim dizer, de existir para nós (estava digitando sem pensar no que escrevia, tal o atrativo da música, e aí desliguei-a). Assim, caríssimos, também a alma que, atraída por um objeto criado, que lhe parece fascinante, não se obriga a afastá-lo, será seduzida sem demora e perderá a noção de tudo; sua vida então se concentrará na contemplação do objeto que lhe prende os pensamentos, como se fosse para ela o único necessário. Tal é o estado da alma idólatra. O que as almas santas sentem por Deus e pelas coisas de Deus, a alma idólatra sente pelas criaturas às quais se apegou como se fosse o seu fim último.

E Deus não castigará esta idolatria de muitos cristãos ou que se dizem tais? Claro que sim! Ouçamos o que diz Santo Afonso Maria de Ligório: "É difícil que tais pecadores se salvem, porque os maus hábitos cegam o espírito, endurecem o coração e ocasionam provavelmente a obstinação completa na hora da morte.

Primeiramente, o mau hábito nos CEGA. Qual o motivo que faziam os Santos implorar incessantemente a luz divina, temendo converter-se nos pecadores mais abomináveis do mundo? É porque sabiam que, se chegassem a perder a luz divina, poderiam cometer culpas horrendas. E como se explica que tantos cristãos vivem obstinadamente em pecados, até que irremediavelmente se condenam? Porque o pecado os cega, e por isso se perdem: "Assim pensaram, mas enganaram-se, porque a sua malícia os cegou" (Sabedoria II, 23). "O costume de pecar não deixa o pecador reconhecer o mal que pratica" diz Santo Agostinho.

Além disso, os maus hábitos ENDURECEM O CORAÇÃO, permitindo-o Deus justamente em castigo da resistência que se opõe a seu convites. Pode haver castigo maior?!... São Paulo diz que Nosso Senhor "tem misericórdia de quem quer, e endurece a quem quer" (Rom. IX, 18). Santo Agostinho explica este texto, dizendo que Deus não endurece de um modo imediato o coração daquele que peca habitualmente, mas que o priva da graça em castigo da ingratidão e obstinação com que repeliu a que antes lhe havia concedido; e em tal estado o coração do pecador se endurece como se fosse de pedra: "O seu coração é duro como a pedra, e apertado com a bigorna do ferreiro" (Jó XLI, 15).
Teme, pois, meu irmão caríssimo, que não te suceda esta desgraça. Se tens algum mau hábito, procura libertar-te agora que Deus te chama. Enquanto sentes remorso na consciência, regozija-te, porque é indício de que Deus ainda não te abandonou. Mas você pode garantir-te que Deus está longe de o fazer? Urge, pois, corrigir-te e sair o mais breve possível desse estado, doutra maneira gangrenar-se-á a ferida e te verás perdido. Eis o que é mais terrível! O que explicarei a seguir.

OS MAUS HÁBITOS OCASIONAM PROVAVELMENTE A OBSTINAÇÃO NA HORA DA MORTE:

Só escrevo baseado que estou na incontestável autoridade de um Santo Afonso Maria de Ligório. Ouçamo-lo: "Privado da luz que nos guia e endurecido o coração, que admira que o pecador tenha mau fim e morra obstinado em suas culpas? "O coração duro será oprimido de males no fim; e aquele que ama o perigo perecerá nele" (Eclesiástico III, 27). Os justos andam sempre pelo caminho reto. "A senda do justo é direita" (Isaías XXVI, 7). Ao contrário, aqueles que pecam habitualmente caminham sempre em linhas tortuosas. Se deixam o pecado por algum tempo, voltam de novo a ele; pelo que São Bernardo os ameaça com a condenação no sermão sobre o Salmo 90. Talvez algum deles queira emendar-se antes que lhe chegue a morte. Mas é precisamente nisto que está a dificuldade: o pecador por hábito, ainda que chegue à velhice, não se emenda. "O homem, segundo o caminho que tomou sendo jovem, não se afastará dele, mesmo quando velho" (Provérbios XXII, 6). "Se um etíope pode mudar a sua pele, ou um leopardo as suas malhas, poderás vós também fazer o bem, vós que não aprendestes senão fazer o mal?" (Jeremias XIII, 23). "Bem-aventurado o homem que está sempre com temor; mas o de coração duro cairá no mal" (Provérbios XXVIII, 14).

Estou, portanto, condenado e sem esperança?  -  perguntará, talvez, algum destes infelizes pecadores ... Não, se deveras quiseres emendar-te. Mas os males gravíssimos requerem remédios heroicos. Não deves esperar um milagre da graça. Impende evitar resolutamente as ocasiões perigosas, fugir das más companhias e resistir às tentações, recomendando-te a Deus. É preciso que te confesses a miúdo, que faças cada dia leitura espiritual e te entregues à devoção da Virgem Santíssima, pedindo-lhe continuamente que te alcance forças para não recair. É necessário que te domines e empregues violência. Se não aplicares agora o remédio, quando Deus te ilumina, mais tarde dificilmente poderás remediá-lo. Teme que não seja este o último apelo que Deus te faz. "Temo a Jesus que passa e não volta mais", dizia Santo Agostinho.

Ó Senhor, quero mudar de vida e entregar-me a Vós. Dizei-me o que devo fazer, pois quero pô-lo em prática. Sangue de Jesus Cristo, ajudai-me! Virgem Maria, advogada dos pecadores, socorrei-me! Amém!


HOMILIA DOMINICAL - 8º Domingo depois de Pentecostes

Leitura: Epístola aos Romanos VIII, 12-17.
              Evangelho segundo São Lucas XVI, 1-9. 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   No Santo Evangelho de hoje, através da parábola do "Feitor infiel" Nosso Senhor Jesus Cristo quer exortar-nos, a nós os "filhos da luz" a não sermos menos hábeis em olhar pelos interesses eternos do que "os filhos das trevas" em assegurar os bens deste mundo.
   Sob a imagem de um ecônomo, que chama infiel, o Divino Mestre nos faz ver o cuidado que devemos ter em assegurarmos uma boa morte, e como o melhor meio de a conseguir é a prática das obras de misericórdia. Certo ecônomo, diz Jesus Cristo, ao serviço de um rico proprietário, vendo que ia ser despedido, por causa da sua má administração, recorre a um expediente injusto, porém hábil, a fim de converter os devedores de seu amo em amigos que, no momento oportuno, o recebam em sua casa. Assim o pecador deve empregar todos os meios para ser recebido, depois da morte, nos tabernáculos eternos, ou seja, no Céu. Tal é o sentido da parábola que lemos em São Lucas XVI, 1-9.
   O homem rico é a figura de Deus, Senhor absoluto de todas as riquezas que possuem os anjos no céu,,e os homens na terra. O ecônomo é todo o homem que está neste mundo. Se o homem aqui na terra é considerado proprietário diante dos outros homens, não o é diante de Deus, mas apenas um administrador, um simples ecônomo. Tudo o que possuímos, de fato, não nos pertence, pois tudo nos foi confiado por Deus, a quem havemos de prestar contas.
   À hora da nossa morte, encontraremos um livro onde se acha notado, com rigorosa precisão (um copo d'água, uma palavra ociosa etc.) todo o nosso ativo e todo o nosso passivo; todo o bem e todo o mal. 
  Como o ecônomo infiel, seremos também acusados, diante de Deus, pelo demônio e pelos nossos próprios pecados.
   O pecador é chamado ao tribunal de Deus pela voz dos superiores, pelos bons exemplos que recusa imitar, pelos conselhos e salutares avisos dos seus amigos, pelas inspirações da graça, pelo remorso da consciência e, finalmente, pela morte que se aproxima lentamente e cai de súbito sobre ele. A vida inteira nos é concedida para regular as nossas contas, e podemos fazê-lo pelo exame de consciência e pela confissão sacramental. 
   -Presta-me contas da tua administração. Esta intimação será feita, um dia, a cada um de nós, à hora da morte. Para uns será horrível, como o prelúdio do castigo; para outros será cheia de consolação, como o anúncio da recompensa - Depois da morte já não podemos exercer a nossa administração, é já passado o tempo de expiar os nossos pecados. É agora, enquanto temos vida, tempo e saúde, que devemos refletir - Que hei de fazer? Agora não nos faltam os meios, e se refletirmos seriamente, logo encontraremos a resposta - Já sei o que devo fazer. No dia do Juízo o pecador dirá também - Que hei de fazer? mas será um grito de desespero, a sua perda é irremediável.
   Trabalhar cavando a terra, exposto ao sol e à chuva, é o penoso trabalho da penitência e da mortificação. Mendigar é orar, é suplicar o necessário para alimento da nossa alma.
As sete obras de misericórdia corporais
   Se, porém, não temos força ou coragem para as duras penitências da vida cristã, se não temos tempo e vagar para longas orações, podemos sempre praticar outras boas obras, fazer esmolas ainda mesmo do pouco que possuímos. Qual o pobre que não pode dar a outro pobre o óbulo da viúva ou ainda um copo d'água? A esmola é, pois, um grande meio de salvação, sem excluir, todavia, a penitência e a oração que, segundo as circunstâncias, nos for permitido fazer. 
   Caríssimos, vê-se bem a astúcia deste mau servo da parábola. Perdoando a uns mais do que a outros, toma precauções para que não seja descoberta a sua fraude. Além disso, ele conhecia talvez as disposições de cada um, e procede com toda a prudência, habilidade e espírito de previdência. Enquanto o ecônomo não tinha o direito de dispor dos bens de seu amo, nós recebemos de Deus, não somente uma permissão, mas ainda uma ordem formal de distribuir com largueza e liberalidade, os bens corporais e espirituais que Ele nos confiou. Quis o Divino Mestre fazer-nos compreender, diz Santo Agostinho, que se aquele mau servo é elogiado por saber acautelar os seu interesses, com mais razão seremos nós agradáveis a Deus, se, conformando-nos com a lei divina, praticarmos as obras de misericórdia.
   Jesus fala de "riquezas injustas",isto é, enganadoras, mentirosas. São assim chamadas porque são às vezes mal adquiridas, ou porque são mal empregadas, e, neste sentido, são a fonte de muitas injustiças. Em si mesma, porém, a fortuna é um dom de Deus, é uma graça que convém aproveitar para a nossa salvação, proporcionando-nos a amizade dos pobres, conquistando-nos o coração de Jesus que neles se incarna e representa. 
   Caríssimos e amados fiéis, quem tem pouco, dê pouco; quem tem muito, dê muito. Lembrai-vos que os bens desta terra em vossas mãos são perdidos para a eternidade; mas depositados nas mãos dos pobres e dos amigos de Nosso Senhor, frutificarão ao cêntuplo, resgatarão vossos pecados, e vos valerão o paraíso. Amém!
   

sexta-feira, 28 de julho de 2017

OS NOVÍSSIMOS SEGUNDO S. JOÃO BOSCO


"Em todas as tuas obras, lembra-te dos teus novíssimos, e nunca jamais pecarás" (Eclesiástico VII, 40).
A MORTE.

 A morte é a separação da alma do corpo e o total abandono das coisas deste mundo. Todos sabem que um dia devem morrer, mas ninguém sabe onde e como morrerá. Você não sabe se a morte o surpreenderá na sua cama ou no seu trabalho, na estrada ou em outro lugar. A ruptura de uma veia, um infarto, um tumor que talvez já esteja crescendo em seu organismo, uma  queda, um acidente, um terremoto, um raio e outras mil causas de que você nem suspeita agora, podem privá-lo da vida. E isto pode acontecer daqui a um ano, a um mês, uma semana, a uma hora e, talvez, apenas terminada a leitura desta meditação. Quantos se deitaram à noite com boa saúde e de manhã foram encontrados mortos! Quantos ainda hoje morrem de improviso! E onde se encontram agora? Se estavam na graça de Deus, felizes deles! São para sempre bem-aventurados. Mas se estavam em pecado mortal, agora estão eternamente perdidos! Diga-me, meu caro jovem, se você devesse morrer neste instante, que seria de sua alma?

Embora o lugar e a hora de sua morte lhe sejam desconhecidos; você sabe com certeza que vai morrer. Esperemos que a sua última hora não venha de repente, mas aos poucos, por uma doença comum. De qualquer modo virá um dia em que, estendido em sua cama, você estará prestes a passar à eternidade assistido por um sacerdote e cercado por parentes que choram. Você terá a cabeça dolorida, os olhos embaçados, a língua ressequida, um suor gélido e o coração fraquíssimo. Assim que a alma expirar, seu corpo será vestido e colocado num caixão. Aí os vermes começarão a roer suas carnes, e bem depressa de você não restarão a não ser poucos ossos descarnados e um pouco de pó. Experimente abrir um sepulcro e verá a que ficou reduzido aquele jovem antes cheio de saúde, aquele rico, aquele ambicioso, aquele orgulhoso!

Meu caro filho, ao ler estas linhas, lembre-se de que elas falam de você, como de todos os outros homens! Agora, o demônio, para induzi-lo a pecar, procura desviar sua atenção destes pensamentos e escusá-lo de suas culpas, dizendo-lhe não ser um grande mal aquele prazer, aquela desobediência, aquela omissão da Missa no domingo ou em dia santo, e assim por diante; mas quando chegar o momento da sua morte, será ele mesmo que vai lhe revelar a gravidade destes e dos outros pecados, e vai lançá-los diante de sua consciência. Que fará você então? Ai de você se, naquele momento, se achar em desgraça de Deus!

Não se esqueça, meu jovem amigo, de que daquele momento depende a sua eterna salvação ou a sua eterna condenação. Duas vezes temos diante de nós uma vela acesa: no Batismo e na hora da morte. A primeira vez para fazer-nos ver os preceitos da Lei divina que devemos cumprir, e a segunda para fazer-nos ver se os cumprimos. À luz daquela vela quantas coisas se verão! À luz daquela vela, você verá se amou a Deus ou se O desprezou; se honrou seu santo Nome ou se O blasfemou; você verá as festas profanadas, as Missas perdidas, as impurezas cometidas, os escândalos dados, os furtos, os ódios, as soberbas ... Oh! meu Deus, verei tudo naquele momento em que se abrirá diante de mim a porta da eternidade!

Grande e terrível momento do qual depende uma eternidade de glória ou de sofrimentos! Você está compreendendo o que lhe digo? Eu lhe digo que daquele momento depende o ir para o céu ou para o inferno; ser para sempre feliz ou desesperado; para sempre filho de Deus ou escravo de Satanás; para sempre gozar com os anjos e os santos no céu ou gemer e queimar para sempre com os condenados no inferno! Por isso, prepara-se para aquele grande momento fazendo logo um ato de contrição e, o mais depressa que você puder, uma boa e santa confissão. Decida-se, depois, a viver sempre na graça de Deus, porque como se vive assim se morre.

O JUÍZO PARTICULAR.

O juízo é a sentença que Jesus vai pronunciar no fim da nossa vida, com a qual fixará o destino de cada um por toda a eternidade. Assim que sua alma tiver saído do corpo, comparecerá diante do Juiz Divino, que lhe pedirá conta rigorosa do bem e do mal que você praticou na sua vida. Num piscar de olhos, como que numa luz repentina, você verá toda a sua vida posta em confronto com a vontade de Deus. Então você ficará horrorizado com os pecados cometidos dos quais não se arrependeu, com as orações desleixadas, com os escândalos dados. Verá as almas que, com seus maus exemplos, levou ao pecado, as quais o amaldiçoam no inferno e pedem sua condenação. Verá os demônios ansiosos para arrastá-lo consigo e, embaixo, o inferno escancarado para recebê-lo. Você tentará, então, levantar o olhar suplicante para a face de Cristo, mas não conseguirá manter o olhar. Invocará o auxílio de Nossa Senhora, mas Ela não poderá mais fazer nada por você. Então, não encontrando acolhida, gritará às montanhas e às pedras que o cubram e o aniquilem, mas elas não se moverão. Sua alma imortal não poderá de maneira alguma refugiar-se no nada. Nesta hora, você mesmo, reconhecendo a Justiça de Deus, invocará o inferno como uma libertação!

Meu caro jovem, você está ainda em tempo de evitar um juízo de condenação! Peça logo perdão a Deus de seus pecados e comece desde hoje uma vida verdadeiramente cristã. Naquele dia tremendo, você será feliz por ter amado a Jesus e ter observado seus mandamentos. Até os sofrimentos, que você padece agora, ser-lhe-ão naquele momento fonte de alegria. Viva, portanto, hoje como gostaria de ter vivido então!

O INFERNO.

Quem recusa Deus até o fim, isto é, até a hora da morte, continuará a recusá-Lo para sempre. Por isso, a Justiça divina, respeitando a livre escolha feita pela sua criatura, afasta-a para sempre de Si, deixando-a caminhar para o destino de quem recusou o Sumo Bem para escolher o sumo mal, o Inferno Eterno. A primeira pena que os condenados sofrem no inferno é a pena dos sentidos, que serão atormentados por um fogo que queima terrivelmente sem jamais se consumir. fogo nos olhos, fogo na boca fogo em todas as partes. Cada sentido  padece a própria pena conforme o mau uso que dele fez em vida. Os olhos são aterrorizados pela vista dos demônios e dos outros condenados. Os ouvidos só escutam uivos e prantos de desespero. O olfato sofre com o mau cheiro do enxofre e a boca com sede e fome canina.

O rico epulão, no meio dos tormentos do inferno, levantou o olhar para o céu e pediu, suplicante, uma gota d'água para refrescar a ardência de sua língua: mas até essa gota d'água lhe foi negada!
Oh! Inferno, Inferno! Quão infelizes são os que caem nos teus abismos! Meu caro, jovem, se você devesse morrer neste momento, para onde iria? Mas agora você não pode suportar um minuto o dedo na chama de uma vela sem gritar de dor, como poderá suportar o tormento de todas aquelas chamas por toda a eternidade?

A segundo pena que os condenados padecem no inferno é a pena do dano. Esta é, sem comparação, mais terrível que a dos sentidos, porque é a privação completa e eterna do Bem Infinito para o qual fomos criados. Como os nossos pulmões têm necessidade do ar para viver, assim a nossa alma tem necessidade de Deus; e como a morte por afogamento é a mais terrível que existe, assim não há pena mais insuportável para a alma do que a necessidade insopitável que sente de "respirar" Deus. Sem contar que o sofrimento do afogado dura poucos minutos, enquanto que o padecimento do condenado dura para sempre! E com a privação de Deus, o condenado é privado também da companhia dos Anjos, de Nossa Senhora, dos Santos e dos seus caros defuntos, que não verá nunca mais.

Caro jovem, como poderá ainda viver em pecado, agora que você conhece que terríveis penas esperam quem não se decide a amar a Deus verdadeiramente! Não adie a sua conversão! Tem certeza de que esta não será a última chamada, e, se não corresponde a ela, não terá outras para salvá-lo do inferno?

Considere, meu caro jovem, que se você for para o Inferno, nunca mais dele sairá! Pois no Inferno não só se sofrem todas as penas, mas todas eternamente. Passarão cem anos desde que você caiu no Inferno, passarão mil anos e o Inferno terá apenas iniciado; passarão cem mil, cem milhões, passarão mil milhões de séculos, e o inferno estará ainda em seu começo.

Se um Anjo levasse aos condenados a notícia de que Deus os quer libertar do Inferno, depois de passados tantos milhões de séculos quantas são as gotas d'água do mar, as folhas das árvores e os grãos de areia da terra, esta notícia lhes causaria a maior satisfação. "É verdade  -  diriam  -  que devem passar ainda tantos séculos, mas um dia hão de acabar!" Pelo contrário, passarão todos esses séculos e todos os tempos que se possam imaginar, e o Inferno estará sempre no princípio.

Se ao menos o pobre condenado pudesse enganar-se a si mesmo e iludir-se pensando: "Quem sabe, um dia talvez Deus poderá me arrancar deste tormento..." Mas não, nem isto será possível, porque foi o próprio condenado que, na hora da morte, firmou sua vontade contra Deus a tal ponto que não quer mudá-la mais agora que entrou na eternidade. Será ele mesmo a querer para sempre aquelas chamas que o queimam, aqueles demônios que o atormentam, e a rejeitar para sempre  aquele Deus que ele ofendeu!

Meu jovem amigo, compreende bem o que você está lendo? Uma pena eterna por um só pecado mortal que, talvez, cometeu com tanta facilidade! Escute, pois, o meu conselho: Se a consciência o acusa de algum pecado mortal (mesmo que seja um só), vá depressa confessar-se e comece logo uma vida boa. Para isto, escolha um santo sacerdote ao qual você poderá recorrer para pedir conselho e, se necessário, faça uma confissão geral, ou seja, que abranja toda a sua vida.

Lembre-se sempre de que, para não cair no Inferno, qualquer sacrifício que você possa fazer é bem pouca coisa, porque todos os sacrifícios que você possa fazer é bem pouca coisa, porque todos os sacrifícios deste mundo duram pouco, enquanto que o Inferno dura para sempre!

O PARAÍSO.

Tanto apavora o pensamento do Inferno, quanto consola a lembrança do Paraíso que Deus preparou para aqueles que O amam. Se você pudesse gozar ao mesmo tempo de todas as alegrias deste mundo, desde as belezas criadas até os alimentos mais saborosos, desde as músicas mais suaves até os afetos mais puros, saiba que tudo isso é nada em comparação com as alegrias que o aguardam no Céu!

Pense, com efeito, na alegria que experimentará encontrando-se com os seus parentes e amigos, que virão correndo ao seu encontro para acolhê-lo no meio deles; pense na beleza e nobreza dos Anjos e dos Santos que, aos milhões, louvam ao seu Criador. No Céu você verá a grande multidão de jovens que conservaram intacta a virtude da pureza e daqueles que a reconquistaram pelo arrependimento e pela penitência: e os verá todos felizes cumulados de uma felicidade que nunca lhes será tirada.

Mas saiba que todas as alegrias do Paraíso não são nada em comparação com a alegria que se experimenta ao ver a Deus! Como o sol ilumina e embeleza todo o mundo, assim Deus, com sua presença, ilumina e embeleza todo o Paraíso e enche seus bem-aventurados moradores de delícias inefáveis. N'Ele você verá, como num espelho, todas as coisas, gozará todos os prazeres, amará todos os Santos do Céu.

São Pedro, no monte Tabor, por ter contemplado uma só vez o rosto de Jesus radiante de luz, sentiu-se repleto de tanta doçura que, fora de si, exclamou: "Senhor, como é bom estar aqui!" E ali teria ficado para sempre. Pense, portanto, naquela sua alegria de poder contemplar e amar, não por um instante apenas, mas para sempre, aquele rosto divino que encanta os Anjos e os Santos e que embeleza todo o Paraíso!

E pense que alegria será para você contemplar e beijar o rosto puríssimo e amável de Maria Santíssima, que na terra você invocou tantas vezes e agora o recebe como filho caríssimo e o apresenta a Jesus!

Crie coragem, portanto, meu caro filho; se ainda lhe couber padecer alguma coisa neste mundo, não importa; o prêmio que o aguarda no Céu recompensará infinitamente todos os seus sofrimentos.


Então sim, você poderá dizer: "Estou salvo! Estarei para sempre com o Senhor!" Então sim, você bendirá o momento em que deixou o pecado, o momento em que fez aquela boa confissão e começou a frequentar os Sacramentos, o dia em que deixou as más companhias, as más leituras e os maus espetáculos... Então, cheio de gratidão, você se voltará para Deus e Lhe cantará seus louvores por todos os séculos. 

quinta-feira, 27 de julho de 2017

LOUCURA DO PECADOR


"A sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus" (1 Cor. III, 19)

CONSIDERAÇÃO XX SOBRE AS VERDADES ETERNAS (em resumo)
Segundo Santo Afonso Maria de Ligório

Há quem enlouqueça pelas honras; outros, pelos prazeres; não poucos, pelas futilidades da terra. E se atrevem a considerar loucos os santos, que desprezam os bens mesquinhos do mundo para conquistar a salvação eterna e o Sumo Bem, que é Deus. A seus olhos é loucura sofrer desprezos e perdoar ofensas; loucura, privar-se dos prazeres sensuais e preferir a mortificação; loucura, renunciar às honras e às riquezas, e amar a solidão, a vida humilde e oculta. Não consideram, no entanto, que a essa sua sabedoria mundana Deus chama loucura: "A sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus" (1 Cor. III, 19). Ah! ... Virá o dia em que confessarão e reconhecerão a sua demência... Quando, porém? quando já não houver remédio possível e tenham que exclamar desesperados: "Desgraçados de nós, que reputávamos loucura a vida dos santos! agora compreendemos que os loucos fomos nós. Eles já se contam no número feliz dos filhos de Deus e compartilham a sorte dos bem-aventurados, que durará eternamente e os fará felizes para sempre... ao passo que nós ficamos escravos do demônio, condenados a arder neste cárcere de tormentos por toda a eternidade!... Enganamo-nos, pois querendo cerrar os olhos à luz divina (cf. Sabedoria, V, 6) e nossa maior desventura é sabermos que o nosso erro não tem nem terá remédio enquanto Deus for Deus.

"Oxalá que eles tivessem sabedoria e compreendessem e previssem o fim" (Deuteronômio XXXII, 29). O homem que se guia razoavelmente em suas obras, prevê o futuro, isto é, considera o que lhe há de acontecer no fim da vida: a morte, o juízo, e depois dele o inferno ou a glória do Céu.. Quanto mais sábio é um simples aldeão que se salva, do que um monarca que se condena! "Vale mais um moço pobre, mas sábio, do que um rei velho e néscio, que não sabe prever nada para o futuro" (Eclesiastes IV, 13). Ó Deus! Não teríamos por louco aquele que, para ganhar um real, se arriscasse a perder todos os bens? E não deve passar por louco aquele que, a troco de um breve prazer, perde a sua alma e se expõe ao perigo de perdê-la para sempre? Esta é a causa da condenação de muitíssimas almas: ocupam-se em demasia dos bens e dos males presentes, e não pensam nos eternos.

Deus não nos colocou neste mundo para alcançarmos riquezas, nem adquirirmos honras ou contentarmos os sentidos, senão para procurarmos a vida eterna: "Mas agora que estais livres do pecado  e feitos servos de Deus, tendes por vosso fruto a santificação e por fim a vida eterna" (Rom. VI, 22). E a consecução desta finalidade deve ser o nosso único interesse. "Uma só coisa é necessária" (S. Lucas, X, 42). Ora, os pecadores desprezam este fim. Só pensam no presente. Caminham até ao término da vida e se acercam da eternidade, sem saberem para onde se dirigem. Sábio do mundo foi o rico avarento que soube enriquecer; e, todavia, morreu e foi sepultado no inferno (cf. S. Luc. XVI, 22).

"Ante o homem, a vida e a morte: aquilo que ele escolher, ser-lhe-á dado" (Eclesiástico XV, 18). Cristão! diante de ti se apresentam a vida e a morte, isto é, a voluntária privação das coisas ilícitas para ganhar a vida eterna, ou o entregar-te a elas e à morte eterna ...Que dizes? Que escolhes? ... Procede como homem e dize: Que aproveita ao homem ganhar o mundo todo e perder sua alma?" (S. Mateus XVI, 26).

Compenetremo-nos bem de que o verdadeiro sábio é aquele que sabe adquirir a graça divina e a glória do Céu. Roguemos ao Senhor para que nos conceda a ciência dos Santos, ciência que ele dá a quem lha pede (Sab. X, 10), Seremos eternamente venturosos, se soubermos amar a Deus, ainda que ignoremos todas as demais coisas, como dizia Santo Agostinho. Quantos ignorantes há, diz ainda o mesmo santo Doutor, que nunca aprenderam a ler, mas que sabem amar a Deus, e se salvam, quantos doutos do mundo que se condenam! ... Quão sábios, tantos mártires e tantas virgens que renunciaram a honras, prazeres e riquezas para morrer por Cristo!... Ainda os próprios mundanos reconhecem esta verdade, e proclamam feliz aquele que se entrega a Deus e sabe o que tem de fazer para salvar a sua alma. Em suma: aqueles que renunciam os bens da terra para se consagrar a Deus são chamados homens desenganados. Como deveremos chamar os que preferem a Deus os bens do mundo? ... Homens enganados.

Os sepulcros são escola excelente para reconhecer a vaidade dos bens deste mundo e para aprender a ciência dos Santos, adverte S. João Crisóstomo, saberíeis distinguir ali o príncipe do plebeu, o analfabeto do letrado?" "Eu, por mim, nada vejo, senão podridão e vermes". Todas as coisas do mundo passarão em breve, dissipar-se-ão como fábulas, sonhos e sombras.

Não há ninguém que se não quisera salvar e santificar, mas, como não empregam os meios convenientes, condenam-se. É preciso evitar as ocasiões de pecar, frequentar os sacramentos, fazer oração, e, sobretudo gravar no coração as máximas do Evangelho, como, por exemplo, as seguintes: "Que aproveita ao homem se ganhar o mundo todo e perder a alma?" Quem ama desordenadamente a sua vida, perderá a vida eterna". " Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo". Para seguir a Jesus Cristo é preciso recusar ao amor próprio a satisfação que exige. Nossa salvação consiste no cumprimento da vontade divina (Sl 29, 61).


Ó meu Jesus, que destes vosso sangue para me remir; não permitais que volte a ser, como fui, escravo do mundo! Arrependo-me, Sumo Bem, de ter-vos abandonado. amaldiçoo todos os momentos em que minha vontade consentiu no pecado, e abraço-me com vossa santíssima vontade, que só deseja a minha felicidade. Concedei-me, Eterno Pai, pelos merecimentos de Jesus Cristo, força para executar tudo quanto vos agrade, e fazei que prefira morrer a opor-me à vossa vontade. Ó Maria Santíssima, alcançai-me estas graças! O vosso divino Filho nada vos recusa. Amém!

domingo, 23 de julho de 2017

DEVO SALVAR-ME


"Deus Nosso Salvador quer que todos os homens se salvem" (cf. 1 Tim. II, 4).

Falamos anteriormente da graça santificante que é um hábito na alma e, portanto, permanente e só é perdida com a pecado mortal. Aqui neste artigo, falaremos das graças atuais que são passageiras. E é neste sentido que fala Santo Agostinho: "Temo a Jesus que passa e não volta mais".

Deus, Nosso Senhor quer a salvação de todos os homens.É uma verdade de fé: "Assim, não é a vontade de vosso Pai que está nos céus, que pereça um só destes pequeninos" (S. Mateus XVIII, 14). Deus, nosso Pai que está no céu, quer que todos os seus filhos se salvem, ou seja, que um dia, vão morar na sua verdadeira casa que é o Céu. Para tanto, dá as graças suficientes. Deus não quis, anteriormente à previsão dos méritos e dos pecados, salvar uns e perder outros; nem tão pouco tenha pensado assim: quero antes de tudo, e a todo custo, salvar Pedro e perder Judas, e por isso vou conceder a Pedro graças a que há de corresponder, e a Judas graças que não há de corresponder. Absolutamente não! porque, no seu amor infinito, Deus quer a salvação eterna de todos e poderá dizer a cada um dos condenados: "Que deveria eu fazer por ti que não tenha feito?" (cf. Isaías V, 4).

É bom, antes de nos aprofundarmos nesta meditação, ter em mente estas palavras de Santo Agostinho: "Quais são os eleitos? Vós, se o quiserdes" (In Ev. Joan., tr. 26, a. 2).  Há quem possa ser tentado a dizer: "O Céu foi preparado para outros: pois bem, sede outros e o céu terá sido preparado para vós" (In Ps. 126, n. 4).

Devemos também saber que, embora Deus queira não só a salvação mas também a santificação de todos, e, para tanto, dá as graças suficientes, é certo também que Ele não quer conceder a todos a mesma medida de graças. É o que Jesus ensina com a parábola dos talentos. Agindo livremente, por ser o Senhor de seus dons, e segundo os desígnios impenetráveis de sua Sabedoria infinita, determina que uns recebam grandes graças e outros graças menores. No que Deus faz para os menos favorecidos, fá-lo guiado sempre pela bondade e pelo amor. Jesus, em uma aparição a Santa Maria de Jesus Crucificado, Carmelita de Belém, disse: "Nenhuma alma se perde sem que eu lhe tenha falado mil vezes ao coração".

Eis uma verdade que muitos não entendem e desejo de coração que venham a entendê-la pela explicação de S. João Damasceno: "Deus prevê que os pecadores obstinados não se aproveitarão dos seus convites, preferindo perder-se. Ele mantém, apesar disso, o decreto que os chama à existência, e pelo qual lhes dará tais e tais auxílios, com os quais poderiam alcançar a salvação. Mantém-na, porquanto ele, Senhor e soberano, não pode depender de seus súditos, nem ser tolhido e impedido em seus desígnios pela má vontade alheia. Não é possível que Deus seja obrigado, antes de conceder seus benefícios, a prostrar-se diante de suas criaturas, e lhes perguntar humildemente de que graças estariam dispostas a se aproveitar. Nesse caso, diz o Santo, seria o pecador quem havia de vencer a Deus, cujo poder limitaria" (Cf. Fé Ortodoxa, L. IV, cap. XXI).

Deus fez o homem livre e respeita-lhe a liberdade. Ora, sendo livre, ele pode se aproveitar fielmente das graças divinas atuais que se sucedem quase que ininterruptamente. Mas o homem pode também, mostrar-se menos fiel, e, pela sua resistência ou negligência, colocar obstáculos, maiores ou menores à torrente das liberalidades divinas. Na verdade, Deus não se deixa vencer em generosidade; mas, também sente a ingratidão e, então, não dá tantas graças atuais como daria se a alma fosse generosa e agradecida. Jesus reclamou daqueles nove leprosos que curados no caminho, não voltaram para agradecer. E é evidente que ao samaritano agradecido, Jesus concedeu mais graças: "Tua fé te salvou". Caríssimos, que responsabilidade quando essa graça que tanto custou a Jesus, se torna inútil por nossa culpa! Que ingratidão, que loucura! Quão terríveis são as maldições proferidas por Jesus contra aqueles que abusam de grandes graças: "Ai de ti, Corozain, ai de ti, Betsaida... No dia do juízo haverá menos rigor para Tiro e para Sidon do que para vós" .  "E tu Cafarnaum, que te elevas até ao céu, serás abaixada até aos infernos... Sim, eu te digo, haverá menos rigor no dia do juízo para o pais de Sodoma que para ti" (S. Mateus XI, 21-23).

 Quando, por culpa da pessoa, a graça de Deus  se torna estéril, também não serão tão frequentes como antes. Há também outro crime em relação às graças divinas: a negligência. São Paulo admoesta seu discípulo Timóteo: "Não negligencies a graça que te foi dada" (2 Tim. IV, 14). "Por que, pergunta São Francisco de Sales, não progredimos no amor de Deus como Santo Agostinho, S. Francisco de Assis, Santa Catarina de Gênova, Santa Francisca Romana? É, Teótimo, porque Deus ainda não nos concedeu essa graça. E por que não no-la concedeu? Porque não correspondemos devidamente às suas inspirações" (Trat. do Amor de Deus, 11, II). E o Santo da mansidão faz esta comparação: "Se nos derem um remédio e o recusarmos por culpa própria, o remédio ficará sem efeito. Se, em vez de o tomarmos todo, bebermos apenas um gole, não produzirá o efeito desejado, e isto ainda por nossa culpa. Assim se dá com a graça: pede-nos muito. Se não lhe dermos senão uma parte do que nos pede, ou se, em vez de lhe darmos tudo de boa vontade, lho dermos com certa reserva, com certo receio, e, por assim dizer, de mau grado, a graça não produzirá os efeitos salutares que Deus desejava operar por seu meio; sem se tornar inteiramente estéril, será, por nossa culpa, pouco fecunda". Muitas almas não progridem na vida interior porque tem receio de fazer sacrifícios, não são dóceis. Jesus lhes fala ao coração para pedir-lhes sacrifícios, como faz com todos os seus filhos; estas almas tíbias, no entanto, encontram sempre pretextos fúteis para se esquivar.

Deus quer a nossa santificação e, no entanto, seus planos de bondade ficam tolhidos por aquelas almas que não querem fazer violência a si mesmas, são pouco corajosas. São almas, que na prática, mesmo que não o digam, se contentam em ser servas de Deus e recusam a amizade íntima com o seu Pai do Céu. No fundo é falta de mortificação. Para, pois, corresponder aos desígnios de Deus, seria necessário fazer violência a si mesmas, mortificar o seu corpo, os seus gostos, reprimir a sua imaginação, conter as suas palavras, renunciar a si mesmas constantemente. Preferem a mediocridade para poderem viver mais suavemente. Temem as provações, as contradições, as humilhações. Tem-se a impressão que estas almas temem ser santas! E, assim como a generosidade atrai mais graças, esta negligência é castigada pelo escassez das graças. E aqui, devemos ter em mente uma verdade assustadora: como jararacas dorminhocas, as paixões mais degradantes se encontram sempre no fundo da alma humana, e basta que Deus retire em parte suas graças, e diminua a sua proteção, para a alma cair no lodo. Assim Deus castiga o pecado pelo próprio pecado, e recompensa a virtude por um acréscimo de virtude. Sem dúvida, se a justiça é temperada pela misericórdia, não é porém aniquilada. A bondade de Deus o incita a conceder graças aos próprios pecadores; a justiça, porém, obriga-O a diminuí-las e a punir o pecado, deixando-o produzir, ao menos em parte, seus funestos efeitos. As graças escolhidas que Deus dá às almas dóceis, generosas e gratas, recusa-as às almas tíbias, mesquinhas e ingratas.

Mais uma importante observação: uma única resistência à graça já causa uma grande perda espiritual, mas uma longa série de infidelidades e o hábito de afastar as inspirações divinas, produz efeitos ainda mais funestos. Eis uma verdade constatada nas almas: os pecadores voltam aos seus pecados, os medíocres à sua mediocridade, as almas fervorosas à sua habitual generosidade. "Quem tem, ser-lhe-á dado mais ainda, o que não tem muito, até o pouco que tem lhe será tirado". Aí está a explicação entre os perfeitos e os não perfeitos. Os primeiros são sempre dóceis ao Divino Espírito Santo; os segundos são sempre ou quase sempre negligentes e resistem ao Divino Espírito Santo.


Caríssimos, já que tantas vezes ouvimos a voz de Deus, não queiramos endurecer o nosso Coração. Sejamos cumpridores dos nossos deveres em relação ao Doce Hóspede e Santificador de nossas almas: nunca expulsar da alma pelo pecado mortal, o Espírito Santo; nunca contristar na alma pelo pecado venial deliberado, o Espírito Santo, e nunca resistir às inspirações do Espírito Santo. Amém!

EPÍSTOLA DO 7º DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES


Romanos VI, 19-23

"Falo à maneira dos homens, por causa da fraqueza da vossa carne, porque, assim como oferecestes os vossos membros para servirem à imundície e à iniquidade, a fim de (chegar) à iniquidade, assim oferecei agora os vossos membros para servirem à justiça, a fim de chegar à santificação. Porque, quando éreis escravos do pecado, estivestes livres quanto à justiça. Que fruto tirastes então daquelas coisas, de que agora vos envergonhais?(Nenhum), pois o fim delas é a morte. Mas agora, que estais livres do pecado e feitos servos de Deus, tendes por vosso fruto a santificação e por fim a vida eterna. Porque o estipêndio do pecado é a morte. Mas a graça de Deus é a vida eterna em nosso Senhor Jesus Cristo".

Neste capítulo VI São Paulo observa que Jesus morreu uma só vez e "ressuscitando dos mortos, não morrerá jamais; pois a morte nenhum domínio exercerá sobre Ele". Assim também quem morreu para o pecado, há de viver para Deus, não permitindo que sobre seu corpo reine o pecado, mas libertando-se dele para sempre. Tanto mais que o fruto do pecado é a morte e o fruto da graça é a vida eterna.

O pecador é vítima de seus próprios pecados, e é castigado às vezes, por eles mesmos. Só para darmos alguns  exemplos: os libertinos levam uma vida infernal, não só enquanto estão no caminho da condenação mas também mesmo neste mundo. Paz, honra, dignidade, muitas vezes, a saúde, a família, tudo é imolado sobre o triste altar de um curto prazer pecaminoso. Quando a faísca dos pecados impuros não for logo apagada, transforma-se num incêndio devastador e incontrolável ou quase. Quantas fadigas e quantas lutas se impõem aqueles que se entregam às paixões impuras!

Os vaidosos e, sobretudo as vaidosas, a quantos sacrifícios se submetem por causa da beleza. Isto sim é ser escravo; escravo das modas. E quanta preocupação e gastos no afã de se sobressair nas reuniões mundanas! Infelizes daqueles que se entregam às drogas e à bebida! Estragam sua saúde, a da alma e também a do corpo. "Que fruto tiveste  -  pergunta o Apóstolo  -  naquelas coisas de que agora te envergonhas?" Qual um general déspota que, depois de haver exigido dos soldados os maiores sacrifícios, dá-lhes por soldo a morte, assim é o pecado. Depois de vos conduzir por caminhos íngremes, paga-vos com o salário da vergonha. Daí o conselho de São Paulo: se tivestes a infelicidade de sofrer tanto para correr atrás da satisfação das tuas paixões, empregue agora, depois de convertido, todas as tuas forças para correr no caminho da virtude e da verdadeira paz, enfim, para a vida eterna na Pátria do Repouso eterno. Em outras palavras: reserva para o bem os entusiasmos que outrora consagravas ao mal.

A lei da castidade, sobretudo, parece reclamar desmedidas renúncias? Entretanto, devemos igualmente medir os sacrifícios que foram feitos para simplesmente se afundar e se revolver na lama de imundícies. Então, uma vez convertido, deve o homem, com igual ânimo, enfrentar as dificuldades que se opõem a liberdade de filho de Deus. O pecador convertido deve pensar na pontualidade com que se apresentava em outros tempos à festas mundanas mesmo depois de um dia de trabalho estafante, e agora não deve medir esforços para ter a mesma pontualidade em se apresentar à igreja para a Santa Missa. Quantos gastos para a vaidade! Agora, convertido, seja generoso para com os pobres e em ajudar à Igreja. Conta-se de certo santo, cujo nome não me lembro no momento, que ao passar pela rua, encontrando-se com uma dama esmeradamente elegante e perfumada, desatou a chorar. Perguntando-lhe outros a razão destas lágrimas, respondeu-lhes o santo: "É que vejo nesta mulher maior cuidado em servir ao mundo, do que atenções encontre em mim no serviço de Deus".

O próprio São Paulo é um exemplo de convertido! Quem mais investiu contra a Igreja do que o fariseu Saulo a "respirar ameaças e morte contra os discípulos do Senhor"? Mas quem mais do que ele, soube com igual generosidade consagrar à Igreja e a Jesus  os nobres impulsos do coração e do gênio? Nem os açoites dos romanos, nem as flagelações dos judeus; nem os perigos dos ladrões e dos da sua nação, dos gentios, do deserto e do mar; nem o trabalho, nem a fadiga; nem as vigílias, nem a fome, nem a sede,  (cf. 2 Cor. ) enfim, jamais coisa alguma conseguiu arrefecer-lhe o entusiasmo por Cristo Jesus, que, outrora, odiava até a perseguição e que, depois, convertido, amou até a adoração.


Poderíamos dar muitos outros exemplos de convertidos: como Santo Agostinho e Santa Maria Madalena. Mas quero terminar com as palavras do grande Orígenes: "Corriam, outrora, teus pés para o delito, corram agora para a virtude. Estendiam-se antigamente tuas mãos aos bens alheios, estendam-se hoje aos teus bens para generosamente distribuí-los. Voltavam-se antes teus olhos às riquezas do teu próximo na ânsia de possuí-las, voltem-se, agora, para os pobres no desejo de socorrê-los. O ofício que teu corpo um dia prestava aos vícios, ofereça-o hoje à virtude; e o serviço antigamente dado à imundície seja agora dado à castidade e à santidade". Amém!

A IGREJA CATÓLICA - 30ª LIÇÃO


 -  QUEM FUNDOU A IGREJA CATÓLICA?

FOI NOSSO SENHOR JESUS CRISTO. 

  Como já sabemos, Jesus, tendo 30 anos, foi ensinar. Como o padre que visita as capelas, assim Jesus sempre parava algum tempo numa povoação, ensinava a sua doutrina, e provava com alguns milagres que dizia a verdade.
   Quando o padre prega, alguns não vêm ouvir, outros ouvem e não fazem caso, mas há pessoas que ouvem e aceitam a doutrina e fazem o que o padre ensina.
   Assim era com Jesus. Alguns nem foram ouvir o Senhor: outros foram e não fizeram caso, não creram; mas alguns ouviram a doutrina do Senhor, creram em tudo o que Jesus ensinava e queriam fazer tudo o que Jesus mandava. E assim Jesus percorreu quase todo o país, e em quase todo a parte encontrava gente boa, que aceitava a sua doutrina.
   Àqueles que criam o que ensinava e queriam fazer o que mandava, Jesus lhes chamava seu rebanho, ou sua Igreja. No país onde o Senhor ensinava, havia muitos pastores de ovelhas. De manhã, o pastor chama as suas ovelhas e vai diante delas para procurar uma fonte com água boa, para as ovelhas beberem, e um bom pasto para o seu rebanho. Naquele país há muitos lobos que querem comer as ovelhas; mas um bom pastor vigia bem e defende as suas ovelhas contra o lobo e de noite as coloca dentro dum curral, onde os lobos não podem entrar. Jesus se chama a si mesmo o bom pastor. O bom pastor procura pasto para as suas ovelhas. Jesus dava a sua doutrina. A nossa alma tem fome da verdade, isto é, a nossa alma deseja conhecer, receber a verdade. A doutrina de Jesus é o pasto para a nossa alma. Um bom pastor procura pasto para as suas ovelhas. Jesus dava a sua graça. O bom pastor defende as suas ovelhas contra o lobo. O lobo que quer mal às almas, é o demônio. Jesus defende-os contra o demônio. 
   Por isso Jesus chama a estes fiéis o seu rebanho, e a si mesmo o bom Pastor. Jesus chama-os também a sua Igreja , ou o seu reino. O rebanho de Jesus quer dizer a sua IGREJA.


 

 O rebanho é uma porção de ovelhas, unidas pela obediência aos mesmos pastores. As ovelhas de Jesus são aqueles que creem na verdadeira doutrina de Jesus. Estas ovelhas de Jesus são unidas num rebanho pela obediência aos mesmos pastores. Os pastores são os Bispos e o Papa. A IGREJA CATÓLICA SÃO AQUELES QUE CREEM A VERDADEIRA DOUTRINA DE JESUS E ESTÃO UNIDOS PELA OBEDIÊNCIA AOS BISPOS E AO PAPA. Entre os protestantes não é assim. Não há união. Eles não obedecem aos bispos nem ao papa. Cada um faz o que pensa. Os protestantes não são uma igreja, mas muitas igrejas. Mas Jesus disse: "Haverá um só rebanho e um só pastor". Este único rebanho é a Igreja Católica. Se as seitas protestantes fossem de Jesus, o divino Mestre teria dito: "Haverá muitas centenas de rebanhos, de igrejas com pastores que se contradizem uns aos outros". Devemos agradecer ao nosso Bom Pastor, Jesus, por nos ter recebido entre as ovelhas do seu rebanho. Para esta ação de graças podemos dizer as belas palavras da Sagrada Escritura, que nos ensina a rezar assim:
   "O Senhor é meu pastor, e nada me faltará. Colocou-me nos seus pastos verdejantes. Conduz-me a águas frescas. Leva-me pelos caminhos da justiça por causa do seu nome. Ainda que eu caminhe no meio da escuridão da morte".







HOMILIA DOMINICAL - 7º Domingo depois de Pentecostes

Extraído do   Livro "INTIMIDADE DIVINA" do P. Gabriel de S.ta M.  Madalena,O. C. D.

   No Evangelho de hoje, Jesus chama a nossa atenção para os "falsos profetas" que se apresentam "vestidos de ovelhas e por dentro são lobos rapaces". Muitos apresentam-se como mestres de moral ou mestres espirituais, porém são mestres falsos porque as suas obras não correspondem às suas palavras; aliás, é fácil falar bem, mas não é fácil viver bem. Às vezes as doutrinas propostas são falsas em si mesmas, embora à primeira vista o não pareçam, visto que se revestem de certos aspectos de verdade; é falsa a doutrina que, em nome de um princípio evangélico, ofende um outro, por exemplo, que em nome da compaixão para com uma pessoa lesa o bem comum, que em nome da caridade ofende a justiça ou esquece a obediência aos legítimos superiores. É falsa a doutrina que é causa do relaxamento, que perturba a paz e a união, que, sob pretexto de um bem melhor, separa os súditos dos superiores, que não se subordina à voz da autoridade. Jesus quer-nos "simples como pombas", alheios à crítica e ao juízo severo do próximo, mas quer-nos também "prudentes como as serpentes" (Mt. 10, 16), a fim de nos não deixarmos enganar pelas falsas aparências do bem que escondem perigosas insídias.
   Porém, ser mestre não é para todos, nem a todos se exige; mas a todos - sábios e ignorantes, mestres e discípulos - pede o Senhor a prática concreta da vida cristã. De que nos serviria possuir uma doutrina profunda e elevada, se depois não vivêssemos segundo essa doutrina? Portanto, em vez de querermos ser mestres dos outros, procuremos sê-lo de nós mesmos, empenhando-nos em viver integralmente as lições do Evangelho, imitando Jesus que primeiro "começou a fazer e depois a ensinar" (At.1, 1). O fruto genuíno que há-de comprovar a bondade da nossa doutrina e da nossa vida é sempre o que Jesus nos indicou: o cumprimento da Sua vontade. Cumprimento que significa adesão plena às leis divinas e eclesiásticas, obediência leal aos legítimos superiores, fidelidade aos deveres de estado, e tudo isto em todas as circunstâncias, mesmo quando exige de nós a renúncia à nossa maneira de ver e à nossa vontade.
   "Ó meu Deus, a Vossa suprema e eterna vontade não quer senão a nossa santificação, por isso a alma que deseja santificar-se despoja-se da sua vontade e reveste-se da Vossa. Ó dulcíssimo Amor, parece-me ser este o verdadeiro sinal dos que estão enxertados em Vós: que sigam a Vossa vontade à Vossa maneira e não à sua, que sejam revestidos da Vossa vontade" (cfr. Santa Catarina de Sena).

sábado, 22 de julho de 2017

A GRAÇA DE DEUS É UM BEM INEFÁVEL


"Ó se conhecêsseis o dom de Deus!" (S. João IV, 10).

Vejamos quão grande é a graça divina, e assim, consequentemente teremos todo o cuidado em não a perder, teremos, outrossim, mais horror ao pecado mortal que a destrói na alma do pecador que peca gravemente. Na verdade, caríssimos, são poucos os que conhecem o valor da graça divina. Poderíamos dirigir a multidão infeliz o mesmo lamento que Jesus Cristo expressou à mulher samaritana: "Ó se conhecêsseis o dom de Deus!".  Porque não conhecem o valor da graça divina, muitos e muitos trocam-na por ninharia, um fumo subtil, um punhado de terra, um deleite irracional.

Na parte superior do quadro vemos o símbolo de uma alma na graça de Deus;
Na parte inferior vemos o símbolo de uma alma em pecado mortal.
A graça santificante, vida da alma, participação real, embora limitada da própria natureza divina, é um tesouro de valor infinito, que nos torna dignos da amizade de Deus. A alma no estado da graça é amiga de Deus Nosso Senhor. O próprio Jesus Cristo disse: "Quem é meu amigo, guarda os meus mandamentos". Quem observa os mandamentos conserva em si a graça santificante, pela qual é amigo de Deus, e mais ainda, é filho de Deus. Devemos meditar frequente e profundamente nesta verdade: se estou na graça de Deus, sou amigo de Deus, sou seu filho. Filho adotivo, na verdade. Mas esta adoção é infinitamente superior à da terra, que  é só questão de assinatura de um documento, mas o sangue é outro. A adoção pela graça, porém, é uma participação real da natureza de Deus: "consortes divinae naturae" na expressão de São Pedro. É uma participação limitada, porque somos criaturas, mas é uma participação real. Tanta é esta dignidade que Jesus Cristo no-la mereceu por sua Paixão! Como diz São João Evangelista, Jesus Cristo nos comunicou, de certo modo, o resplendor que recebeu de Deus: "Eu (disse Jesus dirigindo-se a seu Pai) dei-lhes a glória que tu me deste, para que sejam um, como também nós somos um" (S. João , XVII, 22). A alma que está na graça  está intimamente unida a Deus: "Ao que está unido ao Senhor é um só espírito com ele" (1 Cor. VI, 17). O próprio Jesus disse que a Santíssima Trindade vem habitar na alma que está no estado de graça: "Aquele que retém os meus mandamentos e os guarda, esse é que me ama; e aquele que me ama, será amado por meu Pai, e eu o amarei (também), e me manifestarei a ele... Se alguém me ama, guardará a minha palavra, meu Pai o amará, nós viremos a ele e faremos nele morada" (S. João, XIV, 22).

Dizia Senta Brígida que ninguém seria capaz de ver a beleza de uma alma em estado de graça, sem morrer de alegria. Santa Catarina de Sena, ao contemplar uma alma em estado tão feliz, disse que preferia dar sua vida para que aquela alma jamais viesse a perder tanta beleza. Era por isso que a Santa beijava a terra que os sacerdotes pisavam, considerando que por seu intermédio recuperavam as almas a graça de Deus.

"Que tesouros de merecimentos, diz Santo Afonso de Ligório, pode adquirir uma alma em estado de graça! Em cada instante lhe é dado merecer a glória; pois, segundo disse Santo Tomás de Aquino, cada ato de amor, produzido por tais almas, merece a vida eterna. Por que, pois, continua o santo Doutor, invejar os poderosos do mundo? Estando na graça de Deus, podemos adquirir continuamente as maiores grandezas celestes".

Só aquele que desfrutou pode compreender quão suave é a paz de que goza, mesmo neste mundo, uma alma que se acha na graça: "Muita paz aos que amam a tua lei" (Salmo 118, 165). A paz que provém dessa união com Deus excede a quantos prazeres possam oferecer os sentidos e o mundo, como explica São Paulo: "E a paz de Deus, que está acima de todo o entendimento, guarde os vossos corações e os vossos espíritos em Jesus Cristo" (Filip. IV, 7).

Donde, caríssimos, devemos pedir sempre o amor de Deus, a sua graça e a perseverança neles. Devemos também pedir forças a Nosso Senhor para sofrermos com paciência todas as cruzes que Ele nos destinar, já que merecemos a separação e o fogo eternos se perdida a graça tivéssemos morrido assim. Devemos estar resolvidos a servir unicamente a Jesus Cristo, mesmo que for necessário vencer todo respeito humano. Devemos procurar agradar só a Jesus, e fazer de tudo para evitar o pecado mortal, e lutar também por evitar o venial. Só quero viver na graça de Deus, e quero, pelas graças atuais, crescer sempre mais na graça santificante.

Para terminar, vejamos o outro lado da moeda, a parte inferior do quadro ilustrativo: quão infeliz é a alma que cai em pecado mortal, que assim atrai o desagrado do próprio Deus. O profeta Isaías diz: "Mas são as vossas iniquidades que puseram uma separação entre vós e o vosso Deus, e os vossos pecados são os que lhe fizerem esconder de vós a sua face, para não vos ouvir" (Isaías, 59, 2). A pessoa que vive em pecado mortal, vive separado de seu Sumo Bem, que é Deus. Ela não é de Deus, nem Deus é seu. "E o Senhor disse a Oseias: Põe-lhe o nome de Não-meu-povo porque vós já não sois meu povo e eu não serei mais vosso (Deus)" (Oseias I, 9). Falando contra os pecados de idolatria diz a Sagrada Escritura: "Deus aborrece igualmente o ímpio e a sua impiedade". Se alguém tem por inimigo a um príncipe do mundo, não pode repousar tranquilo, receando a cada instante a morte. E aquele que foi inimigo de Deus, como pode ter paz? Pode-se escapar das mãos dos homens, mas das de Deus não: "A todo e qualquer lugar aonde vá, tua mão alcançar-me-á. E disse: Talvez me ocultarão as trevas; mas a noite converte-se em claridade para me descobrir no meio dos meus prazeres" (Salmo 138, 10 e 11). Além disso, a pessoa que vive no pecado mortal, traz consigo a perda de todos os merecimentos. Ainda que tivesse merecido tanto como uma Santa Teresinha do Menino Jesus, uma Santa Teresa d'Ávila, um São Francisco Xavier, um Santo Cura d'Ars, e até tanto como São Paulo que por si só alcançou  - segundo São Jerônimo  - mais merecimentos que todos os outros apóstolos, se tal pessoa cometesse um só pecado mortal, perderia tudo. De filho de Deus, o pecador converte-se em escravo do demônio; de amigo predileto torna-se odioso inimigo; de herdeiro da glória, em condenado do inferno.

Como é triste a gente ver como os homens em geral, relativamente com poucas exceções no mundo, choram por ter perdido algo de valor e/ou de estimação. Vi na Internet um sujeito chorando porque perdeu seu macaco de estimação. Aliás Santo Agostinho já dizia: "Aquele que perde um cavalo, uma ovelha, já não come, já não descansa , mas chora e lastima-se. Mas se perde a graça de Deus, come, dorme e não se queixa!". São Francisco de Sales dizia: "Se os anjos pudessem chorar, certamente chorariam de compaixão ao verem a desdita de uma alma que comete um pecado mortal e perde a graça divina". E Santo Afonso comenta: "Entretanto, a maior tristeza é que os anjos chorariam, se pudessem chorar, e o pecador não chora".


Ó meu dulcíssimo Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo, se na vida passada meu coração andou mal, amando as criaturas e as vaidades do mundo, de agora em diante, só viverei para Vós e só a Vós amarei, meu Deus, meu tesouro, minha esperança e minha fortaleza. Inflamai meu coração em vosso santo amor. Maria, minha Mãe, fazei que minha alma arda em amor de Deus. Amém! 

sexta-feira, 21 de julho de 2017

ABUSO DA MISERICÓRDIA DE DEUS


"E não digas: A misericórdia do Senhor é grande, ele se compadecerá da multidão dos meus pecados. Porque a sua misericórdia e a sua justiça estão perto uma da outra, e ele olha para os pecadores na sua ira" (Eclesiástico V, 6 e 7).

Não podemos duvidar que a misericórdia divina é infinita. Devemos igualmente estar convencidos pelo próprio Espírito Santo que Deus é justo. Não podemos entender "misericórdia",  como se fosse sinônimo de IMPUNIDADE. Não se admite isso nem em se tratando da Justiça Humana, quanto mais da Divina! Assim, ao terminar a parábola da dracma perdida, parábola esta que o Divino Salvador fez para mostrar a Misericórdia de Deus, conclui com estas palavras: "Haverá alegria no céu entre os anjos de Deus por um só pecador que faça penitência". Se não podemos deixar de ver aí a misericórdia divina, também não podemos fechar os olhos para a condição indispensável para que ela se efetue: "QUE FAÇA PENITÊNCIA". Seria até blasfêmia ou, pelo menos, chegaria às raias dela, dizer que Deus, em sua misericórdia perdoa sempre, com arrependimento ou sem ele, com conversão de vida ou sem ela.

São Paulo afirma categoricamente falando aos romanos; e, dados os escândalos oficiais das nações, é bom citarmos todo o contexto: "Pelo que Deus os  abandonou aos desejos do seu coração, à imundície; de modo que desonraram os seus corpos em si mesmos, eles que trocaram a verdade de Deus pela mentira e que adoraram e serviram a criatura de preferência ao Criador, que é bendito por todos os séculos. Amém. Por isso Deus entregou-os a paixões de ignomínia. Efetivamente, as suas próprias mulheres mudaram o uso natural em outro uso, que é contra a natureza, e, do mesmo modo, também os homens, deixando o uso natural da mulher, arderam nos seus desejos mutuamente, cometendo homens com homens a torpeza e recebendo em si mesmos a paga que era devida ao seu desregramento. Como não procuraram conhecer a Deus, Deus abandonou-os a um sentimento depravado, para que fizessem o que não convém, cheios de toda a iniquidade, de malícia, de fornicação, de avareza, de maldade, cheios de inveja, de homicídios, de contendas, de engano, de malignidade, mexeriqueiros, detratores, odiados por Deus, injuriadores, soberbos, altivos, inventores de maldades, desobedientes aos pais, insensatos, sem lealdade, sem afeto, sem lei, sem misericórdia. Os quais, tendo conhecido a justiça de Deus, não compreenderam que os que fazem tais coisas são dignos de morte; e não somente quem as faz, mas também quem aprova aqueles que as fazem" (Rom. I, 24- 32). E logo no capítulo II, 4-9: "Ou desprezaste as riquezas da sua bondade e paciência e longanimidade: Ignoras que a bondade de Deus te convida à penitência? Mas com a tua dureza e coração impenitente acumulas para ti um tesouro de ira no dia da ira e da manifestação do justo juízo de Deus, que há de dar a cada um segundo as suas obras: a vida eterna aos que, perseverando na prática do bem, buscam a glória, a honra e a imortalidade; ira e indignação aos que são pertinazes, não dóceis à verdade, mas dóceis à injustiça".

Diz Santo Agostinho que o demônio seduz os homens por duas maneiras: "Com desespero e com esperança. Depois que o pecador cometeu o delito, arrasta-o ao desespero pelo temor da justiça divina; mas, antes de pecar, excita-o a cair em tentação pela esperança na divina misericórdia". E o adverte: "Depois do pecado tenha esperança na divina misericórdia; antes do pecado tema a justiça divina". Caríssimos, na verdade não merece a misericórdia de Deus aquele que ser serve da mesma para ofendê-Lo. Daí dizer Santo Afonso: "A misericórdia é para quem teme a Deus e não para o que dela se serve com o propósito de não temê-Lo". Diz ainda um autor: "Aquele que ofende a justiça, pode recorrer à misericórdia; mas a quem pode recorrer o que ofende a própria misericórdia?" Santa Brígida dizia que os pecadores só pensam na misericórdia. São Basílio também dizia o mesmo: "Os pecadores só querem considerar a metade: o Senhor é bom; mas também é justo. Não queiramos, continua o santo, considerar unicamente uma das faces de Deus". "Tolerar quem se serve da bondade de Deus para mais O ofender, fora antes injustiça que misericórdia", diz também S. João d'Ávila. Maria Santíssima disse: "Et misericordia ejus timentibus eum" (São Lucas, I, 50).  "Acautelai-vos  -  diz S. João Crisóstomo  -  quando o demônio (não Deus) vos promete a misericórdia divina com o fim de que pequeis" (Hom. 50, ad populum Antiochenum). "Quem ofende a Deus, fiado na esperança de ser perdoado, é um escarnecedor e não um penitente", diz Santo Agostinho. São Paulo afirma: "De Deus não se pode zombar" (Gál. VI, 7). Mas seria zombar de Deus o querer ofendê-Lo sempre que quiséssemos e desejar, a seguir, o paraíso. Quem semeia pecados, não pode esperar outra coisa que o eterno castigo no inferno. "Em realidade, aquilo que o homem semear, isso também colherá. Aquele que semeia na sua carne, da carne colherá corrupção; mas o que semeia no Espírito, colhera do Espírito a vida eterna" (Gálatas VI, 7-9).  

O rei Manassés pecou; converteu-se em seguida, e Deus lhe perdoou. Mas para Amon, seu filho, que, vendo quão misericordiosamente seu pai havia conseguido o perdão, entregou-se à má vida com a esperança de também ser perdoado, mas para ele não houve misericórdia. Deus, na verdade vai à procura do pecador com toda solicitude; espera com toda paciência a sua conversão; se o pecador se converte, perdoa-o com toda misericórdia a tal ponto que nem se lembra mais das suas ofensas, e  há alegria até entre os anjos.  Se o pecador, porém, não se converte e até abusa desta paciência e misericórdia divinas, então, além de não ser perdoado, seus castigos serão maiores, porque desprezou a justiça e abusou da misericórdia.

Deus tem paciência e espera; mas, se o pecador não aproveitá-las para se converter e fazer penitência, chega afinal a hora da justiça e então, Deus não espera mais e castiga. Diz Santo Afonso de Ligório: "Deus aguarda o pecador a fim de que se emende (Isaías, XIX, 18); mas, quando vê que o tempo concedido para os pecados só serve para multiplicá-los, vale-se desse mesmo tempo para empregar a justiça" (Lam. I, 15). Deus, ou envia a morte ao pecador, ou o priva das graças abundantes (que sempre concede aos que aproveitam de sua misericórdia) e só lhe deixa a graça suficiente com que o pecador se poderia salvar, mas não se salva, porque estas graças DE SI SUFICIENTES, tornam-se, por culpa do pecador, INEFICAZES. Quando um pecador chega a perder o temor de Deus, não sente mais remorsos, seu coração já está empedernido, sua consciência já está cauterizada, aí só há trevas em sua alma e despreza a graça de Deus e só ama o que deveria odiar. Entrega-se inteiramente às suas paixões e assim morre. Muitas vezes, Deus nem os castiga neste mundo, porque esta vida de pecados é o seu maior castigo. Pode haver coisa mais terrível para um doente do que quando o médico diz (com sorriso forçado): não é caso de cirurgia, não precisa fazer mais dieta, nem precisa tomar mais remédio, pode ir para casa. É tão terrível que o médico não diz o motivo para o paciente. Mas chama os parentes e diz: infelizmente não há mais nada a fazer, é um câncer em fase terminal.

Se aquela figueira, encontrada estéril por seu dono, não desse fruto depois do ano concedido como prazo para cultivá-la, quem ousaria esperar que se lhe desse mais tempo e não fosse cortada. Santo Agostinho comenta: "Ó árvore infrutuosa! O golpe de derrubada não foi desferido mas diferido. Mas não creias mais segura, porque serás cortada! A pena foi adiada mas não suprimida. Se tornares a abusar da misericórdia divina, o castigo te atingirá: serás cortado. Esperas, portanto, que o próprio Deus te envie ao inferno? Mas, se te envia, já o sabes, jamais haverá remédio para ti. O Senhor se cala, mas não para sempre. Quando chega a hora da justiça, quebra o silêncio. "Isto fizeste, eu calei-me. Pensaste iniquamente que eu seria como tu; arguir-te-ei e porei (tudo) diante de teu rosto" (Salmo 49, 21).


Pelos merecimentos de vossa morte, ó caríssimo Redentor, concedei-me amor tão fervoroso que convosco me una estreitamente e jamais possa desprender-me de Vós. Ajudai-me, ó Virgem Maria, por vossa intercessão; alcançai-me a santa perseverança e ao amor para com Cristo Jesus. Amém!  

quinta-feira, 20 de julho de 2017

MALÍCIA DO PECADO MORTAL


"Criei filhos e engrandeci-os; mas eles me desprezaram" (Isaías I, 2).

Deus manifestou sua justiça propondo como vítima de propiciação a Seu Filho Jesus (cf. Rom. III, 25). E o divino Espírito Santo já havia declarado através do Profeta Isaías: "Será (o Messias) despedaçado por causa de nossos crimes". Jesus ressuscitado glorioso não sofre mais. Mas sendo também Deus já previu todos os pecados dos homens e por eles sofreu e morreu. Todo pecado fez Jesus sofrer.

O pecado mortal é uma ofensa grave que se faz a Deus. A malícia de uma ofensa , ensina Santo Tomás de Aquino, se mede pela pessoa que a recebe e pela pessoa que a comete. Assim, uma ofensa feita por um colega ao seu colega, é, sem dúvida, um mal; mas, se um súdito desacata o Rei, isto é muito mais grave. E quem é Deus? É o Rei dos reis (Apoc, XVII, 14). Deus é majestade infinita, perante quem todos os príncipes da terra e todos os santos e anjos do céu são menos que um grão de areia: "Todos os povos na Sua presença são como se não existissem, e ele considera como um nada, uma coisa que não existe" (Isaías XL, 17). Por outro lado, que é o homem? Responde São Bernardo: saco de vermes, pasto de vermes, que cedo o hão de devorar. O homem é um miserável que nada pode, um cego que nada vê; pobre e nu, que nada possui (Apoc, III, 17). E este verme miserável se atreve a injuriar a Deus? exclama o mesmo São Bernardo. Com razão, pois afirma Santo Tomás de Aquino, que o pecado do homem contém uma malícia quase infinita (S. Th. p. 3, q. 2, a. 2.). Santo Agostinho vai um pouco mais além e diz que, absolutamente, o pecado é UM MAL INFINITO. Na verdade, a gravidade de uma ofensa se mede pela dignidade da pessoa ofendida. Ora, o pecado ofende a Deus que é de uma DIGNIDADE INFINITA. Logo, sob este aspecto, é um mal INFINITO. Daí dizer o próprio Deus: "Delicta quis intelligit?" (Salmo 18, 13). Sendo o homem finito não poderá compreender toda gravidade do pecado mortal, porque é infinita.  E Santo Afonso conclui: "Todos os homens e todos os anjos não poderiam satisfazer por um só pecado, mesmo que se oferecessem à morte e ao aniquilamento. Deus castiga o pecado mortal com as penas terríveis do inferno; contudo esse castigo é, segundo dizem todos os teólogos, menor que a pena com que tal pecado deveria ser castigado". E alguns teólogos daí concluem que o inferno é eterno: sendo criatura, nunca poderá ser infinito. Mas a gravidade do pecado mortal é infinita. Como Deus é justo, a eternidade é algo infinito na duração.

Mas que pena bastará para castigar como merece um verme que se rebela contra seu Senhor? Somente Deus é Senhor de tudo, porque é o Criador de todas as coisas. Por isso, todas as criaturas lhe devem obediência. Mas o homem, quando peca, que faz senão dizer a Deus: Senhor, não quero servir-te. Deus diz: "Não te aposses dos bens alheios" e, no entanto rouba. "Abstém-te do prazer impuro, e o pecador não se resolve a privar-se dele. Lemos no Êxodo, V, 2 que quando Moisés comunicou a ordem de Deus de que Faraó desse liberdade ao povo de Israel, este ímpio respondeu: "Quem é o Senhor, para que eu obedeça à sua voz? ... Não conheço o Senhor". Caríssimos, o pecador diz a mesma coisa: Não conheço Senhor; eu sou senhor do meu querer; faço o que me agrada. Assim, na presença de Deus mesmo Lhe falta o respeito e se afasta d'Ele e nisto consiste propriamente o pecado mortal: o ato com o homem se afasta de Deus e se volta paras as criaturas. Quando o homem peca, ele levanta a mão como que ameaçando o Onipotente. 

"Tu desonras a Deus, transgredindo a lei" (Rom. II, 23). Além de ofender a Deus, também O desonra. Na verdade, renunciando à graça divina por um miserável prazer, menospreza e rejeita a amizade de Deus. E por conta de que? Diz o Espírito Santo: "Elas (falsas profetisas que perdem as almas) desonravam-Me diante do meu povo por um punhado de cevada e por um pedaço de pão, matando as almas" (Ezequiel XIII, 19). "Quando o pecador, diz Santo Afonso, começa a deliberar consigo mesmo se deve ou não dar consentimento ao pecado, toma, por assim dizer, em suas mãos, a balança e se põe a considerar o que pesa mais, se a graça de Deus ou a ira, a quimera, o prazer... E quando, por fim, dá o consentimento, declara que para ele vale mais aquela quimera ou aquele prazer que a amizade divina". Daí dizer Deus pela boca do profeta Isaías: "A quem me comparastes vós e me igualastes, diz o Santo?" (XL, 25). Ó pecador! terias pecado se soubesses que ao cometer o pecado perderias uma das mãos ou mil reais ou menos talvez? Só Deus parece tão vil a teus olhos que merece ser posposto a um ímpeto de cólera, a um gozo indigno.

Deus é o nosso único e último Fim. E, no entanto, quando o pecador, para satisfazer qualquer paixão, ofende a Deus, na verdade, converte em sua divindade essa paixão, porque nela põe o seu último fim. Daí dizer São Jerônimo: "Vício no coração é ídolo no altar". São Paulo diz chorando que para muitos o seu estômago é o seu deus: "Quorum Deus, venter est". Diz Santo Tomás de Aquino: "Se amas os prazeres, estes são teu deus". E São Cipriano: "Tudo quanto o homem antepõe a Deus, converte-o em seu deus".

O pecador sabe que Deus está em toda parte e que os vê. Mas injuriam-No e O desonram face a face. Dizem que uns povos pagãos na antiguidade consideravam o Sol o seu deus e por isso procuravam evitar o pecado durante o dia. Os cristãos que pecam gravemente, não apresentam nem esta sensibilidade pagã.

O pecador despreza tudo o que Jesus Cristo fez e sofreu para tirar o pecado do mundo. Na expressão de São Paulo, o pecador calca aos pés o Filho de Deus (cf. Hebr. X, 29). Diz Santo Afonso: "Bem sabe o pecador que Deus não pode harmonizar com o pecado. Bem vê que, pecando, obriga Deus a  afastar-se dele. Rigorosamente, é como se Lhe dissesse: Já que não podeis ficar com meu pecado e tende de afastar-vos de mim,  -  ide quando vos aprouver. E expulsando a Deus da alma, deixa entrar o inimigo que dela toma posse. Pela mesma porta por onde sai Deus, entra o demônio". Caríssimos, que mágoa não sentiríamos se recebêssemos grave ofensa duma pessoa, a quem tivéssemos feito grande benefício? Pois bem, esta mágoa e infinitamente maior o pecador causa a Deus, que chegou a dar sua vida para nos salvar.


Ó Jesus, não, nunca mais quero me separar de Vós! Dai-me a santa perseverança... Maria Santíssima, minha Mãe, socorrei-me sempre; rogai a Jesus por mim e alcançai-me a dita de jamais perder graça divina. Amém!