SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

terça-feira, 22 de outubro de 2019

O ROSÁRIO NOS REVOCA AOS EXEMPLOS DE MARIA


LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 22 de outubro

"7. Mas, para que nós, aterrados pela consciência da nossa natural fragilidade, não desfaleçamos em face dos exemplos verdadeiramente sublimes de Cristo, Deus e Homem, juntamente com os seus mistérios oferecem-se à nossa contemplação os mistérios da sua Mãe Santíssima. Ela descende, é verdade, da linhagem real de Davi; mas da riqueza e do esplendor dos seus antepassados não lhe resta mais nada; leva um vida obscura, numa humilde cidade, e numa casa ainda mais humilde; tanto mais satisfeita com a sua solidão e com a sua pobreza quanto pode, com coração mais livre, elevar-se a Deus, e unir-se totalmente ao seu sumo e desejadíssimo bem. Mas o Senhor está com ela, e cumula-a e a faz bem-aventurada da sua graça. E é justamente ela que o celeste mensageiro designa como a mulher da qual, por virtude do Espírito Santo, deverá vir para entre nós homens o esperado Salvador das gentes. Quanto mais ela admira a sublime altura da sua dignidade, e por ela rende graças à onipotente e misericordiosa benignidade de Deus, tanto mais se humilha e se julga destituída de toda virtude.  E, enquanto se Lhe torna a Mãe, sem hesitação se proclama e se protesta sua escrava. E, conforme santamente prometeu, santa e prontamente estabelece desde então uma perpétua comunhão de vida com seu Filho Jesus, tanto na alegria como no pranto. Assim ela atingirá tal altura de glória qual nenhum homem nem Anjo poderá jamais atingir, porque ninguém poderá ser-lhe jamais comparado em virtude e em méritos. Assim, a ela caberá a coroa do Céu e da terra, porque ela se tornará a invicta Rainha dos mártires. Assim, na celeste cidade de Deus, ela se assentará, eternamente coroada, junto de seu Filho, porque constantemente, durante toda a sua vida, porém de modo particular no Calvário, beberá com Ele o cálice transbordante de amargura. Eis, portanto, que a bondade e a Providência divina nos deu em Maria um modelo de todas as virtudes, todo feito para nós. Porque, considerando-a e contemplando-a, as nossas almas já não ficam ofuscadas pelos fulgores da divindade, senão que atraídas pelos vínculos íntimos de uma comum natureza, com maior confiança se esforçarão por imitá-la. Se,amparados pelo seu eficaz auxílio, nós nos dedicarmos com todas as nossas forças a esta obra, certamente conseguiremos reproduzir em nós ao menos algum traço de tão grande virtude e santidade; e, depois de havermos imitado a sua admirável conformidade com as divinas vontades, poderemos juntar-nos a Ela no céu. Se bem que a nossa peregrinação terrena seja áspera e eriçada de dificuldades, caminhemos intrépidos e corajosos rumo à meta. E, nas nossas penas, nos nossos trabalhos, não cessemos de estender para Maria as nossas mãos súplices, dizendo com a Igreja: "A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas... Eia, pois, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei! Dai-nos uma vida pura, preparai-nos uma trilha segura, para que possamos gozar eternamente da vida de Jesus" (Da sagrada liturgia). E ela, que, mesmo sem jamais a haver experimentado, conhece a fraqueza e a corrupção da nossa natureza, ela que é a melhor e a mais solícita de todas as mães, oh! como virá propícia e pressurosa em nosso auxílio! E com que ternura nos consolará! Com que força nos sustentará! Percorrendo a trilha, consagrada pelo Sangue de Cristo e pelas lágrimas de Maria, também nós chegaremos, segura e facilmente, à participação da bem-aventurada glória."


(Encíclica " MAGNAE DEI MATRIS" de Leão XIII). 

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

O ROSÁRIO ESTÍMULO PARA OBRAS SANTAS


LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 21 de outubro

"6. Mas há outra utilidade, não menos importante, que do Rosário a Igreja espera para seus filhos, ou seja, a de empenhá-los em conformar a sua vida e os seus costumes às normas e aos preceitos da santa fé. De todos é conhecida a divina afirmação de que "a fé sem as obras é ineficaz" (Tiago 2, 20); porque a fé haure vida da caridade, e a caridade se manifesta numa floração de ações santas. Por isto o cristão certamente não tirará nenhum proveito da sua fé para a aquisição da eternidade, se por esta sua fé não houver inspirado a sua conduta. "Que adianta, irmãos meus, se um diz que tem fé, mas não tem as obras? Acaso poderá salvá-lo a fé?" (Tiago 2, 14). Antes, tais cristãos serão por Cristo Juiz bem  mais asperamente exprobrados do que aqueles míseros que não conhecem nem a fé nem a moral cristã; porque estes últimos não creem de um modo e vivem de outro, como sem razão fazem aqueles outros, mas, sendo privados da luz do Evangelho, têm uma certa atenuante, ou certamente a sua culpa é menos grave. Ora, a contemplação dos mistérios propostos no Rosário ajuda a fazer brotar da nossa fé uma abundante e alegre messe de frutos, porque incita maravilhosamente a alma a propósitos de virtude. Ora, que sublime e esplêndido exemplo nos oferece, sob todos os aspectos, a obra de salvação realizada por Nosso Senhor Jesus Cristo! O grande, o onipotente Deus, impelido por um excesso de amor para conosco, abaixa-se até à condição do mais mísero homem; entretém-se conosco como um de nós; conversa fraternalmente, ensina os indivíduos e as multidões em toda ordem de justiça; mestre eminente pela sua palavra, Deus pela sua autoridade. Mostra-se pródigo de benefícios para com todos; cura os que sofrem de moléstias corporais, e com misericórdia paternal leva alívio às moléstias, mais graves estas, da alma; de modo particular volve-se para aqueles que estão abatidos pela dor, ou estão oprimidos pelo peso das suas inquietações, e convida-os: "Vinde a mim, vós todos que estais fatigados e oprimidos e eu vos consolarei" (Mt 11, 28). Quando, pois, repousamos nos seus braços, Ele nos inspira algo desse místico fogo que trouxe aos homens; infunde-nos amorosamente algo da mansidão e da humildade de sua alma; e deseja que, pela prática destas virtudes, nós nos tornemos participantes da paz verdadeira e estável, de que Ele é o autor. "Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis repouso para vossas almas" (Mt 11, 29). Todavia, em compensação de tanta luz de sabedoria celeste e da abundância de tão excepcionais benefícios, que deveriam granjear-lhe a gratidão dos homens, Ele sofreu o ódio e os insultos mais atrozes; sem embargo, quando, pregado na cruz, derrama todo o seu sangue, não tem desejo mais ardente do que este: por meio da sua morte regenerar os homens para a vida. Absolutamente não é possível que alguém considere e contemple atentamente estes belíssimos testemunhos de amor do nosso Redentor, sem arder de viva gratidão para com Ele. Antes, a fé, se for autêntica, terá então um poder tal, que, iluminando o mente do homem e comovendo-lhe o coração, com que o arrastará a seguir as pegadas de Cristo, através de todos os obstáculos, até fazê-lo prorromper naquele protesto digno de Paulo: "Quem nos separará do amor de Cristo? a tribulação. ou a angústia, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a perseguição. ou a espada? (Rom. 8, 3)". "... Já não vivo eu, mas vive em mim Cristo" (Gál. 2, 20)."


Encíclica "MAGNAE DEI MATRIS" de Leão XIII). 

domingo, 20 de outubro de 2019

HOMILIA DOMINICAL - 19º Domingo depois de Pentecostes

Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Efésios, 4, 23-28.


Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus, 12, 1-14: 


"Naquele tempo, falava Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos fariseus em parábolas, dizendo: O Reino dos céus é semelhante a um rei que quis celebrar as núpcias do seu filho. E mandou seus servos a chamar os convidados para as bodas; estes, porém, não quiseram vir. Novamente enviou outros servos, dizendo: Dizei aos convidados: Eis que já preparei o meu banquete; os meus bois e cevados já estão mortos, e tudo está pronto; vinde às bodas. Eles, porém, não fazendo caso, foram-se, um para sua casa de campo e outro para seu negócio; e ainda outros prenderam-lhe os servos e depois de os terem ultrajado, mataram-nos. Tendo conhecimento disto, o rei encolerizou-se, mandou seus exércitos e exterminou aqueles homicidas. pondo fogo à sua cidade. Então, disse a seus servos: As bodas estão preparadas, mas os convidados não foram dignos. Ide, pois, às encruzilhadas dos caminhos, e a quantos encontrardes, chamai para as núpcias. Saindo os servos pelas ruas, reuniram todos os que encontraram, bons e maus. E a sala do festim ficou cheia de convidados. Então entrou o rei para ver os que estavam à mesa e viu ali um homem que não trazia a vestimenta nupcial. E lhe disse: Amigo, como entraste aqui, não tendo a vestimenta nupcial? Ele nada respondeu. Então, disse o rei aos servidores: Amarrai-o de mãos e pés e lançai-o nas trevas exteriores. Ali haverá choro e ranger de dentes. Porque muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos". 

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

  Primeiramente, devemos fazer uma observação: O Evangelista São Lucas relata uma parábola muito semelhante a esta. O fundo e o fim são os mesmos. Diferem, contudo, quanto aos pormenores: a de São Lucas foi exposta em casa dum chefe dos Fariseus, alguns meses antes da outra, que hoje nos ocupa e que foi dita no Templo, na terça-feira antes da Paixão.

  A parábola de hoje compreende duas partes bem distintas: A primeira dirige-se aos Judeus que, tendo sido os primeiros convidados e chamados várias vezes a reconhecer o Messias, Deus feito homem, recusaram vir e chegaram mesmo a matar alguns dos enviados do Senhor e que, por causa da sua obstinação, foram excluídos do reino de Deus. A sua reprovação e a ruína de Jerusalém são claramente anunciados.

  A segunda parte refere-se aos Gentios, convidados em massa para o lugar dos Judeus. Entretanto, Nosso Senhor quer também instrui-los e mostrar-lhes, com o que aconteceu àquele que não tinha a veste nupcial, que não basta, para ser recebido no festim das núpcias divinas, ser batizado e ter fé, mas que é preciso ainda estar revestido da graça santificante. 
Vista parcial de Nazaré. Em primeiro plano, vemos a Basílica da Encarnação,
em estilo moderno, construída em 1968. Nesta Igreja está o local em que se
deu o mistério da Encarnação. "O Anjo anunciou a Maria, e Ela concebeu
do Espírito Santo", "O Verbo de Deus se fez carne e habitou entre nós".
  O rei que faz as bodas de seu filho é o Pai celeste. Estas núpcias do Filho de Deus realizam-se de várias maneiras:  Antes de tudo pela Encarnação, ou seja, o Filho de Deus, une-se hipostaticamente à natureza humana no seio da Bem-aventurada Virgem Maria. Há, portanto, a união da natureza divina com a natureza humana na pessoa divina do Verbo, ou seja, do Filho de Deus. 
  Núpcias também no sentido de que o Filho de Deus feito Homem fez uma aliança mística com a sua Igreja. Neste sentido diz São Paulo que o matrimônio é grande em Jesus Cristo e na sua Igreja (Ef. V, 32).
 Em terceiro lugar, podemos dizer que Filho de Deus feito homem como que desposa a alma fiel pela graça, consoante a fórmula do profeta Oséas: "Eu vos desposarei em fidelidade". (Oséas, II, 20). 
  Estas três núpcias santas, só têm por fim preparar as núpcias eternas no Céu.

  Assim, ser convidado para as núpcias do Filho de Deus, é ser chamado ao conhecimento e ao amor de Jesus, a entrar no grêmio da Igreja, a unir-se a Nosso Senhor pela Sagrada Comunhão, para um dia, enfim, entrar no reino dos Céus e lá gozar a eterna felicidade. Diz o Apocalipse XIX, 9: "Bem-aventurados os que foram chamados à ceia das bodas do Cordeiro!"

   E enviou seus servos a chamar os convidados para as bodas: Os judeus, os primeiros convidados, sempre se mostraram de cerviz dura, indócis e rebeldes ao convite divino.Os judeus rejeitaram este primeiro convite que foi feito desde Abraão até Moisés e os Profetas.

   Novamente enviou outros servos: Este novo chamamento, mais instante, representa a missão de João Batista e dos Apóstolos.

  O festim da Igreja de Jesus Cristo está pronto: eis que o Verbo se fez carne; eis também a doutrina de vida; eis os sacramentos, sobretudo a Eucaristia, para alimentar, para regozijar e fortificar as almas. Jesus morrendo na Cruz exclamou: "Tudo está consumado". Sim, tudo está pronto! o mistério da reparação está satisfeito eficazmente; a entrada do reino dos Céus, até então fechada pelo pecado, está aberta; a salvação é oferecida a todos: Vinde às núpcias! 

   Os Judeus recusaram o convite. Uns ocupados unicamente com os seus interesses materiais, ou com os prazeres, negligenciaram tão instantes convites. Outros, mais perversos, prenderam os servos enviados pelo rei. Estes homens ingratos e malvados, depois de terem ultrajado os servos do rei, mataram-nos. Na  parábola dos vinhateiros,  Nosso Senhor Jesus Cristo disse que eles mataram o próprio Filho do Rei, ou seja, o próprio Jesus Cristo.

  O rei encolerizou-se, mandou seus exércitos e exterminou aqueles homicidas, pondo fogo à sua cidade: Isto se cumpriu à letra quando as legiões romanas guiadas por Tito e Vespasiano, investiram contra Jerusalém e, depois do memorável cerco, a destruíram juntamente com o Templo e dispersaram por toda a terra os habitantes que sobreviveram. 

  Agora a segunda parte da parábola: Diz respeito especialmente a todos os cristãos. O rei diz aos seus servos, isto é, aos Apóstolos e a seus sucessores no decorrer dos séculos: O festim das núpcias está pronto, isto é, os mistérios da Encarnação e da Redenção estão consumados. Os judeus, pela sua incredulidade e obstinação, tornaram-se indignos dele. Diz São Paulo: "Pelo seu (dos judeus) delito, veio a salvação aos gentios" (Rom. XI, 12). Deus sabe tirar o bem do mal. Portanto, ide por toda a terra, ao meio dos povos mais remotos e mais bárbaros, e todos aqueles que encontrardes, sem distinção de idade e de sexo, de condição ou de dignidade, sem acepção de pessoas. E os Apóstolos diziam aos Judeus: "Porque vocês foram julgados indignos, nós nos voltaremos para os gentios". Efetivamente, os Apóstolos dispersaram-se e foram pregar por todo o mundo. A sua obra foi continuada através dos séculos.Por isso a Igreja militante está cheia duma multidão inumerável de todas as regiões e de todos os povos.

  Mas nela os justos e os pecadores, estão ainda confundidos: trigo e cizânia, bons e maus, porque, na verdade, todos foram chamados, mas nem todos se converteram sinceramente e são fiéis às obrigações contraídas no Batismo.

  O rei entrou na sala do festim para ver os que estavam à mesa: Esta visita súbita simboliza a que Deus fará a cada um de nós na hora do juízo que se seguirá logo após a morte.

  E o rei viu um homem sem a veste nupcial. Todos recebiam esta veste na entrada da sala do banquete. Todos os cristãos recebem a veste cândida da graça na entrada da Igreja pelo santo Batismo. Não basta, porém, vir assentar-se à mesa do banquete, participar dos sacramentos, praticar os atos exteriores da fé: é preciso ter ainda a veste da graça. É preciso tê-la conservado sempre ou, ao menos, tê-la recuperado pela penitência para participar do banquete da graça e depois do da glória.

   Disse o rei aos servidores: Atai este homem que não traz a veste nupcial. Amarrai-o de pés e mãos e lançai-o nas trevas exteriores. Ali haverá choro e ranger de dentes. Tudo isto é imagem dos castigos que Deus infligirá ao pecador encontrado sem a veste nupcial da graça na hora do juízo. De pés e mãos ligadas porque sua pena será eterna. As trevas exteriores são a figura das horríveis trevas da privação da visão beatífica de Deus. Choro e ranger de dentes, imagem da aflição indizível, dos remorsos pungentes e do desespero que causarão ao pecador, a lembrança das suas infidelidades e a eternidade do inferno, onde caiu por sua culpa, porque dependia dele só, fazer-se receber no Céu.

  Caríssimos, seremos nós do pequeno número dos eleitos? É segredo de Deus, mas isso depende de nós. São Pedro faz-nos esta recomendação que é, ao mesmo tempo, uma verdade dogmática e um preceito moral para assegurar a nossa salvação: "Portanto, irmãos, ponde cada vez maior cuidado em tornardes certa a vossa vocação e eleição por meio das boas obras, porque, fazendo isto, não pecareis jamais. Desde modo vos será dada largamente a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo" ( 2 S. Ped., I, 10 e 11). Amém!
  

O ROSÁRIO REAVIVA A NOSSA FÉ


LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 20 de outubro

"5. Além do valor que o Rosário tira de própria natureza da oração, ele contêm uma maneira fácil para fazer penetrar e inculcar nas almas os dogmas principais da fé cristã; o que certamente constitui outro título insigne de recomendação. De feito, é sobretudo pela fé que homem direta e seguramente se aproxima de Deus e aprende a adorar com a mente e com o coração a imensa majestade desse Deus único, a sua autoridade sobre todas as coisas, o seu sumo poder, a sua sabedoria e a sua providência: "porquanto, quem se aproxima de Deus deve crer que Ele existe, e que é remunerador daqueles que o procuram" (Hebr. 11, 6). Mas, visto que o eterno Filho de Deus assumiu a natureza humana, viveu no meio de nós, e continua a ser para nós caminho, verdade e vida, por isto é necessário que a nossa fé abrace também os profundos mistérios da augusta Trindade das divinas pessoas, e do Filho unigênito do Pai, feito homem: "E a vida eterna é esta: que eles conheçam a ti, único Deus verdadeiro, e Aquele que enviaste, Jesus Cristo" (Jo 17, 3). Em verdade, Deus nos deu um benefício inestimável quando nos deu esta santa fé; porque, por meio dela, nós não só nos elevamos acima de todas as coisas humanas, até nos tornarmos como que contempladores e participantes da natureza divina, mas adquirimos outrossim um direito, de mérito imenso, às eternas recompensas. De modo que se alimenta e se consolida em nós a esperança de que um dia poderemos contemplar a Deus, não mais através das pálidas imagens das coisas criadas, porém no seu pleno esplendor, e poderemos gozar eternamente d'Ele, nosso sumo bem. Mas o cristão é de tal forma empolgado pelas diversas preocupações da vida, e se inclina tão facilmente para as vaidades deste mundo, que, sem uma freqüente e salutar evocação, pouco a pouco esquecerá as coisas mais importantes e mais necessárias,  e destarte a sua fé se esmorecerá e finalmente se extinguirá. Para preservar seus filhos deste gravíssimo perigo da ignorância, a Igreja não descura nenhum dos meios que a sua vigilância e s sua solicitude lhe sugerem; e o Rosário em honra de Maria não é, certamente, o último que ela emprega para sustentar a fé. Com efeito, com a sua maravilhosa e eficaz oração, ordenadamente repetida, ele nos leva à recordação e à contemplação dos principais mistérios da nossa religião? Em primeiro lugar, daqueles pelos quais "o Verbo se fez carne" e Maria, Virgem intacta e Mãe, lhe prestou  com santa alegria os seus maternais ofícios.Vêm depois as amarguras, os tormentos, a morte de Cristo, preço da salvação do gênero humano. Finalmente, são os mistérios gloriosos: o triunfo sobre a morte, a ascensão ao céu, a descida da Espírito Santo, o esplendor radiante de Maria assunta ao céu, e, por último, com a glória de Mãe e do Filho, a glória eterna de todos os Santos. E esta ordenada sucessão de inefáveis mistérios no Rosário é freqüente e insistentemente evocada à memória dos fiéis, e como que desenrolada diante dos seus olhos; de modo que aqueles que rezam bem o Rosário têm a alma inundada por ele de uma doçura sempre nova, experimentam a mesma impressão e emoção que experimentariam se ouvissem a própria voz de sua dulcíssima Mãe., e no ato de lhes explicar esses mistérios e de lhes dirigir salutares exortações. Não poderá, pois, parecer excessiva a Nossa afirmação, se dissermos que a fé absolutamente não deve temer os perigos da ignorância e dos nefastos erros naqueles lugares, no seio daquelas famílias e no meio daqueles povos onde se mantém na primitiva honra a prática do Rosário".


Encíclica "MAGNAE DEI MATRIS"  de Leão XIII). 

sábado, 19 de outubro de 2019

AS TERNURAS DE NOSSA MÃE CELESTE


LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 19 de outubro

"4. Difícil é, pois, dizer o quanto se torna agradável a Maria o nosso obséquio, quando a saudamos com o louvor do Anjo, e depois repetimos o mesmo elogio, como que formando com ele uma devota coroa. Porque, a cada vez, nós como que despertamos nela a lembrança da sua sublime dignidade e da redenção do gênero humano, iniciada por Deus por meio dela: por consequência, nós também lhe recordamos esse divino e indissolúvel vínculo com que ela está unida às alegrias e às dores, às humilhações e aos triunfos de Cristo, em guiar e em assistir os homens para a salvação eterna. Jesus Cristo, na sua bondade, quis assemelhar-se a nós e dizer-se e mostrar-se filho do homem, e por isto nosso irmão, a fim de que mais luminosa nos aparecesse a sua misericórdia para conosco: "Em tudo ele teve de ser feito semelhante a seus irmãos, para se tornar misericordioso" (Hebr. 2, 17). Assim Maria, pelo fato de haver sido escolhida como Mãe de Jesus, Nosso Senhor  -  que é ao mesmo tempo nosso irmão  -  teve, entre todas as mães, a singular missão de manifestar e de derramar sobre nós a sua misericórdia. Além disto, assim como nós somos devedores a Cristo de nos haver, de certo modo, tornado participantes do seu próprio direito de chamar e de ter a Deus por pai, assim também lhe somos igualmente devedores de nos haver amorosamente tornado participantes do seu direito de chamar e de ter Maria por Mãe. E, visto como, por natureza, o nome de mãe é entre todos o mais doce, e no nome de mãe está posto o termo de comparação de todo amor terno e solícito, todas as almas piedosas sentem  -  embora a sua língua não consiga exprimi-lo  -  que uma imensa chama de amor condescendente e operoso arde em Maria, que, não por natureza, mas por vontade de Cristo, é nossa Mãe. Por isto ela vê e penetra, muito melhor do que qualquer outra mãe, todas as nossas coisas: as necessidades da nossa vida; os perigos públicos e particulares que nos ameaçam; as dificuldades e os males em que nos debatemos; e sobretudo a áspera luta que devemos sustentar para a salvação da alma, contra inimigos violentíssimos. E nestas, como em todas as outras angústias da vida, mais do que qualquer outro ela pode e deseja trazer a seus caríssimos filhos consolação, força, auxílio de todo gênero. Recorramos, pois, confiantes e alegres a Maria. Supliquemo-la por esses laços maternos com que ela está tão estreitamente unida a Jesus e a nós. E invoquemos com máxima devoção o seu poderoso auxílio, servindo-nos dessa fórmula de oração que ela mesma nos indicou e que lhe é tão grata. Então poderemos, com razão, repousar com coração tranqüilo e alegre sob a proteção da mais terna entre as mães."


(Encíclica "MAGNAE DEI MATRIS" de Leão XIII).  

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

NECESSIDADE DE PRATICAR O ROSÁRIO


LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 18 de outubro

"3. Ora, para aplacar a majestade de Deus ofendida, e para proporcionar o necessário remédio àqueles que tanto sofrem, certamente não há melhor meio do que a oração devota e perseverante, contanto que unida ao espírito e à prática da vida cristã. Para alcançarmos, pois, estes dois escopos, consideramos que o meio mais indicado é o "Rosário Mariano". A sua poderosíssima eficácia tem sido experimentada e exaltada desde a sua bem conhecida origem; conforme notáveis documentos atestam e como Nós mesmo, mais de uma vez, temos lembrado. Quando a seita dos Albigenses  -  aparentemente paladina da integridade da fé e dos costumes, mas, na realidade, perturbadora e péssima corruptora dela  - era para muitos povos causa de grande ruína, a Igreja combateu contra ela e contra as suas infames facções, não com milícias ou com armas, mas principalmente com a força do santo Rosário, que o patriarca S. Domingos propagou, por inspiração da própria Mãe de Deus. Assim, gloriosamente vitoriosa de todos os obstáculos, a Igreja, nessa como em outras tempestades semelhantes, proveu sempre com esplêndido êxito à salvação de seus filhos. Por isto, na presente situação, que Nós deploramos como lutuosa para a religião e perigosíssima para a sociedade, é necessário que todos juntos  -  com piedade igual à dos nossos antepassados  -   roguemos e supliquemos a grande Mãe de Deus, para que, consoante os votos comuns, possamos alegrar-nos de haver experimentado igual eficácia do seu Rosário. E, verdadeiramente, quando recorremos a Maria recorremos à Mãe da misericórdia; a qual está tão bem disposta para conosco, que em qualquer necessidade nossa, sobretudo nas espirituais, ela logo, espontaneamente, sem sequer ser invocada, vem em nosso socorro, e faz-nos participar desse tesouro de graça cuja plenitude ela desde o princípio recebeu de Deus, para que pudesse tornar-se sua digna Mãe. Esta superabundância de graça  -  o mais eminente dos seus outros inúmeros privilégios  -  é que eleva a Virgem muito acima de todos os homens e de todos os Anjos, e a aproxima de Cristo, mais do que se aproxima qualquer outra criatura: "É coisa grande em qualquer santo o possuir tanta graça que baste para a salvação de muitos: mas, se ele a tivesse tanta que bastasse para a salvação de todos os homens do mundo, isto seria o máximo; e isto se verifica em Cristo e na bem-aventurada Virgem" (S. Tomás, op. VIII, Super Salut. angel.).


(Encíclica "MAGNAE DEI MATRIS" de Leão XIII). 

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

A AUDÁCIA DOS ÍMPIOS

LEITURA ESPIRITUAL, dia 17 de outubro


Passemos à outra encíclica de Leão XIII sobre o Rosário de Nossa Senhora: "MAGNAE DEI MATRIS", escrita 8/09/1892.

"2. Já agora é de todos conhecidíssimo com quantos e quais meios de corrupção a malícia do mundo iniquamente se esforça por enfraquecer e por extirpar inteiramente dos corações a fé cristã e a observância da lei divina, que alimenta esta fé e a faz frutificar. E já por toda parte o campo do Senhor, como que talado por uma terrível peste, quase se asselvaja, pela ignorância da religião, pelo erro e pelos vícios. E o que é ainda mais doloroso é que aqueles que teriam o poder disso, antes, que disso teriam o sagrado dever, longe de porem um freio ou de infligirem justas penas a uma perversidade tão arrogante e culposa, muitas vezes, pelo contrário, parece que a tal audácia deem incentivo, ou pela sua inércia, ou com o seu apoio. Por isto, com bem razão deve contristar-nos que às escolas públicas tenha sido deliberadamente dada uma organização tal que consente que o nome de Deus seja nelas calado ou ali seja ultrajado; devemo-Nos entristecer com a licença, cada vez mais disfarçada, de imprimir ou pregar toda sorte de ultrajes contra Cristo, Deus e a Igreja. Nem é menos deplorável esse consequente langor e entibiamento da prática cristã, se não é uma franca apostasia da fé, certamente está próximo de vir a sê-lo; porque a prática da vida já agora não é mais aderente à fé. Quem considerar esta perversão e esta ruína dos interesses mais vitais, certamente não se admirará se por toda parte as nações vão gemendo sob o peso dos castigos divinos, e são consternadas pelo temor da calamidades ainda mais graves". 

OBERVAÇÃO: Se há mais de um século atrás o Papa Leão XIII já denunciava a a audácia dos ímpios em procurar extirpar a fé dos corações, afastar os homens cada vez mais da observância dos mandamentos, de banir o Sacrossanto Nome de Deus, de fazer os mais horrendos ultrajes a Nosso Senhor Jesus Cristo, hoje tudo isto é feito com muito mais audácia dos maus, e menor repúdio e resistência dos que ainda se dizem cristãos. No século passado tivemos duas guerras mundiais, e na Igreja um grande castigo que foi a vitória dos Modernistas no Concílio Vaticano II e sobretudo nestes tempos tristíssimos de após-concílio. Paira sobre a humanidade uma terceira guerra mundial. Mas o maior castigo dentro da Igreja já se está espalhando como fogo no canavial: é a apostasia quase geral. Mas Nossa Senhora disse em Fátima: "POR FIM meu Imaculado Coração triunfará"!






quarta-feira, 16 de outubro de 2019

NECESSIDADE DA PENITÊNCIA

LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 16 de outubro

"29. Certamente, nem a todos é dada a possibilidade, nem todos têm a obrigação de fazer o mesmo; mas cada um é obrigado, segundo o seu poder, a mortificar a sua vida e os seus costumes. Exige-o a justiça divina, à qual é dada estrita satisfação das culpas cometidas; e é preferível dar essa satisfação enquanto se está em vida, com penitências voluntárias, porque assim também se tem o mérito da virtude. Além disto, já que nós todos estamos unidos e vivemos no corpo místico de Cristo, que é a Igreja, daí se segue, consoante S. Paulo, que, tal como os gozos, assim também as dores de um membro são comuns a todos os outros membros: quer dizer que os irmãos cristãos devem vir voluntariamente em auxílio dos outros irmãos nas suas enfermidades espirituais ou corporais, e, na medida em que estiver em seu poder, cuidar da cura deles; "os membros tenham a mesma solicitude uns com os outros; e, se um membro sofre, sofrem com ele todos os membros; ou, se tem glória um membro, todos os membros se regozijam com ele. Ora, vós sois corpo de Cristo, e particularmente sois membros deste" (1 Cor. 12, 25-27). Nesta prova que a caridade nos pede, de expiarmos as culpas de outrem, a exemplo de Jesus Cristo, que com imenso amor deu a sua vida para redimir todos do pecado, está este grande vínculo de perfeição que une estreitamente os fiéis entre si, com os Santos e com Deus.

30. Em suma, o espírito da santa mortificação é tão vário, industrioso e extenso, que qualquer um   -  desde que animado de piedade e de boa vontade  -  pode praticá-lo com muita freqüência e sem esforço excessivo.

31. [...] Oh! como será belo e vantajoso o espetáculo de milhões de fiéis que, em todo o orbe católico  -  nas cidades, nas aldeias, nos campos, em terra e no mar,  -  fundindo juntos seus louvores e as suas preces, os seus pensamentos e as suas vozes, saudarem a todas as horas do dia Maria, invocarem Maria, e tudo esperarem de Maria! Roguem-lhe todos, com confiança, queira Ela obter de seu Filho que a nações transviadas voltem às instituições e aos princípios cristãos, nos quais assenta a base do bem-estar público, e da qual jorram os benefícios da desejada paz e da verdadeira felicidade. Porém ainda mais insistentemente lhe peçam aquilo que deve estar no ápice dos desejos de todos os bons, ou seja a liberdade da Igreja e a pacífica posse dessa liberdade, de que ela não se serve senão para proporcionar aos homens o bem supremo. Desta liberdade, nem indivíduos nem Estados sofreram jamais dano algum; antes, dela hauriram sempre inúmeros e inestimáveis benefícios".

(Encíclica "OCTOBRI MENSE" de Leão XIII).


terça-feira, 15 de outubro de 2019

COM A ORAÇÃO, A MORTIFICAÇÃO

LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 15 de outubro

"27. A esta altura, a dor e o afeto de Pai impele-nos a implorar de Deus, doador de todos os bens, para todos os filhos da Igreja, não somente o espírito da oração, mas também o da mortificação. Isto fazendo de todo coração, Nós exortamos todos, com a mesma solicitude, a praticarem esta virtude, tão estreitamente unida à outra. Porquanto, se a oração conforta a alma, robustece-a e eleva-a à coisas celestes, a mortificação habitua-nos a dominar-nos a nós mesmos, e especialmente o corpo, que, por motivo de antiga culpa, é o mais perigoso inimigo da razão e da lei evangélica. Há entre estas virtudes  -  como é evidente  -  um nexo indissolúvel. Elas se ajudam reciprocamente, e juntas tendem ao mesmo fim, que é o de desapegar o homem, nascido para o Céu, das coisas caducas deste mundo, para elevá-lo quase a uma celeste intimidade com Deus. Ao contrário, aquele que tem o ânimo aceso pelas paixões e amolecido pelos prazeres tem náusea das alegrias celestes, que nunca experimentou. A sua oração não passa de uma voz fria e lânguida, certamente indigna de ser escutada por Deus.

O exemplo dos Santos.

Santa Teresa d'Ávila (pintura).
28. Temos sob os olhos os exemplos de mortificação a nós deixados pelos Santos. Pois bem: era justamente esse espírito de mortificação que tornava aceitas a Deus as suas orações; tanto que, como nos atesta a história sagrada, eles tiveram até mesmo o poder de operar milagres. Esses Santos eram assíduos em regular e refrear a mente, o coração e as paixões; submetiam-se sempre com grande docilidade e humildade à doutrina de Cristo, aos ensinamentos e aos preceitos da sua Igreja; nada queriam, nada recusavam, sem antes haver sondado a vontade de Deus; nas suas ações não se propunham outro escopo
senão a maior glória de Deus; continham e reprimiam energicamente os apetites da carne; tratavam o próprio corpo duramente e sem piedade; e, por amor da virtude, abstinham-se até mesmo das coisas por si mesmas lícitas. Assim podiam com razão aplicar a si mesmos as palavras que o Apóstolo Paulo dizia de si: "já que a nossa cidadania é nos céus" (Fil. 3, 20); e, pela mesma razão, as suas orações eram tão eficazes em lhe tornar Deus propício e benigno."


(Encíclica "OCTOBRI MENSE" de Leão XIII). 

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

OS MILAGRES DA ORAÇÃO

LEITURA ESPIRITUAL  -   Dia 14 de outubro

"25. Neste mundo a mente humana falha em face dos excelsos planos da Divina Providência; mas dia virá em que o próprio Deus, na sua grande bondade, nos manifestará as causas e o enredo dos acontecimentos ; e então aparecerá claramente que poderosa eficácia de impetração teve nesta ordem de coisas o dever da oração. Então ver-se-á que foi justamente por virtude da oração que muitos, mesmo em meio à grande corrupção do mundo depravado, se conservaram puros e isentos "de toda contaminação da carne e do espírito, realizando a santificação no temor de Deus" (2 Cor. 7, 1); que outros, quando estavam a ponto de ceder ao mal, não somente se contiveram, mas do perigo e da tentação tiraram um acréscimo de virtude; que outros, já derrubados, por um estímulo interior foram impelidos a levantar-se e a lançar-se no amplexo de Deus misericordioso.


26. Por isto Nós conjuramos a todos a quererem meditar atentamente estas verdades; a não se deixarem seduzir pelos ardis do antigo inimigo; a nunca abandonarem, por motivo algum, a prática da oração; antes os exortamos a perseverarem nela, sem nunca se cansarem. E, em primeiro lugar, lembrem-se de implorar o mais alto de todos os bens: a salvação eterna de todos, e a incolumidade da Igreja. Depois disto poderão invocar de Deus os outros bens que concernem à prosperidade temporal; contanto que sejam resignados à sua justíssima vontade, e que, atendidos ou não nas suas orações, saibam render-Lhe graças como ao mais benfazejo dos pais. Por último, recomendamos-lhes orarem com esse espírito de religião e de piedade que sempre convém quando se trata com Deus: como costumavam fazer os Santos, e como fazia o nosso próprio Redentor e Mestre, "com fortes gritos e lágrimas" (Hebr. 5, 7).  

(Encíclica "OCTOBRI MENSE" de Leão XIII). 

domingo, 13 de outubro de 2019

HOMILIA DOMINICAL - 18º Domingo depois de Pentecostes

Leituras: Primeira Epístola de São Paulo Apóstolo aos Coríntios 1, 4-8.


Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 9, 1-8:



 Naquele tempo, subiu Jesus a uma barca, atravessou para o outro lado e foi à sua cidade. E eis que Lhe apresentaram um paralítico, prostrado num leito. Vendo Jesus a fé que eles tinham, disse ao paralítico: Tem confiança, filho, os teus pecados te são perdoados. Pensaram logo alguns dos escribas em seu íntimo: Este homem blasfema. E Jesus, penetrando-lhes os pensamentos, disse: Por que pensais mal em vossos corações? Que é mais fácil dizer: Teus pecados te são perdoados ou dizer: Levanta-te, e anda? Pois, para que saibais, que o Filho do homem tem na terra o poder de perdoar pecados, disse, então, ao paralítico: Levanta-te, toma teu leito, e vai para a tua casa. E ele levantou-se e foi para a sua casa. As multidões, vendo isto, encheram-se de temor e glorificaram a Deus, que tal poder confiava aos homens. 


Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Lago (Mar) da Galileia ou Tiberíades ou de Genesaré.
Água doce, formado pelo Rio Jordão.
Em hebraico: Kinneret  que significa harpa, cujo formato o
lago imita. 
O que o Santo Evangelho de hoje nos relata deu-se no fim do primeiro ano da vida pública de Nosso Senhor Jesus Cristo. O relato de São Mateus, que é o de hoje, é o mais curto. Os Evangelistas São Marcos e São Lucas ajuntam alguns pormenores muito importantes e interessantes: São Lucas V, 17 diz: "Estavam ali Fariseus e Doutores da Lei, vindos de todas as cidades da Galileia, da Judeia e de Jerusalém". Isto mostra como já era grande a reputação do novo Profeta. São Marcos II, 2-5 diz: "Soube-se que Ele estava em casa, e juntou-se muita gente, de modo que não cabia nem mesmo diante da porta; e Ele pregava-lhes a palavra. E foram ter com Ele, conduzindo um paralítico, que era transportado por quatro. E como  não pudessem apresentá-lho por causa da multidão, descobriram o teto pela parte debaixo da qual estava Jesus; e, tendo feito uma abertura, arriaram o leito em que jazia o paralítico".  Esta casa certamente era a de São Pedro. É, de fato, na casa de São Pedro, na Igreja Católica, que Jesus opera ainda hoje, a cura de tantos enfermos corroídos pela lepra do pecado, e que estão paralíticos espiritualmente falando, impossibilitados pelo pecado mortal, de qualquer atividade meritória para o céu.  
As ruínas da casa de São Pedro em Cafarnaum. Vemos as
bases da casa e podemos distinguir as divisões da
construção. Fica à beira do Lago de Genesaré. Era
fácil para São Pedro pescar.
Aqui nesta casa se deu o milagre do Evangelho de hoje,
como também a cura da sogra de São Pedro. 
  Jesus pregava-lhes a palavra: vemos como Nosso Senhor não perdia nenhuma oportunidade de pregar a sua doutrina do reino dos Céus. 
  Eis que alguns conduziam num leito um paralítico... O pobre paralítico, por causa de sua doença, era incapaz de vir sozinho. Quatro homens transportavam-no, então, e estavam dispostos a não recuar diante de nenhum obstáculo até chegar ao pé de Jesus, tão grande era a sua confiança em Nosso Senhor. Admiremos e imitemos a caridade e a fé destes intrépidos homens. Eles ensinam-nos como devemos prestar auxílio aos pobres doentes e socorrê-los mesmo que nos pareça muito difícil. 
 São Mateus, o Evangelista da narração do Evangelho de hoje, diz que Jesus entrando numa barca, atravessou o Mar da Galileia e foi à sua cidade. A cidade de Jesus era Cafarnaum. Sabemos que Jesus era Judeu porque nasceu em Belém que fica na Judeia.  É também Galileu porque morou mais de vinte anos na casinha de sua Mãe Santíssima em Nazaré da Galileia. Mas, na sua vida publica de três anos, a sua moradia ordinária era em Cafarnaum. Esta cidade, era, portanto, o centro das suas excursões apostólicas na Galileia. Aí Jesus fez mais milagres do que em outros lugares. 
Sobre as ruínas da casa de São Pedro (foto acima), foi
construída esta igreja em estilo moderno. Tudo indica
que o arquiteto quis dar-lhe a forma de uma barca.
Esta construção protege inteiramente a casa de
São Pedro. 
  Caríssimos, depois destas observações, passemos para a explicação dos milagres. Neste Evangelho Nosso Senhor Jesus Cristo dá três provas irrefutáveis da sua Divindade: 1ª perdoando os pecados ao paralítico; 2ª descobrindo os pensamentos secretos dos Escribas e Fariseus; 3ª curando o paralítico da sua doença. 
  Vendo Jesus a fé daqueles homens, - os que conduziam o paralítico e o próprio doente, - disse ao paralítico: "Filho, tem confiança, os teus pecados te são perdoados". Belas palavras que o mundo nunca tinha ouvido. Jesus chama filho a este pobre enfermo quase abandonado. É esta uma expressão de amizade e de ternura que a Igreja conservou. Ela também diz ao penitente arrependido, que se lhe apresenta para receber a cura dos pecados - Meu filho! tem confiança, vai em paz! Todos os teus pecados foram perdoados! A única Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo recebeu d'Ele este poder divino de perdoar pecados: "A quem perdoardes os pecados, disse Jesus aos Apóstolos e aos seus sucessores, ser-lhes-ão perdoados" (São João, XX, 23). 
  Nosso Senhor, infinitamente sábio e bom, começa antes de tudo, por curar a alma deste infortunado, para provocar a admiração dos soberbos Fariseus, e manifestar-lhes o seu poder divino. Em segundo lugar, Jesus quer fazer-nos compreender que os bens espirituais estão infinitamente acima dos bens e dos lucros temporais; que os tesouros da graça e a vida da alma, são preferíveis às honras, às riquezas, à própria saúde e à vida do corpo, que, por conseguinte, é preciso, antes de tudo, ter piedade e ocuparmo-nos da nossa alma. É assim que Ele queria reformar as ideias falsas e mundanas de tantos cristãos da atualidade, que só apreciam e procuram a saúde e as vantagens materiais. Em terceiro lugar, Nosso Senhor quer fazer-nos compreender um mistério da justiça divina muito desconhecido ou muito esquecido, a saber: Nem sempre, mas, muitas vezes, os nossos pecados são a causa das doenças e doutros males que nos afligem. Talvez que Deus nos poupasse estes males ou os fizesse cessar, se fizéssemos verdadeira e sincera penitência dos nossos pecados. Lembremo-nos do povo de Nínive. 
  O primeiro milagre de Jesus, nesta circunstância, tinha sido curar a alma do paralítico, prova infalível da sua onipotência como Deus. Faz um segundo milagre, igualmente de ordem sobrenatural, o qual atesta a sua onisciência divina e deveria ter convertido estes homens soberbos. Jesus penetra os seus mais íntimos pensamentos. Só Deus vê o fundo dos corações: "Deus intuetur cor" diz a Bíblia. Jesus pondo a nu as suas murmurações interiores, prova-lhes que é Deus e que por isso pode perdoar os pecados.
   Mas Jesus vai dar ao povo uma terceira prova de que Ele é Deus: vai curar o paralítico. "Que é mais fácil dizer: Teus pecados te são perdoados ou dizer: Levanta-te, e anda? Pois, para que saibais , que o Filho do Homem tem na terra o poder de perdoar pecados, disse, então, ao paralítico: Levanta-te, toma o teu leito, e vai para a tua casa. E ele levantou-se e foi para a sua casa". 
  É, caríssimos, como se Nosso Senhor dissesse: vede como sois cegos e injustos! Vós desconheceis o meu poder sobre as almas. Ora para vos provar que todo o poder me foi dado por meu Pai sobre elas e sobre os corpos e que eu sou Deus como Ele, vou dar-vos um sinal visível e manifesto, isto é, vou fazer diante de vós um milagre, que podereis verificar por vós mesmos. Ele será a demonstração sem réplica de que tenho também o poder admirável e misterioso de perdoar os pecados.
  Em outras palavras: Se Jesus pode dizer a um paralítico - levanta-te e anda, - pode também perdoar-lhe os pecados. Se pode perdoar-lhe os pecados, é certamente Deus. Jesus deixa claro que lê no íntimo daqueles Fariseus os seus pecados de maus pensamentos, como vê também no íntimo da alma do paralítico, os seus pecados e seu arrependimento. Logo é Deus. Se faz milagres, se lê no íntimo das almas, é prova de ser Ele Deus. Por isso, pode perdoar os pecados. 
  Infelizmente, os Fariseus não se converteram. O orgulho é o sinal mais certo da condenação de uma alma. Também os fariseus de hoje não aceitam a consequência lógica das premissas estabelecidas por eles mesmos. 
   Pela graça de Deus, sabemos que Jesus Cristo é, ao mesmo tempo, Deus e Homem. Adoremo-Lo portanto com amor, agradeçamos-Lhe ter deixado aos seus ministros este sublime poder sobre as almas, poder maravilhoso e divino de perdoar os pecados e vamos pedir aos representantes de Deus, a cura da nossa pobre alma, todas as vezes que ela estiver doente, para recebermos novas forças, triunfarmos do demônio e alcançarmos a felicidade eterna. Amém!

COMO SE DEVE ORAR

LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 13 de outubro

"22. Há alguns que creem as coisas que havemos relembrado; mas, depois, vendo não haver sido ainda alcançado nada daquilo que se esperava  -  e em primeiro lugar a paz e a tranquilidade da Igreja, -  antes vendo a situação tornar-se sempre mais ameaçadora, como cansados e desconfiados diminuem a assiduidade e o ardor da sua oração. Mas estes deveriam, em primeiro lugar, refletir, e fazer com que as orações por eles dirigidas a Deus sejam dotadas dos requisitos que, segundo preceito de Cristo Senhor Nosso, são necessários. E, depois, se as suas orações fossem realmente tais, deveriam eles além disso considerar que é coisa indigna e culposa o querer fixar a Deus o momento e o modo de vir em nosso socorro, a Deus que não nos deve nada; tanto que, quando Ele atende a quem lhe ora, e quando "coroa os nossos méritos, na realidade não coroa outro coisa senão os seus próprios dons" (S. Agost., Epist. 194 al. 105 ad Sixtum, c. 5, n. 19); e, quando não secunda os nossos desejos, comporta-se providencialmente como um bom pai para com seus filhos, o qual tem piedade da estultícia destes, e olha sempre à sua verdadeira utilidade.

A oração pela Igreja e a oração da Igreja

23. Mas Deus acolhe benignamente e atende as orações que, amparadas pela intercessão dos Santos, devotamente lhe erguemos para torná-lo propício à sua Igreja; seja quando para a sua Igreja pedimos os bens mais altos e eternos, seja quando pedimos bens importantes e temporais, mas, em todo caso, úteis àqueles. Com efeito, a tais orações adita valor e imensa eficácia, com suas orações e seus méritos, Nosso Senhor Jesus Cristo, que "amou a Igreja e deu-se a si mesmo por ela, com o fim de santificá-la... para fazer aparecer diante de Si mesmo, gloriosa, a Igreja" (Ef. 5, 25-27); Ele que lhe é o Pontífice supremo, santo, inocente, "sempre estando vivo, para poder interceder por nós"; Ele que, nas suas orações e súplicas - cremo-lo por fé divina - sempre consegue o seu intento.


24. Portanto, no que diz respeito aos interesses da Igreja, é sabido que as mais das vezes ela deve lutar com adversários formidáveis por ódio e poder; e sobejas vezes deve ela doer-se de que pelos seus inimigos lhe sejam arrancados os seus bens, limitada e oprimida a sua liberdade, atacada e desprezada a sua autoridade, e, em suma, infligidos danos e violências de todo gênero. E, se nos perguntarem por que razão a maldade destes não chega ao cúmulo de injustiça que eles se propõem e se esforçam por atingir, e, de outra parte, por que razão a Igreja, mesmo no meio de tantas vicissitudes, refulge sempre, conquanto de modos diversos, da mesma grandeza e da mesma glória, e continua a progredir, justo é atribuir a verdadeira causa de um e de outro fato ao poder da oração unânime da Igreja; não podendo humanamente explicar-se como a iniquidade, mesmo tão descarada, seja contida dentro de limites tão estreitos, ao passo que a Igreja, embora mantida em opressão, alcança sem embargo, tão esplêndidos triunfos. E isto aparece ainda mais evidente no campo desses bens de que a Igreja se serve para conduzir os homens à posse do bem supremo. Visto haver ela nascido justamente para esta missão, a sua oração deve ter uma grande eficácia em obter que se cumpra perfeitamente sobre os homens o desígnio da providência e misericórdia de Deus; de modo que, quando os homens oram com a Igreja e por meio da Igreja, em definitivo impetram e obtêm aquilo que "desde a eternidade Deus onipotente dispusera conceder" (S. Tomás, II-II, q. 83, a. 2; de S. Greg. Magno). 

(Encíclica "OCTOBRI MENSE" de Leão XIII). 

sábado, 12 de outubro de 2019

DIFUSÃO E VITALIDADE DO ROSÁRIO

LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 12 de outubro

"20. Porém outra prova evidente também nos é fornecida pelo fato de , apenas instituída a oração do Rosário, haver-se a sua prática em brevíssimo tempo propagado por toda parte, entre toda classe de pessoas. E, de feito, se é verdade que o povo cristão tem achado diversas formas e títulos insignes para honrar a Mãe de Deus, que sozinha se eleva, entre todas as criaturas, por tantas excelsas prerrogativas, todavia é inegável que os fiéis sempre amaram de modo todo particular o título do Rosário: isto é, essa maneira de orar que é considerada como a senha da nossa fé e o compêndio do culto a ela devido. E têm-na praticado particularmente e em público, no interior das casas e no seio das famílias; instituindo confrarias, consagrando altares, promovendo solenes procissões; convencidos de que de nenhum outro modo poderiam melhor honrar as suas festas e merecer o seu patrocínio e as suas graças.

21. Nem passe em silêncio um fato que focaliza uma particular providência de Nossa Senhora acerca do Rosário. E é este. Quando, com o correr do tempo, no seio de algum povo pareceu enfraquecer-se o gosto pela piedade, e relaxar-se também a prática desta oração, mal se desenhou, pelo lado do Estado, algum gravíssimo perigo, ou se apresentou qualquer necessidade pública, por voto unânime foi a prática do Rosário, de preferência a outras manifestações religiosas, que foi como que por encanto revocada a uso e recolocada no seu lugar de honra, com geral benefício. E desta asserção não se faz mister ir buscar as provas no passado, porque temos ao alcance da mão uma insigne nos nossos dias. Como dissemos desde o princípio, estes nossos tempos são cheios de amargura para a Igreja de Deus, e ainda mais para Nós chamado pela Providência Divina a governá-la. Ora, justamente nestes tempos é que nos é dado notar e admirar, em toda parte do orbe católico, um fervoroso despertar na prática e na devoção do Rosário. E, visto que este fato, antes que à diligência humana, se deve efetivamente atribuir a Deus, que dirige e conduz os homens, isto consola, e levanta o Nosso ânimo, enchendo-o de grande confiança em que pela intercessão de Maria, a Igreja poderá alcançar novos e mais extensos triunfos"


(Encíclica "OCTOBRI MENSE" de Leão XIII). 

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

EXCELÊNCIA DO ROSÁRIO

LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 11 de outubro

"17. Ora, como quer que, entre as diversas formas e maneiras de honrar a divina Mãe, são de preferir aquelas que por si mesmas são julgadas mais excelentes e a ela mais agradáveis, apraz-nos expressamente apontar e vivamente recomendar o santo Rosário. A este modo de orar foi dado, na linguagem comum, o nome de "coroa", porque ela também recorda, num feliz enredo, os grandes mistérios de Jesus e de Maria: as suas alegrias, as suas dores e os seus triunfos. Se os fiéis meditarem e contemplarem devotamente, na ordem devida, estes augustos mistérios, haurirão deles um admirável auxílio, quer em alimentar a sua fé e em preservá-la da ignorância e do contágio dos erros, quer em elevar e fortalecer o vigor do seu espírito. De feito, por esse modo o pensamento e a memória de quem reza são, à luz da fé, atraídos com suavíssimo ardor para estes mistérios. Neles concentrados e imersos, nunca se cansarão de admirar a obra inenarrável da Redenção humana, levada a afeito a tão caro preço e com uma sucessão de tão grandes acontecimentos. E, diante destas provas da divina caridade, a alma se inflamará de amor e de gratidão, consolidará e aumentará a sua esperança, e avidamente visará à recompensa celeste, preparada por Cristo para aqueles que se Lhe houverem unido pela imitação dos seus exemplos e pela participação das suas dores. E, enquanto isso, com os lábios se pronunciam as orações ensinadas pelo próprio Cristo, pelo Arcanjo Gabriel e pela Igreja. Orações tão cheias de louvores e de salutares aspirações não poderão ser repetidas e continuadas, na sua vária e determinada ordem, sem produzirem sempre novos e suaves frutos de piedade.

Origem e glórias do Rosário

18. Que, pois, a própria Rainha do Céu haja ligado a esta oração uma grande eficácia, demonstra-o o fato de haver ela sido instituída e propagada pelo ínclito S. Domingos, por impulso e inspiração dela, em tempos especialmente tristes para a causa católica, e bem pouco diferentes dos nossos, e instituída como um instrumento de guerra eficacíssimo para combater os inimigos da fé.

19. Com efeito, a seita herética dos Albigenses, ora sorrateira, ora abertamente, invadira numerosas regiões; espantosa descendência dos Maniqueus, repetia ela os monstruosos erros destes, e renovava as suas hostilidades, as suas violências e o seu ódio profundo contra a Igreja. Contra essa turba tão perniciosa e arrogante, já agora pouco ou nada se podia contar com os auxílios humanos, quando o socorro veio manifestamente de Deus, por meio do Rosário de Maria. Assim, graças à Virgem, gloriosa e debeladora de todas as heresias, as forças dos ímpios foram abatidas e quebradas, e a fé de muitíssimos ficou salva e intacta. E pode-se dizer que semelhantes fatos se verificaram no seio de todos os povos. Quantos perigos conjurados! Quantos benefícios alcançados! A história antiga e moderna aí está para o demonstrar com os mais luminosos testemunhos."

(Encíclica "OCTOBRI MENSE"  de Leão XIII). 

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

O RECURSO A MARIA NA TRADIÇÃO CRISTÃ

LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 10 de outubro

"15. Este plano de terna misericórdia executado por Deus em Maria e ratificado por Cristo com a sua última vontade, foi desde o início compreendido com imensa alegria pelos santos Apóstolos e pelos primeiros fiéis; foi compreendido e ensinado pelos venerandos Padres da Igreja; foi concordemente compreendido, em todos os tempos, pelo povo cristão. E mesmo quando a tradição e a literatura se calassem, esta verdade seria igualmente atestada com grandíssima eloquência pela voz que irrompe do coração de cada cristão. Sem uma fé divina não se explicaria o imperioso impulso que nos impele e docemente nos arrasta para Maria; o vivo desejo, ou, melhor, a necessidade que sentimos de procurar refúgio na proteção e auxílio daquela a quem podemos confiar plenamente os nossos projetos e as nossas ações, a nossa inocência e o nosso pensamento, os nossos tormentos e as nossas alegrias, as nossas preces e os nossos votos, em suma todas as nossas coisas; a doce esperança e a confiança, por nós nutridas, de que aquilo que seria menos aceito a Deus, porque apresentado por nós, indignos pecadores, poderá tornar-se-lhe agradabilíssimo se o confiarmos a sua Mãe Santíssima. Quanto mais a alma se alegra com a verdade e suavidade destes pensamentos, outro tanto se entristece por causa daqueles que, privados da fé divina, não honram Maria; antes, não a consideram nem mesmo como Mãe. E ainda mais se contrista o Nosso coração por causa daqueles que, embora participantes da santa fé, ousam acusar os bons de excessivo e exagerado culto para com Maria, ofendendo com isto grandemente a piedade filial.

16. Portanto, no meio da tempestade de males que tão duramente atormentam a Igreja, todos os devotos filhos desta mesma Igreja vêem claramente que urgente dever têm de orar insistentemente a Deus onipotente, e, sobretudo, de que modo devem aplicar-se a isso para que as suas preces tenham máxima eficácia. Seguindo o exemplo de nossos piedosíssimos pais e antepassados, recorramos a Maria, nossa santa Rainha; e, concordemente, supliquemos a Maria, Mãe de Jesus e Mãe nossa: "Mostra-te nossa Mãe, e por meio de ti acolha nossas preces Aquele que, nascido por nós, quis ser teu Filho" (Da sagrada liturgia).


(Encíclica "OCTOBRI MENSE" de Leão XIII). 

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

MARIA MEDIADORA DE TODAS AS GRAÇAS

LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 09 de outubro

"11. Mas, depois que, por virtude do mistério da Cruz, foi realizar a salvação do gênero humano, e depois que, com o triunfo de Cristo, a Igreja foi plenamente constituída dispensadora da sua salvação, desde então a Providência preparou e estabeleceu para este novo povo uma ordem nova.

12. As disposições da divina Sabedoria devem ser olhadas com profunda veneração. O Filho eterno de Deus, querendo assumir a natureza humana para redimi-la e nobilitá-la, e portanto para contrair um místico consórcio com o gênero humano, não deu cumprimento a este seu desígnio senão depois de obter o livre consentimento daquela que fora designada para sua Mãe, e que, em certo sentido, representava todo o gênero humano; segundo a célebre e veracíssima sentença do Aquinate: " Por meio da Anunciação  aguardava-se o consentimento da Virgem, em nome e em representação de toda a natureza humana" (S. Tomás, 3, q. 30, a, 1). Por consequência, pode-se com toda verdade e rigor afirmar que, por divina disposição, nada nos pode ser comunicado, do imenso tesouro da graça de Cristo  -  sabe-se que "a glória e a verdade vieram de Jesus Cristo" (Jo 1, 17),  -  senão por meio de Maria. De modo que, assim como ninguém pode achegar-se ao Pai Supremo senão por meio do Filho, assim também, ordinariamente, ninguém pode achegar-se a Cristo senão por meio de sua Mãe.

13. Quanta sabedoria e misericórdia resplandece nesta disposição da Divina Providência! Que compreensão da debilidade e fragilidade humana! De fato, nós cremos na infinita bondade de Cristo, e por ela lhe rendemos louvor; mas também cremos na sua infinita justiça, e desta temos temor. Sentimos uma profunda gratidão pelo amor do Salvador, que por nós deu generosamente o seu Sangue e a sua vida; mas, ao mesmo tempo, tememo-Lo no seu caráter de Juiz inexorável. Apreensivos pela consciência dos nossos pecados, precisamos, por isto, de um intercessor e de um patrono que, de um lado, goze em alto grau do favor divino, e, de outro, seja de ânimo tão benévolo que a ninguém recuse o seu patrocínio, nem mesmo aos mais desesperados, e ao mesmo tempo infunda confiança na divina clemência àqueles que, abatidos, jazem no desconforto.

Mãe de Deus e Mãe dos homens

14. Pois bem: essa eminentíssima criatura é justamente Maria: certamente Ela é poderosa, porque é Mãe de Deus onipotente, porém  -  o que é mais consolador - é amorosa, de uma extrema benevolência, de uma indulgência sem limites. Tal no-la deu o próprio Deus, que, havendo-a escolhido para Mãe de seu Unigênito, infundiu-lhe, por isso mesmo, sentimentos requintadamente maternos, capazes somente de bondade e de perdão. Tal no-la mostrou Jesus, quer quando consentiu em ser sujeito e obedecer a Maria, como um filho a sua mãe, que quando, do alto da Cruz, confiou às suas amorosas solicitudes todo o gênero humano, na pessoa do discípulo João. Tal, enfim, se mostrou ela mesma quando, acolhendo generosamente a pesada herança que lhe deixava seu filho moribundo, desde aquele momento começou a cumprir, para com todos, os seus deveres de Mãe."


(Encíclica "OCTOBRI MENSE" de Leão XIII).




terça-feira, 8 de outubro de 2019

NECESSIDADE DA ORAÇÃO


LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 08 de outubro

"6. Este estado de coisas mostra, com evidência sempre maior, o quanto é necessário que os católicos orem e supliquem a Deus com fervor e perseverança "sem nunca cessar" (1 Tim 5, 17); e não somente em particular, porém ainda mais em público. Reunidos nos sagrados templos, conjurem Deus a se dignar, na sua infinita bondade, de livrar a sua Igreja "dos homens insolentes e malvados" (1 Tim 3, 2), e a reconduzir os povos ao caminho da salvação e da razão, na luz e no amor de Cristo.

7. Espetáculo incrível e maravilhoso! Enquanto o mundo percorre o seu caminho tormentoso, fiado nas suas riquezas, na sua força, nas suas armas e no seu engenho, a Igreja, com passo veloz e seguro, atravessa os séculos, depositando a sua confiança somente em Deus, a quem, de dia e de noite, ergue o olhar e estende as mãos súplices. Porque, embora na sua prudência não desdenhe os socorros humanos todavia não é nestes meios que ela deposita a sua principal esperança; mas sim na oração, coletiva e insistente, levada ao seu Deus. Nesta fonte ela alimenta e fortifica a sua vida; porque, elevando-se mediante a oração assídua, acima das vicissitudes humanas, e mantendo-se constantemente unida a Deus, é-lhe dado viver, plácida e tranquila, da própria vida de Cristo. E nisto ela é fiel imagem de Cristo, a quem o horror dos tormentos, sofridos pelo nosso bem, nada diminuiu nem tirou da beatíssima luz e da felicidade que lhe são próprias.

8. Este grande ensinamento do Cristianismo sempre foi escrupulosamente praticado pelos cristãos dignos deste nome. Quando à Igreja ou a quem lhe regia os supremos destinos estava iminente algum perigo, mercê da perfídia e da violência de homens perversos, então com maior insistência e freqüência elevavam os cristãos suas preces a Deus.

9. De tal costume achamos luminoso exemplo nos fiéis da Igreja nascente, exemplo digno de ser proposto à imitação de todos os pósteros. Pedro, Vigário de Cristo, Pontífice supremo de toda a Igreja, por ordem do ímpio Herodes fora lançado no cárcere, e destinado a segura morte. Ninguém estava em condições de lhe levar auxílio para o subtrair àquele perigo. Mas não faltava esse auxílio único que a devota oração sabe obter de Deus. Como nos testemunha a Sagrada Escritura, a Igreja elevava a Deus fervorosíssimas preces por ele: "Mas a Igreja fazia a Deus contínuas preces por ele" (At 12, 5). E tanto mais ardente se tornava o empenho da sua oração, quanto mais grave era a angústia que eles experimentavam por aquela desventura. Todos sabem que essas preces foram atendidas. Antes, todos os anos o povo cristão celebra sempre com agradecida alegria a lembrança da miraculosa libertação de S. Pedro.


10. Outro exemplo, ainda mais luminoso, antes divino, dá - no-lo o próprio Cristo, que se propusera encaminhar e formar na perfeição a sua Igreja não só com os novos preceitos, mas também com a sua vida. Durante o curso de toda a sua vida Ele se dedicara mui freqüente e longamente à oração. Mas, nas suas horas supremas, quando, no horto de Getsêmani, a sua alma foi invadida de uma angústia imensa e oprimida por uma tristeza mortal, Ele não somente orava, porém "orava mais intensamente" (Lc 22, 43). E isto Ele fez não para si mesmo, pois, como Deus, nada podia temer e de nada precisava; mas fê-lo para nossa vantagem, e para vantagem da sua Igreja, cujas futuras orações e futuras lágrimas desde então Ele generosamente fazia suas, tornando fecundas umas e outras com a sua graça."

(Encíclica "OCTOBRI MENSE" de Leão XIII).  

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

FESTA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO

LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 07 de outubro

A cidade de Constantinopla era a capital da Turquia.  Desde sua fundação (a. 657 a. C.) chamava-se Bizâncio. Depois recebeu o nome de Istambul e, atualmente chama-se Ancara. No ano de 1571 (como até hoje) a Turquia é na sua maioria muçulmana, ou seja, religiosamente falando, segue o Islamismo, seita fundada por Maomé. Por isso são chamados também maometanos. Para eles toda guerra para eliminar os infiéis ( chamam de infiéis todos os que não seguem o Islamismo e, sobretudo os católicos) é guerra santa. Por isso, sempre constituíram para a Igreja Católica uma grande ameaça.
   Assim, no ano de 1571 Constantinopla quis a todo transe impor na Europa católica o Islamismo. Os turcos muçulmanos armaram um terrível exército neste intuito. Ocupava a cadeira pontifícia S. Pio V, este grande Papa providencial. Diante da grande ameaça islâmica, Pio V constituiu uma Confederação ou Liga Santa. Formavam-na a Santa Sé, a República de Veneza e a grande Espanha.
   Reúnem-se em Roma. Pio V convocou os Cardeais Granvela e Pacheco e Dom João Zueñiga, embaixador do Rei Católico na Corte Romana e Miguel Soriano, por parte da República de Veneza; daquela Liga Santa, surgiu a semente para a epopeia de Lepanto. O Papa nomeou Marco Antônio Colomba, seu general; Felipe II nomeou como Generalíssimo de Mar e Terra a Dom João de Áustria, que tinha, então, apenas vinte cinco anos de idade.
   O tempo urgia, pois, os turcos já faziam arremetidas e assaltos. Eles fizeram simultaneamente três assaltos: atacaram a Albânia com 60 mil homens; atacaram a ilha de Chio com 40 galeras; as tropas do terrível Mustaphá  arremessaram-se   sobre a ilha de Chipre. Em pouco tempo tomaram de assalto as praças mais fortes; mataram vinte mil habitantes, e fizeram quinze mil escravos só na cidade de Nicósia. Renovaram as mesmas atrocidades em Famagusta, cujo comandante teve o nariz e as orelhas cortadas, e depois foi esfolado vivo por ordem de Mustaphá. Malta e Sicília já perigam. A estas notícias o Papa S. Pio V usou de seu poder. O nome glorioso de Espanha, que domina terras e mares, ameaça eclipsar-se. O Oriente muçulmano ameaça o Ocidente católico, e a salvação, está nas mãos da Espanha. Alí Pachá e Selim têm naquela hora um poderio que é necessário exterminar a todo custo. O cenário da conflagração há de ser Lepanto, a cidade marítima da Grécia. Lepanto é um Golfo que antigamente chamava-se Golfo de Corinto.
   Tratava-se de uma legítima defesa, e antes de tudo, defesa da Fé. O Papa benzeu o estandarte e o bastão do generalato que Dom João levaria nesta guerra;  em Nápoles, no Convento de São Francisco, os recebe Dom João das mãos do Cardeal Granvela, em solene cerimônia: "Tomai, ditoso Príncipe, disse o cardeal, as insígnias do verdadeiro Verbo Humano. Tomai o vivo sinal da Santa Fé de que nesta empresa sois defensor. Ele vos dê vitória gloriosa sobre o inimigo ímpio e que por vossa mão seja abatida sua soberba". E o povo respondeu em coro: AMEN. São Pio V ordenou que em toda cristandade se rezasse publicamente o santo Rosário.
   As naves católicas haviam saído de Messina, e estando nas Ilhas Curzolari, tiveram notícia de que a frota turca saía do porto de Lepanto, composta de 224 galeras ao mando de Alí Pachá. Dom João de Áustria ordenou à sua frota que se colocasse no lugar mais alto as imagens de Cristo Crucificado, e estando todos ajoelhados diante delas aumentou de tal modo o ânimo de lutar e o valor nos soldados cristãos, que, em um momento e quase que por um milagre, foi erguido em toda a armada um grito geral de alegria, que, repetindo em voz mais alta - "Vitória!... Vitória!..." - podia ser ouvido até pelos próprios inimigos. 
   Vai começar a histórica Batalha de Lepanto! E realmente! Momentos depois, juntavam-se as duas esquadras e com estrondo pavoroso as duas galeras capitânias, tendo antes artilharia e os arcabuzes feito sua matança entre as fileiras do General  turco Alí Pachá. Generalizou-se o combate, envolvendo-se entre si as galeras inimigas com um ardor sem igual. Depois do fogo de arcabuz e canhão, chegava a abordagem e se brigava com machadinhas e espadas, e danificadas estas, prosseguiam a luta corpo a corpo. O aspecto era terrível ! Naquela atmosfera de morte transcorreram várias horas,até que um alarido de vitória cruzou o cenário trágico com a rapidez de um relâmpago: As forças cristãs que haviam abordado a nave capitânia do muçulmano Alí Pachá, lograram matá-lo e ao mesmo tempo que arriavam daquela e outras naus o estandarte turco, chamado o Sanjac, substituindo-o pelo de Cristo Crucificado. Sem embargo, a batalha prolongou-se até que a noite viesse cobrir a enseada de Lepanto, à cuja hora a derrota muçulmana havia sido completa e categórica. Morreram das forças cristãs 7.500 homens. Entre os turcos, porém, morreram 32.000 homens. O exército católico fez ainda 3.500 prisioneiros e libertou   5.000 escravos cristãos. Os turcos perderam 224 embarcações.

  O Papa Pio V afirmou que esta importante vitória era devida à intercessão da Mãe de Deus; e parece que teve, a este respeito, esclarecimentos sobrenaturais. No momento mesmo do combate, o santo Papa, que se achava no meio dos cardeais reunidos, deixou-os de repente, abriu a janela, e esteve por algum tempo com os olhos erguidos para o céu. Voltou depois e disse: "Não tratemos mais de negócios agora; pensemos somente em dar graças a Deus pela vitória, que acaba de conceder ao exército cristão". Realmente, àquela hora exata, Dom João de Áustria vencia os muçulmanos em águas do mar Jônico. Em reconhecimento o santo Pontífice mandou acrescentar à Ladainha da Santíssima Virgem a invocação Auxílio dos cristãos! rogai por nós! e instituiu a festa solene com o título de Nossa Senhora da Vitória. Dois anos mais tarde, o Papa Gregório XIII mudou este título no de Nossa Senhora do Rosário.
   São Pio V morreu no mesmo ano da  vitória de Lepanto. - Os turcos olhavam este pontífice como o seu mais terrível inimigo, e o mais forte baluarte da Europa e da cristandade. Por isso o Sultão Selim, sabendo da sua morte, ordenou que houvesse festejos públicos durante três dias na cidade de Constantinopla.

domingo, 6 de outubro de 2019

HOMILIA DOMINICAL - 17º Domingo depois de Pentecostes

Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Efésios 4, 1-6: "Irmãos: Eu, que me acho preso pelo amor do Senhor, vos rogo que andeis como é digno da vocação a que fostes chamados; em toda humildade e mansidão, com paciência, suportando-vos uns aos outros na caridade e procurando guardar a união do Espírito, no vínculo da paz. Um só corpo e um só Espírito, como também sois chamados a uma só esperança por vossa vocação. Um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um Deus e Pai de todos, que está acima de todos e age em tudo e em todos nós. Seja Ele bendito pelos séculos dos séculos. Amém. 

Leitura do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 22, 34-46: "Naquele tempo, chegaram-se a Jesus os fariseus, e um deles, que era doutor da lei perguntou-Lhe para O tentar: Mestre, qual é o grande mandamento da Lei? Disse-lhe Jesus: Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo teu entendimento. Este é o máximo e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a este: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei, e os profetas. E estando juntos os fariseus, interrogou-os Jesus, dizendo: Que vos parece de Cristo? De quem Ele é Filho? Responderam-lhe: de Davi. Jesus lhes disse: Como, pois, em espírito, Davi o chama Senhor, dizendo: O Senhor disse a meu Senhor: Senta-te à minha direita, até que ponha os teus inimigos como escabelo de teus pés? Se, pois, Davi O chama Senhor, como é Ele o seu filho? E ninguém, pôde responder-Lhe uma só palavra; e desde aquele dia ninguém ousou mais fazer-Lhe perguntas".

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

A prática de hoje é extraída do Livro "INTIMIDADE DIVINA" do P. Gabriel de Santa M. Madalena, O. C. D.

1 - "Como Jesus, no curso da Sua vida terrena, não cessou de recomendar a caridade e a união fraterna, assim a Igreja, nas Missas dominicais, continua a inculcar-nos esta virtude. Hoje fá-lo servindo-se de um trecho da carta de S. Paulo aos Efésios (4, 1-6): 'Rogo-vos que andeis dum modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com paciência, suportando-vos uns aos outros por caridade, solícitos em conservar a unidade do espírito pelo vínculo da paz'. O chamamento que recebemos foi a vocação ao cristianismo, a vocação ao amor. Deus, caridade infinita, adota-nos como Seus filhos afim de que rivalizemos com a Sua caridade a tal ponto que seja o amor o vínculo que nos una a todos num só coração, como o Pai e o Filho estão unidos numa só Divindade pelo vínculo do Espírito Santo. 'Como Tu, Pai, o és em mim e eu em ti, que também eles sejam um em nós', pediu Jesus para nós (S.Jo. 17, 21).
   "Conservar a unidade pelo vínculo da paz": eis uma coisa fácil e difícil ao mesmo tempo. Fácil porque , quando o coração é verdadeiramente humilde, manso e paciente, tudo suporta com amor, tendo maior cuidado em se adaptar à mentalidade e aos gostos alheios do que em fazer valer os seus. Difícil porque, enquanto estivermos no mundo, o amor próprio, apesar de mortificado, tenta sempre ressurgir e afirmar os seus direitos, criando constantes ocasiões de choques recíprocos. Para os evitar é preciso muita renúncia de si mesmo e muita delicadeza para com os outros. Devemos persuadir-nos de que tudo o que perturba, enfraquece ou, o que é pior, destrói a união, não pode agradar a Deus, mesmo que o façamos sob pretexto de zelo. EXCETUANDO O CUMPRIMENTO DO DEVER E O RESPEITO PELA LEI DE DEUS, (os destaques são meus), devemos preferir sempre renunciar às nossas idéias, embora boas, a discutir com o próximo. Dá muito mais glória a Deus um ato de renúncia humilde a favor da união, dá muito mais glória a Deus a paz entre os irmãos, do que uma obra grandiosa que possa causar discórdia e desentendimento.

2 - "O excesso de personalismo, o grande desejo de agir cada um a seu modo são muitas vezes causa de divisões entre os bons. Dada a nossa limitação, as nossas ideias não podem ser de tal modo absolutas que não admitam as ideias dos outros. Se o nosso modo de ver é bom, reto, luminoso, pode haver outros igualmente bons e até melhores; por isso, em vez de o rejeitarmos por não sabermos renunciar a opiniões demasiado pessoais, é mais prudente, humilde e caritativo aceitar o modo de ver alheio, procurando conciliá-lo com o nosso. Este personalismo é inimigo da união, é um obstáculo para o maior êxito das obras e mesmo para o nosso progresso espiritual.
Jesus estava no Templo de Jerusalém. Tinha vindo
de Betânea: eis na foto um trecho da estrada. Era 2ª Feira
Santa. Jesus amaldiçoou uma figueira por não ter frutos:
Ação simbólica, isto é, uma parábola representada, invés
de contada.  Se fosse hoje, Jesus teria sido preso, porque
a árvore que Ele amaldiçoou, no dia seguinte já estava
seca. 
   "Na Epístola de hoje S. Paulo apresenta-nos todos os motivos que temos para nos mantermos unidos: '[sede] um só corpo e um só espírito como fostes chamados a uma só esperança pela vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos'. Se Deus quis salvar-nos e santificar-nos unidos a Cristo e formando com Ele um só corpo, dando-nos uma única vocação, uma única fé, uma única esperança e sendo Ele o Pai de todos, como pretenderemos salvar-nos e santificar-nos separando-nos uns dos outros? Se não queremos frustrar o plano de Deus e pôr em perigo a nossa santificação e salvação, temos de estar prontos para qualquer união. Lembremo-nos de que Jesus pediu para nós não só a união, mas a união perfeita: 'que sejam consumados na unidade' (S. Jo. 17, 23).
   "Também o Evangelho de hoje (S. Mt. 22, 34-46) vem reforçar este incitamento à união, visto Jesus repetir que o mandamento do amor do próximo é, juntamente com o do amor a Deus, o fundamento de 'toda a lei', de todo o cristianismo. Não desprezemos estes chamamentos contínuos à caridade e à união; a Igreja insiste neste ponto, pois nele insistiu Jesus, porque a caridade 'é o mandamento do Senhor e se ele é observado, basta' (S. João Evangelista).
   "(...) Terminemos com as palavras da Liturgia: "Onde há amor e caridade, aí habitais Vós, Senhor! O Vosso amor, o Cristo, congregou-nos num só corpo e num só coração; concedei-nos, pois, amarmo-nos com um coração sincero. Afastai de nós as dissenções e contendas; fazei que os nossos corações estejam sempre unidos em Vós e Vós sempre no meio de nós". Amém!


PS: Hoje começa em Roma o Sínodo dos bispos sobre a Amazônia. Rezemos para que não venha acontecer o que terrivelmente nos afigura!!!

EXPLICAÇÃO DO EVANGELHO DO 17º DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES



S. Mateus XXII, 34-46

"Amar o próximo como a nós mesmos"

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!


Sabemos que os mandamentos de Deus são dez. E todos os problemas das sociedades estariam resolvidos se as leis de Deus fossem cumpridas. Os três primeiros, que se referem a Deus, encerram-se nesta fórmula: Amar a Deus sobre todas as coisas. Isto significa a vontade de amar a Deus, não em grau infinito, mas sobre todas as coisas, de preferência a tudo o que Lhe seja contrário. Os outros sete mandamentos se reduzem ao amor do próximo, mas a um amor sincero e eficaz. Nosso Senhor Jesus Cristo diz que o amor do próximo é semelhante ao amor de Deus, no sentido que a caridade é uma virtude única que tem dois aspectos: Deus e o próximo por amor de Deus. Devemos notar que a Lei  manda amar o próximo por amor de Deus.  

Na explicação do evangelho do 12º domingo depois de Pentecostes já tivemos ensejo de fazer algumas reflexões sobre o amor de Deus e do próximo (S. Luc. X, 23-34). Vamos nos deter mais um pouco sobre o amor do próximo considerando este detalhe: COMO A NÓS MESMOS.

Nosso amor tem três objetos: Deus, o próximo e nós mesmos. Jesus Cristo manda-nos amar a Deus e ao próximo. É óbvio que Jesus supõe que naturalmente e sem sermos para isto compelidos, nos portemos de tal modo que cumpramos este dever para conosco. Com efeito, o amor de si é essencial ao homem; ele faz parte de sua natureza e é inseparável de seu ser. A Providência divina colocou em nós este sentimento precioso para nos fazer tender à felicidade a que Deus nos destinou. Não podemos nem deturpar nem destruir este sentimento.

Santo Agostinho observa que, embora Jesus não fale da obrigação do amor a nós mesmos, Ele, no entanto, não o omite; supõe-no, porque ordena que amemos o próximo como a nós mesmos. Mas este sentimento do amor a nós mesmos tem necessidade de ser dirigido, e, às vezes, até reprimido, raramente tem necessidade de ser estimulado. Temos a tendência de nos amarmos além dos limites em detrimento do amor que devemos aos outros. É justamente este amor fora dos limites que S. Paulo condena: "A caridade não busca [somente] os seus próprios interesses" (1 Cor. XIII, 5). Não nos é mandado que sintamos pela totalidade de nossos irmãos, o que nós sentimos por nos mesmos. Amar o próximo como a nós mesmos, é tratá-lo como nós desejamos que os outros nos tratem; fazer ao próximo o que desejamos que nos façam, e não fazer o que não desejamos que nos façam. Por exemplo: desejamos ser felizes, e assim a linguagem humana estigmatiza com o nome de EGOÍSMO.  É evidente, porém, que Jesus prescreve uma igualdade não de sentimentos, mas de deveres. Eis  o conselho que o velho Tobias deu ao seu filho Tobias: "Acautela-te, não faças nunca a outro o que não quererias que outro te fizesse". O mesmo ensinou o Divino Mestre: "Assim, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-o também vós a eles; esta é a lei e os profetas" (S. Mateus VII, 12).

Devemos observar, outrossim, que esta igualdade de dever não é de tal modo absoluta que não sofra modificação. Não há circunstâncias em que o amor a nós mesmos deva ser exclusivo; mas pode haver casos em que ele seja preponderante. Na impossibilidade de procurar o bem próprio e o do próximo, deve o amor de si prevalecer. Em se tratando de bens temporais, podemos dar a nós mesmos a preferência; e, em se tratando de bens espirituais, temos o dever. Por mais sagrado que seja o dever de fazer bem a nossos irmãos, o de nossa salvação eterna é-lhe superior, porque é para nos salvar que devemos fazer bem ao próximo. A mesma lei que nos ordena trabalhar em sua salvação, nos proíbe  trabalhar em prejuízo da nossa.

Quando se trata de bens temporais, em caso de conflito dos nossos  interesses com os de outrem, se, de ordinário, podemos preferir os nossos, há, no entanto, casos em que por dever de estado e em virtude dum contrato tácito ou formal entre nós e a sociedade, nós somos obrigados a nos sacrificarmos em prol dos nossos irmãos e a procurarmos seu bem temporal às expensas do nosso. Estes casos não são raros, por exemplo, na vida do militar, do médico, do magistrado e do padre. E esta obrigação é bem mais grave ainda quando se trata de lhes procurar a salvação eterna, como é o caso do padre. Quantas vezes, nós padres nos expomos a contrair uma doença contagiosa na administração dos últimos sacramentos?!

É mister também no exercício da caridade fraterna distinguir duas espécies de deveres, uns interiores, outros exteriores. Podem haver motivos legítimos que dispensem destes últimos, mas jamais haverá razão que impeça de cumprir os primeiros. Exemplifiquemos: você é pobre e, por conseguinte, não podes dar esmola. Você está enfermo, por isso mesmo estás dispensado de prestar serviços mais pesados. Mas os deveres interiores são sempre praticáveis. Se alguém não pode fazer bem a seus irmãos, pode e deve ao menos desejar-lhes o bem. Se alguém não pode prestar ajuda material aos seus irmãos, pode, ao menos, ajudá-los com suas orações.

Amar o próximo efetivamente e em verdade e não só de boca, mas na medida de nossas possibilidades e enquanto o permitem nossos recursos. "Meus filhinhos não amemos de palavra e com a língua, mas por obra e em verdade"  (1 João III, 18). Aqui está o lado positivo da máxima do Divino Mestre: "Assim, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-o também a eles". Dar de comer a quem tem fome, de beber a quem tem sede, visitar e consolar os doentes e aflitos, dar vestes boas aos maltrapilhos, cobertas aos que estão passando frio etc.

Vejamos agora o lado negativo: "Não fazer a outrem o que não gostaríamos que os outros nos fizessem". Daí, ficam aqui proibidas todas as maldades: a inveja, a ira, a discórdia, a dissensão,  as querelas, as inimizades etc. São enfim as obras da carne enumeradas por S. Paulo  na sua Epístola aos Gálatas V, 19-21. E o Apóstolo após a enumeração destas obras que vêm da carne, termina com esta terrível advertência: "Os que as praticam, não possuirão o reino de Deus".

Meditemos, outrossim, nestas outras palavras do Apóstolo dos gentios: "Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de um modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com paciência, suportando-vos uns aos outros por caridade, solícitos em conservar a unidade do espírito pelo vínculo da paz. Há um só corpo e um só Espírito, como também vós fostes chamados a uma só esperança pela vossa vocação. Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo. Há um só Deus e Pai de todos, que está acima de todos, e atua por todas as coisas e reside em todos nós" (Efésios IV, 1-6). Somo todos irmãos, por natureza, de Adão e por adoção, de Deus. Assim, como os primeiros cristãos, todos deveriam viver realmente como irmãos, como se em todos batesse um só coração e os animasse uma só alma. Nosso divino Salvador deseja que todos nós cumpramos o seu mandamento novo: "Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei". Amém!