SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Como o moribundo deve vencer certas tentações do demônio

   
 Devemos resistir ao demônio, firmes na fé. Deus é fiel e nunca permite que o inimigo de nossa alma nos tente acima das forças. Quando Deus permite a tentação, é para a gente tirar dela proveito. Deus dá a todos a graça suficiente para se salvarem.

   Não há dúvida que as tentações na proximidade da morte, são mais terríveis. Quando o corpo está debilitado, a alma perde muitas vezes parte do seu vigor. É pois da maior importância estar premunido contra estes últimos e temíveis assaltos do demônio. 

   NAS TENTAÇÕES CONTRA FÉ: Não disputar com o inimigo. Quando o moribundo se sentir agitado por pensamentos de dúvida, contente-se com dizer, ou mesmo exprimir por sinais que crê em tudo o que crê e ensina a Santa Madre Igreja. Católica. 

   NAS TENTAÇÕES DE PRESUNÇÃO: Quanto mais uma pessoa tenha durante a vida se empenhado em dar bom exemplo, quanto mais tenha sofrido e dado mais edificação, tanto mais também o demônio a incita a confiar na sua própria justiça. É tentada a considerar os elogios que lhe dão, como prova certa de sua pretensa virtude. Neste caso, humilhe-se profundamente, e diga com o santo Jó: "Eu sei verdadeiramente que é assim, que o homem comparado com Deus não é justo. E, se quiser disputar com Deus, não lhe poderá responder por mil coisas uma só" (Jó, IX, 2 e 3). 

   NAS TENTAÇÕES DE DESESPERAÇÃO: O Espírito das trevas procura lembrar ao moribundo as suas obrigações e os favores talvez extraordinários que recebeu de Deus em sua vida. Pinta-lhe, então, as suas faltas com as cores mais vivas, e algumas vezes as mais exageradas: esforça-se o demônio por lhe persuadir que não poderá escapar à ira de um Deus tão santo, por ter abusado dos seus benefícios. 

É preciso fazer um último ato de esperança e de amor. 
  
 Bossuet diz a respeito da morte: "Os meus sentidos extinguem-se, a minha vida esvai-se; em breve passarão por onde eu estava: eis o seu quarto, dirão, eis o seu leito; e não me encontrarão lá. Como isto é triste! Sim, seria muito triste, se eu não tivesse esperança. Mas se tudo cai em redor de mim, vou para onde está tudo. Deus poderoso, Deus eterno, Deus feliz, alegro-me do vosso poder, da vossa eternidade, da vossa felicidade. Quando vos verei, ó luz, ó bem, ó fonte do bem. ó bem único, ó todo o bem, ó toda a perfeição, ó única perfeição; ó vós, que sois o ser por excelência, que sois tudo, em que eu estarei, que estareis em mim, que sereis tudo a todos, com quem eu serei um só espírito! Quando vos verei, ó princípio que não tendes princípio? Quando verei sair do vosso seio vosso Filho, que vos é igual? quando verei o vosso Santo Espírito proceder da vossa união, terminar a vossa fecundidade? Cala-te alma minha, não fales mais; para que balbuciar ainda, quando te vai falar a mesma verdade?..."

   Na verdade, uma boa morte não se improvisa, prepara-se. Geralmente como for a vida, será a morte. Quem procurou viver com o coração reto diante de Deus. vigiando sempre para observar os mandamentos e cumprir os deveres de estado; tendo todo empenho e cuidado em receber os sacramentos com as devidas disposições, deve confiar na misericórdia divina e desprezar as tentações do demônio na hora da morte. Os humildes e de coração reto poderão dizer adeus à Igreja militante já saudando a Igreja triunfante: Meus novos irmãos, ou melhor dizendo, meus amigos concidadãos, meus antigos irmãos, eu vos saúdo; brevemente vos abraçarei. Adeus, meus irmãos mortais, adeus! Ó Santa Igreja, eu não me despeço de vós. vou ver os profetas e os apóstolos, vossos fundamentos; os mártires, vossas vítimas; as virgens, vossa flor; os confessores, vosso ornamento; os Anjos e os Santos, vossos intercessores... Sinto-me morrer, fechai-me os olhos, envolvei-me nesta mortalha, enterrai-me... Jesus, Maria, José, recebei a minha alma. Assim seja!

      

domingo, 27 de novembro de 2016

HOMILIA SOBRE A EPÍSTOLA DO PRIMEIRO DOMINGO DO ADVENTO

  Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos 13, 11-14. 
                   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 21, 25-33. 

Observação: Neste ano, se Deus quiser, vamos fazer as homilias dominicais explicando as Epístolas. 

EPÍSTOLA DESTA SANTA MISSA DO 1º DOMINGO DO ADVENTO:

   "Irmãos: Sabeis que já é hora de despertar-vos do sono, pois, a salvação está agora mais perto de nós, do que quando abraçamos a fé. A noite passou e aproxima-se o dia. Renunciemos, portanto, às obras das trevas, e revistamo-nos das armas da luz. Caminhemos honestamente como quem anda em plena luz, não em excesso de comida ou de bebida, não em dissoluções e impurezas, nem em contendas e emulações. Pelo contrário, revesti-vos do Senhor Jesus Cristo."

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Primeiramente queria lembrar a todos que o pecador Agostinho, filho de Santa Mônica, passou definitivamente da trevas do erro e da morte do pecado para a luz da verdade e a vida da graça, através desta Epístola: Achando-se ele com seu amigo Alípio em um jardim, ouviu uma voz que lhe dizia: "Toma e lê". Impressionado com estas palavras misteriosas, segura o livro que vê ao seu lado e abre-o exatamente na página em que se encontra esta Epístola. Foi o golpe certeiro da graça a quebrar a última corrente férrea que ainda o detinha preso ao mundo de trevas e impurezas. Converteu-se! E oxalá, muitos e muitos lendo e meditando estas palavras inspiradas das Sagradas Escrituras, se convertam como aconteceu com Agostinho. 

   "Já é hora de despertarmos do sono".  Caríssimos, o sono é necessário para restaurar as forças, e por isto, reduz-nos à inércia. É indispensável para a vida física, mas referindo-se à vida espiritual, na linguagem ascética, o sono é sinônimo de negligência, de torpor nas coisas de Deus, é símbolo da tibieza. A alma vive esquecida de Deus, apegada que está muito mais à coisas exteriores da terra. Daí a oração ou é frequentemente omitida ou, então, feita com certo enfado. O mesmo acontece com a recepção dos sacramentos. A alma na tibieza fica alheia a todo amor divino e busca antes vãs consolações nos corações humanos. Quase não se mortifica. Preocupada com o tempo presente, não lhe interessam os destinos da vida futura. Nesta indolência espiritual a alma fica fraca e cai facilmente em pecado veniais deliberados e geralmente em quedas fatais. Do sono da alma passa facilmente à morte da alma. Por isso São Paulo define o pecado como sendo "obra das trevas". Na verdade é o príncipe das trevas que o inspira. E o pecado conduz ao reino das trevas. Por isso grita o Apóstolo: "Despojai-vos, pois, das obras das trevas" e "revistamo-nos das armas da luz". Devemos procurar a força na oração, meditação dos novíssimos, da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, procurar o força nos Sacramentos da Penitência e da Comunhão. Devemos estar acordados, bem vigilantes, para afastarmos as tentações do príncipe das trevas, com a mesma prontidão e energia com que afastamos uma brasa que cai em nossas vestes. 

   Assim com as palavras da Epístola da Missa deste 1º Domingo do Advento, São Paulo anima os tíbios a acordarem do sono do espírito; aos pecadores o Apóstolo ordena que rejeitem as obras das trevas. Aconselha os fracos que empunhem as armas da luz. A todos São Paulo exorta a que se revistam de Jesus Cristo. 

   Para terminar, caríssimos, vejamos o que significa afinal "revestir-se de Jesus Cristo". Significa tomar os mesmos sentimentos de Jesus Cristo, seguir a sua doutrina, imitar seus exemplos, reproduzir suas virtudes. Significa, outrossim, unir-se interiormente a Deus com o maior grau de santidade possível e exteriormente revelar, através da nossa conduta, a bondade, caridade, e doçura de Jesus Cristo. 

   Por isso, é com imensa tristeza que constatamos que muitos cristãos, em lugar de ser o perfume de Jesus Cristo entre os demais, violando, portanto, a missão que lhes cabe de revelarem Jesus aos homens, profanam com sua vida, a vida d'Aquele que deviam com suas virtudes honrar e glorificar. 

  Ó Jesus, fazei que, pela prática das virtudes, especialmente da humildade e mansidão, eu possa ser o bom odor vosso junto aos meus irmãos. Amém!

sábado, 26 de novembro de 2016

A FINALIDADE DAS CONSOLAÇÕES DO DIVINO ESPÍRITO SANTO

   Só são consolados os que choram: Bem-aventurados os que choram porque serão consolados (S. Mateus V, 5).  Uma alma que se sente bem no seu desterro, que aí busca sua alegria, constantemente ocupada em afastar o que incomoda, a procurar o que a lisonjeia, não deve esperar nada da sabedoria do alto. "Mas a sabedoria, onde se encontra ela? O homem não conhece o seu valor, nem ela se encontra na terra dos que vivem em delícias" (Jó, XXVIII, 12 e 13). As consolações do Espírito Santo são a recompensa ordinária da generosidade que se sacrifica pela glória e serviço de Deus.

   Os Apóstolos foram açoitados por terem anunciado a Jesus Cristo, e não podem conter seu gozo: Os primeiros cristãos abraçaram a fé, expunham-se a todos os sofrimentos e à morte; São Lucas só fala das consolações de que estavam cheios: "A Igreja enchia-se da consolação do Espírito Santo" (Atos IX, 31).

   Entre as visitas do Espírito Santo, podem-se distinguir três: a) visita de compaixão, para nos curar, combatendo a cegueira do nosso espírito e a dureza do nosso coração; b) visita de provações, para nos purificar. Quer habitar em nossas almas; mas se as vê governadas pela natureza, sensuais, vaidosas, deixa-nos sentir o peso das nossas miséria, para nos obrigar a recorrer a Ele.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

CATECISMO DO SANTO CURA D'ARS SOBRE O SOFRIMENTO

   Queiramos ou não, temos que sofrer. Há uns que sofrem como o bom ladrão, e outros como o mau. Ambos sofriam igualmente. Mas um soube tornar seus sofrimentos meritórios; aceitou-os em espírito de reparação, e, voltando-se para o lado de Jesus crucificado, recolheu-lhe da boca estas belas palavras: "Hoje estarás comigo no paraíso". O outro, ao contrário, dava urros, vociferava imprecações e blasfêmias, e expirou no mais horroroso desespero.
   Há duas maneiras de sofrer; sofrer amando e sofrer sem amar. Os santos sofriam tudo com paciência, alegria e perseverança, porque amavam. Nós sofremos com cólera, despeito e frouxidão, porque não amamos. Se amássemos a Deus, amaríamos as cruzes, desejá-las-íamos, comprazer-nos-íamos nelas... Folgaríamos de poder sofrer por amor daquele que se dignou sofrer por nós. De que nos queixamos? Ai! os pobres infiéis, que não têm a ventura de conhecer a Deus e suas amabilidades infinitas, têm as mesmas cruzes que nós; mas não têm as mesmas consolações.
  Dizeis que é duro? Não, é doce, é consolador, é suave: é a felicidade!... Somente há que amar sofrendo, há que sofrer amando.
   No caminho da cruz, vede, meus filhos, só o primeiro passo custa. É o temor  das cruzes que é a nossa maior cruz...
   Não temos coragem de carregar a nossa cruz, andamos bem errados; porquanto, façamos o que fizermos, a cruz nos apanha, não lhe podemos escapar.
   Que temos pois a perder? porque não amarmos as nossas cruzes e não nos servirmos delas para irmos para o céu?... Mas, ao contrário, a maioria dos homens voltam as costas às cruzes e fogem diante delas. Quanto mais correm, tanto mais a cruz os persegue, tanto mais os fere e os esmaga de fardos... Se quereis ser prudentes, caminhai ao encontro dela como Santo André, que dizia, vendo a cruz erguer-se para ele nos ares: Salve, ó boa cruz! ó cruz admirável! ó cruz desejável!... recebe-me nos teus braços, retira-me de entre os homens, e restitui-me ao meu Mestre que me remiu por ti".
   Escutai bem isto, meus filhos: Aquele que vai ao encontro da Cruz, anda em sentido oposto às cruzes; encontra-as talvez, mas fica contente de encontrá-las; ama-as; carrega-as com coragem. Elas o unem a Nosso Senhor; tiram-lhe do coração todos os obstáculos; ajudam-no a atravessar a vida, como uma ponte ajuda a passar a água.
   Um bom religioso queixava-se um dia a Nosso Senhor de que o perseguiam. Dizia: "Senhor, que fiz eu para ser tratado assim?" Nosso Senhor respondeu-lhe: "E eu, que tinha feito quando me levaram ao calvário?... Então o religioso compreendeu, chorou, pediu perdão e não ousou mais queixar-se.
   As pessoas do mundo desolam-se quando têm cruzes, e os bons cristãos desconsolam-se quando não as têm. O cristão vive no meio das cruzes como o peixe vive n'água.
   Vede Santa Catarina, que tem duas coroas, a da pureza e a do martírio: quanto esta cara santa está contente de haver preferido sofrer a consentir no pecado!
   Havia bem perto daqui, numa paróquia da vizinhança, um rapazinho que estava todo esfolado no seu leito, bem doente e bem miserável; eu lhe dizia: "Meu pobre pequeno, tu sofres bem!" Ele respondeu-me: "Não, senhor cura, eu não sinto hoje o meu mal de ontem, e amanhã não sentirei o meu mal de hoje". - Quererias ficar bom? - Não, eu era mau antes de ficar doente; poderia ficar mau outra vez. Estou bem como estou..." Nós não compreendemos isso porque somos demasiado terrenos. Meninos em que o Espírito Santo reside metem-nos vergonha.
   Se o bom Deus nos manda cruzes, agastamo-nos, queixamo-nos, murmuramos, somos tão inimigos de tudo o que nos contraria, que quereríamos estar sempre numa caixa de algodão; é numa caixa de espinhos que nos deveríamos colocar.
   É pela cruz que se vai para o céu. As doenças, as tentações, as penas são outras tantas cruzes que nos conduzem ao céu. Tudo isso logo passará... Vede os santos que chegaram antes de nós... Deus não pede de nós o martírio do corpo, pede-nos apenas o martírio do coração e da vontade... Nosso Senhor é nosso modelo; tomemos a nossa cruz e sigamo-Lo.
   A cruz é a escada do céu... Como é consolador sofrer sob os olhos de Deus, e podermos dizer, à noite, por ocasião do nosso exame de consciência: "Eia! minh'alma, tiveste    hoje duas ou três horas de semelhança com Jesus Cristo: foste flagelada, coroada de espinhos, crucificada com Ele!... Oh! que tesouro para a morte!... Como é bom morrer quando se viveu na cruz!
   Deveríamos correr atrás das cruzes, como o avarento corre atrás do dinheiro... Só as cruzes é que nos tranquilizarão no dia do juízo. Quando chegar este dia, como seremos felizes das nossas desditas, ufanos das nossas humilhações e ricos dos nossos sacrifícios! ... A passagem para a outra vida do bom cristão, provado pela aflição, é como a de uma pessoa a quem transportam sobre um leito de rosas.
   As contradições põem-nos ao pé da cruz, e a cruz à porta do céu. Para chegar a este, é preciso que nos andem por cima, que sejamos vilipendiados, desprezados, pisados... Felizes neste mundo são só os que têm a calma da alma no meio das penas da vida: saboreiam as alegrias dos filhos de Deus... Todas as penas são doces quando sofridas em união com Nosso Senhor...
   Sofrer! Que importa? É só um momento. Se pudéssemos passar oito dias no céu, compreenderíamos o preço desse momento de sofrimento. Não acharíamos cruz bastante pesada, provação bastante amarga... A cruz é dádiva que Deus faz aos seus amigos.
   Devemos pedir o amor das cruzes: então elas se tornarão doces. Fiz a experiência disto durante quatro ou cinco anos. Fui bem caluniado, bem contradito, bem atropelado. Oh! eu tinha cruzes... quase as tinha mais do que as podia carregar! Pus-me a pedir o amor das cruzes: então fui feliz. Disse a mim mesmo: "Verdadeiramente, só há felicidade nisso!..." Nunca se deve olhar de onde vêm as cruzes: vêm de Deus. É sempre Deus que nos dá esse meio de lhe provarmos o nosso amor.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

POSSESSÃO DIABÓLICA


                                                   "Não deis lugar ao demônio" (Efésios IV, 27).
                                                                     "Sede, pois, sujeitos a Deus e resisti ao demônio, e ele fugirá de vós" (S. Tiago IV, 7).

Considerando que há muita desinformação atinente a este assunto tão angustiante, e isto até por parte de alguns exorcistas, achei por bem, visando a maior glória de Deus e o bem das almas, expô-lo aqui.

Caríssimos e amados leitores, em primeiro lugar serão de enorme utilidade algumas noções preliminares.

É certo que o demônio pode, por permissão de Deus, exercer influência e dirigir ataques contra o homem, produzindo nos sentidos externos ou internos, operações e impressões, anômalas, dolorosas e/ou aflitivas. Radicalmente perverso e maligno, lança mão de quanto possa contrariar a glória de Deus e a felicidade do homem.

Jesus Cristo diz que o demônio é invejoso e homicida deste o início da humanidade. Realmente com o pecado original dos nossos primeiros pais, o inimigo das almas passou a ter um grande império e a exercer uma acerba tirania. Mas com a vinda de Jesus Cristo que venceu este príncipe do mundo, do orgulho, da avareza e da impureza, o domínio do demônio diminuiu muito e visa muito mais atormentar as almas antes do que os corpos, acorrentando-as (quando elas se afastam de Jesus) com as cadeias do pecado. Quem não está com Jesus, estará com o demônio, como afirmou o divino Mestre: "Quem não está comigo, está contra mim" (Mat. XII, 30) . Este ataque do demônio às almas, é feito ordinariamente através das tentações de que já falamos em outro artigo. O ódio insaciável que o Maligno tem à humanidade leva-o também a lançar mão de todos os meios e, se lhe for dado, descarregar também sobre o corpo os mais pesados golpes. São os ataques extraordinários: possessão e obsessão.

O maior mal que pode acontecer a uma pessoa é ter sua alma possuída pelo demônio por meio do pecado mortal. De Judas Iscariotes Nosso Senhor Jesus Cristo disse que ele não estava limpo porque estava com o demônio. É infinitamente pior do que a possessão porque esta atinge o corpo, e, só indiretamente, às vezes, atinge a alma. Mas como a habitação da alma pelo demônio é algo invisível, são poucas as pessoas que se preocupam em sair deste estado o mais lastimável possível.

Falemos, então, da possessão propriamente dita. "Dois elementos  -   diz o Padre Tanquerey  -  constituem a possessão: a presença do demônio no corpo do possesso, e o império que ele exerce sobre esse corpo, e, por intermédio dele, sobre a alma. É este último ponto que nos cumpre explicar. O demônio não está unido ao corpo como a alma o está; não é com relação à alma senão um motor externo, e, se influi sobre ela, é por intermédio do corpo em que habita. Pode atuar diretamente sobre os membros do corpo e fazer-lhes executar toda a sorte de movimentos; indiretamente influi sobre as faculdades, na medida em que estas dependem do corpo para as suas operações". E continua o grande teólogo Padre Tanquerey: "Podem-se distinguir nos possessos dois estados distintos: o estado de crise e o estado de sossego. A crise é como uma espécie de acesso violento, em que o demônio manifesta o seu império tirânico, imprimindo ao corpo uma agitação febril que se traduz por contorções, explosões de raiva, palavras ímpias e blasfemas. Os pacientes parece que perdem então todo o sentimento do que neles se passa, e, voltando a si mesmos, não conservam lembrança alguma do que disseram ou fizeram, ou antes do que o demônio fez por eles. Só ao princípio é que sentem a irrupção do demônio; depois, parece que perdem a consciência de tudo isso".(...) "Nos intervalos de repouso, nada vem revelar a presença do espírito maligno: dir-se-ia que se retirou". [E aí alguns exorcistas se enganam].  

Como dizia o afamado exorcista, o Padre Gabriele Amorth, recentemente falecido: o demônio, às vezes, demora muito tempo para sair de um possesso.

Se, por um lado, muitos exorcistas  menos avisados ou nímia e apressadamente crédulos, fazem em vão o exorcismo, quando deveriam encaminhar o paciente ao médico; por outro lado, às vezes,  manifesta-se a presença do demônio por uma espécie de enfermidade crônica que desconcerta todos os recursos da medicina. O Exorcista prudente, quando subsiste alguma dúvida, deve enviar logo o paciente aos médicos. Daí, caríssimos leitores, será de suma importância conhecer os sinais certos da possessão diabólica. Um médico católico praticante, por outro lado,  como tenho a dita de conhecer alguns, pode fazer um bem imenso as almas. Quando fui Capelão de Hospitais, médicos católicos, procuravam-me e diziam: Padre,  V. Rev.ma pode atender tal paciente, porque não é caso para nós. E realmente não o era! E assim, pela graça de Deus, pude ajudar muitas almas e, talvez muitas vidas. 

Segundo o Ritual Romano Tradicional (De exorcizandis obsessis a daemonio), há três sinais principais que podem dar a conhecer a possessão: Primeiro: "ignota lingua loqui pluribus verbis vel loquentem intelligere", isto é, "falar uma língua desconhecida, fazendo uso de muitas palavras dessa língua, ou compreender quem a fala". Vede, caríssimos como o Ritual Tradicional é judicioso: "fazendo uso de muitas palavras dessa língua". (Certa vez, um falso exorcista fez um exorcismo de uma sua criada,  e querendo ela demonstrar que estava possessa, falou algumas poucas palavras em grego e hebraico, só com um detalhe, que ela as havia ouvido de seu amo. É preciso que todos saibam também que muitos pretensos exorcistas usam o hipnotismo de palco e enganam até multidões).  Mas passemos ao segundo sinal: "distantia, et occulta patefacere" "descobrir coisas remotas e ocultas". Por prudência, o exorcista deve hoje em dia, sobretudo por causa da Internet, procurar indagar se a pessoa não soube através da mídia (pode o sujeito dizer: em tal dia e em tal lugar haverá uma grande tempestade); e, em se tratando de predição do futuro, é prudente esperar se realmente vai realizar, e não se deve dar crédito com facilidade. Também o Exorcista não deve deixar se enganar por predições vagas. Hoje podemos dizer que este segundo sinal só oferece segurança juntamente com os outros dois sinais. Terceiro sinal: "vires supra aetatis seu conditiones naturam ostendere" "dar mostra de energias que ultrapassam as forças naturais da idade ou da condição". É evidente que se reunirem estes três sinais é quase certo que se trate de possessão. O Ritual Romano Tradicional, faz 21 observações antes das Orações do Exorcismo. Vou apenas resumir as principais: a que fala sobre os sinais de possessão já acabamos de mostrar. O Exorcista deve estar atento para descobrir possíveis artimanhas empregadas pelo demônio para se ocultar e não acontecer o Exorcismo, como p. ex. fazendo o possesso dormir, ou, então, deixando no momento o possesso em tranquilidade, fingindo não estar nele. Às vezes, também o demônio finge que já saiu e o exorcista, se não for prudente, cai na cilada. Outra coisa importante é o Exorcista está bem lembrado do que Jesus Cristo disse: "Há uma casta de demônios que só se expulsa pela oração e pelo jejum". O Exorcista, a exemplo do que fez Jesus Cristo, pode perguntar o número de demônios, seu nome e procurar saber por quanto tempo o possesso sofre nas garras do demônio. O Exorcista deve fazer o Exorcismo e ler com império e autoridade, com grande fé, humildade e fervor. Deve empregar palavras das Sagradas Escrituras e não próprias ou alheias. Deve obrigar o demônio a dizer se traz naquele corpo por magia signos ou instrumentos maléficos; e se os engoliu, obrigá-lo a vomitá-los. Também deve obrigar o diabo a revelar se existem tais coisas fora do corpo. Sendo encontrados, tudo deve ser recolhido e queimado. Deve, outrossim, admoestar o possesso a relatar ao Exorcista as tentações que sofre da parte do demônio. Finalmente, caso tenha certeza que o demônio foi expulso, o Exorcista deve admoestar o paciente que tenha todo o cuidado para evitar o pecado e não dar assim lugar ao demônio que volte, porque neste caso o estado do possesso ficaria bem mais crítico do que o anterior.

Gostaria ainda de fazer uma outra observação: o demônio pode querer mascarar a possessão aproveitando de certa loucura ou problemas de nervo. Uma vez levaram até ao Santo Cura d'Ars uma mulher furiosa e que se contorcia toda. E perguntaram ao santo o que ele achava. Ele disse: "É um pouco de loucura, um pouco de nervo e um pouco de "grapin" (=diabo). 

Além dos sinais indicados no Ritual Romano Tradicional, a experiência nos ensina muita coisa! Um padre contou-me certa vez, que ao fazer um exorcismo, tirou do bolso da batina o vidrinho de água benta e aspergiu o possesso, que riu escarninhamente; o padre achou estranho e procurou indagar se realmente aquela água tinha sido benta com os exorcismos, e verificou com certeza que não. Aí pegou água benta de fato e lançou no possesso e este ficou furioso e se contorcia. Os Exorcistas devem ter cuidado porque o demônio pode também querer ridicularizar as coisas sagradas e zombar do próprio exorcista e enganar os fiéis. Que faz o pai da mentira? Tenta alguém a dissimular que está possesso. Seria uma tentação do demônio, fazendo a pessoa pensar que seria uma maneira de resolver algum problema. E, então, o exorcista fica fazendo papel de palhaço e, pior ainda, usando inutilmente as coisas sagradas, e o que é mais grave, há padres que usam até a Hóstia Consagrada. 

Caríssimos, se às vezes se enganaram alguns Exorcistas, é porque se haviam afastado das regras traçadas pelo Ritual Tradicional. Para evitar esses erros, é oportuno fazer examinar o caso não somente por sacerdotes mas também por médicos católicos e de preferência, médicos especialistas em síndromes nervosas.

Indico sempre três grandes remédios contra a possessão: 1 - Purificação da alma com uma boa confissão, e de preferência, uma confissão geral. 2 - Usar a água benta, mas ter o cuidado de usar a água benta com o Ritual Romano Tradicional, que já inclui vários exorcismos. 3 - Ter o crucifixo em casa, e melhor ainda trazê-lo sempre consigo. Trazer consigo a Medalha Milagrosa, a medalha de São Miguel Arcanjo e também a do Anjo da Guarda.


Para terminar, quero lembrar o frase de Santo Agostinho: "O demônio é um cão amarrado e só morde em quem dele se aproxima". Daí dizer São Paulo: "Não deis lugar ao demônio".


domingo, 2 de outubro de 2016

OS ANJOS - 9ª E 10ª LIÇÃO


As criaturas mais perfeitas que Deus criou foram: os anjos e os homens.
Deus criou no céu os anjos. como estão representados no quadro catequético em baixo. 

QUE SÃO OS ANJOS?
OS ANJOS SÃO PUROS ESPÍRITOS QUE DEUS CRIOU PARA SUA GLÓRIA E SEU SERVIÇO.

Os anjos são espíritos muito santos, muito belos, muito sábios e muito fortes. Os anjos não têm corpo; mas nem por isso falta alguma coisa aos anjos. Pelo contrário, são superiores aos homens precisamente porque eles não têm corpo. Falta alguma coisa a nós, porque temos corpo. Nós nos movemos muito devagar por causa do nosso corpo. Os anjos são tão ligeiros como os nossos pensamentos: em um momento podem ir daqui até muito longe. Por isso os pintores representam os anjos com asas. Os anjos não têm asas, pois não têm corpo. Representamos os anjos com asas, para fazer compreender que são muito ligeiros em fazer a vontade de Deus. Mais tarde, se Deus quiser, vocês caríssimas crianças, vão aprender que, na Sagrada Escritura, Deus mesmo mandou fazer imagens de anjos com asas. Nós quando pensamos muito, ou rezamos muito, ficamos cansados. Muitos já sentem fadiga, quando pensam uma meia hora em Deus, durante o catecismo. Isto é do nosso corpo, que atrai para a terra e dificulta a nossa alma elevar-se para o céu. Os anjos não se cansam com nada porque eles não têm corpo.
   Na Sagrada Escritura conta-se a história de Tobias. Ele ia fazer uma grande viagem e não tinha um companheiro; Deus então enviou-lhe um anjo sob a forma de um belo moço, que guiou Tobias em toda viagem e o ajudou. Era o anjo São Rafael. Deus deu a cada um de nós um anjo, para ficar sempre perto de nós, para nos proteger nos perigos que corre o nosso corpo e a nossa alma. Como o anjo Rafael acompanhou Tobias, assim o nosso anjo da guarda sempre nos acompanha nesta vida. Não podemos ver o anjo da guarda porque é um espírito.
   Mas podemos ouvir a sua voz. O anjo da guarda não nos fala com palavras, ele fala dentro da alma. Quando estais na Missa, muitas vezes ouvireis uma voz a dizer na alma: "Agora rezai bem, pensai em Deus." 
Quando alguém vos ofendeu, ouvis uma voz dentro da alma: "Perdoar; não responder à ofensa com ofensa." É o anjo da guarda que fala.
  Quem se lembra de que seu anjo da guarda está perto, terá vergonha de cometer pecado e, assim, causar desgosto ao anjo da guarda. Em presença de uma pessoa que muito respeitamos, não cometeremos facilmente algum pecado maior. Muito menos pecaremos, se nos lembrar-mos que o anjo da guarda está conosco.
   Quando sentimos preguiça na escola ou no trabalho que mamãe ou papai mandam fazer, convém pensar: meu anjo da guarda está perto. Que pensará de mim o santo anjo do Senhor, se eu estou assim preguiçoso? Se o demônio nos quer tentar a fazer qualquer pecado, lembremo-nos: "Eu não estou só, meu anjo da guarda está comigo."

EXEMPLO
   Santa Francisca Romana muitas vezes via o seu anjo da guarda. Quando alguém falava mal do próximo ou cometia outro pecado, Santa Francisca percebia que o anjo desviava os olhos, para mostrar seu desgosto por aquela ofensa contra a divina Majestade.

   Devemos ter muita devoção ao nosso anjo da guarda e convém rezar muitas vezes a sua oração:
  


SANTO ANJO DO SENHOR, MEU ZELOSO GUARDADOR, SE A TI ME CONFIOU A PIEDADE DIVINA, SEMPRE  ME REGE, GUARDA, GOVERNA E ILUMINA. AMÉM


OS ANJOS  - 10ª LIÇÃO
OS ANJOS FORAM TODOS BONS?
NÃO, ALGUNS SE REVOLTARAM CONTRA DEUS: SÃO OS ANJOS MAUS OU DEMÔNIOS.

   Entre os anjos que Deus criou, havia um muito belo, muito forte, muito sábio. Chamava-se Lúcifer, isto é, "Portador de luz." Lúcifer é uma palavra,hoje, muito horrível; mas antes do pecado deste anjo, esta palavra indicava justamente a beleza que Deus deu bondosamente a ele. Esta palavra "Lúcifer" vem do latim = "lucem ferrens", isto é, "aquele que leva a luz" ou "portador da luz". Chamava-se assim por causa de sua brilhante beleza. Lúcifer reparou na sua própria beleza, força e sabedoria e pensou: que belo que eu sou! que forte! que sábio! E não quis lembrar-se de que tinha tudo isto de DEUS. Lúcifer foi orgulhoso.
   Deus fez saber a todos os anjos que deviam adorar a Deus e obedecer a Deus. E Lúcifer pensou: "Eu obedecer?! Não quero: Eu não servirei!" Foi a primeira desobediência a Deus, o primeiro pecado mortal.
   Muitos dos outros anjos também não quiseram obedecer a Deus. Viam o mau exemplo de Lúcifer, e o mau exemplo sempre prejudica os outros. Muitos anjos se revoltaram contra Deus.
   Então ressoou, alto no céu, o grito de guerra do arcanjo São Miguel. São Miguel clamou: "Quem é como Deus?" São Miguel e os anjos bons combateram contra os anjos maus. São Miguel venceu e precipitou os anjos maus no inferno, que Deus naquele instante criou.


E, enquanto caiam, Deus os mudou . Deus tirou-lhes toda santidade e toda beleza que tinham: e tornaram-se feios demônios. Também perderam muito da sua sabedoria e sua força: uma cruzinha com água benta... todos os demônios fogem. Em todo pecado mortal há a mesma malícia do pecado de Lúcifer. Para nós,  como para Lúcifer, a Bondade de Deus foi infinita. Nós, como Lúcifer, recebemos de Deus tudo quanto temos, tudo quanto somos. Se cometermos pecado mortal, diremos como Lúcifer: "Eu não servirei. Deus manda ir à missa, ao catecismo, à comunhão, mas eu não vou. Deus manda respeitar os pais, guardar castidade, mas eu não o faço. Eu não servirei." Todo pecado mortal é uma grande malícia. Nós, como Lúcifer, estamos no poder de Deus. Sua sabedoria nos vê, Sua Imensidade nos cerca. E, se cometemos pecado mortal, provocamos, como Lúcifer, a tremenda Majestade. Todo pecado mortal é uma cega tolice. Em todo pecado mortal há a mesma desgraça do pecado de Lúcifer. Se morrermos com pecado mortal sofreremos para sempre no mesmo inferno em que está Lúcifer. Todo pecado mortal é uma imensa desgraça. Lembrai-vos sempre destas três palavras: o pecado mortal é: malícia, tolice, desgraça.
   Nós podemos ganhar os lugares que os anjos maus perderam no céu. Por isso os demônios têm muita inveja de nós. Os demônios fazem todos os esforços para nos fazer perder o céu. Perdemos o céu pelo pecado mortal. Os demônios nos podem tentar, mas, se nós não queremos, não têm poder sobre nós.
   Os demônios querem tornar infelizes a nossa alma. Se cometermos pecado mortal, entregamos nossa alma ao poder do demônio. 
   As armas contra o demônio são: o trabalho honesto, a confissão e a comunhão; a penitência, a oração, principalmente a devoção à Virgem Maria; as orações jaculatórias e o sinal da Cruz especialmente se o fazemos com água benta. Devemos ter também muita devoção a São Miguel Arcanjo.

- QUAL O CASTIGO QUE TIVERAM OS ANJOS MAUS? 
- FORAM EXPULSOS DO CÉU E MANDADOS POR DEUS PARA O INFERNO.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

OBSESSÃO DIABÓLICA


Extrairei este artigo, em quase sua totalidade, do COMPÊNDIO DE TEOLOGIA ASCÉTICA E MÍSTICA escrito pelo célebre teólogo Padre Ad. Tanquerey.

Caríssimos, primeiramente é de grande utilidade trazer aqui a observação inicial do autor: "Sobre a ação do demônio, diz Tanquerey, há dois extremos que evitar: há quem lhe atribua todos os males que nos sucedem; é esquecer que existem em nós não só estados mórbidos que não supõem qualquer intervenção diabólica, mas também as tendências más que vêm da tríplice concupiscência, e que estas causas naturais bastam para explicar muitas tentações. Outros há, pelo contrário, que, esquecendo o que a S. Escritura e a Tradição nos dizem da ação do demônio, não querem admitir em caso algum a sua intervenção. Para nos conservarmos no justo meio, a regra que devemos seguir é não aceitar como fenômenos diabólicos senão aqueles que, ou pelo seu caráter extraordinário, ou por um complexo de circunstâncias denotem a ação do espírito maligno.

Como no artigo anterior já falei da possessão diabólica, aqui, inspirando-me no Teólogo Tanquerey, falarei da obsessão diabólica. O que é afinal? "A obsessão é em substância uma série de tentações mais violentas e duradouras que as tentações ordinárias [dessas falarei em outro artigo]. "É externa, quando atua sobre os sentidos externos, por meio de aparições; interna, quando provoca impressões íntimas. É raro que seja puramente externa, visto o demônio não atuar sobre os sentidos senão para perturbar mais facilmente a alma. Há, contudo, Santos que, com serem obsediados exteriormente por toda a qualidade de fantasmas, conservam na alma uma paz inalterável".

1º - "O demônio pode atuar sobre todos os sentidos externos: a) Sobre a vista, aparecendo umas vezes em formas repelentes, para aterrar as pessoas e afastá-las da prática das virtudes (...); outras, em formas sedutoras, para atrair ao mal, como sucedeu frequentes vezes a Santo Afonso Rodrigues. (Hoje podemos dar exemplos na vida do Padre Pio de Pietrelcina). b)  Sobre o ouvido, fazendo escutar palavras ou cantos blasfemos ou obscenos, como se lê na vida de Santa Margarida de Cortona; ou fazendo algazarra, para atemorizar, como sucedia ao Santo Cura d'Ars. c) Sobre o tato, de duas maneiras, infligindo golpes e feridas, como se lê nas bulas de canonização de Santa Catarina de Sena, de S. Francisco Xavier, e na vida de Santa Teresa (...).

Há casos, como nota o P. Schram, em que estas aparições são simples alucinações, produzidas por uma super-excitação nervosa; ainda mesmo nesse caso, são temerosas tentações.

2º - "O demônio atua também sobre os sentidos internos, a imaginação e a memória, e sobre as paixões, para as excitar. Como contra a própria vontade, é o homem invadido por imagens importunas, obsessoras, que persistem a despeito de enérgicos esforços; sente-se empolgado pela efervescência da cólera, pelas ânsias do desespero, por movimentos instintivos de antipatia, ou, ao contrário, por ternuras perigosas e que nada parece justificar. Não há dúvida que é por vezes dificultoso decidir se há obsessão verdadeira; mas, quando estas tentações são juntamente repentinas, violentas, persistentes e difíceis de explicar por uma causa natural,[sublinhado meu] pode-se ver nelas uma ação especial do demônio. Em caso de dúvida, é bom consultar um médico cristão, que possa examinar se estes fenômenos não serão devidos a um estado mórbido..."

Como deve proceder o Diretor Espiritual em relação às vítimas de obsessão diabólica? Diz Tanquerey: "Deve juntar a prudência criteriosa com a bondade mais paternal.

a) É claro que não há de crer, sem provas sérias, numa verdadeira obsessão. Haja, porém, ou não obsessão, deve o diretor ter compaixão dos penitentes assaltados de tentações violentas e persistentes, e sustentá-los com sábios conselhos (...). [O próximo artigo sobre as tentações poderá servir já de orientação espiritual].

b) Se, na violência da tentação, se produziram desordens sem consentimento algum da vontade, lembrar-lhes-á que não há pecado sem consentimento. Em caso de dúvida, julgará que não houve falta, ao menos grave, quando se trata de pessoa habitualmente bem disposta.
c) Tratando-se de pessoas fervorosas, perguntar-se-á a si mesmo o diretor se essas tentações persistentes não farão talvez parte das provações passivas... e neste caso, dará a essas pessoas os conselhos apropriados ao seu estado de alma.

d) Se a obsessão diabólica é moralmente certa ou muito provável, podem-se empregar, PRIVADAMENTE, os exorcismos prescritos pelo RITUAL ROMANO, ou fórmulas resumidas: neste caso, é bom não prevenir a pessoa que se vai exorcizá-la, havendo receio de que esta declaração lhe perturbe e exalte a imaginação; basta avisá-la de que se vai recitar sobre ela uma oração aprovada pela Igreja. Quanto aos exorcismos SOLENES, não é permitido empregá-los senão com licença do Ordinário, e com as precauções..." [já expostas quando falamos da possessão].


 Quero expor um exemplo que não é dado por Tanquerey mas é próprio meu, e dele fui testemunha: Faz já alguns anos quando fui transferido de uma paróquia para outra. E a primeira coisa que topei na nova paróquia foi um caso que me pareceu preternatural, ou seja, de uma ação do demônio. Um menino, aliás não inteiramente normal mentalmente, mas também não esquizofrênico, o fato é que este menino era molestado frequentemente. Suas roupas que estavam no varal dentro de casa e à noite,  eram jogadas pelo chão. Às vezes, o menino amanhecia vestido de mulher. Embora à noite ninguém visse e as portas e janelas fechadas, apareciam pedras e barros dentro da casa onde estava o menino. O pároco já havia feito exorcismos e levou até o Santíssimo para benzer a casa. Mas os fenômenos continuavam e por meses e meses. Bom! Primeiro pedi que vigiassem dia e noite o menino. Ficou constatado que não era ele que fazia tudo aquilo, mas o fato é que não viam ninguém fazendo.  Instruído já por um fato acontecido em outra paróquia, disse para seus pais de criação que procurassem averiguar bem se aquele menino era batizado. Todos achavam que sim, tanto que já tinha feito a primeira comunhão e se confessava e comungava regularmente. Mas fora constatado que não era batizado porque seus pais eram espíritas e o "batizaram" no Espiritismo. Foi logo preparado e foi batizado. E a partir do dia do batismo desapareceram todos aqueles fenômenos estranhos, e creio que até hoje, porque nunca mais tive notícia a respeito.  O feitiço virou contra o Feiticeiro!

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

O PECADO - I - 34ª LIÇÃO



Na parte superior da estampa, vemos representada
a alma no estado de graça; na parte inferior, a alma
no pecado mortal.

 TODOS AQUELES QUE FORAM BATIZADOS VÃO PARA O CÉU?
- NÃO. AQUELES QUE COMETERAM PECADO MORTAL DEPOIS DO BATISMO E MORRERAM COM O PECADO, NÃO VÃO PARA O CÉU. VÃO PARA O INFERNO.

   Jesus nos ensinou, numa parábola, que, para entrar no céu, é preciso ter o vestido de festa, isto é, a graça santificante. Quem não tem este vestido nupcial será lançado numa cadeia escura, onde haverá choro e ranger de dentes. Esta cadeia é o inferno.
   Jesus contou assim: Um rei celebrou as bodas de seu filho, isto é, uma festa de casamento. O rei convidou muitas pessoas, mas elas não quiseram vir. Então o rei convidou os pobres que mendigavam pelas ruas, e a sala do banquete ficou cheia. Depois o rei entrou para cumprimentar os que estavam à mesa e encontrou um homem sem o vestido de festa. Este homem também tinha ganho uma roupa nova, mas a tinha vendido ou perdido por sua culpa. O rei lhe disse: "Amigo, como vieste aqui sem o vestido nupcial?" O homem não soube responder. E o rei disse aos seus criados: "Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o às trevas exteriores: aí haverá choro e ranger de dentes".
   O rei é Deus. Deus convidou primeiro os judeus, povo escolhido, para as bodas de seu Filho, isto é, para sua santa Igreja Católica, e por meio da santa Igreja Católica para a felicidade do céu.
   Mas os judeus não quiseram entrar na Igreja Católica. Então Deus convidou os mendigos das ruas, isto é, convidou os pagãos, que entraram na Igreja Católica pelo Batismo, e todos ganharam o vestido de bodas, a graça santificante.
   Mas a graça santificante perde-se pelo pecado mortal, O homem sem vestido de bodas representa aqueles que perderam a graça santificante pelo pecado mortal.
   Deus olha para os convidados, a ver se todos têm a graça santificante. Quem não tem a graça santificante é condenado às trevas exteriores, onde haverá choro e ranger de dentes. Assim Jesus fala sempre do inferno.
  Aquele que na hora da morte se acha em pecado mortal e morre assim, lança-se no inferno. Ali haverá choro e ranger de dentes. O pecado mortal merece um castigo eterno. Quem comete um pecado mortal já está condenado ao inferno. Mas Deus é misericordioso, isto é, Deus gosta de perdoar o pecador contrito. Mas Deus perdoa só até à hora da morte. Depois da morte não há mais perdão para o pecado mortal.
   É uma grande tolice viver no pecado mortal, por exemplo, num pecado desonesto, ou não ir à confissão e comunhão uma vez por ano, ou viver em outro pecado mortal. Pois estas coisas dão um prazer ou um cômodo muito pequeno, e muitas vezes só aparente, e levam a um castigo eterno.
   Devemos ter compaixão daqueles que não se importam com a religião, que não querem confessar-se, não vão à missa ou zombam daqueles que vão à igreja. Devemos pedir a Deus que lhes dê a graça do arrependimento e da conversão. Pois, se morrerem assim, serão condenados ao inferno.
   Quando o demônio nos tenta ao pecado mortal, convém que nos lembremos do inferno. Muitos guardam a inocência porque se lembram do inferno. A Bíblia diz que quem medita na morte, no juízo, no céu e no inferno nunca tem coragem de pecar.
   Nosso Senhor diz: "De que serve ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder sua alma?"
  
EXEMPLO
   Vamos ouvir o próprio Jesus: "Havia um homem rico, que se vestia de púrpura e de linho fino, e todos os dias se banqueteava esplendidamente. Havia também um mendigo, chamado Lázaro, o qual, coberto de chagas, estava deitado à sua porta, desejando saciar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; porém até os cães vinham lamber-lhe as chagas.
   Sucedeu morrer o mendigo, que foi levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. E, quando estava nos tormentos do inferno, levantando os olhos, viu ao longe Abraão, e Lázaro junto dele. Gritando, disse: Pai Abraão, compadece-te de mim e manda Lázaro que molhe em água a ponta do seu dedo, para refrescar a minha língua, pois sou atormentado nesta chama. Abraão disse-lhe: Filho, lembra-te que recebeste os bens em tua vida, (e só quis gazar a vida e não praticou a caridade) e Lázaro, ao contrário, recebeu males; por isso ele é agora consolado e tu és atormentado".
Ó meu Jesus, livrai-me do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu, protegei principalmente as que mais precisarem. 

domingo, 25 de setembro de 2016

O "HOMEM VELHO" e o "HOMEM NOVO"



"Homem velho" e "homem novo" são expressões empregadas por São Paulo na Epístola aos Efésios. No capítulo IV, 17-19 o Apóstolo mostra os sinais inconfundíveis do "homem velho": "Isto, pois, digo e vos rogo no Senhor: que não andeis mais como os pagãos que andam na vaidade dos seus pensamentos, os quais têm o entendimento obscurecido, (e estão)afastados da vida de Deus pela ignorância que há neles, por causa da cegueira do seu coração, os quais, desesperados se entregaram à dissolução, à prática de toda a impureza, à avareza". Aí, caríssimos, está retratado o "homem velho". O Apóstolo dos Gentios exorta os fiéis convertidos a se afastarem da vida pecaminosa que antes levavam. Cada uma destas expressões sintetiza muita coisa! "Viver como pagãos" significa guiar-se por uma consciência falsa e enganadora que, pervertendo até o senso moral e religioso, não permite ao homem distinguir entre o bem e o mal, entre o falsos deuses e o verdadeiro Deus. Daí o crime é legalizado, as paixões são alforriadas de todas as leis, o vício é exaltado, até o pecado chega a ser louvado. E não menor é o descalabro religioso: onde todos os falsos deuses são reconhecidos, não há lugar  para o Deus único e verdadeiro. A causa de todas as maldades dos pagãos é justamente a rejeição do verdadeiro Deus. Através das criaturas deveriam chegar ao Criador; e, no entanto, adoram as criaturas. Tudo é deus, menos o verdadeiro Deus. E assim, surdos à voz da graça que os chamava à conversão, preferiram o erro à verdade. Alheios a todas as esperanças da eternidade, atiraram-se a toda sorte de imoralidade, chafurdando no lodo da desonestidade e, pela avareza, deleitaram-se nos efêmeros bens deste mundo. Este é o "HOMEM VELHO".

Mas antes de passar a explicar o lado antagônico a este, ou seja, o "HOMEM NOVO", quero responder a uma possível objeção: Jesus já veio ao mundo, não estamos mais no tempo do Paganismo. Devemos responder e com grande tristeza que o paganismo antigo revive hoje no materialismo dos nossos dias, e com a agravante justamente de termos diante dos olhos pelos Santos Evangelhos, pela pregação dos Apóstolos e da Tradição bimilenar, o protótipo de toda virtude, o 'HOMEM NOVO" por antonomásia, que é Nosso Senhor Jesus Cristo. Daí o pecado dos pagãos modernos é maior. Mais urgentes outrossim, são as exortações do Apóstolo. Quem não vê que às leis da moral evangélica os homens tentam substituir as leis arbitrárias de uma moral independente e situacionista; e as consciências, afastando-se do caminho reto, perderam a verdadeira noção do justo e do injusto, do licito e do ilícito. O Cristianismo Autêntico foi relegado entre as velharias, a Igreja de Sempre desprezada e até perseguida, odiada em suas leis e no seu dogma. A adoração de Deus sucedeu a adoração do homem. "Não podemos fechar os olhos, - dizia Pio XII, no Natal de 1941, -"ante a triste visão da descristianização progressiva individual e social... Uma anemia religiosa feriu muitos povos... e produziu nas almas tal vácuo que nenhum simulacro de religião nem mitologia nacional ou internacional podia enchê-lo. Com palavras e com fatos e com providências governativas, que outra coisa se tem sabido fazer, há decênios, senão arrancar dos corações dos homens, desde a puerícia até a velhice, a fé em Deus Criador e Pai de todos, Remunerador do bem e Vingador do mal, desnaturando a educação e a instrução, combatendo e oprimindo com a difusão da palavra e da imprensa, com o abuso da ciência e do poder,  a religião e a Igreja de Cristo? (...) "Precipitado o espírito no abismo moral, por se ter afastado de Deus e da prática cristã, que restava, senão que os pensamentos, os propósitos, os cuidados, a estima das coisas, a ação e o trabalho dos homens se voltassem e olhassem só para o mundo material?".  E podemos fechar os olhos hoje e dizer que tudo vai muito bem?! Daremos severas contas a Deus se o fizermos, e não estivermos dispostos a lutar contra esta descristianização hodierna quase total.


Que é o "HOMEM NOVO"? São Paulo resume toda a magnificência do "homem novo" nesta profundíssima expressão "foi criado, segundo Deus, na justiça e na santidade da verdade". "Façamos o homem à nossa imagem e semelhança" diz Deus ao criar o homem. "Eleva-te minha alma - diz Bossuet - acima dos céus e dos espíritos celestiais. Nestas palavras o teu Deus vem ensinar-te que, dando-te a vida não olhou para outro modelo que não a si mesmo. Não quer Ele assemelhar-te nem aos céus, nem aos astros, nem ao sol, nem mesmo aos anjos, ou arcanjos ou, ainda, aos próprios Serafins. "Façamos - Ele diz - o homem à nossa imagem" e para melhor clareza acrescenta: "à nossa semelhança" a fim de que nesta perfeita criatura apareçam, tanto quanto for possível à sua condição, os nossos mesmos traços"... (Elevações). Por isso o "homem novo" tem anseios divinos. Não lhe bastam os conhecimentos humanos; eleva-se qual águia ao conhecimento do seu Criador. O "homem novo" não fica satisfeito com a felicidade temporária. Volta-se para a eternidade e aspira a própria felicidade de Deus. A vida do "homem novo" é Jesus. Ele é o bom odor de Jesus Cristo. Se, de um lado, vimos toda a ignomínia do "homem velho", vimos, por outro,  toda dignidade do "homem novo". Amém!

sábado, 24 de setembro de 2016

"MORAL NOVA" OU "MORAL DE SITUAÇÃO"


   "O sinal distintivo desta moral está precisamente em não se basear nas leis morais universais, como por exemplo os Dez Mandamentos, mas nas condições ou circunstâncias reais e concretas, em que se deve agir, e segundo as quais a consciência individual tem de julgar e escolher. Este estado de coisas é único e vale uma vez só para qualquer ação humana. É por isso que a decisão da consciência, afirmam os defensores desta ética, não pode ser comandada pelas ideias, princípios e leis universais.

   A fé cristã fundamenta as suas exigências morais no conhecimento de verdades essenciais e consequentes relações. Assim fala São Paulo na Epístola ao Romanos (I, 19-21) da religião em geral, que seja cristã, quer anterior ao cristianismo [no A.Testamento]: pela criação, diz o Apóstolo, o homem descobre e encontra de algum modo o Criador, o seu poder eterno e a sua divindade, e com tanta evidência que se considera e sente obrigado a reconhecer Deus e a prestar-Lhe culto, de sorte que descurá-lo ou pervertê-lo pela idolatria é sempre falta grave para toda gente.

   Não afirma o mesmo a ética de que falamos. Não nega pura e simplesmente os conceitos e princípios morais gerais (embora se aproxime muito por vezes de semelhante negação), mas desloca-os do centro para as extremidades da periferia. Pode acontecer que a decisão da consciência lhes corresponda em muitas ocasiões. Mas não são, por assim dizer, uma série de premissas, das quais a consciência tira as conclusões lógicas para cada caso particular, o caso "duma vez".Não. No centro encontra-se o bem, que importa fazer ou guardar, no seu valor real e individual; por exemplo, no domínio da fé, a nossa relação pessoal com Deus. Se a consciência seriamente formada decidir que o abandono da fé católica e a adesão a outro credo conduz mais a Deus, este passo encontrar-se-á "justificado", apesar de ser tido geralmente como "deserção" da fé. Ou então, no domínio da moralidade, quanto ao dom corporal e espiritual de si mesmo, entre jovens. Aqui a consciência seriamente formada resolveria que, em virtude da sincera inclinação mútua, eram convenientes as intimidades físicas e sensuais, muito embora estas manifestações sejam permitidas apenas entre esposos.  -  A consciência atualmente reta decidiria assim, porque da hierarquia dos valores infere o princípio de superioridade dos valores pessoais, que podem utilizar os bens inferiores do corpo e dos sentidos, ou pô-los de parte, conforme sugerir cada situação. -  Precisamente segundo este princípio, pretendeu-se com insistência, em matéria de direitos conjugais, que era mister, em caso de conflito, deixar à consciência séria e reta dos esposos, conforme as exigências das situações concretas, a faculdade de impossibilitar diretamente a realização dos valores biológicos, em proveito dos valores pessoais.

   Por mais contrários que pareçam à primeira vista aos preceitos divinos, os juízos de consciência desta natureza valeriam, entretanto, diante de Deus, porque, diz-se, a consciência seriamente formada avança o "preceito" e a "lei" em presença do próprio Deus.

   Tal decisão é, pois, "ativa" e "produtiva", não "passiva" e "receptiva" da resolução de lei, gravada por Deus no coração de cada homem, e menos ainda do Decálogo, escrito nas tábuas da lei, pelo dedo do Senhor que concedeu à autoridade humana o encargo de o promulgar e defender' (Excertos da Alocução de Pio XII à FEDERAÇÃO MUNDIAL DAS JUVENTUDES FEMININAS CATÓLICAS sobre a "Moral Nova"). 

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

NOVENA EM HONRA DE SÃO MIGUEL E DOS NOVE COROS DOS ANJOS


(Extraída do "MANUAL DAS MISSÕES"  editado em Milão, Itália, em 1909 com aprovação do Card. Merry del Val).

Ó glorioso Príncipe S. Miguel, eu vos venero, e ao coro dos Serafins, supremos amantes de Deus; e vos peço me vistais com a duplicada vestidura do amor de Deus e do próximo, para que assim me assemelhe àquele Senhor, que em tudo quis para mim ser Mestre da caridade mais incendida.
Um Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai.

Ó glorioso Príncipe S. Miguel, eu vos venero, e ao coro dos Querubins, claríssimos lumes do Empíreo; e vos peço me instruais na ciência do temor santo, para que atine com o caminho da verdadeira e eterna luz.
Um P. N., A. M. e G. P.

Ó glorioso Príncipe S. Miguel, eu vos venero, e ao belíssimo e Celestial Coro dos Tronos, firmíssimos assentos de Deus; e vos peço me ensineis a humilhar-me, para que na hora de minha morte possa ser exaltado, para louvar ao Senhor em vossa companhia eternamente.
Um P. N., A. M. e G. P.

Ó glorioso Príncipe S. Miguel, eu vos venero, e ao Coro altíssimo das Dominações, que dominam as coisas, que lhes são confiadas com admirável ordem; e vos peço me alcanceis graça, para que refreie a minha carne, e reprima os meus afetos, que tanto me precipitam nos abismos da culpa.
Um P. N., A. M. e G. P.

Ó glorioso Príncipe S. Miguel, eu vos venero e ao Coro felicíssimo das Potestades, terrores formidáveis do inferno; e vos peço assistais ao meu lado, para que com vosso auxílio consiga sempre vitória dos infernais tiranos, meus inimigos crudelíssimos.
Um P. N., A. M. e G. P.

Ó glorioso Príncipe S. Miguel, eu vos venero e ao Coro santo das Virtudes, operadores de maravilhas, e prodígios; e vos peço deis saúde perfeita às minhas enfermidades, visão à  minha cegueira, e remédio a todas as misérias de minha alma.
Um P. N., A. M. e G. P.

O glorioso Príncipe S. Miguel, eu vos venero, e ao altíssimo Coro dos Principados, que presidem aos Espíritos inferiores; e vos peço me alcanceis uma sujeição perfeitíssima, com a qual sem repugnância, nem murmuração obedeça a todos os meus superiores.
Um P. N., A. M. e G. P.

Ó glorioso Príncipe S. Miguel, eu vos venero e ao nobilíssimo Coro dos Arcanjos, Embaixadores dos grandes mistérios do Altíssimo; eu vos peço ilustreis minha alma, para que entenda os Mistérios Divinos, movendo-me o coração a obrar o bem e fugir do mal.
Um P. N., A. M. e G. P.

Ó glorioso Príncipe S. Miguel, eu vos venero e ao felicíssimo Coro dos Santo Anjos, Ministros muito fiéis do Altíssimo, e vos peço me inspireis tudo aquilo que me for conveniente, para viver bem em todo o tempo até ao último suspiro de minha vida.
Um P. N., A. M. e G. P.

HINO A S. MIGUEL [Traduzindo do Latim para o Português].
Ó luz do Pai em que vivem                                                                    
 Os corações penitentes,
 Entre os anjos te louvamos
Desses lábios teus pendentes.

Em torno de ti militam
Principados aos milhares;
O teu estandarte arvora
Miguel dos mais singulares.

Este foi, que da serpente
Atroz cabeça esmagou,
E coros soberbos rebeldes
Aos infernos arrojou.

Pelejemos com o dragão
A par do excelso guerreiro,
Para que nossas frontes coroe
De glória o manso Cordeiro.

A ti, Pai e Filho amado,
A ti, Paráclito Santo,
Seja sempre, qual tem sido,
Glória eterna, eterno canto. Amém.

ANTÍFONA: Príncipe gloriosíssimo, S. Miguel Arcanjo, lembrai-vos de nós, neste e em todos os lugares; sempre rogai por nós ao Filho de Deus.
V. Na presença dos anjos entoarei, ó meu Deus, os vossos louvores.
R. Adorar-vos-ei no vosso santo templo, e confessarei a glória do vosso nome.

OREMOS
Ó Deus, que em admirável ordem determinais os ministérios dos anjos e dos homens; por vossa clemência concedei que aqueles que vos servem e assistem no Céu sejam os que na terra defendam nossa vida. Por nosso Senhor Jesus Cristo. Amém!

N.B. : Acrescentei esta oração composta pelo Papa Leão XIII:

Grande defensor do povo cristão, São Miguel Arcanjo, para cumprirdes dignamente a missão que vos foi confiada de defender a Igreja, extingui as heresias, exterminai os cismas e confundi a incredulidade. Multiplicai vossas vitórias sobre os monstros infernais que querem destruir nossa fé. Que a Igreja de Jesus Cristo acolha novos fiéis e agregue em seu regaço reinos inteiros, afim de que Ela possa povoar o Céu de almas eleitas, para a maior glória do divino Redentor, a Quem vós mesmo deveis vossos triunfos, vossos méritos e vossa eterna felicidade. Amém.

Obs. : Os fiéis devem rezar todos os dias a oração tradicional de São Miguel Arcanjo, ou seja, aquela que o Papa Leão XIII ordenou que se rezasse após a Santa Missa. 

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

O CRUCIFIXO

Esta invocação  é do pregador sacro,  D. Duarte Leopoldo e Silva, que fora Arcebispo de São Paulo.

    "Resta-nos, porém, a sua imagem veneranda e venerável. Resta-nos o crucifixo - dádiva preciosa do seu amor, já agora para sempre fixado no vértice das igrejas ou na sala nobre das famílias que não se pejam das suas ignomínias. Resta-nos o crucifixo pompeado, glorificado, no cimo dos tabernáculos, ou banhado de lágrimas ardentes na penumbra de um confessionário. Resta-nos o crucifixo à cabeceira do enfermo que sofre porque não vive, ou no cinto da religiosa que sofre porque não morre. Resta-nos o crucifixo nas mãos do missionário, rasgando-lhe caminho para a pátria celestial, e no peito do soldado, guiando-o intimorato para os triunfos da pátria desafrontada de estranhos atrevimentos. 
   Na grande avançada para o céu, sem ele, sem o sinal da cruz, não sabe a Igreja dar um passo, iniciar uma única cerimônia, esboçar uma bênção sequer. 
  Ó meu crucifixo! Pobre e humilde, banhado das minhas lágrimas na amorável penumbra de uma cela, como brilhas tu, iluminando-nos a vida e a morte, o sofrimento e o prazer, a terra e o céu, o tempo e a eternidade!
  Catecismo de ignorantes, Suma Teológica para sábios, tu és luminoso, todo invadido da presença de Deus. Tua voz me instrui com o calor de uma chama e com a doçura de uma unção - repreende e consola, fortalece e santifica. Melhor que os livros santos, tu me dizes a que extremos inatingíveis levaste o teu amor por mim, por mim pessoalmente, como se eu só - e mais ninguém - fora o objeto do teu amor - amor imolado, amor sacrificado, amor crucificado. 
   Levei-te aos lábios, cheguei-te ao coração. E ouvi, uma por uma, impressas em tuas chagas, todas as palavras dos livros sagrados. E cada palavra que te caiu dos lábios me foi direta ao coração como um dardo de fogo, desse fogo do Espírito Santo que, desde o meu batismo, permanece latente em minha alma pecadora. E eu disse: também eu te amo, também eu quero amar-te de todas as minhas forças. Tu me ensinas como e até quando ser-me-á  preciso amar o meu próximo. "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" - me dizes tu. Mandamento difícil e humilhante. Se se tratasse de fazer bem aos que fizeram bem - fácil e deleitoso me seria o cumprir a tua vontade, pois ela encontraria eco dentro em meu próprio coração. Mas, tu queres que eu perdoe aos que me fizeram mal, não somente que lhes perdoe, mas que os ame ainda como tu mesmo nos amaste. E eu vi as tuas chagas, contemplei-te as mãos e os pés traspassados de duros cravos, a cabeça coroada de espinhos, os braços abertos em atitude de perdão. E eu disse e repito, inteiramente rendido aos argumentos do teu amor: sim, ó meu Jesus, perdoo-lhes por amor de ti, perdoo-lhes porque mais gravemente tenho te ofendido que eles a mim.
   Tu me dizes ainda que o amor de Deus e do próximo nos faz viver, e que o amor de nós mesmos nos faz morrer. Ó meu Jesus, faze que eu te ame bastante, e que não me ame tanto! Ensina-me a dominar as rebeldias da minha natureza, a crucificar as minhas paixões por amor de Jesus crucificado. Ensina-me a prática da humildade, da vigilância e da oração, para que em ti e por ti, me fortaleça no obediência à tua santa lei.
   Como és belo e consolador, ó meu crucifixo! Se me mostrasses tão-somente a grandeza dos meus pecados, eu seria esmagado ao peso da minha dor; mas tu me abres o céu como prêmio e recompensa da paixão de Jesus. Agora que te conheço e te amo - já não temo os castigos da tua justiça, mas os castigos do teu amor, e porque os temo e porque te quero, deixa que me banhe no sangue do teu coração. Mas eis que o dia já declina sempre mais, lentamente... lentamente... As sombras da montanha obscurecem-me o caminho e já não vejo para onde me conduzem os passos incertos e vacilantes. É a tarde, é a noite, é a velhice, é a morte que se aproxima. Ah! eu tenho medo! Mas fica comigo, o meu amado crucifixo! Companheiro inseparável de todos os dias, faze-me companhia até o termo da longa e perigosa caminhada. Tu me falarás de Deus, tu me falarás da vida que se finda e da eternidade que se avizinha. Tu me falarás  dos meus pecados e da misericórdia de Jesus.
   Cansados, já os meus olhos te não podem fitar; enregelados, na agonia derradeira, já os meus braços não conseguem chegar-te à altura dos meus lábios. Mas os meus dedos crispados pela morte te sentem ainda e o meu coração, se não a boca, pode ao menos balbuciar: Meu Jesus, meu Redentor, eu te amo, eu creio em ti. Nas tuas mãos entrego o meu coração, a minha alma, a minha vida a minha eternidade. In manus tuas, Domine, commendo spiritum meum". 
   
   

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

O SANTO NOME DE MARIA

   "Ninguém pode proferir devotamente o nome de Maria, sem dele tirar algum fruto".
                                         São Boaventura.

   "Pronunciar com afeto o nome de Maria ou é sinal de vida, ou de a ter brevemente".
                                          São Gemano 

   "Vosso nome, ó Maria, é um  bálsamo oloroso a exalar o perfume da divina graça".
                                          Santo Ambrósio

   "Os homens são atirados ao chão se ao lado deles cai algum raio. Assim também são abatidos os demônios logo que ouvem o nome de Maria".
                                                                                        Tomás de Kempis

 "No mundo não há inimigo que tanto tema um grande exército, como temem o nome e o patrocínio de Maria as potestades infernais"
Conrado de Saxônia

   Donna, se' tanto grande e tanto vali,
   che qual vuol grazia ed a te non ricorre,
   sua disïanza vuol volar senz'ali.
   La tua benignità non pur socorre
   a chi domanda, ma molte fiate
   liberamente al domandar precorre.
   In te misericordia, in te pietate,
   in te magnificenza, in te s'aduna
   quantunque in creatura è di bontate.
           Dante, Paraíso, Canto XXXIII.

   "Sois, Senhora, tão augusta e excelsa, que quem
    deseja alguma graça e a vós não recorre, quer em
   seu anelo voar sem asas.
   Tal é vossa bondade, que não somente socorreis
   a quem pede favores, mas com freqüência acudis
   antecipando a todo pedido.
   É grande vossa misericórdia, grande vossa piedade e magnificência,
   e brilham em vós as virtudes todas". 

  

A AVE-MARIA - 1ª parte - 25ª LIÇÃO

N.B.: Para aumentar os quadros catequéticos é só clicar em cima. A Ave-Maria neste quadro está escrita em francês, porque estes quadros catequéticos foram feitos na Suíça: Ed. Les Amis de Saint François de Sales - 1950.

Qual é a oração que mais convém rezar a Nossa Senhora? Há muitas boas orações para rezar a Maria Santíssima. E santa Joana de França pediu a Maria que lhe revelasse qual destas orações lhe era mais agradável. Maria revelou àquela santa que gostava mais da Ave-Maria.
 A oração que costumamos rezar mais a Nossa Senhora é a Ave-Maria. A primeira parte da Ave-Maria foi feita pelo Arcanjo São Gabriel; a segunda parte por Santa Isabel, prima de Nossa Senhora, e a Igreja acrescentou a terceira parte. Convém saber a Ave-Maria de cor. Todos queremos saber a Ave-Maria e também compreendê-la. Por isso vou explicar as palavras da Ave-Maria.
Com a palavra "AVE" antigamente a gente se cumprimentava, como nós hoje dizemos "Bom dia" ou "Boa tarde". "AVE MARIA" quer dizer: "Eu vos saúdo, Maria".Começamos a nossa oração assim; pois na Ave-Maria vamos falar com Maria e cumprimentamo-la primeiro.
   Chamamos a Maria: "CHEIA DE GRAÇA". Um copo está cheio, quando nada mais cabe. Maria está cheia de graça porque tem todas as graças, que em sua alma podem caber. Nossa senhora recebeu mais graças do que todos os outros santos, pois Deus dá mais graças conforme a dignidade da pessoa. A maior dignidade é a de Maria, porque é Mãe de Deus; por isso recebeu mais graças do que todos os outros. Deus também dá mais graças a quem melhor se esforçar por ser melhor, por ser santo. Maria trabalhou muito com a graça de Deus para ser cada vez mais santa. Por isso Deus lhe deu sempre mais graças.
   Dizemos: "O SENHOR É CONVOSCO". O "SENHOR" é Deus. Deus mora em nosso coração pela graça. Quanto mais esforços fazemos para sermos bons, para não pecar, tanto mais cresce em nós a graça. Maria nunca pecou. Maria todos os dias fazia progresso na virtude. Maria nunca foi ruim. Por isso, em Maria, a graça era maior do que nos outros santos. Pela graça o Espírito santo habita em nosso coração. Por isso o Espírito Santo estava com Maria de maneira muito mais perfeita do que com todos os santos. Por isso dizemos: "O SENHOR É CONVOSCO".
   Dizemos: "BENDITA SOIS VÓS ENTRE AS MULHERES". Com estas palavras queremos dizer que Nossa Senhora merece os nossos louvores mais do que todas as outras mulheres. Maria é a mais privilegiada, a mais favorecida por Deus, a mais abençoada que todas as mulheres. Por que? Porque só ela foi concebida sem pecado original, e porque ela é a Mãe de Deus. Por isso é bendita entre todas.
   Dizemos: "BENDITO É O FRUTO DO VOSSO VENTRE, JESUS". Conhece-se a árvore pelo fruto. Assim Maria é louvada por seu fruto, isto é, por seu filho, Jesus.

EXEMPLO
   São Bernardo, grande devoto de Nossa Senhora, sempre que passava  junto de uma imagem de Maria Santíssima, descobria-se e dizia com toda devoção: Ave, Maria! Saudação tão filial não podia deixar de agradar ao coração maternal da Mãe de Deus. Algum tempo depois, passando novamente Bernardo e repetindo a sua costumada saudação, a Imagem, inclinando graciosamente a cabeça, responde: Ave, Bernardo!

sábado, 10 de setembro de 2016

O SACRAMENTO DA ORDEM PELA EXPLICAÇÃO DO QUADRO CATEQUÉTICO

Quadro catequético representando
o Sacramento da Ordem
   No centro  está o objetivo deste quadro que é de representar São Pedro conferindo o sacramento da Ordem aos sete primeiros diáconos. 

   No alto à esquerda, vemos representadas duas ordens menores: Ostiário e Leitor. Vemos representado, em primeiro lugar a Ordem de Ostiário. O Bispo faz o candidato tocar as mãos nas chaves da igreja. No momento o Bispo pronuncia as palavras que conferem a guarda das chaves. 
   Ainda no alto à esquerda bem perto, vemos representada a Ordem menor de Leitor, cuja função é de ler na igreja, em voz alta, o Antigo e o Novo Testamento. Por isso, o Bispo faz o candidato tocar o Missal pronunciando as palavras que lhe conferem o poder de ler a palavra de Deus.

   No alto à direita, vemos representado o Bispo conferindo a Ordem menor de Acólito, cuja função é servir os ministros sagrados no altar. Por isso, o Bispo faz o candidato tocar um castiçal com a vela, depois as galhetas vazias. O Bispo dá-lhe o poder de acender as velas da igreja e de apresentar ao celebrante o vinho e a água durante a Missa. 
   O quadro não representa a Ordem menor de Exorcista. Como ele recebe o poder de expulsar o demônio do corpo dos possessos, o Bispo faz o candidato tocar o livro dos Exorcismos, dando-lhe o poder de impor as mãos sobre os possessos do demônio.

   Em baixo à esquerda, vemos representada a Ordem maior do Subdiaconato, cuja função é de servir ao diácono no altar e de cantar a Epístola. Para tanto, o Bispo faz aquele que deve receber o subdiaconato tocar o cálice, a patena e o livro das Epístolas, dando-lhe, assim, o poder de ler na Igreja. Ele coloca água no vinho destinado ao Sacrifício. Compromete-se a guardar a castidade e a rezar o Breviário. 

   Em baixo à direita, vemos representada a Ordem maior do Diaconato, cuja função é de assistir ao Padre no altar, cantar o Evangelho nas Missas Solenes, distribuir a comunhão, em caso de necessidade, pregar, com autorização do Bispo, administrar o Batismo solene, com licença do Bispo ou do Pároco.Pode também fazer encomendação. Vemos no quadro o Bispo impondo-lhe as mãos para lhe conferir estes poderes. No momento, o Bispo diz: "Recebe o Espírito Santo, para teres a força de resistir ao demônio e às suas tentações". 

Detalhe do quadro representando o Sacerdócio ou
Plesbiterato
   Em baixo no meio do quadro, vemos representado o Bispo conferindo o Sacerdócio, cujos poderes são: celebrar a Santa Missa, pregar e administrar os sacramentos, menos o da Crisma e o da Ordem. O sacerdote também administra a Crisma em caso de morte quando na hora não há bispo. Vemos representado no quadro o Bispo impondo as mãos sobre a cabeça dos diáconos ( e com ele todos padres presentes). O Bispo faz uma unção com óleo santo sobre as mãos, e faz tocar o cálice com vinho, e a patena com uma hóstia. No momento o Bispo diz: "Recebei o poder de oferecer a Deus o sacrifício e de celebrar a Missa pelos vivos e defuntos". Observamos que o Bispo e todos os padres presentes, depois de imporem as mãos sobre a cabeça do(s) candidato(s), permanecem com as mãos estendidas sobre ele(s). 

   

  

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

O MINISTRO DO SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA

   Em todas as Missas JESUS CRISTO, Vítima e Sacerdote, Se oferece pessoalmente a DEUS na Consagração, renovando os sentimentos de obediência de que estava possuído no Calvário. Na Consagração, o ministro humano apenas "empresta a Cristo a sua língua e lhe cede as suas mãos". Vê-se, com bastante clareza, que JESUS CRISTO intervém atualmente para Se imolar de modo incruento, oferecendo ao eterno Pai o Sacrifício, através de seus sacerdotes.

Consideremos o MINISTRO DA MISSA, de que Nosso Senhor se serve como instrumento.
   A) MINISTRO.
   Só os sacerdotes são ministros do Sacrifício da Missa. Nosso Senhor dirigia-se aos Apóstolos, e sucessores deles no Sacerdócio quando disse, após a instituição da Eucaristia: "FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM". (Luc. XXII, 19). A prática da Igreja, aliás, nenhuma dúvida deixa no assunto. Desde os tempos mais antigos, são os Bispos e os Padres que CELEBRAM o Santo Sacrifício da Missa.
   Quando dizemos que a Missa é o Sacrifício de toda a Igreja, afirmamos que todos os fiéis nela devem tomar parte; não queremos, contudo, significar que o Sacrifício da Missa seja obra de todos os membros da Igreja.
   Na sociedade sobrenatural, criada por Jesus Cristo, somente os Sacerdotes são os SACRIFICADORES, somente eles podem realizar o Sacrifício da Missa.
   "Só aos Apóstolos, diz Pio XII, e aos que deles e dos seus sucessores receberam a imposição das mãos, é conferido o PODER SACERDOTAL, por cuja virtude, assim como representam, perante o povo que lhes é confiado, a pessoa de Jesus Cristo, assim também, representam esse mesmo povo perante Deus". (Mediator Dei). 
   Contudo, também no ato sublime e singular da oblação sacrifical, o povo tem sua participação, com seu voto, com sua aprovação. Eis o que diz Inocêncio III: "O que em particular se cumpre pelo ministério dos sacerdotes, universalmente é cumprido pelo voto dos fiéis". Mas o fato de participarem no Sacrifício eucarístico NÃO CONFERE aos fiéis NENHUM PODER SACERDOTAL.
   "A imolação incruenta, por meio da qual, depois de pronunciadas as palavras da Consagração, Jesus Cristo torna-se presente sobre o altar no estado de vítima, é levada a cabo somente pelo SACERDOTE, ENQUANTO REPRESENTANTE DA PESSOA DE CRISTO,  e não enquanto representante da pessoa dos fiéis." (Pio XII - Mediator Dei).

   B) CONDIÇÕES REQUERIDAS:
   1º) para que o Sacrifício seja VÁLIDO: a) o poder da ORDEM;
                                                                b) intenção de fazer o que faz a Santa Igreja.

   2º) para que o Sacrifício seja LÍCITO:  O ministro deve:
                                               a)  possuir o estado de graça;
                                               b) estar em jejum;
                                               c) observar as cerimônias prescritas.

  
   Os padres ao celebrar, devem trazer as disposições mais santas, subindo o Altar com os sentimentos da maior pureza e caridade, piedade viva e profunda, como o exige função tão sublime.

   "Oh! quão grande e venerável é o ministério dos sacerdotes, aos quais é dado consagrar com palavras santas o SENHOR de majestade, bendizê-Lo com os lábios, tocá-Lo com as mãos, recebê-Lo em sua boca, distribuí-Lo aos outros!" (Imitação de Cristo).