SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

domingo, 25 de agosto de 2019

HOMILIA DOMINICAL - 11º Domingo depois de Pentecostes

   Leituras: 1 Epístola aos Coríntios, 15, 1-10
                    Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos, 7, 31-37


   "Naquele tempo, saindo Jesus da região de Tiro veio por Sidon ao mar da Galileia, atravessando o território da Decápole. E trouxeram-Lhe um surdo-mudo e Lhe rogaram impusesse as mãos sobre ele. Jesus, tomando-o dentre o povo, de parte, pôs os dedos em seus ouvidos e tocou-lhe a língua com a saliva. Depois, ergueu os olhos para o céu, suspirou, e disse-lhe: Efhetha, isto é, abre-te. E imediatamente se lhe abriram os ouvidos e se lhe soltou a prisão da língua, e ele falou retamente. Então, Jesus lhes ordenou que a ninguém o dissessem. Não obstante, quanto mais o proibia, tanto mais o divulgavam, e mais admirados diziam: Ele tudo tem feito bem; fez os surdos ouvirem e os mudos falarem". 


   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   A Santa Madre Igreja propõe hoje, para nossa meditação e ensinamento, a cura do surdo-mudo. 
   A primeira coisa que devemos observar é que na administração do santo Batismo o sacerdote faz quase os mesmos gestos de Jesus e pronuncia a mesma palavra "effeta", que significa: abre-te. Estas cerimônias no santo Batismo significam o seguinte: Os cristãos devem ter os ouvidos sempre abertos para a palavra de Deus. É pela pregação que vem a fé. Esta mesma fé deve ser confessada externamente. Em outras palavras: pelo santo Batismo, o ouvido da nossa alma abriu-se à fé e a língua aos louvores de Deus, Nosso Senhor. Tornamo-nos capazes de ouvir a voz da fé, a voz externa dos ensinamentos da Igreja e a voz interior do Divino Espírito Santo. Os nossos lábios devem sempre estar abertos para a oração, para a adoração de Deus e para fazer sempre bem feita a confissão.
   Devemos observar também que, ao fazer este milagre, diferentemente de muitos outros milagres, Jesus não se contenta só em dizer: fica curado! Não, aqui o Divino Mestre faz vários gestos: retira o surdo mudo dentre a multidão e o leva à parte; põe o dedo em seus ouvidos; toca-lhe a língua com o dedo molhado na saliva; ergue os olhos para o céu; suspira e diz: "effeta", abre-te.
   Jesus não faz nada inútil. Se agiu assim ao realizar a cura do surdo-mudo, é porque há um significado em tudo isto. Na verdade, esta enfermidade natural figura uma outra, muitíssimo mais grave, deplorável e perigosa: a surdez e a mudez espirituais. 
   Este homem surdo-mudo é a imagem do pecador endurecido que recusa ouvir os preceitos e os conselhos paternais de Deus, e que se cala para não confessar os seus pecados ao ministro das misericórdias do Senhor. Como a confissão é secreta no confessionário, Jesus retira o surdo-mudo do meio da multidão e o toma de parte. Este gesto de Jesus significa também o santo retiro onde a alma fica longe do barulho do mundo e na solidão tem todas as condições para ouvir a palavra de Deus externa e internamente. Diz Deus pelo profeta Oseias, II, 14: "Conduzirei a alma à solidão, e falar-lhe-ei intimamente ao coração". Deus, na verdade, não se encontra no barulho: "Non in commotione Dominus", "Deus não está na agitação" (3 Reis, XIX, 11). 
  Este surdo-mudo representa um grande número de almas pecadoras. Elas não ouvem a palavra de Deus, não sabem mais falar a Deus, isto é, não rezam. Não sabem pedir perdão dos seus pecados, ou seja, não se confessam. São mudas porque são surdas. Como se formou esta surdez? Pelo barulho do mundo agitado por toda espécie de orgulho, avareza e luxúria. São como uma estrada aberta a todas as agitações dos transeuntes; endurecida, onde a semente da palavra de Deus não consegue penetrar, ficando assim a mercê dos demônios, que como as aves do céu, veem e comem a semente. Estas pobres almas, cheias de si mesmas, dos seus pensamentos e da sua ciência, sufocadas pelas preocupações das riquezas e dos prazeres da vida, não querem ouvir a Deus nem aos homens de Deus. E o demônio, que as entretém nesta surdez espiritual, as torna também mudas para que não falem a Deus. Como poderiam elas orar, se não sentem a necessidade da oração? Como poderiam proferir uma palavra de fé, se não têm pensamentos de fé? Só Jesus as pode curar, só Jesus pode fazer que elas ouçam e falem. É preciso, pois, levá-las a Jesus. O Divino Mestre as tocará com o dedo, isto é, com a graça do Espírito Santo, que é o dedo de Deus; ungindo-as com a sua saliva, lhes dará a sabedoria e o gosto das coisas de Deus. E depois, levantando os olhos para o céu, isto é, orando por elas, pronunciará o Effeta, que quer dizer - abri-vos. Jesus por onde passa, vai abrindo tudo: abre as consciências; abre os corações, abre as torrentes de sua graça, e, no último dia, nos abrirá também as portas da eternidade feliz.
   Caríssimos e amados fiéis, como é triste o estado de um surdo-mudo! Jesus suspirou: oh! como é difícil a salvação de um surdo-mudo espiritual!!! Não tem fé porque não ouve a palavra de Deus. Mas, sem a fé é impossível agradar a Deus. Não reza, e, sem oração não se salva. Não se confessa, e, sem confissão não há perdão. Devemos ter compaixão destes infelizes e procurar conduzi-los a Jesus, recomendando-os à Sua infinita misericórdia.
   Ó Jesus, meu bom Salvador, suplico-Vos que Vos digneis abrir os meus ouvidos, para que aprenda a vossa santa vontade, soltar a minha língua, para que Vos louve e Vos faça conhecer e amar. Amém!

EVANGELHO DO 11º DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES




São Marcos, 7, 31-37

Como é difícil a salvação de um surdo-mudo espiritual!



 
 "Naquele tempo, saindo Jesus da região de Tiro veio por Sidom ao mar da Galileia, atravessando o território da Decápole. E trouxeram-Lhe um surdo-mudo e Lhe rogaram impusesse as mãos sobre ele. Jesus, tomando-o dentre o povo, de parte, pôs os dedos em seus ouvidos e tocou-lhe a língua com a saliva. Depois, ergueu os olhos para o céu, suspirou, e disse-lhe: Ephphetha, isto é, abre-te. E imediatamente se lhe abriram os ouvidos e se lhe soltou a prisão da língua, e ele falou retamente. Então, Jesus lhes ordenou que a ninguém o dissessem. Não obstante, quanto mais o proibia, tanto mais o divulgavam, e mais admirados diziam: Ele tudo tem feito bem; fez os surdos ouvirem e os mudos falarem". 


   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   A Santa Madre Igreja propõe hoje, para nossa meditação e ensinamento, a cura do surdo-mudo. 

   A primeira coisa que devemos observar é que na administração do santo Batismo o sacerdote faz quase os mesmos gestos de Jesus e pronuncia a mesma palavra "ephphetha", que significa: abre-te. Estas cerimônias no Batismo significam que os cristãos devem ter os ouvidos sempre abertos para a palavra de Deus. É pela pregação que vem a fé: "Fides ex auditu", como diz S. Paulo. É pela audição da Palavra de Deus que o cristão alimenta a sua fé logo tenha chegado ao uso da razão. Esta mesma fé deve ser confessada externamente. Em outras palavras: pelo santo Batismo, o ouvido da nossa alma abriu-se à fé e a língua aos louvores de Deus, Nosso Senhor. Tornamo-nos capazes de ouvir a voz da fé, a voz externa dos ensinamentos da Igreja e a voz interior do Divino Espírito Santo. Os nossos lábios devem sempre estar abertos para a oração, para a adoração de Deus e para fazer sempre bem feita a confissão.

   Devemos observar também que, ao fazer este milagre, diferentemente de muitos outros milagres, Jesus não se contenta só em dizer: fica curado! Não, aqui o Divino Mestre faz vários gestos: retira o surdo-mudo dentre a multidão e o leva à parte; põe o dedo em seus ouvidos; toca-lhe a língua com o dedo molhado na saliva; ergue os olhos para o céu; suspira e diz: "ephphetha", abre-te.

   Jesus não faz nada inútil. Se assim agiu ao realizar a cura do surdo-mudo, é porque há um significado em tudo isto. Na verdade, esta enfermidade natural figura uma outra, muitíssimo mais grave, deplorável e perigosa: a surdez e a mudez espirituais. 

   Este homem surdo-mudo é a imagem do pecador endurecido que recusa ouvir os preceitos e os conselhos paternais de Deus, e que se cala para não confessar os seus pecados ao ministro das misericórdias do Senhor. Como a confissão é secreta no confessionário, Jesus retira o surdo-mudo do meio da multidão e o toma de parte. Este gesto de Jesus significa também o santo retiro onde a alma fica longe do barulho do mundo e na solidão tem todas as condições para ouvir a palavra de Deus externa e internamente. Diz Deus pelo profeta Oseías, II, 14: "Conduzirei a alma à solidão, e falar-lhe-ei intimamente ao coração". Deus, na verdade, não se encontra no barulho: "Non in commotione Dominus", "Deus não está na agitação" (3 Reis, XIX, 11). 

  Este surdo-mudo representa um grande número de almas pecadoras. Elas não ouvem a palavra de Deus, não sabem mais falar a Deus, isto é, não rezam. Não sabem pedir perdão dos seus pecados, ou seja, não se confessam. São mudas porque são surdas. Como se formou esta surdez? Pelo barulho do mundo agitado por toda espécie de orgulho, avareza e luxúria. São como uma estrada aberta a todas as agitações dos transeuntes; endurecida, onde a semente da palavra de Deus não consegue penetrar, ficando assim a mercê dos demônios, que como as aves do céu, vêm e comem a semente. Estas pobres almas, cheias de si mesmas, dos seus pensamentos e da sua ciência, sufocadas pelas preocupações das riquezas e dos prazeres da vida, não querem ouvir a Deus nem aos homens de Deus. E o demônio, que as entretém nesta surdez espiritual, as torna também mudas para que não falem a Deus. Como poderiam elas orar, se não sentem a necessidade da oração? Como poderiam proferir uma palavra de fé, se não têm pensamentos de fé? Só Jesus as pode curar, só Jesus pode fazer que elas ouçam e falem. É preciso, pois, levá-las a Jesus. O Divino Mestre as tocará com o dedo, isto é, com a graça do Espírito Santo, que é o dedo de Deus; ungindo-as com a sua saliva, lhes dará a sabedoria e o gosto das coisas de Deus. E depois, levantando os olhos para o céu, isto é, orando por elas, pronunciará o Ephphetha, que quer dizer - abri-vos. Jesus por onde passa, vai fazendo o bem: abre as consciências; abre os corações, abre as torrentes de sua graça, e, no último dia, nos abrirá também as portas da eternidade feliz.

   Caríssimos e amados fiéis, como é triste o estado de um surdo-mudo!   Jesus suspirou: oh! como é difícil a salvação de um surdo-mudo espiritual!!! Não tem fé porque não ouve a palavra de Deus. Mas, sem a fé é impossível agradar a Deus. Não reza, e, sem oração não se salva. Não se confessa, e, sem confissão não há perdão, porque mesmo havendo arrependimento perfeito, arrependimento este que perdoa no mesmo momento, no entanto ele só assim perdoa se for acompanhado do desejo da confissão, e, se tiver condição de se confessar, o pecador  deverá fazê-lo antes de comungar.  Como o surdo-mudo não podia falar, pediram naturalmente por ele. Assim devemos fazer com relação às almas que desejamos converter. É preciso orar por elas, porque não sabem orar. É preciso levá-las a Jesus, recomendando-as à sua infinita misericórdia.  Devemos ter compaixão destes infelizes.

   Ó Jesus, meu bom Salvador, suplico-Vos que Vos digneis abrir os meus ouvidos, para que aprenda a vossa santa vontade, soltar a minha língua, para que Vos louve e Vos faça conhecer e amar. Amém!


quinta-feira, 22 de agosto de 2019

SERMÃO DO ENCONTRO



  "O vos omnes que transitis per viam, attendite et videte si est dolor, sicut dolor meus" (Lamentações de Jeremias, I, 12).
       "Ó vós todos os que passais pelo caminho, atendei e vede se há dor semelhante à minha dor".




"Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém!

 Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Cena patética! Quadro doloroso é o que agora presenciamos! Tremei, ó terra! Enchei-vos de horror, ó céus!
    Os meus olhos se encontram com um homem atado com duras cordas, com a cabeça rasgada dos mais penetrantes espinhos. Ferido, dilacerado, com as vestes ensopadas na abundância do seu próprio sangue; trêmulo e arquejante caminha oprimido pelo enorme peso do mais infamante madeiro! Grande Deus! Será um assassino público, um parricida, um traidor da Religião e da Pátria, para sofrer tanto e ser assim tão cruelmente castigado?! 
    Mas não! É o inocente Jesus! O mais humilde, o mais modesto, o mais puro, o mais caridoso dentre os filhos dos homens!

   Não há, entretanto, uma só pessoa que se compadeça de suas desventuras. Não há um só coração, que compartilhe as suas dores e os seus sofrimentos!
   Que é feito agora de seus amados discípulos, que foram tão prontos em acompanhá-Lo  ao Tabor para presenciar a sua gloriosa Transfiguração?
   Que é feito destes milhares de enfermos que d'Ele tinham recebido a saúde, e de mortos que d'Ele tinham recuperado a vida?
   Onde estão estes homens de Religião e de piedade que ainda há poucos dias atiravam os seus mantos em terra para Jesus passar por cima; e que juncando a sua passagem de palmas e de flores, O acompanhavam bradando : Hosana ao Filho de Davi; bendito seja aquele que vem em nome do Senhor!? 
   Todos O abandonaram e tornaram-se seus inimigos!

   Mas, ah! caríssimos irmãos, eu minto dizendo que todos O abandonaram. Sim, eu vejo uma mulher tão bela com seu rosto nimiamente pálido, romper heroicamente a grande multidão que O cerca. É Maria Santíssima. Pois, apenas recebera através de São João Apóstolo, a triste notícia de que Seu amado Filho Jesus caminhava com a cruz às costas em direção ao Calvário, ela parte imediatamente, e seu coração se achava em contínuos sobressaltos ao verificar as pedras das ruas de Jerusalém tintas do sangue de Seu amantíssimo Filho. 
   Ainda um pouco distante, seus olhos tão tristes e amortecidos parecem procurar um tão caro objeto que extremamente seu coração ama. Ó Virgem Mãe, é realmente o Vosso Filho!!! Aproximai-vos bem deste ferido, dilacerado dos pés até a cabeça! E esta Mãe Dolorosa, vacilante, trêmula com dificuldade pode conservar-se em pé!


 Oh! Dolorosa Mãe!!!
   Vede-O agora, e dizei-me, se é este aquele que era o mais lindo e mais formoso dentre todos os filhos dos homens cujo corpo fora formado pelo Espírito Santo em vossas puríssimas estranhas?!

   Vede-O e dizei-me se este é aquele mesmo homem poderoso em obras e palavras, a quem o vento, o mar, e toda natureza prontamente obedecia?!

   Vede-O e dizei-me se este é aquele mesmo Messias prodigioso, que curava os cegos, os surdos e os mudos, que restituía a saúde aos enfermos, ressuscitava os mortos?!

   Ó desumana ingratidão, vós rasgando o corpo deste Homem-Deus, dilacerais ainda muito mais cruelmente o terno coração desta Mãe amorosíssima. 

   Ah! caríssimos fiéis, que encontro doloroso! Que olhares de desolação! Maria vê seu Filho desfalecido e desfigurado e não Lhe pode valer. Jesus vê sua santa Mãe aflita e desolada e não a pode consolar. Não falam os lábios... falam os corações! Minha Mãe, minha pobre Mãe!!! - Meu Filho, meu querido Jesus!!! Ó único objeto de todas as potências de minha alma, demorai por um pouco, ó meu Filho tão sanguinolento sacrifício; concedei um pequeno alívio a esta angustiada mãe. Reparti comigo vossos pungentes tormentos. Deixai que eu coloque um pouco sobre meus ombros esse pesado madeiro, que tanto Vos oprime; dai-me licença, que eu afrouxe os laços dessas tiranas cordas que Vos prendem e maltratam; consenti que eu ponha sobre minha cabeça esta coroa de penetrantes espinhos, que faz jorrar torrentes de sangue sobre a Vossa adorável face!!!

   Ó Maria! quem poderá exprimir os tormentos deste tão doloroso encontro?! Nem o céu, nem a terra  vos oferecem o menor alívio, a mínima consolação!!! Se olhais para o Céu, contemplareis um Deus irritado contra os pecados que Vosso Filho tomou sobre Si. Contemplareis este Deus justíssimo que vos impõe o rigoroso preceito de imolar vosso Filho único e bem amado!!!
   Se volveis vossos olhos ao redor de vós, ouvireis os clamores públicos duma nação ingrata, duma vil populaça que brada em alta voz: "É réu de morte, seja crucificado!!!

    Caríssimos e amados irmãos, nós que assistimos a representação do encontro, nós que simbolicamente o realizamos; não a assistimos, não a realizamos com os sentimentos que teve o povo de Jerusalém. O que hoje nos traz aqui é o amor, é a gratidão àquelas santíssimas pessoas cujo encontro na rua da dor nos comove, nos enternece.
    O que nos traz aqui é também a confiança. Semelhante a Jesus, cada um de nós é colocado na rua da amargura. Cada um de nós arqueja sob o peso da cruz que a Divina Providência lhe impôs. E assim, gemendo e chorando seguimos o nosso caminho ao Calvário. As dores, as cruzes, as provações desta vida temporal constituem nossa existência cotidiana. Procuramos a quem nos conforte, nos anime, nos console. Ah! como Jesus sentiu o peso do lenho e sua ignomínia. No entanto, levou-o com paciência firme e sem queixas. Maria Santíssima fez o mesmo. Aceita a vontade de Deus. Dá o seu "fiat" para ser a Corredentora. Une seu sacrifício ao sacrifício de seu Jesus. Sofre com Ele e por nós. Idêntica é nossa tarefa. Avante, pois, com coragem e paciência!!!
    O que, outrossim, nos faz ainda comparecer neste lugar é o arrependimento, é a tristeza. O arrependimento de nossos pecados; a tristeza por vermo-nos culpados diante de Jesus e de Maria Santíssima.

   E assim, ó Jesus, ó Maria! termino reconhecendo meu pecado e pedindo perdão. Na Vossa Paixão, ó Jesus, perdoastes a todos, Perdoai, também os meus delitos.

  Ó Jesus, fui eu quem amarrou os vossos pulsos, não foram os soldados. Não foi Pilatos que lavrou a sentença de morte, fui eu, foram meus pecados. Eu, Jesus, bati esses espinhos para que entrassem bem dentro na cabeça. Ó Jesus, não foram os soldados que vos impuseram aso ombros este pesado madeiro, fui eu, foram meus pecados.
   Ó Maria, essas lágrimas que banham a vossa face, eu as provoquei. Esta espada de dor predita pelo velho Simeão, foram meus pecados que vo-la cravaram no coração. 

  Ó Jesus, ó Maria, unidos num mesmo sacrifício por meu amor, perdoai-me porque não quero mais nesta vida renovar vossas dores e os vossos sofrimentos; para que assim pelos méritos destes sofrimentos mereça a felicidade perfeita na Pátria do Repouso eterno. Amém!
    

domingo, 18 de agosto de 2019

HOMILIA DOMINICAL - 10º Domingo depois de Pentecostes

   Leituras: Primeira Epístola de São Paulo Apóstolo aos Coríntios, 12, 2-11.
                    Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas, 18, 9-14.


   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   A Santa Madre Igreja coloca hoje para nossa meditação a parábola do fariseu e do publicano. São Lucas observa de início qual é a finalidade desta parábola: "Disse Jesus esta parábola a alguns que se tinham a si mesmos em conta de justos, e desprezavam os outros."E, no fim, Nosso Senhor deixou bem claro o ensinamento da mesma parábola: "O que se eleva será humilhado, e o que se humilha, será exaltado."
   Pelos gestos e atitudes exteriores e pelas palavras, Jesus mostra as disposições interiores destes dois homens: o fariseu e o publicano. Ambos sobem a encosta do Mória, colina sobre a qual se encontrava o Templo. Vão orar. Entram no pátio dos gentios, o mais espaçoso, o mais concorrido de todos. O fariseu avança em atitude solene e grave, o manto amplo com as largas franjas de filatérias, repletas de textos de Moisés. O nosso homem caminha imponente e chega ao pátio das mulheres, sobe os degraus da grande escadaria de mármore, que conduz ao Átrio de Israel, e pára por fim para dizer a sua oração. Está de pé, aprumado como se estivesse com a espinha dorsal engessada, diante de todos, faz o sua oração: "Senhor, dou-vos graças, porque não sou como os outros homens: os outros afora eu, são ladrões, injustos, adúlteros... como este publicano... Jejuo duas vezes por semana, pago os dízimos de tudo o que possuo". Que singular e estranha oração! Esse homem nada tem que pedir a Deus, não precisa de nada! Basta-lhe contar o bem que faz e o mal que não faz. Nada tem de que se acusar!... Lança os olhos em torno de si, com a satisfação de quem tivesse a consciência livre de todo pecado, e encontra um publicano, um pecador, um miserável digno de todo o desprezo! Mas, caríssimos, não é mais ou menos assim que muitos não querem se confessar dizendo que: não mato, não roubo, não mexo com família de ninguém, não desejo mal a ninguém; dou esmola aos pobres, faço o bem que posso! - Portanto, deviam eles concluir, sou um santo! Mas a consciência protesta contra esta hipocrisia. 
   "O publicano, diz Nosso Senhor, pelo contrário, conservando-se à distância, nem ao menos ousava levantar os olhos para o céu; mas batia no peito, dizendo - Meu Deus, tende compaixão de mim que sou um pecador". Eis, caríssimos irmãos, o reverso da medalha. Colocado no último lugar, em atitude humilde e penitente, o publicano mantém-se longe do santuário, à entrada do pátio das mulheres, trêmulo não vê o que passa no Templo, não conhece o fariseu que ali está, na sua frente, cheio de orgulho e de supostas virtudes. Só pensa em Deus a fim de alcançar misericórdia para os seus pecados. E oprimido pela consciência de suas culpas, repete muitas vezes: "Senhor, tende piedade deste pecador!"
   Na verdade o fariseu não ora. Suas palavras não são mais que um alarde de suas virtudes e um inventário, sem dúvida exagerado, dos vícios dos demais. É possível que seja verdade o que diz: nunca roubou, nem cometeu adultério, nem quebrantou o mínimo ponto da Torah. Mas, deitou tudo a perder: aquela complacência na sua virtude e aquele desprezo pelos outros envenenavam todas as suas obras. Deus não o pôde ver nem ouvir e, pelo contrário, olha com complacência o pobre publicano, que talvez um dia tenha manchado as mãos com a rapina, mas agora entra na casa de Deus arrependido, humilhado, cheio de confusão e vergonha. É o que Jesus nos diz: 
   - Eu vos asseguro que, ao deixar o Templo, este publicano era mais agradável aos olhos de Deus do que aquele fariseu, porque o que se exalta será humilhado, e o que se humilha será exaltado.
   Santo Agostinho diz: "Tanto mais agrada a Deus a humildade nas coisas mal feitas do que a soberba nas bem feitas!"
    Nem todos os que vão para o Paraíso pregaram o Evangelho aos povos infiéis; nem todos derramaram o seu sangue ou perderam sua vida por amor de Cristo; nem todos têm a estola sacerdotal ou vêm do claustro. Mas todos, sem exclusão de nenhum, devem ter praticado a humildade, porque só será exaltado quem  se houver humilhado.
   Jesus, manso e humilde de coração! Fazei o meu coração semelhante ao Vosso! Amém
   
                   

EVANGELHO DO 10º DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES



S. Lucas XVIII, 9-14

"O que se eleva será humilhado, e o que se humilha será exaltado".

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

A Santa Madre Igreja coloca hoje para nossa meditação a parábola do fariseu e do publicano. São Lucas observa de início qual é a finalidade desta parábola: "Disse Jesus esta parábola a alguns que se tinham a si mesmos em conta de justos, e desprezavam os outros."E, no fim, Nosso Senhor deixou bem claro o ensinamento da mesma parábola: "O que se eleva será humilhado, e o que se humilha, será exaltado."

 Pelos gestos e atitudes exteriores e pelas palavras, Jesus mostra as disposições interiores destes dois homens: o fariseu e o publicano. Ambos sobem a encosta do Mória, colina sobre a qual se encontrava o Templo. Vão orar. Entram no pátio dos gentios, o mais espaçoso, o mais concorrido de todos. O fariseu avança em atitude solene, como quem tem consciência do seu próprio valor e da sua importância social. O gesto grave, o andar majestoso, o manto amplo com as largas franjas de filatérias, repletas de textos de Moisés. O nosso homem caminha, cabeça erguida, chega ao pátio das mulheres, sobe os degraus da grande escadaria de mármore, que conduz ao Átrio de Israel, e pára por fim para dizer a sua oração. Está de pé, empertigado como se houvesse engessado a espinha dorsal, diante de todos, faz o sua oração: "Senhor, dou-vos graças, porque não sou como os outros homens: os outros afora eu, são ladrões, injustos, adúlteros... como este publicano... Jejuo duas vezes por semana, pago os dízimos de tudo o que possuo". Que singular e estranha oração! Esse homem nada tem que pedir a Deus, não precisa de nada! Basta-lhe contar o bem que faz e o mal que não faz. Nada tem de que se acusar!... Lança os olhos em torno de si, com a satisfação de quem tivesse a consciência alvíssima como a neve, e encontra um publicano, um pecador, um miserável digno de todo o desprezo!

"O publicano, diz Nosso Senhor, pelo contrário, conservando-se à distância, nem ao menos ousava levantar os olhos para o céu; mas batia no peito, dizendo - Meu Deus, tende compaixão de mim que sou um pecador". Eis, caríssimos irmãos, o reverso da medalha. Colocado no último lugar, em atitude humilde e penitente, o publicano mantém-se longe do santuário, à entrada do pátio das mulheres, trêmulo não vê o que passa no Templo, não conhece o fariseu que ali está, na sua frente, cheio de orgulho e de supostas virtudes. Só pensa em Deus a fim de alcançar misericórdia para os seus pecados. E oprimido pela consciência de suas culpas, repete muitas vezes: "Senhor, tende piedade deste pecador!"

Na verdade o fariseu não ora. Suas palavras não são mais que um alarde de suas virtudes e um inventário, sem dúvida exagerado, dos vícios dos demais. É possível que seja verdade o que diz: nunca roubou, nem cometeu adultério, nem quebrantou o mínimo ponto da Torah. Mas, deitou tudo a perder: aquela complacência na sua virtude e aquele desprezo pelos outros envenenavam todas as suas obras. Deus não o pôde ver nem ouvir e, pelo contrário, olha com complacência o pobre publicano, que talvez um dia tenha manchado as mãos com a rapina, mas agora entra na casa de Deus arrependido, humilhado, cheio de confusão e vergonha. É o que Jesus nos diz:  - Eu vos asseguro que, ao deixar o Templo, este publicano era mais agradável aos olhos de Deus do que aquele fariseu, porque o que se exalta será humilhado, e o que se humilha será exaltado. Eis o comentário de Santo Agostinho: "Tanto mais agrada a Deus a humildade nas coisas mal feitas do que a soberba nas bem feitas!"

Nem todos os que vão para o Paraíso pregaram o Evangelho aos povos infiéis; nem todos derramaram o seu sangue ou perderam sua vida por amor de Cristo; nem todos têm a estola sacerdotal ou vêm do claustro. Mas todos, sem exclusão de nenhum, devem ter praticado a humildade, porque só será exaltado quem  se houver humilhado. E a razão está bem afirmada pelas palavras inspiradas das Sagradas Escrituras: "Deus resiste aos soberbos e dá a graça aos humildes" (1 S. Pedro V, 5). E S. Gregório escreveu uma palavra que deveria fazer tremer a todos aqueles que não são humildes: "O sinal mais evidente da reprovação é o orgulho".

Caríssimos, quão necessário será, portanto, termos diante dos olhos o que os autores espirituais dizem sobre o orgulho. Primeiramente, toda a sua aspiração é distinguir-se, dar que falar de si. Assim vai rojar-se ante os grandes da terra; vai adular ignobilmente a multidão e mendigar aplausos. Não mede esforços e, por vezes intrigas, para suplantar um êmulo. Há facilidade de uma salutar vergonha apoderar-se daqueles que são dominados por outros pecados capitais, como a avareza, a luxúria, a gula etc. O orgulhoso, porém, está contente consigo mesmo, não reconhece seus erros, não sente a necessidade de mudar de vida.

 Assim, que terrível desregramento é o orgulho, quando, nunca combatido, se desenvolve ao ponto de merecer o nome de idolatria! É realmente idólatra de si mesmo, quem se constitui a si como centro de tudo, quem se compraz na contemplação de suas pretensas qualidades, quem julga severamente seus semelhantes, desprezando-os enquanto se considera superior a todos. Nada pode desiludi-lo; a sua arrogância, a sua néscia presunção inspiram horror a quem dele se aproxima, mas não deixa por isso de comprazer-se em si mesmo. Como o fariseu, nem sente necessidade do auxílio divino, tal é a confiança em seu próprio engenho, em seu talento. Saber que os outros pensam nele, que se preocupam com ele, é-lhe uma espécie de volúpia. Ao ver-se admirado, prezado, sua alegria aumenta, sem, todavia, ficar ainda satisfeito. Quer que todos se submetam a ele; tem sede de domínio, e, para sentir-se contente, deverá impor as leis de sua vontade e os decretos de sua grande inteligência. Em presença dos intelectuais, faz alarde de sua inteligência e habilidades.

O soberbo não procura a verdade, mas sim iludir o próximo com aparências sedutoras, tão preocupado está em agradar ou causar admiração. E é neste sentido que S. Pio X, põe o orgulho como causa do Modernismo. Para chamar a atenção sobre si, para granjear elogios e simpatias do mundo, tem que pregar novidades. Tudo, inclusive o dogma, deve seguir a lei da evolução. E o orgulhoso chega a convencer-se de que ninguém pode divergir do seu modo de pensar. Daí, tem inveja em relação a quem o poderia eclipsar; e sente até mesmo ódio contra quem não o admira, ou recusa submeter-se. O orgulhoso caindo no Modernismo, defende a liberdade religiosa do Concílio Vaticano II, mas não admite que alguém tenha a liberdade de discordar dele, mesmo quando este alguém segue, diante de Deus, os ditames de sua consciência bem formada. O orgulhoso domina os fracos, forçando-os a aceitar-lhe os erros, ou então, insinua-se pelas adulações. Todos os meios lhe convêm, contanto que faça partilhar suas falsas ideias, contanto que seja considerado como um doutor que merece ser ouvido, como um homem hábil, cujos conselhos devem ser seguidos. Desse modo arrasta em seus desvarios muita pobre gente que se deixa fascinar por ele.

Caríssimos, os heresiarcas foram sempre grandes orgulhosos. Na verdade, enfatuado de si mesmo, o orgulhoso, estará sempre na iminência de, a qualquer momento, abandonar a Nosso Senhor Jesus Cristo! Cada um deve dizer consigo mesmo: ainda que eu chegue a ter todas as virtudes, se não tiver a humildade, estou enganado; e, quando me julgo virtuoso, não sou mais que um fariseu soberbo. Jesus, manso e humilde de Coração! Fazei o meu coração semelhante ao vosso! Amém!



quinta-feira, 15 de agosto de 2019

A ASSUNÇÃO DA SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA

   Quem se humilha será exaltado. Maria Santíssima é glorificada na sua morte, na sua ressurreição e assunção, em virtude de sua santidade, especialmente de sua humildade. "O Senhor olhou, -  disse ela no 'Magnificat'. - para a humildade de sua serva... todas as gerações me chamarão bem-aventurada ... depôs do trono os poderosos e exaltou os humildes". 

   Esta é a lei geral: para ser coroado, é necessário ter combatido. E, com relação a nós que somos orgulhosos, o primeiro combate é contra o nosso orgulho. 

   O bom servo do Evangelho não só diz ao seu senhor, que recebeu cinco talentos, mas também que os fez valer. Esforcemo-nos, pois, por assegurar a nossa vocação e eleição para a glória no Céu, por meio das boas obras de que é a recompensa. 

   Maria Santíssima excede em glória a todos os Santos, porque os excedeu a todos em santidade. Deus., para preparar para si uma digna Mãe, não lhe deu riquezas da terra, mas a máxima santidade, pois, fê-la cheia de graça. Mas, com muito mais razão que São Paulo, podia ela dizer: "A graça de Deus não foi vã em mim". 

   Assim como, para conceder a glória eterna, Deus só se funda nos merecimentos, assim também quer que esta glória corresponda exatamente nos merecimentos. Quando Maria Santíssima semeou nas lágrimas, tanto colhe na alegria. Desde a profecia do Velho Simeão até ao alto do Calvário, Maria Santíssima sofreu com o seu filho Jesus. Agora está em corpo e alma ao Seu lado no Céu. 

   E eu também, receberei em proporção do que tiver dado. Maria, Virgem fiel, levai-me atrás de vós pelo caminho doloroso, que conduz a tão feliz termo. Fazei que eu tenha sempre presente este pensamento: que o que me causa tristeza durante e vida, me causará alegria no hora da morte. Amém!

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

O SACRAMENTO DA EUCARISTIA

   A - DEFINIÇÃO: A Eucaristia é um sacramento que, pela admirável conversão de toda a substância do pão no Corpo de Jesus Cristo e de toda a substância do vinho no Seu precioso Sangue, contém verdadeira, real e substancialmente o Corpo, Sangue, Alma e Divindade do mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor, debaixo das espécies de pão e de vinho, para nosso alimento espiritual.

   EXPLICAÇÃO:
1 - A Eucaristia ou Comunhão é um dos Sete Sacramentos da Santa Igreja. Três são as coisas exigidas para constituir um sacramento - sinal sensível, instituição divina e produção da graça. Já vimos, em post anterior, que Jesus instituiu a Eucaristia na Quinta-feira Santa e que Ela contém, não só a graça, mas o próprio Autor da graça: Jesus. O sinal sensível são as espécies (ou "aparências") do pão e do vinho. embora a matéria conste de dois elementos, o pão e o vinho, há um único Sacramento, porque estes dois elementos constituem um sinal só, já que a finalidade deles é a mesma. Comida e bebida são duas coisas diversas, que se empregam  para a mesma finalidade, ou seja, para restaurar as forças do corpo. Assim, no Sacramento, as duas espécies diversas representam o alimento espiritual com que as almas se sustentam e se nutrem. Por isso Nosso Senhor declarou: "Minha carne é verdadeira comida, e meu sangue é verdadeira bebida".

   Três são as coisas que este Sacramento nos indica: a) a primeira, que já passou, é a Paixão de Cristo Nosso Senhor. Ele próprio havia dito: "Fazei isto em memória de mim". E São Paulo testemunhou: "Todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice, anunciareis a Morte do Senhor, até que Ele venha". b) a segunda, é uma graça divina e celestial que o Sacramento dá quando O recebemos, para nutrir e conservar as forças da alma. c) a terceira, que anuncia o futuro, é o fruto de eterna alegria e glória que havemos de possuir na pátria celestial, por promessa de Deus. Jesus prometeu: "Quem comer deste Pão, viverá eternamente".

   2 - O Sacramento da Eucaristia depende do Santo Sacrifício da Missa, que realiza a Presença real de Nosso Senhor. Na hora da Consagração, toda a substância do pão e toda a substância do vinho se convertem na substância do Corpo, Sangue Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, permanecendo apenas as aparências do pão e do vinho. As aparências (ou acidentes ou espécies) são: a forma, a cor, o gosto, o peso, o tamanho, o cheiro etc. Ensina o Concílio de Trento que, com propriedade, a Santa Igreja dá a esta admirável conversão o nome de TRANSUBSTANCIAÇÃO, porquanto na Eucaristia a substância total de uma coisa se converte na substância total de outra coisa.
   A Eucaristia é JESUS realmente, e não um símbolo de Jesus.
   A Eucaristia é JESUS verdadeiramente, e não uma figura de Jesus.
   Jesus Cristo está substancialmente presente na Eucaristia, e não virtualmente apenas.

Ornamentação para a procissão de Corpus Christi 
Carmelo, Varre-Sai, RJ.

   3 - A Eucaristia é um Sacramento de natureza especial. Enquanto os demais têm existência apenas na hora em que se administram, a Eucaristia é e continua a ser sacramento tanto antes como depois do uso. O Batismo por exemplo só existe no momento , muito curto, em que o ministro pronuncia a fórmula, derramando água na cabeça da criancinha; pelo contrário, Nosso Senhor está presente na Eucaristia, no estado de sacramento, sob os véus das espécies, independentemente da comunhão dos fiéis.

   4 - PARA NOSSO ALIMENTO ESPIRITUAL: aí está uma das razões e finalidades por que Nosso Senhor instituiu a Santíssima Eucaristia - para ser Ele próprio o alimento espiritual das almas. "Se não comerdes a Carne do Filho do Homem,  e não beberdes o Seu Sangue, não tereis a VIDA em vós". A vida divina que recebemos no Batismo e que foi robustecida na Crisma, é conservada e desenvolvida pelo Sacramento da Comunhão.
              COMUNGAI, COMUNGAI TODO DIA, A EUCARISTIA É VIDA IMORTAL.

LIÇÕES ESPIRITUAIS DA FESTA DA ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA

 
 Amanhã celebra a Santa Madre Igreja a Festa da Assunção de Maria Santíssima ao Céu.
 Quando rezamos o Santo Terço e meditamos os mistérios gloriosos, no quarto mistério meditamos na Assunção de Nossa Senhora aos Céus e pedimos como fruto deste mistério a graça da perseverança final. Na verdade, a Assunção de Maria Santíssima nos mostra o caminho espiritual para chegarmos ao céu. Morrendo na graça de Deus, ganhamos o céu. Isto significa que o nosso corpo ressurgirá glorioso e irá brilhar como o sol no dia do Juízo final que se dará no fim do mundo. Então sim, quem se salvou, subirá juntamente com Jesus Cristo e os demais santos, para o céu em corpo e alma.
   Enquanto peregrinamos neste vale de lágrimas, lutamos para seguir sempre o caminho do céu. A Assunção nos ensina alguns meios de conseguirmos a meta final, o nosso último Fim. Quais são estas lições espirituais?
1º - Recorda-nos que a nossa morada permanente não é a terra mas o céu. Somos peregrinos e estrangeiros. A oração da Missa de hoje assim diz: "Deus todo poderoso e eterno que elevastes à glória do céu, em corpo e alma, a Imaculada Virgem Maria, Mãe do Vosso Filho, concedei-nos a graça de aspirarmos sempre às coisas do alto, para merecermos compartilhar da sua glória". Assim, pois, a festa da Assunção de Nossa Senhora é para nós um poderoso apelo a desejarmos sempre as coisas do alto, isto é, do céu; o corpo, depois da ressurreição da carne, também será acolhido no céu e admitido a participar da glória da alma. Esta completa glorificação da nossa  humanidade, que não só para nós, mas também para todos os santos se efetuará no fim do mundo, contemplamo-la hoje plenamente realizada em Maria, nossa querida Mãezinha do Céu. Que motivo de inefável alegria para os seus verdadeiros filhos devotos!!! O privilégio da Assunção convida-nos fortemente a elevar toda a nossa vida, não só do espírito, mas também a dos sentidos, ao nível da vida celestial que nos espera.
   A Assunção nos ensina assim três coisas que constituirão a nossa senda luminosa para o Paraíso: desprendimento da terra, impulso para Deus e união com Deus.
   Nossa Senhora foi elevada aos céus em corpo e alma por ser a Imaculada,  isenta não só de toda sombra de culpa, mas ainda do menor apego às criaturas da terra, que nunca teve impressa na alma forma de qualquer criatura, nem por ele se moveu ( S. João da Cruz). A primeira condição para chegar a Deus é a pureza total, fruto do desapego total. Nossa Senhora que viveu a nossa vida terrena num desprendimento absoluto de todas as coisas criadas, ensina-nos a não nos deixarmos prender pelo encanto das criaturas, mas a vivermos no meio delas, a ocuparmo-nos delas com muita caridade, sim, mas sem prender a elas o coração, sem jamais procurar nelas a nossa satisfação.
  A Virgem da Assunção fala-nos também do impulso para o céu, para Deus. Não basta purificar o coração de todo o pecado e de todo o apego; é preciso, ao mesmo tempo,  lançá-lo para Deus, tender para Ele com todas as nossas forças. A nossa vida terrena tem valor de vida eterna enquanto é impulso para Deus, enquanto é uma contínua busca de Deus, uma contínua adesão à Sua graça. Este impulso nunca pode deixar de crescer. Parar é retroceder. Não se afervorar sempre é cair na tibieza. Não remar contra a correnteza é ser arrastada por ela.
   Finalmente, a Assunção da Virgem Santíssima nos ensina a união com Deus. Porque Maria Santíssima foi elevada ao céu por ser a Mãe de Deus e este seu máximo privilégio, origem e causa de todos os outros, evoca especialmente a união íntima com Deus; a sua Assunção à união beatífica do céu fala-nos também dessa união. A Assunção de Nossa Senhora confirma-nos, portanto, nesta grande e doce verdade: fomos criados e chamados à união com Deus. Assim, caríssimos e amados irmãos, com os olhos fixos em Nossa Senhora Assunta ao Céu, será mais fácil caminhar: Nossa Mãe mesma será a nossa guia, a nossa força, a nossa consolação em qualquer luta, tentação e adversidade.
   Ó Nossa Senhora Assunta ao céu, nós nos alegramos convosco. Olhai para nós pobres pecadores! Erguemos os nossos olhos para Vós que sois, depois de Jesus, a nossa vida, nossa doçura e esperança. Chamai-nos com a suavidade da vossa voz, para nos mostrar um dia, depois do nosso exílio, Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria"! Amém!

domingo, 11 de agosto de 2019

HOMILIA DOMINICAL - 9º Domingo depois de Pentecostes

   Leituras:Primeira Epístola de São Paulo Apóstolo aos Coríntios, X, 6-13.
                   Evangelho segundo São Lucas, XIX, 41-47. 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!


Capela "Dominus Flevit"(=O Senhor chorou)
construída no Monte das Oliveiras no local
em que Jesus chorou. Observam-se
decorações em forma de lágrimas. 
   A Santa Madre Igreja, através da Epístola e do Evangelho deste domingo, quer que meditemos sobre o grave problema da nossa correspondência à graça. Dificilmente se poderá compreender o amor de Deus pelo seu povo escolhido, o povo judeu, especialmente pela cidade de Jerusalém. ! São Paulo, depois de ter lembrado algumas prevaricações de Israel e os consequentes castigos, conclui: "Estas coisas lhes aconteciam em figura e foram escritas para advertência de todos nós... Aquele, pois, que crê estar de pé, veja que não caia". Na verdade, quantos benefícios, milagres, instruções e graças de toda a espécie concedidos àquele povo! Certa vez Jesus chegou a exclamar: "Jerusalém, Jerusalém... quantas vezes eu quis juntar teus filhos como a galinha recolhe debaixo das asas os seus pintainhos e tu não quisestes" (S. Mat. 23, 37). É o abuso de tantos dons e a perspectiva dos castigos, de que é consequência, que provocam as lágrimas de Nosso Senhor. Mas Jesus chorou também sobre numerosos cristãos de hoje não menos infiéis e ingratos do que Jerusalém; pois, não cessam de abusar das graças do Senhor. Ouve-se a voz de Deus que chama ou ameaça, ouve-se Jesus que bate à porta do coração, sente-se o Espírito Santo que inspira a deixar o pecado, a praticar a virtude... E muitos fecham o coração e não se comovem diante das lágrimas de Nosso Senhor Jesus Cristo! Que deplorável e funesta malícia! Muitos vivem demasiadamente preocupados com as coisas exteriores. Choram quando perdem algum dinheiro; mas não choram quando perdem a graça de Deus. Muitos caem por inconstância. Faltam-lhes a coragem e a energia. São terreno pedregoso. Não têm profundidade na fé ou na humildade. Sente-se o toque da graça, fica-se abalado num retiro, com uma comunhão, com um sermão e começa-se até a viver melhor. Mas logo depois, pouco a pouco, a boa vontade enfraquece; esquecem-se as boas resoluções e as promessas.
Mosaico que se encontra no interior da Capela
"Dominus Flevit"
   Caríssimos e amados irmãos, a graça é um dom de Deus infinitamente precioso. É o preço do Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. A graça é a chave do céu, o talento com que compramos a vida eterna. Por isso, resistir à graça, abusar dela, perdê-la é fazer injúria a Deus, é cometer uma monstruosa ingratidão. E, como ela é indispensável, resistir-lhe é também fazer a si mesmo um mal irreparável. É uma temeridade funesta, pois que é expor-se à condenação. É expor-se a muitos castigos, como alerta o Apóstolo São Paulo na Epístola deste domingo. O abuso da graça priva-nos de numerosos e preciosos méritos; causa a insensibilidade espiritual. Nada emociona, nada comove; fica-se indiferente a tudo! Vede Saul, Salomão, Judas...! Depois de suas desobediências a Deus, Saul pediu ao Profeta Samuel que intercedesse por ele e fosse com ele para adorar ao Senhor. Ao que Samuel respondeu: "Não irei contigo, porque desprezaste a palavra do Senhor, e o Senhor te repeliu" (I Reis, 15, 26). " o Senhor te repeliu": que coisa terrível!!! Reflitamos também sobre o exemplo do rei Baltasar, que achando-se num festim a profanar os vasos do templo, viu mão misteriosa a escrever na parede: Mane, Thecel, Fhares. Veio o profeta Daniel e explicou assim as palavras: "Foste pesado na balança e achado demasiadamente leve" (Dan. 5, 27), dando-lhe a entender que o peso de seus pecados havia inclinado até ao castigo a balança da justiça divina. E, com efeito, Baltasar foi morto naquela mesma noite. 
Monte das Oliveiras, à direita vê-se um antiquíssimo
cemitério judeu. No meio da foto, um pouco abaixo do
cume, vê-se a capela "Dominus Flevit". Na subida do
asfalto, na primeira curva, vê-se o túmulo de Absalão.
    Mas, caríssimos, meditemos sobretudo nas palavras do manso Cordeiro de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, ao avistar Jerusalém e chorar: "Ah! Se tu conhecesses, ao menos neste teu dia, o que te pode trazer a paz! Mas agora isto está encoberto aos teus olhos. Porque , dias virão sobre ti, em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão e por todos os lados te apertarão. Arrasar-te-ão a ti e a teus filhos, que estão dentro de ti e em ti não deixarão pedra sobre pedra, porque tu não conheces o tempo de tua visitação". 
   Ó se tivéssemos reconhecido sempre o momento em que o Senhor nos visitou com a sua graça! Ah! se abríssemos sempre de par em par a porta de nosso coração à ação da graça divina! Procuremos, caríssimos, recomeçar hoje de novo, resolvidos outrossim, a recomeçar todas as vezes que nos acontecer ceder à natureza. E Aquele único que nos pode trazer a verdadeira paz, a felicidade e a santificação, premiará esta nossa adesão contínua aos impulsos da graça. Amém! 
   
   

EVANGELHO DO 9º DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES



S. Lucas XIX, 41-47

Não desprezar a graça porque, um dia, será a última! 

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!   
     
É o que nos ensina o santo Evangelho de hoje: NÃO DESPREZAR A GRAÇA PORQUE, UM DIA, SERÁ A ÚLTIMA.

Trata-se da entrada triunfal de Jesus em  Jerusalém. A última visita do Salvador a esta cidade, pois, naquela semana vai ser preso, condenado, sofrer e morrer numa cruz.

Em Jerusalém, os inimigos do Salvador ouvem falar com desgosto do milagre da ressurreição de Lázaro, que é o assunto de todas as conversas, e que atrai tanta consideração Àquele cuja glória os ofusca; exaspera-os o contentamento que mostram os admiradores de Jesus, e sua diligência em sair da cidade para ir ao seu encontro. Há também os indiferentes, entregues aos negócios ou prazeres; estes ligam pouco importância às questões religiosas, quase não prestam atenção a tudo o que se diz.

Fora de Jerusalém, há numerosos grupos, que manifestam à porfia seu respeito e amor para com o glorioso filho de Davi que passou fazendo o bem. Imaginemos o contentamento dos Apóstolos, porque, afinal, se faz justiça ao seu bom Mestre; ei-Lo agora honrado como merece.

Mas Nosso Senhor Jesus Cristo, cuja presença causa este contentamento e a quem se dirigem todos estes cantos de triunfo, só Ele descobre um motivo de tristeza nestas aparências lisonjeiras. E, assim, vendo a cidade de Jerusalém, chora. Caríssimos, Jesus chora sobre a cidade que vai crucificá-Lo, e nós sabemos que Ele anseia ver chegar a ocasião, em que nos há de batizar no seu sangue. Qual é a causa destas lágrimas, se Ele deseja a cruel morte, que se seguirá ao seu triunfo, dentro daquela mesma semana? É que este terno e generoso amigo ama os seus sofrimentos, porque nos salvam; mas os nossos males é que Lhe arrancam tantas lágrimas. Caríssimos, será que este amor e estas lágrimas não nos comoverão?

Igreja "DOMINUS FLEVIT" construída no local onde
Jesus chorou. Reparai que o artista quis representar as
lágrimas na decoração da cúpula.
O Filho de Deus, lembrando-se de tudo o que fez pela cidade culpada, e do que ela vai fazer para encher a medida dos seus crimes, não se contenta com chorar sobre ela; mas para nos instruir, quer que todos conheçamos a causa das suas lágrimas. Jesus aflige-se porque prevê o novo abuso que Jerusalém vai fazer das suas graças, não se aproveitando desta última visita: "Se ao menos neste dia, que te é dado, conhecesses ainda o que te pode trazer a paz! Mas agora tudo isto está encoberto aos teus olhos! Porque virá um tempo funesto para ti: no qual teus inimigos te cercarão de trincheiras e te sitiarão; e te apertarão por todos os lados: e te arrasarão, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo da tua visita".  Não conclui: suas lágrimas, seu silêncio dizem o resto.

Caríssimos, não há pecador que não possa voltar para Deus, mas é mister que queira. Si se obstina, os dias de ira substituirão os dias de misericórdia. Que pensar do réu, que despreza seu juiz, ainda quando este, chorando, parece dizer-lhe: "Evitai-me a dor de vos condenar, porque bem vedes que vos amo?"

E ainda não terá passado o tempo da misericórdia para aquele povo de Jerusalém? Não, mas passará brevemente; não falta senão um dia! E, caríssimos, uma vida inteira, comparada com a eternidade, não é mais do que um dia! Se durante este dia favorável, se diante desta graça definitiva, Jerusalém, abrindo finalmente os olhos à verdade, recebesse o seu libertador com a mesma boa vontade que a gente que formava seu cortejo; se todos os seus habitantes concorressem, como deviam, a esta ovação, o triunfo de Jesus teria sido completo. Ele manifestaria sua alegria, em lugar de derramar lágrimas. Mas, como profetizou Jesus: "Isto está encoberto aos seus olhos!". Não pode haver castigo maior neste mundo do que este: a cegueira espiritual advinda do orgulho que não quer reconhecer a verdade! Jerusalém obstinara-se e endurecera-se. Não quer ver nem os bens que perde, nem os males que atrai sobre si, nem os crimes que cometeu, nem o que viria a cometer. Na verdade, deixou passar o tempo da salvação.

 Todos os castigos preditos por Jesus caíram sobre aquela cidade. No ano 70, Tito, imperador romano, sitiou e destruiu inteiramente Jerusalém. Basta lermos o que o historiador judeu Flávio Josefo nos descreve minuciosamente. E é este judeu renegado que nos diz que, uns meses depois da catástrofe, o imperador Tito, ao voltar do Egito para a Palestina, passou por Jerusalém "e, ao comparar a triste solidão que substituíra a antiga magnificência, deplorou o desaparecimento daquela grande cidade e, longe de se desvanecer por a ter destruído, apesar da sua fortaleza, como teria feito qualquer outro, maldisse os culpados que haviam iniciado a revolta e provocado aquele espantoso castigo".

Mas isto era apenas o castigo material; pensemos nos castigos espirituais. Caríssimos, compreendei pelas lágrimas de Jesus, a desgraça da impenitência, a desordem das paixões, a malícia do pecado, a loucura das alegrias mundanas, a profanação dos templos, mas compreendei, outrossim, a caridosa compaixão do Coração de Jesus. Aprendei desta profunda aflição a sua excessiva ternura para com todos os homens, e quanto lhe é dolorosa a perdição dos pecadores. Supliquemos ao Divino Redentor a graça de chorar com Ele a triste sorte daquelas almas que Ele ama até morrer para as salvar, e que não salvará, nem mesmo morrendo por elas! Rezemos e façamos penitência pela conversão dos pecadores, porque Nossa Senhora ensinou em Fátima que muitos se condenam porque não há quem reze e faça penitência por eles.  

No interior da igreja que vemos acima há este mosaico para
lembrar estas palavras de Jesus: "Jerusalém, Jerusalém,
quantas vezes eu quis juntar teus filhos como a galinha
recolhe debaixo das asas seus pintainhos, e tu não
quiseste". 
Caríssimos, para todos nós, haverá também a última visita de Jesus, a graça definitiva. E profundamente tocados, meditamos nestas palavras de Santo Agostinho: "Timeo Jesum transeuntem et non redeuntem", "Temo a Jesus que passa e não volta mais". Deus nos faz diversas visitas na vida, visitas mais marcantes que aquelas que recebemos d'Ele todos os dias. Por exemplo: é a primeira comunhão, é a época do casamento ou, seguindo a vocação especial de Deus, a entrada para o seminário, o dia da ordenação sacerdotal, ou da profissão para os religiosos. Pode ser também um revés na fortuna, uma doença, a perda de um amigo, de um parente. É uma missão, um retiro espiritual, uma peregrinação, um sermão ou artigo tocante, ou mesmo uma possante moção interior da graça às vezes até sem causa exterior aparente. Caríssimos, felizes aqueles que sabem reconhecer este tempo da visita do Senhor! Sua salvação está assegurada; pois, ela dependia desta graça particular e que não ficou vã, mas foi aceita com generosidade. Assim foi a aparição da estrela para os Reis Magos!  Por outro lado, quão infelizes aqueles que não reconhecem Jesus quando Ele vem a eles, quando Jesus bate a porta de seus corações e eles não Lha abrem e até o rejeitam como um estranho que nunca teriam visto. E Jesus passa adiante, e, algumas vezes, não volta mais; foi aquela a última visita, o último recurso de sua misericórdia. Não mais as graças de escol, não mais os apelos prementes, não mais os convites tocantes. O pecador se endurece, e se afunda mais e mais no mal. Seu coração ficou duro e frio como granito. Seus olhos se obscureceram. Não vê e nem gosta mais do bem! Ó que estado lastimável, que faz chorar a Jesus e aos seus fiéis ministros!!! O que Jesus disse a respeito de Jerusalém, com certeza diz em relação a tais pecadores que rejeitam suas graças: "Jerusalém, Jerusalém, quantas vezes Eu quis juntar teus filhos como a galinha recolhe debaixo das asas os seus pintainhos e tu não quiseste!" (S. Mateus XXIII, 37).

Oh! amantíssimo Jesus, fazei-me compreender que a verdadeira paz não consiste nem devo procurá-la na ausência de dificuldades, na condescendência com os meus desejos, mas na total adesão à Vossa vontade e na docilidade às inspirações do divino Espírito Santo! Amém!

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

CATECISMO SOBRE A PRESENÇA REAL,dado pelo Santo Cura d'ARS

   Nosso Senhor está ali escondido à espera de que o venhamos visitar e fazer-lhe os nosso pedidos. Vede como Ele é bom!  Acomoda-se à nossa fraqueza... No céu, onde estaremos triunfantes e gloriosos, vê-Lo-emos em toda a sua glória; se Ele se apresentasse agora com essa glória diante de nós, nós nem ousaríamos aproximar-nos d'Ele; mas Ele se oculta como uma pessoa que estivesse numa prisão, e diz-nos: "Vós não me vedes, mas isto não importa! Pedi-me tudo o que quiserdes, eu vo-lo concederei" Ele está ali no seu sacramento de amor a suspirar e a interceder incessantemente junto a seu Pai pelos pecadores. A que ultrajes não está exposto para ficar no meio de nós? Está ali para nos consolar; por isso devemos visitá-Lo amiudadamente. Quanto um quarto de hora que roubamos às nossas ocupações, a algumas inutilidades, para virmos visitá-Lo, exorá-Lo, consolá-Lo de todas as injúrias que recebe, lhe é agradável! Quando Ele vê virem com afã as almas puras, sorri-lhes... Elas vêm com esta simplicidade que tanto lhe agrada, pedir-lhe perdão para todos os pecadores, dos insultos de tantos ingratos. Que felicidade não sentimos na presença de Deus, quando nos achamos sós a seus pés, diante dos santos tabernáculos!... "Eis, minha alma, redobra de ardor! Estás sozinho para adorar a teu Deus; os seus olhares repousam sobre ti só..."Esse bom Salvador é tão cheio de amor por nós que nos procura por toda parte!...
   Atentai, meus filhos, quando acordardes à noite, transportai-vos em espírito para diante do tabernáculo, e dizei a Nosso Senhor: "Meu Deus, eis-me aqui! venho adorar-Vos, louvar-Vos, bendizer-Vos, agrdecer-Vos, amar-Vos, fazer-Vos companhia com os anjos!... Dizei as orações que souberdes, e se vos achardes na impossibilidade de rezar, escondei-vos por detrás do vosso bom anjo, e encarregai-o de rezar em vosso lugar.
   Meus filhos, quando entrardes na igreja e tomardes água benta, quando levardes a mão à fronte para fazer o sinal da cruz, olhai para o tabernáculo: Nosso Senhor Jesus Cristo entreabre-o no mesmo momento para vos abençoar.
   Ah! se nós tivéssemos os olhos dos anjos, vendo a Nosso Senhor Jesus Cristo que está aqui presente nesse altar, e que nos olha, como o haveríamos de amar! Não quereríamos mais separar-nos d'Ele; quereríamos ficar sempre a Seus pés; seria um antegozo do céu; tudo o mais se nos tornaria insípido. Mas vede!... é a fé que falta. Nós somos uns pobres cegos; temos névoa nos olhos. Só a fé poderia dissipar essa névoa. Daqui a pouco, meus filhos, quando eu segurar Nosso Senhor nas mãos, quando o bom Deus vos abençoar, pedi-lhe, pois, que vos abra os olhos do coração; dizei-Lhe como o cego de Jericó: "Senhor, fazei que eu veja!"Alcançareis certamente o que desejais, porque Ele quer a vossa felicidade. Ele tem as mãos cheias de graças. procurando a quem distribuí-las, ai! e ninguém as quer!... Ó indiferença! ó ingratidão!... Meus filhos, nós somos demasiado infelizes de não compreendermos estas coisas! Compreedê-la-emos bem uma vez, mas já não será tempo!...
   Nosso Senhor está ali como vítima... por isso reparai! uma oração bem agradável a Deus é pedir à Santíssima Virgem que ofereça ao Pai eterno Seu divino Filho, todo sangrento, todo dilacerado, pela conversão dos pecadores: é a melhor oração que se possa fazer, visto que afinal todas as orações se fazerm em nome e pelos merecimentos de Jesus Cristo. Meus filhos, escutai bem isto: todas as vezes que eu alcancei uma graça, pedi-a dessa maneira; isto nunca falhou. Quando fizerdes a sagrada comunhão, deveis ter sempre uma intenção, e dizer, no momento de receber o Corpo de Nosso Senhor: "Ó meu bom Pai que estais no céus, ofereço-Vos neste momento Vosso querido Filho, tal qual o tiraram, como o desceram da cruz, como O depositarm nos braços da Santíssima Virgem, e como ela Vo-LO ofereceu em sacrifício por nós. Ofereço-Vos o Seu santíssimo Corpo, e pela boca de Sua Santíssima Mãe rogo-Vos a remissão dos meus pecados, a fim de alcançar tal ou tal graça: a fé, a caridade, a humildade..."
  Devemos ainda agradecer a Deus todas essas indulgências que nos purificam dos nossos pecados. Mas não se lhes presta atenção. Anda-se sobre as indulgências, poder-se-ia dizer, como depois da ceifa se anda por sobre os molhos de trigo. Vede: sete anos e sete quarentenas ouvindo o catecismo, trezentos dias recitando as Ladaínhas da Santíssima Virgem, a Salve Raínha, o Angelus. Enfim, Deus multiplica as suas graças: por isto, como sentimos, no fim da nossa vida, não as termos aproveitado!
   Quando estivermos diante do Santíssimo Sacramento, em vez de olharmos em derredor de nós, fechemos os olhos e abramos o coração; Deus abrirá o Seu. Nós iremos a Ele, Ele virá a nós, um para pedirr , o outro para conceder: será como o sopro de um a outro. Quanta doçura não achamos em nos esquecermos para buscar a Deus!.
   É como nos primeiros tempos em que eu me achava em Ars... Escutai bem isto, meus filhos: havia um homem que nunca passava diante da igreja sem entrar. De manhã, quando ia para o trabalho, à tarde, quando voltava, deixava à porta a pá e a picareta, e ficava longo tempo em adoração diante do Santíssimo Sacramento. Oh! eu gostava bem disto!...Perguntei-lhe uma vez o que é que ele dizia a Nosso Senhor durante as longas visitas que lhe fazia. Sabeis o que ele me respondeu: "Oh! senhor Cura, eu não digo nada a Ele. Eu olho para Ele e Ele olha para mim!..." ( Aqui as lágrimas interrompiam a voz do santo catequista). E ele prosseguia: "Como é belo, meus filhos, como é belo!!!"
   Os santos perdiam-se para não verem senão a Deus, não trabalharem senão para Ele. Esqueciam todos os objetos criados para só acharem a Ele: é assim que se chega ao céu...

CATECISMO SOBRE O SACERDOTE DADO PELO SANTO CURA D'ARS

   Meus filhos, chegamos ao sacramento da Ordem. É um sacramento que parece não dizer respeito a ninguém dentre vós, e que diz respeito a toda gente. Esse sacramento eleva o homem até a Deus. Que é o sacerdote? Um homem que ocupa o lugar de Deus, um homem que é revestido de todos os poderes de Deus. "Ide, diz Nosso Senhor ao sacerdote, assim como meu Pai me enviou, assim eu vos envio... Todo poder me foi dado no céu e na terra. Ide, pois, instruí todas as nações... Quem vos escuta a mim escuta; quem vos despreza a mim despreza".
   Quando o padre perdoa os pecados, não diz: "Deus te perdoe". Diz: "Eu vos absolvo". Na consagração, ele não diz: "Isto é o corpo de Nosso Senhor". Diz: "Isto é o meu corpo".
   São Bernardo diz que tudo veio por Maria. Podemos dizer também que tudo nos veio pelo sacerdote: sim, todas as venturas, todas as graças, todos os dons celestes.
   Se não tivéssemos o sacramento da Ordem, não teríamos Nosso Senhor. Quem foi que o pôs aí neste tabernáculo? Foi o padre. Quem foi que recebeu vossa alma à entrada na vida? O padre. Quem a alimenta para lhe dar a força de fazer a sua peregrinação? O padre. Quem a prepara para comparecer perante Deus, lavando essa alma pela primeira vez no sangue de Jesus Cristo? O padre, sempre o padre. E se essa alma vier a morrer, quem a ressuscitará? Quem lhe restituirá a calma e a paz? Ainda o padre. Nos vos podeis lembrar de um só benefício de Deus sem encontrardes, ao lado dessa lembrança, a imagem do padre.
   Ide-vos confessar à Santíssima Virgem ou a um anjo: eles vos absolverão? Não. Dar-vos-ão o corpo e o sangue de Nosso Senhor? Não. A Santíssima Virgem não pode fazer descer seu divino Filho à hóstia. Tivésseis aí duzentos anjos, e eles não poderiam absolver-vos. Um padre, por mais simples que seja, pode-o; pode dizer-vos: "Ide em paz, eu vos perdôo". Oh! como o padre é alguma coisa de grande!
   O padre só será bem compreendido no céu... Se o compreendêssemos na terra, morreríamos, não de pavor, mas de amor...
   Os outros benefícios de Deus de nada nos serviriam sem o padre. De que serviria uma casa cheia de ouro, se não tivésseis ninguém para vos abrir a porta? O padre tem as chaves dos tesouros celestes; é ele quem abre a porta; ele é o ecônomo de Deus, o administrador dos seus bens.
   Se não fosse o padre, a morte e a paixão de Nosso Senhor de nada serviriam. Vede os povos selvagens: de que lhes serviu que Nosso senhor morresse? Ai! eles não poderão ter parte nos benefícios da redenção enquanto não tiverem padres para lhes fazerem a aplicação do seu sangue.
   O padre não é padre para si; não dá a si a absolvição, não administra a si os sacramentos. Ele não é para si, é para vós.
   Depois de Deus o sacerdote é tudo!... Deixai uma paróquia vinte anos sem padre, adorarão ali os animais.
   Se o senhor missionário e eu fôssemos embora, vós diríeis: "Que fazer nesta igreja? Não há mais missa. Nosso Senhor não está mais nela, tanto vale rezar em casa..."
   Quando se quer destruir a religião, começa-se por atacar o padre, porque onde quer que não haja mais padre, não há mais sacrifício, e onde não há mais sacrifício, não há mais religião.
   Quando um sino vos chama à igreja, se vos perguntassem: "Onde ides?" Poderíeis responder: "Vou alimentar minha alma". Se vos perguntassem, mostrando -vos o tabernáculo: "Que é essa porta dourada? É a copa: é o guarda-comida de minha alma. Quem é que tem a chave dele, quem faz as provisões, quem apronta o festim, quem serve à mesa? É o padre. - E a comida? - É o precioso Corpo de Nosso Senhor..." Ó meu Deus, meu Deus, como nos amastes!
   Vede o poder do padre! A língua do padre, de um pedaço de pão faz um Deus! É mais que criar o mundo. Alguém dizia: "Santa Filomena obedece então ao Cura d'Ars? Certo, ela bem pode obedecer-lhe, já que Deus lhe obedece.
   Se eu encontrasse um padre e um anjo, cumprimentaria o padre antes de cortejar o anjo. Este é amigo de Deus, mas o padre faz as vezes de Deus... Santa Teresa beijava o lugar por onde um padre havia passado...
   Quando virdes um padre, deveis dizer: "Eis aquele que me tornou filho de Deus e me abriu o céu pelo santo batismo, aquele que me purificou depois do meu pecado, que dá a comida a minha alma..." À vista dum campanário, podeis dizer: "Que há ali? - O corpo de Nosso Senhor. - E por que está ele ali? - Porque um padre passou por ali e disse missa".
   Que alegria tinham os apóstolos depois da ressurreição de Nosso Senhor, por verem o Mestre que tanto haviam amado! O padre deve ter a mesma alegria vendo Nosso Senhor que ele segura nas mãos...  Dá-se grande valor aos objetos que foram depositados na escudela da Santíssima Virgem e do Menino Jesus em Loreto. Mas os dedos do padre, que tocaram a carne adorável de Jesus Cristo, que mergulharam no cálice onde esteve o seu sangue, no cibório onde esteve o seu corpo, não são porventura mais preciosos?...
   O sacerdote é o amor do Coração de Jesus. Quando virdes o padre, pensai em Nosso Senhor Jesus Cristo.

domingo, 4 de agosto de 2019

HOMILIA DOMINICAL - 8º Domingo depois de Pentecostes

Leitura: Epístola aos Romanos VIII, 12-17.
              Evangelho segundo São Lucas XVI, 1-9. 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   No Santo Evangelho de hoje, através da parábola do "Feitor infiel" Nosso Senhor Jesus Cristo quer exortar-nos, a nós os "filhos da luz" a não sermos menos hábeis em olhar pelos interesses eternos do que "os filhos das trevas" em assegurar os bens deste mundo.
   Sob a imagem de um ecônomo, que chama infiel, o Divino Mestre nos faz ver o cuidado que devemos ter em assegurarmos uma boa morte, e como o melhor meio de a conseguir é a prática das obras de misericórdia. Certo ecônomo, diz Jesus Cristo, ao serviço de um rico proprietário, vendo que ia ser despedido, por causa da sua má administração, recorre a um expediente injusto, porém hábil, a fim de converter os devedores de seu amo em amigos que, no momento oportuno, o recebam em sua casa. Assim o pecador deve empregar todos os meios para ser recebido, depois da morte, nos tabernáculos eternos, ou seja, no Céu. Tal é o sentido da parábola que lemos em São Lucas XVI, 1-9.
   O homem rico é a figura de Deus, Senhor absoluto de todas as riquezas que possuem os anjos no céu,,e os homens na terra. O ecônomo é todo o homem que está neste mundo. Se o homem aqui na terra é considerado proprietário diante dos outros homens, não o é diante de Deus, mas apenas um administrador, um simples ecônomo. Tudo o que possuímos, de fato, não nos pertence, pois tudo nos foi confiado por Deus, a quem havemos de prestar contas.
   À hora da nossa morte, encontraremos um livro onde se acha notado, com rigorosa precisão (um copo d'água, uma palavra ociosa etc.) todo o nosso ativo e todo o nosso passivo; todo o bem e todo o mal. 
  Como o ecônomo infiel, seremos também acusados, diante de Deus, pelo demônio e pelos nossos próprios pecados.
   O pecador é chamado ao tribunal de Deus pela voz dos superiores, pelos bons exemplos que recusa imitar, pelos conselhos e salutares avisos dos seus amigos, pelas inspirações da graça, pelo remorso da consciência e, finalmente, pela morte que se aproxima lentamente e cai de súbito sobre ele. A vida inteira nos é concedida para regular as nossas contas, e podemos fazê-lo pelo exame de consciência e pela confissão sacramental. 
   -Presta-me contas da tua administração. Esta intimação será feita, um dia, a cada um de nós, à hora da morte. Para uns será horrível, como o prelúdio do castigo; para outros será cheia de consolação, como o anúncio da recompensa - Depois da morte já não podemos exercer a nossa administração, é já passado o tempo de expiar os nossos pecados. É agora, enquanto temos vida, tempo e saúde, que devemos refletir - Que hei de fazer? Agora não nos faltam os meios, e se refletirmos seriamente, logo encontraremos a resposta - Já sei o que devo fazer. No dia do Juízo o pecador dirá também - Que hei de fazer? mas será um grito de desespero, a sua perda é irremediável.
   Trabalhar cavando a terra, exposto ao sol e à chuva, é o penoso trabalho da penitência e da mortificação. Mendigar é orar, é suplicar o necessário para alimento da nossa alma.
As sete obras de misericórdia corporais
   Se, porém, não temos força ou coragem para as duras penitências da vida cristã, se não temos tempo e vagar para longas orações, podemos sempre praticar outras boas obras, fazer esmolas ainda mesmo do pouco que possuímos. Qual o pobre que não pode dar a outro pobre o óbulo da viúva ou ainda um copo d'água? A esmola é, pois, um grande meio de salvação, sem excluir, todavia, a penitência e a oração que, segundo as circunstâncias, nos for permitido fazer. 
   Caríssimos, vê-se bem a astúcia deste mau servo da parábola. Perdoando a uns mais do que a outros, toma precauções para que não seja descoberta a sua fraude. Além disso, ele conhecia talvez as disposições de cada um, e procede com toda a prudência, habilidade e espírito de previdência. Enquanto o ecônomo não tinha o direito de dispor dos bens de seu amo, nós recebemos de Deus, não somente uma permissão, mas ainda uma ordem formal de distribuir com largueza e liberalidade, os bens corporais e espirituais que Ele nos confiou. Quis o Divino Mestre fazer-nos compreender, diz Santo Agostinho, que se aquele mau servo é elogiado por saber acautelar os seu interesses, com mais razão seremos nós agradáveis a Deus, se, conformando-nos com a lei divina, praticarmos as obras de misericórdia.
   Jesus fala de "riquezas injustas",isto é, enganadoras, mentirosas. São assim chamadas porque são às vezes mal adquiridas, ou porque são mal empregadas, e, neste sentido, são a fonte de muitas injustiças. Em si mesma, porém, a fortuna é um dom de Deus, é uma graça que convém aproveitar para a nossa salvação, proporcionando-nos a amizade dos pobres, conquistando-nos o coração de Jesus que neles se incarna e representa. 
   Caríssimos e amados fiéis, quem tem pouco, dê pouco; quem tem muito, dê muito. Lembrai-vos que os bens desta terra em vossas mãos são perdidos para a eternidade; mas depositados nas mãos dos pobres e dos amigos de Nosso Senhor, frutificarão ao cêntuplo, resgatarão vossos pecados, e vos valerão o paraíso. Amém!
   

EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS DE SANTO INÁCIO DE LOIOLA

   Os Exercícios Espirituais de Santo Inácio, (isto é, o Retiro) constitui uma verdadeira Arte de duas coisas: para converter o pecador e para a escolha de estado, ou seja, para descobrir a vocação e a ela ser fiel. 

   Há uma frase de Santo Agostinho que substancialmente resume o que é o Retiro: "Est hominis iter ad Deum, per Deum-Hominem". Em português: É para o homem o caminho para se chegar a Deus através do Deus-Homem. Em outras palavras: O homem é um viajante, o ponto de partida é o pecado do qual o homem deve ficar limpo e fortificado contra ele para não cometê-lo de novo. Feito isto, o homem caminha para Deus que é o termo da nossa viagem, e o caminho que conduz a este termo, é o Homem-Deus, é Nosso Senhor Jesus Cristo. 

   A primeira etapa do caminho é a chamada Via Purgativa que consiste em meditar as verdades que nos purificam e ensinam-nos a combater, a destruir o pecado, seja em si, seja em suas causas. O Retiro é constituído de quatro semanas ou melhor, quatro séries de meditações. A primeira (deformata reformat= reforma o que está deformado): tem por fim destruir o império do pecado e reformar o que havia de desordenado. 

   A segunda semana ou série (reformata conformat= as coisas reformadas são conformadas às virtudes de Nosso Senhor Jesus Cristo). Como Jesus Cristo é a nossa Luz, esta série de meditações tem por finalidade conformar a nossa vida á de Jesus Cristo que é nosso modelo. Ele torna-se a forma interior e exterior do verdadeiro cristão. Esta semana do Retiro corresponde à Via Iluminativa. A alma é iluminada pelas virtudes do Divino Mestre, que é Luz, Verdade e Vida. 

   A terceira semana ou série (conformata confirmat = as coisas conformadas, são confirmadas). É uma série de meditações sobre a Paixão e Morte do Salvador, justamente para firmar a alma nas suas generosas resoluções de imitar as virtudes de Nosso Senhor Jesus Cristo. Estas meditações são as mais próprias para nos levar ao arrependimento perfeito dos nossos pecados e ao mesmo tempo, levados em primeiro lugar pelo amor de Deus, continuar odiando e evitando o pecado e ao mesmo tempo, também por amor, ficar firme na imitação das virtudes de Nosso Divino Salvador. 

   A quarta semana ou série (confirmata transformat = as coisas confirmadas, são transformadas). Aplicando-nos a contemplar o Filho de Deus na sua vida gloriosa, tende a transformar-nos neste divino objeto do nosso amor.  Por isso é chamada Via Unitiva. O normal seria que no fim do Retiro a alma pudesse exclamar com São Paulo: "Vivo, mas já não sou eu que vivo, é Jesus que vive em mim". "A minha vida é Jesus"; "Agora, só quero viver por Aquele que morreu por mim". 

   Mesmo quando se prega o Retiro para o povo, o pregador procura fazer alguma meditação correspondente a estas 4 séries. Como devemos ter a humildade de reconhecer que somos pecadores, nunca se pode deixar de fazer pelo menos umas cinco ou seis meditações correspondente à Via Purgativa. Do contrário, o Retiro pode ser até mais agradável, mas com certeza não terá a força própria do Retiro. Pois, como vimos no início, destruir e evitar o pecado deve ser o ponto de partida. Assim como não adiantaria trocar o telhado de uma casa ou pintá-la, se os alicerces estão abalados. É a alegria ilusória de estar morando numa casa nova, quando na realidade, continua correndo o risco da ruína. 

  É evidente, que uma alma assim preparada e unida a Deus tem todas as condições de ouvir a voz de Nosso Senhor que a chama para uma consagração especial a Ele. 

  Além das meditações como acabamos de explicar, o Santo Retiro, tem o recolhimento, o silêncio, a solidão; Assim a alma tem todas as condições de ouvir e seguir o voz de Deus. Porque, na verdade, como diz a Sagrada Escritura: Deus não está na agitação e no barulho. "Conduzirei a alma à solidão e ali lhe falarei ao Coração" (Oséas II, 14). 

EXEMPLO

   Um sacerdote, exorcizando um possesso, obrigou o demônio a declarar, qual a coisa que mais temia. Disse: "Tenho medo da oração, do jejum, da esmola, da confissão, da comunhão, mas muitas pessoas rezam tão mal, jejuam e dão esmolas por vaidade, confessam-se e comungam sem fruto, de sorte que pouco me incomodo com estas coisas; tenho porém horror ao retiro, é ele que me arrebata tantas almas e é tão difícil depois recuperá-las".