SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

É preciso resistir às pequenas tentações

Filotéia, Parte IV, c. VIII


   Ainda que tenhamos que combater contra as grandes tentações com ânimo inquebrantável e a vitória nos seja de suma utilidade, é todavia ainda mais útil combater as pequenas, cuja vitória por causa de seu número pode trazer tanta vantagem como a daqueles que venceram felizmente grandes tentações. Os lobos e os ursos são certamente mais para temer do que as moscas; as moscas,  porém, são mais importunas e experimentam mais a nossa paciência. É fácil não cometer um homicídio; mas é difícil repelir continuamente os pequenos ímpetos de cólera, que se oferecem em todas as ocasiões. É fácil a um homem ou a uma mulher não cometer adultério; mas não há igual facilidade em assim conservar a pureza dos olhos, não dizer ou ouvir com prazer nada daquilo que se chama adulações, galanteios, não dar nem receber amor ou pequeninas provas de amizade.

   É bem fácil não dar rival ao marido, nem rival à mulher, quanto ao corpo. Mas não é assim fácil não o dar quanto ao coração. É bem fácil não manchar o tálamo nupcial, mas bem difícil manter ileso o amor conjugal. É fácil furtar os bens do próximo; mas dificultoso é não os desejar e cobiçar. É fácil não levantar falsos testemunhos em juízo; mas difícil não mentir em conversas; fácil é não embriagar-se, difícil ser sempre sóbrio; é bem fácil não desejar a morte ao próximo, difícil contudo não desejar a sua incomodidade; fácil é não difamar alguém, mas é difícil não desprezar. Enfim, essas pequenas tentações de cólera, de suspeitas, de ciúmes, de invejas, de amizades tolas e vãs, de duplicidades, de vaidades, de afetação, de artifícios, de pensamentos maus, tudo isso, digo, forma o exercício cotidiano, mesmo das almas mais devotas e resolvidas a viver santamente. Por isso, Filotéia, ao passo que nos devemos mostrar generosos em combater as grandes tentações, quando aprecem, é muito necessário que nos preparemos cuidosamente para as pequenas tentações, convictos de que as vitórias que obtivermos assim de nossos inimigos ajuntarão outras tantas pedras preciosas à coroa que Deus nos prepara no paraíso.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

MEIOS CONTRA AS GRANDES TENTAÇÕES

Filotéia, Parte IV, C. VII.

Hoje, 29 de janeiro, celebra-se, pelo calendário tradicional, a festa de São Francisco de Sales. Pela pregação, pelos escritos, por um zelo incansável e, sobretudo, pela mansidão converteu setenta e dois mil hereges protestantes. Enfrentou corajosamente, em controvérsias públicas, muitos teólogos protestantes, e os convenceu pelo apostolado da verdade. 

  "Logo que notes una tentação, imita as criancinhas que, vendo um lobo ou um urso, se lançam nos braços do pai ou da mãe ou ao menos os chamam em seu socorro. Recorre assim a Deus e implora o socorro de sua misericórdia: este é o meio que Nosso Senhor mesmo nos indica nas palavras: Orai, para não cairdes em tentação.

   Se a tentação continua e se torna mais forte, abraça em espírito a santa cruz, como se estivesses vendo Jesus Cristo diante de ti; protesta-Lhe que não hás de consentir; suplica-Lhe que te defenda do inimigo e continua renovando esses protestos e súplicas até que passe a tentação.

   Fazendo estes protestos, não penses tanto na tentação mesma, mas olha unicamente para Jesus Cristo; porque, detendo com ele o teu espírito, poderia facilmente, se é forte, arrebatar o teu coração. Dá, pois, uma outra direção aos teus pensamentos, ocupando-te com alguma reflexão boa e louvável, que poderá também extinguir todo o deleite da tentação, pela posse que tomará de teu coração.

   O grande meio de vencer todas as tentações, grandes e pequenas, é abrir o coração a um diretor espiritual, pondo-o a par das sugestões do inimigo e das impressões que deixam. O silêncio é, pois, a primeira condição que o inimigo impõe àquele que quer seduzir, à semelhança do libertino que, querendo seduzir uma mulher ou uma moça, antes de tudo lhe sugere ocultar tudo a seu marido ou a seu pai; conduta do demônio, inteiramente oposta à de Deus, que quer que até as suas inspirações sejam examinadas pelo confessor e pelos superiores. Se a tentação ainda continua, importuna, a nos perseguir e aborrecer, nada mais temos que fazer senão recusar com generosa constância o nosso consentimento. Uma pessoa nunca se poderá casar, enquanto diz que não; e também uma alma nunca poderá ser vencida por uma tentação, enquanto recusa o seu consentimento.

   Não disputes com o inimigo e a todas as suas sugestões não lhe respondas senão com as palavras com que o Salvador o confundiu: Retira-te, Satanás, adorarás aos Senhor teu Deus e só a Ele servirás.

   Uma mulher honesta abandona honrosamente um homem desonesto, sem o olhar e sem lhe responder, voltando para o esposo o seu coração e renovando secretamente os sentimentos de fidelidade que lhe prometeu; a alma devota, atacada pelo inimigo, não deve estar aí e lhe dar respostas ou disputar com as tentações; basta-lhe voltar-se simplesmente para Jesus Cristo, seu esposo, e Lhe protestar que Lhe quer pertencer sempre e exclusivamente e com a mais perfeita fidelidade.


quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

TENTAÇÕES

   O Arcanjo São Rafael disse a Tobias: "Porque eras agradável a Deus, foi preciso que a tentação te experimentasse".

   Caríssimos, não rogueis a Deus que vos livre da tentação, pedi-Lhe antes a graça de sairdes vitorioso dela e de cumprirdes a santa vontade do Senhor. Tende confiança em Deus, e Deus combaterá, em vós, convosco e por vós. 

   É certo que um Pai de infinito amor, como Deus é, não permitirá nunca que seus filhos sejam tentados, senão para que mereçam e sejam recompensados.

   Ouçamos São Francisco de Sales: "Se o demônio continua a bater à porta do vosso coração, é sinal de que ainda lá não entrou". O inimigo não pega em armas, nem dá batalha a uma fortaleza já em seu poder. Se o combate continua, é uma prova certíssima de que a resistência continua também.

   Tendes receio de que sejais vencido ainda no meio do vosso triunfo? A origem do vosso receio nasce de confundirdes duas coisas: o sentimento e o consentimento, a imaginação e a vontade, sentir a tentação e consentir nela. A imaginação ordinariamente não depende da vontade. Diz Santo Agostinho: "É tanto da natureza do pecado ser voluntário que, sem a vontade, não há pecado".

   O deleite dos sentidos e a força da imaginação são às vezes tão violentas, que parece arrastarem o consentimento da vontade; mas não é assim: a vontade ressente-se, mas não consente; é combatida, mas não vencida. É a lei dos membros de que fala São Paulo, opondo-se à lei do entendimento. Por ela ressentimo-nos do que queremos; ora, é certo de que não queremos aquilo de que nos ressentimos. 

   Para cometer um pecado mortal são necessárias três coisas: 1. matéria grave; 2. pleno conhecimento da parte do espírito; 3. inteira malícia da vontade. Estas considerações servirão para sossegar-vos, quando se levantarem no vosso coração receios de terdes pecado; porque todas estas condições dificilmente se encontram nas almas que temem ao Senhor. Mas a perfeição deste sossego deve vir da obediência ao confessor ou diretor espiritual. 

   Nas tentações contra a fé e a pureza, não vos ocupeis em fazer atos diretamente contrários; mas, para lhes não aumentardes a violência, contentai-vos com erguer uma vista de amor para Deus; ocupai-vos em coisas exteriores (por ex. trabalho que gosta, música, jogo etc.); e, como se não fôsseis tentado, continuai a fazer o que estáveis fazendo, sem vos perturbardes um só instante e sem responderdes ao inimigo. Conservareis assim a paz do coração, e o demônio será confundido. Os mais doutos teólogos e os Padres da vida espiritual observam que o desprezo da tentação é um ato contrário mais eficaz do que a palavra. 

   Caríssimos, para completar o que acabei de escrever, lede com atenção os capítulos III e IV da Filotéia de São Francisco de Sales. 

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

A LIBERDADE HUMANA - ( 5 )

   Continuação dos excertos da Encíclica "Libertas Praestantissimum".

   37. Liberdade de consciência.

   "Uma outra liberdade que também muito alto se proclama é aquela a que dão o nome de liberdade de consciência. Se por isto se entende que cada qual pode indiferentemente, a seu bel-prazer, prestar ou deixar de prestar culto a Deus, os argumentos acima apresentados bastam para a sua refutação. Mas pode-se tomar também no sentido de que o homem, no Estado, tem o direito de seguir, segundo a consciência do seu dever, a vontade de Deus, e de cumprir os seus preceitos, sem que ninguém possa impedi-lo. Esta liberdade verdadeira, esta liberdade digna dos filhos de Deus, que protege tão gloriosamente a dignidade da pessoa humana, está acima de toda a opressão e de toda a violência, e foi sempre o objeto dos votos da Igreja e do seu particular afeto. Foi esta liberdade que os apóstolos reivindicaram com tanta constância, que os apologistas têm defendido nos seus escritos, que uma multidão inumerável de mártires consagrou com o seu sangue. E eles tiveram razão: o grande e justíssimo poder de Deus sobre os homens, e, por outro lado, o grande e supremo dever dos homens para com Deus encontram ambos nesta liberdade cristã um brilhante testemunho.

   38. Ela nada tem de comum com disposições facciosas e rebeldes, e de nenhum modo se poderá apresentá-la como refratária à obediência devida ao poder público; pois ordenar e exigir obediência às leis é um direito do poder humano somente enquanto este não está em desacordo com o poder divino, e se contém dentro dos limites que Deus lhe marcou. Ora, quando se dá uma ordem que está em aberta contradição com a vontade divina, então se afasta muito desses limites, e põe-se em conflito com a autoridade divina; portanto, é então justo não obedecer. 

   39. Mas os partidários do Liberalismo, que atribuem ao Estado um poder despótico e sem limites e proclamam que não é preciso ter Deus em conta alguma no modo de nos conduzirmos na vida, desconhecem absolutamente esta liberdade de que falamos; e tudo quanto se faz para a conservar, eles o consideram com feito em detrimento e contra o Estado. Se o que dizem fosse verdade, não haveria dominação, por tirânica que fosse, que se não devesse aceitar e sofrer". 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

A LIBERDADE HUMANA - ( 6 )

   Excertos da Encíclica de Leão XIII: "Libertas Praestantissimum".

   "O homem deve necessariamente permanecer todo inteiro em uma dependência real e incessante a respeito de Deus, e que, por consequência, é absolutamente impossível compreender a liberdade do homem sem a submissão a Deus e a sujeição à sua vontade. Negar esta soberania de Deus ou recusar a submissão a ela, não é modo de agir de homem livre, mas de quem abusa da liberdade com a revolta; e é precisamente duma tal disposição da alma que se constitui e nasce o vício do Liberalismo". 

   43. "E no que toca à tolerância, é estranho ver quanto se distanciam da equidade e da prudência da Igreja aqueles que professam o Liberalismo. Com efeito, concedendo aos cidadãos, em todos os pontos de que acabamos de falar, uma liberdade sem limites, ultrapassam dum salto a medida, e chegam ao ponto em que parece não haver mais atenções com a virtude e a verdade do que com o erro e o vício. E quando a Igreja, coluna e sustentáculo da verdade, mestra incorruptível dos costumes, crê seu dever protestar energicamente contra uma tolerância tão cheia de desordens e de excessos, e impedir o criminoso uso dela, acusam-na de faltar a paciência e à delicadeza. Procedendo assim, nem sequer advertem que fazem um crime daquilo precisamente que é mérito. De resto muitas vezes sucede que estes grandes defensores da tolerância são duros e intransigentes na prática, quando se trata do Catolicismo: pródigos de liberdades para todos, recusam a cada passo deixar à Igreja a sua liberdade". 

   Caríssimos e amados leitores, permitam-me algumas observações: 
   
   Na Encíclica "Notre Charge Apostolique" o grande São Pio X afirmou: "Os verdadeiros amigos do povo não são revolucionários, nem inovadores, mas tradicionalistas". 

    Os verdadeiros católicos são os verdadeiros tradicionalistas. (Com o Relativismo, Liberalismo, Naturalismo etc. a mentira impregnou e contaminou tudo de tal maneira que, ao falarmos até das coisas mais certas e óbvias, faz-se mister acrescentar o adjetivo "verdadeiro").  Mas voltando ao assunto: Hoje, desde o Concílio Vaticano II, prevaleceu-se a prática de elogiar as falsas religiões e seus fundadores e adeptos, enquanto os verdadeiros católicos são literalmente perseguidos dentro da Igreja. O que está acontecendo em São Fidélis, RJ, com relação à FSSPX, é uma demonstração disto.  Isto demonstra que os Liberais estão em postos elevados da Santa Madre Igreja.  E aqueles que quiserem viver piedosamente com Nosso Senhor Jesus Cristo, sofrerão perseguições. Mas, coragem, porque a Igreja é divina.  Sofre uma eclipse, mas todo eclipse passa.  O papa Honório I prejudicou á tradição, mas depois foi anatematizado por um Papa e santo, Leão II. E São Máximo que não seguiu a Honório naquelas coisas em que falhou e pelas quais foi anatematizado, foi canonizado.  Nosso Senhor permitiu tais fatos para nosso ensinamento! Rezemos e façamos penitência! 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Condições e impedimentos do Matrimônio

   Para contrair VALIDAMENTE o Matrimônio cristão é necessário estar livre de qualquer impedimento matrimonial dirimente, e dar livremente o próprio consentimento ao contrato do Matrimônio na presença do próprio pároco ou de um Sacerdote devidamente autorizado, e de duas testemunhas. 

   Para contrair LICITAMENTE  o Matrimônio cristão, é necessário estar livre dos impedimentos matrimoniais impedientes, estar instruído nas verdades principais da religião, e estar em estado de graça. Não estando em estado de graça, comete-se um sacrilégio, mas o Matrimônio é válido. 

   Só a Igreja tem o poder de estabelecer impedimentos e de julgar da validade do Matrimônio entre os cristãos, como só a Igreja pode dispensar daqueles impedimentos que Ela estabeleceu. Isto porque não se podendo separar no matrimônio cristão o contrato do Sacramento, também o contrato cai sob a alçada da Igreja, porque só a Ela conferiu Jesus Cristo o direito de promulgar leis e decisões acerca das coisas sagradas.
   E a autoridade civil não pode dissolver, com o divórcio, o vínculo do Matrimônio cristão porque a autoridade civil não pode ingerir-se em matéria de Sacramentos, nem separar o que Deus uniu. Portanto o casamento civil não é mais que uma formalidade prescrita pela lei para os cidadãos, a fim de dar e de assegurar os efeitos civis aos casados e aos seus filhos. Também um cristão não pode celebrar somente o contrato civil, porque este não é Sacramento, e portanto não é um verdadeiro matrimônio. 
   Por isso, se um cristão se contenta com fazer o ato civil, não celebrou um verdadeiro matrimônio, e, perante Deus e, por conseguinte, também perante a Igreja e todos os fiéis, ele não está casado, mas em estado de contínuo pecado e de escândalo, incapaz de receber a absolvição sacramental e, evidentemente, a comunhão. 

   Qual é a atitude da Igreja em relação aos divorciados recasados? 
   Responde o COMPÊNDIO DO CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA: 349 - Fiel ao Senhor, a Igreja não pode reconhecer como Matrimônio a união dos divorciados recasados civilmente. "Se alguém repudia sua mulher e se casa com outra, é adúltero com respeito à primeira; e se a mulher repudia seu marido e se casa com outro, ela é adúltera" (Mc 10, 11-12). Para com eles a Igreja tem uma atenta solicitude, convidando-os a uma vida de fé, à oração, às obras de caridade e à educação cristã dos filhos. Mas eles não podem receber a absolvição sacramental nem se aproximar da comunhão eucarística nem exercer certas responsabilidades eclesiais enquanto perdura essa situação, que objetivamente contraria a lei de Deus. 

   Para serem lícitos, os matrimônios mistos (ente católico e batizado não-católico) exigem a licença da autoridade eclesiástica. Os que têm disparidade de culto (entre católico e não-batizado) para serem válidos têm necessidade de uma dispensa. Em todo caso, é essencial que os cônjuges não excluam a aceitação dos fins e das propriedades essenciais do Matrimônio, e que o cônjuge católico confirme os compromissos, conhecido também pelo outro cônjuge, de manter a fé e de garantir o Batismo e a educação católica dos filhos. 

   ALGUNS EXEMPLOS DE IMPEDIMENTOS DIRIMENTES: Cânon 1083 § 1. O homem antes de 16 anos completos de idade e a mulher antes de catorze anos também completos não podem contrair matrimônio válido.
   Cânon 1085 § 1. Atenta invalidamente contrair matrimônio quem se encontrar ligado pelo vínculo de um matrimônio anterior, ainda que não consumado.
   Cânon 1086 § 1. É inválido o matrimônio entre duas pessoas, uma das quais tenha sido batizada na Igreja católica ou nela recebida e não a tenha abandonado por um ato formal, e outra não batizada. 
   Cânon 1087  Atentam invalidamente o matrimônio os que receberam ordens sacras.
   Cânon  1088 Atentam invalidamente o matrimônio os que estão ligados por voto público perpétuo de castidade emitido num instituto religioso. 
   Cânon § 1. Na linha reta de consanguinidade é inválido o matrimônio entre todos os ascendentes e descendentes, tanto legítimos como naturais.  

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

20 de janeiro: São Sebastião - Mártir (+ 287)

Extraído do Livro "NA LUZ PERPÉTUA", autor: Pe. João Batista Lehmann, S. V. D.

   Nascido em Narbone, na Gália, recebeu Sebastião a educação em Milão, terra natal de sua mãe. Cristão, nunca se envergonhou de sua religião. Vendo as grandes tribulações que os cristãos sofriam, as perseguições atrozes de que eram vítimas, alistou-se nas legiões do imperador, com a intenção de mitigar os sofrimentos dos seus irmãos em Cristo. A figura imponente, a prudência e bravura do jovem tanto agradaram ao imperador, que o nomeou comandante da guarda imperial. Nesta posição elevada, Sebastião se tornou o grande benfeitor dos cristãos encarcerados. Tendo entrada franca em todas as prisões, lá ia visitar as pobres vítimas do rancor e ódio pagão, e com palavras e dádivas consolava e animava os candidatos ao martírio. Dois irmãos, Marco e Marceliano, não se acharam com coragem de afrontar os horrores da tortura e, aconselhados pelos pais e parentes, resolveram-se a sacrificar aos deuses. Mal teve ciência disto, Sebastião procurou-os e com sua palavra cheia de fé, reanimou os desfalecidos e vacilantes, levando-os a perseverar na religião e antes sacrificar tudo que negar a fé. Profunda comoção apoderou-se de todos que assistiram a esta cena. Marco e Marcelino cobraram ânimo e prometeram a Sebastião fidelidade na fé até à morte. Uma das pessoas presentes era Zoé, esposa do funcionário imperial Nicostrato. Esta pobre mulher estava muda há seis anos. Impressionada pelo que presenciara, prostrou-se aos pés de Sebastião, procurando por sinais interpretar o que lhe desejava dizer. Sebastião fez o sinal da Cruz sobre ela e imediatamente Zoé recuperou o uso da língua. Ela e o marido converteram-se ao Cristianismo. Este exemplo foi imitado pelos pais de Marco e Marceliano, pelo carcereiro Cláudio e mais dezesseis pessoas. Todos receberam o santo Batismo das mãos do sacerdote Policarpo, na casa de Nicostrato.
   A conversão destas pessoas, em circunstâncias tão extraordinárias, chamou a atenção do prefeito de Roma, Cromâncio. Sofrendo horrivelmente de reumatismo, e sabendo que o pai de Marco e Marceliano pelo Batismo tinha ficado curado do mesmo mal, manifestou o desejo de conhecer a religião cristã. Sebastião deu-lhe as instruções necessárias, batizou-o, com seu filho, Tibúrcio e curou-o da doença. Tão grato ficou Cromâncio, que pôs em liberdade os cristãos encarcerados seus escravos, e renunciou ao cargo de prefeito. Retiraram-se da cidade para sua casa de campo, deu agasalho aos cristãos, acossados pela perseguição. 
   Esta recrudesceu de uma maneira assustadora. O santo Papa Caio aconselhou os cristãos que se sentiam com pouco ânimo de sofrer o martírio, que se retirassem da cidade antes da tempestade se desencadear. O mesmo conselho deu a Sebastião. Este, porém, nada disto quis saber e declarou preferir ficar em Roma, para animar e defender os irmãos nas grandes aflições. "Pois bem, meu filho - disse-lhe o Papa - fica na arena da luta, representando o defensor da Igreja de Cristo, sob o título de capitão imperial".
   Muito tempo não levou, e Diocleciano soube, por uns cristãos apóstatas, que Sebastião era cristão, e grandes serviços prestava aos outros cristãos encarcerados. Diocleciano repreendeu-o, e apelou para os sentimentos de honra de capitão, pois que tão mal agradecia os benefícios e distinções recebidas. Sebastião com respeito, mas também com franqueza se defendeu, apresentando os motivos que o determinaram a seguir a religião cristã e a socorrer os pobres perseguidos. O imperador, porém, insistiu na exigência, recorrendo a promessas, elogios e ameaças, para conseguir de Sebastião que abandonasse a religião de Cristo. Todas as argumentações e tentativas de Diocleciano esbarraram de encontro à vontade inflexível do militar. Sem mais delongas, deu ordem aos soldados que amarrassem os chefe a uma árvore e o asseteassem. A ordem foi cumprida imediatamente. Os soldados despiram-no, ataram-no a uma árvore e atiraram-lhe setas em tanta quantidade quanto acharam necessárias, para matar um homem e deixaram a vítima neste mísero estado, supondo-o morto.
  Alta noite chegou-se Irene, mulher do mártir Castulo, ao lugar da execução, para tirar o corpo de Sebastião e dar-lhe sepultura. Com grande admiração, encontrou-o ainda com vida. Sem demora deu providências para que o mártir fosse levado para sua casa, onde o tratou com todo o desvelo.
   Apenas restabelecido, o herói procurou o imperador e, sem pedir audiência, apresentou-se-lhe, acusando-o de grande injustiça, por condenar inocentes, como eram os cristãos, a sofrer e morrer. Diocleciano, a princípio, não sabia o que pensar e dizer pois tinha por certo que Sebastião não mais existia entre os vivos. Perguntando-lhe quem era, Sebastião disse-lhe: "Sou Sebastião e do fato de eu estar vivo, devias concluir que é poderoso o Deus, a quem adoro, e que não fazes bem em perseguir-lhe os servos". Diocleciano enfureceu-se com esta resposta e ordenou aos soldados que levassem a Sebastião ao foro e lá, na presença de todo o povo, o matassem com paus e bolas de chumbo. Os algozes cumpriram também esta ordem e, para subtrair o cadáver à veneração dos cristãos, atiraram-no à cloaca máxima. Uma piedosa mulher, Santa Luciana, porém, achou-o, tirou-o da imundície, e sepultou-o aos pés de São Pedro e São Paulo. Assim aconteceu em 287. Mais tarde, no ano de 680, as relíquias foram solenemente transportadas para uma basílica, construída por Constantino. Naquela ocasião grassava em Roma a peste, que vitimou muita gente. A terrível epidemia desapareceu na hora daquela transladação, e esta é a razão por que os cristãos veneram em São Sebastião o grande padroeiro contra peste. Em outras ocasiões se verificou o mesmo fato; assim no ano de 1575 em Milão, e 1599 em Lisboa, ficando estas duas cidades livres da peste pela intercessão do glorioso mártir São Sebastião.

REFLEXÕES
   São Sebastião vivia no meio de pagãos. Soldados e oficiais do exército romano eram sua companhia cotidiana. Inabalável na fé, não se deixava influir pelas opiniões, sarcasmos, críticas e calúnias daqueles que não eram cristãos. O mundo contemporâneo tem muitos sinais característicos do paganismo. Difícil é para um católico que pela posição social deve estar em contato contínuo com os pagãos modernos, conservar-se firme na fé e nos bons costumes. Muitos transigem, não achando força bastante para resistir às tentações perturbadoras, ou para enfrentar opiniões e ataques contra a religião. Preferem curvar-se, intimidados pelo respeito humano. Não imites este exemplo. Se todos forem adorar os bezerros de ouro, deves ir a Jerusalém, para adorar teu Deus, como fez o piedoso Tobias, que forçosamente havia de viver entre os infiéis. Se os outros querem trilhar o caminho do pecado, fica firme na prática da virtude, ou dize com o virtuoso Matatias: "Ainda que todas as gente obedeçam ao rei Antíoco, de tal sorte que cada um se aparte do jugo da lei do país e consinta nos mandamentos do rei: eu e meus filhos e meus irmãos obedeceremos à lei do nosso país. Deus de tal sorte nos defenda: nenhuma conveniência temos em deixar a lei, e as ordenanças de Deus". (1Macabeus, II, 19). 

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

A EPIFANIA

Livro "INTIMIDADE DIVINA" do P. Gabriel de S.ta M. Madalena, O. C. D.

   Ó pequenino Jesus, em Vós reconheço o Rei dos céus e da terra: fazei que eu Vos possa adorar com a fé e o amor dos Magos.

   1- "Hoje o mundo reconheceu Aquele que a Virgem deu à luz... Hoje refulge a festa da Sua manifestação" (BR.). Hoje Jesus manifesta-Se ao mundo como Deus.
   O Intróito da Missa introduz-nos diretamente neste espírito, apresentando-nos Jesus na majestade real da Sua divindade: "Eis que veio o soberano Senhor: Ele tem nas Suas mãos o cetro, o poder e o império". A Epístola (Is. 60, 1-6) prorrompe num hino de glória anunciando a vocação dos gentios à fé; também eles reconhecerão e adorarão em Jesus o seu Deus. "Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque veio a tua luz... E as nações caminharão à tua luz e os reis ao resplendor da tua aurora... Todos virão de Sabá trazendo ouro e incenso e publicando os louvores do Senhor". Já não se vê, à volta do presépio, a humilde presença dos pastores, mas o faustoso cortejo dos Magos que vieram do Oriente como representantes dos povos pagãos e de todos os reis da terra, para prestarem homenagem ao Deus Menino.
   Epifania (ou Teofania) quer dizer "manifestação de Deus"; e esta manifestação de Deus vemo-la realizada em Jesus que hoje Se manifesta ao mundo como seu Deus e Senhor. Já um primeiro prodígio, o da nova estrela aparecida no Oriente, revelara a Sua divindade; mas à recordação deste milagre que ocupa o primeiro lugar na liturgia deste dia, a Igreja junta mais dois: a água convertida em vinho nas bodas de Caná, e o Batismo de Jesus no rio Jordão, enquanto um voz, vinda do céu, atesta: "Este é meu Filho muito amado". "Três milagres ilustram o santo dia que hoje celebramos", canta a Antífona do Magnificat: três milagres que devem dispor-nos para reconhecer e adorar com fé viva, no Menino Jesus, o nosso Deus, o nosso Rei.

   2 - "Vimos a Sua estrela no Oriente e viemos com presentes adorar o Senhor". Nestes versículos da Missa de hoje está sintetizada a conduta dos Magos. Ver a estrela e pôr-se a caminho foi obra de um momento. Não duvidaram porque a sua fé era firme, segura e inteira. Não hesitaram perante a fadiga do longa viagem, porque o seu coração era generoso. Não deixaram para mais tarde, porque a sua alma estava pronta.
   No céu das nossas almas também aparece freqüentemente uma estrela: uma inspiração íntima e clara de Deus, que nos convida a um ato de generosidade, de desprendimento, a uma vida de maior generosidade, de desprendimento, a uma vida de maior intimidade com ele. Devemos saber sempre seguir a nossa estrela com a fé, com a generosidade e com a prontidão dos Magos. Seguida assim, conduzir-nos-á sem dúvida ao encontro do Senhor, far-nos-á achar Aquele que procuramos. Os Magos perseveraram na sua busca mesmo quando a estrela desapareceu aos seus olhos; da mesma forma devemos nós perseverar no bem mesmo através das trevas interiores: é a prova da fé, que somente se pode superar com um intenso exercício de fé pura e nua. Sei que Deus assim o quer, sei que Deus me chama e isto basta: Scio cui credidi et certus sum (II Tim. I, 12); sei quem é aquele em quem acreditei e aconteça o que acontecer nunca poderei duvidar d'Ele.
   Com estas disposições vamos com os Magos ao presépio. "E assim como aqueles ofereceram, dos seus tesouros, místicos dons ao Senhor, saibamos nós também tirar dos nossos corações dons dignos de Deus". (BR.)
   (...) Quereis, ó Jesus, que também eu leve ao Vosso presépio os presentes dos Magos: o incenso da oração, a mirra da mortificação e do sofrimento generosamente abraçado por Vosso amor, o ouro da caridade; caridade que faça o meu coração todo e exclusivamente Vosso... (...) Que brilhe também para mim hoje a Vossa estrela e me indique o caminho que a Vós conduz; que o dia de hoje seja igualmente para mim uma verdadeira Epifania, uma nova manifestação ao meu entendimento e ao meu coração. Quem mais Vos conhece, mais Vos ama, ó Senhor; e eu só desejo conhecer-Vos para Vos amar e me dar a Vós com uma generosidade cada vez maior.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

VIRGINDADE PERPÉTUA DE MARIA SANTÍSSIMA

   Por um singular privilégio de Deus, Maria foi mãe conservando sua virgindade antes do parto, durante o parto e depois do parto; durante toda a sua vida conservou intacta sua pureza original e virginal.

   A Virgindade perpétua de Maria, Mãe de Deus, é verdade de fé católica, dogma definido pela Santa Madre Igreja em seus concílios, especialmente o de Latrão (649) e o III de Constantinopla (680) que definiram a "ilibada virgindade de Maria, antes do parto, durante o parto e depois do parto".

   Como sempre, a Igreja foi haurir essa verdade na Bíblia e na Tradição, que são as duas Fontes da Revelação. 

   Os textos da Bíblia são claros: "Eis que a Virgem conceberá e dará à luz e o nome deste será Emanuel" (Emanuel=Deus conosco). (Isaías VII, 14). Pelo contexto se vê que Isaías designa esse acontecimento como um grande sinal de Deus, como um grande prodígio. Ora não há prodígio algum quando uma mulher tem filho deixando de ser virgem. O sentido desse oráculo de Isaías é confirmado por São Mateus que, depois de relatar a anunciação do anjo a Maria, acrescenta: "E tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que foi dito por Deus ao profeta: Eis que uma virgem..." (Mateus I, 22).

   Vamos especificar melhor: a) Antes do parto: Além do texto supra citado do Profeta Isaías VII, 14, podemos lembrar ainda alguns textos, como por exemplo: "O anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma Virgem (...) e o nome da Virgem era Maria... Maria disse ao anjo: Como se fará isso, pois eu não conheço varão? Respondendo o anjo disse-lhe: O Espírito Santo descerá sobre ti e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra" (Lucas I, 26 e 34-35).
   E virgem permaneceu, quando concebeu em seu seio o Filho de Deus; pois essa conceição foi "por obra do Espírito Santo" (Mateus I, 18), sem conhecer varão.

   b) Durante o parto: Com uma descrição delicadíssima, São Lucas nos persuade de que Maria conservou sua virgindade no ato mesmo de tornar-se Mãe do Salvador: "Chegou para ela o tempo do parto e deu à luz seu filho primogênito, envolveu-o em faixas e o pôs numa manjedoura" (II, 6). Maria, nesse relato, não aparece como sujeita às dores e fraquezas que são o preço natural da maternidade. É ela mesma quem presta os primeiros cuidados a Jesus recém-nascido. São Lucas não poderia ter falado assim, se Ela tivesse dado à luz de maneira comum.

   c) Depois do parto: é o que se conclui do mesmo texto de São Lucas já citado. Pelas palavras de Maria ao anjo vê-se claramente seu propósito de virgindade. Estando já desposada com José, Ela diz: "Como se fará isso, pois eu não conheço varão?" Em outras palavras: "Como me tornarei mãe, tendo o propósito de não conhecer varão?"

   Como seria possível que, depois do parto milagroso, Ela deixasse esse propósito, esse voto de virgindade? Tamanha ingratidão para com Aquele que milagrosamente lhe conservara a virgindade antes e durante o parto é inconcebível na Mãe de Deus. 

   Além disso, era de suma conveniência que o Filho Unigênito do Pai eterno fosse também, segundo a carne, o Unigênito da Mãe. 

   A Providência divina dispôs que Maria fosse casada para não ser apedrejada pelo povo, para ter um amparo quando fugiu para o Egito, e, segundo Santo Inácio de Antioquia, para que o demônio não descobrisse que Jesus era o Filho de Deus feito homem. 
   Assim como Deus empregou todo seu poder e amor para fazer para si a Mãe mais perfeita e mais bela possível, assim também preparou São José como um homem JUSTO para, sendo esposo de Maria, poder proteger sua virgindade e sua vida, como também a do Menino Jesus.  É claro que o mundo, ou seja, os homens animais (como os chama São Paulo) não percebem as coisas que são de Deus. 

   Vamos, para terminar, responder brevemente a algumas objeções:
   
   1ª) Mas a Bíblia fala que Jesus teve irmãos. Logo, Maria teve outros filhos.
   Resposta: A Bíblia se refere a quatro pessoas como "irmãos de Jesus". Mas, isso não permite concluir que sejam irmãos carnais de Jesus.

   De fato, três desses "irmãos de Jesus" têm seus pais nomeados na Bíblia: 
   1) Tiago: é Tiago, o Apóstolo (Gálatas. I, 19); o Menor (Marcos XV, 40), cujo pai é Alfeu (Mateus X, 3).
   2) José: é irmão carnal de Tiago, pois ambos são filhos de uma das três Marias que estiveram ao pé da Cruz (Mateus 27, 56) e cujo pai é também Alfeu. 
   3) Judas, o Tadeu: é também irmão de Tiago (Judas I, 1), cujo pai é Alfeu. São Lucas o chama de Judas de Tiago (VI, 16).

   O quarto dos "irmãos de Jesus" é Simão, cujos pais não estão na Bíblia. Mas o antigo historiador Hegezipo (séc. II) informa que ele é filho de Cléofas, esposo de Maria, "irmã da Mãe de Jesus" (nós estranhamos que duas irmãs tenham o mesmo nome, mas entre os hebreus isso às vezes acontecia) (João XIX, 25). É, pois, primo de Jesus.

   E, se Cléofas e Alfeu são nomes em hebraico e aramaico da mesma pessoa, como pensam muitos entendidos, os quatro são entre si irmãos carnais; e, em qualquer hipótese, primos ou parentes de Jesus.

   Além disso, a Bíblia nunca os chama "filhos de Maria", ao passo que só a Jesus chama "o filho de Maria" com o artigo (no original - Marcos VI, 3).

   De fato, é muito comum na Bíblia parentes próximos serem chamados de irmãos. Por ex.: Gênesis XII, 5 e XI, 28-31; Gênesis XXIX, 13 e 15; Levítico X, 4; Crônicas XXIII, 22 etc.

 É que na linguagem oriental não existe, ainda hoje, o termo equivalente a primo, sobrinho, tio, etc..., os quais são designados pelo mesmo nome de "irmãos". Por isso, devemos dizer que a questão não é de saber se Jesus teve outros irmãos, mas se Maria, Mãe de Jesus, teve outros filhos além de Jesus. E acabamos de provar na tese que não os teve.

  Mas costuma-se fazer outra objeção:

  2ª) São Lucas II, 7 diz que Jesus foi o primogênito. Logo, Maria teve outros filhos.
   Resposta: "Primogênito" é termo jurídico da Bíblia que tem significação bem determinada: é o primeiro filho, quer venham outo/outros, quer não. De fato, a Bíblia afirma que todo primogênito pertence de modo especial ao Senhor (Êxodo XXXIV, 19; XIII, 12). E ele devia cumprir, logo no primeiro mês, a lei do resgate (Números XVIII, 16). Não se esperava pelo segundo filho para que o primeiro fosse tido e tratado como primogênito a vida toda.

   Confirma isso o túmulo recém-descoberto de uma judia do I século com a inscrição: "Aqui jaz Arsinoé, morta ao dar à luz o seu primogênito".

   Portanto, Jesus é, ao mesmo tempo, o primogênito e o unigênito de Maria.

   Mas, ainda uma última objeção:

   3ª) São Mateus I, 25 diz: "José não a conheceu até que ela deu à luz". Isso não quer dizer que depois de dar à luz, José a teria conhecido?
   Resposta: A expressão "até que" é um hebraísmo da Bíblia. Eis apenas um exemplo (poderíamos dar muitos): "O coração do justo está firme e não temerá até que veja confundidos seus inimigos" (Salmo CXI, 8). Ora, se não temeu antes, não temerá depois. O sentido da frase é: "os inimigos serão confundidos sem que o coração do justo tema".
   Assim, São Mateus quis apenas afirmar que "Maria concebeu sem que José a tivesse conhecido".

   Outros exemplos poderão ser conferidos, vejam: Deuteronômio VII, 24; Sabedoria X, 14; Salmo 56, 2; Isaías XXII, 14; Mateus V, 18.