SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

terça-feira, 31 de março de 2020

GLÓRIA E PODER DE SÃO JOSÉ


31 de março

PRÁTICAS DE DEVOÇÃO A SÃO JOSÉ


 
 A devoção a São José é de uma grande riqueza e variedade de formas.  É certo que esta devoção, tão bela, nunca deve estar separada em nós da verdadeira devoção a Jesus e Maria. Façamos, pois, com que a invocação do nome do Santo Esposo de Maria e a sua lembrança, cada dia, a cada hora, em todas as circunstâncias de nossa vida sempre nos acompanhem. O conselho de Santa Teres é de uma eficácia maravilhosa: Recorrei a São José! Confiai em São José! Nunca haveis de recorrer em vão a São José! Pois o meio de incentivar e sustentar em nossa alma a chama de uma devoção fervorosa, é a fidelidade a algumas práticas que a experiência de alguns séculos de tantas almas santas prova serem meios poderosos para se alcançar a proteção do maior dos santos. 

   Em primeiro lugar a IMITAÇÃO : pois a glória dos santos está na imitação de suas virtudes. O santos são heróis para serem imitados e não apenas admirados. É verdade que nossa fraqueza nem sempre permite chegar à quele heroísmo e aos prodígios de virtude, de penitência extraordinárias de alguns deles. São José, porém, é mestre de uma escola de santidade, bem acessível à nossa pobre alma. Ensina-nos que, para agradar e servir a Jesus, não é mister fazer prodígios. Basta ser puro e simples, cumprir fielmente o dever de cada dia, custe o que custar, aceitar pacientemente a vontade de Deus nos sofrimentos, obedecer em tudo a lei divina e ter a mais pura das intenções. São José foi pobre operário, esposo fidelíssimo, pai amoroso de Jesus. Viveu no silêncio e no trabalho. O santo do dever. Quem não o pode imitar? Se não merecemos a glória e os privilégios do grande Patriarca, podemos merecer a graça de imitá-lo. Os Santos Padres Leão XIII e Pio IX apresentam São José à cristandade como modelo a ser imitado. Modelo de pai, consolo para as mães atribuladas na luta pela educação dos filhos. E hodiernamente,talvez mais do que nunca, como fará bem a estas mães, uma grande devoção a São José!. O Santo Patriarca é modelo para a juventude pela pureza mais do que angélica com Deus o adornou. Modelo dos operários pela fidelidade e honestidade do trabalho santificado e nobilitado na oficina de Nazaré. Modelo para os sacerdotes, pois José participou da realeza do sacerdócio. Teve em suas mãos o Verbo Encarnado, como o sacerdote tem no altar o Verbo de Deus feito pão eucarístico. As almas consagradas a Deus no claustro e em todas as variadas atividades da vida religiosa. Que modelo de perfeição evangélica, de pobreza, obediência e castidade dos santos votos!

  Enfim, São José não pode ser melhor honrado, que imitado. 

   AS PRÁTICAS DE "DEVOÇÕES". 


 Pequenas e cotidianas: Uma oração, uma jaculatória a São José pela manhã e à noite, uma Ave Maria em sua honra, trazer consigo uma medalha e beijá-la às vezes, uma visita à imagem de São José, uma flor, um obséquio devoto - quem não pode tomar qualquer destes pequenos atos de devoção e ser fiel a eles?

   Nada ficará sem recompensa, e o mais poderoso dos santos e o mais terno dos pais jamais deixará de socorrer um dos seus devotos, seja o maior e o mais miserável dos pecadores. Vimo-lo em alguns exemplos apresentados durante este mês.

   Celebremos cada ano, com todo fervor, as duas festas litúrgicas do Santo Esposo de Maria: 19 de março e 1º de maio. Uma novena bem fervorosa e pelo menos uma santa comunhão e a assistência à Santa Missa. A Santa Igreja consagrou a São José, além de um mês - Março - consagrou-lhe também um dia na semana - a Quarta-feira -. Portanto, todas as quartas-feiras, se pudermos, recitemos as Sete dores e sete alegrias de São José.  Caríssimos, seja a quarta-feira o nosso dia de São José. Façamos, neste dia, alguma esmola, alguma boa obra em honra do grande santo. Por exemplo: adornemos a sua Imagem e de joelhos rezemos a Oração de São José pela Igreja, ou as suas Ladainhas. Os pais transmitam aos filhos a herança de uma fervorosa devoção a São José. 

   Usemos o Cordão bento de São José.

   Caríssimos, guardemos bem esta norma: Tudo a Jesus por Maria, tudo a Maria por José! Amém!
   Peçamos ao Esposo de Maria, esta transmite o pedido ao seu Filho Jesus e este nunca deixa de atender!!! Se a qualquer pecador Jesus disse: pedi e recebereis, será que Ele não vai atender ao seu Pai Adotivo e a sua amorosíssima Mãe, a Sempre Virgem Maria?! Caríssimos, talvez nos falte uma fé maior e mais viva. Peçamo-la a Jesus, Maria e José! O resto virá sempre por acréscimo! Amém!

   E não poderia terminar estas reflexões no decorrer do mês de março, sem lembrar mais uma vez que o Glorioso São José é o patrono dos agonizantes. Ele nos garante uma santa morte!!!


EXEMPLO

São José e os viajantes

   O piedoso fundador Padre Chevalier invocava a São José em todas as dificuldades e aflições, e nunca foi desiludido em sua grande confiança.

   Celebrava-se a festa do Patrocínio de São José e o santo homem viajava na Espanha, em trabalhos apostólicos. Dirigia-se para Madri atravessando a montanha perigosa de Mala Cabrera. Esta Montanha era famosa pelos enormes crimes de bandoleiros e salteadores que a infestavam. Era toda semeada de cruzes a indicar mortes, tragédias e assassinatos. No mais perigoso trecho - de um lado a montanha íngreme e de outro um abismo-, dois bandidos assaltaram o carro do Padre Chevalier. Um segura as rédeas do animal e o outro, de pé no rochedo, ameaça e exige dinheiro e malas. O bom padre estremece, mas não perde a confiança em São José. Recomenda-se fervorosamente ao Santo Protetor, abre a bolsa, tira duas moedas de prata e entrega-as ao bandido. Este sacode a cabeça, hesita, sorri, ordena ao outro que largue as rédeas dos animais, despedem-se e desaparecem ambos pela montanha. 

   O padre, salvo pela proteção de São José, narrava este prodígio, profundamente grato.

   Outro sacerdote, desde o dia de sua ordenação, consagrava-se a São José ao empreender qualquer viagem. Dizia, após longos anos de vida:

   - Nunca deixei de experimentar a doce proteção deste Santo Patrono, nos maiores perigos e nas situações mais angustiosas. Estive diante da morte iminente por duas vezes. Vi mortes ao meu lado e escapei ileso, graças a São José.

   Marinheiros contam, maravilhados, graças do céu nos perigos de viagens e nas tempestades, graças essas obtidas pela invocação de São José. 

segunda-feira, 30 de março de 2020

GLÓRIA E PODER DE SÃO JOSÉ


30 de março

JESUS, MARIA, JOSÉ

   Três nomes benditos! Nem a teologia, a ciência, a arte e a razão humana, bastam para explicar a excelência desta sociedade única na terra. Os três seres humanos (sendo Jesus também Deus) que, por seus dons naturais e sobrenaturais coroam e integram a criação e são o ideal da verdade e da virtude nos céus e na terra. São o céu na terra, o eterno no tempo, Deus no mundo. Jesus, Filho de Deus, Maria Mãe de Deus e São José, predestinado por Deus para ser o Pai Adotivo do Filho de Deus e, para proteger a Virgem Mãe de Deus, foi seu Esposo. Houve por ventura algo maior, mais sublime, mais excelso, mais divino sobre a face da terra? A Sagrada Família resume os pensamentos eternos de Deus; as maravilhas do seu poder, as efusões do seu amor. É o centro do plano divino e também o seu princípio e o seu termo.

   Jesus, Maria e José! São três corações inseparáveis; formam uma sociedade única e individual, uma família completa. Era uma família digníssima, uma família celestial na qual o chefe e pai de família era São José, mãe de família a Virgem e o filho Jesus Cristo. 

   O que Deus uniu não podemos separar. Não separemos, então, em nosso amor e devoção, Jesus, Maria e José. Vemos que o Espírito Santo nos Evangelhos em muitas passagens não separa estes nomes benditos.

   Jesus, Maria e José! Nomes de majestade e de glória! Felizes na vida e na morte, os que sempre os invocam!


EXEMPLO

São José protege a infância

   Em 1631 abriu-se uma vasta cratera no Vesúvio, formando uma onda enorme de fogo e de cinzas. Como um rio que transborda, a lava abrasadora cobre as aldeias e, sobremaneira, o lugar chamado "Torre del Greco". Neste vilarejo residia uma piedosa mulher chamada Camila. Distinguia-se pela devoção a São José. Morava com ela uma criança de cinco anos, seu sobrinho, chamado José.  Para fugir à onda de fogo, tomou nos braços o pequenino e se pôs a correr desesperada. Entretanto, chega um instante em que se vê na iminência de perecer. De um lado, um rochedo enorme, e do outro, o mar. Ou se atirava na água e morreria afogada, ou seria consumida pela onda de fogo que se aproximava rapidamente. Lembrou-se, nesta hora aflita, do seu grande protetor e não perdeu a confiança:

   - Meu São José, brada ela, não me importa a vida! Salvai, porém, esta criança, que traz vosso nome. 

   E, sem mais esperar, deixa a criancinha sobre uma rocha e se atira para o lado do mar. Por felicidade caiu numa praia estreita, aonde uma camada de areia branca a protegeu. Apesar da altura em que se precipitou, não se feriu. Estava salva! E a criancinha? Foi então que, no auge da dor, gritava: 

   - Pobre criança! Devorada pelas lavas!...

   Chorava ainda quando ouviu chamá-la. Era a voz do pequenino José, são e salvo, alegre, a pular na areia. 

   - Meu filho! Meu filho! brada Camila, apertando contra o peito a criança. Como escapou do fogo e da morte?

   - São José me salvou. Aquele São José a quem rezamos todos os dias. Apareceu-me, tomou-me pela mão e aqui cheguei 

   O fogo havia passado pelo rochedo. Era impossível a criança ter se salvado sem um milagre. Camila mais de uma vez aí mesmo se prostrou com o pequenino para agradecerem, comovidos, a incomparável graça alcançada por São José. 

domingo, 29 de março de 2020

HOMILIA DO PRIMEIRO DOMINGO DA PAIXÃO

   Leituras: Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Hebreus, 9, 11-14.
                   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João 8, 40-59:


Tempo da Paixão: Em espírito ao pé
da Cruz, passemos este tempo mais
recolhidos, meditando a Paixão e
Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.
   "Naquele tempo, disse Jesus às turbas dos judeus: Qual de vós me arguirá de pecado? Se vos digo a verdade, por que não me credes? Quem é de Deus, ouve as palavras de Deus. Por isto não as ouvis: porque não sois de Deus. Responderam-Lhe, pois, os judeus: Não dizemos bem nós, que és Samaritano, e que estás possesso do demônio? Respondeu Jesus: Eu não estou possesso do demônio; mas honro a meu Pai, e vós me desonrais. Eu não procuro a minha glória; há quem a procure e faça justiça. Em verdade, em verdade, eu vos digo que se alguém guardar a minha palavra, não verá a morte para sempre. Disseram-Lhe, então, os judeus: Agora conhecemos que estás possesso do demônio. Abraão morreu assim como os Profetas. E tu dizes: Se alguém guardar a minha palavra, não verá a morte para sempre. És, porventura, maior que o nosso Pai Abraão, que morreu? Ou maior que os Profetas que morreram? Por quem pretendes passar? Respondeu Jesus: Se eu me glorifico a mim mesmo, nula é minha glória. Quem me glorifica é meu Pai, Aquele que dizeis que é vosso Deus. E vós não O conheceis, porém, O conheço; e, se dissesse que não O conheço, seria mentiroso como vós. Eu, porém, O conheço e guardo a sua palavra. Abraão, vosso pai, sentiu júbilo porque havia de ver meu dia; ele o viu e alegrou-se. Disseram-Lhe então os judeus: Ainda não tens cinquenta anos, e viste Abraão? Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade, eu vos digo: antes que Abraão existisse, Eu sou. Apanharam eles, então, pedras para Lhe atirar; mas Jesus escondeu-se e abandonou o templo". 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Dirijo-me a todos vós, amados leitores, mas especialmente aos meus caríssimos colegas de sacerdócio.

   Se alguém merecia absoluta admiração e afeição universal, era por certo Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é  o Caminho, a Verdade e a Vida. É nosso Salvador, Mestre e nosso Exemplo: "Aprendei de mim, diz Jesus, que sou manso e humilde de coração". A doçura, a mansidão, a humildade, a amabilidade, a multidão e natureza de seus milagres, que mostravam sua bondade e seu poder, deviam ganhar-Lhe todos os corações. E, todavia, homem algum foi objeto de mais implacáveis ódios. 

   Caríssimos, que lemos neste Evangelho do 1º Domingo da Paixão? Conhecendo que os fariseus se obstinavam em maquinar contra a sua vida, Jesus procura abrir-lhes os olhos sobre a enormidade de um tal atentado: "Mas, por fim, lhes diz, de que me acusais vós? Apontai um fato e provai-o: qual de vós me arguirá de pecado?" Caríssimos, era necessário estar muito seguro de si, para falar assim a inimigos tão perversos e sagazes.

   Mas que pode a verdade sobre homens que não querem ouvir senão a paixão? Depois deste desafio tão simples e modesto, não replicar era reconhecer que Jesus era irrepreensível. "É, pois um justo, um profeta, talvez, o Messias, concluiria qualquer homem sensato. Mas a inveja diz: "É um samaritano, um inimigo de Deus e de seu povo, é um possesso: "Não dizemos bem nós, que és Samaritano, e que estás possesso do demônio?" Quê? sou inimigo de Deus e um endemoniado, porque não tenho pecado?... É que o ódio quando confundido, enfurece-se; já não sabe senão insultar e blasfemar. Toda paixão cega. 

   Caríssimos colegas de sacerdócio, se nós ministros de Nosso Senhor Jesus Cristo, cumprirmos fielmente nossos deveres, participaremos sempre da sorte de nosso Divino Mestre: "Se o mundo vos aborrece, sabei que, primeiro do que a vós, me aborreceu a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas, porque vós não sois do mundo, antes Eu vos escolhi do meio do mundo, por isso o mundo vos aborrece. Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: Não é o servo maior do que o senhor. Se eles me perseguiram a mim, também vos hão de perseguir a vós"... Portanto, tudo foi predito pelo próprio Jesus. Nós sacerdotes devemos ser a luz do mundo e o sal da terra: a luz fere os olhos doentes e a virtude desagrada ao vício: "Se eu vos digo a verdade, por que não me credes?"  Na verdade, caríssimos, aqueles orgulhosos não acreditaram em Jesus precisamente porque Ele lhes dizia a VERDADE. Lisonjeemos o soberbo, falemos o que está de acordo com seus desejos mundanos, dirijamo-nos a ele com agradáveis mentiras, e ele nos acreditará sem custo; mas, instruamo-lo com verdades que contrariam suas inclinações, e será uma felicidade, se não empregar violência contra nós: "Apanharam, então, eles pedras para Lhe atirar".

   Caríssimos, a contradição virá algumas vezes daqueles que tínhamos por amigos. São Paulo queixa-se disto de um modo especial. Escrevendo aos Gálatas, diz-lhes: "Vós recebestes-me como um Anjo de Deus, como Cristo Jesus. Era tão grande a vossa afeição para comigo, que arrancaríeis os olhos, para mos dar! Tornei-me eu logo vosso inimigo, porque vos disse a verdade?" (Cf. Gálatas IV, 16). Não há  meio termo: ou faltar aos deveres do meu ministério, sacrificando a minha consciência, ou sujeitar-me a ser estorvado nos meus desígnios, combatido, perseguido. Se quero ser bem visto do mundo, devo submeter-me aos seus erros e paixões. Ó meu Deus, preservai-me de tão culpável fraqueza! Ó meu doce Jesus, fazei que eu só procure agradar a Vós!

   No sacerdócio colegas caríssimos, aprendamos do próprio Jesus como devemos proceder para com os nossos perseguidores.

   Para um judeu, chamar-se samaritano, era um grande insulto; é-o para qualquer pessoa, chamar-se endemoniado; quanto mais para o Filho de Deus! Nosso Senhor Jesus não responde à primeira invectiva, porque não passava de um insulto; à segunda, que devia desconsiderá-Lo diante o povo, e não podia conciliar-se com o zelo da glória de seu Pai, Jesus repele-a expondo simplesmente a verdade: "Não, Eu não tenho demônio; mas honro o meu Pai, e vós em paga desonrais-Me". Que domínio sobre si mesmo! Que divina calma! Quando repreendia os vícios, diz São Jerônimo, sua voz era áspera; mas, quando se defendia de alguma afronta, usava maior mansidão. Negou que fosse possesso, afirmou que honrava o seu Pai: foi a sua única justificação.

   Caríssimos, eis o nosso modelo. Vinguemos com energia as injúrias que se referem a Deus, e desprezemos as que só a nós se referem. Trabalhemos por poder dizer como Jesus, sem que o coração desminta os lábios: "Eu, porém, não procuro a minha glória; há quem a procure e faça justiça". Sim, outro cuidará da nossa honra: Deus que vê tudo, dirige tudo, julga e manifestará tudo.

   Caríssimos, a exemplo do divino Salvador, reservemos para o juízo de seu Pai as injúrias que nos fazem. Entreguemos-Lhe a nossa reputação; a nossa causa é a sua, fá-la-á triunfar com certeza, no dia do juízo, e talvez na vida presente. Amaldiçoados pelos homens, seremos abençoados por Deus, que proporcionará a alegria dos seus servos às tribulações que tiverem padecido por ele. Sobretudo nesta conjuntura tão triste em que se encontra a Santa Madre Igreja, sofremos muitas incompreensões! O importante é que Nosso Senhor sabe que estas acusações não são verdadeiras. E é Ele quem vai nos julgar.

   A bondade de Jesus não faz mais que exasperar esses endurecidos; pegam em pedras, e querem condená-Lo, ao suplício dos blasfemos. Mas o amor que nos tem, fizera-O escolher um tormento ainda mais ignominioso e cruel. Mas, não tinha Ele poder e direito para os punir? Sim, mas quer ensinar-nos, que o poder deve muitas vezes ceder à paciência, o direito à caridade, e que há mais verdadeira grandeza em padecer do que em vingar, em não querer o que se pode, do que em poder o que se quer.

   Caríssimos colegas no sacerdócio, não esqueçamos que somos enviados como cordeiros para o meio dos lobos, e tenhamos sempre tanta paciência, que nem sequer os mais indignos tratamentos nos arranquem nunca uma palavra ofensiva. Retribuamos mal com bem e ódio com amor. O Cordeiro de Deus, que oferecemos em sacrifício no Altar, e que recebemos todos os dias como alimento da nossa alma, nos comunique estas santas disposições. Amém!   

   

GLÓRIA E PODER DE SÃO JOSÉ


29 de março

O CORDÃO DE SÃO JOSÉ

   ORIGEM: Foi no século XVII, em Anvers, Bélgica, no convento das Agostinhas.

   Ia já para três anos que Soror Isabel Sillevorts via-se atacada do mal-da-pedra (cálculo renal). Dores lancinantes, espasmódicas! Os recursos da medicina, últimos e mais enérgicos, baldados!.

   Animada pela mais firme confiança no Patrocínio de São José, Soror Isabel, havendo obtido do sacerdote que lhe benzesse um cordão, cinge-o em homenagem ao grande Patriarca, abandona os recursos da terapêutica e começa com todo o fervor uma novena de súplicas ao Esposo puríssimo da Virgem Mãe de Deus, certa de que seria por ele ouvida e curada. 

   Dias depois, a 10 de junho de 1649, quando, por entre os estertores de agudíssimo sofrimento, a pobre fazia ao santo a mais ardente súplica, eis que de repente se vê livre de um cálculo de desproporcionadas dimensões e completamente curada.

   Grande e rápida foi a repercussão do milagre, que muito serviu para consolidar nos habitantes de Anvers a devoção a São José, então já bastante espalhada.

   Mais tarde, a 3 de janeiro do ano seguinte, lavrou-se disso uma ata autenticada pelas assinaturas da Madre Priora do Convento, Soror Maria Martens, de Soror Catarina Martens, a enfermeira da Comunidade, e da própria agraciada, Soror Isabel da Sillevorts.

   Em 1842, por ocasião dos piedosos exercícios do mês de São José, foi esse fato publicado na igreja de São Nicolau, na cidade de Verona (Itália), e muitas pessoas enfermas, cingindo-se então com o cordão bento, experimentaram o valioso auxílio do Santo Patriarca.

   Daí se foi estendendo o uso do cordão de São José; e, hoje, não só é procurado para alívio de enfermidades corporais como também, e com igual sucesso, em os perigos da alma.

   Salienta-se, sobremodo, o benefício do cordão de São José como uma arma contra o demônio da impureza.

   A Santa Sé autorizou a devoção do cordão de São José. Permitiu a fundação de Confrarias e Arquiconfrarias do Cordão de São José, elevando uma delas à categoria de Primária. 

   Em setembro de 1859, dando provimento a uma petição do bispo de Verona, a Sagrada Congregação dos Ritos aprovou a fórmula da Bênção do Cordão de São José. Esta bênção acha-se no Ritual da Santa Igreja, constando-se de cinco orações belíssimas. onde se pede especialmente a virtude da castidade e pureza de alma e corpo. 

   O Cordão de São José deve ser feito de linho, ou algodão bem alvejado. A pureza e alvura desses materiais nos hão de indicar a candura e virginal pureza de São José, castíssimo Esposo da Virgem Mãe de Deus, Maria Santíssima. 

   Numa extremidade leva sete nós, que representam as sete dores e as sete alegrias do glorioso Patriarca. 

   Por fim, deve ser bento, com bênção própria como está no Ritual. Assim devidamente bento, deve ser usado, é obvio, com fé e devoção para se implorar um constante Patrocínio de São José, especialmente na guarda e defesa da sublime virtude da castidade (como solteiro, casado ou consagrado). Se o trará constantemente cingido. Dou o conselho de usá-lo também como uma pequena penitência em honra de São José. 


EXEMPLO

A caneta de São José

   As Irmãs de Caridade de uma Congregação fundada pela Venerável Madre Seton estabeleceram, sob a direção de uma santa religiosa, Madre Maria Irene, uma casa em Nova York, destinada a receber e amparar crianças abandonadas. 

   O edifício é hoje dos maiores e ocupa um quarteirão todo entre a Lexington Avenue e a Terceira Avenida. Ali são amparados centenas de pobrezinhos. E, no entanto, esta obra grandiosa começou humilde e pobre. Em breve, Irmã Irene resolveu levantar o grandioso edifício. Confiou a obra a São José e esta chegou a ser uma realidade. Porém, como sustentar tantos pobres orfãozinhos? Havia enormes dívidas da construção. Os pedidos de proteção a crianças abandonadas chegavam todos os dias. Confiadas em São José, iam recebendo órfãos. Lembraram-se as Irmãs de pedir ao governo do Estado de Nova York uma subvenção anual e uma verba extraordinária de auxílio. Escreveram de Albay, sede da Assembleia Legislativa do Estado, que o pedido não passaria na Assembleia, porque não eram poucos os deputados protestantes, e estes se opunham ferrenhamente ao projeto. A situação era grave. Não era possível contar com os votos da maioria. O Partido protestante se opunha tenazmente e outros homens da Assembleia não olhavam a causa com bons olhos, já por espírito maçônico e liberal, já por grandes preconceitos contra a educação católica. Não se podia esperar que o Bill fosse aprovado. Nestas circunstâncias Madre Maria Irene, devotíssima de São José, alma simples e confiante, foi ao salão principal onde se venerava uma linda imagem do santo em tamanho natural e lhe disse, com doce ingenuidade: Meu querido São José, o projeto há de passar na Assembleia! Vós não haveis de desiludir minha confiança em vossa proteção. Vede os pobres órfãos da vossa casa e tantos outros que preciso amparar! Não é possível, meu São José, seja eu desamparada! Como hei de dar comida e roupa a tanta gente? Valei-me, meu São José! O Bill há de ser aprovado!

   E, ingenuamente, coloca na mão da imagem uma caneta com a pena molhada em tinta.

   - Aqui ficará nas vossas mãos, meu São José, esta caneta, até que o projeto seja assinado. 

   Toda gente que passava pelo vestíbulo sorria, ao ver São José de caneta entre os dedos.

   Durante um mês, seguramente, a imagem trazia a caneta, com admiração geral.

   Numa tarde, as religiosas em recreio, num pátio junto ao vestíbulo, ouviram o barulho da caneta que tombou no soalho. Madre Irene foi buscá-la e disse, radiante:

   - São José nos ouviu! Fomos atendidas. Tenho plena confiança!

   De fato. Uma hora depois, chegava à portaria um telegrama de Albany: "O Bill foi assinado".

   Aprovado!  
   
   Correram, todas as religiosas e crianças, para diante de São José e, ali prostradas, agradeceram comovidas a graça. 


   

sábado, 28 de março de 2020

GLÓRIA E PODER DE SÃO JOSÉ


28 de março

A GLÓRIA DE SÃO JOSÉ NO CÉU

   É impossível à língua humana traduzir a grandeza e a glória de São José. É o cúmulo e o ápice de todos os triunfos da criatura, depois de Maria. 

   O termo da predestinação é a vida eterna, que consiste nesta visão de Deus que costumamos chamar a Glória. Ora, a glória que é dada a algum santo no céu, corresponde ao seu grau de predestinação. São José foi predestinado numa ordem e num grau muito superiores a todos os justos do Antigo Testamento e aos santos do Novo Testamento, sem excluir São João Batista e os Apóstolos. Só a Virgem Santíssima teve maior glória. E como a missão de São José, depois de Maria, foi a mais sublime em relação ao Verbo Encarnado, pode se concluir com segurança, no verdadeiro sentido da doutrina da Igreja católica, que o Santo Patriarca está colocado na glória celeste em primeiro lugar depois da Mãe de Deus. 

   Basta estarmos lembrados dos serviços prestados por São José ao próprio Deus na terra. Governou a Sagrada Família; foi o guarda de quem guarda todos os seres criados; o Anjo do Conselho; o redentor do Redentor dos homens, na apresentação do Templo; o salvador do Salvador do mundo, salvando-O de mil perigos; o senhor do Rei e da Rainha do céu. Os santos serviram a Jesus no pobre, na Eucaristia, no sacerdócio, na Igreja. José esteve ao serviço da própria Pessoa adorável de Jesus Cristo, servindo diretamente a Humanidade Santíssima do Redentor como nenhuma criatura depois de Maria.

   No céu tudo é perfeito e belo. Na terra, unidos viveram Jesus, Maria e José. Aqui, o Filho de Deus,  a Mãe de Deus obedeceram a José, o honraram como chefe da Sagrada Família. O amor de Jesus ao seu Pai Adotivo será menor no céu do que o foi na terra? Maria será menos dedicada ao seu Esposo Santíssimo.? Na perfeição do céu, mais perfeito, mais sublime há de ser o amor de São José, a sua glória, e mais eficaz a sua proteção. 


EXEMPLO

Pio IX, devoto de São José

   O grande Pontífice da Imaculada Conceição foi também o Papa de São José. Era comovedora a sua devoção filial ao Santo Patriarca. Pelo Decreto Apostólico de 10 de setembro de 1847, estendeu a toda a Igreja o festa do Patrocínio de São José, que se celebrava até então em poucas igrejas por indulto especial. Em 8 de dezembro de 1870 declarou solenemente a São José Patrono da Igreja Universal e ordenou que a festa de 19 de março fosse elevada ao rito duplo de primeira classe.

   É conhecido o episódio do célebre quadro da Imaculada Conceição. Um pintor francês veio lhe mostrar o esboço da obra. Era uma representação da glória da Imaculada no céu. 

   - Onde está São José? Não o vejo aqui, no quadro...

   - Santidade, responde o pintor, eu vou colocá-lo lá no alto, entre os santos.

   - Não, não! diz Pio IX. E pondo os dedos sobre a imagem de Jesus Cristo, disse: "Quero São José aqui, bem ao lado de Jesus Cristo, ao lado de Maria. Assim estão eles no céu. Não os separemos!

   Poucos dias antes de sua morte, o Santo Pontífice recebera em audiência íntima, em seu leito de sofrimento, a um religioso amigo. Este notou na fisionomia do Papa alegria e confiança e um doce otimismo no modo de falar.

   - Por que Vossa Santidade me parece hoje tão alegre?

   - É que hoje estive meditando, responde Pio IX, e encheu-me de consolação o pensamento de que São José agora é mais conhecido, mais amado e invocado em todo o mundo. Daí a minha confiança e a minha alegria, padre. Eu não verei mais, porém meus sucessores hão de ver o triunfo da Igreja, esta Igreja da qual eu constitui São José o Patrono. 

   O grande Papa nunca deixou de invocar, até a morte, a doce proteção de São José. Incentivou em toda a Igreja esta devoção. Nas horas tormentosas do seu difícil pontificado, confiou a sorte da Igreja a Maria Imaculada e a São José. Foi, realmente o Papa da Imaculada e de São José.  


sexta-feira, 27 de março de 2020

GLÓRIA E PODER DE SÃO JOSÉ


27 de março

A DEVOÇÃO DE SÃO JOSÉ NA IGREJA

   Nos primeiros séculos, o estudo da tradição, dos hagiógrafos e até mesmo a Arqueologia, e sobretudo os Comentários do Evangelho daqueles tempos, tudo isso nos vem demonstrar quanto era conhecido, louvado, admirado e invocado, nos dias primeiros da nossa fé, o Pai Adotivo de Jesus e casto Esposo de Maria.

   A Liturgia, na verdade, não lhe prestava um culto especial, porque a Igreja, naqueles dias de perseguição e de martírio, só se preocupava com as glórias e os cultos dos mártires. E esta é a razão porque São José não consta no Cânon da Missa. 

   Todavia não podemos afirmar ter sido São José completamente desconhecido e e esquecido. Um arqueólogo, Perret, encontrou nas catacumbas três documentos referentes a São José. O primeiro é uma pintura nas Catacumbas de Santa Priscila, representando Jesus, Maria e José; o segundo, um medalhão, do primeiro século provavelmente, no qual figuram Maria com o Menino Jesus nos braços e São José a contemplá-Lo extático. Uma terceira pintura da cena do encontro de Jesus no Templo, e claramente ali se vê o Santo Patriarca ao lado de Maria. 

   No IV e V séculos, em mosaicos, em sarcófagos, em pinturas e relevos, se encontram não poucas cenas do Evangelho com a figura de São José bem destacada. 

   E os escritores sagrados? 
   São Justino, no século II, defende a virgindade de Maria e a de São José. Orígenes e Santo Atanásio fazem o mesmo. São João Crisóstomo em suas homilias canta as virtudes de São José, chamando-o "o varão perfeito, humilíssimo santo, fidelíssimo e adornado de toda santidade". Santo Ambrósio São Jerônimo, Santo Agostinho celebram com eloquência a pureza de São José. São João Damasceno, São Máximo de Turim  e outros até São Bernardo, tecem panegíricos admiráveis de São José.

   A tradição nos diz que no século II os gregos tributavam culto a São José.

   No século IV a imperatriz Santa Helena, mãe de Constantino, mandou construir uma capela a São José, no lugar do Santo Presépio de Belém. Foi o primeiro templo a São José.

   O século V guarda uma grande veneração pelas tradições dos lugares sagrados no Egito, onde consta ter estado Jesus com Maria e José, na fuga da perseguição de Herodes.

   O nome de São José entrou no Martirológio Romano no século VIII.

   No século XV, algumas almas privilegiadas recebem de Deus a missão especial de propagar e tornar conhecido e amado o Santo Patriarca. Tais são: Santa Margarida de Cortona, Santa Brígida e Santa Gertrudes.

   No século XV surge o grande apóstolo que dá início à época áurea do culto de São José: Gerson, o célebre chanceler da Universidade de Paris.

   São Vicente Ferrer, Dominicano, morto em 1419, e sobremaneira os dois filhos de São Francisco, São Bernardino de Sena e São Bernardino de Bustis.

   O século XVI foi o triunfo e esplendor do culto do grande santo, Esposo de Nossa Senhora e Pai Adotivo de Jesus. A figura excelsa e única de Santa Teresa d'Ávila, só ela concorreu mais para a glorificação de São José que muitos outros santos e teólogos. Não se pode falar da história do culto de São José sem destacar, de modo singular, a Grande Reformadora do Carmelo. São José deve, de certo modo, a Santa Teresa a glória que hoje tem no mundo" Podemos dizer isto sem medo de exagero. Pois, o próprio Papa sábio Bento XIV afirma o mesmo.

   Desde a sua entrada no Convento d'Ávila, Santa Teresa leva consigo a imagem de São José e quer que todos o honrem. Escreve e propaga com ardor o culto de São José. "Nunca recorri a São José, diz ela, que não fosse atendida"; Deu o nome de São José ao primeiro convento da Reforma Carmelitana. Queria o nome de São José em todos os mosteiros fundados por ela. "É maravilhoso, escreve ela, é extraordinário o que acontece comigo: todas as graças de que Deus me cumula tanto para a alma como para o corpo, os perigos de que me tem livrado, tudo devo ao ter invocado a proteção de São José, aos méritos do meu amado Patrono."

   Treze fundações tiveram o nome de São José. E após a morte da santa, por ocasião da sua beatificação, em 1614, mudaram o nome de São José pelo de Santa Teresa, em todos os mosteiros, em homenagem à nova Beata. A santa apareceu à Venerável Madre Isabel de São Domingos e lhe disse com tristeza: "Diga ao Padre Provincial que tire meu nome dos mosteiros e lhes restitua o nome de São José, que possuíam antes".

   Não há duvida, o exemplo, os escritos e o zelo de Santa Teresa marcaram uma nova era, um novo período na propagação e esplendor do culto de São José. É bem verdade o que diz o esplendor atual do seu culto à grande Santa Teresa.

   Agora o culto do Santo Patriarca vai de triunfo em triunfo. Vou apenas citar alguns santos e Papas:São Vicente de Paulo e São Francisco de Sales, Santo Afonso de Ligório.  Pio VII proclamou o Patrocínio de São José sobre a Igreja e Pio IX proclama São José Patrono de toda a Igreja. No século passado: São Pio X, Bento XV, Pio XI e Pio XII. João XXIII introduziu São José no Cânon da Missa.



EXEMPLO

São José e a protestante

   Uma senhora protestante tinha um filho convertido à Igreja Católica e que em vão procurava convencer a mãe a que abraçasse a verdadeira fé.

   - Meu filho, dizia ela, eu permiti que abraçasses a religião católica e dei liberdade a todos em minha casa, em matéria religiosa. Não discutamos. É inútil querer me afastar do protestantismo. 

   O pobre moço, profundamente magoado, calou-se. Que fazer? Recorreu a São José! Desde que se converteu, o Santo Patriarca era objeto de sua devoção mais terna. Tinha confiança em São José. No aniversário natalício da mãe, quis lhe oferecer um presente.

   Procurou uma linda e artística imagem de São José. 

   - Mamãe, quero lhe oferecer o meu mais rico presente: esta imagem de São José. Aceite-a como prova de meu amor filial. Basta que me dê a alegria de aceitá-la e guardá-la. 

   Ao pronunciar estas palavras, a voz do moço tinha a expressão de uma grande ternura.

   - Meu filho querido, sim, eu guardarei carinhosamente o teu presente de hoje. Esta bela estátua não sairá mais do meu quarto. 

   Foi um raio de esperança na alma do pobre moço; Beijou a mãe estremecida e se retirou comovido, para ocultar as lágrimas.

   A imagem de São José causava uma impressão misteriosa na protestante. Era levada a invocar São José. Parecia-lhe já bem racional o culto dos santos. Poucos meses depois, caiu enferma e o seu estado se agravou. Mandou chamar o filho ausente. Ao avistá-lo, exclamou:

   - Meu filho querido, quero te dar uma boa notícia, que há de alegrar muito a tua alma: estou resolvida a abraçar a religião católica! Devo esta graça a São José. Esta imagem me converteu. Sinto, percebo claramente que estou no erro. Quero morrer na verdadeira religião.

   O filho emudeceu, comovido, e não pôde conter as lágrimas. Caiu de joelhos diante de São José:

   - Ó meu São José, eu vos agradeço! Que feliz inspiração a de oferecer a vossa imagem à minha mãe! Grande santo, eu vos agradeço mil e mil vezes!

   A doente pouco depois abjurava o protestantismo e recebia os sacramentos, com admiráveis disposições de fé e edificante piedade.

   Morreu como uma predestinada, a olhar e beijar a imagem do seu querido protetor São José.

quinta-feira, 26 de março de 2020

GLÓRIA E PODER DE SÃO JOSÉ


26 de março

SÃO JOSÉ E A VIDA INTERIOR

   São José é mestre da vida interior. Mas que é vida interior? A vida interior é esta doce intimidade com Jesus Cristo, o recolhimento de espírito, a vigilância contínua sobre si mesmo, esta vida divina em que a alma procura fugir do pecado e das agitações loucas do mundo para se ocupar das coisas eternas, pensar nas verdades de fé, caminhar nas vias da perfeição, e esta consiste em sua essência no amor de Deus e do próximo. Ora, não foram estas as disposições habituais da alma de São José? Quem conhece melhor e mais profundamente o Coração de Jesus? Diz São Bernardino de Sena: "São José teve, no mais alto grau o dom da contemplação". O Santo Patriarca recebeu mais do que todos os santos (excetuando-se Maria Santíssima) graças inefáveis do céu e as riquezas ocultas do adorável Mistério da Encarnação. Sua vida se passou em contínua oração, na intimidade de Jesus, no serviço de Jesus e por Jesus. Houve, por ventura, depois de Maria, maior intimidade de uma criatura com seu Criador? A fé viva e ardente que o levava a contemplar, na forma humana, a segundo Pessoa de Trindade Santíssima. Crer que ali estava sob seu governo em Nazaré, durante longos anos, o próprio Deus! Quantas luzes do céu não teve José da contemplação deste mistério! Depois de Maria Santíssima, nunca podemos imaginar um santo que tenha recebido maior privilégio de Deus e tenha possuído melhor a Jesus.
 Santa Teresa, a grande Mestra da oração e da vida contemplativa, cuja doutrina hoje ainda leva tantas almas às alturas da mais íntima união com Deus, a grande Matriarca disse ter aprendido os segredos da sua vida interior na devoção a São José. Apenas uma pequena citação de suas obras: "De todas as almas que se dirigem sempre a São José, eu não conheço uma só que não tenha feito rápidos progressos na perfeição".
 Daí, grandes santos aprenderam na escola de Nazaré a ciência do amor de Jesus e os segredos da vida interior.



EXEMPLO

Na escola de São José

   O piedoso e douto Padre Surin, mestre admirável de espiritualidade, conta o seguinte fato que se deu com ele: "Partia eu de Rouen, escreve, e no mesmo carro ia comigo um moço de cerca de dezoito anos mais ou menos, e sem nenhuma instrução. Era um empregado doméstico há muitos anos e nem sequer sabia ler e escrever. Qual não foi a minha admiração ao conversar com ele e perceber como entendia maravilhosamente das coisas espirituais! Falava da vida interior, da união com Deus, com muita clareza e bom senso, com segurança doutrinária; dizia coisas tão belas, que me enchiam o coração de fervor, e nunca ouvi alguém falar assim. Percebi que ele vivia numa oração contínua. Interroguei-o sob vários assuntos da vida espiritual, e me respondia tão bem, com singeleza e piedade. Não podia compreender onde havia aprendido tanta coisa sem um livro, sem um diretor espiritual

   "Ó meu bom padre, diz o moço, há mais de seis anos me coloquei sob a especial proteção de São José por inspiração de Nosso Senhor. São José é meu pai e meu mestre. Penso sempre nele e a ele me recomendo. Minha ciência vem do Pai Adotivo de Jesus Cristo!"

   O Padre Surin foi um dos apóstolos do culto de São José e dizia que a ciência de Santa Teresa nos domínios da espiritualidade foi haurida nesta fonte de vida interior que é a devoção a São José, na qual tanto se distinguia a Matriarca do Carmelo.