SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

domingo, 21 de maio de 2017

EPÍSTOLA DO 5º DOMINGO DEPOIS DA PÁSCOA


Epístola de São Tiago, I, 22-27

"A religião pura e sem mácula aos olhos de Deus e nosso Pai é esta: visitar os órfãos e as viúvas, nas suas tribulações, e conservar-se puro da corrupção do mundo" (Tiago, I, 27).

Antes de fazermos as reflexões sobre este versículo 27, achamos por bem dar uma explicação geral desta leitura da Epístola no 5º domingo depois da Páscoa: Caríssimos irmãos, diz São Paulo, sede cumpridores da palavra de Deus e não apenas ouvintes. Do contrário, estariam se enganando a si mesmos. Pois, para se salvar, não basta ouvir a palavra do Santo Evangelho; é mister colocá-la em prática. Agora, quem medita atenciosa e profundamente o Evangelho, a nova lei que nos livrou do pecado e nele persevera não esquecendo e, sim, praticando o que ouviu, este será bem-aventurado neste e no outro mundo. Se alguém se tiver em conta de homem religioso, mas não refrear a língua, e entregando à maledicências, detrações e calúnias, este engana  a si mesmo, e a sua religião de nada vale.

E assim, depois de desmascarar o erro dos que pecam contra a caridade, o Apóstolo passa a enumerar os sinais da verdadeira religião: Consta de duas coisas: a caridade desinteressada e a pureza. Há, na verdade, uma falsa religiosidade estéril e inativa e que não leva em conta a caridade para com o próximo. Nosso Senhor quer, outrossim, que seja servido com um coração reto e puro, livre da corrupção deste mundo onde reina a tríplice concupiscência: orgulho, avareza e luxúria. Caridade e pureza devem estar sempre juntas na prática da verdadeira religião. Pois, reduzida apenas a atos de caridade, a Religião não passaria de sociedade filantrópica, o que os espíritas e maçons também fazem. Limitada, porém, à pureza, sem a prática da caridade, seria quando muito, simples seita filosófica ou moralista. Quão errados andam, pois, aqueles que se julgam religiosos tão somente por boas obras de caridade mas se conformando inteiramente ao espírito deste mundo colocado no maligno, e inundado de corrupção e impurezas. Devemos estar bem avisados contra estes modernistas que só falam em obras de misericórdia, mas procuram tranquilizar as consciências em pecados até mortais e grandes como o adultério, o sacrilégio e os escândalos. Devem estar lembrados de que existem 14 obras de misericórdia, sendo 7 delas, espirituais. E, entre estas está: CORRIGIR OS QUE ERRAM. Assim fez S. João Batista a Herodes: "Não te é lícito viver como estais vivendo" i, é, no adultério. 

Cada coração cristão seja um altar onde o fogo da caridade é perfumado pelo incenso da pureza. E, portanto, resumimos: Na palavra de Deus ouvida com atenção e interesse sobrenatural, na vigilância sobre a língua, na caridade operosa e na pureza conservada em meio da corrupção generalizada deste mundo, nesses preceitos, antes que mais nada, se forma o homem religioso que será bem-aventurado nesta e na outra vida. Amém!



Quinto domingo depois da Páscoa

   Leituras: Epístola de São Tiago Apóstolo 1, 22-27.
                   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João 16, 23-30:


 "Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Em verdade, em verdade, vos digo: Se pedirdes a meu Pai alguma coisa em meu Nome, Ele vo-la dará. Até agora nada pedistes em meu Nome.  Pedi e recebereis para que a vossa alegria seja completa. Estas coisas vos disse em parábolas. Vem a hora em que já não vos falarei em parábolas, mas abertamente vos falarei do Pai. Naquele dia pedireis em meu Nome; e não vos digo que hei de rogar por vós ao Pai, pois, o próprio Pai vos ama, porque vós me amastes e crestes que eu saí de Deus. Saí do Pai e vim ao mundo, deixo outra vez o mundo e vou ao Pai. Disseram-Lhe os discípulos: eis que agora nos falais claramente e não usais nenhuma parábola. Agora conhecemos que sabeis tudo, e que não tendes necessidade de que alguém Vos interrogue. Por isso cremos que saístes de Deus."

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Nossos Senhor Jesus Cristo, na véspera de sua Morte, anuncia a sua Ascensão ao Céu: "Saí do Pai e vim ao mundo, outra vez deixo o mundo e vou para o Pai". 
   Anuncia também a vinda do Divino Espírito Santo, o Pentecostes: "Mas vem o tempo em que não vos falarei já em parábolas, mas abertamente vos falarei do Pai." Nosso Senhor Jesus Cristo, por meio do Espírito Santo, iluminará os seus apóstolos fazendo-lhes entender mais profundamente os mistérios divinos. Na verdade, caríssimos irmãos, tudo o que nós podemos estudar e conhecer das coisas de Deus é letra morta enquanto o Espírito Santo não nos abrir a inteligência. Devemos ter uma devoção especial ao Divino Espírito Santo. É Deus e o doce Hóspede de nossa alma, é o nosso Santificador. 

   Jesus Cristo, Nosso Senhor, no evangelho deste domingo ensina-nos também o segredo da oração eficaz: "Se pedirdes a meu Pai alguma coisa em meu nome, Ele vo-la dará". Aí está o meio seguro para encontrarmos acesso junto do Pai: apresentar-se em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que se imolou para glória do Pai e para nossa salvação. Jesus está assentado à direita do Pai para interceder sempre por nós e Ele merece ser sempre atendido "pro sua reverentia", isto é, em razão da sua piedade (Hebreus V, 7). Diz São Paulo na epístola ao Hebreus VII, 25: "Por isso pode salvar perpetuamente os que por Ele mesmo se aproximam de Deus, vivendo sempre para interceder por nós". 

   Pedir "em nome de Jesus" significa, estarmos convencidos de que as nossas ações e boas obras não valem nada se não se apoiam nos méritos infinitos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por mais que façamos e rezemos, somos sempre servos inúteis, que não temos em nós nenhuma capacidade para o bem, mas toda a nossa suficiência vem de Jesus Crucificado. Portanto, a primeira condição para que a nossa oração seja feita em nome de Jesus e assim seja eficaz, é a virtude da humildade.  Isto significa uma convicção profunda e realista do nosso nada.
   A segunda condição para que a nossa oração seja feita em nome de Jesus e portanto eficaz, é a confiança. Uma confiança ilimitada nos méritos infinitos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Na verdade Seus merecimentos ultrapassam todas as nossas indigências, misérias, necessidades. E assim nunca seremos demasiado ousados em pedir a plenitude da graça divina sobre as nossas almas, em aspirar à santidade; santidade esta escondida, mas autêntica. Nossa miséria, por maior que seja, será sempre finita, mas os merecimentos e a misericórdia de Jesus serão sempre infinitos. Não existem infidelidades e culpas, tendências más e misérias sinceramente detestadas que o Sangue de Jesus não possa sarar, fortificar e transformar. 
   Mas, caríssimos e amados fiéis, há ainda uma outra condição para que a nossa oração seja eficaz: que a nossa vida corresponda à nossa oração, isto é, que a nossa fé se traduza em boas obras. É vã a oração, é vã a nossa confiança em Deus, se não as acompanhamos com os nossos esforços generosos para cumprirmos todos os nossos deveres, para vivermos à altura da nossa vocação. 

  Terminemos com palavras de Santo Agostinho: "Ó Criador da luz, perdoai as minhas culpas pelos imensos trabalhos do Vosso Amado Filho! Fazei, Senhor, que a Sua piedade vença a minha impiedade, que a Sua modéstia satisfaça pela minha perversidade, que a Sua mansidão dome a minha irascibilidade. A Sua humildade repare a minha soberba; a Sua paciência, a minha impaciência; a sua benignidade, a minha dureza; a Sua obediência, a minha desobediência; a Sua tranquilidade transforme a minha inquietação; a Sua doçura, a minha amargura; a Sua caridade apague a minha crueldade". 

   Ó Jesus! ensinai-me a rezar, aumentai a minha fé! Amém!

terça-feira, 16 de maio de 2017

O DIVINO MESTRE

"Jesus Cristo é sempre o mesmo ontem e hoje; e ele o será também por todos os séculos. Não vos deixeis levar por doutrinas várias e estranhas" (Hebreus XIII, 8 e 9).

Passará o céu e a terra, mas a verdade do Senhor permanecerá eternamente (Mt XXIV, 35). As palavras dos Pitagóricos, disse-o o mestre, não era entre eles senão a expressão de uma idolatria insensata, pois não há homem que não se engane; mas aplicada a Nosso Senhor Jesus Cristo, deve ser um primeiro princípio, um axioma sagrado para todo católico.

Jesus Cristo é eterno. N'Ele creram os justos de todos os séculos passados; n'Ele creem os seus apóstolos; cremos também nós n'Ele e todos os fiéis que vivem nos dias de hoje e n'Ele crerão todos os séculos futuros até ao fim do mundo. Sendo Deus é eterno, é imutável. Ele é o único Messias e depois d'Ele não devemos esperar nenhum outro.

O Apóstolo, com as palavras acima enunciadas, quis estabelecer a eternidade do Verbo Divino. E o próprio São Paulo tira a conclusão lógica, ou seja, que nossa fé deve ser também imutável, e os verdadeiros cristãos não devem ir atrás daqueles que lhes prometem um outro Cristo, um outro Messias. Sendo Jesus o Filho de Deus Vivo, só Ele tem palavras de vida eterna. Sua doutrina é perfeita; sua Igreja é uma só, como uma só é a verdade.

São Paulo combate aqui as seitas, nascidas de homens pecadores, mortais, mutáveis. As doutrinas das seitas são várias e consequentemente estranhas à única verdadeira que é a de Jesus Cristo. "Deus é a única verdade, escreveu Luiz Veuillot, a Igreja Católica é a única Igreja de Deus".

Jesus Cristo é a Verdade absoluta como Verbo de Deus e é ainda para nós a Verdade revelada, a luz da fé. Ele é assim o nosso Mestre por excelência: "Vós só tendes um mestre que é Cristo" (Mt XXIII, 10). Que os outros escolham, se quiserem, "mestres que deleitam os ouvidos e se desviam da verdade para se entregarem a fábulas" (II Tim., IV, 3 e 4).  Quanto a nós, pela graça de Deus, iremos Àquele que tem palavras de vida eterna, aquele que veio a este mundo para dar testemunho da verdade. Iremos a Ele com toda a nossa alma, com a dupla luz da razão e da fé. Diz Lacordaire: "Movemo-nos em duas esferas: a da natureza e a da graça; mas tanto uma como outra têm o Verbo, Filho de Deus, por autor e por guia. Eis porque a Igreja, infalivelmente assistida pelo Espírito que a instituiu, nunca abdicou na defesa da razão; teve-a sempre como uma parte da sua herança..."

Jesus Cristo, o Filho de Deus, desceu do céu à terra para constituir uma sociedade que pudesse "aparecer diante d'Ele gloriosa, sem mancha nem ruga, santa e imaculada" (Ef. V, 27).  E o divino Mestre quer nos levar até a Jerusalém celeste e diz que Ele mesmo é o Caminho, a Verdade e a Vida. Jesus Cristo é o Caminho que devemos seguir para  chegarmos ao Pai; a Verdade em que devemos acreditar, a Vida que almejamos conseguir. Aquele que estiver unido a Ele tem tudo: tem o Pai e vê o Pai, não com os olhos físicos, mas com os olhos do espírito. A união com o Pai é o próprio ser de Jesus; dela depende a sua vida humana; a sua doutrina é luz daquele foco; os seus milagres, manifestações do poder divino.

Segundo o pensamento do Beato Mons. Ollier, tenhamos habitualmente Jesus diante dos olhos, no coração e nas mãos.Tenhamos Jesus diante dos olhos: contemplando-O como o modelo mais completo de todas as virtudes que devemos praticar. Tenhamos Jesus no coração: quer dizer, supliquemos ao Espírito Santo, que animava a alma humana do Salvador e que é ainda hoje a alma do seu corpo místico, que venha até nós para nos tornar semelhantes a Jesus Cristo. Tenhamos Jesus nas mãos: isto é, roguemos-Lhe que faça com que a sua vontade se cumpra em nós, que, "como bons membros, devemos obedecer à cabeça, e cujos impulsos só devem vir de Jesus Cristo, o qual, enchendo a nossa alma do seu Espírito, da sua virtude e da sua força, deve operar em nós e por nós tudo quanto deseja".


Com São Paulo, digamos de todo o coração: "A minha vida é Jesus". Amém!

domingo, 14 de maio de 2017

DIA DAS MÃES



Meus parabéns a todas as mães cristãs!


Teresa menina e sua Mãe
Segundo um desenho de "Celina".
 "Há um nome na pobre linguagem humana que traduz todos os arroubos da alma e toda a sensibilidade do nosso coração. 
  Esse nome põe bálsamo nas feridas mais pungentes da nossa pobre vida. Ele se transforma em constelação de luzes para as noites mais apocalípticas e mais sombrias. Ele acaricia as frontes mais cansadas e decepcionadas do mundo. 
  Esse nome significa o tabernáculo da amizade mais profunda e sincera. O sacrário do amor que não se cansa, da capacidade de sacrifício que não se limita, da renúncia que não se mede, do perdão que não se pode calcular.
   Esse nome que está na alegria de todos os poemas, na sensibilidade de todas as músicas, no sonho de todas as artes, na ternura de todos os corações, é o nome de MÃE. (D. Antônio de Almeida Morais Júnior).

   Na verdade, uma boa mãe não é mais uma mera mulher, é sempre uma santa. "Um coração de mãe", dizia Santa Terezinha, "vale mais que a ciência dos mais peritos doutores". 

   "Como o sol", diz Alves Mendes, "ela é luz, calor, fecundidade. Como o sol alumia, aquece, alegra, move, alenta, expande, acaricia, fascina, atrai: O que é o sol perante os astros é-o a mãe perante os povos - o ponto cêntrico da vida, a fonte da família, a chave da sociedade. Cooperadora da Providência e complemento do homem, a mãe gera, nutre, educa, dá forma, brilho e esmalte à existência. É autora maravilhosa e destra escultora dos seres. Não houve ainda, e não haverá jamais, criatura mais adorável do ela é". 

   Dom Ramón Jara, Bispo de la Serena no Chile, deixou-nos uma página belíssima: RETRATO DE MÃE.

   "Uma simples mulher existe que pela IMENSIDÃO DE SEU AMOR, tem um pouco de DEUS; e pela constância de sua DEDICAÇÃO, tem muito de ANJO; que, sendo NOVA, pensa como uma anciã e, sendo VELHA, age com as forças todas da juventude; quando analfabeta, melhor que qualquer sábio desvenda os SEGREDOS DA VIDA; e, quando SÁBIA, assume a simplicidade das crianças; POBRE, sabe enriquecer-se com a felicidade dos que ama, e, RICA, empobrecer-se para que seu coração não sangre ferido pelos ingratos; FORTE, entretanto estremece ao choro de uma criancinha, e, FRACA, entretanto se alteia com a bravura dos leões; VIVA, não lhe sabemos dar valor porque à sua sombra todas as dores se apagam, e, MORTA, tudo o que somos e tudo o que temos daríamos para VÊ-LA DE NOVO, e dela receber um aperto de seus braços, uma palavra de seus lábios. Não exijam de mim que diga o NOME DESSA MULHER, se não quiserem que ensope de lágrimas este álbum: porque eu a vi passar no meu caminho. Quando crescerem seus filhos, leiam para eles ESTA PÁGINA: eles lhe cobrirão de BEIJOS A FRONTE, e, dirão que um pobre viandante, em troca da suntuosa hospedagem recebida, aqui deixou para todos o RETRATO DE SUA PRÓPRIA 'MÃE'".

   "Se o homem pudesse na idade da razão lembrar o ardor de um só beijo materno, não poderia ter coragem de cometer a menor injustiça para quem o tem beijado tão ternamente... Ensinar aos próprios filhos a praticar o bem é deixar-lhes a mais preciosa herança. Desta maneira podemos asseverar ser-lhes úteis até depois da morte" ( Mantegazza).

   Para terminar não posso deixar de contar um fato do qual fui humilde ministro de Nosso Senhor Jesus Cristo. Há 35 anos, era padre novo e Capelão dos Hospitais de Campos, RJ. Encontrei, um dia, hospitalizado um senhor de certa idade, que estava bem mal, mas que ainda falava. Conversei com ele procurando incutir-lhe coragem e que tivesse confiança em Nosso Senhor Jesus Cristo que morreu na cruz por nós. Depois perguntei se não queria uma bênção e eu estava disposto a ajudá-lo a confessar-se para depois dar-lhe a unção dos enfermos e o viático. Respondeu-me que não queria confessar-se porque achava que para ele não havia perdão já que passara toda a vida só praticando o mal. Procurei incutir-lhe confiança na misericórdia divina. A nossa maldade, nossos pecados nunca chegam a ser infinitos; mas a misericórdia de Nosso Senhor Jesus Cristo é infinita. Por mais graves e numerosos que sejam nossos pecados o sangue de Jesus Cristo tem o poder de lavá-los inteiramente. Deus é Nosso Bom Pai que espera o pecador com paciência, vai a sua procura com toda solicitude e o recebe com toda a alegria quando ele se arrepende. Mas o enfermo continuou naquela tentação de desespero da salvação. Para não cansá-lo nem aborrecê-lo, mudei um pouco o rumo da conversa. Perguntei-lhe se seus pais eram católicos. Ele respondeu: sim, sobretudo minha mãe. Rezou muito por mim, deu-me muitos bons conselhos. Nunca os segui, mas também não os esqueci, embora ela já tenha morrido há muitos anos. Por isso, padre, continuou ele, é que eu digo: para mim não há salvação. Apesar dos conselhos de minha mãe, só pratiquei o mal em toda minha vida. E eu lhe disse: Meu filho, tendo sido sua mãe como o sr. explicou, tendo ela cumprido o seu dever de estado como uma mãe verdadeiramente cristã, o sr. pode ter certeza que ela está no céu. E ainda lhe digo mais: o sr. pode ter certeza que se o sr. está tendo a graça de ter ao seu lado um padre na hora da morte, é porque sua santa mãe está lá no céu pedindo a Nosso Senhor Jesus Cristo esta graça tão grande. E o sr. pode ter certeza que ela o aguarda no paraíso. E o doente, então, começou a chorar! Deixei. Depois, dei-lhe o Crucifixo para beijar. Beijou-o e disse-me: Senhor padre, sinto neste momento que agora quero receber o perdão dos meus pecados, mas nunca me confessei. Eu disse-lhe: Meu filho, esta é minha missão. Todo o meu tempo é dedicado para salvar almas. Posso ficar aqui horas e horas se for necessário, para prepará-lo. De fato fiquei por mais de duas horas talvez. Ele não sabia nada de religião. Depois que  percebi que já sabia o mínimo indispensável para receber os sacramentos, atendi sua confissão que foi a primeira e a última. Dei-lhe a extrema-unção, o Santo Viático e a Indulgência plenária com a Bênção papal. Depois de tudo, chorando ele disse-me: sr. padre, antes de morrer quero fazer-lhe um pedido: em todos os lugares em que o sr. trabalhar conte este fato: um grande pecador se converteu na hora da morte, por causa das orações e conselhos de sua mãe santa. 

   Obedecendo o seu pedido, determinei que todo ano na festa das Mães, contaria este fato, como acabei de fazê-lo. Tenho certeza que esta alma ou já está junto de sua mãezinha no céu, ou está segura de um dia ter esta felicidade eternamente. 

   "DEEM-ME MÃES VERDADEIRAMENTE CRISTÃS, E EU SALVAREI ESTE MUNDO DECADENTE" (São Pio X). 

sábado, 13 de maio de 2017

APARIÇÕES DE NOSSA SENHORA EM FÁTIMA


                                                          + Dom Fernando Arêas Rifan


FÁTIMA: 100 ANOS!
                                                                                                                   Dom Fernando Arêas Rifan*
           No próximo sábado, dia 13 de maio, celebraremos o 100o aniversário da primeira de uma série de aparições de Nossa Senhora a três simples crianças, pastores de ovelhas, em Fátima, pequena cidade de Portugal, de onde a devoção se espalhou e chegou ao Brasil. São sempre atuais e dignas de recordação as suas palavras e seu ensinamento.
         O segredo da importância e da difusão de sua mensagem está exatamente na sua abrangência de praticamente todos os problemas da atualidade. Aquelas três simples crianças foram os portadores do “recado” da Mãe de Deus para o Papa, os governantes, os cristãos e não cristãos do mundo inteiro.
          Ali, Nossa Senhora nos alerta contra o perigo do materialismo comunista e seu esquecimento dos bens espirituais e eternos, erro que, conforme sua predição, vai cada vez mais se espalhando na sociedade moderna, vivendo os homens como se Deus não existisse: o ateísmo prático, o secularismo. “A Rússia vai espalhar os seus erros pelo mundo”, advertiu Nossa Senhora. A Rússia tinha acabado de adotar o comunismo, aplicação prática da doutrina marxista, ateia e materialista. Se o comunismo, como sistema econômico, fracassou, suas ideias continuam vivas e penetrando na sociedade atual. Aliás, os outros sistemas econômicos, se também adotam o materialismo e colocam o lucro acima da moral e da pessoa humana, assumem os erros do comunismo e acabam se encontrando na exclusão de Deus. Sobre isso, no discurso inaugural do CELAM, em 13 de maio de 2007, em Aparecida, o Papa Bento XVI alertou: “Aqui está precisamente o grande erro das tendências dominantes do último século... Quem exclui Deus de seu horizonte, falsifica o conceito da realidade e só pode terminar em caminhos equivocados e com receitas destrutivas”. Fátima é, sobretudo, a lembrança de Deus e das coisas sobrenaturais aos homens de hoje.
       Aos pastorinhos e a nós, Nossa Senhora pediu a oração, sobretudo a reza do Terço do Rosário todos os dias, e a penitência, a mortificação nas coisas agradáveis e lícitas, pela conversão dos pecadores e pela nossa santificação e perseverança.
        Explicou que o pecado, além de ofender muito a Deus, causa muitos males aos homens, sendo a guerra uma das suas consequências. Lembrança muito válida, sobretudo hoje, quando os homens perderam o senso do pecado e o antidecálogo rege vida moderna, como nos lembrou São João XXIII. Falou sobre o Inferno - cuja visão aterrorizou sadiamente os pastorinhos e os encheu de zelo pela conversão dos pecadores –, sobre o Purgatório, sobre o Céu, sobre a crise que sofreria a Igreja, com perseguições e martírios.

         Enfim, Fátima é o resumo, a recapitulação e a recordação do Evangelho para os tempos modernos. o Rosário, tão recomendado por Nossa Senhora, é a "Bíblia dos pobres"(São João XXVIII). Assim, sua mensagem é sempre atual. É a mãe que vem lembrar aos filhos o caminho do Céu.


*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

terça-feira, 9 de maio de 2017

LIÇÕES DE FÁTIMA (I)


"Fazei tudo o que Ele  vos disser" (S. João, II, 5).
"Importa orar sempre e não cessar de o fazer" (S. Lucas, XVIII, 1).
"Se não fizerdes penitência, todos perecereis do mesmo modo" (S. Lucas, XIII, 5).
"Em todas as tuas obras lembra-te dos teus novíssimos, e nunca jamais pecarás" (Eclesiástico, VII, 40).
"Donde vêm as guerras e as contendas entre vós? Não vêm elas das vossas concupiscências que combatem em vossos membros? (S. Tiago, IV, 1).

Excertos da Carta Pastoral  escrita pelo então Bispo de Campos, D. Antônio de Castro Mayer, de santa memória,  por ocasião do 250º aniversário do encontro da milagrosa imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida e do 50º aniversário das aparições de Nossa Senhora do Rosário de Fátima:
CARTA PASTORAL SOBRE A PRESERVAÇÃO DA FÉ E DOS BONS COSTUMES (Ano de 1967).

Lições de Fátima
Os fatos que se desenrolaram em Fátima contêm um amoroso apelo de Deus Nosso Senhor:
1. a que O desagravemos e ao Coração Imaculado de sua Mãe Santíssima, das ofensas de que continuamente são objeto;
2. a que nos compadeçamos dos pobres pecadores;
3. cuja conversão, assim como o desagravo, se obtêm pela oração e as mortificações, as voluntárias e as enviadas pelo mesmo Deus.
Ensinam-nos, outrossim:
4. que a meditação sobre o inferno tem eficácia especial na conversão dos pecadores;
5. que a guerra foi um meio de que Deus se utilizou para punir os pecados do mundo;
6. que entre as orações mais eficazes, está a reza do santo rosário;
7. que a salvação do mundo se condiciona à consagração e devoção ao Imaculado Coração de Maria.
Inculcam, enfim:
8. a devoção aos Santos Anjos;
9. o poder do milagre para autenticar a mensagem divina.

Estes pontos todos  concordam perfeitamente com o ensino tradicional da Igreja. É na visão celeste da Corte angélica que cresce no coração dos fiéis a confiança da Bondade Divina, que tão amorosamente providenciou os guias de nossa peregrinação terrena.

Sobre a Virgem Santíssima, de há muito a doutrina constante da Sagrada Hierarquia e a piedade ativa dos fiéis a associaram à obra redentora de Nosso Senhor Jesus Cristo, seu Divino Filho. Como por Maria recebeu o mundo ao Salvador, assim por Maria receberam os homens os frutos da Redenção. A Virgem Santíssima é chamada a Onipotência suplicante, por quanto está sempre a interceder por nós, e suas preces são sempre aceitas do Pai Eterno. Mais; por disposição da Providência, nenhuma graça desce do Céu à terra si se não interpuser a intercessão de Nossa Senhora. Como corolário dessa doutrina tradicional da Igreja, Nosso Senhor determina, em Fátima, que a salvação do mundo Ele a concederá por meio do Imaculado Coração de sua Mãe Santíssima. Nessa mesma ordem da Providência estão as graças especiais concedidas à reza do rosário mariano, como, aliás, já consta da história eclesiástica, desde que foi essa devoção introduzida entre os fiéis.

As guerras e calamidades, desde o Antigo Testamento, são apresentadas como consequência do pecado, e é doutrina tradicional que, como todos os males, também elas entraram no mundo pelo pecado original, fonte dos demais outros.

Importa, no entanto, nos detenhamos mais sobre o espírito de reparação, a penitência e a consideração sobre o inferno.

Reparação e penitência

Ao espírito de reparação, a compaixão nos sofrimentos do Divino Salvador e, consequentemente, nos de sua Mãe Santíssima, nos convidam as expressões cheias de ternura do Discípulo amado que auscultou o Coração de Jesus, e as queixas amorosas do próprio Divino Salvador. A palavra de São João, "Sic Deus dilexit mundum ut Filium suum Unigenitum daret - Deus de tal maneira amou o mundo que entregou seu Filho Unigênito" ( Jo. 3, 16), soa como um brado a despertar em nossos corações as fibras da gratidão; e a de Jesus Cristo, no Horto das Oliveiras, quando se viu oprimido pelos nossos pecados, e triturado pelas nossas ofensas: "Non potuistis una hora vigilare mecum?  -  Não pudestes vigiar uma hora apenas comigo?" (Mat. 26, 40), é uma amorosa censura por nossa falta de compaixão nos seus sofrimentos.

A penitência, a mortificação dos sentidos e da própria vontade são parte essencial da doutrina de Jesus Cristo, constantemente pregada pelos Apóstolos e pela Santa Igreja. É ela condição indispensável para que a pessoa possa entrar no Reino de Deus: "Fazei penitência, porque se aproxima o Reino de Deus" (Mat. 4, 7), prega-nos Jesus Cristo. "Fazei penitência e seja cada um de vós batizado no nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados" (At. 2, 38), confirma o Príncipe dos Apóstolos. Por seu turno, a mortificação, à imitação de Jesus Cristo, obediente até à morte, e aceitando todos os sofrimentos que torturaram seu Corpo sacrossanto, deve acompanhar o fiel que deseja manter sua união com o Divino Salvador: "Trazemos sempre em nosso corpo os traços da morte de Jesus para que também a vida de Jesus se manifeste em nós" ( 2 Cor. 4, 10), diz São Paulo de si mesmo, e recomenda a mesma norma aos seus discípulos: "Se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se, pelo Espírito [isto é, a graça de Deus], mortificardes as obras da carne, vivereis" (Rom. 8, 13). Depois, a Igreja inculcou sempre aos seus filhos o espírito de penitência. Foi este espírito que povoou os desertos com os santos anacoretas, como foi a renúncia até à morte que deu energia aos Mártires para sofrerem os mais atrozes tormentos por Jesus Cristo. E todos os grandes Santos, os Patriarcas das Ordens e Congregações religiosas puseram sempre a penitência como fundamento para chegarem, eles mesmos e seus discípulos, à vida de união com Jesus Cristo.

A natureza decaída exige a penitência

A razão por que a penitência é assim tão necessária é a concupiscência que habita em nosso corpo de pecado. É a lei da carne que se opõe à virtude: "Sinto nos meus membros, diz São Paulo, outra lei que luta contra  a lei de meu espírito e que me prende à lei do pecado, que está no meu corpo" (Rom. 7, 23). Este fato, esta luta, esta contradição íntima de nossa natureza, que nos leva a fazer o mal que reprovamos, é que nos obriga a uma vigilância, uma mortificação contínua, a fim de que, auxiliados pela graça de Deus, em nós não domine o pecado, mas vivamos segundo o Espírito de Jesus Cristo. A exortação, pois, do Salvador no Jardim das Oliveiras, "vigilate et orate ne intretis in tentationem" (Mat. 26, 41), vale para todos os tempos. Oração e penitência recomenda Maria Santíssima em Fátima, para a conversão dos pecadores.

De fato, a oração e a penitência, assumida com espírito de reparação, à imitação de Jesus Cristo, não apenas valem para o fiel que as pratica, como o torna colaborador na obra redentora do Filho de Deus, conforme a palavra do Apóstolo: "Alegro-me nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne por seu corpo que é a Igreja" (Col. 1, 24).

Em suma, deve o cristão, para santificar-se e colaborar na conversão dos pecadores, levar uma vida nova, santa em Cristo Jesus, e isso dele pede que, pela mortificação contínua dos seus membros, renuncie tudo o que há de mundano: a devassidão, a impureza, as paixões, os maus desejos, a concupiscência, a ira, a cólera, maledicência, a maldade, as palavras torpes, etc. (Cf. Col., 3, 5-8).

Não há dúvida que a luta que se pede ao fiel é um combate duro, porquanto o inimigo é interno, aliciante e, bem manejado pelo Príncipe deste mundo, é sem a graça de Deus, invencível.

Benefícios da meditação sobre o inferno

Uma dessas graças que devem ser arroladas entre as forças que vencem nossas tendências para o mal, é a consideração dos novíssimos, conforme a expressão da Escritura: "Memorare novissima tua, et in aeternum non peccabis" (Ec. 7, 40). E entre os novíssimos o que causa maior impressão e, por isso, goza de especial eficácia para arrancar o homem animal, que somos, ao vício, e orientá-lo à prática da virtude, é o inferno com suas penas eternas, a perda da bem-aventurança e o fogo interminável.

Frequentes vezes propôs o Salvador o fogo inextinguível do inferno como meio para levar seus discípulos à prática dos Mandamentos: "Se a tua mão for para ti ocasião de queda, corta-a; melhor te é entrares na vida eterna aleijado, do que, tendo duas mãos, ires para a Geena, para o fogo inextinguível [...]. Se o teu pé for para ti ocasião de queda, corta-o fora; melhor te é entrares na vida eterna aleijado, do que, tendo dois pés, seres lançado à Geena do fogo inextinguível [...]. Se o teu olho for para ti ocasião de queda, arranca-o; melhor te é entrares com um olho de menos na Reino de Deus do que, tendo dois olhos, seres lançado à Geena do fogo, onde [...] o fogo não se apaga" (Marc. 9, 42 ss.). Em São Mateus, o Senhor nos adverte que não devemos temer os que matam o corpo, mas não podem matar a alma, pois devemos "temer antes Aquele que pode precipitar a alma e o corpo na geena" (Mat. 10, 28). O mesmo intencionava o Salvador, quando declarava a sentença do Juízo Final: "Ide, malditos, para o fogo eterno que foi preparado para o demônio e seus anjos" (Mat. 25, 41).

Idêntica doutrina, igual exortação encontramos nos escritos dos Apóstolos. São Paulo frequentemente adverte que os pecadores não possuirão o Reino de Deus, e São João, no Apocalipse, assim fala do castigo eterno que aguarda os sequazes do demônio: "Se alguém adorar a fera e a sua imagem, e aceitar o seu sinal na fronte ou na mão, há de beber também o vinho da cólera divina, o vinho puro deitado no cálice da sua ira. Será atormentado pelo fogo e pelo enxofre diante dos seus Santos anjos e do Cordeiro. A fumaça do seu tormento subirá pelos séculos dos séculos [isto é, eternamente]. Não terão descanso algum, dia e noite, esses que adoram a fera e a sua imagem, e todo aquele que acaso tenha recebido o sinal do seu nome" (14, 9-11). Mais abaixo volta a falar da pena que espera os pecadores: "Cada um foi julgado segundo suas obras [...]. A segunda morte é esta: o flagelo do fogo. Se alguém não foi encontrado no livro da vida, foi lançado ao fogo" (20, 13 ss.).

Com semelhante doutrina, não admira que os autores ascéticos proponham a meditação do inferno como salutar para obter a conversão e salvação dos pecadores e, mesmo, o afervoramento dos bons, porquanto o inferno também nos mostra o amor que Jesus nos teve liberando-nos de cativeiro tão horrendo. Vem a propósito salientar que Santo Inácio de Loyola no Livro dos Exercícios Espirituais  -  livro elogiado e recomendado por inúmeros Papas  -  entre as meditações fundamentais da primeira semana, a semana que deve determinar a conversão do exercitante, coloca a reflexão sobre o inferno precisamente à maneira como Nossa Senhora o propôs aos videntes de Fátima: falando intensamente aos sentidos.


domingo, 7 de maio de 2017

HOMILIA DOMINICAL - 3º Domingo depois da Páscoa

   Leituras: Primeira Epístola de São Pedro Apóstolo, 2, 11-19.
                   
                   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João, 16, 16-22: 

       
 Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Ainda um pouco, e já não me vereis; mais um pouco de tempo e me tornareis a ver, porque vou ao Pai'. Disserem, então, alguns dos seus discípulos entre si: 'Que é isto, que Ele nos diz?: Ainda um pouco de tempo e não me vereis; mais um pouco de tempo e me tornareis a ver, porque vou para o Pai?' Diziam, pois: 'Que quer dizer com isso: 'Um pouco de tempo'? Não sabemos o que Ele quer dizer'. Conheceu, porém, Jesus que eles O queriam interrogar, e disse-lhes: 'Sobre isso discutis entre vós, porque eu disse: Ainda um pouco de tempo e não me vereis; mais um pouco de tempo e me tornareis a ver. Em verdade, em verdade eu vos digo: Haveis de chorar e vos lamentar, enquanto o mundo há de alegrar; vós estareis tristes, mas a vossa tristeza se converterá em gozo. Uma mulher, quando dá à luz, tem tristeza, porque veio a sua hora, mas logo que a criança nasce, já não se lembra da aflição, pela alegria por haver nascido ao mundo um homem. Assim vós outros, agora estais tristes, mas outra vez vos verei; então alegrar-se-á o vosso coração; e ninguém vos há de tirar a vossa alegria'. 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

 
 Com o Santo Evangelho de hoje a Santa Madre Igreja já vai nos preparando para a festa da Ascensão de Jesus ao Céu. Este Evangelho é tirado do sermão que Jesus fez aos Apóstolos na tarde de última Ceia, com o fim de os preparar para a Sua volta para o Céu, tendo que passar antes pela Sua Paixão, Morte e Sepultura, Ressurreição e depois então de ainda  40 dias aqui na terra, realizar Sua Ascensão aos Céus.

 
 Assim, no sentido literal, "aquele pouco de tempo" significava que Jesus no outro dia iria morrer, e seria sepultado, e assim seus discípulos ficariam três dias incompletos sem poder vê-Lo. Depois deste pouco de tempo novamente o veriam ressuscitado e se alegrariam. Ainda ficaria com eles mais um pouco de tempo, isto é, 40 dias e não o veriam mais porque subiria para o Céu, voltando para o Seu Pai. 
   Ainda no sentido literal podemos dizer que "aquele pouco de tempo" também significava o tempo do resto da vida deles, e morrendo iriam também para o Céu, onde voltariam a ver a Jesus, e agora, não mais o deixariam de ver, e ninguém poderia tirar-lhes este gozo. É a felicidade eterna. 
   Estiveram tristes e acabrunhados na Paixão, Morte e Sepultura do Divino Mestre, mas se alegraram grandemente em vê-lo ressuscitado. Ficaram novamente tristes em ver Jesus se separando deles e subindo para o Céu. O mundo os perseguiu. E eles tudo sofreram por amor a Jesus. E estes mesmos sofrimentos, estas mesmas tristezas se transformaram em merecimentos que lhes proporcionaram um maior gozo no céu na beatífica Visão de Deus. Agora ninguém lhes poderá tirar esta alegria perfeita, pois é eterna. 


 Num sentido moral,  o Santo Evangelho se aplica também a nós. Na verdade, a nossa vida, por mais longa que seja é "um pouquinho de tempo" em comparação da eternidade para a qual caminhamos. Se agora fizermos penitência, renunciarmos a nós mesmos, morrermos para à nossas paixões desregradas, todas as virtudes, enfim tudo isto de que o mundo zomba, se converterá em alegria, em maiores merecimentos que nos proporcionarão também uma glória maior no Céu, por toda a eternidade. Ninguém no-la poderá tirar. Por um pouquinho de sofrimento, um peso imenso de glória por toda a eternidade. 

   Ó Jesus, ajudai-nos a trabalhar e a sofrer de bom coração agora por amor a Vós, e, depois das fatigas e lágrimas deste exílio, depois deste pouquinho de tempo que vai do berço ao túmulo, concedei-nos o repouso e a alegria dos santos no Céu. Assim seja!