SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

domingo, 21 de agosto de 2016

LIÇÕES ESPIRITUAIS DA FESTA DA ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA

   Quando rezamos o Santo Têrço e meditamos os mistérios gloriosos, no quarto mistério meditamos na Assunção de Nossa Senhora aos Céus e pedimos como fruto deste mistério a graça da perseverança final. Na verdade, a Assunção de Maria Santíssima nos mostra o caminho espiritual para chegarmos ao céu. Morrendo na graça de Deus, ganhamos o céu. Isto significa que o nosso corpo ressurgirá glorioso e irá brilhar como o sol no dia do Juízo final que se dará no fim do mundo. Então sim, quem se salvou, subirá juntamente com Jesus Cristo e os demais santos, para o céu em corpo e alma.
   Enquanto peregrinamos neste vale de lágrimas, lutamos para seguir sempre o caminho do céu. A Assunção nos ensina alguns meios de conseguirmos a meta final, o nosso último Fim. Quais são estas lições espirituais?
1º - Recorda-nos que a nossa morada permanente não é a terra mas o céu. Somos peregrinos e estrangeiros. A oração da Missa de hoje assim diz: "Deus todo poderoso e eterno que elevastes à glória do céu, em corpo e alma, a Imaculada Virgem Maria, Mãe do Vosso Filho, concedei-nos a graça de aspirarmos sempre às coisas do alto, para merecermos compartilhar da sua glória". Assim, pois, a festa da Assunção de Nossa Senhora é para nós um poderoso apelo a desejarmos sempre as coisas do alto, isto é, do céu; o corpo, depois da ressurreição da carne, também será acolhido no céu e admitido a participar da glória da alma. Esta completa glorificação da nossa  humanidade, que não só para nós, mas também para todos os santos se efetuará no fim do mundo, contemplamo-la hoje plenamente realizada em Maria, nossa querida Mãezinha do Céu. Que motivo de inefável alegria para os seus verdadeiros filhos devotos!!! O privilégio da Assunção convida-nos fortemente a elevar toda a nossa vida, não só do espírito, mas também a dos sentidos, ao nível da vida celestial que nos espera.
   A Assunção nos ensina assim três coisas que constituirão a nossa senda luminosa para o Paraíso: desprendimento da terra, impulso para Deus e união com Deus.
   Nossa Senhora foi elevada aos céus em corpo e alma por ser a Imaculada,  isenta não só de toda sombra de culpa, mas ainda do menor apego às criaturas da terra, que nunca teve impressa na alma forma de qualquer criatura, nem por ele se moveu ( S. João da Cruz). A primeira condição para chegar a Deus é a pureza total, fruto do desapego total. Nossa Senhora que viveu a nossa vida terrena num desprendimento absoluto de todas as coisas criadas, ensina-nos a não nos deixarmos prender pelo encanto das criaturas, mas a vivermos no meio delas, a ocuparmo-nos delas com muita caridade, sim, mas sem prender a elas o coração, sem jamais procurar nelas a nossa satisfação.
  A Virgem da Assunção fala-nos também do impulso para o céu, para Deus. Não basta purificar o coração de todo o pecado e de todo o apego; é preciso, ao mesmo tempo,  lançá-lo para Deus, tender para Ele com todas as nossas forças. A nossa vida terrena tem valor de vida eterna enquanto é impulso para Deus, enquanto é uma contínua busca de Deus, uma contínua adesão à Sua graça. Este impulso nunca pode deixar de crescer. Parar é retroceder. Não se afervorar sempre é cair na tibieza. Não remar contra a correnteza é ser arrastada por ela.
   Finalmente, a Assunção da Virgem Santíssima nos ensina a união com Deus. Porque Maria Santíssima foi elevada ao céu por ser a Mãe de Deus e este seu máximo privilégio, origem e causa de todos os outros, evoca especialmente a união íntima com Deus; a sua Assunção à união beatífica do céu fala-nos também dessa união. A Assunção de Nossa Senhora confirma-nos, portanto, nesta grande e doce verdade: fomos criados e chamados à união com Deus. Assim, caríssimos e amados irmãos, com os olhos fixos em Nossa Senhora Assunta ao Céu, será mais fácil caminhar: Nossa Mãe mesma será a nossa guia, a nossa força, a nossa consolação em qualquer luta, tentação e adversidade.
   Ó Nossa Senhora Assunta ao céu, nós nos alegramos convosco. Olhai para nós pobres pecadores! Erguemos os nossos olhos para Vós que sois, depois de Jesus, a nossa vida, nossa doçura e esperança. Chamai-nos com a suavidade da vossa voz, para nos mostrar um dia, depois do nosso exílio, Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria"! Amém!

HOMILIA DOMINICAL - 14º Domingo depois de Pentecostes

   Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo ao Gálatas 5, 16-24.
                   Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 6, 24-35


Uma paisagem da Palestina."Olhai para as aves do céu..."
   Evangelho: Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Ninguém pode servir a dois senhores. Porque, ou há de aborrecer a um e amar o outro, ou há de acomodar-se a este e desprezar aquele. Não podeis servir a Deus e às Riquezas. Por isso vos digo: não vos inquieteis por vossa vida, com o que comereis, nem por vosso corpo, com o que vestireis. Não é a vida mais que o alimento, e o corpo mais que a vestimenta? Olhai para as aves do céu. Elas não semeiam, nem colhem, nem fazem provisão nos celeiros; contudo, vosso Pai celestial as sustenta. Não valeis vós muito mais do que elas? Qual de vós pode com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado sequer a sua estatura? E pela vestimenta, porque vos inquietais? Considerai como crescem os lírios do campo. Não trabalham nem fiam. Entretanto, digo-vos que nem Salomão, com toda a sua glória, se vestiu como um deles. Se, pois, Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, que não fará por vós, homens de pouca fé? Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? Os pagãos é que se preocupam com essas coisas. Bem sabe vosso Pai que tendes necessidade de tudo isso. Procurai, antes de tudo, o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo isso vos será dado por acréscimo". 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Antes de tudo, Nosso Senhor Jesus Cristo enuncia um princípio geral: Ninguém pode servir a dois senhores ao mesmo tempo. Evidentemente trata-se de dois senhores de sentimentos e vontades opostas, incompatíveis entre si. Por isso, seguir um, significa forçosamente rejeitar o outro; odiar um é amar o outro. E quais sejam esses dois senhores, Jesus esclarece-o logo: "Não podeis servir a Deus e a Riqueza". No texto original está a palavra Mammona que os comentadores traduzem pela expressão: Dinheiro ou Riquezas. Mammon era, com efeito, o deus das riquezas, entre os sírios. Mammon está, pois, aqui como um deus falso oposto ao Deus verdadeiro. Na verdade, o dinheiro é o deus dos avarentos. São Paulo dizia que o estômago é o deus dos inimigos da cruz de Cristo, os gulosos: "Quorum deus, venter est". Para os libidinosos o seu deus é o prazer carnal; para os soberbos é o seu "eu". A ele, os mundanos sacrificam tudo: trabalhos, sofrimentos, pesares, e... até a vida eterna. 
A morte do mau rico: As riquezas são um perigo e,
quando mal empregadas, levam aos tormentos eternos.
O pobre Lázaro morreu e foi conduzido ao Seio de
Abraão, ou seja, ao Céu. Lembremo-nos que Abraão
possuía muitas riquezas, mas não tinha nenhum
apego a elas e empregou-as para o bem. 
   O Divino Salvador condena o amor das riquezas, esse amor desordenado que acorrenta o coração do homem, fazendo-o esquecer os interesses da sua alma. Mas não condena o justo cuidado que deve ter todo homem de prover com o trabalho a sua própria subsistência, e a daqueles que lhe foram confiados. O Divino Mestre não disse: - não podeis servir a Deus, e ser ricos; mas não podeis servir (ao mesmo tempo) a Deus e ao Dinheiro. Há, com efeito, muitos santos que , sendo ricos, serviram-se santamente dos bens da fortuna. Foram donos de seus bens, e não escravos deles.
   "Não vos inquieteis dizendo: Que havemos de comer, ou que havemos de beber, ou com que havemos de nos vestir? Porque os pagãos é que se preocupam com todas estas coisas, mas vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isto". Quanto maior, quanto mais urgente é a necessidade, tanto mais sólida deve ser a nossa confiança em Deus, porque Ele nos prometeu o necessário, não o supérfluo. 
   Depois de apresentar várias razões para confiarmos na Providência Divina, Nosso Senhor Jesus Cristo tira a conclusão: "Procurai, pois, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça; e todas estas coisas se vos darão por acréscimo".  Quer dizer, antes de tudo, acima de tudo, procurai o reino de Deus, empregai toda a atenção, solicitude e vigilância de que sois capazes na obtenção dos bens celestes, da felicidade eterna. E que significa  - e a sua justiça? Quer dizer os meios que conduzem à salvação, à vida eterna, a saber, a graça de Deus, as virtudes cristãs, as boas obras, numa palavra, tudo o que nos torne justos e santos diante de Deus, seus verdadeiros servos e seus filhos muito amados. E que significam as palavras: e o resto vos será dado por acréscimo? Quer dizer o seguinte: se vós fordes fiéis em bem servir a  Deus, em Lhe agradar em tudo, Ele, como bom Pai, tomará a seu cargo dar-vos tudo o que, na terra, é necessário à vida do corpo. "Fui moço, dizia Davi, e agora sou velho, e nunca vi o justo abandonado nem os seus filhos mendigando o pão".
Uma paisagem da Palestina. "Considerai como crescem
os lírios do campo..."
   Dizendo que os bens temporais nos serão dados por acréscimo, Jesus nos faz entender que eles não fazem parte da recompensa que merecemos pelas nossas boas obras, cuja medida nos será dada no céu. Esses bens constituem, apenas, um dom liberalmente acrescentado à medida cheia e completa  que havemos de ter na Pátria celestial.
    Antes de terminar quero já responder a uma possível pergunta: Sendo muitos os vícios capitais, por que Nosso Senhor Jesus Cristo fala só da avareza, ao menos aqui, nesta oportunidade? Por vários motivos: Primeiramente, o próprio Divino Espírito Santo diz na Bíblia Sagrada: "A raiz de todos os males é o amor ao dinheiro, por causa do qual alguns se desencaminharam da fé e se enredaram em muitas aflições" (1Tim. 6, 10). E ainda: "Não há coisa mais iníqua do que aquele que ama o dinheiro, porque venderia até a sua mesma alma, visto que se despojou em vida das próprias entranhas" (Eclesiástico 10, 10). A outra razão é que: enquanto os outros vícios soem diminuir com a idade, a avareza cresce. E ainda podemos dizer que este vício capital, mais do que os demais, engana com pretextos: a necessidade de se prevenir para o futuro, garantir o sustento dos filhos também para o futuro; é preciso trabalhar etc. A avareza leva muitos a perder a fé, e leva à impenitência final. Vede o exemplo de Judas Iscariotes. Os demais vícios muitas vezes aparecem odiosos e humilham. A avareza alimenta e facilita os demais vícios. Por isso vemos que é por aí que o demônio começa. É o caminho mais fácil que o inimigo de nossa alma encontra para perdê-la. 
  Infelizmente, não vemos católicos, alguns que se dizem praticantes e comungam frequentemente, e, no entanto, cometem injustiças, têm ódio daqueles que os lesaram nos seus haveres? Quantos ódios nas famílias por causa de heranças! É coisa muito triste!!! 
    Ó Jesus, concedei-nos a graça de procurar, antes de tudo, o reino de Deus e a sua justiça, para que, usando retamente dos bens da terra, cheguemos, pela prática das virtudes, ao Reino dos Céus. Amém!
   

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

A ASSUNÇÃO DA SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA

   Quem se humilha será exaltado. Maria Santíssima é glorificada na sua morte, na sua ressurreição e assunção, em virtude de sua santidade, especialmente de sua humildade. "O Senhor olhou, -  disse ela no 'Magnificat'. - para a humildade de sua serva... todas as gerações me chamarão bem-aventurada ... depôs do trono os poderosos e exaltou os humildes". 

   Esta é a lei geral: para ser coroado, é necessário ter combatido. E, com relação a nós que somos orgulhosos, o primeiro combate é contra o nosso orgulho. 

   O bom servo do Evangelho não só diz ao seu senhor, que recebeu cinco talentos, mas também que os fez valer. Esforcemo-nos, pois, por assegurar a nossa vocação e eleição para a glória no Céu, por meio das boas obras de que é a recompensa. 

   Maria Santíssima excede em glória a todos os Santos, porque os excedeu a todos em santidade. Deus., para preparar para si uma digna Mãe, não lhe deu riquezas da terra, mas a máxima santidade, pois, fê-la cheia de graça. Mas, com muito mais razão que São Paulo, podia ela dizer: "A graça de Deus não foi vã em mim". 

   Assim como, para conceder a glória eterna, Deus só se funda nos merecimentos, assim também quer que esta glória corresponda exatamente nos merecimentos. Quando Maria Santíssima semeou nas lágrimas, tanto colhe na alegria. Desde a profecia do Velho Simeão até ao alto do Calvário, Maria Santíssima sofreu com o seu filho Jesus. Agora está em corpo e alma ao Seu lado no Céu. 

   E eu também, receberei em proporção do que tiver dado. Maria, Virgem fiel, levai-me atrás de vós pelo caminho doloroso, que conduz a tão feliz termo. Fazei que eu tenha sempre presente este pensamento: que o que me causa tristeza durante e vida, me causará alegria no hora da morte. Amém!

domingo, 14 de agosto de 2016

HOMILIA DOMINICAL - 13º Domingo depois de Pentecostes

   Leituras: Epístola de São Paulo aos Gálatas, 3, 16-22.

   Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas, 17, 11-19:
   
   Aconteceu que, indo Jesus para Jerusalém, atravessava o país da Samaria e da Galileia. Ao entrar numa aldeia, saíram-lhe ao encontro dez leprosos que pararam à distância, e puseram-se a gritar: "Jesus, nosso Mestre, tende compaixão de nós"! Assim que os viu, disse-lhes Jesus: "Ide mostrar-vos aos sacerdotes". E aconteceu que enquanto eles iam, ficaram curados. Um deles, vendo-se curado, voltou atrás, e glorificou a Deus em alta voz; e prostrando-se por terra, aos pés de Jesus, deu-Lhe graças; e este era samaritano. Então, Jesus perguntou: Não foram dez os que ficaram curados? Onde estão, pois, os outros nove? Não houve quem voltasse e viesse dar glória a Deus, senão este estrangeiro. E disse-lhe: Levanta-te a vai: tua fé te salvou.

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Como nota o Santo Evangelista, Jesus estava em viagem. Mesmo em viagem, o Salvador espalha o bem por toda a parte. Aprendamos a praticar, como o Divino Mestre, o bem e a caridade, o nosso dever enfim, em todas as circunstâncias da vida, nesta viagem para a eternidade.
   Estes leprosos são a imagem dos pecadores, como a lepra é a imagem do pecado. Como eles, não deixemos que Jesus passe ao nosso lado, indiferentes aos seus benefícios. Corramos ao Seu encontro para que nos livre da lepra do pecado; não percamos o momento da graça que não sabemos se voltará outra vez. Santo Agostinho dizia: "Temo a Jesus que passa e não volta mais". 
Hoje: a aldeia de Genin. Foi aqui que os dez leprosos se
encontraram com Jesus, pedindo-Lhe, em altos brados
a cura. 
   Estes leprosos estavam à porta da cidade, e pararam à certa distância de Jesus, porque lhes era vedado o convívio com os outros homens, a fim de os não contaminarem. (Naquela época, esta doença horrível não tinha cura e era contagiosa. Hoje, graças a Deus, a medicina oferece tratamento, e a doença não progride e deixa de ser contagiosa). Assim o homem vicioso, atingido pela lepra espiritual, deve ser cuidadosamente evitado, pois não somente o seu exemplo, mas ainda as suas próprias palavras nos trazem o contágio do pecado.
   Caríssimos, observemos que Jesus não curou os leprosos imediatamente, mas ordenou que eles fossem mostrar-se aos sacerdotes. O Salvador quer experimentar a sua fé, obediência e humildade. Segundo a Lei, os sacerdotes deviam verificar e autenticar os casos de cura de um leproso, para lhes restituir os direitos perdidos pela enfermidade. 
    Ora, aqueles homens não estavam ainda curados; mas, porque tiveram fé, receberam a graça desejada, antes mesmo de se apresentarem aos sacerdotes. Também , a todos nós que contraímos a lepra do pecado, diz  Nosso Senhor Jesus Cristo: "Ide mostrar-vos ao sacerdote". Ide, confessar-lhe as vossas faltas, mostrar-lhe a vossa consciência em todo o seu lastimável estado, ou seja, mostrar realmente a alma ao sacerdote com uma confissão sincera, humilde e íntegra. Mas o padre da Nova Lei, não somente verifica os casos de cura, como ainda purifica realmente, pelo poder que lhe foi transmitido pelo Divino Mestre. E muitas vezes acontece que, mesmo antes de ajoelhar-se aos pés do confessor, já o pecador está realmente perdoado, porque a contrição perfeita unida ao desejo sincero de confessar-se, só por si é bastante para nos alcançar o perdão.
   E aconteceu que, enquanto eles iam, ficaram curados. Mas apenas um deles, por sinal um samaritano, voltou para agradecer a Jesus. Este homem, habitante dos confins da Samaria, tinha-se juntado aos leprosos de Israel, vencendo as repugnâncias de raça e de religião. A desgraça tinha-os unido, tinha derrubado o muro que existia entre eles. Mas, desde que se viram livres daquele açoite, os nove judeus já não viram no samaritano mais que o inimigo de seu povo. Separaram-se dele e seguiram o seu caminho. Ele, entretanto, vinha agradecer ao seu benfeitor. "Como? - exclamou Jesus. "Então não foram dez os curados? Não houve quem voltasse para dar graças a Deus a não ser este estrangeiro?" Esta reflexão respira profunda tristeza, que as palavras "este estrangeiro" ainda mais acentuam. Aquele incidente era como que o resumo de toda a Sua missão. Prodigalizara a mãos cheias os seus benefícios a Israel, e seu povo o escorraçava. Uns dias depois, talvez os mesmo que tinham sido curados figurassem entre a turba frenética que reclamava a sua morte. Consola-O o samaritano, símbolo de todos os filhos da gentilidade, que haveriam de receber com fé e reconhecimento o benefício da redenção. Basta lermos o que o mesmo São Lucas escreve nos Atos dos Apóstolos. 
   Disse Jesus ao samaritano adorador agradecido: "Levanta-te e vai: que a tua fé te salvou". Também os outros nove deveram a sua cura à fé com que obedeceram à determinação do Divino Mestre, ma só este estrangeiro agiu conforme a sua fé e segundo as suas inspirações; só este voltou a dar graças e a proclamar bem alto o nome do seu Salvador. Por isso só foi louvada a fé deste samaritano. Os Santos Padres dão ainda uma outra explicação a estas palavras de Jesus: A tua fé te salvou: A sua fé valeu-lhe, ao mesmo tempo, a cura do corpo e a justificação espiritual. Além disso, esta gratidão mereceu-lhe a graça especial, não só de renunciar ao cisma dos Samaritanos, mas também de abraçar a religião de Nosso Senhor Jesus Cristo e de publicar as maravilhas de misericórdia de que acabava de ser objeto. Entretanto, os outros nove, como comenta São Beda, depois de também, pela sua fé, terem obtido a cura, perderam-se contudo pela sua ingratidão. 
   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo, tenhamos fé nas palavras do Divino Mestre: "A quem perdoardes os pecados, serão perdoados... Ide, mostrai-vos ao sacerdote". Façamos com humildade, sinceridade e fé as nossas confissões e saibamos dar ações de graças à Misericórdia infinita de Nosso Divino Salvador. Amém!.
   

domingo, 7 de agosto de 2016

HOMILIA DOMINICAL - 12º Domingo depois de Pentecostes

   Leituras: Segunda Epístola ao Coríntios, capítulo 3, versículo 4-9.
                   Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas, 10, 23-27. 


   
   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   O Divino Mestre acabara de dizer aos seus discípulos: "Alegrai-vos por ter os vossos nomes escritos nos Céus!" E um doutor da Lei, para tentar a Jesus, perguntou-Lhe: "Mestre, que devo fazer para possuir a vida eterna?" Que pergunta importante, capital! No entanto, o doutor da Lei fê-la com má intenção: queria armar uma cilada ao Salvador e esperava obrigá-Lo a dizer algo contrário às tradições recebidas, para assim poder acusá-Lo. O orgulho, diz São Gregório Magno, é o sinal mais certo da condenação de uma alma. 
   Nosso Senhor, Sabedoria infinita, para mostrar a inutilidade da insidiosa pergunta do doutor e a sua má fé, coloca-o na obrigação de ser ele mesmo, doutor da Lei, a dar a resposta: "Vós, doutor da Lei, encarregado de explicá-la aos outros, dizei-me, que está escrito na Lei? Como ledes vós"? 
  Caríssimos e amados irmãos, prouvera a Deus que antes de fazer ou empreender qualquer coisa, perguntássemos a nós mesmos: "Que está escrito na Lei de Deus e da Santa Igreja"? Quais são os meus deveres de estado diante de Deus? Evitaríamos, sem dúvida, muitas faltas!
   Mas voltemos ao doutor da Lei. Este escriba não teve mais que repetir os dois preceitos fundamentais que Moisés tinha dado aos Israelitas: "Amarás o Senhor, teu Deus, e o próximo como a ti mesmo". Fê-lo como quem conhece a sua cartilha, e merece a felicitação de Jesus. Mas sentia-se humilhado; necessitava justificar a sua atitude diante do público. - Amar o próximo, está bem; isso já todos nós sabíamos. "Mas quem é o meu próximo"? 
Jericó, cidade das palmeiras e flores, no fundo vê-se o deserto que se
estende até Jerusalém, num percusso de 38 Km.
   De Jericó a Jerusalém é um terrível deserto. É uma subida abrupta, montanhosa, acidentada, ladeada de barrancos, uma subida de uns trinta e oito quilômetros,  cujos extremos apresentam uns mil metros de desnível. Jericó é um oásis, a cidade mais antiga do mundo (várias vezes reconstruída) e também a mais baixa do mundo, a 340 metros abaixo do nível do mar. Pois bem, Jesus situa a sua parábola do bom Samaritano neste cenário. 
   Nosso Senhor Jesus Cristo, a Sabedoria eterna, graças a uma inexcedível mestria, vai obrigar o legista a confessar uma coisa que parecia um absurdo na boca de um doutor da lei. "Israelita que matar um pagão, dizia o Talmud - não merece a morte, porque o pagão não é próximo" E um samaritano? Os judeus tinham um ódio e desprezo profundos por eles. Tanto assim, que, quando os doutores do templo quiserem exprimir todo o ódio que tinham a Jesus, chamar-lhe-ão samaritano. 
   Contada a parábola, só faltava tirar a moral da história: - "Qual dos três, perguntou Jesus ao doutor, é, na tua maneira de ver, o próximo daquele que caiu na mão dos ladrões? Não havia dúvida possível, mas o escriba absteve-se, com muita habilidade, de pronunciar o nome odioso: - "O que se compadeceu dele -responde" - "Então vai, exclamou Jesus secamente - e faze tu o mesmo". Como se dissesse: Tem presente sr. doutor da lei, que a lei da caridade deve-se observar em relação a todos: judeus e pagãos, descendentes de Abraão e samaritanos. Jesus não se quer limitar a oferecer uma descrição bonita ou a dar uma lição teórica: "Faze tu o mesmo". Na verdade a ideia não tem valor nenhum se não se transforma em vida. Faze tu o mesmo, ainda que se trate de um infiel, de um inimigo, de um samaritano. 
   A parábola do bom Samaritano é o quadro mais belo e mais perfeito que se poderia fazer do amor do próximo. O Samaritano um homem por terra, mortalmente ferido. Para ter o amor do próximo, para praticar esta virtude, é preciso primeiro ver, não desviar os olhos da miséria que se nos apresenta. Não basta; é preciso ainda saber ver, deter-se um instante no caminho, considerar e compreender os males alheios, e não fazer como o sacerdote e o levita, que viram e passaram. Depois é preciso ter compaixão, aproximar-se, pelo coração, daqueles que sofrem, não limitar-se a uma compaixão estéril, mas imitar o Samaritano, dar como ele, em favor do próximo, tempo, dinheiro, trabalho, a sua própria pessoa, em uma palavra, dedicar-se como uma boa mãe. 

    Caríssimos e amados fiéis em Nosso Senhor Jesus Cristo, a parábola do Samaritano tem ainda uma explicação que lhe deram os Santos Padres, e que não convém deixar em silêncio. Explicam eles: - O homem que caiu em poder dos ladrões, é o pecador abandonado, semi-morto, na estrada da vida, moralmente ferido pelo demônio em suas faculdades naturais, e por ele despojado dos bens sobrenaturais. O sacerdote e o levita que passam sem socorrê-lo, é a Sinagoga tão somente preocupada com a leitura da Santas Escrituras, lendo-a sem compreendê-la, estudando-a sem praticá-la. O Samaritano, é Nosso Senhor Jesus Cristo que desce da Jerusalém celeste e atravessa a terra coberta de demônios que invadiram a criação inteira. Jesus viu a humanidade despojada da graça e semi-morta, teve compaixão do seu estado, aproximou-se, e, abrindo o vaso precioso da sua santa Humanidade ferida pelos nossos crimes, dele tirou o óleo das suas lágrimas e o vinho do seu sangue, para curar-lhe as chagas. Depois, tomou nos braços o pobre pecador, o fez subir à sua própria cruz, e o conduziu à hospedaria que é a sua Igreja. Passou à cabeceira do enfermo uma primeira noite, e, no dia seguinte, na manhã da sua ressurreição, chamou o estalajadeiro, os ministros da Igreja, e lhe disse: Cuidai bem desse enfermo. Eis aqui dois dinheiros - o Evangelho e os Sacramentos; com esses recursos cuidai do seu completo restabelecimento e, quando voltar - no dia do juízo - então te pagarei todo o restante do vosso trabalho.

   Caríssimos, terminemos com uma oração de Santa Catarina de Sena: " Ó Cristo, doce Jesus, concedei-me esta santa caridade a fim de perseverar no bem e de jamais me afastar dele, pois quem possui a caridade está fundado em Vós, rocha viva e, segundo os Vossos exemplos, aprende de Vós a amar o seu Criador e o seu próximo. Em Vós, ó Cristo, leio a regra e a doutrina que me convém guardar, porque Vós sois o caminho, a verdade e a vida; lendo em Vós, poderei seguir o caminho reto e atender somente à honra de Deus e à salvação do próximo". Amém!
   
   
   

sábado, 6 de agosto de 2016

O Sacrifício do Altar perpetua a memória de Jesus

Extraído do Livro "JESUS CRISTO NOS SEUS MISTÉRIOS"  escrito pelo Beato D. Columba Marmion.


   "Quando o nosso divino Salvador instituiu este mistério, com o fim de perpetuar os frutos do Seu Sacrifício, disse aos Apóstolos: Hoc facite in meam commemorationem - "Fazei isto em memória de mim" (S. Lucas XXII, 19; I Cor. XI, 24). Assim, além do fim principal, que é renovar a Sua imolação e fazer-nos participar dela pela Comunhão, Jesus Cristo ajuntou à Eucaristia um caráter de memorial. E como é que este mistério conserva a lembrança de Cristo? Como é que o recorda aos nossos corações?

   A Eucaristia conserva a recordação de Jesus, primeiro como Sacrifício.

   Sabeis muito bem que há um só sacrifício completo, total, perfeito, que tudo saldou e tudo satisfez, que tudo mereceu e do qual deriva toda a graça: o Sacrifício do Calvário. Não há outro. - "Por uma oblação única, diz São Paulo, Jesus Cristo levou para sempre à perfeição aqueles que são santificados" (Hebr. X, 14).  
   Mas, para que os méritos deste sacrifício sejam aplicados a todas as almas de todos os tempos, Jesus Cristo quis que ele fosse renovado no altar. O altar é outro Calvário, onde é recordada, representada, reproduzida a imolação da cruz. Assim, por toda a parte onde houver um sacerdote para consagrar o pão e o vinho, conserva-se a lembrança da Paixão. O que se oferece e dá no altar é "o corpo que foi entregue por nós, o sangue que foi derramado pela nossa salvação". É o mesmo Pontífice, Jesus Cristo, que os oferece pelo ministério dos Seus sacerdotes. Como não pensar, pois, na Paixão, quando assistimos ao Sacrifício da Missa, no qual tudo é idêntico, menos a maneira como se faz a oblação? 
   Não se celebra nenhuma Missa, não se faz nenhuma Comunhão sem que venha à mente a lembrança de Jesus que se entregou à morte para resgatar o mundo. Porque, diz São Paulo, "todas as vezes que comerdes este pão e beberdes deste cálice, anunciais, recordais a morte do Senhor; e assim será, até que Ele venha no último dia" (I Cor. XI, 26). 
   Assim se perpetua, viva e fecunda, até ao fim dos séculos, a lembrança de Cristo no meio daqueles que veio resgatar pela Sua imolação. 
   A Eucaristia é, pois, o perfeito memorial que Jesus deixou da Sua Paixão e Morte; é o testamento do Seu amor. Por toda a parte onde se oferece o pão e o vinho, onde se encontra a hóstia consagrada, é recordada a imolação de Cristo: "Fazei isto em memória de mim".
   A Eucaristia recorda-nos, antes de mais nada, a Paixão de Jesus. Foi na véspera da morte que Jesus a instituiu; foi como testamento do Seu amor que no-la deixou. 
   Contudo, não exclui os outros mistérios. Vede o que faz a Igreja. É a Esposa de Cristo, ninguém melhor do que ela conhece as intenções do seu divino Chefe; na organização do culto público que Lhe presta, é guiada pelo Espírito Santo. E que diz ela? Apenas terminada a Consagração, lembra primeiro as palavras de Jesus: "Hoc facite in meam commemorationem" - "Fazei isto em memória de mim". E logo a seguir, para mostrar até que ponto faz seus os sentimentos do Esposo, acrescenta: "Por isso, Senhor, nós Vossos servos e conosco esta Vossa santa assembleia, em memória da bem-aventurada Paixão do mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor e da Sua Ressurreição, bem como da Sua gloriosa Ascensão aos céus, oferecemos à Vossa divina Majestade... o pão sagrado da vida eterna e o cálice da salvação eterna".
   Assim pois, conquanto a Eucaristia recorde diretamente e em primeiro lugar a Paixão de Jesus, não exclui a lembrança dos mistérios gloriosos que tão estreitamente se encadeiam com a Paixão, da qual, em certo sentido, são o complemento. 
   Visto ser o corpo e sangue de Jesus Cristo que recebemos, a Eucaristia pressupõe a Encarnação e os mistérios que nela se baseiam ou dela derivam. Jesus Cristo está no altar com a Sua vida divina que não cessa jamais, com a sua vida mortal cuja forma histórica cessou, sem dúvida, mas cuja substância e merecimentos permanecem, com a Sua vida gloriosa que não tem fim. 
   Tudo isto, como sabeis, está realmente contido na sagrada hóstia e é dado em comunhão às nossas almas. Dando-se a nós, Jesus Cristo entrega-se na totalidade substancial das Suas obras e dos Seus mistérios, bem como na unidade da Sua pessoa. Sim, diremos com o salmista que cantava com antecedência a glória da Eucaristia, "o Senhor deixou ao Seu povo uma lembrança das suas maravilhas; na sua misericórdia e bondade, deu alimento àqueles que O temem" (Salmo 110, 4-5). 
   A EUCARISTIA É COMO QUE A SÍNTESE DAS MARAVILHAS DO AMOR DO VERBO ENCARNADO PARA CONOSCO. 

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

QUEM OFERECE A SANTA MISSA?

   Extraído do Livro "JESUS, REI DE AMOR" do Beato Padre Mateo Crawley-Boevey, SS. CC.

   São três pessoas, cuja atuação, no entanto, se apresenta com valores litúrgicos muito diferentes.

  Em primeiro lugar, o Pontífice adorável, o Cristo Jesus, o "Sumo Sacerdote segundo a Ordem de Melquisedech" - Oficiante Divino e ao mesmo tempo Oblação Sacramental Sacrossanta.

   Em segundo lugar - por Ele, com Ele e n'Ele - o sacerdote, esse "outro Cristo", oficialmente tornado ministro expressamente para oferecer o Santo Sacrifício. Sacerdotium propter sacrificium: o sacerdote foi criado para oferecer o Sacrifício; o Padre, ao executar no altar esta "ação máxima", o faz investido do Sacerdócio e do poder de Cristo, segundo a palavra do Salvador na última Ceia: "Fazei isto em memória de Mim".

   E finalmente - de certo modo em concomitância espiritual - os fiéis, embora restrita e discretamente, também oferecem o Sacrifício da Vítima. E, sendo a Missa essencialmente um culto social e público, exige sempre a Igreja a presença, no altar, de um representante do povo: é aquele que ajuda à Missa. Este, na sua função oficial de "deputado" do povo, deve apresentar ao celebrante o vinho e a água, e manter com o sacerdote o diálogo estabelecido desde os primeiros séculos como forma litúrgica para a celebração do Santo Sacrifício.

   Notamos com satisfação imensa que desde algum tempo muito se tem pregado e escrito sobre a Santa Missa. E por esse meio - forçoso é reconhecê-lo - têm os fiéis avançado muito na estrada que conduz ao Altar, e com fé mais viva e esclarecida. Confessamos, entretanto, que estamos longe ainda do ideal da Igreja nesse sentido...

   São ainda demasiado numerosos os bons aos quais falta uma sólida instrução religiosa... São legião aqueles que vêm à Missa quase que somente para comungar - de certo que não para participarem do Santo Sacrifício, para glorificarem a Santíssima Trindade... Quantas e quantas almas piedosas reduzem a Divina Eucaristia ao Pão consagrado que se distribui na Santa Mesa!

   A Santa Missa é, para esses, uma bela cerimônia litúrgica durante a qual, segundo o uso estabelecido, é permitido comungar... A Missa não é, para esses, o grande Sacrifício, verdadeiro centro da Igreja: é apenas a chave de ouro que lhes abre o Tabernáculo quando, por devoção toda particular, pessoal, desejam receber a Jesus-Hóstia... São esses que, durante toda a Missa, rezam terços e novenas, sem consciência do divino drama que se desenvolve no Altar... São esses os que separam o Sacrifício do Sacramento.

   Como tinha razão o grande teólogo que escreveu: "Aquele que não sabe apreciar a Santa Missa não será jamais uma alma verdadeiramente eucarística; jamais saberá apreciar a Santa Comunhão, mesmo que a receba todos os dias..." De fato, a ignorância, de par com a rotina, desempenha, neste caso, um papel nefasto, transformando o Santíssimo Sacramento em devoção insípida e sem substância.