SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

sexta-feira, 19 de abril de 2019

SERMÃO DA PAIXÃO - A MORTE NA CRUZ

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Ao lado de Maria Santíssima assistamos a morte de Nosso Divino Salvador.

   Três horas da tarde... A treva que, desde o meio dia se vinha adensando sempre mais e mais, era agora pesada e lúgubre como um manto de chumbo a cair sobre os circunstantes. Em torno da cruz, medrosa e indecisa, como a espiar o momento favorável, pairava a morte. Mas a morte não ousava aproximar-se da Vida. 

   Recolhendo as últimas forças, deu Jesus um grande grito, ergueu os seus olhos para o Céu e exclamou: "Pai em vossas mãos entrego a minha alma". Depois, como acenando à morte que se aproximasse inclinou a cabeça e expirou.

   Ah! caríssimos fiéis, se a morte de um Deus, que abalou toda a natureza deixou ainda corações insensíveis como pedras; as pedras se fizeram corações para a sentir! Houve um grande terremoto, e os rochedos se fenderam. 

   No tempo da Lei Mosaica, quando era encontrado um cadáver em qualquer parte, eram intimados todos os habitantes do lugar e da vizinhança e comparecerem numa vasta sala. Lá tomavam assento os homens mais notáveis para um tribunal. Em face dos juízes e sob o olhar do povo, colocava-se sobre uma mesa o cadáver ensanguentado. Depois todos: homens e mulheres, velhos e moços e até crianças avançavam-se e à medida que passavam diante do morto, deviam levantar a mão, e dizer: "Sou inocente do assassínio deste homem". 

   Há vinte séculos que uma vítima foi encontrada sem vida e coberta de chagas no alto do Calvário. A nobre Vítima, ei-La!...[neste momento, o pregador toma em sua mão um crucifixo de tamanho suficiente para poder ser visto por todo o povo, levanta-o e mostra-o a todos] - É o corpo de Jesus de Nazaré. Esse Corpo Divino, quem O maltratou assim? Quem o pregou na cruz? quem pôs em Sua augusta fronte uma coroa de espinhos? Quem O matou? - Os escribas, os fariseus, os soldados. - sim, mas foram os instrumentos em minhas mãos sacrilegamente pecadoras! Perdão, Jesus, perdão! "Foram meus crimes que pesaram em tão grande número sobre Vossa cabeça que chegastes ao ponto de suar sangue no Jardim das Oliveiras. Fui eu quem Vos deu o beijo de Judas. Fui eu quem amarrou os Vossos pulsos! Não foram os soldados. Fui quem vos condenou: não foram Anás e Caifás. Não foi Pedro quem Vos renegou: fui eu. Não foi Herodes quem vos tratou por louco: fui eu. Não foi Pilatos quem lavrou a sentença de morte: fui eu, sempre eu. Eu tomei do azorrague e sangrei o vosso corpo; eu bati os espinhos para que entrassem bem dentro na cabeça; eu furei de cravos os vossos pés e as vossas mãos; eu vos matei de sede durante três horas. Matei" (Pe. Dr. Castro Neri). A minha mão tinta de sangue levanta-se, não para dizer-se inocente, mas para Vos pedir perdão: Senhor eu sou o vosso assassino. Perdão! E já que morrestes por mim, eu viverei por Vós, para Vós, para Vos amar eternamente no Céu. Amém! Assim seja!


SERMÃO DO ENCONTRO



  "O vos omnes que transitis per viam, attendite et videte si est dolor, sicut dolor meus" (Lamentações de Jeremias, I, 12).
       "Ó vós todos os que passais pelo caminho, atendei e vede se há dor semelhante à minha dor".




"Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém!

 Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Cena patética! Quadro doloroso é o que agora presenciamos! Tremei, ó terra! Enchei-vos de horror, ó céus!
    Os meus olhos se encontram com um homem atado com duras cordas, com a cabeça rasgada dos mais penetrantes espinhos. Ferido, dilacerado, com as vestes ensopadas na abundância do seu próprio sangue; trêmulo e arquejante caminha oprimido pelo enorme peso do mais infamante madeiro! Grande Deus! Será um assassino público, um parricida, um traidor da Religião e da Pátria, para sofrer tanto e ser assim tão cruelmente castigado?! 
    Mas não! É o inocente Jesus! O mais humilde, o mais modesto, o mais puro, o mais caridoso dentre os filhos dos homens!

   Não há, entretanto, uma só pessoa que se compadeça de suas desventuras. Não há um só coração, que compartilhe as suas dores e os seus sofrimentos!
   Que é feito agora de seus amados discípulos, que foram tão prontos em acompanhá-Lo  ao Tabor para presenciar a sua gloriosa Transfiguração?
   Que é feito destes milhares de enfermos que d'Ele tinham recebido a saúde, e de mortos que d'Ele tinham recuperado a vida?
   Onde estão estes homens de Religião e de piedade que ainda há poucos dias atiravam os seus mantos em terra para Jesus passar por cima; e que juncando a sua passagem de palmas e de flores, O acompanhavam bradando : Hosana ao Filho de Davi; bendito seja aquele que vem em nome do Senhor!? 
   Todos O abandonaram e tornaram-se seus inimigos!

   Mas, ah! caríssimos irmãos, eu minto dizendo que todos O abandonaram. Sim, eu vejo uma mulher tão bela com seu rosto nimiamente pálido, romper heroicamente a grande multidão que O cerca. É Maria Santíssima. Pois, apenas recebera através de São João Apóstolo, a triste notícia de que Seu amado Filho Jesus caminhava com a cruz às costas em direção ao Calvário, ela parte imediatamente, e seu coração se achava em contínuos sobressaltos ao verificar as pedras das ruas de Jerusalém tintas do sangue de Seu amantíssimo Filho. 
   Ainda um pouco distante, seus olhos tão tristes e amortecidos parecem procurar um tão caro objeto que extremamente seu coração ama. Ó Virgem Mãe, é realmente o Vosso Filho!!! Aproximai-vos bem deste ferido, dilacerado dos pés até a cabeça! E esta Mãe Dolorosa, vacilante, trêmula com dificuldade pode conservar-se em pé!


 Oh! Dolorosa Mãe!!!
   Vede-O agora, e dizei-me, se é este aquele que era o mais lindo e mais formoso dentre todos os filhos dos homens cujo corpo fora formado pelo Espírito Santo em vossas puríssimas estranhas?!

   Vede-O e dizei-me se este é aquele mesmo homem poderoso em obras e palavras, a quem o vento, o mar, e toda natureza prontamente obedecia?!

   Vede-O e dizei-me se este é aquele mesmo Messias prodigioso, que curava os cegos, os surdos e os mudos, que restituía a saúde aos enfermos, ressuscitava os mortos?!

   Ó desumana ingratidão, vós rasgando o corpo deste Homem-Deus, dilacerais ainda muito mais cruelmente o terno coração desta Mãe amorosíssima. 

   Ah! caríssimos fiéis, que encontro doloroso! Que olhares de desolação! Maria vê seu Filho desfalecido e desfigurado e não Lhe pode valer. Jesus vê sua santa Mãe aflita e desolada e não a pode consolar. Não falam os lábios... falam os corações! Minha Mãe, minha pobre Mãe!!! - Meu Filho, meu querido Jesus!!! Ó único objeto de todas as potências de minha alma, demorai por um pouco, ó meu Filho tão sanguinolento sacrifício; concedei um pequeno alívio a esta angustiada mãe. Reparti comigo vossos pungentes tormentos. Deixai que eu coloque um pouco sobre meus ombros esse pesado madeiro, que tanto Vos oprime; dai-me licença, que eu afrouxe os laços dessas tiranas cordas que Vos prendem e maltratam; consenti que eu ponha sobre minha cabeça esta coroa de penetrantes espinhos, que faz jorrar torrentes de sangue sobre a Vossa adorável face!!!

   Ó Maria! quem poderá exprimir os tormentos deste tão doloroso encontro?! Nem o céu, nem a terra  vos oferecem o menor alívio, a mínima consolação!!! Se olhais para o Céu, contemplareis um Deus irritado contra os pecados que Vosso Filho tomou sobre Si. Contemplareis este Deus justíssimo que vos impõe o rigoroso preceito de imolar vosso Filho único e bem amado!!!
   Se volveis vossos olhos ao redor de vós, ouvireis os clamores públicos duma nação ingrata, duma vil populaça que brada em alta voz: "É réu de morte, seja crucificado!!!

    Caríssimos e amados irmãos, nós que assistimos a representação do encontro, nós que simbolicamente o realizamos; não a assistimos, não a realizamos com os sentimentos que teve o povo de Jerusalém. O que hoje nos traz aqui é o amor, é a gratidão àquelas santíssimas pessoas cujo encontro na rua da dor nos comove, nos enternece.
    O que nos traz aqui é também a confiança. Semelhante a Jesus, cada um de nós é colocado na rua da amargura. Cada um de nós arqueja sob o peso da cruz que a Divina Providência lhe impôs. E assim, gemendo e chorando seguimos o nosso caminho ao Calvário. As dores, as cruzes, as provações desta vida temporal constituem nossa existência cotidiana. Procuramos a quem nos conforte, nos anime, nos console. Ah! como Jesus sentiu o peso do lenho e sua ignomínia. No entanto, levou-o com paciência firme e sem queixas. Maria Santíssima fez o mesmo. Aceita a vontade de Deus. Dá o seu "fiat" para ser a Corredentora. Une seu sacrifício ao sacrifício de seu Jesus. Sofre com Ele e por nós. Idêntica é nossa tarefa. Avante, pois, com coragem e paciência!!!
    O que, outrossim, nos faz ainda comparecer neste lugar é o arrependimento, é a tristeza. O arrependimento de nossos pecados; a tristeza por vermo-nos culpados diante de Jesus e de Maria Santíssima.

   E assim, ó Jesus, ó Maria! termino reconhecendo meu pecado e pedindo perdão. Na Vossa Paixão, ó Jesus, perdoastes a todos, Perdoai, também os meus delitos.

  Ó Jesus, fui eu quem amarrou os vossos pulsos, não foram os soldados. Não foi Pilatos que lavrou a sentença de morte, fui eu, foram meus pecados. Eu, Jesus, bati esses espinhos para que entrassem bem dentro na cabeça. Ó Jesus, não foram os soldados que vos impuseram aso ombros este pesado madeiro, fui eu, foram meus pecados.
   Ó Maria, essas lágrimas que banham a vossa face, eu as provoquei. Esta espada de dor predita pelo velho Simeão, foram meus pecados que vo-la cravaram no coração. 

  Ó Jesus, ó Maria, unidos num mesmo sacrifício por meu amor, perdoai-me porque não quero mais nesta vida renovar vossas dores e os vossos sofrimentos; para que assim pelos méritos destes sofrimentos mereça a felicidade perfeita na Pátria do Repouso eterno. Amém!
    

SERMÃO DA PAIXÃO: Sentença de morte, Carregamento da Cruz e Crucifixão

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Acompanhemos o Divino Salvador até ao Calvário!
   
   A turba sanguinária, apesar deste tão compassivo quadro do "Ecce Homo", capaz de comover até os corações de bronze, continua em furor, gritando: retirai esse homem de nossas vistas e mandai que ele seja crucificado!
   
   Pilatos ainda faz alguma resistência, mas já se mostra vacilante. 

   "Se dás liberdade a esse homem", gritam todos os sinedritas, "não és amigo de César; porque todo aquele que se faz rei é um revoltado contra César".

   Era o golpe derradeiro!!!

   À evocação do nome de César, vacila o procônsul como fulminado por um raio. Os doces reclamos da graça foram abafados pelas ambições humanas! Pilatos tem medo. Lava as mãos do Sangue inocente e pronuncia a sentença de morte. 

   - Serás crucificado! Ibis ad crucem!


 Triunfam enfim os inimigos de Jesus. Pronunciada a sentença ardentemente desejada, organiza-se o préstito:
    Como outrora Isaac levando sobre os ombros o lenho do holocausto, Jesus sobe a ríspida ladeira que dá para o Calvário a essa hora abafadiça e irrespirável. 
  
   Eis o alto do Calvário!

  Omitimos aqui, o encontro de Jesus com Sua Santíssima Mãe. Na Quarta-feira Santa já publicamos o Sermão do Encontro. 

   Aí no Calvário, permaneçamos até o fim. Agora, em companhia de Jesus e também de Sua Mãe Santíssima, deixemos que a dor invada nossos corações, contemplando essas duas vítimas inocentes unidas num mesmo sacrifício. O que se passou no alto do Calvário deve ficar gravado em nossos corações! 

   "Posta a cruz, diz Padre Vieira, naquele lugar do monte onde havia de ser levantada, enquanto uns abriam o cova, e outros preveniam os instrumentos, mandaram ao Senhor que se despisse; (...) Despido, com os olhos no chão, mandam-lhe que se deite na cruz. Levantou o Senhor os olhos ao Céu, pôs os joelhos em terra, cruzou as mãos sobre o peito, oferecendo-se ao sacrifício; e fazendo logo com grande sujeição e humildade o que lhe mandavam, deitou-se sobre a cruz, estendeu os braços sobre os braços da cruz, e os pés para a parte dos pés, e a cabeça sobre os espinhos". 
   Eterno Pai, se não há piedade na terra, esperamo-la do céu. 
  Já Isaac está deitado sobre a lenha! Já está conhecida a obediência de Vosso Filho. Já mostrou que estima mais a Vossa Vontade que a Sua vida. Se é necessário sangue para a Redenção, já está derramado muito mais do que basta.
   Senhor, suspende o golpe! 
   Pecadores, avaliai agora o pecado pela resposta que é dada a esta súplica; mas ai, que já os algozes têm nas mãos os cravos. Já vejo levantar o martelo. - Eterno Pai, não poupareis o Vosso Filho? - Não! Vejo n'Ele os pecados dos homens. Execute-se o golpe, diz a Divina Justiça, preguem-se os pés, preguem-se as mãos, consume-se o sacrifício...
   E assim se fez...
   Começam a pregar primeiro a mão esquerda, depois a direita, ultimamente os pés. As cruéis marteladas fazem ecos pelos vales daqueles montes; mas muito maior eco faziam no coração da lastimosa Mãe. No corpo do Filho, diz Vieira, davam-se as marteladas divididas, porque umas feriam os pés; outras a mão direita; outras a  esquerda; porém na Senhora todas batiam e descarregavam juntas no mesmo lugar, porque todas feriam o coração. 

   Pregado, enfim, na cruz, o nosso amoroso e pacientíssimo Jesus, tomaram os algozes a cruz em peso e ficou arvorado no monte Calvário o estandarte de nossa Redenção. 

   Oh! que dor! Oh! que tormento! Oh! que ânsia daquela humanidade sagrada, neste rigorosíssimo ato!. Caiu a cruz de golpe na cova, que era funda; estremeceu e ficou suspenso com todo o peso; e com este abalo de todos os membros e de todas as veias, as quatro fontes de sangue que estavam abertas, começaram a correr com maior ímpeto, e a regar a terra. ...


 Oh! que afligido, que angustiado vos vejo, meu Jesus!
   Se o Senhor se queria firmar sobre os cravos dos pés, mais feriam-se os pés; se se queria suspender sobre os cravos das mãos, rasgavam-se mais as mãos; se se queria arrimar à cruz, cravavam-se mais os espinhos. 
   Faltava-Lhe o sangue para o alento, faltava-Lhe o ar para a respiração, e até  a terra, que não falta aos bichinhos dela, faltava ao Criador do céu e da terra! Pode-se, continua o Padre Vieira, considerar mais extrema miséria e desamparo? Que morra o Filho de Deus, e que o matem os homens; e que nem sete pés de terra sobre que morrer, lhe concedam! Oh extremo de ingratidão, só igual ao extremo de tal amor!

   Prometido o Paraíso ao ladrão que se arrependeu, tratou o Senhor de se despedir e de fazer o Seu testamento. Bens deste mundo, de que testar, não os tinha, porque nunca os tivera; e os pobres vestidos com que se cobria, que é só o que possuía, não os deixou, nem os pôde deixar; porque pertenciam aos algozes que já os tinham repartido entre eles. O que tinha e Lhe restava nesta vida e desta vida era uma Mãe e um amigo que, de todos, só Lhe fora fiel. Olhou, pois para a Mãe e para o discípulo amado e disse à Mãe:  "Mulher, eis aí o teu filho";  e ao discípulo: "Eis aí a tua Mãe".

   Que breves palavras, mas quão agudas e lastimosas! Agudas e lastimosas para o coração da Mãe, agudas e lastimosas para o coração do Filho. Considerai, almas devotas, qual seria a dor daquela tão amorosa e afligida Mãe, ouvindo estas palavras. Quanto lhe partiria o coração, ver que em lugar do Seu Jesus, lhe davam outro filho ou outros filhos!
   Maria olhou em torno de si. Ali estava João, o moço angélico e puro. Mas, estavam também: Madalena, os algozes, o mau ladrão. Pois também a estes haveria Ela de os acolher como filhos. João, Madalena e o mau ladrão representavam no alto do Calvário as três classes de almas de que se compõe a humanidade: almas puras e sem pecado, almas pecadoras que se arrependem e almas pecadoras não arrependidas. E Maria realmente compreendeu o alcance da profecia do Velho Simeão. Era preciso que também Ela, nesta hora de silêncio, de angústias e de trevas, oferecesse o coração ao gládio do profeta, para desta ferida aberta nascêssemos nós, os filhos de sua dor. 

   Maria, sois nossa Mãe! Vós que sois a onipotência suplicante; vós que sereis sempre toda amor e bondade, porque sempre sereis Mãe, velai por nós! Amém!
   

quinta-feira, 18 de abril de 2019

CATECISMO SOBRE O SACERDOTE DADO PELO SANTO CURA D'ARS

   Meus filhos, chegamos ao sacramento da Ordem. É um sacramento que parece não dizer respeito a ninguém dentre vós, e que diz respeito a toda gente. Esse sacramento eleva o homem até a Deus. Que é o sacerdote? Um homem que ocupa o lugar de Deus, um homem que é revestido de todos os poderes de Deus. "Ide, diz Nosso Senhor ao sacerdote, assim como meu Pai me enviou, assim eu vos envio... Todo poder me foi dado no céu e na terra. Ide, pois, instruí todas as nações... Quem vos escuta a mim escuta; quem vos despreza a mim despreza".
   Quando o padre perdoa os pecados, não diz: "Deus te perdoe". Diz: "Eu vos absolvo". Na consagração, ele não diz: "Isto é o corpo de Nosso Senhor". Diz: "Isto é o meu corpo".
   São Bernardo diz que tudo veio por Maria. Podemos dizer também que tudo nos veio pelo sacerdote: sim, todas as venturas, todas as graças, todos os dons celestes.
   Se não tivéssemos o sacramento da Ordem, não teríamos Nosso Senhor. Quem foi que o pôs aí neste tabernáculo? Foi o padre. Quem foi que recebeu vossa alma à entrada na vida? O padre. Quem a alimenta para lhe dar a força de fazer a sua peregrinação? O padre. Quem a prepara para comparecer perante Deus, lavando essa alma pela primeira vez no sangue de Jesus Cristo? O padre, sempre o padre. E se essa alma vier a morrer, quem a ressuscitará? Quem lhe restituirá a calma e a paz? Ainda o padre. Nos vos podeis lembrar de um só benefício de Deus sem encontrardes, ao lado dessa lembrança, a imagem do padre.
   Ide-vos confessar à Santíssima Virgem ou a um anjo: eles vos absolverão? Não. Dar-vos-ão o corpo e o sangue de Nosso Senhor? Não. A Santíssima Virgem não pode fazer descer seu divino Filho à hóstia. Tivésseis aí duzentos anjos, e eles não poderiam absolver-vos. Um padre, por mais simples que seja, pode-o; pode dizer-vos: "Ide em paz, eu vos perdôo". Oh! como o padre é alguma coisa de grande!
   O padre só será bem compreendido no céu... Se o compreendêssemos na terra, morreríamos, não de pavor, mas de amor...
   Os outros benefícios de Deus de nada nos serviriam sem o padre. De que serviria uma casa cheia de ouro, se não tivésseis ninguém para vos abrir a porta? O padre tem as chaves dos tesouros celestes; é ele quem abre a porta; ele é o ecônomo de Deus, o administrador dos seus bens.
   Se não fosse o padre, a morte e a paixão de Nosso Senhor de nada serviriam. Vede os povos selvagens: de que lhes serviu que Nosso senhor morresse? Ai! eles não poderão ter parte nos benefícios da redenção enquanto não tiverem padres para lhes fazerem a aplicação do seu sangue.
   O padre não é padre para si; não dá a si a absolvição, não administra a si os sacramentos. Ele não é para si, é para vós.
   Depois de Deus o sacerdote é tudo!... Deixai uma paróquia vinte anos sem padre, adorarão ali os animais.
   Se o senhor missionário e eu fôssemos embora, vós diríeis: "Que fazer nesta igreja? Não há mais missa. Nosso Senhor não está mais nela, tanto vale rezar em casa..."
   Quando se quer destruir a religião, começa-se por atacar o padre, porque onde quer que não haja mais padre, não há mais sacrifício, e onde não há mais sacrifício, não há mais religião.
   Quando um sino vos chama à igreja, se vos perguntassem: "Onde ides?" Poderíeis responder: "Vou alimentar minha alma". Se vos perguntassem, mostrando -vos o tabernáculo: "Que é essa porta dourada? É a copa: é o guarda-comida de minha alma. Quem é que tem a chave dele, quem faz as provisões, quem apronta o festim, quem serve à mesa? É o padre. - E a comida? - É o precioso Corpo de Nosso Senhor..." Ó meu Deus, meu Deus, como nos amastes!
   Vede o poder do padre! A língua do padre, de um pedaço de pão faz um Deus! É mais que criar o mundo. Alguém dizia: "Santa Filomena obedece então ao Cura d'Ars? Certo, ela bem pode obedecer-lhe, já que Deus lhe obedece.
   Se eu encontrasse um padre e um anjo, cumprimentaria o padre antes de cortejar o anjo. Este é amigo de Deus, mas o padre faz as vezes de Deus... Santa Teresa beijava o lugar por onde um padre havia passado...
   Quando virdes um padre, deveis dizer: "Eis aquele que me tornou filho de Deus e me abriu o céu pelo santo batismo, aquele que me purificou depois do meu pecado, que dá a comida a minha alma..." À vista dum campanário, podeis dizer: "Que há ali? - O corpo de Nosso Senhor. - E por que está ele ali? - Porque um padre passou por ali e disse missa".
   Que alegria tinham os apóstolos depois da ressurreição de Nosso Senhor, por verem o Mestre que tanto haviam amado! O padre deve ter a mesma alegria vendo Nosso Senhor que ele segura nas mãos...  Dá-se grande valor aos objetos que foram depositados na escudela da Santíssima Virgem e do Menino Jesus em Loreto. Mas os dedos do padre, que tocaram a carne adorável de Jesus Cristo, que mergulharam no cálice onde esteve o seu sangue, no cibório onde esteve o seu corpo, não são porventura mais preciosos?...
   O sacerdote é o amor do Coração de Jesus. Quando virdes o padre, pensai em Nosso Senhor Jesus Cristo.

O SANTÍSSIMO SACRAMENTO DA EUCARISTIA

   Entre todos os Sacramentos que Nosso Senhor e Salvador nos confiou, como instrumentos certíssimos da graça divina, não há nenhum que possa se comparar com o Santíssimo Sacramento da Eucaristia, pois encerra, não apenas a graça, mas contém em si o próprio Autor da graça e Fonte da Santidade. Por isso não há crime que faça temer pior castigo da parte de Deus, do que não terem os fiéis devoção e respeito para com a Eucaristia.
   Ao estudarmos este artigo tão importante da Doutrina Católica, peçamos a Jesus Hóstia, por intermédio de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, que ilumine nossa inteligência e fortifique nossa vontade para uma adesão mais firme e mais profunda a este mistério de fé.
   Graças e louvores se deem a todo momento - Ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento!

PROMESSA DA EUCARISTIA
   No capítulo 6º de seu Evangelho, São João refere um longo discurso em que Nosso Senhor anuncia e promete a Eucaristia.
   Foi no dia seguinte ao da multiplicação dos pães. Jesus estava pregando na sinagoga de Cafarnaum quando a multidão acorreu até Ele a fim de ouvir-Lhe a palavra. Nesse discurso, depois de exigir dos ouvintes a Fé em sua Pessoa, Jesus se apresenta como o verdadeiro pão descido do céu, pão que devia ser comido - pão celeste que é a sua própria carne, sacrificada pela vida do mundo - pão que ainda não foi dado, mas que Ele dará um dia.
   'EU SOU O PÃO VIVO QUE DESCI DO CÉU. SE ALGUÉM COMER DESTE PÃO VIVERÁ ETERNAMENTE. O PÃO QUE EU DAREI É MINHA CARNE PARA A VIDA DO MUNDO".
  "MINHA CARNE É VERDADEIRA COMIDA E MEU SANGUE É VERDADEIRA BEBIDA. QUEM COME A MINHA CARNE E BEBE O MEU SANGUE PERMANECE EM MIM E EU NELE" (versículos 51 - 55 e 56).

REALIZAÇÃO DA PROMESSA: INSTITUIÇÃO DA SS. EUCARISTIA
  
   Foi na Quinta-feira Santa, véspera de Sua Paixão e Morte, quando realizava com seus Apóstolos a Última Ceia, que Nosso Senhor cumpriu o que havia prometido em Cafarnaum.
   São João, no início da narração, diz que Jesus "tendo amado os seus que estavam no mundo, até o fim lhes dedicou extremado amor". A Eucaristia é mistério de fé e também mistério de amor de Deus para com os homens.
   Após o lava-pés, Jesus tornou a assentar-se à mesa. Tomou pão em suas santas mãos, benzeu-o, partiu-o e deu-o a seus discípulos, dizendo: "TOMAI E COMEI. ISTO É O MEU CORPO, QUE SERÁ ENTREGUE POR VÓS".
   Depois tomou o cálice com vinho, deu graças, benzeu-o e o apresentou a seus discípulos, exclamando: "TOMAI E BEBEI DELE TODOS, ISTO É O MEU SANGUE, O SANGUE DA NOVA ALIANÇA, QUE SERÁ DERRAMADO POR VÓS E POR MUITOS PARA A REMISSÃO DOS PECADOS, FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM".

   Há quatro descrições da instituição da Eucaristia no Novo Testamento: S. Mateus, capítulo 26, versículos 26 a 29; São Marcos, capítulo 14, versículos 22 a 25; São Lucas, capítulo 22, versículos 14 a 20; São Paulo na 1ª Epístola aos Coríntios, capítulo 11, versículos 23 a 25.
   São João é o único que refere as palavras da promessa; não dá as da instituição.
   A Eucaristia pode ser considerada como SACRAMENTO  e como SACRIFÍCIO. Explicaremos primeiro a Eucaristia como um dos Sete Sacramentos da Santa Igreja.
   No outro blog ZELO ZELATUS SUM  já falamos sobre a Eucaristia como SACRIFÍCIO; mas, como se trata do que há de mais santo sobre a face da terra, voltaremos aqui, se Deus quiser, a falar sobre a Eucaristia como SACRIFÍCIO.

O SACRAMENTO DA EUCARISTIA

   A - DEFINIÇÃO: A Eucaristia é um sacramento que, pela admirável conversão de toda a substância do pão no Corpo de Jesus Cristo e de toda a substância do vinho no Seu precioso Sangue, contém verdadeira, real e substancialmente o Corpo, Sangue, Alma e Divindade do mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor, debaixo das espécies de pão e de vinho, para nosso alimento espiritual.

   EXPLICAÇÃO:
1 - A Eucaristia ou Comunhão é um dos Sete Sacramentos da Santa Igreja. Três são as coisas exigidas para constituir um sacramento - sinal sensível, instituição divina e produção da graça. Já vimos, em post anterior, que Jesus instituiu a Eucaristia na Quinta-feira Santa e que Ela contém, não só a graça, mas o próprio Autor da graça: Jesus. O sinal sensível são as espécies (ou "aparências") do pão e do vinho. embora a matéria conste de dois elementos, o pão e o vinho, há um único Sacramento, porque estes dois elementos constituem um sinal só, já que a finalidade deles é a mesma. Comida e bebida são duas coisas diversas, que se empregam  para a mesma finalidade, ou seja, para restaurar as forças do corpo. Assim, no Sacramento, as duas espécies diversas representam o alimento espiritual com que as almas se sustentam e se nutrem. Por isso Nosso Senhor declarou: "Minha carne é verdadeira comida, e meu sangue é verdadeira bebida".

   Três são as coisas que este Sacramento nos indica: a) a primeira, que já passou, é a Paixão de Cristo Nosso Senhor. Ele próprio havia dito: "Fazei isto em memória de mim". E São Paulo testemunhou: "Todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice, anunciareis a Morte do Senhor, até que Ele venha". b) a segunda, é uma graça divina e celestial que o Sacramento dá quando O recebemos, para nutrir e conservar as forças da alma. c) a terceira, que anuncia o futuro, é o fruto de eterna alegria e glória que havemos de possuir na pátria celestial, por promessa de Deus. Jesus prometeu: "Quem comer deste Pão, viverá eternamente".

   2 - O Sacramento da Eucaristia depende do Santo Sacrifício da Missa, que realiza a Presença real de Nosso Senhor. Na hora da Consagração, toda a substância do pão e toda a substância do vinho se convertem na substância do Corpo, Sangue Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, permanecendo apenas as aparências do pão e do vinho. As aparências (ou acidentes ou espécies) são: a forma, a cor, o gosto, o peso, o tamanho, o cheiro etc. Ensina o Concílio de Trento que, com propriedade, a Santa Igreja dá a esta admirável conversão o nome de TRANSUBSTANCIAÇÃO, porquanto na Eucaristia a substância total de uma coisa se converte na substância total de outra coisa.
   A Eucaristia é JESUS realmente, e não um símbolo de Jesus.
   A Eucaristia é JESUS verdadeiramente, e não uma figura de Jesus.
   Jesus Cristo está substancialmente presente na Eucaristia, e não virtualmente apenas.

   3 - A Eucaristia é um Sacramento de natureza especial. Enquanto os demais têm existência apenas na hora em que se administram, a Eucaristia é e continua a ser sacramento tanto antes como depois do uso. O Batismo por exemplo só existe no momento , muito curto, em que o ministro pronuncia a fórmula, derramando água na cabeça da criancinha; pelo contrário, Nosso Senhor está presente na Eucaristia, no estado de sacramento, sob os véus das espécies, independentemente da comunhão dos fiéis.

   4 - PARA NOSSO ALIMENTO ESPIRITUAL: aí está uma das razões e finalidades por que Nosso Senhor instituiu a Santíssima Eucaristia - para ser Ele próprio o alimento espiritual das almas. "Se não comerdes a Carne do Filho do Homem,  e não beberdes o Seu Sangue, não tereis a VIDA em vós". A vida divina que recebemos no Batismo e que foi robustecida na Crisma, é conservada e desenvolvida pelo Sacramento da Comunhão.
              COMUNGAI, COMUNGAI TODO DIA, A EUCARISTIA É VIDA IMORTAL.

QUINTA-FEIRA SANTA


Instituição da Eucaristia e do sacerdócio

"No cenáculo, assim como há mais que uma refeição, assim também há outra coisa além do sacrifício. Há a instituição de um novo sacerdócio. Como teria Jesus dito aos homens: Se não comerdes a minha carne e não beberdes o meu sangue, não tereis vida em vós, se não pensasse em criar um ministério, pelo qual renovasse, até ao fim dos séculos, o que então acabava de fazer na presença dos doze Apóstolos? Ora, eis aqui o que diz a estes homens que escolheu: Fareis isto em memória de mim. Dá-lhes por estas palavras o poder de converter o pão em seu corpo e o vinho em seu sangue; e este sublime poder transmitir-se-á na Igreja pela sagrada ordenação, até à consumação dos séculos. Jesus continuará a realizar pelo ministério de homens mortais e pecadores, o milagre que fez no cenáculo; e, ao mesmo tempo que dota a sua Igreja com este único e perpétuo sacrifício, dá-nos , segundo sua promessa, com o pão do Céu, o meio de nós permanecermos nele, e ele em nós" (D. Guéranger, Ann. liturg.).

Estas duas instituições reunidas encerram dois poderosos motivos de reconhecimento, que hão de ser hoje o objeto da nossa meditação. O primeiro refere-se a todos os fiéis: Accipite et manducate, hoc est corpus meum..., accipite et bibite, hic este sanguis meus; [tomai e comei, isto é o meu corpo]; o segundo refere-se em particular aos Sacerdotes: Hoc facite in meam  commemorationem [Fazei isto em minha memória].

I. Amor de Jesus Cristo para com os homens na instituição dos mistérios deste dia: Hoc est corpus meum [Isto é o meu corpo].

II. Amor particular de Jesus Cristo para com os seus ministros: Hoc facite in meam commerationem.

I. Amor do Salvador para com os homens na instituição dos mistérios deste dia. A Eucaristia é o testamento do Filho de Deus, que vai morrer; é um dom, último penhor da sua ternura. Qual é este dom? A quem é feito? Quando e porquê é ele feito? Só o amor infinito era capaz destas invenções inefáveis, que já os profetas entreviram: Notas facit in populis adinventiones ejus [Isaías, III, 10).

1º "Tendo amado os seus que estavam neste mundo amou-os até ao fim". Tudo estava preparado, e era chegada a hora de cumprir o grande desígnio formado pelo Coração de Jesus. "Enquanto ceavam, tomou Jesus o pão, benzeu-o, partiu-o, e deu-o a seus discípulos, dizendo: "Tomai e comei:isto é o meu corpo, que será entregue por amor de vós". E tomando o cálice, deu graças, e deu-lho, dizendo: "Bebei dele todos, porque isto é o meu sangue do Novo Testamento, que por vós será derramado" (Mat. XXVI, 26). Posso eu ouvir estas palavras, sem me sentir tomado de respeito e transportado de amor?

Isto é o meu corpo, isto é o meu sangue! Que é o que Jesus nos dá? É infinitamente mais que o seu reino; é Ele mesmo, seu poder, sua bondade, suas graças, seus merecimentos! ... A sua carne crucificada por amor de nós identifica-se com a nossa carne; o seu sangue, que salvou o mundo, mistura-se com o nosso sangue. Nossa alma une-se à do Redentor; sua divindade penetra-nos, e consome em nós tudo o que o pecado havia corrompido. O amigo fiel repousa no nosso seio, e diz-nos: Pone me ut signaculum super cor tuum (Cant. VIII, 6) (=Põe-me como selo sobre o teu coração).
Ó homens, buscai algum bem, que não esteja neste dom inestimável! e vede se o amor de Jesus para convosco o não tornou pródigo de si mesmo, pois julgou que era muito pouco dar-vos tudo o que possui, se vos não desse também tudo o que Ele é: divindade e humanidade!...

2º Mas, a que homens privilegiados será destinado tão mimoso favor? Será reservado para a incomparável Virgem, para o apóstolo a quem Jesus amava, para algumas almas escolhidas, êmulas da pureza de Maria e de São João? Não. Jesus concede-o a todos os seus discípulos: Deditque discipulis suis, a todos os filhos da sua Igreja, de todos os tempos, de todos os lugares, de todas as condições.

Ninguém é excluído, se não se exclui por sua própria vontade; e é por isso que, depois de ter feito este prodígio, compêndio de todos os prodígios, ordena aos seus ministros que façam o que Ele acaba de fazer, que perpetuem este milagre de amor, renovando-o até ao fim dos séculos, em toda a parte onde conquistarem para Ele servidores. Oh! como é verdade que o seu amor para conosco não tem limites, pois se dá todo inteiro e a todos! E este amor é também desinteressado.

3º Quando instituiu a Eucaristia, que esperava Ele dos homens? Quando lhes dava uma prova de seu generoso e extremoso amor, que Lhe preparavam eles? É na véspera da sua Paixão, in qua nocte tradebatur [na noite em que seria entregue], no momento em que os Judeus deliberavam sobre os meios a empregar para Lhe darem uma morte infame e cruel, no momento em que Judas Iscariotes buscava ocasião de o entregar ao seu ódio e inveja. Quando os homens mereciam mais sua indignação, é que Ele leva o amor para com eles até aos últimos limites: In finem dilexit eos. Vê o que se maquina contra Ele, conhece as profanações futuras e os atentados presentes; nada o detém: Aguae multae non potuerunt extinguere caritatem, nec flumina obruent illam (=As muitas águas não puderam extinguir o amor, nem os rios terão força para o submergir].

4º Finalmente, que se propõe Ele nesta admirável instituição, senão vencer a excessiva perversidade com a excessiva bondade? Os homens rejeitam-no, vão dentro  em breve gritar: Tolle, tolle, crucifige eum [Tira-o, tira-o, crucifica-o]; e ele prende-se a eles para não os deixar mais. Querem, por assim dizer, com seus enormes crimes, forçar Deus a feri-los sem misericórdia, e Jesus quer interpor-se como vítima de propiciação, com um sacrifício perpétuo, entre a justiça de seu Pai e os crimes dos homens. Não podem suportá-lo; e Ele, dir-se-ia que não pode abandoná-los; só se achará bastante perto deles, depois que tiverem comido a sua carne e bebido o seu sangue! Quer ser o alimento de suas almas; Ego reficiam vos; quer comunicar-lhes sua vida divina, que aproveitará também  a seus corpos, e em virtude da qual os ressuscitará no último dia (cf. S. João, VI, 55).

Tais são os intuitos do seu amor neste mistério: estar sempre com os homens; sacrificar-Se sempre por eles; unir-Se a eles como seu alimento, para os transformar nele. Até ao fim dos séculos, terão junto a si o tabernáculo em que reside, o altar em que se imola, a sagrada mesa em que se dá como alimento.

II. Amor do Salvador para com seus ministros na instituição dos mistérios desde dia. [Só darei o resumo].

A Eucaristia, que é a riqueza de toda a Igreja, é o tesouro particular do sacerdócio. Houve jamais ministério tão divino? Como o exerceis vós, ministros do Senhor? Honrai hoje o Santíssimo Sacramento e o sacerdócio com especial devoção. (Extraído do Livro "MEDITAÇÕES SACERDOTAIS"  de autoria do Padre Chaignon, S. J.).