SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

domingo, 8 de dezembro de 2019

"Tota pulchra es, Maria, et macula originalis non est in te".

   "Não, Maria não pôde cometer o pecado atual, como não pôde contrair o pecado original; pois se ela tivesse sido manchada pelo pecado, teria havido um instante em que a Mãe de DEUS foi inimiga de DEUS". (Duns Scotto).
     Achando-se em 1823, os Padres Mestres em Teologia Cassitti e Chignatara, da Ordem dos Pregadores, presentes ao exorcismo de um menino iletrado de 12 anos, em Ariano da Apúlia, Itália, impuseram-lhe provar teologicamente com um soneto de rimas obrigadas, a Imaculada Conceição de Maria Santíssima. Soneto estemporâneo, que em 1854, lido pelo imortal Pontífice Pio IX, hoje beatificado, lhe arrancou lágrimas de ternura. Para não me alongar vou dar só a versão portuguesa:

   Mãe verdadeira, eu sou dum DEUS que é Filho, 
   E d'Ele Filha sou bem que sua Mãe,
   Ab aeterno nasceu, e Ele é meu Filho, 
   Se bem nasci no tempo, eu sou sua Mãe:

   Ele é meu Criador, mas é meu Filho,
   Sua criatura eu sou e sou sua Mãe;
   Prodígio foi divino o ser meu Filho
   Um DEUS  eterno, e o ter-me por Mãe:

   Comum é quase o ser à Mãe e ao Filho:
   Porque do Filho teve o ser a Mãe,
   E da Mãe o ser também o Filho:

   Ora, se o ser do Filho teve a Mãe;
   Ou se dirá que foi manchado o Filho,
   Ou sem labéu se há de dizer a Mãe.

   Saudemos a Imaculada Conceição, com as palavras de São João Damasceno: "Salve, ó trono e assento de DEUS magnificentíssimo, no qual DEUS repousa mais dignamente que mesmo sobre os coros das potestades celestiais. Salve, ó lírio, cujo broto, Jesus Cristo, veste todas as açucenas do campo. Salve, ó paraíso, mais belo que o Eden, no qual medram todas as flores da virtude e se levanta a árvore da vida da qual saboreamos o fruto da imortalidade, não mais retidos pela espada chamejante do anjo".  

A IMACULADA CONCEIÇÃO - 14ª LIÇÃO



- TODOS NÓS CONTRAÍMOS O PECADO ORIGINAL?
- SIM , EXCETO MARIA SANTÍSSIMA, TODOS NÓS CONTRAÍMOS O PECADO ORIGINAL.

-POR QUE MARIA SANTÍSSIMA NUNCA TEVE PECADO ORIGINAL?
- PORQUE FOI ESCOLHIDA PARA SER MÃE DE DEUS.

- COMO CHAMAMOS NOSSA SENHORA PELO FATO DE ELA NUNCA TER TIDO PECADO ORIGINAL?
-IMACULADA CONCEIÇÃO.


  
Da Sagrada Escritura aprendemos que Maria Santíssima esmagou a cabeça da serpente e é cheia de graça, bendita entre as mulheres e por isso compreendemos que Maria nunca teve o pecado original: Maria foi concebida sem pecado original.
   Nossa Senhora disse em Lourdes a Santa Bernadete que Ela era a "Imaculada Conceição", isto é, concebida sem pecado original.
   Os protestantes não querem crer na Imaculada Conceição de Nossa Senhora. É porque não compreendem a santidade de Jesus. Jesus é infinitamente santo, isto é, Jesus tem um imenso ódio ao pecado. O Filho de Deus não podia permitir que sua Mãe fosse manchada de pecado, nem do pecado original. O Filho de Deus quis que Sua Mãe fosse cheia de graça desde o primeiro momento da sua vida. Maria Santíssima, desde o primeiro momento da sua conceição, teve a graça santificante, isto é, conservou-se limpa do pecado original. Este grande privilégio, recebeu-o Maria pelos méritos de Jesus Cristo, que, depois, com Sua morte na cruz, pagou a dívida do pecado original.
   Suponhamos um homem pobre que esteja preso por não poder pagar suas dívidas. Nunca poderá pagar. Mas felizmente se apresenta um homem muito rico e diz: "Eu me constituo fiador: pagarei depois a dívida inteira". Então soltam o homem mesmo antes que pague a dívida. Assim Jesus pagou a dívida por Maria Santíssima. Maria havia de herdar a dívida de Adão, pois era filha de Adão como nós. Mas o Filho de Deus sabia que Maria mais tarde seria sua Mãe. Por isso o Filho de Deus declarou: "Eu pagarei depois a dívida inteira. Não quero que ela tenha, nem um só momento, a dívida de Adão, o pecado original. Assim Maria ficou livre da dívida antes que Jesus pagasse. Por isso dizemos: "Maria foi preservada da mancha do pecado original, pelos méritos previstos de Jesus Cristo".
   Os protestantes dizem que querem a Jesus. Mas querem a Jesus, sem honrar sua Mãe. Não creem que Maria tenha sido concebida sem pecado original. A Sagrada Escritura chama-a "cheia de graça". Mas os protestantes riscam estas palavras de suas bíblias: não querem chamar Maria "cheia de graça". Não respeitam as imagens de Nossa Senhora, nem rezam a Ave Maria. Os protestantes querem Jesus sem Maria. Mas Jesus não quer os protestantes. Jesus é bom filho. A ofensa contra Maria cai também sobre Jesus.
   Não queremos em nossas casas bíblias protestantes; pois nestas bíblias protestantes se riscam as palavras do anjo, que chama a Virgem Maria "cheia de graça". Estas bíblias não são mais a Sagrada Escritura. Nunca devemos ir a conferências protestantes.; pois não nos pode falar bem de Deus quem não respeita a santa Mãe de Deus.
   Maria concede favores a quem tem devoção a sua Imaculada Conceição.
   É tão fácil dizer muitas vezes e pensar: "Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós". É a jaculatória que nós cantamos em francês aqui na paróquia: "O Marie conçue sans péché, priez pour nous qui avons recours a vous."
                                                                        

   

A IMACULADA CONCEIÇÃO

A  IMACULADA  (Murilo)
  Se o amor restrito, com que Deus amou João Batista, bastou para purificá-lo no seio materno, por que não preservaria da culpa hereditária a sua futura mãe o amor irrestrito com que Deus a quis?
  Tanto mais perfeita uma pessoa quanto mais perto de Deus ela está constituída. Ora, Maria está tão perto de Deus, seus liames com Deus são tão estreitos e inefáveis que não é possível haver criatura mais intimamente unida às três Pessoas Divinas. Filha predileta de Deus Pai, Mãe amorosíssima de Deus Filho e Esposa amantíssima e fidelíssima de Deus Espírito Santo. Maria Santíssima teve uma Predestinação singular, isto é, foi preparada por Deus para ser Sua Mãe. Daí, todos os privilégios concedidos à Maria Santíssima lhe foram outorgados por Deus em vista desta missão de trazer ao mundo o Filho de Deus para operar a Redenção de toda a Humanidade. Deus assim decretou: seu Filho seria "factus ex muliere". E, malgrado a obstinação protestante, ninguém poderá mudar os desígnios de Deus. 
   Em se tratando do pecado original, cada uma das três Pessoas Divinas tinha suas razões a alegar para que se decretasse uma exceção em favor de Maria. Deus Pai via nela uma criatura toda privilegiada, uma filha prediletíssima. No tempo Ela seria Mãe daquele Filho que Ele gera por via de inteligência deste toda eternidade. Podia acaso permitir que ela fosse manchada, ainda por um instante, pela nódoa do pecado? 
  Deus Filho via nela sua Mãe, que Ele amava já infinitamente mais do que pode ser amada qualquer outra mãe. Podendo dispor da sorte dela, sendo a própria Onipotência e a própria Bondade, como não faria por sua Mãe tudo quanto podia!? Salomão vai ao encontro de Betsabé e previne os desejos de sua mãe: "Pedi, minha mãe, nada te posso negar". Um Deus que escolhe mãe para si mesmo, será porventura menos bom filho que Salomão? Ele sabe o que pediria Maria, se existisse já, e se pudesse pedir alguma coisa. Ouve-a dizer de antemão: Ó meu Filho, ó meu Deus, o que prefiro a tudo, é ser sempre pura aos vossos olhos, é que nenhum instante da minha vida, e ainda menos o primeiro, pertença a outrem senão a vós. Maria Santíssima dará o Coração e o Sangue a Jesus. Seu sangue correrá nas veias de Jesus Cristo; e sofreria Ele que o sangue divino, que havia de lavar o mundo, fosse manchado na sua origem? 
  O Espírito Santo via nela a Sua Esposa, pois ela conceberia milagrosamente pelo Seu poder. A Terceira Pessoa da Santíssima Trindade via em Maria a obra prima da graça, uma criatura em quem Ele operaria mais maravilhas que em todas as criaturas juntas. Ela será por excelência o tabernáculo de Deus entre os homens; e o Espírito Santo é encarregado de preparar este santuário vivo. Ele quer que nada falte à sua obra, que a morada seja digna d'Aquele que a há de habitar, e d'Aquele que é o seu arquiteto. E tê-lo-ia sido, se o Divino Espírito não tivesse coberto com sua sombra a conceição de Maria para afastar dela ainda a mais leve mácula? 
   A Imaculada Conceição de Maria Santíssima é portanto a base em que se assenta todo o edifício de suas grandezas. E devemos ter em mente que este privilégio foi singular, isto é, só concedido a ela. Há santos em favor dos quais Deus tornou impotente o furor dos leões, a atividade das chamas,,, Há alguns que foram por Deus santificados no seio materno como Jeremias, São João Batista e provavelmente São José; mas a isenção de toda a mácula original é um benefício só privativo de Maria Santíssima. E este detalhe importantíssimo faz parte do dogma. "Por um privilégio singular", disse Pio IX nas palavras da Definição do Dogma da Imaculada Conceição.(1854). 
  Oh! quantas maravilhas nesta grande maravilha! O demônio prende em suas cadeias toda a descendência de Adão; só uma menina lhe escapa, e ela lhe esmagará a cabeça! Um fogo abrasador assola tudo; e no meio do incêndio geral, só uma vergôntea fica intacta; não só não é queimada nem tisnada, mas antes produz a mais bela das flores, e dá um fruto que será a salvação dos povos! Um tirano furioso desola toda a terra, e estende por todo a parte a sua cruel dominação; só uma cidade lhe resiste e vem a ser a senhora do universo! A serpente infernal terrivelmente mancha com sua baba impura a toda pobre criatura logo no primeiro instante de existência, mas vemos  uma criatura humana privilegiada, não só defendida desta afronta, mas pisando e esmagando a cabeça envenenada deste monstro infernal. Pois bem, caríssimos e amados irmãos, esta menina, esta vergôntea, esta cidade, esta criatura privilegiada é a Bem-aventurada Virgem Maria.
   Do privilégio da Maternidade Divina brota a Conceição Imaculada, e, desta brotam todos os outros privilégios: plenitude de graças e dons espirituais, que desde este primeiro instante eleva a santidade de Maria acima da dos maiores Santos; perfeito uso da sua razão e de todas as faculdades desde aquele primeiro momento; isenção da concupiscência e de outros funestos efeitos do pecado original; abundância de luzes sobrenaturais; facilidade em adiantar continuamente nos caminhos sublimes da santidade, por uma perfeita correspondência a todas as graças que recebe, sem que a menor imperfeição venha jamais deter os seus progressos e impanar  toda sua beleza. A incorruptibilidade no túmulo, a ressurreição antecipada, sua Assunção em corpo e alma aos céus, sua coroação como Rainha do Céu e da Terra, tudo isto é porque, sendo Mãe de Deus, foi Imaculada desde o primeiro instante de sua existência. 
   Antes de terminar gostaria de desfazer de antemão todas as possíveis dificuldades. Na verdade, para os católicos não há a minima dúvida. Trata-se de um dogma definido "ex cathedra" e aí o Papa é infalível. Mas o próprio Papa antes de definir os dogmas, apresenta os argumentos a favor dele, e responde as objeções feitas contra ele. Pois bem, em síntese, podemos dizer que nada se opõe à Imaculada Conceição de Maria. Nem o dogma da transmissão do pecado original, porque dessa nódoa Deus podia eximir sua Mãe por singular privilégio. Nem o dogma da universalidade de Redenção, porque Deus podia remi-la com redenção preservativa, aliás mais perfeita. Nem o dogma da Redenção por meio de Cristo, porque Deus podia remi-la, aplicando os seus méritos futuros. E Maria Santíssima foi a primeira remida por Nosso Divino Salvador. 
   A primeira mártir da Ação Católica Mexicana foi Maria da Luz Camacho. Varada por balas comunistas às portas da igreja de Coyacan, no desempenho da sua missão catequética, foi uma alma sinceramente apaixonada por Maria Santíssima. Durante a vida não teve outro fito senão estudar e copiar esse protótipo de perfeição. Não admira, pois, que, ao ver o seu corpo varado por balas selvagens, somasse as energias do seu amor acrisolado pela Mãe de Deus, e expirasse com o seu nome nos lábios. Viva Nossa Senhora de Guadalupe! Foi com efeito, o último canto desse cisne mariano. 
   Não posso sopear o desejo de terminar este sermão com palavras de Santa Teresinha do Menino Jesus. Durante a novena que precedeu a sua primeira comunhão (8 de maio de 1884) a Florzinha de Lisieux pediu a Virgem lhe tornasse a alma mais pura, mais e mais alvinitente: "Ô ma Mére, pouisque vous êtes si pure, vois devez savoir comment on fait éclore cette fleur d'innocence... Montre-le-moi! et just'au jour tant desiré ne me laissez pas perdre une occasion de rendre mon âme plus blanche et plus limpide". 

TOTA PULCHRA ES MARIA, ET  MACULA ORIGINALIS NON EST IN TE!
  

HOMILIA DOMINICAL: 2º Domingo do Advento - Explicação da Epístola

   Leituras: Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos 15, 4-13.
   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 11, 2-10. 

EPÍSTOLA DE SÃO PAULO APÓSTOLO AOS ROMANOS 15, 4-13:

   "Irmãos: Tudo o que está escrito foi escrito para nosso ensinamento, para que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança. O Deus da paciência e da consolação vos dê que tenhais entre vós sentimentos segundo Jesus Cristo, para que, unânimes, a uma voz, honreis a Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso, socorrei uns aos outros, como também Cristo vos recebeu para glória de Deus. Digo-vos, pois, que Jesus Cristo foi ministro da circuncisão, em testemunho da fidelidade de Deus, e para confirmar as promessas feitas aos nossos pais. Quanto aos gentios, que também glorifiquem a Deus em sua misericórdia, como está escrito: Por isso confessar-Vos-ei entre os povos, Senhor, e cantarei hinos a vosso nome. E novamente diz: Alegrai-vos, nações, com o seu povo. E ainda: Louvai ao Senhor, todos os povos: engrandecei-O, todas as nações. E também diz Isaías: Sairá uma raiz de Jessé e as nações esperarão n'Aquele que dela se levantará para regê-las. O Deus da esperança vos encha de toda alegria e paz em vossa fé; para que abundeis na esperança e na virtude do Espírito Santo". 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Com a graça de Deus, vou explanar apenas a primeira frase da Epístola da missa deste segundo domingo do Advento. Na verdade, só estas palavras já nos oferecem assunto para mais de uma homilia. Trata-se, pois, de mostrar o valor da palavra de Deus e não a de um homem. 

   "Para mim, dizia Santa Teresinha do Menino Jesus, nada mais encontro nos outros livros que me desperte interesse. Tudo o que eu quero está no Evangelho". E o Livro da Imitação de Cristo afirma: "Duas coisas são necessárias para a vida do homem, o alimento e a luz. Por isso, deu-nos o Senhor o seu Corpo para alimento espiritual e a sua santa palavra para dirigir nossos passos". Dizia Taine: "O Evangelho é a força indispensável para alevantar o homem acima de si mesmo, de sua vida rasteira e de seus horizontes limitados, para conduzi-lo através da paciência, da resignação e da esperança até a tranquilidade de espírito; para conseguir a temperança, a pureza e a bondade até a dedicação e ao sacrifício". Belas são igualmente as palavras do Cardeal Maffi: "Náufrago no mar tempestuoso, o pobre Camões com uma das mãos batia as ondas e com a outra levantava fora d'água o manuscrito dos Lusíadas que o haviam de imortalizar. Sobre as ondas que se elevam e me envolvem está o poema de Deus que levantarei para o alto. É meu guia, minha esperança e minha salvação". 

   Tudo o que está na Sagrada Escritura foi escrito para a nossa instrução moral e religiosa, a fim de que, admoestados à paciência pelos exemplos dos livros santos e confortados com as palavras divinas, aumente em nós a esperança dos bens celestiais a que temos direito como filhos de Deus. 

   Toda doutrina, para ser perfeita, deve ser útil seja a inteligência como à vontade. Tal é a doutrina das Sagradas Escrituras: "Eu sou o Senhor teu Deus que te ensino coisas úteis" (Isaías 40, 17): é útil à inteligência: ensina a verdade e rejeita a falsidade; é útil à vontade: afasta-nos do mal e nos leva ao bem. Só uma grande doutrina pode fazer isso. Por isso São Paulo diz expressamente: "Toda a Escritura divinamente inspirada, é útil para ensinar, para repreender, para corrigir, para formar na justiça" (2 Timóteo 3, 16). A Sagrada Escritura é útil para ensinar a verdade; para repreender a falsidade e o erro; para corrigir o mal; para formar no bem, na virtude e na santidade. Como devemos ser agradecidos a Deus, Nosso Senhor e Pai, por nos ter dado tão inestimável dom!

   O fim primário que Deus teve em mira ao dar aos homens a instrução perfeita das Escrituras foi robustecer a nossa atitude em vista da bem-aventurança eterna, fim último para o qual fomos criados. Sua consecução exige violência, por causa das muitas dificuldades. Mas Deus dispôs as suas Escrituras, doutrinais e práticas, para que nos acompanhem e nos ajudem a superar estas dificuldades; e isto dando-nos ensinamentos e exemplos acerca do sofrimento e das consolações que dele promanam. Não se pode imaginar quanto os sofrimentos e as consolações nos ajudam; destas dois coisas estão cheias as Escrituras. "Tudo o que está escrito para o nosso ensino está escrito; a fim de que pela paciência e consolação (das quais lemos nas Escrituras), tenhamos esperança".

   As Escrituras, outrossim, não tratam só da paciência e da consolação de que falamos, mas as infundem, As palavras de Deus são operativas porque são dotadas de uma força admirável, não só de apresentar, mas de infundir o que querem: propõe-nos paciência e consolação e ao mesmo tempo nolas infundem. A palavra de Deus penetra até o íntimo sendo mais penetrante que uma espada de dois gumes: com um gume penetra na inteligência, com o outro, na vontade, apoderando-se completamente de nós. Como a espada de dois gumes, a palavra de Deus penetra também com suma rapidez e profundidade.

   Sejam, pois, caríssimos, as Sagradas Escrituras o nosso alimento predileto: tomemo-lo, e procuremos assimilá-lo. Assim teremos paciência e consolação como aqueles nobres Macabeus, que, em duríssimas provas, protestavam que não precisavam de nenhum auxílio neste mundo, porque tinham conforto suficiente nas Sagradas Escrituras que manuseavam continuamente, juntamente com as armas: "Temos para nossa consolação os livros santos, que estão em nossas mãos" (I Macabeus 12, 9).

   Este é o fim maravilhoso ao qual se destinam as Escrituras Sagradas: "Tudo o que está escrito para o nosso ensino está escrito; a fim de que pela paciência e consolação das Escrituras, tenhamos esperança". Amém!

   

domingo, 1 de dezembro de 2019

HOMILIA DOMINICAL - 1º DOMINGO DO ADVENTO - 1º do Ano Litúrgico.

  Homilia postada no ano passado em 26/11.


 Caríssimos e amados fiéis, em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Com a graça de Deus, estamos iniciando as nossas homilias dominicais. O Ano Litúrgico inicia-se com o Advento. É um tempo de oração e de penitência, instituído pela Igreja para preparar seus filhos para celebrarem dignamente e com fruto o mistério do Nascimento de Jesus Cristo. O que a Quaresma é para a Páscoa, o que foram os quatro mil anos do Antigo Testamento para a vinda do Messias são para a festa do Natal as quatro semanas do Advento.
   Advento quer dizer vinda. Três vindas do Filho de Deus preocupam a Igreja neste santo tempo, e devem ser o assunto das nossas meditações. "Na primeira, diz São Bernardo, Jesus veio na nossa carne, e revestiu-se das nossas enfermidades; na segunda vem a nós por sua graça, em espírito e virtude; na terceira, virá com todo poder e majestade para nos julgar". Vinda de amor a Belém, vinda de graça às nossas almas, vinda de justiça no fim dos séculos. Na verdade, caríssimos e amados fiéis, estas três vindas de Nosso Senhor, constituem uma síntese de todo o Cristianismo. São um convite a uma espera vigilante e confiada: "Olhai e levantai as vossas cabeças, porque está próxima a vossa redenção". A primeira vinda foi humilde e oculta, a segunda é misteriosa e cheia de amor, a terceira será manifesta, terrível para os pecadores e gloriosa para os justos.
   Hoje, o padre reza no Breviário: "Vinde adoremos o Rei, o Senhor que está para chegar!...
   Esta primeira vinda foi esperada durante séculos e séculos, anunciada pelos profetas, desejada pelos justos que não puderam contemplar a sua aurora. Em cada novo Advento, a Igreja comemora e renova esta espera, manifestando as suas ânsias pelo Salvador que há de vir. O antigo anelo que unicamente se fundava na esperança, transformou-se em desejo confiante, que se apoia na consoladora realidade da redenção já efetuada. Cumprida esta historicamente há vinte séculos, deve atualizar-se e renovar-se todos os dias, na alma cristã, como uma realidade cada vez mais profunda e completa. A Santa Madre Igreja quer através do tempo do Advento, preparar-nos para a celebração do mistério do Verbo feito carne, mediante a esperança íntima e pessoal duma nova vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo a cada uma das nossas almas. Esta vinda de Jesus é a Sua vida em nós pela graça santificante, que deve ser cada vez mais abundande em nossa alma. Oh! pudéssemos dizer com São Paulo: "Vivo, mas não sou eu que vivo, é Jesus que vive em mim"... "A minha vida é Jesus". Por isto na Epístola desta Santa Missa do primeiro domingo do Advento, São Paulo nos exorta: "É já hora de nos levantarmos do sono". No Advento, devemos despertar para dar novos frutos de santidade: "Deixemos, diz São Paulo, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz... Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo". É tempo de sairmos da tibieza; é tempo de nos despojarmos generosamente das nossas misérias e fraquezas, a fim de nos revestirmos de Jesus Cristo, ou seja, da Sua santidade. A primeira vinda de Jesus estimula-nos pelo seu amor: "Apareceu a benignidade e a bondade de Deus Nosso Senhor". A lembrança da Sua vinda no fim do mundo, como é narrada no Santo Evangelho de hoje, é também para nos dar forças. O temor é o início da sabedoria, diz a Bíblia Sagrada.
   Com a Vossa graça, ó Jesus, quero fazer todos os sacrifícios, quero renunciar a tudo aquilo que possa retardar em mim a vossa obra redentora. Excitai, Senhor, o Vosso poder e vinde!
   Ó Senhor, concedei-me um amor ardente a Vós, não só para me livrar um dia do Vosso rosto severo de Juiz, mas também e sobretudo para corresponder de algum modo à Vossa caridade infinita!
  Caríssimos e amados fiéis, sempre gosto de contar nas minhas homilias e sermões, algum exemplo.
  São Filipe Benício, religioso da Ordem dos Servos de Maria Virgem, estava morrendo.
  Além da doença, além da dor, havia dias em que o atormentava uma terrível visão. Parecia-lhe já se achar perante o tribunal de Deus, e em torno dele surgiam os demônios a exprobrar-lhe os pecados da sua vida passada, mesmo os mais remotos, mesmo os mais pequenos... Ante esta vista, ante essas palavras, o agonizante abria os olhos horrorizado, tremia, e não tinha mais esperança. "Dai-me o meu livro" gritava ele com voz apavorada.
   Dos presentes, alguns correram a tomar um livro, outros outro: mas ele os recusava todos, sem achar repouso. Finalmente, um percebeu que os olhos do moribundo se haviam fixado num Crucifixo ali ao lado; tomou-o e colocou-lho entre as mãos gélidas e suadas.
   Mal o teve, como um sedento ele o pôs sobre a boca para o beijar ansiosamente: beijou o lenho da cruz, beijou as chagas d'Aquele que a ela estava suspenso. Seus olhos iluminaram-se como ao surgir de uma aurora interior; a sua fronte expandiu-se numa doce serenidade, os seus lábios distenderam-se num dulcíssimo sorriso. E assim lá se foi ele ao encontro do juízo de Deus.
   Amara a cruz, amara o Crucifixo com todas as suas forças. Que haveria de temer?
  Ó Jesus, dai aos justos um acréscimo de vida interior; dai aos tíbios, a graça de se despertarem deste perigoso sono; dai aos pecadores, a graça de uma verdadeira conversão. Amém! 
    



















EVANGELHO DO 1º DOMINGO DO ADVENTO



S. Lucas XXI, 25-33

25. Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; na terra, consternação dos povos pela confusão do bramido do mar e das ondas, 26. mirrando-se os homens de susto, na expectação do que virá sobre todo o mundo, porque as virtudes dos céus se abalarão. 27. Então verão o Filho do homem vir sobre uma nuvem com grande poder e majestade. 28. Quando começarem, pois, a suceder estas coisas, erguei-vos e levantai as vossas cabeças, porque está próxima a vossa libertação. 29. Acrescentou esta comparação: Vede a figueira e todas as árvores. 30. Quando começam a desabrochar, conheceis que está perto o estio. 31. Assim, também, quando virdes que acontecem estas coisas, sabei que está próximo o reino de Deus. 32. Em verdade vos digo que não passará esta geração, sem que todas estas coisas se cumpram. 33. Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão.

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Hoje é o primeiro domingo do Advento, tempo de preparação para a comemoração do Santo Natal, data esta, como diz São Paulo escrevendo a Tito III, 4, "em que se manifestou a bondade de Deus nosso Salvador e o seu amor pelos homens, não pelas obras de justiça que tivéssemos feito, mas por sua misericórdia". Assim, à primeira vista, talvez tenhamos dificuldade em compreender porque no início do Advento, a Santa Madre Igreja, nos leva a meditar sobre a segunda vinda de Jesus, que será com grande poder e majestade e para julgar os vivos e os mortos. Na preparação de um mistério de bondade e amor a Igreja quer que meditemos num mistério da Justiça divina no Juízo Universal incutindo-nos temor, e, como diz Jesus no vers. 26: "Mirrando-se os homens de susto". A Santa Madre Igreja assim fazendo, age com sabedoria porque a Sagrada Escritura afirma que: "O temor do Senhor é o início da sabedoria" (Prov.. I, 7) e no Eclesiástico I, 27 diz: "O temor do Senhor expulsa o pecado; quem não tem este temor não poderá ser justo". Ora, caríssimos, a melhor preparação para celebrarmos o Santo Natal, é evitar o pecado, convertermo-nos e começarmos uma vida nova sempre na graça de Deus.
A Santa Igreja, aliás, não só inicia, mas, como vimos no domingo passado, o último do ano litúrgico, também falou-nos do fim do mundo e do Juízo Final. Ela quer que passemos santamente o ano e assim nos leva a meditar sobre os novíssimos, porque segue, outrossim, o conselho do próprio Divino Espírito Santo nas Sagradas Escrituras: "Em todas as tuas obras lembra-te dos teus novíssimos e nunca jamais pecarás" (Eclesiástico VII, 40).

Caríssimos, vamos resumir o que escreveu sobre o Juízo Universal, o grande Doutor da Igreja Santo Afonso M. de Ligório: O Redentor destinou o dia do Juízo Universal (chamado com razão, na Escritura, o dia do Senhor), no qual Jesus Cristo se fará reconhecer por todos como universal e soberano Senhor de todas as coisas (Sl  9, 17). Esse dia não se chama dia de misericórdia e perdão, mas "dia da ira, da tribulação e da angústia, dia de miséria e calamidade" (Sofonias I, 15). Nele o Senhor se ressarcirá justamente da honra e da glória que os pecadores quiseram arrebatar-Lhe neste mundo. Vejamos como há de suceder o juízo nesse grande dia.

A vinda do divino Juiz será precedida de maravilhoso fogo do céu (Salmo 96, 3), que abrasará a terra e tudo quanto nela exista (2 S. Pedro III, 10). Palácios, templos, cidades, povos e reinos, tudo se reduzirá a um montão de cinzas. É mister purificar pelo fogo esta grande casa, contaminada de pecados. Tal é o fim que terão todas as riquezas, pompas e delícias da terra. Mortos os homens, soará a trombeta e todos ressuscitarão (1 Cor. XV, 52). Dizia S. Jerônimo: "Quando considero o dia do juízo, estremeço. Parece-me ouvir a terrível trombeta que chama: Levantai-vos, mortos, e vinde ao juízo". Ao clamor pavoroso dessa voz descerão do céu as almas gloriosas dos bem-aventurados para se unirem a seus corpos, com que serviram a Deus neste mundo. As almas infelizes dos condenados sairão do inferno e se unirão a seus corpos malditos, que foram instrumentos para ofender a Deus.

Que diferença haverá então entre os corpos dos justos e dos condenados! Os justos aparecerão formosos, cândidos, mais resplandecentes que o sol (S. Mateus XIII, 43). Feliz aquele que nesta vida soube mortificar sua carne, recusando-lhe os prazeres proibidos, ou que, para melhor refreá-la, como fizeram os Santos, a macerou e lhe negou também os gozos permitidos dos sentidos! ... Pelo contrário, os corpos dos réprobos serão disformes,  e hediondos. Que suplício então para o condenado ter de unir-se a seu corpo! ... "Corpo maldito  -  dirá a alma   -  foi para te contentar que me perdi!" Responder-lhe-á o corpo: "E tu, alma maldita, tu que estavas dotada da razão, por que me concedeste aqueles deleites, que, por toda a eternidade, fizeram a tua e a minha desgraça?"

Assim que os mortos ressuscitarem, farão os anjos que se reúnam todos no vale de Josafá para serem julgados (Joel III, 14) e separarão ali os justos dos réprobos (S. Mat. XIII, 49). Os justos ficarão à direita; os condenados, à esquerda... Que confusão experimentarão os ímpios, quando, apartados dos justos, se sentirem abandonados! Disse S. João Crisóstomo que, se os condenados não tivessem de sofrer outras penas, essa confusão bastaria para dar-lhes os tormentos do inferno. Caríssimo irmão, abandona  o caminho que conduz à esquerda.

Os eleitos serão colocados à direita, e para maior glória   -  segundo afirma o Apóstolo  -  serão elevados aos ares, acima das nuvens, e esperarão com os anjos a Jesus Cristo, que deve descer do céu (1 Tess IV, 17). Os réprobos, à esquerda, como reses destinadas ao matadouro, aguardarão o Supremo Juiz, que há de tornar pública a condenação de todos os seus inimigos.

Abrem-se, enfim, os céus e aparecem os anjos para assistir ao juízo, trazendo os sinais da Paixão de Cristo, disse Santo Tomás. Singularmente resplandecerá a santa Cruz. "E então aparecerá o sinal do Filho do homem no céu; e todos os povos da terra chorarão" (S. Mat. XXIV, 30). Os Apóstolos serão assessores e com Jesus Cristo julgarão os povos. Aparecerá, enfim, o Eterno Juiz em luminoso trono de majestade: "E verão o Filho do Homem, que virá nas nuvens do céu, com grande poder e majestade. À sua presença chorarão os povos" (S. Mat. XXIV, 30). A presença de Cristo trará aos eleitos inefável consolo, e aos réprobos aflições maiores que as do próprio inferno, disse S. Jerônimo. Cumprir-se-á, então, a profecia de S. João: "Os condenados pedirão às montanhas que caiam sobre eles e os ocultem à vista do Juiz irritado" (Apoc. VI, 16).

Começará o julgamento, abrindo-se os autos do processo, isto é, as consciências de todos (Dan. VII, 10). A própria consciência dos homens os acusará depois (Rom. II, 15). A seguir, darão testemunho clamando vingança, os lugares em que os pecadores ofenderam a Deus (Hab. II, 11). Virá enfim, o testemunho do próprio Juiz que esteve presente a quantas ofensas lhe fizeram (Jer. XXIX, 23). Disse S. Paulo que naquele momento o Senhor "porá às claras o que se acha escondido nas trevas" (1 Cor. IV, 5). Os pecados dos eleitos, no sentir do Mestre das Sentenças e de outros teólogos, não serão manifestados, mas ficarão encobertos, segundo estas palavras de Davi: "Bem- aventurados aqueles, cujas iniquidades foram perdoadas, e cujos pecados são apagados" (Salmo 31, 1). Pelo contrário   -  disse S. Basílio  -  as culpas dos réprobos serão vistas por todos, ao primeiro relancear d'olhos, como se estivessem representadas num quadro. Exclama S. Tomás: "Se no horto de Getsêmani, ao dizer Jesus: Sou eu, caíram por terra todos os soldados que vinham para o prender, que sucederá quando, sentado no seu trono de Juiz, disser aos condenados: "Aqui estou, sou aquele a quem tanto haveis desprezado!".

Chegada a hora da  sentença, Jesus Cristo dirá aos eleitos estas palavras, cheias de doçura: "Vinde, benditos de meu Pai, e possuí o reino que vos está preparado desde o princípio do mundo" (S. Mat. XXV, 34). Que consolação não sentirão aqueles que ouvirem estas palavras do soberano Juiz: "Vinde, filhos benditos, vinde a meu reino. Já não há mais a sofrer, nem a temer. Comigo estais e permanecereis eternamente. Abençoo as lágrimas que sobre os vossos pecados derramastes. Entrai na glória, onde juntos permaneceremos por toda a eternidade". A virgem Santíssima  abençoará também os seus devotos e os convidará a entrar com ela no céu. E assim, os justos, entoando gozosos Aleluias, entrarão na glória celestial, para possuírem, louvarem e amarem eternamente a Deus.

Os réprobos, ao contrário, dirão a Jesus Cristo: "E nós, desgraçados, que será feito de nós?" E o Juiz Eterno dir-lhes-á: Já que desprezastes e recusastes minha graça , apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno (S. Mat. XXV, 34). Apartai-vos de mim, que nunca mais vos quero ver nem ouvir. Ide, ide, malditos, que desprezastes minha bênção..." Mas para onde, Senhor, irão estes desgraçados?... Ao fogo do inferno, para arder ali em corpo e alma..." E por quantos séculos?... Por toda a eternidade, enquanto Deus for Deus.


Depois desta sentença, abrir-se-á na terra um imenso abismo e nele cairão conjuntamente demônios e réprobos. Verão como atrás deles se fechará aquela porta que nunca mais se há de abrir... Nunca mais durante toda a eternidade!... Ó maldito pecado!... A que triste fim levarás um dia tantas pobres almas!... Ai! das almas infelizes às quais aguarda tão deplorável fim.

Meu Deus e meu Salvador! Já que declarastes pela boca do vosso Profeta: "Convertei-vos a mim, e eu me voltarei a vós" (Zac. I, 3), tudo abandono, renuncio a todos os gozos e bens do mundo, e converto-me, abraçando a Vós, meu amantíssimo Redentor. Recebei-me no vosso Coração e inflamai-me no vosso santo amor, de modo que jamais cogite em separar-me de Vós... Maria Santíssima, minha esperança, meu refúgio e minha mãe, ajudai-me e alcançai-me a santa perseverança. Amém!

HOMILIA DOMINICAL - 1º Domingo do Advento

Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos, 13, 11-14.
                Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas, 21, 25-33: 

  "Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; e na terra consternação dos povos por causa da confusão do bramido do mar e das ondas, mirrando-se os homens de medo, na expectativa do que sobrevirá a todo o orbe, porque as forças do céu serão abaladas. Então, verão o Filho do homem vindo sobre uma nuvem com grande poder e majestade. Quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e erguei vossas cabeças, porque se aproxima a vossa redenção. E lhes propôs uma comparação: Vede a figueira e as demais árvores; quando começam a dar frutos, sabeis que o verão está perto. Assim também, quando virdes que se realizam estas coisas, sabei que está perto o Reino de Deus. Em verdade, vos digo que não passará esta geração, sem que tudo isto aconteça. Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão".

  Caríssimos e amados fiéis em Nosso Senhor Jesus Cristo!

  Coisa digna de nota, a Igreja começa e acaba o ano eclesiástico pelo Evangelho do fim do mundo, tomado em São Mateus para o último Domingo do ano litúrgico (24º depois de Pentecostes) e em São Lucas para hoje. É que ela, como boa Mãe, quer lembrar-nos que o pensamento do Juízo final deve acompanhar-nos durante toda a vida e, por assim dizer, dirigir todos os nossos atos, afim de excitar em nós um temor salutar e fazer-nos evitar o pecado e praticar a virtude. Já o Espírito Santo nos disse: "In omnibus operibus tuis, memorare novissima tua, et in aeternum non peccabis", "Em todas as tuas obras, meditar em teus novíssimos, e jamais pecarás" (Ecles., VII, 40). 
  Os anos sucedem-se e passam depressa, tudo se transforma, tudo envelhece, mas o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo é inalterável e eterno. Prendamo-nos, portanto, com a fé e amor a esta infalível verdade, a estas palavras de vida. Meditemo-la com o coração reto dispostos a praticá-la.

  "O monge São Metódio (+ 861), que converteu à fé cristã a Bulgária e outras nações bárbaras, era também um bom pintor. Um dia ele foi chamado pelo rei dos búlgaros, de nome Bógoris, o qual lhe disse: 'Deveis fazer-me um belo quadro para eu pôr em meu palácio, e quero que esse quadro represente coisas que metam medo a todos os que o olharem'.  -  É mister saber que esse rei era pagão e meio selvagem, e só se deleitava com caçadas de animais ferozes e cenas terríveis. O santo então, recomendando-se a Deus, pintou o Juízo Universal. 
  "No meio do quadro via-se Jesus Cristo em sua tremenda majestade entre as nuvens e num trono de glória, rodeado pelos anjos; à direita uma fila de pessoas com os rostos resplendorosos de luz (os justos); à esquerda uma multidão de pessoas monstruosas com caras horríveis; cheias de pavor e de desesperada angústia (os pecadores). Em baixo afinal se via um abismo cheio de figuras horrendas de demônios, e desse abismo saíam chamas ameaçadoras e foscas.  -  Quando o rei viu esse quadro, ficou impressionado e perguntou: 'Que espetáculo é esse tão magnífico e pavoroso?' - Aí Metódio lhe deu a seguinte explicação:

  - "Majestade, iniciou S. Metódio, esse quadro representa o Juízo Universal. Ficai sabendo que logo após a morte haverá, para todos, o Juízo Particular; isto é, deveremos todos comparecer perante Deus para dar contas do bem e do mal que tivermos feito em vida. Mas além do Juízo Particular, haverá outro Juízo, que se diz Universal, e este será feito por Jesus Cristo no fim do mundo no Vale de Josafá. Ao Juízo Universal deverão apresentar-se todos os homens do mundo, que existiram, que existem e que existirem: grandes, pequenos, soberanos e súditos, sábios e ignorantes, ricos e pobres, bons e maus'. - Ao ouvir isso, o rei já começava a empalidecer e indagou: 'Quando e como será o Juízo Universal?' - Responde Metódio: 'Esse dia ninguém o sabe, nem os Anjos do Céu, exceto apenas o Pai (Deus) (S. Mt. 24, 36). - Como depois se dará o Juízo, di-lo a Sagrada Escritura. Primeiro haverá sinais: guerras espantosas dos povos e dos reinos, que se lançarão uns contra os outros (S. Mt. 24, 7); pestes, carestias, terremotos (S. Mt. 24, 36 e sgs). Depois o sol escurecerá, e a lua não dará mais a sua luz, e cairão do céu as estrelas e haverá a destruição do Universo (S. Mt. idem). Depois virá do céu um dilúvio de fogo que destruirá tudo: terra autem, et quae in ipsa sunt opera, exurentur = a terra, porém, e todas as obras que há nela, serão queimadas (1ª São Pedro, III, 10). E então será grande a tribulação, como não houve desde o início do mundo. (S. Mt. ibid., 21). E tudo isso é verdade do Evangelho. 
  "Quando estiver tudo destruído pelo fogo, os Anjos soarão uma trombeta que se fará ouvir nos quatro ventos; e os mortos ressuscitarão: 'Num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta (porque a trombeta soará) os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos mudados'. (1ª Cor. XV, 52). E aí se dará um grande espetáculo. Todos os mortos, saídos de seus túmulos, da terra, do mar, dos abismos, deverão estar vivos. - Mas com que diferença! As almas dos bons, vindas do Céu, retomarão o seu corpo belo, resplandecente, impassível: 'Então os justos brilharão como o sol (S Mt. XIII, 43). As almas dos réprobos, surgidas do inferno, unir-se-ão a seus corpos que no entanto serão disformes, horríveis, esquálidos, cheirando mal. 
  "Depois virão os Anjos, e separarão os malvados dos justos. E os justos ficarão à direita, e os pecadores à esquerda. Não vos parece vê-los, Majestade!?... Todos os blasfemadores, caluniadores,, desonestos, soberbos, ladrões, avarentos, escandalosos, sacrílegos, serão separados dos bons; e, vendo-os, dirão com raiva: 'Eis aqueles de quem zombávamos em vida. Estultos que fomos! Julgávamos uma insensatez a sua vida: eis no entanto como se incluíram entre os filhos de Deus' (Sab. V, 3-5). 
  "Feita a separação, abrir-se-ão os Céus, e entre fileiras de Anjos aparecerá o sinal do Filho do Homem: a Santa Cruz. E aí bater-se-ão no peito todas as tribos da terra. E eis a descer nas nuvens Jesus Cristo com grande poder e majestade (S. Mt. XXIV, 30 e sgs). Aí os réprobos cairão como fulminados. E que berros de choro!!! Que pavor!!! Que desespero!!! ao passo que os justos rejubilar-se-ão!!!
  "Depois o divino Juiz fará exame público: manifestará as consciências todos, revelando as culpas, diante de todo o mundo. Depois pronunciará a sentença de bênção sobre os bons e a de maldição sobre os maus; e estes irão para o eterno suplício com os demônios: os justos ao contrário para a vida eterna. (S. Mateus, 25, 46): "Esses (os maus), disse Jesus, irão para o suplício eterno, os justos para a vida eterna". 
  
  "Eis, Majestade, concluiu o monge São Metódio, o que ouvistes do quadro pintado: mas é uma realidade: a tremenda verdade do Juízo, que é verdade do Evangelho". (Extraído do Livro "A PALAVRA DE DEUS EM EXEMPLOS" de autoria do Padre Mortarino). 

  Ao ouvir isso, o rei Bógoris ficou aterrorizado; fêz-se logo instruir na religião, e, iluminado pela graça de Deus, converteu-se ao Catolicismo, e com ele se converteram também os seus súditos. Todo o país da Bulgária se tornou católico. Amém!