SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

domingo, 15 de janeiro de 2017

2º DOMINGO DEPOIS DA EPIFANIA

   Leituras: Epístola de São Paulo aos Romanos, 12, 6-16; 
                   Evangelho segundo São João, 2, 1-11.

   "Naquele tempo, celebraram-se umas bodas em Caná de Galileia, e achava-se ali a Mãe de Jesus. E também Jesus foi convidado, com seus discípulos, para as bodas. Faltando o vinho, a Mãe de Jesus disse-lhe: Eles não têm mais vinho. Respondeu-lhe Jesus: Senhora, que nos importa isso, a Mim e a ti? Ainda não chegou a minha hora. Disse sua Mãe aos servidores: Fazei tudo quanto Ele vos disser. Ora, havia ali seis talhas de pedra destinadas às purificações usadas entre os judeus, cada uma das quais comportando duas ou três medidas [cerca de 40 litros]. Disse-lhe Jesus: enchei de água estas talhas. E encheram-nas até às bordas. E Jesus disse-lhes: Tirai agora e levai ao mestre-sala. E levaram. Assim que o mestre-sala provou a água transformada em vinho, sem saber de onde era, embora o soubessem os serventes que haviam tirado a água, chamou o mestre-sala o esposo, e disse-lhe: Todo homem põe primeiro o bom vinho, e quando já se tem bebido, põe então o inferior; mas tu guardaste o bom vinho até agora. Este foi o primeiro dos milagres que Jesus fez em Caná de Galileia; e manifestou sua glória e seus discípulos creram n'Ele". 

   Caríssimos e amados leitores em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Atual Caná da Galileia
   A Liturgia da Santa Madre Igreja começa a falar da vida pública de Nosso Senhor Jesus Cristo. É o primeiro milagre de Jesus, que se deu numas bodas em Caná, pequena aldeia que fica a cerca de 15 km de Nazaré.
   A primeira coisa que o Santo Evangelista ressalta é que nestas bodas se achavam presentes Maria Santíssima e seu divino Filho Jesus acompanhado de alguns discípulos.
   Jesus queria honrar com a sua presença o casamento, futuro sacramento, que purificará a fonte da vida e fundará a família cristã; e ensinar-nos que ele vem de Deus, é bom, digno de respeito e santo; e glorificá-lo com o seu primeiro milagre.
   Infelizmente, quantos cristãos, ou que se dizem tais, repelem a presença de Jesus, recusam a intervenção de Maria Santíssima, no ato aliás tão solene do casamento, e que tantas graças requer para completa felicidade da família! Todo casamento contraído fora da presença de Jesus, e sem a intervenção da sua Igreja, é não somente escandaloso e infeliz, mas ainda fonte perene de inúmeros pecados.

   Felizes os cristãos que têm o cuidado de convidar Jesus e Maria para as suas bodas, preparando-as e celebrando-as em santas disposições! Serão cumulados das graças e das bênçãos mais abundantes. Mas, ai! quantos consideram o matrimônio como um negócio inteiramente humano; quantas más intenções, imodéstias, quantos pecados lamentáveis que precedem, acompanham e seguem este ato tão importante da sua vida! É por isso que são tão poucos os casamentos verdadeiramente abençoados por Deus, e que uma maldição divina parece pesar sobre tantas famílias.
   Caríssimos e amados irmãos, consideremos agora Maria Santíssima nestas santas bodas de Caná da Galiléia. Mãe solícita,  percebe que o vinho vai faltar; e na sua bondade compassiva quer poupar aos esposos a vergonha e aos convivas a privação. Ela sabe que seu filho é o Filho de Deus, e assim cheia de fé, dirige-se a Jesus, cujo poder conhece. Expõe o embaraço iminente daqueles noivos e daquela pobre gente Àquele cuja bondade iguala o poder: "Eles não têm vinho". Palavra, ou antes prece misteriosa, cheia de eficácia sobre o Coração de Jesus, que, em atenção a sua Mãe, vai antecipar a hora dos seus milagres.
   Jesus entende que sua Mãe confia que Ele sendo o Messias, o Filho de Deus, pode fazer um milagre. E Jesus vai fazê-lo. Deixa claro, no entanto, que ainda não era a hora determinada pelo Seu Pai para dar início aos seus milagres. Disse isto para ressaltar o poder de intercessão de Sua Mãe Santíssima. Mas não havia dito no templo entre os doutores que Ele devia obedecer a Seu Pai, ocupando-se em fazer as coisas em obediência a Ele? Sim. Se Jesus antecipa a sua hora de começar a fazer milagres é porque o Seu Pai também determinou que Ele não negasse nada a Sua Mãe. Aqui, portanto, estava igualmente obedecendo ao Seu Pai. É da vontade de Deus que Jesus ceda sempre à intercessão de Maria Santíssima.
   Esta explicação se harmoniza, não somente com outras passagens similares da Escritura, mas ainda com o Espírito de São João, cujo fim era provar a Divindade de Jesus. Além disso o procedimento da Santíssima Virgem mandando aos servos que obedecessem a Jesus, não obstante sua resposta aparentemente negativa, confirma esta explicação que, aliás, só encontra oposição na má fé e ignorância de certos hereges.
   Que felicidade para os esposos de Caná o terem convidado Maria! Ela começa, então, em favor deles, aquele inefável mistério de intercessão, cujos resultados são tão proveitosos para nós, e que, de resto, é tão conforme ao plano divino, segundo a feliz expressão de São Bernardo: "Assim foi da vontade de Deus que tudo recebêssemos através de Maria Santíssima".
   Qual de nós hesitará, pois, em pôr sua confiança em Maria Santíssima e em implorá-la em todas as necessidades? Se ela intercedeu com tanta bondade por estes esposos, sem ter sido rogada, que não fará por aqueles seus filhos que recorrem a ela com tanta fé e amor?
   Ó Maria, boa e terna Mãe, vede a minha profunda miséria espiritual e dizei por mim a Jesus: "Ele não tem vinho", só tem a água da tibieza. Jesus que nada pode recusar-nos, fará em meu favor um novo milagre; dar-me-á graça e perdão, luz e força, mudará a minha água de tibieza no vinho delicioso da devoção e amor!
   Outro resultado deste primeiro milagre de Jesus foi fortalecer a fé nascente dos seus discípulos. Alguns, com efeito, já O seguiam mais ou menos, reconhecendo nele um profeta como João Batista. Mas, depois deste prodígio, consideraram-no como o Messias predito pelos Profetas; sentiram crescer a sua fé e ficaram mais bem dispostos para aceitar a doutrina de Jesus e pô-la em prática.
   Graças Vos dou, ó Jesus, por todas estas lições preciosas, que Vos dignastes dar-nos hoje. Ajudai-nos com a Vossa santa graça a aproveitá-las bem, a amar-Vos cada vez mais, e a viver unicamente para Vós. Amém!
  

domingo, 8 de janeiro de 2017

SAGRADA FAMÍLIA - 1º Domingo depois da Epifania

  Foi postado em 2012.

 Leituras: Epístola aos Colossenses, 3, 12-17; Evangelho segundo São Lucas 2, 42-52.

   "E quando Jesus teve doze anos, subiram eles (Jesus e seus pais) a Jerusalém segundo o costume daquela festa. E acabados aqueles dias, ao regressarem, ficou o Menino Jesus em Jerusalém, sem que os seus pais dessem por isto. Julgando que Ele vinha com os da comitiva, caminharam um dia inteiro, e O procuravam entre os parentes e conhecidos. Mas não O achando, voltaram a Jerusalém para O procurar. Aconteceu que, depois de passados três dias, O acharam no templo, sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. E todos os que O ouviam, pasmavam de sua sabedoria e de suas respostas. Vendo-O, ficaram admirados. E disse-Lhe sua Mãe: Filho, por que nos fizeste isso? Eis que teu pai e eu Te procurávamos cheios de aflição. E Ele lhes disse: Por que me buscáveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai? Eles não entenderam o que Ele lhes disse. Então desceu com eles e veio para Nazaré; e lhes era submisso. Sua Mãe conservava todas essas coisas em seu coração. Entretanto, Jesus crescia em sabedoria, em idade e graça diante de Deus e dos homens."

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   1 -   " - Hoje - e pela última vez no ciclo do ano litúrgico - a Igreja apresenta-nos o mistério da vida humilde e escondida de Jesus. Um sentido de profunda intimidade e de ternura caracteriza a festa de hoje e transparece na liturgia: "... é doce para nós recordar a casinha de Nazaré e a vida modesta que ali se leva... Nela aprende Jesus o humilde ofício de José, e, na sombra cresce em idade, mostrando-Se feliz por partilhar o trabalho de carpinteiro. "Que o suor banhe os meus membros - diz Jesus - antes que sejam banhados com a efusão do meu sangue, e esta pena sirva de expiação para o gênero humano" (Breviário). Eis-nos dentro da casinha de Nazaré; à vista de tanta humildade, que oculta a infinita grandeza de Jesus, digamos também nós com o texto sagrado: "Vós sois verdadeiramente um Rei escondido, ó Deus Salvador, Rei de Israel" (ib.).
   A liturgia de hoje salienta sobretudo um dos aspectos típicos da vida humilde deste Deus escondido: a obediência. "Mesmo sendo o Filho de Deus,... aprendeu a obedecer;... humilhou-se a Si mesmo, fazendo-Se obediente até à morte" (Breviário): esta é a obediência que acompanhou Jesus desde Belém até ao Calvário. Mas o Evangelho de hoje (Luc. 2, 42-52) quer especialmente sublinhar a obediência de Jesus em Nazaré e fá-lo com uma frase realmente bela: "era-lhes submisso". Perguntemos com São Bernardo: "Quem obedece?" "A  quem obedece?" E o Santo responde-nos: um Deus aos homens; sim, Deus a quem estão sujeitos os anjos, está sujeito a Maria, e não só a Maria, mas também a José. É uma humildade sem exemplo. Homem, aprende a obedecer; pó da terra, aprende a humilhar-te; pó, aprende a submeter-te. Um Deus sujeita-Se aos homens e tu, procurando dominar os homens, pões-te acima do teu Autor?"

   2 - "Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?" Jesus tão humilde, tão submisso, não hesita em responder deste modo a Maria que docemente O repreende por Se ter demorado no templo sem o seu conhecimento nem o de José, enquanto eles, angustiados, há três dias O andavam procurando.
   Estas são as primeiras palavras de Jesus que nos refere o Evangelho e por Ele pronunciadas para declarar a Sua missão e afirmar a supremacia dos direitos de Deus. Apenas adolescente, Jesus ensina-nos que primeiro devemos ocupar-nos de Deus e das coisas de Deus; que é necessário dar sempre a Deus o primeiro lugar e a primeira obediência, ainda que seja preciso sacrificar os direitos da natureza e do sangue. Não é virtude, antes é muitas vezes pecado, aquela condescência para com os parentes e amigos que nos faz descurar ou simplesmente retardar o cumprimento da vontade de Deus.
   Dar primazia aos deveres para com Deus não significa, porém, descuidar os que temos para com o próximo. Também para estes e particularmente para os que dizem respeito à família, a festa deste dia chama a nossa atenção. Hoje, com efeito, a Igreja convida-nos a modelar a nossa vida de família - quer seja família natural ou religiosa, quer de qualquer outro agrupamento - segundo o exemplo da família de Nazaré e na Epístola (Col. 3, 12-17) mostra-nos as virtudes que com esse fim devemos praticar: "Revesti-vos de entranhas de misericórdia, de benignidade, de humildade, de modéstia, de paciência; sofrendo-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente".
  
   Colóquio - Ó Jesus, como gosto de Vos contemplar pequenino na pobre casinha de Nazaré junto de Maria e de José! Na Vossa vida, tão singela e humilde, em tudo semelhante à de qualquer menino da Vossa idade, Vós, esplendor do Pai, não quisestes coisa alguma que Vos distinguisse entre os filhos dos homens; Vós, sabedoria incriada, quisestes aprender de Maria e de José, criaturas Vossas, as coisas mais elementares e simples da  vida. José ensinava-vos a manejar os instrumentos de trabalho, e Vós observáveis com atenção, aprendíeis e obedecíeis; Maria ensinava-Vos os hinos sagrados e narrava-Vos as Escrituras e Vós, que sois o único verdadeiro "Mestre" e a mesma verdade, escutáveis em atitude de humilde discípulo. Nenhum dos Vossos conhecidos ou compatrícios podiam supor quem Vós éreis realmente: todos Vos tomavam por filho do carpinteiro e não faziam mais caso de Vós que dum pequeno aprendiz de oficina.
   Só Maria e José sabiam, conheciam por revelação divina que Vós éreis o Filho do Altíssimo, o Salvador do mundo e sabiam-no mais pela fé que pela experiência. A Vossa conduta habitual ocultava aos seus olhos a Vossa grandeza e a Vossa divindade, de tal maneira que, quando, sem darem por isso, ficastes no templo entre os doutores, não puderam compreender o motivo dessa estranha atitude.
   Isso, porém, não passou de um instante porque depressa voltastes à Vossa humilde vida oculta: viestes com eles e éreis-lhes submisso. E assim, dia após dia, até à idade dos trinta anos.
   Ó meu dulcíssimo Senhor, fazei que ao menos eu possa imitar um pouco a Vossa infinita humildade. Vós que, sendo Criador, quisestes obedecer às Vossa criaturas, ensinai-me a baixar a minha soberba cabeça e a obedecer voluntariamente aos meus superiores. Vós que descestes do céu à terra, concedei-me a graça de me humilhar e descer de uma vez, do pedestal do meu orgulho. Como suportar, meu Deus e Criador, ver-Vos fazer tão pequeno e humilde, quando eu, nada e pecado, me sirvo do que recebi para me elevar acima dos outros e preferir-me ainda aos que me são superiores?"
   (Extraído do livro "INTIMIDADE DIVINA"  do P. Gabriel de S.ta M. Madalena, O. C. D.)

  
  

   

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

FESTA DA EPIFANIA

LEITURAS: Epístola, Profeta Isaías 60, 1-6.
                      Evangelho segundo São Mateus 2, 1-12: 

   "Tendo Jesus nascido em Belém de Judá, nos dias do Rei Herodes, eis que do Oriente vieram uns Magos a Jerusalém, perguntando: Onde está o recém-nascido Rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-Lo. Ouvindo isto, o rei Herodes turbou-se e com ele toda Jerusalém. E convocando todos os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo, indagava deles onde Cristo nasceria. E eles disseram: Em Belém de Judá, porque assim está escrito pelo Profeta: E tu, Belém. terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá; porque de ti sairá o Guia, que há de governar o meu povo de Israel. Então Herodes chamando secretamente os Magos, inquiriu cuidadosamente deles o tempo em que lhes aparecera a estrela. E enviando-os a Belém, disse-lhes: Ide e perguntai diligentemente pelo Menino, e assim que O achardes, avisai-me para que eu vá também e O adore. Tendo eles ouvido as palavras do rei, foram-se. E eis que a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até que chagando, parou sobre o lugar em que estava o Menino. Vendo a estrela, ficaram possuídos de grandíssima alegria. E entraram na casa, e, prostrando-se, O adoraram. E abertos os seus tesouros ofereceram-Lhe como presentes ouro, incenso e mirra. E, sendo avisados em sonho que não voltassem a Herodes regressaram por outro caminho a seu país".

  Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Hoje celebra a Santa Madre Igreja a grande Festa da Epifania, palavra de origem grega que significa manifestação. São Paulo, referindo-se ao Natal de Jesus, disse na Epístola a Tito III, 4: "Manifestou-se a benignidade e a humanidade de Deus, nosso Salvador". O Verbo de Deus se fez carne, e habitou entre nós. Primeiro manifestou-se aos pobres e humildes pastores através de um Anjo. Depois manifestou-se aos povos gentios na pessoa dos Magos através de uma estrela.
   Mas quem eram estes Magos? A palavra Mago não deve ser tomada no mau sentido que hoje tem. Então significava pessoa poderosa, honrada com o sacerdócio no seu país e muito considerada pela sua ciência, principalmente pelos seus conhecimentos de astronomia. A tradição apresenta-no-los como reis. O texto sagrado na verdade não diz quantos eram. Mas a tradição aponta três e dá-lhes os nomes de Melchior, Baltasar e Gaspar. Diz ainda a tradição que eles foram mais tarde batizados e elevados ao episcopado pelo Apóstolo São Tomé, e finalmente martirizados. As suas relíquias são conservadas e honradas na Catedral de Colônia na Alemanha. O texto sagrado diz simplesmente que vinham do Oriente. Mas de que parte do Oriente? Uns autores assinalam a Caldeia, outros a Arábia, outros ainda a Pérsia. Muitos acham que eram descendentes de Balaão. Provavelmente chegaram a Jerusalém pouco antes ou pouco depois da Purificação.
 
   Mas, caríssimos e amados irmãos, o mais importante é o exemplo belíssimo de fidelidade à graça que  os Magos nos oferecem. "Vimos a estrela e viemos". Esta estrela é o sinal da graça, é a inspiração de Deus. Os Magos seguem, portanto, a luz da graça com prontidão e com grande constância. Quantos viram a estrela  e se contentaram com admirar o seu brilho, sem tratarem de descobrir o seu mistério? Quantos certamente compreenderam em vão o ensinamento que lhes dava? Só os Magos se aproveitaram da graça oferecida a todos. Deus chama-os ao berço de Seu Filho; obedecerão, quaisquer que sejam os sacrifícios que lhes pedir: Sacrifício de seu descanso: que fadigas preveem numa tão longa viagem e em semelhante estação! Sacrifício das suas inclinações mais queridas: família, pátria, amigos. Sacrifício da sua reputação: eles eram tidos por sábios, e o seu proceder é qualificado de loucura. E tudo isto fazem homens que são noviços na fé! Que lição para aqueles que são mestres, pregadores, guardas da fé! Os sacerdotes judeus que instruem a Herodes e aos Magos, onde se deve ir para achar o Salvador do Mundo e eles mesmos não vão. Mostram o caminho da verdade e não o seguem!.
   Os Magos seguem a luz da graça com prontidão. Apenas viram a estrela e ouviram a voz interior, apressam-se a obedecer. Vimos, graça que alumia e fala ao coração; e viemos, é a correspondência a essa graça. Nenhum intervalo entre conhecer o dever e cumpri-lo. Passam num instante da convicção ao desejo, do desejo à resolução, da resolução à prática. É nisto mesmo, diz Santo Tomás que consiste a verdadeira devoção. Que sabedoria há nesta prontidão, que perigos nas demoras da indolência! Se os Magos demorassem sua partida por alguns dias, teriam achado o adorável Menino? Quando Deus fala, uma simples irresolução é uma infidelidade, a menor demora um perigo. A graça tem o seu tempo. Diferir obedecer-lhe, é correr o risco de nunca lhe obedecer; perdida a ocasião, voltará ela? Terá Deus obrigação de esperar que eu queira receber os dons do seu amor? Não é a mim que me compete esperar que Ele se digne concedermos? Ó Jesus, aquele que cede à vossa graça senão o mais tarde possível, mostra bem que só cede com repugnância. Sua obediência é uma flor murcha.

   Os Magos seguem a luz da graça com grande constância. Como nada pôde impedir que tomassem a resolução que Deus queria, também nada os desanima na sua execução. Quantos obstáculos porém, quantas contradições capazes de destruir uma resolução menos firme! Tinham andado uma grande parte do caminho, estavam perto de Jerusalém; de repente a estrela desaparece: ei-los sem guia num país estrangeiro; quantos motivos de temor! Pensam acaso em voltar para a sua terra? Não, continuam a caminhar, apoiando-se não já no que veem, mas no que viram; a verdade é imutável, como o mesmo Deus: Se no meio de Jerusalém encontram um povo indiferente que mostra não se importar com o seu Rei e Salvador recém-nascido; se os doutores e sacerdotes lhes declaram friamente o lugar do seu nascimento, e não falam em ir com eles adorá-Lo; se Herodes se contenta com enviá-los para que O procurem, tudo isto os espanta, sem dúvida e os aflige, mas não os desalenta.
   As provações fazem parte essencial do plano divino. As obras de Deus só florescem à sombra da árvore da cruz. Devo conservar-me sempre pronto a seguir a vontade de Deus, apenas a estrela da fé ma tiver feito conhecer.
   Ó meu Deus, eu quero obedecer à vossa graça, sem escusas, sem demoras, sem cansaços, seguindo pelo caminho dos vossos mandamentos, pois sei perfeitamente que só neles se encontra a verdadeira vida.
    Com Santo Ambrósio digamos a Jesus: "Oh!  que bom Mestre eu sirvo"! Oh! como é bom procurá-Lo a ele unicamente, e servi-Lo de todo o nosso coração! Oh! como um homem, repousando no seio da Providência, está justamente em paz e em toda a segurança! Que não devo eu esperar da sua bondade, se não ponho obstáculo algum à sua graça? Amém!

domingo, 1 de janeiro de 2017

A PARÁBOLA DA FIGUEIRA ESTÉRIL

   Caríssimos, chegados que fomos, pela graça de Deus, ao término de mais um ano, será um santo e salutar pensamento fazer uma pequena meditação sobre a nossa vida, especialmente um exame de consciência sobre o ano que está terminando. Para tanto muito nos ajudarão algumas reflexões sobre a parábola da figueira estéril, feita pelo Divino Mestre e relatada por São Lucas no capítulo XIII de seu Evangelho. 

   Eis a parábola: "Um homem tinha uma figueira plantada na sua vinha, foi buscar fruto, e não o encontrou. Então disse ao cultivador da vinha: Eis que há três anos venho buscar fruto a esta figueira e não o encontro; corta-a; para que está ela ocupando terreno inutilmente? Ele, porém, respondendo, disse: Senhor, deixai-a ainda este ano, enquanto eu a cavo em roda e lhe lanço esterco; se der fruto, está bem. senão, cortá-la-ás depois". 

 Esta parábola, que ao primeiro aspecto, parece terrível, é pelo contrário, cheia de misericórdia. Se Deus estivesse resolvido a castigar-nos sem misericórdia, não nos teria prevenido assim tão claramente. 

   História do povo judeu, ela é também a história de muitas almas. Quantas, abusando da graça, ocupam na Igreja um lugar inútil. 

   O sentido geral desta parábola é o seguinte: Deus até certo ponto espera com paciência a conversão dos pecadores. Deus é o dono da vinha, sendo vinhateiro o próprio Jesus Cristo, que tudo fez para conseguir a conversão do seu povo de Israel e continua fazendo para salvar todas almas pela quais morreu na Cruz. 

   Façamos agora mais detalhadamente a aplicação desta parábola a cada um de nós: "Um homem tinha uma figueira plantada na sua vinha, foi buscar fruto, e não o encontrou". Devemos notar que Jesus antes de dizer esta parábola, havia pronunciado por duas vezes esta terrível sentença: "Se não fizerdes penitência, todos haveis de perecer". Depois dos cuidados que havia usado comigo, o Senhor decerto esperava achar em mim os frutos de santidade, ou dignos frutos de verdadeira penitência. Perguntemo-nos: será que Jesus os tem encontrado em mim? Parece-me ver essa figueira com as suas largas folhas; tudo favorecia a sua fecundidade; e todavia talvez era estéril. Em que estado me encontro a este respeito? 

   "Então disse o cultivador da vinha: Eis que há três anos venho buscar fruto a esta figueira e não o encontro; corta-a; para que está ela ocupando terreno inutilmente?"  Caríssimos, quem sabe somos obrigados a dizer: Senhor, dizeis muito pouco; há mais tempo ainda, que eu engano a vossa esperança. Na verdade, mereci a terrível sentença: Morte, toma a tua gadanha, vai cortar o fio de uma vida praticamente inútil. E, talvez, ó que terrível!!! não tenha minha vida sido só inútil mas nociva e contrária aos planos divinos a meu respeito. Senhor, dai-me ainda mais algum tempo para eu fazer dignos frutos de penitência. Quero aproveitar o resto de tempo que me resta. Tenha paciência comigo, Senhor, que pagarei, com a vossa graça, toda a dívida.

   "Ele, porém, respondendo, disse: Senhor, deixai-a ainda este ano, enquanto eu a cavo em roda e lhe lanço esterco; se der fruto, está bem, senão, cortá-la-ás depois". Para mim, como para a figueira, pediu-se uma delonga; Maria Santíssima desviou o golpe fatal, como, em Caná, conseguiu que Seu divino Filho antecipasse a sua hora, aqui conseguiu que a retardasse e ainda me desse a possibilidade de ter a alma fortalecida com o vinho da vida eterna. 

 Caríssimos, não esqueçamos, porém, que a excessiva bondade de Deus e de sua Mãe Santíssima, se dela abusarmos, atrairá sobre nós maior severidade. Portanto, demos frutos dignos de penitência: dignos de Deus e sua infinita misericórdia para conosco; dignos de mim também e dos meus interesses espirituais. Vamos detestar o mal que porventura tenhamos feito, tornar por outros caminhos como os Reis Magos, ter outro espírito e coração. Ajudai-me, Senhor; hoje começo; esta mudança será obra da vossa graça e da minha fidelidade. Amém!

   

HOMILIA DO DOMINGO NA OITAVA DO NATAL - Com explicação da Epístola

   Leituras: da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Gálatas IV, 1-7.
   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas II, 33-40.

  
EXPLICAÇÃO DA EPÍSTOLA DA MISSA DO DOMINGO NA OITAVA DO NATAL

   Irmãos: Enquanto o herdeiro é menino, em nada difere do servo, ainda que de tudo seja senhor; mas está sujeito a tutores e procuradores até o tempo determinado pelo pai. Assim também nós, quando éramos meninos, éramos sujeitos às leis do mundo. Quando, porém, se cumpriu a plenitude do tempo, enviou Deus o seu Filho, nascido de uma mulher, sujeito à lei, a fim de remir os que à lei estavam sujeitos e para que recebêssemos a adoção de filhos. E porque sois filhos, enviou Deus a vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Abba, Pai. Portanto, já nenhuma de vós é servo, mas filho; e se é filho, é também herdeiro por Deus. 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Em primeiro lugar darei uma explicação geral desta Epístola que acabamos de ler. Assim queria dizer o Apóstolo São Paulo: Meus irmãos, até quando o herdeiro for menino, não há diferença alguma entre ele e um servo. Pois, ainda que seja dono de todo o patrimônio, ainda assim, até quando não chegar a maior idade ou ao tempo marcado pelo pai, não pode dispor do que possui, sendo pelo contrário governado pelos seus tutores e administradores. Assim também, nós, os judeus, durante todo o tempo em que vivíamos sob a Lei Antiga éramos como crianças e, portanto, submissos servilmente a todas as exigências materiais que constituem o cerimonial da Lei Mosaica. Mas quando chegou o tempo estabelecido por Deus, nosso Pai, para a nossa emancipação, Ele enviou ao mundo seu Filho, formado no seio puríssimo da Virgem Maria, a fim de que, livrando-nos dos grilhões da lei, fôssemos adotados como filhos. E pois que somos filhos de Deus, enviou aos nossos corações o Divino Espírito Santo, que é o Espírito do Unigênito do Pai, infundindo-nos o amor filial que nos faz clamar a Deus com esse grito: Pai, meu Pai! Portanto, não somos mais servos e sim filhos e, como tais, herdeiros das promessas outrora feitas a Abraão. 

   As várias etapas que precederam a vinda do Messias vêm constituir no dizer de São Paulo a época da minoridade, em que o gênero humano possuindo embora o grande tesouro das promessas, delas ainda não podia usufruir. Por Nosso Senhor Jesus emancipados da lei antiga que nos fazia escravos, por Ele entramos na plena posse da nossa herança, que nos faz, doravante, filhos de Deus. Assim, não somos mais escravos e sim filhos, e, como tais, herdeiros do reino dos céus. 

   Caríssimos, nisto está toda a nossa dignidade: Somos filhos de Deus! 
   A uma filha de um rei de França que repreendia asperamente uma sua criada, , dizendo-lhe: "Eu sou filha de um rei", retrucava-lhe a criada: "E, eu sou filha de Deus!" 

   Caríssimos, embora, demore um pouco mais, vale a pena meditarmos sobre esta filiação divina que Jesus nos mereceu. Na verdade, se quisermos apreciar pela sua justa medida o valor da graça, é mister vermos o que fizeram as três Pessoas Divinas para no-la comunicar. O Pai tem apenas um Filho, que é a sua imagem viva e substancial, um Filho que Ele ama como a si mesmo. Ora, este Filho, Ele entrega-O, encarna-O, sacrifica-O para nos dar a vida da graça, que tínhamos perdido pelo pecado de Adão. "De tal modo Deus amou o mundo, que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele acredita não morra, mas tenha a vida eterna" (S. João III, 16). O Filho era completamente feliz no seio do Pai; amado por Ele com um amor infinito e amando-O com um amor recíproco, não tinha nenhuma necessidade de nós. E, no entanto, por amor do Pai, como por amor de nós, consente em fazer-se homem para nos divinizar, consente em abraçar as nossas necessidades e dores, em sofrer e morrer por nós numa cruz, para nos ser restituída a vida que perdêramos em Adão. "Cristo amou-nos e entregou-se por nós em oblação e sacrifício de suave odor" (Efésios V, 2), a fim de que purificados pela virtude do seu sangue e do seu amor, vivêssemos da sua vida. O Espírito Santo, laço de amor entre o Pai e o Filho, igual aos dois, gozando da mesma felicidade que Eles, não tinha, certamente, necessidade do nosso amor. E, apesar disso, para nos santificar, aplicando-nos os méritos do Filho, desce ao nosso pobre coração, expulsa de lá o pecado, adorna-o da graça e das virtudes e dá-se-nos Ele próprio, para que gozemos da sua presença e dos seus dons, na expectativa da eterna posse de Deus: "O amor de Deus", diz-nos São Paulo, " foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi dado" (Romanos, V, 5).

   Caríssimos, terminemos com a exortação de São Leão Magno: "Reconhece, cristão, a tua dignidade e, visto que és participante da natureza divina, não voltes, por uma conduta desregrada, à tua antiga baixeza. Lembra-te de que corpo és membro e quem é o teu chefe. Lembra-te de como foste arrancado ao poder das trevas e transportado para o reino da luz, como o santo batismo te consagrou templo do Espírito Santo". Amém!.


A CIRCUNCISÃO DO MENINO JESUS E PRIMEIRO DIA DO ANO

   Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo a Tito II, 11-15.
                   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas, II, 21:

   "Naquele tempo, depois que se completaram os oito dias para o Menino ser circuncidado, puseram-Lhe o nome de Jesus, como Lhe havia chamado o Anjo, antes que fosse concebido no seio materno".

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Circuncisão era uma cerimônia humilhante e dolorosa, ordenada por Deus a Abraão e aos seus descendentes, para constituir o selo da sua aliança com eles e um como sinal distintivo de um povo eleito. Diz assim o Livro do Gêneses no capítulo XVII, 9-12: "Disse mais Deus a Abraão: Tu. pois, guardarás a minha aliança, tu e os teus descendentes depois de ti, nas suas gerações. Eis o meu pacto, que haveis de guardar entre mim e vós, e a tua posteridade depois de ti: Todos os homens entre vós serão circuncidados; circundareis a carne do vosso prepúcio, para que seja o sinal da aliança entre mim e vós. O menino de oito dias será circuncidado entre vós, todos os homens nas vossas gerações...".
   Prescrita na época em que todos os povos se entregavam ao pecados da impureza e da idolatria, a circuncisão era: 1º - um símbolo de consagração a Deus e um ato de reconhecimento da sua soberania; 2º - um sinal do pecado, e ao mesmo tempo uma espécie de tributo ou satisfação para expiá-lo; 3º - um testemunho perpétuo da maldição das gerações humanas, e da necessidade de cortar o que pelas paixões sensuais  o pecado introduzir;  4º - enfim, um símbolo de fé e de esperança no Messias prometido, que havia de vir a resgatar o homem da escravatura do pecado, e a santificar a natureza humana. 
   A circuncisão não podia por si mesma perdoar o pecado: significava somente a fé. Diz Santo Tomás: "Na circuncisão se conferia a graça enquanto era sinal da paixão futura". Era uma figura do Batismo. Impunha-se um nome à criança, em recordação da mudança de nome que Deus prescreveu a Abraão, ordenando-lhe a circuncisão (Conf. Gêneses, XXVII, 5). 

   Mas, que faz Jesus Cristo no mistério da Circuncisão? Humilha-se, padece, salva, e recebe o nome de Jesus. 
   1- HUMILHA-SE: Divindade, santidade, geração inefável e eterna de seu Pai, geração milagrosa no seio virginal de Maria Santíssima: todos estes títulos isentavam o Salvador da circuncisão, e pareciam proibir-Lhe que se sujeitasse a ela, e, contudo, sujeita-se. O que tornava esta lei infinitamente humilhante para o Homem-Deus, é que ela supunha o pecado naquele que era circuncidado. O pecado e a santidade, o pecado e a divindade, que coisas mais incompatíveis? Mas o Filho de Deus fez-se homem para nos salvar do pecado. Quer repará-lo de um modo superabundante; por conseguinte é necessário que ele se revista, que sofra a vergonha que lhe está anexa. Desde então desparecem todas as suas grandezas; já não Lhe é permitido valer-se dos direitos de sua santidade e divindade, nem opor à lei as preeminências da sua origem. 
   Jesus tomou sobre Si todos os pecados da Humanidade. Diz São Paulo: "Aquele que não tinha conhecimento do pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nos tornássemos nele justiça de Deus" (II Cor. V, 21).  É, já na circuncisão que se realiza este prodígio de humildade.

   2- SOFRE: Desde o primeiro momento de sua conceição, e durante todo o tempo que passara no seio de Maria Santíssima, Jesus não cessava de se oferecer a seu Pai, como Cordeiro que havia de tirar os pecados do mundo. Era a oblação do sacrifício; mas, agora vai começar a imolação. É cortada sua carne inocente, e seu sangue corre. Ei-lo já sacerdote e vítima; derramando seu próprio sangue entra no santuário. "O pouco sangue que derrama hoje, diz Bossuet, promete a Deus o restante". 
   Sua circuncisão é o prelúdio e a aceitação solene de sua morte na Cruz. É como se ouvíssemos o Menino Jesus dizendo: Meu Pai, tendes agora em quem vingar a vossa glória ofendida; feri o Vosso Filho, mas poupai os homens!

   3- SALVA: A quem? A todos os filhos de Adão, se quiserem, visto que Ele vem oferecer a todos abundantes meios de santificação e salvação. Salva-nos dos nossos pecados, porque os expia; das nossas desobediências, com sua sujeição às leis que não Lhe dizem respeito; da nossa soberba, com as maiores humilhações, descendo tanto, quanto um Homem-Deus pode descer, até à semelhança do pecado; dos nossos prazeres sensuais, padecendo em tão tenra idade. 

   4- RECEBE O NOME DE JESUS:  Nome de paz e de amor, de conquista e de triunfo; nome poderoso que dissipa os receios, reanima as esperanças, acalma as tempestades da alma, suspende os esforços do demônio. O primeiro, o mais nobre, o mais suave, o mais amável de todos os nomes. Como diz São Bernardo: "O nome de Jesus é mel para os lábios, é melodia para os ouvidos e é júbilo para o coração". 

   
   Caríssimos e amados leitores! De coração, desejo a todos um 2017 santo e feliz, com graças abundantes e escolhidas de Nosso Senhor Jesus Cristo através de Sua Mãe Santíssima. Permitam-me um só conselho deste sacerdote amigo: Como única resolução para este ano: REZAR MELHOR, pedindo a pureza e  o amor para sofrer pela Fé. Rezar o melhor possível o Santo Terço tão recomendado por Nossa Senhora em Fátima!

 ORAÇÃO DO PRIMEIRO DIA DO ANO

   "Ó Deus eterno e onipotente, com a Vossa graça damos princípio a este novo ano! Que será de nós no seu decurso? Passá-lo-emos santamente? Chegaremos até seu fim? Só Vós o sabeis, Senhor. A nós só cumpre entregá-lo totalmente em Vossas mãos, confiando unicamente na Vossa misericórdia. Começamo-lo oferecendo-vos as mais devotas e fervorosas homenagens do nosso coração, como as primícias deste novo ano.
  Nós Vos adoramos, Vos louvamos e Vos bendizemos, ó fonte de todo bem. Desejamos que sejais adorado, louvado e engrandecido por todas as criaturas. Consagramo- Vos o nosso corpo, a nossa alma, todos os nossos sentidos, todas as nossas faculdades e potências, e toda a nossa vida. Nós Vos oferecemos todos os nossos pensamentos, afetos, palavras e obras. Oh! quem nos dera passar este ano em perfeito holocausto à Vossa divina glória! Tais são nossos desejos. Mas, Senhor, Vós bem sabeis quão fracos e mesquinhos somos.
   Dignai-Vos, pois, derramar sobre nós a torrente de Vossas graças, para que, com elas fortificados, superemos os  obstáculos, vençamos as dificuldades e só vivamos para a Vossa honra e glória, e para a santificação de nossas almas. Virgem Santíssima, São José, anjo da nossa guarda, todos os santos e santas da corte do céu, intercedei por nós no decurso deste novo ano. Assim seja!

sábado, 24 de dezembro de 2016

FELIZ E SANTO NATAL!



 Aos caríssimos e amados leitores desejo do fundo do coração um feliz e santo Natal com graças e bênçãos copiosas e escolhidas do Menino Deus e de Sua Mãe Santíssima!

  É o aniversário de Jesus. E qual o presente que Lhe vamos dar?
   Lemos o seguinte episódio na vida de Santo Antônio de Pádua: Enquanto estava atento aos seus jogos, o pequeno Antônio viu, um dia, um menino da sua idade: belo de uma beleza nova na terra. Mantinha ele o aventalzinho levantado, e girava em torno os olhinhos, como que desejoso de receber algum presente.
   Perguntou-lhe o pequeno Antônio: "De onde vens? Como te chamas? Que você quer? - De onde venho? respondeu-lhe o encantador menino: Do céu. Como me chamo? O meu nome encontra-se escrito em letras de fogo sobre uma gruta em Belém; em letras de sangue sobre uma cruz em Jerusalém; em letras de ouro sobre todos os sacrários da terra. Sou o Menino Jesus, e ando em busca dos corações dos homens".
   "Ó Menino Jesus, que quereis de mim!" suplicou o pequeno Antônio pressurosamente.
  - "Antônio, dá-me o teu coração".
   Hoje no Santo Natal, Jesus chama cada um de nós pelo nome e diz: "Dá-me o teu coração".
   Mas, Menino Jesus, o meu coração não está preparado para vós, ele é muito diferente do de Antônio de Pádua. Infelizmente o pecado cavou nele tremenda voragem, um profundo poço lodoso e repelente.

   Recorramos ao exemplo de um homem de grande santidade e pureza: São Geraldo Majella.
   A São Geraldo, quando ainda menino sucedeu um caso tão belo que quase não pareceria verdadeiro, mas que é digno de fé porque foi examinado e reconhecido pela Igreja quando se tratou da sua beatificação.
   Geraldo Majella era muito pobre e servia como empregado ao Bispo de Lacedônia. O bispo, indo viajar, deixou as chaves da casa com o pequeno empregado e deixou-lhe a ordem de apanhar água no poço que ficava em frente da igreja.
   Na beira do poço, nem Geraldo saberia explicar como fora: em certo momento ele ouviu um baque na água, e eram as chaves da casa paroquial que lhe haviam escorregado dos dedos. Foi visto com a face pálida e cheia de espanto. Tendo nos olhos uma muda angústia, ele olhava para aquela escura profundeza. E agora, que fazer? Que lhe diria seu patrão que, pela idade e doenças, não era lá modelo de muita mansidão. Talvez o pusesse na rua. E para onde iria ele, sozinho, sem trabalho, sem teto? De repente luziu-lhe uma ideia. Atravessa, correndo, a praça, entra na catedral, e, do presépio apanha a imagenzinha do Menino Jesus.
   "Menino Jesus - suplica Geraldo como se estreitasse, não uma figura de gesso, ma o próprio Menino Jesus de carne, vivo e respirante. - Só tu podes ajudar-me. Tu e ninguém mais: faze-me, pois, apanhar a chave!" Em seguida, amarrou o Menino Jesus à corda do poço e fê-lo descer devagarinho. Quando sentiu dentro da água, gritou-lhe lá para dentro com toda a força de sua esperança: "Menino Jesus, traze-me para cima a chave!' E começou a puxar a corda.
   Um grito de alegria! Qual não foi a surpresa de todos que ali estavam quando viram nas mãozinhas da imagem do Menino Jesus as chaves. Geraldo apanhou-as da imagem, e depois, impelido como por um vento de alegria e de gratidão, correu a levar a imagem do Menino Jesus de novo para a manjedoura na catedral.
   Caríssimos e amados irmãos, quando pecamos, perdemos as chaves do Paraíso, a graça de Deus. Com astúcia e mentira, o demônio fizera-as escorregar das nossas mãos, ou seja, das nossas almas. Só Jesus pode no-las restituir. Para nos arrancar do fundo do poço lodoso e repelente do pecado nos oferece a corda da Confissão. Náufragos que fomos, Jesus nos oferece esta segunda tábua de salvação.

   Agora, Jesus quer vir ao nosso coração por Ele mesmo purificado, livre das águas imundas do pecado. Com que paz, com que alegria podemos agora nos aproximar da Mesa da Santa Comunhão. Temos aí o mesmo Jesus que nasceu em Belém, morreu em Jerusalém e ressuscitou imortal e impassível.
  
   Na noite de Natal, São Caetano de Thiene velava em oração ardente diante do presépio, na basílica de Santa Maria Maior em Roma. Com a sua fé viva ele recompunha a história daquela noite santa, e parecia-lhe ser também ele um pastor a quem o Anjo anunciasse a grande alegria. Parecia-lhe acorrer também, pelas estradinhas rupestres, à gruta de Belém, onde com um fio de voz gemia o Onipotente, nascido menino.
   E eis que, enquanto assim meditava, apareceu-lhe deveras a Virgem Maria carregando o Menino Jesus. E veio até ele, e sobre os seus braços abertos e trêmulos reclinou o pequenino Filho de Deus feito homem. E Caetano olhava-o, e ao seu coração de pobre homem estreitava aquele Coração de Deus, e sentiu   em si o Paraíso.
   Caríssimos e amados fiéis, reavivemos o nosso amor e a nossa fé para com o Santíssimo e Diviníssimo Sacramento. Que Jesus eucarístico não seja mais para nós o Desconhecido! Na Comunhão de Natal será Nossa Senhora mesma que colocará no nosso trêmulo coração de pobres pecadores, o seu pequenino Filho de Deus. Ó Maria, Mãe do Amor! Preparai meu coração para receber o Senhor!
   Que gratidão devemos ter também a Nossa Senhora que nos trouxe Jesus! No ano 2000 tive a graça de celebrar em Belém ao lado da mesma gruta em que Jesus nasceu. Depois da Consagração eu disse a Maria Santíssima: "Minha Mãe e Senhora, há 2000 mil anos atrás a Senhora trouxe aqui neste lugar o mesmo Jesus que eu também acabo de trazer pelas palavras da Consagração. Mas eu não o poderia fazer, se a Senhora não O tivesse trazido primeiro".
   Deus Pai quis que tivéssemos Jesus através de Maria. Por gratidão a Nossa Senhora, quero terminar com mais um exemplo da vida de um grande devoto de Nossa Senhora: São Bernardo.
   Entre as recordações que da sua infância São Bernardo narrava, a mais doce era esta. Chegara a véspera do Natal, esperada com aquela fascinação que só conhecem as crianças de alma pura. A todo custo ele quis que os seus o levassem consigo à Missa da meia-noite. Mas, quando ele chegou na igreja, embalado pelo murmúrio das orações, envolto no calor da multidão, como a Missa demorasse a começar, vencido pelo sono ele adormeceu. Teve um sonho lindo, que, embora sonho, quem não o quisera ter? Ei-lo: Viu atravessar os céus a Virgem Maria, que segurava, estreitando ao coração, o seu belíssimo Menino, recém-nascido. Curvada sobre Ele com maternal gesto, ela dizia: "Olha lá na terra, no meio daquela gente, o meu pequeno Bernardo". O Menino abriu as pálpebras, girou os olhinhos para baixo, e viu-o. E os dois se sorriram mutuamente.
   Ó doce, ó Santa Mãe, essa palavra que um dia disseste para São Bernardo, repete-a hoje ao teu Filho Jesus também para nós! Dize-Lhe  que nos olhe.
   Dize-Lhe que O revestiste de pobres panos para que Ele nos revestisse com a glória da imortalidade.
   Dize-Lhe que o acomodaste entre o hálito de dois animais para que Ele nos elevasse para entre o canto dos anjos.
   Dize-Lhe que o puseste na estreita manjedoura para que Ele nos colocasse no imenso palácio dos céus. Amém!