SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

domingo, 25 de junho de 2017

HOMILIA DOMINICAL - 3º Domingo depois de Pentecostes

   Leituras: Primeira Epístola de São Pedro Apóstolo 5, 6-11.
   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 15, 1-10:

Parábola da ovelha perdida

 
 "Naquele tempo, chegaram-se a Jesus os publicanos e os pecadores para ouvi-Lo. E os fariseus e os escribas murmuravam e diziam: Este recebe os pecadores e come com eles. Então, Ele lhes propôs esta parábola, dizendo: Qual é o homem, entre vós, que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove, e não vai procurar a que se desgarrou, até achá-la? E achando-a, não põe-na sobre os seus ombros com alegria, e vindo pra casa, não chama os seus amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Congratulai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida. Assim, digo-vos que haverá mais júbilo no céu por um pecador que faça penitência do que por noventa e nove justos que não necessitam de fazer penitência. Ou qual a mulher que, tendo dez dracmas e perdendo uma, não acende a candeia, não varre a casa e não procura diligentemente até encontrá-la? E encontrando-a, não chama as suas amigas e vizinhas, dizendo-lhes: Congratulai-vos comigo, porque achei a dracma perdida? Assim, digo-vos que haverá júbilo no céu entre os Anjos de Deus, por um só pecador que faça penitência". 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   1- A liturgia de hoje é um caloroso convite à confiança no amor misericordioso de Jesus. Desde o princípio da Missa a Igreja faz-nos rezar assim: "Olhai para mim, Senhor, tende compaixão, pois vivo só e ao desamparo. Reparai na minha miséria e sofrimento e perdoai todos os meus pecados" (Introito). Depois na oração da Coleta pedimos: "Ó Deus... multiplicai sobre nós a Vossa misericórdia", e um pouco mais adiante exorta-nos: "Descarrega o teu fardo no Senhor e Ele te sustentará" (Gradual). Mas como justificar tanta confiança em Deus, sendo nós sempre uns pobres pecadores? Esta justificação encontramo-la no Evangelho do dia (Lc. 15, 1-10) que refere duas parábolas de que Jesus Se serviu a fim de nos ensinar que jamais confiaremos demasiado na Sua misericórdia infinita: a parábola da ovelha perdida e a da dracma perdida. Primeiro é-nos apresentado o Bom Pastor que vai atrás da ovelha tresmalhada: é a figura de Jesus, descido do céu para ir à procura da pobre humanidade perdida nos antros obscuros do pecado; para a encontrar, para a salvar e conduzir novamente ao redil, Ele não hesita em enfrentar os sofrimentos mais amargos e até a morte. "E tendo-a encontrado, põe-na sobre os ombros alegremente e, indo para casa, chama os seus amigos e vizinhos, dizendo-lhes: "Congratulai-vos comigo porque encontrei a minha ovelha que se tinha perdido". É a história do amor de Jesus não só para com toda a humanidade, mas para com cada alma em particular; história bem sintetizada na doce figura do bom pastor, sob a qual Jesus Se quis apresentar. Pode dizer-se que a figura do bom pastor - tão amada nos primeiros séculos da Igreja - equivale à do Sagrado Coração; uma e outra são a expressão viva e concreta do amor misericordioso de Jesus e convidam-nos a ir a Ele com plena confiança.

   2- "Digo-vos que haverá maior júbilo no céu por um pecador que fizer penitência que por noventa e nove justos que não têm necessidade de penitência". Com este pensamento, embora expresso de forma diversa, terminam as três parábolas da misericórdia: a da ovelha perdida, a da dracma perdida e a do filho pródigo. Esta insistente repetição indica-nos o grande cuidado que Jesus teve em inculcar-nos um sentido profundo da misericórdia infinita, misericórdia que contrasta com a atitude dura e desdenhosa dos fariseus que murmuravam, dizendo: "Este (Jesus) recebe os pecadores e come com eles". As três parábolas são a resposta do Mestre à insinuação maliciosa e mesquinha dos fariseus. 
   A nós, criaturas limitadas e espiritualmente tão curtas de vista, não nos é fácil compreender a fundo este inefável mistério; e não só nos é difícil entendê-lo a respeito dos outros, mas mesmo quando se trata de nós próprios. Contudo Jesus disse e repetiu: "Haverá maior júbilo no céu por um pecador arrependido que por noventa e nove justos", e com isto quis declarar-nos quanta glória dá a Deus a alma que, após as suas quedas, volta para Ele arrependida e confiada. O sentido destas palavras não se há de aplicar somente aos grandes pecadores, aos que se convertem do pecado grave, mas também àqueles que se convertem dos pecados veniais, que se humilham e depois se levantam das infidelidades cometidas por fragilidade ou irreflexão. Esta é a nossa história de todos os dias: quantas vezes nos propusemos vencer a nossa impaciência, a nossa irascibilidade ou susceptibilidade, e quantas vezes recaímos! Porém, se reconhecermos humildemente o nosso erro e formos, com confiança, "pedir perdão a Jesus, lançando-nos nos Seus braços, Ele estremecerá de alegria" e "fará mais ainda: amar-nos-á mais do que antes de nossa falta" (Santa Teresinha do Menino Jesus)... (Meditação extraída do Livro INTIMIDADE DIVINA do Padre Gabriel de Sta M. Madalena, O.C.D.). 

   Terminemos com palavras de Santa Teresinha do Menino Jesus: "Ó Jesus, eu sei que o Vosso Coração fica mais magoado com as mil pequenas indelicadezas dos seus amigos do que com as faltas, mesmo graves, que cometem as pessoas do mundo. Todavia parece-me que é só quando as nossas indelicadezas se tornam habituais e não Vos pedimos perdão delas, que Vós podeis dizer: 'Estas chagas que vedes no meio das minhas mãos, recebia-as na casa daqueles que me amavam!' Mas se depois de cada pequena falta vimos pedir-Vos perdão, lançando-nos nos Vossos braços, Vós estremeceis de alegria e dizeis aos Vossos anjos o que o pai do filho pródigo dizia aos seus servos:'Vesti-o com a sua melhor roupa, ponde-lhe um anel no dedo e regozijemo-nos'. Ó Jesus, como são pouco conhecidos a bondade e o amor misericordioso do Vosso Coração!"
   

EPÍSTOLA DO 3º DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES


1 Pedro, V, 6-11

Vejamos primeiramente um sentido geral: Devemos humilhar-nos e aceitar com paciência da mão de Deus todas as tribulações e calamidades, afim de que no dia do juízo Jesus nos eleve à eterna glória. Em Nosso Pai do Céu devemos depositar todas a nossas preocupações e inquietações, porque Ele é que tem cuidado de nós. Devemos ser mortificados, sóbrios e vigilantes, porque o demônio, que é nosso adversário, anda em redor de nós, como leão rugidor em busca de sua presa, que é nossa alma. Devemos resistir-lhe com as armas que a fé nos oferece. Nem tampouco devemos ficar admirados por causa das perseguições e não esqueçamos que o mesmo acontece com todo mundo, já que o mundanos odeiam aqueles que são de Jesus Cristo. Mas tenhamos confiança! Jesus venceu o mundo. Deus, autor e doador de todas as graças, que nos chamou por meio de Cristo à glória eterna, ao ver a nossa boa vontade em meio aos sofrimentos, suprirá ao que falta à nossa fraqueza. Ele nos dá a força e a energia. A Deus, pois, toda glória para sempre!

Vejamos agora detalhadamente: "Humilhai-vos, pois, sob a mão poderosa de Deus, para que Ele vos exalte no tempo da sua visita; descarregando sobre Ele toda a vossa solicitude, porque Ele tem cuidado de vós". Deus quer que nos humilhemos, confessando sinceramente que tudo o que estamos sofrendo bem o merecemos e nos convém. Assim devemos nos humilhar com profunda reverência diante das disposições do nosso Pai do Céu que nos poderia enviar sofrimentos muito maiores, com sua mão todo poderosa. Isto Deus faz quando o homem se eleva no seu orgulho: "Deus resiste aos soberbos".  Mas, se nós nos humilhamos, Deus nos dá a sua graça, e, então, tudo podemos com a força que Ele nos dá.
No dia soleníssimo do Juízo Universal os servos fiéis e humildes de Deus, ou seja, aqueles que nunca tentaram diminuir a glória de Deus mas O glorificaram, serão exaltados. Portanto, devemos outrossim, inclinar a cabeça com humildade, diante das contrariedades comuns da vida.

Devemos para isso, ter uma confiança ilimitada em Deus, Nosso Senhor e Pai. São Pedro faz questão de frisar: "Deus tem cuidado de nós". Quer isto dizer que Ele nos assiste como Pai, ou melhor como mãe: "Pode uma mulher esquecer o seu filho? Mas, mesmo que alguma mãe se esqueça do fruto de suas entranhas, eu nunca me esquecerei de vós" ( cf. Isaías 49, 15). Caríssimos, nunca poderemos imaginar perfeitamente e com exatidão, o que o Senhor e Pai do Céu pensa e dispõe a nosso respeito! !Ele tem cuidado de nós".

São Pedro lembra, porém, que, se Deus é Pai que olha por nós, o demônio é nosso adversário que está em torno de nós procurando perder nossa alma: "Sede sóbrios e vigiai, porque o demônio, vosso adversário, como leão rugidor, dá voltas ao redor, procurando quem devorar: resisti-lhe fortes na fé".

Na luta contra o demônio a primeira arma a ser usada é a mortificação: "Sede sóbrios". A sobriedade é que vai nos ajudar a usar bem a segunda arma, isto é, a vigilância: "Vigiai". A vigilância e muitíssimo necessária. O diabo, que está sempre contra nós, é como um leão: é feroz, robusto, resoluto, soberbo e, além do mais, é como um leão que ruge de fome. Tem fome insaciável de almas, e sempre as persegue para fazê-las suas presas. É bem verdade, que o demônio é um leão amarrado numa corrente. Daí devemos estar atentos para não nos aproximarmos dele. Mortificando-nos, vigiando e rezando, ouviremos os rugidos do diabo, mas, perto de Nosso Pai do Céu podemos estar tranquilos.


"Dá voltas, procurando nos devorar". Nossa vigilância deve ser contínua e em toda parte. Podemos encontrar este leão faminto em toda parte, até na igreja, até na hora da oração. E ele procura nos atacar pelo nosso lado mais fraco. Procura tirar proveito do nosso defeito dominante. O que nos consola é que o demônio é um leão que só poderá o quanto nós permitirmos, porque São Pedro diz que podermos resistir a ele: "Resisti a ele, fortes na fé". São Tiago também diz: "Resisti ao diabo, e ele fugirá de vós" (S. Tiago IV, 7). Nas tentações devemos recorrer a Deus com fé inabalável e nesta fé Deus nos dará coragem, pois, o demônio pode rugir quanto quiser, pode mostrar-se feroz, mas não pode nada, se nós, fortes na fé, lhe soubermos dizer: "afasta-te, satanás! Estou com Jesus e sob o manto de sua Mãe Santíssima! Amém!

O CORAÇÃO DE JESUS FALANDO AO CORAÇÃO DO SACERDOTE

Caríssimos colegas no sacerdócio, imaginemos Jesus aparecendo a cada um de nós, como apareceu a Santa Margarida Maria Alacoque e dizendo-nos: "Eis aqui este Coração, que amou tanto os homens, e que por eles é tão pouco amado. Mas o que mais sinto, é que encontro ingratos até entre os meus ministros! Tu não podes mostrar-me maior amor do que fazendo o que já tantas vezes te pedi. Prometo-te, que o meu Coração se abrirá para derramar as suas bênçãos sobre os que o honrarem e empregarem o seu zelo em fazê-lo honrar".

   Caríssimos, meditemos nestas queixas do Sagrado Coração de Jesus. 

  "Eis aqui o Coração": Jesus no-lo oferece; é o seu. É a obra prima do Espírito Santo: "Nele habita corporalmente toda plenitude da divindade". É o órgão das mais nobres, das mais puras, das mais sublimes afeições. É o coração dos melhor dos pais, do mais sincero dos amigos. Sempre tão pronto a comover-se na presença dos que sofrem!

   "Que tanto amou os homens": Caríssimos, notai a palavra tanto. Sem dúvida que o Salvador dos homens os amou a todos, visto que morreu por todos. Mas até que ponto os amou? Quem o compreenderá? Quem o dirá? Lembremo-nos, por exemplo, do presépio, onde fez-se nosso irmão; do Cenáculo, onde fez-se nosso alimento; do Calvário onde foi o nosso resgate!...

   No céu, Jesus Cristo será a nossa recompensa! Um Deus  descendo dos resplendores da sua glória até às misérias da nossa humanidade, sujeitando-se a todas as humilhações, para nos elevar até ao seu trono, suportando todos os tormentos para nos alcançar uma suprema felicidade; um Deus fundando a Igreja, para nela estar sempre conosco, querendo que o seu corpo seja a nossa comida e o seu sangue seja a nossa bebida! Sendo poderosíssimo, não poderia dar mais!

   Caríssimos sacerdotes, se Jesus amou tanto os homens, que lugar ocupamos nós entre os que ele mais tem amado? Qual é o nosso ofício na Igreja, em que Ele reside, se oferece, e se nos dá? Que parte temos nós sacerdotes nos favores, que ele prodigaliza aos seus mais prezados amigos?

   'E que deles é tão pouco amado": Oh! que aflitiva palavra! Quantas almas desconhecem a generosa caridade do Coração de Jesus para com elas! Quantas outras a conhecem, sem que lha agradeçam! "Eu só recebo ingratidões da maior parte dos homens, sou abandonado, desprezado, insultado no sacramento do meu amor". Jesus procura consoladores, e não os encontra nem mesmo na classe sacerdotal, entre os que Ele distinguiu de todos os outros, com uma afeição incomparavelmente mais terna!

   "Mas o que mais sinto é que os meus ministros assim procedam comigo": Se eles não O amam, quem O amará? E contudo, quantos Sacerdotes dão ocasião a tão dolorosas queixas?! Sem falarmos dos que Lhe fazem uma guerra sacrílega com as profanações e os escândalos, quantos O tratam sem respeito, sem o amor verdadeiro? Enfastiam-se de Sua presença; celebram com tibieza; não têm tempo para conversar com Ele depois da Missa... Ó Jesus! quero confessá-lo, por mais que me custe: eu mereço cem vezes mais exprobrações que as que me dirigis. Humilho-me fazendo justiça: sou um dos ingratos de quem dizíeis: "Os outros limitam-se a ferir o meu corpo; mas estes ferem o meu Coração, que nunca deixou de amá-los". 

   

sexta-feira, 23 de junho de 2017

FESTA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

   SEXTA-FEIRA DA SEGUNDA SEMANA DEPOIS DO PENTECOSTES.

   Ó Jesus, concedei-me a graça de penetrar os segredos escondidos no Vosso divino Coração.


   1- Depois de termos fixado o nosso olhar na Eucaristia, dom que coroa todos os dons do amor de Jesus aos homens, a Igreja convida-nos a considerar diretamente o amor do Coração de Cristo, fonte e causa de todo o dom. Pode afirmar-se que a festa do Sagrado Coração de Jesus é a festa do Seu amor por nós. "Eis o Coração que tanto amou os homens", disse Jesus a Santa Margarida Maria; "eis o Coração que tanto amou os homens", repete-nos hoje a Igreja, mostrando-nos que "no Coração de Cristo, ferido pelos nossos pecados, Deus se dignou dar-nos, misericordiosamente, infinitos tesouros de amor" (cfr. Coleta). Inspirando-se neste pensamento, a liturgia de hoje refere-nos os imensos benefícios que nos provêm do amor de Cristo, é um hino de louvor ao Seu amor. "Cogitationes Cordis ejus", canta o Introito da Missa: "Eis os pensamentos do Seu Coração - do Coração de Jesus - através das gerações: arrancar as almas da morte e alimentá-las em sua fome". O Coração de Jesus anda sempre à procura de almas para salvar, para livrar dos laços do pecado, para lavar com o Seu Sangue, para alimentar com o Seu Corpo. O Coração de Jesus está sempre vivo na Eucaristia para saciar a fome dos que por Ele suspiram, para acolher e consolar todos os que, desiludidos pelas amarguras da vida, se refugiam n'Ele em busca de paz e alívio. E o próprio Jesus nos ampara na aspereza do caminho. "Tomai o meu jugo sobre vós, aprendei de mim, que sou manso e humilde de Coração, e achareis repouso para as vossas almas" (Alleluia). Se é impossível eliminar da vida toda a dor, é no entanto possível, a quem vive com Jesus, sofrer em paz e encontrar no Seu Coração repouso para a alma cansada.

   2- O Evangelho e a Epístola fazem-nos considerar ainda mais diretamente, o Coração de Jesus. O Evangelho (Jo. 19, 31-37) mostra-nos o Seu Coração posto a descoberto pela ferida da lança, e Santo Agostinho comenta: "O Evangelista disse abriu, a fim de nos mostrar que, de alguma maneira, se nos abre ali a porta da vida, donde brotaram os Sacramentos". Do Coração trespassado de Cristo - símbolo da amor que O imolou por nós na Cruz - brotaram os Sacramentos, figurados na água e no sangue saídos da Sua chaga, através dos quais recebemos a vida da graça; sim, é justo dizer que o Coração de Jesus foi aberto para nos introduzir na vida. "Estreita é a porta que conduz à vida" (Mt. 7, 14), disse Jesus um dia; mas se por esta porta entendemos a chaga do Seu Coração, podemos dizer que não nos podia abrir uma porta mais acolhedora.
   São Paulo, na sua belíssima Epístola, (Ef. 3, 8-19), convida-nos a entrar, ainda mais adentro, no Coração de Jesus para contemplar as Suas "riquezas incompreensíveis" e penetrar o "mistério escondido, desde o princípio dos séculos, em Deus". Este "mistério" é exatamente o mistério do amor infinito de Deus que nos preveniu desde a eternidade e que nos foi revelado pelo Verbo feito carne; é o mistério daquele amor que nos quis remir e santificar em Cristo, "no qual temos segurança e acesso a Deus". Mais uma vez Jesus Se nos apresenta como a porta que conduz à salvação: "Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim será salvo" (Jo. 10, 9); e a porta é o Seu Coração que, rasgando-se por nós, nos introduziu na vida. Só o amor nos pode fazer penetrar neste mistério de amor infinito; mas não basta um amor qualquer, é necessário, como diz São Paulo, estarmos "arraigados e fundados na caridade". só assim poderemos "conhecer aquele amor de Cristo que excede toda a ciência, para que sejamos cheios de toda a plenitude de Deus". 

   Colóquio: ... "Se vós, ó Jesus, sois a minha Cabeça, por que não deverá chamar-se meu, aquilo que é Vosso? Não é verdade que são meus os olhos da minha cabeça? Portanto o Coração da minha Cabeça espiritual é o meu coração. Que alegria para mim! Olhai: Vós e eu temos um só coração. Entretanto, ó Jesus dulcíssimo, havendo reencontrado este Coração divino que é Vosso e meu, elevarei a Vós, Deus meu, a minha prece: acolhei no sacrário das Vossas audiências as minhas orações, ou antes, atraí-me inteiramente ao Vosso Coração" (São Boaventura). 

(Meditação extraída do Livro "INTIMIDADE DIVINA" do P. Gabriel de Sta. M. Madalena, O.C. D.)

quarta-feira, 21 de junho de 2017

São Luiz de Gonzaga - Jesuíta


 Pertencia à família dos duques de Mântua (Itália) e era príncipe do Sacro Império, sendo herdeiro do feudo soberano de Castiglione. Foi batizado apenas nascido e depois educado santamente. Desde o primeiro uso da razão, ofereceu-se a Deus, e levou uma vida cada vez mais santa. Com nove anos, estando em Florença diante do altar da Santíssima Virgem, fez o voto de castidade perpétua ao qual foi inteiramente fiel até a morte. Por ser príncipe esteve muito tempo entre os soldados e era inevitável os ouvisse pronunciar palavras pouco decentes, que, na sua inexperiência, começou a repetir sem lhe saber a significação. Luiz chorou esta falta durante toda a vida, como se fossem gravíssimos pecados. A vida edificante, a prática das virtudes, importou-lhe o apelido de anjo. Foi aí em Florença que Luiz fez a primeira confissão, e fê-la com tanta dor de arrependimento. que caiu sem sentidos aos pés do confessor. 
   São Carlos Borromeu, Arcebispo de Milão, preparou-o para o primeira Comunhão, que recebeu com uma devoção comovedora. Recebendo depois a Santa Comunhão aos domingos, dedicava três dias para preparar-se e outros três dias para fazer a ação de graças. 
   Luiz guardava tão bem os sentidos, em particular o da vista, que não olhava jamais para o rosto da princesa da Espanha da qual era pajem. À guarda dos sentidos, ajuntava as mortificações corporais. Jejuava três dias na semana, usava a disciplina, dormia sobre tábuas. E isto com o fito de ter facilidade para acordar mais cedo e poder rezar. Passava horas de joelhos em oração e contemplação das coisas celestes. Tinha como lema em tudo que ia fazer: "Que vale isto para a eternidade?!" 

S. Luiz na corte de Espanha
  Como filho mais velho era herdeiro do trono, mas a tudo renunciou depois de uma luta árdua para conseguir licença paterna, e chamado por Deus à vida religiosa escolheu a Companhia de Jesus fundada por Santo Inácio de Loiola. Luiz contava 17 anos quando foi aceito como noviço no Colégio de Roma. Modelo de virtude, que era no mundo, muito mais o fora no convento. Desejoso de regular a vida pelas obrigações da vida comum, pediu aos Superiores não usassem com ele de nenhuma consideração, querendo ser tratado com um dos últimos da casa. Nunca falou uma palavra sobre sua origem nobre. De acordo com o espírito religioso, reconhecia na obediência o fundamento de toda a virtude. Sem dar o menor sinal de ostentação, o exterior traduzia-lhe a modéstia, a humildade, a caridade e movia à devoção a quantos o viam. 
   Como grassavam em Roma a peste e a fome, Luiz ia, de casa em casa, pedir esmola aos ricos para os pobres. Não satisfeito com isso, pediu aos Superiores licença para diretamente acudir às necessidades dos empestados e prestar-lhes serviços nos hospitais. Obtida a licença, a dedicação e caridade do jovem não tiveram mais limites. Mas a fraca constituição de Luiz não resistiu às grandes fadigas e esforços verdadeiramente sobre-humanos que fazia no serviço hospitalar. Contraiu aí a peste contagiosa. A morte, porém, não podia amedrontar o angélico jovem. Quando soube que tinha chegado a hora de preparar-se para a última viagem, exclamou com emoções de alegria: "Eu me alegrei do que me foi dito: irei à casa do Senhor" (Salmo 121). Durante os últimos três dias segurava constantemente o crucifixo e o terço. De vez em quando beijava a imagem de Jesus, e os olhos se lhe enchiam de lágrimas de amor. No rosto se lhe via estampada uma paz celestial - reflexo de sua alma pura e cândida. 
   Em 21 de junho de 1591, com a idade de 24 anos começados, sobre uma tábua, como pediu, entregou a alma ao Criador. As últimas palavras que disse, foram invocações dos nomes de Jesus e Maria. Treze anos depois de sua morte, foi beatificado. Sua mãe ainda vivia, e pôde invocá-lo sobre os altares. Feliz mãe! 
   Felizes também todas as pessoas que fazem aniversário no dia deste santo patrono da juventude e modelo de pureza! Meus parabéns a todas!

   Oração a São Luiz de Gonzaga

   Ó Luiz santo, adornado de costumes angélicos, eu, indigníssimo devoto vosso, vos recomendo particularmente a castidade da minha alma e do meu corpo. Peço-vos, pela vossa angélica pureza, me apresenteis ao Cordeiro imaculado Jesus Cristo e a Sua Mãe santíssima, a Virgem das virgens, Maria, e me preserveis de todo o pecado. Não permitais que se implante em minha alma qualquer mancha de impureza; mas, quando me virdes em tentação ou perigo de pecar, afastai para longe de mim os pensamentos e afetos imundos, despertando em minha alma a lembrança da eternidade e de Jesus crucificado. Calai-me profundamente no coração um sentimento do santo temor de Deus, e abrasando-me no amor divino, fazei que vos imite na terra, para que possa gozar convosco de Deus no céu. Amém. 

domingo, 18 de junho de 2017

HOMILIA DOMINICAL - 2º Domingo depois de Pentecostes

   Leituras: Primeira Epístola de São João Apóstolo 3, 13-18.
   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 14, 16-24:

   "Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus esta parábola: Um homem preparou um grande banquete, para o qual convidou muitas pessoas. E, à hora do banquete, mandou um de seus servos dizer aos convidados que viessem, porque já estava tudo pronto. Todos, porém, unanimemente, começaram a escusar-se. Disse-lhe o primeiro: Comprei uma quinta e preciso ir vê-la; rogo-te que me dês por escusado. Um outro disse: Comprei cinco juntas de bois, e vou experimentá-los; peço-te que me dispenses. Disse um terceiro: Casei-me, e por isso não posso ir. Voltando o servo referiu estas coisas a seu senhor. Então, indignado, o pai de família disse a seu servo: Sai já pelas praças e ruas da cidade, traze aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos. E disse o servo: Senhor, está feito o que me mandaste, e ainda há lugar. Respondeu o senhor ao servo: Vai pelos caminhos e cercados, e obriga a gente a entrar para que se encha a minha casa. Eu vos digo, porém, que nenhum daqueles que foram convidados, provará a minha ceia."

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Esta meditação foi extraída do Livro "INTIMIDADE DIVINA" do P. Gabriel de Sta. M. Madalena, da Ordem dos Carmelitas Descalços. 

 1.   O Evangelho deste domingo (Lc. 14, 16-24) harmoniza-se perfeitamente com a festa do Corpo de Deus. "Um homem fez uma grande ceia e convidou a muitos". O homem que faz a ceia é Deus, e a grande ceia é o Seu reino onde as almas encontrarão na terra toda a abundância de bens espirituais e, na outra vida, a felicidade eterna. É este o sentido próprio da parábola, mas nada obsta a que também se possa entender num sentido mais particular, vendo na ceia o banquete eucarístico e no homem que o ofereceu, Jesus, que convida os homens a alimentarem-se da Sua Carne e do Seu Sangue.. "A mesa do Senhor está pronta para nós, canta a Igreja. - A Sabedoria [ou seja o Verbo Encarnado] preparou o vinho e pôs a mesa" (Breviário). O próprio Jesus, ao anunciar a Eucaristia, dirige a todos o Seu convite: "Eu sou o pão da vida; o que vem a mim não terá jamais fome e o que crê em mim não terá jamais sede... Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. Este é o pão que desceu do céu, para que aquele que dele comer não morra" (Jo. 6, 35-50). Jesus não se limita, como os outros homens, a preparar-nos uma ceia, a fazer numerosos convites e a apresentar iguarias excelentes; mas o fato singularíssimo - que nenhum homem por mais rico e poderoso que seja poderá imitar - é que Ele próprio Se oferece como alimento. São João Crisóstomo a quem pretende ver Cristo na Eucaristia com os olhos do corpo, diz: "Pois bem, já O vês, tocas e comes. Tu queres ver as Suas vestes e Ele, ao contrário, concede-te não só vê-Lo, mas até tomá-Lo como alimento, tocá-Lo e recebê-Lo dentro de ti... Aquele a quem os anjos olham temerosos e não ousam contemplar livremente devido ao Seu deslumbrante esplendor, faz-se nosso alimento; nós unimo-nos a Ele e formamos com Cristo um só corpo e uma só carne" (Breviário). 

   2. Jesus não podia oferecer ao homem uma mesa mais rica do que o banquete eucarístico. E de que modo correspondem os homens ao Seu convite para esta mesa? Muitos, como os judeus incrédulos, encolhem os ombros e retiram-se com um sorriso cético nos lábios: "Como pode este dar-nos a comer a sua carne?" (Jo. 6, 53). Mas o que afasta da Eucaristia não é só a falta de fé; esta é muitas vezes acompanhada e não raramente deriva das causas morais de que fala o Evangelho de hoje. "Comprei uma quinta e é-me necessário ir vê-la, rogo-te que me dês por escusado", respondeu um; e outro: "Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las: rogo-te que me dês por escusado". A excessiva preocupação com os bens terrenos e o apego aos mesmos, o mergulhar-se totalmente nos negócios, são os motivos pelos quais tantos recusam o convite de Jesus. Porém, ainda não é tudo: "Casei-me e por isso não posso ir", respondeu um terceiro. Este representa aqueles que, submersos nos prazeres dos sentidos, perderam a sensibilidade para as coisas do espírito e, em presença delas, continuam o seu caminho, não se lembrando sequer de se desculpar.

   É impossível não estremecer em face da grande cegueira do homem que antepõe ao dom de Cristo, Pão dos anjos e penhor de vida eterna, os interesses terrenos, os vis prazeres dos sentidos, que muito depressa se dissipam como o nevoeiro aos raios do sol. 

   Terminemos com Santo Agostinho: "Ó Senhor, aproximar-me-ei com fé da Vossa mesa, participando dela para ser por ela vivificado. Fazei, Senhor, que eu seja inebriado pela abundância da Vossa casa, e dai-me a beber da torrente das Vossas delícias... Fazei que eu me aproxime e me fortaleça; deixai que me aproxime embora mendigo, fraco, aleijado e cego. À Vossa ceia não vêm os homens ricos e saudáveis que julgam caminhar bem e possuir a agudeza de vista, homens muito presunçosos e por consequência, tanto mais incuráveis quanto mais soberbos. Aproximar-me-ei qual mendigo, porque me convidais Vós que, de rico, Vos fizestes pobre por mim, para que a Vossa pobreza enriquecesse a minha mendicidade. Aproximar-me-ei como fraco, porque o médico não é para os que têm saúde senão para os doentes. Aproximar-me-ei como aleijado e Vos direi: 'Dirigi Vós os meus passos pelas Vossas veredas'. Aproximar-me-ei como cego e Vos direi: 'Iluminai os meus olhos, a fim de que eu jamais durma o sono da morte'". Amém!

A CARIDADE É A CARACTERÍSTICA DOS FILHOS DE DEUS


Da 1ª Epístola de S. João, III, 13-18,  lida na Missa do 2º domingo depois de Pentecostes

 Caríssimos, não vos admireis de que as pessoas dominadas pelo orgulho, avareza e luxuria, vos tenham ódio. Se deixamos o ódio que mata a alma, agora sabemos que estamos vivos. Porque todo aquele que tem ódio a seu irmão realmente está morto espiritualmente porque o ódio é pecado mortal. Na verdade, quem tem ódio a seu irmão é um homicida e este tal não possuirá a vida eterna. Nisto conhecemos o amor de Deus em ter dado a sua vida por nós; igualmente devemos dar a vida pelos nossos irmãos. Devemos ajudar os pobres. Não seremos verdadeiros discípulos de Jesus se amamos só de boca, mas não fizermos obras de caridade.

Caríssimos, como outrora, ainda hoje o Cristianismo é alvo de ódios e perseguições. O próprio Jesus já o profetizara: "Vós sereis perseguidos por minha causa". Hoje blasfemam contra os dogmas. Protestam contra a Moral. Difamam até os sacerdotes fiéis a Nosso Senhor Jesus Cristo. Na verdade, o ódio dos adversários, ou seja, dos maçons, dos comunistas, dos muçulmanos e modernistas  acusa e condena tudo o que refulge com o nome de católico. Os adversários da Santa Madre Igreja, enganados e excitados pela trevas das paixões, vêem nos dogmas apenas a constante lembrança de realidades aflitivas e molestas. Escravizados ao pecado, negam as sanções eternas. Alheios a toda observância dos mandamentos, atribuem à Igreja leis morais impossíveis. Fazem guerra aos mandamentos de Deus, fazem leis contrárias as leis de Deus. E assim é natural que aqueles que querem viver piedosamente com Jesus Cristo, sejam perseguidos com grande ódio.


 Mas Nosso Senhor Jesus Cristo disse: Bem-aventurados sois, quando vos insultarem e vos perseguirem e disserem falsamente todo mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque é grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas, que existiram antes de vós" (S. Mateus V, 11 e 12). Amém!