SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

"Tota pulchra es, Maria, et macula originalis non est in te".

   "Não, Maria não pôde cometer o pecado atual, como não pôde contrair o pecado original; pois se ela tivesse sido manchada pelo pecado, teria havido um instante em que a Mãe de DEUS foi inimiga de DEUS". (Duns Scotto).
     Achando-se em 1823, os Padres Mestres em Teologia Cassitti e Chignatara, da Ordem dos Pregadores, presentes ao exorcismo de um menino iletrado de 12 anos, em Ariano da Apúlia, Itália, impuseram-lhe provar teologicamente com um soneto de rimas obrigadas, a Imaculada Conceição de Maria Santíssima. Soneto estemporâneo, que em 1854, lido pelo imortal Pontífice Pio IX, hoje beatificado, lhe arrancou lágrimas de ternura. Para não me alongar vou dar só a versão portuguesa:

   Mãe verdadeira, eu sou dum DEUS que é Filho, 
   E d'Ele Filha sou bem que sua Mãe,
   Ab aeterno nasceu, e Ele é meu Filho, 
   Se bem nasci no tempo, eu sou sua Mãe:

   Ele é meu Criador, mas é meu Filho,
   Sua criatura eu sou e sou sua Mãe;
   Prodígio foi divino o ser meu Filho
   Um DEUS  eterno, e o ter-me por Mãe:

   Comum é quase o ser à Mãe e ao Filho:
   Porque do Filho teve o ser a Mãe,
   E da Mãe o ser também o Filho:

   Ora, se o ser do Filho teve a Mãe;
   Ou se dirá que foi manchado o Filho,
   Ou sem labéu se há de dizer a Mãe.

   Saudemos a Imaculada Conceição, com as palavras de São João Damasceno: "Salve, ó trono e assento de DEUS magnificentíssimo, no qual DEUS repousa mais dignamente que mesmo sobre os coros das potestades celestiais. Salve, ó lírio, cujo broto, Jesus Cristo, veste todas as açucenas do campo. Salve, ó paraíso, mais belo que o Eden, no qual medram todas as flores da virtude e se levanta a árvore da vida da qual saboreamos o fruto da imortalidade, não mais retidos pela espada chamejante do anjo".  

A IMACULADA CONCEIÇÃO

A  IMACULADA  (Murilo)
  Se o amor restrito, com que Deus amou João Batista, bastou para purificá-lo no seio materno, por que não preservaria da culpa hereditária a sua futura mãe o amor irrestrito com que Deus a quis?
  Tanto mais perfeita uma pessoa quanto mais perto de Deus ela está constituída. Ora, Maria está tão perto de Deus, seus liames com Deus são tão estreitos e inefáveis que não é possível haver criatura mais intimamente unida às três Pessoas Divinas. Filha predileta de Deus Pai, Mãe amorosíssima de Deus Filho e Esposa amantíssima e fidelíssima de Deus Espírito Santo. Maria Santíssima teve uma Predestinação singular, isto é, foi preparada por Deus para ser Sua Mãe. Daí, todos os privilégios concedidos à Maria Santíssima lhe foram outorgados por Deus em vista desta missão de trazer ao mundo o Filho de Deus para operar a Redenção de toda a Humanidade. Deus assim decretou: seu Filho seria "factus ex muliere". E, malgrado a obstinação protestante, ninguém poderá mudar os desígnios de Deus. 
   Em se tratando do pecado original, cada uma das três Pessoas Divinas tinha suas razões a alegar para que se decretasse uma exceção em favor de Maria. Deus Pai via nela uma criatura toda privilegiada, uma filha prediletíssima. No tempo Ela seria Mãe daquele Filho que Ele gera por via de inteligência deste toda eternidade. Podia acaso permitir que ela fosse manchada, ainda por um instante, pela nódoa do pecado? 
  Deus Filho via nela sua Mãe, que Ele amava já infinitamente mais do que pode ser amada qualquer outra mãe. Podendo dispor da sorte dela, sendo a própria Onipotência e a própria Bondade, como não faria por sua Mãe tudo quanto podia!? Salomão vai ao encontro de Betsabé e previne os desejos de sua mãe: "Pedi, minha mãe, nada te posso negar". Um Deus que escolhe mãe para si mesmo, será porventura menos bom filho que Salomão? Ele sabe o que pediria Maria, se existisse já, e se pudesse pedir alguma coisa. Ouve-a dizer de antemão: Ó meu Filho, ó meu Deus, o que prefiro a tudo, é ser sempre pura aos vossos olhos, é que nenhum instante da minha vida, e ainda menos o primeiro, pertença a outrem senão a vós. Maria Santíssima dará o Coração e o Sangue a Jesus. Seu sangue correrá nas veias de Jesus Cristo; e sofreria Ele que o sangue divino, que havia de lavar o mundo, fosse manchado na sua origem? 
  O Espírito Santo via nela a Sua Esposa, pois ela conceberia milagrosamente pelo Seu poder. A Terceira Pessoa da Santíssima Trindade via em Maria a obra prima da graça, uma criatura em quem Ele operaria mais maravilhas que em todas as criaturas juntas. Ela será por excelência o tabernáculo de Deus entre os homens; e o Espírito Santo é encarregado de preparar este santuário vivo. Ele quer que nada falte à sua obra, que a morada seja digna d'Aquele que a há de habitar, e d'Aquele que é o seu arquiteto. E tê-lo-ia sido, se o Divino Espírito não tivesse coberto com sua sombra a conceição de Maria para afastar dela ainda a mais leve mácula? 
   A Imaculada Conceição de Maria Santíssima é portanto a base em que se assenta todo o edifício de suas grandezas. E devemos ter em mente que este privilégio foi singular, isto é, só concedido a ela. Há santos em favor dos quais Deus tornou impotente o furor dos leões, a atividade das chamas,,, Há alguns que foram por Deus santificados no seio materno como Jeremias, São João Batista e provavelmente São José; mas a isenção de toda a mácula original é um benefício só privativo de Maria Santíssima. E este detalhe importantíssimo faz parte do dogma. "Por um privilégio singular", disse Pio IX nas palavras da Definição do Dogma da Imaculada Conceição.(1854). 
  Oh! quantas maravilhas nesta grande maravilha! O demônio prende em suas cadeias toda a descendência de Adão; só uma menina lhe escapa, e ela lhe esmagará a cabeça! Um fogo abrasador assola tudo; e no meio do incêndio geral, só uma vergôntea fica intacta; não só não é queimada nem tisnada, mas antes produz a mais bela das flores, e dá um fruto que será a salvação dos povos! Um tirano furioso desola toda a terra, e estende por todo a parte a sua cruel dominação; só uma cidade lhe resiste e vem a ser a senhora do universo! A serpente infernal terrivelmente mancha com sua baba impura a toda pobre criatura logo no primeiro instante de existência, mas vemos  uma criatura humana privilegiada, não só defendida desta afronta, mas pisando e esmagando a cabeça envenenada deste monstro infernal. Pois bem, caríssimos e amados irmãos, esta menina, esta vergôntea, esta cidade, esta criatura privilegiada é a Bem-aventurada Virgem Maria.
   Do privilégio da Maternidade Divina brota a Conceição Imaculada, e, desta brotam todos os outros privilégios: plenitude de graças e dons espirituais, que desde este primeiro instante eleva a santidade de Maria acima da dos maiores Santos; perfeito uso da sua razão e de todas as faculdades desde aquele primeiro momento; isenção da concupiscência e de outros funestos efeitos do pecado original; abundância de luzes sobrenaturais; facilidade em adiantar continuamente nos caminhos sublimes da santidade, por uma perfeita correspondência a todas as graças que recebe, sem que a menor imperfeição venha jamais deter os seus progressos e impanar  toda sua beleza. A incorruptibilidade no túmulo, a ressurreição antecipada, sua Assunção em corpo e alma aos céus, sua coroação como Rainha do Céu e da Terra, tudo isto é porque, sendo Mãe de Deus, foi Imaculada desde o primeiro instante de sua existência. 
   Antes de terminar gostaria de desfazer de antemão todas as possíveis dificuldades. Na verdade, para os católicos não há a minima dúvida. Trata-se de um dogma definido "ex cathedra" e aí o Papa é infalível. Mas o próprio Papa antes de definir os dogmas, apresenta os argumentos a favor dele, e responde as objeções feitas contra ele. Pois bem, em síntese, podemos dizer que nada se opõe à Imaculada Conceição de Maria. Nem o dogma da transmissão do pecado original, porque dessa nódoa Deus podia eximir sua Mãe por singular privilégio. Nem o dogma da universalidade de Redenção, porque Deus podia remi-la com redenção preservativa, aliás mais perfeita. Nem o dogma da Redenção por meio de Cristo, porque Deus podia remi-la, aplicando os seus méritos futuros. E Maria Santíssima foi a primeira remida por Nosso Divino Salvador. 
   A primeira mártir da Ação Católica Mexicana foi Maria da Luz Camacho. Varada por balas comunistas às portas da igreja de Coyacan, no desempenho da sua missão catequética, foi uma alma sinceramente apaixonada por Maria Santíssima. Durante a vida não teve outro fito senão estudar e copiar esse protótipo de perfeição. Não admira, pois, que, ao ver o seu corpo varado por balas selvagens, somasse as energias do seu amor acrisolado pela Mãe de Deus, e expirasse com o seu nome nos lábios. Viva Nossa Senhora de Guadalupe! Foi com efeito, o último canto desse cisne mariano. 
   Não posso sopear o desejo de terminar este sermão com palavras de Santa Teresinha do Menino Jesus. Durante a novena que precedeu a sua primeira comunhão (8 de maio de 1884) a Florzinha de Lisieux pediu a Virgem lhe tornasse a alma mais pura, mais e mais alvinitente: "Ô ma Mére, pouisque vous êtes si pure, vois devez savoir comment on fait éclore cette fleur d'innocence... Montre-le-moi! et just'au jour tant desiré ne me laissez pas perdre une occasion de rendre mon âme plus blanche et plus limpide". 

TOTA PULCHRA ES MARIA, ET  MACULA ORIGINALIS NON EST IN TE!
  

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

OS DOGMAS SÃO IMUTÁVEIS

Há homens de coração reto que têm sede de uma luz infinita. E esta sede do infinito, só Deus pode saciá-la. E Deus se fez Homem para lhes dar a segurança dizendo: Eu sou a Verdade. E o grande foco da luz divina é a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. O Divino Mestre cingiu a fronte de sua Esposa mística com o diadema visível de Rainha da Verdade. A unidade, a indefectibilidade, a santidade e a infalibilidade refulgem na coroa da Igreja, quais gemas preciosas, prendas que são deste Divino Esposo e que distinguirão a Igreja das rugas das adulterações humanas e das manchas das sociedades heréticas ou cismáticas. Dado o orgulho humano, estas últimas infelizmente sempre existirão. Daí as exortações do Apóstolo  ao seu discípulo e bispo Timóteo, exortações estas sobre as quais vamos ora refletir.

São Paulo, num tom pleno de solene gravidade, conjura o seu discípulo caríssimo, o Bispo Timóteo, a ser fiel à sua missão de pregar a doutrina imutável de Nosso Senhor Jesus Cristo. E, portanto, deverá insistir, quer agrade quer desagrade, e repreender aqueles que dela se afastarem. O Apóstolo dos Gentios, exorta o seu discípulo a ter sempre firmeza em defender a verdade, a doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo que não muda, e, ao mesmo tempo, mostra que é mister fazê-lo sempre com bondade e paciência, isto é, sem discussões e altercações.

Não há a mínima dúvida de que São Paulo faz aqui uma profecia: "virá tempo" afirma ele. Já na primeira carta ao mesmo Bispo Timóteo, o Apóstolo São Paulo já alertava: "O Espírito (Santo) diz claramente que nos últimos tempos alguns apostatarão da fé, dando ouvido a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios..." (I Tim., IV, 1). E ao terminar esta mesma carta, faz esta exortação: "Ó Timóteo, guarda o depósito (da fé), evitando as novidades profanas de palavras e as contradições de uma ciência de falso nome, professando a qual, alguns se desviaram da fé" (I Tim. VI, 20 e 21).

A lídima Palavra de Deus da qual os bons têm sede, causa náuseas aos orgulhos. Não suportam ouvir a sã doutrina. Almejam uma multidão de pregadores que adulem suas paixões. Por isso São Paulo já na primeira epístola, havia dito a Timóteo: "Se alguém ensina, de modo diferente e não abraça as sãs palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo e aquela doutrina que é conforme à piedade, é um soberbo..." (I Tim., VI, 3 e 4). Não suportam ouvir sempre a mesma coisa; desejam ardentemente ouvir novidades. Em lugar do Evangelho, da verdade confirmada com tantos milagres, e assim tornada a mais evidente e incontestável, abraçarão fabulosas, estranhas e inacreditáveis doutrinas. Assim agiram os gnósticos, maniqueus e outros hereges.

Em verdade, esta profecia de São Paulo vem se realizando desde os primeiros séculos; mas, com certeza se realizará plenamente nos últimos tempos, na época do Anti-Cristo. Mas não resta a mínima dúvida de que ela se cumpre ao pé da letra em relação aos modernistas. São Pio X dizia que o Modernismo é a reunião de todas as heresias, e a sua origem está no orgulho humano que procura novidades que agradam. Agravando-se o espírito de contestação contra a Tradição e os dogmas, compreende-se que os modernistas não suportem mais ouvir a verdade. Daí vem a apostasia da fé, e passam a pregar abertamente doutrinas diabólicas. Os modernistas são pessoas ávidas de popularidade, que lançam a divisão na Igreja e nas famílias. Organizam conciliábulos e preparam os cismas dentro da Igreja. Procuram ensinar outras coisas diferentes e rejeitam a linguagem escolástica tradicional. Cabe aqui perfeitamente seguirmos a mesma exortação que S. Paulo fez a Tito: "Foge do homem herege, depois da primeira e da segunda correção, sabendo que tal homem está pervertido e peca, como quem é condenado pelo seu próprio juízo" (Tito, III, 10 e 11).

Seguindo o conselho de São Paulo, devemos fugir, portanto, de Hans-Kung que quer eliminar o dogma da Infalibilidade Pontifícia. Eis trecho de sua carta ao Papa Francisco: Imploro Papa Francisco, que sempre me respondeu de uma forma fraternal: receba essa extensa documentação e consinta em nossa Igreja uma discussão livre, aberta e sem preconceitos sobre todas as questões pendentes e removidas relacionadas com o dogma. Não se trata de um relativismo banal que mina os fundamentos éticos da Igreja e da sociedade. E nem mesmo de um dogmatismo rígido e tolo amarrado a uma interpretação literal. Está em jogo o bem da Igreja e do ecumenismo”.

Caríssimos, um só é o código que liga nossas almas aos destinos eternos: o Evangelho genuíno sem alterações e acomodações humanas. Guardemo-lo com toda fidelidade e amor.  A graça de Deus seja com todos vós. Amém!

domingo, 4 de dezembro de 2016

HOMILIA DOMINICAL: 2º Domingo do Advento - Explicação da Epístola

   Leituras: Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos 15, 4-13.
   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 11, 2-10. 

EPÍSTOLA DE SÃO PAULO APÓSTOLO AOS ROMANOS 15, 4-13:

   "Irmãos: Tudo o que está escrito foi escrito para nosso ensinamento, para que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança. O Deus da paciência e da consolação vos dê que tenhais entre vós sentimentos segundo Jesus Cristo, para que, unânimes, a uma voz, honreis a Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso, socorrei uns aos outros, como também Cristo vos recebeu para glória de Deus. Digo-vos, pois, que Jesus Cristo foi ministro da circuncisão, em testemunho da fidelidade de Deus, e para confirmar as promessas feitas aos nossos pais. Quanto aos gentios, que também glorifiquem a Deus em sua misericórdia, como está escrito: Por isso confessar-Vos-ei entre os povos, Senhor, e cantarei hinos a vosso nome. E novamente diz: Alegrai-vos, nações, com o seu povo. E ainda: Louvai ao Senhor, todos os povos: engrandecei-O, todas as nações. E também diz Isaías: Sairá uma raiz de Jessé e as nações esperarão n'Aquele que dela se levantará para regê-las. O Deus da esperança vos encha de toda alegria e paz em vossa fé; para que abundeis na esperança e na virtude do Espírito Santo". 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Com a graça de Deus, vou explanar apenas a primeira frase da Epístola da missa deste segundo domingo do Advento. Na verdade, só estas palavras já nos oferecem assunto para mais de uma homilia. Trata-se, pois, de mostrar o valor da palavra de Deus e não a de um homem. 

   "Para mim, dizia Santa Teresinha do Menino Jesus, nada mais encontro nos outros livros que me desperte interesse. Tudo o que eu quero está no Evangelho". E o Livro da Imitação de Cristo afirma: "Duas coisas são necessárias para a vida do homem, o alimento e a luz. Por isso, deu-nos o Senhor o seu Corpo para alimento espiritual e a sua santa palavra para dirigir nossos passos". Dizia Taine: "O Evangelho é a força indispensável para alevantar o homem acima de si mesmo, de sua vida rasteira e de seus horizontes limitados, para conduzi-lo através da paciência, da resignação e da esperança até a tranquilidade de espírito; para conseguir a temperança, a pureza e a bondade até a dedicação e ao sacrifício". Belas são igualmente as palavras do Cardeal Maffi: "Náufrago no mar tempestuoso, o pobre Camões com uma das mãos batia as ondas e com a outra levantava fora d'água o manuscrito dos Lusíadas que o haviam de imortalizar. Sobre as ondas que se elevam e me envolvem está o poema de Deus que levantarei para o alto. É meu guia, minha esperança e minha salvação". 

   Tudo o que está na Sagrada Escritura foi escrito para a nossa instrução moral e religiosa, a fim de que, admoestados à paciência pelos exemplos dos livros santos e confortados com as palavras divinas, aumente em nós a esperança dos bens celestiais a que temos direito como filhos de Deus. 

   Toda doutrina, para ser perfeita, deve ser útil seja a inteligência como à vontade. Tal é a doutrina das Sagradas Escrituras: "Eu sou o Senhor teu Deus que te ensino coisas úteis" (Isaías 40, 17): é útil à inteligência: ensina a verdade e rejeita a falsidade; é útil à vontade: afasta-nos do mal e nos leva ao bem. Só uma grande doutrina pode fazer isso. Por isso São Paulo diz expressamente: "Toda a Escritura divinamente inspirada, é útil para ensinar, para repreender, para corrigir, para formar na justiça" (2 Timóteo 3, 16). A Sagrada Escritura é útil para ensinar a verdade; para repreender a falsidade e o erro; para corrigir o mal; para formar no bem, na virtude e na santidade. Como devemos ser agradecidos a Deus, Nosso Senhor e Pai, por nos ter dado tão inestimável dom!

   O fim primário que Deus teve em mira ao dar aos homens a instrução perfeita das Escrituras foi robustecer a nossa atitude em vista da bem-aventurança eterna, fim último para o qual fomos criados. Sua consecução exige violência, por causa das muitas dificuldades. Mas Deus dispôs as suas Escrituras, doutrinais e práticas, para que nos acompanhem e nos ajudem a superar estas dificuldades; e isto dando-nos ensinamentos e exemplos acerca do sofrimento e das consolações que dele promanam. Não se pode imaginar quanto os sofrimentos e as consolações nos ajudam; destas dois coisas estão cheias as Escrituras. "Tudo o que está escrito para o nosso ensino está escrito; a fim de que pela paciência e consolação (das quais lemos nas Escrituras), tenhamos esperança".

   As Escrituras, outrossim, não tratam só da paciência e da consolação de que falamos, mas as infundem, As palavras de Deus são operativas porque são dotadas de uma força admirável, não só de apresentar, mas de infundir o que querem: propõe-nos paciência e consolação e ao mesmo tempo nolas infundem. A palavra de Deus penetra até o íntimo sendo mais penetrante que uma espada de dois gumes: com um gume penetra na inteligência, com o outro, na vontade, apoderando-se completamente de nós. Como a espada de dois gumes, a palavra de Deus penetra também com suma rapidez e profundidade.

   Sejam, pois, caríssimos, as Sagradas Escrituras o nosso alimento predileto: tomemo-lo, e procuremos assimilá-lo. Assim teremos paciência e consolação como aqueles nobres Macabeus, que, em duríssimas provas, protestavam que não precisavam de nenhum auxílio neste mundo, porque tinham conforto suficiente nas Sagradas Escrituras que manuseavam continuamente, juntamente com as armas: "Temos para nossa consolação os livros santos, que estão em nossas mãos" (I Macabeus 12, 9).

   Este é o fim maravilhoso ao qual se destinam as Escrituras Sagradas: "Tudo o que está escrito para o nosso ensino está escrito; a fim de que pela paciência e consolação das Escrituras, tenhamos esperança". Amém!

   

HOMILIA DO 2º DOMINGO DO ADVENTO

Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos, 15, 4-13.
                Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus, 11, 2-10: 

  "Naquele tempo ouvindo João no cárcere, as obras de Cristo, tendo enviado dois dos seus discípulos disse-Lhe: És tu o que há de vir, ou devemos esperar por outro? E respondendo, Jesus lhes disse: Ide repetir a João o que ouvistes e vistes: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, os pobres são evangelizados e bem-aventurado é aquele que de Mim não se escandalizar. E quando eles partiram, começou Jesus a falar ao povo acerca de João: Que saístes a ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? Mas, que saístes a ver? Um homem vestido suntuosamente? Ora, os que vestem roupas finas habitam os palácios dos reis. Então, que saístes a ver? Um Profeta? Sim, eu vos digo, e mais que um Profeta. Porque, este é aquele do qual foi escrito: Eis que envio diante de tua face o meu Mensageiro, que preparará o teu caminho adiante de ti". 

  Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

  Hoje vamos meditar nas provas da missão divina de Jesus, que nos mostra este Evangelho colocado pela Santa Igreja à nossa meditação neste segundo domingo do Advento. 
  "És tu o que há de vir, ou devemos esperar por outro? E respondendo, Jesus lhes disse: Ide repetir a João o que ouvistes e vistes...
   Como já o explicamos no ano passado, o Santo Precursor, ao enviar seus discípulos para fazer esta pergunta a Jesus, evidentemente não duvidava de nenhum modo que Jesus fosse o Messias; queria, isto sim, vencer a incredulidade deles colocando-os na oportunidade de reconhecer a missão divina de Jesus vendo pessoalmente as suas obras, obras estas antecipadamente preditas pelos profetas como demonstração da veracidade do futuro Messias.
    Infelizmente ainda hoje quantos cristãos semelhantes a estes discípulos de João Batista! Não têm uma fé firme e prática em Nosso Senhor Jesus Cristo. Ficam apegados a certos pretensos sábios e se esquecem da verdadeira Sabedoria, d'Aquele que é a Verdade, o Caminho e a Vida. Uns por malícia e impiedade, outros por cegueira provocada pelas paixões, outros ainda por uma ignorância mais ou menos culpável... Que todos estes escutem e meditem a resposta do Divino Mestre. 
  Ora, o Salvador prova a divindade de sua missão mediante três meios:  1º - por sua doutrina; 2º - pela santidade de sua vida; 3º - por seus milagres.
   Consideremos brevemente cada uma destas provas: 
Sermão da Montanha. Na década de 1930 foi construída
esta igreja em forma octogonal e com oito vitrais onde se
encontram escritas as 8 Bem-Aventuranças.
O sermão que Jesus fez aí resume toda sua doutrina,
assim como as oito Bem-Aventuranças com que o
inicia, resumem todo o sermão. 
   Primeira: Pela sua doutrina: Todos a ouviam. Pois, Jesus pregava por toda parte, a todos, publicamente. Sua doutrina é sublime, celeste, divina, e portanto, simples e ao alcance de todos. Ele instrui os homens sobre a bondade e a providência de Deus, e, ao mesmo tempo, mostra Seu poder e Sua justiça; Jesus em suas pregações fala contra as fraquezas e misérias da humanidade, sobre a vida presente e a futura. Ensina a todos claramente seus deveres para com Deus, o próximo, e para consigo mesmos. Mostra todas a virtudes que devem praticar: a humildade, o desprendimento dos bens materiais e o amor à pobreza, a castidade, a penitência, a paciência, a caridade ... etc. Temos no sermão da montanha um resumo admirável de toda a sua doutrina.
   É claro que uma moral tão pura, uma doutrina tão santa não poderiam vir senão do céu, senão de um Deus. Assim os que a ouviam ficavam convencidos da missão divina do Divino Pregador: "Todos ficavam admirados a respeito de Sua doutrina... E perguntavam entre si: Que é isto? Que nova doutrina é esta?... Todos ficavam estupefatos, porque percebiam que Ele falava com autoridade. Nenhum homem, diziam as turbas, falou até hoje como este homem" (Cf. S. Mt. VII, 28; S. Mc, I, 27; S. Lc. IV, 32; S. Jo. VII, 46). 
   Quão culpáveis eram aqueles judeus ou que simplesmente não quiseram ouvir esta doutrina, ou, ouvindo-a, ficaram admirados, tocados pela graça, mas não quiseram segui-la, porque não quiseram reconhecer seu autor como Deus! Se Jesus diz que são bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática, devemos concluir que até muitos cristãos não são bem-aventurados. 
   
   Segunda: Pela santidade da vida de Jesus. São Lucas diz que Jesus começou a fazer e a ensinar... Ele é o modelo vivo e mais completo de todas as virtudes e de todas as perfeições. Que zelo pela glória de Seu Pai e pela salvação das almas! Como reluziam n'Ele a pobreza, a pureza, a humildade, a misericórdia, a caridade, a doçura, a paciência, a bondade e todas as demais virtudes. Jesus Cristo nos deu o exemplo para que façamos como Ele fez. "Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração!" Mostrou que era Deus em toda sua vida e na Sua morte. Por isso, aqueles que seguem a Jesus não andam nas trevas!

 Terceira: Pelos milagres que Jesus fez. "Ide dizer a João o que vistes: os cegos vêem, os coxos andam.. etc. Os discípulos de João, nesta ocasião, foram testemunhas, com todos os judeus, dos milagres de toda espécie, e sem número que Jesus fazia. Eles podiam e deviam claramente reconhecer nestes prodígios que Jesus era verdadeiramente o Messias prometido, anunciado, e esperado; porque Jesus Cristo operava exatamente aqueles milagres que os profetas atribuíam antecipadamente ao Messias. E os milagres eram evidentes, públicos, múltiplos, feitos em seu nome e as vezes, com uma única palavra sua. O próprio Jesus dizia aos judeus: "Estas mesmas obras que Eu faço,  dão testemunho de mim: provam que o Pai me enviou... Se não quereis acreditar em mim, acreditai em minhas obras". 
   Os próprios judeus eram tocados fortemente pelas obras maravilhosas que Jesus operava. Muitos chegavam a dizer: "Será que quando vier o Messias, ele fará tantas obras maravilhosas como este homem faz? Infelizes, mesmo assim se recusavam em acreditar. O pior cego é aquele que não quer ver, diz o ditado popular. Corações endurecidos, que recusam adorar e seguir a Jesus, malgrado tantos milagres!

  Ó Jesus, nós vos adoramos de todo nosso coração. Cremos firmemente que Vós sois o Cristo, o Filho de Deus vivo, descido do céu à terra para nos salvar, para nos ensinar o caminho da virtude e do céu. 
   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo! que a vossa fé seja firme e prática. Glorificai a Jesus Cristo por vossa fidelidade aos Seus preceitos, pela imitação de todas as suas virtudes. 
   Senhor! eu creio, mas aumentai a minha fé! Amém!
   

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Como o moribundo deve vencer certas tentações do demônio

   
 Devemos resistir ao demônio, firmes na fé. Deus é fiel e nunca permite que o inimigo de nossa alma nos tente acima das forças. Quando Deus permite a tentação, é para a gente tirar dela proveito. Deus dá a todos a graça suficiente para se salvarem.

   Não há dúvida que as tentações na proximidade da morte, são mais terríveis. Quando o corpo está debilitado, a alma perde muitas vezes parte do seu vigor. É pois da maior importância estar premunido contra estes últimos e temíveis assaltos do demônio. 

   NAS TENTAÇÕES CONTRA FÉ: Não disputar com o inimigo. Quando o moribundo se sentir agitado por pensamentos de dúvida, contente-se com dizer, ou mesmo exprimir por sinais que crê em tudo o que crê e ensina a Santa Madre Igreja. Católica. 

   NAS TENTAÇÕES DE PRESUNÇÃO: Quanto mais uma pessoa tenha durante a vida se empenhado em dar bom exemplo, quanto mais tenha sofrido e dado mais edificação, tanto mais também o demônio a incita a confiar na sua própria justiça. É tentada a considerar os elogios que lhe dão, como prova certa de sua pretensa virtude. Neste caso, humilhe-se profundamente, e diga com o santo Jó: "Eu sei verdadeiramente que é assim, que o homem comparado com Deus não é justo. E, se quiser disputar com Deus, não lhe poderá responder por mil coisas uma só" (Jó, IX, 2 e 3). 

   NAS TENTAÇÕES DE DESESPERAÇÃO: O Espírito das trevas procura lembrar ao moribundo as suas obrigações e os favores talvez extraordinários que recebeu de Deus em sua vida. Pinta-lhe, então, as suas faltas com as cores mais vivas, e algumas vezes as mais exageradas: esforça-se o demônio por lhe persuadir que não poderá escapar à ira de um Deus tão santo, por ter abusado dos seus benefícios. 

É preciso fazer um último ato de esperança e de amor. 
  
 Bossuet diz a respeito da morte: "Os meus sentidos extinguem-se, a minha vida esvai-se; em breve passarão por onde eu estava: eis o seu quarto, dirão, eis o seu leito; e não me encontrarão lá. Como isto é triste! Sim, seria muito triste, se eu não tivesse esperança. Mas se tudo cai em redor de mim, vou para onde está tudo. Deus poderoso, Deus eterno, Deus feliz, alegro-me do vosso poder, da vossa eternidade, da vossa felicidade. Quando vos verei, ó luz, ó bem, ó fonte do bem. ó bem único, ó todo o bem, ó toda a perfeição, ó única perfeição; ó vós, que sois o ser por excelência, que sois tudo, em que eu estarei, que estareis em mim, que sereis tudo a todos, com quem eu serei um só espírito! Quando vos verei, ó princípio que não tendes princípio? Quando verei sair do vosso seio vosso Filho, que vos é igual? quando verei o vosso Santo Espírito proceder da vossa união, terminar a vossa fecundidade? Cala-te alma minha, não fales mais; para que balbuciar ainda, quando te vai falar a mesma verdade?..."

   Na verdade, uma boa morte não se improvisa, prepara-se. Geralmente como for a vida, será a morte. Quem procurou viver com o coração reto diante de Deus. vigiando sempre para observar os mandamentos e cumprir os deveres de estado; tendo todo empenho e cuidado em receber os sacramentos com as devidas disposições, deve confiar na misericórdia divina e desprezar as tentações do demônio na hora da morte. Os humildes e de coração reto poderão dizer adeus à Igreja militante já saudando a Igreja triunfante: Meus novos irmãos, ou melhor dizendo, meus amigos concidadãos, meus antigos irmãos, eu vos saúdo; brevemente vos abraçarei. Adeus, meus irmãos mortais, adeus! Ó Santa Igreja, eu não me despeço de vós. vou ver os profetas e os apóstolos, vossos fundamentos; os mártires, vossas vítimas; as virgens, vossa flor; os confessores, vosso ornamento; os Anjos e os Santos, vossos intercessores... Sinto-me morrer, fechai-me os olhos, envolvei-me nesta mortalha, enterrai-me... Jesus, Maria, José, recebei a minha alma. Assim seja!

      

domingo, 27 de novembro de 2016

HOMILIA SOBRE A EPÍSTOLA DO PRIMEIRO DOMINGO DO ADVENTO

  Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos 13, 11-14. 
                   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 21, 25-33. 

Observação: Neste ano, se Deus quiser, vamos fazer as homilias dominicais explicando as Epístolas. 

EPÍSTOLA DESTA SANTA MISSA DO 1º DOMINGO DO ADVENTO:

   "Irmãos: Sabeis que já é hora de despertar-vos do sono, pois, a salvação está agora mais perto de nós, do que quando abraçamos a fé. A noite passou e aproxima-se o dia. Renunciemos, portanto, às obras das trevas, e revistamo-nos das armas da luz. Caminhemos honestamente como quem anda em plena luz, não em excesso de comida ou de bebida, não em dissoluções e impurezas, nem em contendas e emulações. Pelo contrário, revesti-vos do Senhor Jesus Cristo."

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Primeiramente queria lembrar a todos que o pecador Agostinho, filho de Santa Mônica, passou definitivamente da trevas do erro e da morte do pecado para a luz da verdade e a vida da graça, através desta Epístola: Achando-se ele com seu amigo Alípio em um jardim, ouviu uma voz que lhe dizia: "Toma e lê". Impressionado com estas palavras misteriosas, segura o livro que vê ao seu lado e abre-o exatamente na página em que se encontra esta Epístola. Foi o golpe certeiro da graça a quebrar a última corrente férrea que ainda o detinha preso ao mundo de trevas e impurezas. Converteu-se! E oxalá, muitos e muitos lendo e meditando estas palavras inspiradas das Sagradas Escrituras, se convertam como aconteceu com Agostinho. 

   "Já é hora de despertarmos do sono".  Caríssimos, o sono é necessário para restaurar as forças, e por isto, reduz-nos à inércia. É indispensável para a vida física, mas referindo-se à vida espiritual, na linguagem ascética, o sono é sinônimo de negligência, de torpor nas coisas de Deus, é símbolo da tibieza. A alma vive esquecida de Deus, apegada que está muito mais à coisas exteriores da terra. Daí a oração ou é frequentemente omitida ou, então, feita com certo enfado. O mesmo acontece com a recepção dos sacramentos. A alma na tibieza fica alheia a todo amor divino e busca antes vãs consolações nos corações humanos. Quase não se mortifica. Preocupada com o tempo presente, não lhe interessam os destinos da vida futura. Nesta indolência espiritual a alma fica fraca e cai facilmente em pecado veniais deliberados e geralmente em quedas fatais. Do sono da alma passa facilmente à morte da alma. Por isso São Paulo define o pecado como sendo "obra das trevas". Na verdade é o príncipe das trevas que o inspira. E o pecado conduz ao reino das trevas. Por isso grita o Apóstolo: "Despojai-vos, pois, das obras das trevas" e "revistamo-nos das armas da luz". Devemos procurar a força na oração, meditação dos novíssimos, da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, procurar o força nos Sacramentos da Penitência e da Comunhão. Devemos estar acordados, bem vigilantes, para afastarmos as tentações do príncipe das trevas, com a mesma prontidão e energia com que afastamos uma brasa que cai em nossas vestes. 

   Assim com as palavras da Epístola da Missa deste 1º Domingo do Advento, São Paulo anima os tíbios a acordarem do sono do espírito; aos pecadores o Apóstolo ordena que rejeitem as obras das trevas. Aconselha os fracos que empunhem as armas da luz. A todos São Paulo exorta a que se revistam de Jesus Cristo. 

   Para terminar, caríssimos, vejamos o que significa afinal "revestir-se de Jesus Cristo". Significa tomar os mesmos sentimentos de Jesus Cristo, seguir a sua doutrina, imitar seus exemplos, reproduzir suas virtudes. Significa, outrossim, unir-se interiormente a Deus com o maior grau de santidade possível e exteriormente revelar, através da nossa conduta, a bondade, caridade, e doçura de Jesus Cristo. 

   Por isso, é com imensa tristeza que constatamos que muitos cristãos, em lugar de ser o perfume de Jesus Cristo entre os demais, violando, portanto, a missão que lhes cabe de revelarem Jesus aos homens, profanam com sua vida, a vida d'Aquele que deviam com suas virtudes honrar e glorificar. 

  Ó Jesus, fazei que, pela prática das virtudes, especialmente da humildade e mansidão, eu possa ser o bom odor vosso junto aos meus irmãos. Amém!