SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

quinta-feira, 27 de julho de 2017

LOUCURA DO PECADOR


"A sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus" (1 Cor. III, 19)

CONSIDERAÇÃO XX SOBRE AS VERDADES ETERNAS (em resumo)
Segundo Santo Afonso Maria de Ligório

Há quem enlouqueça pelas honras; outros, pelos prazeres; não poucos, pelas futilidades da terra. E se atrevem a considerar loucos os santos, que desprezam os bens mesquinhos do mundo para conquistar a salvação eterna e o Sumo Bem, que é Deus. A seus olhos é loucura sofrer desprezos e perdoar ofensas; loucura, privar-se dos prazeres sensuais e preferir a mortificação; loucura, renunciar às honras e às riquezas, e amar a solidão, a vida humilde e oculta. Não consideram, no entanto, que a essa sua sabedoria mundana Deus chama loucura: "A sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus" (1 Cor. III, 19). Ah! ... Virá o dia em que confessarão e reconhecerão a sua demência... Quando, porém? quando já não houver remédio possível e tenham que exclamar desesperados: "Desgraçados de nós, que reputávamos loucura a vida dos santos! agora compreendemos que os loucos fomos nós. Eles já se contam no número feliz dos filhos de Deus e compartilham a sorte dos bem-aventurados, que durará eternamente e os fará felizes para sempre... ao passo que nós ficamos escravos do demônio, condenados a arder neste cárcere de tormentos por toda a eternidade!... Enganamo-nos, pois querendo cerrar os olhos à luz divina (cf. Sabedoria, V, 6) e nossa maior desventura é sabermos que o nosso erro não tem nem terá remédio enquanto Deus for Deus.

"Oxalá que eles tivessem sabedoria e compreendessem e previssem o fim" (Deuteronômio XXXII, 29). O homem que se guia razoavelmente em suas obras, prevê o futuro, isto é, considera o que lhe há de acontecer no fim da vida: a morte, o juízo, e depois dele o inferno ou a glória do Céu.. Quanto mais sábio é um simples aldeão que se salva, do que um monarca que se condena! "Vale mais um moço pobre, mas sábio, do que um rei velho e néscio, que não sabe prever nada para o futuro" (Eclesiastes IV, 13). Ó Deus! Não teríamos por louco aquele que, para ganhar um real, se arriscasse a perder todos os bens? E não deve passar por louco aquele que, a troco de um breve prazer, perde a sua alma e se expõe ao perigo de perdê-la para sempre? Esta é a causa da condenação de muitíssimas almas: ocupam-se em demasia dos bens e dos males presentes, e não pensam nos eternos.

Deus não nos colocou neste mundo para alcançarmos riquezas, nem adquirirmos honras ou contentarmos os sentidos, senão para procurarmos a vida eterna: "Mas agora que estais livres do pecado  e feitos servos de Deus, tendes por vosso fruto a santificação e por fim a vida eterna" (Rom. VI, 22). E a consecução desta finalidade deve ser o nosso único interesse. "Uma só coisa é necessária" (S. Lucas, X, 42). Ora, os pecadores desprezam este fim. Só pensam no presente. Caminham até ao término da vida e se acercam da eternidade, sem saberem para onde se dirigem. Sábio do mundo foi o rico avarento que soube enriquecer; e, todavia, morreu e foi sepultado no inferno (cf. S. Luc. XVI, 22).

"Ante o homem, a vida e a morte: aquilo que ele escolher, ser-lhe-á dado" (Eclesiástico XV, 18). Cristão! diante de ti se apresentam a vida e a morte, isto é, a voluntária privação das coisas ilícitas para ganhar a vida eterna, ou o entregar-te a elas e à morte eterna ...Que dizes? Que escolhes? ... Procede como homem e dize: Que aproveita ao homem ganhar o mundo todo e perder sua alma?" (S. Mateus XVI, 26).

Compenetremo-nos bem de que o verdadeiro sábio é aquele que sabe adquirir a graça divina e a glória do Céu. Roguemos ao Senhor para que nos conceda a ciência dos Santos, ciência que ele dá a quem lha pede (Sab. X, 10), Seremos eternamente venturosos, se soubermos amar a Deus, ainda que ignoremos todas as demais coisas, como dizia Santo Agostinho. Quantos ignorantes há, diz ainda o mesmo santo Doutor, que nunca aprenderam a ler, mas que sabem amar a Deus, e se salvam, quantos doutos do mundo que se condenam! ... Quão sábios, tantos mártires e tantas virgens que renunciaram a honras, prazeres e riquezas para morrer por Cristo!... Ainda os próprios mundanos reconhecem esta verdade, e proclamam feliz aquele que se entrega a Deus e sabe o que tem de fazer para salvar a sua alma. Em suma: aqueles que renunciam os bens da terra para se consagrar a Deus são chamados homens desenganados. Como deveremos chamar os que preferem a Deus os bens do mundo? ... Homens enganados.

Os sepulcros são escola excelente para reconhecer a vaidade dos bens deste mundo e para aprender a ciência dos Santos, adverte S. João Crisóstomo, saberíeis distinguir ali o príncipe do plebeu, o analfabeto do letrado?" "Eu, por mim, nada vejo, senão podridão e vermes". Todas as coisas do mundo passarão em breve, dissipar-se-ão como fábulas, sonhos e sombras.

Não há ninguém que se não quisera salvar e santificar, mas, como não empregam os meios convenientes, condenam-se. É preciso evitar as ocasiões de pecar, frequentar os sacramentos, fazer oração, e, sobretudo gravar no coração as máximas do Evangelho, como, por exemplo, as seguintes: "Que aproveita ao homem se ganhar o mundo todo e perder a alma?" Quem ama desordenadamente a sua vida, perderá a vida eterna". " Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo". Para seguir a Jesus Cristo é preciso recusar ao amor próprio a satisfação que exige. Nossa salvação consiste no cumprimento da vontade divina (Sl 29, 61).


Ó meu Jesus, que destes vosso sangue para me remir; não permitais que volte a ser, como fui, escravo do mundo! Arrependo-me, Sumo Bem, de ter-vos abandonado. amaldiçoo todos os momentos em que minha vontade consentiu no pecado, e abraço-me com vossa santíssima vontade, que só deseja a minha felicidade. Concedei-me, Eterno Pai, pelos merecimentos de Jesus Cristo, força para executar tudo quanto vos agrade, e fazei que prefira morrer a opor-me à vossa vontade. Ó Maria Santíssima, alcançai-me estas graças! O vosso divino Filho nada vos recusa. Amém!

domingo, 23 de julho de 2017

DEVO SALVAR-ME


"Deus Nosso Salvador quer que todos os homens se salvem" (cf. 1 Tim. II, 4).

Falamos anteriormente da graça santificante que é um hábito na alma e, portanto, permanente e só é perdida com a pecado mortal. Aqui neste artigo, falaremos das graças atuais que são passageiras. E é neste sentido que fala Santo Agostinho: "Temo a Jesus que passa e não volta mais".

Deus, Nosso Senhor quer a salvação de todos os homens.É uma verdade de fé: "Assim, não é a vontade de vosso Pai que está nos céus, que pereça um só destes pequeninos" (S. Mateus XVIII, 14). Deus, nosso Pai que está no céu, quer que todos os seus filhos se salvem, ou seja, que um dia, vão morar na sua verdadeira casa que é o Céu. Para tanto, dá as graças suficientes. Deus não quis, anteriormente à previsão dos méritos e dos pecados, salvar uns e perder outros; nem tão pouco tenha pensado assim: quero antes de tudo, e a todo custo, salvar Pedro e perder Judas, e por isso vou conceder a Pedro graças a que há de corresponder, e a Judas graças que não há de corresponder. Absolutamente não! porque, no seu amor infinito, Deus quer a salvação eterna de todos e poderá dizer a cada um dos condenados: "Que deveria eu fazer por ti que não tenha feito?" (cf. Isaías V, 4).

É bom, antes de nos aprofundarmos nesta meditação, ter em mente estas palavras de Santo Agostinho: "Quais são os eleitos? Vós, se o quiserdes" (In Ev. Joan., tr. 26, a. 2).  Há quem possa ser tentado a dizer: "O Céu foi preparado para outros: pois bem, sede outros e o céu terá sido preparado para vós" (In Ps. 126, n. 4).

Devemos também saber que, embora Deus queira não só a salvação mas também a santificação de todos, e, para tanto, dá as graças suficientes, é certo também que Ele não quer conceder a todos a mesma medida de graças. É o que Jesus ensina com a parábola dos talentos. Agindo livremente, por ser o Senhor de seus dons, e segundo os desígnios impenetráveis de sua Sabedoria infinita, determina que uns recebam grandes graças e outros graças menores. No que Deus faz para os menos favorecidos, fá-lo guiado sempre pela bondade e pelo amor. Jesus, em uma aparição a Santa Maria de Jesus Crucificado, Carmelita de Belém, disse: "Nenhuma alma se perde sem que eu lhe tenha falado mil vezes ao coração".

Eis uma verdade que muitos não entendem e desejo de coração que venham a entendê-la pela explicação de S. João Damasceno: "Deus prevê que os pecadores obstinados não se aproveitarão dos seus convites, preferindo perder-se. Ele mantém, apesar disso, o decreto que os chama à existência, e pelo qual lhes dará tais e tais auxílios, com os quais poderiam alcançar a salvação. Mantém-na, porquanto ele, Senhor e soberano, não pode depender de seus súditos, nem ser tolhido e impedido em seus desígnios pela má vontade alheia. Não é possível que Deus seja obrigado, antes de conceder seus benefícios, a prostrar-se diante de suas criaturas, e lhes perguntar humildemente de que graças estariam dispostas a se aproveitar. Nesse caso, diz o Santo, seria o pecador quem havia de vencer a Deus, cujo poder limitaria" (Cf. Fé Ortodoxa, L. IV, cap. XXI).

Deus fez o homem livre e respeita-lhe a liberdade. Ora, sendo livre, ele pode se aproveitar fielmente das graças divinas atuais que se sucedem quase que ininterruptamente. Mas o homem pode também, mostrar-se menos fiel, e, pela sua resistência ou negligência, colocar obstáculos, maiores ou menores à torrente das liberalidades divinas. Na verdade, Deus não se deixa vencer em generosidade; mas, também sente a ingratidão e, então, não dá tantas graças atuais como daria se a alma fosse generosa e agradecida. Jesus reclamou daqueles nove leprosos que curados no caminho, não voltaram para agradecer. E é evidente que ao samaritano agradecido, Jesus concedeu mais graças: "Tua fé te salvou". Caríssimos, que responsabilidade quando essa graça que tanto custou a Jesus, se torna inútil por nossa culpa! Que ingratidão, que loucura! Quão terríveis são as maldições proferidas por Jesus contra aqueles que abusam de grandes graças: "Ai de ti, Corozain, ai de ti, Betsaida... No dia do juízo haverá menos rigor para Tiro e para Sidon do que para vós" .  "E tu Cafarnaum, que te elevas até ao céu, serás abaixada até aos infernos... Sim, eu te digo, haverá menos rigor no dia do juízo para o pais de Sodoma que para ti" (S. Mateus XI, 21-23).

 Quando, por culpa da pessoa, a graça de Deus  se torna estéril, também não serão tão frequentes como antes. Há também outro crime em relação às graças divinas: a negligência. São Paulo admoesta seu discípulo Timóteo: "Não negligencies a graça que te foi dada" (2 Tim. IV, 14). "Por que, pergunta São Francisco de Sales, não progredimos no amor de Deus como Santo Agostinho, S. Francisco de Assis, Santa Catarina de Gênova, Santa Francisca Romana? É, Teótimo, porque Deus ainda não nos concedeu essa graça. E por que não no-la concedeu? Porque não correspondemos devidamente às suas inspirações" (Trat. do Amor de Deus, 11, II). E o Santo da mansidão faz esta comparação: "Se nos derem um remédio e o recusarmos por culpa própria, o remédio ficará sem efeito. Se, em vez de o tomarmos todo, bebermos apenas um gole, não produzirá o efeito desejado, e isto ainda por nossa culpa. Assim se dá com a graça: pede-nos muito. Se não lhe dermos senão uma parte do que nos pede, ou se, em vez de lhe darmos tudo de boa vontade, lho dermos com certa reserva, com certo receio, e, por assim dizer, de mau grado, a graça não produzirá os efeitos salutares que Deus desejava operar por seu meio; sem se tornar inteiramente estéril, será, por nossa culpa, pouco fecunda". Muitas almas não progridem na vida interior porque tem receio de fazer sacrifícios, não são dóceis. Jesus lhes fala ao coração para pedir-lhes sacrifícios, como faz com todos os seus filhos; estas almas tíbias, no entanto, encontram sempre pretextos fúteis para se esquivar.

Deus quer a nossa santificação e, no entanto, seus planos de bondade ficam tolhidos por aquelas almas que não querem fazer violência a si mesmas, são pouco corajosas. São almas, que na prática, mesmo que não o digam, se contentam em ser servas de Deus e recusam a amizade íntima com o seu Pai do Céu. No fundo é falta de mortificação. Para, pois, corresponder aos desígnios de Deus, seria necessário fazer violência a si mesmas, mortificar o seu corpo, os seus gostos, reprimir a sua imaginação, conter as suas palavras, renunciar a si mesmas constantemente. Preferem a mediocridade para poderem viver mais suavemente. Temem as provações, as contradições, as humilhações. Tem-se a impressão que estas almas temem ser santas! E, assim como a generosidade atrai mais graças, esta negligência é castigada pelo escassez das graças. E aqui, devemos ter em mente uma verdade assustadora: como jararacas dorminhocas, as paixões mais degradantes se encontram sempre no fundo da alma humana, e basta que Deus retire em parte suas graças, e diminua a sua proteção, para a alma cair no lodo. Assim Deus castiga o pecado pelo próprio pecado, e recompensa a virtude por um acréscimo de virtude. Sem dúvida, se a justiça é temperada pela misericórdia, não é porém aniquilada. A bondade de Deus o incita a conceder graças aos próprios pecadores; a justiça, porém, obriga-O a diminuí-las e a punir o pecado, deixando-o produzir, ao menos em parte, seus funestos efeitos. As graças escolhidas que Deus dá às almas dóceis, generosas e gratas, recusa-as às almas tíbias, mesquinhas e ingratas.

Mais uma importante observação: uma única resistência à graça já causa uma grande perda espiritual, mas uma longa série de infidelidades e o hábito de afastar as inspirações divinas, produz efeitos ainda mais funestos. Eis uma verdade constatada nas almas: os pecadores voltam aos seus pecados, os medíocres à sua mediocridade, as almas fervorosas à sua habitual generosidade. "Quem tem, ser-lhe-á dado mais ainda, o que não tem muito, até o pouco que tem lhe será tirado". Aí está a explicação entre os perfeitos e os não perfeitos. Os primeiros são sempre dóceis ao Divino Espírito Santo; os segundos são sempre ou quase sempre negligentes e resistem ao Divino Espírito Santo.


Caríssimos, já que tantas vezes ouvimos a voz de Deus, não queiramos endurecer o nosso Coração. Sejamos cumpridores dos nossos deveres em relação ao Doce Hóspede e Santificador de nossas almas: nunca expulsar da alma pelo pecado mortal, o Espírito Santo; nunca contristar na alma pelo pecado venial deliberado, o Espírito Santo, e nunca resistir às inspirações do Espírito Santo. Amém!

EPÍSTOLA DO 7º DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES


Romanos VI, 19-23

"Falo à maneira dos homens, por causa da fraqueza da vossa carne, porque, assim como oferecestes os vossos membros para servirem à imundície e à iniquidade, a fim de (chegar) à iniquidade, assim oferecei agora os vossos membros para servirem à justiça, a fim de chegar à santificação. Porque, quando éreis escravos do pecado, estivestes livres quanto à justiça. Que fruto tirastes então daquelas coisas, de que agora vos envergonhais?(Nenhum), pois o fim delas é a morte. Mas agora, que estais livres do pecado e feitos servos de Deus, tendes por vosso fruto a santificação e por fim a vida eterna. Porque o estipêndio do pecado é a morte. Mas a graça de Deus é a vida eterna em nosso Senhor Jesus Cristo".

Neste capítulo VI São Paulo observa que Jesus morreu uma só vez e "ressuscitando dos mortos, não morrerá jamais; pois a morte nenhum domínio exercerá sobre Ele". Assim também quem morreu para o pecado, há de viver para Deus, não permitindo que sobre seu corpo reine o pecado, mas libertando-se dele para sempre. Tanto mais que o fruto do pecado é a morte e o fruto da graça é a vida eterna.

O pecador é vítima de seus próprios pecados, e é castigado às vezes, por eles mesmos. Só para darmos alguns  exemplos: os libertinos levam uma vida infernal, não só enquanto estão no caminho da condenação mas também mesmo neste mundo. Paz, honra, dignidade, muitas vezes, a saúde, a família, tudo é imolado sobre o triste altar de um curto prazer pecaminoso. Quando a faísca dos pecados impuros não for logo apagada, transforma-se num incêndio devastador e incontrolável ou quase. Quantas fadigas e quantas lutas se impõem aqueles que se entregam às paixões impuras!

Os vaidosos e, sobretudo as vaidosas, a quantos sacrifícios se submetem por causa da beleza. Isto sim é ser escravo; escravo das modas. E quanta preocupação e gastos no afã de se sobressair nas reuniões mundanas! Infelizes daqueles que se entregam às drogas e à bebida! Estragam sua saúde, a da alma e também a do corpo. "Que fruto tiveste  -  pergunta o Apóstolo  -  naquelas coisas de que agora te envergonhas?" Qual um general déspota que, depois de haver exigido dos soldados os maiores sacrifícios, dá-lhes por soldo a morte, assim é o pecado. Depois de vos conduzir por caminhos íngremes, paga-vos com o salário da vergonha. Daí o conselho de São Paulo: se tivestes a infelicidade de sofrer tanto para correr atrás da satisfação das tuas paixões, empregue agora, depois de convertido, todas as tuas forças para correr no caminho da virtude e da verdadeira paz, enfim, para a vida eterna na Pátria do Repouso eterno. Em outras palavras: reserva para o bem os entusiasmos que outrora consagravas ao mal.

A lei da castidade, sobretudo, parece reclamar desmedidas renúncias? Entretanto, devemos igualmente medir os sacrifícios que foram feitos para simplesmente se afundar e se revolver na lama de imundícies. Então, uma vez convertido, deve o homem, com igual ânimo, enfrentar as dificuldades que se opõem a liberdade de filho de Deus. O pecador convertido deve pensar na pontualidade com que se apresentava em outros tempos à festas mundanas mesmo depois de um dia de trabalho estafante, e agora não deve medir esforços para ter a mesma pontualidade em se apresentar à igreja para a Santa Missa. Quantos gastos para a vaidade! Agora, convertido, seja generoso para com os pobres e em ajudar à Igreja. Conta-se de certo santo, cujo nome não me lembro no momento, que ao passar pela rua, encontrando-se com uma dama esmeradamente elegante e perfumada, desatou a chorar. Perguntando-lhe outros a razão destas lágrimas, respondeu-lhes o santo: "É que vejo nesta mulher maior cuidado em servir ao mundo, do que atenções encontre em mim no serviço de Deus".

O próprio São Paulo é um exemplo de convertido! Quem mais investiu contra a Igreja do que o fariseu Saulo a "respirar ameaças e morte contra os discípulos do Senhor"? Mas quem mais do que ele, soube com igual generosidade consagrar à Igreja e a Jesus  os nobres impulsos do coração e do gênio? Nem os açoites dos romanos, nem as flagelações dos judeus; nem os perigos dos ladrões e dos da sua nação, dos gentios, do deserto e do mar; nem o trabalho, nem a fadiga; nem as vigílias, nem a fome, nem a sede,  (cf. 2 Cor. ) enfim, jamais coisa alguma conseguiu arrefecer-lhe o entusiasmo por Cristo Jesus, que, outrora, odiava até a perseguição e que, depois, convertido, amou até a adoração.


Poderíamos dar muitos outros exemplos de convertidos: como Santo Agostinho e Santa Maria Madalena. Mas quero terminar com as palavras do grande Orígenes: "Corriam, outrora, teus pés para o delito, corram agora para a virtude. Estendiam-se antigamente tuas mãos aos bens alheios, estendam-se hoje aos teus bens para generosamente distribuí-los. Voltavam-se antes teus olhos às riquezas do teu próximo na ânsia de possuí-las, voltem-se, agora, para os pobres no desejo de socorrê-los. O ofício que teu corpo um dia prestava aos vícios, ofereça-o hoje à virtude; e o serviço antigamente dado à imundície seja agora dado à castidade e à santidade". Amém!

A IGREJA CATÓLICA - 30ª LIÇÃO


 -  QUEM FUNDOU A IGREJA CATÓLICA?

FOI NOSSO SENHOR JESUS CRISTO. 

  Como já sabemos, Jesus, tendo 30 anos, foi ensinar. Como o padre que visita as capelas, assim Jesus sempre parava algum tempo numa povoação, ensinava a sua doutrina, e provava com alguns milagres que dizia a verdade.
   Quando o padre prega, alguns não vêm ouvir, outros ouvem e não fazem caso, mas há pessoas que ouvem e aceitam a doutrina e fazem o que o padre ensina.
   Assim era com Jesus. Alguns nem foram ouvir o Senhor: outros foram e não fizeram caso, não creram; mas alguns ouviram a doutrina do Senhor, creram em tudo o que Jesus ensinava e queriam fazer tudo o que Jesus mandava. E assim Jesus percorreu quase todo o país, e em quase todo a parte encontrava gente boa, que aceitava a sua doutrina.
   Àqueles que criam o que ensinava e queriam fazer o que mandava, Jesus lhes chamava seu rebanho, ou sua Igreja. No país onde o Senhor ensinava, havia muitos pastores de ovelhas. De manhã, o pastor chama as suas ovelhas e vai diante delas para procurar uma fonte com água boa, para as ovelhas beberem, e um bom pasto para o seu rebanho. Naquele país há muitos lobos que querem comer as ovelhas; mas um bom pastor vigia bem e defende as suas ovelhas contra o lobo e de noite as coloca dentro dum curral, onde os lobos não podem entrar. Jesus se chama a si mesmo o bom pastor. O bom pastor procura pasto para as suas ovelhas. Jesus dava a sua doutrina. A nossa alma tem fome da verdade, isto é, a nossa alma deseja conhecer, receber a verdade. A doutrina de Jesus é o pasto para a nossa alma. Um bom pastor procura pasto para as suas ovelhas. Jesus dava a sua graça. O bom pastor defende as suas ovelhas contra o lobo. O lobo que quer mal às almas, é o demônio. Jesus defende-os contra o demônio. 
   Por isso Jesus chama a estes fiéis o seu rebanho, e a si mesmo o bom Pastor. Jesus chama-os também a sua Igreja , ou o seu reino. O rebanho de Jesus quer dizer a sua IGREJA.


 

 O rebanho é uma porção de ovelhas, unidas pela obediência aos mesmos pastores. As ovelhas de Jesus são aqueles que creem na verdadeira doutrina de Jesus. Estas ovelhas de Jesus são unidas num rebanho pela obediência aos mesmos pastores. Os pastores são os Bispos e o Papa. A IGREJA CATÓLICA SÃO AQUELES QUE CREEM A VERDADEIRA DOUTRINA DE JESUS E ESTÃO UNIDOS PELA OBEDIÊNCIA AOS BISPOS E AO PAPA. Entre os protestantes não é assim. Não há união. Eles não obedecem aos bispos nem ao papa. Cada um faz o que pensa. Os protestantes não são uma igreja, mas muitas igrejas. Mas Jesus disse: "Haverá um só rebanho e um só pastor". Este único rebanho é a Igreja Católica. Se as seitas protestantes fossem de Jesus, o divino Mestre teria dito: "Haverá muitas centenas de rebanhos, de igrejas com pastores que se contradizem uns aos outros". Devemos agradecer ao nosso Bom Pastor, Jesus, por nos ter recebido entre as ovelhas do seu rebanho. Para esta ação de graças podemos dizer as belas palavras da Sagrada Escritura, que nos ensina a rezar assim:
   "O Senhor é meu pastor, e nada me faltará. Colocou-me nos seus pastos verdejantes. Conduz-me a águas frescas. Leva-me pelos caminhos da justiça por causa do seu nome. Ainda que eu caminhe no meio da escuridão da morte".







HOMILIA DOMINICAL - 7º Domingo depois de Pentecostes

Extraído do   Livro "INTIMIDADE DIVINA" do P. Gabriel de S.ta M.  Madalena,O. C. D.

   No Evangelho de hoje, Jesus chama a nossa atenção para os "falsos profetas" que se apresentam "vestidos de ovelhas e por dentro são lobos rapaces". Muitos apresentam-se como mestres de moral ou mestres espirituais, porém são mestres falsos porque as suas obras não correspondem às suas palavras; aliás, é fácil falar bem, mas não é fácil viver bem. Às vezes as doutrinas propostas são falsas em si mesmas, embora à primeira vista o não pareçam, visto que se revestem de certos aspectos de verdade; é falsa a doutrina que, em nome de um princípio evangélico, ofende um outro, por exemplo, que em nome da compaixão para com uma pessoa lesa o bem comum, que em nome da caridade ofende a justiça ou esquece a obediência aos legítimos superiores. É falsa a doutrina que é causa do relaxamento, que perturba a paz e a união, que, sob pretexto de um bem melhor, separa os súditos dos superiores, que não se subordina à voz da autoridade. Jesus quer-nos "simples como pombas", alheios à crítica e ao juízo severo do próximo, mas quer-nos também "prudentes como as serpentes" (Mt. 10, 16), a fim de nos não deixarmos enganar pelas falsas aparências do bem que escondem perigosas insídias.
   Porém, ser mestre não é para todos, nem a todos se exige; mas a todos - sábios e ignorantes, mestres e discípulos - pede o Senhor a prática concreta da vida cristã. De que nos serviria possuir uma doutrina profunda e elevada, se depois não vivêssemos segundo essa doutrina? Portanto, em vez de querermos ser mestres dos outros, procuremos sê-lo de nós mesmos, empenhando-nos em viver integralmente as lições do Evangelho, imitando Jesus que primeiro "começou a fazer e depois a ensinar" (At.1, 1). O fruto genuíno que há-de comprovar a bondade da nossa doutrina e da nossa vida é sempre o que Jesus nos indicou: o cumprimento da Sua vontade. Cumprimento que significa adesão plena às leis divinas e eclesiásticas, obediência leal aos legítimos superiores, fidelidade aos deveres de estado, e tudo isto em todas as circunstâncias, mesmo quando exige de nós a renúncia à nossa maneira de ver e à nossa vontade.
   "Ó meu Deus, a Vossa suprema e eterna vontade não quer senão a nossa santificação, por isso a alma que deseja santificar-se despoja-se da sua vontade e reveste-se da Vossa. Ó dulcíssimo Amor, parece-me ser este o verdadeiro sinal dos que estão enxertados em Vós: que sigam a Vossa vontade à Vossa maneira e não à sua, que sejam revestidos da Vossa vontade" (cfr. Santa Catarina de Sena).

sábado, 22 de julho de 2017

A GRAÇA DE DEUS É UM BEM INEFÁVEL


"Ó se conhecêsseis o dom de Deus!" (S. João IV, 10).

Vejamos quão grande é a graça divina, e assim, consequentemente teremos todo o cuidado em não a perder, teremos, outrossim, mais horror ao pecado mortal que a destrói na alma do pecador que peca gravemente. Na verdade, caríssimos, são poucos os que conhecem o valor da graça divina. Poderíamos dirigir a multidão infeliz o mesmo lamento que Jesus Cristo expressou à mulher samaritana: "Ó se conhecêsseis o dom de Deus!".  Porque não conhecem o valor da graça divina, muitos e muitos trocam-na por ninharia, um fumo subtil, um punhado de terra, um deleite irracional.

Na parte superior do quadro vemos o símbolo de uma alma na graça de Deus;
Na parte inferior vemos o símbolo de uma alma em pecado mortal.
A graça santificante, vida da alma, participação real, embora limitada da própria natureza divina, é um tesouro de valor infinito, que nos torna dignos da amizade de Deus. A alma no estado da graça é amiga de Deus Nosso Senhor. O próprio Jesus Cristo disse: "Quem é meu amigo, guarda os meus mandamentos". Quem observa os mandamentos conserva em si a graça santificante, pela qual é amigo de Deus, e mais ainda, é filho de Deus. Devemos meditar frequente e profundamente nesta verdade: se estou na graça de Deus, sou amigo de Deus, sou seu filho. Filho adotivo, na verdade. Mas esta adoção é infinitamente superior à da terra, que  é só questão de assinatura de um documento, mas o sangue é outro. A adoção pela graça, porém, é uma participação real da natureza de Deus: "consortes divinae naturae" na expressão de São Pedro. É uma participação limitada, porque somos criaturas, mas é uma participação real. Tanta é esta dignidade que Jesus Cristo no-la mereceu por sua Paixão! Como diz São João Evangelista, Jesus Cristo nos comunicou, de certo modo, o resplendor que recebeu de Deus: "Eu (disse Jesus dirigindo-se a seu Pai) dei-lhes a glória que tu me deste, para que sejam um, como também nós somos um" (S. João , XVII, 22). A alma que está na graça  está intimamente unida a Deus: "Ao que está unido ao Senhor é um só espírito com ele" (1 Cor. VI, 17). O próprio Jesus disse que a Santíssima Trindade vem habitar na alma que está no estado de graça: "Aquele que retém os meus mandamentos e os guarda, esse é que me ama; e aquele que me ama, será amado por meu Pai, e eu o amarei (também), e me manifestarei a ele... Se alguém me ama, guardará a minha palavra, meu Pai o amará, nós viremos a ele e faremos nele morada" (S. João, XIV, 22).

Dizia Senta Brígida que ninguém seria capaz de ver a beleza de uma alma em estado de graça, sem morrer de alegria. Santa Catarina de Sena, ao contemplar uma alma em estado tão feliz, disse que preferia dar sua vida para que aquela alma jamais viesse a perder tanta beleza. Era por isso que a Santa beijava a terra que os sacerdotes pisavam, considerando que por seu intermédio recuperavam as almas a graça de Deus.

"Que tesouros de merecimentos, diz Santo Afonso de Ligório, pode adquirir uma alma em estado de graça! Em cada instante lhe é dado merecer a glória; pois, segundo disse Santo Tomás de Aquino, cada ato de amor, produzido por tais almas, merece a vida eterna. Por que, pois, continua o santo Doutor, invejar os poderosos do mundo? Estando na graça de Deus, podemos adquirir continuamente as maiores grandezas celestes".

Só aquele que desfrutou pode compreender quão suave é a paz de que goza, mesmo neste mundo, uma alma que se acha na graça: "Muita paz aos que amam a tua lei" (Salmo 118, 165). A paz que provém dessa união com Deus excede a quantos prazeres possam oferecer os sentidos e o mundo, como explica São Paulo: "E a paz de Deus, que está acima de todo o entendimento, guarde os vossos corações e os vossos espíritos em Jesus Cristo" (Filip. IV, 7).

Donde, caríssimos, devemos pedir sempre o amor de Deus, a sua graça e a perseverança neles. Devemos também pedir forças a Nosso Senhor para sofrermos com paciência todas as cruzes que Ele nos destinar, já que merecemos a separação e o fogo eternos se perdida a graça tivéssemos morrido assim. Devemos estar resolvidos a servir unicamente a Jesus Cristo, mesmo que for necessário vencer todo respeito humano. Devemos procurar agradar só a Jesus, e fazer de tudo para evitar o pecado mortal, e lutar também por evitar o venial. Só quero viver na graça de Deus, e quero, pelas graças atuais, crescer sempre mais na graça santificante.

Para terminar, vejamos o outro lado da moeda, a parte inferior do quadro ilustrativo: quão infeliz é a alma que cai em pecado mortal, que assim atrai o desagrado do próprio Deus. O profeta Isaías diz: "Mas são as vossas iniquidades que puseram uma separação entre vós e o vosso Deus, e os vossos pecados são os que lhe fizerem esconder de vós a sua face, para não vos ouvir" (Isaías, 59, 2). A pessoa que vive em pecado mortal, vive separado de seu Sumo Bem, que é Deus. Ela não é de Deus, nem Deus é seu. "E o Senhor disse a Oseias: Põe-lhe o nome de Não-meu-povo porque vós já não sois meu povo e eu não serei mais vosso (Deus)" (Oseias I, 9). Falando contra os pecados de idolatria diz a Sagrada Escritura: "Deus aborrece igualmente o ímpio e a sua impiedade". Se alguém tem por inimigo a um príncipe do mundo, não pode repousar tranquilo, receando a cada instante a morte. E aquele que foi inimigo de Deus, como pode ter paz? Pode-se escapar das mãos dos homens, mas das de Deus não: "A todo e qualquer lugar aonde vá, tua mão alcançar-me-á. E disse: Talvez me ocultarão as trevas; mas a noite converte-se em claridade para me descobrir no meio dos meus prazeres" (Salmo 138, 10 e 11). Além disso, a pessoa que vive no pecado mortal, traz consigo a perda de todos os merecimentos. Ainda que tivesse merecido tanto como uma Santa Teresinha do Menino Jesus, uma Santa Teresa d'Ávila, um São Francisco Xavier, um Santo Cura d'Ars, e até tanto como São Paulo que por si só alcançou  - segundo São Jerônimo  - mais merecimentos que todos os outros apóstolos, se tal pessoa cometesse um só pecado mortal, perderia tudo. De filho de Deus, o pecador converte-se em escravo do demônio; de amigo predileto torna-se odioso inimigo; de herdeiro da glória, em condenado do inferno.

Como é triste a gente ver como os homens em geral, relativamente com poucas exceções no mundo, choram por ter perdido algo de valor e/ou de estimação. Vi na Internet um sujeito chorando porque perdeu seu macaco de estimação. Aliás Santo Agostinho já dizia: "Aquele que perde um cavalo, uma ovelha, já não come, já não descansa , mas chora e lastima-se. Mas se perde a graça de Deus, come, dorme e não se queixa!". São Francisco de Sales dizia: "Se os anjos pudessem chorar, certamente chorariam de compaixão ao verem a desdita de uma alma que comete um pecado mortal e perde a graça divina". E Santo Afonso comenta: "Entretanto, a maior tristeza é que os anjos chorariam, se pudessem chorar, e o pecador não chora".


Ó meu dulcíssimo Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo, se na vida passada meu coração andou mal, amando as criaturas e as vaidades do mundo, de agora em diante, só viverei para Vós e só a Vós amarei, meu Deus, meu tesouro, minha esperança e minha fortaleza. Inflamai meu coração em vosso santo amor. Maria, minha Mãe, fazei que minha alma arda em amor de Deus. Amém! 

sexta-feira, 21 de julho de 2017

ABUSO DA MISERICÓRDIA DE DEUS


"E não digas: A misericórdia do Senhor é grande, ele se compadecerá da multidão dos meus pecados. Porque a sua misericórdia e a sua justiça estão perto uma da outra, e ele olha para os pecadores na sua ira" (Eclesiástico V, 6 e 7).

Não podemos duvidar que a misericórdia divina é infinita. Devemos igualmente estar convencidos pelo próprio Espírito Santo que Deus é justo. Não podemos entender "misericórdia",  como se fosse sinônimo de IMPUNIDADE. Não se admite isso nem em se tratando da Justiça Humana, quanto mais da Divina! Assim, ao terminar a parábola da dracma perdida, parábola esta que o Divino Salvador fez para mostrar a Misericórdia de Deus, conclui com estas palavras: "Haverá alegria no céu entre os anjos de Deus por um só pecador que faça penitência". Se não podemos deixar de ver aí a misericórdia divina, também não podemos fechar os olhos para a condição indispensável para que ela se efetue: "QUE FAÇA PENITÊNCIA". Seria até blasfêmia ou, pelo menos, chegaria às raias dela, dizer que Deus, em sua misericórdia perdoa sempre, com arrependimento ou sem ele, com conversão de vida ou sem ela.

São Paulo afirma categoricamente falando aos romanos; e, dados os escândalos oficiais das nações, é bom citarmos todo o contexto: "Pelo que Deus os  abandonou aos desejos do seu coração, à imundície; de modo que desonraram os seus corpos em si mesmos, eles que trocaram a verdade de Deus pela mentira e que adoraram e serviram a criatura de preferência ao Criador, que é bendito por todos os séculos. Amém. Por isso Deus entregou-os a paixões de ignomínia. Efetivamente, as suas próprias mulheres mudaram o uso natural em outro uso, que é contra a natureza, e, do mesmo modo, também os homens, deixando o uso natural da mulher, arderam nos seus desejos mutuamente, cometendo homens com homens a torpeza e recebendo em si mesmos a paga que era devida ao seu desregramento. Como não procuraram conhecer a Deus, Deus abandonou-os a um sentimento depravado, para que fizessem o que não convém, cheios de toda a iniquidade, de malícia, de fornicação, de avareza, de maldade, cheios de inveja, de homicídios, de contendas, de engano, de malignidade, mexeriqueiros, detratores, odiados por Deus, injuriadores, soberbos, altivos, inventores de maldades, desobedientes aos pais, insensatos, sem lealdade, sem afeto, sem lei, sem misericórdia. Os quais, tendo conhecido a justiça de Deus, não compreenderam que os que fazem tais coisas são dignos de morte; e não somente quem as faz, mas também quem aprova aqueles que as fazem" (Rom. I, 24- 32). E logo no capítulo II, 4-9: "Ou desprezaste as riquezas da sua bondade e paciência e longanimidade: Ignoras que a bondade de Deus te convida à penitência? Mas com a tua dureza e coração impenitente acumulas para ti um tesouro de ira no dia da ira e da manifestação do justo juízo de Deus, que há de dar a cada um segundo as suas obras: a vida eterna aos que, perseverando na prática do bem, buscam a glória, a honra e a imortalidade; ira e indignação aos que são pertinazes, não dóceis à verdade, mas dóceis à injustiça".

Diz Santo Agostinho que o demônio seduz os homens por duas maneiras: "Com desespero e com esperança. Depois que o pecador cometeu o delito, arrasta-o ao desespero pelo temor da justiça divina; mas, antes de pecar, excita-o a cair em tentação pela esperança na divina misericórdia". E o adverte: "Depois do pecado tenha esperança na divina misericórdia; antes do pecado tema a justiça divina". Caríssimos, na verdade não merece a misericórdia de Deus aquele que ser serve da mesma para ofendê-Lo. Daí dizer Santo Afonso: "A misericórdia é para quem teme a Deus e não para o que dela se serve com o propósito de não temê-Lo". Diz ainda um autor: "Aquele que ofende a justiça, pode recorrer à misericórdia; mas a quem pode recorrer o que ofende a própria misericórdia?" Santa Brígida dizia que os pecadores só pensam na misericórdia. São Basílio também dizia o mesmo: "Os pecadores só querem considerar a metade: o Senhor é bom; mas também é justo. Não queiramos, continua o santo, considerar unicamente uma das faces de Deus". "Tolerar quem se serve da bondade de Deus para mais O ofender, fora antes injustiça que misericórdia", diz também S. João d'Ávila. Maria Santíssima disse: "Et misericordia ejus timentibus eum" (São Lucas, I, 50).  "Acautelai-vos  -  diz S. João Crisóstomo  -  quando o demônio (não Deus) vos promete a misericórdia divina com o fim de que pequeis" (Hom. 50, ad populum Antiochenum). "Quem ofende a Deus, fiado na esperança de ser perdoado, é um escarnecedor e não um penitente", diz Santo Agostinho. São Paulo afirma: "De Deus não se pode zombar" (Gál. VI, 7). Mas seria zombar de Deus o querer ofendê-Lo sempre que quiséssemos e desejar, a seguir, o paraíso. Quem semeia pecados, não pode esperar outra coisa que o eterno castigo no inferno. "Em realidade, aquilo que o homem semear, isso também colherá. Aquele que semeia na sua carne, da carne colherá corrupção; mas o que semeia no Espírito, colhera do Espírito a vida eterna" (Gálatas VI, 7-9).  

O rei Manassés pecou; converteu-se em seguida, e Deus lhe perdoou. Mas para Amon, seu filho, que, vendo quão misericordiosamente seu pai havia conseguido o perdão, entregou-se à má vida com a esperança de também ser perdoado, mas para ele não houve misericórdia. Deus, na verdade vai à procura do pecador com toda solicitude; espera com toda paciência a sua conversão; se o pecador se converte, perdoa-o com toda misericórdia a tal ponto que nem se lembra mais das suas ofensas, e  há alegria até entre os anjos.  Se o pecador, porém, não se converte e até abusa desta paciência e misericórdia divinas, então, além de não ser perdoado, seus castigos serão maiores, porque desprezou a justiça e abusou da misericórdia.

Deus tem paciência e espera; mas, se o pecador não aproveitá-las para se converter e fazer penitência, chega afinal a hora da justiça e então, Deus não espera mais e castiga. Diz Santo Afonso de Ligório: "Deus aguarda o pecador a fim de que se emende (Isaías, XIX, 18); mas, quando vê que o tempo concedido para os pecados só serve para multiplicá-los, vale-se desse mesmo tempo para empregar a justiça" (Lam. I, 15). Deus, ou envia a morte ao pecador, ou o priva das graças abundantes (que sempre concede aos que aproveitam de sua misericórdia) e só lhe deixa a graça suficiente com que o pecador se poderia salvar, mas não se salva, porque estas graças DE SI SUFICIENTES, tornam-se, por culpa do pecador, INEFICAZES. Quando um pecador chega a perder o temor de Deus, não sente mais remorsos, seu coração já está empedernido, sua consciência já está cauterizada, aí só há trevas em sua alma e despreza a graça de Deus e só ama o que deveria odiar. Entrega-se inteiramente às suas paixões e assim morre. Muitas vezes, Deus nem os castiga neste mundo, porque esta vida de pecados é o seu maior castigo. Pode haver coisa mais terrível para um doente do que quando o médico diz (com sorriso forçado): não é caso de cirurgia, não precisa fazer mais dieta, nem precisa tomar mais remédio, pode ir para casa. É tão terrível que o médico não diz o motivo para o paciente. Mas chama os parentes e diz: infelizmente não há mais nada a fazer, é um câncer em fase terminal.

Se aquela figueira, encontrada estéril por seu dono, não desse fruto depois do ano concedido como prazo para cultivá-la, quem ousaria esperar que se lhe desse mais tempo e não fosse cortada. Santo Agostinho comenta: "Ó árvore infrutuosa! O golpe de derrubada não foi desferido mas diferido. Mas não creias mais segura, porque serás cortada! A pena foi adiada mas não suprimida. Se tornares a abusar da misericórdia divina, o castigo te atingirá: serás cortado. Esperas, portanto, que o próprio Deus te envie ao inferno? Mas, se te envia, já o sabes, jamais haverá remédio para ti. O Senhor se cala, mas não para sempre. Quando chega a hora da justiça, quebra o silêncio. "Isto fizeste, eu calei-me. Pensaste iniquamente que eu seria como tu; arguir-te-ei e porei (tudo) diante de teu rosto" (Salmo 49, 21).


Pelos merecimentos de vossa morte, ó caríssimo Redentor, concedei-me amor tão fervoroso que convosco me una estreitamente e jamais possa desprender-me de Vós. Ajudai-me, ó Virgem Maria, por vossa intercessão; alcançai-me a santa perseverança e ao amor para com Cristo Jesus. Amém!