SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

domingo, 14 de janeiro de 2018

EXPLICAÇÃO DO EVANGELHO DO 2º DOMINGO DEPOIS DA EPIFANIA


S. João II, 1-11

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Aldeia de Caná na atualidade
Celebraram-se umas bodas em Caná de Galileia, e achava-se ali a Mãe de Jesus. E também Jesus foi convidado, com seus discípulos, para as bodas. Logo após o Batismo e os 40 dias de recolhimento, oração e penitência numa montanha perto de Jericó, depois de permitir ao demônio que O tentasse por três vezes, Jesus Cristo inicia sua vida pública que vai prolongar-se por três anos apenas. Já tinha em torno de si alguns discípulos, levados a Ele pelo testemunho de Seu Precursor, João Batista. Estando assim nos inícios de sua carreira evangélica, não havia feito ainda nenhum milagre para atestar sua missão. Jesus começa na pequena aldeia de Caná, perto de Nazaré, a série brilhante e ininterrupta de milagres que doravante encherá sua vida, e oferecerá ao mesmo tempo sólidos fundamentos à nossa fé e úteis instruções para nossos costumes.

Caríssimos, afim de melhor acolher e compreender os ensinamentos desta narração evangélica, consideremos sucessivamente os diversos personagens desta cena de Caná.

Primeiramente consideremos os ESPOSOS. Sua conduta é inteiramente digna de elogio. Pois convidam a Jesus e Maria para seu casamento. Hoje, infelizmente são raríssimos os noivos que convidam Jesus e Maria para suas núpcias. Em se tratando de algo tão sério, tão importante do qual depende a sorte da vida inteira e até de gerações futuras, quantos são aqueles noivos que levam em conta os conselhos, os mandamentos e a doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo? O Divino Mestre santificou a virgindade ao abraçá-la Ele mesmo e nascendo de uma virgem. Santificou, outrossim, o matrimônio elevando-o à dignidade de sacramento, honrando-o com Sua presença e com o seu primeiro milagre, com o qual aliás, mostra o poder de intercessão de sua Mãe Santíssima, e confirma seus primeiros discípulos na fé. Com a presença de Jesus e Maria, tudo nestas bodas é inteiramente puro, calmo, digno e santo. Nada de enfeites imodestos, nada de modas imorais, nada de palavras licenciosas, nada de gritos desordenados, nada de danças, nada de dissipação extravagante. Tudo transcorre com ordem, paz e caridade. Os convivas sabem que Jesus e Maria estão lá, vêem-Nos, ouvem sua voz e se edificam com Sua conversação. Mas nos casamentos em que Jesus e Maria são simplesmente banidos, reina, ao invés, o espírito pagão e assim, como aconteceu com os sete primeiros esposos de Sara, filha de Raguel, quem tem todo poder é o Asmodeu, inimigo das almas.

Consideremos agora, MARIA SANTÍSSIMA. O que nela aparece em primeiro lugar é sua bondade, bondade esta que brilha  com uma espontaneidade e um desvelo admiráveis. Sem que ninguém disso se advertisse, Maria percebe onde se encontra a necessidade e conseqüente vexame dos noivos. E sem que ninguém o peça, solícita, bondosa, compassiva, volta-se para seu Filho e Lhe diz ao ouvido estas palavras: "Não têm vinho". Jesus deixa claro que não é ainda chegada a hora de Ele começar a fazer milagres: "Mulher (em aramaico: 'já mara' que quer dizer SENHORA) que temos Eu e tu com isso? (Outra expressão tipicamente hebraica e que se encontra em várias passagens do Antigo Testamento). E assim poder-se-ia traduzir: "Senhora, que motivo nos leva a ti e a mim a falar deste assunto?' E devemos levar em conta o gesto, o tom de voz e outras circunstâncias que a completavam, os quais desconhecemos, mas podemos supor. Aliás, pela ordem que Maria dá aos serventes logo em seguida, mostra que ela bem entendeu que seu Filho iria fazer o milagre. Quem melhor poderia penetrar no Coração de Jesus senão sua Mãe Santíssima!  O fato é que não podemos concordar com aqueles protestantes que concluem que o próprio Jesus tratava Maria como uma mulher como as outras. Isto constitui inclusive uma grande ofensa ao próprio Jesus: sendo Deus não foi Ele que deu os dez mandamentos, inclusive o quarto? Infelizmente o desconhecimento da língua hebraica e aramaica da parte da maioria dos protestantes aumenta o perigo de falsas interpretações da Bíblia.

Por outro lado as palavras de Jesus foram ditas com toda certeza para fazer sobressair o poder de intercessão de sua Mãe amabilíssima. No Templo depois de recordar os direitos do Pai celeste, Jesus obedece aos pais terrenos; aqui, depois de recusar atender ao apelo de Sua Mãe, antecipa sua hora e faz o milagre, transformando a água em vinho. A primeira vista parece haver uma contradição entre  o que o Menino Jesus disse à sua Mãe lá no Templo e o que realiza aqui. É óbvio que não pode haver contradição no falar e agir de Jesus. O fato é que Jesus, como Ele mesmo declarou alhures, nunca fazia sua própria vontade mas sim a de Seu Pai Eterno. Assim a explicação é que o Pai havia determinado deste toda eternidade que Jesus não deveria negar nada à sua Mãe Santíssima.

Disse sua Mãe aos servidores: Fazei tudo o que Ele (Jesus) vos disser. Maria Santíssima quer nos ajudar com seus pedidos e com seu crédito junto de seu Filho. Ela quer mesmo prevenir muitas vezes, nossos pedidos, mas com uma condição: que façamos tudo o que o Seu Filho mandar, isto é, que executemos Sua vontade. E o que Ele quer é que façamos tudo que depende de nós, que nos apliquemos à obra de nossa salvação o concurso de nossa fraqueza, que coloquemos a água nas talhas de nossos corações, nestes corações de pedra (como os chama a S. Escritura) a água de nossas lágrimas, a água insípida da mortificação, do trabalho constante, do dever obscuro. E esta água transformar-se-á em vinho, e esta fraqueza será transformada em força, e nós mesmos, como os convivas de Caná, ficaremos admirados de encontrar em nós, em lugar de nossa miséria e de nossa covardia , uma fortaleza e uma generosidade das quais nunca nos julgaríamos capazes.

Além da bondade, vemos em Maria um poder extraordinário junto ao Coração de seu Filho. Ela pede um milagre de primeira ordem e para simplesmente livrar os esposos de Caná de um vexame. Pede sem ansiedade, sem inquietação, mesmo sem insistência, tão segura está do poder e do beneplácito de Seu Filho para com ela. Na verdade, Nossa Senhora não pede propriamente, apenas demonstra o desejo que tem em ver o seu Filho operar um milagre para livrar de um embaraço os neo-esposos de Caná.

Em Caná, além da bondade e poder, vemos brilhar em Maria a sua glória. Assim, não é pelo pedido de Maria que Jesus, escondido durante trinta anos na obscuridade de uma vida humilde e comum, se mostra enfim o que é, e manifesta este poder divino que estava até então tão cuidadosamente oculto n'Ele? Não é, pois, pelo prece de Maria que Ele começa as funções de seu ministério público; deste ministério que vai se tornar tão fecundo em ensinamentos e prodígios; que Ele estabelece sua missão, que Ele ganha a confiança de seus discípulos e os prende definitivamente à sua pessoa?

Agora, caríssimos, contemplemos JESUS! Aqui nas Bodas de Caná Jesus nos ensina uma coisa, a maior, a mais bela, a mais augusta que possamos aprender: é que Ele é Deus, Filho de Deus. Com efeito, tudo em seu semblante, em suas palavras, em sua conduta, atesta Deus todo poderoso e a própria sabedoria. Ele diz: "Minha hora não é ainda chegada". Se faz o milagre é porque, como ficou explicado acima,  para obedecer a um decreto do Pai, isto é, que nada negasse à Sua Mãe. Fala com calma e dignidade: "Enchei de água estas talhas até às bordas e levai-a ao mestre-sala". Jesus queria que seus milagres provassem a sua missão divina e contribuíssem para a estabelecer aos olhos dos homens. Para tanto Ele dá ao milagre de Caná todas as garantias e toda autenticidade de que é susceptível. Ele espera para que a necessidade seja bem constatada. Ele faz encher as talhas de água até às bordas, afim de que a água apareça aos olhares dos convivas; Ele ordena aos servidores que busquem a água e a levem ao mestre-sala. A este último, com efeito, é que pertence o direito de constatar oficialmente a qualidade do licor que o poder de Jesus tinha substituído à água das talhas, e atestar assim solenemente o milagre.

Caríssimos, o milagre de Caná figura o milagre mais retumbante e sobretudo mais cheio de amor que nos oferece a Eucaristia. Nela Jesus opera a mais maravilhosa mudança, pois transforma o pão e o vinho em seu Corpo e em seu Sangue, e isto sem que Ele visivelmente coloque a mão, mas pelo ministério de seus servidores e de seus padres.


Onipotente e eterno Deus, que governais igualmente o céu e a terra, com a vossa Providência, escutai, benigno, as súplicas de vosso povo, e concedei às famílias de  nossos tempos, a vossa paz; e que a indissolubilidade que estabelecestes para o sacramento do matrimônio não seja destruída pelos homens. Amém! 

2º DOMINGO DEPOIS DA EPIFANIA

   Leituras: Epístola de São Paulo aos Romanos, 12, 6-16; 
                   Evangelho segundo São João, 2, 1-11.

 
"Naquele tempo, celebraram-se umas bodas em Caná de Galileia, e achava-se ali a Mãe de Jesus. E também Jesus foi convidado, com seus discípulos, para as bodas. Faltando o vinho, a Mãe de Jesus disse-lhe: Eles não têm mais vinho. Respondeu-lhe Jesus: Senhora, que nos importa isso, a Mim e a ti? Ainda não chegou a minha hora. Disse sua Mãe aos servidores: Fazei tudo quanto Ele vos disser. Ora, havia ali seis talhas de pedra destinadas às purificações usadas entre os judeus, cada uma das quais comportando duas ou três medidas [cerca de 40 litros]. Disse-lhe Jesus: enchei de água estas talhas. E encheram-nas até às bordas. E Jesus disse-lhes: Tirai agora e levai ao mestre-sala. E levaram. Assim que o mestre-sala provou a água transformada em vinho, sem saber de onde era, embora o soubessem os serventes que haviam tirado a água, chamou o mestre-sala o esposo, e disse-lhe: Todo homem põe primeiro o bom vinho, e quando já se tem bebido, põe então o inferior; mas tu guardaste o bom vinho até agora. Este foi o primeiro dos milagres que Jesus fez em Caná de Galileia; e manifestou sua glória e seus discípulos creram n'Ele". 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Atual Caná da Galileia
   A Liturgia da Santa Madre Igreja começa a falar da vida pública de Nosso Senhor Jesus Cristo. É o primeiro milagre de Jesus, que se deu numas bodas em Caná, pequena aldeia que fica a cerca de 15 km de Nazaré.
   A primeira coisa que o Santo Evangelista ressalta é que nestas bodas se achavam presentes Maria Santíssima e seu divino Filho Jesus acompanhado de alguns discípulos.
   Jesus queria honrar com a sua presença o casamento, futuro sacramento, que purificará a fonte da vida e fundará a família cristã; e ensinar-nos que ele vem de Deus, é bom, digno de respeito e santo; e glorificá-lo com o seu primeiro milagre.
   Infelizmente, quantos cristãos, ou que se dizem tais, repelem a presença de Jesus, recusam a intervenção de Maria Santíssima, no ato aliás tão solene do casamento, e que tantas graças requer para completa felicidade da família! Todo casamento contraído fora da presença de Jesus, e sem a intervenção da sua Igreja, é não somente escandaloso e infeliz, mas ainda fonte perene de inúmeros pecados.

   Felizes os cristãos que têm o cuidado de convidar Jesus e Maria para as suas bodas, preparando-as e celebrando-as em santas disposições! Serão cumulados das graças e das bênçãos mais abundantes. Mas, ai! quantos consideram o matrimônio como um negócio inteiramente humano; quantas más intenções, imodéstias, quantos pecados lamentáveis que precedem, acompanham e seguem este ato tão importante da sua vida! É por isso que são tão poucos os casamentos verdadeiramente abençoados por Deus, e que uma maldição divina parece pesar sobre tantas famílias.
   Caríssimos e amados irmãos, consideremos agora Maria Santíssima nestas santas bodas de Caná da Galiléia. Mãe solícita,  percebe que o vinho vai faltar; e na sua bondade compassiva quer poupar aos esposos a vergonha e aos convivas a privação. Ela sabe que seu filho é o Filho de Deus, e assim cheia de fé, dirige-se a Jesus, cujo poder conhece. Expõe o embaraço iminente daqueles noivos e daquela pobre gente Àquele cuja bondade iguala o poder: "Eles não têm vinho". Palavra, ou antes prece misteriosa, cheia de eficácia sobre o Coração de Jesus, que, em atenção a sua Mãe, vai antecipar a hora dos seus milagres.
   Jesus entende que sua Mãe confia que Ele sendo o Messias, o Filho de Deus, pode fazer um milagre. E Jesus vai fazê-lo. Deixa claro, no entanto, que ainda não era a hora determinada pelo Seu Pai para dar início aos seus milagres. Disse isto para ressaltar o poder de intercessão de Sua Mãe Santíssima. Mas não havia dito no templo entre os doutores que Ele devia obedecer a Seu Pai, ocupando-se em fazer as coisas em obediência a Ele? Sim. Se Jesus antecipa a sua hora de começar a fazer milagres é porque o Seu Pai também determinou que Ele não negasse nada a Sua Mãe. Aqui, portanto, estava igualmente obedecendo ao Seu Pai. É da vontade de Deus que Jesus ceda sempre à intercessão de Maria Santíssima.
   Esta explicação se harmoniza, não somente com outras passagens similares da Escritura, mas ainda com o Espírito de São João, cujo fim era provar a Divindade de Jesus. Além disso o procedimento da Santíssima Virgem mandando aos servos que obedecessem a Jesus, não obstante sua resposta aparentemente negativa, confirma esta explicação que, aliás, só encontra oposição na má fé e ignorância de certos hereges.
   Que felicidade para os esposos de Caná o terem convidado Maria! Ela começa, então, em favor deles, aquele inefável mistério de intercessão, cujos resultados são tão proveitosos para nós, e que, de resto, é tão conforme ao plano divino, segundo a feliz expressão de São Bernardo: "Assim foi da vontade de Deus que tudo recebêssemos através de Maria Santíssima".
   Qual de nós hesitará, pois, em pôr sua confiança em Maria Santíssima e em implorá-la em todas as necessidades? Se ela intercedeu com tanta bondade por estes esposos, sem ter sido rogada, que não fará por aqueles seus filhos que recorrem a ela com tanta fé e amor?
   Ó Maria, boa e terna Mãe, vede a minha profunda miséria espiritual e dizei por mim a Jesus: "Ele não tem vinho", só tem a água da tibieza. Jesus que nada pode recusar-nos, fará em meu favor um novo milagre; dar-me-á graça e perdão, luz e força, mudará a minha água de tibieza no vinho delicioso da devoção e amor!
   Outro resultado deste primeiro milagre de Jesus foi fortalecer a fé nascente dos seus discípulos. Alguns, com efeito, já O seguiam mais ou menos, reconhecendo nele um profeta como João Batista. Mas, depois deste prodígio, consideraram-no como o Messias predito pelos Profetas; sentiram crescer a sua fé e ficaram mais bem dispostos para aceitar a doutrina de Jesus e pô-la em prática.
   Graças Vos dou, ó Jesus, por todas estas lições preciosas, que Vos dignastes dar-nos hoje. Ajudai-nos com a Vossa santa graça a aproveitá-las bem, a amar-Vos cada vez mais, e a viver unicamente para Vós. Amém!
  

domingo, 7 de janeiro de 2018

EXPLICAÇÃO DO EVANGELHO DO PRIMEIRO DOMINGO DEPOIS DA EPIFANIA


 SAGRADA FAMÍLIA

S. Lucas II, 42-52  (Para não me alongar demais, não transcrevo aqui o Evangelho).

"Tendo Jesus completado doze anos, subiu com seus pais a Jerusalém etc.: Todos os homens deviam apresentar-se no Templo, três vezes por ano, isto é, por ocasião da Páscoa, de Pentecostes e da festa dos Tabernáculos. As mulheres, ainda que não fossem obrigadas pela Lei, costumavam ir ao Templo por devoção, ao menos pela festa da Páscoa. Os filhos começavam a ser obrigados na idade dos doze anos, época em que se tornavam "filhos da Lei".

Assim, tendo atingido os doze anos, Jesus, para nos dar exemplo de submissão às prescrições divinas, foi a Jerusalém com seus pais. Enquanto Deus, Jesus não estava obrigado, mas submete-se com humildade, para edificação nossa, à observância da lei. Seguindo a vontade de Deus Pai, Jesus ia tornar célebre para sempre esta primeira Páscoa histórica da sua vida. Ia erguer uma ponta do véu que nos ocultava a sua sabedoria infinita e a sua divindade; ia, outrossim, santificar sua Mãe e S. José por uma provação de três dias; e finalmente, com sua obediência inefável e a sua vida de trabalho, ia pôr os fundamentos da sociedade e das famílias cristãs.

Eis o que disse o Papa Leão XIII ao instituir a festa da Sagrada Família neste domingo (1º depois da Epifania): "Os pais de família têm em S. José um modelo admirável de vigilância e solicitude paterna; as mães podem admirar na Virgem Santíssima um exemplo insigne de amor, de respeito e de submissão; os filhos têm em Jesus, submisso a seus pais, um exemplo divino de obediência; os nobres aprenderão, olhando para esta família de sangue real, a moderação na prosperidade e a dignidade nas aflições; os ricos aprenderão a ter mais em conta as virtudes do que as riquezas; os operários e todos os que sofrem, devido à sua condição pobre, terão motivo e ocasião de alegrar-se pela sua sorte em vez de entristecer-se, porque têm de comum com a Sagrada Família as fadigas e os cuidados da vida cotidiana".

Acabados os dias da festa, quando voltaram, ficou o Menino Jesus em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem etc. Geralmente os habitantes de um mesmo lugar iam em caravana composta de dois grupos: um de homens e outro de mulheres e quando saíam do Templo, faziam-no por duas portas diferentes.  Os meninos podiam ir em um ou em outro. Por isto pôde acontecer que, ao saírem de Jerusalém, não notassem que Jesus não estava no meio da caravana de Nazaré.  Mas, fazemos a mesma pergunta que sua Mãe Santíssima Lhe fez: Por que é que Jesus agiu desta maneira? É óbvio, Jesus procede assim, não por desobediência, mas para cumprir a vontade de seu Pai e cuidar dos seus interesses. Deus resolvera manifestar desde então seu Filho aos sacerdotes e doutores da lei.  Queria, outrossim, ensinar-nos a renunciar à carne e ao sangue, a pôr de lado a afeição dos pais, apesar das dores do sacrifício recíproco, desde que se trate de obedecer a Deus e de consagrar-se ao seu serviço.
Podemos também indagar o porquê da aflição de Maria Santíssima: afinal ela sabia que seu Filho era Deus, infinitamente sábio e todo poderoso. Todavia, esta ausência súbita e inesperada era para ela um mistério, cujo verdadeiro motivo não podia penetrar. Caríssimos, admiremos este secreto e maravilhoso proceder de Deus com Maria e José. Aflige-os, não para os punir, porque não são culpados de qualquer falta, mas porque os ama. Era como se lhes dissesse ainda com mais verdade do que o Arcanjo Rafael disse a Tobias: "Porque eras aceito a Deus, por isso foi necessário que a tribulação te provasse".

Quantas vezes, miseráveis pecadores como somos, perdemos a Jesus por nossa culpa, pelo pecado; ou então, por vezes, em castigo de alguma negligência ou infidelidade às graças, Jesus retira-se ou esconde-se. E quantos não sentem dor por isso e não procuram a Jesus. E por que não nos humilhamos profundamente, e não redobramos de devoção e de fervor para procurar a Jesus? Ó Maria Santíssima aumentai em mim a amor ao vosso divino Filho!

E aconteceu que, depois de três dias, encontraram-No no Templo, sentado entre os doutores, ouvindo-os e interrogando-os etc. Comumente os discípulos ficavam sentados em esteiras aos pés dos doutores que ficavam orgulhosamente em seus tronos. Mas, provavelmente, estupefatos e maravilhados da sabedoria e das respostas daquele menino, os doutores deram-Lhe a honra de se assentar no meio deles. Jesus, que é a fonte de toda a ciência, de toda a luz, assim nos ensina a humildade e a modéstia como diz S. Gregório: "O Menino Jesus é encontrado entre os doutores não ensinando". Interrogava também aos doutores, parecendo querer instruir-se a si mesmo, e também para nos ensinar a consultar a Igreja. S. Lucas não diz qual foi o assunto ali tratado. Mas declarará a sua Mãe que deve empregar-se nos negócios de seu Pai. Certamente falava do Messias, da época da sua vinda já que os doutores não aproveitaram das consultas bíblicas e da solução transmitida  por eles mesmos aos Reis Magos. Mostraram o verdadeiro caminho, mas eles mesmos não o seguiram. Agora Jesus mesmo antes de sua vida pública já quer mostrar-lhes que Ele é o Messias. Evidentemente, Jesus queria dispor os corações dos sacerdotes e dos doutores a desejarem e a receberem esse Messias cujo nascimento já sabiam e cuja sabedoria divina perceberam naquele Menino muito acima dos comuns dos homens. Caríssimos, tenhamos cuidado em utilizar melhor as graças de Deus.

Disse-Lhe sua Mãe: Filho, por que nos fizeste isto? Eis que teu pai e eu te procurávamos cheios de aflição". José e Maria ficaram admirados porque Jesus ainda não havia manifestado assim em público sua sabedoria. Mas José não fala. Maria, porém, com a autoridade e ternura de mãe é que fala. Admiramos o respeito e a deferência de Maria para com seu santo Esposo, nomeando-o em primeiro lugar e dando-lhe o título de pai de Jesus e de chefe da família. Na verdade, José, externa e legalmente era considerado como pai de Jesus Cristo.  A palavra da santíssima Mãe de Jesus não é de censura; é um grito do coração, todo cheio de confiança e de abandono, de humildade e de ternura; é uma espécie de queixa afetuosa sobre a longa ausência de Jesus, para exprimir a sua pena e a de José.
Respondeu-lhes Ele: Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?  É evidente que a resposta de Jesus não inclui censura, mas apenas admiração. Se Maria e José sabiam que Ele era o Messias, Filho de Deus, que veio ao mundo cumprir a vontade de seu Pai, era natural que O encontrassem no Templo, ocupado nas coisas referentes a Deus. Estas são as primeiras palavras de Jesus, conservadas nos evangelhos. Nelas manifesta diretamente sua divindade. Por elas dá a conhecer àqueles que O cercam no Templo, e a nós todos, o fim da sua missão sobre a terra, e ensina-nos que os interesses de Deus e o seu agrado devem estar acima de qualquer consideração humana. Algumas vezes Deus fala à alma dos filhos e os chama para si. Nesse caso os pais não devem opor-se à vocação celeste, nem têm o direito de fazê-lo.

E eles (Maria e José) não entenderam o que lhes disse: Porque, na verdade, ainda não sabiam que Jesus devia abandonar tudo, para cuidar unicamente da glória de seu Pai.

Desceu com eles e veio para Nazaré, e lhes era submisso. Sua Mãe conservava todas estas coisas em seu coração. Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça diante de Deus e diante dos homens: Sendo Deus, Jesus obedecia a seus pais. Que exemplo para os filhos! Por sua vez, Sua Mãe conservava todas estas coisas no coração, para meditá-las, e pautar por elas todos os atos da sua vida. Jesus crescia em sabedoria ... e em graça: Como Deus, possuía todos os conhecimentos e a plenitude da graça. Crescendo, ia aos poucos manifestando estes dons, o que causava aos homens a impressão de desenvolvimento progressivo. Enquanto homem, Jesus Cristo foi adquirindo conhecimentos experimentais do mundo que o cercava e neste sentido houve verdadeiro crescimento.


JESUS, MARIA E JOSÉ, SALVAI AS FAMÍLIAS! Amém!

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

PRIMEIRO DIA DO ANO

    Aos caríssimos leitores um Santo e Feliz Ano Novo!

   Na Santa Madre Igreja, no primeiro dia do ano, celebra-se o Mistério da Circuncisão do Menino Jesus.
    Em todo orbe, celebra-se o Dia Universal da Paz.
    A lei da Circuncisão não podia de modo algum atingir a Jesus, o Filho de Deus, o Santo por excelência; mas Jesus quer submeter-se a ela como o último dos filhos de Abraão, porque, como ensina S. Paulo, "Ele deveu em tudo ser semelhante a seus irmãos para expiar os pecados do povo" (Hebr. II, 17). Oito dias depois do Seu nascimento, Jesus inicia assim a Sua missão cruenta de Redentor; ainda não fala, o mundo ainda não O conhece e Ele derrama já o Seu Sangue pela salvação do mundo. Contemplando-O, aprendemos que as obras valem mais que as palavras, e que quanto mais sacrifício custam, tanto mais são prova de verdadeiro amor. Toda a obra, para ser fecunda, deve ter o seu batismo de sangue. As obras de Deus, só florescem e frutificam à sombra da árvore da Cruz.
    Comecemos o ano circuncidando os nossos corações. Ano novo, vida nova; vida nova porque, circundando nós o "homem velho" com os seus vícios e as suas paixões, crescerá em nós o "cristão"; criatura nova, purificada com o Sangue de Cristo, vivificada e alimentada com a Sua graça, de modo que não mais vivamos nós, mas que Cristo viva em nós. O ano que hoje começa só tem valor se, dia após dia, a graça triunfar cada vez mais em nós, fazendo crescer nas nossas almas a vida de Cristo.
    Outra lição da festa de hoje é a humilde submissão de Jesus à vontade de Seu Pai manifestada através da lei; vejamos nisto um convite a aderir docilmente à vontade de Deus, qualquer que ela seja. Nenhum de nós pode saber o que nos espera neste ano novo; mas Deus sabe. Disponhamo-nos a aceitar e abraçar com coragem e prontidão todo o querer divino, toda a permissão divina, certos de que só na santa e santificante vontade de Deus encontraremos a nossa paz e poderemos levá-la aos demais.
   "A paz, diz Santo Agostinho, é a tranquilidade da ordem. É necessário ter bem em mente que há uma ordem nas coisas, e que esta ordem tem de ser reconhecida e respeitada. Acima de tudo está Deus; um Deus pessoal, eterno, infinito nas Suas perfeições, pelo qual tudo foi criado e de quem tudo depende. Ele é o nosso Senhor, o nosso Legislador e Juiz e sobretudo o nosso Pai. Viemos de Deus, dependemos d'Ele e para Ele devemos voltar, a fim de vivermos a eternidade no Seu amor. A vida presente é uma viagem a terras longínquas, destinada a provocar a nostalgia do lar paterno, é uma peregrinação no tempo para nos fazer sentir a necessidade da eternidade, é a vida no contingente e no finito para despertar em nós a necessidade do absoluto e do infinito.
   O repúdio dos mandamentos de Deus e de toda a autoridade, a anarquia que verificamos e deploramos, tudo isto é conseqüência lógica da situação que se criou com a negação de Deus, a negação do espírito, a negação da lei divina e dos valores superiores e eternos.
    Negada a existência de Deus, perturbada a ordem imposta por Ele, tudo se perturba, tudo se arruína, ficando só agitação e a desordem, que do coração de cada um passam para a família, para a sociedade, para o mundo inteiro. "Sinto-me como um rato que ingeriu veneno - confessava Göethe numa das suas obras: - mete-se em todos os buracos, bebe todos os líquidos, devora tudo o que encontra no caminho, mas não consegue extinguir o fogo que o devora". Assim acontece com a sociedade moderna que ingeriu o veneno da incredulidade e do indiferentismo propinado há séculos. Não encontra descanso, nem terreno onde se sustente. Os seus ídolos caem uns atrás dos outros, os seus ideais desfazem-se miseravelmente.
   A vida é mal entendida e mal dirigida. Colocam-se os valores materiais acima dos valores do espírito, os negócios que dizem respeito ao tempo acima dos negócios que se referem à eternidade; trabalha-se incansavelmente pelas coisas que têm um valor limitado e relativo, com prejuízo das que têm valor infinito e absoluto. A atividade de uma grande parte dos homens dirige-se toda para a conquista dos prazeres fugazes. Estamos numa época de materialismo absorvente, mais prático que teórico, que conquistou largas camadas da sociedade.
   Mas alguns dizem: sempre foi assim! Na verdade, ninguém ignora que também no passado a humanidade teve os seus desregramentos e que passou por situações morais muito graves. Mas há uma grave diferença!
Outrora o homem apercebia-se das condições à que chegara, do mal que o afligia e isso dava-lhe a força necessária para se recompor. Hoje, pelo contrário, perdeu-se o sentido dos valores eternos, de tudo o que vai além da matéria, da lei gravada no íntimo do nosso espírito, perdeu-se a noção das responsabilidades. Podemos exclamar: Ó humanidade de outrora, quando pecavas, sentias remorsos e eras infeliz; ó humanidade moderna, pecas, ris e não sentes remorsos. És mais infeliz ainda! Pois, tens mais possibilidade de sê-lo eternamente!
    Constatamos com grande tristeza: são muitos aqueles que atraiçoam Deus e a Sua Lei, sem experimentarem vergonha ou remorso, sem recearem os castigos divinos. Quando muito, têm a paz do mundo; mas esta é enganosa.
   Caríssimos e amados leitores, terminemos com a ORAÇÃO DO PRIMEIRO DIA DO ANO:
   "Ó Deus eterno e onipotente, com a vossa graça damos princípio a este novo ano! Que será de nós no seu decurso? Passá-lo-emos santamente? Chegaremos até seu fim? Só vós o sabeis, Senhor. A nós só cumpre entregá-lo totalmente em vossas mãos, confiando unicamente na vossa misericórdia. Começamo-lo oferecendo-Vos as mais devotas e fervorosas homenagens do nosso coração, como as primícias deste novo ano.
   Nós Vos adoramos, Vos louvamos e Vos bendizemos, ó fonte de todo bem. Desejamos que sejais adorado, louvado e engrandecido por todas as criaturas. Consagramo-Vos o nosso corpo, a nossa alma, todos os nossos sentidos, todas as nossas faculdades e potências, e toda a nossa vida. Nós Vos oferecemos todos os nossos pensamentos, afetos, palavras e obras. Oh, quem nos dera passar este ano em perfeito holocausto à Vossa divina glória! Tais são nossos desejos. Mas, Senhor, Vós bem sabeis quão fracos e mesquinhos somos.
   Dignai-Vos, pois, derramar sobre nós a torrente de Vossas graças, para que, com elas fortificados, superemos os obstáculos, vençamos as dificuldades e só vivamos para a vossa honra e glória, e para a santificação de nossas almas, Virgem Santíssima, São José, anjo da nossa guarda, todos os santos e santas da corte do céu, intercedei por nós no decurso deste novo ano. Assim seja.
  

A CIRCUNCISÃO DO MENINO JESUS E PRIMEIRO DIA DO ANO

   Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo a Tito II, 11-15.
                   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas, II, 21:


 "Naquele tempo, depois que se completaram os oito dias para o Menino ser circuncidado, puseram-Lhe o nome de Jesus, como Lhe havia chamado o Anjo, antes que fosse concebido no seio materno".

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Circuncisão era uma cerimônia humilhante e dolorosa, ordenada por Deus a Abraão e aos seus descendentes, para constituir o selo da sua aliança com eles e um como sinal distintivo de um povo eleito. Diz assim o Livro do Gêneses no capítulo XVII, 9-12: "Disse mais Deus a Abraão: Tu. pois, guardarás a minha aliança, tu e os teus descendentes depois de ti, nas suas gerações. Eis o meu pacto, que haveis de guardar entre mim e vós, e a tua posteridade depois de ti: Todos os homens entre vós serão circuncidados; circundareis a carne do vosso prepúcio, para que seja o sinal da aliança entre mim e vós. O menino de oito dias será circuncidado entre vós, todos os homens nas vossas gerações...".
   Prescrita na época em que todos os povos se entregavam ao pecados da impureza e da idolatria, a circuncisão era: 1º - um símbolo de consagração a Deus e um ato de reconhecimento da sua soberania; 2º - um sinal do pecado, e ao mesmo tempo uma espécie de tributo ou satisfação para expiá-lo; 3º - um testemunho perpétuo da maldição das gerações humanas, e da necessidade de cortar o que pelas paixões sensuais  o pecado introduzir;  4º - enfim, um símbolo de fé e de esperança no Messias prometido, que havia de vir a resgatar o homem da escravatura do pecado, e a santificar a natureza humana. 
   A circuncisão não podia por si mesma perdoar o pecado: significava somente a fé. Diz Santo Tomás: "Na circuncisão se conferia a graça enquanto era sinal da paixão futura". Era uma figura do Batismo. Impunha-se um nome à criança, em recordação da mudança de nome que Deus prescreveu a Abraão, ordenando-lhe a circuncisão (Conf. Gêneses, XXVII, 5). 

   Mas, que faz Jesus Cristo no mistério da Circuncisão? Humilha-se, padece, salva, e recebe o nome de Jesus. 
   1- HUMILHA-SE: Divindade, santidade, geração inefável e eterna de seu Pai, geração milagrosa no seio virginal de Maria Santíssima: todos estes títulos isentavam o Salvador da circuncisão, e pareciam proibir-Lhe que se sujeitasse a ela, e, contudo, sujeita-se. O que tornava esta lei infinitamente humilhante para o Homem-Deus, é que ela supunha o pecado naquele que era circuncidado. O pecado e a santidade, o pecado e a divindade, que coisas mais incompatíveis? Mas o Filho de Deus fez-se homem para nos salvar do pecado. Quer repará-lo de um modo superabundante; por conseguinte é necessário que ele se revista, que sofra a vergonha que lhe está anexa. Desde então desparecem todas as suas grandezas; já não Lhe é permitido valer-se dos direitos de sua santidade e divindade, nem opor à lei as preeminências da sua origem. 
   Jesus tomou sobre Si todos os pecados da Humanidade. Diz São Paulo: "Aquele que não tinha conhecimento do pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nos tornássemos nele justiça de Deus" (II Cor. V, 21).  É, já na circuncisão que se realiza este prodígio de humildade.

   2- SOFRE: Desde o primeiro momento de sua conceição, e durante todo o tempo que passara no seio de Maria Santíssima, Jesus não cessava de se oferecer a seu Pai, como Cordeiro que havia de tirar os pecados do mundo. Era a oblação do sacrifício; mas, agora vai começar a imolação. É cortada sua carne inocente, e seu sangue corre. Ei-lo já sacerdote e vítima; derramando seu próprio sangue entra no santuário. "O pouco sangue que derrama hoje, diz Bossuet, promete a Deus o restante". 
   Sua circuncisão é o prelúdio e a aceitação solene de sua morte na Cruz. É como se ouvíssemos o Menino Jesus dizendo: Meu Pai, tendes agora em quem vingar a vossa glória ofendida; feri o Vosso Filho, mas poupai os homens!

   3- SALVA: A quem? A todos os filhos de Adão, se quiserem, visto que Ele vem oferecer a todos abundantes meios de santificação e salvação. Salva-nos dos nossos pecados, porque os expia; das nossas desobediências, com sua sujeição às leis que não Lhe dizem respeito; da nossa soberba, com as maiores humilhações, descendo tanto, quanto um Homem-Deus pode descer, até à semelhança do pecado; dos nossos prazeres sensuais, padecendo em tão tenra idade. 

   4- RECEBE O NOME DE JESUS:  Nome de paz e de amor, de conquista e de triunfo; nome poderoso que dissipa os receios, reanima as esperanças, acalma as tempestades da alma, suspende os esforços do demônio. O primeiro, o mais nobre, o mais suave, o mais amável de todos os nomes. Como diz São Bernardo: "O nome de Jesus é mel para os lábios, é melodia para os ouvidos e é júbilo para o coração". 

   
   Caríssimos e amados leitores! De coração, desejo a todos um 2018 santo e feliz, com graças abundantes e escolhidas de Nosso Senhor Jesus Cristo através de Sua Mãe Santíssima. Permitam-me um só conselho deste sacerdote amigo: Como única resolução para este ano: REZAR MELHOR, pedindo a pureza e  o amor para sofrer pela Fé. Rezar o melhor possível o Santo Terço tão recomendado por Nossa Senhora em Fátima! Este foi o conselho que dei no ano passado; neste acrescento: Procurar praticar mais o caridade para com o próximo: esmolas, visitar os doentes, consolar os aflitos etc.  

 ORAÇÃO DO PRIMEIRO DIA DO ANO

   "Ó Deus eterno e onipotente, com a Vossa graça damos princípio a este novo ano! Que será de nós no seu decurso? Passá-lo-emos santamente? Chegaremos até seu fim? Só Vós o sabeis, Senhor. A nós só cumpre entregá-lo totalmente em Vossas mãos, confiando unicamente na Vossa misericórdia. Começamo-lo oferecendo-vos as mais devotas e fervorosas homenagens do nosso coração, como as primícias deste novo ano.
  Nós Vos adoramos, Vos louvamos e Vos bendizemos, ó fonte de todo bem. Desejamos que sejais adorado, louvado e engrandecido por todas as criaturas. Consagramo- Vos o nosso corpo, a nossa alma, todos os nossos sentidos, todas as nossas faculdades e potências, e toda a nossa vida. Nós Vos oferecemos todos os nossos pensamentos, afetos, palavras e obras. Oh! quem nos dera passar este ano em perfeito holocausto à Vossa divina glória! Tais são nossos desejos. Mas, Senhor, Vós bem sabeis quão fracos e mesquinhos somos.
   Dignai-Vos, pois, derramar sobre nós a torrente de Vossas graças, para que, com elas fortificados, superemos os  obstáculos, vençamos as dificuldades e só vivamos para a Vossa honra e glória, e para a santificação de nossas almas. Virgem Santíssima, São José, anjo da nossa guarda, todos os santos e santas da corte do céu, intercedei por nós no decurso deste novo ano. Assim seja!

domingo, 31 de dezembro de 2017

DOMINGO DENTRO DA OITAVA DO NATAL

HOMILIA DOMINICAL COM EXPLICAÇÃO DO SANTO EVANGELHO

Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Gal. 4, 1-7.
                Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas, 2, 33-40:

   "Naquele tempo, José e Maria, Mãe de Jesus, maravilhavam-se das coisas que se diziam d'Ele. E Simeão abençoou-os, e disse a Maria, Sua Mãe: Eis que este menino está posto para ruína e ressurreição de muitos em Israel, e em sinal de contradição. E uma espada transpassará a tua alma, para que se manifestem os pensamentos dos corações de muitos. E estava também ali Ana, profetisa, filha de Fanuel, da tribo de Aser, a qual já era de idade avançada; e depois de sua virgindade tinha vivido sete anos com seu marido. E agora, sendo viúva de quase oitenta e quatro anos, não se afastava do templo, servindo a Deus com jejuns e orações, de dia e de noite. Tendo ela chegado àquela mesma hora, louvava ao Senhor e falava do Menino a todos os que esperavam a redenção de Israel. E quando cumpriram todas as coisas segundo a lei do Senhor, voltaram [José e Maria] para Galileia, para a cidade de Nazaré. E o menino crescia e se fortalecia, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com Ele."

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Depois que o santo velho Simeão satisfez a sua devoção, publicando o glorioso destino do Menino que tinha nos braços, entregou-O à sua Mãe Santíssima, e fez uma profecia sobre Jesus que seria já a ponta daquela espada de dor que transpassaria inteiramente o coração de Nossa Senhora lá no alto do Calvário: "Eis que este menino está posto para ruína e ressurreição de muitos em Israel, e em sinal de contradição."  Que aflição lhe causariam estas palavras do profeta! É a Maria diretamente, é ao seu coração de mãe que Simeão as dirige: "Disse a Maria, Sua Mãe". É como se dissesse: "Este Filho que vos é tão caro; este Deus, feito homem para salvar a todos os homens: ai! não os salvará a todos; será para muitos objeto de escândalo; oh! para quantos será ocasião de ruínas! O Salvador das almas será ocasião de perdição de almas, não de algumas somente, mas de um grande número, multorum (de muitos)! Triste mistério da perversidade humana! E isto já fora profetizado: "... E será para vós um motivo de santificação, ao passo que servirá de pedra de tropeço, e de pedra de escândalo às duas casas de Israel; de laço e de ruína aos habitantes de Jerusalém. Tropeçarão muitos de entre eles, cairão, serão feitos em pedaços" (Isaías, VIII, 14 e 15).
   São Paulo mostrava este oráculo já cumprido no seu tempo; e nos nossos dias não o está menos: "Mas Israel, que seguia a lei da justiça, não chegou à lei da justiça. Por que causa? Porque procurou atingi-la não pela fé, mas pelas obras; tropeçaram na pedra de tropeço, conforme está escrito: eis que eu ponho em Sião uma pedra de tropeço, e uma pedra de escândalo; e todo aquele que crê nela, não será confundido". São Paulo aqui quer dizer o seguinte: Israel não chegou a praticar a Lei, porque não compreendeu o seu espírito, mas somente a letra; nem chegou à justiça à qual a Lei tendia, porque não praticou a Lei pela fé em Nosso Senhor Jesus Cristo que haveria de vir, mas, acreditando que alcançaria a salvação graças ao esforço pessoal em praticar a Lei.
   Os judeus não quiseram receber o Messias: "E os seus não o receberam' (S. Jo. I, 11).  Recusando a luz e rejeitando a salvação, tornaram-se mais culpados e desgraçados pelo abuso que fizeram dos meios de salvação que lhes eram oferecidos. É portanto verdade que Jesus Cristo tem sido ocasião de ruína: mas para quem? Para cegos voluntários, para homens ingratos e invejosos, para escribas e fariseus, que se obstinavam em ser maus, porque Ele era bom, e não podiam perdoar-Lhe os seus milagres, os seus benefícios, a sua virtude, e a afeição do povo que essa virtude Lhe granjeava. Aqueles a quem a infinita misericórdia não justifica, a esses condena-os.

   "Será alvo de contradição!" Estas palavras são a explicação das precedentes. Por que não salva o Redentor dos homens a todos aqueles a quem oferece a salvação? Por que não eleva todas as almas justas ao grau de santidade e glória que lhes destinava? PORQUE É OBJETO DE CONTRADIÇÃO. Foi-o durante a sua vida, de todas as maneiras e da parte de todos; é-o ainda hoje. Os seus milagres, a sua doutrina, a sua condescendência e afabilidade: tudo n'Ele foi e é atacado e combatido. Que horrível contradição não sofreu no Calvário da parte dos pecadores! "Considerai, pois, Aquele que sofreu tal contradição dos pecadores contra si, e não vos deixeis cair no desânimo" (Hebr. XII, 3). Mas esses não O conheciam: "Se a (Sabedoria de Deus) tivessem conhecido, nunca teriam crucificado o Senhor da Glória" (1 Cor. II, 8). Jesus pôde dizer a seu Pai: "Perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem". Mas, que doloroso é para o seu coração, ver-se contradito por aqueles que Ele tinha instruído com tanto cuidado, e a quem tinha confiado a instrução de seus irmãos! Amar os elogios, rejeitar as humilhações, buscar as comodidades, não querer negar-se a si mesmo, nem tomar a sua cruz, é contradizer a Jesus Cristo, é combatê-Lo. E não é isto Senhor, o que eu faço muitas vezes? Minhas palavras são por Vós; mas a minha vida é contra Vós; o meu modo de proceder está em contradição com as vossas máximas e exemplos. Se, portanto, não me ponho de acordo convosco, enquanto estou no caminho desta vida, que acharei no termo da viagem, senão uma terrível sentença, uma rigorosa condenação? Meu Deus, suplico-Vos que extirpeis do meu coração tudo, absolutamente tudo quanto se opõe à Vossa santíssima vontade.
   Ó Maria Santíssima, que lágrimas derramastes, que angústias sofrestes por nossa causa! Apesar de nossos crimes, amais-nos sempre. Sede junto do Vosso Filho, a nossa poderosa advogada e Mãe. Alcançai-nos que não aflijamos mais o Seu divino Coração, mas sim, como vós, o sigamos com fidelidade até aos pés dessa Cruz que hoje se vos apresenta. Amém!


HOMILIA DO DOMINGO NA OITAVA DO NATAL - Com explicação da Epístola

   Leituras: da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Gálatas IV, 1-7.
   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas II, 33-40.

  
EXPLICAÇÃO DA EPÍSTOLA DA MISSA DO DOMINGO NA OITAVA DO NATAL

   Irmãos: Enquanto o herdeiro é menino, em nada difere do servo, ainda que de tudo seja senhor; mas está sujeito a tutores e procuradores até o tempo determinado pelo pai. Assim também nós, quando éramos meninos, éramos sujeitos às leis do mundo. Quando, porém, se cumpriu a plenitude do tempo, enviou Deus o seu Filho, nascido de uma mulher, sujeito à lei, a fim de remir os que à lei estavam sujeitos e para que recebêssemos a adoção de filhos. E porque sois filhos, enviou Deus a vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Abba, Pai. Portanto, já nenhuma de vós é servo, mas filho; e se é filho, é também herdeiro por Deus. 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Em primeiro lugar darei uma explicação geral desta Epístola que acabamos de ler. Assim queria dizer o Apóstolo São Paulo: Meus irmãos, até quando o herdeiro for menino, não há diferença alguma entre ele e um servo. Pois, ainda que seja dono de todo o patrimônio, ainda assim, até quando não chegar a maior idade ou ao tempo marcado pelo pai, não pode dispor do que possui, sendo pelo contrário governado pelos seus tutores e administradores. Assim também, nós, os judeus, durante todo o tempo em que vivíamos sob a Lei Antiga éramos como crianças e, portanto, submissos servilmente a todas as exigências materiais que constituem o cerimonial da Lei Mosaica. Mas quando chegou o tempo estabelecido por Deus, nosso Pai, para a nossa emancipação, Ele enviou ao mundo seu Filho, formado no seio puríssimo da Virgem Maria, a fim de que, livrando-nos dos grilhões da lei, fôssemos adotados como filhos. E pois que somos filhos de Deus, enviou aos nossos corações o Divino Espírito Santo, que é o Espírito do Unigênito do Pai, infundindo-nos o amor filial que nos faz clamar a Deus com esse grito: Pai, meu Pai! Portanto, não somos mais servos e sim filhos e, como tais, herdeiros das promessas outrora feitas a Abraão. 

   As várias etapas que precederam a vinda do Messias vêm constituir no dizer de São Paulo a época da minoridade, em que o gênero humano possuindo embora o grande tesouro das promessas, delas ainda não podia usufruir. Por Nosso Senhor Jesus emancipados da lei antiga que nos fazia escravos, por Ele entramos na plena posse da nossa herança, que nos faz, doravante, filhos de Deus. Assim, não somos mais escravos e sim filhos, e, como tais, herdeiros do reino dos céus. 

   Caríssimos, nisto está toda a nossa dignidade: Somos filhos de Deus! 
   A uma filha de um rei de França que repreendia asperamente uma sua criada, , dizendo-lhe: "Eu sou filha de um rei", retrucava-lhe a criada: "E, eu sou filha de Deus!" 

   Caríssimos, embora, demore um pouco mais, vale a pena meditarmos sobre esta filiação divina que Jesus nos mereceu. Na verdade, se quisermos apreciar pela sua justa medida o valor da graça, é mister vermos o que fizeram as três Pessoas Divinas para no-la comunicar. O Pai tem apenas um Filho, que é a sua imagem viva e substancial, um Filho que Ele ama como a si mesmo. Ora, este Filho, Ele entrega-O, encarna-O, sacrifica-O para nos dar a vida da graça, que tínhamos perdido pelo pecado de Adão. "De tal modo Deus amou o mundo, que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele acredita não morra, mas tenha a vida eterna" (S. João III, 16). O Filho era completamente feliz no seio do Pai; amado por Ele com um amor infinito e amando-O com um amor recíproco, não tinha nenhuma necessidade de nós. E, no entanto, por amor do Pai, como por amor de nós, consente em fazer-se homem para nos divinizar, consente em abraçar as nossas necessidades e dores, em sofrer e morrer por nós numa cruz, para nos ser restituída a vida que perdêramos em Adão. "Cristo amou-nos e entregou-se por nós em oblação e sacrifício de suave odor" (Efésios V, 2), a fim de que purificados pela virtude do seu sangue e do seu amor, vivêssemos da sua vida. O Espírito Santo, laço de amor entre o Pai e o Filho, igual aos dois, gozando da mesma felicidade que Eles, não tinha, certamente, necessidade do nosso amor. E, apesar disso, para nos santificar, aplicando-nos os méritos do Filho, desce ao nosso pobre coração, expulsa de lá o pecado, adorna-o da graça e das virtudes e dá-se-nos Ele próprio, para que gozemos da sua presença e dos seus dons, na expectativa da eterna posse de Deus: "O amor de Deus", diz-nos São Paulo, " foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi dado" (Romanos, V, 5).

   Caríssimos, terminemos com a exortação de São Leão Magno: "Reconhece, cristão, a tua dignidade e, visto que és participante da natureza divina, não voltes, por uma conduta desregrada, à tua antiga baixeza. Lembra-te de que corpo és membro e quem é o teu chefe. Lembra-te de como foste arrancado ao poder das trevas e transportado para o reino da luz, como o santo batismo te consagrou templo do Espírito Santo". Amém!.