SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

domingo, 24 de dezembro de 2017

HOMILIA DOMINICAL - 4º DOMINGO DO ADVENTO

   Leituras: 1ª Epístola de S.Paulo Apóstolo aos Coríntios, 4, 1-5; Evangelho segundo S.Lucas, 3, 1-16.

  "Sic nos amantem quis non redamaret?"
"Amor com amor se paga!"

   Caríssimos e amados fiéis em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   "Amor com amor se paga!" Eis o lema que fez os santos, que estimulou uma multidão de almas a uma maior generosidade.
    Caríssimos, preparemo-nos para o Santo Natal com este amor e nele permaneçamos fiéis. "O que se requer dos dispenseiros, diz S. Paulo na Epístola, é que eles sejam encontrados fiéis".
   Da parte de Nosso Senhor, o seu amor por nós é eterno e infinito. A Encarnação do Verbo é a maior prova deste amor infinito pelos homens: "Eu, diz Deus pelo profeta Jeremias, amei-te com um amor eterno, por isso, compadecido de ti, te atraí a mim". Na verdade, Deus amou o homem desde toda a eternidade e para o atrair a Si não hesitou enviar-lhe o "Seu Filho em carne semelhante à do pecado" (Rom. VIII, 3). Vamos ao encontro deste Amor que está prestes a aparecer, "encarnado", no doce Menino Jesus! Vamos a Ele com o coração vazio de nós mesmos pela penitência, para que o próprio Jesus o encha de Si.
   "Preparai o caminho do Senhor, prega S. João Batista no deserto por ordem de Deus, endireitai as suas veredas; todo vale se encherá, e todo monte e colina serão abaixados; os caminhos tortuosos tornar-se-ão retos e os ásperos, planos; e toda carne, isto é, todo o homem verá o Salvador enviado por Deus".
   Quando se quer receber triunfalmente um grande rei, preparam-se os caminhos por onde ele deve passar, endireitando-os, refazendo-os, nivelando os acidentes do terreno, aplanando-os. Ora, todas estas figuras, todas estas imagens alegóricas significam o trabalho e os efeitos da penitência, que deve preparar as almas a fim de receberem o Messias. Todo vale será cheio: isto quer dizer que toda a vida estéril, tíbia e inútil será resgatada pela prática da virtude, e dará uma rica messe de méritos segundo aquilo das Escrituras no Salmo 64, 14: "...os vales estarão cheios de trigo"; todo coração verdadeiramente contrito e humilhado será repleto de graças e de bens espirituais, e encher-se-á de boas obras. - Todo monte e colina serão abaixados: isto é, os espíritos soberbos, os orgulhosos e ambiciosos deverão ser rebaixados e humilhados, porque o Deus que vai descer até à nossa miséria e ao nosso nada, resiste aos soberbos e dá, porém, a sua graça aos humildes. Até aqui as paixões tirânicas entorpeceram todas as almas, e tornaram difícil o caminho da virtude e da santidade. Mas eis que um Deus feito homem vem expiar o pecado na sua carne, e desde então todo o caminho será aplanado; todo aquele que quiser avançar na perfeição, não mais encontrará vale ou colina que lhe ponha obstáculos.
   Os caminhos tortuosos tornar-se-ão retos: Quer dizer que os corações que tenham sido entortados pela injustiça, pela dissimulação, pela mentira e por toda a espécie de vícios, serão endireitados pela conformidade com as regras da justiça, da verdade, da sinceridade e da pureza.
   Os caminhos ásperos e desiguais tornar-se-ão planos: isto é, as almas violentas e duras, que se deixam levar da ira, do rancor, da vingança, voltarão à doçura, à mansidão e à caridade por influência da graça de Deus; pelo exemplo do doce Menino Jesus. "Apareceu na terra a bondade e doçura de Deus, Nosso Salvador."
    Portanto, caríssimos e amados fiéis, é necessário que uma penitência sincera e generosa mortifique todas as paixões, destrua todos os vícios, tudo o que é feito do pecado, a fim de que todo o homem possa colher os frutos da salvação que o Messias traz ao mundo: "E todo homem verá o Salvador enviado por Deus".Quer dizer, todo o homem assim preparado pela penitência verá o Salvador, e participará dos seus méritos e da sua glória.
   Caríssimos, limpemos o nosso coração de tudo o que é indigno de Jesus, de tudo o que poderia desagradar-Lhe e contristá-Lo. Esforcemo-nos por viver de uma maneira digna de Jesus.
    Quantos comungam, e todavia não sentem Jesus, não recebem os frutos de salvação e de santidade que Ele traz consigo! Um protestante estava se convertendo, mas me expôs sua última dúvida: "Tenho visto católicos comungarem e não melhoram, e não se santificam. Se a Hóstia consagrada é Jesus, não posso entender que alguém receba Jesus e não melhore. Tenho dúvida se a Hóstia é realmente Jesus. Respondi-lhe: Infelizmente a preparação para a comunhão deixa a desejar em muitos. A própria maneira de muitos comungarem, lhes vai tirando imperceptivelmente a fé. E sem a fé, não podem agradar a Deus. Não trabalham na sua conversão, na correção dos seus defeitos, não se importam da recomendação de Isaías e da santa Igreja: Preparai o caminho para o Senhor, isto é, preparai os vossos corações... É a mesma explicação porque muitos não receberam a Jesus quando esteve entre os homens. Não aproveitaram a pregação do Precursor.
   Os ladrões Amalecitas tinham vindo pilhar  nos campos do povo de Israel. Mas, no tumulto da fuga, um pobre escravo, abandonado por seu amo porque estava doente, ficara estendido na terra nua, a morrer de febre e de prostração.
   E eis que passaram por ali os soldados do rei Davi, e viram-no estirado no campo como um morto. Levaram-no ao rei, o qual teve compaixão dele e ordenou lhe dessem pão para comer e água para beber, e uma porção de figos e alguns cachos de uvas.
   Pouco a pouco o infeliz escravo voltou a si e restaurou-se. "Não mais escravo, porém livre serás. Na guerra combaterás a meu lado como valoroso, e na paz viverás honrado com muitas recompensas". Assim lhe falou o rei Davi, e conduziu-o consigo a fazer grande matança de inimigos".
   Caríssimos e amados fiéis, o escravo Amalecita é um símbolo da nossa alma. Ela tem servido, quem sabe? o demônio, depredador e assassino dos corações, e, cansada e febricitante por causa dos pecados e dos afetos mundanos, tem ficado a definhar na estrada da vida. Mas eis que já vem o nosso rei Jesus: vem com o seu santo Natal.
   Ó Jesus, Salvador! Sede compassivo conosco. Restaurai-nos com o vosso alimento e com a vossa bebida, aquecei-nos com o hálito do vosso amor. Depois levai-nos sempre a Vosso lado: na guerra contra o demônio, a carne e o mundo. Na paz da vossa graça nesta vida e depois na Glória da outra, na Pátria do repouso eterno. Amém!

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

SÃO FRANCISCO DE ASSIS E A CARIDADE

   A alegria de São Francisco de Assis, que era, no fundo, o fruto e a consequência do seu extraordinário amor a Deus, recaiu sobre os homens sob a forma de uma incomparável caridade.
   Afirma Tomás de Celano: "Quero, dizia ele (Frei Francisco) - que os meus Irmãos mostrem ser filhos da mesma mãe, e que, se um deles pedir uma túnica, uma corda ou outro qualquer objeto, outro lho dê logo generosamente; que emprestem livros uns aos outros e tudo o que possa ser agradável, obrigando-os mesmo a aceitá-los..." . "Que os Irmãos, por caridade espiritual, se sirvam voluntariamente uns aos outros e uns aos outros se obedeçam mutuamente... Que se amem uns aos outros , como diz o Senhor: "O meu mandamento é que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei"... "Que nenhum Irmão diga ou faça mal a um outro... E que todos os Irmãos evitem caluniar quem quer que seja e andar em rixas e disputas, mas que antes cuidem de guardar silêncio, tanto quanto lho conceder a graça de Deus. Que não discutam com os outros, mas se esforcem em responder humildemente, dizendo:'Somos servos inúteis'.
   Diz Tomás Celano, I, n. 17: "Como ele (Frei Francisco) era belo, esplêndido, glorioso, na simplicidade das suas palavras, na sua caridade fraternal, no seu comércio agradável [in concordio obsequio], no seu aspecto angélico! De costumes suaves e natureza pacífica, mostrava-se doce nas suas palavras, benevolente nas exortações, sabia guardar fielmente um segredo, era previdente no conselho, gracioso em todas as coisas. Tinha o espirito sereno, a alma doce... era severo para consigo mesmo, indulgente para com os outros, sempre cheio de discernimento". É bom sabermos que Tomás Celano conviveu com São Francisco. 

   Logo antes da redação da Regra definitiva, escreveu Frei Francisco a um Ministro: "Eis o sinal que me fará conhecer se amas o Senhor e a mim, seu servo e teu: é que nenhum Irmão do mundo, que houver pecado, por culpado que seja, saia da tua presença sem haver obtido misericórdia, se tal implorar. E, se ele não implorar misericórdia, vai tu perguntar-lhe se não a quer aceitar. E se, depois, ele se apresentar mil outras vezes diante de ti (para o mesmo fim), ama-o mais que a mim, a fim de o conquistares para o Senhor. E  de tais tem sempre piedade". 

   São Francisco, no entanto, exigia ainda mais do que isto. "A caridade franciscana, como um sol benfazejo, espalhou seus raios pelo mundo inteiro. Francisco considerava todos os homens seus irmãos e suas irmãs. Inclinava-se humildemente para todos, tratava-os como amigos íntimos, e era solícito para cada um deles ".(Bernardo de Bessa: Liber de laudibus, c. 3). Quase sempre, quando recomenda a seus discípulos que pratiquem a caridade uns para com os outros, também os exorta a amarem os homens como a irmãos, sem examinar se estes últimos se mostram favoráveis às ideias franciscanas, ou se se conservam filhos do século, no sentido absoluto da palavra. O seráfico Pai proibia-os severamente de julgarem ou desprezarem os que vivem nos prazeres e envergam suntuosas vestes. "Deus - dizia ele - é seu Senhor, como o é também dos pobres, e pode chamá-los e santificá-los". Ordenava-lhes mesmo que respeitassem os ricos como irmãos e senhores: irmãos diante do Criador; senhores porque provêm às necessidades dos filhos de Deus e ajudam-nos assim a levar a sua vida penitente" (Cf. Tres Socii, n. 58).  (Destaques meus, endereçados aos que pregam luta de classes).

   Quando manda os seus primeiros discípulos pelo mundo afora, o santo Fundador fala-lhes deste modo: "Ide, meus bem-amados; parti dois a dois, para as diferentes regiões do universo, e pregai aos homens a paz e a penitência para remissão dos pecados. Sede pacientes na tribulação e ficai certos de que Deus realizará os seus desígnios e cumprirá a sua promessa. Se vos interrogarem, respondei humildemente; abençoai os que vos perseguirem; dai graças aos que vos cobrirem de injúrias e vos caluniarem, pois, em troca dessas tribulações, o reino eterno vos aguarda". (Tomás Celano, I, n. 29). "Atentemos todos, meus Irmãos, nestas palavras do Senhor: "Amai os vossos inimigos e fazei o bem àqueles que vos odeiam", pois Nosso Senhor Jesus Cristo, de quem devemos seguir o exemplo, deu a um traidor o título de amigo e entregou-se espontaneamente aos seus algozes. Nossos amigos são, pois, todos aqueles que injustamente nos causam pesares e aflições, humilhações, injúrias, dores, tormentos, o martírio e a morte. Cordialmente os devemos amar, pois o que eles nos fazem alcança-nos a vida eterna" (Regula I.c. 14, 16 22; cf. Tres Socii n. 38 e 41). 

   Caríssimos e amados leitores, poderíamos escrever ainda muito mais sobre a caridade de São Francisco de Assis, mas para quem tem boa vontade não será difícil ver em que consiste a verdadeira caridade franciscana, que é afinal a caridade praticada e ensinada pelo Divino Mestre, Nosso Senhor Jesus Cristo. 

domingo, 17 de dezembro de 2017

EXPLICAÇÃO DO EVANGELHO DO 3º DOMINGO DO ADVENTO


S. João I, 19-28

19. Eis o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas a perguntar-lhe: Quem és tu? 20. Ele confessou a verdade e não a negou; e confessou: Eu não sou o Cristo. 21. Eles perguntaram-lhe: Quem és pois? És tu Elias? Ele respondeu: Não sou. És tu o profeta? Respondeu: Não sou. 22. Disseram-lhe então: Quem és, pois, para que possamos dar resposta aos que nos enviaram? Que dizes de ti mesmo? 23. Disse-lhes ele: "Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor", como disse o profeta Isaías. 24. Os que tinham sido enviados eram fariseus. 25. Interrogaram-no, dizendo: Como batizas, pois, se não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta? 26. João respondeu-lhes dizendo: Eu batizo em água, mas no meio de vós está quem vós não conheceis. 27. Este é o que há de vir depois de mim, ao qual eu não sou digno de desatar a correia das sandálias. 28. Estas coisas passaram-se em Betânia, do lado de além do Jordão, onde João estava batizando.

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Neste domingo, o santo Evangelho mostra-nos o Precursor novamente dando testemunho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Quão humilde e desinteressado este testemunho! Os Sacerdotes, os Levitas, enviados de Jerusalém, a cidade santa, vêm  oferecer a João o título de Cristo, de Messias, e colocar aos seus pés as homenagens que este título reclama. O próprio Espírito Santo inspira a S. João Evangelista a frisar enfaticamente a confissão  do Precursor, deixando bem clara a retidão deste homem extraordinário: CONFESSOU A VERDADE E NÃO A NEGOU; E CONFESSOU: EU NÃO SOU O CRISTO.   Quantos hoje, seguramente com menos méritos e virtudes que João Batista, aceitam prazerosamente títulos análogos, ou até a si mesmos os atribuem!  Procuram atrair o povo não para Jesus pela santidade de vida; mas pela popularidade torna os fiéis seus fanáticos seguidores. Isto é uma rapina no Templo. Isto é trair a Jesus Cristo, porque para ser popular não se prega o que o Divino Mestre pregou, mas novidades ao sabor do mundo.  São precursores sim, mas do Anti-Cristo.

João Batista não é nem o Cristo, nem Elias, nem um profeta; ele é senão uma voz que clama no deserto. Sim, mas esta voz tão humilde, tão modesta se fez ouvir no mundo todo e ela aqui ainda ressoa e ressoará até o fim do mundo, enquanto que a voz destes falsos profetas modernos, desses pregadores de novidades e pretensas surpresas divinas, a voz, digo, destes soberbos "libertadores" está prestes a morrer, porque Jesus Cristo sempre vence, reina e impera. Cristo é sempre o mesmo e Seus verdadeiros profetas não pregam novidades ao sabor do mundo, mas sempre a Tradição, procurando levar as almas a Jesus e Jesus às almas.

No início de seu Evangelho, S. João Apóstolo, diz: "Estava no mundo (o Verbo Encarnado) e o mundo fora feito por Ele, e o mundo não o conheceu". E S. João Batista diz: "No meio de vós está quem vós não conheceis". Na verdade Jesus Cristo já estava há 30 anos entre o povo e este não o conhecia e não o recebia como o Messias, Ele, "glória como de Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade" (S. João I, 14). É uma coisa surpreendente! Mas, caríssimos, não é igualmente incompreensível que Jesus seja hoje também inteiramente desconhecido por muitos? Há vinte séculos, com efeito, que Jesus Cristo está no mundo, o mundo foi feito por Ele, o mundo com suas luzes, com suas grandezas, suas glórias, sua civilização. Tudo o que neste mundo há de santo, de bom, de nobre é obra de Jesus Cristo, é obra de seu sangue, de seus trabalhos, de suas lágrimas, de sua morte, é obra de sua doutrina, obra de sua Igreja, desta Igreja da qual Ele não cessa de ser a alma. E o mundo assim feito por Jesus Cristo não O reconhece, o mundo O ultraja, O blasfema, O rejeita. Cumulados de seus benefícios, esclarecidos por suas luzes, no entanto, rejeitam a vida abundante que Jesus lhes oferece. Os homens de nosso tempo, em grande parte, talvez na maioria, recusam seu Benfeitor, menosprezam o seu único Guia, perseguem-No por toda parte, desprezam Sua Lei nas instituições, nas famílias e nas escolas.

Quem hoje conhece verdadeiramente a Jesus Cristo? Quem estuda Sua doutrina, quem procura se compenetrar de Suas máximas? Quem possui à fundo Sua Moral? E o pior, caríssimos, é que se realiza a palavra de Davi: "O injusto (pecador) disse em si mesmo que queria pecar; não há temor de Deus ante seus olhos. Porque ele procedeu dolosamente na sua presença, de sorte que a sua iniquidade se tornou mais odiosa. As palavras de sua boca são iniquidade e engano; não quis instruir-se para fazer o bem" (Salmo XXXV, 2-4). Hoje a maioria das mentes esta abarrotada de lamas pútridas de novelas e filmes imorais. Há fanatismo para os "ídolos" do futebol, do cinema, da música etc. Sobre eles sabem os mínimos detalhes. Mas não sabem o mínimo sobre Jesus Cristo. Com isto é triste!

Temos que lembrar aos homens modernos que Jesus Cristo é o único nome dado aos homens pelo qual podemos ser salvos (Cf. Atos IV, 12); não podemos encontrar a salvação senão em Jesus Cristo. Para ser salvo por Jesus Cristo é necessário primeiramente conhecê-Lo. "A vida eterna é esta: Que te conheçam a ti como um só Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste" (S. João, XVII, 3). Embora já transcorridos mais de 2 mil anos, ainda se faz necessário lembrar à humanidade que Jesus é a Porta pela qual é preciso entrar na verdade e na vida: "Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, será salvo" (S. João X, 9). Jesus é porta pela qual entramos na verdade sem limite e na vida sem fim. É preciso conhecer esta porta. Sem isto, choca-se contra a muralha, cansa-se e esgota-se por querer fazer uma passagem onde não há passagem possível; permanece-se do lado de fora, sem a verdade e sem a vida; debate-se nas trevas do erro, e extingue-se nos estertores da morte. Jesus é, pois, o caminho, a porta, a verdade, a vida e a luz!

Caríssimos, seja, pois, nosso maior empenho conhecer sempre melhor a Jesus e amá-Lo sem limite. S. Paulo colocava este conhecimento de Jesus acima de todos os conhecimentos, perto do qual o universo com todos seus tesouros não é nada: "Aquelas coisas que eu considerava como lucro, considerei-as como perdas por amor de Cristo. E na verdade tudo isso tenho por perda perante o eminente conhecimento de Jesus Cristo, meu Senhor, pelo qual renunciei a todas as coisas e as considero como esterco, para ganhar a Cristo" (Filip. III, 7 e 8). O conhecimento de Jesus Cristo, no entanto, não é um conhecimento só especulativo; é acima de tudo um conhecimento prático. Devemos ser o perfume de Jesus na nossa conduta. Jesus é o modelo e nós somos como pintores. Nossa vida é a tela sobre a qual é necessário que reproduzamos traço por traço o protótipo divino que devemos ter sempre diante dos olhos. Se, portanto, conhecermos verdadeiramente a Jesus Cristo, infalivelmente este conhecimento aparecerá nos nossos atos.

O primeiro sinal pelo qual se manifesta o conhecimento de Jesus Cristo é o amor: "Quem não ama, não conhece a Deus, porque Deus é caridade" (1 João IV, 8). Deus, com efeito, sendo caridade, e Jesus Cristo não sendo senão a caridade de Deus tornada sensível pela Encarnação e Redenção, segue-se que conhecer a Jesus e não amá-Lo são duas coisas incompatíveis. E se amamos verdadeiramente a Jesus, amamos também os nossos irmãos. Daí S. João dizer neste mesmo capítulo no versículo 11: "Caríssimos, se Deus nos amou assim, devemos nós também amar-nos uns aos outros". Os primeiros cristão conheciam a Jesus Cristo e O amavam de verdade, e por este amor, amavam seus irmãos. Viviam como se fossem "um só coração e uma só alma", de tal modo que muitos pagãos se convertiam e exclamavam: "Vede como eles se amam!"

O segundo sinal pelo qual possamos saber se verdadeiramente conhecemos a Jesus é se nós observamos os seus mandamentos: "E sabemos que O(Jesus) conhecemos por isto: se guardamos os seus mandamentos. Quem diz que O conhece e não guarda os seus mandamentos, é um mentiroso e a verdade não está nele" (1 João II, 3 e 4).

Caríssimos, é possível, com efeito, conhecer a Jesus, ter penetrado no misterioso santuário de seu Coração Sagrado, ter medido a altura, a profundidade, a largura e o comprimento de seu amor por nós, sem se sentir animado de um santo zelo por observar seus mandamentos com uma fidelidade inviolável, a tal ponto que nem as ameaças, nem as torturas, nem a morte serão capazes de nos levar a nos afastarmos d'Ele,  de Seus mandamentos, de sua Doutrina, de Sua Igreja!? É o que nos mostra a vida dos santos, dos mártires, das santas virgens, das almas consagradas a Deus nos claustros e também dos leigos fervorosos que desprezam os prazeres que o mundo oferece. Eis o que o grande Apóstolo S. Paulo dizia num arroubo de amor a Jesus: "Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação? ou a angústia? ou a fome? ou a falta de agasalho, ou o perigo? ou a perseguição? ou a espada? ... "Nenhuma criatura nos poderá separar do amor de Deus que está em Jesus Cristo Nosso Senhor" (Rom. VIII, 35 e segs).


Termino com a oração de Sta. Catarina de Sena: "Ó doce e amoroso Verbo, Vós dissestes-me: 'Eis que eu te preparei o caminho e abri a porta com o meu Sangue; não sejas portanto negligente em segui-lo. Toma o caminho traçado por mim, eterna Verdade, e marcado pelo meu Sangue'. Ânimo, pois, alma minha, levanta-te e segue o teu Redentor, porquanto ninguém pode ir ao Pai senão por Ele. Ó doce Cristo, ó Cristo amor , Vós sois o caminho e a porta por onde nos convém entrar para chegar ao Pai". Amém!

HOMILIA DOMINICAL - 3º Domingo do Advento - Com explicação da Epístola

   Leituras: Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Filipenses 4, 4-7.
   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João 1, 19-28. 

LEITURA DA EPÍSTOLA DA MISSA DESTE 3º DOMINGO DO ADVENTO

   "Irmãos: Alegrai-vos sempre no Senhor. Ainda uma vez vos digo: alegrai-vos. Seja a vossa modéstia conhecida de todos os homens; o Senhor está perto. De nada vos inquieteis; mas, em toda oração e súplica, dando graças, apresentai a Deus os vossos pedidos. E a paz de Deus, que excede todo entendimento, guarde os vossos corações e os vossos espíritos em Cristo Jesus, Senhor nosso". 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

 A Epístola de hoje é curta; mas, embora, apresentando poucas palavras, oferece muitos pontos importantíssimos de meditação: a alegria, a modéstia, a oração e a paz. 
  Farei uma explicação sucinta de toda Epístola e depois me deterei um pouco mais em alguns tópicos. 

  São Paulo quer nos ensinar o seguinte: Meus irmãos caríssimos: Alegrai-vos sempre porque tendes no Senhor o motivo de vossa alegria. Repito: alegrai-vos. Que a vossa modéstia, simplicidade, humildade e doçura sejam manifestas a todos. O Senhor não tardará a socorrer-vos. Portanto, não vos inquieteis com coisa alguma deste mundo, quer presente, quer futura; mas em vossas necessidades recorrei a Deus, a Ele manifestando o que precisais, suplicando-o com vossas orações e pedidos, e agradecendo-o pelos benefícios já recebidos. E a paz de Deus que está acima de todo entendimento, aquela paz sobrenatural que não compreende senão quem já a provou, guardará os vossos corações e as vossas inteligências, unindo-os e sujeitando-os ao coração e à vontade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

   Caríssimos, embora o mundo não compreenda, ao cristão sobram motivos de alegria, de santa alegria. E o motivo é porque Jesus Cristo está perto de nós e, pela graça santificante, está mesmo dentro de nós. 

   Mestre experimentado, São Paulo acrescenta os meios para adquirir a alegria: "Manifestai a todos a vossa modéstia, que segundo o grego, pode ser traduzido como suavidade. Depondo todo hábito de violência, à ira e preferindo a bondade, a todos oferecendo o perdão, então, não tardaremos a ver que somos felizes. Diz ainda o Apóstolo: "Não vos angustieis por coisa alguma". A riquezas e os muitos prazeres não são portadores de felicidade. Quem já o experimentou, sendo sincero, o confessará. 

   Seria tão fácil ser feliz! É só fazer o que São Paulo diz nesta pequena Epístola lida na Missa deste domingo. Só não é feliz quem não quer. Coisa admirável! A Religião de Nosso Senhor Jesus que se nos afigura tendo como única meta a outra vida, na realidade faz-nos felizes já nesta terra. É só ter Jesus Cristo e segui-Lo fielmente. Embora as Bem-aventuranças de Nosso Senhor Jesus Cristo sejam diametralmente opostas às máximas do mundo, nelas verdadeiramente encontra-se a felicidade. Esta é a paz que está acima de todo entendimento humano! Só a entende aquele a quem o Divino Espírito Santo a revelar e a fizer entender. 

   Em troca da excessiva solicitude, o Apóstolo nos pede que em todas as coisas recorramos a Deus: Não vos afaneis por nada, mas as vossas petições sejam apresentadas a Deus". É muito mais o que podemos esperar da graça do que podemos esperar de nosso ardor. E isto "em tudo", sabendo com certeza que nunca seremos importunos a Deus ou insuportáveis com a multiplicidade de nossas instâncias. Multipliquemo-las generosamente. É o próprio Jesus que no-lo ensina fazer. Basta que as nossas petições sejam dignas de ser apresentadas diante de Deus, isto é, que não peçamos ao Senhor Deus e Pai, coisas não boas ou inúteis. Pelo resto, não nos espantem nem o número nem a grandeza dos nossos pedidos. Os grandes pedidos são justamente os mais dignos de um tal Senhor. Jesus disse para seus discípulos: "Até agora não pedistes nada" (S. João XVI, 24). 

   Caríssimos, não vos aflijais, mas em todas as coisas, em todas as vossas necessidades e dificuldades, apresentai as vossas súplicas a Deus, Nosso Senhor, e Nosso Pai. Amém!

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

NOSSA SENHORA DE GUADALUPE


Nossa Senhora de Guadalupe, Padroeira do Mexico e de toda a América Latina





Igreja antiga na colina
de Tepejac
   O Breviário Romano traz um resumo da História de Nossa Senhora de Guadalupe: Segundo reza uma antiga e constante tradição, em 1531 a Santíssima Virgem Maria Mãe de Deus apareceu na colina de Tepejac ao neófito Juan Diego, piedoso e inculto indígena, e comunicou-lhe seu desejo de ele se dirigir ao bispo com o pedido de, naquele local, construir uma igeja. O bispo, Dom João de Zumárraga adiou a resposta, prometendo fazer antes um exame meticuloso do caso. Pela segunda vez a Santíssima Virgem apareceu a Juan Diego renovando, e desta vez com insistência o seu pedido anteriormente feito. O indígena aflito e entre lágrimas se apresentou novamente ao sr. Bispo e suplicou, fosse atendido o pedido da Mãe de Deus. Dom João de Zumárraga exigiu como prova da veracidade, que Juan Diego trouxesse um sinal pelo qual a Mãe de Deus mostrasse sua vontade. Juan Diego estava de viagem à cidade do México, para procurar um padre para ir dar os últimos sacramentos a um tio seu  com grave enfermidade. Era bem longe da colina de Tepejac e a benigníssima Virgem lhe apareceu pela terceira vez. Primeiramente Nossa Senhora assegurou a Juan Diego que o seu tio já estava completamente curado. Era inverno e num lugar árido. Juan Diego, em atitude de devoção, estendeu aos pés da Santíssima Virgem o seu manto, e este, imediatamente se encheu de belíssimas rosas. "É este o sinal, disse-lhe Maria Santíssima, que darei a quem tal pediu: leva estas rosas ao Sr. Bispo". E a ordem foi cumprida, e no momento em que o índio Juan Diego espalhou as flores diante do Prelado, apareceu sobre o tecido do manto uma linda pintura de Nossa Senhora, reprodução fiel da primeira aparição na colina de Tepejac. O fato causou grande estupefação, e às centenas acorreram os fiéis ao palácio episcopal para verem as rosas e a imagem. Esta foi respeitosamente guardada na residência episcopal, e mais tarde em triunfo foi levada à grandiosa igreja que se construiu na colina de Tepejac, local indicado pela Santíssima Virgem. Desde então Guadalupe é o grande santuário nacional do México, visitado pelas multidões, atraídas pelos inúmeros milagres. O Papa Bento XIV proclamou Nossa Senhora de Guadalupe, a padroeira principal de todo México. E o Papa Pio XII declarou-a a Padroeira de toda a América Latina.
   O índio Juan Diego, o vidente de Nossa Senhora, hoje já é venerado nos altares, canonizado pela Santa Madre Igreja. O manto de Juan Diego, perfeitamente conservado apesar de se terem passado mais de 460 anos, é ainda hoje venerado no Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe.
  

domingo, 10 de dezembro de 2017

EXPLICAÇÃO DO EVANGELHO DO 2º DOMINGO DO ADVENTO


S. Mateus XI, 2-10

2. Como João, estando no cárcere, tivesse ouvido falar das obras de Cristo, enviou dois de seus discípulos, 3. a dizer-lhe: És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?4. Respondendo Jesus, disse-lhes: ide e contai a João o que ouvistes e vistes: 5. Os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, os pobres são evangelizados; 6. e bem-aventurado aquele que não encontrar em mim motivo de escândalo. 7. Tendo eles partido, começou Jesus a falar de João às turbas: Que fostes vós ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento? 8. Mas que fostes ver? Um homem vestido de roupas delicadas? Mas os que vestem roupas delicadas vivem nos palácios dos reis. 9. Mas que fostes ver? Um profeta? Sim, vos digo eu, e ainda mais do que profeta; 10. Porque este é aquele de quem está escrito: "Eis que eu envio o meu mensageiro adiante de ti, o qual te preparará o caminho diante de ti".

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

João Batista era o precursor do Messias como fora escrito pelo profeta Isaías: "Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor" (Is. 40, 3). Malaquias igualmente diz: "Eis que mando o meu mensageiro, o qual preparará o caminho diante da minha face". E o próprio Jesus confirma no vers. 10 do Evangelho de hoje, que João Batista é este mensageiro predito pelo profeta.

Mas, João Batista fora preso pelo rei Herodes porque censurava em face o adultério e o encesto deste cruel e debochado soberano. Lá do fundo da prisão, o Precursor quer dar um último testemunho de Jesus Cristo. João Batista já havia mostrado Jesus às margens do rio Jordão: "Eis o Cordeiro de Deus". Dissera também quando Jesus vinha ter com ele: "Eis o Cordeiro de Deus, eis o que tira  o pecado do mundo. Este é aquele de quem eu disse: Depois de mim vem um homem que me foi preferido, porque era antes de mim, Eu não o conhecia, mas vim batizar em água, para ele ser reconhecido em Israel... Vi o Espírito (Santo) vir do céu em forma de pomba e repousou sobre ele. Eu não o conhecia, mas o que me mandou batizar em água, disse-me: Aquele, sobre quem vires descer e repousar o Espírito , esse é o que batiza no Espírito Santo. Eu o vi e dei testemunho de que ele é o Filho de Deus" (S. João I, 29-34).

Na verdade, os discípulos de João Batista não admitiam que pudesse haver outro Mestre acima dele. Mas o Precursor fazia questão de frisar que ele não era o Messias; foi mandado por Deus apenas para preparar os corações para receberem o Messias. Afirmava que o Salvador já estava no meio deles, e ele não era digno nem de desatar as correias de suas sandálias. Dizia outrossim, que era mister que Jesus crescesse e que ele diminuísse. Em outras palavras: o Batista deixava claro que a sua missão era levar o povo a seguir a Jesus e não a ele.

E assim compreendemos o significado desta atitude de João Batista em relação aos seus discípulos: queria que eles fossem até Jesus e vissem com os próprios olhos os milagres que Jesus fazia e que eram exatamente os que os profetas predisseram que o Messias faria quando viesse ao mundo. Embora um santo extraordinário, a Providência divina não quis que João Batista fizesse milagres.

Os enviados do Batista perguntaram a Jesus: "És tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro? Respondeu-lhes Jesus: "Ide e contai a João  o que ouvistes e vistes: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, os pobres são evangelizados". Lemos em Isaías XXXV, 3-6: "Deus mesmo virá e vos salvará. Então se abrirão os olhos dos cegos e se desimpedirão os ouvidos dos surdos. Então saltará o coxo como um cervo e desatar-se-á a língua dos mudos". Em outro lugar diz: "E naquele dia os surdos ouvirão as palavras do livro, e dentre a escuridão e dentre as trevas as verão os olhos dos cegos" (Is. XXIX, 18).  Sobre os pobres eis o que diz ainda Isaías: "Não julgará pelo que se manifesta exteriormente à vista, nem condenará somente pelo que ouve dizer; mas julgará os pobres com justiça, tomará com equidade a defesa dos humildes da terra" (Is. XI, 3 e 4). E Davi no Salmo 71, 13: "Usará de clemência com o pobre e o desvalido, e salvará as almas dos pobres".

 Jesus não afirma: Eu sou o Messias. Faz muito mais: isto é, mostra que n'Ele se realizam as profecias sobre o Messias. Na presença dos discípulos de João Batista realiza as obras com que os profetas mostraram antecipadamente o perfil do futuro Messias. Os falsos profetas, os fundadores de religiões novas, Maomé, Lutero, Alan Kardec e muitos outros  afirmaram que eram os enviados de Deus, mas não o provaram com obras.

No versículo 6º Jesus diz: "E bem-aventurado aquele que não se escandalizar de mim!". O velho Simeão havia predito que Jesus devia ser objeto de contradição por muitos, e esta predição se cumpria já. Jesus era alvo de escândalo por parte dos doutores que invejavam sua influência, pela vulgaridade que emanava de sua pobreza; era objeto de escândalo até por parte dos discípulos mesmos de João Batista que colocavam Jesus bem abaixo de seu mestre. Feliz portanto, exclama Jesus, aquele que não se escandalizar de mim, isto é, bem-aventurado aquele que reconhecer quem Eu sou, feliz quem vir em mim o Messias Redentor, o enviado do Altíssimo, o Filho de Deus! Caríssimos, aceitemos tudo o que saiu dos lábios divinos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é, pois, o nosso Salvador, é o Filho de Deus vivo! 

Nos versículos 7-9 Jesus Cristo faz o elogio de João Batista: "Que fostes ver no deserto? Uma cana agitada pelo vento? Assim, o primeiro elogio que Jesus faz de João Batista é este de sua CONSTÂNCIA. João dera testemunho de Jesus às margens do Rio Jordão; dá-Lhe testemunho do fundo de sua prisão. Ele anuncia a verdade ao povo, aos sacerdotes, aos próprios reis, e com uma força que os faz tremer e empalidecer em seu trono. Portanto, João não é um caniço fraco e movediço à mercê do vento. Não é um destes homens pusilânimes que o temor o abate, que o respeito humano desconcerta e faz vacilar. Não, a prisão, a espada, a morte mesma não  levarão o Batista a trair seu dever.

Na crise sem precedente que afeta a Igreja, ai dos Sacerdotes e Bispos que, às expensas da verdade, se preocupam prioritariamente quando não exclusivamente com seus interesses ambicionais ou monetários. 
  
No vers. 8º  Jesus faz um segundo elogio ao Seu Precursor: "Mas que fostes ver? Um homem vestido de roupas delicadas? Mas os que vestem roupas delicadas vivem nos palácios dos reis". Caríssimos, a PENITÊNCIA é uma das grades virtudes do cristianismo, uma virtude essencial, indispensável. Sem ela, a salvação eterna torna-se impossível. Portanto, quem quiser seguir a Jesus Cristo deve renunciar a si mesmo e tomar a sua cruz.

João Batista que fora enviado por Deus para mostrar aos homens Jesus penitente, devia evidentemente apresentar em si mesmo antes de tudo os caracteres da penitência: habita os desertos, não tem por vestimenta senão peles de camelo presa por uma correia de couro; por alimento senão gafanhotos e mel silvestre. Nosso Senhor Jesus Cristo que quer inculcar no povo o amor da penitência, quis enfatizar cuidadosamente a prática da penitência em Seu santo Precursor.

Caríssimos, nestes tempos de moleza, de luxo e sensualidade, quão necessária se nos torna esta lembrança de Jesus e de Seu Precursor! Não somente nos palácios dos reis encontramos hoje aqueles que se vestem molemente, suntuosamente, sensualmente e imodestamente! Estes estão em total oposição à doutrina e aos exemplos do divino Mestre. No entanto, encontramos tais pessoas em toda parte, em todas as condições sociais, e, dizemos com tristeza, muitas vezes até nas casas paroquiais e episcopais. Talvez muitos sejam aqueles mesmos que, escandalizados criticam a suntuosidade na Casa de Deus.

No vers. 9º e 10º lemos o terceiro elogio: "Mas que fostes ver? Um profeta? Sim, vos digo eu, e ainda mais do que um profeta. Porque este é aquele de quem está escrito: "Eis que eu envio o meu mensageiro adiante de ti, o qual te preparará o caminho diante de ti".  Na verdade, os profetas não haviam feito senão anunciar o Salvador; João O mostra: "Eis o Cordeiro de Deus, eis aquele que tira os pecados do mundo". Não é, portanto, somente profeta, ele é também apóstolo. Não somente prediz o Messias, ele O prega, O mostra à multidão, ganha para Ele numerosos discípulos. É outrossim, além de profeta e apóstolo, testemunha de Jesus também pelo sangue, ou seja, é mártir. Por ter dado testemunho da verdade, e por conseguinte, de Deus, que é a Verdade por essência, é que ele incorreu na cólera de Herodes, que é metido na prisão e que teve a cabeça cortada. E é por isso que Jesus disse que João era o maior dos filhos dos homens. Que santo da Antiga Lei, pois, reuniu tantos títulos, e mostrou em sua pessoa tão altas virtudes?

Caríssimos, que glória para João Batista receber dos lábios do Juiz Supremo e já aqui na terra, isto é, antes mesmo do Juízo Final, elogios tão altos! É que Jesus não se deixa vencer em generosidade. Estes elogios são, na verdade, a recompensa pelo desvelo, pelo zelo e pelo desinteresse perfeito com os quais João Lhe havia, por primeiro, dado testemunho.

Se quisermos, irmãos caríssimos, obter um dia esta mesma recompensa, isto é, que Jesus nos confesse, em seu dia supremo, diante do Pai, dos Anjos e dos homens, então, confessemo-Lo agora à exemplo de João Batista, confessemo-Lo por palavras, confessemo-Lo por obras, confessemo-Lo sem temor, sem respeito humano, com perigo de nossa vida, se necessário for. Não temos outra missão sobre a terra senão esta de servir de testemunha de Jesus Cristo e da verdade. É para isto que Deus nos colocou na terra. De cada um de nós é verdade dizer: "Este veio como testemunha, para dar testemunho da Luz". A cada um de nós Jesus Cristo diz, como dizia aos seus apóstolos: "Sereis minhas testemunhas". Devemos dar testemunho firme e impávido da doutrina e da pureza da moral de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só assim, mereceremos no Juízo Universal, ouvir dos lábios divinos do Juiz Supremo aquelas palavras que nos farão felizes para todo sempre: "Vinde, benditos de meu Pai, possuí o reino de Deus, que vos foi preparado desde o início do mundo". Amém!


sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

A IMACULADA CONCEIÇÃO

A  IMACULADA  (Murilo)
  Se o amor restrito, com que Deus amou João Batista, bastou para purificá-lo no seio materno, por que não preservaria da culpa hereditária a sua futura mãe o amor irrestrito com que Deus a quis?
  Tanto mais perfeita uma pessoa quanto mais perto de Deus ela está constituída. Ora, Maria está tão perto de Deus, seus liames com Deus são tão estreitos e inefáveis que não é possível haver criatura mais intimamente unida às três Pessoas Divinas. Filha predileta de Deus Pai, Mãe amorosíssima de Deus Filho e Esposa amantíssima e fidelíssima de Deus Espírito Santo. Maria Santíssima teve uma Predestinação singular, isto é, foi preparada por Deus para ser Sua Mãe. Daí, todos os privilégios concedidos à Maria Santíssima lhe foram outorgados por Deus em vista desta missão de trazer ao mundo o Filho de Deus para operar a Redenção de toda a Humanidade. Deus assim decretou: seu Filho seria "factus ex muliere". E, malgrado a obstinação protestante, ninguém poderá mudar os desígnios de Deus. 
   Em se tratando do pecado original, cada uma das três Pessoas Divinas tinha suas razões a alegar para que se decretasse uma exceção em favor de Maria. Deus Pai via nela uma criatura toda privilegiada, uma filha prediletíssima. No tempo Ela seria Mãe daquele Filho que Ele gera por via de inteligência deste toda eternidade. Podia acaso permitir que ela fosse manchada, ainda por um instante, pela nódoa do pecado? 
  Deus Filho via nela sua Mãe, que Ele amava já infinitamente mais do que pode ser amada qualquer outra mãe. Podendo dispor da sorte dela, sendo a própria Onipotência e a própria Bondade, como não faria por sua Mãe tudo quanto podia!? Salomão vai ao encontro de Betsabé e previne os desejos de sua mãe: "Pedi, minha mãe, nada te posso negar". Um Deus que escolhe mãe para si mesmo, será porventura menos bom filho que Salomão? Ele sabe o que pediria Maria, se existisse já, e se pudesse pedir alguma coisa. Ouve-a dizer de antemão: Ó meu Filho, ó meu Deus, o que prefiro a tudo, é ser sempre pura aos vossos olhos, é que nenhum instante da minha vida, e ainda menos o primeiro, pertença a outrem senão a vós. Maria Santíssima dará o Coração e o Sangue a Jesus. Seu sangue correrá nas veias de Jesus Cristo; e sofreria Ele que o sangue divino, que havia de lavar o mundo, fosse manchado na sua origem? 
  O Espírito Santo via nela a Sua Esposa, pois ela conceberia milagrosamente pelo Seu poder. A Terceira Pessoa da Santíssima Trindade via em Maria a obra prima da graça, uma criatura em quem Ele operaria mais maravilhas que em todas as criaturas juntas. Ela será por excelência o tabernáculo de Deus entre os homens; e o Espírito Santo é encarregado de preparar este santuário vivo. Ele quer que nada falte à sua obra, que a morada seja digna d'Aquele que a há de habitar, e d'Aquele que é o seu arquiteto. E tê-lo-ia sido, se o Divino Espírito não tivesse coberto com sua sombra a conceição de Maria para afastar dela ainda a mais leve mácula? 
   A Imaculada Conceição de Maria Santíssima é portanto a base em que se assenta todo o edifício de suas grandezas. E devemos ter em mente que este privilégio foi singular, isto é, só concedido a ela. Há santos em favor dos quais Deus tornou impotente o furor dos leões, a atividade das chamas,,, Há alguns que foram por Deus santificados no seio materno como Jeremias, São João Batista e provavelmente São José; mas a isenção de toda a mácula original é um benefício só privativo de Maria Santíssima. E este detalhe importantíssimo faz parte do dogma. "Por um privilégio singular", disse Pio IX nas palavras da Definição do Dogma da Imaculada Conceição.(1854). 
  Oh! quantas maravilhas nesta grande maravilha! O demônio prende em suas cadeias toda a descendência de Adão; só uma menina lhe escapa, e ela lhe esmagará a cabeça! Um fogo abrasador assola tudo; e no meio do incêndio geral, só uma vergôntea fica intacta; não só não é queimada nem tisnada, mas antes produz a mais bela das flores, e dá um fruto que será a salvação dos povos! Um tirano furioso desola toda a terra, e estende por todo a parte a sua cruel dominação; só uma cidade lhe resiste e vem a ser a senhora do universo! A serpente infernal terrivelmente mancha com sua baba impura a toda pobre criatura logo no primeiro instante de existência, mas vemos  uma criatura humana privilegiada, não só defendida desta afronta, mas pisando e esmagando a cabeça envenenada deste monstro infernal. Pois bem, caríssimos e amados irmãos, esta menina, esta vergôntea, esta cidade, esta criatura privilegiada é a Bem-aventurada Virgem Maria.
   Do privilégio da Maternidade Divina brota a Conceição Imaculada, e, desta brotam todos os outros privilégios: plenitude de graças e dons espirituais, que desde este primeiro instante eleva a santidade de Maria acima da dos maiores Santos; perfeito uso da sua razão e de todas as faculdades desde aquele primeiro momento; isenção da concupiscência e de outros funestos efeitos do pecado original; abundância de luzes sobrenaturais; facilidade em adiantar continuamente nos caminhos sublimes da santidade, por uma perfeita correspondência a todas as graças que recebe, sem que a menor imperfeição venha jamais deter os seus progressos e impanar  toda sua beleza. A incorruptibilidade no túmulo, a ressurreição antecipada, sua Assunção em corpo e alma aos céus, sua coroação como Rainha do Céu e da Terra, tudo isto é porque, sendo Mãe de Deus, foi Imaculada desde o primeiro instante de sua existência. 
   Antes de terminar gostaria de desfazer de antemão todas as possíveis dificuldades. Na verdade, para os católicos não há a minima dúvida. Trata-se de um dogma definido "ex cathedra" e aí o Papa é infalível. Mas o próprio Papa antes de definir os dogmas, apresenta os argumentos a favor dele, e responde as objeções feitas contra ele. Pois bem, em síntese, podemos dizer que nada se opõe à Imaculada Conceição de Maria. Nem o dogma da transmissão do pecado original, porque dessa nódoa Deus podia eximir sua Mãe por singular privilégio. Nem o dogma da universalidade de Redenção, porque Deus podia remi-la com redenção preservativa, aliás mais perfeita. Nem o dogma da Redenção por meio de Cristo, porque Deus podia remi-la, aplicando os seus méritos futuros. E Maria Santíssima foi a primeira remida por Nosso Divino Salvador. 
   A primeira mártir da Ação Católica Mexicana foi Maria da Luz Camacho. Varada por balas comunistas às portas da igreja de Coyacan, no desempenho da sua missão catequética, foi uma alma sinceramente apaixonada por Maria Santíssima. Durante a vida não teve outro fito senão estudar e copiar esse protótipo de perfeição. Não admira, pois, que, ao ver o seu corpo varado por balas selvagens, somasse as energias do seu amor acrisolado pela Mãe de Deus, e expirasse com o seu nome nos lábios. Viva Nossa Senhora de Guadalupe! Foi com efeito, o último canto desse cisne mariano. 
   Não posso sopear o desejo de terminar este sermão com palavras de Santa Teresinha do Menino Jesus. Durante a novena que precedeu a sua primeira comunhão (8 de maio de 1884) a Florzinha de Lisieux pediu a Virgem lhe tornasse a alma mais pura, mais e mais alvinitente: "Ô ma Mére, pouisque vous êtes si pure, vois devez savoir comment on fait éclore cette fleur d'innocence... Montre-le-moi! et just'au jour tant desiré ne me laissez pas perdre une occasion de rendre mon âme plus blanche et plus limpide". 

TOTA PULCHRA ES MARIA, ET  MACULA ORIGINALIS NON EST IN TE!
  

domingo, 3 de dezembro de 2017

HOMILIA DOMINICAL - 1º Domingo do Advento

Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos, 13, 11-14.
                Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas, 21, 25-33: 

  "Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; e na terra consternação dos povos por causa da confusão do bramido do mar e das ondas, mirrando-se os homens de medo, na expectativa do que sobrevirá a todo o orbe, porque as forças do céu serão abaladas. Então, verão o Filho do homem vindo sobre uma nuvem com grande poder e majestade. Quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e erguei vossas cabeças, porque se aproxima a vossa redenção. E lhes propôs uma comparação: Vede a figueira e as demais árvores; quando começam a dar frutos, sabeis que o verão está perto. Assim também, quando virdes que se realizam estas coisas, sabei que está perto o Reino de Deus. Em verdade, vos digo que não passará esta geração, sem que tudo isto aconteça. Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão".

  Caríssimos e amados fiéis em Nosso Senhor Jesus Cristo!

  Coisa digna de nota, a Igreja começa e acaba o ano eclesiástico pelo Evangelho do fim do mundo, tomado em São Mateus para o último Domingo do ano litúrgico (24º depois de Pentecostes) e em São Lucas para hoje. É que ela, como boa Mãe, quer lembrar-nos que o pensamento do Juízo final deve acompanhar-nos durante toda a vida e, por assim dizer, dirigir todos os nossos atos, afim de excitar em nós um temor salutar e fazer-nos evitar o pecado e praticar a virtude. Já o Espírito Santo nos disse: "In omnibus operibus tuis, memorare novissima tua, et in aeternum non peccabis", "Em todas as tuas obras, meditar em teus novíssimos, e jamais pecarás" (Ecles., VII, 40). 
  Os anos sucedem-se e passam depressa, tudo se transforma, tudo envelhece, mas o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo é inalterável e eterno. Prendamo-nos, portanto, com a fé e amor a esta infalível verdade, a estas palavras de vida. Meditemo-la com o coração reto dispostos a praticá-la.

  "O monge São Metódio (+ 861), que converteu à fé cristã a Bulgária e outras nações bárbaras, era também um bom pintor. Um dia ele foi chamado pelo rei dos búlgaros, de nome Bógoris, o qual lhe disse: 'Deveis fazer-me um belo quadro para eu pôr em meu palácio, e quero que esse quadro represente coisas que metam medo a todos os que o olharem'.  -  É mister saber que esse rei era pagão e meio selvagem, e só se deleitava com caçadas de animais ferozes e cenas terríveis. O santo então, recomendando-se a Deus, pintou o Juízo Universal. 
  "No meio do quadro via-se Jesus Cristo em sua tremenda majestade entre as nuvens e num trono de glória, rodeado pelos anjos; à direita uma fila de pessoas com os rostos resplendorosos de luz (os justos); à esquerda uma multidão de pessoas monstruosas com caras horríveis; cheias de pavor e de desesperada angústia (os pecadores). Em baixo afinal se via um abismo cheio de figuras horrendas de demônios, e desse abismo saíam chamas ameaçadoras e foscas.  -  Quando o rei viu esse quadro, ficou impressionado e perguntou: 'Que espetáculo é esse tão magnífico e pavoroso?' - Aí Metódio lhe deu a seguinte explicação:

  - "Majestade, iniciou S. Metódio, esse quadro representa o Juízo Universal. Ficai sabendo que logo após a morte haverá, para todos, o Juízo Particular; isto é, deveremos todos comparecer perante Deus para dar contas do bem e do mal que tivermos feito em vida. Mas além do Juízo Particular, haverá outro Juízo, que se diz Universal, e este será feito por Jesus Cristo no fim do mundo no Vale de Josafá. Ao Juízo Universal deverão apresentar-se todos os homens do mundo, que existiram, que existem e que existirem: grandes, pequenos, soberanos e súditos, sábios e ignorantes, ricos e pobres, bons e maus'. - Ao ouvir isso, o rei já começava a empalidecer e indagou: 'Quando e como será o Juízo Universal?' - Responde Metódio: 'Esse dia ninguém o sabe, nem os Anjos do Céu, exceto apenas o Pai (Deus) (S. Mt. 24, 36). - Como depois se dará o Juízo, di-lo a Sagrada Escritura. Primeiro haverá sinais: guerras espantosas dos povos e dos reinos, que se lançarão uns contra os outros (S. Mt. 24, 7); pestes, carestias, terremotos (S. Mt. 24, 36 e sgs). Depois o sol escurecerá, e a lua não dará mais a sua luz, e cairão do céu as estrelas e haverá a destruição do Universo (S. Mt. idem). Depois virá do céu um dilúvio de fogo que destruirá tudo: terra autem, et quae in ipsa sunt opera, exurentur = a terra, porém, e todas as obras que há nela, serão queimadas (1ª São Pedro, III, 10). E então será grande a tribulação, como não houve desde o início do mundo. (S. Mt. ibid., 21). E tudo isso é verdade do Evangelho. 
  "Quando estiver tudo destruído pelo fogo, os Anjos soarão uma trombeta que se fará ouvir nos quatro ventos; e os mortos ressuscitarão: 'Num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta (porque a trombeta soará) os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos mudados'. (1ª Cor. XV, 52). E aí se dará um grande espetáculo. Todos os mortos, saídos de seus túmulos, da terra, do mar, dos abismos, deverão estar vivos. - Mas com que diferença! As almas dos bons, vindas do Céu, retomarão o seu corpo belo, resplandecente, impassível: 'Então os justos brilharão como o sol (S Mt. XIII, 43). As almas dos réprobos, surgidas do inferno, unir-se-ão a seus corpos que no entanto serão disformes, horríveis, esquálidos, cheirando mal. 
  "Depois virão os Anjos, e separarão os malvados dos justos. E os justos ficarão à direita, e os pecadores à esquerda. Não vos parece vê-los, Majestade!?... Todos os blasfemadores, caluniadores,, desonestos, soberbos, ladrões, avarentos, escandalosos, sacrílegos, serão separados dos bons; e, vendo-os, dirão com raiva: 'Eis aqueles de quem zombávamos em vida. Estultos que fomos! Julgávamos uma insensatez a sua vida: eis no entanto como se incluíram entre os filhos de Deus' (Sab. V, 3-5). 
  "Feita a separação, abrir-se-ão os Céus, e entre fileiras de Anjos aparecerá o sinal do Filho do Homem: a Santa Cruz. E aí bater-se-ão no peito todas as tribos da terra. E eis a descer nas nuvens Jesus Cristo com grande poder e majestade (S. Mt. XXIV, 30 e sgs). Aí os réprobos cairão como fulminados. E que berros de choro!!! Que pavor!!! Que desespero!!! ao passo que os justos rejubilar-se-ão!!!
  "Depois o divino Juiz fará exame público: manifestará as consciências todos, revelando as culpas, diante de todo o mundo. Depois pronunciará a sentença de bênção sobre os bons e a de maldição sobre os maus; e estes irão para o eterno suplício com os demônios: os justos ao contrário para a vida eterna. (S. Mateus, 25, 46): "Esses (os maus), disse Jesus, irão para o suplício eterno, os justos para a vida eterna". 
  
  "Eis, Majestade, concluiu o monge São Metódio, o que ouvistes do quadro pintado: mas é uma realidade: a tremenda verdade do Juízo, que é verdade do Evangelho". (Extraído do Livro "A PALAVRA DE DEUS EM EXEMPLOS" de autoria do Padre Mortarino). 

  Ao ouvir isso, o rei Bógoris ficou aterrorizado; fêz-se logo instruir na religião, e, iluminado pela graça de Deus, converteu-se ao Catolicismo, e com ele se converteram também os seus súditos. Todo o país da Bulgária se tornou católico. Amém!
   

HOMILIA SOBRE A EPÍSTOLA DO 1º DOMINGO DO ADVENTO

   Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos 13, 11-14. 
                   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 21, 25-33. 


EPÍSTOLA DESTA SANTA MISSA DO 1º DOMINGO DO ADVENTO:

   "Irmãos: Sabeis que já é hora de despertar-vos do sono, pois, a salvação está agora mais perto de nós, do que quando abraçamos a fé. A noite passou e aproxima-se o dia. Renunciemos, portanto, às obras das trevas, e revistamo-nos das armas da luz. Caminhemos honestamente como quem anda em plena luz, não em excesso de comida ou de bebida, não em dissoluções e impurezas, nem em contendas e emulações. Pelo contrário, revesti-vos do Senhor Jesus Cristo."

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Primeiramente queria lembrar a todos que o pecador Agostinho, filho de Santa Mônica, passou definitivamente da trevas do erro e da morte do pecado para a luz da verdade e a vida da graça, através desta Epístola: Achando-se ele com seu amigo Alípio em um jardim, ouviu uma voz que lhe dizia: "Toma e lê". Impressionado com estas palavras misteriosas, segura o livro que vê ao seu lado e abre-o exatamente na página em que se encontra esta Epístola. Foi o golpe certeiro da graça a quebrar a última corrente férrea que ainda o detinha preso ao mundo de trevas e impurezas. Converteu-se! E oxalá, muitos e muitos lendo e meditando estas palavras inspiradas das Sagradas Escrituras, se convertam como aconteceu com Agostinho. 

   "Já é hora de despertarmos do sono".  Caríssimos, o sono é necessário para restaurar as forças, e por isto, reduz-nos à inércia. É indispensável para a vida física, mas referindo-se à vida espiritual, na linguagem ascética, o sono é sinônimo de negligência, de torpor nas coisas de Deus, é símbolo da tibieza. A alma vive esquecida de Deus, apegada que está muito mais à coisas exteriores da terra. Daí a oração ou é frequentemente omitida ou, então, feita com certo enfado. O mesmo acontece com a recepção dos sacramentos. A alma na tibieza fica alheia a todo amor divino e busca antes vãs consolações nos corações humanos. Quase não se mortifica. Preocupada com o tempo presente, não lhe interessam os destinos da vida futura. Nesta indolência espiritual a alma fica fraca e cai facilmente em pecado veniais deliberados e geralmente em quedas fatais. Do sono da alma passa facilmente à morte da alma. Por isso São Paulo define o pecado como sendo "obra das trevas". Na verdade é o príncipe das trevas que o inspira. E o pecado conduz ao reino das trevas. Por isso grita o Apóstolo: "Despojai-vos, pois, das obras das trevas" e "revistamo-nos das armas da luz". Devemos procurar a força na oração, meditação dos novíssimos, da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, procurar o força nos Sacramentos da Penitência e da Comunhão. Devemos estar acordados, bem vigilantes, para afastarmos as tentações do príncipe das trevas, com a mesma prontidão e energia com que afastamos uma brasa que cai em nossas vestes. 

   Assim com as palavras da Epístola da Missa deste 1º Domingo do Advento, São Paulo anima os tíbios a acordarem do sono do espírito; aos pecadores o Apóstolo ordena que rejeitem as obras das trevas. Aconselha os fracos que empunhem as armas da luz. A todos São Paulo exorta a que se revistam de Jesus Cristo. 

   Para terminar, caríssimos, vejamos o que significa afinal "revestir-se de Jesus Cristo". Significa tomar os mesmos sentimentos de Jesus Cristo, seguir a sua doutrina, imitar seus exemplos, reproduzir suas virtudes. Significa, outrossim, unir-se interiormente a Deus com o maior grau de santidade possível e exteriormente revelar, através da nossa conduta, a bondade, caridade, e doçura de Jesus Cristo. 

   Por isso, é com imensa tristeza que constatamos que muitos cristãos, em lugar de ser o perfume de Jesus Cristo entre os demais, violando, portanto, a missão que lhes cabe de revelarem Jesus aos homens, profanam com sua vida, a vida d'Aquele que deviam com suas virtudes honrar e glorificar. 

  Ó Jesus, fazei que, pela prática das virtudes, especialmente da humildade e mansidão, eu possa ser o bom odor vosso junto aos meus irmãos. Amém!