SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

domingo, 29 de julho de 2018

EVANGELHO DO 10º DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES



S. Lucas XVIII, 9-14

"O que se eleva será humilhado, e o que se humilha será exaltado".

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

A Santa Madre Igreja coloca hoje para nossa meditação a parábola do fariseu e do publicano. São Lucas observa de início qual é a finalidade desta parábola: "Disse Jesus esta parábola a alguns que se tinham a si mesmos em conta de justos, e desprezavam os outros."E, no fim, Nosso Senhor deixou bem claro o ensinamento da mesma parábola: "O que se eleva será humilhado, e o que se humilha, será exaltado."

 Pelos gestos e atitudes exteriores e pelas palavras, Jesus mostra as disposições interiores destes dois homens: o fariseu e o publicano. Ambos sobem a encosta do Mória, colina sobre a qual se encontrava o Templo. Vão orar. Entram no pátio dos gentios, o mais espaçoso, o mais concorrido de todos. O fariseu avança em atitude solene, como quem tem consciência do seu próprio valor e da sua importância social. O gesto grave, o andar majestoso, o manto amplo com as largas franjas de filatérias, repletas de textos de Moisés. O nosso homem caminha, cabeça erguida, chega ao pátio das mulheres, sobe os degraus da grande escadaria de mármore, que conduz ao Átrio de Israel, e pára por fim para dizer a sua oração. Está de pé, empertigado como se houvesse engessado a espinha dorsal, diante de todos, faz o sua oração: "Senhor, dou-vos graças, porque não sou como os outros homens: os outros afora eu, são ladrões, injustos, adúlteros... como este publicano... Jejuo duas vezes por semana, pago os dízimos de tudo o que possuo". Que singular e estranha oração! Esse homem nada tem que pedir a Deus, não precisa de nada! Basta-lhe contar o bem que faz e o mal que não faz. Nada tem de que se acusar!... Lança os olhos em torno de si, com a satisfação de quem tivesse a consciência alvíssima como a neve, e encontra um publicano, um pecador, um miserável digno de todo o desprezo!

"O publicano, diz Nosso Senhor, pelo contrário, conservando-se à distância, nem ao menos ousava levantar os olhos para o céu; mas batia no peito, dizendo - Meu Deus, tende compaixão de mim que sou um pecador". Eis, caríssimos irmãos, o reverso da medalha. Colocado no último lugar, em atitude humilde e penitente, o publicano mantém-se longe do santuário, à entrada do pátio das mulheres, trêmulo não vê o que passa no Templo, não conhece o fariseu que ali está, na sua frente, cheio de orgulho e de supostas virtudes. Só pensa em Deus a fim de alcançar misericórdia para os seus pecados. E oprimido pela consciência de suas culpas, repete muitas vezes: "Senhor, tende piedade deste pecador!"

Na verdade o fariseu não ora. Suas palavras não são mais que um alarde de suas virtudes e um inventário, sem dúvida exagerado, dos vícios dos demais. É possível que seja verdade o que diz: nunca roubou, nem cometeu adultério, nem quebrantou o mínimo ponto da Torah. Mas, deitou tudo a perder: aquela complacência na sua virtude e aquele desprezo pelos outros envenenavam todas as suas obras. Deus não o pôde ver nem ouvir e, pelo contrário, olha com complacência o pobre publicano, que talvez um dia tenha manchado as mãos com a rapina, mas agora entra na casa de Deus arrependido, humilhado, cheio de confusão e vergonha. É o que Jesus nos diz:  - Eu vos asseguro que, ao deixar o Templo, este publicano era mais agradável aos olhos de Deus do que aquele fariseu, porque o que se exalta será humilhado, e o que se humilha será exaltado. Eis o comentário de Santo Agostinho: "Tanto mais agrada a Deus a humildade nas coisas mal feitas do que a soberba nas bem feitas!"

Nem todos os que vão para o Paraíso pregaram o Evangelho aos povos infiéis; nem todos derramaram o seu sangue ou perderam sua vida por amor de Cristo; nem todos têm a estola sacerdotal ou vêm do claustro. Mas todos, sem exclusão de nenhum, devem ter praticado a humildade, porque só será exaltado quem  se houver humilhado. E a razão está bem afirmada pelas palavras inspiradas das Sagradas Escrituras: "Deus resiste aos soberbos e dá a graça aos humildes" (1 S. Pedro V, 5). E S. Gregório escreveu uma palavra que deveria fazer tremer a todos aqueles que não são humildes: "O sinal mais evidente da reprovação é o orgulho".

Caríssimos, quão necessário será, portanto, termos diante dos olhos o que os autores espirituais dizem sobre o orgulho. Primeiramente, toda a sua aspiração é distinguir-se, dar que falar de si. Assim vai rojar-se ante os grandes da terra; vai adular ignobilmente a multidão e mendigar aplausos. Não mede esforços e, por vezes intrigas, para suplantar um êmulo. Há facilidade de uma salutar vergonha apoderar-se daqueles que são dominados por outros pecados capitais, como a avareza, a luxúria, a gula etc. O orgulhoso, porém, está contente consigo mesmo, não reconhece seus erros, não sente a necessidade de mudar de vida.

 Assim, que terrível desregramento é o orgulho, quando, nunca combatido, se desenvolve ao ponto de merecer o nome de idolatria! É realmente idólatra de si mesmo, quem se constitui a si como centro de tudo, quem se compraz na contemplação de suas pretensas qualidades, quem julga severamente seus semelhantes, desprezando-os enquanto se considera superior a todos. Nada pode desiludi-lo; a sua arrogância, a sua néscia presunção inspiram horror a quem dele se aproxima, mas não deixa por isso de comprazer-se em si mesmo. Como o fariseu, nem sente necessidade do auxílio divino, tal é a confiança em seu próprio engenho, em seu talento. Saber que os outros pensam nele, que se preocupam com ele, é-lhe uma espécie de volúpia. Ao ver-se admirado, prezado, sua alegria aumenta, sem, todavia, ficar ainda satisfeito. Quer que todos se submetam a ele; tem sede de domínio, e, para sentir-se contente, deverá impor as leis de sua vontade e os decretos de sua grande inteligência. Em presença dos intelectuais, faz alarde de sua inteligência e habilidades.

O soberbo não procura a verdade, mas sim iludir o próximo com aparências sedutoras, tão preocupado está em agradar ou causar admiração. E é neste sentido que S. Pio X, põe o orgulho como causa do Modernismo. Para chamar a atenção sobre si, para granjear elogios e simpatias do mundo, tem que pregar novidades. Tudo, inclusive o dogma, deve seguir a lei da evolução. E o orgulhoso chega a convencer-se de que ninguém pode divergir do seu modo de pensar. Daí, tem inveja em relação a quem o poderia eclipsar; e sente até mesmo ódio contra quem não o admira, ou recusa submeter-se. O orgulhoso caindo no Modernismo, defende a liberdade religiosa do Concílio Vaticano II, mas não admite que alguém tenha a liberdade de discordar dele, mesmo quando este alguém segue, diante de Deus, os ditames de sua consciência bem formada. O orgulhoso domina os fracos, forçando-os a aceitar-lhe os erros, ou então, insinua-se pelas adulações. Todos os meios lhe convêm, contanto que faça partilhar suas falsas ideias, contanto que seja considerado como um doutor que merece ser ouvido, como um homem hábil, cujos conselhos devem ser seguidos. Desse modo arrasta em seus desvarios muita pobre gente que se deixa fascinar por ele.

Caríssimos, os heresiarcas foram sempre grandes orgulhosos. Na verdade, enfatuado de si mesmo, o orgulhoso, estará sempre na iminência de, a qualquer momento, abandonar a Nosso Senhor Jesus Cristo! Cada um deve dizer consigo mesmo: ainda que eu chegue a ter todas as virtudes, se não tiver a humildade, estou enganado; e, quando me julgo virtuoso, não sou mais que um fariseu soberbo. Jesus, manso e humilde de Coração! Fazei o meu coração semelhante ao vosso! Amém!



domingo, 22 de julho de 2018

EVANGELHO DO 9º DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES



S. Lucas XIX, 41-47

Não desprezar a graça porque, um dia, será a última! 

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!   
     
É o que nos ensina o santo Evangelho de hoje: NÃO DESPREZAR A GRAÇA PORQUE, UM DIA, SERÁ A ÚLTIMA.

Trata-se da entrada triunfal de Jesus em  Jerusalém. A última visita do Salvador a esta cidade, pois, naquela semana vai ser preso, condenado, sofrer e morrer numa cruz.

Em Jerusalém, os inimigos do Salvador ouvem falar com desgosto do milagre da ressurreição de Lázaro, que é o assunto de todas as conversas, e que atrai tanta consideração Àquele cuja glória os ofusca; exaspera-os o contentamento que mostram os admiradores de Jesus, e sua diligência em sair da cidade para ir ao seu encontro. Há também os indiferentes, entregues aos negócios ou prazeres; estes ligam pouco importância às questões religiosas, quase não prestam atenção a tudo o que se diz.

Fora de Jerusalém, há numerosos grupos, que manifestam à porfia seu respeito e amor para com o glorioso filho de Davi que passou fazendo o bem. Imaginemos o contentamento dos Apóstolos, porque, afinal, se faz justiça ao seu bom Mestre; ei-Lo agora honrado como merece.

Mas Nosso Senhor Jesus Cristo, cuja presença causa este contentamento e a quem se dirigem todos estes cantos de triunfo, só Ele descobre um motivo de tristeza nestas aparências lisonjeiras. E, assim, vendo a cidade de Jerusalém, chora. Caríssimos, Jesus chora sobre a cidade que vai crucificá-Lo, e nós sabemos que Ele anseia ver chegar a ocasião, em que nos há de batizar no seu sangue. Qual é a causa destas lágrimas, se Ele deseja a cruel morte, que se seguirá ao seu triunfo, dentro daquela mesma semana? É que este terno e generoso amigo ama os seus sofrimentos, porque nos salvam; mas os nossos males é que Lhe arrancam tantas lágrimas. Caríssimos, será que este amor e estas lágrimas não nos comoverão?

Igreja "DOMINUS FLEVIT" construída no local onde
Jesus chorou. Reparai que o artista quis representar as
lágrimas na decoração da cúpula.
O Filho de Deus, lembrando-se de tudo o que fez pela cidade culpada, e do que ela vai fazer para encher a medida dos seus crimes, não se contenta com chorar sobre ela; mas para nos instruir, quer que todos conheçamos a causa das suas lágrimas. Jesus aflige-se porque prevê o novo abuso que Jerusalém vai fazer das suas graças, não se aproveitando desta última visita: "Se ao menos neste dia, que te é dado, conhecesses ainda o que te pode trazer a paz! Mas agora tudo isto está encoberto aos teus olhos! Porque virá um tempo funesto para ti: no qual teus inimigos te cercarão de trincheiras e te sitiarão; e te apertarão por todos os lados: e te arrasarão, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo da tua visita".  Não conclui: suas lágrimas, seu silêncio dizem o resto.

Caríssimos, não há pecador que não possa voltar para Deus, mas é mister que queira. Si se obstina, os dias de ira substituirão os dias de misericórdia. Que pensar do réu, que despreza seu juiz, ainda quando este, chorando, parece dizer-lhe: "Evitai-me a dor de vos condenar, porque bem vedes que vos amo?"

E ainda não terá passado o tempo da misericórdia para aquele povo de Jerusalém? Não, mas passará brevemente; não falta senão um dia! E, caríssimos, uma vida inteira, comparada com a eternidade, não é mais do que um dia! Se durante este dia favorável, se diante desta graça definitiva, Jerusalém, abrindo finalmente os olhos à verdade, recebesse o seu libertador com a mesma boa vontade que a gente que formava seu cortejo; se todos os seus habitantes concorressem, como deviam, a esta ovação, o triunfo de Jesus teria sido completo. Ele manifestaria sua alegria, em lugar de derramar lágrimas. Mas, como profetizou Jesus: "Isto está encoberto aos seus olhos!". Não pode haver castigo maior neste mundo do que este: a cegueira espiritual advinda do orgulho que não quer reconhecer a verdade! Jerusalém obstinara-se e endurecera-se. Não quer ver nem os bens que perde, nem os males que atrai sobre si, nem os crimes que cometeu, nem o que viria a cometer. Na verdade, deixou passar o tempo da salvação.

 Todos os castigos preditos por Jesus caíram sobre aquela cidade. No ano 70, Tito, imperador romano, sitiou e destruiu inteiramente Jerusalém. Basta lermos o que o historiador judeu Flávio Josefo nos descreve minuciosamente. E é este judeu renegado que nos diz que, uns meses depois da catástrofe, o imperador Tito, ao voltar do Egito para a Palestina, passou por Jerusalém "e, ao comparar a triste solidão que substituíra a antiga magnificência, deplorou o desaparecimento daquela grande cidade e, longe de se desvanecer por a ter destruído, apesar da sua fortaleza, como teria feito qualquer outro, maldisse os culpados que haviam iniciado a revolta e provocado aquele espantoso castigo".

Mas isto era apenas o castigo material; pensemos nos castigos espirituais. Caríssimos, compreendei pelas lágrimas de Jesus, a desgraça da impenitência, a desordem das paixões, a malícia do pecado, a loucura das alegrias mundanas, a profanação dos templos, mas compreendei, outrossim, a caridosa compaixão do Coração de Jesus. Aprendei desta profunda aflição a sua excessiva ternura para com todos os homens, e quanto lhe é dolorosa a perdição dos pecadores. Supliquemos ao Divino Redentor a graça de chorar com Ele a triste sorte daquelas almas que Ele ama até morrer para as salvar, e que não salvará, nem mesmo morrendo por elas! Rezemos e façamos penitência pela conversão dos pecadores, porque Nossa Senhora ensinou em Fátima que muitos se condenam porque não há quem reze e faça penitência por eles.  

No interior da igreja que vemos acima há este mosaico para
lembrar estas palavras de Jesus: "Jerusalém, Jerusalém,
quantas vezes eu quis juntar teus filhos como a galinha
recolhe debaixo das asas seus pintainhos, e tu não
quiseste". 
Caríssimos, para todos nós, haverá também a última visita de Jesus, a graça definitiva. E profundamente tocados, meditamos nestas palavras de Santo Agostinho: "Timeo Jesum transeuntem et non redeuntem", "Temo a Jesus que passa e não volta mais". Deus nos faz diversas visitas na vida, visitas mais marcantes que aquelas que recebemos d'Ele todos os dias. Por exemplo: é a primeira comunhão, é a época do casamento ou, seguindo a vocação especial de Deus, a entrada para o seminário, o dia da ordenação sacerdotal, ou da profissão para os religiosos. Pode ser também um revés na fortuna, uma doença, a perda de um amigo, de um parente. É uma missão, um retiro espiritual, uma peregrinação, um sermão ou artigo tocante, ou mesmo uma possante moção interior da graça às vezes até sem causa exterior aparente. Caríssimos, felizes aqueles que sabem reconhecer este tempo da visita do Senhor! Sua salvação está assegurada; pois, ela dependia desta graça particular e que não ficou vã, mas foi aceita com generosidade. Assim foi a aparição da estrela para os Reis Magos!  Por outro lado, quão infelizes aqueles que não reconhecem Jesus quando Ele vem a eles, quando Jesus bate a porta de seus corações e eles não Lha abrem e até o rejeitam como um estranho que nunca teriam visto. E Jesus passa adiante, e, algumas vezes, não volta mais; foi aquela a última visita, o último recurso de sua misericórdia. Não mais as graças de escol, não mais os apelos prementes, não mais os convites tocantes. O pecador se endurece, e se afunda mais e mais no mal. Seu coração ficou duro e frio como granito. Seus olhos se obscureceram. Não vê e nem gosta mais do bem! Ó que estado lastimável, que faz chorar a Jesus e aos seus fiéis ministros!!! O que Jesus disse a respeito de Jerusalém, com certeza diz em relação a tais pecadores que rejeitam suas graças: "Jerusalém, Jerusalém, quantas vezes Eu quis juntar teus filhos como a galinha recolhe debaixo das asas os seus pintainhos e tu não quiseste!" (S. Mateus XXIII, 37).

Oh! amantíssimo Jesus, fazei-me compreender que a verdadeira paz não consiste nem devo procurá-la na ausência de dificuldades, na condescendência com os meus desejos, mas na total adesão à Vossa vontade e na docilidade às inspirações do divino Espírito Santo! Amém!

HOMILIA DOMINICAL - 9º Domingo depois de Pentecostes

   Leituras:Primeira Epístola de São Paulo Apóstolo aos Coríntios, X, 6-13.
                   Evangelho segundo São Lucas, XIX, 41-47. 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!


Capela "Dominus Flevit"(=O Senhor chorou)
construída no Monte das Oliveiras no local
em que Jesus chorou. Observam-se
decorações em forma de lágrimas. 
   A Santa Madre Igreja, através da Epístola e do Evangelho deste domingo, quer que meditemos sobre o grave problema da nossa correspondência à graça. Dificilmente se poderá compreender o amor de Deus pelo seu povo escolhido, o povo judeu, especialmente pela cidade de Jerusalém. ! São Paulo, depois de ter lembrado algumas prevaricações de Israel e os consequentes castigos, conclui: "Estas coisas lhes aconteciam em figura e foram escritas para advertência de todos nós... Aquele, pois, que crê estar de pé, veja que não caia". Na verdade, quantos benefícios, milagres, instruções e graças de toda a espécie concedidos àquele povo! Certa vez Jesus chegou a exclamar: "Jerusalém, Jerusalém... quantas vezes eu quis juntar teus filhos como a galinha recolhe debaixo das asas os seus pintainhos e tu não quisestes" (S. Mat. 23, 37). É o abuso de tantos dons e a perspectiva dos castigos, de que é consequência, que provocam as lágrimas de Nosso Senhor. Mas Jesus chorou também sobre numerosos cristãos de hoje não menos infiéis e ingratos do que Jerusalém; pois, não cessam de abusar das graças do Senhor. Ouve-se a voz de Deus que chama ou ameaça, ouve-se Jesus que bate à porta do coração, sente-se o Espírito Santo que inspira a deixar o pecado, a praticar a virtude... E muitos fecham o coração e não se comovem diante das lágrimas de Nosso Senhor Jesus Cristo! Que deplorável e funesta malícia! Muitos vivem demasiadamente preocupados com as coisas exteriores. Choram quando perdem algum dinheiro; mas não choram quando perdem a graça de Deus. Muitos caem por inconstância. Faltam-lhes a coragem e a energia. São terreno pedregoso. Não têm profundidade na fé ou na humildade. Sente-se o toque da graça, fica-se abalado num retiro, com uma comunhão, com um sermão e começa-se até a viver melhor. Mas logo depois, pouco a pouco, a boa vontade enfraquece; esquecem-se as boas resoluções e as promessas.
Mosaico que se encontra no interior da Capela
"Dominus Flevit"
   Caríssimos e amados irmãos, a graça é um dom de Deus infinitamente precioso. É o preço do Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. A graça é a chave do céu, o talento com que compramos a vida eterna. Por isso, resistir à graça, abusar dela, perdê-la é fazer injúria a Deus, é cometer uma monstruosa ingratidão. E, como ela é indispensável, resistir-lhe é também fazer a si mesmo um mal irreparável. É uma temeridade funesta, pois que é expor-se à condenação. É expor-se a muitos castigos, como alerta o Apóstolo São Paulo na Epístola deste domingo. O abuso da graça priva-nos de numerosos e preciosos méritos; causa a insensibilidade espiritual. Nada emociona, nada comove; fica-se indiferente a tudo! Vede Saul, Salomão, Judas...! Depois de suas desobediências a Deus, Saul pediu ao Profeta Samuel que intercedesse por ele e fosse com ele para adorar ao Senhor. Ao que Samuel respondeu: "Não irei contigo, porque desprezaste a palavra do Senhor, e o Senhor te repeliu" (I Reis, 15, 26). " o Senhor te repeliu": que coisa terrível!!! Reflitamos também sobre o exemplo do rei Baltasar, que achando-se num festim a profanar os vasos do templo, viu mão misteriosa a escrever na parede: Mane, Thecel, Fhares. Veio o profeta Daniel e explicou assim as palavras: "Foste pesado na balança e achado demasiadamente leve" (Dan. 5, 27), dando-lhe a entender que o peso de seus pecados havia inclinado até ao castigo a balança da justiça divina. E, com efeito, Baltasar foi morto naquela mesma noite. 
Monte das Oliveiras, à direita vê-se um antiquíssimo
cemitério judeu. No meio da foto, um pouco abaixo do
cume, vê-se a capela "Dominus Flevit". Na subida do
asfalto, na primeira curva, vê-se o túmulo de Absalão.
    Mas, caríssimos, meditemos sobretudo nas palavras do manso Cordeiro de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, ao avistar Jerusalém e chorar: "Ah! Se tu conhecesses, ao menos neste teu dia, o que te pode trazer a paz! Mas agora isto está encoberto aos teus olhos. Porque , dias virão sobre ti, em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão e por todos os lados te apertarão. Arrasar-te-ão a ti e a teus filhos, que estão dentro de ti e em ti não deixarão pedra sobre pedra, porque tu não conheces o tempo de tua visitação". 
   Ó se tivéssemos reconhecido sempre o momento em que o Senhor nos visitou com a sua graça! Ah! se abríssemos sempre de par em par a porta de nosso coração à ação da graça divina! Procuremos, caríssimos, recomeçar hoje de novo, resolvidos outrossim, a recomeçar todas as vezes que nos acontecer ceder à natureza. E Aquele único que nos pode trazer a verdadeira paz, a felicidade e a santificação, premiará esta nossa adesão contínua aos impulsos da graça. Amém! 
   
   

domingo, 15 de julho de 2018

EVANGELHO DO 8º DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES



S. Lucas XVI, 1-9

PREPARAÇÃO PARA DAR CONTAS A DEUS

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

A Santa Igreja neste domingo coloca para nossa meditação a parábola do "Mau Administrador". O HOMEM RICO é figura de Deus, senhor de todas as riquezas que possuem os anjos no céu, e os homens na terra. O ADMINISTRADOR é todo homem que está neste mundo. Se aqui na terra o homem é considerado proprietário diante dos outros homens (por isso Deus proíbe o roubo), não o é diante de Deus, mas apenas um administrador, um simples ecônomo. Tudo o que possuímos, na ordem da natureza e da graça, de fato, não nos pertence, pois tudo nos foi confiado por Deus, a quem um dia havemos de prestar contas. À hora da nossa morte, encontraremos um livro onde se acha notado, com rigorosa precisão, todos os nossos créditos e todos os nossos débitos. Como o ecônomo infiel, seremos também acusados, diante de Deus, pelo demônio e por nossos próprios pecados. Nosso saldo será positivo ou negativo?!

Caríssimos, a vida inteira nos é concedida para regular as nossas contas, e podemos fazê-lo pelo exame de consciência e pela confissão sacramental. A cada instante posso ser chamado à presença de meu Juiz; acho-me em estado de responder às acusações que poderá fazer-me? "PRESTA CONTA DE TUA ADMINISTRAÇÃO". Esta intimação será feita, um dia, a cada um de nós, à hora da morte. Então todas as fontes da salvação estarão esgotadas para mim, porque me será tirado o tempo. Esta intimação logo após a morte, para uns será terrível, como o prelúdio do castigo; para outros será cheia de consolação, como o anúncio da recompensa. Depois da morte já não podemos exercer a nossa administração, é já passado o tempo de expiar os nossos pecados. É agora, enquanto temos vida, tempo e saúde, que devemos refletir: QUE HEI DE FAZER? Agora não nos faltam os meios, e se refletirmos seriamente, logo encontraremos a resposta: "JÁ SEI O QUE DEVO FAZER". No dia do Juízo o pecador dirá também, "que hei de fazer?" mas será um grito de desespero, a sua perda é irremediável.

TRABALHAR CAVANDO A TERRA, exposto ao sol e à chuva, é o penoso trabalho da penitência e da mortificação. MENDIGAR é orar, é suplicar o necessário para alimento da nossa alma. Se, porém não temos força ou coragem para as duras penitências da vida cristã, se não temos tempo e vagar para longas orações, podemos sempre praticar outras boas obras, fazer esmolas ainda mesmo do pouco que possuímos. Qual o pobre que não pode dar a outro pobre o óbolo da viúva ou ainda um copo d'água? A ESMOLA é, pois, um grande meio de salvação, sem excluir, todavia, a penitência e a oração que, segundo as circunstâncias, nos for permitido fazer.

Caríssimos, lendo com atenção esta parábola do divino Mestre, vemos bem a astúcia daquele mau ecônomo. Perdoando a uns mais do que a outros, toma precauções para que não seja descoberta a sua fraude. Além disso, ele conhecia talvez as disposições de cada um, e procede com toda a prudência. O Senhor louvou não a injustiça do seu mordomo, mas a sua prudência, habilidade e espírito de previdência. Enquanto o ecônomo não tinha o direito de dispor dos bens de seu amo, nós, caríssimos, recebemos de Deus, não somente uma permissão, mas ainda uma ordem formal de distribuir com largueza e liberalidade, os bens corporais e espirituais que ele nos confiou. Quis o Divino Mestre  fazer-nos compreender, diz Santo Agostinho, que se aquele mau servo é elogiado por saber acautelar os seus interesses, com mais razão seremos nós agradáveis a Deus se, conformando-nos com a lei divina, praticarmos as obras de misericórdia.

Em uma instrução, na qual se tratava também de nos preparar para sermos julgados, o Salvador exigira duas coisas para esta preparação: paixões mortificadas e obras santas: "Estejam cingidos os vossos rins, e acesas as vossas lâmpadas" (S. Lucas XII, 35). A fuga do mal e a prática do bem. Aqui Jesus só fala da esmola, considerando-a tão capaz de comover o Coração de Deus, que nos obterá todas as disposições necessárias para nos reconciliar com Ele, e nos restituir os nossos direitos à celeste herança. Com efeito, na Sagrada Escritura tudo é prometido à esmola. Ela livra-nos de todo o pecado e da morte, e não deixará cair a alma na trevas eternas: "A esmola livra de todo pecado e da morte e não deixará cair a alma nas trevas" (Tobias IV, 11). "A água apaga o fogo ardente, e a esmola resiste aos pecados". A esmola alcança-nos os dois maiores bens que pode desejar um homem prudente: a misericórdia neste mundo, e uma vida de felicidades no outro: "A esmola livra da morte, é a que apaga os pecados e faz encontrar a misericórdia e a vida eterna" (Tobias XII, 9). Quanto aos pecados veniais, apaga-os diretamente; quanto aos mortais, faz o pecador encontrar misericórdia enquanto Deus concede ao que a pratica, ou a graça do arrependimento (perfeito ou imperfeito) e a recepção da absolvição sacramental; ou, na hora da morte, o arrependimento perfeito com o desejo da confissão, ou a graça do arrependimento  imperfeito com a recepção da absolvição e, em alguns casos, "per accidens" também pelo sacramento da Extrema Unção.

"A esmola, diz Santo Agostinho, é a consolação da nossa fé, o amparo da nossa esperança, o remédio contra o pecado; ganha-nos a afeição do nosso Juiz, torna-nos credores de Deus. Oh! poder da esmola! Aqueles a quem tivermos socorrido, introduzir-nos-ão nos tabernáculos eternos: 'Quando chegar a vossa hora, eles vos recebam nos tabernáculos eternos'". Caríssimos, que suave luz difunde na nossa alma esta consoladora palavra! Agora sei o que hei de fazer, para encontrar o meu Juiz propício, quando comparecer no Seu tribunal: granjearei perante a Nosso Senhor Jesus Cristo intercessores e amigos, que falarão em meu favor. Cobrirei a multidão dos meus pecados, multiplicando as minhas obras de misericórdia, dando esmolas; se tiver muito, dando muito; se tiver pouco, dando pouco.

O ensinamento moral da parábola se resume nestas palavras: "OS FILHOS DO SÉCULO (os mundanos) SÃO MAIS PRUDENTES EM SEUS NEGÓCIOS DO QUE OS FILHOS DA LUZ" (o homem esclarecido pelas luzes da fé). Enquanto aqueles trabalham e se esforçam, e suam, e não medem dificuldades para satisfazer as suas paixões, estes adormecem imprudentemente sem nada fazer para Deus e para o céu.

Uma outra consideração sobe à nossa mente: Como chegou este homem a tornar-se um ladrão? Foi aos poucos, lentamente e de degrau em degrau. Por isso, Nosso Senhor, depois de nos ter recomendado a prudência, recomenda também a fidelidade nas pequeninas coisas. A delicadeza de consciência é a honra do cristão, que não quer ser justo somente diante dos homens, mas ainda diante de Deus, que é a Justiça por essência.

Por que Jesus fala de "RIQUEZAS INJUSTAS?" Porque enganadoras, mentirosas e também porque ou são, às vezes mal adquiridas, ou porque  mal empregadas, e, neste sentido, são a fonte de muitas injustiças. Em si mesma, a fortuna é um dom de Deus, é uma graça que convém aproveitar para a nossa salvação, proporcionado-nos a amizade dos pobres, conquistando-nos o coração de Jesus que neles se encarna e representa. Se um homem administrar mal as riquezas deste mundo, nega-lhe Deus os bens da graça; se não respeitar os bens alheios, que pertencem a Deus, perderá também o que lhe pertence, as graças a que tinha direito pelo sacramento do Batismo.

Ó misericordioso Jesus, dai-nos um coração sempre mais sensível às diversas necessidades do próximo. Descobri-nos todo o mistério do necessitado e do pobre, na ordem espiritual e temporal, para que no dia terrível do juízo sejais para nós o onipotente libertador: "Bem-aventurado o que cuida do necessitado e do pobre; o Senhor o livrará no dia mau" (Salmo 40, 2). Amém!

HOMILIA DOMINICAL - 8º Domingo depois de Pentecostes

Leitura: Epístola aos Romanos VIII, 12-17.
              Evangelho segundo São Lucas XVI, 1-9. 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   No Santo Evangelho de hoje, através da parábola do "Feitor infiel" Nosso Senhor Jesus Cristo quer exortar-nos, a nós os "filhos da luz" a não sermos menos hábeis em olhar pelos interesses eternos do que "os filhos das trevas" em assegurar os bens deste mundo.
   Sob a imagem de um ecônomo, que chama infiel, o Divino Mestre nos faz ver o cuidado que devemos ter em assegurarmos uma boa morte, e como o melhor meio de a conseguir é a prática das obras de misericórdia. Certo ecônomo, diz Jesus Cristo, ao serviço de um rico proprietário, vendo que ia ser despedido, por causa da sua má administração, recorre a um expediente injusto, porém hábil, a fim de converter os devedores de seu amo em amigos que, no momento oportuno, o recebam em sua casa. Assim o pecador deve empregar todos os meios para ser recebido, depois da morte, nos tabernáculos eternos, ou seja, no Céu. Tal é o sentido da parábola que lemos em São Lucas XVI, 1-9.
   O homem rico é a figura de Deus, Senhor absoluto de todas as riquezas que possuem os anjos no céu,,e os homens na terra. O ecônomo é todo o homem que está neste mundo. Se o homem aqui na terra é considerado proprietário diante dos outros homens, não o é diante de Deus, mas apenas um administrador, um simples ecônomo. Tudo o que possuímos, de fato, não nos pertence, pois tudo nos foi confiado por Deus, a quem havemos de prestar contas.
   À hora da nossa morte, encontraremos um livro onde se acha notado, com rigorosa precisão (um copo d'água, uma palavra ociosa etc.) todo o nosso ativo e todo o nosso passivo; todo o bem e todo o mal. 
  Como o ecônomo infiel, seremos também acusados, diante de Deus, pelo demônio e pelos nossos próprios pecados.
   O pecador é chamado ao tribunal de Deus pela voz dos superiores, pelos bons exemplos que recusa imitar, pelos conselhos e salutares avisos dos seus amigos, pelas inspirações da graça, pelo remorso da consciência e, finalmente, pela morte que se aproxima lentamente e cai de súbito sobre ele. A vida inteira nos é concedida para regular as nossas contas, e podemos fazê-lo pelo exame de consciência e pela confissão sacramental. 
   -Presta-me contas da tua administração. Esta intimação será feita, um dia, a cada um de nós, à hora da morte. Para uns será horrível, como o prelúdio do castigo; para outros será cheia de consolação, como o anúncio da recompensa - Depois da morte já não podemos exercer a nossa administração, é já passado o tempo de expiar os nossos pecados. É agora, enquanto temos vida, tempo e saúde, que devemos refletir - Que hei de fazer? Agora não nos faltam os meios, e se refletirmos seriamente, logo encontraremos a resposta - Já sei o que devo fazer. No dia do Juízo o pecador dirá também - Que hei de fazer? mas será um grito de desespero, a sua perda é irremediável.
   Trabalhar cavando a terra, exposto ao sol e à chuva, é o penoso trabalho da penitência e da mortificação. Mendigar é orar, é suplicar o necessário para alimento da nossa alma.
As sete obras de misericórdia corporais
   Se, porém, não temos força ou coragem para as duras penitências da vida cristã, se não temos tempo e vagar para longas orações, podemos sempre praticar outras boas obras, fazer esmolas ainda mesmo do pouco que possuímos. Qual o pobre que não pode dar a outro pobre o óbulo da viúva ou ainda um copo d'água? A esmola é, pois, um grande meio de salvação, sem excluir, todavia, a penitência e a oração que, segundo as circunstâncias, nos for permitido fazer. 
   Caríssimos, vê-se bem a astúcia deste mau servo da parábola. Perdoando a uns mais do que a outros, toma precauções para que não seja descoberta a sua fraude. Além disso, ele conhecia talvez as disposições de cada um, e procede com toda a prudência, habilidade e espírito de previdência. Enquanto o ecônomo não tinha o direito de dispor dos bens de seu amo, nós recebemos de Deus, não somente uma permissão, mas ainda uma ordem formal de distribuir com largueza e liberalidade, os bens corporais e espirituais que Ele nos confiou. Quis o Divino Mestre fazer-nos compreender, diz Santo Agostinho, que se aquele mau servo é elogiado por saber acautelar os seu interesses, com mais razão seremos nós agradáveis a Deus, se, conformando-nos com a lei divina, praticarmos as obras de misericórdia.
   Jesus fala de "riquezas injustas",isto é, enganadoras, mentirosas. São assim chamadas porque são às vezes mal adquiridas, ou porque são mal empregadas, e, neste sentido, são a fonte de muitas injustiças. Em si mesma, porém, a fortuna é um dom de Deus, é uma graça que convém aproveitar para a nossa salvação, proporcionando-nos a amizade dos pobres, conquistando-nos o coração de Jesus que neles se incarna e representa. 
   Caríssimos e amados fiéis, quem tem pouco, dê pouco; quem tem muito, dê muito. Lembrai-vos que os bens desta terra em vossas mãos são perdidos para a eternidade; mas depositados nas mãos dos pobres e dos amigos de Nosso Senhor, frutificarão ao cêntuplo, resgatarão vossos pecados, e vos valerão o paraíso. Amém!
   

domingo, 8 de julho de 2018

EVANGELHO DO 7º DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES



S. Mateus VII, 15-21

Acautelai-vos dos falsos profetas...

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

"Acautelai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós sob peles de ovelhas, e por dentro, no entanto, são lobos vorazes". Sempre houve e sempre haverá falsos pregadores porque eles são frutos do orgulho e da mentira; em uma palavra, são filhos do demônio. Eis como o Espírito Santo ensina a tratar os falsos profetas: "Quando chegaram [Paulo e Barnabé] a Salamina, pregavam a palavra de Deus nas sinagogas dos judeus. Tinham com eles João. Tendo percorrido toda a ilha até Pafos, encontraram certo homem mago, falso profeta, judeu, que tinha por nome Barjesus, o qual estava com o procônsul Sérgio Paulo, homem prudente. Este, tendo mandado chamar Barnabé e Saulo, mostrou desejos de ouvir a palavra de Deus. Mas Elimas, o mago (porque assim se interpreta o seu nome) se lhes opunha, procurando afastar da fé o procônsul. Porém Saulo, que também se chama Paulo, cheio do Espírito Santo, fixando nele os olhos, disse: Ó cheio de todo o engano e de toda a astúcia, filho do demônio, inimigo de toda justiça, não acabarás de perverter os caminhos retos do Senhor? (Atos XIII, 5-11).

 O único Profeta que devemos ouvir, o único Mestre cujas lições devemos seguir, é Jesus Cristo e os que O representam, os que se tornaram guardiões e arautos de Sua doutrina. "Ipsum audite" diz o Altíssimo aos apóstolos ao mostrar-lhes seu Filho Jesus Cristo: "ESCUTAI-O". Quanto aos Apóstolos e, na sua pessoa, aos seus sucessores, o próprio Jesus disse: "Quem vos ouve, a mim ouve". Quem segue a Nosso Senhor Jesus Cristo nunca anda nas trevas, nunca se desmente, porque Jesus é a Verdade.

Mas, infelizmente, sempre houve e sempre haverá pessoas orgulhosas que se arvoram em mestres para dominar os fiéis, querendo obrigá-los a segui-los "per fas et nefas" quer os dirijam para um lado, quer os levem para o oposto. Mas sendo tal atitude de per si odiosa, empregam a hipocrisia e, às vezes, abusam dum dom de Deus, isto é, de uma inteligência privilegiada, para conduzir suas ovelhas com esperteza, com astúcia, ou seja, como lobos vorazes mas sob peles de ovelhas. Querem simplesmente a honra de conduzir as ovelhas a seu bel prazer, e se esforçam por induzir os fiéis a aceitar suas lições. Estes falsos profetas, estes messias, como eles não têm receio de se chamarem algumas vezes, infelizmente são numerosos em nossos dias.  Estes falsos "cristos" sempre tiveram a aprovação e o apoio do mundo. Hoje, porém, o mundo tem muito mais recursos para secundar suas ações lupinas e, em contra partida, para lutar contra os verdadeiros pregadores e, no mínimo, para neutralizar sua ação missionária.

O Divino Mestre, depois de ter dito que a porta do céu é estreita e que apertado é o caminho que a ele conduz, prossegue: Guardai-vos dos falsos doutores... Falsos doutores são, consequentemente, aqueles que ensinam que o caminho do céu é largo, cômodo... Falsos profetas são aqueles que pregam ampla liberdade; que ensinam uma moral laxa que se acomoda às paixões humanas. Os falsos doutores se cobrem com pele de ovelha, apresentando-se com ares de santidade; ostentando seus erros sob um aspecto de verossimilhança; empregando argumentos que, na verdade, são sofismas; deturpando as Sagradas Escrituras; pregando um "Cristianismo light"; aparentando mansidão, simplicidade, piedade...; usando de palavras doces, de frases suaves... Hodiernamente, infeccionados pelo ecumenismo pós-conciliar, gostam de se moverem em terreno comum, onde reina o interconfessionalismo. Basta os falsos profetas deixarem de combater o mundo com suas modas indecentes, vaidades e ideias contrárias ao Santo Evangelho, e logo são ouvidos e seguidos pela maioria.

Para conhecê-los é bastante examinar-lhes os frutos. A maior parte das heresias, com poucas exceções,  foram propagadas por homens da hierarquia, bispos, patriarcas e padres e simulavam santidade. Mas quais foram os frutos das heresias? As divisões, as rixas, os morticínios, os exílios, as rapinas, as guerras, a profanação da igrejas e dos sacramentos. Na verdade, a boa árvore dá bons frutos, a árvore má, maus frutos. Não é possível que uma árvore má produza bons frutos. Se os frutos são maus, é sinal evidente da maldade da árvore. Os péssimos frutos da heresia, do erro, das falsas religiões estão a mostrar a sua corrupção.  

"Toda árvore que não dá bom fruto será cortada e lançada ao fogo". Caríssimos, é mister considerarmos atentamente esta palavra do divino Salvador: "QUE NÃO DÁ BONS FRUTOS". Jesus Cristo não disse: que dá maus frutos. Na verdade, há muitos cristãos que creem ter cumprido toda justiça, porque pretendem não ter feito o mal, não ter matado, nem roubado, não ter, em uma palavra, feito mal a ninguém. Segundo a palavra do divino Mestre, no entretanto, não é suficiente não ter feito o mal mas é preciso ter feito o bem. Com efeito, toda criatura neste mundo tem uma missão a cumprir, desde um pé de erva até o sol; com muito mais razão o homem,  a obra-prima e o rei da criação. O Evangelho, todas as vezes que fala do reino dos céus, representa-o como o preço do esforço, do trabalho, do sacrifício. É um reino que é preciso conquistar e só os valorosos o arrebatam; é um negócio que é mister realizar, uma vinha que é preciso cultivar, uma casa que é necessário administrar. A inação, a ociosidade aí são condenadas com persistência. Diz o profeta Rei: "Afastai-vos do mal e fazei o bem" (Salmo XXXVI, 27). E o mesmo diz o profeta Isaías: "Cessai de fazer o mal, aprendei a fazer o bem" (Is. I, 16 e 17).

"Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas, o que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, este é que entrará no Reino dos céus". Estas palavras do Divino Mestre são um desenvolvimento e comentário das precedentes que supra comentamos. Com efeito, dizer: Senhor, Senhor, é, na verdade reconhecer a divindade de Jesus Cristo. A fé é coisa boa, necessária, indispensável. Dizer: Senhor, Senhor, é bom outrossim porque é orar. A oração, as práticas piedosas são úteis, necessárias mesmo, e muito recomendadas por Jesus Cristo e pela Igreja. Mas isto não é suficiente: é mister juntar as obras. Jesus di-lo formalmente: Entrará no reino dos céus aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Mas esta vontade onde se encontra expressa? No Evangelho, nos mandamentos de Deus e nos ensinamentos e preceitos da Igreja, que não são outra coisa que o comentário e a aplicação das leis de Deus.

Caríssimos, depois da união da natureza humana com a divina, que adoramos em Jesus Cristo, e da união da maternidade com a virgindade, que honramos em Maria Santíssima, não há nenhuma mais admirável que a da nossa vontade com a do Senhor. Este abandono filial, que nos entrega inteiramente nas mãos de Deus, é a mais bela vitória da graça sobre a nossa vontade, sem ofender o nosso livre arbítrio. Através desta união, adquiro uma admirável semelhança, uma espécie de parentesco com Jesus Cristo. Ele desceu à terra, nela viveu e morreu, só para fazer a vontade de seu Pai. Com esta virtude, não temos outro alimento senão o que tem Jesus Cristo. Entro na sua família, torno-me seu irmão, sua irmã, sua mãe (Cf. S. Mateus XII, 50). Elevo-me até Deus, tomando a sua vontade por norma da minha; nisto consiste a verdadeira santidade. Pois, quando faço a vontade do Senhor e obedeço à direção de sua suma sabedoria, posso, acaso, enganar-me? E, quando procedo conforme com a santidade infinita, posso pecar?

"Ó meu Deus, quando estiver perfeitamente unido a Vós, não terei já tribulação nem dor; então a minha vida será cheia de alegria, porque eu mesmo serei cheio de Vós" (S. Agostinho). Amém!

HOMILIA DOMINICAL - 7º Domingo depois de Pentecostes

Extraído do   Livro "INTIMIDADE DIVINA" do P. Gabriel de S.ta M.  Madalena,O. C. D.

   No Evangelho de hoje, Jesus chama a nossa atenção para os "falsos profetas" que se apresentam "vestidos de ovelhas e por dentro são lobos rapaces". Muitos apresentam-se como mestres de moral ou mestres espirituais, porém são mestres falsos porque as suas obras não correspondem às suas palavras; aliás, é fácil falar bem, mas não é fácil viver bem. Às vezes as doutrinas propostas são falsas em si mesmas, embora à primeira vista o não pareçam, visto que se revestem de certos aspectos de verdade; é falsa a doutrina que, em nome de um princípio evangélico, ofende um outro, por exemplo, que em nome da compaixão para com uma pessoa lesa o bem comum, que em nome da caridade ofende a justiça ou esquece a obediência aos legítimos superiores. É falsa a doutrina que é causa do relaxamento, que perturba a paz e a união, que, sob pretexto de um bem melhor, separa os súditos dos superiores, que não se subordina à voz da autoridade. Jesus quer-nos "simples como pombas", alheios à crítica e ao juízo severo do próximo, mas quer-nos também "prudentes como as serpentes" (Mt. 10, 16), a fim de nos não deixarmos enganar pelas falsas aparências do bem que escondem perigosas insídias.
   Porém, ser mestre não é para todos, nem a todos se exige; mas a todos - sábios e ignorantes, mestres e discípulos - pede o Senhor a prática concreta da vida cristã. De que nos serviria possuir uma doutrina profunda e elevada, se depois não vivêssemos segundo essa doutrina? Portanto, em vez de querermos ser mestres dos outros, procuremos sê-lo de nós mesmos, empenhando-nos em viver integralmente as lições do Evangelho, imitando Jesus que primeiro "começou a fazer e depois a ensinar" (At.1, 1). O fruto genuíno que há-de comprovar a bondade da nossa doutrina e da nossa vida é sempre o que Jesus nos indicou: o cumprimento da Sua vontade. Cumprimento que significa adesão plena às leis divinas e eclesiásticas, obediência leal aos legítimos superiores, fidelidade aos deveres de estado, e tudo isto em todas as circunstâncias, mesmo quando exige de nós a renúncia à nossa maneira de ver e à nossa vontade.
   "Ó meu Deus, a Vossa suprema e eterna vontade não quer senão a nossa santificação, por isso a alma que deseja santificar-se despoja-se da sua vontade e reveste-se da Vossa. Ó dulcíssimo Amor, parece-me ser este o verdadeiro sinal dos que estão enxertados em Vós: que sigam a Vossa vontade à Vossa maneira e não à sua, que sejam revestidos da Vossa vontade" (cfr. Santa Catarina de Sena).

terça-feira, 3 de julho de 2018

O SANGUE DE JESUS NAS AÇÕES DE GRAÇAS APÓS A COMUNHÃO


LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Ação de graças.

E agora que estais aqui, ó meu dulcíssimo Jesus, agradeço-Vos do mais íntimo do meu coração, mas peço-Vos também uma graça: dai-me o Vosso Sangue. Não Vos contenteis em estar comigo como estais no tabernáculo: Deixai cair sobre a minha alma o orvalho dos Vosso Sangue. Ó Jesus,o Vosso Sangue que, por causa dos espinhos da coroa, banharam Vossa fronte, deixai-O cair sobre a minha alma; sobre minha inteligência e sobre a minha memória, afim de que eu conheça ao menos algum dos pensamentos que tínheis ao morrer por mim, e para que eu recorde para sempre quanto Vos custaram certas imaginações, certas ideias e certas obstinações da minha mente leviana, caprichosa e soberba. Dai-me o Sangue que Vos correu das mãos traspassadas pelos cravos, e venha ele santificar todas as minhas intenções. Dai-me o Sangue dos Vossos pés, e que eu veja sempre os vestígios d'Ele sobre o caminho da minha peregrinação e do meu calvário, e deste modo não dê um só passo fora das normas dos vossos exemplos e das vossas dores. Daí-me o Sangue de toda a Vossa adorável Humanidade, afim de que eu aprenda que não possuo uma só partícula do meu corpo que não possa e não deva sacrificar-ta por Vós, e saiba, com o Vosso exemplo e a Vossa graça, como se leva uma cruz, como se suporta um flagelo, como se recebe uma ultraje, como se consuma um sacrifício. Dai-me, ó Jesus, o Vosso Sangue, ou melhor, dai-me o Sangue do Vosso Coração. Ah! este Sangue deve ser o mais precioso que Vos correu pelas veias, porque o reservaste para fazer d'Ele o último dom: é o Sangue que melhor conhece as Vossas pulsações e até que ponto sabeis amar a Vossa criatura. Ah! que ânsias não sinto de achegar os meus lábios ao Vosso sagrado lado aberto pela lança! Tenho bebido já em mais de uma fonte terrena, mas aumentou-me sempre a secura misteriosa que me consome: só Vós, ó Jesus, podeis apagá-la com o Vosso Sangue. Deixai-O cair do Vosso Coração sobre o meu, gota a gota; venha substituir o meu sempre infecto de tantas más tendências e de tantas culpas; venha trazer-me a vida das duas virtudes que mais Vos são caras, a mansidão e a humildade.


Ó Jesus, confesso-Vos que aqui na intimidade desta Comunhão, estou cansado já de ter um coração tão mau; mas como posso eu melhorá-lo se Vós mesmo lhe não transformais a natureza, se não o vivificais com novas e santas pulsações? e como o fareis palpitar por Vós se não lhe infundirdes o Vosso Sangue? Ó Jesus, eu sinto já náuseas da terra e das criaturas; sinto-me sem vontade para nada, sem transportes de alegria, sem entusiasmo: é uma onda de tristeza intolerável que me afoga. Ah! o Vosso Sangue! Não sou um anjo, não tenho um cálice de ouro para recolhê-lo... sou uma alma infeliz, mas tenho sede... Tenho os lábios ressequidos... deixai-me chegar-los ao Vosso Coração aberto, deixai-me que eu beba, deixai que eu fique inebriado do Vosso Sangue. Sim, inebriado! Não quero mais pensar, querer, esperar, sofrer, senão sob o impulso e os ímpetos duma embriaguez santa de amor por Vós. Vós, ó Jesus, amastes tanto os homens a ponto de Santo Agostinho Vos chamar um louco de amor; pois bem, dai-me o Vosso Sangue; que eu O beba até à última gota, para que os anjos depois me chamem ébrio do Vosso Sangue, Amém! 

segunda-feira, 2 de julho de 2018

DISPOSIÇÕES PARA A SAGRADA COMUNHÃO

   A Comunhão só produz em nós os maravilhosos efeitos quando é recebida com as devidas disposições.

   As disposições mínimas e indispensáveis são: o estado de graça e a reta intenção. Contudo, acrescentaremos outras aconselhadas pela Santa Igreja, porque quanto melhores as disposições, tanto maiores são os frutos que se colhem da Comunhão.

   A - DISPOSIÇÕES DA ALMA.

   1- O ESTADO DE GRAÇA. Esta disposição é imposta por preceito grave. Estar em estado de graça é ter a consciência pura e livre de todo pecado mortal. "Que o homem examine a si mesmo, diz São Paulo, pois o que come e bebe indignamente o Corpo e o Sangue do Senhor, come e bebe a própria condenação." (1 Cor. XI, 28 e 29). Quem comungasse em pecado mortal, cometeria horrível sacrilégio. Receberia Jesus Cristo, mas para a própria condenação. De acordo com o Concílio de Trento, quem está consciente de ter pecado mortal, ainda que arrependido de sua culpa, não deve receber a Eucaristia, sem antes purificar-se pela confissão sacramental.

   2 - RETA INTENÇÃO: ter reta intenção na Comunhão é desejar agradar a Deus e unir-se a Ele, nosso Alimento e nosso Médico. Quem comungasse por vaidade, por rotina ou hábito, ou por outro motivo humano (como um político para ganhar voto; uma pessoa para conseguir um emprego etc.) não teria reta intenção e estaria cometendo um pecado.

   3 - FÉ VIVA NA PRESENÇA REAL: devemos crer que Jesus Cristo está realmente presente na Santíssima Eucaristia. É preciso que o comungante saiba distinguir entre a Mesa Sagrada  e a profana, entre o Pão do Céu e o pão comum.

   4 - HUMILDADE PROFUNDA: devemos considerar quanto somos indignos de que o Senhor nos faça este divino favor. Repetiremos as palavras do Centurião: "Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha casa".(S. Mat. VIII, 8-10).

   5 - AMOR PROFUNDO: se Jesus vem a nós é porque nos ama. Devemos recebê-Lo com igais sentimentos.

   6 - DESEJO ARDENTE: Nosso Senhor quer ser desejado ardentemente. Este Pão quer ser comido por almas famintas.

   7 - SINCERA CARIDADE FRATERNA: cada qual deve examinar-se a si próprio, se vive em paz com os outros, se ama realmente ao próximo de todo o coração.

   8 - PREPARAÇÃO E AÇÃO DE GRAÇAS: a preparação consiste em demorar-nos algum tempo a considerar quem vamos receber e quem somos nós; a fazer atos de fé, adoração, contrição, esperança e das outras virtudes de que falamos acima. A ação de graças, depois da Comunhão, consiste em nos recolhermos dentro de nós, por algum tempo (no mínimo 15 minutos), honrando ao Senhor, com atos de fé, adoração, agradecimento, caridade, oferecimento, esperança e petição das graças mais necessárias para nós e para os outros.

   B. DISPOSIÇÕES PARA O CORPO.

   1 - JEJUM: Além da alma, o corpo também precisa de preparação. Para chegarmos à Sagrada Mesa, devemos estar em jejum, de sorte que não tenhamos comido nem bebido nada, durante uma hora antes da Comunhão. Água natural não quebra o jejum.

   2 - MODÉSTIA E DECÊNCIA: é absolutamente indispensável. As senhoras, moças e meninas não só não devem usar nada de indecoroso, como trajes masculinos,  mas devem evitar também qualquer vaidade ou afetação, quando vão comungar. É uma falta de respeito, de fé e de modéstia muito grande apresentar-se sem manga, com vestidos decotados, transparentes ou que não cubram bem os joelhos, sem véu. Haja nas vestes: simplicidade, modéstia, asseio e dignidade, que refletem um coração puro e temente a Deus. Os homens e rapazes apresentar-se-ão de paletó ou, pelo menos, com camisa de mangas compridas. O Santo Padre Pio negava a comunhão aos que não seguiam estas normas.

   Comungam justo e perverso,           Morte, do mau; do bom, vida
   Mas seu destino é diverso,              Vê como a mesma comida
   Pois recebem vida e morte.              Produz efeitos contrários.
                       (Santo Tomás de Aquino)