SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

domingo, 19 de novembro de 2017

HOMILIA DOMINICAL - 24º Domingo depois de Pentecostes (6º depois da Epifania transferido)

   Estamos no 24º Domingo depois de Pentecostes; transfere-se para hoje o 6º Domingo depois da Epifania. (Este ano litúrgico tem 25 domingos depois de Pentecostes). 

  Leituras: Primeira Epístola de São Paulo Apóstolo aos Tessalonicenses, 1, 2-10.
                  Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus, 13, 31-35:


Dizem os Santos Evangelhos : "Naquele mesmo dia
saiu Jesus de casa e sentou-se à beira do mar.
Reuniu-se tanta gente perto dele, que subiu à uma
barca, onde se sentou, ficando todo o povo
na praia. E falou-lhes muitas coisas em parábolas".
As duas parábolas do Evangelho deste Domingo
foram feitas neste sermão.
Faz alguns anos que houve uma grande seca
na Galileia; o nível das águas do Lago de
Genesaré ficou muito baixo. Foi então encontrada
uma barca afundada na argila, que segundo os
cientistas dataria entre os anos 100 AC e 100 DC.
Seria a barca na qual Jesus pregou? Este detalhe
não é possível ser verificado pelas ciências.
Tive oportunidade de ver esta barca (foto) no
Museu construído ao norte da antiga
Magdala.
  Naquele tempo, propôs Jesus ao povo esta parábola: O Reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda, que um homem tomou e semeou em seu campo. Este grão é, em verdade, a menor de todas as sementes, mas depois de crescida, é a maior de todas as hortaliças e chega a tornar-se uma árvore, de maneira que as aves do céu vêm e fazem seus ninhos entre os seus ramos. Disse-lhes ainda outra parábola: O Reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até que ela fique levedada. Todas estas coisas disse Jesus ao povo, em parábolas; e não lhe falava senão em parábolas, para que se cumprisse o que estava escrito pelo Profeta? Abrirei em parábolas os meus lábios e publicarei coisas ocultas desde a criação do mundo.

  Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

  Neste domingo a Santa Igreja apresenta para nossa meditação, mais duas parábolas: a do grão de mostarda e a do fermento. 
   Os Santos Padres dão-nos vários sentidos da parábola do grão de mostarda: 
   1º - PRIMEIRA SIGNIFICAÇÃO:  A pregação do Evangelho, isto é, da doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo. Desde o princípio, com efeito, a pregação da doutrina  de Nossos Senhor foi como uma semente muito pequena, como um grão de mostarda, lançado primeiramente pelo próprio Divino Mestre e pelos Apóstolos na Judeia e depois em toda terra, no meio de contradições e de perseguições. Jesus dizia: "Quando Eu for levantado da terra, atrairei tudo a mim". E São Paulo diz: "Prego a Jesus crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios". Mas este grão de mostarda germinou, cresceu e fez-se árvore (na palestina o pé de mostarda chega até a três metros de altura) em que as aves do céu, isto é, as almas fiéis e generosas vêm pousar em multidão, à espera de voarem para o Céu. 
  2º - SEGUNDA SIGNIFICAÇÃO: A Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. Como o grão de mostarda, a Igreja era pequena em seus começos, e está hoje espalhada por todo o mundo; tornou-se uma grande árvore onde os pássaros, isto é, os cristãos de todos os séculos, vêm buscar abrigo e alimento. Os grandes e belos ramos desta grande árvore são os ensinos que saem do firmíssimo tronco, que é a Igreja. As almas nobres e verdadeiramente aladas, os que sabem erguer-se acima das misérias da vida, encontram repouso, paz e tranquilidade, à sombra de sua doutrina.
  O escândalo da cruz, a severidade da sua moral, as heresias nascentes, as terríveis perseguições durante séculos, devastando pastores e ovelhas, tudo isto parecia condenar a Igreja ao desaparecimento, como acontece com um grãozinho de mostarda que cai no chão e é pisado. Mas, ó maravilha! o pequenino grão de mostarda (já figurado pela pequenina pedra desprendendo-se da montanha, e mostrado ao profeta Elias sob a figura da pequenina nuvem que, pouco a pouco, se avoluma no horizonte) desenvolve-se admiravelmente de século para século, e transforma-se numa grande árvore que estende seus ramos até aos confins da terra e cobre o mundo inteiro com a sua benéfica sombra. 
  3º - TERCEIRA SIGNIFICAÇÃO: A graça de Deus em nossas almas. A graça é, muitas vezes, no princípio, quase imperceptível: é um bom pensamento, uma santa inspiração, uma secreta impulsão, um bom exemplo, uma simples palavra... Mas esta graça germina, cresce, aumenta na alma, torna-se como uma grande árvore, e produz frutos de santidade e de salvação, que edificam e alegram toda a Igreja. 
  4º - QUARTA SIGNIFICAÇÃO: O próprio Nosso Senhor Jesus Cristo: Referindo-se à sua Morte e Ressurreição Jesus disse que, se o grão não cair na terra e morrer, não germina e nem dá fruto. Tendo aparecido na terra pobre e humilde, vive nela vida obscura e pobre e é perseguido, reduzido a quase nada como um verme, na Sua Paixão; é sepultado e como que semeado na terra... Mas sai de lá triunfante e glorioso, estendendo a sua doutrina e o seu poder por toda a terra, e recebendo as adorações do mundo inteiro.

 Vejamos agora a parábola do fermento. Esta parábola parece-se com a da mostarda; mas suscita uma ideia de certo modo diferente. Se a parábola do grão de mostarda nos revela a expansão gradual do Evangelho e o seu extraordinário desenvolvimento, esta do fermento faz-nos ver o trabalho interior da graça na alma dos eleitos.
  Com efeito, aqui o fermento é tomado como figura da graça de Deus, que infundida em nossas alma por meio dos sacramentos, ali se desenvolve insensivelmente e produz frutos de santidade e de salvação, se não lhe pomos obstáculos. É mister o fervor, o calor do amor de Deus para que este fermento divino tenha todo o efeito em nossa alma. Aqui pensamos especialmente no Santíssimo Sacramento da Eucaristia. O pão eucarístico que a Igreja nos dá e que é posto em nós como um fermento sagrado, para nos penetrar, mudar e transformar em Jesus Cristo, fazer de nós com Ele, um mesmo espírito e uma mesma carne, a fim de que nos tornemos um pão místico, digno de ser oferecido a Deus. Todos os fiéis que comungam, e mais especialmente os que comungam com frequência, deveriam ser para todos aqueles que os cercam ou que eles frequentam, quer fossem cristãos quer descrentes, um como fermento salutar; isto é, assim como o fermento transforma a massa, assim, o verdadeiro cristão deve operar, naqueles com quem se mistura, uma feliz transformação, convertendo-os, tornando-os melhores, fazendo deles frutos saborosos, dignos e fiéis discípulos de Jesus Cristo.
  Senhor Jesus, abri os olhos da nossa alma, para que compreendamos as celestes instruções que nos dais em vossas divinas parábolas. Amém!
  

terça-feira, 14 de novembro de 2017

OS DOGMAS SÃO IMUTÁVEIS

Há homens de coração reto que têm sede de uma luz infinita. E esta sede do infinito, só Deus pode saciá-la. E Deus se fez Homem para lhes dar a segurança dizendo: Eu sou a Verdade. E o grande foco da luz divina é a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. O Divino Mestre cingiu a fronte de sua Esposa mística com o diadema visível de Rainha da Verdade. A unidade, a indefectibilidade, a santidade e a infalibilidade refulgem na coroa da Igreja, quais gemas preciosas, prendas que são deste Divino Esposo e que distinguirão a Igreja das rugas das adulterações humanas e das manchas das sociedades heréticas ou cismáticas. Dado o orgulho humano, estas últimas infelizmente sempre existirão. Daí as exortações do Apóstolo  ao seu discípulo e bispo Timóteo, exortações estas sobre as quais vamos ora refletir.

São Paulo, num tom pleno de solene gravidade, conjura o seu discípulo caríssimo, o Bispo Timóteo, a ser fiel à sua missão de pregar a doutrina imutável de Nosso Senhor Jesus Cristo. E, portanto, deverá insistir, quer agrade quer desagrade, e repreender aqueles que dela se afastarem. O Apóstolo dos Gentios, exorta o seu discípulo a ter sempre firmeza em defender a verdade, a doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo que não muda, e, ao mesmo tempo, mostra que é mister fazê-lo sempre com bondade e paciência, isto é, sem discussões e altercações.

Não há a mínima dúvida de que São Paulo faz aqui uma profecia: "virá tempo" afirma ele. Já na primeira carta ao mesmo Bispo Timóteo, o Apóstolo São Paulo já alertava: "O Espírito (Santo) diz claramente que nos últimos tempos alguns apostatarão da fé, dando ouvido a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios..." (I Tim., IV, 1). E ao terminar esta mesma carta, faz esta exortação: "Ó Timóteo, guarda o depósito (da fé), evitando as novidades profanas de palavras e as contradições de uma ciência de falso nome, professando a qual, alguns se desviaram da fé" (I Tim. VI, 20 e 21).

A lídima Palavra de Deus da qual os bons têm sede, causa náuseas aos orgulhos. Não suportam ouvir a sã doutrina. Almejam uma multidão de pregadores que adulem suas paixões. Por isso São Paulo já na primeira epístola, havia dito a Timóteo: "Se alguém ensina, de modo diferente e não abraça as sãs palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo e aquela doutrina que é conforme à piedade, é um soberbo..." (I Tim., VI, 3 e 4). Não suportam ouvir sempre a mesma coisa; desejam ardentemente ouvir novidades. Em lugar do Evangelho, da verdade confirmada com tantos milagres, e assim tornada a mais evidente e incontestável, abraçarão fabulosas, estranhas e inacreditáveis doutrinas. Assim agiram os gnósticos, maniqueus e outros hereges.

Em verdade, esta profecia de São Paulo vem se realizando desde os primeiros séculos; mas, com certeza se realizará plenamente nos últimos tempos, na época do Anti-Cristo. Mas não resta a mínima dúvida de que ela se cumpre ao pé da letra em relação aos modernistas. São Pio X dizia que o Modernismo é a reunião de todas as heresias, e a sua origem está no orgulho humano que procura novidades que agradam. Agravando-se o espírito de contestação contra a Tradição e os dogmas, compreende-se que os modernistas não suportem mais ouvir a verdade. Daí vem a apostasia da fé, e passam a pregar abertamente doutrinas diabólicas. Os modernistas são pessoas ávidas de popularidade, que lançam a divisão na Igreja e nas famílias. Organizam conciliábulos e preparam os cismas dentro da Igreja. Procuram ensinar outras coisas diferentes e rejeitam a linguagem escolástica tradicional. Cabe aqui perfeitamente seguirmos a mesma exortação que S. Paulo fez a Tito: "Foge do homem herege, depois da primeira e da segunda correção, sabendo que tal homem está pervertido e peca, como quem é condenado pelo seu próprio juízo" (Tito, III, 10 e 11).

Seguindo o conselho de São Paulo, devemos fugir, portanto, de Hans-Kung que quer eliminar o dogma da Infalibilidade Pontifícia. Eis trecho de sua carta ao Papa Francisco: Imploro Papa Francisco, que sempre me respondeu de uma forma fraternal: receba essa extensa documentação e consinta em nossa Igreja uma discussão livre, aberta e sem preconceitos sobre todas as questões pendentes e removidas relacionadas com o dogma. Não se trata de um relativismo banal que mina os fundamentos éticos da Igreja e da sociedade. E nem mesmo de um dogmatismo rígido e tolo amarrado a uma interpretação literal. Está em jogo o bem da Igreja e do ecumenismo”.

Caríssimos, um só é o código que liga nossas almas aos destinos eternos: o Evangelho genuíno sem alterações e acomodações humanas. Guardemo-lo com toda fidelidade e amor.  A graça de Deus seja com todos vós. Amém!

domingo, 12 de novembro de 2017

HOMILIA DOMINICAL - 23º Domingo depois de Pentecostes

  Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Filipenses, 3, 17-21; 4, 1-3.
                  Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus, 9, 18-26. 

  Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Ruínas da cidade de Cesareia Marítima. Aqui
morava a mulher hemorroíssa, e também o
Historiador Eusébio. Pôncio Pilatos residia
aí, e tive oportunidade de, quando lá estive
(2000) ver um pedaço de um monumento
em que estava gravado o nome de Pôncio
Pilatos. Não confundir com Cesareia de
Filipe. Cesareia Marítima não aparece nos
Evangelhos, mas sim nos Atos dos
Apóstolos: Aí São Pedro batizou
Cornélio (At. 10); São Paulo esteve preso aí
por dois anos (At. 26); aí o Diácono
Filipe exerceu o seu ministério (At. 8, 40).
A construção maior circular que vemos
no centro, são as ruínas do teatro. 
  Jesus Cristo havia acabado de curar um possesso entre os Gerasenos, e, tendo tornado a atravessar o lago de Genesaré, foi rodeado pela multidão acorrida para o ouvir. Foi enquanto ensinava esta multidão que Jairo, chefe da Sinagoga (provavelmente de Cafarnaum) veio procurá-Lo pedindo que fosse à sua casa para tocar e ressuscitar sua filha. 
  O boníssimo Salvador sabia antecipadamente o milagre que, no caminho, ia operar em favor da hemorroíssa. Podia com uma palavra só e sem se mover, dominar a morte como a doença. Mas, por motivos dignos da sua infinita sabedoria, quis ir ressuscitar esta jovem pela sua presença, permitindo-nos assim admirar a sua suprema sabedoria, unida à sua bondade e ao seu poder sem limites.
  Ia Jesus com o chefe da Sinagoga e acompanhava-O uma inumerável multidão, comprimindo-O de todos os lados. E eis que uma pobre mulher, que há doze anos sofria dum fluxo de sangue, se aproximou por detrás e tocou a fimbria da sua túnica, porque ela dizia a si mesma: se eu tocar somente a sua túnica, serei curada. 
  Segundo uma respeitável tradição, seria a piedosa mulher, conhecida pelo nome de Verônica, que na via dolorosa do Calvário (VI estação) enxugou o suor e o sangue de Jesus com um pano de linho no qual ficou miraculosamente impressa a Santa Face. 
  Diz-se também que esta mulher era pagã, muito rica, provavelmente de Cesareia Marítima. Conta o Historiador Eusébio, também de Cesareia, que, em memória do favor imenso que tinha recebido de Jesus, mandara ela colocar, sobre a porta da sua casa, uma imagem do Salvador, a cujos pés estava uma mulher, em atitude suplicante, tocando-lhe a fímbria dos vestidos. Eusébio acrescenta ainda que teve ocasião de ver este monumento e, na sua base, uma planta cuja virtude curava muitas enfermidades. Juliano Apóstata mandou quebrar este grupo substituindo-o pela sua própria estátua que, também, foi derrubada por um raio. Finalmente o Historiador Sozômeno confirma a narração de Eusébio, atestando que os fragmentos desta imagem, recolhidos pelos cristãos, eram ainda conservados no seu tempo , isto é, no século V. 
  Antes de passarmos à consideração do outro milagre, admiremos a bondade do Coração de Jesus! Esta mulher, cheia de confusão à vista da sua enfermidade, merece da parte de Jesus o tratamento de filha. Ainda mais feliz por ter perseverado nos sentimentos de gratidão ao médico de sua alma e do seu corpo, ela é para nós um modelo tanto mais digno de imitação, quanto mais viva é a sua fé, e mais profunda a sua humildade. 

Passemos ao outro milagre. Imaginemos a angústia daquele pai! Sua única filha e com 12 anos está morta. Jesus diz a este angustiado chefe da Sanagoga: "Não temas. Crê somente, e ela será salva! Em face dos nossos mortos queridos, somente a fé pode acalmar a tempestade que se levanta dentro em nós. Não, eles não morreram; dormem apenas, para despertar no seio de Deus.
  Jesus, ordenando que saíssem todos, tomou o pai e a mãe da moça, e os que o acompanhavam, entrou no quarto onde ela jazia e, tomando-a pela mão, disse-lhe: "Talitha cumi", que quer dizer - moça, eu te ordeno, levanta-te". Imediatamente, voltou-lhe a vida, levantou-se e começou a andar, e todos ficaram possuídos de grande admiração.
  Jesus mandou depois que se lhe desse de comer, e proibiu severamente aos pais que contassem o que se tinha passado. Mas a notícia divulgou-se por todo o país. 
   O fato de Jesus mandar que dessem de comer a esta moça há pouco ressuscitada pela sua onipotência e misericórdia, não está destituído também de um belíssimo significado:  Fê-lo para indicar que o pecador ressuscitado para a graça, deve ainda alimentar-se; que depois de ter recebido o sacramento da Penitência, deve ainda comungar para que se firmem os seus bons propósitos, e se fortaleça a sua alma na prática do bem e da virtude. 
  Caríssimos e amados irmãos e irmãs, terminemos com a oração da Santa Missa de hoje: Dignai-Vos, Senhor, perdoar os delitos de vosso povo, a fim de que por vossa benignidade, sejamos livres dos laços dos pecados que por nossa fraqueza contraímos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que, sendo Deus, convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo por todos os séculos dos séculos. Amém!

sábado, 11 de novembro de 2017

CONFESSOR COMO MESTRE

Na verdade, o confessor é o mestre e o diretor que Jesus Cristo nos deu para nos ensinar o verdadeiro caminho do céu. Donde, devemos receber seus salutares ensinamentos com toda fé, todo respeito e toda a submissão possíveis. Quando Nosso Senhor Jesus Cristo disse aos seus discípulos: "Ide e instruí a todas as nações, e ensinai-lhes a observar tudo o que vos mandei; e, - eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos" (Mat. XXVIII, 19) Ele se dirigiu tanto aos pregadores como também aos confessores. O confessor, pois, deve instruir o penitente em tudo que diz respeito à fé, a moral e à piedade. Isto, às vezes, se torna necessário ou útil. O confessor, é, portanto por direito divino, mestre da fé, mestre da moral e mestre da piedade.

Consideremos estes três pontos:

1º - O CONFESSOR É MESTRE DA FÉ: Porque ele deve certificar-se, em primeiro lugar, se o penitente crê e conhece o que é necessário crer, pois que "sem a fé é impossível agradar a Deus" ( Hebr. XIV, 6). Ora, a fé que é necessária para agradar a Deus, não é a fé dos judeus, nem a dos protestantes e nem a dos modernistas, mas é a fé firme e absoluta da santa Igreja católica, fé baseada na autoridade de Deus, a fé acompanhada das boas obras. O confessor deve, portanto, lembrar aos cristãos as verdades da religião, dissipar as dúvidas que assaltam sua inteligência e premuni-los contra os erros que a impiedade propaga. Daí dizer o próprio Espírito Santo em Malaquias II, 7: "Os lábios dos sacerdotes serão os guardas da ciência; da sua boca se há de aprender a lei...". O confessor é "intérprete da vontade de Deus" (Cf. Mat.II, 7); ele é "a luz do mundo" (Cf. Mat. V, 14). Pois, é ele que deve esclarecer as almas. "É o sal da terra" (Cf. Mat. V, 13) para a preservar da corrupção do erro; é ainda "a sentinela vigilante" (Cf. Ez. III, 17) justamente para pôr as almas em guarda contra os ímpios. Por isso o confessor é obrigado a proibir aos penitentes as festas profanas e mundanas (como e aqui em Varre-Sai, a Festa do Vinho), as conversas, as leituras, as escolas que seriam perigosas para a sua fé.

2º - O CONFESSOR É MESTRE DA MORAL CRISTÃ: É encarregado de lembrar aos fiéis a observância dos mandamentos de Deus e da Igreja e o cumprimento dos deveres de estado. Eis o que disseram alguns santos: S. Gregório disse a este respeito: "Ele (o confessor) é especialmente constituído por Deus para indicar o bom caminho àqueles que se desviam". Portanto, deve ensinar a cada um, o mal que evitar, as ocasiões de que fugir, os meios de salvação que praticar. 

S. Bernardo: "O sacerdote é o anjo visível encarregado de conduzir as almas ao céu através dos perigos desta vida". Depois que Nosso Senhor Jesus Cristo subiu ao céu, é ao confessor que o cristão cuidadoso pela sua salvação deve dirigir a pergunta do moço do Evangelho: "Que devo fazer para alcançar a vida eterna?" E a resposta será a mesma que deu o Salvador: "Observai os mandamentos... E, se quereis ser perfeitos, ide, vendei o que tendes, dai-o aos pobres: tereis assim um tesouro no céu; depois vinde, segui-me" (S. Mateus, XIX, 17).


3º - O CONFESSOR É MESTE DA PIEDADE: São Gregório de Nyssa chama o sacerdote o "mestre da piedade", e com razão, pois, o confessionário é uma escola em que se ensina às almas a prática de todas as virtudes. Ali, o orgulhoso recebe lições de humildade, o colérico lições de mansidão, o sensual lições de mortificação; lá, o rico aprende a dar as esmolas, o pobre a ser resignado, o magistrado a governar com sabedoria, o superior a mandar sem arrogância, o súbdito a obedecer com humildade; ali, são ensinadas com autoridade toda divina, as virtudes, as práticas e as devoções mais santificantes, tais como a oração, a meditação, a frequência dos sacramentos, a devoção ao Santíssimo Sacramento, à Paixão de Cristo, à Santa Virgem , a São José, etc. Ali no confessionário quantas famílias são levadas a rezar o Santo Terço todos os dias! Amém!

domingo, 5 de novembro de 2017

HOMILIA DOMINICAL - 22º Domingo depois de Pentecostes

   Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Filipenses I, 1-11.
                   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 22, 15-21: 

 
 "Naquele tempo, retiraram-se os fariseus para consultarem entre si a ver como apanhariam a Jesus em alguma palavra. E enviaram-Lhe seus discípulos com alguns herodianos, dizendo: Mestre, sabemos que sois amigo da verdade e ensinais o caminho de Deus, segundo a verdade, sem Vos preocupardes com quem quer que seja, porque não julgais o homem segundo a sua carne. Dizei-nos, pois, o vosso parecer. É lícito pagar o tributo a César, ou não? Conheceu-lhes, porém, Jesus a maldade, e disse: Por que me tentais, hipócritas? Mostrai-me a moeda do tributo. Eles Lhe apresentam um dinheiro. E Jesus lhes disse: De quem é esta imagem e esta inscrição? Responderam-Lhe: De César. Então disse-lhes Jesus: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus". 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo! 

   "Começam pela lisonja, diz Bossuet, porque é por ela que se começa, quando se quer enganar alguém". 
Na verdade, ainda que sob uma forma capciosa e mal intencionada, os fariseus fazem um verdadeiro elogio do Salvador e prestam homenagem a sua doutrina e a sua santidade. Pois, Jesus é a Verdade, o Caminho e a Vida. Como diz São João: Ele é cheio de graça e verdade. Os sacerdotes, a exemplo de Jesus, devem ter um zelo de fogo pela verdade, não procurar e não ensinar senão a verdade, quer agrade, quer desagrade; devem também ser cheios de sinceridade e de retidão em todas as suas palavras e em toda a sua conduta; devem, outrossim, estar acima de todo respeito humano e de considerações pessoais e, portanto, castigar os vícios com santa liberdade. 

   "É ou não permitido pagar o tributo a César?" Que malícia! Achavam que Jesus não teria saída: se dissesse, pois: Sim, ali estavam os Judeus para acusarem a Jesus por aprovar o pagamento de tributo a um pagão, e, se Ele não tem outro Rei e Senhor senão Jeová, não é Ele obrigado a recusá-lo? E, portanto, os Judeus O apresentariam ao povo como um traidor, e um inimigo de Deus. Se Jesus dissesse: Não, ali estavam os herodianos para denunciá-Lo e entregá-Lo ao governador romano como um agitador e um rebelde digno dos maiores castigos. 
   Querendo Jesus fazer-lhes ver que conhecia perfeitamente todos os pensamentos dos seus corações, diz-lhes: hipócritas, por que me tentais? "Considerando antes os seus pérfidos desígnios, comenta São João Crisóstomo, que os seus especiosos discursos, o Senhor responde aos elogios com severas censuras para assim nos ensinar a detestarmos a adulação e a repelirmos aqueles que parecem louvar-nos. Depois chama-os hipócritas, para que reconhecendo a ciência que tinha dos seus corações, não ousassem acabar o que tinham começado. Eles lisonjeiam-No para O perder, Ele confunde-os para os salvar. A cólera de Deus é mais útil que o favor dos homens". 

  Mudando os papéis, como gostava de fazer em tais circunstâncias, Jesus interroga-os por sua vez. Quando Lhe apresentam o dinheiro, pergunta-lhes: "De quem é esta efígie e esta inscrição?" "Porque, diz São Jerônimo, a sabedoria procede sempre sabiamente, de modo a confundir os seus tentadores pelas suas próprias palavras". Eles responderam-Lhe: De César. É apoiado nesta resposta que Nosso Senhor Jesus Cristo vai dar a sua decisão, a doutrina que estabelecerá a distinção dos dois poderes e estabelecerá o princípio da paz e da concórdia entre a autoridade civil e a autoridade religiosa, as quais não deverão nem estar confundidas nem separadas, mas intimamente unidas para, em conjunto, procurarem o bem dos povos. 

"Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus". Nesta frase do Divino Mestre está contido o cumprimento exato dos nossos deveres para com Deus e para com o próximo, dando a cada um o que lhe pertence. Na verdade, todo poder vem de Deus: "Não haveria poder algum se não fosse dado do alto" (cfr. Jo. 19, 11). A autoridade política legitimamente constituída provém de Deus e há de ser respeitada como um reflexo da autoridade divina. Por isso, todo o cristão está obrigado a obedecer à autoridade política, desde que esta não ordene coisas contrárias à Lei de Deus, porque neste caso já não representaria a autoridade divina, e, então, como diz São Pedro, "deve-se obedecer antes a Deus que aos homens" (Atos V, 29). 

   Na oração final quero incluir mais um pensamento: Ó Jesus, fazei que guardemos  pura de toda mancha, a vossa imagem impressa na nossa alma com o Vosso bendito Nome, para merecermos ser reconhecidos por Vós no dia do Juízo e introduzidos no Céu. Amém!


quinta-feira, 2 de novembro de 2017

PURGATÓRIO - II - 38ª LIÇÃO

- QUE DEVEMOS FAZER PELAS ALMAS DO PURGATÓRIO? 
- DEVEMOS REZAR E MANDAR CELEBRAR MISSAS POR ELAS.

  
Na Sagrada Escritura lemos o seguinte: Judas Macabeu era um grande chefe militar, e combateu pela liberdade de sua religião e de sua pátria. Depois de vencer uma grande batalha, viu que muitos dos soldados, mortos na batalha, guardavam pequenas estátuas de deuses falsos. Isto era pecado. Mas Judas Macabeu supôs que não era pecado mortal, ou, se fosse pecado mortal, que teriam tido arrependimento perfeito antes de morrer. Judas Macabeu compreendeu que aqueles soldados não tinham satisfeito inteiramente à justiça divina. Ainda tinham de sofrer castigos de pecados veniais ou de pecados mortais já perdoados. Judas Macabeu quis satisfazer a justiça de Deus por eles. Fez uma coleta que rendeu duas mil moedas de prata. Mandou este dinheiro a Jerusalém para se oferecer no templo um sacrifício satisfatório por aqueles defuntos. E a Sagrada Escritura diz que fez muito bem.

Devemos ter compaixão das almas do purgatório e ajudá-las. Ajudamos as almas do purgatório encomendando Missas em intenção delas. Não convém adiar as Missas dos defuntos: as almas do purgatório, nos seus sofrimentos, estão contando os minutos que faltam para uma Missa, Convém fazer rezar mais de uma Missa por um defunto. O ideal é reunir a família e talvez mais alguns parentes próximos e mandar celebrar uma série (  30 missas em 30 dias seguidos) de Missas Gregorianas. Também ajudamos muito as almas quando, em favor delas, assistimos a uma Missa, recebemos a Santa Comunhão, damos esmolas, fazemos outras boas obras e ganhamos indulgências, por exemplo: rezando o Terço. Nem todos temos meios para mandar rezar muitas Missas pelas almas daqueles que nos eram caros neste mundo, mas todos podemos assistir a Santa Missa, comungar, e todos podemos rezar muitos terços por aquelas almas queridas. É muito bom rezar todos os dias, ao menos todos os domingos, o Santo Terço pelas almas do purgatório.
   Há poucos anos, um amigo meu ia acender um lampião. O lampião explodiu e pegou fogo na roupa dele. Felizmente a mãe estava perto, tomou rapidamente um cobertor e abafou o fogo.
   Muitas mães sabem que seus filhos estão no fogo muito pior do purgatório, mas deixam-nos lá sofrer. Elas não têm pressa em livrar seus filhos do fogo, de encomendar uma Missa pela alma dos filhos. Não têm dinheiro para dar esmolas em favor deles. E assim também os filhos deixam seus pais sofrerem no purgatório, esquecem estas pobres almas, que tão bem podiam ajudar.
   A piedade cristã reservou as segundas-feiras e todo o mês de novembro para a devoção às almas do purgatório.

EXEMPLO
   Vivia em Paris uma pobre empregada como criada. Do pouco dinheiro que ganhava, mandava dizer todos os meses, uma Missa pelas pobres almas do purgatório. E sempre assistia pessoalmente àquela Missa. Mas aconteceu ficar sem serviço e as suas economias estavam se acabando. Certo dia procurando emprego, passou em frente da igreja de Santo Eustáquio. Lembrou-se então de que naquele mês, ainda não tinha encomendado a Missa pelas almas. Mas tinha um só franco por uma Missa pelas almas. O padre não sabia que era o último dinheiro da pobrezinha. Depois de assistir à Missa, a órfã saiu da igreja, e encontrou um moço. O moço perguntou-lhe se procurava emprego. Ela admirada, disse que sim. Então o moço deu-lhe o endereço de uma casa e disse que ali precisavam de criada. Ela foi àquela casa, onde foi recebida por uma senhora elegante a quem disse por que vinha. A senhora perguntou: "Mas como sabia você que eu precisava de criada, se ainda não o disse a ninguém?"
   A moça contou que, ao sair da igreja, tinha encontrado um moço. Neste momento reparou um retrato que estava na parede, e disse: "Foi este senhor que me mandou aqui". Ao que a senhora disse muito comovida: "Foi este moço?" Então não serás minha criada, mas minha filha. Este moço é meu filho, que faleceu há dois anos. Você o livrou do purgatório e por gratidão ele a mandou para minha casa."
   Ficará sempre comigo e rezaremos juntas todos os dias pelas benditas almas que ainda precisam de orações.
   N.B. : Normalmente estas aparições não acontecem, mas nos desígnios de Deus Nosso Senhor, podem acontecer por um privilégio especial, como foi o caso acima citado.

PURGATÓRIO - I - 37ª LIÇÃO

- QUE É O PURGATÓRIO?
- PURGATÓRIO É O LUGAR ONDE AS ALMAS DOS JUSTOS SE PURIFICAM, SATISFAZEM COM PENAS TEMPORAIS O QUE FICARAM DEVENDO PELOS SEUS PECADOS.

- QUANTO TEMPO FICA A ALMA NO PURGATÓRIO?
- FICA ATÉ DESCONTAR AS PENAS DEVIDAS PELOS SEUS PECADOS.

  



O purgatório é um lugar de castigo temporário. Para o purgatório vão aqueles que merecem ainda castigo, mas não castigo eterno. Merecem penitência de pecados veniais ou de pecados mortais já perdoados pela confissão ou pelo arrependimento perfeito com desejo de se confessar.
   Para o purgatório vão todos os que morrem sem pecado mortal, mas que ainda não satisfizeram inteiramente à justiça divina. Lemos na Bíblia que no céu não entra nada que tenha a mínima mancha.
   Vamos compreender bem isto.
   Todos os que morrem sem pecado mortal vão para o céu. Mas não vão todos imediatamente para o céu. Muitos têm de pagar ainda uma dívida. Muitos não satisfizeram à justiça divina. Um homem que viveu toda a vida em pecado mortal e só na hora da morte se arrepende e faz uma confissão, não vai para o inferno. Este homem morre sem pecado mortal. Mas a justiça de Deus não permite que toda esta vida de pecado fique sem castigo. Deus é justo. Na confissão,  Deus perdoa todos os castigos eternos mas nem sempre perdoa logo todos os castigos temporais. Temporais quer dizer: que dura só algum tempo, não para sempre.
   Depois da confissão muitas vezes restam castigos temporais. Contudo, só por pecados veniais ninguém vai para o inferno. Mas Deus é justo e castiga também o pecado venial, não com um castigo eterno, mas com um castigo temporário.
   Este castigo temporário muitas vezes Deus já dá nesta vida, quando nos manda doenças, pobreza e outros incômodos, como castigos bem merecidos dos nossos pecados. Assim satisfazemos à justiça divina.
   Podemos também satisfazer à justiça divina por boas obras: dando esmolas, fazendo o nosso trabalho com boa intenção para a honra de Deus, rezando, assistindo à Santa Missa, ganhando indulgências.
   Muitos se descuidam destas boas obras e morrem sem ter satisfeito inteiramente à justiça divina. Têm ainda alguma satisfação a dar, têm ainda algum castigo a sofrer. Este castigo rebem-no eles no purgatório.
   Dizemos que o purgatório é um lugar de castigo temporário, porque ali o castigo não dura sempre. Quase todos os doutores da Igreja são de parecer que estas almas do purgatório sofrem também o fogo, e as vezes, durante muito tempo. Elas têm a graça santificante e amam a Deus muito mais do que nós. Mas ainda não podem ver a Deus. Primeiro devem pagar toda a dívida. No purgatório as almas sentem um grande arrependimento ainda dos menores pecados, porque as fazem sofrer muito, sobretudo porque retardam sua entrada no céu para ver a Deus. O pecado venial é pequeno em comparação com o pecado mortal: O pecado venial, porém, é um mal maior que toda a infelicidade do mundo, porque ofende a Deus e merece tão grande castigo no purgatório. As almas do purgatório se arrependem muito por não terem feito mais obras boas, mais comunhões, mais esmolas, mais penitências, sobretudo, assistido mais missas e com mais fé e devoção. Pois, com estas boas obras poderiam ter pago toda a dívida aqui na terra; e teriam ido logo para o céu.
   Antes de terminar, quero dar-vos um conselho importantíssimo: Receber o ESCAPULÁRIO DE NOSSA SENHORA DO CARMO, e cumprir, é claro, todas as condições da confraria do escapulário. Pois quem morre com o escapulário, tendo cumprido todas as condições, Maria Santíssima o vem tirar do purgatório, no primeiro sábado após a morte.

EXEMPLO
   Certa vez, um militar de alta patente, mas incrédulo, viu um menino com um escapulário ao pescoço. Pegando no escapulário, perguntou o homem, com riso de escárnio: "Que trapinho é este?" O menino que não era nada bobo, se esticou todo e colocou a mão no ombro do oficial e lhe perguntou por sua vez: "E que trapinho é este aqui?"  - "Isso, disse o militar, é o distintivo de almirante da nossa marinha". Respondeu o menino: "Pois meu "trapinho" é o escapulário de Nossa Senhora do Carmo, distintivo de filho de minha Mãe do céu." O oficial impressionou-se com a bela resposta do menino e lhe colocou no bolso uma moeda de ouro. 

COLÓQUIO COM JESUS SOBRE AS ALMAS DO PURGATÓRIO QUE CHEGAM NO CÉU


A ALMA: Meu dulcíssimo Jesus, como os discípulos de Emaús, quando falais ao meu íntimo, sinto-me inflamar o coração. Nesta visitinha que Vos venho fazer aqui no Tabernáculo, gostaria que continuásseis a descrever a chegada ditosa no Paraíso, das almas no Purgatório após a total purificação.

JESUS: Pois não, minha filha, fá-lo-ei  com muito gosto. Se ajudares sempre as almas do Purgatório haverá para ti um prêmio especial quando também, saindo do Purgatório, fores para o Céu. Então Eu irei ao teu encontro, cheio de doçura, jubiloso e sorridente, mas não estarei só. Comigo irá uma belíssima coroa de almas que tu logo reconhecerás... as almas dos teus caros, aquelas almas que tu tanto choraste, que tanto amaste ... uma a uma irão encontrar-te ... e tu as abraçarás, as estreitarás de encontro ao coração para não te separares delas jamais. Oh! como encontrarás belos aqueles rostos, como serenas aquelas frontes, como encantadores aqueles sorrisos! Quando viste pela última vez os teus caros, estavam desfeitos pela dor, pela agonia, pela morte! Mas então os verás felizes, bem-aventurados... e para sempre. Aquela alma que mais que nenhuma outra amaste sobre a terra, tua verás não já triste como era um dia, não já aflita, não já desventurada, mas radiante de glória, de felicidade, de amor eterno. Ela cairá em teus braços, os vossos corações confundirão as suas pulsações, e estareis juntos para sempre, por toda a eternidade, amar-vos-eis para sempre, gozareis juntos a mesma felicidade. E serei Eu, Eu mesmo, que então te restituirei ao coração as almas que agora recordas com tanto amor e com tantas lágrimas, como já um dia restituí à viúva de Naim o seu filho ressuscitado. A tua família, despedaçada agora pelos golpes repetidos da morte, será então reconstituída para não mais ser destruída. Então os doces nomes de pai, de mãe, de esposa, de filha, já não serão nomes perdidos entre as valas do cemitério, mas nomes que repousarão sobre almas adornadas de glória imortal, sobre almas que tornarão a ser tuas, eternamente tuas. E quando as tornarás tu a ver? Quando as abraçarás de novo? Quando despontará esse dia tão belo? Oh! esse dia está mais próximo do que tu pensas. As almas lá de cima já ensaiam os cânticos, já se preparam para vir ao teu encontro... Um pouco mais de sofrimento, e depois o Paraíso abrir-se-á também para ti: Deixa portanto as tristezas inconsoláveis para aqueles que não têm esperança; lança o teu olhar para além dos sepulcros, ergue o teu coração até à estrelas... mais acima ainda... em direção do Céu... Não ouves uma voz desconhecida, uma voz que emudeceu durante tantos anos, e que agora te chama, te convida e suspira por ti? ... Por ora é só uma voz... amanhã será um semblante... será um coração... será o amplexo eterno dos teus entes queridos. Mas, aproveita, filha, este tempo preciosíssimo de tua vida. Procure estar sempre na graça de Deus, esforça-te por crescer cada dia no meu amor e no de minha Mãe Santíssima. Sê caridosa, humilde, pura, em uma palavra, santa. É o que te desejo. Não só te espero no Céu, quero que estejas bem perto de Mim!


A ALMA: Dulcíssimo Jesus, enquanto essas vossas palavras penetravam em mim, eu sentia que a terra é realmente um vale de lágrimas, é desprezível quando assim olho para o Céu, para meus entes queridos que lá já estão ou estarão. O Céu é a casa de nosso Pai. Ali estará reunida um dia toda a família de Deus. Amém!

COLÓQUIO COM JESUS SOBRE O PURGATÓRIO


A ALMA:  Aqui estou novamente pela vossa graça, ó meu bom Jesus. Nesta visita a Vós aí bem pertinho de mim realmente presente no Santíssimo Sacramento sob às espécies de Pão, hoje quero ouvir  de Vós, no meu íntimo, vossas palavras consoladoras sobre o Purgatório. No último colóquio muito me consolastes! E realmente só Vós podeis consolar-me. Ó Jesus, mesmo sabendo que as almas do Purgatório voarão um dia para o Céu, quando medito naquelas palavras de Jó que a Vossa Santa Igreja coloca na boca das benditas almas do Purgatório: "Compadecei-vos de nós, compadacei-vos de nós pelo menos vós que sois nossos amigos" fico muito comovido e penso em fazer o máximo por elas.

JESUS: Minha filha, é verdade que existe o Purgatório, e é verdade que muitas almas vão para lá expiar os seus pecados veniais e as penas temporais que são como que restos de seus pecados perdoados pelo sacramento de minha Misericórdia, a Penitência,  mas que não foram inteiramente reparados a tempo na terra. Mas não é menos verdade que tu podes, com as tuas boas obras, aliviar as suas penas e apressar-lhes a hora da libertação. Pede-me, portanto, por aquelas almas padecentes, e fica sabendo que o teu desejo de as ver livres daquelas penas é nada em confronto com o ardente desejo que Eu tenho de as chamar para o Paraíso. Pede-me, ora incessantemente, e eu te ajudarei sempre numa obra de caridade tão bela. Vê: Eu estou aqui no Tabernáculo à tua disposição: não tens mais que tomar o meu Sangue e oferecê-Lo à justiça de meu Pai por aquelas almas... e crê que este Sangue fala mais alto no Céu que o do justo Abel sobre a terra. É sobretudo com a comunhão e com a Missa que podes tratar eficazmente a causa dos teus queridos mortos, porque então não és tu somente a orar, mas oro também Eu contigo, oro com as minhas chagas, com as minhas agonias, com a minha morte; e tu não sabes o poder que têm sobre o coração de meu Pai as orações eucarísticas do seu Filho! Alma querida, quando fazes a Comunhão ou assistes à Missa, as almas do Purgatório, principalmente as que te pertencem, olham-te lacrimantes, mas confiadas em que tu as queiras aliviar. Oh! se visses então como te olha a alma de tua mãe, de teu pai, aquelas almas que tu tanto amaste e choraste sobre a terra!... o teu coração certamente se enterneceria de compaixão e piedade, e não serias avara para com elas, fazendo o mínimo, mas o máximo. E almas sobremodo amigas de meus sacerdotes, como sois felizes em poder fazer o máximo: celebrar santas Missas pelas almas do Purgatório!!! Prometeste aos vossos entes queridos quando estavam para morrer, que jamais os esquecerias, que havias de orar sempre por elas... Talvez não chegastes a falar, mas do fundo do coração, fizeste este propósito: haverias de orar sempre por suas almas... Ora muito, portanto, por aquelas pobrezinhas, ora para dares também ao meu Coração a consolação de poder abraçá-las quanto antes no Paraíso. A caridade que usares para com elas ser-te-á recompensada já durante a vida, na hora da morte, e quando também tu estiveres no Purgatório; mas o prêmio mais belo tê-lo-ás quando, por tua vez, puseres o pé no limiar do Paraíso. Então Eu irei ao teu encontro, manso, jubiloso e sorridente, mas não estarei só. Comigo irá uma bela plêiade de almas que tu logo reconhecerás... as almas dos teus caros, aquelas almas que tu tanto choraste, que tanto amaste... uma a uma irão encontrar-te... e tu as abraçarás, as estreitarás de encontro ao coração para não te separares delas jamais. Oh! como encontrarás belos aqueles rostos, como serenas aquelas frontes, como encantadores aqueles sorrisos! Quando viste pela última vez os teus caros, estavam desfeitos pela dor, pela agonia, pela morte! mas então os verás felizes, bem-aventurados... e para sempre...!!!


A ALMA:  Como tenho que agradecer a Vós!!! Sois nosso Salvador! Por isso temos esta firme esperança, esta consolação sem par. Meu doce Jesus, na próxima visita que vou fazer a Vós aqui no Tabernáculo, ousaria pedir que continueis a falar-me sobre esta felicidade inefável no encontro convosco e com as almas bem-aventuradas lá na Jerusalém Celeste, na Pátria do Repouso Eterno. Meu Jesus, para isto peço-Vos a graça de aproveitar o melhor possível de minha vida para Vos amar de todo coração. Sois o único digno de todo o meu amor!!! Sois Deus e Vos fizestes Homem para poder me salvar. Sou constrangido a dizer com São Paulo que quem não vos amar, que seja anátema. Meu Jesus, eu Vos amo, mas aumentai o meu amor. Amém!

COLÓQUIO COM JESUS SOBRE OS FINADOS QUERIDOS


A  ALMA: Meu doce Jesus, quero desabafar um pouco convosco. Vós dissestes que viessem a Vós aqueles que estivessem acabrunhados. Meu Jesus querido, desde o dia de finados que ando triste ao pensar nos entes queridos, pai, mãe, irmão e outros parentes e grandes amigos que já partiram para a eternidade. Confesso, ó Jesus, que, às vezes choro, mas não penso que estou pecando porque Vós também chorastes  diante de túmulo do Vosso grande amigo Lázaro, irmão de Marta e Maria que tanto vos amavam e ajudavam.

JESUS: Querida, a tristeza que te enluta, as lágrimas que derramas nestes dias consagrados à piedade pelos defuntos, são caras ao meu coração, porque são acompanhadas de esperança cristã. Muito me agrada ver você fazendo a Novena pelas Almas do Purgatório. Tu deves esperar que os teus queridos finados estejam em lugar de salvação, porque a minha misericórdia é imensa e infinita. Podes ficar certa, querida alma, quando os teus caros agonizavam eu estava lá junto deles; estava lá, não para fulminá-los com o meu rigor, mas para salvá-los com a minha graça. Morri na Cruz por eles! O que se passou entre mim e aquelas almas está escrito no livro dos meus segredos; um dia, porém, tu lerás este livro, e verás quão grande foi a minha misericórdia. Por ora basta que saibas que naquelas horas extremas Eu não abandono um só momento a alma cristã às insídias do demônio, mas assisto-lhe, defendo-a, protejo-a e ofereço-lhe todas as graças necessárias para salvar-se. Naqueles momentos o mundo para ela já não tem atrativos, as paixões já não têm mais alimento, e Eu me aproximo da alma e lhe pergunto: queres-me? Uma alma que me custou o Sangue da veias, ainda que me não tenha amado durante a vida, Eu não posso abandoná-la antes de tentar todos os esforços para salvá-la; e um ato só de amor, e até um simples desejo de amar-Me, que eu veja no seu coração, não é de mim rejeitado e tem infalivelmente a sua recompensa. Ora, quem pode assegurar que uma alma agonizante, no momento de apresentar-se no meu tribunal, não conceba ao menos o desejo de ser minha amiga! Portanto não sejas tão fácil em crer que uma alma se tenha perdido, e espera (sou Eu que to ordeno!) espera sempre que esteja em lugar de salvação. A Igreja que fala sempre inspirada por mim, muitíssimas vezes te assegura que certas almas estão no Paraíso, mas nunca disse nem dirá jamais que uma determinada alma tenha caído no inferno.


A ALMA: Lá de meu íntimo, eu Vos agradeço! Que conforto para mim, ó doce Jesus! Rezarei sempre pelas almas dos falecidos, confiada na vossa misericórdia infinita!

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

ELES DORMEM NA PAZ

ELES DORMEM NA PAZ

                                                          Dom Fernando Arêas Rifan*
           
Amanhã, dia 2, faremos a comemoração de todos os fiéis defuntos, dos nossos falecidos, daqueles que estiveram conosco e hoje estão na eternidade, os “finados”, aqueles que chegaram ao fim da vida terrena e já começaram a vida eterna. Portanto, não estão mortos, estão vivos, mais até do que nós, na vida que não tem fim, “vitam venturi saeculi”. Sua vida não foi tirada, mas transformada. Por isso, o povo costuma dizer dos falecidos: “passou desta para a melhor!” Olhemos, portanto, a morte com os olhos da fé e da esperança cristã, não com desespero, pensando que tudo acabou. Uma nova vida começou eternamente.  
Para nosso consolo, ouçamos a Palavra de Deus: “Deus não criou a morte e a destruição dos vivos não lhe dá alegria alguma. Ele criou todas as coisas para existirem... e a morte não reina sobre a terra, porque a justiça é imortal” (Sb 1, 13-15).
Os pagãos chamavam o local onde colocavam os seus defuntos de necrópole, cidade dos mortos. Os cristãos inventaram outro nome, mais cheio de esperança, “cemitério”, lugar dos que dormem. É assim que rezamos por eles na liturgia: “Rezemos por aqueles que nos precederam com o sinal da fé e dormem no sono da paz”.
Os santos encaravam a morte com esse espírito de fé e esperança. Assim São Francisco de Assis, no cântico do Sol: Louvado sejais, meu Senhor, pela nossa irmã, a morte corporal, da qual nenhum homem pode fugir. Ai daqueles que morrem em pecado mortal! Felizes dos que a morte encontra conformes à vossa santíssima vontade! A estes não fará mal a segunda morte”. “É morrendo que se vive para a vida eterna!”. S. Agostinho nos advertia, perguntando: “Fazes o impossível para morrer um pouco mais tarde, e nada fazes para não morrer para sempre?”
Quantas boas lições nos dá a morte. Assim nos aconselha São Paulo: “Enquanto temos tempo, façamos o bem a todos” (Gl 6, 10). “Para mim o viver é Cristo e o morrer é um lucro... Tenho o desejo de ser desatado e estar com Cristo” (Fl 1, 21.23)“Eis, pois, o que vos digo, irmãos: o tempo é breve; resta que os que têm mulheres, sejam como se as não tivessem; os que choram, como se não chorassem; os que se alegram, como se não se alegrassem; os que compram, como se não possuíssem; os que usam deste mundo, como se dele não usassem, porque a figura deste mundo passa” (1 Cor 7, 29-31). Diz A Imitação de Cristo que bem depressa se esquecem dos falecidos: “Que prudente e ditoso é aquele que se esforça por ser tal na vida qual deseja que a morte o encontre!... Melhor é fazeres oportunamente provisão de boas obras e enviá-las adiante de ti, do que esperar pelo socorro dos outros” (I, XXIII). O dia de Finados foi estabelecido pela Igreja para não deixarmos nossos falecidos no esquecimento.
Três coisas pedimos com a Igreja para os nossos falecidos: o descanso, a luz e a paz. Descanso é o prêmio para quem trabalhou. O reino da luz é o Céu, oposto ao reino das trevas que é o inferno. E a paz é a recompensa para quem lutou. Que todos os que nos precederam descansem em paz e a luz perpétua brilhe para eles. Amém.


*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

terça-feira, 31 de outubro de 2017

FALTA DE ARREPENDIMENTO E PROPÓSITO


Consideremos atentamente os sinais certos pelos quais podemos reconhecer se a confissão foi feita sem dor dos pecados e sem resolução de não mais recair neles. Em outras palavras, veremos os sinais que mostram quando não há arrependimento verdadeiro (pelo menos imperfeito=atrição) e não há por conseguinte propósito firme e eficaz de fugir das ocasiões próximas de pecados. Pela confissão Deus perdoa quaisquer pecados; mas nunca perdoa quando há vontade de continuar nos pecados.

1   .      Quando nos confessamos sem querer renunciar o ódio ao próximo.
2   .       Quando se pode e não se quer reparar uma injustiça grave feita ao próximo, em seus bens ou em sua reputação.
3   .       Quando se reincide no pecado de hábito, quer dizer, quando, advertidos pelo confessor, não deixamos, entretanto, de recair com a mesma frequência nos mesmos pecados mortais do costume, sem nenhuma correção, e sem que sejam empregados os meios de emenda.
4   .       Quando nos confessamos sem querer sinceramente deixar a ocasião próxima voluntária do pecado mortal.
Os defeitos que acabamos de enumerar e explicar tornam as confissões inválidas, quer dizer, nulas; e portanto, é preciso renová-las, como se nunca tivessem sido feitas desde a época em que são nulas. São, além disso, sacrílegas quando assim feitas cientemente. O sujeito está consciente de não ter os sinais de arrependimento, sabe que quer continuar fazendo todos ou alguns ou mesmo que seja um só dos pecados mortais e faz a sua confissão assim mesmo. Faz sacrilégio, e, se comunga faz outro sacrilégio.
A esta altura, talvez haja quem pergunte: padre, devo fazer uma confissão geral? Caríssimo, é a tua consciência que cabe resolver esta questão, conforme tudo o que acabamos de dizer.
Ser-me-á impossível, dizeis, fazer uma confissão geral. Tenho já idade: como poderei lembrar-me de todos os pecados da minha vida?  -  Caríssimos, com boa vontade é possível e mesmo fácil fazer uma confissão geral.
Primeiro que tudo, recordai com mágoa todos os anos da vossa vida (Isaías, XXXVIII, 16). Tomai para este negócio o tempo suficiente para vos recolherdes, pois trata-se de uma coisa muito séria.
Para indicar o número dos vossos pecados, eis aqui como podeis fazer. Deixai de lado os pecados veniais, ou não os acuseis senão no fim; não resta, pois, senão a confissão dos pecados mortais, que serão   -  ou casos particulares ou pecados habituais. Se são casos particulares, um pouco de reflexão bastará para vos lembrardes deles. Se são pecados habituais, examinai por quanto tempo durou este hábito  e quantas vezes, pouco mais ou menos, caístes no pecado por ano, ou por mês ou por semana, ou mesmo por dia. Não é verdade que desta maneira é fácil fazer uma confissão geral?
Contudo, se encontrardes alguma dificuldade em fazê-la, dizei ao confessor: "Padre, desejo fazer uma confissão geral, peço-vos que me ajudeis". No mesmo instante, o confessor vos interrogará, de modo que vos basta responder-lhe com sinceridade. Oh! como é consolador para um ministro de Deus ver a seus pés uma alma bem disposta e arrependida! A alegria do padre é indescritível, e levá-la-á para o túmulo. Bem feita a confissão geral, grande outrossim é a alegria do penitente.
Vou contar-vos um fato lido na vida de São Vicente de Paulo: Este grande santo da caridade, foi um dia chamado para confessar um fazendeiro que estava perigosamente doente. Conquanto tivesse sempre gozado da reputação de homem honrado, o padre Vicente de Paulo o excitou a fazer uma confissão geral, para pôr a sua salvação em maior segurança. Ora, o resultado provou que aquele pensamento vinha de Deus, que queria retirar aquela pobre alma do abismo eterno em que ia cair. Era rico mas certamente praticava a caridade para com os pobres. Quem o acreditaria, se não conhecesse a fraqueza do coração humano? Ainda que esse homem tivesse recebido várias vezes os últimos sacramentos, em várias moléstias muito graves, que tivera, achava ele que tinha a consciência carregada de sacrilégios desde a mocidade. Na alegria que experimentava em ter feito a confissão com o padre Vicente de Paulo, ele mesmo anunciava abertamente a todos que iam vê-lo: "Ah! eu estaria condenado se não tivesse feito uma confissão geral, por causa dos pecados que nunca ousei confessar". Morreu três dias depois, com os mais vivos sentimentos de reconhecimento para com Deus. A senhora Duquesa de Gondi ouviu as declarações muito admirada: Ah! que acabamos de ouvir? Se este homem, que passava por um homem honrado, estava em perigo de condenação, que será dos outros que vivem tão mal!". Ela empregou desde então a sua fortuna em estabelecer e fundar missões, considerando-as uma obra necessária à salvação das almas. São Vicente de Paulo fundou a Ordem dos Missionários Lazaristas.


domingo, 29 de outubro de 2017

HOMILIA DOMINICAL - 21º Domingo depois de Pentecostes

Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Efésios, 6, 10-17.

Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus, 18, 23-35: 

"Naquele tempo, disse Jesus esta parábola a seus discípulos: O Reino dos céus se compara a um rei, que quis pedir contas a seus servos. Começando a fazer contas, apresentou-se-lhe um que lhe devia dez mil talentos. Mas não tendo ele com que pagar, mandou o senhor que fossem vendidos ele, sua mulher e seus filhos, e tudo quanto possuía, para pagar a dívida. Então este servo, prostrando-se em terra, disse-lhe suplicante: Tem paciência comigo e pagarei tudo. E compadecendo-se desse servo, o Senhor libertou-o e perdoou-lhe a dívida. Saindo dali, porém, o servo encontrou-se com um de seus companheiros que lhe devia cem dinheiros; e logo o agarrou e, sufocando-o, disse: Paga-me o que me deves. E o seu companheiro, prostrando-se a seus pés, implorava-lhe: Tem paciência comigo e pagarei tudo. Ele porém não quis; retirou-se e fez com que o metessem na prisão, até pagar a dívida. Vendo os outros servos, seus companheiros, o que se passava, entristeceram-se muito e foram contar a seu senhor tudo o que tinha acontecido. Então seu senhor o chamou e lhe disse: servo mau, eu te perdoei toda a dívida porque me suplicaste; não devias tu também ter piedade de teu companheiro, como eu tive de ti? E, enraivecido, seu senhor entregou-o aos algozes, até que pagasse toda a dívida. Assim também vos fará meu Pai celestial, se do íntimo de vossos corações não perdoar cada um a seu irmão". 


  Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Quando fez esta parábola, Jesus encontrava-se em Cafarnaum, que é
chamada  "A Cidade de Jesus". Da época de Jesus só há ruínas
descobertas nos últimos tempos pelos arqueólogos.  Já tivemos
ocasião de mostrar as ruínas da Casa de São Pedro. A foto mostra
as ruínas de outras casas. 
  A finalidade desta parábola é bem determinada: a necessidade de perdoarmos as ofensas que o próximo nos faz para que sejamos perdoados dos pecados que cometemos diretamente contra Deus nos três primeiros mandamentos; e indiretamente nos outros sete. Dando-nos o exemplo da misericórdia, Deus ensina-nos a usar dela como Ele. As nossas dívidas são os nossos pecados que precisam de ser lavados pelo Sangue de um Deus. Portanto, nossas dívidas para com Deus, devem ser calculadas  segundo o preço do nosso resgate, o preciosíssimo Sangue de Jesus. O Sangue de Cristo é como um mar vermelho em que o exército enorme e terrível dos nossos pecados é inteiramente destruído, como afogado foi na Mar Vermelho o exército do Faraó. Mas é preciso estarmos sinceramente arrependidos, confessar humildemente os nossos pecados e perdoar do fundo do coração as ofensas que o próximo nos faz.

Ruínas da Sinagoga de Cafarnaum. Fora construída no século IV sobre
as ruínas da Sinagoga do tempo de Jesus e na qual Ele fizera o sermão
prometendo a Santíssima Eucaristia. Ainda podemos ver no local algumas
pedras e pedaços de peças da Sinagoga do tempo de Jesus. 
 A segunda parte da parábola fala justamente do nosso perdão. Diz Jesus na parábola que ao voltar a casa aquele afortunado servo que fora absolvido de toda a dívida, encontrou-se com um seu companheiro que lhe devia cem dinheiros, soma verdadeiramente ínfima em comparação com os dez mil talentos que lhe tinham sido perdoados; mas este homem, que fora tratado com tanta piedade, não demonstrou nenhuma para com o seu semelhante, antes fez que o metessem na prisão até pagar a dívida. Não atendeu às suas súplicas e lágrimas.

Caríssimos, embora corando, temos de reconhecer que, tal como a bondade do rei é a imagem da misericórdia de Deus, a crueldade do servo é a imagem da nossa dureza, da nossa mesquinhez em perdoar ao próximo. No entanto, que dívidas poderá ter o próximo para conosco em comparação das que nós temos para com Deus? A gravidade da ofensa se mede pela dignidade da pessoa ofendida. Ora, todo pecado é uma ofensa feita à Majestade infinita de Deus. Quando o próximo nos ofende em alguma coisa, na verdade, ofende a uma miserável criatura. Mas eis o contraste: Deus perdoa, esquece, anula inteiramente as nossas graves ofensas e não cessa de nos amar e de nos favorecer, apesar das nossas contínuas infidelidades; nós, ao contrário, só com grande custo somos capazes de perdoar alguma pequena ofensa e, ainda que perdoemos, não sabemos esquecer inteiramente. Caríssimos, pensemos bem nisto: que seria se o próximo cometesse todos os dias para conosco tantas infidelidades e indelicadezas como nós cometemos para com Deus?

 Assim também vos fará meu Pai celestial se não perdoardes do íntimo dos vossos corações cada um a seu irmão". Na medida em que perdoarmos, seremos perdoados. Isto significa que somos nós próprios a dar a Deus a medida exata da misericórdia que há de usar para conosco. Aliás Jesus ensinou no Padre-Nosso: "Perdoai as nossas dívidas (= pecados, ofensas) assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido". Quem sabe mentimos a esta protestação que repetimos a Deus milhares de vezes. Quem guarda ódio, rancor e vingança, e não perdoa, ao rezar o Padre-Nosso está pedindo a sua própria condenação.
Ma o servo cruel foi castigado: "irado, o rei entregou-o aos algozes até que pagasse toda a dívida". E Nosso Senhor Jesus Cristo dá a conclusão: "

  Na verdade muita gente fica preocupada sem entender como praticar o perdão "Ex cordibus vestris", isto é, de todo coração, do fundo do coração, seriamente. Evitando toda a hipocrisia, nós  devemos estar prontos a testemunhar àquele que nos ofendeu, uma verdadeira caridade e a dar-lhe, por todas as formas, sinais de benevolência. Alguém dirá: é difícil!!! Não há dúvida. Mas Deus não nos exige nada impossível. Neste caso ouçamos o conselho de Santo Agostinho: "É difícil, para mim, perdoar a quem me ofende? Recorrerei à oração. Em vez de repelir injúrias com injúrias, rezarei pelo injuriador. Se tiver vontade de lhe responder duramente, falar-Vos-ei, a Vós, Senhor, em seu favor. E em seguida lembrar-me-ei de que Vós prometeis a vida eterna, mas ordenais que perdoemos ao irmão. É como se me dissésseis: "Tu, que és homem, perdoa a outro homem, a fim de que Eu, que sou Deus, possa vir a ti". Amém!

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

PECADO MORTAL


"Criei filhos e engrandeci-os; mas eles me desprezaram" (Isaías I, 2).


Deus manifestou sua justiça propondo como vítima de propiciação a Seu Filho Jesus (cf. Rom. III, 25). E o divino Espírito Santo já havia declarado através do Profeta Isaías: "Será (o Messias) despedaçado por causa de nossos crimes". Jesus ressuscitado glorioso não sofre mais. Mas sendo também Deus já previu todos os pecados dos homens e por eles sofreu e morreu. Todo pecado fez Jesus sofrer.

O pecado mortal é uma ofensa grave que se faz a Deus. A malícia de uma ofensa , ensina Santo Tomás de Aquino, se mede pela pessoa que a recebe e pela pessoa que a comete. Assim, uma ofensa feita por um colega ao seu colega, é, sem dúvida, um mal; mas, se um súdito desacata o Rei, isto é muito mais grave. E quem é Deus? É o Rei dos reis (Apoc, XVII, 14). Deus é majestade infinita, perante quem todos os príncipes da terra e todos os santos e anjos do céu são menos que um grão de areia: "Todos os povos na Sua presença são como se não existissem, e ele considera como um nada, uma coisa que não existe" (Isaías XL, 17). Por outro lado, que é o homem? Responde São Bernardo: saco de vermes, pasto de vermes, que cedo o hão de devorar. O homem é um miserável que nada pode, um cego que nada vê; pobre e nu, que nada possui (Apoc, III, 17). E este verme miserável se atreve a injuriar a Deus? exclama o mesmo São Bernardo. Com razão, pois afirma Santo Tomás de Aquino, que o pecado do homem contém uma malícia quase infinita (S. Th. p. 3, q. 2, a. 2.). Santo Agostinho vai um pouco mais além e diz que, absolutamente, o pecado é UM MAL INFINITO. Na verdade, a gravidade de uma ofensa se mede pela dignidade da pessoa ofendida. Ora, o pecado ofende a Deus que é de uma DIGNIDADE INFINITA. Logo, sob este aspecto, é um mal INFINITO. Daí dizer o próprio Deus: "Delicta quis intelligit?" (Salmo 18, 13). Sendo o homem finito não poderá compreender toda gravidade do pecado mortal, porque é infinita.  E Santo Afonso conclui: "Todos os homens e todos os anjos não poderiam satisfazer por um só pecado, mesmo que se oferecessem à morte e ao aniquilamento. Deus castiga o pecado mortal com as penas terríveis do inferno; contudo esse castigo é, segundo dizem todos os teólogos, menor que a pena com que tal pecado deveria ser castigado". E alguns teólogos daí concluem que o inferno é eterno: sendo criatura, nunca poderá ser infinito. Mas a gravidade do pecado mortal é infinita. Como Deus é justo, a eternidade é algo infinito na duração.

Mas que pena bastará para castigar como merece um verme que se rebela contra seu Senhor? Somente Deus é Senhor de tudo, porque é o Criador de todas as coisas. Por isso, todas as criaturas lhe devem obediência. Mas o homem, quando peca, que faz senão dizer a Deus: Senhor, não quero servir-te. Deus diz: "Não te aposses dos bens alheios" e, no entanto rouba. "Abstém-te do prazer impuro, e o pecador não se resolve a privar-se dele. Lemos no Êxodo, V, 2 que quando Moisés comunicou a ordem de Deus de que Faraó desse liberdade ao povo de Israel, este ímpio respondeu: "Quem é o Senhor, para que eu obedeça à sua voz? ... Não conheço o Senhor". Caríssimos, o pecador diz a mesma coisa: Não conheço Senhor; eu sou senhor do meu querer; faço o que me agrada. Assim, na presença de Deus mesmo Lhe falta o respeito e se afasta d'Ele e nisto consiste propriamente o pecado mortal: o ato com o qual o homem se afasta de Deus e se volta paras as criaturas. Quando o homem peca, ele levanta a mão como que ameaçando o Onipotente.

"Tu desonras a Deus, transgredindo a lei" (Rom. II, 23). Além de ofender a Deus, também O desonra. Na verdade, renunciando à graça divina por um miserável prazer, menospreza e rejeita a amizade de Deus. E por conta de que? Diz o Espírito Santo: "Elas (falsas profetisas que perdem as almas) desonravam-Me diante do meu povo por um punhado de cevada e por um pedaço de pão, matando as almas" (Ezequiel XIII, 19). "Quando o pecador, diz Santo Afonso, começa a deliberar consigo mesmo se deve ou não dar consentimento ao pecado, toma, por assim dizer, em suas mãos, a balança e se põe a considerar o que pesa mais, se a graça de Deus ou a ira, a quimera, o prazer... E quando, por fim, dá o consentimento, declara que para ele vale mais aquela quimera ou aquele prazer que a amizade divina". Daí dizer Deus pela boca do profeta Isaías: "A quem me comparastes vós e me igualastes, diz o Santo?" (XL, 25). Ó pecador! terias pecado se soubesses que ao cometer o pecado perderias uma das mãos ou mil reais ou menos talvez? Só Deus parece tão vil a teus olhos que merece ser posposto a um ímpeto de cólera, a um gozo indigno.

Deus é o nosso único e último Fim. E, no entanto, quando o pecador, para satisfazer qualquer paixão, ofende a Deus, na verdade, converte em sua divindade essa paixão, porque nela põe o seu último fim. Daí dizer São Jerônimo: "Vício no coração é ídolo no altar". São Paulo diz chorando que para muitos o seu estômago é o seu deus: "Quorum Deus, venter est". Diz Santo Tomás de Aquino: "Se amas os prazeres, estes são teu Deus". E São Cipriano: "Tudo quanto o homem antepõe a Deus, converte-o em seu deus".

Os pecadores sabem que Deus está em toda parte e que os vê. Mas injuriam-No e O desonram face a face. Dizem que uns povos pagãos na antiguidade consideravam o Sol o seu deus e por isso procuravam evitar o pecado durante o dia. Os cristãos que pecam gravemente, não apresentam nem esta sensibilidade pagã.

O pecador despreza tudo o que Jesus Cristo fez e sofreu para tirar o pecado do mundo. Na expressão de São Paulo, o pecador calca aos pés o Filho de Deus (cf. Hebr. X, 29). Diz Santo Afonso: "Bem sabe o pecador que Deus não pode harmonizar com o pecado. Bem vê que, pecando, obriga Deus a  afastar-se dele. Rigorosamente, é como se Lhe dissesse: Já que não podeis ficar com meu pecado e tende de afastar-vos de mim,  -  ide quando vos aprouver. E expulsando a Deus da alma, deixa entrar o inimigo que dela toma posse. Pela mesma porta por onde sai Deus, entra o demônio". Caríssimos, que mágoa não sentiríamos se recebêssemos grave ofensa duma pessoa, a quem tivéssemos feito grande benefício? Pois bem, esta mágoa e infinitamente maior o pecador causa a Deus, que chegou a dar sua vida para nos salvar.


Ó Jesus, não, nunca mais quero me separar de Vós! Dai-me a santa perseverança... Maria Santíssima, minha Mãe, socorrei-me sempre; rogai a Jesus por mim e alcançai-me a dita de jamais perder graça divina. Amém!

terça-feira, 24 de outubro de 2017

PECADO VENIAL


""Abstende-vos de toda aparência do mal" (Tessal. V, 22)

Há um erro popular, e não é só de hoje, que consiste em persuadir-se falsamente de que o pecado venial é coisa de somenos importância, como se a palavra venial significasse bagatela, coisa de nada. Talvez este erro venha da palavra "leve" também empregada para designar pecado venial. Na verdade, "leve" aqui é um termo relativo, assim, por exemplo, comparando, quando a gente diz que a Terra é pequena em relação ao Sol. É claro que em si mesma a Terra não é pequena. Assim, fazendo a aplicação, dizemos que o pecado venial é leve em comparação com o mortal, mas em si mesmo é o maior mal que existe sobre a terra depois do pecado mortal. Não é difícil entendermos, pois, se é pecado, ofende a Deus que é de uma dignidade, perfeição e majestade infinitas. Daí dizer São Jerônimo: "Não é falta leve desprezar a Deus nas coisas pequenas". É chamado venial (de venia em latim que significa perdão)porque significa coisa perdoável, ou, melhor dizendo "coisa mais facilmente perdoável", porque o pecado mortal também é perdoável. Mas não esqueçamos que para os pecados (mortais e veniais) poderem ser perdoados, Jesus Cristo sofreu e morreu numa Cruz.

Mas o que é pecado venial? Bom! se é pecado é porque tem os três elementos que constitui um pecado: transgressão da lei de Deus, advertência sobre esta transgressão e apesar disto há o consentimento da vontade. Quando se dá o pecado venial? Nestes casos: Quando a matéria da transgressão é de si mesma leve; ou é grave mas a advertência sobre esta malícia não é total e o consentimento da vontade não é pleno. É, portanto, qualquer pensamento, palavra, ação ou omissão contra a lei de Deus, mas que não  é tão grave, que nos faça perder a amizade do Senhor e dê a morte à alma. Acha-se neste gênero de faltas, tudo o que constitui o pecado: Deus que manda, o homem que recusa obedecer. A única diferença que há entre o pecado mortal e o venial, é o consentimento mais ou menos completo, matéria mais ou menos grave. Quanto ao mais, em um e outro há uma indigna preferência dada à vontade do homem sobre a de Deus; é uma ofensa de Deus; e feita por quem, e porque? Por uma vil criatura, por um desprezível motivo. Há portanto no pecado venial um verdadeiro desprezo de Deus, uma verdadeira injúria feita a todas as perfeições de Deus; injúria leve comparativamente com a que resulta do pecado mortal, mas de uma gravidade como que infinita, já que ofende a dignidade infinita de Deus.

Vamos dar alguns exemplos de pecados veniais: pequenas iras passageiras, ligeiras intemperança no  comer ou beber, falar mal dos outros em coisas que não causam graves danos a reputação do próximo, mentiras oficiosas, manifestações de amor próprio, distrações e curiosidades que me alheiam de mim mesmo e me perturbam o coração, negligências nos exercícios espirituais e religiosos, donde resultam tantas faltas contra o respeito devido ao Senhor. Se não vigiarmos, quantas faltas cometemos pelo mau humor, pela liberdade da língua etc.

Os teólogos e também autores espirituais fazem algumas suposições hipotéticas para se fazer compreender melhor o mal que é o pecado venial. Eis alguns exemplos: Seria um grande mal aquele que não pudesse ser reparado com todas as lágrimas do gênero humano, com os tormentos dos mártires, as austeridades dos anacoretas, os sofrimentos, a caridade de todos os Santos, e com todas as boas obras que se têm feito desde o princípio, e se farão até ao fim do mundo. E todavia, todas estas satisfações, se não se lhes ajuntassem as satisfações infinitas do Verbo encarnado, não bastariam para reparar a ofensa que faz a Deus um só pecado venial. Outro exemplo: a mentira quando não prejudica gravemente o próximo é sempre de si mesma um pecado venial. Pois bem! Se fosse para tirar todos os condenados do inferno ou evitar que fossem expulsos do Céu todos os Santos, não se poderia cometer tal mentira, que é um pecado venial. Será que haverá alguém ainda afirmando com tanta desenvoltura que o pecado venial é coisa de nada, e que se pode fazê-lo com a mesma facilidade com que se bebe um copo d'água? Se houver, por ventura algum pecador que ouse afirmá-lo, ouça também o que diz os santos dos quais citarei apenas alguns: Santa Catarina de Gênova: "Lançar-me-ia em um oceano de chamas, sendo preciso, para evitar a ocasião do menor pecado, e ali ficaria sempre, antes do que sair de lá por um pecado venial";  Santa Catarina de Sena: "Se a alma que é imortal, pudesse morrer, a vista de um só pecado venial, que manchasse a sua beleza, seria capaz de lhe dar a morte"; Santo Inácio de Loiola dizia: "Todo o homem que é zeloso da pureza da sua consciência, deve humilhar-se diante de Deus pelos pecados mais leves, considerando que aquele Senhor contra quem são cometidos, é infinito em todo o gênero de perfeições, o que lhes agrava infinitamente a malícia" ; Dizia Santo Tomás de Aquino: "Antes morrer que pecar venialmente". Eis mais um exemplo: "O Santo Cura d'Ars tinha recebido  uma cédula de mil francos, para as suas obras. Quando foi acender a vela, não tendo fósforo, tirou do bolso sem olhar um pedaço de papel e o chegou ao fogo. O padre coadjutor deu um grito: "Senhor Vigário, é uma nota de mil francos que queimais". "Antes isso, disse o Santo, que um pecado venial".


E, caríssimos, quem pode contar a multidão dos pecados veniais. Santo Agostinho dizia; "Se não temes os pecados veniais, quando pensas na sua gravidade, temei-os quando o contas". Milhares de pecados veniais somados não constitui um mortal, a não ser quanto àqueles mandamentos em que a matéria se soma, como é o caso do 7º mandamento (pode chegar a uma soma que já passe a constituir pecado mortal). Fora disto não. Mas se não se combate os pecados veniais e estes se tornam um hábito, a alma se torna tíbia e aí vai aos poucos escorregando para o abismo do pecado mortal. E uma circunstância que nos deve atemorizar: é mais difícil sair do pecado mortal, quando se chegou a ele aos poucos através de pecados veniais não combatidos. Os pecados veniais diminuem as luzes e as forças da alma. Num naufrágio pouco importa se ele acontece por uma furiosa tempestade ou pelo fato de a água entrar por um fenda gota a gota. Se muitos pecados mortais não constitui um mortal, é, no entanto, certo que dispõem para o mortal. Depois, se Deus quiser, falaremos sobre a tibieza, e, então explicaremos isto melhor.