SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

sábado, 31 de março de 2018

GLÓRIA E PODER DE SÃO JOSÉ


31 de março

PRÁTICAS DE DEVOÇÃO A SÃO JOSÉ


 
 A devoção a São José é de uma grande riqueza e variedade de formas.  É certo que esta devoção, tão bela, nunca deve estar separada em nós da verdadeira devoção a Jesus e Maria. Façamos, pois, com que a invocação do nome do Santo Esposo de Maria e a sua lembrança, cada dia, a cada hora, em todas as circunstâncias de nossa vida sempre nos acompanhem. O conselho de Santa Teres é de uma eficácia maravilhosa: Recorrei a São José! Confiai em São José! Nunca haveis de recorrer em vão a São José! Pois o meio de incentivar e sustentar em nossa alma a chama de uma devoção fervorosa, é a fidelidade a algumas práticas que a experiência de alguns séculos de tantas almas santas prova serem meios poderosos para se alcançar a proteção do maior dos santos. 

   Em primeiro lugar a IMITAÇÃO : pois a glória dos santos está na imitação de suas virtudes. O santos são heróis para serem imitados e não apenas admirados. É verdade que nossa fraqueza nem sempre permite chegar à quele heroísmo e aos prodígios de virtude, de penitência extraordinárias de alguns deles. São José, porém, é mestre de uma escola de santidade, bem acessível à nossa pobre alma. Ensina-nos que, para agradar e servir a Jesus, não é mister fazer prodígios. Basta ser puro e simples, cumprir fielmente o dever de cada dia, custe o que custar, aceitar pacientemente a vontade de Deus nos sofrimentos, obedecer em tudo a lei divina e ter a mais pura das intenções. São José foi pobre operário, esposo fidelíssimo, pai amoroso de Jesus. Viveu no silêncio e no trabalho. O santo do dever. Quem não o pode imitar? Se não merecemos a glória e os privilégios do grande Patriarca, podemos merecer a graça de imitá-lo. Os Santos Padres Leão XIII e Pio IX apresentam São José à cristandade como modelo a ser imitado. Modelo de pai, consolo para as mães atribuladas na luta pela educação dos filhos. E hodiernamente,talvez mais do que nunca, como fará bem a estas mães, uma grande devoção a São José!. O Santo Patriarca é modelo para a juventude pela pureza mais do que angélica com Deus o adornou. Modelo dos operários pela fidelidade e honestidade do trabalho santificado e nobilitado na oficina de Nazaré. Modelo para os sacerdotes, pois José participou da realeza do sacerdócio. Teve em suas mãos o Verbo Encarnado, como o sacerdote tem no altar o Verbo de Deus feito pão eucarístico. As almas consagradas a Deus no claustro e em todas as variadas atividades da vida religiosa. Que modelo de perfeição evangélica, de pobreza, obediência e castidade dos santos votos!

  Enfim, São José não pode ser melhor honrado, que imitado. 

   AS PRÁTICAS DE "DEVOÇÕES". 


 Pequenas e cotidianas: Uma oração, uma jaculatória a São José pela manhã e à noite, uma Ave Maria em sua honra, trazer consigo uma medalha e beijá-la às vezes, uma visita à imagem de São José, uma flor, um obséquio devoto - quem não pode tomar qualquer destes pequenos atos de devoção e ser fiel a eles?

   Nada ficará sem recompensa, e o mais poderoso dos santos e o mais terno dos pais jamais deixará de socorrer um dos seus devotos, seja o maior e o mais miserável dos pecadores. Vimo-lo em alguns exemplos apresentados durante este mês.

   Celebremos cada ano, com todo fervor, as duas festas litúrgicas do Santo Esposo de Maria: 19 de março e 1º de maio. Uma novena bem fervorosa e pelo menos uma santa comunhão e a assistência à Santa Missa. A Santa Igreja consagrou a São José, além de um mês - Março - consagrou-lhe também um dia na semana - a Quarta-feira -. Portanto, todas as quartas-feiras, se pudermos, recitemos as Sete dores e sete alegrias de São José.  Caríssimos, seja a quarta-feira o nosso dia de São José. Façamos, neste dia, alguma esmola, alguma boa obra em honra do grande santo. Por exemplo: adornemos a sua Imagem e de joelhos rezemos a Oração de São José pela Igreja, ou as suas Ladainhas. Os pais transmitam aos filhos a herança de uma fervorosa devoção a São José. 

   Usemos o Cordão bento de São José.

   Caríssimos, guardemos bem esta norma: Tudo a Jesus por Maria, tudo a Maria por José! Amém!
   Peçamos ao Esposo de Maria, esta transmite o pedido ao seu Filho Jesus e este nunca deixa de atender!!! Se a qualquer pecador Jesus disse: pedi e recebereis, será que Ele não vai atender ao seu Pai Adotivo e a sua amorosíssima Mãe, a Sempre Virgem Maria?! Caríssimos, talvez nos falte uma fé maior e mais viva. Peçamo-la a Jesus, Maria e José! O resto virá sempre por acréscimo! Amém!

   E não poderia terminar estas reflexões no decorrer do mês de março, sem lembrar mais uma vez que o Glorioso São José é o patrono dos agonizantes. Ele nos garante uma santa morte!!!


EXEMPLO

São José e os viajantes

   O piedoso fundador Padre Chevalier invocava a São José em todas as dificuldades e aflições, e nunca foi desiludido em sua grande confiança.

   Celebrava-se a festa do Patrocínio de São José e o santo homem viajava na Espanha, em trabalhos apostólicos. Dirigia-se para Madri atravessando a montanha perigosa de Mala Cabrera. Esta Montanha era famosa pelos enormes crimes de bandoleiros e salteadores que a infestavam. Era toda semeada de cruzes a indicar mortes, tragédias e assassinatos. No mais perigoso trecho - de um lado a montanha íngreme e de outro um abismo-, dois bandidos assaltaram o carro do Padre Chevalier. Um segura as rédeas do animal e o outro, de pé no rochedo, ameaça e exige dinheiro e malas. O bom padre estremece, mas não perde a confiança em São José. Recomenda-se fervorosamente ao Santo Protetor, abre a bolsa, tira duas moedas de prata e entrega-as ao bandido. Este sacode a cabeça, hesita, sorri, ordena ao outro que largue as rédeas dos animais, despedem-se e desaparecem ambos pela montanha. 

   O padre, salvo pela proteção de São José, narrava este prodígio, profundamente grato.

   Outro sacerdote, desde o dia de sua ordenação, consagrava-se a São José ao empreender qualquer viagem. Dizia, após longos anos de vida:

   - Nunca deixei de experimentar a doce proteção deste Santo Patrono, nos maiores perigos e nas situações mais angustiosas. Estive diante da morte iminente por duas vezes. Vi mortes ao meu lado e escapei ileso, graças a São José.

   Marinheiros contam, maravilhados, graças do céu nos perigos de viagens e nas tempestades, graças essas obtidas pela invocação de São José. 

O SEPULCRO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

 Para um Deus, o sepulcro é o último grau de humilhação!
  "Aniquilou-Se a si mesmo". Só achamos uma imagem desta humilhação na comunhão. Ali também não é só Deus que desaparece, é o próprio homem, e ainda mais que na sepultura, onde ao menos conservava a forma exterior de um corpo humano. Não se abaixou tanto na Eucaristia, senão para nos inspirar a confiança de que precisávamos, para comer a sua carne e beber o seu sangue. Preparemos-Lhe no nosso coração um sepulcro, em que tenha gosto de estar. José e Nicodemos receberam o divino corpo privado de vida: nós recebemo-Lo vivo e dando a imortalidade!

 Depois da morte,o Corpo de Jesus é descido da Cruz, depositado por alguns instantes nos braços de sua inconsolável Mãe que O cobre de lágrimas, e em seguida prestam-Lhe, como aos outros homens, as honras da sepultura. É hoje que se verifica plenamente a palavra de São Paulo: "Aniquilou-se a si mesmo".


 "Seu sepulcro será glorioso". A terra e os Céus vão regozijar-se deste triunfo; felizes os vossos verdadeiros servos fiéis, porque participarão dele um dia.  É impossível deixar de ver os desígnios da Providência divina, ao permitir que se fechasse a entrada do sepulcro com uma grande pedra, e que fosse mandado selar e guardar. Com efeito, Deus queria que todas estas precauções servissem para comprovar a morte e sepultura do seu Filho; queria com isto refutar de antemão a fábula ridícula do roubo do corpo, e dar à ressurreição uma certeza que vencesse a mais obstinada incredulidade. Só Vós, ó meu Salvador, achais na vossa sepultura o princípio do triunfo que vosso Pai vos confere. Profundamente humilhado no sepulcro, sois glorificado pelo mesmo sepulcro.




Igreja do Santo Sepulcro
Caríssimos, na verdade, o sepulcro de Nosso Senhor Jesus Cristo é uma escola de perfeição. Naquelas trevas em que se envolve, também nos diz que amemos a vida solitária, porque é muito favorável à inocência e ao progresso da virtude. É também um belo modelo de obediência: é um corpo morto. Mas admiro ainda mais a obediência que presta a seus ministros sagrados, que dispõem dele como querem, É inacessível a toda a corrupção por causa da divindade a que está unido. Também nós, se permanecermos unidos a Jesus pelo amor, conservar-nos-e-mos incorrutos embora  vivendo no mundo que é um sepulcro de corrupção. No sepulcro Jesus conserva toda a força para sair dele; também nós receberemos da nossa união com Jesus, o poder de vencer as paixões e o inferno, e como o Divino Salvador, alcançaremos também a glória da ressurreição. Amém!

sexta-feira, 30 de março de 2018

GLÓRIA E PODER DE SÃO JOSÉ


30 de março

JESUS, MARIA, JOSÉ

   Três nomes benditos! Nem a teologia, a ciência, a arte e a razão humana, bastam para explicar a excelência desta sociedade única na terra. Os três seres humanos (sendo Jesus também Deus) que, por seus dons naturais e sobrenaturais coroam e integram a criação e são o ideal da verdade e da virtude nos céus e na terra. São o céu na terra, o eterno no tempo, Deus no mundo. Jesus, Filho de Deus, Maria Mãe de Deus e São José, predestinado por Deus para ser o Pai Adotivo do Filho de Deus e, para proteger a Virgem Mãe de Deus, foi seu Esposo. Houve por ventura algo maior, mais sublime, mais excelso, mais divino sobre a face da terra? A Sagrada Família resume os pensamentos eternos de Deus; as maravilhas do seu poder, as efusões do seu amor. É o centro do plano divino e também o seu princípio e o seu termo.

   Jesus, Maria e José! São três corações inseparáveis; formam uma sociedade única e individual, uma família completa. Era uma família digníssima, uma família celestial na qual o chefe e pai de família era São José, mãe de família a Virgem e o filho Jesus Cristo. 

   O que Deus uniu não podemos separar. Não separemos, então, em nosso amor e devoção, Jesus, Maria e José. Vemos que o Espírito Santo nos Evangelhos em muitas passagens não separa estes nomes benditos.

   Jesus, Maria e José! Nomes de majestade e de glória! Felizes na vida e na morte, os que sempre os invocam!


EXEMPLO

São José protege a infância

   Em 1631 abriu-se uma vasta cratera no Vesúvio, formando uma onda enorme de fogo e de cinzas. Como um rio que transborda, a lava abrasadora cobre as aldeias e, sobremaneira, o lugar chamado "Torre del Greco". Neste vilarejo residia uma piedosa mulher chamada Camila. Distinguia-se pela devoção a São José. Morava com ela uma criança de cinco anos, seu sobrinho, chamado José.  Para fugir à onda de fogo, tomou nos braços o pequenino e se pôs a correr desesperada. Entretanto, chega um instante em que se vê na iminência de perecer. De um lado, um rochedo enorme, e do outro, o mar. Ou se atirava na água e morreria afogada, ou seria consumida pela onda de fogo que se aproximava rapidamente. Lembrou-se, nesta hora aflita, do seu grande protetor e não perdeu a confiança:

   - Meu São José, brada ela, não me importa a vida! Salvai, porém, esta criança, que traz vosso nome. 

   E, sem mais esperar, deixa a criancinha sobre uma rocha e se atira para o lado do mar. Por felicidade caiu numa praia estreita, aonde uma camada de areia branca a protegeu. Apesar da altura em que se precipitou, não se feriu. Estava salva! E a criancinha? Foi então que, no auge da dor, gritava: 

   - Pobre criança! Devorada pelas lavas!...

   Chorava ainda quando ouviu chamá-la. Era a voz do pequenino José, são e salvo, alegre, a pular na areia. 

   - Meu filho! Meu filho! brada Camila, apertando contra o peito a criança. Como escapou do fogo e da morte?

   - São José me salvou. Aquele São José a quem rezamos todos os dias. Apareceu-me, tomou-me pela mão e aqui cheguei 

   O fogo havia passado pelo rochedo. Era impossível a criança ter se salvado sem um milagre. Camila mais de uma vez aí mesmo se prostrou com o pequenino para agradecerem, comovidos, a incomparável graça alcançada por São José. 

A VIRGEM NO CALVÁRIO

Por D. Antônio de Almeida Morais Júnior.
(São apenas alguns excertos do Sermão)
   NB: D. Antônio de Almeida Morais Júnior foi Arcebispo de Niterói. Era grande amigo de D. Antônio de Castro Mayer. Foi o maior orador sacro do seu tempo. Foi um luminar da Santa Igreja e fez parte da Academia Mineira de Letras. Este sermão do qual apresento alguns trechos hoje, foi feito em 1964.

   Sobre o Gólgota , Maria está no posto de honra, de amor e de martírio: "Stabat Mater dolorosa". "Ó vos que passais, exclama o Profeta da antiga desolação, parai e vede se há dor semelhante à minha dor!" As agonias da Virgem são mais vastas que o Oceano: "velut mare contritio tua!" Rios de lágrimas correm ali. O raio lança, ali, clarões vermelhos como sangue; mas o oceano conserva, na imensidade de suas águas, espelho dos céus sem limite, o mistério de uma paz tão opulenta que a tempestade das cóleras divinas não lhe pode perturbar as silenciosas profundezas. O sofrimento dos homens lamenta-se: "que fiz eu para que Deus me ferisse assim?" Eis o eterno queixume, a fórmula de revolta, a blasfêmia sempre renascente da dor vulgar. Ela recrimina, ela se desanima, ela se cansa!
   "No Gólgota, a Virgem em lágrimas, ferida, conserva-se em pé, num silêncio adorável!" "Stabat Mater" - nesta atitude reconhecemos a nobreza e a sublimidade daquela dor. Ela vem de Deus, ela é para Deus, ela glorifica a Deus.
   "Stabat" - De pé, a nova Eva, a maravilha da criação. De pé, lírio mesto, ereto no seio dos espínhos, farol inabalável no seio das ondas em cólera, sob a demagogia das nuvens. De pé, como a prece e a esperança! De pé, a mulher forte, a rainha dos mártires, a correndentora na salvação das almas. De pé, na resignação augusta e santa da dor".
   "Jesus e Maria tinham sofrido juntos, os dois lírios tinham crescido no meio dos espinhos da tribulação; ao mesmo tempo transplantados de Belém para Nazaré, de Nazaré para o Calvário; as duas flores inundadas de um orvalho de lágrimas e de sangue entregavam aos ventos dos séculos seus perfumes purificadores, os germes de uma fecundidade que encheu o universo".
   "Stabat Mater". Ó fecundidade do maravilhoso coração da mulher traspassada por sete espadas! ...Esmagando o coração da Virgem, a prova a faz crescer diante do Senhor; seu triunfo se completa. A Imaculada, contemplada por São João, no exílio de Patmos, coroada de estrelas, revestida de sol, de pé sobre o crescente argentino das noites, encontra nas lágrimas que brilham nos seus olhos, nos gládios que traspassam sua alma, a suprema perfeição de sua glória.
   ...Os protestantes se escandalizam com os testemunhos de nossa piedade filial diante do altar da Virgem. Eles não compreendem a nossa veneração. Ah! se eles conhecessem o dom de Deus!
   A Santíssima Virgem é medianeira de todas as graças. É consoladora de nossas penas. É refúgio dos pecadores. Para ela se agitam todos os braços desesperados, para ela sobem os brados da fraqueza e os gritos dos infelizes.
   Ela aparece sempre ao lado de Jesus, de pé, sob a árvore da Redenção para ajudar-nos a colher o fruto do perdão, da salvação e da imortalidade. Maria é a razão de toda a nossa esperança.
   Ela oferece ao Pai a vítima que deverá salvar-nos. Ao Filho, o Pai não dá senão a grandeza e o triunfo de toda a eternidade. Maria dá-lhe a mortalidade, o poder de se imolar, no tempo, à glória de Deus, em colaboração com a Trindade augusta. Ela colabora ativamente na obra-prima da Encarnação e da Redenção. Ela nutre a vítima. Ela o prepara para o sacrifício.
   A majestade e a fecundidade da dor de Maria Santíssima tem sua fonte naquela profundeza do abismo: "Stabat Mater dolorosa!" Que eram os três dias da perda no Templo, os três anos de vida laboriosa, ao lado das três horas de agonia do Calvário?
   Mãe delicada e pura, indizivelmente amante, ela viu cravado no madeiro, o mais amável, o mais santo dos filhos, ao mesmo tempo, seu Filho e seu Deus".
   

quinta-feira, 29 de março de 2018

O SACRAMENTO DA EUCARISTIA

   A - DEFINIÇÃO: A Eucaristia é um sacramento que, pela admirável conversão de toda a substância do pão no Corpo de Jesus Cristo e de toda a substância do vinho no Seu precioso Sangue, contém verdadeira, real e substancialmente o Corpo, Sangue, Alma e Divindade do mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor, debaixo das espécies de pão e de vinho, para nosso alimento espiritual.

   EXPLICAÇÃO:
1 - A Eucaristia ou Comunhão é um dos Sete Sacramentos da Santa Igreja. Três são as coisas exigidas para constituir um sacramento - sinal sensível, instituição divina e produção da graça. Já vimos, em post anterior, que Jesus instituiu a Eucaristia na Quinta-feira Santa e que Ela contém, não só a graça, mas o próprio Autor da graça: Jesus. O sinal sensível são as espécies (ou "aparências") do pão e do vinho. embora a matéria conste de dois elementos, o pão e o vinho, há um único Sacramento, porque estes dois elementos constituem um sinal só, já que a finalidade deles é a mesma. Comida e bebida são duas coisas diversas, que se empregam  para a mesma finalidade, ou seja, para restaurar as forças do corpo. Assim, no Sacramento, as duas espécies diversas representam o alimento espiritual com que as almas se sustentam e se nutrem. Por isso Nosso Senhor declarou: "Minha carne é verdadeira comida, e meu sangue é verdadeira bebida".

   Três são as coisas que este Sacramento nos indica: a) a primeira, que já passou, é a Paixão de Cristo Nosso Senhor. Ele próprio havia dito: "Fazei isto em memória de mim". E São Paulo testemunhou: "Todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice, anunciareis a Morte do Senhor, até que Ele venha". b) a segunda, é uma graça divina e celestial que o Sacramento dá quando O recebemos, para nutrir e conservar as forças da alma. c) a terceira, que anuncia o futuro, é o fruto de eterna alegria e glória que havemos de possuir na pátria celestial, por promessa de Deus. Jesus prometeu: "Quem comer deste Pão, viverá eternamente".

   2 - O Sacramento da Eucaristia depende do Santo Sacrifício da Missa, que realiza a Presença real de Nosso Senhor. Na hora da Consagração, toda a substância do pão e toda a substância do vinho se convertem na substância do Corpo, Sangue Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, permanecendo apenas as aparências do pão e do vinho. As aparências (ou acidentes ou espécies) são: a forma, a cor, o gosto, o peso, o tamanho, o cheiro etc. Ensina o Concílio de Trento que, com propriedade, a Santa Igreja dá a esta admirável conversão o nome de TRANSUBSTANCIAÇÃO, porquanto na Eucaristia a substância total de uma coisa se converte na substância total de outra coisa.
   A Eucaristia é JESUS realmente, e não um símbolo de Jesus.
   A Eucaristia é JESUS verdadeiramente, e não uma figura de Jesus.
   Jesus Cristo está substancialmente presente na Eucaristia, e não virtualmente apenas.

   3 - A Eucaristia é um Sacramento de natureza especial. Enquanto os demais têm existência apenas na hora em que se administram, a Eucaristia é e continua a ser sacramento tanto antes como depois do uso. O Batismo por exemplo só existe no momento , muito curto, em que o ministro pronuncia a fórmula, derramando água na cabeça da criancinha; pelo contrário, Nosso Senhor está presente na Eucaristia, no estado de sacramento, sob os véus das espécies, independentemente da comunhão dos fiéis.

   4 - PARA NOSSO ALIMENTO ESPIRITUAL: aí está uma das razões e finalidades por que Nosso Senhor instituiu a Santíssima Eucaristia - para ser Ele próprio o alimento espiritual das almas. "Se não comerdes a Carne do Filho do Homem,  e não beberdes o Seu Sangue, não tereis a VIDA em vós". A vida divina que recebemos no Batismo e que foi robustecida na Crisma, é conservada e desenvolvida pelo Sacramento da Comunhão.
              COMUNGAI, COMUNGAI TODO DIA, A EUCARISTIA É VIDA IMORTAL.

O SANTÍSSIMO SACRAMENTO DA EUCARISTIA

   Entre todos os Sacramentos que Nosso Senhor e Salvador nos confiou, como instrumentos certíssimos da graça divina, não há nenhum que possa se comparar com o Santíssimo Sacramento da Eucaristia, pois encerra, não apenas a graça, mas contém em si o próprio Autor da graça e Fonte da Santidade. Por isso não há crime que faça temer pior castigo da parte de Deus, do que não terem os fiéis devoção e respeito para com a Eucaristia.
   Ao estudarmos este artigo tão importante da Doutrina Católica, peçamos a Jesus Hóstia, por intermédio de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, que ilumine nossa inteligência e fortifique nossa vontade para uma adesão mais firme e mais profunda a este mistério de fé.
   Graças e louvores se deem a todo momento - Ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento!

PROMESSA DA EUCARISTIA
   No capítulo 6º de seu Evangelho, São João refere um longo discurso em que Nosso Senhor anuncia e promete a Eucaristia.
   Foi no dia seguinte ao da multiplicação dos pães. Jesus estava pregando na sinagoga de Cafarnaum quando a multidão acorreu até Ele a fim de ouvir-Lhe a palavra. Nesse discurso, depois de exigir dos ouvintes a Fé em sua Pessoa, Jesus se apresenta como o verdadeiro pão descido do céu, pão que devia ser comido - pão celeste que é a sua própria carne, sacrificada pela vida do mundo - pão que ainda não foi dado, mas que Ele dará um dia.
   'EU SOU O PÃO VIVO QUE DESCI DO CÉU. SE ALGUÉM COMER DESTE PÃO VIVERÁ ETERNAMENTE. O PÃO QUE EU DAREI É MINHA CARNE PARA A VIDA DO MUNDO".
  "MINHA CARNE É VERDADEIRA COMIDA E MEU SANGUE É VERDADEIRA BEBIDA. QUEM COME A MINHA CARNE E BEBE O MEU SANGUE PERMANECE EM MIM E EU NELE" (versículos 51 - 55 e 56).

REALIZAÇÃO DA PROMESSA: INSTITUIÇÃO DA SS. EUCARISTIA
  
   Foi na Quinta-feira Santa, véspera de Sua Paixão e Morte, quando realizava com seus Apóstolos a Última Ceia, que Nosso Senhor cumpriu o que havia prometido em Cafarnaum.
   São João, no início da narração, diz que Jesus "tendo amado os seus que estavam no mundo, até o fim lhes dedicou extremado amor". A Eucaristia é mistério de fé e também mistério de amor de Deus para com os homens.
   Após o lava-pés, Jesus tornou a assentar-se à mesa. Tomou pão em suas santas mãos, benzeu-o, partiu-o e deu-o a seus discípulos, dizendo: "TOMAI E COMEI. ISTO É O MEU CORPO, QUE SERÁ ENTREGUE POR VÓS".
   Depois tomou o cálice com vinho, deu graças, benzeu-o e o apresentou a seus discípulos, exclamando: "TOMAI E BEBEI DELE TODOS, ISTO É O MEU SANGUE, O SANGUE DA NOVA ALIANÇA, QUE SERÁ DERRAMADO POR VÓS E POR MUITOS PARA A REMISSÃO DOS PECADOS, FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM".

   Há quatro descrições da instituição da Eucaristia no Novo Testamento: S. Mateus, capítulo 26, versículos 26 a 29; São Marcos, capítulo 14, versículos 22 a 25; São Lucas, capítulo 22, versículos 14 a 20; São Paulo na 1ª Epístola aos Coríntios, capítulo 11, versículos 23 a 25.
   São João é o único que refere as palavras da promessa; não dá as da instituição.
   A Eucaristia pode ser considerada como SACRAMENTO  e como SACRIFÍCIO. Explicaremos primeiro a Eucaristia como um dos Sete Sacramentos da Santa Igreja.
   No outro blog ZELO ZELATUS SUM  já falamos sobre a Eucaristia como SACRIFÍCIO; mas, como se trata do que há de mais santo sobre a face da terra, voltaremos aqui, se Deus quiser, a falar sobre a Eucaristia como SACRIFÍCIO.

QUINTA-FEIRA SANTA


Instituição da Eucaristia e do sacerdócio

"No cenáculo, assim como há mais que uma refeição, assim também há outra coisa além do sacrifício. Há a instituição de um novo sacerdócio. Como teria Jesus dito aos homens: Se não comerdes a minha carne e não beberdes o meu sangue, não tereis vida em vós, se não pensasse em criar um ministério, pelo qual renovasse, até ao fim dos séculos, o que então acabava de fazer na presença dos doze Apóstolos? Ora, eis aqui o que diz a estes homens que escolheu: Fareis isto em memória de mim. Dá-lhes por estas palavras o poder de converter o pão em seu corpo e o vinho em seu sangue; e este sublime poder transmitir-se-á na Igreja pela sagrada ordenação, até à consumação dos séculos. Jesus continuará a realizar pelo ministério de homens mortais e pecadores, o milagre que fez no cenáculo; e, ao mesmo tempo que dota a sua Igreja com este único e perpétuo sacrifício, dá-nos , segundo sua promessa, com o pão do Céu, o meio de nós permanecermos nele, e ele em nós" (D. Guéranger, Ann. liturg.).

Estas duas instituições reunidas encerram dois poderosos motivos de reconhecimento, que hão de ser hoje o objeto da nossa meditação. O primeiro refere-se a todos os fiéis: Accipite et manducate, hoc est corpus meum..., accipite et bibite, hic este sanguis meus; [tomai e comei, isto é o meu corpo]; o segundo refere-se em particular aos Sacerdotes: Hoc facite in meam  commemorationem [Fazei isto em minha memória].

I. Amor de Jesus Cristo para com os homens na instituição dos mistérios deste dia: Hoc est corpus meum [Isto é o meu corpo].

II. Amor particular de Jesus Cristo para com os seus ministros: Hoc facite in meam commerationem.

I. Amor do Salvador para com os homens na instituição dos mistérios deste dia. A Eucaristia é o testamento do Filho de Deus, que vai morrer; é um dom, último penhor da sua ternura. Qual é este dom? A quem é feito? Quando e porquê é ele feito? Só o amor infinito era capaz destas invenções inefáveis, que já os profetas entreviram: Notas facit in populis adinventiones ejus [Isaías, III, 10).

1º "Tendo amado os seus que estavam neste mundo amou-os até ao fim". Tudo estava preparado, e era chegada a hora de cumprir o grande desígnio formado pelo Coração de Jesus. "Enquanto ceavam, tomou Jesus o pão, benzeu-o, partiu-o, e deu-o a seus discípulos, dizendo: "Tomai e comei:isto é o meu corpo, que será entregue por amor de vós". E tomando o cálice, deu graças, e deu-lho, dizendo: "Bebei dele todos, porque isto é o meu sangue do Novo Testamento, que por vós será derramado" (Mat. XXVI, 26). Posso eu ouvir estas palavras, sem me sentir tomado de respeito e transportado de amor?

Isto é o meu corpo, isto é o meu sangue! Que é o que Jesus nos dá? É infinitamente mais que o seu reino; é Ele mesmo, seu poder, sua bondade, suas graças, seus merecimentos! ... A sua carne crucificada por amor de nós identifica-se com a nossa carne; o seu sangue, que salvou o mundo, mistura-se com o nosso sangue. Nossa alma une-se à do Redentor; sua divindade penetra-nos, e consome em nós tudo o que o pecado havia corrompido. O amigo fiel repousa no nosso seio, e diz-nos: Pone me ut signaculum super cor tuum (Cant. VIII, 6) (=Põe-me como selo sobre o teu coração).
Ó homens, buscai algum bem, que não esteja neste dom inestimável! e vede se o amor de Jesus para convosco o não tornou pródigo de si mesmo, pois julgou que era muito pouco dar-vos tudo o que possui, se vos não desse também tudo o que Ele é: divindade e humanidade!...

2º Mas, a que homens privilegiados será destinado tão mimoso favor? Será reservado para a incomparável Virgem, para o apóstolo a quem Jesus amava, para algumas almas escolhidas, êmulas da pureza de Maria e de São João? Não. Jesus concede-o a todos os seus discípulos: Deditque discipulis suis, a todos os filhos da sua Igreja, de todos os tempos, de todos os lugares, de todas as condições.

Ninguém é excluído, se não se exclui por sua própria vontade; e é por isso que, depois de ter feito este prodígio, compêndio de todos os prodígios, ordena aos seus ministros que façam o que Ele acaba de fazer, que perpetuem este milagre de amor, renovando-o até ao fim dos séculos, em toda a parte onde conquistarem para Ele servidores. Oh! como é verdade que o seu amor para conosco não tem limites, pois se dá todo inteiro e a todos! E este amor é também desinteressado.

3º Quando instituiu a Eucaristia, que esperava Ele dos homens? Quando lhes dava uma prova de seu generoso e extremoso amor, que Lhe preparavam eles? É na véspera da sua Paixão, in qua nocte tradebatur [na noite em que seria entregue], no momento em que os Judeus deliberavam sobre os meios a empregar para Lhe darem uma morte infame e cruel, no momento em que Judas Iscariotes buscava ocasião de o entregar ao seu ódio e inveja. Quando os homens mereciam mais sua indignação, é que Ele leva o amor para com eles até aos últimos limites: In finem dilexit eos. Vê o que se maquina contra Ele, conhece as profanações futuras e os atentados presentes; nada o detém: Aguae multae non potuerunt extinguere caritatem, nec flumina obruent illam (=As muitas águas não puderam extinguir o amor, nem os rios terão força para o submergir].

4º Finalmente, que se propõe Ele nesta admirável instituição, senão vencer a excessiva perversidade com a excessiva bondade? Os homens rejeitam-no, vão dentro  em breve gritar: Tolle, tolle, crucifige eum [Tira-o, tira-o, crucifica-o]; e ele prende-se a eles para não os deixar mais. Querem, por assim dizer, com seus enormes crimes, forçar Deus a feri-los sem misericórdia, e Jesus quer interpor-se como vítima de propiciação, com um sacrifício perpétuo, entre a justiça de seu Pai e os crimes dos homens. Não podem suportá-lo; e Ele, dir-se-ia que não pode abandoná-los; só se achará bastante perto deles, depois que tiverem comido a sua carne e bebido o seu sangue! Quer ser o alimento de suas almas; Ego reficiam vos; quer comunicar-lhes sua vida divina, que aproveitará também  a seus corpos, e em virtude da qual os ressuscitará no último dia (cf. S. João, VI, 55).

Tais são os intuitos do seu amor neste mistério: estar sempre com os homens; sacrificar-Se sempre por eles; unir-Se a eles como seu alimento, para os transformar nele. Até ao fim dos séculos, terão junto a si o tabernáculo em que reside, o altar em que se imola, a sagrada mesa em que se dá como alimento.

II. Amor do Salvador para com seus ministros na instituição dos mistérios desde dia. [Só darei o resumo].

A Eucaristia, que é a riqueza de toda a Igreja, é o tesouro particular do sacerdócio. Houve jamais ministério tão divino? Como o exerceis vós, ministros do Senhor? Honrai hoje o Santíssimo Sacramento e o sacerdócio com especial devoção. (Extraído do Livro "MEDITAÇÕES SACERDOTAIS"  de autoria do Padre Chaignon, S. J.).


GLÓRIA E PODER DE SÃO JOSÉ


29 de março

O CORDÃO DE SÃO JOSÉ

   ORIGEM: Foi no século XVII, em Anvers, Bélgica, no convento das Agostinhas.

   Ia já para três anos que Soror Isabel Sillevorts via-se atacada do mal-da-pedra (cálculo renal). Dores lancinantes, espasmódicas! Os recursos da medicina, últimos e mais enérgicos, baldados!.

   Animada pela mais firme confiança no Patrocínio de São José, Soror Isabel, havendo obtido do sacerdote que lhe benzesse um cordão, cinge-o em homenagem ao grande Patriarca, abandona os recursos da terapêutica e começa com todo o fervor uma novena de súplicas ao Esposo puríssimo da Virgem Mãe de Deus, certa de que seria por ele ouvida e curada. 

   Dias depois, a 10 de junho de 1649, quando, por entre os estertores de agudíssimo sofrimento, a pobre fazia ao santo a mais ardente súplica, eis que de repente se vê livre de um cálculo de desproporcionadas dimensões e completamente curada.

   Grande e rápida foi a repercussão do milagre, que muito serviu para consolidar nos habitantes de Anvers a devoção a São José, então já bastante espalhada.

   Mais tarde, a 3 de janeiro do ano seguinte, lavrou-se disso uma ata autenticada pelas assinaturas da Madre Priora do Convento, Soror Maria Martens, de Soror Catarina Martens, a enfermeira da Comunidade, e da própria agraciada, Soror Isabel da Sillevorts.

   Em 1842, por ocasião dos piedosos exercícios do mês de São José, foi esse fato publicado na igreja de São Nicolau, na cidade de Verona (Itália), e muitas pessoas enfermas, cingindo-se então com o cordão bento, experimentaram o valioso auxílio do Santo Patriarca.

   Daí se foi estendendo o uso do cordão de São José; e, hoje, não só é procurado para alívio de enfermidades corporais como também, e com igual sucesso, em os perigos da alma.

   Salienta-se, sobremodo, o benefício do cordão de São José como uma arma contra o demônio da impureza.

   A Santa Sé autorizou a devoção do cordão de São José. Permitiu a fundação de Confrarias e Arquiconfrarias do Cordão de São José, elevando uma delas à categoria de Primária. 

   Em setembro de 1859, dando provimento a uma petição do bispo de Verona, a Sagrada Congregação dos Ritos aprovou a fórmula da Bênção do Cordão de São José. Esta bênção acha-se no Ritual da Santa Igreja, constando-se de cinco orações belíssimas. onde se pede especialmente a virtude da castidade e pureza de alma e corpo. 

   O Cordão de São José deve ser feito de linho, ou algodão bem alvejado. A pureza e alvura desses materiais nos hão de indicar a candura e virginal pureza de São José, castíssimo Esposo da Virgem Mãe de Deus, Maria Santíssima. 

   Numa extremidade leva sete nós, que representam as sete dores e as sete alegrias do glorioso Patriarca. 

   Por fim, deve ser bento, com bênção própria como está no Ritual. Assim devidamente bento, deve ser usado, é obvio, com fé e devoção para se implorar um constante Patrocínio de São José, especialmente na guarda e defesa da sublime virtude da castidade (como solteiro, casado ou consagrado). Se o trará constantemente cingido. Dou o conselho de usá-lo também como uma pequena penitência em honra de São José. 


EXEMPLO

A caneta de São José

   As Irmãs de Caridade de uma Congregação fundada pela Venerável Madre Seton estabeleceram, sob a direção de uma santa religiosa, Madre Maria Irene, uma casa em Nova York, destinada a receber e amparar crianças abandonadas. 

   O edifício é hoje dos maiores e ocupa um quarteirão todo entre a Lexington Avenue e a Terceira Avenida. Ali são amparados centenas de pobrezinhos. E, no entanto, esta obra grandiosa começou humilde e pobre. Em breve, Irmã Irene resolveu levantar o grandioso edifício. Confiou a obra a São José e esta chegou a ser uma realidade. Porém, como sustentar tantos pobres orfãozinhos? Havia enormes dívidas da construção. Os pedidos de proteção a crianças abandonadas chegavam todos os dias. Confiadas em São José, iam recebendo órfãos. Lembraram-se as Irmãs de pedir ao governo do Estado de Nova York uma subvenção anual e uma verba extraordinária de auxílio. Escreveram de Albay, sede da Assembleia Legislativa do Estado, que o pedido não passaria na Assembleia, porque não eram poucos os deputados protestantes, e estes se opunham ferrenhamente ao projeto. A situação era grave. Não era possível contar com os votos da maioria. O Partido protestante se opunha tenazmente e outros homens da Assembleia não olhavam a causa com bons olhos, já por espírito maçônico e liberal, já por grandes preconceitos contra a educação católica. Não se podia esperar que o Bill fosse aprovado. Nestas circunstâncias Madre Maria Irene, devotíssima de São José, alma simples e confiante, foi ao salão principal onde se venerava uma linda imagem do santo em tamanho natural e lhe disse, com doce ingenuidade: Meu querido São José, o projeto há de passar na Assembleia! Vós não haveis de desiludir minha confiança em vossa proteção. Vede os pobres órfãos da vossa casa e tantos outros que preciso amparar! Não é possível, meu São José, seja eu desamparada! Como hei de dar comida e roupa a tanta gente? Valei-me, meu São José! O Bill há de ser aprovado!

   E, ingenuamente, coloca na mão da imagem uma caneta com a pena molhada em tinta.

   - Aqui ficará nas vossas mãos, meu São José, esta caneta, até que o projeto seja assinado. 

   Toda gente que passava pelo vestíbulo sorria, ao ver São José de caneta entre os dedos.

   Durante um mês, seguramente, a imagem trazia a caneta, com admiração geral.

   Numa tarde, as religiosas em recreio, num pátio junto ao vestíbulo, ouviram o barulho da caneta que tombou no soalho. Madre Irene foi buscá-la e disse, radiante:

   - São José nos ouviu! Fomos atendidas. Tenho plena confiança!

   De fato. Uma hora depois, chegava à portaria um telegrama de Albany: "O Bill foi assinado".

   Aprovado!  
   
   Correram, todas as religiosas e crianças, para diante de São José e, ali prostradas, agradeceram comovidas a graça. 


   

SERMÃO DA PAIXÃO: Sentença de morte, Carregamento da Cruz e Crucifixão

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Acompanhemos o Divino Salvador até ao Calvário!
   
   A turba sanguinária, apesar deste tão compassivo quadro do "Ecce Homo", capaz de comover até os corações de bronze, continua em furor, gritando: retirai esse homem de nossas vistas e mandai que ele seja crucificado!
   
   Pilatos ainda faz alguma resistência, mas já se mostra vacilante. 

   "Se dás liberdade a esse homem", gritam todos os sinedritas, "não és amigo de César; porque todo aquele que se faz rei é um revoltado contra César".

   Era o golpe derradeiro!!!

   À evocação do nome de César, vacila o procônsul como fulminado por um raio. Os doces reclamos da graça foram abafados pelas ambições humanas! Pilatos tem medo. Lava as mãos do Sangue inocente e pronuncia a sentença de morte. 

   - Serás crucificado! Ibis ad crucem!


 Triunfam enfim os inimigos de Jesus. Pronunciada a sentença ardentemente desejada, organiza-se o préstito:
    Como outrora Isaac levando sobre os ombros o lenho do holocausto, Jesus sobe a ríspida ladeira que dá para o Calvário a essa hora abafadiça e irrespirável. 
  
   Eis o alto do Calvário!

  Omitimos aqui, o encontro de Jesus com Sua Santíssima Mãe. Na Quarta-feira Santa já publicamos o Sermão do Encontro. 

   Aí no Calvário, permaneçamos até o fim. Agora, em companhia de Jesus e também de Sua Mãe Santíssima, deixemos que a dor invada nossos corações, contemplando essas duas vítimas inocentes unidas num mesmo sacrifício. O que se passou no alto do Calvário deve ficar gravado em nossos corações! 

   "Posta a cruz, diz Padre Vieira, naquele lugar do monte onde havia de ser levantada, enquanto uns abriam o cova, e outros preveniam os instrumentos, mandaram ao Senhor que se despisse; (...) Despido, com os olhos no chão, mandam-lhe que se deite na cruz. Levantou o Senhor os olhos ao Céu, pôs os joelhos em terra, cruzou as mãos sobre o peito, oferecendo-se ao sacrifício; e fazendo logo com grande sujeição e humildade o que lhe mandavam, deitou-se sobre a cruz, estendeu os braços sobre os braços da cruz, e os pés para a parte dos pés, e a cabeça sobre os espinhos". 
   Eterno Pai, se não há piedade na terra, esperamo-la do céu. 
  Já Isaac está deitado sobre a lenha! Já está conhecida a obediência de Vosso Filho. Já mostrou que estima mais a Vossa Vontade que a Sua vida. Se é necessário sangue para a Redenção, já está derramado muito mais do que basta.
   Senhor, suspende o golpe! 
   Pecadores, avaliai agora o pecado pela resposta que é dada a esta súplica; mas ai, que já os algozes têm nas mãos os cravos. Já vejo levantar o martelo. - Eterno Pai, não poupareis o Vosso Filho? - Não! Vejo n'Ele os pecados dos homens. Execute-se o golpe, diz a Divina Justiça, preguem-se os pés, preguem-se as mãos, consume-se o sacrifício...
   E assim se fez...
   Começam a pregar primeiro a mão esquerda, depois a direita, ultimamente os pés. As cruéis marteladas fazem ecos pelos vales daqueles montes; mas muito maior eco faziam no coração da lastimosa Mãe. No corpo do Filho, diz Vieira, davam-se as marteladas divididas, porque umas feriam os pés; outras a mão direita; outras a  esquerda; porém na Senhora todas batiam e descarregavam juntas no mesmo lugar, porque todas feriam o coração. 

   Pregado, enfim, na cruz, o nosso amoroso e pacientíssimo Jesus, tomaram os algozes a cruz em peso e ficou arvorado no monte Calvário o estandarte de nossa Redenção. 

   Oh! que dor! Oh! que tormento! Oh! que ânsia daquela humanidade sagrada, neste rigorosíssimo ato!. Caiu a cruz de golpe na cova, que era funda; estremeceu e ficou suspenso com todo o peso; e com este abalo de todos os membros e de todas as veias, as quatro fontes de sangue que estavam abertas, começaram a correr com maior ímpeto, e a regar a terra. ...


 Oh! que afligido, que angustiado vos vejo, meu Jesus!
   Se o Senhor se queria firmar sobre os cravos dos pés, mais feriam-se os pés; se se queria suspender sobre os cravos das mãos, rasgavam-se mais as mãos; se se queria arrimar à cruz, cravavam-se mais os espinhos. 
   Faltava-Lhe o sangue para o alento, faltava-Lhe o ar para a respiração, e até  a terra, que não falta aos bichinhos dela, faltava ao Criador do céu e da terra! Pode-se, continua o Padre Vieira, considerar mais extrema miséria e desamparo? Que morra o Filho de Deus, e que o matem os homens; e que nem sete pés de terra sobre que morrer, lhe concedam! Oh extremo de ingratidão, só igual ao extremo de tal amor!

   Prometido o Paraíso ao ladrão que se arrependeu, tratou o Senhor de se despedir e de fazer o Seu testamento. Bens deste mundo, de que testar, não os tinha, porque nunca os tivera; e os pobres vestidos com que se cobria, que é só o que possuía, não os deixou, nem os pôde deixar; porque pertenciam aos algozes que já os tinham repartido entre eles. O que tinha e Lhe restava nesta vida e desta vida era uma Mãe e um amigo que, de todos, só Lhe fora fiel. Olhou, pois para a Mãe e para o discípulo amado e disse à Mãe:  "Mulher, eis aí o teu filho";  e ao discípulo: "Eis aí a tua Mãe".

   Que breves palavras, mas quão agudas e lastimosas! Agudas e lastimosas para o coração da Mãe, agudas e lastimosas para o coração do Filho. Considerai, almas devotas, qual seria a dor daquela tão amorosa e afligida Mãe, ouvindo estas palavras. Quanto lhe partiria o coração, ver que em lugar do Seu Jesus, lhe davam outro filho ou outros filhos!
   Maria olhou em torno de si. Ali estava João, o moço angélico e puro. Mas, estavam também: Madalena, os algozes, o mau ladrão. Pois também a estes haveria Ela de os acolher como filhos. João, Madalena e o mau ladrão representavam no alto do Calvário as três classes de almas de que se compõe a humanidade: almas puras e sem pecado, almas pecadoras que se arrependem e almas pecadoras não arrependidas. E Maria realmente compreendeu o alcance da profecia do Velho Simeão. Era preciso que também Ela, nesta hora de silêncio, de angústias e de trevas, oferecesse o coração ao gládio do profeta, para desta ferida aberta nascêssemos nós, os filhos de sua dor. 

   Maria, sois nossa Mãe! Vós que sois a onipotência suplicante; vós que sereis sempre toda amor e bondade, porque sempre sereis Mãe, velai por nós! Amém!
   

SERMÃO DA PAIXÃO - A MORTE NA CRUZ

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Ao lado de Maria Santíssima assistamos a morte de Nosso Divino Salvador.

   Três horas da tarde... A treva que, desde o meio dia se vinha adensando sempre mais e mais, era agora pesada e lúgubre como um manto de chumbo a cair sobre os circunstantes. Em torno da cruz, medrosa e indecisa, como a espiar o momento favorável, pairava a morte. Mas a morte não ousava aproximar-se da Vida. 

   Recolhendo as últimas forças, deu Jesus um grande grito, ergueu os seus olhos para o Céu e exclamou: "Pai em vossas mãos entrego a minha alma". Depois, como acenando à morte que se aproximasse inclinou a cabeça e expirou.

   Ah! caríssimos fiéis, se a morte de um Deus, que abalou toda a natureza deixou ainda corações insensíveis como pedras; as pedras se fizeram corações para a sentir! Houve um grande terremoto, e os rochedos se fenderam. 

   No tempo da Lei Mosaica, quando era encontrado um cadáver em qualquer parte, eram intimados todos os habitantes do lugar e da vizinhança e comparecerem numa vasta sala. Lá tomavam assento os homens mais notáveis para um tribunal. Em face dos juízes e sob o olhar do povo, colocava-se sobre uma mesa o cadáver ensanguentado. Depois todos: homens e mulheres, velhos e moços e até crianças avançavam-se e à medida que passavam diante do morto, deviam levantar a mão, e dizer: "Sou inocente do assassínio deste homem". 

   Há vinte séculos que uma vítima foi encontrada sem vida e coberta de chagas no alto do Calvário. A nobre Vítima, ei-La!...[neste momento, o pregador toma em sua mão um crucifixo de tamanho suficiente para poder ser visto por todo o povo, levanta-o e mostra-o a todos] - É o corpo de Jesus de Nazaré. Esse Corpo Divino, quem O maltratou assim? Quem o pregou na cruz? quem pôs em Sua augusta fronte uma coroa de espinhos? Quem O matou? - Os escribas, os fariseus, os soldados. - sim, mas foram os instrumentos em minhas mãos sacrilegamente pecadoras! Perdão, Jesus, perdão! "Foram meus crimes que pesaram em tão grande número sobre Vossa cabeça que chegastes ao ponto de suar sangue no Jardim das Oliveiras. Fui eu quem Vos deu o beijo de Judas. Fui eu quem amarrou os Vossos pulsos! Não foram os soldados. Fui quem vos condenou: não foram Anás e Caifás. Não foi Pedro quem Vos renegou: fui eu. Não foi Herodes quem vos tratou por louco: fui eu. Não foi Pilatos quem lavrou a sentença de morte: fui eu, sempre eu. Eu tomei do azorrague e sangrei o vosso corpo; eu bati os espinhos para que entrassem bem dentro na cabeça; eu furei de cravos os vossos pés e as vossas mãos; eu vos matei de sede durante três horas. Matei" (Pe. Dr. Castro Neri). A minha mão tinta de sangue levanta-se, não para dizer-se inocente, mas para Vos pedir perdão: Senhor eu sou o vosso assassino. Perdão! E já que morrestes por mim, eu viverei por Vós, para Vós, para Vos amar eternamente no Céu. Amém! Assim seja!


quarta-feira, 28 de março de 2018

GLÓRIA E PODER DE SÃO JOSÉ


28 de março

A GLÓRIA DE SÃO JOSÉ NO CÉU

   É impossível à língua humana traduzir a grandeza e a glória de São José. É o cúmulo e o ápice de todos os triunfos da criatura, depois de Maria. 

   O termo da predestinação é a vida eterna, que consiste nesta visão de Deus que costumamos chamar a Glória. Ora, a glória que é dada a algum santo no céu, corresponde ao seu grau de predestinação. São José foi predestinado numa ordem e num grau muito superiores a todos os justos do Antigo Testamento e aos santos do Novo Testamento, sem excluir São João Batista e os Apóstolos. Só a Virgem Santíssima teve maior glória. E como a missão de São José, depois de Maria, foi a mais sublime em relação ao Verbo Encarnado, pode se concluir com segurança, no verdadeiro sentido da doutrina da Igreja católica, que o Santo Patriarca está colocado na glória celeste em primeiro lugar depois da Mãe de Deus. 

   Basta estarmos lembrados dos serviços prestados por São José ao próprio Deus na terra. Governou a Sagrada Família; foi o guarda de quem guarda todos os seres criados; o Anjo do Conselho; o redentor do Redentor dos homens, na apresentação do Templo; o salvador do Salvador do mundo, salvando-O de mil perigos; o senhor do Rei e da Rainha do céu. Os santos serviram a Jesus no pobre, na Eucaristia, no sacerdócio, na Igreja. José esteve ao serviço da própria Pessoa adorável de Jesus Cristo, servindo diretamente a Humanidade Santíssima do Redentor como nenhuma criatura depois de Maria.

   No céu tudo é perfeito e belo. Na terra, unidos viveram Jesus, Maria e José. Aqui, o Filho de Deus,  a Mãe de Deus obedeceram a José, o honraram como chefe da Sagrada Família. O amor de Jesus ao seu Pai Adotivo será menor no céu do que o foi na terra? Maria será menos dedicada ao seu Esposo Santíssimo.? Na perfeição do céu, mais perfeito, mais sublime há de ser o amor de São José, a sua glória, e mais eficaz a sua proteção. 


EXEMPLO

Pio IX, devoto de São José

   O grande Pontífice da Imaculada Conceição foi também o Papa de São José. Era comovedora a sua devoção filial ao Santo Patriarca. Pelo Decreto Apostólico de 10 de setembro de 1847, estendeu a toda a Igreja o festa do Patrocínio de São José, que se celebrava até então em poucas igrejas por indulto especial. Em 8 de dezembro de 1870 declarou solenemente a São José Patrono da Igreja Universal e ordenou que a festa de 19 de março fosse elevada ao rito duplo de primeira classe.

   É conhecido o episódio do célebre quadro da Imaculada Conceição. Um pintor francês veio lhe mostrar o esboço da obra. Era uma representação da glória da Imaculada no céu. 

   - Onde está São José? Não o vejo aqui, no quadro...

   - Santidade, responde o pintor, eu vou colocá-lo lá no alto, entre os santos.

   - Não, não! diz Pio IX. E pondo os dedos sobre a imagem de Jesus Cristo, disse: "Quero São José aqui, bem ao lado de Jesus Cristo, ao lado de Maria. Assim estão eles no céu. Não os separemos!

   Poucos dias antes de sua morte, o Santo Pontífice recebera em audiência íntima, em seu leito de sofrimento, a um religioso amigo. Este notou na fisionomia do Papa alegria e confiança e um doce otimismo no modo de falar.

   - Por que Vossa Santidade me parece hoje tão alegre?

   - É que hoje estive meditando, responde Pio IX, e encheu-me de consolação o pensamento de que São José agora é mais conhecido, mais amado e invocado em todo o mundo. Daí a minha confiança e a minha alegria, padre. Eu não verei mais, porém meus sucessores hão de ver o triunfo da Igreja, esta Igreja da qual eu constitui São José o Patrono. 

   O grande Papa nunca deixou de invocar, até a morte, a doce proteção de São José. Incentivou em toda a Igreja esta devoção. Nas horas tormentosas do seu difícil pontificado, confiou a sorte da Igreja a Maria Imaculada e a São José. Foi, realmente o Papa da Imaculada e de São José.  


SERMÃO DO ENCONTRO



  "O vos omnes que transitis per viam, attendite et videte si est dolor, sicut dolor meus" (Lamentações de Jeremias, I, 12).
       "Ó vós todos os que passais pelo caminho, atendei e vede se há dor semelhante à minha dor".




"Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém!

 Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Cena patética! Quadro doloroso é o que agora presenciamos! Tremei, ó terra! Enchei-vos de horror, ó céus!
    Os meus olhos se encontram com um homem atado com duras cordas, com a cabeça rasgada dos mais penetrantes espinhos. Ferido, dilacerado, com as vestes ensopadas na abundância do seu próprio sangue; trêmulo e arquejante caminha oprimido pelo enorme peso do mais infamante madeiro! Grande Deus! Será um assassino público, um parricida, um traidor da Religião e da Pátria, para sofrer tanto e ser assim tão cruelmente castigado?! 
    Mas não! É o inocente Jesus! O mais humilde, o mais modesto, o mais puro, o mais caridoso dentre os filhos dos homens!

   Não há, entretanto, uma só pessoa que se compadeça de suas desventuras. Não há um só coração, que compartilhe as suas dores e os seus sofrimentos!
   Que é feito agora de seus amados discípulos, que foram tão prontos em acompanhá-Lo  ao Tabor para presenciar a sua gloriosa Transfiguração?
   Que é feito destes milhares de enfermos que d'Ele tinham recebido a saúde, e de mortos que d'Ele tinham recuperado a vida?
   Onde estão estes homens de Religião e de piedade que ainda há poucos dias atiravam os seus mantos em terra para Jesus passar por cima; e que juncando a sua passagem de palmas e de flores, O acompanhavam bradando : Hosana ao Filho de Davi; bendito seja aquele que vem em nome do Senhor!? 
   Todos O abandonaram e tornaram-se seus inimigos!

   Mas, ah! caríssimos irmãos, eu minto dizendo que todos O abandonaram. Sim, eu vejo uma mulher tão bela com seu rosto nimiamente pálido, romper heroicamente a grande multidão que O cerca. É Maria Santíssima. Pois, apenas recebera através de São João Apóstolo, a triste notícia de que Seu amado Filho Jesus caminhava com a cruz às costas em direção ao Calvário, ela parte imediatamente, e seu coração se achava em contínuos sobressaltos ao verificar as pedras das ruas de Jerusalém tintas do sangue de Seu amantíssimo Filho. 
   Ainda um pouco distante, seus olhos tão tristes e amortecidos parecem procurar um tão caro objeto que extremamente seu coração ama. Ó Virgem Mãe, é realmente o Vosso Filho!!! Aproximai-vos bem deste ferido, dilacerado dos pés até a cabeça! E esta Mãe Dolorosa, vacilante, trêmula com dificuldade pode conservar-se em pé!


 Oh! Dolorosa Mãe!!!
   Vede-O agora, e dizei-me, se é este aquele que era o mais lindo e mais formoso dentre todos os filhos dos homens cujo corpo fora formado pelo Espírito Santo em vossas puríssimas estranhas?!

   Vede-O e dizei-me se este é aquele mesmo homem poderoso em obras e palavras, a quem o vento, o mar, e toda natureza prontamente obedecia?!

   Vede-O e dizei-me se este é aquele mesmo Messias prodigioso, que curava os cegos, os surdos e os mudos, que restituía a saúde aos enfermos, ressuscitava os mortos?!

   Ó desumana ingratidão, vós rasgando o corpo deste Homem-Deus, dilacerais ainda muito mais cruelmente o terno coração desta Mãe amorosíssima. 

   Ah! caríssimos fiéis, que encontro doloroso! Que olhares de desolação! Maria vê seu Filho desfalecido e desfigurado e não Lhe pode valer. Jesus vê sua santa Mãe aflita e desolada e não a pode consolar. Não falam os lábios... falam os corações! Minha Mãe, minha pobre Mãe!!! - Meu Filho, meu querido Jesus!!! Ó único objeto de todas as potências de minha alma, demorai por um pouco, ó meu Filho tão sanguinolento sacrifício; concedei um pequeno alívio a esta angustiada mãe. Reparti comigo vossos pungentes tormentos. Deixai que eu coloque um pouco sobre meus ombros esse pesado madeiro, que tanto Vos oprime; dai-me licença, que eu afrouxe os laços dessas tiranas cordas que Vos prendem e maltratam; consenti que eu ponha sobre minha cabeça esta coroa de penetrantes espinhos, que faz jorrar torrentes de sangue sobre a Vossa adorável face!!!

   Ó Maria! quem poderá exprimir os tormentos deste tão doloroso encontro?! Nem o céu, nem a terra  vos oferecem o menor alívio, a mínima consolação!!! Se olhais para o Céu, contemplareis um Deus irritado contra os pecados que Vosso Filho tomou sobre Si. Contemplareis este Deus justíssimo que vos impõe o rigoroso preceito de imolar vosso Filho único e bem amado!!!
   Se volveis vossos olhos ao redor de vós, ouvireis os clamores públicos duma nação ingrata, duma vil populaça que brada em alta voz: "É réu de morte, seja crucificado!!!

    Caríssimos e amados irmãos, nós que assistimos a representação do encontro, nós que simbolicamente o realizamos; não a assistimos, não a realizamos com os sentimentos que teve o povo de Jerusalém. O que hoje nos traz aqui é o amor, é a gratidão àquelas santíssimas pessoas cujo encontro na rua da dor nos comove, nos enternece.
    O que nos traz aqui é também a confiança. Semelhante a Jesus, cada um de nós é colocado na rua da amargura. Cada um de nós arqueja sob o peso da cruz que a Divina Providência lhe impôs. E assim, gemendo e chorando seguimos o nosso caminho ao Calvário. As dores, as cruzes, as provações desta vida temporal constituem nossa existência cotidiana. Procuramos a quem nos conforte, nos anime, nos console. Ah! como Jesus sentiu o peso do lenho e sua ignomínia. No entanto, levou-o com paciência firme e sem queixas. Maria Santíssima fez o mesmo. Aceita a vontade de Deus. Dá o seu "fiat" para ser a Corredentora. Une seu sacrifício ao sacrifício de seu Jesus. Sofre com Ele e por nós. Idêntica é nossa tarefa. Avante, pois, com coragem e paciência!!!
    O que, outrossim, nos faz ainda comparecer neste lugar é o arrependimento, é a tristeza. O arrependimento de nossos pecados; a tristeza por vermo-nos culpados diante de Jesus e de Maria Santíssima.

   E assim, ó Jesus, ó Maria! termino reconhecendo meu pecado e pedindo perdão. Na Vossa Paixão, ó Jesus, perdoastes a todos, Perdoai, também os meus delitos.

  Ó Jesus, fui eu quem amarrou os vossos pulsos, não foram os soldados. Não foi Pilatos que lavrou a sentença de morte, fui eu, foram meus pecados. Eu, Jesus, bati esses espinhos para que entrassem bem dentro na cabeça. Ó Jesus, não foram os soldados que vos impuseram aso ombros este pesado madeiro, fui eu, foram meus pecados.
   Ó Maria, essas lágrimas que banham a vossa face, eu as provoquei. Esta espada de dor predita pelo velho Simeão, foram meus pecados que vo-la cravaram no coração. 

  Ó Jesus, ó Maria, unidos num mesmo sacrifício por meu amor, perdoai-me porque não quero mais nesta vida renovar vossas dores e os vossos sofrimentos; para que assim pelos méritos destes sofrimentos mereça a felicidade perfeita na Pátria do Repouso eterno. Amém!
    

terça-feira, 27 de março de 2018

SERMÃO DA PAIXÃO: A prisão e os tribunais

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Tendo meditado na Oração e Agonia do Horto, continuemos a acompanhar a Jesus na Sua Paixão meditando na Sua Prisão e Julgamentos nos diversos Tribunais.

    Terminada já aquela luta terrível entre a justiça e a misericórdia; tendo ainda a face umedecida e os cabelos empastados do suor de sangue, caminha Jesus para os discípulos adormecidos, desperta-os e sai ao encontro dos que O buscavam para prender.


 Momento terrível! Era chegada a hora do triunfo das trevas. Alta ia a noite. Lá ao longe, as oliveiras refletem mil vacilantes fogos. Os arbustos secos estalam ao peso dos passos de pérfidos e cautelosos soldados. Por estranhos lumes acordam os passarinhos que esvoaçam. Lá ao longe, se ouvem os gritos sinistros. Aparecem finas pontas de lanças lustrosas. Aproximam-se os inimigos de Cristo: à frente, manso como um irmão, jovial como um amigo, mas com o demônio no coração e a hipocrisia na língua, avança a víbora dolosa de um Judas Iscariotes: "Aquele a quem eu beijar, prendei-o".
   O miserável traidor encosta seus lábios hipócritas e criminosos ao rosto sacrossanto do Filho de Deus. E depois, Jesus afastando-o de leve, como para vê-lo bem de frente, murmurou-lhe baixinho: "Pois assim com um ósculo entregas o Filho do homem? Amigo, que vieste aqui fazer?"
   E tão adormecido lhe estava o remorso no recesso da consciência que não despertava Judas a essa voz divina que o chamava para a vida e para a graça.

   Vejo assim, dois homens que se abraçam, que se abraçam e se beijam: Judas e Jesus; o lobo e o cordeiro, a bondade e a perfídia, o amor e o ódio, a santidade e o pecado. Jesus em toda Sua vida foi belo, compassivo, generoso. Jesus fora sempre um encanto que fascinava. Um mistério de mansidão e bondade que atraía a todos e a todos acolhia compassivo. Tinha gestos de misericórdia, que faziam prostrarem-se a seus pés, contritas e regeneradas as Madalenas penitentes e gratas. Tinha olhares de infinita piedade, que penetravam no íntimo das consciências, transformando-as e purificando-as e levando o bálsamo da esperança aos pobres corações desalentados. Tinha sorrisos de divinal afeto que arrancavam do abismo as almas perdidas. 
    Mas, aqui, abraçado a esse homem infame; estreitando contra o Seu coração essa ferida repelente e infecta; colando Seus lábios puríssimos nessa fronte vincada pela mais revoltante de todas as baixezas. Nesse inesquecível abraço, eu O vejo mais belo, mais compassivo, mais generoso do que nunca, porque O vejo infinitamente amável, infinitamente misericordioso!
    Judas e Jesus, estreitamente unidos em doloroso abraço, é a segurança do meu perdão. Tomemos nós, caríssimos, o lugar vazio no Coração de Jesus, rejeitado por Judas orgulhoso e mau; humildes e dóceis, atiremo-nos em Seus braços, com lágrimas de arrependimento e protestos de gratidão. 

   Dado o beijo traidor, logo os algozes lançam-se como feras sobre Jesus, e, algemado como um bandido, levam- No à cidade. Assim preso, manietado, posto entre os malfeitores, lá segue Jesus para o palácio dos Pontífices, onde O aguarda Anás, para um simulacro de processo. 
   E Jesus olhou em volta de si e se viu inteiramente só e abandonado de todos os discípulos. 
   Diante de Anás, esse homem odioso, pontífice destronado, saduceu infestado de astúcia e crueldade, comparece Jesus, tímida ovelha conduzida ao sacrifício. Está de pé, calmo, sereno e tranquilo, para um julgamento irregular em que é réu a própria santidade, testemunha a monstruosa ingratidão, defensor ninguém, juiz a hipocrisia desleal. 

   Interrogado sobre sua doutrina, responde Jesus, mansamente, com o respeito devido à autoridade do Pontífice: -"Eu ensinei publicamente no templo e nas sinagogas onde se reúnem os judeus. Por que me interrogas? Pergunta àqueles que me ouviram'. A esta humilde e inocente resposta, um criado do Sumo Sacerdote se avança, levanta sua mão sacrílega e descarrega uma pesada bofetada naquela face augusta, que arrebata os anjos. Ah! exclama Santo Efrém, a terra estremeceu, o céu se revoltou, os anjos se horrorizaram e velaram sua face, mas o Pontífice não protestou!

   Coincidência singular! No momento em que Jesus apela para o testemunho dos Seus discípulos, no pátio da guarda, Pedro acabava de O renegar blasfemando e jurando que não conhecia semelhante homem.

   Na virtude como no pecado há sempre uma gradação perfeita. Desprezar uma graça é desmerecer outra graça. Ceder agora à tentação é preparar o desastre de amanhã. Tal é o exemplo da negação de Pedro. No fundo o orgulho, que se fia em si mesmo e não procura evitar a ocasião. Primeiro, foi uma simples mentira: - "Não serás, acaso do número dos seus discípulos?" - "Não, não sou". Depois foi uma negativa formal: - "Juro-te que não conheço este homem". E finalmente protesta, blasfemando e jurando, que não conhecia semelhante homem".
   
   E ainda a blasfêmia lhe queimava os lábios, segunda vez cantou o galo e recordou-se Pedro, da profecia de Jesus. Neste ínterim, ao fundo do átrio, manietado, aos empurrões, escarnecido e vaiado aparece Jesus que, voltando-se para o discípulo, deixou-lhe cair na alma e no coração um olhar de infinita ternura e carinhosa repreensão. E Pedro, tendo saído para fora do pátio, banha as faces em lágrimas de arrependimento, lágrimas regeneradoras e salutares.

   Coluna e fundamento da Igreja, ó Pedro! Chora e confirma-te no amor de Jesus, por Quem darás a vida com a generosidade de um convertido. Sai daquele lúgubre local.  Vai, Pedro, amanhã Jesus precisará de ti para confirmar os teus discípulos. Vai, receberás as chaves da Igreja, para abrir e fechar; para ligar e desligar os pecados submetidos à tua jurisdição universal. Aprende pois, da tua própria experiência a usar de compaixão para com os pobres pecadores. Tu, barro frágil e quebradiço, saberás que todo homem é do mesmo barro quebradiço e frágil: e tu serás afetuoso, tu serás como o Divino Mestre, todo doçura e compaixão.

   Jesus, tão bom, tão meigo, tão compassivo, está diante de Caifás e do grande Sinédrio, abandonado inteiramente dos seus. Só Lhe ficaram juízes sem entranhas...
    Às calúnias das testemunhas, Jesus responde com a dignidade triunfal do silêncio. E Caifás aproxima-se de Jesus esconjurando-O em altos brados a declarar-lhe se era de fato o Cristo, o Filho de Deus vivo. E recebe de Jesus a mais solene, a mais formal e positiva afirmação da Sua Divindade: "Tu o disseste, eu o sou, e um dia vereis o Filho do Homem assentado à direita do Onipotente vindo sobre as nuvens do céu".
   Blasfemou! rugiu Caifás. "É réu de morte", responderam os pontífices. É réu de morte, exclamaram as turbas. 

   Arrastado pelos Pontífices, comparece Jesus perante o tribunal de Pilatos. Pilatos e Jesus se acham em face um do outro. - "És tu, verdadeiramente, o rei dos judeus?" Com olhar profundo, sonda Jesus a alma do procônsul, interrogando-o: "Dizes isto de ti mesmo, ou repetes o que outros te disseram de mim? O meu reino, continuou Jesus, não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus servos teriam combatido para que eu não caísse nas mãos dos judeus". - Portanto, replica o procônsul, és tu verdadeiramente rei? - "Tu o disseste. Eu sou Rei. Eu vim ao mundo para dar testemunho da verdade".  - "A verdade! murmurou Pilatos, que é a Verdade?"...
   E a multidão se avolumava mais e mais, excitada pelos pontífices: "É um malfeitor!"
   - Mas não encontro neste homem, motivo algum para condenação!
   - Se não fosse um malfeitor não o teríamos trazido à tua presença.
   Debalde se esforçava o Procônsul por arrancar o Salvador da sanha enfurecida da turba inconsciente. E o Governador pagão, declarando que n'Ele não encontrava o menor fundamento de acusação; envia-O para Herodes.

   Jesus guarda perante esta orgulhosa corte o mais profundo silêncio; pelo que o rei, considerando-O como louco, O reenvia a Pilatos depois de O ter mandado vestir de branco, como uma representação de demência. 
   Sim, Herodes, Jesus é verdadeiramente um louco, mas é um louco de amor, porque deseja morrer até por aqueles que tão desumanamente O perseguem. 
  
   Jesus novamente diante do Governador. 
  Os judeus continuaram a pedir, em gritos, a morte de Jesus. Pilatos, reconhecendo a Sua inocência, procura livrá-Lo, embora seja necessário para isto, recorrer a um meio infamante.
   Havia um privilégio do povo, para perdoar a um criminoso na Festa da Páscoa. - "Escolhei, disse-lhes Pilatos, escolhei entre Jesus e Barrabás: quem deve ser posto em liberdade".
   Que horrível paralelo! Jesus, o Santo dos Santos! Barrabás, um monstro coberto de crimes! E ambos são pesados na mesma balança!!! - A qual dos dois quereis que vos solte, a Jesus ou a Barrabás? A Jesus que deu a vida aos mortos ou a Barrabás que deu a morte aos vivos?
   - Livrai a Barrabás, a Jesus, condenai-O à morte, gritaram todos a uma só voz. Ó cúmulo de abominação!!!
   E, contudo, é esta a injúria que Jesus recebe constantemente de muitos cristãos. Não é um ladrão, nem um assassino que nós preferimos a Jesus; é um metal, uma vil criatura, uma satisfação criminosa, um degradante prazer de um momento... E quem sabe, se agora eu dissesse a alguns de vós que me ouvis: a quem quereis crucificar em vossa alma: Jesus ou o torpe objeto de vossos criminosos desejos? Alguém me responderia: que morra Jesus, contanto que minhas paixões sejam satisfeitas!

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo, compadecei-vos da dor de Jesus, mostrai-Lhe o vosso reconhecimento. Pedi que o seu sangue caia em abundantes bênçãos sobre vós e sobre todas as almas; que ele caia sobre os corações mais duros, para os enternecer, sobre os mais manchados, para os purificar, sobre todos, para os salvar. Amém!
    

GLÓRIA E PODER DE SÃO JOSÉ


27 de março

A DEVOÇÃO DE SÃO JOSÉ NA IGREJA

   Nos primeiros séculos, o estudo da tradição, dos hagiógrafos e até mesmo a Arqueologia, e sobretudo os Comentários do Evangelho daqueles tempos, tudo isso nos vem demonstrar quanto era conhecido, louvado, admirado e invocado, nos dias primeiros da nossa fé, o Pai Adotivo de Jesus e casto Esposo de Maria.

   A Liturgia, na verdade, não lhe prestava um culto especial, porque a Igreja, naqueles dias de perseguição e de martírio, só se preocupava com as glórias e os cultos dos mártires. E esta é a razão porque São José não consta no Cânon da Missa. 

   Todavia não podemos afirmar ter sido São José completamente desconhecido e e esquecido. Um arqueólogo, Perret, encontrou nas catacumbas três documentos referentes a São José. O primeiro é uma pintura nas Catacumbas de Santa Priscila, representando Jesus, Maria e José; o segundo, um medalhão, do primeiro século provavelmente, no qual figuram Maria com o Menino Jesus nos braços e São José a contemplá-Lo extático. Uma terceira pintura da cena do encontro de Jesus no Templo, e claramente ali se vê o Santo Patriarca ao lado de Maria. 

   No IV e V séculos, em mosaicos, em sarcófagos, em pinturas e relevos, se encontram não poucas cenas do Evangelho com a figura de São José bem destacada. 

   E os escritores sagrados? 
   São Justino, no século II, defende a virgindade de Maria e a de São José. Orígenes e Santo Atanásio fazem o mesmo. São João Crisóstomo em suas homilias canta as virtudes de São José, chamando-o "o varão perfeito, humilíssimo santo, fidelíssimo e adornado de toda santidade". Santo Ambrósio São Jerônimo, Santo Agostinho celebram com eloquência a pureza de São José. São João Damasceno, São Máximo de Turim  e outros até São Bernardo, tecem panegíricos admiráveis de São José.

   A tradição nos diz que no século II os gregos tributavam culto a São José.

   No século IV a imperatriz Santa Helena, mãe de Constantino, mandou construir uma capela a São José, no lugar do Santo Presépio de Belém. Foi o primeiro templo a São José.

   O século V guarda uma grande veneração pelas tradições dos lugares sagrados no Egito, onde consta ter estado Jesus com Maria e José, na fuga da perseguição de Herodes.

   O nome de São José entrou no Martirológio Romano no século VIII.

   No século XV, algumas almas privilegiadas recebem de Deus a missão especial de propagar e tornar conhecido e amado o Santo Patriarca. Tais são: Santa Margarida de Cortona, Santa Brígida e Santa Gertrudes.

   No século XV surge o grande apóstolo que dá início à época áurea do culto de São José: Gerson, o célebre chanceler da Universidade de Paris.

   São Vicente Ferrer, Dominicano, morto em 1419, e sobremaneira os dois filhos de São Francisco, São Bernardino de Sena e São Bernardino de Bustis.

   O século XVI foi o triunfo e esplendor do culto do grande santo, Esposo de Nossa Senhora e Pai Adotivo de Jesus. A figura excelsa e única de Santa Teresa d'Ávila, só ela concorreu mais para a glorificação de São José que muitos outros santos e teólogos. Não se pode falar da história do culto de São José sem destacar, de modo singular, a Grande Reformadora do Carmelo. São José deve, de certo modo, a Santa Teresa a glória que hoje tem no mundo" Podemos dizer isto sem medo de exagero. Pois, o próprio Papa sábio Bento XIV afirma o mesmo.

   Desde a sua entrada no Convento d'Ávila, Santa Teresa leva consigo a imagem de São José e quer que todos o honrem. Escreve e propaga com ardor o culto de São José. "Nunca recorri a São José, diz ela, que não fosse atendida"; Deu o nome de São José ao primeiro convento da Reforma Carmelitana. Queria o nome de São José em todos os mosteiros fundados por ela. "É maravilhoso, escreve ela, é extraordinário o que acontece comigo: todas as graças de que Deus me cumula tanto para a alma como para o corpo, os perigos de que me tem livrado, tudo devo ao ter invocado a proteção de São José, aos méritos do meu amado Patrono."

   Treze fundações tiveram o nome de São José. E após a morte da santa, por ocasião da sua beatificação, em 1614, mudaram o nome de São José pelo de Santa Teresa, em todos os mosteiros, em homenagem à nova Beata. A santa apareceu à Venerável Madre Isabel de São Domingos e lhe disse com tristeza: "Diga ao Padre Provincial que tire meu nome dos mosteiros e lhes restitua o nome de São José, que possuíam antes".

   Não há duvida, o exemplo, os escritos e o zelo de Santa Teresa marcaram uma nova era, um novo período na propagação e esplendor do culto de São José. É bem verdade o que diz o esplendor atual do seu culto à grande Santa Teresa.

   Agora o culto do Santo Patriarca vai de triunfo em triunfo. Vou apenas citar alguns santos e Papas:São Vicente de Paulo e São Francisco de Sales, Santo Afonso de Ligório.  Pio VII proclamou o Patrocínio de São José sobre a Igreja e Pio IX proclama São José Patrono de toda a Igreja. No século passado: São Pio X, Bento XV, Pio XI e Pio XII. João XXIII introduziu São José no Cânon da Missa.



EXEMPLO

São José e a protestante

   Uma senhora protestante tinha um filho convertido à Igreja Católica e que em vão procurava convencer a mãe a que abraçasse a verdadeira fé.

   - Meu filho, dizia ela, eu permiti que abraçasses a religião católica e dei liberdade a todos em minha casa, em matéria religiosa. Não discutamos. É inútil querer me afastar do protestantismo. 

   O pobre moço, profundamente magoado, calou-se. Que fazer? Recorreu a São José! Desde que se converteu, o Santo Patriarca era objeto de sua devoção mais terna. Tinha confiança em São José. No aniversário natalício da mãe, quis lhe oferecer um presente.

   Procurou uma linda e artística imagem de São José. 

   - Mamãe, quero lhe oferecer o meu mais rico presente: esta imagem de São José. Aceite-a como prova de meu amor filial. Basta que me dê a alegria de aceitá-la e guardá-la. 

   Ao pronunciar estas palavras, a voz do moço tinha a expressão de uma grande ternura.

   - Meu filho querido, sim, eu guardarei carinhosamente o teu presente de hoje. Esta bela estátua não sairá mais do meu quarto. 

   Foi um raio de esperança na alma do pobre moço; Beijou a mãe estremecida e se retirou comovido, para ocultar as lágrimas.

   A imagem de São José causava uma impressão misteriosa na protestante. Era levada a invocar São José. Parecia-lhe já bem racional o culto dos santos. Poucos meses depois, caiu enferma e o seu estado se agravou. Mandou chamar o filho ausente. Ao avistá-lo, exclamou:

   - Meu filho querido, quero te dar uma boa notícia, que há de alegrar muito a tua alma: estou resolvida a abraçar a religião católica! Devo esta graça a São José. Esta imagem me converteu. Sinto, percebo claramente que estou no erro. Quero morrer na verdadeira religião.

   O filho emudeceu, comovido, e não pôde conter as lágrimas. Caiu de joelhos diante de São José:

   - Ó meu São José, eu vos agradeço! Que feliz inspiração a de oferecer a vossa imagem à minha mãe! Grande santo, eu vos agradeço mil e mil vezes!

   A doente pouco depois abjurava o protestantismo e recebia os sacramentos, com admiráveis disposições de fé e edificante piedade.

   Morreu como uma predestinada, a olhar e beijar a imagem do seu querido protetor São José.