SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

domingo, 24 de junho de 2018

SÃO JOÃO BATISTA É MODELO DOS SACERDOTES



Toda a grandeza e santidade do Precursor vêm das suas relações com o Messias: é Seu Precursor. Precederá a Jesus Cristo no espírito e virtude de Elias. Preparará o caminho para Jesus. É predestinado e consagrado por Deus para a obra de Jesus Cristo. João Batista será sempre pequeno aos seus próprios olhos e fará de tudo para sê-lo na estimação dos homens: "É preciso que Cristo cresça e que eu diminua" (S. João, III, 30). Ele será grande, sim, mas só diante do Senhor. Este, aliás, foi o belíssimo elogio que dele fez o Arcanjo S. Gabriel: "Ele será grande diante do Senhor" (S. Lucas I, 15). O seu nascimento e a sua vida, as suas palavras e ações, a sua glória e as suas virtudes referem-se a Jesus, como ao seu centro, e é principalmente sob este aspecto que João Batista oferece para os sacerdotes um modelo a seguir: Tudo deve ser para Jesus; tudo é de Jesus.

Qual foi o ministério que Deus confiou ao Precursor? Fazer conhecer o Filho de Deus encarnado, e com isto lançar os fundamentos de reino de Cristo na terra. Podemos dizer que esta foi precisamente o VOCAÇÃO  de João Batista. Zacarias, pai de João Batista, profetizou iluminado pelo Espírito Santo ao dizer no seu "Benedictus": "Bendito seja o Senhor, Deus de Israel!... E tu, menino, serás chamado o profeta do Altíssimo, porque irás 'adiante da face do Senhor a preparar os seus caminhos'; para dar aos seu povo o conhecimento da salvação, para remissão dos seus pecados, pelas entranhas da misericórdia de nosso Deus, graças à qual nos visitou do alto o Sol nascente, 'para alumiar os que jazem nas trevas e na sombra do morte'; para dirigir os nossos pés no caminho da paz" (S. Lucas I, 68 e 76-79). E diz o Evangelista S. João: "Houve um homem enviado por Deus que se chamava João. Este veio por testemunha para dar testemunho da luz, para que todos cressem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da Luz (o Verbo)" (S. João I, 6-8). 

S. João Batista confessará e não negará e confessará que ele não era o Messias, a Luz, que haveria de salvar o mundo. Ele, na verdade, nasceu com esta missão sublime: mostrar a Luz ao mundo, Jesus receberá dele não a sua missão, mas a autenticidade da sua missão. Mostrará Jesus Cristo ao povo como sendo o verdadeiro Messias para salvar a humanidade do pecado: "Eis Aquele que tira o pecado do mundo" (S. João I, 29). Que missão sublime a de João Batista! Por isso é que o Anjo assegurou: "Ele será grande diante do Senhor". E o próprio Jesus dirá de seu Precursor: "Na verdade vos digo que entre os nascidos das mulheres não veio ao mundo outro [profeta] maior que João Batista" (S. Mateus XI, 11). Na verdade, como precursor anunciado por Malaquias III, 1, é o maior profeta, porque enquanto os outros anunciaram o Cristo, ele com sua mão batizou-O, apontou-O com seu dedo e preparou os corações para recebê-Lo.

E assim, os sacerdotes devem reconhecer a sublimidade de sua missão e procurar fazer jus à ela. O sacerdote é o homem de Jesus Cristo, encarregado de O manifestar ao mundo e de Lhe franquear a entrada dos corações. Tenho cumprido esta sublime missão?

E para realizar esta tão sublime missão, que fez o Precursor? Levou uma vida santa. Quando Deus chama alguém para determinada missão, dá ao seu enviado os meios e graças necessárias para cumpri-la. Jesus concede-lhe a autoridade de missão capaz de dominar os espíritos e a autoridade de virtudes e santidade para comover os corações. Pois bem! as maravilhas que acompanham o seu nascimento dispuseram-no para influir eficazmente nos espíritos. Não fará milagres, porque os do seu nascimento serão suficientes para estabelecer a verdade do seu testemunho. João Batista, apenas nasce, é conhecido e respeitado, como o enviado de Deus; fale ele, e os povos o acreditarão.

Mas, era mister, outrossim, mover os corações, arrancá-los da paixões e trazê-los para Nosso Senhor Jesus Cristo. Para tanto, precisava de uma SANTIDADE que atraísse os olhares e a admiração. O retiro é o ambiente propício para a santidade; e ele retira-se desde bem novo ainda, para os desertos e aí se conserva até ao dia em que o Espírito Santo mandou que pregasse: "O Senhor, falou a João, filho de Zacarias, no deserto. E ele foi por toda a terra do Jordão, pregando o batismo de penitência para remissão dos pecados" (S. Lucas III, 2 e 3). Naquele santo retiro, em que se ocupou? Conversar com Deus e praticar rigorosa penitência. Ele já fora santificado no seio materno e, como diz o Espírito Santo: "Ora o menino crescia e se fortificava no espírito" (S. Luc. I, 30). Fazia penitências para aplacar a Deus em favor dos pecadores, aos quais ele havia de anunciar o Messias.

Ó Jesus! todas as graças por mim recebidas na qualidade de sacerdote, tiveram por fim, fazer de mim um digno ministro de Jesus Cristo, e, por que não dizê-lo? um santo, já que "sancta sanctis". Ó meu Deus! como me pesa não ter eu correspondido aos vossos desígnios tão fielmente como o vosso precursor!... Felizes dos sacerdotes que foram santos e que são santos imitando fielmente o Precursor!!! Mas para Deus nunca é tarde! Empreguemos, pelo menos, o resto de nossas vidas, procurando tudo só para Jesus, e que tudo em nossas pessoas seja de Jesus exclusivamente. Devemos, caríssimos colegas no sacerdócio, banir dos nossos corações toda tentação de vaidade, vício este infelizmente não tão raro.

S. João Batista, obtém os mais felizes resultados. É tido por Elias, ou por um dos antigos profetas ressuscitado; é tido pelo próprio Messias. Diante desta glória, O Batista confunde-se, humilha-se: "É preciso que Jesus cresça e que eu diminua". Dizia também: "Eu na verdade batizo-vos com água, mas virá um mais forte do que eu, a quem não sou digno de desatar a correia dos sapatos; Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo".

Muitos poderiam pensar que a humildade de João Batista torná-lo-ia complacente na presença dos grandes. Mas assim agiria um orgulhoso que só pensa em si. João Batista disse a verdade nas margens do Jordão, e di-la-á em face do rei Herodes: "NON LICET", "NÃO TE É LÍCITO". Com esta palavra arrojada, combate o escândalo intrepidamente. Prendem-no; degolam-no. E assim, no seio materno, no nascimento, na vida e na morte, o precursor de Jesus Cristo, dá testemunho d'Ele. Tudo nele é de Jesus Cristo, como tudo é para Jesus Cristo.

Ó Jesus, Vós desejais agora como então, entrar nas almas, para lhes levar a paz e a salvação; dai-nos, pois, santos sacerdotes, que vos preparem o caminho. Fazei de todos os vossos ministros, como de João Batista, lâmpadas acesas, para que à luz que alumia, juntem sempre a caridade que abrasa. Amém!


HOMILIA DOMINICAL - 5º Domingo depois de Pentecostes

   Leituras: Primeira Epístola de São Pedro Apóstolo 3, 8-15.
   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 5, 20-24:

   "Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Se vossa justiça não vai além da justiça dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos céus. Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás; e quem matar, será réu em juízo. Eu, porém, vos digo: todo aquele que se irar contra seu irmão será levado ao tribunal do juízo; e o que chamar a seu irmão: tolo, será réu diante do Conselho. E o que lhe chamar louco, será condenado ao fogo da geena. Portanto, se trouxeres a tua oferenda ao altar, e te lembrares que o teu irmão tem contra ti alguma coisa, deixa a tua oferenda diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e depois vem fazer a tua oblação".

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

  Tive a inspiração de resumir o sermão que  Santo Agostinho fez sobre o Evangelho deste 5º Domingo depois de Pentecostes. 

   O Santo Evangelho cuja leitura acabamos de ouvir, muito nos fez tremer, se temos fé. Não tremem aqueles que não têm fé. Na verdade, para se chegar a segurança na vida sem fim, deve-se tremer agora nesta vida que tem fim. E nós trememos. E como não tremer quando se ouve a própria Verdade dizer: "Quem chamar a a seu irmão 'louco', será réu do fogo da geena". Por outro lado diz São Tiago na sua  Epístola: "Nenhum homem é capaz de domar a sua língua" (Tiago III, 7 e 8).  

   Que faremos então, irmãos meus? Se Jesus disse: "Quem chamar a seu irmão 'louco' será réu do fogo eterno" e se a Sagrada Escritura também diz: "O homem não tem capacidade de domar a sua língua", logo estamos todos condenados? De modo nenhum! Porque diz também o Espírito Santo na Bíblia Sagrada: "Senhor, Vós fostes nosso refúgio de geração em geração" (Conf. Salmo 89, 1). Vossa ira é justa, ó Senhor! A ninguém mandais injustamente para o fogo eterno. Entendemos, caríssimos, que, se o homem não tem capacidade para domar a sua língua, deve se refugiar em Deus para domá-la. Tomemos o exemplo dos próprios animais que nós homens domamos. Nem o cavalo, nem o camelo, nem o elefante, nem a serpente, nem o leão se domam a si mesmos. Para domá-los, lança-se mão do homem. Logo, para domar o homem.  é mister recorrer a Deus. Refugiemo-nos n'Ele!
                              
   Sim, Senhor, "Vós fostes nosso refúgio". Sem dúvida, Deus nos domará se nós nos refugiarmos n'Ele. Se nos deixarmos domar por Ele. O homem doma um leão que não é obra de suas mãos; e não há de domar a ti quem te tirou do nada pelo poder de Suas mãos? Olhai, caríssimos, para os animais ferozes. Ruge um leão e nós trememos. Contudo, o homem se sente capaz de domá-lo. Não pela força física, mas pela inteligência. Nisto o homem é mais forte que o leão, porque foi feito à imagem de Deus. Assim o homem, que é imagem de Deus, doma a fera. E não domará Deus a Sua imagem, que é o homem? 

   Em Deus, pois, está nossa esperança; sujeitemo-nos a Ele e imploremos Sua misericórdia; ponhamos n'Ele nossa confiança; e, tanto nos doma, amansa e nos faz perfeitos quanto nos submetemos a Ele e n'Ele nos refugiamos. Ás vezes Deus, nosso Domador,  também lança mão do chicote e da vara. São as provações e humilhações a que nos submete. Tu, ó homem, domas um cavalo para que uma vez manso te seja adjutório, conduzindo-te sobre ele. E, no entanto, quando morre, tu o abandonas às aves. No entanto, quando Deus te doma é para dar-te uma recompensa, que não é outra senão Ele mesmo. Depois de uma morte passageira, ressuscita-te, devolvendo a ti a carne sem faltar sequer um cabelo. Até os cabelos de vossa cabeça estão todos contados, disse Jesus. Ele te ressuscita, para te colocar entre os anjos para sempre. Ali já não necessitas mais de ser domado, porque serás posse deste mesmo Pai, infinitamente doce. Então será Deus tudo em todos. Não haverá então infelicidade que nos prove, senão felicidade que nos satisfaça plenamente. Só Deus será nosso pastor; nosso Deus será nossa bebida; nosso Deus será nossa glória; nosso Deus será nossa riqueza. Toda variedade de bens que andas buscando aqui na terra, tê-los-á todos juntos n'Ele, em Deus. Buscai, caríssimos, não os bens, mas o Bem supremo que contém em Si todos os bens.

  Nosso Deus e Redentor e Pai nos doma, castiga e às vezes emprega até o chicote, mas tudo isto é para nos entregar uma herança que será Nosso mesmo Pai. Com este fim  nos corrige, e ainda há quem murmura e chega até a blasfemar! Um blasfemo, porém, não açoitado, não encontrará um Juiz irado? Não é, porventura, preferível que Deus te açoite, ó homem, mas te receba por filho, do que não te castigue mas te abandone?

   Digamos, pois, ao Senhor, Nosso Deus: "Senhor, Vós fostes nosso refúgio de geração em geração. Na primeira geração e na segunda, Vós fostes nosso refúgio. Refúgio para que nascêssemos, quando ainda não existíamos; refúgio para que renascêssemos, quando éramos pecadores; refúgio para nos sustentar, quando fugíamos de Vós; refúgio para nos levantar e guiar, quando éramos vossos filhos; sempre fostes nosso refúgio. Não voltaremos a deixar-Vos quando nos haveis curado de nossos males, quando haveis domado nossa carne, nosso orgulho, nossa ira e assim nos enriquecido de vossos bens; bens estes que nos dais entre carícias para evitarmos as fadigas do caminho. E quando nos corrigis, açoitais e bateis, é para que não nos afastemos do caminho. Vós, ó Senhor, serás nosso refúgio! Amém! 

  

   

domingo, 17 de junho de 2018

HOMILIA DOMINICAL - 4º Domingo depois de Pentecostes

   Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos 8, 18-23.
   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 5, 1-14:

   "Naquele tempo, cercado pela multidão que viera ouvir a palavra de Deus, viu Jesus, que estava nas margens do lago de Genesaré, duas barcas paradas à borda desse lago. Os pescadores haviam descido e lavavam as redes. Entrou [Jesus] em uma daquelas barcas, que era de Simão, e pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra. Sentou-se, então, e da barca pôs-se a ensinar às turbas. Quando cessou de falar, disse a Simão: Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para a pesca. Respondendo, Simão disse-Lhe: Mestre, trabalhamos toda a noite, e não apanhamos nada; mas por vossa palavra, lançarei a rede. Feito isto, apanharam tão grande quantidade de peixes, que a rede se rompia. E acenaram aos companheiros, que estavam na outra barca, para que os viessem ajudar. Vieram e encheram as duas barcas, de modo que estas se submergiam. Vendo isto, Simão Pedro prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: Afastai-Vos de mim, Senhor, que sou homem pecador. Porque estava atônito como todos os que com ele se achavam, pela pesca que haviam feito. E igualmente os estavam Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram companheiros de Simão. E disse Jesus a Simão: Não temas; daqui em diante serás pescador de homens. E conduzidas as barcas para a terra, eles deixaram tudo e O seguiram". 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Uma noite inteira de trabalho e nem um só peixe! Por que? Aí não estava Jesus... Os pescadores não trabalharam sob as ordens, sob a Sua direção, sob a Sua assistência...Trabalharam confiados só na sua arte... na sua experiência. 

   Assim, caríssimos irmãos, o Santo Evangelho de hoje nos oferece oportunidade para falarmos sobre o trabalho frutuoso e não frutuoso. 

   O meio mais acessível de santificação é tudo fazermos à luz de Deus, com Jesus, por Jesus e em Jesus, porque, unidos a Ele, todas as nossas ações serão frutuosas, meritórias. 

   'Trabalhamos durante toda a noite, disse São Pedro, e nada apanhamos'. 
 
   O que é trabalhar sem Jesus?
  • É trabalhar sem a graça, sem a verdadeira luz, em cegueira espiritual, em estado de pecado mortal, sob o império de determinadas paixões. Ai! quantos cristãos trabalham assim infrutuosamente, consumindo a vida no pecado. 
  • É trabalhar para o mundo, pela terra. São aqueles que se extenuam e sofrem mil cuidados para adquirir riquezas ou honras. E tudo isto é vaidade e aflição de espírito. "Que adianta ao homem, disse Jesus, ganhar o mundo todo, se vier a perder a sua alma?" E contudo é esta a vida da maioria dos homens, mesmo de cristãos!
  • É trabalhar sem pureza de intenção, conforme a nossa própria vontade, sem procurar, nem a glória, nem a vontade divinas. O que assim se faz é sem mérito e sem fruto. Ai! e são muitos os que assim trabalham com prejuízo total, mesmo entre as pessoas religiosas, porque se age por leviandade, por rotina e com negligência. 
       Como se trabalha com Jesus?

  • Conservando sempre o estado de graça, vivendo na amizade de Jesus, para que ainda as menores das nossas ações sejam santas: "Aquele que me segue, disse Jesus, não anda nas trevas".
  • Nada fazendo senão conforme a vontade de Deus, na ordem por Ele estabelecida: "A pessoa obediente cantará vitória" (Prov. XXI, 28).
  • Não perdendo jamais de vista, em todas as nossas ações, a santa presença de Deus. Disse Deus a Abraão: "Anda na minha presença e serás perfeito" (Gen. XVI, 1). 
  • Executando todas as coisas só por amor de Deus e para Sua glória e referindo-Lhe tudo: "Quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus" (1 Cor. X, 31). 
  • Conservando-se sempre, e em tudo, em união com Nosso Senhor. Sem Nosso Senhor Jesus Cristo não podemos fazer nada de bom: "Sem mim, disse Jesus, nada podeis fazer". Com Ele, porém, tudo é abençoado!
      Terminemos ouvindo Santa Teresinha do Menino Jesus: "Senhor, Vós o vedes, caio em tantas fraquezas, mas não me admiro... Entro dentro de mim e digo: estou ainda no mesmo ponto que antes! Mas digo isto com uma grande paz e sem tristeza, porque sei que conheceis perfeitamente a fragilidade da nossa natureza e estais sempre pronto a socorrer-nos. Portanto, de que poderei ter medo? Apenas me vedes convencida do meu nada, ó Senhor, logo me estendeis a mão; mas se eu quisesse fazer alguma coisa de grande, mesmo sob o pretexto de zelo, imediatamente me deixaríeis só. Basta, pois, que me humilhe e suporte de boa vontade as minhas imperfeições; é nisto que consiste para mim a verdadeira santidade". Amém!

   

quarta-feira, 13 de junho de 2018

SANTO ANTÔNIO

SANTO ANTÔNIO 

                                                                                                                                                         Dom Fernando Arêas Rifan*

            

             No mês de junho, temos as tradicionais festas juninas. Ao menos originalmente, elas existem para comemorar três santos de grande importância, exemplo para nós, e cuja memória se celebra neste mês: Santo Antônio, dia 13, São João Batista, dia 24, e São Pedro, dia 29. Infelizmente, como muitas outras festas religiosas, as festas juninas são também um pouco desvirtuadas, ficando-se nos acessórios e esquecendo-se do principal. Hoje vamos nos deter no primeiro deles, Santo Antônio, cuja festa celebramos hoje. 
            Santo Antônio de Pádua é também chamado, sobretudo pelos portugueses, Santo Antônio de Lisboa. Ele nasceu em Lisboa, chamava-se Fernando, foi cônego da Ordem da Cruz em Lisboa e, depois, em Coimbra. Ali, como hospedeiro, recebeu alguns franciscanos que estavam de partida para Marrocos, na África, onde iriam trabalhar na evangelização dos muçulmanos. Lá foram martirizados e seus corpos foram trazidos para Coimbra, onde foram vistos pelo Cônego Fernando, que, assim, concebeu um grande desejo de ser também franciscano para também receber a palma do martírio. Entrou, pois, na Ordem Franciscana, recém fundada por São Francisco de Assis, recebendo o nome de Antônio. Foi, como era seu desejo, enviado à África, mas seu navio passou por grande tempestade e foi atirado nas costas da Itália. Lá teve oportunidade de conhecer São Francisco pessoalmente. 
            Frei Antônio ficou obscuro até que um dia, tendo faltado um pregador numa grande festa, pediram-lhe que fizesse a homilia. Então se revelou o grande gênio da oratória que ele era e seu profundo conhecimento das Sagradas Escrituras, fruto dos seus estudos e da sua vida de oração. Foi então nomeado o pregador oficial dos Franciscanos e professor de Teologia. 
            Pregou na Itália e na França, recebendo as alcunhas de “Doutor Evangélico” e “Martelo dos hereges”. Deus o abençoou com muitos milagres que confirmavam sua pregação. É chamado “o santo dos milagres”, tal a quantidade de fatos extraordinários e sobrenaturais que acompanhavam o seu ministério. Sua língua está miraculosamente conservada em Pádua, há mais de 700 anos. 
            Um dos grandes milagres da sua vida aconteceu em Rimini, na Itália, quando, ao pregar na praça, percebeu o total desinteresse dos ouvintes. Então lhes disse: “já que não me dais atenção, vou pregar aos peixes”. E foi fazer o seu sermão na praia. Ao começar, os peixes acorreram em profusão, ficando em ordem de altura, e balançando a cabeça em sinal de atenção. É claro que o povo todo o acompanhou admirado e daí por diante acudiu atento à sua pregação. 
            Os últimos seis meses da sua vida, passou em Pádua, na Itália, pregando sempre o Evangelho. Ali, exausto, aos 36 anos de idade, veio a falecer. Seu corpo ali se conserva, objeto de veneração de peregrinos de todo o mundo. Foi canonizado em menos de um ano após sua morte. Sua devoção está espalhada por toda a Igreja e seus exemplos são dignos de memória e imitação por todos os cristãos.

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

domingo, 10 de junho de 2018

EVANGELHO DO 3º DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES



S. Lucas XV, 1-10
Haverá mais júbilo no céu por um pecador que fizer penitência.

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

"Aproximaram-se de Jesus os publicanos e os pecadores paro o ouvir. Os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe os pecadores e come com eles. Jesus, propôs-lhes, então esta parábola": a parábola da ovelha tresmalhada, a parábola da dracma perdida (como narra o evangelho seg. S. Luc. XXV, 1-10); em seguida Jesus propõe-lhes ainda a parábola do filho pródigo. Três parábolas para mostrar a misericórdia divina e como ela se exerce. Delas consta todo o capítulo XV de S. Lucas.

Caríssimos, era mui natural que os publicanos e os pecadores se aproximassem de Jesus para O ouvir. Pois, anunciava uma tão bela doutrina! Jesus pregava uma tão santa moral! Por ser pecadores, estes homens não deixavam de ser também sensíveis ao verdadeiro, ao justo e ao belo. Na verdade, esta doutrina era elevada e sublime; esta moral era grave e austera. Mas a doçura de Jesus, sua bondade, sua afabilidade temperavam tão bem o que sua doutrina e sua moral pudessem oferecer de severo! Os pecadores sabiam que Jesus era um médico que veio para curar nossas doenças, e eles não se iludiam sobre o lamentável estado de suas almas e sentiam que eram doentes; e justamente por isso vinham a Jesus do qual esperavam a sua cura. "E assim, diz Santo Ambrósio, toda alma deve aproximar-se de Jesus Cristo, porque Ele é tudo para nós. Tendes uma ferida a cicatrizar? Ele é remédio. Estais presos ao fogo da febre? Ele é uma fonte refrescante. Estais curvados sob o peso da iniquidade? Ele é a justiça. Tendes necessidade de socorro? Ele é a força. Temeis a morte? Ele é a Vida. Desejais o céu? Ele é o caminho que para lá conduz. Fugis das trevas? Ele é a Luz. Procurais alimento? Ele é um alimento" (Lib., III, de Virginibus).

Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores e Ele espera-os com paciência, procura-os com solicitude e recebe-os com alegria quando arrependidos se voltam para Ele. É justamente para justificar esta Sua conduta que Nosso Senhor Jesus Cristo propõe aos orgulhosos fariseus e escribas as três parábolas da misericórdia. Com a graça de Deus, meditemos um pouco sobre a primeira.

"Qual de vós, tendo cem ovelhas, se perde uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai procurar a que se tinha perdido, até que a encontre? E, tendo-a encontrado, a põe sobre os ombros todo contente; e, indo para casa, chama os seus amigos e vizinhos, dizendo;lhes: Congratulai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha, que se tinha perdido". A ovelha é um animal simples e tímido, que, procurando sua pastagem, afasta-se facilmente do caminho que ela deve seguir e do rebanho ao qual ela deve permanecer unida; e quando se perde é incapaz de reencontrar o seu caminho. É preciso, portanto, que o pastor a ajude e procure-a com cuidado. É bem a nossa imagem. "Todos nós andamos desgarrados como ovelhas errantes; cada um se extraviou por seu caminho" (Isaías LIII, 6). Correndo após o pecado, e levados pelo atrativo da concupiscência, nós caímos nos abismos do mal, e não pensamos mais nem em Deus, nem na salvação, nem no céu. Eis porque Jesus Cristo desceu do Céu. Deixou lá no alto as noventa e nove ovelhas fiéis, isto é, os anjos, para vir aqui em baixo, e correr em socorro da humanidade representada pela ovelha infiel.

"E quando a encontra, coloca-a sobre seus ombros todo contente". Fatigado o bom Pastor, por suas caminhadas à procura da ovelha errante; tinge as estradas com seu sangue; deixa pedaços de sua carne nos espinheiros da estrada. Ele é que teria necessidade de ser levado depois dos trabalhos penosos que Lhe custaram a procura de sua ovelha. Mas não, Ele não se importa consigo, só pensa na sua ovelha que a põe aos ombros, embora ela se tenha transviado por culpa própria. Ela merecia ser punida, e o pastor indignado teria todo direito de a castigar com seu bastão, fazendo-a caminhar à sua frente. Mas, ao contrário, o bom Pastor além de não a repreender, toma-a amorosamente em seus braços e coloca-a aos ombros, sobre seu pescoço, e leva-a até ao redil, isto é, da terra ao céu. Esta imagem da bondade de Jesus tocou de tal modo os cristãos dos primeiros séculos, que eles não deixaram de O representar sob este tocante símbolo, um pastor levando sua ovelha; encontra-se este símbolo entre as pinturas que ornam ainda as paredes das catacumbas de Roma.

"E Indo para casa , chama os seus amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Congratulai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha, que se tinha perdido". Caríssimos, observai bem esta linguagem: congratulai-vos COMIGO, e não: congratulai-vos com a OVELHA. Explica são Gregório: "A nossa vida, faz Sua alegria. Esta alegria é tão grande que não a pode conter dentro de si. É mister que ela se manifeste para fora, é preciso que ela se expanda, é necessário que dela tome parte os seus amigos, os anjos, que gozam continuamente com sua vista e são mais vizinhos d'Ele que todas as outras criaturas".

"Digo-vos que do mesmo modo, haverá mais júbilo no céu por um pecador que fizer penitência, que por noventa e nove justos que não têm necessidade de penitência". Portanto, lá no alto do céu, os anjos se interessam por nós. Eles se alegram com a conversão dos pecadores. E Deus se compraz em lhes notificá-la como um bem que lhes toca de perto. Na verdade, os anjos são amigos dos homens. Eles vêem em nós, amigos, criaturas de Deus como eles, espíritos inteligentes como eles, embora mesclados aos corpos; eles sabem que nós somos chamados a participar um dia de sua glória, a ocupar os tronos que a deserção dos anjos rebeldes deixou vacantes. É normal que eles fiquem felizes com o nosso retorno ao bem, com a nossa conversão. De um lado, amam a Deus  e desejam vivamente sua glória e congratulam-se com tudo aquilo que a pode procurar. E a conversão de um pecador é uma vitória alcançada por Deus sobre o mal, é uma alma arrancada às garras do demônio, é um cativo preso ao carro de Jesus  que o conduz ao céu.

A conversão dum pecador, é portanto o objeto duma grande alegria por parte dos anjos, alegria esta muito maior do que aquela sentida por eles por causa da perseverança de noventa e nove justos; não obviamente porque a perseverança de noventa e nove justos não seja em si mesma um bem muito maior do que a conversão de um só pecador; mas o retorno de um pecador é um bem novo, e por conseguinte mais sensível, mais  comovente que aquele que se tem o costume de gozar por muito tempo, e cuja doçura é por isto mesmo um pouco enfraquecida. A conversão de um pecador é de alguma maneira um novo elemento acrescido à felicidade já tão grande dos anjos.

Como esta meditação deve alentar os pecadores a se converterem e os pastores a se dedicarem inteiramente, bondosamente, incansavelmente à conversão dos pecadores e hereges.

Jesus termina a parábola da dracma perdida com o mesmo ensinamento moral com que terminou a da ovelha tresmalhada. Esta repetição e esta insistência indicam bem a verdade, a sinceridade, a vivacidade da alegria causada aos anjos e a Deus mesmo pela conversão dos pecadores.

Eis alguns lições destas reflexões que acabamos de fazer: 1- Deus não rejeita "a priori" os pecadores, mas os chama a Ele, os instrui, Ele se esforça para os tocar com a sua graça e os reconduzir à virtude, ao bem: "Não vim chamar os justos, mas os pecadores à penitência". 2- Se estas parábolas nos ensinam a misericórdia de Deus, outrossim nos faz ver claramente como e quando ela é exercida. "HAVERÁ MAIS JÚBILO NO CÉU POR UM PECADOR QUE FAZ PENITÊNCIA".  Os Fariseus no tempo de Jesus e os Jansenistas em nossos tempos, não pensam em misericórdia para os pecadores. Só pensam em JUSTIÇA. Por outro lado, os progressistas em nossos dias, só pensam em misericórdia e esta de tal modo deturpada que vem a ser antes impunidade e parece que para eles não há Justiça. Querem acolher e abraçar os pecadores e hereges sem conversão, sem mudança de vida, ou seja, sem penitência. A "misericórdia dos progressistas" não visa tirar o pecado mas tranquilizar o pecador no mesmo. Devemos fazer como o Divino Mestre, procurar a conversão dos pecadores com um zelo cheio de bondade e mansidão; mas acolher com alegria, e admitir à mesa eucarística apenas os que realmente se convertem e fazem penitência. A parábola do filho pródigo que Jesus contou logo em seguida a estas duas, mostra bem isto. Amém!

domingo, 3 de junho de 2018


EVANGELHO DO 2º DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES
S. Lucas XIV, 16-24
O BANQUETE NO REINO DE DEUS
Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Na casa de um dos principais fariseus, Jesus estava à mesa e pregava sobre a necessidade da humildade e da caridade; e eis que um dos convivas exclamou: "Bem-aventurado o que participar do banquete no reino de Deus". E Jesus respondeu com a parábola da Grande Ceia.

"Um homem fez uma grande ceia e convidou muitos". Aqui na terra Deus preparou um grande banquete: o da Religião Católica que nos alimenta com a Fé, com a Palavra da Verdade e com a Eucaristia; no Céu será o banquete eterno em que seremos plenamente saciados, porque veremos a Deus como é em si mesmo. Na verdade, podemos dizer que o festim é um só: o Reino do Céu ou da Glória, reino este que é preparado aqui na terra pela Igreja que Jesus fundou, que nos concede a Graça, gérmen da  Glória.

 Aqui na terra  e depois no Céu este festim é chamado GRANDE, pois diante dele, todos os festins dos reis não são nada. Este festim é grande, outrossim, pelo número dos convidados, a saber, todos os homens; porque Deus quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade. A mesa eucarística é tão grande que nos é dado como alimento o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Deus-Homem. Grande também pela liberalidade sem limites d'Aquele que o oferece, isto é, Deus, o rico por excelência, a quem pertencem tudo o que existe; grande pelo preço e abundância das iguarias que aí são servidas. Aqui na terra, são os méritos de Jesus Cristo, seu Corpo e seu Sangue; no Céu, é a vista e posse de Deus mesmo. Podemos resumir: aqui na terra é o festim da graça; no Céu é o da glória e ambos são um só e grande Banquete. Em outra parábola,o do Banquete das Bodas, Jesus Cristo mostra que quem não se apresentar com a veste nupcial da graça, não poderá participar do banquete celestial da glória, mas será lançado nas trevas exteriores, onde haverá chora e ranger de dentes (Cf. S. Mateus XXII, 11 e 12).

Deus fez vários apelos desde o início do mundo relativamente a este festim. O primeiro convite foi endereçado a universalidade dos homens na pessoa de Adão e de seus primeiros descendentes. Advertidos sobre a vinda futura do Redentor, eles foram convidados a se nutrirem de antemão das suas graças e a se apropriarem de seus méritos pela fé. Esta vocação foi várias vezes renovada pelos patriarcas, pelos profetas, seja em relação aos judeus, seja em relação a alguns povos pagãos, vizinhos da Judéia; e  até podemos dizer que, pelo menos qual eco enfraquecido, este convite chegou a todos os povos então conhecidos.

"À hora da ceia, mandou o Pai de família um seu servo dizer aos convidados: Vinde, porque tudo está preparado".  O servidor, ou seja, Jesus Cristo, igual a seu Pai, Deus como Ele, mas Seu servidor enquanto homem: "Eu sou teu servo e filho de tua escrava" (Salmo CXV, 16). Depois de Jesus Cristo, os apóstolos, os bispos, os padres, receberam igualmente d'Ele a missão que Ele mesmo havia recebido de Seu Pai, missão esta de chamar os povos para o Banquete terrestre e através dele, ao Festim Celeste. A hora da grande Ceia havia sido adrede fixada nos desígnios da sabedoria e da misericórdia divinas. Depois de quatro mil anos de preparação Deus declara que tudo está pronto, que a mesa está posta. O Verbo Eterno desceu e se revestiu de carne; Ele se oferece como Hóstia a Deus, seu Pai. O fogo da tribulação queimou a Vítima e a mesa mística da cruz recebeu-A. Tudo está preparado. Vem Nação escolhida; vinde povos, vinde tomar parte no Festim!

Os Judeus, o povo escolhido, os primeiros convidados infelizmente não corresponderam a este convite misericordioso. 

"E todos, à uma começaram a escusar-se. O primeiro disse-lhe: Comprei um campo, é-me necessário ir vê-lo; rogo-te que me dês por escusado. Outro disse: Comprei cinco juntas de bois, vou experimentá-los; rogo-te que me dês por escusado. Disse também outro: Casei-me por isso não posso ir. E voltando o servo, referiu estas coisas ao seu senhor".

Caríssimos, por que esta recusa dos convidados? A causa não é tanto o menosprezo do banquete mas as três terríveis paixões às quais a humanidade está presa: a concupiscência dos olhos, o orgulho da vida ou ambição; e a concupiscência da carne, "uxorem duxi" = tomei mulher, casei-me. A sensualidade torna a pessoa tão grosseira que nem desculpas pede. Estas três paixões, orgulho, avareza e luxúria, prendem suas vítimas à terra, são espinhos que sufocam a palavra de Deus e  impedem as pessoas de olhar para o Céu, lá onde está preparado o Festim Eterno. Na verdade, estas razões aduzidas parecem suficientes para os convidados indignos, mas diante de Deus não, pois Jesus disse: "Procurai em primeiro lugar o Reino de Deus..."

Diante desta indigna e mesquinha recusa, o pai de família, irritado, embora misericordioso também, diz ao seu servo, isto é, aos apóstolos, à Igreja: "Vai já pelas praças e pelas ruas da cidade; traze aqui os pobres, aleijados, cegos e coxos". SAÍ, saí do meio desta nação judia, endurecida e rebelde, desta nação carnal e unicamente preocupada com os bens da terra. Ide para os gentios, pela praças públicas, onde gastam inutilmente suas vidas na agitação da política, nas vãs procuras de uma curiosidade pueril; ide pela ruas de suas barulhentas cidades, nestas ruas populosas que eles percorrem incessantemente mas sem finalidade séria; pois, correm atrás de quimeras, após uma vã dominação, após o brilho enganador e caduco da glória, após os bens efêmeros que o vento do tempo leva. Chamai os pobres, isto é, as almas vazias dos tesouros da graça; os aleijados, isto é, os que não sabem ou não podem se mover e agir pelo bem; os cegos, ou seja, aqueles que não podem conhecer a verdade; os coxos que não podem trilhar o caminho do céu. E a todos estes que forem dóceis ao convite divino, Jesus lhes dará a força, a saúde e a vida!

"Disse o servo: Senhor, está feito como mandaste e ainda há lugar. Disse o senhor ao servo: Vai pelos caminhos e ao longo dos cercados; força-os a vir, para que se encha a minha casa". Realmente sempre haverá lugar nas entranhas da misericórdia de Deus; Ele tem aí  um lugar infinito, um lugar no seio da Igreja e um lugar no Céu.  O coração do Pai de família não estará satisfeito enquanto houver algum lugar vazio; só estará contente quando vir ocupados todos os tronos preparados por Ele para seus escolhidos. "Ide, portanto, diz o Mestre ao servidor, ide pelos caminhos e ao longo dos cercados; força-os a vir, para que se encha a minha casa. Porque eu vos digo que nenhum daqueles que foram convidados provará a minha ceia". Jesus quer que a voz dos seus ministros seja ouvida até os confins do universo. E Ele não se contenta só em convidar; manda que, de algum modo, forcem a entrar; ou antes o próprio Deus haverá de forçar a entrar aqueles que Ele quer ver assentados a sua mesa. Como geralmente Deus força? Pelas tribulações, pelas doenças, às vezes dolorosas, mostrando-lhes o nada e a instabilidade das coisas humanas. Assim Deus os lança em seus braços. Os ministros de Jesus, principalmente os missionários devem pregar com intrepidez, pregar sempre, atravessar os mares e transpor as montanhas. Os servidores de Deus, de alguma maneira, devem forçar pela persuasão da palavra de Deus, pela insistência e sobretudo atraindo as almas pelo bom odor de Jesus Cristo, isto é, pelo bom exemplo, pela santidade de vida.  

"Eu vos digo que nenhum daqueles que foram convidados provará a minha ceia. Eu os convidei, dirá o supremo Juiz, e eles recusaram meu convite; eles tornaram-se indignos do banquete da graça, e não terão parte no festim da glória. Permanecerão fora da sala do banquete, tomados de uma fome devoradora, excluídos da visão divina, única capaz de satisfazer seus desejos e de corresponder à sua insaciável necessidade de felicidade.

Estando no domingo após a festa do Santíssimo Sacramento, não podemos deixar de fazer uma menção especial ao Banquete Eucarístico. Para este festim Jesus oferece como iguaria o seu Corpo como alimento e seu Sangue como bebida. E a liberalidade divina os oferece aos povos até o fim dos tempos. No entanto, quantos  recusam este convite! A Igreja, em nome de Deus, de quem é aqui na terra a esposa e a mandatária, reitera cada ano este convite e endereça-o aos fiéis pela voz dos pastores em todos os templos do universo. Jesus dissera: "Quem não comer a minha carne e não beber o meu sangue não terá a vida eterna", ou seja, quem recusar o convite não gozará do festim supremo.

Obedeçamos, portanto, caríssimos irmãos, aos ternos e prementes convites do Salvador. Aqui na terra participemos com as devidas disposições da mesa eucarística, afim de podermos lá no Céu, assentarmos à mesa do banquete da felicidade e da glória. Amém!



HOMILIA DOMINICAL - 2º Domingo depois de Pentecostes

   Leituras: Primeira Epístola de São João Apóstolo 3, 13-18.
   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 14, 16-24:

   "Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus esta parábola: Um homem preparou um grande banquete, para o qual convidou muitas pessoas. E, à hora do banquete, mandou um de seus servos dizer aos convidados que viessem, porque já estava tudo pronto. Todos, porém, unanimemente, começaram a escusar-se. Disse-lhe o primeiro: Comprei uma quinta e preciso ir vê-la; rogo-te que me dês por escusado. Um outro disse: Comprei cinco juntas de bois, e vou experimentá-los; peço-te que me dispenses. Disse um terceiro: Casei-me, e por isso não posso ir. Voltando o servo referiu estas coisas a seu senhor. Então, indignado, o pai de família disse a seu servo: Sai já pelas praças e ruas da cidade, traze aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos. E disse o servo: Senhor, está feito o que me mandaste, e ainda há lugar. Respondeu o senhor ao servo: Vai pelos caminhos e cercados, e obriga a gente a entrar para que se encha a minha casa. Eu vos digo, porém, que nenhum daqueles que foram convidados, provará a minha ceia."

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Esta meditação foi extraída do Livro "INTIMIDADE DIVINA" do P. Gabriel de Sta. M. Madalena, da Ordem dos Carmelitas Descalços. 

 1.   O Evangelho deste domingo (Lc. 14, 16-24) harmoniza-se perfeitamente com a festa do Corpo de Deus. "Um homem fez uma grande ceia e convidou a muitos". O homem que faz a ceia é Deus, e a grande ceia é o Seu reino onde as almas encontrarão na terra toda a abundância de bens espirituais e, na outra vida, a felicidade eterna. É este o sentido próprio da parábola, mas nada obsta a que também se possa entender num sentido mais particular, vendo na ceia o banquete eucarístico e no homem que o ofereceu, Jesus, que convida os homens a alimentarem-se da Sua Carne e do Seu Sangue.. "A mesa do Senhor está pronta para nós, canta a Igreja. - A Sabedoria [ou seja o Verbo Encarnado] preparou o vinho e pôs a mesa" (Breviário). O próprio Jesus, ao anunciar a Eucaristia, dirige a todos o Seu convite: "Eu sou o pão da vida; o que vem a mim não terá jamais fome e o que crê em mim não terá jamais sede... Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. Este é o pão que desceu do céu, para que aquele que dele comer não morra" (Jo. 6, 35-50). Jesus não se limita, como os outros homens, a preparar-nos uma ceia, a fazer numerosos convites e a apresentar iguarias excelentes; mas o fato singularíssimo - que nenhum homem por mais rico e poderoso que seja poderá imitar - é que Ele próprio Se oferece como alimento. São João Crisóstomo a quem pretende ver Cristo na Eucaristia com os olhos do corpo, diz: "Pois bem, já O vês, tocas e comes. Tu queres ver as Suas vestes e Ele, ao contrário, concede-te não só vê-Lo, mas até tomá-Lo como alimento, tocá-Lo e recebê-Lo dentro de ti... Aquele a quem os anjos olham temerosos e não ousam contemplar livremente devido ao Seu deslumbrante esplendor, faz-se nosso alimento; nós unimo-nos a Ele e formamos com Cristo um só corpo e uma só carne" (Breviário). 

   2. Jesus não podia oferecer ao homem uma mesa mais rica do que o banquete eucarístico. E de que modo correspondem os homens ao Seu convite para esta mesa? Muitos, como os judeus incrédulos, encolhem os ombros e retiram-se com um sorriso cético nos lábios: "Como pode este dar-nos a comer a sua carne?" (Jo. 6, 53). Mas o que afasta da Eucaristia não é só a falta de fé; esta é muitas vezes acompanhada e não raramente deriva das causas morais de que fala o Evangelho de hoje. "Comprei uma quinta e é-me necessário ir vê-la, rogo-te que me dês por escusado", respondeu um; e outro: "Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las: rogo-te que me dês por escusado". A excessiva preocupação com os bens terrenos e o apego aos mesmos, o mergulhar-se totalmente nos negócios, são os motivos pelos quais tantos recusam o convite de Jesus. Porém, ainda não é tudo: "Casei-me e por isso não posso ir", respondeu um terceiro. Este representa aqueles que, submersos nos prazeres dos sentidos, perderam a sensibilidade para as coisas do espírito e, em presença delas, continuam o seu caminho, não se lembrando sequer de se desculpar.

   É impossível não estremecer em face da grande cegueira do homem que antepõe ao dom de Cristo, Pão dos anjos e penhor de vida eterna, os interesses terrenos, os vis prazeres dos sentidos, que muito depressa se dissipam como o nevoeiro aos raios do sol. 

   Terminemos com Santo Agostinho: "Ó Senhor, aproximar-me-ei com fé da Vossa mesa, participando dela para ser por ela vivificado. Fazei, Senhor, que eu seja inebriado pela abundância da Vossa casa, e dai-me a beber da torrente das Vossas delícias... Fazei que eu me aproxime e me fortaleça; deixai que me aproxime embora mendigo, fraco, aleijado e cego. À Vossa ceia não vêm os homens ricos e saudáveis que julgam caminhar bem e possuir a agudeza de vista, homens muito presunçosos e por consequência, tanto mais incuráveis quanto mais soberbos. Aproximar-me-ei qual mendigo, porque me convidais Vós que, de rico, Vos fizestes pobre por mim, para que a Vossa pobreza enriquecesse a minha mendicidade. Aproximar-me-ei como fraco, porque o médico não é para os que têm saúde senão para os doentes. Aproximar-me-ei como aleijado e Vos direi: 'Dirigi Vós os meus passos pelas Vossas veredas'. Aproximar-me-ei como cego e Vos direi: 'Iluminai os meus olhos, a fim de que eu jamais durma o sono da morte'". Amém!