SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

terça-feira, 31 de outubro de 2017

FALTA DE ARREPENDIMENTO E PROPÓSITO


Consideremos atentamente os sinais certos pelos quais podemos reconhecer se a confissão foi feita sem dor dos pecados e sem resolução de não mais recair neles. Em outras palavras, veremos os sinais que mostram quando não há arrependimento verdadeiro (pelo menos imperfeito=atrição) e não há por conseguinte propósito firme e eficaz de fugir das ocasiões próximas de pecados. Pela confissão Deus perdoa quaisquer pecados; mas nunca perdoa quando há vontade de continuar nos pecados.

1   .      Quando nos confessamos sem querer renunciar o ódio ao próximo.
2   .       Quando se pode e não se quer reparar uma injustiça grave feita ao próximo, em seus bens ou em sua reputação.
3   .       Quando se reincide no pecado de hábito, quer dizer, quando, advertidos pelo confessor, não deixamos, entretanto, de recair com a mesma frequência nos mesmos pecados mortais do costume, sem nenhuma correção, e sem que sejam empregados os meios de emenda.
4   .       Quando nos confessamos sem querer sinceramente deixar a ocasião próxima voluntária do pecado mortal.
Os defeitos que acabamos de enumerar e explicar tornam as confissões inválidas, quer dizer, nulas; e portanto, é preciso renová-las, como se nunca tivessem sido feitas desde a época em que são nulas. São, além disso, sacrílegas quando assim feitas cientemente. O sujeito está consciente de não ter os sinais de arrependimento, sabe que quer continuar fazendo todos ou alguns ou mesmo que seja um só dos pecados mortais e faz a sua confissão assim mesmo. Faz sacrilégio, e, se comunga faz outro sacrilégio.
A esta altura, talvez haja quem pergunte: padre, devo fazer uma confissão geral? Caríssimo, é a tua consciência que cabe resolver esta questão, conforme tudo o que acabamos de dizer.
Ser-me-á impossível, dizeis, fazer uma confissão geral. Tenho já idade: como poderei lembrar-me de todos os pecados da minha vida?  -  Caríssimos, com boa vontade é possível e mesmo fácil fazer uma confissão geral.
Primeiro que tudo, recordai com mágoa todos os anos da vossa vida (Isaías, XXXVIII, 16). Tomai para este negócio o tempo suficiente para vos recolherdes, pois trata-se de uma coisa muito séria.
Para indicar o número dos vossos pecados, eis aqui como podeis fazer. Deixai de lado os pecados veniais, ou não os acuseis senão no fim; não resta, pois, senão a confissão dos pecados mortais, que serão   -  ou casos particulares ou pecados habituais. Se são casos particulares, um pouco de reflexão bastará para vos lembrardes deles. Se são pecados habituais, examinai por quanto tempo durou este hábito  e quantas vezes, pouco mais ou menos, caístes no pecado por ano, ou por mês ou por semana, ou mesmo por dia. Não é verdade que desta maneira é fácil fazer uma confissão geral?
Contudo, se encontrardes alguma dificuldade em fazê-la, dizei ao confessor: "Padre, desejo fazer uma confissão geral, peço-vos que me ajudeis". No mesmo instante, o confessor vos interrogará, de modo que vos basta responder-lhe com sinceridade. Oh! como é consolador para um ministro de Deus ver a seus pés uma alma bem disposta e arrependida! A alegria do padre é indescritível, e levá-la-á para o túmulo. Bem feita a confissão geral, grande outrossim é a alegria do penitente.
Vou contar-vos um fato lido na vida de São Vicente de Paulo: Este grande santo da caridade, foi um dia chamado para confessar um fazendeiro que estava perigosamente doente. Conquanto tivesse sempre gozado da reputação de homem honrado, o padre Vicente de Paulo o excitou a fazer uma confissão geral, para pôr a sua salvação em maior segurança. Ora, o resultado provou que aquele pensamento vinha de Deus, que queria retirar aquela pobre alma do abismo eterno em que ia cair. Era rico mas certamente praticava a caridade para com os pobres. Quem o acreditaria, se não conhecesse a fraqueza do coração humano? Ainda que esse homem tivesse recebido várias vezes os últimos sacramentos, em várias moléstias muito graves, que tivera, achava ele que tinha a consciência carregada de sacrilégios desde a mocidade. Na alegria que experimentava em ter feito a confissão com o padre Vicente de Paulo, ele mesmo anunciava abertamente a todos que iam vê-lo: "Ah! eu estaria condenado se não tivesse feito uma confissão geral, por causa dos pecados que nunca ousei confessar". Morreu três dias depois, com os mais vivos sentimentos de reconhecimento para com Deus. A senhora Duquesa de Gondi ouviu as declarações muito admirada: Ah! que acabamos de ouvir? Se este homem, que passava por um homem honrado, estava em perigo de condenação, que será dos outros que vivem tão mal!". Ela empregou desde então a sua fortuna em estabelecer e fundar missões, considerando-as uma obra necessária à salvação das almas. São Vicente de Paulo fundou a Ordem dos Missionários Lazaristas.


domingo, 29 de outubro de 2017

FESTA DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO REI

Último Domingo de Outubro  


Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

  Meditemos um pouco sobre alguns trechos da Encíclica "Quas Primas" (11/12/1925) do Papa Pio XI:

  "Na primeira Encíclica, dirigida, em princípio do nosso Pontificado, aos Bispos do mundo inteiro, indagamos a causa íntima das calamidades que, ante os nossos olhos, avassalam o gênero humano. Ora, lembra-nos haver abertamente declarado duas coisas: uma - que esta aluvião de males sobre os universo provém de ter a maior parte dos homens removido, assim da vida particular como da vida pública, Jesus Cristo e sua lei sacrossanta; e outra - que baldado era esperar paz duradoura entre os povos, enquanto os indivíduos e as nações recusassem reconhecer e proclamar a Soberania de Nosso Salvador. (...).
  "Muito há que a linguagem corrente dá a Cristo o nome de "Rei em sentido metafórico e transposto". "Rei" é Cristo, com efeito, atenta a eminente e suprema perfeição com que sobrepuja a todas as criaturas. Assim, dizemos que "reina sobre as inteligências humanas", por causa da penetração do seu espírito e da extensão de sua ciência, mas sobretudo porque é a própria Verdade em pessoa, de quem, portanto, é força que recebam rendidamente os homens toda a verdade. Dizemos que "reina sobre as vontades humanas", porque n'Ele se alia a indefectível santidade do divino querer com a mais reta, a mais submissa das vontades humanas; e também porque suas inspirações entusiasmam nossa vontade libre pelas causas mais nobres. Dizemos, enfim, que é "Rei dos corações", por causa daquela inefável "caridade que excede a toda humana compreensão" (Ef. 3, 19); e porque sua doçura e sua bondade atraem os corações: pois nunca houve, no gênero humano, e nunca haverá quem tanto amor tenha ateado como Cristo Jesus". 
  "Profundemos sempre mais o nosso argumento. É manifesto que o nome e o poder de "Rei", no sentido próprio da palavra, competem a Cristo em sua Humanidade, porque só de Cristo enquanto homem é que se pode dizer: do Pai recebeu "poder, honra e realeza" (Dan. 7, 13-14). Enquanto Verbo, consubstancial ao Pai, não pode deixar de Lhe ser em tudo igual e, portanto, de ter, como Ele, a suprema e absoluta soberania e domínio de todas as criaturas".
Testemunho do Antigo Testamento: Que Cristo seja Rei, não o lemos nós na Escritura? Ele é o "Dominador oriundo de Jacó" (Núm, 24, 19), Ele o "Rei dado pelo Pai a Sião, sua Santa Montanha, para receber em herança as nações, e dilatar seu domínio até os confins da Terra" (Sl 2, 6-8), Ele o verdadeiro "Rei vindouro" de Israel, que o cântico nupcial nos representa sob os traços de um soberano opulento e poderoso, a quem se dirigem estas palavras: "O teu trono, ó Deus, subsistirá por todos os séculos: vara de retidão é a vara de teu reino" (Sl 44, 7). Omitindo muitos passos análogos, deparamos além, como, para delinear com maior nitidez a fisionomia de Cristo, vem predito que seu reino desconhecerá fronteiras e desfrutará os tesouros da justiça e da paz. "Nos dias d'Ele, aparecerá justiça e abundância de paz... E dominará de mar a mar, e desde o rio até os confins da Terra" (Sl 71, 7-8). A estes testemunhos, juntam-se mais numerosos ainda os oráculos dos Profetas, e notadamente a tão conhecida profecia de Isaías: "Já um pequenino se acha nascido para nós, e um filho nos foi dado, e foi posto o principado sobre o seu ombro; e o nome com que se apelide será Admirável, Conselheiro, Deus, Forte, Pai do futuro século, Príncipe da Paz  O seu império se estenderá cada vez mais, e a paz não terá fim; assentar-se-á sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o firmar e fortalecer em juízo e justiça, desde então e para sempre" (Is 9, 6-7).
  "Não é outro o modo como se expressam os demais Profetas. Assim fala Jeremias, quando prenuncia à descendência de Davi "um germe de justiça", esse filho de Davi, que reinará como Rei, "será sábio e obrará segundo a equidade e justiça na Terra" (Jeremias, 23, 5). Assim Daniel, quando prediz a constituição por Deus de um reino "Que não será jamais dissipado... e que durará eternamente" (Daniel, 2, 44). E pouco depois acrescenta: "Eu considerava estas coisas numa visão de noite, e eis que vi um, como o Filho do Homem, que vinha com as nuvens do Céu, e que chegou até o Antigo dos dias; e eles o apresentaram diante d'Ele. E Ele Lhe deu o poder, e a honra, e o reino; todos os povos, e tribos e línguas o servirão: o seu poder é um poder eterno, que Lhe não será tirado, e o seu reino tal, que não será jamais corrompido" (Daniel 7, 213-14). Assim Zacarias quando profetiza a entrada em Jerusalém, entre as aclamações do povo, do "Justo e Salvador", do Rei cheio de mansidão "montado sobre um jumento, e sobre o potro duma jumenta (Zac. 9,9). E não apontaram os Evangelistas o cumprimento desta profecia?
Fortaleza Antônia. Foi destruída pelos romanos no ano 70 DC
e  vemos na foto um modelo, reconstituindo-a.  Aí era
provavelmente, pelo menos nas festividades pascais, o
Pretório de Pilatos, onde, em particular, o governador
 perguntou a Jesus: Tu és  Rei? Jesus respondeu:
 "Tu dizes:
 Eu sou Rei. Eu para isto nasci e para isto vim ao mundo,
a fim de dar testemunho à verdade.
Todo aquele que é da verdade,
ouve a minha voz". 
  Testemunho do Novo Testamento: Esta doutrina de "Cristo Rei", que acabamos de esboçar segundo os livros do Antigo Testamento, bem longe de apagar-se nas páginas do Novo, vem ali, ao invés, confirmada do modo mais esplêndido e em termos admiráveis. Bastará lembrar apenas a mensagem do Arcanjo à Virgem, a anunciar-lhe que dará à luz um Filho; a este Filho, Deus outorgará "o trono de Davi, seu pai, e reinará eternamente na casa de Jacó, e seu reino não terá fim" (S. Luc. 1, 32, 33). Ouçamos agora o testemunho do próprio Cristo no tocante à sua soberania. Sempre que se Lhe oferece ensejo, - em seu último discurso ao povo, sobre a recompensa e os castigos que , na vida eterna, aguardam os justos e os maus; em sua resposta ao governador romano que Lhe perguntara se era Rei; depois de sua ressurreição, quando confia aos Apóstolos a missão de instruírem e batizarem todas as nações, - reivindica o título de "Rei" (S. Jo. 18, 37) e que "todo poder Lhe foi dado no Céu e sobre a Terra" (S. Mat. 28, 18). Que entende com isto, senão afirmar a extensão de sua potência, a imensidade do seu reino? À vista disto, deverá fazer-nos estranheza que São João o proclame "Príncipe dos reis da terra? (Apoc. 1, 5) ou que, aparecendo o próprio Jesus ao mesmo Apóstolo em suas visões proféticas "traga escrito no vestido e na coxa: Rei dos reis e Senhor dos senhores"? (Apoc. 19, 16). O Pai, com efeito, constituiu a Cristo "herdeiro de todas as coisas" (Heb. 1, 1). Cumpre que reine até o fim dos tempos, quando "arrojará todos os seus inimigos sob os pés de Deus e do Pai" (1 Cor. 15, 25). 

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

PECADO MORTAL


"Criei filhos e engrandeci-os; mas eles me desprezaram" (Isaías I, 2).


Deus manifestou sua justiça propondo como vítima de propiciação a Seu Filho Jesus (cf. Rom. III, 25). E o divino Espírito Santo já havia declarado através do Profeta Isaías: "Será (o Messias) despedaçado por causa de nossos crimes". Jesus ressuscitado glorioso não sofre mais. Mas sendo também Deus já previu todos os pecados dos homens e por eles sofreu e morreu. Todo pecado fez Jesus sofrer.

O pecado mortal é uma ofensa grave que se faz a Deus. A malícia de uma ofensa , ensina Santo Tomás de Aquino, se mede pela pessoa que a recebe e pela pessoa que a comete. Assim, uma ofensa feita por um colega ao seu colega, é, sem dúvida, um mal; mas, se um súdito desacata o Rei, isto é muito mais grave. E quem é Deus? É o Rei dos reis (Apoc, XVII, 14). Deus é majestade infinita, perante quem todos os príncipes da terra e todos os santos e anjos do céu são menos que um grão de areia: "Todos os povos na Sua presença são como se não existissem, e ele considera como um nada, uma coisa que não existe" (Isaías XL, 17). Por outro lado, que é o homem? Responde São Bernardo: saco de vermes, pasto de vermes, que cedo o hão de devorar. O homem é um miserável que nada pode, um cego que nada vê; pobre e nu, que nada possui (Apoc, III, 17). E este verme miserável se atreve a injuriar a Deus? exclama o mesmo São Bernardo. Com razão, pois afirma Santo Tomás de Aquino, que o pecado do homem contém uma malícia quase infinita (S. Th. p. 3, q. 2, a. 2.). Santo Agostinho vai um pouco mais além e diz que, absolutamente, o pecado é UM MAL INFINITO. Na verdade, a gravidade de uma ofensa se mede pela dignidade da pessoa ofendida. Ora, o pecado ofende a Deus que é de uma DIGNIDADE INFINITA. Logo, sob este aspecto, é um mal INFINITO. Daí dizer o próprio Deus: "Delicta quis intelligit?" (Salmo 18, 13). Sendo o homem finito não poderá compreender toda gravidade do pecado mortal, porque é infinita.  E Santo Afonso conclui: "Todos os homens e todos os anjos não poderiam satisfazer por um só pecado, mesmo que se oferecessem à morte e ao aniquilamento. Deus castiga o pecado mortal com as penas terríveis do inferno; contudo esse castigo é, segundo dizem todos os teólogos, menor que a pena com que tal pecado deveria ser castigado". E alguns teólogos daí concluem que o inferno é eterno: sendo criatura, nunca poderá ser infinito. Mas a gravidade do pecado mortal é infinita. Como Deus é justo, a eternidade é algo infinito na duração.

Mas que pena bastará para castigar como merece um verme que se rebela contra seu Senhor? Somente Deus é Senhor de tudo, porque é o Criador de todas as coisas. Por isso, todas as criaturas lhe devem obediência. Mas o homem, quando peca, que faz senão dizer a Deus: Senhor, não quero servir-te. Deus diz: "Não te aposses dos bens alheios" e, no entanto rouba. "Abstém-te do prazer impuro, e o pecador não se resolve a privar-se dele. Lemos no Êxodo, V, 2 que quando Moisés comunicou a ordem de Deus de que Faraó desse liberdade ao povo de Israel, este ímpio respondeu: "Quem é o Senhor, para que eu obedeça à sua voz? ... Não conheço o Senhor". Caríssimos, o pecador diz a mesma coisa: Não conheço Senhor; eu sou senhor do meu querer; faço o que me agrada. Assim, na presença de Deus mesmo Lhe falta o respeito e se afasta d'Ele e nisto consiste propriamente o pecado mortal: o ato com o qual o homem se afasta de Deus e se volta paras as criaturas. Quando o homem peca, ele levanta a mão como que ameaçando o Onipotente.

"Tu desonras a Deus, transgredindo a lei" (Rom. II, 23). Além de ofender a Deus, também O desonra. Na verdade, renunciando à graça divina por um miserável prazer, menospreza e rejeita a amizade de Deus. E por conta de que? Diz o Espírito Santo: "Elas (falsas profetisas que perdem as almas) desonravam-Me diante do meu povo por um punhado de cevada e por um pedaço de pão, matando as almas" (Ezequiel XIII, 19). "Quando o pecador, diz Santo Afonso, começa a deliberar consigo mesmo se deve ou não dar consentimento ao pecado, toma, por assim dizer, em suas mãos, a balança e se põe a considerar o que pesa mais, se a graça de Deus ou a ira, a quimera, o prazer... E quando, por fim, dá o consentimento, declara que para ele vale mais aquela quimera ou aquele prazer que a amizade divina". Daí dizer Deus pela boca do profeta Isaías: "A quem me comparastes vós e me igualastes, diz o Santo?" (XL, 25). Ó pecador! terias pecado se soubesses que ao cometer o pecado perderias uma das mãos ou mil reais ou menos talvez? Só Deus parece tão vil a teus olhos que merece ser posposto a um ímpeto de cólera, a um gozo indigno.

Deus é o nosso único e último Fim. E, no entanto, quando o pecador, para satisfazer qualquer paixão, ofende a Deus, na verdade, converte em sua divindade essa paixão, porque nela põe o seu último fim. Daí dizer São Jerônimo: "Vício no coração é ídolo no altar". São Paulo diz chorando que para muitos o seu estômago é o seu deus: "Quorum Deus, venter est". Diz Santo Tomás de Aquino: "Se amas os prazeres, estes são teu Deus". E São Cipriano: "Tudo quanto o homem antepõe a Deus, converte-o em seu deus".

Os pecadores sabem que Deus está em toda parte e que os vê. Mas injuriam-No e O desonram face a face. Dizem que uns povos pagãos na antiguidade consideravam o Sol o seu deus e por isso procuravam evitar o pecado durante o dia. Os cristãos que pecam gravemente, não apresentam nem esta sensibilidade pagã.

O pecador despreza tudo o que Jesus Cristo fez e sofreu para tirar o pecado do mundo. Na expressão de São Paulo, o pecador calca aos pés o Filho de Deus (cf. Hebr. X, 29). Diz Santo Afonso: "Bem sabe o pecador que Deus não pode harmonizar com o pecado. Bem vê que, pecando, obriga Deus a  afastar-se dele. Rigorosamente, é como se Lhe dissesse: Já que não podeis ficar com meu pecado e tende de afastar-vos de mim,  -  ide quando vos aprouver. E expulsando a Deus da alma, deixa entrar o inimigo que dela toma posse. Pela mesma porta por onde sai Deus, entra o demônio". Caríssimos, que mágoa não sentiríamos se recebêssemos grave ofensa duma pessoa, a quem tivéssemos feito grande benefício? Pois bem, esta mágoa e infinitamente maior o pecador causa a Deus, que chegou a dar sua vida para nos salvar.


Ó Jesus, não, nunca mais quero me separar de Vós! Dai-me a santa perseverança... Maria Santíssima, minha Mãe, socorrei-me sempre; rogai a Jesus por mim e alcançai-me a dita de jamais perder graça divina. Amém!

sábado, 21 de outubro de 2017

O JUÍZO UNIVERSAL SEGUNDO S. AFONSO DE LIGÓRIO


(RESUMO)

"Cognoscetur Dominus judicia faciens"
Conhecido será o Senhor, que faz justiça (Salmo IX, 17).

O Redentor destinou o dia do Juízo Universal (chamado com razão, na Escritura, o dia do Senhor), no qual Jesus Cristo se fará reconhecer por todos como universal e soberano Senhor de todas as coisas (Sl  9, 17). Esse dia não se chama dia de misericórdia e perdão, mas "dia da ira, da tribulação e da angústia, dia de miséria e calamidade" (Sofonias I, 15). Nele o Senhor se ressarcirá justamente da honra e da glória que os pecadores quiseram arrebatar-Lhe neste mundo. Vejamos como há de suceder o juízo nesse grande dia.

A vinda do divino Juiz será precedida de maravilhoso fogo do céu (Salmo 96, 3), que abrasará a terra e tudo quanto nela exista (2 S. Pedro III, 10). Palácios, templos, cidades, povos e reinos, tudo se reduzirá a um montão de cinzas. É mister purificar pelo fogo esta grande casa, contaminada de pecados. Tal é o fim que terão todas as riquezas, pompas e delícias da terra. Mortos os homens, soará a trombeta e todos ressuscitarão (1 Cor. XV, 52). Dizia S. Jerônimo: "Quando considero o dia do juízo, estremeço. Parece-me ouvir a terrível trombeta que chama: Levantai-vos, mortos, e vinde ao juízo". Ao clamor pavoroso dessa voz descerão do céu as almas gloriosas dos bem-aventurados para se unirem a seus corpos, com que serviram a Deus neste mundo. As almas infelizes dos condenados sairão do inferno e se unirão a seus corpos malditos, que foram instrumentos para ofender a Deus.

Que diferença haverá então entre os corpos dos justos e dos condenados! Os justos aparecerão formosos, cândidos, mais resplandecentes que o sol (S. Mateus XIII, 43). Feliz aquele que nesta vida soube mortificar sua carne, recusando-lhe os prazeres proibidos, ou que, para melhor refreá-la, como fizeram os Santos, a macerou e lhe negou também os gozos permitidos dos sentidos! ... Pelo contrário, os corpos dos réprobos serão disformes,  e hediondos. Que suplício então para o condenado ter de unir-se a seu corpo! ... "Corpo maldito  -  dirá a alma   -  foi para te contentar que me perdi!" Responder-lhe-á o corpo: "E tu, alma maldita, tu que estavas dotada da razão, por que me concedeste aqueles deleites, que, por toda a eternidade, fizeram a tua e a minha desgraça?"

Assim que os mortos ressuscitarem, farão os anjos que se reúnam todos no vale de Josafá para serem julgados (Joel III, 14) e separarão ali os justos dos réprobos (S. Mat. XIII, 49). Os justos ficarão à direita; os condenados, à esquerda... Que confusão experimentarão os ímpios, quando, apartados dos justos, se sentirem abandonados! Disse S. João Crisóstomo que, se os condenados não tivessem de sofrer outras penas, essa confusão bastaria para dar-lhes os tormentos do inferno. Caríssimo irmão, abandona  o caminho que conduz à esquerda.

Os eleitos serão colocados à direita, e para maior glória   -  segundo afirma o Apóstolo  -  serão elevados aos ares, acima das nuvens, e esperarão com os anjos a Jesus Cristo, que deve descer do céu (1 Tess IV, 17). Os réprobos, à esquerda, como reses destinadas ao matadouro, aguardarão o Supremo Juiz, que há de tornar pública a condenação de todos os seus inimigos.

Abrem-se, enfim, os céus e aparecem os anjos para assistir ao juízo, trazendo os sinais da Paixão de Cristo, disse Santo Tomás. Singularmente resplandecerá a santa Cruz. "E então aparecerá o sinal do Filho do homem no céu; e todos os povos da terra chorarão" (S. Mat. XXIV, 30). Os Apóstolos serão assessores e com Jesus Cristo julgarão os povos. Aparecerá, enfim, o Eterno Juiz em luminoso trono de majestade: "E verão o Filho do Homem, que virão nas nuvens do céu, com grande poder e majestade. À sua presença chorarão os povos" (S. Mat. XXIV, 30). A presença de Cristo trará aos eleitos inefável consolo, e aos réprobos aflições maiores que as do próprio inferno, disse S. Jerônimo. Cumprir-se-á, então, a profecia de S. João: "Os condenados pedirão às montanhas que caiam sobre eles e os ocultem à vista do Juiz irritado" (Apoc. VI, 16).

Começará o julgamento, abrindo-se os autos do processo, isto é, as consciências de todos (Dan. VII, 10). A própria consciência dos homens os acusará depois (Rom. II, 15). A seguir, darão testemunho clamando vingança, os lugares em que os pecadores ofenderam a Deus (Hab. II, 11). Virá enfim, o testemunho do próprio Juiz que esteve presente a quantas ofensas lhe fizeram (Jer. XXIX, 23). Disse S. Paulo que naquele momento o Senhor "porá às claras o que se acha escondido nas trevas" (1 Cor. IV, 5). Os pecados dos eleitos, no sentir do Mestre das Sentenças e de outros teólogos, não serão manifestados, mas ficarão encobertos, segundo estas palavras de Davi: "Bem- aventurados aqueles, cujas iniquidades foram perdoadas, e cujos pecados são apagados" (Salmo 31, 1). Pelo contrário   -  disse S. Basílio  -  as culpas dos réprobos serão vistas por todos, ao primeiro relancear d'olhos, como se estivessem representadas num quadro. Exclama S. Tomás: "Se no horto de Getsêmani, ao dizer Jesus: Sou eu, caíram por terra todos os soldados que vinham para o prender, que sucederá quando, sentado no seu trono de Juiz, disser aos condenados: "Aqui estou, sou aquele a quem tanto haveis desprezado!".

Chegada a hora da  sentença, Jesus Cristo dirá aos eleitos estas palavras, cheias de doçura: "Vinde, benditos de meu Pai, e possuí o reino que vos está preparado desde o princípio do mundo" (S. Mat. XXV, 34). Que consolação não sentirão aqueles que ouvirem estas palavras do soberano Juiz: "Vinde, filhos benditos, vinde a meu reino. Já não há mais a sofrer, nem a temer. Comigo estais e permanecereis eternamente. Abençoo as lágrimas que sobre os vossos pecados derramastes. Entrai na glória, onde juntos permaneceremos por toda a eternidade". A virgem Santíssima  abençoará também os seus devotos e os convidará a entrar com ela no céu. E assim, os justos, entoando gozosos Aleluias, entrarão na glória celestial, para possuírem, louvarem e amarem eternamente a Deus.

Os réprobos, ao contrário, dirão a Jesus Cristo: "E nós, desgraçados, que será feito de nós?" E o Juiz Eterno dir-lhes-á: Já que desprezastes e recusastes minha graça , apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno (S. Mat. XXV, 34). Apartai-vos de mim, que nunca mais vos quero ver nem ouvir. Ide, ide, malditos, que desprezastes minha bênção..." Mas para onde, Senhor, irão estes desgraçados?... Ao fogo do inferno, para arder ali em corpo e alma..." E por quantos séculos?... Por toda a eternidade, enquanto Deus for Deus.

Depois desta sentença, abrir-se-á na terra um imenso abismo e nele cairão conjuntamente demônios e réprobos. Verão como atrás deles se fechará aquela porta que nunca mais se há de abrir... Nunca mais durante toda a eternidade!... Ó maldito pecado!... A que triste fim levarás um dia tantas pobres almas!... Ai! das almas infelizes às quais aguarda tão deplorável fim.

Meu Deus e meu Salvador! Já que declarastes pela boca do vosso Profeta: "Convertei-vos a mim, e eu me voltarei a vós" (Zac. I, 3), tudo abandono, renuncio a todos os gozos e bens do mundo, e converto-me, abraçando a Vós, meu amantíssimo Redentor. Recebei-me no vosso Coração e inflamai-me no vosso santo amor, de modo que jamais cogite em separar-me de Vós... Maria Santíssima, minha esperança, meu refúgio e minha mãe, ajudai-me e alcançai-me a santa perseverança. Amém!


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

A SENHORA APARECIDA

A SENHORA “APARECIDA”
 
                                                                                                                    Dom Fernando Arêas Rifan*



         No próximo dia 12,celebraremos a Padroeira do Brasil, nos 300 anos do achado milagroso da sua imagem. O Brasil em peso estará em prece pedindo sua proteção e bênção, especialmente no difícil momento político e social por que passamos.
        Tudo começou, quando, em 1717, por ocasião da visita do Conde de Assumar à cidade de Guaratinguetá, SP, foi pedido aos pescadores locais peixes para o banquete do nobre visitante. Três pescadores, amigos entre si, João Alves, Domingos Garcia e Filipe Pedroso, tentavam e não conseguiam os peixes que necessitavam, quando apanharam em suas redes uma pequena imagem truncada de Nossa Senhora da Conceição e a seguir, num lance de rede sucessivo, a cabeça da mesma imagem, conseguindo, num terceiro lance, imensa quantidade de peixes. A esse milagre sucederam muitos outros. A imagem foi chamada de “Aparecida” e colocada numa pequena capela que, com o tempo, tornou-se o monumental Santuário Nacional, maior centro de peregrinação do país.
        É óbvio que ali houve algo sobrenatural. Pois, como explicar que uma simples imagem, quebrada, sem uma intervenção divina e uma bênção especial da Mãe de Jesus, pudesse atrair milhões de pessoas em oração fervorosa, ininterruptamente, há quase três séculos?
        Em 1904, Nossa Senhora Aparecida, foi coroada Rainha do Brasil. No Congresso Mariano de 1929, quando se comemorou o Jubileu de Prata dessa Coroação, os bispos do Brasil decidiram enviar um pedido ao Papa para que declarasse Nossa Senhora Aparecida Padroeira de toda a nação brasileira. Este pedido tornou-se realidade através do Decreto do Papa Pio XI, de 16 de julho de 1930, no qual diz: “... Na plenitude de nosso Poder Apostólico, pelo teor da presente Carta, constituímos e declaramos a Beatíssima Virgem Maria concebida sem mancha, conhecida sob o título de Aparecida, Padroeira principal de todo o Brasil junto de Deus... concedendo isso para promover o bem espiritual dos fiéis no Brasil e para aumentar, cada vez mais, sua devoção à Imaculada Mãe de Deus...”.
        A proclamação oficial se realizou numa grande manifestação popular de um milhão de pessoas, no Rio de Janeiro, então capital federal, com o reconhecimento oficial do Governo do país, pela presença do seu Presidente, Dr. Getúlio Dornelles Vargas, e de outras autoridades civis, militares e eclesiásticas. Era o Brasil reconhecendo oficialmente sua padroeira.
        Que o Brasil, que nasceu católico desde a sua descoberta, cujo primeiro monumento foi um altar e uma cruz, que teve como primeira cerimônia uma Missa, que tem essa Senhora Padroeira, mostre-se digno de tais origens e de tal Patrona, em suas instituições, suas leis, seus governantes, sua política, seus legisladores, sua população e seu modo de viver, na verdadeira justiça e caridade, na ordem e no verdadeiro progresso, na harmonia e no bem comum, na lei de Deus e na coerência com os princípios da fé cristã, base da nossa identidade pátria e princípio de toda a convivência honesta, solidária e pacífica. 

 *Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

OS NOVÍSSIMOS SEGUNDO S. JOÃO BOSCO


"Em todas as tuas obras, lembra-te dos teus novíssimos, e nunca jamais pecarás" (Eclesiástico VII, 40).

A MORTE.
 A morte é a separação da alma do corpo e o total abandono das coisas deste mundo. Todos sabem que um dia devem morrer, mas ninguém sabe onde e como morrerá. Você não sabe se a morte o surpreenderá na sua cama ou no seu trabalho, na estrada ou em outro lugar. A ruptura de uma veia, um infarto, um tumor que talvez já esteja crescendo em seu organismo, uma  queda, um acidente, um terremoto, um raio e outras mil causas de que você nem suspeita agora, podem privá-lo da vida. E isto pode acontecer daqui a um ano, a um mês, uma semana, a uma hora e, talvez, apenas terminada a leitura desta meditação. Quantos se deitaram à noite com boa saúde e de manhã foram encontrados mortos! Quantos ainda hoje morrem de improviso! E onde se encontram agora? Se estavam na graça de Deus, felizes deles! São para sempre bem-aventurados. Mas se estavam em pecado mortal, agora estão eternamente perdidos! Diga-me, meu caro jovem, se você devesse morrer neste instante, que seria de sua alma?

Embora o lugar e a hora de sua morte lhe sejam desconhecidos; você sabe com certeza que vai morrer. Esperemos que a sua última hora não venha de repente, mas aos poucos, por uma doença comum. De qualquer modo virá um dia em que, estendido em sua cama, você estará prestes a passar à eternidade assistido por um sacerdote e cercado por parentes que choram. Você terá a cabeça dolorida, os olhos embaçados, a língua ressequida, um suor gélido e o coração fraquíssimo. Assim que a alma expirar, seu corpo será vestido e colocado num caixão. Aí os vermes começarão a roer suas carnes, e bem depressa de você não restarão a não ser poucos ossos descarnados e um pouco de pó. Experimente abrir um sepulcro e verá a que ficou reduzido aquele jovem antes cheio de saúde, aquele rico, aquele ambicioso, aquele orgulhoso!

Meu caro filho, ao ler estas linhas, lembre-se de que elas falam de você, como de todos os outros homens! Agora, o demônio, para induzi-lo a pecar, procura desviar sua atenção destes pensamentos e escusá-lo de suas culpas, dizendo-lhe não ser um grande mal aquele prazer, aquela desobediência, aquela omissão da Missa no domingo ou em dia santo, e assim por diante; mas quando chegar o momento da sua morte, será ele mesmo que vai lhe revelar a gravidade destes e dos outros pecados, e vai lançá-los diante de sua consciência. Que fará você então? Ai de você se, naquele momento, se achar em desgraça de Deus!

Não se esqueça, meu jovem amigo, de que daquele momento depende a sua eterna salvação ou a sua eterna condenação. Duas vezes temos diante de nós uma vela acesa: no Batismo e na hora da morte. A primeira vez para fazer-nos ver os preceitos da Lei divina que devemos cumprir, e a segunda para fazer-nos ver se os cumprimos. À luz daquela vela quantas coisas se verão! À luz daquela vela, você verá se amou a Deus ou se O desprezou; se honrou seu santo Nome ou se O blasfemou; você verá as festas profanadas, as Missas perdidas, as impurezas cometidas, os escândalos dados, os furtos, os ódios, as soberbas ... Oh! meu Deus, verei tudo naquele momento em que se abrirá diante de mim a porta da eternidade!

Grande e terrível momento do qual depende uma eternidade de glória ou de sofrimentos! Você está compreendendo o que lhe digo? Eu lhe digo que daquele momento depende o ir para o céu ou para o inferno; ser para sempre feliz ou desesperado; para sempre filho de Deus ou escravo de Satanás; para sempre gozar com os anjos e os santos no céu ou gemer e queimar para sempre com os condenados no inferno! Por isso, prepara-se para aquele grande momento fazendo logo um ato de contrição e, o mais depressa que você puder, uma boa e santa confissão. Decida-se, depois, a viver sempre na graça de Deus, porque como se vive assim se morre.

O JUÍZO PARTICULAR.

O juízo é a sentença que Jesus vai pronunciar no fim da nossa vida, com a qual fixará o destino de cada um por toda a eternidade. Assim que sua alma tiver saído do corpo, comparecerá diante do Juiz Divino, que lhe pedirá conta rigorosa do bem e do mal que você praticou na sua vida. Num piscar de olhos, como que numa luz repentina, você verá toda a sua vida posta em confronto com a vontade de Deus. Então você ficará horrorizado com os pecados cometidos dos quais não se arrependeu, com as orações desleixadas, com os escândalos dados. Verá as almas que, com seus maus exemplos, levou ao pecado, as quais o amaldiçoam no inferno e pedem sua condenação. Verá os demônios ansiosos para arrastá-lo consigo e, embaixo, o inferno escancarado para recebê-lo. Você tentará, então, levantar o olhar suplicante para a face de Cristo, mas não conseguirá manter o olhar. Invocará o auxílio de Nossa Senhora, mas Ela não poderá mais fazer nada por você. Então, não encontrando acolhida, gritará às montanhas e às pedras que o cubram e o aniquilem, mas elas não se moverão. Sua alma imortal não poderá de maneira alguma refugiar-se no nada. Nesta hora, você mesmo, reconhecendo a Justiça de Deus, invocará o inferno como uma libertação!
Meu caro jovem, você está ainda em tempo de evitar um juízo de condenação! Peça logo perdão a Deus de seus pecados e comece desde hoje uma vida verdadeiramente cristã. Naquele dia tremendo, você será feliz por ter amado a Jesus e ter observado seus mandamentos. Até os sofrimentos, que você padece agora, ser-lhe-ão naquele momento fonte de alegria. Viva, portanto, hoje como gostaria de ter vivido então!

O INFERNO.
Quem recusa Deus até o fim, isto é, até a hora da morte, continuará a recusá-Lo para sempre. Por isso, a Justiça divina, respeitando a livre escolha feita pela sua criatura, afasta-a para sempre de Si, deixando-a caminhar para o destino de quem recusou o Sumo Bem para escolher o sumo mal, o Inferno Eterno. A primeira pena que os condenados sofrem no inferno é a pena dos sentidos, que serão atormentados por um fogo que queima terrivelmente sem jamais se consumir. fogo nos olhos, fogo na boca fogo em todas as partes. Cada sentido  padece a própria pena conforme o mau uso que dele fez em vida. Os olhos são aterrorizados pela vista dos demônios e dos outros condenados. Os ouvidos só escutam uivos e prantos de desespero. O olfato sofre com o mau cheiro do enxofre e a boca com sede e fome canina.

O rico epulão, no meio dos tormentos do inferno, levantou o olhar para o céu e pediu, suplicante, uma gota d'água para refrescar a ardência de sua língua: mas até essa gota d'água lhe foi negada!
Oh! Inferno, Inferno! Quão infelizes são os que caem nos teus abismos! Meu caro, jovem, se você devesse morrer neste momento, para onde iria? Mas agora você não pode suportar um minuto o dedo na chama de uma vela sem gritar de dor, como poderá suportar o tormento de todas aquelas chamas por toda a eternidade?

A segundo pena que os condenados padecem no inferno é a pena do dano. Esta é, sem comparação, mais terrível que a dos sentidos, porque é a privação completa e eterna do Bem Infinito para o qual fomos criados. Como os nossos pulmões têm necessidade do ar para viver, assim a nossa alma tem necessidade de Deus; e como a morte por afogamento é a mais terrível que existe, assim não há pena mais insuportável para a alma do que a necessidade insopitável que sente de "respirar" Deus. Sem contar que o sofrimento do afogado dura poucos minutos, enquanto que o padecimento do condenado dura para sempre! E com a privação de Deus, o condenado é privado também da companhia dos Anjos, de Nossa Senhora, dos Santos e dos seus caros defuntos, que não verá nunca mais.

Caro jovem, como poderá ainda viver em pecado, agora que você conhece que terríveis penas esperam quem não se decide a amar a Deus verdadeiramente! Não adie a sua conversão! Tem certeza de que esta não será a última chamada, e, se não corresponde a ela, não terá outras para salvá-lo do inferno?

Considere, meu caro jovem, que se você for para o Inferno, nunca mais dele sairá! Pois no Inferno não só se sofrem todas as penas, mas todas eternamente. Passarão cem anos desde que você caiu no Inferno, passarão mil anos e o Inferno terá apenas iniciado; passarão cem mil, cem milhões, passarão mil milhões de séculos, e o inferno estará ainda em seu começo.

Se um Anjo levasse aos condenados a notícia de que Deus os quer libertar do Inferno, depois de passados tantos milhões de séculos quantas são as gotas d'água do mar, as folhas das árvores e os grãos de areia da terra, esta notícia lhes causaria a maior satisfação. "É verdade  -  diriam  -  que devem passar ainda tantos séculos, mas um dia hão de acabar!" Pelo contrário, passarão todos esses séculos e todos os tempos que se possam imaginar, e o Inferno estará sempre no princípio.

Se ao menos o pobre condenado pudesse enganar-se a si mesmo e iludir-se pensando: "Quem sabe, um dia talvez Deus poderá me arrancar deste tormento..." Mas não, nem isto será possível, porque foi o próprio condenado que, na hora da morte, firmou sua vontade contra Deus a tal ponto que não quer mudá-la mais agora que entrou na eternidade. Será ele mesmo a querer para sempre aquelas chamas que o queimam, aqueles demônios que o atormentam, e a rejeitar para sempre  aquele Deus que ele ofendeu!

Meu jovem amigo, compreende bem o que você está lendo? Uma pena eterna por um só pecado mortal que, talvez, cometeu com tanta facilidade! Escute, pois, o meu conselho: Se a consciência o acusa de algum pecado mortal (mesmo que seja um só), vá depressa confessar-se e comece logo uma vida boa. Para isto, escolha um santo sacerdote ao qual você poderá recorrer para pedir conselho e, se necessário, faça uma confissão geral, ou seja, que abranja toda a sua vida.

Lembre-se sempre de que, para não cair no Inferno, qualquer sacrifício que você possa fazer é bem pouca coisa, porque todos os sacrifícios que você possa fazer é bem pouca coisa, porque todos os sacrifícios deste mundo duram pouco, enquanto que o Inferno dura para sempre!

O PARAÍSO.

Tanto apavora o pensamento do Inferno, quanto consola a lembrança do Paraíso que Deus preparou para aqueles que O amam. Se você pudesse gozar ao mesmo tempo de todas as alegrias deste mundo, desde as belezas criadas até os alimentos mais saborosos, desde as músicas mais suaves até os afetos mais puros, saiba que tudo isso é nada em comparação com as alegrias que o aguardam no Céu!

Pense, com efeito, na alegria que experimentará encontrando-se com os seus parentes e amigos, que virão correndo ao seu encontro para acolhê-lo no meio deles; pense na beleza e nobreza dos Anjos e dos Santos que, aos milhões, louvam ao seu Criador. No Céu você verá a grande multidão de jovens que conservaram intacta a virtude da pureza e daqueles que a reconquistaram pelo arrependimento e pela penitência: e os verá todos felizes cumulados de uma felicidade que nunca lhes será tirada.

Mas saiba que todas as alegrias do Paraíso não são nada em comparação com a alegria que se experimenta ao ver a Deus! Como o sol ilumina e embeleza todo o mundo, assim Deus, com sua presença, ilumina e embeleza todo o Paraíso e enche seus bem-aventurados moradores de delícias inefáveis. N'Ele você verá, como num espelho, todas as coisas, gozará todos os prazeres, amará todos os Santos do Céu.

São Pedro, no monte Tabor, por ter contemplado uma só vez o rosto de Jesus radiante de luz, sentiu-se repleto de tanta doçura que, fora de si, exclamou: "Senhor, como é bom estar aqui!" E ali teria ficado para sempre. Pense, portanto, naquela sua alegria de poder contemplar e amar, não por um instante apenas, mas para sempre, aquele rosto divino que encanta os Anjos e os Santos e que embeleza todo o Paraíso!

E pense que alegria será para você contemplar e beijar o rosto puríssimo e amável de Maria Santíssima, que na terra você invocou tantas vezes e agora o recebe como filho caríssimo e o apresenta a Jesus!

Crie coragem, portanto, meu caro filho; se ainda lhe couber padecer alguma coisa neste mundo, não importa; o prêmio que o aguarda no Céu recompensará infinitamente todos os seus sofrimentos.


Então sim, você poderá dizer: "Estou salvo! Estarei para sempre com o Senhor!" Então sim, você bendirá o momento em que deixou o pecado, o momento em que fez aquela boa confissão e começou a frequentar os Sacramentos, o dia em que deixou as más companhias, as más leituras e os maus espetáculos... Então, cheio de gratidão, você se voltará para Deus e Lhe cantará seus louvores por todos os séculos. 

domingo, 8 de outubro de 2017

HOMILIA DOMINICAL - 18º Domingo depois de Pentecostes

Leituras: Primeira Epístola de São Paulo Apóstolo aos Coríntios 1, 4-8.


Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 9, 1-8:



 Naquele tempo, subiu Jesus a uma barca, atravessou para o outro lado e foi à sua cidade. E eis que Lhe apresentaram um paralítico, prostrado num leito. Vendo Jesus a fé que eles tinham, disse ao paralítico: Tem confiança, filho, os teus pecados te são perdoados. Pensaram logo alguns dos escribas em seu íntimo: Este homem blasfema. E Jesus, penetrando-lhes os pensamentos, disse: Por que pensais mal em vossos corações? Que é mais fácil dizer: Teus pecados te são perdoados ou dizer: Levanta-te, e anda? Pois, para que saibais, que o Filho do homem tem na terra o poder de perdoar pecados, disse, então, ao paralítico: Levanta-te, toma teu leito, e vai para a tua casa. E ele levantou-se e foi para a sua casa. As multidões, vendo isto, encheram-se de temor e glorificaram a Deus, que tal poder confiava aos homens. 


Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Lago (Mar) da Galileia ou Tiberíades ou de Genesaré.
Água doce, formado pelo Rio Jordão.
Em hebraico: Kinneret  que significa harpa, cujo formato o
lago imita. 
O que o Santo Evangelho de hoje nos relata deu-se no fim do primeiro ano da vida pública de Nosso Senhor Jesus Cristo. O relato de São Mateus, que é o de hoje, é o mais curto. Os Evangelistas São Marcos e São Lucas ajuntam alguns pormenores muito importantes e interessantes: São Lucas V, 17 diz: "Estavam ali Fariseus e Doutores da Lei, vindos de todas as cidades da Galileia, da Judeia e de Jerusalém". Isto mostra como já era grande a reputação do novo Profeta. São Marcos II, 2-5 diz: "Soube-se que Ele estava em casa, e juntou-se muita gente, de modo que não cabia nem mesmo diante da porta; e Ele pregava-lhes a palavra. E foram ter com Ele, conduzindo um paralítico, que era transportado por quatro. E como  não pudessem apresentá-lho por causa da multidão, descobriram o teto pela parte debaixo da qual estava Jesus; e, tendo feito uma abertura, arriaram o leito em que jazia o paralítico".  Esta casa certamente era a de São Pedro. É, de fato, na casa de São Pedro, na Igreja Católica, que Jesus opera ainda hoje, a cura de tantos enfermos corroídos pela lepra do pecado, e que estão paralíticos espiritualmente falando, impossibilitados pelo pecado mortal, de qualquer atividade meritória para o céu.  
As ruínas da casa de São Pedro em Cafarnaum. Vemos as
bases da casa e podemos distinguir as divisões da
construção. Fica à beira do Lago de Genesaré. Era
fácil para São Pedro pescar.
Aqui nesta casa se deu o milagre do Evangelho de hoje,
como também a cura da sogra de São Pedro. 
  Jesus pregava-lhes a palavra: vemos como Nosso Senhor não perdia nenhuma oportunidade de pregar a sua doutrina do reino dos Céus. 
  Eis que alguns conduziam num leito um paralítico... O pobre paralítico, por causa de sua doença, era incapaz de vir sozinho. Quatro homens transportavam-no, então, e estavam dispostos a não recuar diante de nenhum obstáculo até chegar ao pé de Jesus, tão grande era a sua confiança em Nosso Senhor. Admiremos e imitemos a caridade e a fé destes intrépidos homens. Eles ensinam-nos como devemos prestar auxílio aos pobres doentes e socorrê-los mesmo que nos pareça muito difícil. 
 São Mateus, o Evangelista da narração do Evangelho de hoje, diz que Jesus entrando numa barca, atravessou o Mar da Galileia e foi à sua cidade. A cidade de Jesus era Cafarnaum. Sabemos que Jesus era Judeu porque nasceu em Belém que fica na Judeia.  É também Galileu porque morou mais de vinte anos na casinha de sua Mãe Santíssima em Nazaré da Galileia. Mas, na sua vida publica de três anos, a sua moradia ordinária era em Cafarnaum. Esta cidade, era, portanto, o centro das suas excursões apostólicas na Galileia. Aí Jesus fez mais milagres do que em outros lugares. 
Sobre as ruínas da casa de São Pedro (foto acima), foi
construída esta igreja em estilo moderno. Tudo indica
que o arquiteto quis dar-lhe a forma de uma barca.
Esta construção protege inteiramente a casa de
São Pedro. 
  Caríssimos, depois destas observações, passemos para a explicação dos milagres. Neste Evangelho Nosso Senhor Jesus Cristo dá três provas irrefutáveis da sua Divindade: 1ª perdoando os pecados ao paralítico; 2ª descobrindo os pensamentos secretos dos Escribas e Fariseus; 3ª curando o paralítico da sua doença. 
  Vendo Jesus a fé daqueles homens, - os que conduziam o paralítico e o próprio doente, - disse ao paralítico: "Filho, tem confiança, os teus pecados te são perdoados". Belas palavras que o mundo nunca tinha ouvido. Jesus chama filho a este pobre enfermo quase abandonado. É esta uma expressão de amizade e de ternura que a Igreja conservou. Ela também diz ao penitente arrependido, que se lhe apresenta para receber a cura dos pecados - Meu filho! tem confiança, vai em paz! Todos os teus pecados foram perdoados! A única Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo recebeu d'Ele este poder divino de perdoar pecados: "A quem perdoardes os pecados, disse Jesus aos Apóstolos e aos seus sucessores, ser-lhes-ão perdoados" (São João, XX, 23). 
  Nosso Senhor, infinitamente sábio e bom, começa antes de tudo, por curar a alma deste infortunado, para provocar a admiração dos soberbos Fariseus, e manifestar-lhes o seu poder divino. Em segundo lugar, Jesus quer fazer-nos compreender que os bens espirituais estão infinitamente acima dos bens e dos lucros temporais; que os tesouros da graça e a vida da alma, são preferíveis às honras, às riquezas, à própria saúde e à vida do corpo, que, por conseguinte, é preciso, antes de tudo, ter piedade e ocuparmo-nos da nossa alma. É assim que Ele queria reformar as ideias falsas e mundanas de tantos cristãos da atualidade, que só apreciam e procuram a saúde e as vantagens materiais. Em terceiro lugar, Nosso Senhor quer fazer-nos compreender um mistério da justiça divina muito desconhecido ou muito esquecido, a saber: Nem sempre, mas, muitas vezes, os nossos pecados são a causa das doenças e doutros males que nos afligem. Talvez que Deus nos poupasse estes males ou os fizesse cessar, se fizéssemos verdadeira e sincera penitência dos nossos pecados. Lembremo-nos do povo de Nínive. 
  O primeiro milagre de Jesus, nesta circunstância, tinha sido curar a alma do paralítico, prova infalível da sua onipotência como Deus. Faz um segundo milagre, igualmente de ordem sobrenatural, o qual atesta a sua onisciência divina e deveria ter convertido estes homens soberbos. Jesus penetra os seus mais íntimos pensamentos. Só Deus vê o fundo dos corações: "Deus intuetur cor" diz a Bíblia. Jesus pondo a nu as suas murmurações interiores, prova-lhes que é Deus e que por isso pode perdoar os pecados.
   Mas Jesus vai dar ao povo uma terceira prova de que Ele é Deus: vai curar o paralítico. "Que é mais fácil dizer: Teus pecados te são perdoados ou dizer: Levanta-te, e anda? Pois, para que saibais , que o Filho do Homem tem na terra o poder de perdoar pecados, disse, então, ao paralítico: Levanta-te, toma o teu leito, e vai para a tua casa. E ele levantou-se e foi para a sua casa". 
  É, caríssimos, como se Nosso Senhor dissesse: vede como sois cegos e injustos! Vós desconheceis o meu poder sobre as almas. Ora para vos provar que todo o poder me foi dado por meu Pai sobre elas e sobre os corpos e que eu sou Deus como Ele, vou dar-vos um sinal visível e manifesto, isto é, vou fazer diante de vós um milagre, que podereis verificar por vós mesmos. Ele será a demonstração sem réplica de que tenho também o poder admirável e misterioso de perdoar os pecados.
  Em outras palavras: Se Jesus pode dizer a um paralítico - levanta-te e anda, - pode também perdoar-lhe os pecados. Se pode perdoar-lhe os pecados, é certamente Deus. Jesus deixa claro que lê no íntimo daqueles Fariseus os seus pecados de maus pensamentos, como vê também no íntimo da alma do paralítico, os seus pecados e seu arrependimento. Logo é Deus. Se faz milagres, se lê no íntimo das almas, é prova de ser Ele Deus. Por isso, pode perdoar os pecados. 
  Infelizmente, os Fariseus não se converteram. O orgulho é o sinal mais certo da condenação de uma alma. Também os fariseus de hoje não aceitam a consequência lógica das premissas estabelecidas por eles mesmos. 
   Pela graça de Deus, sabemos que Jesus Cristo é, ao mesmo tempo, Deus e Homem. Adoremo-Lo portanto com amor, agradeçamos-Lhe ter deixado aos seus ministros este sublime poder sobre as almas, poder maravilhoso e divino de perdoar os pecados e vamos pedir aos representantes de Deus, a cura da nossa pobre alma, todas as vezes que ela estiver doente, para recebermos novas forças, triunfarmos do demônio e alcançarmos a felicidade eterna. Amém!

domingo, 1 de outubro de 2017

HOMILIA DOMINICAL - 17º Domingo depois de Pentecostes

Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Efésios 4, 1-6: "Irmãos: Eu, que me acho preso pelo amor do Senhor, vos rogo que andeis como é digno da vocação a que fostes chamados; em toda humildade e mansidão, com paciência, suportando-vos uns aos outros na caridade e procurando guardar a união do Espírito, no vínculo da paz. Um só corpo e um só Espírito, como também sois chamados a uma só esperança por vossa vocação. Um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um Deus e Pai de todos, que está acima de todos e age em tudo e em todos nós. Seja Ele bendito pelos séculos dos séculos. Amém. 

Leitura do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 22, 34-46: "Naquele tempo, chegaram-se a Jesus os fariseus, e um deles, que era doutor da lei perguntou-Lhe para O tentar: Mestre, qual é o grande mandamento da Lei? Disse-lhe Jesus: Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo teu entendimento. Este é o máximo e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a este: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei, e os profetas. E estando juntos os fariseus, interrogou-os Jesus, dizendo: Que vos parece de Cristo? De quem Ele é Filho? Responderam-lhe: de Davi. Jesus lhes disse: Como, pois, em espírito, Davi o chama Senhor, dizendo: O Senhor disse a meu Senhor: Senta-te à minha direita, até que ponha os teus inimigos como escabelo de teus pés? Se, pois, Davi O chama Senhor, como é Ele o seu filho? E ninguém, pôde responder-Lhe uma só palavra; e desde aquele dia ninguém ousou mais fazer-Lhe perguntas".

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

A prática de hoje é extraída do Livro "INTIMIDADE DIVINA" do P. Gabriel de Santa M. Madalena, O. C. D.

1 - "Como Jesus, no curso da Sua vida terrena, não cessou de recomendar a caridade e a união fraterna, assim a Igreja, nas Missas dominicais, continua a inculcar-nos esta virtude. Hoje fá-lo servindo-se de um trecho da carta de S. Paulo aos Efésios (4, 1-6): 'Rogo-vos que andeis dum modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com paciência, suportando-vos uns aos outros por caridade, solícitos em conservar a unidade do espírito pelo vínculo da paz'. O chamamento que recebemos foi a vocação ao cristianismo, a vocação ao amor. Deus, caridade infinita, adota-nos como Seus filhos afim de que rivalizemos com a Sua caridade a tal ponto que seja o amor o vínculo que nos una a todos num só coração, como o Pai e o Filho estão unidos numa só Divindade pelo vínculo do Espírito Santo. 'Como Tu, Pai, o és em mim e eu em ti, que também eles sejam um em nós', pediu Jesus para nós (S.Jo. 17, 21).
   "Conservar a unidade pelo vínculo da paz": eis uma coisa fácil e difícil ao mesmo tempo. Fácil porque , quando o coração é verdadeiramente humilde, manso e paciente, tudo suporta com amor, tendo maior cuidado em se adaptar à mentalidade e aos gostos alheios do que em fazer valer os seus. Difícil porque, enquanto estivermos no mundo, o amor próprio, apesar de mortificado, tenta sempre ressurgir e afirmar os seus direitos, criando constantes ocasiões de choques recíprocos. Para os evitar é preciso muita renúncia de si mesmo e muita delicadeza para com os outros. Devemos persuadir-nos de que tudo o que perturba, enfraquece ou, o que é pior, destrói a união, não pode agradar a Deus, mesmo que o façamos sob pretexto de zelo. EXCETUANDO O CUMPRIMENTO DO DEVER E O RESPEITO PELA LEI DE DEUS, (os destaques são meus), devemos preferir sempre renunciar às nossas idéias, embora boas, a discutir com o próximo. Dá muito mais glória a Deus um ato de renúncia humilde a favor da união, dá muito mais glória a Deus a paz entre os irmãos, do que uma obra grandiosa que possa causar discórdia e desentendimento.

2 - "O excesso de personalismo, o grande desejo de agir cada um a seu modo são muitas vezes causa de divisões entre os bons. Dada a nossa limitação, as nossas ideias não podem ser de tal modo absolutas que não admitam as ideias dos outros. Se o nosso modo de ver é bom, reto, luminoso, pode haver outros igualmente bons e até melhores; por isso, em vez de o rejeitarmos por não sabermos renunciar a opiniões demasiado pessoais, é mais prudente, humilde e caritativo aceitar o modo de ver alheio, procurando conciliá-lo com o nosso. Este personalismo é inimigo da união, é um obstáculo para o maior êxito das obras e mesmo para o nosso progresso espiritual.
Jesus estava no Templo de Jerusalém. Tinha vindo
de Betânea: eis na foto um trecho da estrada. Era 2ª Feira
Santa. Jesus amaldiçoou uma figueira por não ter frutos:
Ação simbólica, isto é, uma parábola representada, invés
de contada.  Se fosse hoje, Jesus teria sido preso, porque
a árvore que Ele amaldiçoou, no dia seguinte já estava
seca. 
   "Na Epístola de hoje S. Paulo apresenta-nos todos os motivos que temos para nos mantermos unidos: '[sede] um só corpo e um só espírito como fostes chamados a uma só esperança pela vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos'. Se Deus quis salvar-nos e santificar-nos unidos a Cristo e formando com Ele um só corpo, dando-nos uma única vocação, uma única fé, uma única esperança e sendo Ele o Pai de todos, como pretenderemos salvar-nos e santificar-nos separando-nos uns dos outros? Se não queremos frustrar o plano de Deus e pôr em perigo a nossa santificação e salvação, temos de estar prontos para qualquer união. Lembremo-nos de que Jesus pediu para nós não só a união, mas a união perfeita: 'que sejam consumados na unidade' (S. Jo. 17, 23).
   "Também o Evangelho de hoje (S. Mt. 22, 34-46) vem reforçar este incitamento à união, visto Jesus repetir que o mandamento do amor do próximo é, juntamente com o do amor a Deus, o fundamento de 'toda a lei', de todo o cristianismo. Não desprezemos estes chamamentos contínuos à caridade e à união; a Igreja insiste neste ponto, pois nele insistiu Jesus, porque a caridade 'é o mandamento do Senhor e se ele é observado, basta' (S. João Evangelista).
   "(...) Terminemos com as palavras da Liturgia: "Onde há amor e caridade, aí habitais Vós, Senhor! O Vosso amor, o Cristo, congregou-nos num só corpo e num só coração; concedei-nos, pois, amarmo-nos com um coração sincero. Afastai de nós as dissenções e contendas; fazei que os nossos corações estejam sempre unidos em Vós e Vós sempre no meio de nós". Amém!