SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

domingo, 27 de novembro de 2016

HOMILIA SOBRE A EPÍSTOLA DO PRIMEIRO DOMINGO DO ADVENTO

  Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos 13, 11-14. 
                   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 21, 25-33. 

Observação: Neste ano, se Deus quiser, vamos fazer as homilias dominicais explicando as Epístolas. 

EPÍSTOLA DESTA SANTA MISSA DO 1º DOMINGO DO ADVENTO:

   "Irmãos: Sabeis que já é hora de despertar-vos do sono, pois, a salvação está agora mais perto de nós, do que quando abraçamos a fé. A noite passou e aproxima-se o dia. Renunciemos, portanto, às obras das trevas, e revistamo-nos das armas da luz. Caminhemos honestamente como quem anda em plena luz, não em excesso de comida ou de bebida, não em dissoluções e impurezas, nem em contendas e emulações. Pelo contrário, revesti-vos do Senhor Jesus Cristo."

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Primeiramente queria lembrar a todos que o pecador Agostinho, filho de Santa Mônica, passou definitivamente da trevas do erro e da morte do pecado para a luz da verdade e a vida da graça, através desta Epístola: Achando-se ele com seu amigo Alípio em um jardim, ouviu uma voz que lhe dizia: "Toma e lê". Impressionado com estas palavras misteriosas, segura o livro que vê ao seu lado e abre-o exatamente na página em que se encontra esta Epístola. Foi o golpe certeiro da graça a quebrar a última corrente férrea que ainda o detinha preso ao mundo de trevas e impurezas. Converteu-se! E oxalá, muitos e muitos lendo e meditando estas palavras inspiradas das Sagradas Escrituras, se convertam como aconteceu com Agostinho. 

   "Já é hora de despertarmos do sono".  Caríssimos, o sono é necessário para restaurar as forças, e por isto, reduz-nos à inércia. É indispensável para a vida física, mas referindo-se à vida espiritual, na linguagem ascética, o sono é sinônimo de negligência, de torpor nas coisas de Deus, é símbolo da tibieza. A alma vive esquecida de Deus, apegada que está muito mais à coisas exteriores da terra. Daí a oração ou é frequentemente omitida ou, então, feita com certo enfado. O mesmo acontece com a recepção dos sacramentos. A alma na tibieza fica alheia a todo amor divino e busca antes vãs consolações nos corações humanos. Quase não se mortifica. Preocupada com o tempo presente, não lhe interessam os destinos da vida futura. Nesta indolência espiritual a alma fica fraca e cai facilmente em pecado veniais deliberados e geralmente em quedas fatais. Do sono da alma passa facilmente à morte da alma. Por isso São Paulo define o pecado como sendo "obra das trevas". Na verdade é o príncipe das trevas que o inspira. E o pecado conduz ao reino das trevas. Por isso grita o Apóstolo: "Despojai-vos, pois, das obras das trevas" e "revistamo-nos das armas da luz". Devemos procurar a força na oração, meditação dos novíssimos, da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, procurar o força nos Sacramentos da Penitência e da Comunhão. Devemos estar acordados, bem vigilantes, para afastarmos as tentações do príncipe das trevas, com a mesma prontidão e energia com que afastamos uma brasa que cai em nossas vestes. 

   Assim com as palavras da Epístola da Missa deste 1º Domingo do Advento, São Paulo anima os tíbios a acordarem do sono do espírito; aos pecadores o Apóstolo ordena que rejeitem as obras das trevas. Aconselha os fracos que empunhem as armas da luz. A todos São Paulo exorta a que se revistam de Jesus Cristo. 

   Para terminar, caríssimos, vejamos o que significa afinal "revestir-se de Jesus Cristo". Significa tomar os mesmos sentimentos de Jesus Cristo, seguir a sua doutrina, imitar seus exemplos, reproduzir suas virtudes. Significa, outrossim, unir-se interiormente a Deus com o maior grau de santidade possível e exteriormente revelar, através da nossa conduta, a bondade, caridade, e doçura de Jesus Cristo. 

   Por isso, é com imensa tristeza que constatamos que muitos cristãos, em lugar de ser o perfume de Jesus Cristo entre os demais, violando, portanto, a missão que lhes cabe de revelarem Jesus aos homens, profanam com sua vida, a vida d'Aquele que deviam com suas virtudes honrar e glorificar. 

  Ó Jesus, fazei que, pela prática das virtudes, especialmente da humildade e mansidão, eu possa ser o bom odor vosso junto aos meus irmãos. Amém!

HOMILIA SOBRE A EPÍSTOLA DO 1º DOMINGO DO ADVENTO

   Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos 13, 11-14. 
                   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 21, 25-33. 

Observação: Neste ano, se Deus quiser, vamos fazer as homilias dominicais explicando as Epístolas. 

EPÍSTOLA DESTA SANTA MISSA DO 1º DOMINGO DO ADVENTO:

   "Irmãos: Sabeis que já é hora de despertar-vos do sono, pois, a salvação está agora mais perto de nós, do que quando abraçamos a fé. A noite passou e aproxima-se o dia. Renunciemos, portanto, às obras das trevas, e revistamo-nos das armas da luz. Caminhemos honestamente como quem anda em plena luz, não em excesso de comida ou de bebida, não em dissoluções e impurezas, nem em contendas e emulações. Pelo contrário, revesti-vos do Senhor Jesus Cristo."

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Primeiramente queria lembrar a todos que o pecador Agostinho, filho de Santa Mônica, passou definitivamente da trevas do erro e da morte do pecado para a luz da verdade e a vida da graça, através desta Epístola: Achando-se ele com seu amigo Alípio em um jardim, ouviu uma voz que lhe dizia: "Toma e lê". Impressionado com estas palavras misteriosas, segura o livro que vê ao seu lado e abre-o exatamente na página em que se encontra esta Epístola. Foi o golpe certeiro da graça a quebrar a última corrente férrea que ainda o detinha preso ao mundo de trevas e impurezas. Converteu-se! E oxalá, muitos e muitos lendo e meditando estas palavras inspiradas das Sagradas Escrituras, se convertam como aconteceu com Agostinho. 

   "Já é hora de despertarmos do sono".  Caríssimos, o sono é necessário para restaurar as forças, e por isto, reduz-nos à inércia. É indispensável para a vida física, mas referindo-se à vida espiritual, na linguagem ascética, o sono é sinônimo de negligência, de torpor nas coisas de Deus, é símbolo da tibieza. A alma vive esquecida de Deus, apegada que está muito mais à coisas exteriores da terra. Daí a oração ou é frequentemente omitida ou, então, feita com certo enfado. O mesmo acontece com a recepção dos sacramentos. A alma na tibieza fica alheia a todo amor divino e busca antes vãs consolações nos corações humanos. Quase não se mortifica. Preocupada com o tempo presente, não lhe interessam os destinos da vida futura. Nesta indolência espiritual a alma fica fraca e cai facilmente em pecado veniais deliberados e geralmente em quedas fatais. Do sono da alma passa facilmente à morte da alma. Por isso São Paulo define o pecado como sendo "obra das trevas". Na verdade é o príncipe das trevas que o inspira. E o pecado conduz ao reino das trevas. Por isso grita o Apóstolo: "Despojai-vos, pois, das obras das trevas" e "revistamo-nos das armas da luz". Devemos procurar a força na oração, meditação dos novíssimos, da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, procurar o força nos Sacramentos da Penitência e da Comunhão. Devemos estar acordados, bem vigilantes, para afastarmos as tentações do príncipe das trevas, com a mesma prontidão e energia com que afastamos uma brasa que cai em nossas vestes. 

   Assim com as palavras da Epístola da Missa deste 1º Domingo do Advento, São Paulo anima os tíbios a acordarem do sono do espírito; aos pecadores o Apóstolo ordena que rejeitem as obras das trevas. Aconselha os fracos que empunhem as armas da luz. A todos São Paulo exorta a que se revistam de Jesus Cristo. 

   Para terminar, caríssimos, vejamos o que significa afinal "revestir-se de Jesus Cristo". Significa tomar os mesmos sentimentos de Jesus Cristo, seguir a sua doutrina, imitar seus exemplos, reproduzir suas virtudes. Significa, outrossim, unir-se interiormente a Deus com o maior grau de santidade possível e exteriormente revelar, através da nossa conduta, a bondade, caridade, e doçura de Jesus Cristo. 

   Por isso, é com imensa tristeza que constatamos que muitos cristãos, em lugar de ser o perfume de Jesus Cristo entre os demais, violando, portanto, a missão que lhes cabe de revelarem Jesus aos homens, profanam com sua vida, a vida d'Aquele que deviam com suas virtudes honrar e glorificar. 

  Ó Jesus, fazei que, pela prática das virtudes, especialmente da humildade e mansidão, eu possa ser o bom odor vosso junto aos meus irmãos. Amém!

HOMILIA DOMINICAL - 1º Domingo do Advento

Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos, 13, 11-14.
                Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas, 21, 25-33: 

  "Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; e na terra consternação dos povos por causa da confusão do bramido do mar e das ondas, mirrando-se os homens de medo, na expectativa do que sobrevirá a todo o orbe, porque as forças do céu serão abaladas. Então, verão o Filho do homem vindo sobre uma nuvem com grande poder e majestade. Quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e erguei vossas cabeças, porque se aproxima a vossa redenção. E lhes propôs uma comparação: Vede a figueira e as demais árvores; quando começam a dar frutos, sabeis que o verão está perto. Assim também, quando virdes que se realizam estas coisas, sabei que está perto o Reino de Deus. Em verdade, vos digo que não passará esta geração, sem que tudo isto aconteça. Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão".

  Caríssimos e amados fiéis em Nosso Senhor Jesus Cristo!

  Coisa digna de nota, a Igreja começa e acaba o ano eclesiástico pelo Evangelho do fim do mundo, tomado em São Mateus para o último Domingo do ano litúrgico (24º depois de Pentecostes) e em São Lucas para hoje. É que ela, como boa Mãe, quer lembrar-nos que o pensamento do Juízo final deve acompanhar-nos durante toda a vida e, por assim dizer, dirigir todos os nossos atos, afim de excitar em nós um temor salutar e fazer-nos evitar o pecado e praticar a virtude. Já o Espírito Santo nos disse: "In omnibus operibus tuis, memorare novissima tua, et in aeternum non peccabis", "Em todas as tuas obras, meditar em teus novíssimos, e jamais pecarás" (Ecles., VII, 40). 
  Os anos sucedem-se e passam depressa, tudo se transforma, tudo envelhece, mas o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo é inalterável e eterno. Prendamo-nos, portanto, com a fé e amor a esta infalível verdade, a estas palavras de vida. Meditemo-la com o coração reto dispostos a praticá-la.

  "O monge São Metódio (+ 861), que converteu à fé cristã a Bulgária e outras nações bárbaras, era também um bom pintor. Um dia ele foi chamado pelo rei dos búlgaros, de nome Bógoris, o qual lhe disse: 'Deveis fazer-me um belo quadro para eu pôr em meu palácio, e quero que esse quadro represente coisas que metam medo a todos os que o olharem'.  -  É mister saber que esse rei era pagão e meio selvagem, e só se deleitava com caçadas de animais ferozes e cenas terríveis. O santo então, recomendando-se a Deus, pintou o Juízo Universal. 
  "No meio do quadro via-se Jesus Cristo em sua tremenda majestade entre as nuvens e num trono de glória, rodeado pelos anjos; à direita uma fila de pessoas com os rostos resplendorosos de luz (os justos); à esquerda uma multidão de pessoas monstruosas com caras horríveis; cheias de pavor e de desesperada angústia (os pecadores). Em baixo afinal se via um abismo cheio de figuras horrendas de demônios, e desse abismo saíam chamas ameaçadoras e foscas.  -  Quando o rei viu esse quadro, ficou impressionado e perguntou: 'Que espetáculo é esse tão magnífico e pavoroso?' - Aí Metódio lhe deu a seguinte explicação:

  - "Majestade, iniciou S. Metódio, esse quadro representa o Juízo Universal. Ficai sabendo que logo após a morte haverá, para todos, o Juízo Particular; isto é, deveremos todos comparecer perante Deus para dar contas do bem e do mal que tivermos feito em vida. Mas além do Juízo Particular, haverá outro Juízo, que se diz Universal, e este será feito por Jesus Cristo no fim do mundo no Vale de Josafá. Ao Juízo Universal deverão apresentar-se todos os homens do mundo, que existiram, que existem e que existirem: grandes, pequenos, soberanos e súditos, sábios e ignorantes, ricos e pobres, bons e maus'. - Ao ouvir isso, o rei já começava a empalidecer e indagou: 'Quando e como será o Juízo Universal?' - Responde Metódio: 'Esse dia ninguém o sabe, nem os Anjos do Céu, exceto apenas o Pai (Deus) (S. Mt. 24, 36). - Como depois se dará o Juízo, di-lo a Sagrada Escritura. Primeiro haverá sinais: guerras espantosas dos povos e dos reinos, que se lançarão uns contra os outros (S. Mt. 24, 7); pestes, carestias, terremotos (S. Mt. 24, 36 e sgs). Depois o sol escurecerá, e a lua não dará mais a sua luz, e cairão do céu as estrelas e haverá a destruição do Universo (S. Mt. idem). Depois virá do céu um dilúvio de fogo que destruirá tudo: terra autem, et quae in ipsa sunt opera, exurentur = a terra, porém, e todas as obras que há nela, serão queimadas (1ª São Pedro, III, 10). E então será grande a tribulação, como não houve desde o início do mundo. (S. Mt. ibid., 21). E tudo isso é verdade do Evangelho. 
  "Quando estiver tudo destruído pelo fogo, os Anjos soarão uma trombeta que se fará ouvir nos quatro ventos; e os mortos ressuscitarão: 'Num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta (porque a trombeta soará) os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos mudados'. (1ª Cor. XV, 52). E aí se dará um grande espetáculo. Todos os mortos, saídos de seus túmulos, da terra, do mar, dos abismos, deverão estar vivos. - Mas com que diferença! As almas dos bons, vindas do Céu, retomarão o seu corpo belo, resplandecente, impassível: 'Então os justos brilharão como o sol (S Mt. XIII, 43). As almas dos réprobos, surgidas do inferno, unir-se-ão a seus corpos que no entanto serão disformes, horríveis, esquálidos, cheirando mal. 
  "Depois virão os Anjos, e separarão os malvados dos justos. E os justos ficarão à direita, e os pecadores à esquerda. Não vos parece vê-los, Majestade!?... Todos os blasfemadores, caluniadores,, desonestos, soberbos, ladrões, avarentos, escandalosos, sacrílegos, serão separados dos bons; e, vendo-os, dirão com raiva: 'Eis aqueles de quem zombávamos em vida. Estultos que fomos! Julgávamos uma insensatez a sua vida: eis no entanto como se incluíram entre os filhos de Deus' (Sab. V, 3-5). 
  "Feita a separação, abrir-se-ão os Céus, e entre fileiras de Anjos aparecerá o sinal do Filho do Homem: a Santa Cruz. E aí bater-se-ão no peito todas as tribos da terra. E eis a descer nas nuvens Jesus Cristo com grande poder e majestade (S. Mt. XXIV, 30 e sgs). Aí os réprobos cairão como fulminados. E que berros de choro!!! Que pavor!!! Que desespero!!! ao passo que os justos rejubilar-se-ão!!!
  "Depois o divino Juiz fará exame público: manifestará as consciências todos, revelando as culpas, diante de todo o mundo. Depois pronunciará a sentença de bênção sobre os bons e a de maldição sobre os maus; e estes irão para o eterno suplício com os demônios: os justos ao contrário para a vida eterna. (S. Mateus, 25, 46): "Esses (os maus), disse Jesus, irão para o suplício eterno, os justos para a vida eterna". 
  
  "Eis, Majestade, concluiu o monge São Metódio, o que ouvistes do quadro pintado: mas é uma realidade: a tremenda verdade do Juízo, que é verdade do Evangelho". (Extraído do Livro "A PALAVRA DE DEUS EM EXEMPLOS" de autoria do Padre Mortarino). 

  Ao ouvir isso, o rei Bógoris ficou aterrorizado; fêz-se logo instruir na religião, e, iluminado pela graça de Deus, converteu-se ao Catolicismo, e com ele se converteram também os seus súditos. Todo o país da Bulgária se tornou católico. Amém!
   

sábado, 26 de novembro de 2016

A FINALIDADE DAS CONSOLAÇÕES DO DIVINO ESPÍRITO SANTO

   Só são consolados os que choram: Bem-aventurados os que choram porque serão consolados (S. Mateus V, 5).  Uma alma que se sente bem no seu desterro, que aí busca sua alegria, constantemente ocupada em afastar o que incomoda, a procurar o que a lisonjeia, não deve esperar nada da sabedoria do alto. "Mas a sabedoria, onde se encontra ela? O homem não conhece o seu valor, nem ela se encontra na terra dos que vivem em delícias" (Jó, XXVIII, 12 e 13). As consolações do Espírito Santo são a recompensa ordinária da generosidade que se sacrifica pela glória e serviço de Deus.

   Os Apóstolos foram açoitados por terem anunciado a Jesus Cristo, e não podem conter seu gozo: Os primeiros cristãos abraçaram a fé, expunham-se a todos os sofrimentos e à morte; São Lucas só fala das consolações de que estavam cheios: "A Igreja enchia-se da consolação do Espírito Santo" (Atos IX, 31).

   Entre as visitas do Espírito Santo, podem-se distinguir três: a) visita de compaixão, para nos curar, combatendo a cegueira do nosso espírito e a dureza do nosso coração; b) visita de provações, para nos purificar. Quer habitar em nossas almas; mas se as vê governadas pela natureza, sensuais, vaidosas, deixa-nos sentir o peso das nossas miséria, para nos obrigar a recorrer a Ele.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

COLÓQUIO COM JESUS SOBRE AS ALMAS DO PURGATÓRIO QUE CHEGAM NO CÉU


A ALMA: Meu dulcíssimo Jesus, como os discípulos de Emaús, quando falais ao meu íntimo, sinto-me inflamar o coração. Nesta visitinha que Vos venho fazer aqui no Tabernáculo, gostaria que continuásseis a descrever a chegada ditosa no Paraíso, das almas no Purgatório após a total purificação.



JESUS: Pois não, minha filha, fá-lo-ei  com muito gosto. Se ajudares sempre as almas do Purgatório haverá para ti um prêmio especial quando também, saindo do Purgatório, fores para o Céu. Então Eu irei ao teu encontro, cheio de doçura, jubiloso e sorridente, mas não estarei só. Comigo irá uma belíssima coroa de almas que tu logo reconhecerás... as almas dos teus caros, aquelas almas que tu tanto choraste, que tanto amaste ... uma a uma irão encontrar-te ... e tu as abraçarás, as estreitarás de encontro ao coração para não te separares delas jamais. Oh! como encontrarás belos aqueles rostos, como serenas aquelas frontes, como encantadores aqueles sorrisos! Quando viste pela última vez os teus caros, estavam desfeitos pela dor, pela agonia, pela morte! Mas então os verás felizes, bem-aventurados... e para sempre. Aquela alma que mais que nenhuma outra amaste sobre a terra, tua verás não já triste como era um dia, não já aflita, não já desventurada, mas radiante de glória, de felicidade, de amor eterno. Ela cairá em teus braços, os vossos corações confundirão as suas pulsações, e estareis juntos para sempre, por toda a eternidade, amar-vos-eis para sempre, gozareis juntos a mesma felicidade. E serei Eu, Eu mesmo, que então te restituirei ao coração as almas que agora recordas com tanto amor e com tantas lágrimas, como já um dia restituí à viúva de Naim o seu filho ressuscitado. A tua família, despedaçada agora pelos golpes repetidos da morte, será então reconstituída para não mais ser destruída. Então os doces nomes de pai, de mãe, de esposa, de filha, já não serão nomes perdidos entre as valas do cemitério, mas nomes que repousarão sobre almas adornadas de glória imortal, sobre almas que tornarão a ser tuas, eternamente tuas. E quando as tornarás tu a ver? Quando as abraçarás de novo? Quando despontará esse dia tão belo? Oh! esse dia está mais próximo do que tu pensas. As almas lá de cima já ensaiam os cânticos, já se preparam para vir ao teu encontro... Um pouco mais de sofrimento, e depois o Paraíso abrir-se-á também para ti: Deixa portanto as tristezas inconsoláveis para aqueles que não têm esperança; lança o teu olhar para além dos sepulcros, ergue o teu coração até à estrelas... mais acima ainda... em direção do Céu... Não ouves uma voz desconhecida, uma voz que emudeceu durante tantos anos, e que agora te chama, te convida e suspira por ti? ... Por ora é só uma voz... amanhã será um semblante... será um coração... será o amplexo eterno dos teus entes queridos. Mas, aproveita, filha, este tempo preciosíssimo de tua vida. Procure estar sempre na graça de Deus, esforça-te por crescer cada dia no meu amor e no de minha Mãe Santíssima. Sê caridosa, humilde, pura, em uma palavra, santa. É o que te desejo. Não só te espero no Céu, quero que estejas bem perto de Mim!


A ALMA: Dulcíssimo Jesus, enquanto essas vossas palavras penetravam em mim, eu sentia que a terra é realmente um vale de lágrimas, é desprezível quando assim olho para o Céu, para meus entes queridos que lá já estão ou estarão. O Céu é a casa de nosso Pai. Ali estará reunida um dia toda a família de Deus. Amém!

terça-feira, 22 de novembro de 2016

COLÓQUIO COM JESUS SOBRE O PURGATÓRIO


A ALMA:  Aqui estou novamente pela vossa graça, ó meu bom Jesus. Nesta visita a Vós aí bem pertinho de mim realmente presente no Santíssimo Sacramento sob às espécies de Pão, hoje quero ouvir  de Vós, no meu íntimo, vossas palavras consoladoras sobre o Purgatório. No último colóquio muito me consolastes! E realmente só Vós podeis consolar-me. Ó Jesus, mesmo sabendo que as almas do Purgatório voarão um dia para o Céu, quando medito naquelas palavras de Jó que a Vossa Santa Igreja coloca na boca das benditas almas do Purgatório: "Compadecei-vos de nós, compadacei-vos de nós pelo menos vós que sois nossos amigos" fico muito comovido e penso em fazer o máximo por elas.

JESUS: Minha filha, é verdade que existe o Purgatório, e é verdade que muitas almas vão para lá expiar os seus pecados veniais e as penas temporais que são como que restos de seus pecados perdoados pelo sacramento de minha Misericórdia, a Penitência,  mas que não foram inteiramente reparados a tempo na terra. Mas não é menos verdade que tu podes, com as tuas boas obras, aliviar as suas penas e apressar-lhes a hora da libertação. Pede-me, portanto, por aquelas almas padecentes, e fica sabendo que o teu desejo de as ver livres daquelas penas é nada em confronto com o ardente desejo que Eu tenho de as chamar para o Paraíso. Pede-me, ora incessantemente, e eu te ajudarei sempre numa obra de caridade tão bela. Vê: Eu estou aqui no Tabernáculo à tua disposição: não tens mais que tomar o meu Sangue e oferecê-Lo à justiça de meu Pai por aquelas almas... e crê que este Sangue fala mais alto no Céu que o do justo Abel sobre a terra. É sobretudo com a comunhão e com a Missa que podes tratar eficazmente a causa dos teus queridos mortos, porque então não és tu somente a orar, mas oro também Eu contigo, oro com as minhas chagas, com as minhas agonias, com a minha morte; e tu não sabes o poder que têm sobre o coração de meu Pai as orações eucarísticas do seu Filho! Alma querida, quando fazes a Comunhão ou assistes à Missa, as almas do Purgatório, principalmente as que te pertencem, olham-te lacrimantes, mas confiadas em que tu as queiras aliviar. Oh! se visses então como te olha a alma de tua mãe, de teu pai, aquelas almas que tu tanto amaste e choraste sobre a terra!... o teu coração certamente se enterneceria de compaixão e piedade, e não serias avara para com elas, fazendo o mínimo, mas o máximo. E almas sobremodo amigas de meus sacerdotes, como sois felizes em poder fazer o máximo: celebrar santas Missas pelas almas do Purgatório!!! Prometeste aos vossos entes queridos quando estavam para morrer, que jamais os esquecerias, que havias de orar sempre por elas... Talvez não chegastes a falar, mas do fundo do coração, fizeste este propósito: haverias de orar sempre por suas almas... Ora muito, portanto, por aquelas pobrezinhas, ora para dares também ao meu Coração a consolação de poder abraçá-las quanto antes no Paraíso. A caridade que usares para com elas ser-te-á recompensada já durante a vida, na hora da morte, e quando também tu estiveres no Purgatório; mas o prêmio mais belo tê-lo-ás quando, por tua vez, puseres o pé no limiar do Paraíso. Então Eu irei ao teu encontro, manso, jubiloso e sorridente, mas não estarei só. Comigo irá uma bela plêiade de almas que tu logo reconhecerás... as almas dos teus caros, aquelas almas que tu tanto choraste, que tanto amaste... uma a uma irão encontrar-te... e tu as abraçarás, as estreitarás de encontro ao coração para não te separares delas jamais. Oh! como encontrarás belos aqueles rostos, como serenas aquelas frontes, como encantadores aqueles sorrisos! Quando viste pela última vez os teus caros, estavam desfeitos pela dor, pela agonia, pela morte! mas então os verás felizes, bem-aventurados... e para sempre...!!!


A ALMA:  Como tenho que agradecer a Vós!!! Sois nosso Salvador! Por isso temos esta firme esperança, esta consolação sem par. Meu doce Jesus, na próxima visita que vou fazer a Vós aqui no Tabernáculo, ousaria pedir que continueis a falar-me sobre esta felicidade inefável no encontro convosco e com as almas bem-aventuradas lá na Jerusalém Celeste, na Pátria do Repouso Eterno. Meu Jesus, para isto peço-Vos a graça de aproveitar o melhor possível de minha vida para Vos amar de todo coração. Sois o único digno de todo o meu amor!!! Sois Deus e Vos fizestes Homem para poder me salvar. Sou constrangido a dizer com São Paulo que quem não vos amar, que seja anátema. Meu Jesus, eu Vos amo, mas aumentai o meu amor. Amém!

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

COLÓQUIO COM JESUS SOBRE OS FINADOS QUERIDOS


A  ALMA: Meu doce Jesus, quero desabafar um pouco convosco. Vós dissestes que viessem a Vós aqueles que estivessem acabrunhados. Meu Jesus querido, desde o dia de finados que ando triste ao pensar nos entes queridos, pai, mãe, irmão e outros parentes e grandes amigos que já partiram para a eternidade. Confesso, ó Jesus, que, às vezes choro, mas não penso que estou pecando porque Vós também chorastes  diante de túmulo do Vosso grande amigo Lázaro, irmão de Marta e Maria que tanto vos amavam e ajudavam.

JESUS: Querida, a tristeza que te enluta, as lágrimas que derramas nestes dias consagrados à piedade pelos defuntos, são caras ao meu coração, porque são acompanhadas de esperança cristã. Muito me agrada ver você fazendo a Novena pelas Almas do Purgatório. Tu deves esperar que os teus queridos finados estejam em lugar de salvação, porque a minha misericórdia é imensa e infinita. Podes ficar certa, querida alma, quando os teus caros agonizavam eu estava lá junto deles; estava lá, não para fulminá-los com o meu rigor, mas para salvá-los com a minha graça. Morri na Cruz por eles! O que se passou entre mim e aquelas almas está escrito no livro dos meus segredos; um dia, porém, tu lerás este livro, e verás quão grande foi a minha misericórdia. Por ora basta que saibas que naquelas horas extremas Eu não abandono um só momento a alma cristã às insídias do demônio, mas assisto-lhe, defendo-a, protejo-a e ofereço-lhe todas as graças necessárias para salvar-se. Naqueles momentos o mundo para ela já não tem atrativos, as paixões já não têm mais alimento, e Eu me aproximo da alma e lhe pergunto: queres-me? Uma alma que me custou o Sangue da veias, ainda que me não tenha amado durante a vida, Eu não posso abandoná-la antes de tentar todos os esforços para salvá-la; e um ato só de amor, e até um simples desejo de amar-Me, que eu veja no seu coração, não é de mim rejeitado e tem infalivelmente a sua recompensa. Ora, quem pode assegurar que uma alma agonizante, no momento de apresentar-se no meu tribunal, não conceba ao menos o desejo de ser minha amiga! Portanto não sejas tão fácil em crer que uma alma se tenha perdido, e espera (sou Eu que to ordeno!) espera sempre que esteja em lugar de salvação. A Igreja que fala sempre inspirada por mim, muitíssimas vezes te assegura que certas almas estão no Paraíso, mas nunca disse nem dirá jamais que uma determinada alma tenha caído no inferno.


A ALMA: Lá de meu íntimo, eu Vos agradeço! Que conforto para mim, ó doce Jesus! Rezarei sempre pelas almas dos falecidos, confiada na vossa misericórdia infinita!

domingo, 20 de novembro de 2016

HOMILIA DOMINICAL - 24º no próprio do tempo e último domingo do ano litúrgico Domingo depois de Pentecostes (24º no próprio do tempo)

Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Colossenses, 1, 9-14.
                 Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus, 24, 15-35:


     Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: "Quando virdes no lugar santo a abominação da desolação, que foi predita pelo profeta Daniel, quem ler, entenda. Então, os que estiverem na Judeia, fujam para os montes; e o que se achar no terraço, não desça para ir buscar coisa alguma de sua casa; e o que estiver no campo, não volte para tomar a sua túnica. Ai, porém, das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! Rogai, pois, que a vossa fuga não seja nem no inverno, nem em dia de sábado. Porque haverá grande aflição, qual nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem jamais haverá. E se estes dias não fossem abreviados, ninguém se salvaria; mas, por causa dos Eleitos, serão abreviados esses dias. Então, se alguém vos disser: Aqui está Cristo, ou Ele está ali, não lhes deis crédito. Porque, se levantarão falsos Cristos e profetas, e farão tão grandes prodígios e milagres, que (se fosse possível) até os Eleitos seriam enganados. Vede que já vo-lo predisse. Se, pois, vos disserem: Ei-lo, está no deserto, não saiais. Ei-lo, aqui, no interior da casa, não lhes deis crédito. Porque, como o raio parte do Oriente e é visível até o Ocidente, assim, será a vinda do Filho do homem. Onde quer que esteja o corpo, aí se ajuntarão as águias. Logo após a tribulação daqueles dias, o sol se escurecerá, a lua não dará mais a sua luz, as estrelas cairão do céu, e as forças do céu serão abaladas. Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu, com grande poder e glória. E enviará seus Anjos com forte clamor de trombetas e reunirão os eleitos, dos quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus. Da figueira aprendei, pois, uma comparação. Quando seus ramos já estão tenros e as folhas brotam, sabeis que já está próximo o verão; assim, também, quando virdes todas estas coisas, sabei que o Filho do homem está perto, às portas. Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estas coisas se cumpram. Passará o céu e a terra, mas minhas palavras não passarão". 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

  Estamos no último Domingo do Ano Litúrgico. É a profecia de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre a ruína de Jerusalém e sobre o fim do mundo.  Para boa compreensão deste Evangelho não se deve perder de vista que Nosso Senhor fala, ao mesmo tempo, da ruína de Jerusalém e do fim do mundo. Os desastres espantosos e extraordinários que assinalaram o fim do povo judeu, são apenas uma imagem da confusão e desordem que há de preceder o fim do mundo. Jesus parece ter diante de si, um só espetáculo, onde estão confundidos estes dois acontecimentos, e os pormenores que Ele profetisa, são aplicáveis, ora à tomada de Jerusalém, ora ao fim do mundo, ora aos dois fatos indistintamente.
  Em resumo Jesus Cristo ensina: que o Templo e a cidade de Jerusalém serão destruídos; que no fim do mundo (que só Deus sabe quando é) Ele voltará  em sua glória para julgar todos os homens. O Divino Mestre alerta os seus discípulos que não devem dar crédito aos falsos cristos que aparecerão e nem temer as perseguições, mas perseverar até o fim. Devem estar sempre preparados, porque o dia do juízo virá como um ladrão, quando menos se esperar. Alguns sinais, no entanto, podem indicar sua proximidade.
  Pouco depois da morte de Nosso Senhor, surgiram muitos falsos profetas que inculcavam como o Messias. Tinham por objetivo principal sublevar o povo contra a odiosa dominação dos romanos, e, entre muitos distinguiram-se Teudas que arrasta as multidões a caminho de Jerusalém, levando-as a acreditar que o Jordão se abriria à sua passagem; Barchochebas e Simão, o Mago, que multiplica simulacros de prodígios e esparge redes de enganos.
Tijolos com o nome da "X Legio" romana e com o símbolo
do javali, encontrados em Jerusalém. A X  Legio era uma das
Legiões que estavam sob o comando de Tito e que, no ano
70 d.C., destruiu Jerusalém. 
  Os Anais do historiador pagão Tácito, e as Antiguidades, de Josefo, são como que um comentário das palavras evangélicas. Aos ruídos de guerra sucede a própria guerra, guerra de morte na Palestina, em todas as regiões do Império. A esterilidade é contínua - dizia o historiador Suetônio. Perto de Nápoles. o solo tremia já com rugidos sinistros. Jerusalém e Roma estremeciam com um terremoto, e se sentia já o começo das dores, quer dizer, a perseguição, as cruzes, as bestas, as luminárias, erguidas, soltas, acesas pelo verdugos de Nero. E chega a abominação da desolação; o Templo convertido em cidadela das tropas do governador da Síria, a cidade entregue à tirania, o efod pontifical adornando o peito de um labrego, as hordas de João de Giscala fechando as portas da cidade, e Tito caminhando a marchas forçadas, para erguer à sua volta fossos, torres e muros e fazer dela o sepulcro do povo de Israel. "Jamais povo algum, - dizia Josefo - terá sofrido tantas calamidades, misturadas com tantos crimes". O próprio Tito, imperador Romano, confessava que Deus tinha combatido pelos sitiantes, cegando os judeus e arrancando-lhes os seus baluartes inexpugnáveis. Em sete meses de assédio, morreu mais de um milhão de homens, e os que ficaram foram distribuídos por todas as províncias do Império com a marca de escravos na fronte. Josefo diz que tal foi a fome, que as mães chegaram a devorar os próprios filhos. Se as desgraças do mundo inteiro desde a criação, fossem comparadas às que os judeus sofreram então, achar-se-iam inferiores a elas".
Pináculo do Templo de Jerusalém
  Segundo São Jerônimo, é preciso ter estado na Palestina para julgar da situação das suas cidades e praças, após o seu tremendo castigo. "Apenas se descobrem, diz ele, alguns vestígios de ruínas onde outrora se levantaram grandes cidades. Os pérfidos vinhateiros, depois de ter assassinado os servos, e, finalmente, o Filho de Deus, não têm mais agora o direito de entrar na cidade de Jerusalém senão para chorar, e ainda para que lhes seja permitido chorar sobre as ruínas da cidade santa, são obrigados a pagar um certa soma de dinheiro. Os que outrora tinham comprado o sangue de Jesus Cristo, compram agora as suas próprias lágrimas. Vede este povo lúgubre que chega no aniversário da tomada de Jerusalém e da sua destruição pelos romanos. Essas velhas decrépitas, estes velhos carregados de anos e andrajos, são outras tantas testemunhas da cólera de Deus. O bando miserável se reúne, e enquanto brilha o instrumento do suplício do Salvador na Igreja da Ressurreição, enquanto o estandarte da Cruz está deslumbrantemente desdobrado por sobre o monte das Oliveiras, este povo desgraçado chora sobre as ruínas do seu Templo".
  Sobre o Templo de Jerusalém Jesus dissera que não ficaria pedra sobre pedra. Esta profecia se cumpriu no ano 70, quando depois de tomarem Jerusalém, os soldados chefiados por Tito atearam fogo ao Templo. Mais tarde Juliano Apóstata, com a intenção de reedificá-lo, destruiu completamente a parte que ficara.
  Caríssimos, no próximo domingo, se Deus quiser, meditaremos mais especialmente sobre o fim do mundo e o juízo universal.


    

terça-feira, 15 de novembro de 2016

CATECISMO SOBRE O SACERDOTE DADO PELO SANTO CURA D'ARS



   Meus filhos, chegamos ao sacramento da Ordem. É um sacramento que parece não dizer respeito a ninguém dentre vós, e que diz respeito a toda gente. Esse sacramento eleva o homem até a Deus. Que é o sacerdote? Um homem que ocupa o lugar de Deus, um homem que é revestido de todos os poderes de Deus. "Ide, diz Nosso Senhor ao sacerdote, assim como meu Pai me enviou, assim eu vos envio... Todo poder me foi dado no céu e na terra. Ide, pois, instruí todas as nações... Quem vos escuta a mim escuta; quem vos despreza a mim despreza".
   Quando o padre perdoa os pecados, não diz: "Deus te perdoe". Diz: "Eu vos absolvo". Na consagração, ele não diz: "Isto é o corpo de Nosso Senhor". Diz: "Isto é o meu corpo".
   São Bernardo diz que tudo veio por Maria. Podemos dizer também que tudo nos veio pelo sacerdote: sim, todas as venturas, todas as graças, todos os dons celestes.
   Se não tivéssemos o sacramento da Ordem, não teríamos Nosso Senhor. Quem foi que o pôs aí neste tabernáculo? Foi o padre. Quem foi que recebeu vossa alma à entrada na vida? O padre. Quem a alimenta para lhe dar a força de fazer a sua peregrinação? O padre. Quem a prepara para comparecer perante Deus, lavando essa alma pela primeira vez no sangue de Jesus Cristo? O padre, sempre o padre. E se essa alma vier a morrer, quem a ressuscitará? Quem lhe restituirá a calma e a paz? Ainda o padre. Nos vos podeis lembrar de um só benefício de Deus sem encontrardes, ao lado dessa lembrança, a imagem do padre.
   Ide-vos confessar à Santíssima Virgem ou a um anjo: eles vos absolverão? Não. Dar-vos-ão o corpo e o sangue de Nosso Senhor? Não. A Santíssima Virgem não pode fazer descer seu divino Filho à hóstia. Tivésseis aí duzentos anjos, e eles não poderiam absolver-vos. Um padre, por mais simples que seja, pode-o; pode dizer-vos: "Ide em paz, eu vos perdôo". Oh! como o padre é alguma coisa de grande!
   O padre só será bem compreendido no céu... Se o compreendêssemos na terra, morreríamos, não de pavor, mas de amor...
   Os outros benefícios de Deus de nada nos serviriam sem o padre. De que serviria uma casa cheia de ouro, se não tivésseis ninguém para vos abrir a porta? O padre tem as chaves dos tesouros celestes; é ele quem abre a porta; ele é o ecônomo de Deus, o administrador dos seus bens.
   Se não fosse o padre, a morte e a paixão de Nosso Senhor de nada serviriam. Vede os povos selvagens: de que lhes serviu que Nosso senhor morresse? Ai! eles não poderão ter parte nos benefícios da redenção enquanto não tiverem padres para lhes fazerem a aplicação do seu sangue.
   O padre não é padre para si; não dá a si a absolvição, não administra a si os sacramentos. Ele não é para si, é para vós.
   Depois de Deus o sacerdote é tudo!... Deixai uma paróquia vinte anos sem padre, adorarão ali os animais.
   Se o senhor missionário e eu fôssemos embora, vós diríeis: "Que fazer nesta igreja? Não há mais missa. Nosso Senhor não está mais nela, tanto vale rezar em casa..."
   Quando se quer destruir a religião, começa-se por atacar o padre, porque onde quer que não haja mais padre, não há mais sacrifício, e onde não há mais sacrifício, não há mais religião.
   Quando um sino vos chama à igreja, se vos perguntassem: "Onde ides?" Poderíeis responder: "Vou alimentar minha alma". Se vos perguntassem, mostrando -vos o tabernáculo: "Que é essa porta dourada? É a copa: é o guarda-comida de minha alma. Quem é que tem a chave dele, quem faz as provisões, quem apronta o festim, quem serve à mesa? É o padre. - E a comida? - É o precioso Corpo de Nosso Senhor..." Ó meu Deus, meu Deus, como nos amastes!
   Vede o poder do padre! A língua do padre, de um pedaço de pão faz um Deus! É mais que criar o mundo. Alguém dizia: "Santa Filomena obedece então ao Cura d'Ars? Certo, ela bem pode obedecer-lhe, já que Deus lhe obedece.
   Se eu encontrasse um padre e um anjo, cumprimentaria o padre antes de cortejar o anjo. Este é amigo de Deus, mas o padre faz as vezes de Deus... Santa Teresa beijava o lugar por onde um padre havia passado...
   Quando virdes um padre, deveis dizer: "Eis aquele que me tornou filho de Deus e me abriu o céu pelo santo batismo, aquele que me purificou depois do meu pecado, que dá a comida a minha alma..." À vista dum campanário, podeis dizer: "Que há ali? - O corpo de Nosso Senhor. - E por que está ele ali? - Porque um padre passou por ali e disse missa".
   Que alegria tinham os apóstolos depois da ressurreição de Nosso Senhor, por verem o Mestre que tanto haviam amado! O padre deve ter a mesma alegria vendo Nosso Senhor que ele segura nas mãos...  Dá-se grande valor aos objetos que foram depositados na escudela da Santíssima Virgem e do Menino Jesus em Loreto. Mas os dedos do padre, que tocaram a carne adorável de Jesus Cristo, que mergulharam no cálice onde esteve o seu sangue, no cibório onde esteve o seu corpo, não são porventura mais preciosos?...
   O sacerdote é o amor do Coração de Jesus. Quando virdes o padre, pensai em Nosso Senhor Jesus Cristo.

domingo, 13 de novembro de 2016

HOMILIA DOMINICAL - 26º Domingo depois de Pentecostes (6º depois da Epifania transferido)

   Estamos no 25º Domingo depois de Pentecostes; transfere-se para hoje o 6º Domingo depois da Epifania. 

  Leituras: Primeira Epístola de São Paulo Apóstolo aos Tessalonicenses, 1, 2-10.
                  Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus, 13, 31-35:


Dizem os Santos Evangelhos : "Naquele mesmo dia
saiu Jesus de casa e sentou-se à beira do mar.
Reuniu-se tanta gente perto dele, que subiu à uma
barca, onde se sentou, ficando todo o povo
na praia. E falou-lhes muitas coisas em parábolas".
As duas parábolas do Evangelho deste Domingo
foram feitas neste sermão.
Faz alguns anos que houve uma grande seca
na Galileia; o nível das águas do Lago de
Genesaré ficou muito baixo. Foi então encontrada
uma barca afundada na argila, que segundo os
cientistas dataria entre os anos 100 AC e 100 DC.
Seria a barca na qual Jesus pregou? Este detalhe
não é possível ser verificado pelas ciências.
Tive oportunidade de ver esta barca (foto) no
Museu construído ao norte da antiga
Magdala.
  Naquele tempo, propôs Jesus ao povo esta parábola: O Reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda, que um homem tomou e semeou em seu campo. Este grão é, em verdade, a menor de todas as sementes, mas depois de crescida, é a maior de todas as hortaliças e chega a tornar-se uma árvore, de maneira que as aves do céu vêm e fazem seus ninhos entre os seus ramos. Disse-lhes ainda outra parábola: O Reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até que ela fique levedada. Todas estas coisas disse Jesus ao povo, em parábolas; e não lhe falava senão em parábolas, para que se cumprisse o que estava escrito pelo Profeta? Abrirei em parábolas os meus lábios e publicarei coisas ocultas desde a criação do mundo.

  Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

  Neste domingo a Santa Igreja apresenta para nossa meditação, mais duas parábolas: a do grão de mostarda e a do fermento. 
   Os Santos Padres dão-nos vários sentidos da parábola do grão de mostarda: 
   1º - PRIMEIRA SIGNIFICAÇÃO:  A pregação do Evangelho, isto é, da doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo. Desde o princípio, com efeito, a pregação da doutrina  de Nossos Senhor foi como uma semente muito pequena, como um grão de mostarda, lançado primeiramente pelo próprio Divino Mestre e pelos Apóstolos na Judeia e depois em toda terra, no meio de contradições e de perseguições. Jesus dizia: "Quando Eu for levantado da terra, atrairei tudo a mim". E São Paulo diz: "Prego a Jesus crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios". Mas este grão de mostarda germinou, cresceu e fez-se árvore (na palestina o pé de mostarda chega até a três metros de altura) em que as aves do céu, isto é, as almas fiéis e generosas vêm pousar em multidão, à espera de voarem para o Céu. 
  2º - SEGUNDA SIGNIFICAÇÃO: A Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. Como o grão de mostarda, a Igreja era pequena em seus começos, e está hoje espalhada por todo o mundo; tornou-se uma grande árvore onde os pássaros, isto é, os cristãos de todos os séculos, vêm buscar abrigo e alimento. Os grandes e belos ramos desta grande árvore são os ensinos que saem do firmíssimo tronco, que é a Igreja. As almas nobres e verdadeiramente aladas, os que sabem erguer-se acima das misérias da vida, encontram repouso, paz e tranquilidade, à sombra de sua doutrina.
  O escândalo da cruz, a severidade da sua moral, as heresias nascentes, as terríveis perseguições durante séculos, devastando pastores e ovelhas, tudo isto parecia condenar a Igreja ao desaparecimento, como acontece com um grãozinho de mostarda que cai no chão e é pisado. Mas, ó maravilha! o pequenino grão de mostarda (já figurado pela pequenina pedra desprendendo-se da montanha, e mostrado ao profeta Elias sob a figura da pequenina nuvem que, pouco a pouco, se avoluma no horizonte) desenvolve-se admiravelmente de século para século, e transforma-se numa grande árvore que estende seus ramos até aos confins da terra e cobre o mundo inteiro com a sua benéfica sombra. 
  3º - TERCEIRA SIGNIFICAÇÃO: A graça de Deus em nossas almas. A graça é, muitas vezes, no princípio, quase imperceptível: é um bom pensamento, uma santa inspiração, uma secreta impulsão, um bom exemplo, uma simples palavra... Mas esta graça germina, cresce, aumenta na alma, torna-se como uma grande árvore, e produz frutos de santidade e de salvação, que edificam e alegram toda a Igreja. 
  4º - QUARTA SIGNIFICAÇÃO: O próprio Nosso Senhor Jesus Cristo: Referindo-se à sua Morte e Ressurreição Jesus disse que, se o grão não cair na terra e morrer, não germina e nem dá fruto. Tendo aparecido na terra pobre e humilde, vive nela vida obscura e pobre e é perseguido, reduzido a quase nada como um verme, na Sua Paixão; é sepultado e como que semeado na terra... Mas sai de lá triunfante e glorioso, estendendo a sua doutrina e o seu poder por toda a terra, e recebendo as adorações do mundo inteiro.

 Vejamos agora a parábola do fermento. Esta parábola parece-se com a da mostarda; mas suscita uma ideia de certo modo diferente. Se a parábola do grão de mostarda nos revela a expansão gradual do Evangelho e o seu extraordinário desenvolvimento, esta do fermento faz-nos ver o trabalho interior da graça na alma dos eleitos.
  Com efeito, aqui o fermento é tomado como figura da graça de Deus, que infundida em nossas alma por meio dos sacramentos, ali se desenvolve insensivelmente e produz frutos de santidade e de salvação, se não lhe pomos obstáculos. É mister o fervor, o calor do amor de Deus para que este fermento divino tenha todo o efeito em nossa alma. Aqui pensamos especialmente no Santíssimo Sacramento da Eucaristia. O pão eucarístico que a Igreja nos dá e que é posto em nós como um fermento sagrado, para nos penetrar, mudar e transformar em Jesus Cristo, fazer de nós com Ele, um mesmo espírito e uma mesma carne, a fim de que nos tornemos um pão místico, digno de ser oferecido a Deus. Todos os fiéis que comungam, e mais especialmente os que comungam com frequência, deveriam ser para todos aqueles que os cercam ou que eles frequentam, quer fossem cristãos quer descrentes, um como fermento salutar; isto é, assim como o fermento transforma a massa, assim, o verdadeiro cristão deve operar, naqueles com quem se mistura, uma feliz transformação, convertendo-os, tornando-os melhores, fazendo deles frutos saborosos, dignos e fiéis discípulos de Jesus Cristo.
  Senhor Jesus, abri os olhos da nossa alma, para que compreendamos as celestes instruções que nos dais em vossas divinas parábolas. Amém!
  

terça-feira, 8 de novembro de 2016

CATECISMO DO SANTO CURA D'ARS SOBRE O SOFRIMENTO

   Queiramos ou não, temos que sofrer. Há uns que sofrem como o bom ladrão, e outros como o mau. Ambos sofriam igualmente. Mas um soube tornar seus sofrimentos meritórios; aceitou-os em espírito de reparação, e, voltando-se para o lado de Jesus crucificado, recolheu-lhe da boca estas belas palavras: "Hoje estarás comigo no paraíso". O outro, ao contrário, dava urros, vociferava imprecações e blasfêmias, e expirou no mais horroroso desespero.
   Há duas maneiras de sofrer; sofrer amando e sofrer sem amar. Os santos sofriam tudo com paciência, alegria e perseverança, porque amavam. Nós sofremos com cólera, despeito e frouxidão, porque não amamos. Se amássemos a Deus, amaríamos as cruzes, desejá-las-íamos, comprazer-nos-íamos nelas... Folgaríamos de poder sofrer por amor daquele que se dignou sofrer por nós. De que nos queixamos? Ai! os pobres infiéis, que não têm a ventura de conhecer a Deus e suas amabilidades infinitas, têm as mesmas cruzes que nós; mas não têm as mesmas consolações.
  Dizeis que é duro? Não, é doce, é consolador, é suave: é a felicidade!... Somente há que amar sofrendo, há que sofrer amando.
   No caminho da cruz, vede, meus filhos, só o primeiro passo custa. É o temor  das cruzes que é a nossa maior cruz...
   Não temos coragem de carregar a nossa cruz, andamos bem errados; porquanto, façamos o que fizermos, a cruz nos apanha, não lhe podemos escapar.
   Que temos pois a perder? porque não amarmos as nossas cruzes e não nos servirmos delas para irmos para o céu?... Mas, ao contrário, a maioria dos homens voltam as costas às cruzes e fogem diante delas. Quanto mais correm, tanto mais a cruz os persegue, tanto mais os fere e os esmaga de fardos... Se quereis ser prudentes, caminhai ao encontro dela como Santo André, que dizia, vendo a cruz erguer-se para ele nos ares: Salve, ó boa cruz! ó cruz admirável! ó cruz desejável!... recebe-me nos teus braços, retira-me de entre os homens, e restitui-me ao meu Mestre que me remiu por ti".
   Escutai bem isto, meus filhos: Aquele que vai ao encontro da Cruz, anda em sentido oposto às cruzes; encontra-as talvez, mas fica contente de encontrá-las; ama-as; carrega-as com coragem. Elas o unem a Nosso Senhor; tiram-lhe do coração todos os obstáculos; ajudam-no a atravessar a vida, como uma ponte ajuda a passar a água.
   Um bom religioso queixava-se um dia a Nosso Senhor de que o perseguiam. Dizia: "Senhor, que fiz eu para ser tratado assim?" Nosso Senhor respondeu-lhe: "E eu, que tinha feito quando me levaram ao calvário?... Então o religioso compreendeu, chorou, pediu perdão e não ousou mais queixar-se.
   As pessoas do mundo desolam-se quando têm cruzes, e os bons cristãos desconsolam-se quando não as têm. O cristão vive no meio das cruzes como o peixe vive n'água.
   Vede Santa Catarina, que tem duas coroas, a da pureza e a do martírio: quanto esta cara santa está contente de haver preferido sofrer a consentir no pecado!
   Havia bem perto daqui, numa paróquia da vizinhança, um rapazinho que estava todo esfolado no seu leito, bem doente e bem miserável; eu lhe dizia: "Meu pobre pequeno, tu sofres bem!" Ele respondeu-me: "Não, senhor cura, eu não sinto hoje o meu mal de ontem, e amanhã não sentirei o meu mal de hoje". - Quererias ficar bom? - Não, eu era mau antes de ficar doente; poderia ficar mau outra vez. Estou bem como estou..." Nós não compreendemos isso porque somos demasiado terrenos. Meninos em que o Espírito Santo reside metem-nos vergonha.
   Se o bom Deus nos manda cruzes, agastamo-nos, queixamo-nos, murmuramos, somos tão inimigos de tudo o que nos contraria, que quereríamos estar sempre numa caixa de algodão; é numa caixa de espinhos que nos deveríamos colocar.
   É pela cruz que se vai para o céu. As doenças, as tentações, as penas são outras tantas cruzes que nos conduzem ao céu. Tudo isso logo passará... Vede os santos que chegaram antes de nós... Deus não pede de nós o martírio do corpo, pede-nos apenas o martírio do coração e da vontade... Nosso Senhor é nosso modelo; tomemos a nossa cruz e sigamo-Lo.
   A cruz é a escada do céu... Como é consolador sofrer sob os olhos de Deus, e podermos dizer, à noite, por ocasião do nosso exame de consciência: "Eia! minh'alma, tiveste    hoje duas ou três horas de semelhança com Jesus Cristo: foste flagelada, coroada de espinhos, crucificada com Ele!... Oh! que tesouro para a morte!... Como é bom morrer quando se viveu na cruz!
   Deveríamos correr atrás das cruzes, como o avarento corre atrás do dinheiro... Só as cruzes é que nos tranquilizarão no dia do juízo. Quando chegar este dia, como seremos felizes das nossas desditas, ufanos das nossas humilhações e ricos dos nossos sacrifícios! ... A passagem para a outra vida do bom cristão, provado pela aflição, é como a de uma pessoa a quem transportam sobre um leito de rosas.
   As contradições põem-nos ao pé da cruz, e a cruz à porta do céu. Para chegar a este, é preciso que nos andem por cima, que sejamos vilipendiados, desprezados, pisados... Felizes neste mundo são só os que têm a calma da alma no meio das penas da vida: saboreiam as alegrias dos filhos de Deus... Todas as penas são doces quando sofridas em união com Nosso Senhor...
   Sofrer! Que importa? É só um momento. Se pudéssemos passar oito dias no céu, compreenderíamos o preço desse momento de sofrimento. Não acharíamos cruz bastante pesada, provação bastante amarga... A cruz é dádiva que Deus faz aos seus amigos.
   Devemos pedir o amor das cruzes: então elas se tornarão doces. Fiz a experiência disto durante quatro ou cinco anos. Fui bem caluniado, bem contradito, bem atropelado. Oh! eu tinha cruzes... quase as tinha mais do que as podia carregar! Pus-me a pedir o amor das cruzes: então fui feliz. Disse a mim mesmo: "Verdadeiramente, só há felicidade nisso!..." Nunca se deve olhar de onde vêm as cruzes: vêm de Deus. É sempre Deus que nos dá esse meio de lhe provarmos o nosso amor.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

PURGATÓRIO - I - 37ª LIÇÃO

- QUE É O PURGATÓRIO?
- PURGATÓRIO É O LUGAR ONDE AS ALMAS DOS JUSTOS SE PURIFICAM, SATISFAZEM COM PENAS TEMPORAIS O QUE FICARAM DEVENDO PELOS SEUS PECADOS.

- QUANTO TEMPO FICA A ALMA NO PURGATÓRIO?
- FICA ATÉ DESCONTAR AS PENAS DEVIDAS PELOS SEUS PECADOS.

  


O purgatório é um lugar de castigo temporário. Para o purgatório vão aqueles que merecem ainda castigo, mas não castigo eterno. Merecem penitência de pecados veniais ou de pecados mortais já perdoados pela confissão ou pelo arrependimento perfeito com desejo de se confessar.
   Para o purgatório vão todos os que morrem sem pecado mortal, mas que ainda não satisfizeram inteiramente à justiça divina. Lemos na Bíblia que no céu não entra nada que tenha a mínima mancha.
   Vamos compreender bem isto.
   Todos os que morrem sem pecado mortal vão para o céu. Mas não vão todos imediatamente para o céu. Muitos têm de pagar ainda uma dívida. Muitos não satisfizeram à justiça divina. Um homem que viveu toda a vida em pecado mortal e só na hora da morte se arrepende e faz uma confissão, não vai para o inferno. Este homem morre sem pecado mortal. Mas a justiça de Deus não permite que toda esta vida de pecado fique sem castigo. Deus é justo. Na confissão,  Deus perdoa todos os castigos eternos mas nem sempre perdoa logo todos os castigos temporais. Temporais quer dizer: que dura só algum tempo, não para sempre.
   Depois da confissão muitas vezes restam castigos temporais. Contudo, só por pecados veniais ninguém vai para o inferno. Mas Deus é justo e castiga também o pecado venial, não com um castigo eterno, mas com um castigo temporário.
   Este castigo temporário muitas vezes Deus já dá nesta vida, quando nos manda doenças, pobreza e outros incômodos, como castigos bem merecidos dos nossos pecados. Assim satisfazemos à justiça divina.
   Podemos também satisfazer à justiça divina por boas obras: dando esmolas, fazendo o nosso trabalho com boa intenção para a honra de Deus, rezando, assistindo à Santa Missa, ganhando indulgências.
   Muitos se descuidam destas boas obras e morrem sem ter satisfeito inteiramente à justiça divina. Têm ainda alguma satisfação a dar, têm ainda algum castigo a sofrer. Este castigo rebem-no eles no purgatório.
   Dizemos que o purgatório é um lugar de castigo temporário, porque ali o castigo não dura sempre. Quase todos os doutores da Igreja são de parecer que estas almas do purgatório sofrem também o fogo, e as vezes, durante muito tempo. Elas têm a graça santificante e amam a Deus muito mais do que nós. Mas ainda não podem ver a Deus. Primeiro devem pagar toda a dívida. No purgatório as almas sentem um grande arrependimento ainda dos menores pecados, porque as fazem sofrer muito, sobretudo porque retardam sua entrada no céu para ver a Deus. O pecado venial é pequeno em comparação com o pecado mortal: O pecado venial, porém, é um mal maior que toda a infelicidade do mundo, porque ofende a Deus e merece tão grande castigo no purgatório. As almas do purgatório se arrependem muito por não terem feito mais obras boas, mais comunhões, mais esmolas, mais penitências, sobretudo, assistido mais missas e com mais fé e devoção. Pois, com estas boas obras poderiam ter pago toda a dívida aqui na terra; e teriam ido logo para o céu.
   Antes de terminar, quero dar-vos um conselho importantíssimo: Receber o ESCAPULÁRIO DE NOSSA SENHORA DO CARMO, e cumprir, é claro, todas as condições da confraria do escapulário. Pois quem morre com o escapulário, tendo cumprido todas as condições, Maria Santíssima o vem tirar do purgatório, no primeiro sábado após a morte.

EXEMPLO
   Certa vez, um militar de alta patente, mas incrédulo, viu um menino com um escapulário ao pescoço. Pegando no escapulário, perguntou o homem, com riso de escárnio: "Que trapinho é este?" O menino que não era nada bobo, se esticou todo e colocou a mão no ombro do oficial e lhe perguntou por sua vez: "E que trapinho é este aqui?"  - "Isso, disse o militar, é o distintivo de almirante da nossa marinha". Respondeu o menino: "Pois meu "trapinho" é o escapulário de Nossa Senhora do Carmo, distintivo de filho de minha Mãe do céu." O oficial impressionou-se com a bela resposta do menino e lhe colocou no bolso uma moeda de ouro. 

PURGATÓRIO - II - 38ª LIÇÃO

- QUE DEVEMOS FAZER PELAS ALMAS DO PURGATÓRIO? 
- DEVEMOS REZAR E MANDAR CELEBRAR MISSAS POR ELAS.

   Na Sagrada Escritura lemos o seguinte: Judas Macabeu era um grande chefe militar, e combateu pela liberdade de sua religião e de sua pátria. Depois de vencer uma grande batalha, viu que muitos dos soldados, mortos na batalha, guardavam pequenas estátuas de deuses falsos. Isto era pecado. Mas Judas Macabeu supôs que não era pecado mortal, ou, se fosse pecado mortal, que teriam tido arrependimento perfeito antes de morrer. Judas Macabeu compreendeu que aqueles soldados não tinham satisfeito inteiramente à justiça divina. Ainda tinham de sofrer castigos de pecados veniais ou de pecados mortais já perdoados. Judas Macabeu quis satisfazer a justiça de Deus por eles. Fez uma coleta que rendeu duas mil moedas de prata. Mandou este dinheiro a Jerusalém para se oferecer no templo um sacrifício satisfatório por aqueles defuntos. E a Sagrada Escritura diz que fez muito bem.
  


Devemos ter compaixão das almas do purgatório e ajudá-las. Ajudamos as almas do purgatório encomendando Missas em intenção delas. Não convém adiar as Missas dos defuntos: as almas do purgatório, nos seus sofrimentos, estão contando os minutos que faltam para uma Missa, Convém fazer rezar mais de uma Missa por um defunto. O ideal é reunir a família e talvez mais alguns parentes próximos e mandar celebrar uma série (  30 missas em 30 dias seguidos) de Missas Gregorianas. Também ajudamos muito as almas quando, em favor delas, assistimos a uma Missa, recebemos a Santa Comunhão, damos esmolas, fazemos outras boas obras e ganhamos indulgências, por exemplo: rezando o Terço. Nem todos temos meios para mandar rezar muitas Missas pelas almas daqueles que nos eram caros neste mundo, mas todos podemos assistir a Santa Missa, comungar, e todos podemos rezar muitos terços por aquelas almas queridas. É muito bom rezar todos os dias, ao menos todos os domingos, o Santo Terço pelas almas do purgatório.
   Há poucos anos, um amigo meu ia acender um lampião. O lampião explodiu e pegou fogo na roupa dele. Felizmente a mãe estava perto, tomou rapidamente um cobertor e abafou o fogo.
   Muitas mães sabem que seus filhos estão no fogo muito pior do purgatório, mas deixam-nos lá sofrer. Elas não têm pressa em livrar seus filhos do fogo, de encomendar uma Missa pela alma dos filhos. Não têm dinheiro para dar esmolas em favor deles. E assim também os filhos deixam seus pais sofrerem no purgatório, esquecem estas pobres almas, que tão bem podiam ajudar.
   A piedade cristã reservou as segundas-feiras e todo o mês de novembro para a devoção às almas do purgatório.

EXEMPLO
   Vivia em Paris uma pobre empregada como criada. Do pouco dinheiro que ganhava, mandava dizer todos os meses, uma Missa pelas pobres almas do purgatório. E sempre assistia pessoalmente àquela Missa. Mas aconteceu ficar sem serviço e as suas economias estavam se acabando. Certo dia procurando emprego, passou em frente da igreja de Santo Eustáquio. Lembrou-se então de que naquele mês, ainda não tinha encomendado a Missa pelas almas. Mas tinha um só franco por uma Missa pelas almas. O padre não sabia que era o último dinheiro da pobrezinha. Depois de assistir à Missa, a órfã saiu da igreja, e encontrou um moço. O moço perguntou-lhe se procurava emprego. Ela admirada, disse que sim. Então o moço deu-lhe o endereço de uma casa e disse que ali precisavam de criada. Ela foi àquela casa, onde foi recebida por uma senhora elegante a quem disse por que vinha. A senhora perguntou: "Mas como sabia você que eu precisava de criada, se ainda não o disse a ninguém?"
   A moça contou que, ao sair da igreja, tinha encontrado um moço. Neste momento reparou um retrato que estava na parede, e disse: "Foi este senhor que me mandou aqui". Ao que a senhora disse muito comovida: "Foi este moço?" Então não serás minha criada, mas minha filha. Este moço é meu filho, que faleceu há dois anos. Você o livrou do purgatório e por gratidão ele a mandou para minha casa."
   Ficará sempre comigo e rezaremos juntas todos os dias pelas benditas almas que ainda precisam de orações.
   N.B. : Normalmente estas aparições não acontecem, mas nos desígnios de Deus Nosso Senhor, podem acontecer por um privilégio especial, como foi o caso acima citado.