SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

domingo, 28 de agosto de 2011

CATECISMO E CATECISMO

Padre Ascânio Brandão
   Nunca me canço de bater a tecla e tocar o meu realejo: - Catecismo! Catecismo! Precisamos de Catecismo!
   Nossa boa gente brasileira infelizmente é muito ignorante das mais elementares noções do catecismo, do be-á-bá da doutrina Cristã.
   É o nosso mal. Aliás não é só nosso. Em países hipercivilizados, e que se orgulham das luzes de uma grande cultura e das suas tradições milenares de fé reina tanta ignorância como entre nós.
  - Mons. Olgiatti no seu admirável livro: - "O Silabário do Cristianismo" agora traduzido, divide em três categorias os católicos. Primeira a dos que nada sabem do catecismo nem frequentam a Igreja ou recebem os sacramentos.
    A segunda é dos que se julgam bons cristãos e se gabam do seu catolicismo tradicional de família.
    E a terceira, finalmente, a dos que pertencem às inumeráveis Irmandades, Confrarias, Congregações e Associações paroquiais.
            Sabem todos eles o catecismo?
            Infelizmente... nem sempre.
    Os analfabetos do catecismo
   O analfabetismo religioso, domina hoje homens cultos e eruditos em muitos ramos da ciência e das artes. Não só o caboclo, o roceiro analfabeto, dizem disparates em matéria religiosa. Muito doutor aí bonito, elegante, sabido, quando abre a boca e fala em religião é uma calamidade!
    Um deles pergunta si não seria mais higiênico batizarem-se as crianças na Pia ... com alcool?!
    Um político de nomeada perguntou a um Vigário: - Sr. Vigário, o Santíssimo Sacramento daqui veio de Roma?
    Um Prefeito municipal desejava comemorar uma data solene com a Missa Campal às... oito horas da noite!
    - À noite com a iluminação, a Missa é mais bonita, não acha Seu Vigário?, perguntava o homenzinho. (É bom saber que isto foi escrito em 1942, quando nem de longe se imaginava poder haver um dia luz elétrica nas roças).
        Uma senhora elegante e culta da alta sociedade recebeu um têrço oferecido gentilmente pelo seu Prelado.
        - Está já com as indulgências -, diz-lhe o Bispo.
        Madame toma nas mãozinhas o Têrço de madrepérolas e o contempla toda curiosa. - Sr. Bispo, pergunta ela -, as indulgências são estas três continhas aqui antes da cruz? Que três indulgenciazinhas engraçadinhas! Agradeço muito à V. Excia. o Têrço principalmente por causa destas gracinhas de indulgências!
              Segunda categoria
    Esta é formada dos que se gabam de católicos mas não admitem o que denominam - fanatismo... exagero.
    Sou católico, mas não sou beato, carola, devoto... diz lá cada um deles - todo cheio de si.
    Quando meninos, estes católicos fizeram a Primeira Comunhão. Ouvem Missa, às vezes. Casam-se na Igreja. Nasce-lhes um filhinho? Levam-no à pia batismal.
    Morre alguém em casa? Funerais católicos, Missa de 7º - de 30º dia.
    E que mais é preciso? Para que mais exigências religiosas e católicas e fanatismos?
    Não querem em matéria de religião que se passem os limites ... deles.
    Não lhes falem em apostolado, em dedicação à Igreja, em comunhão dos Santos...
    É linguagem que não entendem. Deixai-os! São católicos da vida pacata, pertencem àquela célebre Confraria de que falava Montalembert: a Confraria dos braços cruzados. E com braços cruzados naturalmente não tomam entre as mãos o catecismo.
     E cada vez mais pedantes, cada vez mais ignorantes das coisas da Fé.
     Terceira categoria
    - Finalmente a terceira classe é dos muitos católicos de Irmandades, Congregações e Associações e Confrarias, etc.
      Alguns e algumas têm fitas de todas as cores do Arco-iris (no bom sentido).
      Mas... sabem o catecismo? Já leram um bom compêndio de doutrina cristã?
      Também não.
      Pouco se lhes dá, escreve Mons. Olgiatti que as Pessoas da Trindade Santíssima sejam três ou cinco.
      Ficam olimpicamente indiferentes diante dos mistérios mais adoráveis da nossa Fé.
      Como hão de amar o que não conhecem ou conhecem tão mal.
        CONCLUSÃO: - Chega-se à conclusão pois de que as três categorias de católicos apontados por Mons. Olgiatti no seu Silabário do Cristianismo tem isso de comum - a ignorância religiosa, a pura ignorância religiosa...
     E para esta só há um remédio - CATECISMO.

   Até aqui o artigo do Padre Ascânio Brandão. Agora, antes de fechar o post gostaria de acrescentar algo.
Primeiramente, com toda certeza, alguém deverá perguntar: Por que colocar na Internet uma situação da década de 40 para os dias de hoje, já na segunda década do século XXI? Em plena era do Computador e da Internet. Bom! primeiro, devemos reconhecer que graças justamente ao progresso da Internet o nosso povo é muito mais instruído. Mas permitam-me uma pergunta: será que o nosso povo católico está assim tão bem instruído na doutrina cristã como nas coisas profanas? Creio que não. E se a ignorância do catecismo há 70 anos atrás certamente era maior, não menos certo é afirmar que era muito menos culpada  esta ignorância. Até digo mais: se a ignorância religiosa daquela época nos faz rir, a de hoje nos faz chorar. Hoje, talvez justamente em virtude do progresso o povo está mais infeccionado por idéias errôneas atinentes à Religião. O modernismo, o liberalismo, o naturalismo, o relativismo, o materialismo são miasmas que infeccionam as mentes na sua maioria. Mais do que nunca se faz mister o ensino religioso e este lidimamente tradicional.

sábado, 27 de agosto de 2011

CATECISMO DO SANTO CURA D'ARS SOBRE A IMPUREZA

   Para compreender o quanto é horrível e detestável este pecado que os demônios fazem cometer mas não cometem eles próprios, haveria que saber o que é um cristão. Um cristão criado à imagem de Deus, remido pelo sangue de um Deus! Um cristão filho de um Deus, irmão de um Deus, herdeiro de um Deus! Um cristão, objeto da complacência das três pessoas divinas! Um cristão, cujo corpo é o templo do Espírito Santo: eis aí o que o pecado desonra!...
   Nós somos criados para irmos um dia reinar no céu, e se temos a desdita de cometer esse pecado, tornamo-nos o alvo dos demônios. Nosso Senhor disse que nada de impuro entrará no seu reino. Com efeito, como quereis que uma alma que se rolou nessas sujeiras vá comparecer perante um Deus tão puro e tão santo?
   Nós somos todos como pequenos espelhos em que Deus se contempla. Como quereis que Deus se reconheça numa alma impura?
   Há almas que estão tão mortas, tão apodrecidas, que marasmam na sua infecção sem o perceber e não podem mais desvencilhar-se dela. Tudo as leva ao mal, tudo lhes lembra o mal, mesmo as coisas mais santas; elas têm sempre essas abominações diante dos olhos: semelhante ao animal imundo que se habitua à porcaria, que se agrada nela, que se rola nela, que nela dorme, que ronca na sujice... essas pessoas são um objeto de horror aos olhos de Deus e dos santos anjos.
   Vede, meus filhos, Nosso Senhor foi coroado de espinhos para expiar os nossos pecados de orgulho; mas por esse maldito pecado Ele foi flagelado e posto em pedaços, visto como Ele próprio diz que depois da flagelação podiam-se-Lhe contar os ossos.
   Ó meus filhos, se não houvesse algumas almas puras para indenizar a Deus e lhe desarmar a juntiça, haveríeis de ver como seríamos punidos... Porque agora esse crime é tão comum no mundo que faz tremer. Pode-se dizer, meus filhos, que o inferno vomita suas abominações sobre a terra, como os canos de vapor vomitam a fumaça.
   O demônio faz tudo quanto pode para sujar a nossa alma, e no entanto nossa alma é tudo... o nosso corpo não é mais que um monte de podridão: ide ver ao cemitério o que é que se ama quando se ama o próprio corpo.
   Como vos hei dito muitas vezes, não há nada de tão ruim como a alma impura. Houve uma vez um santo que pediu a Deus lhe mostrasse uma: viu essa pobre alma como um animal rebentado de podre que arrastaram durante oito dias, em pleno sol pelas ruas.
   Só em ver uma pessoa reconhece-se se ela é pura. Há nos seus olhos um ar de candura e de modéstia que leva a Deus. Vêem-se outras, ao contrário, que têm um ar todo inflamado... Satanás pôe-se-lhes nos olhos para fazer cair os outros e arrastá-los ao mal.
   Os que perderam a pureza são como uma peça de pano molhada em azeite: lavai-a, fazei-a secar, a mancha volta sempre; assim, também, é preciso um milagre para lavar a alma impura.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

CATECISMO DO SANTO CURA D'ARS SOBRE O PECADO ( II )

   O que vive no pecado toma os hábitos e a forma dos animais. O animal, que não tem razão, só conhece os seus apetites; do mesmo modo, o homem que se torna semelhante aos animais perde a razão e deixa-se guiar pelos movimentos do seu cadáver. Põe o seu prazer em beber bem, em comer bem e gozar das vaidades do mundo, que passam como o vento. Eu lastimo os pobres infelizes que correm atrás desse vento... Ganham bem pouco; dão muito por um proveito bem pequeno; dão a sua eternidade pela mísera fumaça do mundo.
   Meus filhos, como é triste quando uma alma está em estado de pecado! Pode morrer neste estado, e então tudo o que fez já não tem mérito diante de Deus. É por isso que o demônio fica tão contente quando uma alma está no pecado e persevera nele; porque ele pensa que ela trabalha para ele e que, se ela viesse a morrer, ele a teria... No pecado a nossa alma é toda sarnenta, toda pobre; faz pena... O pensamento de que o bom Deus a olha deveria fazê-la entrar em si mesma... E depois, que prazer temos nós no pecado? Nenhm. Temos sonhos medonhos... de que o demônio nos carrega... de que caímos em precipícios... Ponde-vos bem com Deus, recorrei ao sacramento da penitência: dormireis tranqüilos como um anjo. Ficamos contentes de acordar à noite para falar ao bom Deus... só temos na boca ações de graças; elevamo-nos com grande facilidade para o céu, como uma águia que fende os ares.
   Vede, meus filhos, como o pecado degrada o homem! De um anjo criado para amar a Deus ele fez um demônio que o amaldiçoará por toda a eternidade... Ah! se Adão, nosso primeiro pai, não tivesse pecado, e se nós não pecássemos todos os dias, como seríamos felizes! Seríamos tão felizes como os santos no céu. Não haveria mais infelizes na terra. Oh! como seria belo!...
   Efetivamente, meus filhos, é o pecado que atrai sobre  nós todas as calamidades, todos os flagelos: a guerra, a peste, a fome, os terremotos, os incêndios, a geada, a saraiva, as tempestades, tudo quanto nos desola, tudo o que nos infelicita.
   Vede, meus filhos, uma pessoa que está em estado de pecado é sempre triste. Por mais que faça, está aborrecida, entediada de tudo, ao passo que a que está em paz com Deus, está sempre contente, sempre alegre... Ó bela vida!... e bela morte!...
   Meus filhos, nós temos medo da morte... bem creio! É o pecado que nos faz ter medo da morte; é o pecado que torna a morte horrorosa, pavorosa; é o pecado que assusta o mau na hora do terrível trânsito. Ai! meu Deus! há bem que ficar assustado... Pensar que se está amaldiçoado! e amaldiçoado por Deus!... isto faz tremer... Amaldiçoado por Deus! e por que? por que é que os homens se expõem a ser amaldiçoados por Deus? ... Por uma blasfêmia, por um mau pensamento, por uma garrafa de vinho, por dois minutos de prazer!... Por dois minutos de prazer perder a Deus, a própria alma, o céu, para sempre!... Ver-se-á subir ao céu, em corpo e alma, esse pai, essa mãe, essa irmã, esse vizinho, que estava junto de nós, com quem havemos vivido, mas que não imitamos; ao passo que nós desceremos em corpo e alma ao inferno para arder nele. Os demônios rolar-se-ão sobre nós. Todos os demônios cujos conselhos houvermos seguido virão atormentar-nos...
   Meus filhos, se vísseis um homem levantar uma grande fogueira, empilhar gravetos uns sobre os outros, e, perguntando-lhe o que estava fazendo, ele vos repondesse: "Estou preparando o fogo que me deverá queimar", que pensaríeis? E se vísseis esse mesmo homem aproximar a chama da fogueira, e, quando está acesa, atirar-se dentro... que diríeis? Cometendo o pecado, é assim que nós fazemos. Não é Deus que nos lança ao inferno, somos nós que nos lançamos nele pelos nossos pecados. O condenado dirá: "Perdi a Deus, minha alma e o céu: foi por minha culpa, por minha culpa, por minha máxima culpa!... Elevar-se-á do braseiro para tornar a cair nele... Sentirá sempre a necessidade de se elevar, porque era criado para Deus, o maior, o mais alto dos seres, o Altíssimo... como uma ave num aposento voa até o teto e torna a cair... a justiça de Deus é o teto que detém os condenados.
   Não há necessidade de provar a existência do inferno. O próprio Nosso Senhor fala dele quando conta a história do mau rico que clamava: "Lázaro! Lázaro!"Bem se sabe que há um inferno, mas vive-se como se não houvesse; vende-se a própria alma por algumas moedas.
   Adiamos a nossa conversão  para a morte; mas quem nos assegura que teremos o tempo e a força nesse momento temível que todos os santos recearam, em que o inferno se congrega para desferir-nos um último assalto, vendo que é o instante dicisivo?
   Muitos há que perdem a fé, e só vêem o inferno, entrando nele.
   Não, verdadeiramente, se os pecadores pensassem na eternidade, nesse terrível sempre!... haveriam de se converter imediatamente... Há perto de seis mil anos que Caim está no inferno, e mal acabou de entrar nele.

O CATECISMO DO SANTO CURA D'ARS SOBRE O PECADO ( I )

   O pecado é o verdugo de Deus e o assassino da alma. É ele que nos arranca do céu para nos precipitar no inferno. E nós gostamos dele!... que loucura! Se pensássemos bem nisto, teríamos tão vivo horror do pecado, que não poderíamos cometê-lo.
   Ó meus filhos, como somos ingratos! Deus quer fazer-nos felizes, bem certo! só nos deu sua lei para isto. A lei de Deus é grande, é larga. O rei Davi dizia que achava nela as suas delícias e que era um tesouro mais precioso para ele do que as maiores riquezas. Dizia ainda que andava num caminho espaçoso porque tinha procurado os mandamentos do Senhor (Salmo XVIII, 14 15). O bom Deus quer, pois, fazer-nos felizes, e nós não o queremos! Desviámo-nos d'Ele e damo-nos ao demônio! Fugimos do nosso amigo e buscamos o nosso carrasco!...Cometemos o pecado, afundamo-nos na lama. Uma vez metidos neste lodaçal, não sabemos mais sair dele. Se isso tivesse que ver com a nossa fortuna, nós bem saberíamos safar-nos deste mau passo; mas como só tem que ver com a nossa alma, ficamos nele...
   Nós nos vamos confessar todos preocupados com a vergonha que vamos sentir. Acusamo-nos a vapor. Dizem que há muitos que se confessam e poucos que se convertem. Bem o creio, meus filhos; é que poucos há que se confessam com as lágrimas do arrependimento.
   Vede: a desgraça é que não se reflete. Se se dissesse a esses que trabalham no domingo, a uma jovem que acaba de dançar, duas ou três horas, a um homem que sai bêbado do "cabaret": "Que é que acabais de fazer? acabais de crucificar a Nosso Senhor". Eles ficariam muito admirados: é que não pensam nisso. Meus filhos, se pensássemos nisso, ficaríamos horrorizados; ser-nos-ia impossível fazer o mal. Porquanto, que fez Deus para o magoarmos assim, para o fazermos morrer de novo, a ele que nos remiu do inferno? Seria mister que todos os pecadores, quando vão aos seus prazeres culpados, encontrassem no caminho, como São Pedro, Nosso Senhor que lhes dissesse: "Eu vou a este lugar onde tu vais também, para ser nele crucificado de novo". Talvez que isso os fizesse refletir.
   Os santos compreendiam a grandeza do ultraje que o pecado faz a Deus. Há alguns que passaram a vida a chorar seus pecados. São Pedro chorou toda a vida; chorava ainda na morte. São Bernardo dizia: "Senhor, Senhor! fui eu quem vos pregou na cruz!"
   Pelo pecado nós desprezamos a Deus, crucificamos a Deus! Que pena perderem-se almas que custaram tantos sofrimentos a Nosso Senhor!... Que mal nos fez Nosso Senhor para o tratarmos desse modo?... Se os pobres condenados pudessem voltar à terra!... se estivessem em nosso lugar!...
   Ó como somos insenatos! O bom Deus nos chama a si, e nós lhe fugimos! Ele quer fazer-nos felizes, e nós não queremos saber da sua felicidade! Ele nos manda amá-Lo, e nós damos o nosso coração ao demônio! Empregamos em perder-nos um tempo que Ele nos propiciou para nos salvarmos. Fazemos-Lhe guerra com os meios que Ele nos deu para servi-Lo!...
   Quando ofendemos a Deus, se olhássemos para o nosso crucifixo, ouviríamos Nosso Senhor dizer-nos no fundo da alma: "Quereis, então, pôr-te também ao lado de meus inimigos? Queres então crucificar-Me de novo?" Lançai os olhos sobre Nosso Senhor pregado na cruz, e dizei-vos: "Eis o que custou a meu Salvador para reparar a injúria que os meus pecados fizeram a Deus!..." Um Deus que desce à terra para ser vítima dos meus pecados, um Deus que sofre, um Deus que morre, um Deus que atura todos os tormentos porque quis carregar o peso dos nossos crimes!... À vista da cruz, compreendemos a malícia do pecado e o ódio que lhe devemos ter. Reetremos em nós mesmos; vejamos o que temos a fazer para reparar a nossa pobre vida!...
   Deus nos dirá na  morte: "Por que foi que me ofendeste, a mim que te amava tanto?"...  Como é pena! ofender o bom Deus, que nunca nos fez senão bem! contentar o demônio, que só mal nos pode fazer!... que loucura!
   Não é verdadeira loucura podermos gozar desde esta vida as alegrias do céu, unindo-nos a Deus pelo amor, e querermos tornar-nos dignos do inferno, ligando-nos com o demônio?... Não se pode compreender bastante esta loucura; não se pode chorá-la bastante!... Parecem que os pobres pecadores não querem esperar pela sentença que os condenará à sociedade dos demônios; condenam-se eles próprios.
   O paraíso, o inferno e o purgatório têm uma espécie de antegosto desde esta vida. O purgatório está nas almas que não estão mortas em si mesmas; o inferno está no coração dos ímpios; o paraíso no coração dos perfeitos, que estão bem unidos a Nosso Senhor.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

CATECISMO SOBRE A PRESENÇA REAL,dado pelo Santo Cura d'ARS

   Nosso Senhor está ali escondido à espera de que o venhamos visitar e fazer-lhe os nosso pedidos. Vede como Ele é bom!  Acomoda-se à nossa fraqueza... No céu, onde estaremos triunfantes e gloriosos, vê-Lo-emos em toda a sua glória; se Ele se apresentasse agora com essa glória diante de nós, nós nem ousaríamos aproximar-nos d'Ele; mas Ele se oculta como uma pessoa que estivesse numa prisão, e diz-nos: "Vós não me vedes, mas isto não importa! Pedi-me tudo o que quiserdes, eu vo-lo concederei" Ele está ali no seu sacramento de amor a suspirar e a interceder incessantemente junto a seu Pai pelos pecadores. A que ultrajes não está exposto para ficar no meio de nós? Está ali para nos consolar; por isso devemos visitá-Lo amiudadamente. Quanto um quarto de hora que roubamos às nossas ocupações, a algumas inutilidades, para virmos visitá-Lo, exorá-Lo, consolá-Lo de todas as injúrias que recebe, lhe é agradável! Quando Ele vê virem com afã as almas puras, sorri-lhes... Elas vêm com esta simplicidade que tanto lhe agrada, pedir-lhe perdão para todos os pecadores, dos insultos de tantos ingratos. Que felicidade não sentimos na presença de Deus, quando nos achamos sós a seus pés, diante dos santos tabernáculos!... "Eis, minha alma, redobra de ardor! Estás sozinho para adorar a teu Deus; os seus olhares repousam sobre ti só..."Esse bom Salvador é tão cheio de amor por nós que nos procura por toda parte!...
   Atentai, meus filhos, quando acordardes à noite, transportai-vos em espírito para diante do tabernáculo, e dizei a Nosso Senhor: "Meu Deus, eis-me aqui! venho adorar-Vos, louvar-Vos, bendizer-Vos, agrdecer-Vos, amar-Vos, fazer-Vos companhia com os anjos!... Dizei as orações que souberdes, e se vos achardes na impossibilidade de rezar, escondei-vos por detrás do vosso bom anjo, e encarregai-o de rezar em vosso lugar.
   Meus filhos, quando entrardes na igreja e tomardes água benta, quando levardes a mão à fronte para fazer o sinal da cruz, olhai para o tabernáculo: Nosso Senhor Jesus Cristo entreabre-o no mesmo momento para vos abençoar.
   Ah! se nós tivéssemos os olhos dos anjos, vendo a Nosso Senhor Jesus Cristo que está aqui presente nesse altar, e que nos olha, como o haveríamos de amar! Não quereríamos mais separar-nos d'Ele; quereríamos ficar sempre a Seus pés; seria um antegozo do céu; tudo o mais se nos tornaria insípido. Mas vede!... é a fé que falta. Nós somos uns pobres cegos; temos névoa nos olhos. Só a fé poderia dissipar essa névoa. Daqui a pouco, meus filhos, quando eu segurar Nosso Senhor nas mãos, quando o bom Deus vos abençoar, pedi-lhe, pois, que vos abra os olhos do coração; dizei-Lhe como o cego de Jericó: "Senhor, fazei que eu veja!"Alcançareis certamente o que desejais, porque Ele quer a vossa felicidade. Ele tem as mãos cheias de graças. procurando a quem distribuí-las, ai! e ninguém as quer!... Ó indiferença! ó ingratidão!... Meus filhos, nós somos demasiado infelizes de não compreendermos estas coisas! Compreedê-la-emos bem uma vez, mas já não será tempo!...
   Nosso Senhor está ali como vítima... por isso reparai! uma oração bem agradável a Deus é pedir à Santíssima Virgem que ofereça ao Pai eterno Seu divino Filho, todo sangrento, todo dilacerado, pela conversão dos pecadores: é a melhor oração que se possa fazer, visto que afinal todas as orações se fazerm em nome e pelos merecimentos de Jesus Cristo. Meus filhos, escutai bem isto: todas as vezes que eu alcancei uma graça, pedi-a dessa maneira; isto nunca falhou. Quando fizerdes a sagrada comunhão, deveis ter sempre uma intenção, e dizer, no momento de receber o Corpo de Nosso Senhor: "Ó meu bom Pai que estais no céus, ofereço-Vos neste momento Vosso querido Filho, tal qual o tiraram, como o desceram da cruz, como O depositarm nos braços da Santíssima Virgem, e como ela Vo-LO ofereceu em sacrifício por nós. Ofereço-Vos o Seu santíssimo Corpo, e pela boca de Sua Santíssima Mãe rogo-Vos a remissão dos meus pecados, a fim de alcançar tal ou tal graça: a fé, a caridade, a humildade..."
  Devemos ainda agradecer a Deus todas essas indulgências que nos purificam dos nossos pecados. Mas não se lhes presta atenção. Anda-se sobre as indulgências, poder-se-ia dizer, como depois da ceifa se anda por sobre os molhos de trigo. Vede: sete anos e sete quarentenas ouvindo o catecismo, trezentos dias recitando as Ladaínhas da Santíssima Virgem, a Salve Raínha, o Angelus. Enfim, Deus multiplica as suas graças: por isto, como sentimos, no fim da nossa vida, não as termos aproveitado!
   Quando estivermos diante do Santíssimo Sacramento, em vez de olharmos em derredor de nós, fechemos os olhos e abramos o coração; Deus abrirá o Seu. Nós iremos a Ele, Ele virá a nós, um para pedirr , o outro para conceder: será como o sopro de um a outro. Quanta doçura não achamos em nos esquecermos para buscar a Deus!.
   É como nos primeiros tempos em que eu me achava em Ars... Escutai bem isto, meus filhos: havia um homem que nunca passava diante da igreja sem entrar. De manhã, quando ia para o trabalho, à tarde, quando voltava, deixava à porta a pá e a picareta, e ficava longo tempo em adoração diante do Santíssimo Sacramento. Oh! eu gostava bem disto!...Perguntei-lhe uma vez o que é que ele dizia a Nosso Senhor durante as longas visitas que lhe fazia. Sabeis o que ele me respondeu: "Oh! senhor Cura, eu não digo nada a Ele. Eu olho para Ele e Ele olha para mim!..." ( Aqui as lágrimas interrompiam a voz do santo catequista). E ele prosseguia: "Como é belo, meus filhos, como é belo!!!"
   Os santos perdiam-se para não verem senão a Deus, não trabalharem senão para Ele. Esqueciam todos os objetos criados para só acharem a Ele: é assim que se chega ao céu...

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

PREGAÇÃO

Padre Ascânio Brandão
   Contam que no tempo de Luiz XIV. Outros que no de Luiz XIII. E Vieira fala simplesmente que na côrte...
   Pregavam dois oradores sacros de renome, sucessivamente. Perguntaram depois ao rei: Majestade, qual deles pregou melhor? "Não o saberia dizer, meus amigos. Posso entretanto afirmar que, ouvindo o primeiro, saí da Igreja contente com o pregador. Que retórica! Que eloqüência! E saí contente comigo mesmo. Ouvindo, porém, o outro, saí contente com o pregador, mas descontente comigo mesmo e com a minha vida e resolvido a me converter".
      Qual deles foi o melhor pregador?
   O fim da pregação como o da retórica, é convencer. Melhor prega, portanto, quem melhor convence. E convencer é tocar o coração e mover a vontade para o bem e a verdade, na eloquência sagrada.
   Pregadores sem convicções não convenceriam a ninguém. Seriam o sino qe bate, o bronze que soa, no espressivo dizer de São Paulo.
   Conta Rousie, de um pregador, afamado, bom literato e bom sociólogo. Pregava numa igreja humilde e rural. Pôs-se a falar da crise da sociedade moderna. A um dado momento se inflamou levantando os braços para o alto a exclamar: - Ó anarquia das inteligências! Ó anarquia das inteligências! O povo se põe de joelhos e responde a toda força: Rogai por nós! Rogai por nós!
   Julgavam talvez que se tratava de alguma nova santa...
   Ai pregadores! Até aqui o Padre Ascânio Brandão. Aliás foi um padre santo e um grande escritor.
 Do espirituoso queria passar para algo mais sério: "Senhor, mandai -nos sacerdotes heróicos! A terra tem sede deles! O mundo lhes sorverá as palavras. Mandai-nos santos sacerdotes! (Pe. Eduardo Poppe).