SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

domingo, 23 de dezembro de 2018

EXPLICAÇÃO DO EVANGELHO DO 4º DOMINGO DO ADVENTO


S. Lucas III, 1-6

1. No ano décimo quinto do império de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador da Judéia, Herodes tetrarca da Galileia, Filipe, seu irmão, tetrarca da Itureia e da província da Traconítides e Lisânias tetrarca da Abilínea, 2. sendo pontífices  Anás e Caifás, o Senhor falou a João, filho de Zacarias, no deserto. 3. E ele foi por toda a terra do Jordão, pregando o batismo de penitência para remissão dos pecados, 4.  como está escrito no livro das palavras do profeta Isaías: "Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas: 5.  Todo o vale será terraplanado, e todo o monte e colina serão arrasados; os caminhos tortuosos tornar-se-ão direitos, e os escabrosos planos;  6. e todo o homem verá a salvação de Deus".

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Observamos, em primeiro lugar o cuidado particular que o Evangelista, inspirado pelo Espírito Santo, tem de precisar a época, os lugares e as pessoas. Sua intenção é colocar os contemporâneos em condições de reconhecer a exatidão da narração evangélica, e assim, também impedir que no futuro os incrédulos  neguem os fatos aí contados. Devemos notar outrossim, que S. Lucas nomeia, não somente os príncipes, os magistrados judeus, mas também os príncipes e governadores pagãos, como Tibério e Pôncio Pilatos. Porque, na verdade a religião deveria ser pregada também aos gentios e não somente aos judeus.

O Senhor falou a João no deserto: Estas palavras significam que S. João Batista recebeu positivamente de Deus, por inspiração ou pelo ministério dum Anjo, a ordem de anunciar o advento do Messias, e de Lhe preparar os caminhos, pregando a penitência. Ninguém, com efeito, pode profetizar e pregar, nem tão pouco exercer o sacerdócio, sem ter recebido de Deus um apelo positivo ou um missão especial: "Nenhum se arroga esta honra, senão o que é chamado por Deus, como Aarão". Em Jeremias XXIII, 16 e segs; em Ezequiel XIII Deus queixa-se em termos severos dos pregadores sem missão, que ousam, por sua própria e ilegítima autoridade, assumir o ministério da Palavra: "Eu não enviava estes profetas e eles corriam; não lhes dizia nada e eles profetizavam"... "Eis que venho contra os profetas que sonham mentiras, diz o Senhor, que as contam e enganam o meu povo com suas mentiras e os seus milagres" (Jeremias XXXIII, 21 e 32).

João estava então no deserto, para onde se tinha retirado na mais tenra idade: "Ora, o menino crescia e se fortificava no espírito; e habitava nos desertos até ao dia da sua manifestação" (S. Lucas I, 80). Ali se preparou para a missão divina com uma vida de recolhimento, de penitência e de oração. A Santa Igreja  instituiu os Seminários como "desertos" abençoados com esta mesma finalidade de preparar os chamados por Deus para a pregação de Sua palavra e o exercício da administração de Seus Mistérios: "Logo, nós desempenhamos as funções de embaixadores por Cristo, como exortando-vos Deus por meio de nós" (2 Cor. V, 20).

Mas, caríssimos, que prega João Batista? A penitência. Esta é, na verdade, a primeira virtude do Cristianismo. À exemplo do divino Mestre, João primeiramente praticou e só depois ensinou aos outros: "Começou a fazer e a ensinar" (Cf. Atos I, 1). Jesus havia praticado a penitência nas intempéries duma estrebaria, na austeridade da pobreza em Nazaré e no jejum de quarenta dias no monte dentro do deserto. 

Mas, por que a penitência? Qual era afinal a sua necessidade? Ah! caríssimos, nesta época,  o mundo estava cheio de iniquidade. "Toda carne tinha corrompido seu caminho". Os pagãos adoravam em seus deuses os crimes mais revoltantes e as paixões mas ignominiosas. Os próprios Judeus, extraviados pela superstição, uniam a um rigorismo na observação exterior da lei, um extremo relaxamento na prática do bem real. Era necessário lavar estas manchas pela penitência e preparar assim as almas para recepção da graça da Redenção.

Mas que dizer da penitência nos dias atuais? Caríssimos, quem não vê que o pecado inundou o mundo? Assim, as palavras de Jesus: "Se não fizerdes penitência, todos perecereis", valem também para nós. Nossa Senhora em Lourdes e depois em Fátima pediu penitência; e mais de cem anos depois, só vemos mais pecados e menos penitência. A cidade de Nínive teria sido destruída caso o povo não tivesse feito penitência. E esta humanidade adúltera e pecadora se não fizer penitência, será também destruída. A quantidade de crimes: impiedade, blasfêmia, sensualidade, libertinagem, vícios das drogas, doutrinas perversas, ultrajes feitos Nosso Senhor Jesus Cristo, à Santíssima Virgem Maria e aos demais santos, menosprezo pela Sagrada Tradição, deturpação das Sagradas Escrituras, menosprezo pela Santa Madre Igreja. E os crimes mais horrorosos de nosso tempo é o ódio contra Deus e os sacrilégios contra a Santíssima Eucaristia. Têm prevalecido na Igreja doutrinas que negam o queda original do homem, que legitimam os instintos perversos dos homens, que reabilitam a carne, e olham a penitência como uma fraqueza e uma loucura. Portanto, reinam soberanos no mundo o materialismo, o panteísmo, o naturalismo e o subjetivismo. Constatamos em nossos tempos pagãos os vícios, as desordens de que o Cristianismo havia libertado o homem. Se entrarmos nas clausuras dos conventos, será que, pelo menos aí, ainda encontraremos penitência? Não queremos generalizar, mas podemos afirmar sem medo de errar, que, cada dia, dilui-se o espírito de penitência. Então, caríssimos, mais do que nunca, devemos pregar como o Batista: "Fazei dignos frutos de penitência... porque o machado já está posto à raiz das árvores .Toda árvore que não dá bom fruto, será cortada e lançada no fogo" (S. Lucas III, 8 e 9).

"Que todo vale seja enchido": Que significam estas palavras? O vale é símbolo das almas pusilânimes e dos corações relaxados e apegados as coisas baixas do mundo. Portanto, S. João Batista pregava a penitência para que as almas se tornassem corajosas e as vontades, adestradas na renúncia de si mesmas; os corações deveriam se desprender das coisas terrestres e dos sentimentos vis, e se afeiçoarem à coisas nobres e celestiais. "Sursum corda!" Corações ao alto! Os corações abatidos pelas desilusões da terra, devem se elevar para o céu. Os que estão apegados à terra como sapos, para usar a expressão de S. Luiz Grignon de Montfort, se elevem como águias para o Altíssimo. O Céu é nossa Pátria, lá devem estar nossas esperanças; lá sim, encontraremos a nossa eterna felicidade!!!
Caríssimos, aproveitemos o Advento para enchermos nossas deficiências com o amor de Deus e do próximo!

"E toda montanha seja abaixada": Isto é, os espíritos soberbos, os orgulhosos e ambiciosos deverão ser rebaixados e humilhados, porque o Deus que vai descer até a nossa miséria e ao nosso nada, resiste aos soberbos e dá porém, sua graça aos humildes. Na verdade, um coração cheio de amor próprio e de soberba, não pode estar cheio de Deus.

"Os caminhos tortuosos tornar-se-ão retos": Esta comparação é para indicar os corações cheios de desígnios perversos, corações que tenham sido entortados pela injustiça, pela dissimulação, pela hipocrisia, pela mentira e por toda espécie de vícios. Deverão, então, ser endireitados pelas normas da justiça, da verdade, da sinceridade e da pureza.

"Os caminhos ásperos serão aplainados": Isto é, as almas violentas e duras, que se deixam levar da ira, do rancor, da vingança, voltarão à doçura, à mansidão e à caridade pela influência da penitência que, juntamente com a oração, atrai as graças celestes.

"E todo homem verá a salvação de Deus": O homem assim preparado verá o Salvador e participará dos seus méritos e da sua glória.

Caríssimos, se nós queremos que Jesus venha a nós, se manifeste à nossa alma, lhe faça sentir as doces influências da sua divina presença, nos comunique verdadeiramente a sua vida e as suas virtudes, preparemo-nos seriamente para bem O receber, limpemos o nosso coração de tudo o que é indigno d'Ele, de tudo o que poderia contristá-Lo. Despojemo-nos do homem velho, e revistamo-nos do Novo, procurando assim levar uma vida digna de Jesus.

Caríssimos, coisa tristíssima, constatamos hoje: comunhões mal feitas, sem a mínima melhora na vida espiritual. Muitos comungam e temos a impressão de que não sentem Jesus, não recebem os frutos de salvação e de santidade que Ele traz consigo! Por que? É porque a sua preparação deixa a desejar; esses não trabalham na sua conversão, na correção dos seus defeitos, não se importam da recomendação de Isaías e da Santa Madre Igreja: "Preparai o caminho do Senhor..." E vejam que não me refiro aqui a comunhões sacrílegas, que infelizmente são muitas... falo das almas que comungam estando em estado de graça, mas comungam sem a devida preparação, por rotina e com tibieza.

Por isso, terminemos  voltando-nos para Jesus: Ó Jesus, que o vosso amor encha o vale de meu coração; que a humildade aplaine as colinas e os montes de meu orgulho. Destruí, ó Senhor, com a chama ardente do Vosso amor todo o meu orgulho, soberba e vaidade, arrancai toda fibra do meu coração que não seja Vossa ou que esteja envenenada pelo amor próprio. Também eu quero diminuir-me, ó Senhor, para que possais crescer em mim, para que no dia do Vosso nascimento possais encontrar o meu coração completamente vazio e livre e portanto pronto para uma total invasão do Vosso amor. Amém!


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