SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

domingo, 28 de janeiro de 2018

EXPLICAÇÃO DO EVANGELHO DO DOMINGO DA SEPTUAGÉSIMA

 
             S. Mateus, 20, 1-16.

   "Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos esta parábola: O Reino dos Céus é semelhante a um pai de família que saiu ao romper da manhã a contratar operários para a sua vinha. Tendo ajustado com alguns por um dinheiro ao dia, mandou-os para a sua vinha. Saindo perto da hora terceira, viu outros que estavam ociosos na praça. E disse-lhes: Ide vós também, para minha vinha, e dar-vos-ei o que for justo. E eles foram. Saiu outra vez perto da sexta e da nona hora, fez o mesmo. E saindo quase à undécima hora, ainda achou outros por ali, e disse-lhes: por que ficais aqui ociosos todo o dia? Responderam-lhe eles: porque ninguém nos contratou. Ele lhes disse: Ide vós também para a minha vinha. Caindo já a tarde, disse o Senhor da vinha a seu feitor: Chama os trabalhadores e paga-lhes a diária, a começar dos últimos até os primeiros. Chegando, pois, os que tinham vindo perto da undécima hora, cada um recebeu um dinheiro. vindo, depois, os primeiros, julgaram que haviam de receber mais; receberam, porém, um dinheiro cada um. Tomando-o murmuravam contra o pai de família, dizendo: Estes últimos trabalharam uma hora, e os igualastes conosco que suportamos o peso e o calor do dia. Ele, porém, respondendo a um deles, disse: Amigo, não te faço injustiça: não te ajustaste comigo por um dinheiro? Toma o que é teu e vai-te; pois quero dar a este último tanto quanto a ti. Porventura não é lícito a mim fazer o que eu quiser [dos meus bens]? Ou é invejoso o teu olho porque eu sou bom? Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros, os últimos, porque muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos". 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Neste mundo nos manda Deus trabalhar na sua vinha para merecermos o salário, isto é, a recompensa prometida, a felicidade do Céu. Esta vinha do Senhor é a nossa alma, que Ele pode seguramente chamar sua, porque ela Lhe pertence por todos os títulos. Foi Ele quem a plantou. Tendo-a o demônio assolado e devastado, Ele resgatou-a, não com ouro ou prata, mas com o seu sangue precioso e restaurou-a com infinitos cuidados. Deus plantou-a e regou-a, resta-nos cooperar e acabar o resto do trabalho para que produza frutos.

   A vinha, sendo a mais preciosa das árvores pelo seu fruto, e dele tirando o seu valor, é também de todas as árvores a que exige mais cuidados e trabalhos. A nossa alma em virtude da sua origem divina e do seu destino sublime, é a mais preciosa coisa do mundo.

   Os cuidados que exige a vinha são a figura dos cuidados que devemos ter com a nossa alma:
1º - Cavá-la e adubá-la. Relativamente à alma, quer isto dizer que deve ser cultivada com a prática das virtudes: humildade, compunção e penitência.

2º - Podá-la, isto é, libertá-la de todos os ramos inúteis que absorvem e esgotam a seiva sem proveito. Para a alma é renunciar a tudo o que é supérfluo e prejudicial, quer para ela, quer para os outros com quem se convive. É o trabalho custoso da mortificação, da abnegação e do sacrifício. E é um trabalho de sempre.

3º - Especá-la, isto é, escorá-la para evitar que as tempestades a derrubem, tanto mais que as cepas, por sua natureza, não têm consistência para se conservarem direitas. Para a alma o Senhor dignou-se multiplicar-lhe os sustentáculos, ou sejam, a fé e confiança em Deus, a lembrança da Cruz e Paixão de Jesus e os Sacramentos.

4º - Cercá-la com um muro para a preservar do assalto dos ladões e dos animais. Para a alma isso significa a observação da lei de Deus, a vigilância contínua, a fuga das ocasiões perigosas, a modéstia, a mortificação dos sentidos, a oração, a devoção a Nossa Senhora.

5º - Chuva e o sol que dependem não da vontade do viticultor, mas do céu. Do mesmo modo é necessário que desça até à alma o orvalho celeste, isto é, a graça de Deus, a suave influência do sol, isto é, a infusão do Espírito Santo, do amor divino. E isto depende da nossa vontade, do nosso fervor na oração e na frequência dos Sacramentos.

   Em compensação, o Pai de família nos dará, na tarde do nosso dia, o justo salário que merecemos.
   Ao contrário, a vinha estéril, quer dizer, a alma infiel, deve recear que Deus execute a sua ameaça e lhe recuse a chuva fecunda da sua graça e das suas bênçãos.

   Uma vinha abandonada enche-se em pouco tempo de silvas e só dá cachos azedos. Assim é a alma; se é mal cultivada ou abandonada, depressa se enche de defeitos, de vícios, de toda a espécie de pecados e ficará incapaz de produzir bom fruto.

   Ao contrário, uma vinha bem cultivada dá uvas suculentas, o melhor talvez de todos os frutos. Do mesmo modo, uma alma bem cuidada produz a virtude por excelência, a caridade, que é o vínculo da perfeição e a plenitude de toda a lei. Depois a caridade, por sua vez, produz todas as virtudes cristãs.

   Irmãos caríssimos, possivelmente passamos muitos anos em dissipação espiritual, apressemo-nos a recuperar e reparar algum deste tempo perdido. Talvez que esta homilia seja o supremo apelo divino, o convite da undécima hora.

   Pelas entranhas de misericórdia do Senhor Deus, reflita cada um, vença as suas repugnâncias e queira, com a graça poderosa e infalível de Deus, ser do pequeno número dos eleitos. Amém!
  

  

domingo, 21 de janeiro de 2018

HOMILIA - 3º Domingo depois da Epifania

   Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos, XII, 16-21.
                    

   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus segundo São Mateus, VIII, 1-13:

Na parte superior, vemos o Centurião
pedindo a Jesus a cura de seu servo
paralítico.
   Depois que Jesus desceu do monte, muita gente o acompanhou. E eis que, vindo um leproso, o adorava dizendo:  "Senhor, se queres, podes limpar-me".E Jesus estendendo a mão, tocou-o, dizendo: "Pois, eu quero, fica limpo". E logo ficou limpa toda a sua lepra. Então lhe disse Jesus: "Vê, não o digas a ninguém; mas vai mostra-te ao sacerdote, e faze a oferta que ordenou Moisés, para lhes servir de testemunho a eles". E tendo entrado em Cafarnaum, chegou-se ao pé dele um centurião, fazendo-lhe esta súplica e dizendo: "Senhor, o meu criado jaz em casa doente duma paralisia, e padece muito com ela". E Jesus respondeu-lhe: "Eu irei e curá-lo-ei". E respondendo o centurião disse: "Senhor, eu não sou digno de que entres na minha casa; dize, porém, uma só palavra, e o meu criado será salvo. Pois também eu sou homem sujeito a outro, que tenho soldados às minhas ordens, e digo a um: Vai acolá, e ele vai; e a outro: Vem cá, e ele vem; e ao meu servo: Faze isto, e ele faz". E Jesus ouvindo-o falar assim, admirou-se e disse para os que o seguiam: "Em verdade, vos afirmo que não achei tamanha fé em Israel. Digo-vos, porém, que virão muitos do oriente e do ocidente, e se sentarão à mesa com Abraão e Isaac e Jacó no reino dos Céus; e os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores, onde haverá choro e ranger de dentes". Então disse Jesus ao Centurião: "Vai, e faça-se segundo tu creste". E naquela mesma hora ficou são o criado. 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!


   O Santo Evangelho de hoje relata-nos dois milagres: a cura de um homem leproso; e a do servo do Centurião. Com a graça de Deus, vamos fazer algumas reflexões sobre ambos.

   O pobre leproso do Evangelho, tendo ouvido falar dos milagres de Jesus, foi ao seu encontro e prostrando-se humildemente a seus pés, diz-lhe com fé admirável: "Senhor, se quereis, podeis curar-me". Súplica breve, simples, comovente, cheia de fé, de humildade e de submissão à vontade de Jesus. Eis o comentário de São João Crisóstomo: "Ele não diz: se pedires a Deus; mas se quereis, podeis curar-me. Também não diz: Senhor, curai-me; mas abandona-se inteiramente a Jesus, considerando-o como Senhor e Mestre soberano de todas as coisas, que conhece, muito melhor do que ele próprio, os seus verdadeiros interesses".

   Caríssimos, oh! se soubéssemos orar como este leproso! Quantas graças alcançaríamos!

   Quanto às graças espirituais, isto é, quando pedimos coisas que se referem à glória de Deus e à salvação da nossa alma, tenhamos confiança firme e inteira de que seremos ouvidos por Jesus. Quando se trata de graças temporais, peçamos; mas, quanto à oportunidade, entreguemo-nos à vontade de Deus: "Senhor, se quereis..."

   Jesus estende a mão em sinal do seu poder; e toca o leproso com essa mão divina para nos mostrar como é que a sua humanidade santa, unida à divindade, se torna o instrumento abençoado das maiores maravilhas. E ao mesmo tempo afirma-lhe: "Eu o quero, fica limpo!" O efeito é produzido imediatamente: "e naquele instante as sua lepra foi curada".


   Passemos ao segundo milagre: A súplica do Centurião (que era pagão, mas admirava a religião e até tinha edificado à sua custa, a sinagoga da cidade) é perfeita sob o ponto de vista da fé e confiança na bondade e no poder de Jesus. Observemos que ele não pede a Jesus, como outros, que vá a sua casa e imponha as mãos sobre o seu servo e o cure. Mas, como tinha feito Maria Santíssima nas bodas de Caná, como farão mais tarde as irmãs de Lázaro, limita-se a expor ao Salvador o miserando estado do seu doente.

   E este Centurião dá-nos um exemplo belíssimo de caridade: ensina aos amos como devem tratar paternalmente os seus servos, a solicitude e bondade de que os devem cercar nas suas doenças.

   E disse-lhe Jesus: "Eu irei e curá-lo-ei". E é aqui que resplandecem a humildade e a fé deste Centurião diante de tanta condescendência e bondade de Jesus: "Senhor,eu não sou digno de que entreis em minha casa; mas dizei uma só palavra e meu servo ficará curado..." Ele, pobre pecador e pagão, não se julga digno de receber em sua casa a visita de Jesus, que considera como um grande Profeta, como um Deus. E além disto ele julga desnecessária a ida de Jesus; porque basta um simples ato da vontade de Jesus, uma simples palavra sua, para que seu servo seja curado. Assim comenta Santo Agostinho: "Este bom centurião proclamando-se indigno, tornou-se digno de receber Jesus Cristo, não somente em sua casa, mas em seu coração"  - "E por esta admirável humildade, acrescenta São João Crisóstomo, mereceu o reino do Céu". Podemos acrescentar que mereceu também que a sua piedosa resposta, inserida pela Santa Madre Igreja nas preces litúrgicas, fosse recitada todos os dias no Santo Sacrifício da Missa, antes da comunhão do sacerdote e antes da dos fiéis.

  Um dia, Santa Catarina de Sena, absorta na sua profunda indignidade, não ousava aproximar-se da santa Mesa e dizia a seu divino Esposo: "Senhor, bem vedes, eu não sou digna de vos receber em meu pobre coração". "É certo, respondeu-lhe Jesus com amor inefável, mas eu sou digno de entrar nele"!

   Ó bom Jesus, tende compaixão da minha triste miséria! Com mais fundamento do que a vossa serva, eu reconheço que não sou digno de vos receber. Mas vós sois infinitamente bom e misericordioso; dizei uma só palavra: "Quero limpar-te", e minha pobre alma será purificada. Depois vinde fortificá-la, consolá-la, enchê-la da vossa graça e do vosso amor, a fim de que seja transformada em vós, e não mais viva senão para Vós! Amém!

EXPLICAÇÃO DO EVANGELHO DO 3º DOMINGO DEPOIS DA EPIFANIA


S. Mateus VIII 1-13

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Havendo Jesus descido do monte, grande multidão de povo O seguiu. Após o sermão da montanha, Jesus Cristo opera dois milagres: a cura do leproso e a de um paralítico, servo do Centurião de Cafarnaum. Diremos uma palavra de cada um deles e procuraremos tirar as lições que nos oferecem. Devemos sempre dar ações de graças pela descida de Jesus do mais alto dos Céus para nossa salvação! O VERBO DE DEUS SE FEZ CARNE E HABITOU ENTRE NÓS.

Este leproso é a humanidade repugnante e desfigurada para a qual o Salvador se digna descer. Na verdade, é para ela que o Filho de Deus, o Verbo Eterno, saindo das profundezas de sua eternidade, se inclina ao vir à terra. Se Ele não tivesse descido, jamais a humanidade teria podido subir até lá.

A lepra foi sempre considerada pelos Santos Padres e oradores sacros como a imagem do pecado. Objeto de horror pelos homens, os leprosos eram isolados da humanidade (hoje, graças a Deus, com o tratamento, é uma doença controlável e não mais contagiosa). O pecador também é objeto de horror para Deus e para os anjos. Separado da comunhão dos Santos nesta vida,  ver-se-á separado na outra, de sua bem-aventurada companhia. No entanto, ó cristãos, se sois acometidos desta horrível lepra do pecado, não deveis desesperar. Vamos considerar o duplo exemplo que o Evangelho deste domingo põe diante de nossos olhos, exemplo de humildade e de confiança da parte do leproso, exemplo de bondade e de misericórdia da parte do Salvador. E que a cura miraculosa do doente, vos faça pressagiar para vós uma cura semelhante.

O leproso vem a Jesus e se lança aos seus pés dizendo-Lhe: "Senhor, se quereis, podeis curar-me". Que humildade! Ele se ajoelha, adora, mostra suas chagas a Jesus, e isto diante de uma multidão que não tem por ele senão horror e aversão. Que confiança! Pede com um inteiro abandono à vontade de Deus. É como se ele dissesse: Sei, Senhor, que o vosso poder é grande e a vossa misericórdia também. Não quero senão o que Vós quereis. Sois o médico celeste; sabeis o que convém a este pobre doente: "Si vis, potes me mundare". Devemos observar que o leproso não pede que Jesus o toque. Mas Jesus em sua bondade vai além do desejo do pobre doente: toca-o e diz-lhe: "Eu quero, sê limpo". E incontinente ficou o leproso  curado.

Jesus tocou a lepra física para mostrar que Ele veio para tocar também a lepra moral, para colocar a mão sobre nossas chagas, sobre as chagas que o pecado nos fez. Sob a impressão desta mão divina, a graça se espalha pelo mundo todo, aos pagãos como aos Judeus, aos pecadores mas também aos justos. Jesus Cristo cura todas nossas enfermidades morais como cura outrossim nossas enfermidades físicas. Para a cura das enfermidades físicas, Ele exige uma fé grande e firme; para a cura das enfermidades morais, exige, além da fé, uma grande humildade e um arrependimento sincero e profundo. E neste último caso exige que mostremos nossa lepra, isto é, nossos pecados aos sacerdotes através de uma confissão sincera e íntegra.

Caríssimos, meditemos agora no segundo milagre: a cura do paralítico, servo do Centurião. Quando Jesus entrou em Cafarnaum, um Centurião aproxima-se d'Ele e diz-Lhe: "Senhor, um servo meu jaz em casa paralítico e sofre cruelmente". Jesus diz-lhe: "Eu irei e o curarei". Mas o Centurião Lhe respondeu: "Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha casa, mas dizei somente uma palavra e meu servo recuperará a saúde. Eu sou um homem que devo obedecer a autoridade superior e tenho soldados sob meu comando. Se digo a este: Vai, ele vai; ou a outro: Vem, e ele vem; ou a meu servo: Faze isto, ele faz".

Centurião era um oficial  que comandava 100 soldados. O procedimento deste oficial, embora pagão, faz sobressair três virtudes: a humildade, julgando-se indigno de receber Jesus em sua casa. Sua fé no poder sobre-humano do Salvador: acredita que do mesmo modo como ele obedece à palavra dos oficiais superiores e com sua palavra de centurião dá ordens aos simples soldados, também a palavra extraordinária de Jesus tem o poder de operar as transformações que quiser. E finalmente brilham neste Centurião as virtudes da caridade e compaixão para com seu empregado. O quadro patético que ele faz do estado do doente parece indicar que ele fala de seu filho e não de seu simples servo. Caríssimos, diante de sentimentos tão virtuosos e excelentes, Jesus imediatamente se dispõe a ouvir sua súplica: "Eu irei e o curarei".

Este Centurião está mais próximo da verdade do que os próprios Judeus. Era gentio e, no entanto, mostra mais fé do que  o povo escolhido de Israel. "Ele merece, diz S. Agostinho, receber, já neste mundo, na casa de seu coração Aquele que ele não ousa receber em sua casa de pedra e barro. Não há dúvida que o Centurião tenha se tornado um dos mais fiéis e dos mais zelosos discípulos de Jesus". 

Jesus, ouvindo as palavras do Centurião, enche-Se de admiração e disse: "Na verdade vos digo: Não encontrei fé tão grande entre os filhos de Israel". E Jesus depois acrescenta: "Digo-vos também que virão muitos do Oriente e do Ocidente e se assentarão à mesa junto com Abraão, Isaac e Jacó, no reino do céu. Mas os filhos do reino serão lançados às trevas exteriores, onde haverá choro e ranger de dentes". Jesus compara aqui o Reino do Céu a um banquete posto em sala profusamente iluminada. A ele são chamados todos os povos, ao passo que muitos descendentes de Abraão, filhos da casa, serão, por sua incredulidade, expulsos de lá e lançados às trevas que reinam do lado de fora. Estas trevas são a imagem do inferno com seus tormentos, sobretudo da privação da visão beatífica de Deus, que é a Luz, a Beleza e o Bem infinitos.   

Caríssimos, a Santa Madre Igreja também admira a fé e a humildade do Centurião. Na presença do Salvador na Eucaristia, no momento em que Ele está prestes em fazer sua entrada nas almas pela comunhão, a Igreja emprega as palavras do oficial romano e as coloca nos lábios de seus padres e de seus milhares de fiéis: "Domine, non sum dignus ut intres sub tectum meum, sed tantum dic verbum et sanabitur anima mea". Que honra para o Centurião que não tinha recebido as promessas, nem as preparações, nem as graças especiais do povo judeu, e cuja fé se mostrara no entanto tão superior àquela desta nação rebelde em um tão grande número de seus filhos!

Nós somos, caríssimos, pela antiguidade da fé, dada uma vez por todas (S. Judas Tadeu, vers. 3), pela multidão inumerável de benefícios com que Deus nos favoreceu em todos os países onde brilhou a pregação do Evangelho no decurso destes 2000 mil anos, que foram regados pelo sangue dos mártires, nós, digo, estamos de alguma maneira em uma situação análoga àquela em que se encontraram os Judeus no tempo de Nosso Senhor. As graças de Deus nos preveniram e fomos delas cumulados. Podemos verdadeiramente ser considerados OS FILHOS DO REINO. Pois bem! Devemos temer merecer por causa de nossas infidelidades reiteradas, por nossas resistências obstinadas, que os estrangeiros vindos do Oriente e do Ocidente, nos sejam preferidos. Devemos temer que eles sejam admitidos ao reino do céu, e nós rejeitados.


Ó Senhor, que a vossa misericórdia nos preserve de tamanha desgraça! Sim, é verdade que nossa alma está enferma na casa de nosso corpo. Ela  está doente da doença do pecado, doença do orgulho, doença da luxúria, doença da avareza, doença da inveja, doença do ódio. Ela perdeu suas forças sob a ação dessas paixões funestas, dessas febres cruéis; ela está paralítica, tetânica e sofre horrivelmente, sem movimento para o bem, sem vida para a virtude. Senhor, uma só palavra vossa poderá curá-la. Não somos dignos, mas por vossa misericórdia, todos os obstáculos serão retirados, e Vós podeis vir à nossa alma e ela estará salva. Amém!

domingo, 14 de janeiro de 2018

EXPLICAÇÃO DO EVANGELHO DO 2º DOMINGO DEPOIS DA EPIFANIA


S. João II, 1-11

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Aldeia de Caná na atualidade
Celebraram-se umas bodas em Caná de Galileia, e achava-se ali a Mãe de Jesus. E também Jesus foi convidado, com seus discípulos, para as bodas. Logo após o Batismo e os 40 dias de recolhimento, oração e penitência numa montanha perto de Jericó, depois de permitir ao demônio que O tentasse por três vezes, Jesus Cristo inicia sua vida pública que vai prolongar-se por três anos apenas. Já tinha em torno de si alguns discípulos, levados a Ele pelo testemunho de Seu Precursor, João Batista. Estando assim nos inícios de sua carreira evangélica, não havia feito ainda nenhum milagre para atestar sua missão. Jesus começa na pequena aldeia de Caná, perto de Nazaré, a série brilhante e ininterrupta de milagres que doravante encherá sua vida, e oferecerá ao mesmo tempo sólidos fundamentos à nossa fé e úteis instruções para nossos costumes.

Caríssimos, afim de melhor acolher e compreender os ensinamentos desta narração evangélica, consideremos sucessivamente os diversos personagens desta cena de Caná.

Primeiramente consideremos os ESPOSOS. Sua conduta é inteiramente digna de elogio. Pois convidam a Jesus e Maria para seu casamento. Hoje, infelizmente são raríssimos os noivos que convidam Jesus e Maria para suas núpcias. Em se tratando de algo tão sério, tão importante do qual depende a sorte da vida inteira e até de gerações futuras, quantos são aqueles noivos que levam em conta os conselhos, os mandamentos e a doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo? O Divino Mestre santificou a virgindade ao abraçá-la Ele mesmo e nascendo de uma virgem. Santificou, outrossim, o matrimônio elevando-o à dignidade de sacramento, honrando-o com Sua presença e com o seu primeiro milagre, com o qual aliás, mostra o poder de intercessão de sua Mãe Santíssima, e confirma seus primeiros discípulos na fé. Com a presença de Jesus e Maria, tudo nestas bodas é inteiramente puro, calmo, digno e santo. Nada de enfeites imodestos, nada de modas imorais, nada de palavras licenciosas, nada de gritos desordenados, nada de danças, nada de dissipação extravagante. Tudo transcorre com ordem, paz e caridade. Os convivas sabem que Jesus e Maria estão lá, vêem-Nos, ouvem sua voz e se edificam com Sua conversação. Mas nos casamentos em que Jesus e Maria são simplesmente banidos, reina, ao invés, o espírito pagão e assim, como aconteceu com os sete primeiros esposos de Sara, filha de Raguel, quem tem todo poder é o Asmodeu, inimigo das almas.

Consideremos agora, MARIA SANTÍSSIMA. O que nela aparece em primeiro lugar é sua bondade, bondade esta que brilha  com uma espontaneidade e um desvelo admiráveis. Sem que ninguém disso se advertisse, Maria percebe onde se encontra a necessidade e conseqüente vexame dos noivos. E sem que ninguém o peça, solícita, bondosa, compassiva, volta-se para seu Filho e Lhe diz ao ouvido estas palavras: "Não têm vinho". Jesus deixa claro que não é ainda chegada a hora de Ele começar a fazer milagres: "Mulher (em aramaico: 'já mara' que quer dizer SENHORA) que temos Eu e tu com isso? (Outra expressão tipicamente hebraica e que se encontra em várias passagens do Antigo Testamento). E assim poder-se-ia traduzir: "Senhora, que motivo nos leva a ti e a mim a falar deste assunto?' E devemos levar em conta o gesto, o tom de voz e outras circunstâncias que a completavam, os quais desconhecemos, mas podemos supor. Aliás, pela ordem que Maria dá aos serventes logo em seguida, mostra que ela bem entendeu que seu Filho iria fazer o milagre. Quem melhor poderia penetrar no Coração de Jesus senão sua Mãe Santíssima!  O fato é que não podemos concordar com aqueles protestantes que concluem que o próprio Jesus tratava Maria como uma mulher como as outras. Isto constitui inclusive uma grande ofensa ao próprio Jesus: sendo Deus não foi Ele que deu os dez mandamentos, inclusive o quarto? Infelizmente o desconhecimento da língua hebraica e aramaica da parte da maioria dos protestantes aumenta o perigo de falsas interpretações da Bíblia.

Por outro lado as palavras de Jesus foram ditas com toda certeza para fazer sobressair o poder de intercessão de sua Mãe amabilíssima. No Templo depois de recordar os direitos do Pai celeste, Jesus obedece aos pais terrenos; aqui, depois de recusar atender ao apelo de Sua Mãe, antecipa sua hora e faz o milagre, transformando a água em vinho. A primeira vista parece haver uma contradição entre  o que o Menino Jesus disse à sua Mãe lá no Templo e o que realiza aqui. É óbvio que não pode haver contradição no falar e agir de Jesus. O fato é que Jesus, como Ele mesmo declarou alhures, nunca fazia sua própria vontade mas sim a de Seu Pai Eterno. Assim a explicação é que o Pai havia determinado deste toda eternidade que Jesus não deveria negar nada à sua Mãe Santíssima.

Disse sua Mãe aos servidores: Fazei tudo o que Ele (Jesus) vos disser. Maria Santíssima quer nos ajudar com seus pedidos e com seu crédito junto de seu Filho. Ela quer mesmo prevenir muitas vezes, nossos pedidos, mas com uma condição: que façamos tudo o que o Seu Filho mandar, isto é, que executemos Sua vontade. E o que Ele quer é que façamos tudo que depende de nós, que nos apliquemos à obra de nossa salvação o concurso de nossa fraqueza, que coloquemos a água nas talhas de nossos corações, nestes corações de pedra (como os chama a S. Escritura) a água de nossas lágrimas, a água insípida da mortificação, do trabalho constante, do dever obscuro. E esta água transformar-se-á em vinho, e esta fraqueza será transformada em força, e nós mesmos, como os convivas de Caná, ficaremos admirados de encontrar em nós, em lugar de nossa miséria e de nossa covardia , uma fortaleza e uma generosidade das quais nunca nos julgaríamos capazes.

Além da bondade, vemos em Maria um poder extraordinário junto ao Coração de seu Filho. Ela pede um milagre de primeira ordem e para simplesmente livrar os esposos de Caná de um vexame. Pede sem ansiedade, sem inquietação, mesmo sem insistência, tão segura está do poder e do beneplácito de Seu Filho para com ela. Na verdade, Nossa Senhora não pede propriamente, apenas demonstra o desejo que tem em ver o seu Filho operar um milagre para livrar de um embaraço os neo-esposos de Caná.

Em Caná, além da bondade e poder, vemos brilhar em Maria a sua glória. Assim, não é pelo pedido de Maria que Jesus, escondido durante trinta anos na obscuridade de uma vida humilde e comum, se mostra enfim o que é, e manifesta este poder divino que estava até então tão cuidadosamente oculto n'Ele? Não é, pois, pelo prece de Maria que Ele começa as funções de seu ministério público; deste ministério que vai se tornar tão fecundo em ensinamentos e prodígios; que Ele estabelece sua missão, que Ele ganha a confiança de seus discípulos e os prende definitivamente à sua pessoa?

Agora, caríssimos, contemplemos JESUS! Aqui nas Bodas de Caná Jesus nos ensina uma coisa, a maior, a mais bela, a mais augusta que possamos aprender: é que Ele é Deus, Filho de Deus. Com efeito, tudo em seu semblante, em suas palavras, em sua conduta, atesta Deus todo poderoso e a própria sabedoria. Ele diz: "Minha hora não é ainda chegada". Se faz o milagre é porque, como ficou explicado acima,  para obedecer a um decreto do Pai, isto é, que nada negasse à Sua Mãe. Fala com calma e dignidade: "Enchei de água estas talhas até às bordas e levai-a ao mestre-sala". Jesus queria que seus milagres provassem a sua missão divina e contribuíssem para a estabelecer aos olhos dos homens. Para tanto Ele dá ao milagre de Caná todas as garantias e toda autenticidade de que é susceptível. Ele espera para que a necessidade seja bem constatada. Ele faz encher as talhas de água até às bordas, afim de que a água apareça aos olhares dos convivas; Ele ordena aos servidores que busquem a água e a levem ao mestre-sala. A este último, com efeito, é que pertence o direito de constatar oficialmente a qualidade do licor que o poder de Jesus tinha substituído à água das talhas, e atestar assim solenemente o milagre.

Caríssimos, o milagre de Caná figura o milagre mais retumbante e sobretudo mais cheio de amor que nos oferece a Eucaristia. Nela Jesus opera a mais maravilhosa mudança, pois transforma o pão e o vinho em seu Corpo e em seu Sangue, e isto sem que Ele visivelmente coloque a mão, mas pelo ministério de seus servidores e de seus padres.


Onipotente e eterno Deus, que governais igualmente o céu e a terra, com a vossa Providência, escutai, benigno, as súplicas de vosso povo, e concedei às famílias de  nossos tempos, a vossa paz; e que a indissolubilidade que estabelecestes para o sacramento do matrimônio não seja destruída pelos homens. Amém! 

2º DOMINGO DEPOIS DA EPIFANIA

   Leituras: Epístola de São Paulo aos Romanos, 12, 6-16; 
                   Evangelho segundo São João, 2, 1-11.

 
"Naquele tempo, celebraram-se umas bodas em Caná de Galileia, e achava-se ali a Mãe de Jesus. E também Jesus foi convidado, com seus discípulos, para as bodas. Faltando o vinho, a Mãe de Jesus disse-lhe: Eles não têm mais vinho. Respondeu-lhe Jesus: Senhora, que nos importa isso, a Mim e a ti? Ainda não chegou a minha hora. Disse sua Mãe aos servidores: Fazei tudo quanto Ele vos disser. Ora, havia ali seis talhas de pedra destinadas às purificações usadas entre os judeus, cada uma das quais comportando duas ou três medidas [cerca de 40 litros]. Disse-lhe Jesus: enchei de água estas talhas. E encheram-nas até às bordas. E Jesus disse-lhes: Tirai agora e levai ao mestre-sala. E levaram. Assim que o mestre-sala provou a água transformada em vinho, sem saber de onde era, embora o soubessem os serventes que haviam tirado a água, chamou o mestre-sala o esposo, e disse-lhe: Todo homem põe primeiro o bom vinho, e quando já se tem bebido, põe então o inferior; mas tu guardaste o bom vinho até agora. Este foi o primeiro dos milagres que Jesus fez em Caná de Galileia; e manifestou sua glória e seus discípulos creram n'Ele". 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Atual Caná da Galileia
   A Liturgia da Santa Madre Igreja começa a falar da vida pública de Nosso Senhor Jesus Cristo. É o primeiro milagre de Jesus, que se deu numas bodas em Caná, pequena aldeia que fica a cerca de 15 km de Nazaré.
   A primeira coisa que o Santo Evangelista ressalta é que nestas bodas se achavam presentes Maria Santíssima e seu divino Filho Jesus acompanhado de alguns discípulos.
   Jesus queria honrar com a sua presença o casamento, futuro sacramento, que purificará a fonte da vida e fundará a família cristã; e ensinar-nos que ele vem de Deus, é bom, digno de respeito e santo; e glorificá-lo com o seu primeiro milagre.
   Infelizmente, quantos cristãos, ou que se dizem tais, repelem a presença de Jesus, recusam a intervenção de Maria Santíssima, no ato aliás tão solene do casamento, e que tantas graças requer para completa felicidade da família! Todo casamento contraído fora da presença de Jesus, e sem a intervenção da sua Igreja, é não somente escandaloso e infeliz, mas ainda fonte perene de inúmeros pecados.

   Felizes os cristãos que têm o cuidado de convidar Jesus e Maria para as suas bodas, preparando-as e celebrando-as em santas disposições! Serão cumulados das graças e das bênçãos mais abundantes. Mas, ai! quantos consideram o matrimônio como um negócio inteiramente humano; quantas más intenções, imodéstias, quantos pecados lamentáveis que precedem, acompanham e seguem este ato tão importante da sua vida! É por isso que são tão poucos os casamentos verdadeiramente abençoados por Deus, e que uma maldição divina parece pesar sobre tantas famílias.
   Caríssimos e amados irmãos, consideremos agora Maria Santíssima nestas santas bodas de Caná da Galiléia. Mãe solícita,  percebe que o vinho vai faltar; e na sua bondade compassiva quer poupar aos esposos a vergonha e aos convivas a privação. Ela sabe que seu filho é o Filho de Deus, e assim cheia de fé, dirige-se a Jesus, cujo poder conhece. Expõe o embaraço iminente daqueles noivos e daquela pobre gente Àquele cuja bondade iguala o poder: "Eles não têm vinho". Palavra, ou antes prece misteriosa, cheia de eficácia sobre o Coração de Jesus, que, em atenção a sua Mãe, vai antecipar a hora dos seus milagres.
   Jesus entende que sua Mãe confia que Ele sendo o Messias, o Filho de Deus, pode fazer um milagre. E Jesus vai fazê-lo. Deixa claro, no entanto, que ainda não era a hora determinada pelo Seu Pai para dar início aos seus milagres. Disse isto para ressaltar o poder de intercessão de Sua Mãe Santíssima. Mas não havia dito no templo entre os doutores que Ele devia obedecer a Seu Pai, ocupando-se em fazer as coisas em obediência a Ele? Sim. Se Jesus antecipa a sua hora de começar a fazer milagres é porque o Seu Pai também determinou que Ele não negasse nada a Sua Mãe. Aqui, portanto, estava igualmente obedecendo ao Seu Pai. É da vontade de Deus que Jesus ceda sempre à intercessão de Maria Santíssima.
   Esta explicação se harmoniza, não somente com outras passagens similares da Escritura, mas ainda com o Espírito de São João, cujo fim era provar a Divindade de Jesus. Além disso o procedimento da Santíssima Virgem mandando aos servos que obedecessem a Jesus, não obstante sua resposta aparentemente negativa, confirma esta explicação que, aliás, só encontra oposição na má fé e ignorância de certos hereges.
   Que felicidade para os esposos de Caná o terem convidado Maria! Ela começa, então, em favor deles, aquele inefável mistério de intercessão, cujos resultados são tão proveitosos para nós, e que, de resto, é tão conforme ao plano divino, segundo a feliz expressão de São Bernardo: "Assim foi da vontade de Deus que tudo recebêssemos através de Maria Santíssima".
   Qual de nós hesitará, pois, em pôr sua confiança em Maria Santíssima e em implorá-la em todas as necessidades? Se ela intercedeu com tanta bondade por estes esposos, sem ter sido rogada, que não fará por aqueles seus filhos que recorrem a ela com tanta fé e amor?
   Ó Maria, boa e terna Mãe, vede a minha profunda miséria espiritual e dizei por mim a Jesus: "Ele não tem vinho", só tem a água da tibieza. Jesus que nada pode recusar-nos, fará em meu favor um novo milagre; dar-me-á graça e perdão, luz e força, mudará a minha água de tibieza no vinho delicioso da devoção e amor!
   Outro resultado deste primeiro milagre de Jesus foi fortalecer a fé nascente dos seus discípulos. Alguns, com efeito, já O seguiam mais ou menos, reconhecendo nele um profeta como João Batista. Mas, depois deste prodígio, consideraram-no como o Messias predito pelos Profetas; sentiram crescer a sua fé e ficaram mais bem dispostos para aceitar a doutrina de Jesus e pô-la em prática.
   Graças Vos dou, ó Jesus, por todas estas lições preciosas, que Vos dignastes dar-nos hoje. Ajudai-nos com a Vossa santa graça a aproveitá-las bem, a amar-Vos cada vez mais, e a viver unicamente para Vós. Amém!