SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

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sexta-feira, 2 de setembro de 2016

O SACRIFÍCIO

   Extraído do Livro "JESUS, REI DE AMOR" escrito pelo Beato Padre Mateo Crawley-Boevey SS. CC.

   "Foi em um 25 de Março que o Espírito Santo, adaptando um corpo ao Verbo de Deus no seio virginal de Maria, ungiu-O Sumo Sacerdote para a glória da Trindade e constituiu-O Vítima redentora de Adão e da sua descendência... Assim o afirma a Igreja na oração da Missa, tão bela, do Sacerdócio de Jesus Cristo: "Ó Deus, que, para a glória de tua Majestade e para a redenção do gênero humano, constituíste Sumo e Eterno Sacerdote o Teu Filho Unigênito..."

   Pela Encarnação tornou-se o Filho de Deus, como Filho do homem, capaz de sofrer, de agonizar e de morrer, Ele, a Imortalidade e a Vida! E, encarnado-se para cumprir a vontade do Pai, o Verbo entregou-se à morte "porque Ele mesmo o quis".

   Com efeito, Ele descera como Messias e Salvador "para salvar o que tinha perecido".

  Viera para oferecer-se em holocausto de valor infinito, sacrifício por excelência, sacrifício da Nova Aliança.

   Ah! como é perturbadora e emocionante a consideração de que, podendo salvar-nos em um Tabor resplandecente de glória e de delícias, preferiu, por puro amor, a loucura e a ignomínia da Cruz!

   Dito isto, entremos em matéria, a alma cheia de júbilo. Queira Deus que por meio desta meditação se deixem as almas arrebatar pelo Mistério augusto de que tratamos. Mais do que nunca, esteja conosco o Espírito Santo!

   Que é a Santa Missa segundo a doutrina da Igreja?

   O Sacrifício é a Adoração de Jesus Cristo, Deus-Homem, que louva a Trindade no Altar, como no Calvário. Ele O glorifica, assim como O glorificava no Céu, "antes que houvesse mundo".

   Sim! o Filho de Deus, Pontífice e Hóstia, o próprio Deus, adora a Deus, Seu Pai. 

   Sua adoração é divina!

   Que é, em essência, o drama eucarístico? O Sacrifício é a Expiação perfeita que Jesus Cristo, Deus e Homem, oferece no Altar ao Pai, gravemente ofendido pela revolta criminosa do pecado. Ele é portanto o Cordeiro Imaculado que se imola, da aurora ao ocaso, oferecendo o seu preciosíssimo Sangue em holocausto por nossos inúmeros pecados, para salvação dos pecadores.

   Sua Ação de Graças é divina!

   Que é, teologicamente, a Missa? O Santo Sacrifício é a Eucaristia, isto é, a Ação de Graças que Jesus Cristo, Deus e Homem, oferece ao Pai em nome de seus filhos, cumulados de benefícios, porém ingratos!... Sem esta suprema ação de graças, nossa negra ingratidão atrairia o raio da justiça divina. 

   Ah! quantos benefícios temporais e espirituais devemos agradecer ao Céu! O Batismo de água; o batismo de sangue no Calvário; o batismo de fogo no Cenáculo, no maravilhoso Pentecostes; a nossa filiação divina, filhos adotivos que somos do Pai. 

   O oceano de graças dos Sacramentos.

   A arca de salvação que é a Igreja, e, nela, a rocha que é o Pontífice Romano. A Maternidade divina e a Mediação Universal de Maria, e todos os seus privilégios, que são outras tantas graças para nós. 

   O dom dos dons que é a Eucaristia-Sacrifício e a Eucaristia-Sacramento, até a consumação dos séculos: "Amou-os até o fim!"

   Sua Impetração é divina!

   Em que consiste ainda este indizível prodígio do Altar? O Santo Sacrifício é a Impetração do Cristo Jesus que, no pleno conhecimento de nossa grande indigência moral, roga ao Pai, com sabedoria tão grande quão misericordiosa, uma chuva de bênçãos e de graças que somente Ele conhece, e somente Ele nos pode obter... Pois disse: "O Pai me ouve sempre!"

   Ele permanece nosso Advogado, cujo clamor incessante em nosso favor se eleva até o Trono do Altíssimo... Incomparavelmente melhor do que Moisés, Jesus Cristo no Altar eleva Suas mãos suplicantes, perfuradas, e nos protege contra os rigores da justiça. E desta forma os favores que Ele nos obtém excedem de muito o número das nossas ofensas.

   Sua Expiação é divina!

   Melhor fecho não poderíamos encontrar, para tão graves e comoventes reflexões, do que a definição textual do Santo Sacrifício, dada por Sua Santidade o Papa Pio XII.

   Ei-la: "O Sacrifício eucarístico consiste essencialmente na imolação incruenta da Vítima divina, imolação misticamente indicada pela separação das Santas Espécies e por sua oblação ao eterno Pai. A Santa Comunhão assegura a integridade do Sacrifício e tem por fim d'Ele fazer-nos participar sacramentalmente; a Comunhão, porém, absolutamente necessária para o Ministro sacrificador, é, para os fiéis, apenas vivamente recomendável".

   Façamos aqui uma pequena pausa: a beleza das reflexões que precedem bem merece um comentário, não longo, porém cheio de ardor e de luz. Que se rompa em saborosas migalhas este pão de doutrina. Que estas migalhas  não se percam! tomai-as com amor e comei!

   A voz de Cristo, Pontífice e Mediador, que adora, que expia, que agradece e que implora no Santo Altar, é a própria voz da Igreja Católica.

   Com efeito, a Santa Missa é a homenagem oficial e pública da humanidade redimida e cristã, que pelos lábios e chagas do Cristo Mediador adora, louva e bendiz, no Altar, ao Deus Uno em Suas três adoráveis Pessoas. É assim que uma só Missa dá maior glória a Deus do que todos os milagres, todo o louvor da Corte Celeste dos Anjos e dos Santos. É o próprio Deus que, no Altar, adora e louva a Deus, dando-Lhe glória infinita.

   A Missa é, por conseguinte, uma homenagem divina - a homenagem do Sacrifício; é também uma oração coletiva, e nunca um culto de devoção particular, como as visitas ao Santíssimo Sacramento, a Via-Sacra ou o Rosário. A Missa é o grande clamor católico da família cristã que sofre, no exílio da terra, a nostalgia do Céu". 

   

   
  

   

   

terça-feira, 30 de agosto de 2016

O SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA - ( I )

   Continuemos as instruções catequéticas sobre os Sacramentos. Estávamos explicando o Sacramento da Eucaristia.
   Por duas principais razões Jesus Cristo, Nosso Senhor, instituiu a Santíssima Eucaristia: primeira, para ser alimento celestial de nossa alma, com que pudéssemos proteger e conservar em nós a vida espiritual; a segunda, era para que na Igreja houvesse um sacrifício perene, em reparação de nossos pecados, pelo qual o Pai do céu, a quem tantas vezes ofendemos gravemente com nossos pecados, se aplacasse e se tornasse propício ao gênero humano. A Santíssima Eucaristia é Sacramento sacrifical e Sacrifício sacramental.
   Depois de termos tratado da Eucaristia como Sacramento, falaremos da Eucaristia como Sacrifício. O SACRIFÍCIO DA NOVA LEI CHAMA-SE SACRIFÍCIO DA MISSA.
   Primeiramente, uma noção de sacrfício.
   SACRIFÍCIO: é a oblação (oferta) de uma coisa sensível, que se destrói se for ser inanimado, ou que se imola se for ser animado, feita por um ministro legítimo só a Deus, para reconhecer o seu domínio soberano e, em caso de pecado, para aplacar a sua justiça.

   Nesta definição, destacamos os seguintes elementos:
   1º ) a essência do sacrifício: consiste na destruição de uma coisa sensível, ou na imolação de um ser vivo (vítima).
   O modo mais expressivo que tem o homem, para exprimir a sua dependência e a das outras criaturas, é certamente a morte voluntária, isto é, o fato de entregar livremente a vida nas mãos de quem a deu. É esta a grande lição que Deus queria proporcionar à  humanidade, quando ordenou a Abraão que Lhe imolasse o filho Isaac. Mas, logo após, satisfeito com a obediência cega do seu fiel servo, substituiu um carneiro a Isaac, reprovando assim os sacrifícios humanos a que tinha todo o direito e apontando o meio de supri-los.

   2º) o ministro da sacrifício: O Sacrifício é um ato de culto público. Para que alguém se torne capaz desse ato, é preciso que receba um poder. Tanto na lei mosaica, como na lei evangélica (nova lei), só os sacerdotes foram consagrados para esta missão.

   3º) a finalidade do sacrifício: que é reconhecer o domínio soberano de Deus e aplacar a sua justiça, caso o tenhamos ofendido. Por causa da criação, existe entre o Criador e a criatura uma vínculo que os prende um ao outro: vínculo de senhorio da parte de Deus, vínculo de sujeição e dependência da parte do homem. O sacrifício é o ato que proclama essas relações e declara bem alto, por um lado, a infinita grandeza de Deus, por outro, o nosso nada, e, tratando-se de natureza decaída, a nossa ingratidão e arrependimento.
   A virtude moral da religião nos inclina a honrar a Deus, criador e governador do universo. E é tão espontâneo, no homem, o sentimento deste dever, que vamos encontrá-lo em todos os lugares, tempos e raças. Em todas as religiões da antiguidade, havia sacrifícios. Egípcios e persas, gregos e romanos e, mais tarde, gauleses e germanos, imolavam vítimas à divindade. Empenhavam-se em oferecer-lhe as primícias dos seus bens, para lhe agradar e granjear a sua benevolência.

   Para nos limitar à Religião verdadeira, recordemos que, logo nas primeiras páginas do Livro Sagrado, a Bíblia, lemos: "aconteceu oferecer Caim, em oblação ao Senhor, dos frutos da terra. Abel também ofereceu dos primogênitos do seu rebanho, e das gorduras deles. E o Senhor olhou para Abel e para os seus dons. Não olhou, porém, para Caim nem para os seus dons". (Gen. 4, 3-5).
   A Escritura nos fala também do sacrifício de Noé, Melquisedeque, de Abrão, Isaac, Jacó, etc.

sábado, 6 de agosto de 2016

O Sacrifício do Altar perpetua a memória de Jesus

Extraído do Livro "JESUS CRISTO NOS SEUS MISTÉRIOS"  escrito pelo Beato D. Columba Marmion.


   "Quando o nosso divino Salvador instituiu este mistério, com o fim de perpetuar os frutos do Seu Sacrifício, disse aos Apóstolos: Hoc facite in meam commemorationem - "Fazei isto em memória de mim" (S. Lucas XXII, 19; I Cor. XI, 24). Assim, além do fim principal, que é renovar a Sua imolação e fazer-nos participar dela pela Comunhão, Jesus Cristo ajuntou à Eucaristia um caráter de memorial. E como é que este mistério conserva a lembrança de Cristo? Como é que o recorda aos nossos corações?

   A Eucaristia conserva a recordação de Jesus, primeiro como Sacrifício.

   Sabeis muito bem que há um só sacrifício completo, total, perfeito, que tudo saldou e tudo satisfez, que tudo mereceu e do qual deriva toda a graça: o Sacrifício do Calvário. Não há outro. - "Por uma oblação única, diz São Paulo, Jesus Cristo levou para sempre à perfeição aqueles que são santificados" (Hebr. X, 14).  
   Mas, para que os méritos deste sacrifício sejam aplicados a todas as almas de todos os tempos, Jesus Cristo quis que ele fosse renovado no altar. O altar é outro Calvário, onde é recordada, representada, reproduzida a imolação da cruz. Assim, por toda a parte onde houver um sacerdote para consagrar o pão e o vinho, conserva-se a lembrança da Paixão. O que se oferece e dá no altar é "o corpo que foi entregue por nós, o sangue que foi derramado pela nossa salvação". É o mesmo Pontífice, Jesus Cristo, que os oferece pelo ministério dos Seus sacerdotes. Como não pensar, pois, na Paixão, quando assistimos ao Sacrifício da Missa, no qual tudo é idêntico, menos a maneira como se faz a oblação? 
   Não se celebra nenhuma Missa, não se faz nenhuma Comunhão sem que venha à mente a lembrança de Jesus que se entregou à morte para resgatar o mundo. Porque, diz São Paulo, "todas as vezes que comerdes este pão e beberdes deste cálice, anunciais, recordais a morte do Senhor; e assim será, até que Ele venha no último dia" (I Cor. XI, 26). 
   Assim se perpetua, viva e fecunda, até ao fim dos séculos, a lembrança de Cristo no meio daqueles que veio resgatar pela Sua imolação. 
   A Eucaristia é, pois, o perfeito memorial que Jesus deixou da Sua Paixão e Morte; é o testamento do Seu amor. Por toda a parte onde se oferece o pão e o vinho, onde se encontra a hóstia consagrada, é recordada a imolação de Cristo: "Fazei isto em memória de mim".
   A Eucaristia recorda-nos, antes de mais nada, a Paixão de Jesus. Foi na véspera da morte que Jesus a instituiu; foi como testamento do Seu amor que no-la deixou. 
   Contudo, não exclui os outros mistérios. Vede o que faz a Igreja. É a Esposa de Cristo, ninguém melhor do que ela conhece as intenções do seu divino Chefe; na organização do culto público que Lhe presta, é guiada pelo Espírito Santo. E que diz ela? Apenas terminada a Consagração, lembra primeiro as palavras de Jesus: "Hoc facite in meam commemorationem" - "Fazei isto em memória de mim". E logo a seguir, para mostrar até que ponto faz seus os sentimentos do Esposo, acrescenta: "Por isso, Senhor, nós Vossos servos e conosco esta Vossa santa assembleia, em memória da bem-aventurada Paixão do mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor e da Sua Ressurreição, bem como da Sua gloriosa Ascensão aos céus, oferecemos à Vossa divina Majestade... o pão sagrado da vida eterna e o cálice da salvação eterna".
   Assim pois, conquanto a Eucaristia recorde diretamente e em primeiro lugar a Paixão de Jesus, não exclui a lembrança dos mistérios gloriosos que tão estreitamente se encadeiam com a Paixão, da qual, em certo sentido, são o complemento. 
   Visto ser o corpo e sangue de Jesus Cristo que recebemos, a Eucaristia pressupõe a Encarnação e os mistérios que nela se baseiam ou dela derivam. Jesus Cristo está no altar com a Sua vida divina que não cessa jamais, com a sua vida mortal cuja forma histórica cessou, sem dúvida, mas cuja substância e merecimentos permanecem, com a Sua vida gloriosa que não tem fim. 
   Tudo isto, como sabeis, está realmente contido na sagrada hóstia e é dado em comunhão às nossas almas. Dando-se a nós, Jesus Cristo entrega-se na totalidade substancial das Suas obras e dos Seus mistérios, bem como na unidade da Sua pessoa. Sim, diremos com o salmista que cantava com antecedência a glória da Eucaristia, "o Senhor deixou ao Seu povo uma lembrança das suas maravilhas; na sua misericórdia e bondade, deu alimento àqueles que O temem" (Salmo 110, 4-5). 
   A EUCARISTIA É COMO QUE A SÍNTESE DAS MARAVILHAS DO AMOR DO VERBO ENCARNADO PARA CONOSCO. 

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

QUEM OFERECE A SANTA MISSA?

   Extraído do Livro "JESUS, REI DE AMOR" do Beato Padre Mateo Crawley-Boevey, SS. CC.

   São três pessoas, cuja atuação, no entanto, se apresenta com valores litúrgicos muito diferentes.

  Em primeiro lugar, o Pontífice adorável, o Cristo Jesus, o "Sumo Sacerdote segundo a Ordem de Melquisedech" - Oficiante Divino e ao mesmo tempo Oblação Sacramental Sacrossanta.

   Em segundo lugar - por Ele, com Ele e n'Ele - o sacerdote, esse "outro Cristo", oficialmente tornado ministro expressamente para oferecer o Santo Sacrifício. Sacerdotium propter sacrificium: o sacerdote foi criado para oferecer o Sacrifício; o Padre, ao executar no altar esta "ação máxima", o faz investido do Sacerdócio e do poder de Cristo, segundo a palavra do Salvador na última Ceia: "Fazei isto em memória de Mim".

   E finalmente - de certo modo em concomitância espiritual - os fiéis, embora restrita e discretamente, também oferecem o Sacrifício da Vítima. E, sendo a Missa essencialmente um culto social e público, exige sempre a Igreja a presença, no altar, de um representante do povo: é aquele que ajuda à Missa. Este, na sua função oficial de "deputado" do povo, deve apresentar ao celebrante o vinho e a água, e manter com o sacerdote o diálogo estabelecido desde os primeiros séculos como forma litúrgica para a celebração do Santo Sacrifício.

   Notamos com satisfação imensa que desde algum tempo muito se tem pregado e escrito sobre a Santa Missa. E por esse meio - forçoso é reconhecê-lo - têm os fiéis avançado muito na estrada que conduz ao Altar, e com fé mais viva e esclarecida. Confessamos, entretanto, que estamos longe ainda do ideal da Igreja nesse sentido...

   São ainda demasiado numerosos os bons aos quais falta uma sólida instrução religiosa... São legião aqueles que vêm à Missa quase que somente para comungar - de certo que não para participarem do Santo Sacrifício, para glorificarem a Santíssima Trindade... Quantas e quantas almas piedosas reduzem a Divina Eucaristia ao Pão consagrado que se distribui na Santa Mesa!

   A Santa Missa é, para esses, uma bela cerimônia litúrgica durante a qual, segundo o uso estabelecido, é permitido comungar... A Missa não é, para esses, o grande Sacrifício, verdadeiro centro da Igreja: é apenas a chave de ouro que lhes abre o Tabernáculo quando, por devoção toda particular, pessoal, desejam receber a Jesus-Hóstia... São esses que, durante toda a Missa, rezam terços e novenas, sem consciência do divino drama que se desenvolve no Altar... São esses os que separam o Sacrifício do Sacramento.

   Como tinha razão o grande teólogo que escreveu: "Aquele que não sabe apreciar a Santa Missa não será jamais uma alma verdadeiramente eucarística; jamais saberá apreciar a Santa Comunhão, mesmo que a receba todos os dias..." De fato, a ignorância, de par com a rotina, desempenha, neste caso, um papel nefasto, transformando o Santíssimo Sacramento em devoção insípida e sem substância. 

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

O SANTO SACRIFÍCIO DA CEIA E DA MISSA

   O Salvador não quis que o seu Sacrifício sangrento da Cruz, de onde nasceu a Igreja cristã, permanecesse entre nós apenas qual longínqua lembrança, a ser atingida pela fé. Foi vontade sua perpetuar esse sacrifício ao longo do tempo, tornando-o presente a cada instante que passa da hstória do mundo. Não por ser ineficaz e imperfeito o Sacrifício do Calvário, mas para aplicar-lhe a virtude a cada homem que passa.
   Além disso, a Igreja de Jesus Cristo não seria perfeita se ela fosse incapaz de oferecer a Deus um sacrifício condigno. Tão grande falha na Esposa dileta do Filho de Deus seria imcompreensível. E realmente não existe. Porquanto, como ensina o Concílio de Trento (Sessão XXII, c. 1), instituiu Jesus Cristo um sacrifício para sua Igreja, visível como convém à natureza dos homens.
   Fê-lo NA VÉSPERA DE SUA PAIXÃO, na qual seu Sangue inocente iria resgatar-nos do cativeiro do demônio. De fato, na ÚLTIMA CEIA, ofereceu-se como VÍTIMA ao Pai Eterno, sob as especies de PÃO e de VINHO. E ordenou aos seus apóstolos - que no momento constituiu sacerdotes - e aos seus sucessores, que renovassem aquele mesmo sacrifício até o fim dos séculos. É o SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA,  o qual repete o sacrifício da Ceia, e realiza a profecia de Malaquias, ao anunciar a Hóstia pura quodidianamente ofercida ao Senhor de um ao outro extremo da terra.

   NO CENÁCULO, O RITO ERA REPRESENTAÇÃO ANTECIPADA DA IMOLAÇÃO DA CRUZ.
   NA MISSA: REPRESENTAÇÃO COMEMORATIVA DO SACRIFÍCIO DO CALVÁRIO.

   Mas o rito eucarístico NÃO é UMA REPRESENTAÇÃO VAZIA de um acontecimento passado, é uma comemoração eficaz, porque sobre o altar, sob as espécies de pão e vinho, se tornam PRESENTES o corpo e o sangue do Senhor.
   A Santa Missa é um sacrifício sob forma sacramental, apresenta atualmente Cristo em estado de vítima, TORNA PRESENTE  a Cruz. Toda a realidade da Missa está em função da Cruz.

SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS ENTRE O SACRIFÍCIO DA CRUZ E DA MISSA

   I) SEMELHANÇAS
   Substancialmente, não há distinção entre um sacrifício e outro. Em ambos temos:
   a) a mesma VÍTIMA: Jesus Cristo na sua adorável Humanidade;
   b) o mesmo SACERDOTE: Jesus Cristo. Na Cruz: Ele pessoalmente. - Na Missa: Ele ainda, mas servindo-se do ministério do sacerdote que lhe empresta os lábios e as mãos, para renovar a oblação da Cruz.

   II) DIFERENÇAS
   a) Na maneira da oblação. No Calvário, o sacrifício foi cruento, isto é, com derramamento de sangue. Na Missa, o sacrifício é incruento, isto é, sem derramamento de sangue.
   b) Quanto ao sacrificador. O Sumo Sacerdote é o mesmo em ambos, como vimos. Mas, na Cruz, Jesus se imolou direta e pessoalmente; na Missa, Ele se serve de instrumentos que são os sacerdotes consagrados.
   c) Quanto aos efeitos. O Sacrifício da Cruz realizou a obra da Redenção. O Sacrifício da Missa torna presente o Sacrifício da Cruz para aplicar os frutos da Redenção.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

O SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA: DEFINIÇÃO, EXCELÊNCIA E FINS

   A SANTA MISSA é o SACRIFÍCIO INCRUENTO do CORPO e do SANGUE de JESUS CRISTO, oferecido sobre os nossos altares, debaixo das espécies de PÃO e VINHO, em memória do SACRIFÍCIO DA CRUZ.
   Já explicamos que sacrifício é:  OBLAÇÃO E IMOLAÇÃO.
   O SACRIFÍCIO DA MISSA  consiste na oblação do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo, presentes sobre o altar sob as espécies ou aparências da pão e vinho. A essência desse sacrifício está na CONSAGRAÇÃO das duas espécies, isto é, do pão e do vinho, SEPARADAMENTE.
   A CONSAGRAÇÃO é a IMOLAÇÃO incruenta da vítima. A separação da espécies  representa a separação do Corpo e Sangue de Jesus Cristo na Cruz. Na Missa, o Corpo de Jesus não se separa realmente do seu Sangue. Se fosse assim, Jesus morreria outra vez e haveria um novo sacrifício. Não há um novo sacrifício na Missa; há o MESMO SACRIFÍCIO  que foi oferecido na Cruz. A separação é nas PALAVRAS e nas ESPÉCIES (do pão e do vinho), que REPRESENTAM a separação do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo na Cruz. À esta separação chama-se SEPARAÇÃO MÍSTICA ou SACRAMENTAL.
   Na Cruz, a morte de Jesus foi real; na Missa, há apenas morte mística. Pela separação sacramental do Corpo e do Sangue, Jesus Cristo se torna presente em estado de vítima. No instante em que consagra, o sacerdote age na pessoa de Cristo, Sumo Sacerdote que se oferece em oblação.
   Devemos dizer que a morte de Jesus na Santa Missa é apenas mística, mas a oblação de Jesus como Vítima é a mesma do Calvário, real e eficaz como no Calvário. Daí a:


   EXCELÊNCIA  DO SACRIFÍCIO DA MISSA

   Como todo valor do sacrifício depende da dignidade da Vítima e do Sacerdote que a oferece, nenhuma dúvida há de que tanto é infinita a MISSA  como o foi a oblação da CRUZ.

FINS DO SACRIFÍCIO DA MISSA

   1º) Fim latrêutico (adoração): Em primeiro lugar, a glorificação do Pai Celeste, correspondente à sua Majestade infinita.
O sacrifício é, antes de tudo, um testemunho externo dos sentimentos de reverência absoluta diante do poder e senhorio de Deus. Ora, Jesus Cristo, Nosso Senhor, pela oblação reverente da própria vida, na Cruz, reconheceu o soberano direito de Deus sobre os homens. Na Santa Missa, renova essa oblação, prestando ao Pai Onipotente toda honra e glória.

   2º) Fim eucarístico (ação de graças): A fim de mostrar nossa gratidão, oferecemos ao benfeitor algo que nos é precioso. Que há de mais precioso que Jesus Cristo? Por Ele, em nome d'Ele, rendemos graças a Deus, igualando o benefício recebido. A Missa é EUCARISTIA, isto é, ação de graças.

   3º) Fim propiciatório (expiação, reconciliação): Pelo seu sacrifício, Jesus expiou, satisfez condignamente a ofensa feita ao Deus infinito. A cada pecador, este Sacrifício se aplica sobretudo pelos Sacramentos e pela Missa. Na Missa, como na Cruz, Jesus aplaca a ira divina ultrajada pelos nossos pecados e se oferece pela nossa redenção, nossa  e de todo o mundo, e bem assim "por aqueles que repousam em Cristo e nos precederam com o sinal da fé e dormem o sono da paz".

   4º) Fim impetratório (petição de graças): Como na Cruz, assim também sobre o Altar, Jesus continua a sua mediação, é atendido nas suas preces, "para que sejamos cumulados de toda bênção e graça".
   Devemos todavia conservar em nossos pedidos a ordem que indica a liturgia: a) antes de tudo rezar pelas grandes intenções da Igreja; b) depois, pedir graças espirituais para nós e os outros; c) por último, implorar favores temporais, na medida em que forem úteis à nossa salvação.

   

sexta-feira, 29 de julho de 2016

VALOR DO SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA

   A Santa Missa como ação de Cristo, considerando-se o Sacerdote principal e a Vítima, tem valor INFINITO.
   Considerando, porém, a aplicação aos homens (pois a Missa distribui e aplica os merecimentos da Cruz), os frutos são proporcionados às disposições das pessoas por quem se oferece. Quanto melhores as disposições, maiores os frutos. Frutos são a nossa participação de fato aos efeitos propiciatório e impetratório da Santo Sacrifício.
   Estes frutos são de três categorias:
   Frutos gerais - são os que aproveitam a todos os fiéis cristãos, vivos e defuntos, a toda a Igreja. Daí vemos, sem dificuldade, que "todas as Missas são comunitárias (mesmo as celebradas privadamente), porquanto dizem respeito ao bem e à salvação comum de todos os homens". (Cat. Romano).
   Frutos especiais - os que são atribuídos às pessoas, vivas ou defuntas, pelas quais o Sacrifício é aplicado pelo sacerdote celebrante.
   Frutos especialíssimos - são os que competem ao celebrante, aos ajudantes e aos que assistem à Santa Missa.

   A QUEM E POR QUEM SE CELEBRA O SANTO SACRIFÍCIO?

   I - A Santa Missa, por ser verdadeiro sacrifício incluindo, portanto, a adoração, só pode ser oferecida a DEUS.
   Por que então se celebram tantas Missas em honra de Maria Santíssima e dos Santos? Quando se celebra a Missa em honra de Maria Santíssima e dos Santos, não se lhes oferece o sacrifício, mas sim a DEUS, para agradecer-Lhe as graças que lhes fez ou para obter, por intercessão deles, as graças de que necessitamos.
   Esta é a razão por que o sacerdote nunca costuma dizer: "Ofereço-te este Sacrifício, ó Pedro, ou, ó Paulo. "Mas oferecendo o sacrifício só a DEUS, rende-Lhe graças pela insigne vitória dos Santos, aos quais implora proteção, de maneira que "no céu se dignem interceder por nós, aqueles cuja memória celebramos na terra".

   II - POR QUEM SE CELEBRA?

   Ensina o Concílio de Trento que o Santo Sacrifício da Missa pode ser oferecido pelos vivos e pelos defuntos.
   A. Pelos vivos: a) Pode-se oferecer a Santa Missa na intenção dos fiéis, justos ou pecadores; b) pelos infiéis, hereges, cismáticos e excomungados: privadamente, evitando possíveis escândalos, assim mesmo para obter que se convertam a fé católica.

   B. Pelos defuntos: a) Não pode ser oferecido o sacrifício da Missa por quem não for capaz de recolher os frutos: os condenados do inferno, as crianças que morrem sem o batismo e os santos do céu. b) É proibido, por leis eclesiásticas, celebrar a Missa pelos que morreram fora da comunhão da Igreja: infiéis, hereges, excomungados - sem terem dado sinais positivos de arrependimento. Estes não têm direito aos sufrágios públicos. A Igreja, porém, permite a celebração de Missas por eles privadamente. c) Pelas almas do Purgatório para livrá-las mais depressa do purgatório.
   Se os sacrifícios da Antiga Lei já tinham virtude PROPICIATÓRIA, como se deduz do procedimento de Judas Macabeu (I Mac. XII, 44), que oferecia sacrifícios pelos seus soldados mortos na guerra, quanto maior eficácia não terá a Santa Missa, para obter a remissão das penas devidas ao pecado!

   "QUANDO O SACERDOTE CELEBRA A SANTA MISSA, HONRA A DEUS, ALEGRA OS ANJOS, EDIFICA A IGREJA, AJUDA OS VIVOS, PROPORCIONA DESCANSO AOS DEFUNTOS E FAZ-SE PARTICIPANTE DE TODOS OS BENS". (Imitação de Cristo IV, 5).