SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

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quinta-feira, 28 de julho de 2016

COMO ASSISTIR À MISSA SEGUNDO S. PEDRO JULIÃO EYMARD

   Extraído do Livro "A SANTÍSSIMA EUCARISTIA". 


   Sabemos que a Santa Missa é o Sacrifício perfeito, pelo qual oferecemos a Deus os deveres de adoração, de ação de graças, de propiciação e de impetração que Lhe são devidos, e para os quais existiam, no Antigo Testamento, distintos sacrifícios. 

   Para acompanhar a Santa Missa com mais fruto, convém pois assistir a ela no espírito do santo Sacrifício.

   Antes de iniciar a Missa, o Sacerdote, ao pé do altar, ora e se humilha por seus pecados. A seu exemplo, confessai os vossos, a fim de assistir mais dignamente ao santo Sacrifício.

   A Missa propriamente dita abrange três partes: a primeira vai desde o Introito até o Ofertório; era outrora chamada Missa dos catecúmenos.

   A segunda principia no Ofertório, terminando na Comunhão.

   A terceira compreende as orações seguintes à Comunhão.

   Primeira parte.  -  Durante o Introito e o Kyrie eleison, recordai os desejos dos Patriarcas e dos Profetas, suspirando pelo advento do Messias; a seu exemplo, desejai a vinda e o reino de Jesus Cristo em vós.

   Ao Gloria in excelsis, uni-vos em espírito aos Anjos, para louvar a Deus e agradecer-Lhe o mistério da Encarnação. 

   Às orações, uni vossas intenções e pedidos aos da Igreja.

   Escutai a Epístola como se ouvísseis a pregação de um Apóstolo ou de um Profeta, e o Evangelho como se Jesus Cristo mesmo vos falasse.

   Recitai o Credo com sentimento de viva fé, disposto a morrer para confessar cada um dos artigos da doutrina revelada. 

   Segunda parte.  -  Uni vossas intenções às do sacerdote, e oferecei a Deus o santo Sacrifício segundo os quatro deveres:
  1. Como latrêutico, isto é, de soberana adoração, oferecendo ao Pai eterno as adorações de Seu Filho encarnado, e unindo às Suas as vossas, em união com as da Santa Igreja.
  2. Como eucarístico, isto é, de ação de graças pela glória e méritos de Seu Filho muito amado, da Santíssima Virgem Mãe, e de todos os Santos; em reconhecimento por todos os benefícios que d'Ele recebestes e recebeis pelos méritos de Seu Filho. 
  3. Como impetratório, apresentando-o ao Pai eterno como penhor que nos deu de Seu amor, a fim de fazer com que d'Ele esperemos todos os bens espirituais e corporais de que necessitamos. - Exponde-Lhe as vossas necessidades e rogai-Lhe especialmente que Vos auxilie na correção do defeito dominante. 
  4. Como satisfatório, oferecendo-o em expiação de todos os vossos pecados e em reparação de tantos crimes que se cometem no mundo.

   Lembrai ao Pai eteno que tudo vos deve dar, pois que vos deu o Seu Filho, e que este divino Filho ainda Se coloca diante d'Ele, nesse estado de sacrifício, a fim de ser vítima de propiciação por vossos pecados e pelos de todos os homens.

   Terceira parte.  -  À Comunhão do sacerdote, aproximai-vos da sagrada Mesa. Se não vos for possível, fazei ao menos a Comunhão espiritual: 
  1. Concebendo um verdadeiro desejo de estar unido a Jesus Cristo e reconhecendo a necessidade de viver da Sua vida.
  2. Produzindo um ato de contrição de todos os pecados passados e presentes.
  3. Recebendo espiritualmente Nosso Senhor no íntimo de vossa alma, como Zaqueu em sua casa; - e pedindo-Lhe instantemente a graça de viver para Ele, pois que só por Ele viveis. 
  4. Imitai Zaqueu nas boas resoluções, e agradecei a Nosso Senhor que vos permitiu assistir à Santa Missa, fazendo então a Comunhão, ao menos espiritual; oferecei uma homenagem particular, um sacrifício, um ato de virtude.
   Pedi-Lhe a bênção para vós, assim como para os vossos parentes e amigos.    

quarta-feira, 27 de julho de 2016

SACRIFÍCIO DO ALTAR E SACRIFÍCIO DA CRUZ

   Sermão de São Pedro Julião Eymard.

  De todas as qualidades de Jesus Cristo, parece que nenhuma Lhe é mais honrosa que a de Sacerdote.

   Nos títulos de Salvador, de Rei, de Pastor, de Juiz, Ele considera mais imediatamente os homens, a sua Igreja; sob tais aspectos, de certo modo, aplica-Se apenas em arrancá-los da perdição eterna, em governá-los, alimentá-los, tratá-los segundo as obras.

   Na qualidade de Sacerdote, porém, eleva-Se diretamente ao Pai: adora-O por Si mesmo e presta-Lhe, em nome da humanidade, todos os deveres da religião. Por Seu sacerdócio, considera, antes de tudo, a glória do Pai celeste: é com este fim principal que Se imola em sacrifício. Se pensa também nos homens é porque, sendo Sacerdote, é Mediador: quer restabelecê-los na graça com Deus; desce até eles para elevá-los consigo até Deus.

  Portanto, a qualidade de Sacerdote é n'Ele a mais excelente.

  Ora, ensina-nos a Fé que Jesus Cristo operou a obra da nossa Redenção pelo Sacrifício cruento da Cruz. Sua morte expiou todos os pecados, satisfez rigorosamente a Justiça divina, reconciliando assim o céu com a terra, Deus com o homem.

   Entretanto, Seu amor não se limitou à imolação cruenta. Antes mesmo de morrer, Ele instituiu o sacrifício do Altar que renova o da Cruz, a fim de nos aplicar seus méritos e tonar-se o bem particular, a glória da Igreja católica.

   É meu desejo demonstrar-vos que, por esse motivo, o santo Sacrifício da Missa assume uma tríplice excelência que lhe é peculiar. Com efeito, pela Santa Missa:

   Deus é honrado sem ser simultaneamente ofendido, como o foi pelo deicídio dos judeus;  Jesus Cristo é imolado sem ser entregue à morte; os cristãos participam do Sacrifício, sem ser, como os judeus, cúmplices dos carrascos.

   De início, invoquemos Maria, Mãe de Deus, que deu à Vítima adorável a Carne e o Sangue para o divino sacrifício que, no altar, continua a ser diariamente oferecido por nós. Ave Maria.

(O sermão  continua em duas postagens: I - Excelência própria do Sacrifício da Missa; II - Máxima estima que devemos ter pelo Santo Sacrifício da Missa). 

terça-feira, 26 de julho de 2016

II - MÁXIMA ESTIMA PELO SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA

   Continuação e término do sermão de São Pedro Julião Eymard: "SACRIFÍCIO DO ALTAR E SACRIFÍCIO DA CRUZ".

   Devemos ter a maior estima por esse Sacrifício e ilimitado reconhecimento para com Jesus Cristo, que o instituiu.

   1. Tenhamos primeiro a mais elevada estima por esse augusto Sacrifício. Se Deus lhe é o fim, é-lhe também o meio. É um Deus encarnado que adora a Santíssima Trindade, que satisfaz, por Sua imolação, à justiça divina. Numa palavra, é por Jesus Cristo que a Igreja presta diariamente a Deus o culto que Lhe é devido.

   Por si mesmos, os homens nada podem oferecer a Deus, nada que seja digno d'Ele, de Sua grandeza. Como poderia o finito atingir o infinito? Mas, ó bondade divina! O próprio Pai celeste nos proporciona o nosso resgate. Entregou-nos o Seu próprio Filho, e com Ele todas as coisas (Cf. Rom 8, 32). De modo que, com Jesus Cristo e por Ele, somos nossos salvadores.

   Eis o motivo pelo qual a Igreja só se dirige a Deus por intermédio de seu Filho; adora-O, louva-O, suplica-Lhe, aplaca-O por meio d'Ele: per Christum Dominum nostrum; é assim que conclui todas as orações. 

   E o Pai celeste escuta o Filho que Lhe fala, no Altar, em nosso favor, com tanta força quanto na Cruz. Assim, podemos repetir, depois de São Paulo, que Deus opera ainda todos os dias, no altar, a reconciliação do mundo com Ele: Deus erat in Chisto mundum reconcilians sibi (2 Cor 5, 19). Não exprime a palavra erat uma perpetuidade de ação, iniciada no Calvário e continuada, de maneira incruenta, no altar? ´E por isso que, na Secreta da Missa do Santíssimo Sacramento, pedimos a Deus nos conceda os benefícios da unidade e da paz, simbolizados nas ofertas que Lhe apresentamos no altar. Pois se, de certo modo, a guerra esteve misturada com a paz no Calvário, a reconciliação entre o céu e a terra acha-se pecificamente assegurada pelo sacrifício do Altar. 

   Ó admirável invenção do amor de Deus! 

   Portanto, que confiança não devemos ter no poder e eficácia desse augusto Sacrifício? Decerto que é verdade bem temível saber que podemos, a toda hora, ofender a Deus a ponto de nos perdermos eternamente; mas que consolação pensar que a toda hora também, Jesus Cristo se imola em nossa defesa e pede perdão para as nossas faltas! "É ali, diz São Cipriano, que oferecemos ao Pai eterno um presente escondido, sempre capaz de apaziguar a cólera de Deus". Assim, quaisquer que sejam os nossos pecados, repitamos confiantes ao pé do altar: "Ó Deus, olha para nós e põe os olhos no rosto do teu Ungido" (Sl 83, 10).

   2. Que reconhecimento não devemos também a Deus por tão excelente Sacrifício; que honra não prestaremos a Jesus Cristo que tanto nos amou? Pois o Sacrifício do altar é verdadeiramente nosso bem particular, dá-nos a parte pessoal nos frutos da Redenção.

   Ora, de que maneira se deve manifestar o nosso reconhecimento? "Quereis, responde São João Crisóstomo, honrar dignamente esse divino Sacrifício? Oferecei a Jesus Cristo vossa alma, pela qual Ele se imolou".

   "Eis um dever, diz Santo Agostinho, a fim de corresponder aos desígnios de Jesus Cristo que, no altar, sacrifica seu Corpo natural para demonstrar à Igreja que, no Sacrifício que Ela oferece, é também oferecida".

   Pois que o amor imola Jesus Cristo, o amor deve também imolar-nos com Ele.

   Se o amor O coloca em estado de vítima e de morte mística, devemos também morrer realmente ao pecado; para isso, fechamos os olhos às vaidades do mundo e os lábios às más palavras, guardemos as mãos de toda injustiça e o corpo, da sensualidade.

   Assim, continuamente entregues à morte por causa de Jesus, a vida de Jesus manifestar-se-á também na nossa carne mortal (Cf. 2 Cor 4, 11). 

domingo, 24 de julho de 2016

I - EXCELÊNCIA PRÓPRIA DO SACRIFÍCIO DA MISSA

   Continuação do sermão de São Pedro Julião Eymard sobre "SACRIFÍCIO DO ALTAR E SACRIFÍCIO DA CRUZ".

   1. No altar, Deus recebe um culto exclusiva e totalmente de glória.

   O Sacrifício tem por fim honrar duas grandes perfeições de Deus: a Soberania e a Justiça. O homem foi criado por Deus, d'Ele depende em absoluto e d'Ele tudo espera. Mas é também pecador e necessita de Sua misericórdia e perdão.

   Ora, no Calvário, foi o Filho de Deus encarnado que a malícia dos homens empreendeu destruir e que, ao menos, entregou à morte.

   Assim, em vez de aplacar a Justiça divina, oferecendo-Lhe expiação pelas próprias faltas, os homens se tornaram culpados do mais horrendo crime que se haja cometido.

   Bem sei que, examinando tal Sacrifício da parte de Jesus Cristo, nada há de mais santo nem de mais agradável a Deus; Sua morte é o mais ilustre testemunho de obediência, o derradeiro esforço de amor e a maior honra que prestou ao Pai. Mas que indignação não deve ter concebido esse Pai celeste, pois, considerando a morte do Filho, da parte dos judeus, era o mais execrável atentado, o mais espantoso sacrilégio que os homens poderiam consumar. Poderia até parecer estranho que Deus tenha resolvido tirar tão grande bem: a Redenção, de tão grande mal: o deicídio.

   Tal pensamento causava o pasmo de Santo Agostinho: "Quanta bona egit passio Christi, et tamen passio hujus iusti non esset, nisi Dominum iniqui occidissent": "Quão admiráveis são as vantagens trazidas ao mundo pela Paixão de Jesus Cristo, e, no entanto, é necessário reconhecer que não se teria realizado a Paixão desse Justo, se os maus não houvessem entregue à morte o Filho de Deus". 

   Portanto, o Pai eterno recebeu simultaneamente ultraje e satisfação na tragédia do Calvário. Considerando o sacerdócio de Jesus Cristo na Cruz somente quanto às aparências exteriores, quão humilhado nos aparece o divino Salvador em Sua dignidade de Sacerdote! Seu sacrifício apresenta-se encoberto por monstruoso crime; pergunta-se onde está o culto de Deus e como poderão os homens tirar proveito de um ato onde só se manifesta a sua própria crueldade.

   Quanto ao sacrifício dos altares, faz resplandecer a glória de Deus e o proveito dos homens. É o mesmo que o do Calvário, mas despojado de todas as circunstâncias reclamadas pela imolação cruenta. É a oblação toda pura: oblatio munda, anunciada pelo Profeta (Mal 1, 11); é a função própria do sacerdócio de Jesus Cristo segundo a ordem de Melquisedech (Sl 109, 4); é o sacrifício do Cordeiro divino que, sempre vivo, é ao mesmo tempo Vítima e Sacrificador. 

   2. No altar, Jesus Cristo é imolado sem ser entregue à morte.

   Embora a morte da vítima não seja a mais nobre condição do sacrifício, não deixa de ser o sinal mais sensível. Com efeito, é preciso que a vítima, para prestar a Deus completa homenagem, aceite livremente a morte.

   No Calvário, Jesus Cristo morreu porque quis: "Ninguém, dizia Ele, me tira a vida, mas Eu por mim mesmo a dou" (Jo 10, 18). Os suplícios que padeceu eram apenas um meio que deixou agir na hora determinada pelo Pai. 

   Devemos, pois, encontrar no Sacrifício do altar, para que seja um verdadeiro sacrifício, ao menos um sinal sensível da imolação da vítima ali oferecida. Sem o que, jamais poderíamos confundir os hereges que negam o valor da Santa Missa, nem crer no amor que, todos os dias, ainda imola Jesus Cristo.

   Ora, tal maravilha se realiza pela força das palavras divinas que, na consagração, separariam realmente o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, se Ele não fora agora imortal.

   Assim, os santos Padres não recearam afirmar que Jesus Cristo morre todos os dias em nossos altares e que milhares de vezes se realiza em nossas igrejas o que só uma vez se realizou no Calvário. Santo Tomás cita a palavra atribuída a Santo Agostinho: "Cristo só uma vez se imolou a Si mesmo; e, contudo, imola-Se cada dia no Sacramento".

   É o que lemos também numa oração litúrgica: "Sempre que se renova a memória dessa hóstia (oferecida na Santa Missa), opera-se o fruto de nossa redenção" (Secreta do 9º Domingo depois de Pentecostes). 

   O mais admirável, porém, é que essa imolação, tantas vezes renovada, realiza-se sem que a Vítima sofra. O amor tem a glória de repetir no altar, a obra que preparara no Cenáculo e perfizera nos sofrimentos do Calvário. 

   Sim, o Filho de Deus morre, de certo modo, na instituição desse adorável Sacramento, e nos dá Sua vida antes de perdê-la na Cruz. Tanto O constrange o amor que nos dedica, que não quer esperar até ao dia seguinte; começa a satisfazer, nessa instituição, o Seu desejo de morrer por nós, desejo que tão claramente manifestara: "Eu tenho de ser batizado num batismo; e quão grande é a minha ansiedade, até que ele se conclua!" (Lc 12, 50). Assim, com que solicitude se dirigiu ao Cenáculo, a fim de celebrar a última Páscoa legal: "Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de padecer" (Lc 22, 15).

   O quê! Judas não realizou ainda seu execrável desígnio, os carrascos não se acham prontos para detê-Lo no jardim de Getsêmani, e já o adorável Salvador, pondo-Se à mesa, ergue o altar onde Se vai imolar. Ele mesmo separa, com Suas palavras, o próprio Sangue do próprio Corpo. "Tomai, diz Ele, isto é o meu Corpo", e, à parte, acrescenta: "Tomai, este é o meu Sangue". Não é colocar-Se num estado de morte? Considerando apenas a força dessas palavras, não coloca o amor o corpo de Jesus Cristo num estado semelhante àquele em que logo O colocará na cruz a crueldade dos carrascos?

   Ora, Jesus Cristo não se contenta em separar assim o Corpo e o Sangue; quer também acreditemos que seu Corpo e Sangue são oferecidos em sacrifício desde então. Escutai as palavras que acrescenta, segundo o texto original: "Isto é o meu Corpo, que é dado por vós; este é o meu Sangue, que é derramado por vós" (Lc 22, 19-20).

   Mas direis talvez: apesar desta afirmação, Jesus Cristo permanecia vivo; só o sofrimento O fez morrer realmente.

   Concordo; mas admirai como, na Eucaristia, a morte se harmoniza com a vida: "Jesus Cristo, diz São Gregório de Nissa, unindo em Si as qualidades de Sacerdote e de Vítima, preveniu o papel dos carrascos e, por um misterioso gênero de sacrifício, ofereceu-Se a Si mesmo, Hóstia e Vítima. Praevento carnificis officio, seipsum, arcano sacrificii genere, hostiam offert et victimam, simul sacerdos et agnus".

   Assim, no Sacrifício Eucarístico, o que prevalece é o amor que quer imolar-Se e toma da morte tudo quanto lhe é possível. Portanto, não foi a Sinagoga a primeira a imolar Jesus Cristo: foi causa da morte cruenta. Foi a mão do amor que realizou o primeiro Sacrifício da nova Lei, dando-lhe união necessária ao da Cruz, fonte de toda graça e de toda redenção.

   3. No altar, os cristãos participam santamente do sacrifício de Jesus Cristo. - Na Cruz, Jesus Cristo padecia pela justificação e salvação de todos os homens, até dos seus carrascos. Motivo pelo qual observa Santo Agostinho: "Entregavam-No à morte, sem dúvida, mas, em última análise, não era a Ele que matavam e sim a si mesmos, salvos por Aquele mesmo que por eles Se imolava".

   No sacrifício de nossos altares, porém, não há mais, como tal, crime em imolá-Lo: ao contrário, cercam-No a fé submissa, a terna piedade, o amor ardente. O sacerdote, sacrificador visível, é santo, pelo menos o deve ser; os fiéis que se unem ao sacerdote e comungam a divina Vítima, são puros e acham-se animados pelo desejo de amar cada vez mais a Jesus Cristo.

   Portanto, o altar não é mais que o triunfo perpétuo e a glória do amor do Salvador. A Missa é a adoração perfeita prestada a Deus por Jesus Cristo, sumo Sacerdote; é a infinita ação de graças, expressa pelo Cordeiro divino. Dessa cruz mística fluem todas as graças da Redenção; as chagas abertas e gloriosas de Jesus Cristo as derramam abundantemente sobre os fiéis. Ali, termina-se e consuma-se a obra da salvação. O amor dá, o amor recebe, o amor torna-se a vida que jorra até ao céu.

   Poder-se-á dizer que não há mais, em absoluto, crimes que acompanhem o sacrifício incruento de Jesus Cristo, sacrilégios que o profanam? Ah! não deveria haver.

   Jesus Cristo foi crucificado uma vez pelo povo deicida; não deve mais ser ultrajado pelos cristãos regenerados em seu Sangue. Pagou o nosso resgate; seria, de nossa parte, espantoso atentado crucificá-Lo  em nosso coração, insultá-Lo pela blasfêmia ímpia e escarnecedora, sepultá-Lo no lodo de nossos vícios. O crime do judeu seria escusável comparado ao do cristão, iluminado pela fé e filho de Deus pelo batismo. Seria atacar a glória de Deus, seus benefícios, o dom mais excelente de seu Amor.

   Mas passemos a cortina do silêncio sobre tão triste quadro. Quero terminar com uma visão de consolação e felicidade. Bendigamos, pois, a bondade infinita de Jesus Cristo que deu à Igreja Católica o verdadeiro e divino Sacrifício do Altar.