SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

SÃO CIPRIANO E SANTA JUSTINA


No dia 26 de setembro, a santa Igreja comemora S. Cipriano e Santa Justina, que foram martirizados no mesmo dia no ano de 304. Aqui falamos do Cipriano feiticeiro que se converteu. Nasceu em Antioquia na Fenícia. Seus pais eram pagãos e feiticeiros e em todos os segredos da superstição e feitiçarias  introduziram Cipriano. Entregou sua alma ao demônio e tornou-se muito rico e mestre em todas as artes diabólicas da feitiçaria. Obviamente, inimigo figadal da Religião Católica. Entregou-se a uma vida a mais depravada possível. Enforcava crianças inocentes e oferecia o seu sangue como holocausto ao demônio. Nas entranhas ainda palpitantes dos inocentes procurava conhecer os segredos do futuro. Com malefícios diabólicos conseguia seduzir as donzelas. Mas Cipriano, que cresceu achando que o demônio era o maior e invencível começou a perceber que deveria haver alguém mais poderoso porque nunca conseguira seduzir as jovens que praticavam o Catolicismo que ele odiava e vivia insultando. Todos os artifícios diabólicos malogravam diante das jovens cristãs.

Morava também em Antioquia uma jovem cristã muito fervorosa, embora seus pais fossem pagãos. Chamava-se Justina e era de uma beleza encantadora de corpo e muito mais de espírito. Com suas orações, penitências e bons exemplos convertera toda sua família. Daí o ódio maior do demônio contra ela. O demônio incutiu no coração de um jovem pagão chamado Agládio, uma paixão violenta por Justina. Não podendo, porém, cativar-lhe a afeição, inspirado certamente pelo Asmodeu, recorreu aos artifícios mágicos de Cipriano. Justina passou a sofrer terrivelmente os acessos diabólicos, mas, pela oração e pelo sinal da cruz, debelou a todos. Foi assaltada por tentações as mais horríveis contra a santa pureza. Mas, recorrendo sempre à Rainha das Virgens, saiu vitoriosa das insídias do inimigo.

Nisso, o feiticeiro Cipriano começou a duvidar do poder dos demônios. Justina rezava pela sua conversão. Cipriano tomou a resolução de se livrar do demônio e tomar conhecimento da origem de toda aquela fortaleza de Justina. O demônio evidentemente não queria perder sua presa, instrumento utilíssimo para perder almas que ele odeia, porque remidas com o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Que fez o espírito das trevas? Incutiu em Cipriano uma tristeza profunda para levá-lo ao desespero e ao suicídio, pretendendo tirar-lhe o tempo de chegar ao conhecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas, Deus, Pai todo-poderoso e infinitamente bondoso, enviou a Cipriano um sacerdote chamado Eusébio. As orações, conselhos e as palavras de conforto deste santo homem fizeram com que Cipriano não desfalecesse no meio do caminho. O Padre Eusébio entrou um dia na igreja conduzindo pela mão a Cipriano. Grande foi a surpresa dos fiéis quando viram o grande e terrível feiticeiro entrar na igreja acompanhado do sacerdote. Nem o bispo queria acreditar na sinceridade desta conversão. Cipriano, porém, na presença de todo povo, queimou todos os livros cabalísticos e de magia negra. Fez mais, distribuiu a sua grande fortuna entre os pobres. Então, depois de devidamente instruído, e tendo abjurado a feitiçaria foi batizado. Junto com ele foi batizado também Agládio.

Justina, vendo as maravilhas da divina graça, cortou a sua linda cabeleira e pelo voto de virgindade perpétua dedicou-se ao serviço de Deus. Justina sempre rezava para que Cipriano perseverasse. Realmente a conversão de Cipriano foi sincera e constante. Reparou seu terrível passado com muita penitência e praticou as mais belas virtudes. Assim foi ordenado sacerdote e depois sagrado Bispo.

Mas veio a perseguição de Diocleciano. Cipriano e Justina foram acusados de praticar o Cristianismo. Cipriano sofreu atrozmente. Também Justina foi cruelmente flagelada. E ambos finalmente condenados à decapitação. Há em Roma uma igreja dedicada a estes dois santos mártires e lá estiveram por algum tempo os seus restos mortais, mas que hoje se encontram na igreja de São João de Latrão em Roma.

Caríssimos, acabamos de ver um exemplo do poder da graça de Deus. Na verdade, na expressão de Santo Agostinho, o demônio é um cão amarrado que só morde em quem chega perto dele.

Infelizmente, hoje há inúmeras almas entregues ao demônio. Ele as domina. Há 43 anos, quando neo-sacerdote ainda, quis conversar comigo em particular um homem verdadeiramente estranho. Disse-me ele: Desde criança que sigo o Espiritismo, e agora, se eu quiser conseguir o máximo, terei que entregar minha alma ao demônio. Que você acha? Dei-lhe muitos bons conselhos. Saiu da igreja e nunca mais vi. Mais recentemente, conversei com uma moça que dizia estar se convertendo de uma seita satânica. Só Deus sabe! Fiz-lhe muitas perguntas. Entre outras coisas ela me disse que seduziu algumas pessoas para às práticas diabólicas, entre elas, a de matar crianças inocentes e oferecer seu sangue ao demônio. Fiquei achando estar diante do próprio demônio, tal a frieza com que contava estas coisas. E pior: falou que sentia certa saudade daquelas cerimônias diabólicas. Perguntei como era possível os satanistas cometerem tamanhos crimes e não serem presos. Ela disse que o demônio ocultava tudo. Esta moça é do Mato Grosso do Sul e também nunca mais a vi, nem quero, a menos que já se tenha convertido verdadeiramente.


Caríssimos leitores, precisamos, como Santa Justina, rezar muito, fazer penitência, dar o bom exemplo, ter uma devoção verdadeira e terna a Nossa Senhora, a São Miguel Arcanjo e ao nosso Anjo da Guarda. Amém!

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

MÊS DA BÍLIA

MÊS DA BÍBLIA

                                                                                                                                          Dom Fernando Arêas Rifan*
        
       Setembro é o mês da Bíblia e, no próximo domingo, dia 29, celebraremos o dia nacional da Bíblia, dedicado a despertar e promover entre os fiéis o conhecimento e o amor dos Livros Sagrados, a Palavra de Deus escrita, redigida sob a moção do Divino Espírito Santo, motivando-os para sua leitura cotidiana, atenta e piedosa e, ao mesmo tempo, premunindo-os contra os erros correntes com relação à Bíblia mal interpretada.
        “Na Igreja, veneramos extremamente as Sagradas Escrituras, apesar da fé cristã não ser uma ‘religião do Livro’: o cristianismo é a ‘religião da Palavra de Deus’, não de ‘uma palavra escrita e muda, mas do Verbo encarnado e vivo’” (Bento XVI - Verbum Domini, 7)
          É de São Jerônimo, o grande tradutor dos Livros Santos, a célebre frase: “Ignorar a Sagrada Escritura é ignorar o próprio Cristo”. Portanto, o conhecimento e o amor às Escrituras decorrem do conhecimento e do amor que todos devemos a Nosso Senhor. 
          O ponto central da Bíblia, convergência de todas as profecias, é Jesus Cristo. O Antigo Testamento é preparação para a sua vinda e o Novo, a realização do seu Reino. “O Novo estava latente no Antigo e o Antigo se esclarece no Novo” (Santo Agostinho).
         Dizemos que a Bíblia é um livro divino e humano: inspirada por Deus, mas escrita por homens, por Deus movidos e assistidos enquanto escreviam. 
        A Bíblia não é um livro só, mas um conjunto de 73 livros, redigidos por autores diferentes, em épocas, línguas, estilos e locais diversos, num espaço de tempo de cerca de mil e quinhentos anos. Sua unidade se deve ao fato de terem sido todos eles inspirados por Deus, seu autor principal e garantia da sua inerrância.
        Mas a Bíblia não é um livro de ciências humanas. Por isso a Igreja Católica reprova a leitura fundamentalista da Bíblia, que teve sua origem na época da Reforma Protestante e que pretende dar a ela uma interpretação literal em todos os seus detalhes, o que não é correto.
        Além disso, a Bíblia não é um livro fácil de ser lido e interpretado. São Pedro, falando das Epístolas de São Paulo, nos diz que “nelas há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para a sua própria ruína, como o fazem também com as demais Escrituras” (II Pd 3, 16).
Daí a advertência do mesmo São Pedro: “Sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal. Porque jamais uma profecia foi proferida por efeito de uma vontade humana. Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus” (2Pd 1, 20-21).  Assim, o ofício de interpretar autenticamente a Palavra de Deus escrita (a Bíblia Sagrada) ou transmitida oralmente (a Sagrada Tradição) foi confiado unicamente ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade se exerce em nome de Jesus Cristo, que disse aos Apóstolos e seus sucessores “até a consumação dos séculos”: “Ide e ensinai a todos os povos tudo o que vos ensinei... quem vos ouve a mim ouve”.

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

domingo, 22 de setembro de 2019

EXPLICAÇÃO DO 15º DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES


EXPLICAÇÃO DO 15º DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES

São Lucas VII, 11-16.

Ressurreição espiritual: "É mais importante ressuscitar para viver sempre".

  Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   O Evangelho deste domingo conta-nos a ressurreição de um rapaz, filho único de uma viúva que morava numa aldeia chamada Naim.

  Hoje os padres que seguem a Liturgia Tradicional leem no Breviário um trecho do sermão de Santo Agostinho sobre este Evangelho. Vamos dar um  resumo deste sermão.

   Os Santos Evangelistas contam-nos apenas três ressurreições operadas por Jesus: a de uma menina, filha de Jairo, chefe da Sinagoga; a do jovem filho único da viúva de Naim; e a de seu amigo Lázaro de Betânia, irmão de Marta e Maria Madalena.

 O santo Doutor comenta as três ressurreições operadas por Jesus como símbolos das milhares ressurreições espirituais.
   Santo Agostinho diz: "Amplius est ressuscitare semper victurum, quam suscitare iterum moriturum". É mais importante ressuscitar para viver sempre, do que ressuscitar para morrer de novo.

   Vejamos que lição pretendeu dar-nos Jesus nos mortos que ressuscitou. 
   Ressuscitou a menina logo após ela ter morrido. Ainda estava no seu leito em casa: não havia saído o enterro. Jesus operou o milagre e ali mesmo entregou-a viva a seus pais. Ressuscitou o jovem filho da viúva de Naim. O enterro já havia saído da casa. Já estava fora, ás portas da cidade. Ressuscitou Lázaro, cujo cadáver não só já saíra de casa, mas estava encerrado no sepulcro há quatro dias, e, portanto, cheirava mal.

   Santo Agostinho explica as três sortes de pecadores: a defunta filha do chefe da Sinagoga é símbolo daqueles que têm o pecado no íntimo do coração, mas não o puseram ainda em obras. São os que consentem plenamente nos maus desejos graves, como no caso de adultério, sem contudo realizá-los. Estão mortos no interior do coração. No caso, há um morto, mas não saiu para fora. Às vezes, por efeito da palavra divina, como se Jesus em pessoa lhe dissesse: "Levanta-te" este pecador arrepende-se de seu consentimento ao mal e volta a respirar o ar de salvação e santidade. Este morto ressuscita dentro de casa; este coração revive na intimidade de sua consciência. Esta ressurreição da alma defunta, operada em segredo é simbolizada pela que teve lugar no recinto doméstico.

   Outros passam do consentimento à obra, por assim dizer, o morto saiu para fora. Sai à luz o que já estava na sombra. Também a este que passou a vias de fato, pondo o mal em obras também é ressuscitado pela voz de Nosso Senhor Jesus Cristo e volta à vida espiritual o pecador que se deixou tocar e comover pela palavra da verdade. Já ia se avançando para o abismo e para a morte eterna. Mas Jesus pára-o, toca-o, restitui-lhe a vida da alma e entrega-o à sua Mãe, a Igreja. Destes pecadores que não só consentem no pecado no interior da consciência, mas o realizam com obras e logo se arrependem, é símbolo justamente a ressurreição do jovem filho da viúva de Naim.

   Finalmente, há aqueles que de mal em mal, chegam a enredar-se nos vícios, nos maus costumes, a tal ponto que não vêem por força do mau hábito, a malícia das suas ações e até se gabam de suas más obras. Assim, diz Santo Agostinho, os habitantes de Sodoma. Tão grande era ali o império do nefando costume, que a perversão se lhes parecia honestidade e mais digno de repreensão o censor do que o malfeitor. "Viestes, dizem os habitantes de Sodoma a Lot, para morar aqui, não para nos dar leis".(que diria Santo Agostinho hoje quando se fazem leis para aprovar e defender os sodomitas?!). Eles, oprimidos pelos costumes malignos estão como que sepultados. Não só sepultados, mas como Lázaro no sepulcro, já cheiram mal. A pedra que cerrava o sepulcro de Lázaro significava a tirania do hábito, que subjuga a alma e não a deixa nem levantar-se nem respirar.

   Diz-se de Lázaro que ele era um defunto de quatro dias (quatriduanus est). E, em verdade, a este mau hábito, que chamamos vício, chega-se como que por quatro etapas: primeira: uma suave chamada do prazer à porta do coração; segunda: o consentimento; terceira: a obra; quarta: o mau hábito. Há aqueles que repelem as coisas ilícitas logo que saem de seus pensamentos, para nem sequer sentir o prazer. Há aqueles que, sentindo o prazer, não consentem nele; ainda isto não é a morte, senão uma espécie de início de morte; porém, se ao deleite se junta o consentimento, vem a obra; e esta se torna costume. Neste caso, a gravidade é extrema. Neste sentido podemos dizer: esta alma está morta há tempo e cheira mal. Chega, então, Nosso Senhor, para o qual tudo é fácil; mas, como para dar a entender quão difícil é aqui a ressurreição, Ele, na ressurreição de Lázaro, suspira fortemente, e fala bem alto: "Lázaro,sai para fora deste sepulcro!" Sem embargo, à esta voz possante do Senhor, rompem-se as cadeias da tirania da sepultura, treme o poder da morte, e Lázaro foi devolvido à vida. Irmãos, observai as circunstâncias desta ressurreição: saiu vivo do sepulcro, mas não podia andar. Diz, então, Nosso Senhor aos discípulos: "Desatai-o e deixai-o ir". Jesus o ressuscitou da morte; os discípulos soltaram as ligaduras que impediam a Lázaro de andar. Reconhecei que a majestade divina se reserva certa coisa nesta ressurreição. A um consuetudinário (=pessoa dominada pelo vício) se lhe dizem duramente as palavras da verdade; porém, quantos não as ouvem? Depois das reprimendas, fica o pecador sozinho com os seus pensamentos e estes falam-lhe da má vida que leva e o péssimo hábito que o oprime. Enojado de si mesmo, resolve mudar de vida. Eis a ressurreição: ressuscitam, pois, quando começam a ser-lhes odiosos os procederes de antes; embora, porém, voltados à vida, não podem andar; as ligaduras de suas repetidas culpas impendem-nos. É mister, por isso, que ao ressuscitado se lhe desate e deixe caminhar; função esta encomendada pelo Senhor aos discípulos quando lhes disse:"O que desatardes na terra, será desatado no céu".

   
E Santo Agostinho termina o sermão mostrando a necessidade da pronta ressurreição espiritual: "Estas reflexões, oh! caríssimos, devem persuadir aos vivos a continuar vivendo, e aos que não vivem, a recobrar a vida. Se o pecado concebido no coração não saiu ainda para fora, haja arrependimento, corrija-se o pensamento, ressuscite o morto na intimidade de sua consciência. Se executou a ideia, tampouco desespere; se o morto não ressuscitou dentro, ressuscite fora. Arrependa-se de sua ação, reviva em seguida, não baixe ao profundo da sepultura, não caia em cima a lousa do mau hábito. E se, porventura, me está ouvindo quem jaz oprimido pela fria e dura pedra, quem já traz sobre si o peso do costume e cheira mal, como morto de quatro dias, tampouco este deve perder a esperança; mui baixo está sepultado, porém, Cristo está em cima. Ele pode desfazer com a força de sua voz as lousas do sepulcro; Ele pode devolver-lhe a vida da alma; Ele os deixará nas mãos de seus discípulos para que o desatem. Façam também penitência estes mortos. Quando Lázaro ressuscitou depois de quatro dias, nada conservou da infecção primeira. Assim, pois, os vivos continuem vivendo, e os mortos de qualquer destas mortes, ressuscitem logo. Amém!

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Espírito de Pobreza dos Primeiros Cristãos

   Os primeiros cristãos, primícias da Igreja nascente, levaram ao auge a perfeição evangélica e deram o exemplo de uma incomparável união, de uma completa abnegação e sublime caridade. Viviam como se fossem um só coração e uma só alma. Tudo que cada um tinha era possuído em comum. Vendiam as suas fazendas e os seu bens e distribuíam-nos por todos, segundo a necessidade que cada um tinha. A comunhão de bens realizada pela fé destes primeiros cristãos dava aos Apóstolos a administração e o domínio das coisas temporais. 
   Desde modo se acha constituída a propriedade eclesiástica no próprio berço da Igreja. 
  Dentre os que venderam os seus bens para fazer comum o valor deles, cita a Sagrada Escritura por exemplo, um levita, natural de Chipre, chamado José, que recebeu o sobrenome de Barnabé e que, pouco tempo depois, elevando à dignidade de Apóstolo, veio a ser companheiro de São Paulo. 
   São Lucas nos Atos dos Apóstolos fala-nos de um outro fiel chamado Ananias, que vendeu um campo e trouxe aos Apóstolos só uma parte do preço, fazendo-lhes crer que o trazia todo. São Pedro disse-lhe: "Ananias, por que tentou Satanás o teu coração para que tu mentisses ao Espírito Santo e reservastes parte do preço do campo? Porventura não te era livre ficar com ele e ainda hoje, depois de vendido, não era teu o preço?" Essas palavras de São Pedro mostram que o crime não consistia no direito exclusivo de propriedade nem no de reservar para si a totalidade ou parte do que lhe pertencia, mas na mentira do discípulo que, depois de afirmar que dava todos os seus bens, como os outros, retinha uma parte por espírito de cobiça e avareza. Ricos com o que conservavam em seu poder Ananias e sua esposa Safira vinham a sê-lo muito mais adquirindo o direito de participar do tesouro comum da Igreja.
   Essa criminosa especulação foi o segundo atentado contra os bens da Igreja e dos pobres. O primeiro cometera-o Judas Iscariotes que roubava o que recolhia para os pobres. Como se vê, a oblação foi livre e santa desde o princípio da pregação evangélica e é o que estabelece uma diferença essencial entre o Evangelho e o comunismo. "O comunismo, diz o Padre Rivaux, é a exaltação até ao delírio de todos os apetites materiais e de todos os desejos grosseiros. A comunhão evangélica é a abnegação, a imolação do orgulho e da carne. Do Evangelho ao comunismo há a distância do céu ao inferno".
   O Apóstolo Judas Iscariotes, que seria o traidor, antes de trair a Jesus, já traía os pobres porque, como diz claramente o Santo Evangelho, este infeliz apóstolo, se tornara ladrão: era encarregado de recolher os dízimos ou as esmolas para os pobres; e no entanto retinha uma parte para si.
   A Santa Igreja, desde o início se preocupou com os pobres e também com o exemplo de Jesus e dos Apóstolos, os clérigos, embora não façam voto de pobreza (a menos que seja também religioso), devem, no entanto ter o espírito de pobreza, evitar o luxo, e sobretudo não ter apego aos bens materiais. Assim, é completamente contrário ao espírito do Santo Evangelho, uma preocupação demasiada com o dízimo, máxime, se este é empregado, para luxo pessoal, e não para a ornamentação e decoro da igreja para maior honra de Deus, Nosso Senhor. Mas o destino precípuo das esmolas dos fiéis é a ajuda aos pobres. 

domingo, 15 de setembro de 2019

FESTA DE NOSSA SENHORA DAS DORES

 
 Jesus Cristo, Nosso Senhor, associou sua Mãe Santíssima a todas as suas glórias e grandezas e por isso fê-la também companheira de todos os seus sofrimentos. Jesus quis que Sua Mãe fosse Rainha dos Mártires. Belíssima gema faltaria na sua coroa se não tivesse a dor. Foi Rainha da dor e do martírio. E seu martírio durou toda a sua vida. Sabia-o ela muito bem pelas santas profecias do Velho Testamento a respeito do Messias, que era o seu Filho. Quanto sofreu com a ingratidão, a traição, o abandono, o desamor de que foi alvo o seu Filho: Belém, Egito, Nazaré, Jerusalém, o presépio e Calvário, o Templo, o palácio de Herodes e de Pilatos, são todos lugares onde o seu coração se despedaçou tantas vezes!

   Primeiro, consideremos as dores de Maria Santíssima na sua parte natural e humana e, depois na sua parte divina e sobrenatural.

   1º - Dor humana e natural: A dor corresponde ao amor. Em outras palavras: onde há mais amor, maior a dor. O amor de Maria Santíssima era um amor de Mãe. Caríssimos, com isto está tudo dito! Amor de mãe é o amor mais puro, mais nobre, menos egoísta que na terra existe. Por isso Deus não quis que tivéssemos mais do que uma; ela só basta para encher toda a nossa existência de carinhos inefáveis; de beijos terníssimos, de um amor que enche plenamente o nosso coração. Como ama uma mãe! E como amaria a Santíssima Virgem a seu Filho! Basta pensarmos que Deus pôde preparar para si a sua Mãe. Empregou com certeza todo seu amor e todo seu poder para preparar um coração que amasse sem limite o Filho de Deus que era também o Seu Filho! Daí, caríssimos, podemos imaginar qual não seria a dor de Maria Santíssima na perda de seu Filho, único, o melhor de todos, que amava a sua mãe como nenhum filho amou a sua. E Jesus morreu não por uma enfermidade, por um acidente infeliz, mas por traição, ingratidão, enorme e horrível injustiça e que tudo isto foi realizado no meio de atrocíssimos tormentos e na presença desta mãe amorosíssima! 

Dor divina e sobrenatural: Caríssimos, se já foi difícil, para não dizer impossível, formarmos uma ideia inteiramente adequada da dor natural e humana de Nossa Senhora por ter presenciado as dores e morte atrocíssimas de seu divino Filho, como poderemos avaliar devidamente sua dor sobrenatural? Primeiro, quem conheceu, como Maria Santíssima, que o seu Filho era Deus? E quem conheceu Deus como ela? Sobretudo quem O amou como ela? Como sentiria, portanto, as ofensas, os insultos, os tormentos que os homens deram a Jesus? Se, como Mãe, todas as dores de Jesus, se repercutiam no seu coração, que seria como Mãe de Deus? Os mártires sofriam com alegria abraçados ao crucifixo. Os penitentes e os eremitas são alentados pela vista da imagem de Jesus Crucificado. Para Maria, porém, a vista de Jesus Crucificado, era precisamente o seu maior tormento. O mesmo que ia consolar a outros, era o verdugo do coração da Mãe. As dores de Maria Santíssima, não foram físicas, mas por isso mesmo, foi mais intensa a sua dor por ser toda ela interna, puramente espiritual!

   Caríssimos, não poderia terminar sem destacar um detalhe: é que Maria Santíssima fez a vontade do Pai Eterno. Deus Pai queria que Ela oferecesse o seu Filho em sacrifício para salvar os seus outros filhos que somos nós. E ela ofereceu o seu Coração Imaculado para ser transpassado de dor, para que justamente desta ferida aberta nascêssemos todos nós, os filhos de sua dor!. Para nos salvar, Deus não perdoou o seu próprio Filho. Também Maria Santíssima fez o mesmo! E assim ela esteve ao pé da cruz, morta de dor, desejando a morte de seu Filho Jesus, para dar-nos a vida eterna. Quanto amor! Mas também quanta dor! Ah! caríssimos, quanto custamos a Maria Santíssima ser filhos seus! Então, amemo-la mesmo à custa dos nossos sofrimentos e, se for da vontade de Deus, até da nossa própria vida. Quem não amar a Jesus, seja anátema; e quem não ama a Maria Santíssima é porque não ama a Jesus. 

AS SETE DORES DE MARIA SANTÍSSIMA

   Na sexta-feira da 1ª Semana da Paixão a Santa Madre Igreja faz a Comemoração das Sete Dores de Nossa Senhora, e no dia 15 de setembro celebra a Festa de Nossa Senhora das Dores. 

   Em primeiro lugar, lembremos sucintamente estas sete dores de Maria Santíssima: 
  1. A PROFECIA DE SIMEÃO: "Eis aqui está posto este Menino como alvo a que atirará a contradição: e uma espada de dor transpassará até a tua alma" (São Lucas II, 34).
  2. A FUGIDA DE JESUS PARA O EGITO: "Foi, então que o anjo apareceu em sonhos a José com a ordem: Levanta-te, toma o menino e sua mãe, e foge para o Egito" (São Mateus II, 13).
  3. PERDA DE JESUS NO TEMPLO: "Seus pais iam todos os anos a Jerusalém, para a festa da Páscoa. Quando estava com doze anos, subiram a Jerusalém, por ocasião daquela solenidade, segundo o costume. Passados os dias da festa, quando voltaram, ficou em Jerusalém o menino Jesus, sem que seus pais o notassem. Julgando que ele estivesse na comitiva, caminharam um dia inteiro. Mas quando o procuraram entre os parentes e conhecidos e não o encontraram, voltaram a Jerusalém, à sua procura. Depois de três dias o encontraram no templo,... E sua mãe lhe disse: 'Filho, por que procedeste assim conosco? Teu pai e eu te procurávamos, cheios de aflição" (São Lucas II, 41-48).
  4. ENCONTRO COM JESUS CAMINHANDO COM A CRUZ AOS OMBROS PARA O CALVÁRIO: Sabemo-lo pela Tradição que o Apóstolo São João assim anunciara a Maria: "Ah! Mãe dolorosa, já vosso Filho foi condenado à morte; já o levam para o Calvário carregando ele mesmo a cruz aos ombros, saiu para aquele lugar que se chama Calvário (São João XIX, 17). Se quereis vê-lo, Senhora, e dar-lhe o último adeus, vinde comigo à rua por onde deve passar". 
  5. MORTE DE JESUS: "Estava de pé junto à cruz de Jesus, sua Mãe" (S. João XIX, 25). "Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo a quem amava, disse a sua mãe: 'Mulher, eis o teu filho'. Depois disse ao discípulo: 'Eis tua mãe' (S. João XIX, 26 e 27).
  6. A LANÇADA E A DESCIDA DA CRUZ: "Vieram os soldados e quebraram as pernas do primeiro e do outro, que tinham sido crucificados com ele. Quando se aproximaram de Jesus, viram que já estava morto e por isso não quebraram as pernas. Mas um dos soldados penetrou-lhe o lado com a lança. Imediatamente saiu sangue e água" (S. João XIX, 32-34). 
  7. SEPULTURA DE JESUS: "Depois disto, José de Arimateia, que era discípulo de Jesus, mas ocultamente por medo dos judeus, pediu a Pilatos que o deixasse levar o corpo de Jesus. Pilatos deu permissão. Ele foi e tomou o corpo de Jesus. Nicodemos, aquele que antes tinha ido procurar Jesus à noite, veio também, trazendo cerca de cem libras de um mistura de mirra e de aloés. Tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no em lençóis com perfumes, de acordo com o modo de sepultar seguido pelos judeus. Havia um jardim no lugar onde Jesus foi crucificado. E no jardim havia um sepulcro novo, no qual ainda ninguém tinha sido sepultado. Ali puseram Jesus, por causa da preparação dos judeus, pois o sepulcro ficava próximo" (S. João XIX, 38-42). 

HOMILIA DOMINICAL - 14º Domingo depois de Pentecostes

   Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo ao Gálatas 5, 16-24.
                   Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 6, 24-35


Uma paisagem da Palestina."Olhai para as aves do céu..."
   Evangelho: Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Ninguém pode servir a dois senhores. Porque, ou há de aborrecer a um e amar o outro, ou há de acomodar-se a este e desprezar aquele. Não podeis servir a Deus e às Riquezas. Por isso vos digo: não vos inquieteis por vossa vida, com o que comereis, nem por vosso corpo, com o que vestireis. Não é a vida mais que o alimento, e o corpo mais que a vestimenta? Olhai para as aves do céu. Elas não semeiam, nem colhem, nem fazem provisão nos celeiros; contudo, vosso Pai celestial as sustenta. Não valeis vós muito mais do que elas? Qual de vós pode com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado sequer a sua estatura? E pela vestimenta, porque vos inquietais? Considerai como crescem os lírios do campo. Não trabalham nem fiam. Entretanto, digo-vos que nem Salomão, com toda a sua glória, se vestiu como um deles. Se, pois, Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, que não fará por vós, homens de pouca fé? Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? Os pagãos é que se preocupam com essas coisas. Bem sabe vosso Pai que tendes necessidade de tudo isso. Procurai, antes de tudo, o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo isso vos será dado por acréscimo". 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Antes de tudo, Nosso Senhor Jesus Cristo enuncia um princípio geral: Ninguém pode servir a dois senhores ao mesmo tempo. Evidentemente trata-se de dois senhores de sentimentos e vontades opostas, incompatíveis entre si. Por isso, seguir um, significa forçosamente rejeitar o outro; odiar um é amar o outro. E quais sejam esses dois senhores, Jesus esclarece-o logo: "Não podeis servir a Deus e a Riqueza". No texto original está a palavra Mammona que os comentadores traduzem pela expressão: Dinheiro ou Riquezas. Mammon era, com efeito, o deus das riquezas, entre os sírios. Mammon está, pois, aqui como um deus falso oposto ao Deus verdadeiro. Na verdade, o dinheiro é o deus dos avarentos. São Paulo dizia que o estômago é o deus dos inimigos da cruz de Cristo, os gulosos: "Quorum deus, venter est". Para os libidinosos o seu deus é o prazer carnal; para os soberbos é o seu "eu". A ele, os mundanos sacrificam tudo: trabalhos, sofrimentos, pesares, e... até a vida eterna. 
A morte do mau rico: As riquezas são um perigo e,
quando mal empregadas, levam aos tormentos eternos.
O pobre Lázaro morreu e foi conduzido ao Seio de
Abraão, ou seja, ao Céu. Lembremo-nos que Abraão
possuía muitas riquezas, mas não tinha nenhum
apego a elas e empregou-as para o bem. 
   O Divino Salvador condena o amor das riquezas, esse amor desordenado que acorrenta o coração do homem, fazendo-o esquecer os interesses da sua alma. Mas não condena o justo cuidado que deve ter todo homem de prover com o trabalho a sua própria subsistência, e a daqueles que lhe foram confiados. O Divino Mestre não disse: - não podeis servir a Deus, e ser ricos; mas não podeis servir (ao mesmo tempo) a Deus e ao Dinheiro. Há, com efeito, muitos santos que , sendo ricos, serviram-se santamente dos bens da fortuna. Foram donos de seus bens, e não escravos deles.
   "Não vos inquieteis dizendo: Que havemos de comer, ou que havemos de beber, ou com que havemos de nos vestir? Porque os pagãos é que se preocupam com todas estas coisas, mas vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isto". Quanto maior, quanto mais urgente é a necessidade, tanto mais sólida deve ser a nossa confiança em Deus, porque Ele nos prometeu o necessário, não o supérfluo. 
   Depois de apresentar várias razões para confiarmos na Providência Divina, Nosso Senhor Jesus Cristo tira a conclusão: "Procurai, pois, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça; e todas estas coisas se vos darão por acréscimo".  Quer dizer, antes de tudo, acima de tudo, procurai o reino de Deus, empregai toda a atenção, solicitude e vigilância de que sois capazes na obtenção dos bens celestes, da felicidade eterna. E que significa  - e a sua justiça? Quer dizer os meios que conduzem à salvação, à vida eterna, a saber, a graça de Deus, as virtudes cristãs, as boas obras, numa palavra, tudo o que nos torne justos e santos diante de Deus, seus verdadeiros servos e seus filhos muito amados. E que significam as palavras: e o resto vos será dado por acréscimo? Quer dizer o seguinte: se vós fordes fiéis em bem servir a  Deus, em Lhe agradar em tudo, Ele, como bom Pai, tomará a seu cargo dar-vos tudo o que, na terra, é necessário à vida do corpo. "Fui moço, dizia Davi, e agora sou velho, e nunca vi o justo abandonado nem os seus filhos mendigando o pão".
Uma paisagem da Palestina. "Considerai como crescem
os lírios do campo..."
   Dizendo que os bens temporais nos serão dados por acréscimo, Jesus nos faz entender que eles não fazem parte da recompensa que merecemos pelas nossas boas obras, cuja medida nos será dada no céu. Esses bens constituem, apenas, um dom liberalmente acrescentado à medida cheia e completa  que havemos de ter na Pátria celestial.
    Antes de terminar quero já responder a uma possível pergunta: Sendo muitos os vícios capitais, por que Nosso Senhor Jesus Cristo fala só da avareza, ao menos aqui, nesta oportunidade? Por vários motivos: Primeiramente, o próprio Divino Espírito Santo diz na Bíblia Sagrada: "A raiz de todos os males é o amor ao dinheiro, por causa do qual alguns se desencaminharam da fé e se enredaram em muitas aflições" (1Tim. 6, 10). E ainda: "Não há coisa mais iníqua do que aquele que ama o dinheiro, porque venderia até a sua mesma alma, visto que se despojou em vida das próprias entranhas" (Eclesiástico 10, 10). A outra razão é que: enquanto os outros vícios soem diminuir com a idade, a avareza cresce. E ainda podemos dizer que este vício capital, mais do que os demais, engana com pretextos: a necessidade de se prevenir para o futuro, garantir o sustento dos filhos também para o futuro; é preciso trabalhar etc. A avareza leva muitos a perder a fé, e leva à impenitência final. Vede o exemplo de Judas Iscariotes. Os demais vícios muitas vezes aparecem odiosos e humilham. A avareza alimenta e facilita os demais vícios. Por isso vemos que é por aí que o demônio começa. É o caminho mais fácil que o inimigo de nossa alma encontra para perdê-la. 
  Infelizmente, não vemos católicos, alguns que se dizem praticantes e comungam frequentemente, e, no entanto, cometem injustiças, têm ódio daqueles que os lesaram nos seus haveres? Quantos ódios nas famílias por causa de heranças! É coisa muito triste!!! 
    Ó Jesus, concedei-nos a graça de procurar, antes de tudo, o reino de Deus e a sua justiça, para que, usando retamente dos bens da terra, cheguemos, pela prática das virtudes, ao Reino dos Céus. Amém!