SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

domingo, 5 de maio de 2019

SEGUNDO DOMINGO DEPOIS DA PÁSCOA


O BOM PASTOR

S. João X, 11-16

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Eu sou o bom Pastor. 

Quem assim fala é Jesus - pastor por excelência, pastor que possui todas as qualidades, todas as perfeições para tornar feliz o seu rebanho, procurando-lhe todas as vantagens: : conhece suas ovelhas, guia-as, caminha à sua frente, defende-as, nutre-as e dá sua vida pelas suas ovelhas. Só Deus é bom em todo sentido da palavra. Assim, propriamente falando, somente Jesus Cristo, Deus-Homem, é o Bom Pastor. Jesus é o Bom Pastor por antonomásia! Todos os outros pastores eclesiásticos, ou seja, bispos e padres, na expressão do Apóstolo (Hebr. V, 1), "estão cercados de fraquezas". Mas, é claro, eles devem se esforçar por imitar o seu Mestre.

E como Jesus Cristo se mostra o bom Pastor? Dando sua vida por suas ovelhas; também os pastores eclesiásticos devem dar tudo o que têm e tudo o que são em prol das almas. Assim fazia S. Paulo e todos padres e bispos santos: "Empenhar-se e super se empenhar pela salvação das almas". Um bom pastor, deve considerar que sua vida não lhe pertence, mas sim à ovelhas que lhe foram confiadas. Ele deve estar disposto a sacrificá-la nas perseguições, nas epidemias e no atendimento de pessoas com doenças contagiosas. É bem verdade que estas ocasiões não são lá tão comuns; não é mártir quem quer, mas há uma maneira de se imolar pelo seu rebanho, mais ordinariamente e no entanto, não menos heroicamente, isto é, não morrendo, mas vivendo pelas suas ovelhas. Deve consagrar suas orações (como os clérigos deveriam amar o seu Breviário!). São delegados por Deus a exercer este Ofício Divino! O bom pastor deve consagrar, outrossim, suas exortações, suas fatigas, os combates aos quais deve sustentar em defesa da fé e dos mandamentos de Deus. De bom ânimo deve estar preparado paras sofrer contradições. Pois bem, estes sacrifícios de todos os dias, quase diríamos, de todos os momentos, este sacrifício de si mesmo, de todas as suas faculdades, de todas suas forças, é, na verdade, menos brilhante e talvez menos glorioso, e, no entanto, mais completo, mais penoso que o sacrifício rápido de sua vida, executado com um só golpe. Este dura só um instante, não exige mais que um esforço de coragem, enquanto que o outro dura anos inteiros, e exige uma sucessão ininterrupta de esforços e trabalhos.

"O mercenário, porém, e o que não é pastor, de quem não são próprias as ovelhas, vê vir o lobo, deixa as ovelhas, foge e o lobo arrebata e faz desgarrar as ovelhas, porque é mercenário, e porque não se importa com as ovelhas".

Ao lado do bom pastor, há, infelizmente, o pastor mercenário, que não leva em conta nas suas funções e na guarda de seu rebanho, senão  a recompensa e não  a salvaguarda das ovelhas que lhe são confiadas. Como antes de tudo a recompensa lhe é menos cara que a vida, ao primeiro perigo, ele abandona suas ovelhas, mesmo com o risco de perder o fruto de seus cuidados. Mas o bom pastor, aquele que olha não o salário de seus trabalhos, mas suas ovelhas, diante de algum perigo não abandona seu posto, e vindo o lobo ele se arma de seu cajado, se coloca à porta do aprisco, grita, bate, e se não é mais forte, sucumbe, mas mesmo sucumbindo, pelo grito que dá, pelos golpes de desfere, ele salva seu rebanho. Eis, caríssimos, a característica do bom pastor. Eis o que fez Jesus Cristo e o que fazem e devem fazer todos os pastores aos quais o Bom Pastor confiou o cuidado e a guarda de suas ovelhas. Não vos admireis que o bom pastor, tão doce com suas ovelhas, grite contra os lobos que se aproximam do rebanho, não vos admireis se ele resista, combata, faça guerra; porque ele deve fazê-lo e, de fato o faz mesmo às expensas de sua saúde, e até mesmo de sua vida. Ele segue o exemplo do Bom Pastor: "O Bom Pastor dá sua vida pelas suas ovelhas".

O bom pastor quando vê vindo os lobos, isto é, os escândalos, as más doutrinas, os maus exemplos, os usos perniciosos, o comunismo, a Teologia da Libertação e seus corifeus; não guarda silêncio, não abre as portas ao mal, mas resiste ao escândalo e não dá lugar ao lobo rapace e não foge nunca da luta em defesa da verdade e da moral. Não é mercenário, não olha seus próprios interesses, não visa alcançar honrarias agradando à maioria. Só almeja salvar almas, nada mais. Caríssimos, como devemos lamentar a míngua de bons pastores!!!

"Eu sou o Bom Pastor, eu conheço minhas ovelhas e minhas ovelhas me conhecem".

Eis o dever de um pastor de almas: de conhecer suas ovelhas, de estender seus cuidados a todas, de as ver, de lhes falar, de as procurar, de as atrair pela sua doçura, pela sua caridade. Mas é também dever de as ovelhas conhecer o pastor, isto é, vir até ele, de escutar sua palavra, de obedecer às suas ordens, de seguir seus conselhos, de caminhar em seu seguimento, e é assim também que se estabelecem os bons relacionamentos entre o pastor e suas ovelhas, é assim que os laços que os devem unir se estreitam e que a paz, a piedade, a caridade reinem numa paróquia, e aí espalhem uma doce felicidade, antegozo daquela que nos aguarda no Paraíso. Por outro lado como é triste e lamentável ver como ovelhas desrespeitam e até perseguem seus pastores, pastores zelosos e fiéis à sua missão de salvar as almas!!! Onde isto acontece com frequência, este lugar ou fica amaldiçoado ou porque já o foi: "Seja anátema aquele que tocar nos meus ungidos e maltratar os meus profetas [aqueles que pregam a palavra de Deus] (Salmo 104, 15).

"Tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; importa que eu as traga. Elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor".

Estas outras ovelhas eram as nações pagãs que deveriam entrar na Igreja e formar com os judeus o rebanho único de Jesus Cristo. Temos a felicidade de ser deste rebanho e isto deve ser para nós um motivo de grande reconhecimento. Quantos que estão fora do redil, que nunca aí entraram, ou que dele saíram pelo cisma ou pela heresia! Caríssimos, permaneçamos portanto no rebanho onde Deus nos colocou, sob o cajado do bom Pastor, do Pastor supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo!

          Ó Jesus, todo meu amor, dai-me, o Vosso ardentíssimo amor para que por ele, com a Vossa graça, Vos ame, Vos agrade, Vos sirva, cumpra os Vossos preceitos, não seja separado de Vós, nem no tempo presente nem no futuro, mas convosco permaneça unido no amor pelos séculos eternos. Amém!


HOMILIA DOMINICAL - 2º Domingo depois da Páscoa

  Leituras: Primeira Epístola de São Pedro Apóstolo, 2, 21-25.
                  Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João, 10, 11-16:

 
 "Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: Eu sou o bom Pastor. O Bom Pastor dá a sua vida por suas ovelhas. O mercenário, porém, o que não é pastor, de quem não são próprias as ovelhas, vendo chegar o lobo, deixa as ovelhas e foge; e o lobo rouba e dispersa as ovelhas. O mercenário foge, porque é mercenário e não lhe importam as ovelhas. Eu sou o Bom Pastor, e conheço minhas ovelhas, e as minhas ovelhas me conhecem. Assim como o Pai me conhece, e eu conheço o Pai, eu dou a minha vida por minhas ovelhas. Outras ovelhas tenho eu ainda que não são deste aprisco. É preciso que eu as chame também e ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor. 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!
   
   Eu sou o bom Pastor. Quem assim fala é Jesus - pastor por excelência, pastor que possui todas as qualidades, todas as perfeições para tornar feliz o seu rebanho, procurando-lhe todas as vantagens:
  • Primeira qualidade característica: conhece suas ovelhas. Entre o Bom Pastor e as Suas ovelhas estabelece-se uma íntima relação de conhecimento amoroso, tão íntima, que o Pastor conhece uma a uma as Suas ovelhas. Cada alma pode dizer: Jesus conhece-me e ama-me, não de um modo genérico e abstrato, mas concreto, nas minhas necessidades, nos meus desejos, na minha vida. Para Ele, conhecer-me significa fazer-me bem, envolver-me cada vez mais com a Sua graça, santificar-me. Porque me ama, Jesus chama-me pelo meu nome. Chama-me na oração, nas consolações espirituais, e até nas provações. Chama-me, sobretudo, quando desperta em mim um amor mais profundo por Ele. Perante os Seus apelos, a minha atitude deve ser a da ovelha dedicada que reconhece a voz do seu Pastor e O segue sempre. 
  • O Bom Pastor guia as suas ovelhas: Nosso Senhor Jesus Cristo, na Sua bondade infinita, faz tudo por nós. Ele deixou os seus representantes aqui na terra e disse: "Quem vos ouve, a mim ouve". "Ide e ensinai a todos os povos a observar tudo o que Eu vos ensinei". Deixou a Sua Igreja: "Tu és Pedro (Kefas=pedra) e sobre esta pedra edificarei a MINHA Igreja". 
  • O Bom Pastor caminha à frente de suas ovelhas: Ele mesmo disse: "Eu sou o caminho". Ele nos deu o exemplo, para assim como Ele fez, façamos nós, suas ovelhas. Caríssimos, quereis vós praticar a modéstia, a obediência, a doçura, a paciência, a caridade, o perdão dos injúrias etc? Olhai para Jesus: "Olhai, e fazei segundo o exemplar"...Aprendei de mim, disse Jesus, que sou manso e humilde de coração. 
  • O Bom Pastor guarda e defende suas ovelhas: Assim diz o Salmo 23: "O Senhor é meu Pastor, e nada me falta; colocou-me num lugar de pastos. Conduziu-me à água fortificante. Converteu a minha alma. Levou-me por veredas de justiça, por causa do seu nome. Por isso, ainda que ande no meio da sombra da morte, não temerei males, porque estás comigo. Tua vara e teu báculo me consolaram. Preparaste uma mesa diante de mim, à vista daqueles que me perseguem. Ungiste com óleo a minha cabeça, e quão precioso é o meu cálice que transborda! Tua misericórdia irá após de mim todos os dias da minha vida, a fim de que eu habite na casa do Senhor, durante longos dias". (Na Vulgata é o Salmo 22).  

  • O Bom Pastor nutre suas ovelhas: Ó Senhor, meu Bom Pastor, o que poderíeis ter feito por mim que não tenhais feito? O que poderíeis dar-me, que não me tenhais dado? Vós mesmo Vos fizestes meu alimento e minha bebida. E que alimento mais delicioso e salutar, mais nutritivo e mais fortificante poderia eu encontrar do que o Vosso Corpo e o Vosso Sangue? Jesus, Nosso Bom Pastor, nutre-nos também com a sua doutrina: "Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus". Mandou que pedíssemos no Pai-Nosso também o pão nosso de cada dia. E Ele, o melhor dos pais, nada nos poderá negar. "Se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Vosso Pai que está nos Céus". Como vimos há pouco no Salmo 22: "O Senhor é meu Pastor, e nada me faltará". 
  • O Bom Pastor dá sua vida pelas suas ovelhas: Basta meditarmos a Sua vida: em Belém, no Egito, em Nazaré, durante seu ministério público, durante sua Paixão. "Amou-me e entregou-se a si mesmo ao sacrifício por mim. Jesus sofreu a morte para nos dar a vida, nos cumular de graças e nos merecer o Céu. Eis, caríssimos irmãos, o nosso verdadeiro e único bom Pastor. Ele não pensa em dinheiro como os mercenários. Resgatou-nos não com dinheiro, ouro ou prata, mas com o Seu preciosíssimo Sangue!
          Ó Jesus, todo meu amor, dai-me, o Vosso ardentíssimo amor para que por ele, com a Vossa graça, Vos ame, Vos agrade, Vos sirva, cumpra os Vossos preceitos, não seja separado de Vós, nem no tempo presente nem no futuro, mas convosco permaneça unido no amor pelos séculos eternos. Amém!

   

  

domingo, 28 de abril de 2019

HOMILIA DOMINICAL - 1º Domingo depois da Páscoa

   Leituras: Primeira Epístola de São João 5, 4-10)
                   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João 20, 19-31: 

   
   
"Naquele tempo, chegada já a tarde daquele dia, que era o primeiro dia da semana, e estando fechadas as portas do lugar onde se achavam reunidos os discípulos com medo dos judeus, veio Jesus, pôs-se no meio deles, disse-lhes: A paz esteja convosco. E dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Alegraram-se muito os discípulos, vendo o Senhor. Disse-lhes Jesus outra vez: A paz esteja convosco.  Assim como meu Pai me enviou, assim também eu vos envio. Ditas estas palavras, soprou sobre eles, dizendo-lhes: Recebei o Espírito Santo. Os pecados daqueles a quem perdoardes ser-lhes-ão perdoados: os pecados a quem retiverdes, ser-lhes-ão retidos. Ora, Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles, quando veio Jesus. Disseram-lhe, pois, os outros discípulos: Vimos o Senhor" Ele, porém, lhes disse: Se eu não vir em suas mãos o sinal dos cravos, se não introduzir o meu dedo no lugar dos cravos, e se mão meter minha mão em seu lado, não acreditarei. Oito dias depois, estavam os discípulos de Jesus outra vez no mesmo lugar e Tomé com eles. Veio Jesus, , estando as portas fechadas. E pondo-se no meio deles, disse: A paz esteja convosco! Depois disse a Tomé: Coloca aqui o teu dedo, o vê as minhas mãos; chega também a tua mão e mete-a em meu lado; não sejas incrédulo, mas fiel. Respondeu Tomé e disse-Lhe: Meu Senhor e meu Deus! Disse-lhe Jesus: Tu creste, ó Tomé, porque viste; bem-aventurados os que não viram e, creram; Jesus fez ainda, em presença dos discípulos muitos outros milagres, que não foram escritos neste livro. Estes, porém foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus; e para que, crendo, tenhais a vida em seu Nome."


Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

  Quantos assuntos de meditação nos oferece o Santo Evangelho de hoje: A Bondade e Misericórdia do Coração de Jesus, a paz, a fé, o Sacramento da Penitência! 

   Com a graça de Deus vamos falar sobre a Misericórdia. Como são assuntos que se entrelaçam, falaremos  de passagem também sobre os demais. 

   Caríssimos, a Misericórdia divina é infinita. Deus não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e tenha a vida eterna. Deus espera com paciência o pecador; vai a procura dele com toda solicitude; e recebe com toda alegria o pecador arrependido.  Os Apóstolos estavam sem paz: haviam pecado, abandonado o Mestre, estavam fechados numa casa com medo dos judeus. Jesus ressuscitado lhes aparece. Suas primeiras palavras não foram de repreensão, foram de paz: A paz esteja convosco! Como Jesus é bom!. A paz é um dom tão precioso que sobrepuja todo entendimento humano. Jesus quer que seus discípulos tenham a paz e dá a eles o poder de transmiti-la a todos os pecadores arrependidos: dá-lhes o poder de perdoar os pecados. É o tribunal da misericórdia em que o próprio réu se acusa, mas para ser perdoado. Caríssimos, é o sangue de Jesus Cristo que banha e lava a nossa alma. Não vemos, mas tenhamos fé: "A quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados". Façamos um profundo ato de fé: Deus ama-nos com amor infinito, distinto, imutável, se não me afasto d'Ele por um ato consciente de minha livre vontade, como infelizmente fez Judas Iscariotes. Este infeliz apóstolo até se arrependeu, mas não confiou na bondade do Coração de Jesus.

   Ensina a fé que Deus é misericórdia e que por esse motivo se inclina com tanto mais amor para nós quanto mais reconhecermos as nossas misérias: porque a miséria atrai a misericórdia. Invocá-Lo com confiança, é afinal honrá-Lo, é proclamar que Ele é a fonte de todos os bens e nada tanto deseja como conceder-no-los. É por isso que na Sagrada Escritura nos declara vezes sem conta que defere as súplicas dos que esperam n'Ele: "Porque esperou em mim, livrá-lo-ei; protegê-lo-ei, porque conheceu o meu nome" (Sl. XC, 14). Nosso Senhor Jesus Cristo convida-nos a orar com confiança; e, para inculcar esta disposição, recorre não somente às exortações mais insistentes, mas ainda às parábolas mais comovedoras. Ele possui o mais perfeito coração humano, o mais terno, o mais amante, o mais desejoso de praticar o bem, o mais sensível ao esquecimento e à ingratidão. Quando Jesus Cristo pode encontrar uma alma completamente confiante n'Ele e convencida de sua própria miséria, não há maravilhas que não opere nela.

   Quando o sentimento de nossas misérias nos inquietar, meditemos estas palavras de São Vicente de Paulo: "Representais-me as vossas misérias. E quem não se encontra, infelizmente, cheio delas? Tudo está em as conhecer e amar a abjeção que as acompanha, como vós fazeis, sem se deter mais que para nelas estabelecer o fundamento bem firme duma grande confiança em Deus; porque então o edifício levanta-se sobre rocha, de sorte que, ao rugir a tempestade, fica imóvel".  Na verdade, as nossas misérias atraem, efetivamente, a misericórdia divina, quando a invocamos com humildade, e não fazem senão pôr-nos na melhor disposição para recebermos as graças divinas. São Vicente acrescentava que, quando Deus começou a fazer bem a uma criatura, não cessa de lho continuar a fazer até o fim, se ela se não torna excessivamente indigna dele. Assim, as misericórdias passadas são penhor das futuras.

   Eterno Pai, eu Vos ofereço o Corpo e o Sangue, a Alma e a Divindade de Vosso diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados e dos do mundo inteiro; pela Sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro. Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro. Meu Jesus, misericórdia! Jesus, eu confio em Vós! Amém!

quarta-feira, 24 de abril de 2019

VITÓRIA APÓS A MORTE

 VITÓRIA APÓS A MORTE

                                                                                                                                                                         Dom Fernando Arêas Rifan*
    

            Estamos na semana da Páscoa, maior festa do calendário cristão, celebração da gloriosa Ressurreição de Jesus Cristo, a sua vitória sobre o pecado, sobre a morte e sobre a aparente derrota da Cruz. Cristo ressuscitou glorioso e triunfante para nunca mais morrer, dando-nos o penhor da nossa vitória e da nossa ressurreição. Choramos a sua Paixão e nos alegramos com a vitória da sua Ressurreição. Para se chegar a ela, para vencer com ele, aprendemos que é preciso sofrer com ele: “Quem quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16,24). A morte não é o fim. O Calvário não foi o fim. Foi o começo de uma redenção, de uma nova vida. A Páscoa é, portanto, a festa da alegria e a da esperança na vitória futura. 
            E hoje é dia de São Fidélis, grande mártir capuchinho, em cuja honra foi construída a cidade de São Fidélis, minha terra natal. Nascido em Sigmaringa, Alemanha, doutorou-se em Filosofia e Direito na Universidade de Friburgo, exerceu com distinção e integridade a advocacia, mas, sentindo-se chamado por Deus, doou os seus bens ao seminário e entrou na Ordem dos Franciscanos Capuchinhos. Grande pregador e missionário, foi enviado a combater os erros do calvinismo, na Suíça. Lá sofreu o martírio pela fé, assassinado por um grupo de calvinistas, em 24 de abril de 1622, aos 45 anos de idade. Foi canonizado em 1745.
            Em 1781, os índios Coroados, que habitavam as margens do Rio Paraíba, no aldeamento chamado Gamboa, que já conheciam o cristianismo, pois haviam se desmembrado da tribo dos Goytacazes, pediram missionários para catequizá-los. Foram-lhes enviados Frei Ângelo de Lucca e Frei Vitório de Cambiasca que, com os índios, edificaram a aldeia e a belíssima Igreja em honra do seu confrade recém-canonizado, São Fidélis, mártir da fé.
            “Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5,10). Esta é a oitava bem-aventurança, com as quais Jesus começou o seu “sermão da montanha”, resumo do seu Evangelho. Assim, a perseguição e o martírio se tornaram uma característica dos seus discípulos e sempre estiveram presentes na Igreja, desde os primórdios.
            O escritor Andrea Riccardi, professor de história contemporânea na Universidade de Roma, teve acesso aos arquivos do Vaticano sobre a perseguição aos cristãos no século XX e lançou o livro “Eles foram mortos por causa de sua Fé”, de 455 páginas impressionantes sobre o martírio recente e atual dos católicos em todo o mundo. Impressiona a descrição do “holocausto” cristão no Nazismo, no Comunismo, nas terras de missões, no México, na Espanha, na África, etc. Além dos mártires da Fé, temos os mártires da caridade, da pureza e da justiça. Entre os 12.818 mártires, temos 4 cardeais, 122 bispos, 5.173 padres diocesanos, 4.872 religiosos, 159 seminaristas, além de centenas de leigos. É realmente a visão do 3o segredo de Fátima: o Papa caminhando sobre os cadáveres dos cristãos mártires que tombaram, vitoriosamente, pela sua Fé.
            Feliz e Santa Páscoa para todos, alegres na esperança de Jesus Cristo vitorioso!

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

domingo, 21 de abril de 2019

SANTA PÁSCOA

SANTA PÁSCOA

  
"Vós não sabeis que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte? Nós fomos, pois, sepultados com Ele, a fim de morrer (para o pecado) pelo batismo, para que assim como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim nós vivamos uma vida nova" (Rom. VI, 3 e 4).

 Desejo aos caríssimos leitores uma FELIZ E SANTA PÁSCOA!

Os méritos de Jesus Cristo adquiridos pela sua Paixão e Morte, subsistem para depois da Sua gloriosa Ressurreição. Para isto significar, quis conservar as cicatrizes das chagas: apresenta-as ao Pai em toda a sua beleza, como títulos à comunicação da sua Graça. Como diz São Paulo: "... (Jesus) porque permanece para sempre, tem um sacerdócio que não passa. Por isso pode salvar perpetuamente  os que por Ele mesmo se aproximam de Deus, vivendo sempre para interceder por nós"(Hebr. VII, 25).

É logo no Batismo que participamos da graça da Ressurreição. É também o que diz S. Paulo, como acima transcrevemos.  A água santa em que mergulhamos no Batismo é, segundo o Apóstolo, a imagem do sepulcro (na época se administrava o batismo também por imersão). Ao sair dela, fica a alma purificada de toda a falta, de toda a mancha, livre da morte espiritual e revestida da graça, princípio da vida divina. Jesus Cristo tem infinito desejo de nos comunicar a Sua vida gloriosa, assim como teve um ardente desejo de ser batizado com o batismo de sangue para nossa salvação. E o que é mister seja feito para correspondermos a este desejo divino e nos tornarmos semelhantes a Jesus ressuscitado? É preciso viver no espírito do nosso Batismo: renunciar de verdade (e não só de lábios) a tudo o que na nossa vida é viciado pelo pecado; fazer "morrer" cada vez mais o "velho homem". Continuando o texto supracitado no início: "Porque, se nos tornarmos uma só planta com Cristo, por uma morte semelhante a d'Ele, o mesmo sucederá por uma ressurreição semelhante, sabendo nós que o nosso homem velho foi crucificado juntamente com Ele, a fim de que seja destruído o corpo do pecado, para que não sirvamos jamais ao pecado" (Rom. VI, 5 e 6). Assim, tudo em nós deve ser dominado e governado pela graça. Nisto consiste para nós toda a santidade: afastar-nos do pecado, das ocasiões do pecado, desapegarmo-nos das criaturas e de tudo o que é terreno, para vivermos em Deus e para Deus com a maior plenitude e estabilidade possíveis.  E São Paulo continua explicando: "De fato aquele que morreu, justificado está do pecado. E, se morremos com Cristo, creiamos que viveremos também juntamente com Cristo"...

Caríssimos, esta obra de santidade inaugurada no Batismo, continua durante toda a nossa existência. São Paulo dizia: "Eu morro todos os dias". É certo que Jesus Cristo só morreu uma vez; deu-nos assim o poder de morrer com Ele para tudo o que é pecado. Nós, porém, devemos "morrer" [espiritualmente falando] todos os dias, pois conservamos em nós as raízes do pecado, raízes estas que o demônio trabalha para fazer brotar de novo. Portanto, destruir em nós essas raízes, fugir de toda a infidelidade, desapegar-se de toda criatura amada por si mesma, afastar das nossas ações todo o motivo, não só culpável, mas puramente natural; libertar-nos de tudo o que é criado, terreno, conservar o coração livre duma liberdade espiritual, - eis, caríssimos, o primeiro elemento da nossa santidade. Mostra-o S. Paulo em termos os mais expressivos: "Purificai-vos do velho fermento para serdes uma massa nova; pois, desde que Jesus Cristo, nosso Cordeiro Pascal, foi imolado por nós, tornastes-vos pães ázimos. Participemos portanto do banquete, não com o fermento antigo, o fermento do mal e da perversidade, mas com os ázimos da verdade e da sinceridade".

Aqui também faz-se mister uma explicação: Entre os Israelitas, nas vésperas da festa da Páscoa, deviam desaparecer das casas toda a espécie de fermento; No dia da festa, depois de imolado o cordeiro pascal, comiam-no com pães ázimos, isto é, sem fermento, não levedados (Cf. Ex. XII, 26 e 27).  Pois bem! Tudo aquilo eram apenas "figuras e símbolos" da verdadeira Páscoa, a Páscoa cristã. Naquele momento da regeneração batismal, participamos da morte de Cristo, que fazia morrer em nós o pecado: tornamo-nos, e assim devemos permanecer pela graça, uma nova massa, isto é, "nova criatura", "novo homem", a exemplo de Jesus Cristo saído glorioso do sepulcro.

Os judeus, chegada a Páscoa, se abstinham de todo  o fermento para comer a cordeiro pascal, "assim também vós, cristãos,  que quereis participar do mistério da Ressurreição e unir-vos a Jesus Cristo, Cordeiro imolado e ressuscitado por vós, deveis, doravante, levar uma vida isenta de todo o pecado; deveis abster-vos desses maus desejos que são como que um fermento de malícia e perversidade. Fermento velho são, ainda, as paixões desregradas que subvertem o coração, na revolta  contra as leis naturais e sobrenaturais, para levá-lo à condenação final. Fermento velho é, também, a vaidade que, motivando as boas obras, impede-lhes todo o merecimento divino. Fermento velho enfim, é aquele espírito mundano que, impregnando as mentes dos fiéis, leva-os a conciliarem máximas terrenas e ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim este fermento velho mina a vida espiritual dos cristãos. Envenenados por ideias mundanas ,vivem completamente alheios aos destinos eternos, apenas buscando uma felicidade efêmera. Baseados numa noção deturpada de "misericórdia" e levados por um espírito ecumênico e não missionário, aprovam os erros dos inimigos da Igreja, e a eles se conformam. Curvando-se à leis do mundo, preferem a liberdade desenfreada dos homens deste século à moral puríssima e imutável dos Santos Evangelhos.

É contra tudo isto que São Paulo alerta veementemente: "Purificai-vos do velho fermento, para que sejais uma nova massa, vós que constituís a sociedade dos filhos de Deus". Caríssimos, não mais o fermento do pecado e, sim o pão ázimo da virtude; não mais o fermento doas paixões desregradas, e sim o pão ázimo da pureza; não mais o fermento da vaidade e sim o pão ázimo da verdade que busca a glória de Deus; não mais o fermento do espírito mundano e, sim, o pão ázimo dos princípios tradicionais que nos ensinam a andar na terra com as vistas voltadas para o reino dos céus, e nos impõem a profissão integral da nossa fé sem as mesquinhas concessões ao respeito humano, e sem as vulgares condescendências ao espírito moderno.

Em um palavra: celebrar a Páscoa com o pão ázimo de pureza e da verdade.   

Não podemos servir a dois senhores ao mesmo tempo. E, se renunciamos ao demônio, suas obras que são os pecados, e suas pompas e vaidades que levam ao pecado, digo, se renunciamos a tudo isto, é justamente para vivermos para Deus. E este viver para Deus encerra em si uma infinidade de graus. Supõe em primeiro lugar afastamento total de todo pecado mortal; pois, entre este e a vida divina há incompatibilidade absoluta. Há depois a separação do pecado venial, das raízes do pecado, de todo o motivo natural; desapego de tudo quanto é criado. Quanto mais completa for esta separação, mais libertados estamos, mais livres espiritualmente e mais se desenvolve e desabrocha também em nós a vida divina; à medida que a alma se liberta do humano, abre-se para o divino, vive na verdade a vida de Deus.

Caríssimos, permaneceremos em Jesus que é a Vida, pela graça, pela fé que n'Ele temos, pelas virtudes de que Ele é o modelo perfeito. E é preciso que Jesus Cristo reine em nossos corações. É mister que tudo em nós Lhe seja submetido.  Jesus deve ser a nossa vida. Oxalá pudéssemos dizer com todo verdade como São Paulo: "Vivo, mas não sou mais eu que vivo, é Jesus Cristo que vive em mim!"

Enfim, os sinos da Páscoa anunciam  não apenas Jesus Cristo ressuscitado, mas, afinados na misericórdia divina, repicam alegres, também para os pecadores, mas para os pecadores arrependidos e penitentes, pecadores que também surgiram do sepulcro dos seus pecados. E assim aproximam-se também eles do Banquete Eucarístico de uma Santa Páscoa.


Vamos resumir tudo com palavras de São Paulo: "Portanto, se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são lá de cima, onde Cristo está sentado à destra de Deus; afeiçoai-vos às coisas que são lá de cima, não às que estão sobre a terra. Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus" (Col. III, 1-3). Amém! Aleluia!


SERMÃO DA RESSURREIÇÃO

Surrexit, alleluia!  Ressuscitou, aleluia!

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo! 

   Uma Feliz e Santa Páscoa a todos!

   Pelas três horas da tarde, na sexta-feira Santa, estando tudo consumado, inclinando a cabeça Jesus rendeu o espírito. Suspenso entre o céu e a terra Jesus estava realmente morto. A obra ímpia dos filhos das trevas estava consumada. O Salvador do mundo tinha exalado o último suspiro. Seu corpo, descido da cruz, tinha sido colocado num sepulcro. Os fariseus triunfavam. Viram a seus pés o cadáver ensanguentado e inânime de Jesus a quem tanto odiavam. Nos arraiais dos escribas e fariseus a alegria era geral, embora mesclada de um certo temor. Pois Jesus tinha ressuscitado o jovem de Naim, a filha de Jairo e Lázaro. E isso agora pouco importaria se Jesus não tivesse também predito sua própria ressurreição: "Ao terceiro dia o Filho do Homem ressurgirá". Sua desconfiança, portanto, não era de todo infundada. Impunha-se máxima cautela.
   Antes prevenir que remediar. Cuidadosos, fariseus e escribas puseram guardas em redor do túmulo. Selaram a tampa com o selo da nação. Deixaram ordens severas ao pelotão dos soldados. Retiraram-se satisfeitos. 
  Vede homens cegos e insensatos, quereis ligar o Verbo Eterno. Credes selar para todo sempre nas entranhas da terra a Religião de Cristo!?
 Três dias depois, era de madrugada. As estrelas iam desmaiando uma após outra na cúpula celeste. Meigos clarões de uma linda aurora purpurizavam as nuvens. Os passarinhos começavam a pipilar nos arbustos. O sol não tardaria a dourar os píncaros do Calvário.
    E eis que a terra treme, a pedra sepulcral é retirada, os guardas caem por terra como mortos. Jesus Cristo sai glorioso do túmulo. Surrexit! Ressuscitou! Sua alma pelo poder da divindade unira-se de novo ao  corpo, o qual se levanta majestoso, saindo triunfante do sepulcro. Surrexit! Alleluia! Ressuscitou! Aleluia! Que palavra!!! meus irmãos!!! Vinte séculos são passados que ela se fez ouvir pela primeira vez sobre um túmulo vazio. Um anjo a disse a algumas mulheres, estas a alguns discípulos e estes a toda Jerusalém. De Jerusalém ela passou pelas nações e percorreu rapidamente a terra inteira. E sob a ação desta palavra tudo se muda: o velho mundo desmorona-se, os velhos costumes caem-se, um mundo novo se eleva, novos costumes florescem. A humanidade regenerada sente um sangue novo circular em suas veias. 
    Surrexit! Ressuscitou! E depois, cada ano, num dia marcado a Igreja repete esta palavra. Ela a canta em seus cânticos. Ela a diz em suas orações. Ela a proclama em seus ensinamentos. Ela a lança com entusiasmo nas abóbodas de seus templos. E os ecos sagrados, a voz dos fiéis e os instrumentos religiosos a repetem: Surrexit! Ressuscitou! Alleluia, Alleluia! A esta palavra o gozo renasce em todos os corações, a felicidade se pinta em todos os olhares, o luto da Santa Quaresma desaparece. Os altares se cobrem de flores, os sacerdotes entoam novamente seus cânticos de alegria. Alleluia! Repicam os sinos nos céus de primavera em cada ângulo do mundo, sob todas as latitudes!!!

   Mas, caríssimos e amados irmãos, por que este gozo universal? É porque a Ressurreição de Jesus Cristo é a pedra angular do Cristianismo. Jesus ressuscitou! Tudo está aí contido: Dogma, Culto, Moral. Se Jesus Cristo ressuscitou, nossa fé é certa, nossa esperança é segura, nossa Religião é divina. 

   Mas não é este o único motivo de nossa alegria e extraordinário júbilo neste santo dia: A Ressurreição de Jesus Cristo é também o penhor e ao mesmo tempo o modelo de nossa ressurreição futura. E este pensamento leva ao auge a nossa felicidade. Jesus Cristo ressuscitou, logo nós ressuscitaremos também e nas mesmas condições e com a mesma glória, é claro, segundo nossa medida limitada de  puras criaturas. Assim, que a nossa carne se desfaça no pó do qual veio, nós não nos inquietaremos. Um dia ela se elevará deste mesmo pó cheia de vida e gloriosa. O próprio Jesus garantiu que os justos brilharão como o sol. 

   Jesus Cristo pôde ressuscitar a Si mesmo, Ele poderá ressuscitar também a nós. Nenhuma voz mortal, nenhuma voz divina, nenhum profeta, anjo algum Lhe disse: Levantai-Vos. Nenhuma mão estranha desligou as faixas que prendiam seu sudário. Só, no silêncio da noite rompeu as portas da morte, sozinho a abateu e venceu. Ora, o que Ele pôde para Si, não poderá para nós? Nossa carne não é porventura da mesma natureza que a Sua? Nosso corpo não é semelhante ao seu Corpo? Não disse Ele: "Quem comer a minha carne e beber o meu sangue permanece em mim e Eu nele; e Eu o ressuscitarei no último dia? 
   Depois, Jesus mesmo prometeu: " Eu sou a Ressurreição e a Vida. O que crê em mim, ainda mesmo que tenha morrido, viverá e todo homem que vive e crê em mim não morrerá para sempre".

   São Paulo exclama: "Si compatimur ut et conglorificemur". Se sofremos com Cristo para que com Ele sejamos igualmente glorificados". Jesus Cristo é a nossa Cabeça e nós somos seus membros. Nossas mãos como as de Jesus devem distribuir benefícios sobre os homens; nossos pés, a exemplo dos Seus, devem correr a procura de nossos irmãos que se extraviaram. Nosso corpo todo inteiro como nossa alma deve se entregar às obras de piedade e de misericórdia. Pois bem, este corpo assim oferecido em vítima para a glória de Deus e ao bem das almas, estas mãos que tantas vezes depositaram o bálsamo nas chagas dos feridos, estes pés que levaram a consolação e a esperança nos tugúrios dos pobres e dos infelizes; estes pés tão belos que levaram o Evangelho às nações bárbaras; estes pés e estas mãos, este corpo, serão então para sempre cinza e pó e, depois de ter participado dos trabalhos do Corpo Mistico de Jesus Cristo, eles também não participarão da Sua glória? 

   Tanto no pensamento do grande Apóstolo como no pensamento de todos os cristãos, o dogma de nossa ressurreição futura está estreitamente ligado ao dogma da Ressurreição de Jesus Cristo. Um é a consequência rigorosa, necessária do outro.

   Mas a Ressurreição de Jesus Cristo não é somente o penhor de nossa ressurreição. Ela é também o modelo da nossa.
    Jesus sai do túmulo, inteiramente outro. Sai com seu corpo revestido com todos os dotes de um corpo glorioso. Não mais sujeito à dor, à enfermidade, à morte. Seu corpo ressuscitado é ligeiro como o espírito, penetrável, entrará no Cenáculo estando as portas fechadas. Todo ele revestido de glória e resplendente de luz, deslumbrará seus discípulos por aparições inesperadas. Ora, caríssimos irmãos, todas estas qualidades constituirão os dotes dos nossos corpos ressuscitados. Não haverá mais lugar para a morte. Esta foi tragada na vitória de Cristo. Nossos corpos terão por abrigo as abóbodas celestes, por vestes a luz deslumbrante do paraíso; por alimento, a eterna vista e eterna posse de Deus. 

   Alleluia! Alleluia! Regozija-te, portanto, ó minha carne no dia da Ressurreição de Jesus! Este dia é o anúncio de tua regeneração e de teu triunfo. Este dia é verdadeiramente o dia que fez o Senhor. Nossa alma está na alegria, nosso corpo cheio de esperança!
   Não! Não! a separação de minha alma e de meu corpo não será eterna. Estes dois seres, tão longo tempo e tão estreitamente unidos se reunirão um dia. Quando a alma se separar com tanta pena do corpo que ela anima, o adeus que ela lhe diz não é um adeus sem esperança. Eles se tornarão a ver, se reencontrarão um dia. Ao som de trombeta angélica a alma acorrerá sobre este túmulo onde repousa seu mortal invólucro. Ela chamará seu companheiro bem amado; e a esta voz conhecida, o corpo se levantará do pó e se unirá em fraternais amplexos a alma, sua cara companheira. 

   Eis, caríssimos irmãos, o que a solenidade deste dia nos anuncia. Jesus Cristo saindo radioso do túmulo nos diz: Vede-Me. O que Eu sou, vós sereis um dia. Aleluia! Aleluia!

   Uma mãe, a quem havia pouco, tinham morrido dois filhos, ouviu falar do juízo final e da ressurreição da carne.  - "Portanto - dizia ela extasiada - meus dois filhos eu os verei ainda, ainda poderei acariciá-los. Ver-lhes-ei os seus rostos, beijá-los-ei ainda; porém, não mais chorando, como os beijei, frios, frios, antes de os recompor no caixão. Mas quando será? "Quando as trombetas dos anjos soarem a hora do juízo final!"
   E quase impaciente por tornar a ver seus filhos, aquela mãe disse: "E por que não é amanhã este dia?"

   Caríssimos irmãos! Quem é que não chora algum parente defunto! Talvez sua mãe, talvez um irmão, talvez o esposo? Quantas vezes não vos assaltou um desejo veemente de lhes rever as feições, de olhar nos olhos tristes, de tornar a ouvir-lhes a voz qual a ouvíamos em horas felizes?
   Pois bem! O mistério da Páscoa dá-nos um grande consolo. Revê-lo-emos, tornaremos a ver não só os seus espíritos mas também os seus corpos gloriosos; revê-lo-emos como os havemos conhecido e amado na terra.

   Os santos sorriam na hora da morte. E tinham razão. Para o cristão que procura imitar a Cristo, a morte não passa de uma breve separação entre a alma e o corpo. É a alma que saúda seu corpo: Até breve irmão, combatemos juntos, estás cansado, deixo-te repousar. Depois de teu breve sono, ao soar da trombeta angélica, voltarei para te retomar, mas para gozares sempre, sem mais te cansares. 

   Ressurgiremos! Este é o grito de Jó: "Sei que o meu Redentor vive. Mas também sei que no último dia eu também ressurgirei para O ver com estes meus olhos!"

   Preparemo-nos, caríssimos irmãos, para a gloriosa ressurreição dos corpos, ressurgindo do pecado e da tibieza.
   Se caímos em algum pecado, comecemos tudo de novo. Confessemo-lo arrependidos.

   O rei Felipe II de Espanha velou uma noite inteira para escrever ao Papa uma carta de suma importância. Quando acabou, distraído pela fadiga e pelo sono, em vez de derramar nela a areia para enxugar; derramou a tinta. Felipe II empalideceu, mas depois recolhendo a sua coragem disse: "Comecemos de novo".
   Oh! Se na nossa vida tem havido momentos de sono e distração em que havemos derramado a tinta dos pecados na nossa alma, hoje que é Páscoa, é justamente o momento oportuno de dizermos: Comecemos de novo! Amém! Assim seja!

   

sábado, 20 de abril de 2019

O SEPULCRO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

 Para um Deus, o sepulcro é o último grau de humilhação!
  "Aniquilou-Se a si mesmo". Só achamos uma imagem desta humilhação na comunhão. Ali também não é só Deus que desaparece, é o próprio homem, e ainda mais que na sepultura, onde ao menos conservava a forma exterior de um corpo humano. Não se abaixou tanto na Eucaristia, senão para nos inspirar a confiança de que precisávamos, para comer a sua carne e beber o seu sangue. Preparemos-Lhe no nosso coração um sepulcro, em que tenha gosto de estar. José e Nicodemos receberam o divino corpo privado de vida: nós recebemo-Lo vivo e dando a imortalidade!

 Depois da morte,o Corpo de Jesus é descido da Cruz, depositado por alguns instantes nos braços de sua inconsolável Mãe que O cobre de lágrimas, e em seguida prestam-Lhe, como aos outros homens, as honras da sepultura. É hoje que se verifica plenamente a palavra de São Paulo: "Aniquilou-se a si mesmo".


 "Seu sepulcro será glorioso". A terra e os Céus vão regozijar-se deste triunfo; felizes os vossos verdadeiros servos fiéis, porque participarão dele um dia.  É impossível deixar de ver os desígnios da Providência divina, ao permitir que se fechasse a entrada do sepulcro com uma grande pedra, e que fosse mandado selar e guardar. Com efeito, Deus queria que todas estas precauções servissem para comprovar a morte e sepultura do seu Filho; queria com isto refutar de antemão a fábula ridícula do roubo do corpo, e dar à ressurreição uma certeza que vencesse a mais obstinada incredulidade. Só Vós, ó meu Salvador, achais na vossa sepultura o princípio do triunfo que vosso Pai vos confere. Profundamente humilhado no sepulcro, sois glorificado pelo mesmo sepulcro.




Igreja do Santo Sepulcro
Caríssimos, na verdade, o sepulcro de Nosso Senhor Jesus Cristo é uma escola de perfeição. Naquelas trevas em que se envolve, também nos diz que amemos a vida solitária, porque é muito favorável à inocência e ao progresso da virtude. É também um belo modelo de obediência: é um corpo morto. Mas admiro ainda mais a obediência que presta a seus ministros sagrados, que dispõem dele como querem, É inacessível a toda a corrupção por causa da divindade a que está unido. Também nós, se permanecermos unidos a Jesus pelo amor, conservar-nos-e-mos incorrutos embora  vivendo no mundo que é um sepulcro de corrupção. No sepulcro Jesus conserva toda a força para sair dele; também nós receberemos da nossa união com Jesus, o poder de vencer as paixões e o inferno, e como o Divino Salvador, alcançaremos também a glória da ressurreição. Amém!