SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

domingo, 31 de março de 2019

QUARTO DOMINGO DA QUARESMA



S. João VI, 1-15
A Multiplicação dos Pães é Imagem da Multiplicação do Pão Eucarístico

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Estando próximos à Festa da Páscoa, a Santa Madre Igreja vem nos preparando para a confissão e comunhão santas. No domingo p. p. nos deu ensejo para falarmos sobre a confissão e, especificamente, chamando-nos à atenção contra o perigo do demônio mudo; neste domingo (4º da quaresma), oferece-nos ocasião para meditarmos sobre a Comunhão. Pois, na verdade o prodígio da multiplicação dos pães contado no evangelho de hoje, é figura de um outro prodígio muito mais brilhante e de uma ordem mais elevada, isto é, a multiplicação do pão eucarístico que deve servir de alimento das nossas almas. Não é pois sem razão que antes de contar o milagre que nos ocupa, o evangelista faz notar que a Páscoa dos Judeus estava próxima; não é,  outrossim, sem motivo que a Santa Igreja coloca a leitura deste evangelho (S. Jo VI, 1-15) nas proximidades  do tempo pascal. É fácil, com efeito, perceber à luz do fato da multiplicação dos pães e das circunstâncias que a acompanham, o grande fato da instituição da Santíssima Eucaristia. Com a multiplicação dos pães Jesus Cristo já nos quis dar não só uma imagem mas também um como ante-gosto da Pão Eucarístico.

Do alto de sua misericórdia, de sua sabedoria, de suas perfeições, no meio das quais estava assentado como sobre uma montanha, Nosso Senhor Jesus Cristo avista uma grande multidão, isto é,  toda humanidade, fatigada, faminta e não encontrando no deserto da vida nada que pudesse saciar sua fome. Jesus tem dela compaixão, e, após tirar da boca dos homens, dos doutores, dos mestres da ciência representados pelos apóstolos, a confissão formal de sua incapacidade para nutrir estas almas, para as saciar, para lhes dar a luz, a força de que necessitam, Ele ordena  esta multidão que se assente, como para um grande festim; e a multidão assenta-se embora nada veja diante de si que seja capaz de satisfazer sua fome. Dócil e confiante, esta multidão se assenta por grupos ( segundo o texto dum outro evangelista), isto é, por grandes famílias espirituais, por cristandades, por igrejas, por paróquias, e ela aguarda, calma e segura de que o poder divino multiplicará para ela e lhe distribuirá este alimento sagrado do Corpo de Jesus Cristo. E há uma profecia de que o Sacrifício nunca faltará e assim também nunca deixará de existir no vale de lágrimas, no deserto da vida, este Pão sagrado que é o próprio Jesus como Deus e como Homem. E os ministros do Salvador, os bispos e os padres, executam sem hesitar  as ordens do Mestre, tomam o Pão sagrado e distribuem-No. Fazem mais. Estabelecidos para fazer as vezes de Jesus Cristo entre os povos, eles benzem o pão, eles dão graças a Deus, à exemplo do Salvador, e eles mesmos, em virtude de seu sacerdócio, deste sacerdócio que é uma derivação do de Jesus Cristo, eles fazem o milagre, eles multiplicam sem medida este alimento divino e dão-No aos fiéis.

Caríssimos, seríamos muito ingratos e cegos se recusássemos este Pão sagrado, este festim esplêndido que a divina munificência nos oferece! Não vemos um sequer daqueles que seguiam a Jesus no deserto, recusar sua parte do pão miraculosamente multiplicado e abundantemente distribuído à multidão. Seríamos mais descuidados em se tratando do alimento de nossa alma? Quantos que se dizem católicos e muito mal se contentam com a comunhão pascal, e, o que é mais triste, muitos nem esta fazem.

Reconhecemos pela fé, a superioridade incomparável do pão eucarístico sobre aquele pão material multiplicado e distribuído no deserto. Mas é esta mesma superioridade que assusta muitos e os afastam da mesa eucarística, porque não querem destruir os pecados mortais que levam à comunhões sacrílegas; e, lembrados das palavras inspiradas da Sagrada Escritura: "... todo aquele que comer este pão... indignamente, come para si a condenação" (Cf. 1 Cor. XI, 27-31) preferem se abster do Pão divino a se abster dos pecados e das ocasiões próximas dos mesmos. Hoje infelizmente tem acontecido algo pior: entendendo a Eucaristia como simples símbolo, isto é, não tendo fé na presença real de Jesus Eucarístico, tomam a comunhão sem deixar o pecado e, às vezes, pecados gravíssimos e públicos, como o ódio e o adultério. E assim dão um terrível escândalo, inclusive aos pequeninos que se preparam para o primeira Comunhão.

Caríssimos, devemos observar que Jesus Cristo não esperou, para nutrir a multidão faminta, que ela Lhe pedisse o alimento de que tinha premente necessidade. Jesus foi o primeiro a perceber esta necessidade, como também o primeiro em procurar os meios de a satisfazer. E, em se tratando de nossas necessidades corporais, somos tão prontos em as sentir, e tão prontos em procurar satisfazê-las. O mesmo não acontece atinente às nossas necessidades espirituais: ordinariamente são-nos menos presentes e menos manifestas. É mister que Deus mesmo, na sua bondade paternal, no-las faça perceber e nos avise de sua necessidade. Isto Jesus faz mostrando a necessidade de comermos a Sua Carne e bebermos o Seu Sangue para podermos  ser ressuscitados no último dia para a Vida eterna. E não só Nosso Senhor nos adverte quanto à necessidade de recebermos o Pão Eucarístico, que afinal, é Ele mesmo como Homem e como Deus: Corpo, Sangue, Alma e Divindade. O Salvador faz da Comunhão uma obrigação, pois, sem a qual não poderíamos ter a Vida Eterna. E o que a Igreja liga na terra, Jesus liga no Céu: daí o mandamento da Igreja quanto à Comunhão Pascal.

É evidente que nunca nos tornaremos dignos de receber Jesus; nem os Anjos seriam dignos! Mas, o que o divino Salvador exige é que nos purifiquemos de todo pecado mortal e, seria louvável, que também não tivéssemos nenhum pecado venial na alma. Quanto aos pecados veniais, no entanto,  caso não seja possível confessá-los, não impedem a pessoa de comungar, mas é necessário que façamos a comunhão com esta intenção de recebermos forças da própria Comunhão para eliminarmos de nossa vida também os pecados veniais. E com a comunhão frequente é forçoso que isto aconteça.

Terminemos com uma oração de Santo Agostinho: "Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus vivo, que, sobre a cruz, com os braços abertos, bebestes o cálice de inenarráveis dores para a redenção de todos os homens, dignai-Vos hoje vir em meu auxílio. Eis-me aqui: pobre, venho a Vós que sois rico; miserável, apresento-me a Vós que sois misericordioso. Ah! fazei que não me afaste de Vós vazio e desiludido. Faminto, venho a Vós, não permitais que volte em jejum; esfomeado, aproximo-me, que eu não me retire sem ter sido por Vós saciado; e se antes de comer suspiro, concedei-me que depois dos suspiros eu possa ser alimentado". Amém!


HOMILIA DOMINICAL - 4º DOMINGO DA QUARESMA

Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Gálatas 4, 22-31.
                Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João 6, 1-15: 

 
 "Naquele tempo, passou Jesus à outra margem do mar da Galileia, que é o de Tiberíades, seguindo-O grande multidão, porque via as maravilhas que ele fazia aos que estavam enfermos. Subiu, então, Jesus ao lado de seus discípulos. Ora, estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus. Erguendo Jesus os olhos e vendo que uma grande multidão vinha a Ele, disse a Felipe: Onde compraremos pães para dar de comer a toda essa gente? Dizia isso, porém, para o experimentar, porque Ele bem sabia o que havia de fazer. Respondeu-Lhe Felipe: Duzentos dinheiros de pão não bastariam para que cada um deles recebesse uma pequena porção. Disse a Jesus um de seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro: está aqui um moço que tem cinco pães e dois peixes, mas que é isto para tanta gente? Disse-lhe Jesus: fazei assentar os homens. Havia no lugar muita relva. Assentaram-se, pois, os homens, em número de quase cinco mil. Tomou, então, Jesus os pães, e havendo dado graças, distribuiu-os aos que estavam sentados; e igualmente distribuiu os peixes, quanto eles quiseram. Quando já estavam fartos, disse Ele a seus discípulos: Recolhei os pedaços que sobraram, para que se não percam. Recolheram-nos, pois, e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada, que sobraram aos que comeram. Vendo, então, aqueles homens o milagre que Jesus fizera, diziam: Este é verdadeiramente o Profeta que deve vir ao mundo. Mas Jesus sabendo que o viriam buscar à força, para O fazerem rei, fugiu de novo sozinho para um monte".

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   O quarto domingo da Quaresma é chamado o domingo "Laetare", porque a Santa Missa de hoje inicia-se com esta palavra que significa "Alegra-te". A Santa Igreja, como o faz no Advento (3º domingo), interrompe também na Quaresma a sua penitência. Demonstra alegria, pelo toque do órgão, pelo enfeite dos altares e pelo róseo dos paramentos. (Este róseo é para indicar que este domingo é chamado também "dia das rosas"; nele os cristãos se presenteavam mutuamente com rosas). Aliás, toda a Missa de hoje respira alegria e júbilo. E por que assim? Porque antigamente faziam os catecúmenos, neste dia, um juramento solene e eram recebidos no seio da Igreja, representada pela igreja da "Santa Cruz de Jerusalém" em Roma, onde o Papa celebrava a Missa. 
   Mãe dedicada e amorosa, alegra-se a Santa Igreja, ao receber os que serão lavados nas águas batismais (Introito, Epístola). E não menos se alegram os próprios catecúmenos (Gradual, Ofertório e Communio). A maravilhosa multiplicação dos pães, que se repete na santa Missa, nos garante a todos nós, a glória futura. Louvemos e agradecemos a bondade de Deus (Ofertório). 
   Este o significado da Liturgia deste 4º Domingo da Quaresma. Vejamos, agora, brevemente, a explicação do Santo Evangelho de hoje:

Mosaico (sec. V) que se encontra na igreja da Multiplicação
dos Pães e dos Peixes em Tabgha, lugar tradicional
do milagre. 
   Este milagre é a figura do milagre eucarístico. São João observa que "Estava próxima a Páscoa". Assim, em sua ternura maternal, a Santa Igreja oferece hoje este Evangelho à nossa meditação, para nos preparar para a comunhão pascal. Convinha pôr diante dos olhos dos discípulos uma imagem da Páscoa cristã, em que o Cordeiro de Deus imolado seria comido sob a aparência  do pão. Com efeito, dentro de pouco tempo a Igreja será espalhada por toda a terra, dividida em diversos grupos, cada um debaixo da direção de seu Pastor, de quem receberá o pão celestial; e este alimento vivo e vivificante nunca se acabará.
 As circunstâncias que antecedem, acompanham e seguem o milagre da multiplicação dos pães, significam as disposições que devemos ter antes, durante e depois da Santa Comunhão: 
          A - Circunstâncias que precedem o milagre:
  1. Este povo testemunha a sua fé seguindo a Jesus, vindo procurá-Lo de tão longe e com tantas fatigas. - Devemos também testemunhar a Jesus esta boa vontade, esta fé, este amor.
  2. O povo encontra Jesus no deserto e aí recebe os benefícios de Jesus. -  Igualmente, para merecer participar do banquete da Eucaristia, é mister dar à nossa alma um pouco de retiro, afastar por um tempo toda preocupação temporal, todo divertimento e distrações humanas. "Deus não está na agitação". 
  3. Jesus prepara as multidões para o milagre, instruindo-as e falando-lhes sobre o reino dos céus. - O mesmo faz a Santa Igreja. Durante a Quaresma há mais pregações e ela convida seus filhos a assistirem mais assiduamente à palavra de Deus.
  4. Jesus cura aqueles que têm alguma doença e os cura antes de lhes dar de comer. -  É a figura do Sacramento da Penitência, que deve ordinariamente, preceder à santa comunhão. 
  5. Vemos a obediência e a confiança absoluta deste povo: sob a ordem de Jesus todos se assentam sobre a relva, por grupos, e aguardam sua vez.... -  Aqui há um duplo ensinamento: - a) Se assentar sobre as relvas, segundo os Santos Padres, significa que é preciso calcar aos pés todas as concupiscências da carne, renunciar aos seus maus hábitos... - b) Depois, cada um deve se aproximar da mesa da comunhão segundo a ordem estabelecida, com decoro e modéstia, deve se ajoelhar, colocar as mãos postas e receber na boca a Santa Hóstia.
    B - As circunstâncias do milagre e o milagre mesmo:
  1. Vemos a bondade e atenção do coração misericordioso de Jesus. Tem compaixão das multidões, que são como ovelhas sem pastor, e que vieram de longe para procurá-Lo e escutá-Lo. -  Tendo amado os seus que estavam no deserto deste mundo, amou-os até ao fim, até ao extremo. Diz o Salmo 110: "O Senhor instituiu um memorial de suas maravilhas, Ele que é misericordioso e compassivo, deu alimento aos que o temem". 
  2. Jesus faz trazer os pães, toma-os em suas benditas mãos, eleva os olhos aos Céus, dá graças a seu Pai, depois benze estes pães e os distribui ao povo... e à medida que são distribuídos eles se multiplicam de uma maneira maravilhosa. - Caríssimos, tudo isto figura o que vai se passar depois no Cenáculo, quando, na última Ceia, Jesus vai instituir a Eucaristia. E o mesmo acontece cada dia no mundo todo, sobre os altares, onde Nosso Senhor renova esta maravilha inefável, mudando o pão em seu Corpo e o fazendo distribuir, pelas mãos de seus sacerdotes. 
  3. Todos comeram e se saciaram e ficaram fortificados. - Felizes os cristãos que têm fome da graça, do Corpo sagrado do Salvador!... Aqueles que se aproximam da mesa sagrada com humildade, fé e amor, serão também saciados, fortalecidos e repletos de consolações celestes. Não temos nós enfermidades e fraquezas no deserto desta vida? E não é o pão celestial que recebemos, incomparavelmente superior àquele que fartou o povo judeu? Quantos milagres não encerra? quantos mistérios não resume? De quantas graças não é a fonte? - Todos foram fartos, e fortificados. Eis o efeito do pão eucarístico, quando se come com boa disposição, farta; não se buscam os prazeres da terra, quando já se gozou dos do Céu; conforta, e é neste sentido que se chama o pão dos fortes. 

    B - Circunstâncias que se seguem ao milagre:
  1. Em seguida Jesus disse aos seus discípulos: "Recolhei os pedaços que sobraram". - Isto indica que é aos Apóstolos e aos sacerdotes que Jesus incumbiu esta missão de conservar como o maior tesouro sobre a terra, a divina Eucaristia, e de levá-la aos doentes. E, quanto aos fiéis, devem conservar religiosamente os frutos e as graças da comunhão, tendo todo o cuidado para não os perder. 
  2. Este povo demonstra sua gratidão, exalta a Jesus e reconhece-O como o Messias. - Isto faz a gente pensar como devem ser nossas ações de graças depois da santa Comunhão. 
  3. O povo quer proclamar Jesus Rei. - Depois da Comunhão, lancemo-nos aos pés de Jesus, dando-nos a Ele inteiramente, reconhecendo-O por nosso Mestre e o Rei dos nossos corações!
   

    Caríssimos e amados irmãos! Meditai todos estes pensamentos; examinai-vos sobre vossas comunhões... e prometei a Jesus fazer doravante, todos os esforços para O receber mais frequentemente, e sobretudo com mais devoção e fruto, afim de não viver senão para Ele, aguardando a felicidade de possuí-Lo eternamente na Jerusalém Celeste! Amém!

GLÓRIA E PODER DE SÃO JOSÉ


31 de março

PRÁTICAS DE DEVOÇÃO A SÃO JOSÉ


 
 A devoção a São José é de uma grande riqueza e variedade de formas.  É certo que esta devoção, tão bela, nunca deve estar separada em nós da verdadeira devoção a Jesus e Maria. Façamos, pois, com que a invocação do nome do Santo Esposo de Maria e a sua lembrança, cada dia, a cada hora, em todas as circunstâncias de nossa vida sempre nos acompanhem. O conselho de Santa Teres é de uma eficácia maravilhosa: Recorrei a São José! Confiai em São José! Nunca haveis de recorrer em vão a São José! Pois o meio de incentivar e sustentar em nossa alma a chama de uma devoção fervorosa, é a fidelidade a algumas práticas que a experiência de alguns séculos de tantas almas santas prova serem meios poderosos para se alcançar a proteção do maior dos santos. 

   Em primeiro lugar a IMITAÇÃO : pois a glória dos santos está na imitação de suas virtudes. O santos são heróis para serem imitados e não apenas admirados. É verdade que nossa fraqueza nem sempre permite chegar à quele heroísmo e aos prodígios de virtude, de penitência extraordinárias de alguns deles. São José, porém, é mestre de uma escola de santidade, bem acessível à nossa pobre alma. Ensina-nos que, para agradar e servir a Jesus, não é mister fazer prodígios. Basta ser puro e simples, cumprir fielmente o dever de cada dia, custe o que custar, aceitar pacientemente a vontade de Deus nos sofrimentos, obedecer em tudo a lei divina e ter a mais pura das intenções. São José foi pobre operário, esposo fidelíssimo, pai amoroso de Jesus. Viveu no silêncio e no trabalho. O santo do dever. Quem não o pode imitar? Se não merecemos a glória e os privilégios do grande Patriarca, podemos merecer a graça de imitá-lo. Os Santos Padres Leão XIII e Pio IX apresentam São José à cristandade como modelo a ser imitado. Modelo de pai, consolo para as mães atribuladas na luta pela educação dos filhos. E hodiernamente,talvez mais do que nunca, como fará bem a estas mães, uma grande devoção a São José!. O Santo Patriarca é modelo para a juventude pela pureza mais do que angélica com Deus o adornou. Modelo dos operários pela fidelidade e honestidade do trabalho santificado e nobilitado na oficina de Nazaré. Modelo para os sacerdotes, pois José participou da realeza do sacerdócio. Teve em suas mãos o Verbo Encarnado, como o sacerdote tem no altar o Verbo de Deus feito pão eucarístico. As almas consagradas a Deus no claustro e em todas as variadas atividades da vida religiosa. Que modelo de perfeição evangélica, de pobreza, obediência e castidade dos santos votos!

  Enfim, São José não pode ser melhor honrado, que imitado. 

   AS PRÁTICAS DE "DEVOÇÕES". 


 Pequenas e cotidianas: Uma oração, uma jaculatória a São José pela manhã e à noite, uma Ave Maria em sua honra, trazer consigo uma medalha e beijá-la às vezes, uma visita à imagem de São José, uma flor, um obséquio devoto - quem não pode tomar qualquer destes pequenos atos de devoção e ser fiel a eles?

   Nada ficará sem recompensa, e o mais poderoso dos santos e o mais terno dos pais jamais deixará de socorrer um dos seus devotos, seja o maior e o mais miserável dos pecadores. Vimo-lo em alguns exemplos apresentados durante este mês.

   Celebremos cada ano, com todo fervor, as duas festas litúrgicas do Santo Esposo de Maria: 19 de março e 1º de maio. Uma novena bem fervorosa e pelo menos uma santa comunhão e a assistência à Santa Missa. A Santa Igreja consagrou a São José, além de um mês - Março - consagrou-lhe também um dia na semana - a Quarta-feira -. Portanto, todas as quartas-feiras, se pudermos, recitemos as Sete dores e sete alegrias de São José.  Caríssimos, seja a quarta-feira o nosso dia de São José. Façamos, neste dia, alguma esmola, alguma boa obra em honra do grande santo. Por exemplo: adornemos a sua Imagem e de joelhos rezemos a Oração de São José pela Igreja, ou as suas Ladainhas. Os pais transmitam aos filhos a herança de uma fervorosa devoção a São José. 

   Usemos o Cordão bento de São José.

   Caríssimos, guardemos bem esta norma: Tudo a Jesus por Maria, tudo a Maria por José! Amém!
   Peçamos ao Esposo de Maria, esta transmite o pedido ao seu Filho Jesus e este nunca deixa de atender!!! Se a qualquer pecador Jesus disse: pedi e recebereis, será que Ele não vai atender ao seu Pai Adotivo e a sua amorosíssima Mãe, a Sempre Virgem Maria?! Caríssimos, talvez nos falte uma fé maior e mais viva. Peçamo-la a Jesus, Maria e José! O resto virá sempre por acréscimo! Amém!

   E não poderia terminar estas reflexões no decorrer do mês de março, sem lembrar mais uma vez que o Glorioso São José é o patrono dos agonizantes. Ele nos garante uma santa morte!!!


EXEMPLO

São José e os viajantes

   O piedoso fundador Padre Chevalier invocava a São José em todas as dificuldades e aflições, e nunca foi desiludido em sua grande confiança.

   Celebrava-se a festa do Patrocínio de São José e o santo homem viajava na Espanha, em trabalhos apostólicos. Dirigia-se para Madri atravessando a montanha perigosa de Mala Cabrera. Esta Montanha era famosa pelos enormes crimes de bandoleiros e salteadores que a infestavam. Era toda semeada de cruzes a indicar mortes, tragédias e assassinatos. No mais perigoso trecho - de um lado a montanha íngreme e de outro um abismo-, dois bandidos assaltaram o carro do Padre Chevalier. Um segura as rédeas do animal e o outro, de pé no rochedo, ameaça e exige dinheiro e malas. O bom padre estremece, mas não perde a confiança em São José. Recomenda-se fervorosamente ao Santo Protetor, abre a bolsa, tira duas moedas de prata e entrega-as ao bandido. Este sacode a cabeça, hesita, sorri, ordena ao outro que largue as rédeas dos animais, despedem-se e desaparecem ambos pela montanha. 

   O padre, salvo pela proteção de São José, narrava este prodígio, profundamente grato.

   Outro sacerdote, desde o dia de sua ordenação, consagrava-se a São José ao empreender qualquer viagem. Dizia, após longos anos de vida:

   - Nunca deixei de experimentar a doce proteção deste Santo Patrono, nos maiores perigos e nas situações mais angustiosas. Estive diante da morte iminente por duas vezes. Vi mortes ao meu lado e escapei ileso, graças a São José.

   Marinheiros contam, maravilhados, graças do céu nos perigos de viagens e nas tempestades, graças essas obtidas pela invocação de São José. 

sábado, 30 de março de 2019

GLÓRIA E PODER DE SÃO JOSÉ


30 de março

JESUS, MARIA, JOSÉ

   Três nomes benditos! Nem a teologia, a ciência, a arte e a razão humana, bastam para explicar a excelência desta sociedade única na terra. Os três seres humanos (sendo Jesus também Deus) que, por seus dons naturais e sobrenaturais coroam e integram a criação e são o ideal da verdade e da virtude nos céus e na terra. São o céu na terra, o eterno no tempo, Deus no mundo. Jesus, Filho de Deus, Maria Mãe de Deus e São José, predestinado por Deus para ser o Pai Adotivo do Filho de Deus e, para proteger a Virgem Mãe de Deus, foi seu Esposo. Houve por ventura algo maior, mais sublime, mais excelso, mais divino sobre a face da terra? A Sagrada Família resume os pensamentos eternos de Deus; as maravilhas do seu poder, as efusões do seu amor. É o centro do plano divino e também o seu princípio e o seu termo.

   Jesus, Maria e José! São três corações inseparáveis; formam uma sociedade única e individual, uma família completa. Era uma família digníssima, uma família celestial na qual o chefe e pai de família era São José, mãe de família a Virgem e o filho Jesus Cristo. 

   O que Deus uniu não podemos separar. Não separemos, então, em nosso amor e devoção, Jesus, Maria e José. Vemos que o Espírito Santo nos Evangelhos em muitas passagens não separa estes nomes benditos.

   Jesus, Maria e José! Nomes de majestade e de glória! Felizes na vida e na morte, os que sempre os invocam!


EXEMPLO

São José protege a infância

   Em 1631 abriu-se uma vasta cratera no Vesúvio, formando uma onda enorme de fogo e de cinzas. Como um rio que transborda, a lava abrasadora cobre as aldeias e, sobremaneira, o lugar chamado "Torre del Greco". Neste vilarejo residia uma piedosa mulher chamada Camila. Distinguia-se pela devoção a São José. Morava com ela uma criança de cinco anos, seu sobrinho, chamado José.  Para fugir à onda de fogo, tomou nos braços o pequenino e se pôs a correr desesperada. Entretanto, chega um instante em que se vê na iminência de perecer. De um lado, um rochedo enorme, e do outro, o mar. Ou se atirava na água e morreria afogada, ou seria consumida pela onda de fogo que se aproximava rapidamente. Lembrou-se, nesta hora aflita, do seu grande protetor e não perdeu a confiança:

   - Meu São José, brada ela, não me importa a vida! Salvai, porém, esta criança, que traz vosso nome. 

   E, sem mais esperar, deixa a criancinha sobre uma rocha e se atira para o lado do mar. Por felicidade caiu numa praia estreita, aonde uma camada de areia branca a protegeu. Apesar da altura em que se precipitou, não se feriu. Estava salva! E a criancinha? Foi então que, no auge da dor, gritava: 

   - Pobre criança! Devorada pelas lavas!...

   Chorava ainda quando ouviu chamá-la. Era a voz do pequenino José, são e salvo, alegre, a pular na areia. 

   - Meu filho! Meu filho! brada Camila, apertando contra o peito a criança. Como escapou do fogo e da morte?

   - São José me salvou. Aquele São José a quem rezamos todos os dias. Apareceu-me, tomou-me pela mão e aqui cheguei 

   O fogo havia passado pelo rochedo. Era impossível a criança ter se salvado sem um milagre. Camila mais de uma vez aí mesmo se prostrou com o pequenino para agradecerem, comovidos, a incomparável graça alcançada por São José. 

sexta-feira, 29 de março de 2019

GLÓRIA E PODER DE SÃO JOSÉ


29 de março

O CORDÃO DE SÃO JOSÉ

   ORIGEM: Foi no século XVII, em Anvers, Bélgica, no convento das Agostinhas.

   Ia já para três anos que Soror Isabel Sillevorts via-se atacada do mal-da-pedra (cálculo renal). Dores lancinantes, espasmódicas! Os recursos da medicina, últimos e mais enérgicos, baldados!.

   Animada pela mais firme confiança no Patrocínio de São José, Soror Isabel, havendo obtido do sacerdote que lhe benzesse um cordão, cinge-o em homenagem ao grande Patriarca, abandona os recursos da terapêutica e começa com todo o fervor uma novena de súplicas ao Esposo puríssimo da Virgem Mãe de Deus, certa de que seria por ele ouvida e curada. 

   Dias depois, a 10 de junho de 1649, quando, por entre os estertores de agudíssimo sofrimento, a pobre fazia ao santo a mais ardente súplica, eis que de repente se vê livre de um cálculo de desproporcionadas dimensões e completamente curada.

   Grande e rápida foi a repercussão do milagre, que muito serviu para consolidar nos habitantes de Anvers a devoção a São José, então já bastante espalhada.

   Mais tarde, a 3 de janeiro do ano seguinte, lavrou-se disso uma ata autenticada pelas assinaturas da Madre Priora do Convento, Soror Maria Martens, de Soror Catarina Martens, a enfermeira da Comunidade, e da própria agraciada, Soror Isabel da Sillevorts.

   Em 1842, por ocasião dos piedosos exercícios do mês de São José, foi esse fato publicado na igreja de São Nicolau, na cidade de Verona (Itália), e muitas pessoas enfermas, cingindo-se então com o cordão bento, experimentaram o valioso auxílio do Santo Patriarca.

   Daí se foi estendendo o uso do cordão de São José; e, hoje, não só é procurado para alívio de enfermidades corporais como também, e com igual sucesso, em os perigos da alma.

   Salienta-se, sobremodo, o benefício do cordão de São José como uma arma contra o demônio da impureza.

   A Santa Sé autorizou a devoção do cordão de São José. Permitiu a fundação de Confrarias e Arquiconfrarias do Cordão de São José, elevando uma delas à categoria de Primária. 

   Em setembro de 1859, dando provimento a uma petição do bispo de Verona, a Sagrada Congregação dos Ritos aprovou a fórmula da Bênção do Cordão de São José. Esta bênção acha-se no Ritual da Santa Igreja, constando-se de cinco orações belíssimas. onde se pede especialmente a virtude da castidade e pureza de alma e corpo. 

   O Cordão de São José deve ser feito de linho, ou algodão bem alvejado. A pureza e alvura desses materiais nos hão de indicar a candura e virginal pureza de São José, castíssimo Esposo da Virgem Mãe de Deus, Maria Santíssima. 

   Numa extremidade leva sete nós, que representam as sete dores e as sete alegrias do glorioso Patriarca. 

   Por fim, deve ser bento, com bênção própria como está no Ritual. Assim devidamente bento, deve ser usado, é obvio, com fé e devoção para se implorar um constante Patrocínio de São José, especialmente na guarda e defesa da sublime virtude da castidade (como solteiro, casado ou consagrado). Se o trará constantemente cingido. Dou o conselho de usá-lo também como uma pequena penitência em honra de São José. 


EXEMPLO

A caneta de São José

   As Irmãs de Caridade de uma Congregação fundada pela Venerável Madre Seton estabeleceram, sob a direção de uma santa religiosa, Madre Maria Irene, uma casa em Nova York, destinada a receber e amparar crianças abandonadas. 

   O edifício é hoje dos maiores e ocupa um quarteirão todo entre a Lexington Avenue e a Terceira Avenida. Ali são amparados centenas de pobrezinhos. E, no entanto, esta obra grandiosa começou humilde e pobre. Em breve, Irmã Irene resolveu levantar o grandioso edifício. Confiou a obra a São José e esta chegou a ser uma realidade. Porém, como sustentar tantos pobres orfãozinhos? Havia enormes dívidas da construção. Os pedidos de proteção a crianças abandonadas chegavam todos os dias. Confiadas em São José, iam recebendo órfãos. Lembraram-se as Irmãs de pedir ao governo do Estado de Nova York uma subvenção anual e uma verba extraordinária de auxílio. Escreveram de Albay, sede da Assembleia Legislativa do Estado, que o pedido não passaria na Assembleia, porque não eram poucos os deputados protestantes, e estes se opunham ferrenhamente ao projeto. A situação era grave. Não era possível contar com os votos da maioria. O Partido protestante se opunha tenazmente e outros homens da Assembleia não olhavam a causa com bons olhos, já por espírito maçônico e liberal, já por grandes preconceitos contra a educação católica. Não se podia esperar que o Bill fosse aprovado. Nestas circunstâncias Madre Maria Irene, devotíssima de São José, alma simples e confiante, foi ao salão principal onde se venerava uma linda imagem do santo em tamanho natural e lhe disse, com doce ingenuidade: Meu querido São José, o projeto há de passar na Assembleia! Vós não haveis de desiludir minha confiança em vossa proteção. Vede os pobres órfãos da vossa casa e tantos outros que preciso amparar! Não é possível, meu São José, seja eu desamparada! Como hei de dar comida e roupa a tanta gente? Valei-me, meu São José! O Bill há de ser aprovado!

   E, ingenuamente, coloca na mão da imagem uma caneta com a pena molhada em tinta.

   - Aqui ficará nas vossas mãos, meu São José, esta caneta, até que o projeto seja assinado. 

   Toda gente que passava pelo vestíbulo sorria, ao ver São José de caneta entre os dedos.

   Durante um mês, seguramente, a imagem trazia a caneta, com admiração geral.

   Numa tarde, as religiosas em recreio, num pátio junto ao vestíbulo, ouviram o barulho da caneta que tombou no soalho. Madre Irene foi buscá-la e disse, radiante:

   - São José nos ouviu! Fomos atendidas. Tenho plena confiança!

   De fato. Uma hora depois, chegava à portaria um telegrama de Albany: "O Bill foi assinado".

   Aprovado!  
   
   Correram, todas as religiosas e crianças, para diante de São José e, ali prostradas, agradeceram comovidas a graça. 


   

quinta-feira, 28 de março de 2019

ELEIÇÕES NA ESPANHA

TOLERÂNCIA E MAL MENOR 

                                                                                                                                                      Dom Fernando Arêas Rifan*
 

        No próximo dia 28 de abril, ocorrerão importantes eleições na Espanha e, devido às grandes repercussões na vida de todos os cidadãos e às graves consequências para toda a sociedade, a pedido de amigos espanhóis, escrevi umas ponderações, dando-lhes algumas pistas para que saibam se posicionar e escolher os melhores candidatos ou, se esses não existem ou não são viáveis, os menos maus entre os que são viáveis, os que possam fazer menos mal à sociedade. Como muitas vezes nós também nos encontramos nas mesmas situações, não só em eleições, mas em diversas ocasiões, trago citações de autoridades competentes e respeitáveis sobre a doutrina da tolerância e a possibilidade de se escolher um mal menor.
            Recordo que “tolerância” vem do latim tolerare, suportar algo pesado, negativo ou mal, com o qual não concordamos, aturar. “A tolerância só existe com relação ao mal” (Santo Agostinho). Mal que não aprovamos, mas suportamos, em vista de um bem maior. “Dizemos que são toleradas as coisas que admitimos sem resistência, enquanto não podemos ou não devemos por graves razões proibir ou retirar, ainda que em nosso julgamento não possam ser aprovadas” (Cardeal Ottaviani). Tolerância é “a permissão negativa de um mal” (F. Cappello). Permissão negativa, por oposição à autorização positiva, ou seja, a que supõe uma aprovação. É assim que Deus tolera o mal. 
            “... não se opõe a Igreja, entretanto, à tolerância por parte dos poderes públicos de algumas situações contrárias à verdade e à justiça para evitar um mal maior ou para adquirir ou conservar um maior bem. Deus mesmo, em sua providência, mesmo sendo infinitamente bom e todo-poderoso, permite, entretanto, a existência de alguns males no mundo, em parte para que não se impeçam maiores bens e em parte para que não se sigam maiores males (Santo Agostinho)” (Papa Leão XIII, Encíclica Libertas, 23).
            “Votar é um dever. É compreensível que alguns se sintam inclinados a abster-se de emitir seu voto, quando comprovam que nenhum partido oferece o programa que eles desejariam. Embora nenhuma das ofertas políticas seja também plenamente conforme com o ideal evangélico, nem sequer com o ideal racional de uma ordem social plenamente justa, no entanto, umas o são mais e outras o são menos. É necessário fazer um esforço e optar pelo bem possível” (Conferência Episcopal Espanhola - Nota para as eleições de 2004). 
            “Deus, embora seja onipotente e sumamente bom, permite que sucedam males no universo, podendo impedi-los, para que não sejam impedidos maiores bens ou para evitar males piores. De igual maneira, os que governam, na gestão humana, corretamente toleram alguns males para que não sejam impedidos outros bens ou para evitar males maiores” (Santo Tomás).
            Em situações difíceis e perplexas, quando não se tem outra opção, escolher algo menos mal, para que seja excluído o pior, tem razão de bem. A intenção é em direção ao bem, o bem possível, e em evitar maiores males para a sociedade. 

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

GLÓRIA E PODER DE SÃO JOSÉ


28 de março

A GLÓRIA DE SÃO JOSÉ NO CÉU

   É impossível à língua humana traduzir a grandeza e a glória de São José. É o cúmulo e o ápice de todos os triunfos da criatura, depois de Maria. 

   O termo da predestinação é a vida eterna, que consiste nesta visão de Deus que costumamos chamar a Glória. Ora, a glória que é dada a algum santo no céu, corresponde ao seu grau de predestinação. São José foi predestinado numa ordem e num grau muito superiores a todos os justos do Antigo Testamento e aos santos do Novo Testamento, sem excluir São João Batista e os Apóstolos. Só a Virgem Santíssima teve maior glória. E como a missão de São José, depois de Maria, foi a mais sublime em relação ao Verbo Encarnado, pode se concluir com segurança, no verdadeiro sentido da doutrina da Igreja católica, que o Santo Patriarca está colocado na glória celeste em primeiro lugar depois da Mãe de Deus. 

   Basta estarmos lembrados dos serviços prestados por São José ao próprio Deus na terra. Governou a Sagrada Família; foi o guarda de quem guarda todos os seres criados; o Anjo do Conselho; o redentor do Redentor dos homens, na apresentação do Templo; o salvador do Salvador do mundo, salvando-O de mil perigos; o senhor do Rei e da Rainha do céu. Os santos serviram a Jesus no pobre, na Eucaristia, no sacerdócio, na Igreja. José esteve ao serviço da própria Pessoa adorável de Jesus Cristo, servindo diretamente a Humanidade Santíssima do Redentor como nenhuma criatura depois de Maria.

   No céu tudo é perfeito e belo. Na terra, unidos viveram Jesus, Maria e José. Aqui, o Filho de Deus,  a Mãe de Deus obedeceram a José, o honraram como chefe da Sagrada Família. O amor de Jesus ao seu Pai Adotivo será menor no céu do que o foi na terra? Maria será menos dedicada ao seu Esposo Santíssimo.? Na perfeição do céu, mais perfeito, mais sublime há de ser o amor de São José, a sua glória, e mais eficaz a sua proteção. 


EXEMPLO

Pio IX, devoto de São José

   O grande Pontífice da Imaculada Conceição foi também o Papa de São José. Era comovedora a sua devoção filial ao Santo Patriarca. Pelo Decreto Apostólico de 10 de setembro de 1847, estendeu a toda a Igreja o festa do Patrocínio de São José, que se celebrava até então em poucas igrejas por indulto especial. Em 8 de dezembro de 1870 declarou solenemente a São José Patrono da Igreja Universal e ordenou que a festa de 19 de março fosse elevada ao rito duplo de primeira classe.

   É conhecido o episódio do célebre quadro da Imaculada Conceição. Um pintor francês veio lhe mostrar o esboço da obra. Era uma representação da glória da Imaculada no céu. 

   - Onde está São José? Não o vejo aqui, no quadro...

   - Santidade, responde o pintor, eu vou colocá-lo lá no alto, entre os santos.

   - Não, não! diz Pio IX. E pondo os dedos sobre a imagem de Jesus Cristo, disse: "Quero São José aqui, bem ao lado de Jesus Cristo, ao lado de Maria. Assim estão eles no céu. Não os separemos!

   Poucos dias antes de sua morte, o Santo Pontífice recebera em audiência íntima, em seu leito de sofrimento, a um religioso amigo. Este notou na fisionomia do Papa alegria e confiança e um doce otimismo no modo de falar.

   - Por que Vossa Santidade me parece hoje tão alegre?

   - É que hoje estive meditando, responde Pio IX, e encheu-me de consolação o pensamento de que São José agora é mais conhecido, mais amado e invocado em todo o mundo. Daí a minha confiança e a minha alegria, padre. Eu não verei mais, porém meus sucessores hão de ver o triunfo da Igreja, esta Igreja da qual eu constitui São José o Patrono. 

   O grande Papa nunca deixou de invocar, até a morte, a doce proteção de São José. Incentivou em toda a Igreja esta devoção. Nas horas tormentosas do seu difícil pontificado, confiou a sorte da Igreja a Maria Imaculada e a São José. Foi, realmente o Papa da Imaculada e de São José.