SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

sábado, 9 de março de 2019

GLÓRIA E PODER DE SÃO JOSÉ


9 de março 

É OPINIÃO ATÉ DE SANTOS:  SÃO JOSÉ TERIA SIDO SANTIFICADO NO SEIO MATERNO.

   
A Santa Madre Igreja nada definiu sobre o assunto. Por isso, dizemos que se trata de mera opinião. Explanamos o assunto porque é opinião até de Santos e de grandes Teólogos.

    Esta prerrogativa, isto é, ser preservado do pecado original antes de nascer, foi possuída pelo Profeta Jeremias e São João Batista. Daquele se lê na Sagrada Escritura: "Antes de saíres do seio de tua mãe, eu te santifiquei" (Jeremias, I, 5). E de São João Batista diz o Evangelho: "Será cheio do Espirito Santo desde o seio de sua mãe" (São Lucas, I, 15). 

   Ora, José, maior que João Batista pela união com Cristo e incontestavelmente mais santo e maior que Jeremias, não teria o privilégio da santificação no seio materno? Santo Afonso Maria de Ligório aceita e defende esta opinião que, aliás foi defendida pela primeira vez por Gerson, o sábio chanceler da Universidade de Paris. Ele apresentou esta tese ante a venerável assembleia do Concílio de Constança. 

   O Cardeal Lepicier diz que: José nunca manchou a sua alma com a mais leve sombra de pecado em toda a sua vida mortal. Assim o exigiam o lugar que ocupou na Sagrada Família e enfim as ligações mais estreitas com Deus e com a Mãe de Deus. Portanto, segundo a opinião de muitos santos e teólogos, São José teria sido confirmado em graça, pela missão sublime que recebeu de Deus.


EXEMPLO

Milagre de confiança em São José

   Um noviço da Companhia de Jesus, cheio de esperança pela sua piedade e inteligência, via-se atacado de tuberculose. A moléstia fez rápido progresso. Magro, pálido, reduzido a extrema fraqueza, estava para deixar o noviciado e voltar para o seio da família. A decisão do médico o abalou até nas profundezas da alma. Pediu ao Superior apenas que o deixasse ficar em religião mais uns dias. 
   - Quero fazer uma novena a São José. Sei que não há para mim remédio algum e nenhuma esperança na terra. Todavia, diz-me o coração que São José dará remédio a tudo. Quero só ficar aqui mais o tempo de uma novena. Meu padre, conceda-me esta graça por amor de São José!
   O Superior, comovido até às lágrimas, o consentiu e fez mais: pôs toda a comunidade em orações a São José durante a novena, naquela mesma intenção. O enfermo estava tão convencido de que obteria a graça da cura, que começa a escrever um panegírico a São José durante a novena, para ser recitado no refeitório do Noviciado na festa do Patrocínio.
   E, no entanto, as forças lhe iam faltando e a febre sempre mais alta. A laringe afetada pelo mal, com a característica rouquidão, tornava-lhe a voz quase sumida.
   Na véspera da festa de São José, levanta-se cambaleante e vai à procura do Padre Superior: 
   - Quero pregar, amanhã, meu panegírico a São José!
   - Não é possível, meu filho! Seria um absurdo!
   - Permita-me, Sr. Padre Superior, a experiência, custe-me o que custar. Tenho aqui comigo uma convicção, uma certeza de que terei forças para fazer e serei feliz. 
   A custo obteve a licença. Sobe ao púlpito com surpresa geral da comunidade, compadecida de o ver assim ofegante, pálido e febril. As primeiras palavras do orador não são quase percebidas, tal a rouquidão e a tosse que o perturbam. Depois, a voz se torna mais clara, inteligível e mais sonora. E, enfim, era a pregação eloquente, piedosa, edificante, a ponto de comover todo o auditório entusiasmado. A graça estava alcançada. 
   São José fez o prodígio. O noviço repentinamente sentiu-se curado e um vigor novo lhe passa por todo corpo. Desce do púlpito tão forte e sadio como antes da enfermidade, e puderam todos celebrar com santo delírio de entusiasmo, naquele ano, a festa do Patrocínio de São José.
   Este moço, ordenado mais tarde sacerdote, foi enviado às Missões de Madagascar, e só veio a falecer depois de longos anos de rudes trabalhos missionários num péssimo clima. Cheio de méritos, partiu para a eternidade após uma heroica vida nas Missões.

PRÁTICAS DA SANTA QUARESMA



 A Quaresma existe desde os apóstolos, que limitaram sua duração a quarenta dias, em memória do jejum de Jesus Cristo no deserto.

   No intuito de encaminhar-nos para o Divino Redentor e Mestre, Nosso Senhor Jesus Cristo, a Santa Madre Igreja estabeleceu: 
  1. os domingos de Setuagésima, Sexagésima e Quinquagésima, que nos aproximam mais e mais desse período de penitência. Durante essas três semanas, a Igreja usa paramentos roxos, suprime o Gloria in Excelsis, a Aleluia, o Te Deum, cânticos de alegria, e incita-nos, pelos evangelhos que escolhe, a trabalharmos com mais empenho no cultivo e amanho da nossa alma, e a ouvirmos, mais assíduos e mais piedosos, a palavra de Deus. 
  2. as preces da Quarenta Horas. Enquanto o mundo, ao aproximar-se a quaresma, procura distrações e divertimentos pecaminosos no carnaval, a Igreja convida seus filhos aos pés dos altares, para, no retiro ouvir a Palavra de Deus e também para adorar a Jesus Eucarístico. Pede-lhes o recolhimento e a oração, quer para prepará-los à quaresma, quer para implorar o perdão de Deus pelos pecados que se cometem. 
  3. a cerimônia das Cinzas. Na quarta-feira em que começa a santa quaresma, faz-se a imposição das Cinzas. Com solenidade, o celebrante benze cinzas no altar; depois de as santificar pela oração, a água benta e o incenso, põe na cabeça do clero e do povo, e a cada um dirige esta palavra: "Lembra-te, ó homem, que és pó e em pó te hás de tornar!" ("Memento homo, quia pulvis es, et in pulverem reverteris"). Logo é o pensamento da morte, e também uma lição de penitência que se evoca aos fiéis. De fato, as cinzas sempre foram entre os antigos, símbolo de luto e dor profunda. Davi, no extremo da mágoa, cobriu-se de cinzas, e os Ninivitas, ouvindo o convite do profeta Jonas, fizeram penitência com cinza e cilício. Nos primeiros séculos cristãos, a Igreja introduziu o costume de pôr cinzas na fronte dos pecadores, especialmente dos penitentes públicos. Por humildade e sinal de arrependimento, todos os fiéis quiseram participar dessa cerimônia, que ficou como preparação eloquente para a penitência da quaresma.
  4. observar segundo suas forças a abstinência e o jejum que a Igreja prescreve. - Com efeito, todos nós precisamos de penitência pelos numerosos pecados que temos cometido durante um ano inteiro de indiferença, esquecimento, e muitas vezes de fraqueza criminosa. Ora, o melhor desagravo é o que a Igreja nos pede. Humildemente devemos reconhecer a necessidade que temos de fazer mais penitências além das estritamente obrigatórias pelas leis da Igreja. Estas penitências, no entanto devem ser sempre humildes, discretas e obedientes. 
  5. empregar mais tempo na oração e nas boas obras. Os ofícios da Igreja ouvidos com mais atenção, a Santa Missa alguma vez na semana, leituras piedosas, o exercício da Via-Sacra, esmolas mais abundantes aos pobres e às obras de caridade, são outras tantas práticas úteis, junto com o trabalho e as penas da vida, religiosamente aceitas e suportados por amor a Jesus Crucificado.
  6. enfim, a Santa Igreja, no santo tempo da quaresma, estabeleceu práticas mais frequentes e especialíssimas, seguidas geralmente da bênção do Santíssimo; convém assistir a essas instruções, e assim reanimar-se na fé e na vida cristã; padres zelosos costumam pregar retiros fechados e também abertos para todo povo. Tudo isto serve também de preparação para à comunhão pascal através de uma confissão, a melhor possível.
     Nosso Senhor Jesus Cristo dizia aos seus discípulos: "O mundo se há de alegrar e vós estareis na tristeza; mas a vossa tristeza mudar-se-á em alegria e esta alegria ninguém vo-la poderá tirar" (São João, XVI, 20, 22). Ai vai, pois, um sinal de predestinação e penhor de felicidade eterna: chorar e gemer com Cristo no Calvário para podermos regozijar-nos e reinar com Cristo ressuscitado. Os verdadeiros cristãos não o ignoram; por isso, santificam no recolhimento, na oração e nas lágrimas da penitência, o santo tempo da Quaresma , e mais especialmente os dias da Semana Santa; sepultam com Nosso Senhor Jesus Cristo, no túmulo, seus pecados e sua concupiscência, e levantam-se com Ele, na alegria, nos transportes da sua Ressurreição. 

sexta-feira, 8 de março de 2019

GLÓRIA E PODER DE SÃO JOSÉ


8 de março

AS DORES E ALEGRIAS DE SÃO JOSÉ

   AS DORES.

   A primeira dor de São José foi ante o mistério da Encarnação. Maria concebeu por obra e graça do Espírito Santo. Não podia duvidar da pureza angelical de Maria. Que perplexidade horrorosa! Que noites de angústia e de amargura! Silêncio, lágrimas e orações. E até que o anjo lhe revele o mistério, como sofre! José, seu Esposo, como era justo e não queria infamá-la, quis abandoná-la ocultamente. (S. Mat. I, 19).

   A segunda dor é naquela noite fria de Natal. Ver-se abandonado nas ruas de Belém com Maria quase à hora do inefável parto e sem encontrar uma hospedaria. Que sofrimentos naquelas horas de abandono e de pobreza, a baterem de porta em porta, sempre rejeitados e maltratados!

   A terceira dor foi na circuncisão do Menino Jesus. Era uma operação dolorosa e via José as primeiras gotas de sangue do Redentor!

   A quarta dor veio da profecia de Simeão: Eis que este menino será posto para ruína de muitos em Israel e como sinal de contradição. E a Maria disse: Uma espada de dor há de transpassar o teu coração. Viu José toda a Paixão de Jesus e conheceu o oceano de amarguras que havia de ser o coração de sua Esposa. 

   A quinta dor: A fuga para o Egito. Herodes quer matar ao Deus-Menino. o anjo avisa a José. E José, levantou-se, tomou o Menino e sua Mãe, de noite, e se retirou para o Egito.Abandono de um lar, viagem penosa pelo deserto, fome, pobreza, duro exílio, desprezo de um povo estranho e pagão. 

   Sexta dor: O anjo avisa José que volte para a Galileia , mas Arquelau, terrível, reinava na Judeia e José experimentou a amargura de ver ainda ameaçada a vida da Criança Divina. 

   Sétima dor: Perde Jesus em Jerusalém. Durante três dias procuraram aflitos, Maria e José, ao Menino, objeto de seu amor e ternura. Mas outras angústias, sofriam com Jesus; aqui é a ausência de Jesus o maior tormento. 


AS ALEGRIAS.

  Primeira alegria: Após a angústia inenarrável das perplexidades depois do mistério da Encarnação, José ia deixar a sua Esposa quando o anjo do céu lhe revela a feliz nova: José, filho de Davi, disse-lhe o anjo em sonho, não temas receber a Maria tua Esposa, porque o que nela nasceu é obra do Espírito Santo. Que consolação!

   A segunda alegria foi quando na gruta de Belém nasceu Jesus, em meio de pobreza extrema, é verdade, mas cercado de anjos e adorado por Maria e José. Naquela noite bendita, quais não haviam de ser os sentimentos de alegria do castíssimo José!

   A terceira alegria foi quando na circuncisão coube a José a honra de dar o nome a Jesus. Aquele nome mil vezes bendito, diante do qual se dobram em reverência os céus e a terra, foi dado por José em nome do Pai Eterno. 

   A quarta alegria: veio a paz, depois da imensa dor da profecia de Simeão. O Menino Deus seria, é verdade, alvo de contradição, e uma espada de dor transpassaria a alma de sua Mãe, mas aquela Criança foi posta no mundo para ressurreição de muitos em Israel. Quantas almas não se salvariam por Jesus! Era isto que naquela hora encheu de consolação a alma de José. 

   A quinta alegria foi à entrada do exílio: vinham cansados e exaustos os pobres peregrinos, após a caminhada e as privações do deserto, mas quanta alegria ao verem tombados os ídolos pagãos dos egípcios (Isaías, XIX, 21). 

   A sexta alegria, Passou-se o tempo do exílio. Herodes morreu e voltam para a Galileia, à casa humilde e feliz de Nazaré. Após o exílio tão penoso no Egito, viram de novo a pátria querida e a sua gente. Podiam tranquilos passar agora na humildade, no silêncio de Nazaré os dias felizes da intimidade com Jesus.

   A sétima dor. Três dias procuraram, angustiados e aflitos, a Jesus. Afinal O encontram no Templo. Tanto maior era a dor tanto maior a alegria. Encontraram Jesus sentado entre os Doutores. Ouviram narrar os prodígios da Criança portentosa, que tão bem explicava as Escrituras. Viram Jesus após três dia de ausência. Imaginai a ventura de São José nesta hora!


EXEMPLO

Origem da devoção às sete dores e alegrias de São José

   Navegavam dois Padres Franciscanos nas costas de Flandes, quando se levantou uma horrenda tempestade, e o navio em que viajavam submergiu com os trezentos passageiros que levavam. A Divina Providência permitiu que se salvassem os dois franciscanos sobre umas tábuas, nas quais navegaram três dias entre a vida e a morte.
   
   Lembraram-se de São José naquelas horas de angústia. Recomendaram-se fervorosamente ao Santo Esposo de Maria. No mesmo instante apareceu-lhes um homem cheio de majestade e bondade, ofereceu-se para os guiar sobre as tábuas  e os conduziu rapidamente a um porto, onde saltaram em terra. Os dois frades caíram de joelhos aos pés do seu salvador, num agradecimento comovido:

   -  Quem és? perguntaram-lhe, curiosos.

   -  Eu sou José, Esposo de Maria e Pai Adotivo de Jesus. Se quereis agradecer-me e fazer alguma coisa que me seja agradável, não deixeis de rezar sete vezes o Pai-Nosso e sete vezes  a Ave Maria, em memória das sete dores com as quais minha alma foi afligida na terra, e em memória das sete alegrias que consolaram meu coração quando vivi no mundo com Jesus e Maria.

   E, ditas essas palavras, desapareceu. 

   Daí veio a propagação desta prática tão bela de piedade, a mais popular e a mais agradável a São José.  
    

quinta-feira, 7 de março de 2019

GLÓRIA E PODER DE SÃO JOSÉ


7 março

SÃO JOSÉ NO TEMPLO

 
 A Lei de Moisés ordenava que, quarenta dias após o parto, as mães se apresentassem no Templo para a sua purificação e fizessem a oferenda prescrita que era um cordeiro e uma pomba, se os pais eram ricos, ou então um casal de pombos ou rolas, se eram pobres. Esta oferenda era, a um tempo, sacrifício e holocausto. Sacrifício em expiação do pecado contraído pela geração da prole, e holocausto de consagração que se fazia do filho a Deus. Se a criança era um primogênito, e filho de Levita, ficava no templo para o serviço do culto, e se não era levita, deveria ser resgatado pelo preço de cinco ciclos. Esta lei dos primogênitos lembrava a morte que Deus enviara a todos os primogênitos do Egito, para libertar o povo de Israel da tirania do cativeiro de Faraó. Jesus não estava obrigado à circuncisão e nem estava Maria à Lei da Purificação. Veio o Salvador ao mundo pela Virgindade Maternal de Nossa Senhora, que não experimentou nem as dores nem as misérias das outras mães. Quis obedecer a Mãe de Deus.

   As circunstâncias da Apresentação no Templo nos mostram, naquelas cenas tocantes, como estaria a alma de São José. Inundada de consolações e transpassada de dor. Foi um mistério de alegria e de dor. Simeão toma nos braços o Menino e vê realizado o que desejou ardentemente ver: a Redenção de Israel. É a imagem do Sacerdote da Nova Lei. O primeiro Ministro do Altar que recebe nas mãos o Filho de Maria. Depois da bênção, do cântico de alegria, a profecia dolorosa: Este Menino será ruína e ressurreição de muitos em Israel, será alvo de contradição e uma espada de dor há de atravessar a tua alma.

   Não se pode compreender a dolorosa e profunda impressão causada na alma de São José ao contemplar sua Castíssima Esposa naquela hora. Parecia já contemplar o quadro horroroso do Calvário, ver o Sangue de Jesus e as lágrimas de Maria. É certo que compreendeu toda a profecia e a via cumprida desde então. A presença tão amável do Menino Jesus, o doce convívio de Maria ainda tornavam mais amarga a lembrança do que se havia de cumprir. Toda a vida de José, desde aquela hora, foi um misto de felicidade e amargura. A paz e o encanto da Sagrada Família não se podem imaginar e nunca houve maiores na terra. Porém, conhecer o futuro de sua Esposa ao pé da cruz e saber que os encantos adoráveis do seu Filho Adotivo seriam transformados como um verme dilacerado pelos açoites e coberto de chagas numa cruz no Calvário! "Estou como um verme e não homem", dissera o Profeta de Jesus. José tinha diante de si este quadro ao ter nos braços seu Filho querido, e ao contemplar Maria, via-a transpassada pela espada cruel. 

    Assim, o Santo Patriarca é nosso Protetor seguro nas aflições desta vida terrena. 


EXEMPLO

São José salva uma agonizante

   Uma jovem de 27 anos cai enferma, em estado grave, com uma tuberculose que a levava à sepultura, consumindo-a dia a dia. Recebera outrora, esta moça boa educação religiosa, e até à idade de 18 anos fora bem fiel à prática dos sacramentos. Depois, as más leituras e más companhias a arrastaram a uma vida mundana e perdera a fé. No estado lastimoso em que se achava, rejeitava todo conforto espiritual.  O mal fazia-lhe rápido progresso no organismo. Estava às portas da morte.
   Alguém lhe falou em sacramentos. 
   - Não e não! É inútil falar-me nisso. Não tenho fé, não me confesso, e se Deus existe, há de ter misericórdia de mim!
   Algumas pessoas amigas e os parentes da infeliz tuberculosa lembraram-se do poder de São José, e começaram, todos, uma novena ao Patrono dos agonizantes. 
   No segundo dia da novena falaram à doente se desejava a visita de um sacerdote.
   - Não me falem em padre! Deixem-me sossegada. Não tenho fé! Retirem-se! replica, toda indignada.
   A novena continua e a enferma parecia ainda mais obstinada que antes. Uma jovem piedosa, da família, exclama:
   - É inútil! São José, desta vez, não nos quer ouvir, Ela morre sem sacramentos!
   - Não fales assim, diz uma amiga; é falta de confiança. Pois já que entregamos a São José esta pobre alma, fiquemos tranquilas. Prometi ao santo uma novena de ação de graças e tenha certeza que ele me ouvirá!
   Quarto, quinto, sexto dia da novena. A doente sempre pior de corpo e de alma.
   No sexto dia a enfermeira não se conteve. Foi à capela queixar-se a São José: Ó meu santo protetor, por que ficar surdo a tanta oração? A doente agoniza e está cada vez pior. Como dizem que quem recorre a São José sempre é atendido! Como Santa Teresa nos garante o poder e a eficácia da proteção vossa, meu grande santo, em todas as aflições? Pois não se trata de uma alma?
   E as lágrimas lhe corriam pela face, numa queixa dolorosa.
   Não havia terminado a queixa, quando a enferma chama-a e lhe diz, ofegante: "Sinto-me muito mal, muito mesmo... Mande chamar o padre..."
   Veio logo o sacerdote. Confessou-se com grandes sinais de dor e recebeu piedosamente o Viático. Sentia voltar em sua pobre alma toda aquela vida de outrora. Expirou resignada e contente, a invocar os nomes de Jesus, Maria e José. 

quarta-feira, 6 de março de 2019

GLÓRIA E PODER DE SÃO JOSÉ


6 de março

Leitura espiritual  -  SÃO JOSÉ EM BELÉM

   
O edito de César Augusto obriga a José e Maria a procurarem sua cidade de origem. Ali estava o insondável desígnio da Providência. As profecias iam ser cumpridas. Na cidade, ninguém os recebe. Não há lugar para Maria e José nas hospedarias. Desprezados, famintos naquela fria noite, procuravam um abrigo em pobre e miserável gruta, uma estrebaria de inverno para os animais. E era chegada a hora do nascimento do Salvador, o Esperado das nações!

   Qual não foi a amargura de São José ao ver sua castíssima Esposa dar à luz ao Filho Unigênito de Deus, numa estrebaria! Porém, ó que doce consolação! Veio ao mundo o Salvador e as profecias se cumpriram. José foi testemunha do mistério adorável. Nasceu Jesus miraculosamente. Os primeiros adoradores do Verbo Encarnado foram Maria e José. Os primeiros atos de amor e de devoção ao Menino Jesus partiram dos corações e dos lábios da Virgem Pura e de seu Castíssimo Esposo. Imaginemos a alegria de São José! Com que ternura recebeu nos braços a Criança Divina e A beijou respeitoso, humilde e cheio de ternura! 

   Nasceu Jesus! Nasceu de Maria e foi entregue a São José. Ali, no presépio, o Pai Eterno confiou a outro Pai seu Filho Unigênito. 

   Oito dias depois do nascimento ordenava, a Lei Mosaica, fosse apresentado todo menino para a dolorosa cerimônia da circuncisão. São Lucas não diz explicitamente quem foi o ministro da circuncisão de Jesus, mas a opinião comum crê que foi São José, guiando-se por uma tradição antiga que atribuía esse direito aos pais de família. Deveria ser doloroso a São José cumprir esta lei, que importava em efusão do sangue do Redentor. 

   O mesmo que se faz hoje no batismo, na circuncisão se dava o nome à criança. A São José coube a honra de dar o nome Santíssimo ao Divino Redentor. O Anjo disse ao Santo Patriarca: Maria dará à luz um filho e lhe darás o nome de Jesus. E acrescenta São Mateus: Fez José como o anjo lhe havia encarregado e... lhe pôs o nome de Jesus. (Mat. I, 21; I, 24 e 25).


EXEMPLO

Uma bela morte

   Numa paróquia da Diocese de Lyon, na França, ficou sempre lembrado o exemplo edificante de um grande devoto de São José. Na idade de 86 anos, em 1859 faleceu este bom velhinho, como um predestinado. Devotíssimo de São José. Todos os dias pedia ao santo uma graça: a de uma santa morte. Recitava, nessa intenção, fervorosas orações de manhã e à noite. Todas as quartas-feiras jejuava e dava esmolas aos pobres em honra de São José, para alcançar a graça da perseverança final. A festa de 19 de março, cada ano, era o seu encanto. Com que piedade a celebrava! Durante cinquenta anos, jamais deixou um só dia de pedir a São José a graça de uma boa morte. 
   Em 15 de março de 1959 caiu gravemente enfermo. Pediu e recebeu, com muita fé, os últimos sacramentos. Comoveu a toda família a piedade do bom velhinho. Disse então: "Na festa de São José, dia 19, mandem celebrar uma missa por minha intenção e quero que rezem aqui as orações dos agonizantes, enquanto se celebrar a missa na matriz".
  À hora da consagração os sinos deram o sinal na torre e o velho levantou os olhos para o alto, cruzou os braços sobre o peito, em forma de cruz, e pronunciou distintamente: Jesus! Maria! Meu São José! E expirou docemente, sem uma contração da face, como se dormisse. Morria no instante do "Memento" dos mortos.
   Era a recompensa dos cinquenta anos de oração perseverante a São José, pedindo uma boa morte.

QUARESMA

   A Quaresma é um tempo de reparação e de emenda, consagrado ao recolhimento e à oração, à penitência e às boas obras. A  Santa Madre Igreja quer honrar deste modo o retiro e o longo jejum de Jesus Cristo, e preparar-nos para a Páscoa, isto é, para a passagem da morte para a vida, ou de uma vida imperfeita para uma vida mais santa, assim como o divino Mestre se preparou com um retiro de jejum de quarenta dias, para renovar o mundo com a pregação do Evangelho.

   Antigamente definia-se a Quaresma como o período dos quarenta dias de jejum que precedem a festa da Páscoa. Isto porque neste santo tempo de penitências, havia a obrigação de jejum em todos os dias, com exceção dos domingos, para imitarmos assim os quarenta dias do jejum de Jesus e nos prepararmos dignamente para a festa da Páscoa. Sabemos que hoje todos estes dias obrigatórios de jejum ficaram reduzidos a apenas dois (Quarta-feira de Cinzas e Sexta-feira Santa). 

   São Jerônimo afirma que a Quaresma é de tradição apostólica e que este número de quarenta nas Sagradas Escrituras é sempre o da pena e da aflição. E o grande doutor da Igreja cita Ezequiel XXIX. 

   Lembremo-nos da chuva torrencial de quarenta dias e quarenta noites no dilúvio que submergiu a raça humana sob as vagas, à exceção de oito pessoas, a família de Noé. Consideremos o povo hebreu, errante por quarenta anos no deserto, em castigo de sua ingratidão, antes de poder entrar na terra prometida. Escutemos o Senhor ordenando a seu profeta Ezequiel permanecesse deitado quarenta dias sobre o lado direito, para representar a duração e um cerco, ao qual devia seguir-se a ruína de Jerusalém. 

   No Antigo Testamento Moisés que representava a Lei, e o Elias que representava a Profecia, ambos se aproximam de Deus: o primeiro no monte Sinai, o segundo no monte Horeb; mas nenhum deles consegue acesso junto à divindade, senão depois de purificados pela expiação em um jejum de quarenta dias. 

   A Quaresma aparece-nos então em toda a sua majestosa severidade, e como meio eficaz de aplacar a cólera de Deus e purificar nossas almas. Ao reconhecer humildemente que somos pecadores, sentimos necessidade da penitência, especialmente na quaresma, e esperamos assim que Deus se digne, como no tempo do profeta Jonas, conceder misericórdia a cada um de nós e a todo o povo. Na verdade, para obter a regeneração que nos tornará dignos de voltar às santas alegrias do Aleluia, ser-nos-á necessário o triunfo sobre os nossos três inimigos: o demônio, a carne e o mundo. Unidos ao Redentor, que luta sobre a montanha contra a tríplice tentação e contra o próprio demônio, necessitamos de estar armados e de vigiar sem desfalecimento. 

   "Devemos, diz D. Guéranger, durante a Quaresma trazer à memória os penitentes públicos, que, expulsos solenemente da assembleia dos fiéis na Quarta-feira de Cinzas, constituíam, por todo o espaço da santa Quarentena, objeto de maternal preocupação para a Igreja, devendo esta, se o mereciam, admiti-los à reconciliação na Quinta-feira Santa. Um admirável conjunto de leituras, destinado a instruí-los e a interessar os fiéis em seu favor, passará sob os nossos olhos, pois, a Liturgia nada perdeu tão pouco dessas vigorosas tradições. Lembrar-nos-emos então da facilidade com que nos têm sido perdoadas as iniquidades que, nos séculos passados, talvez não o fossem senão após duras e solenes expiações. E, pensando na justiça do Senhor, que permanece imutável, sejam quais forem as mudanças introduzidas na disciplina pela condescendência da Igreja, sentiremos tanto maior a necessidade de oferecer a Deus o sacrifício de um coração verdadeiramente contrito, e de animar, com um sincero espírito de penitência as leves satisfações que apresentamos à sua divina Majestade" (do Livro "Ano Litúrgico).

   

QUARTA-FEIRA DE CINZAS

   "És pó em em pó te hás de tornar" (Gênesis III-19). Estas palavras dirigidas a Adão em consequência do pecado cometido, a Santa Madre Igreja repete-as a cada cristão para nos lembrar do nosso nada e da nossa morte: "Lembra-te, ó homem, que és pó e em pó te hás de tornar". Ao pronunciar estas palavras, o sacerdote impõe as cinzas. A cinza é símbolo de penitência pelos pecados que trouxeram o morte para este mundo. As orações da bênção e imposição dos cinzas e as da Missa nos fazem penetrar no espírito da penitência cristã; humilde submissão, unida a uma grande confiança na misericórdia de Deus. "Ouvi-nos, Senhor, diz o Introito da Missa, porque é benigna a vossa misericórdia; segundo a multidão de vossas comiserações, olhai para nós, Senhor".

  A Epístola nos põe diante dos olhos um exemplo comovente de penitência, o jejum. Eis a Epístola (Joel II-12-19): "Eis o que disse o Senhor: Convertei-vos de todo o vosso coração em jejuns, em lágrimas e gemidos. Rasgai vossos corações e não vossos vestidos; convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, que é benigno e compassivo, paciente e rico em misericórdia, e pronto a perdoar a maldade. Quem sabe se Ele não se voltará para vós, se vos perdoará, e não deixará uma bênção atrás de Si [para apresentardes novamente] sacrifício e libação ao Senhor, vosso Deus? Tocai a trombeta em Sião, guardai um jejum sagrado, convocai a assembléia, reuni o povo, santificai a Igreja, reuni o povo, santificai a Igreja, reuni os velhos, congregai os pequeninos e os meninos de peito; saia o esposo de seu aposento e a esposa do seu leito nupcial. Os Sacerdotes, ministros do Senhor, chorem entre o vestíbulo e o altar, dizendo: Perdoai, Senhor, perdoai ao vosso povo, e não deixeis cair a vossa herança no opróbrio, expondo-a aos insultos das nações. Porque se diria entre as nações: Onde está o seu Deus? O Senhor zela por sua terra e perdoa o seu povo. E o Senhor responde e diz a seu povo: Eis que vou enviar-vos trigo, vinho e azeite, deles ficareis abastecidos, e nunca mais vos entregais aos insultos das nações. Assim disse o Senhor Onipotente". 

   E Jesus nos ensina no Evangelho que este jejum deve ser antes de tudo interior, feito com coração reto diante de Deus. Eis o Evangelho segundo São Mateus VI-16-21: "Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Quando jejuardes, não tomeis um ar tristonho, como o fazem os hipócritas, que desfiguram suas faces, para que os homens vejam como jejuam. Em verdade, eu vos digo: já receberam a recompensa. Mas, quando tu jejuares, unge a tua cabeça e lava o teu rosto, para que não mostres aos homens que estás jejuando, mas só a teu Pai, que está presente ao que há de mais secreto; e teu Pai, que vê no oculto, de dará a recompensa. Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e a traça consomem e onde os ladrões desenterram e roubam. Ajuntai, porém, tesouros no céu, onde não há ferrugem nem traça que consomem, nem ladrões que desenterram e roubam. Porque onde está o teu tesouro, está também aí o teu coração". 

   Nos quarenta dias da Santa Quaresma, os cristãos se unem intimamente aos sofrimentos e à morte do Divino Salvador, a fim de ressuscitarem com Ele para uma vida nova, nas grandes solenidades pascais. É preciso que os Cristãos sacudam a poeira do mundo. A sabedoria da Santa Igreja estabeleceu este tempo propício de quarenta dias, a fim de que as nossas almas se pudessem purificar, e por meio de boas obras e jejuns, expiassem as faltas. Inúteis seriam, porém, os nossos jejuns, se neste tempo os nossos corações se não desapegassem do pecado. 
   As práticas exteriores que devem desenvolver em nós o espírito de Nosso Senhor Jesus Cristo e unir-nos a seus sofrimentos, são o jejum, a oração e a esmola. 

   Jejum: Seria um engano pernicioso não reconhecer a utilidade desta mortificação corporal. Seria menosprezar o exemplo do próprio Jesus. O Prefácio da Quaresma nos descreve os efeitos salutares do jejum: ..."pelo jejum corporal reprimis os vícios, elevais a inteligência, concedeis a virtude e o prêmio dela...".

    Oração: Assim como a palavra "jejum" abrange todas as mortificações corporais, da mesma maneira compreende a palavra "oração" todos os exercícios de piedade feitos neste tempo, com um recolhimento particular, como sejam: a assistência à Santa Missa, a Comunhão frequente, a leitura de bons livros, a meditação especialmente da Paixão de Jesus Cristo, a Via Sacra e a assistência às pregações quaresmais. 
    Esmola: Compreende as obras de misericórdia para com o próximo. Já no Antigo Testamento está dito: "Mais vale a oração acompanhada do jejum e da esmola do que amontoar tesouros" (Tobias XII-8).