SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

domingo, 17 de fevereiro de 2019

EXPLICAÇÃO DO EVANGELHO DO DOMINGO DA SEPTUAGÉSIMA

 
             S. Mateus, 20, 1-16.

   "Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos esta parábola: O Reino dos Céus é semelhante a um pai de família que saiu ao romper da manhã a contratar operários para a sua vinha. Tendo ajustado com alguns por um dinheiro ao dia, mandou-os para a sua vinha. Saindo perto da hora terceira, viu outros que estavam ociosos na praça. E disse-lhes: Ide vós também, para minha vinha, e dar-vos-ei o que for justo. E eles foram. Saiu outra vez perto da sexta e da nona hora, fez o mesmo. E saindo quase à undécima hora, ainda achou outros por ali, e disse-lhes: por que ficais aqui ociosos todo o dia? Responderam-lhe eles: porque ninguém nos contratou. Ele lhes disse: Ide vós também para a minha vinha. Caindo já a tarde, disse o Senhor da vinha a seu feitor: Chama os trabalhadores e paga-lhes a diária, a começar dos últimos até os primeiros. Chegando, pois, os que tinham vindo perto da undécima hora, cada um recebeu um dinheiro. vindo, depois, os primeiros, julgaram que haviam de receber mais; receberam, porém, um dinheiro cada um. Tomando-o murmuravam contra o pai de família, dizendo: Estes últimos trabalharam uma hora, e os igualastes conosco que suportamos o peso e o calor do dia. Ele, porém, respondendo a um deles, disse: Amigo, não te faço injustiça: não te ajustaste comigo por um dinheiro? Toma o que é teu e vai-te; pois quero dar a este último tanto quanto a ti. Porventura não é lícito a mim fazer o que eu quiser [dos meus bens]? Ou é invejoso o teu olho porque eu sou bom? Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros, os últimos, porque muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos". 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Neste mundo nos manda Deus trabalhar na sua vinha para merecermos o salário, isto é, a recompensa prometida, a felicidade do Céu. Esta vinha do Senhor é a nossa alma, que Ele pode seguramente chamar sua, porque ela Lhe pertence por todos os títulos. Foi Ele quem a plantou. Tendo-a o demônio assolado e devastado, Ele resgatou-a, não com ouro ou prata, mas com o seu sangue precioso e restaurou-a com infinitos cuidados. Deus plantou-a e regou-a, resta-nos cooperar e acabar o resto do trabalho para que produza frutos.

   A vinha, sendo a mais preciosa das árvores pelo seu fruto, e dele tirando o seu valor, é também de todas as árvores a que exige mais cuidados e trabalhos. A nossa alma em virtude da sua origem divina e do seu destino sublime, é a mais preciosa coisa do mundo.

   Os cuidados que exige a vinha são a figura dos cuidados que devemos ter com a nossa alma:
1º - Cavá-la e adubá-la. Relativamente à alma, quer isto dizer que deve ser cultivada com a prática das virtudes: humildade, compunção e penitência.

2º - Podá-la, isto é, libertá-la de todos os ramos inúteis que absorvem e esgotam a seiva sem proveito. Para a alma é renunciar a tudo o que é supérfluo e prejudicial, quer para ela, quer para os outros com quem se convive. É o trabalho custoso da mortificação, da abnegação e do sacrifício. E é um trabalho de sempre.

3º - Especá-la, isto é, escorá-la para evitar que as tempestades a derrubem, tanto mais que as cepas, por sua natureza, não têm consistência para se conservarem direitas. Para a alma o Senhor dignou-se multiplicar-lhe os sustentáculos, ou sejam, a fé e confiança em Deus, a lembrança da Cruz e Paixão de Jesus e os Sacramentos.

4º - Cercá-la com um muro para a preservar do assalto dos ladões e dos animais. Para a alma isso significa a observação da lei de Deus, a vigilância contínua, a fuga das ocasiões perigosas, a modéstia, a mortificação dos sentidos, a oração, a devoção a Nossa Senhora.

5º - Chuva e o sol que dependem não da vontade do viticultor, mas do céu. Do mesmo modo é necessário que desça até à alma o orvalho celeste, isto é, a graça de Deus, a suave influência do sol, isto é, a infusão do Espírito Santo, do amor divino. E isto depende da nossa vontade, do nosso fervor na oração e na frequência dos Sacramentos.

   Em compensação, o Pai de família nos dará, na tarde do nosso dia, o justo salário que merecemos.
   Ao contrário, a vinha estéril, quer dizer, a alma infiel, deve recear que Deus execute a sua ameaça e lhe recuse a chuva fecunda da sua graça e das suas bênçãos.

   Uma vinha abandonada enche-se em pouco tempo de silvas e só dá cachos azedos. Assim é a alma; se é mal cultivada ou abandonada, depressa se enche de defeitos, de vícios, de toda a espécie de pecados e ficará incapaz de produzir bom fruto.

   Ao contrário, uma vinha bem cultivada dá uvas suculentas, o melhor talvez de todos os frutos. Do mesmo modo, uma alma bem cuidada produz a virtude por excelência, a caridade, que é o vínculo da perfeição e a plenitude de toda a lei. Depois a caridade, por sua vez, produz todas as virtudes cristãs.

   Irmãos caríssimos, possivelmente passamos muitos anos em dissipação espiritual, apressemo-nos a recuperar e reparar algum deste tempo perdido. Talvez que esta homilia seja o supremo apelo divino, o convite da undécima hora.

   Pelas entranhas de misericórdia do Senhor Deus, reflita cada um, vença as suas repugnâncias e queira, com a graça poderosa e infalível de Deus, ser do pequeno número dos eleitos. Amém!
  

  

HOMILIA DOMINICAL - Domingo da Septuagésima - Explicação da Epístola

   Tradução literal da Primeira Epístola de São Paulo Apóstolo, IX, 24-27 e X, 1-5, da Vulgata Latina de São Jerônimo:


   "Irmãos: Não sabeis que os que correm no estádio, todos correm em verdade, mas um só leva o prêmio? Correi, pois, de tal maneira que o alcanceis. Todo aquele que luta na arena, de tudo se abstêm. E eles em verdade o fazem só para receberem uma coroa corruptível, e nós uma incorruptível. Eu pois assim corro, não como ao acaso: assim combato, não como ferindo o ar: antes castigo o meu corpo e o reduzo à servidão, para que não suceda que, depois de ter pregado aos outros, eu mesmo seja reprovado. Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais todos estiveram debaixo da nuvem e todos passaram o mar, e todos foram batizados em Moisés, na nuvem, e no mar, todos comeram o mesmo manjar espiritual, e beberam a mesma bebida espiritual (porque bebiam da pedra espiritual que os seguia, e a pedra era Cristo), mas da maior parte deles não se agradou Deus".

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

 Vamos dar agora a tradução explicativa desta mesma Epístola da Santa Missa deste Domingo da Septuagésima: 

O quadro catequético representa em cima a alma que se converte e luta contra
suas paixões para se conservar na graça de Deus; em baixo a alma que não se
converte e/ou não luta contra suas paixões e defeitos e assim vive no pecado
mortal. 
   Meus irmãos, não sabeis que de todos aqueles que se alistam nas corridas do estádio, um só é que recebe o prêmio de campeão? Assim também não penseis que todos os que entram a fazer parte da Igreja serão salvos, mas somente aqueles que fizerem por onde o merecerem. Comportai-vos, portanto, de tal modo que possais conseguir o prêmio eterno no Céu. Ainda. Que fazem aqueles que lutam na arena? Eles abstêm-se de todos os prazeres, para alcançar uma honra de campeão que afinal acaba, uma coroa de louros que murcham. Quanto mais nos devemos abster nós, os cristãos, de todas os prazeres do mundo e da carne, em vista de uma glória eterna, uma coroa de perfeição e santidade que dura para sempre. Tal é também o meu procedimento. Eu não corro ao acaso, sem conhecer a meta à qual me dirijo; nem luto batendo no ar; e, sim, como um lutador que deseja derrubar o seu adversário. Ora, o meu adversário é o meu corpo com sua concupiscência. Por isso, castigo-o, com penitência e o reduzo à obediência do espírito, receando que, depois de haver pregado aos outros o caminho da salvação, eu mesmo seja condenado. É inútil, portanto, esquivar-se a essa luta contra si mesmo, apenas confiando nos dons de Deus. Deus exige também a nossa parte, a nossa colaboração. Com efeito, observai os antigos judeus no deserto. Todos foram protegidos, sob a nuvem  que os defendia contra os raios do sol durante o dia e os iluminava durante a noite, todos receberam uma espécie de batismo de Moisés representado na nuvem e no mar; todos comeram do prodigioso maná e todos beberam da água milagrosa que jorrou da pedra (a qual era figura de Jesus que na Pessoa do Filho de Deus estava entre eles, acompanhando-os). Pois bem, a maior parte deles pereceram no deserto, sem entrarem na terra prometida. (O mesmo vos poderá acontecer, negando-vos Deus a entrada no reino dos céus se, apelando unicamente para os dons de Deus, e pelo único fato de pertencerem a única verdadeira Igreja, vos recusardes a lutar contra os maus instintos do vosso corpo). 

  Caríssimos e amados fiéis, terminemos com esta oração: Infundi em nós, ó Jesus, nova força a fim de recomeçarmos com mais coragem a marcha que nos deve levar à conquista da incorruptível coroa da santidade. Com as palavras de Santa Teresa Margarida do Coração de Jesus a Vós me dirijo: "Para vencer a repugnância da minha natureza, prometo-Vos declarar uma guerra sem tréguas contra mim mesmo; as armas para o combate serão: a oração, a presença de Deus e o silêncio. Mas, ó meu Amor, Vós conheceis bem a minha incapacidade no manejo destas armas. Não obstante, armar-me-ei com as armas duma confiança absoluta em Vós, paciência, humildade e conformidade ao Vosso querer divino, unidas a uma suma diligência... E quem me ajudará a combater numa guerra contínua contra tantos inimigos que pelejam contra mim? Ah! bem vejo que Vós, ó meu Deus, quereis ser o meu capitão e, arvorando o estandarte da cruz, amorosamente me dizeis: - Vem após mim e não duvides" (Espiritualidade, pg. 323 e 324). Amém!

   

   

domingo, 10 de fevereiro de 2019

HOMILIA DOMINICAL - 5º Domingo depois da Epifania


Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Colossenses 3, 12-17.
Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus, 13, 24-30:



  "Naquele tempo, disse Jesus às turbas esta parábola: O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente em seu campo. Enquanto, porém, os homens dormiam, veio o seu inimigo, semeou o joio entre o trigo, e retirou-se. Quando a erva cresceu e deu fruto, apareceu também o joio. Então os criados do pai de família foram ter com ele e lhe disseram: Senhor, porventura não semeaste boa semente em teu campo? Donde vem, pois o joio? Respondeu-lhes ele: O homem inimigo fez isto. Perguntaram-lhe os servos: Queres que vamos arrancá-lo? Não, respondeu ele, para que não suceda que tirando o joio, arranqueis juntamente com ele o trigo. Deixai crescer um e outro até a ceifa; e no tempo da ceifa, direi aos segadores: Colhei primeiro o joio e atai em feixes para o queimar, o trigo, porém, recolhei-o em meu celeiro". 

  Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!
  
  Alguns versículos mais adiante, refere São Mateus que, depois de a multidão ter partido, os discípulos se aproximaram de Jesus, pedindo-Lhe: Explica-nos a parábola da cizânia no campo. Jesus Cristo atende o pedido e, em poucas palavras, explica a parábola assim: Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem, que desceu a trazer à terra a verdade e a virtude. - E o campo é o mundo, que Ele veio iluminar, fecundar e salvar. - Ora, a boa semente são os filhos do reino, isto é, os justos, os eleitos, aqueles em quem a doutrina e os exemplos de Jesus frutificaram (se bem que a virtude e o estado de graça desses seja amissível neste mundo - o que não acontece na ordem natural: o trigo nunca vira joio). -  E a cizânia são os filhos do espírito maligno, isto é, os maus, os ímpios, os hereges, que, pelas suas ações, são verdadeiros filhos de Satanás, (se bem que a sua malícia e corrupção possam ser lavadas e apagadas neste mundo, pela penitência - o que não acontece na ordem natural: o joio nunca vira trigo). - E o inimigo que a semeou é o demônio, que, por ódio a Deus e aos homens, faz o contrário do Salvador e semeia o erro e a mentira para nos perder. - A ceifa é a consumação dos séculos, isto é, o fim do mundo, o juízo universal. - E os ceifeiros são os Anjos, que terão o encargo de separar os bons dos maus. 
  Do mesmo modo, pois, acrescenta o Salvador, que a cizânia é arrancada e queimada no fogo, assim será na consumação do século. O Filho do Homem enviará os seus Anjos; eles tirarão do seu reino todos os escândalos e aqueles que operam a iniquidade; e lança-los-ão na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no reino de seu Pai. Aquele que tem ouvidos de ouvir, ouça!
A parte ocidental do Lago de Genesaré.
"Retirou-se Jesus com seus discípulos
 em direção ao lago, e uma grande turba,
vinda da Galileia, O seguiu. 
  Caríssimos, esta parábola tem sobretudo por fim: 1º precaver-nos contra a malícia e embustes do demônio. 2º recomendar-nos a paciência com os pecadores, esperando a sua conversão; - 3º enfim, inspirar aos maus, salutar temor do juízo e do inferno, e aos bons, a desconfiança de si mesmos e a esperança da glória eterna. 
    Gostaria de insistir numa última observação: O joio é poupado não porque é bom, mas em atenção ao trigo; assim Deus poupa os maus e não os tira do meio de nós para o bem dos Seus escolhidos. Ao pedir-nos que suportemos com paciência determinadas situações, tão inevitáveis quão deploráveis, Deus pede-nos certamente um dos maiores atos de caridade, de compaixão, de misericórdia. Deus não diz que pactuemos com o mal (como os progressistas querem entender), com a cizânia, mas que a suportemos com a paciência como que Ele mesmo a suporta. Porventura não houve um traidor no colégio apostólico? E, contudo, Jesus qui-lo entre os Seus íntimos e com que amor o tratou! Além disso devemos considerar que, se é impossível o joio tornar-se trigo, é sempre possível que os maus se convertam em bons. Agostinho era joio, de maus costumes e herege; a bondade de Santo Ambrósio fê-lo trigo, trigo este tão excelente que dará bons frutos até o fim do mundo!. 
    Ó bom Jesus, que haveis semeado em nossas almas a boa semente da vossa palavra e da vossa graça, ajudai-nos a conservá-las e a fazê-las frutificar sem mistura de cizânia, a fim de que sejamos sempre trigo puro, digno de ser recolhido nos celeiros do Vosso Pai celeste. Amém!

domingo, 3 de fevereiro de 2019

HOMILIA DOMINICAL - 4º Domingo depois da Epifania

   Leituras: Epístola aos Romanos, 13, 8-10; Evangelho segundo São Mateus, 8, 23-27.

   Caríssimos e amados leitores em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Esta barca agitada pela tempestade é uma das mais perfeitas imagens da Igreja, que transporta sobre o mar deste mundo os discípulos e servos de Jesus. O divino Mestre está lá também, realmente presente, mas oculto e parecendo dormir.
   Quantas e quantas vezes, desde 20 séculos, a Igreja tem visto a sua existência ameaçada pelas tempestades! Quantas perseguições, ou cruentas e declaradas, ou surdas e hipócritas! Mas devemos ter fé porque Jesus disse: "Eu estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos". De fato, a Igreja conhece o poder d'Aquele que vela, quando parece dormir. A Igreja é indefectível, malgrado todas as borrascas: perseguições sangrentas e/ou heresias e cismas. As portas do inferno jamais prevalecerão contra a Igreja de Cristo!
   Esta barca é também figura de nossa pobre alma, tantas vezes batida por toda espécie de tempestades, durante a viagem no mar perigoso deste mundo. Abandonados a nós mesmos, pereceríamos infalivelmente. Mas se Jesus está conosco e é a nosso favor, que receio podemos ter? Felizes as almas que trazem Jesus consigo e sabem recorrer a Ele!
   Caríssimos e amados irmãos, as tempestades que acometem a nossa alma são muitas e variadas. São exteriores ou interiores. Entre as exteriores podemos enumerar: as doenças mais imprevistas, longas, dolorosas, dispendiosas; o luto, a perda dos que nos são caros, cuja morte nos enche de grande tristeza; a perda dos bens de fortuna, que nos precipita na miséria ou em dificuldades; calúnias, ódios, processos injustos, vinganças a que nos encontramos expostos, ainda que inocentes etc., etc.
   Tempestades interiores: as tentações; e mais ordinariamente o demônio deixa em paz os seus escravos. "Os cães não mordem nas pessoas da casa" diz São Francisco de Sales. Podemos ainda enumerar: os escândalos, as seduções do mundo, com as suas máximas falsas, as suas ilusões e os seus prazeres; as nossas paixões que rugem no íntimo do nosso ser e tentam revoltar-se contra o espírito, para nos arrastar ao mal, principalmente o orgulho, a ira, a ambição, a impureza.
   O espírito de fé diz-nos, entretanto, que qualquer luta ou tempestade da vida é sempre querida, permitida ou pelo menos não impedida por Deus. Como dizia Santa Teresinha: "Tudo é graça, tudo é fruto do amor infinito de Deus". Deus é Pai que nos prova unicamente porque nos ama.

Lago de Genesaré, 13km de largura e 20 km de comprimento

   As tempestades da nossa vida fazem que reconheçamos a nossa fraqueza e nos obrigam a recorrer a Jesus; porque sem Ele o que seria de nós?!  No meio das tempestades rezamos com mais fervor; praticamos as virtudes mais sublimes: a fé, a confiança em Deus, a submissão à Sua vontade, a paciência e a caridade. As provações servem para, nesta vida, expiarmos as nossas faltas e as nossas imperfeições e merecermos uma coroa melhor no céu. E sobretudo nos tornam mais semelhantes a Jesus.
   Assim, fazendo da nossa parte o que pudermos, ponhamos toda a nossa confiança em Jesus e apressemo-nos a recorrer a Ele com fé e amor. Caríssimos, não deixemos passar uma tão bela ocasião de praticar a humildade, a penitência, a paciência e de aumentar assim os nossos méritos para o céu.
   Irmãos caríssimos, não esqueçamos que, mesmo nestas tempestades, Jesus não teve em vista senão um maior bem para nós; agradeçamos-Lhe com toda a nossa alma; conservemo-nos sempre em união com Ele e seremos auxiliados. Jesus, o importante é que estejais no coração de cada um de nós! Amém!

EXPLICAÇÃO DA EPÍSTOLA DO 4º DOMINGO DEPOIS DA EPIFANIA


Romanos XIII, 8-10
"A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor mútuo, porque aquele que ama o próximo, cumpriu a lei. Em verdade, estes mandamentos: - "Não cometerás adultério; não matarás; não furtarás; não dirás falso testemunho; não cobiçarás" - e qualquer outro mandamento, todos se resumem nesta palavra: amará o teu próximo com a ti mesmo. O amor do próximo não faz o mal. Logo, o amor é o complemento da lei".


Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

São Paulo começa ensinando que, quem ama o próximo por amor a Deus cumpre, não somente a lei da caridade, senão também toda a lei de Deus, isto é, cumpre todos os mandamentos.

Na verdade, o amor do próximo, longe de ser de natureza diferente do amor de Deus é, uma única e mesma coisa. Não há, pois, separação entre esse dois sentimentos, sendo o amor do próximo o transbordar do próprio amor de Deus.  Como já ensinara o Divino Mestre, o amor verdadeiro se manifesta sobretudo em relação aos inimigos. Portanto o motivo do amor  verdadeiro ao próximo não pode se basear em motivos puramente humanos, ou seja, simpatia, beleza, interesse, liame de sangue etc. Seria amor puramente humano. E como disse Jesus: isto até os pagãos fazem. Portanto o amor verdadeiro é sobrenatural porque tem por motivo o amor de Deus. Por exemplo como fazer o bem a estranhos, e mais, como perdoar e fazer bem aos inimigos que nos odeiam. Só o amor de Deus nos pode levar a isto! Foi assim que Jesus fez, e assim os santos O imitaram. É o amor de Deus que me impele a amar o que o mundo rejeita. É o amor de Deus que me mostra em cada coração um templo do Espírito Santo, ou que possa vir a sê-lo. Assim o amor de Deus e o amor do próximo vêm, pois, a ligar-se de tal forma que lá não existe o primeiro onde falta o segundo. É no amor de Deus, que o amor do próximo tem seu motivo e sua fonte. E se quisermos saber se temos o lídimo amor a Deus, é só verificarmos se amamos o próximo verdadeira e desinteressadamente.


O afeto que liga dois corações não se revela apenas na íntima satisfação por ele experimentada  ou, então, na tristeza que os martiriza na separação, e sim, acima de tudo, no respeito, nos favores, nos sacrifícios, nos auxílios mutuamente dados e recebidos. Hoje infelizmente reina o egoísmo. Mas ama verdadeiramente quem deseja o bem da pessoa amada, e até se sacrifica em benefício dela, sempre por amor a Deus e para imitar a Jesus Cristo, Nosso Senhor. Quem tem este amor sobrenatural ao próximo cumpre toda lei, isto é, observa todos os mandamentos. Amém! 

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

S. JOÃO BOSCO

UM GRANDE EDUCADOR

                                                          Dom Fernando Arêas Rifan*

        Encerrou-se no dia 28 de outubro passado a XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, dedicada aos jovens, que sempre foram objeto especial do cuidado da Igreja. Grandes santos se ocuparam da sua educação, especialmente dos mais pobres. O cuidado dos pobres não é apanágio da época moderna, pois a Igreja, seguindo Jesus, sempre se ocupou deles. 
        No século XIX, um menino pobre, órfão de pai aos dois anos, que recebeu uma forte educação humana e cristã de sua mãe, Margarida, mulher simples, sem estudos, mas de muita fé, tornou-se o maior educador daquele século e modelo de todos os educadores. Estamos falando do grande São João Bosco, cuja festa celebraremos amanhã, com os seus filhos salesianos. 
        Estamos em Turim, Itália, na época do começo da industrialização, com o problema decorrente da imigração juvenil. Inundada de jovens procurando emprego, que nem sempre conseguiam, essa cidade oferecia ocasião para muitas desordens e perigos para essa juventude. É nesse contexto que entra em ação o Padre João Bosco, Dom Bosco, como se chamam os padres na Itália, como hábil organizador de iniciativas, implantando um fantástico sistema educacional que mais tarde se chamaria “sistema preventivo”, fundado na razão, na religião e na amabilidade. E assim ele conquistou a juventude.
         Seu sistema de educação consistia em prevenir as quedas, em tirar os jovens das ocasiões de pecado. Vigilância, palavrinha de conselho ao ouvido de cada um, compreensão, amabilidade e amor no trato com os jovens, vida pessoal de oração e uso dos sacramentos da Igreja, eram os seus instrumentos didáticos e pedagógicos. E todos o amavam e procuravam imitar. Não seria esse o melhor método para educar a nossa juventude tão desnorteada hoje?!
         Enfrentando ataques violentos dos anticlericais, ele implantou o oratório festivo de Valdocco, enriqueceu-o de laboratórios artesanais e profissionais, com escolas de artes e ofícios para jovens trabalhadores e com escolas humanísticas para os jovens encaminhados ao sacerdócio. Em pouco tempo, já havia oitocentos jovens, provenientes das camadas populares da Itália. E sua obra se espalhou por todo o mundo. 
         Para assegurar o futuro de sua obra, fundou a Pia Sociedade de São Francisco de Sales, os Salesianos, e, com a ajuda da Irmã Maria Mazzarello, o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora, das quais temos ilustres representantes em nossa cidade, dedicados à educação dos jovens. A eles e a elas a nossa homenagem e imensa gratidão.
         São João Bosco foi considerado o novo São Vicente de Paulo, pela sua dedicação aos mais carentes. Foi grande escritor de livros populares, sobretudo para os jovens. 
         Esse grande apóstolo da juventude, exemplo para todos os educadores, faleceu santamente em 31 de janeiro de 1888. Foi proclamado pelo Papa João Paulo II “pai e mestre dos jovens”. Que São João Bosco proteja a nossa juventude! 

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

domingo, 27 de janeiro de 2019

HOMILIA - 3º Domingo depois da Epifania

   Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos, XII, 16-21.
                    

   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus segundo São Mateus, VIII, 1-13:

Na parte superior, vemos o Centurião
pedindo a Jesus a cura de seu servo
paralítico.
   Depois que Jesus desceu do monte, muita gente o acompanhou. E eis que, vindo um leproso, o adorava dizendo:  "Senhor, se queres, podes limpar-me".E Jesus estendendo a mão, tocou-o, dizendo: "Pois, eu quero, fica limpo". E logo ficou limpa toda a sua lepra. Então lhe disse Jesus: "Vê, não o digas a ninguém; mas vai mostra-te ao sacerdote, e faze a oferta que ordenou Moisés, para lhes servir de testemunho a eles". E tendo entrado em Cafarnaum, chegou-se ao pé dele um centurião, fazendo-lhe esta súplica e dizendo: "Senhor, o meu criado jaz em casa doente duma paralisia, e padece muito com ela". E Jesus respondeu-lhe: "Eu irei e curá-lo-ei". E respondendo o centurião disse: "Senhor, eu não sou digno de que entres na minha casa; dize, porém, uma só palavra, e o meu criado será salvo. Pois também eu sou homem sujeito a outro, que tenho soldados às minhas ordens, e digo a um: Vai acolá, e ele vai; e a outro: Vem cá, e ele vem; e ao meu servo: Faze isto, e ele faz". E Jesus ouvindo-o falar assim, admirou-se e disse para os que o seguiam: "Em verdade, vos afirmo que não achei tamanha fé em Israel. Digo-vos, porém, que virão muitos do oriente e do ocidente, e se sentarão à mesa com Abraão e Isaac e Jacó no reino dos Céus; e os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores, onde haverá choro e ranger de dentes". Então disse Jesus ao Centurião: "Vai, e faça-se segundo tu creste". E naquela mesma hora ficou são o criado. 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!


   O Santo Evangelho de hoje relata-nos dois milagres: a cura de um homem leproso; e a do servo do Centurião. Com a graça de Deus, vamos fazer algumas reflexões sobre ambos.

   O pobre leproso do Evangelho, tendo ouvido falar dos milagres de Jesus, foi ao seu encontro e prostrando-se humildemente a seus pés, diz-lhe com fé admirável: "Senhor, se quereis, podeis curar-me". Súplica breve, simples, comovente, cheia de fé, de humildade e de submissão à vontade de Jesus. Eis o comentário de São João Crisóstomo: "Ele não diz: se pedires a Deus; mas se quereis, podeis curar-me. Também não diz: Senhor, curai-me; mas abandona-se inteiramente a Jesus, considerando-o como Senhor e Mestre soberano de todas as coisas, que conhece, muito melhor do que ele próprio, os seus verdadeiros interesses".

   Caríssimos, oh! se soubéssemos orar como este leproso! Quantas graças alcançaríamos!

   Quanto às graças espirituais, isto é, quando pedimos coisas que se referem à glória de Deus e à salvação da nossa alma, tenhamos confiança firme e inteira de que seremos ouvidos por Jesus. Quando se trata de graças temporais, peçamos; mas, quanto à oportunidade, entreguemo-nos à vontade de Deus: "Senhor, se quereis..."

   Jesus estende a mão em sinal do seu poder; e toca o leproso com essa mão divina para nos mostrar como é que a sua humanidade santa, unida à divindade, se torna o instrumento abençoado das maiores maravilhas. E ao mesmo tempo afirma-lhe: "Eu o quero, fica limpo!" O efeito é produzido imediatamente: "e naquele instante as sua lepra foi curada".


   Passemos ao segundo milagre: A súplica do Centurião (que era pagão, mas admirava a religião e até tinha edificado à sua custa, a sinagoga da cidade) é perfeita sob o ponto de vista da fé e confiança na bondade e no poder de Jesus. Observemos que ele não pede a Jesus, como outros, que vá a sua casa e imponha as mãos sobre o seu servo e o cure. Mas, como tinha feito Maria Santíssima nas bodas de Caná, como farão mais tarde as irmãs de Lázaro, limita-se a expor ao Salvador o miserando estado do seu doente.

   E este Centurião dá-nos um exemplo belíssimo de caridade: ensina aos amos como devem tratar paternalmente os seus servos, a solicitude e bondade de que os devem cercar nas suas doenças.

   E disse-lhe Jesus: "Eu irei e curá-lo-ei". E é aqui que resplandecem a humildade e a fé deste Centurião diante de tanta condescendência e bondade de Jesus: "Senhor,eu não sou digno de que entreis em minha casa; mas dizei uma só palavra e meu servo ficará curado..." Ele, pobre pecador e pagão, não se julga digno de receber em sua casa a visita de Jesus, que considera como um grande Profeta, como um Deus. E além disto ele julga desnecessária a ida de Jesus; porque basta um simples ato da vontade de Jesus, uma simples palavra sua, para que seu servo seja curado. Assim comenta Santo Agostinho: "Este bom centurião proclamando-se indigno, tornou-se digno de receber Jesus Cristo, não somente em sua casa, mas em seu coração"  - "E por esta admirável humildade, acrescenta São João Crisóstomo, mereceu o reino do Céu". Podemos acrescentar que mereceu também que a sua piedosa resposta, inserida pela Santa Madre Igreja nas preces litúrgicas, fosse recitada todos os dias no Santo Sacrifício da Missa, antes da comunhão do sacerdote e antes da dos fiéis.

  Um dia, Santa Catarina de Sena, absorta na sua profunda indignidade, não ousava aproximar-se da santa Mesa e dizia a seu divino Esposo: "Senhor, bem vedes, eu não sou digna de vos receber em meu pobre coração". "É certo, respondeu-lhe Jesus com amor inefável, mas eu sou digno de entrar nele"!

   Ó bom Jesus, tende compaixão da minha triste miséria! Com mais fundamento do que a vossa serva, eu reconheço que não sou digno de vos receber. Mas vós sois infinitamente bom e misericordioso; dizei uma só palavra: "Quero limpar-te", e minha pobre alma será purificada. Depois vinde fortificá-la, consolá-la, enchê-la da vossa graça e do vosso amor, a fim de que seja transformada em vós, e não mais viva senão para Vós! Amém!