SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

domingo, 6 de janeiro de 2019

FESTA DA EPIFANIA

LEITURAS: Epístola, Profeta Isaías 60, 1-6.
                      Evangelho segundo São Mateus 2, 1-12: 

   "Tendo Jesus nascido em Belém de Judá, nos dias do Rei Herodes, eis que do Oriente vieram uns Magos a Jerusalém, perguntando: Onde está o recém-nascido Rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-Lo. Ouvindo isto, o rei Herodes turbou-se e com ele toda Jerusalém. E convocando todos os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo, indagava deles onde Cristo nasceria. E eles disseram: Em Belém de Judá, porque assim está escrito pelo Profeta: E tu, Belém. terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá; porque de ti sairá o Guia, que há de governar o meu povo de Israel. Então Herodes chamando secretamente os Magos, inquiriu cuidadosamente deles o tempo em que lhes aparecera a estrela. E enviando-os a Belém, disse-lhes: Ide e perguntai diligentemente pelo Menino, e assim que O achardes, avisai-me para que eu vá também e O adore. Tendo eles ouvido as palavras do rei, foram-se. E eis que a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até que chagando, parou sobre o lugar em que estava o Menino. Vendo a estrela, ficaram possuídos de grandíssima alegria. E entraram na casa, e, prostrando-se, O adoraram. E abertos os seus tesouros ofereceram-Lhe como presentes ouro, incenso e mirra. E, sendo avisados em sonho que não voltassem a Herodes regressaram por outro caminho a seu país".

  Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Hoje celebra a Santa Madre Igreja a grande Festa da Epifania, palavra de origem grega que significa manifestação. São Paulo, referindo-se ao Natal de Jesus, disse na Epístola a Tito III, 4: "Manifestou-se a benignidade e a humanidade de Deus, nosso Salvador". O Verbo de Deus se fez carne, e habitou entre nós. Primeiro manifestou-se aos pobres e humildes pastores através de um Anjo. Depois manifestou-se aos povos gentios na pessoa dos Magos através de uma estrela.
   Mas quem eram estes Magos? A palavra Mago não deve ser tomada no mau sentido que hoje tem. Então significava pessoa poderosa, honrada com o sacerdócio no seu país e muito considerada pela sua ciência, principalmente pelos seus conhecimentos de astronomia. A tradição apresenta-no-los como reis. O texto sagrado na verdade não diz quantos eram. Mas a tradição aponta três e dá-lhes os nomes de Melchior, Baltasar e Gaspar. Diz ainda a tradição que eles foram mais tarde batizados e elevados ao episcopado pelo Apóstolo São Tomé, e finalmente martirizados. As suas relíquias são conservadas e honradas na Catedral de Colônia na Alemanha. O texto sagrado diz simplesmente que vinham do Oriente. Mas de que parte do Oriente? Uns autores assinalam a Caldeia, outros a Arábia, outros ainda a Pérsia. Muitos acham que eram descendentes de Balaão. Provavelmente chegaram a Jerusalém pouco antes ou pouco depois da Purificação.
 
   Mas, caríssimos e amados irmãos, o mais importante é o exemplo belíssimo de fidelidade à graça que  os Magos nos oferecem. "Vimos a estrela e viemos". Esta estrela é o sinal da graça, é a inspiração de Deus. Os Magos seguem, portanto, a luz da graça com prontidão e com grande constância. Quantos viram a estrela  e se contentaram com admirar o seu brilho, sem tratarem de descobrir o seu mistério? Quantos certamente compreenderam em vão o ensinamento que lhes dava? Só os Magos se aproveitaram da graça oferecida a todos. Deus chama-os ao berço de Seu Filho; obedecerão, quaisquer que sejam os sacrifícios que lhes pedir: Sacrifício de seu descanso: que fadigas preveem numa tão longa viagem e em semelhante estação! Sacrifício das suas inclinações mais queridas: família, pátria, amigos. Sacrifício da sua reputação: eles eram tidos por sábios, e o seu proceder é qualificado de loucura. E tudo isto fazem homens que são noviços na fé! Que lição para aqueles que são mestres, pregadores, guardas da fé! Os sacerdotes judeus que instruem a Herodes e aos Magos, onde se deve ir para achar o Salvador do Mundo e eles mesmos não vão. Mostram o caminho da verdade e não o seguem!.
   Os Magos seguem a luz da graça com prontidão. Apenas viram a estrela e ouviram a voz interior, apressam-se a obedecer. Vimos, graça que alumia e fala ao coração; e viemos, é a correspondência a essa graça. Nenhum intervalo entre conhecer o dever e cumpri-lo. Passam num instante da convicção ao desejo, do desejo à resolução, da resolução à prática. É nisto mesmo, diz Santo Tomás que consiste a verdadeira devoção. Que sabedoria há nesta prontidão, que perigos nas demoras da indolência! Se os Magos demorassem sua partida por alguns dias, teriam achado o adorável Menino? Quando Deus fala, uma simples irresolução é uma infidelidade, a menor demora um perigo. A graça tem o seu tempo. Diferir obedecer-lhe, é correr o risco de nunca lhe obedecer; perdida a ocasião, voltará ela? Terá Deus obrigação de esperar que eu queira receber os dons do seu amor? Não é a mim que me compete esperar que Ele se digne concedermos? Ó Jesus, aquele que cede à vossa graça senão o mais tarde possível, mostra bem que só cede com repugnância. Sua obediência é uma flor murcha.

   Os Magos seguem a luz da graça com grande constância. Como nada pôde impedir que tomassem a resolução que Deus queria, também nada os desanima na sua execução. Quantos obstáculos porém, quantas contradições capazes de destruir uma resolução menos firme! Tinham andado uma grande parte do caminho, estavam perto de Jerusalém; de repente a estrela desaparece: ei-los sem guia num país estrangeiro; quantos motivos de temor! Pensam acaso em voltar para a sua terra? Não, continuam a caminhar, apoiando-se não já no que veem, mas no que viram; a verdade é imutável, como o mesmo Deus: Se no meio de Jerusalém encontram um povo indiferente que mostra não se importar com o seu Rei e Salvador recém-nascido; se os doutores e sacerdotes lhes declaram friamente o lugar do seu nascimento, e não falam em ir com eles adorá-Lo; se Herodes se contenta com enviá-los para que O procurem, tudo isto os espanta, sem dúvida e os aflige, mas não os desalenta.
   As provações fazem parte essencial do plano divino. As obras de Deus só florescem à sombra da árvore da cruz. Devo conservar-me sempre pronto a seguir a vontade de Deus, apenas a estrela da fé ma tiver feito conhecer.
   Ó meu Deus, eu quero obedecer à vossa graça, sem escusas, sem demoras, sem cansaços, seguindo pelo caminho dos vossos mandamentos, pois sei perfeitamente que só neles se encontra a verdadeira vida.
    Com Santo Ambrósio digamos a Jesus: "Oh!  que bom Mestre eu sirvo"! Oh! como é bom procurá-Lo a ele unicamente, e servi-Lo de todo o nosso coração! Oh! como um homem, repousando no seio da Providência, está justamente em paz e em toda a segurança! Que não devo eu esperar da sua bondade, se não ponho obstáculo algum à sua graça? Amém!

A EPIFANIA

Livro "INTIMIDADE DIVINA" do P. Gabriel de S.ta M. Madalena, O. C. D.

   Ó pequenino Jesus, em Vós reconheço o Rei dos céus e da terra: fazei que eu Vos possa adorar com a fé e o amor dos Magos.

   1- "Hoje o mundo reconheceu Aquele que a Virgem deu à luz... Hoje refulge a festa da Sua manifestação" (BR.). Hoje Jesus manifesta-Se ao mundo como Deus.
   O Intróito da Missa introduz-nos diretamente neste espírito, apresentando-nos Jesus na majestade real da Sua divindade: "Eis que veio o soberano Senhor: Ele tem nas Suas mãos o cetro, o poder e o império". A Epístola (Is. 60, 1-6) prorrompe num hino de glória anunciando a vocação dos gentios à fé; também eles reconhecerão e adorarão em Jesus o seu Deus. "Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque veio a tua luz... E as nações caminharão à tua luz e os reis ao resplendor da tua aurora... Todos virão de Sabá trazendo ouro e incenso e publicando os louvores do Senhor". Já não se vê, à volta do presépio, a humilde presença dos pastores, mas o faustoso cortejo dos Magos que vieram do Oriente como representantes dos povos pagãos e de todos os reis da terra, para prestarem homenagem ao Deus Menino.
   Epifania (ou Teofania) quer dizer "manifestação de Deus"; e esta manifestação de Deus vemo-la realizada em Jesus que hoje Se manifesta ao mundo como seu Deus e Senhor. Já um primeiro prodígio, o da nova estrela aparecida no Oriente, revelara a Sua divindade; mas à recordação deste milagre que ocupa o primeiro lugar na liturgia deste dia, a Igreja junta mais dois: a água convertida em vinho nas bodas de Caná, e o Batismo de Jesus no rio Jordão, enquanto um voz, vinda do céu, atesta: "Este é meu Filho muito amado". "Três milagres ilustram o santo dia que hoje celebramos", canta a Antífona do Magnificat: três milagres que devem dispor-nos para reconhecer e adorar com fé viva, no Menino Jesus, o nosso Deus, o nosso Rei.

   2 - "Vimos a Sua estrela no Oriente e viemos com presentes adorar o Senhor". Nestes versículos da Missa de hoje está sintetizada a conduta dos Magos. Ver a estrela e pôr-se a caminho foi obra de um momento. Não duvidaram porque a sua fé era firme, segura e inteira. Não hesitaram perante a fadiga do longa viagem, porque o seu coração era generoso. Não deixaram para mais tarde, porque a sua alma estava pronta.
   No céu das nossas almas também aparece freqüentemente uma estrela: uma inspiração íntima e clara de Deus, que nos convida a um ato de generosidade, de desprendimento, a uma vida de maior generosidade, de desprendimento, a uma vida de maior intimidade com ele. Devemos saber sempre seguir a nossa estrela com a fé, com a generosidade e com a prontidão dos Magos. Seguida assim, conduzir-nos-á sem dúvida ao encontro do Senhor, far-nos-á achar Aquele que procuramos. Os Magos perseveraram na sua busca mesmo quando a estrela desapareceu aos seus olhos; da mesma forma devemos nós perseverar no bem mesmo através das trevas interiores: é a prova da fé, que somente se pode superar com um intenso exercício de fé pura e nua. Sei que Deus assim o quer, sei que Deus me chama e isto basta: Scio cui credidi et certus sum (II Tim. I, 12); sei quem é aquele em quem acreditei e aconteça o que acontecer nunca poderei duvidar d'Ele.
   Com estas disposições vamos com os Magos ao presépio. "E assim como aqueles ofereceram, dos seus tesouros, místicos dons ao Senhor, saibamos nós também tirar dos nossos corações dons dignos de Deus". (BR.)
   (...) Quereis, ó Jesus, que também eu leve ao Vosso presépio os presentes dos Magos: o incenso da oração, a mirra da mortificação e do sofrimento generosamente abraçado por Vosso amor, o ouro da caridade; caridade que faça o meu coração todo e exclusivamente Vosso... (...) Que brilhe também para mim hoje a Vossa estrela e me indique o caminho que a Vós conduz; que o dia de hoje seja igualmente para mim uma verdadeira Epifania, uma nova manifestação ao meu entendimento e ao meu coração. Quem mais Vos conhece, mais Vos ama, ó Senhor; e eu só desejo conhecer-Vos para Vos amar e me dar a Vós com uma generosidade cada vez maior.

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

PRIMEIRO DIA DO ANO

    Aos caríssimos leitores um Santo e Feliz Ano Novo!

   Na Santa Madre Igreja, no primeiro dia do ano, celebra-se o Mistério da Circuncisão do Menino Jesus.
    Em todo orbe, celebra-se o Dia Universal da Paz.
    A lei da Circuncisão não podia de modo algum atingir a Jesus, o Filho de Deus, o Santo por excelência; mas Jesus quer submeter-se a ela como o último dos filhos de Abraão, porque, como ensina S. Paulo, "Ele deveu em tudo ser semelhante a seus irmãos para expiar os pecados do povo" (Hebr. II, 17). Oito dias depois do Seu nascimento, Jesus inicia assim a Sua missão cruenta de Redentor; ainda não fala, o mundo ainda não O conhece e Ele derrama já o Seu Sangue pela salvação do mundo. Contemplando-O, aprendemos que as obras valem mais que as palavras, e que quanto mais sacrifício custam, tanto mais são prova de verdadeiro amor. Toda a obra, para ser fecunda, deve ter o seu batismo de sangue. As obras de Deus, só florescem e frutificam à sombra da árvore da Cruz.
    Comecemos o ano circuncidando os nossos corações. Ano novo, vida nova; vida nova porque, circundando nós o "homem velho" com os seus vícios e as suas paixões, crescerá em nós o "cristão"; criatura nova, purificada com o Sangue de Cristo, vivificada e alimentada com a Sua graça, de modo que não mais vivamos nós, mas que Cristo viva em nós. O ano que hoje começa só tem valor se, dia após dia, a graça triunfar cada vez mais em nós, fazendo crescer nas nossas almas a vida de Cristo.
    Outra lição da festa de hoje é a humilde submissão de Jesus à vontade de Seu Pai manifestada através da lei; vejamos nisto um convite a aderir docilmente à vontade de Deus, qualquer que ela seja. Nenhum de nós pode saber o que nos espera neste ano novo; mas Deus sabe. Disponhamo-nos a aceitar e abraçar com coragem e prontidão todo o querer divino, toda a permissão divina, certos de que só na santa e santificante vontade de Deus encontraremos a nossa paz e poderemos levá-la aos demais.
   "A paz, diz Santo Agostinho, é a tranquilidade da ordem. É necessário ter bem em mente que há uma ordem nas coisas, e que esta ordem tem de ser reconhecida e respeitada. Acima de tudo está Deus; um Deus pessoal, eterno, infinito nas Suas perfeições, pelo qual tudo foi criado e de quem tudo depende. Ele é o nosso Senhor, o nosso Legislador e Juiz e sobretudo o nosso Pai. Viemos de Deus, dependemos d'Ele e para Ele devemos voltar, a fim de vivermos a eternidade no Seu amor. A vida presente é uma viagem a terras longínquas, destinada a provocar a nostalgia do lar paterno, é uma peregrinação no tempo para nos fazer sentir a necessidade da eternidade, é a vida no contingente e no finito para despertar em nós a necessidade do absoluto e do infinito.
   O repúdio dos mandamentos de Deus e de toda a autoridade, a anarquia que verificamos e deploramos, tudo isto é conseqüência lógica da situação que se criou com a negação de Deus, a negação do espírito, a negação da lei divina e dos valores superiores e eternos. Infelizmente, e isto também no Brasil, os comunistas fizeram nas escolas, faculdades e universidades, uma lavagem cerebral banindo na maior parte das mentes a ideia de Deus, inoculando o puro materialismo.
    Negada a existência de Deus, perturbada a ordem imposta por Ele, tudo se perturba, tudo se arruína, ficando só agitação e a desordem, que do coração de cada um passam para a família, para a sociedade, para o mundo inteiro. "Sinto-me como um rato que ingeriu veneno - confessava Göethe numa das suas obras: - mete-se em todos os buracos, bebe todos os líquidos, devora tudo o que encontra no caminho, mas não consegue extinguir o fogo que o devora". Assim acontece com a sociedade moderna que ingeriu o veneno da incredulidade e do indiferentismo propinado há séculos. Não encontra descanso, nem terreno onde se sustente. Os seus ídolos caem uns atrás dos outros, os seus ideais desfazem-se miseravelmente.
   A vida é mal entendida e mal dirigida. Colocam-se os valores materiais acima dos valores do espírito, os negócios que dizem respeito ao tempo acima dos negócios que se referem à eternidade; trabalha-se incansavelmente pelas coisas que têm um valor limitado e relativo, com prejuízo das que têm valor infinito e absoluto. A atividade de uma grande parte dos homens dirige-se toda para a conquista dos prazeres fugazes. Estamos numa época de materialismo absorvente, mais prático que teórico, que conquistou largas camadas da sociedade.
   Mas alguns dizem: sempre foi assim! Na verdade, ninguém ignora que também no passado a humanidade teve os seus desregramentos e que passou por situações morais muito graves. Mas há uma grave diferença!
Outrora o homem apercebia-se das condições à que chegara, do mal que o afligia e isso dava-lhe a força necessária para se recompor. Hoje, pelo contrário, perdeu-se o sentido dos valores eternos, de tudo o que vai além da matéria, da lei gravada no íntimo do nosso espírito, perdeu-se a noção das responsabilidades. Podemos exclamar: Ó humanidade de outrora, quando pecavas, sentias remorsos e eras infeliz; ó humanidade moderna, pecas, ris e não sentes remorsos. És mais infeliz ainda! Pois, tens mais possibilidade de sê-lo eternamente!
    Constatamos com grande tristeza: são muitos aqueles que atraiçoam Deus e a Sua Lei, sem experimentarem vergonha ou remorso, sem recearem os castigos divinos. Quando muito, têm a paz do mundo; mas esta é enganosa.
   Caríssimos e amados leitores, terminemos com a ORAÇÃO DO PRIMEIRO DIA DO ANO:
   "Ó Deus eterno e onipotente, com a vossa graça damos princípio a este novo ano! Que será de nós no seu decurso? Passá-lo-emos santamente? Chegaremos até seu fim? Só vós o sabeis, Senhor. A nós só cumpre entregá-lo totalmente em vossas mãos, confiando unicamente na vossa misericórdia. Começamo-lo oferecendo-Vos as mais devotas e fervorosas homenagens do nosso coração, como as primícias deste novo ano.
   Nós Vos adoramos, Vos louvamos e Vos bendizemos, ó fonte de todo bem. Desejamos que sejais adorado, louvado e engrandecido por todas as criaturas. Consagramo-Vos o nosso corpo, a nossa alma, todos os nossos sentidos, todas as nossas faculdades e potências, e toda a nossa vida. Nós Vos oferecemos todos os nossos pensamentos, afetos, palavras e obras. Oh, quem nos dera passar este ano em perfeito holocausto à Vossa divina glória! Tais são nossos desejos. Mas, Senhor, Vós bem sabeis quão fracos e mesquinhos somos.
   Dignai-Vos, pois, derramar sobre nós a torrente de Vossas graças, para que, com elas fortificados, superemos os obstáculos, vençamos as dificuldades e só vivamos para a vossa honra e glória, e para a santificação de nossas almas, Virgem Santíssima, São José, anjo da nossa guarda, todos os santos e santas da corte do céu, intercedei por nós no decurso deste novo ano. Assim seja.
  

A CIRCUNCISÃO DO MENINO JESUS E PRIMEIRO DIA DO ANO

   Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo a Tito II, 11-15.
                   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas, II, 21:


 "Naquele tempo, depois que se completaram os oito dias para o Menino ser circuncidado, puseram-Lhe o nome de Jesus, como Lhe havia chamado o Anjo, antes que fosse concebido no seio materno".

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Circuncisão era uma cerimônia humilhante e dolorosa, ordenada por Deus a Abraão e aos seus descendentes, para constituir o selo da sua aliança com eles e um como sinal distintivo de um povo eleito. Diz assim o Livro do Gêneses no capítulo XVII, 9-12: "Disse mais Deus a Abraão: Tu. pois, guardarás a minha aliança, tu e os teus descendentes depois de ti, nas suas gerações. Eis o meu pacto, que haveis de guardar entre mim e vós, e a tua posteridade depois de ti: Todos os homens entre vós serão circuncidados; circundareis a carne do vosso prepúcio, para que seja o sinal da aliança entre mim e vós. O menino de oito dias será circuncidado entre vós, todos os homens nas vossas gerações...".
   Prescrita na época em que todos os povos se entregavam ao pecados da impureza e da idolatria, a circuncisão era: 1º - um símbolo de consagração a Deus e um ato de reconhecimento da sua soberania; 2º - um sinal do pecado, e ao mesmo tempo uma espécie de tributo ou satisfação para expiá-lo; 3º - um testemunho perpétuo da maldição das gerações humanas, e da necessidade de cortar o que pelas paixões sensuais  o pecado introduzir;  4º - enfim, um símbolo de fé e de esperança no Messias prometido, que havia de vir a resgatar o homem da escravatura do pecado, e a santificar a natureza humana. 
   A circuncisão não podia por si mesma perdoar o pecado: significava somente a fé. Diz Santo Tomás: "Na circuncisão se conferia a graça enquanto era sinal da paixão futura". Era uma figura do Batismo. Impunha-se um nome à criança, em recordação da mudança de nome que Deus prescreveu a Abraão, ordenando-lhe a circuncisão (Conf. Gêneses, XXVII, 5). 

   Mas, que faz Jesus Cristo no mistério da Circuncisão? Humilha-se, padece, salva, e recebe o nome de Jesus. 
   1- HUMILHA-SE: Divindade, santidade, geração inefável e eterna de seu Pai, geração milagrosa no seio virginal de Maria Santíssima: todos estes títulos isentavam o Salvador da circuncisão, e pareciam proibir-Lhe que se sujeitasse a ela, e, contudo, sujeita-se. O que tornava esta lei infinitamente humilhante para o Homem-Deus, é que ela supunha o pecado naquele que era circuncidado. O pecado e a santidade, o pecado e a divindade, que coisas mais incompatíveis? Mas o Filho de Deus fez-se homem para nos salvar do pecado. Quer repará-lo de um modo superabundante; por conseguinte é necessário que ele se revista, que sofra a vergonha que lhe está anexa. Desde então desparecem todas as suas grandezas; já não Lhe é permitido valer-se dos direitos de sua santidade e divindade, nem opor à lei as preeminências da sua origem. 
   Jesus tomou sobre Si todos os pecados da Humanidade. Diz São Paulo: "Aquele que não tinha conhecimento do pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nos tornássemos nele justiça de Deus" (II Cor. V, 21).  É, já na circuncisão que se realiza este prodígio de humildade.

   2- SOFRE: Desde o primeiro momento de sua conceição, e durante todo o tempo que passara no seio de Maria Santíssima, Jesus não cessava de se oferecer a seu Pai, como Cordeiro que havia de tirar os pecados do mundo. Era a oblação do sacrifício; mas, agora vai começar a imolação. É cortada sua carne inocente, e seu sangue corre. Ei-lo já sacerdote e vítima; derramando seu próprio sangue entra no santuário. "O pouco sangue que derrama hoje, diz Bossuet, promete a Deus o restante". 
   Sua circuncisão é o prelúdio e a aceitação solene de sua morte na Cruz. É como se ouvíssemos o Menino Jesus dizendo: Meu Pai, tendes agora em quem vingar a vossa glória ofendida; feri o Vosso Filho, mas poupai os homens!

   3- SALVA: A quem? A todos os filhos de Adão, se quiserem, visto que Ele vem oferecer a todos abundantes meios de santificação e salvação. Salva-nos dos nossos pecados, porque os expia; das nossas desobediências, com sua sujeição às leis que não Lhe dizem respeito; da nossa soberba, com as maiores humilhações, descendo tanto, quanto um Homem-Deus pode descer, até à semelhança do pecado; dos nossos prazeres sensuais, padecendo em tão tenra idade. 

   4- RECEBE O NOME DE JESUS:  Nome de paz e de amor, de conquista e de triunfo; nome poderoso que dissipa os receios, reanima as esperanças, acalma as tempestades da alma, suspende os esforços do demônio. O primeiro, o mais nobre, o mais suave, o mais amável de todos os nomes. Como diz São Bernardo: "O nome de Jesus é mel para os lábios, é melodia para os ouvidos e é júbilo para o coração". 

   
   Caríssimos e amados leitores! De coração, desejo a todos um 2019 santo e feliz, com graças abundantes e escolhidas de Nosso Senhor Jesus Cristo através de Sua Mãe Santíssima. Permitam-me um só conselho deste sacerdote amigo: Como resolução para este ano: REZAR MELHOR, pedindo a pureza e  o amor para sofrer pela Fé. Rezar o melhor possível o Santo Terço tão recomendado por Nossa Senhora em Fátima! Vamos nos esforçar para fazer todos os dias orações para que o Brasil nunca mais caia nas mãos dos comunistas.  

 ORAÇÃO DO PRIMEIRO DIA DO ANO

   "Ó Deus eterno e onipotente, com a Vossa graça damos princípio a este novo ano! Que será de nós no seu decurso? Passá-lo-emos santamente? Chegaremos até seu fim? Só Vós o sabeis, Senhor. A nós só cumpre entregá-lo totalmente em Vossas mãos, confiando unicamente na Vossa misericórdia. Começamo-lo oferecendo-vos as mais devotas e fervorosas homenagens do nosso coração, como as primícias deste novo ano.
  Nós Vos adoramos, Vos louvamos e Vos bendizemos, ó fonte de todo bem. Desejamos que sejais adorado, louvado e engrandecido por todas as criaturas. Consagramo- Vos o nosso corpo, a nossa alma, todos os nossos sentidos, todas as nossas faculdades e potências, e toda a nossa vida. Nós Vos oferecemos todos os nossos pensamentos, afetos, palavras e obras. Oh! quem nos dera passar este ano em perfeito holocausto à Vossa divina glória! Tais são nossos desejos. Mas, Senhor, Vós bem sabeis quão fracos e mesquinhos somos.
   Dignai-Vos, pois, derramar sobre nós a torrente de Vossas graças, para que, com elas fortificados, superemos os  obstáculos, vençamos as dificuldades e só vivamos para a Vossa honra e glória, e para a santificação de nossas almas. Virgem Santíssima, São José, anjo da nossa guarda, todos os santos e santas da corte do céu, intercedei por nós no decurso deste novo ano. Assim seja!

domingo, 30 de dezembro de 2018

EXPLICAÇÃO DO EVANGELHO DO DOMINGO DENTRO DA OITAVA DO NATAL


S. Lucas II, 33-40

"José e Maria, Mãe de Jesus, maravilhavam-se das coisas que se diziam d'Ele. Simeão os abençoou e disse a Maria, sua mãe: Eis que este (Menino) está posto para ruína e para ressurreição de muitos em Israel, e para ser alvo de contradição. E uma espada trespassará a tua alma, afim de se descobrirem os pensamentos escondidos nos corações de muitos. Havia também uma profetisa, (chamada) Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser; estava em idade muito avançada, tinha vivido sete anos com seu marido, desde a sua virgindade, e (permanecido) viúva até aos oitenta e quatro anos. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia com jejuns e orações. Ela também sobrevindo nesta mesma ocasião, louvava a Deus, e falava dele a todos os de Jerusalém, que esperavam a redenção. Depois que cumpriram tudo, segundo o que mandava a lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. O Menino crescia e se fortificava cheio de sabedoria, e a graça de Deus era com ele."

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

José e Maria maravilhavam-se das coisas que se diziam de Jesus. Mas esta admiração não datava deste dia somente. Maria, santíssima Mãe de Jesus, já havia admirado  a anunciação do Anjo, a saudação de sua prima Isabel, a demonstração de alegria do Precursor nos seio de sua mãe, os transportes de alegria de Zacarias no nascimento de seu filho João. José e Maria juntos já haviam admirado a alegria dos Anjos, e seus santos cânticos no nascimento do Salvador, a visita dos pastores, as adorações dos Reis Magos e enfim maravilharam-se neste momento, a chegada inesperada do Velho Simeão e o testemunho que acabava de dar do Cristo. Realmente quantos motivos de admiração: "uma virgem concebe, uma mulher estéril dá à luz, um mudo fala, Isabel profetiza, João salta de alegria no seio materno, os Magos adoram, uma viúva O confessa, um justo espera" (Cf. Amb. L. II, in Luc.).

Simeão os abençoa: É óbvio que não abençoa Jesus porque é o justo Simeão que desejava ser abençoado por Ele. Abençoa, portanto, José e Maria. Embora Maria e José  o ultrapassavam em santidade, Simeão possuía a dignidade sacerdotal que lhe dava o direito de abençoar o povo.

Caríssimos, meditemos profundamente naquela profecia de Simeão. Aqui este idoso justo se dirige só à Maria  porque Maria somente era verdadeiramente a mãe de Jesus, e José era apenas seu pai adotivo, portanto, pai só de nome.

Quando Simeão prediz que o Menino será ruína para muitos, certamente já era a ponta da espada de dor a ferir o imaculado Coração de Maria! Deus quer que todos os homens se salvem (Cf. 1 Tim., II, 4). O velho Simeão, é obvio, não quis dizer que Jesus seria causa da ruína de muitos (seria blasfêmia dizê-lo); queria sim dizer que seria ocasião. Antes já o havia explicado o profeta Isaías: "E será para vós um motivo de santificação, ao passo que servirá de pedra de tropeço, e de pedra de escândalo às duas casas de Israel; de laço e de ruína aos habitantes de Jerusalém" (Isaías VIII, 14 e 15). S. Paulo também o diz em Romanos IX, 33: "Eis que eu ponho em Sião uma pedra de tropeço; e uma pedra de escândalo; e todo aquele que crê nela, não será confundido". O próprio Jesus explicá-lo-á: "Se eu não tivesse vindo e não lhes tivesse falado, não teriam culpa, mas agora não têm desculpa de seu pecado" (S. João XV, 22). Jesus Cristo é o único Salvador; mas muitos O odiaram sem motivo. E rejeitar o Salvador é atrair para si a ruína.

Mas quando o Velho Simeão diz à Maria que Jesus foi estabelecido para a ressurreição de muitos, ele quer dizer que Jesus é a causa, e não somente a ocasião de sua salvação. Ele é a causa geral da salvação de todos os homens, pelo benefício da Redenção; Ele é a causa particular da salvação dos justos pela Sua graça. Ele nos abre a porta do céu pela sua Paixão e Morte. Ele nos mostra o caminho pela Sua lei, Ele nos guia pelos seus exemplos. Ele nos sustenta na graça pelos seus socorros. Nossa salvação vem d'Ele, enquanto nossa condenação vem de nós: "A tua perdição, ó Israel, vem de ti mesmo, só em mim está o teu auxílio" (Oseias XIII, 9).

Assim, Jesus Cristo foi a ressurreição de uns e a ruína de outros entre os filhos de Israel. O que Ele foi para o tempo em que viveu e para a nação que O possuiu, Ele não cessa de ser para as idades seguintes e para a universalidade do gênero humano. Nosso Senhor Jesus Cristo é a ressurreição de todos aqueles que escutam sua voz, que creem em sua palavra, que observam sua lei e todos aqueles que confiam n'Ele como o único Mestre divino. Por outro lado, Ele é ruína para aqueles que não querem ouvir sua doutrina, que recusam crer n'Ele e rejeitam seus ensinamentos e desobedecem seus preceitos.

O Velho Simeão acrescenta que Jesus será um sinal de contradição. Esta profecia se realizou completamente na vida de Jesus. Que espécie de contradição tenha lhe faltado? Contradição à Sua pessoa, pois, não teve onde repousar a cabeça; contradição às Suas ações cujos motivos foram deturpados; contradição em Seus milagres que foram atribuídos a Belzebu; contradição às Suas palavras, que foram julgadas com intenções pérfidas; contradição da parte dos fariseus que O caluniaram; da parte dos doutores que O desprezaram; da parte dos sacerdotes que O perseguiram; da parte do povo que, logo após querer aclamá-Lo rei, quis apedrejá-LO; mesmo da parte dos Apóstolos cuja ignorância e ridículas pretensões  Jesus se viu obrigado a suportar. E nestes dois mil anos e hoje especialmente, Jesus é alvo de contradição, objeto de ofensas pelas heresias e impiedades. Quantos Judas Iscariotes!... Quantos hierarcas eclesiásticos negam a Jesus diante dos inimigos, muitos dos quais estão inclusive infiltrados dentro da Igreja!

Pelos conhecimentos das profecias Messiânicas e agora sobretudo pela profecia do Velho Simeão, Maria Santíssima contemplava o seu Filho e tinha diante dos olhos aquela imagem que fora mostrada no céu, por uma revelação divina, a S. João Evangelista: "Vi um Cordeiro que estava de pé, parecendo ter sido imolado" (Cf. Apoc. V, 6). O Cordeiro divino imolado pela salvação do mundo! E que dor  para Maria saber que o Sangue deste Cordeiro (que é o sangue de seu Coração Imaculado) será sem utilidade para muitos: "Quae utilitas in sanguine meo?" E sua dor era naturalmente em proporção com seu amor. Ora, ela amava Jesus não somente como seu Filho, mas também como seu Deus.

Mas estas dores de Maria, estes tormentos e esta morte de Jesus teriam por efeito manifestar os corações de muitos. É nestas circunstâncias, com efeito, que se revelarão e se descobrirão as secretas disposições dos Judeus a respeito de Jesus; é, então, que aparecerão seus verdadeiros discípulos e que se farão conhecer seus inimigos. A tentação tem portanto esta utilidade de separar a palha do bom grão e os justos dos pecadores. A perseguição faz aparecer os mártires e patenteia os apóstatas; a heresia e o cisma colocam de um lado os filhos dóceis da Igreja e de outro, seus adversários. As seduções do mundo arrastam os fracos no caminho do mal, mas confirmam o fortes na senda do bem. As lutas presentes, as quais assistimos durante algum tempo, estes combates encarniçados do erro contra a verdade, estes ataques violentos a Jesus Cristo, à Igreja, ao sacerdócio, aos dogmas obrigam os indecisos a se pronunciarem. E ai deles se não o fizerem! Na verdade, os maus tornam-se piores, mas os bons se tornam melhores. E grande número de indiferentes saem do sono de sua tibieza e alguns chegam mesmo a ser campeões da fé.

E havia também uma profetiza chamada Ana etc.: Caríssimos, grande número de pessoas habitavam o Templo, muito mais ilustres e mais elevados em dignidade que Simeão e Ana: sacerdotes, escribas, doutores. Jesus não se manifesta a eles. O Evangelho nos faz entender que foram as virtudes de Ana que lhe atraíram esta grande dita: sua vida de oração, penitência e pureza. Sobretudo esta última: "Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus" (S. Mat. V, 8).


Caríssimos e amados irmãos, devemos crescer sem cessar, progredir sempre na piedade, na virtude e na graça de Deus. É o preceito que nos dá o primeiro Chefe visível da Igreja: "Crescei em graça e no conhecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo" (2 Pedro III, 18). Amém!

HOMILIA DO DOMINGO NA OITAVA DO NATAL - Com explicação da Epístola

   Leituras: da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Gálatas IV, 1-7.
   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas II, 33-40.

  
EXPLICAÇÃO DA EPÍSTOLA DA MISSA DO DOMINGO NA OITAVA DO NATAL

   Irmãos: Enquanto o herdeiro é menino, em nada difere do servo, ainda que de tudo seja senhor; mas está sujeito a tutores e procuradores até o tempo determinado pelo pai. Assim também nós, quando éramos meninos, éramos sujeitos às leis do mundo. Quando, porém, se cumpriu a plenitude do tempo, enviou Deus o seu Filho, nascido de uma mulher, sujeito à lei, a fim de remir os que à lei estavam sujeitos e para que recebêssemos a adoção de filhos. E porque sois filhos, enviou Deus a vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Abba, Pai. Portanto, já nenhum de vós é servo, mas filho; e se é filho, é também herdeiro por Deus. 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Em primeiro lugar darei uma explicação geral desta Epístola que acabamos de ler. Assim queria dizer o Apóstolo São Paulo: Meus irmãos, até quando o herdeiro for menino, não há diferença alguma entre ele e um servo. Pois, ainda que seja dono de todo o patrimônio, ainda assim, até quando não chegar a maior idade ou ao tempo marcado pelo pai, não pode dispor do que possui, sendo pelo contrário governado pelos seus tutores e administradores. Assim também, nós, os judeus, durante todo o tempo em que vivíamos sob a Lei Antiga éramos como crianças e, portanto, submissos servilmente a todas as exigências materiais que constituem o cerimonial da Lei Mosaica. Mas quando chegou o tempo estabelecido por Deus, nosso Pai, para a nossa emancipação, Ele enviou ao mundo seu Filho, formado no seio puríssimo da Virgem Maria, a fim de que, livrando-nos dos grilhões da lei, fôssemos adotados como filhos. E pois que somos filhos de Deus, enviou aos nossos corações o Divino Espírito Santo, que é o Espírito do Unigênito do Pai, infundindo-nos o amor filial que nos faz clamar a Deus com esse grito: Pai, meu Pai! Portanto, não somos mais servos e sim filhos e, como tais, herdeiros das promessas outrora feitas a Abraão. 

   As várias etapas que precederam a vinda do Messias vêm constituir no dizer de São Paulo a época da minoridade, em que o gênero humano possuindo embora o grande tesouro das promessas, delas ainda não podia usufruir. Por Nosso Senhor Jesus emancipados da lei antiga que nos fazia escravos, por Ele entramos na plena posse da nossa herança, que nos faz, doravante, filhos de Deus. Assim, não somos mais escravos e sim filhos, e, como tais, herdeiros do reino dos céus. 

   Caríssimos, nisto está toda a nossa dignidade: Somos filhos de Deus! 
   A uma filha de um rei de França que repreendia asperamente uma sua criada, , dizendo-lhe: "Eu sou filha de um rei", retrucava-lhe a criada: "E, eu sou filha de Deus!" 

   Caríssimos, embora, demore um pouco mais, vale a pena meditarmos sobre esta filiação divina que Jesus nos mereceu. Na verdade, se quisermos apreciar pela sua justa medida o valor da graça, é mister vermos o que fizeram as três Pessoas Divinas para no-la comunicar. O Pai tem apenas um Filho, que é a sua imagem viva e substancial, um Filho que Ele ama como a si mesmo. Ora, este Filho, Ele entrega-O, encarna-O, sacrifica-O para nos dar a vida da graça, que tínhamos perdido pelo pecado de Adão. "De tal modo Deus amou o mundo, que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele acredita não morra, mas tenha a vida eterna" (S. João III, 16). O Filho era completamente feliz no seio do Pai; amado por Ele com um amor infinito e amando-O com um amor recíproco, não tinha nenhuma necessidade de nós. E, no entanto, por amor do Pai, como por amor de nós, consente em fazer-se homem para nos divinizar, consente em abraçar as nossas necessidades e dores, em sofrer e morrer por nós numa cruz, para nos ser restituída a vida que perdêramos em Adão. "Cristo amou-nos e entregou-se por nós em oblação e sacrifício de suave odor" (Efésios V, 2), a fim de que purificados pela virtude do seu sangue e do seu amor, vivêssemos da sua vida. O Espírito Santo, laço de amor entre o Pai e o Filho, igual aos dois, gozando da mesma felicidade que Eles, não tinha, certamente, necessidade do nosso amor. E, apesar disso, para nos santificar, aplicando-nos os méritos do Filho, desce ao nosso pobre coração, expulsa de lá o pecado, adorna-o da graça e das virtudes e dá-se-nos Ele próprio, para que gozemos da sua presença e dos seus dons, na expectativa da eterna posse de Deus: "O amor de Deus", diz-nos São Paulo, " foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi dado" (Romanos, V, 5).

   Caríssimos, terminemos com a exortação de São Leão Magno: "Reconhece, cristão, a tua dignidade e, visto que és participante da natureza divina, não voltes, por uma conduta desregrada, à tua antiga baixeza. Lembra-te de que corpo és membro e quem é o teu chefe. Lembra-te de como foste arrancado ao poder das trevas e transportado para o reino da luz, como o santo batismo te consagrou templo do Espírito Santo". Amém!.


DOMINGO DENTRO DA OITAVA DO NATAL

HOMILIA DOMINICAL COM EXPLICAÇÃO DO SANTO EVANGELHO

Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Gal. 4, 1-7.
                Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas, 2, 33-40:

   "Naquele tempo, José e Maria, Mãe de Jesus, maravilhavam-se das coisas que se diziam d'Ele. E Simeão abençoou-os, e disse a Maria, Sua Mãe: Eis que este menino está posto para ruína e ressurreição de muitos em Israel, e em sinal de contradição. E uma espada transpassará a tua alma, para que se manifestem os pensamentos dos corações de muitos. E estava também ali Ana, profetisa, filha de Fanuel, da tribo de Aser, a qual já era de idade avançada; e depois de sua virgindade tinha vivido sete anos com seu marido. E agora, sendo viúva de quase oitenta e quatro anos, não se afastava do templo, servindo a Deus com jejuns e orações, de dia e de noite. Tendo ela chegado àquela mesma hora, louvava ao Senhor e falava do Menino a todos os que esperavam a redenção de Israel. E quando cumpriram todas as coisas segundo a lei do Senhor, voltaram [José e Maria] para Galileia, para a cidade de Nazaré. E o menino crescia e se fortalecia, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com Ele."

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Depois que o santo velho Simeão satisfez a sua devoção, publicando o glorioso destino do Menino que tinha nos braços, entregou-O à sua Mãe Santíssima, e fez uma profecia sobre Jesus que seria já a ponta daquela espada de dor que transpassaria inteiramente o coração de Nossa Senhora lá no alto do Calvário: "Eis que este menino está posto para ruína e ressurreição de muitos em Israel, e em sinal de contradição."  Que aflição lhe causariam estas palavras do profeta! É a Maria diretamente, é ao seu coração de mãe que Simeão as dirige: "Disse a Maria, Sua Mãe". É como se dissesse: "Este Filho que vos é tão caro; este Deus, feito homem para salvar a todos os homens: ai! não os salvará a todos; será para muitos objeto de escândalo; oh! para quantos será ocasião de ruínas! O Salvador das almas será ocasião de perdição de almas, não de algumas somente, mas de um grande número, multorum (de muitos)! Triste mistério da perversidade humana! E isto já fora profetizado: "... E será para vós um motivo de santificação, ao passo que servirá de pedra de tropeço, e de pedra de escândalo às duas casas de Israel; de laço e de ruína aos habitantes de Jerusalém. Tropeçarão muitos de entre eles, cairão, serão feitos em pedaços" (Isaías, VIII, 14 e 15).
   São Paulo mostrava este oráculo já cumprido no seu tempo; e nos nossos dias não o está menos: "Mas Israel, que seguia a lei da justiça, não chegou à lei da justiça. Por que causa? Porque procurou atingi-la não pela fé, mas pelas obras; tropeçaram na pedra de tropeço, conforme está escrito: eis que eu ponho em Sião uma pedra de tropeço, e uma pedra de escândalo; e todo aquele que crê nela, não será confundido". São Paulo aqui quer dizer o seguinte: Israel não chegou a praticar a Lei, porque não compreendeu o seu espírito, mas somente a letra; nem chegou à justiça à qual a Lei tendia, porque não praticou a Lei pela fé em Nosso Senhor Jesus Cristo que haveria de vir, mas, acreditando que alcançaria a salvação graças ao esforço pessoal em praticar a Lei.
   Os judeus não quiseram receber o Messias: "E os seus não o receberam' (S. Jo. I, 11).  Recusando a luz e rejeitando a salvação, tornaram-se mais culpados e desgraçados pelo abuso que fizeram dos meios de salvação que lhes eram oferecidos. É portanto verdade que Jesus Cristo tem sido ocasião de ruína: mas para quem? Para cegos voluntários, para homens ingratos e invejosos, para escribas e fariseus, que se obstinavam em ser maus, porque Ele era bom, e não podiam perdoar-Lhe os seus milagres, os seus benefícios, a sua virtude, e a afeição do povo que essa virtude Lhe granjeava. Aqueles a quem a infinita misericórdia não justifica, a esses condena-os.

   "Será alvo de contradição!" Estas palavras são a explicação das precedentes. Por que não salva o Redentor dos homens a todos aqueles a quem oferece a salvação? Por que não eleva todas as almas justas ao grau de santidade e glória que lhes destinava? PORQUE É OBJETO DE CONTRADIÇÃO. Foi-o durante a sua vida, de todas as maneiras e da parte de todos; é-o ainda hoje. Os seus milagres, a sua doutrina, a sua condescendência e afabilidade: tudo n'Ele foi e é atacado e combatido. Que horrível contradição não sofreu no Calvário da parte dos pecadores! "Considerai, pois, Aquele que sofreu tal contradição dos pecadores contra si, e não vos deixeis cair no desânimo" (Hebr. XII, 3). Mas esses não O conheciam: "Se a (Sabedoria de Deus) tivessem conhecido, nunca teriam crucificado o Senhor da Glória" (1 Cor. II, 8). Jesus pôde dizer a seu Pai: "Perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem". Mas, que doloroso é para o seu coração, ver-se contradito por aqueles que Ele tinha instruído com tanto cuidado, e a quem tinha confiado a instrução de seus irmãos! Amar os elogios, rejeitar as humilhações, buscar as comodidades, não querer negar-se a si mesmo, nem tomar a sua cruz, é contradizer a Jesus Cristo, é combatê-Lo. E não é isto Senhor, o que eu faço muitas vezes? Minhas palavras são por Vós; mas a minha vida é contra Vós; o meu modo de proceder está em contradição com as vossas máximas e exemplos. Se, portanto, não me ponho de acordo convosco, enquanto estou no caminho desta vida, que acharei no termo da viagem, senão uma terrível sentença, uma rigorosa condenação? Meu Deus, suplico-Vos que extirpeis do meu coração tudo, absolutamente tudo quanto se opõe à Vossa santíssima vontade.
   Ó Maria Santíssima, que lágrimas derramastes, que angústias sofrestes por nossa causa! Apesar de nossos crimes, amais-nos sempre. Sede junto do Vosso Filho, a nossa poderosa advogada e Mãe. Alcançai-nos que não aflijamos mais o Seu divino Coração, mas sim, como vós, o sigamos com fidelidade até aos pés dessa Cruz que hoje se vos apresenta. Amém!