SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

PRIMEIRO DIA DO ANO

    Aos caríssimos leitores um Santo e Feliz Ano Novo!

   Na Santa Madre Igreja, no primeiro dia do ano, celebra-se o Mistério da Circuncisão do Menino Jesus.
    Em todo orbe, celebra-se o Dia Universal da Paz.
    A lei da Circuncisão não podia de modo algum atingir a Jesus, o Filho de Deus, o Santo por excelência; mas Jesus quer submeter-se a ela como o último dos filhos de Abraão, porque, como ensina S. Paulo, "Ele deveu em tudo ser semelhante a seus irmãos para expiar os pecados do povo" (Hebr. II, 17). Oito dias depois do Seu nascimento, Jesus inicia assim a Sua missão cruenta de Redentor; ainda não fala, o mundo ainda não O conhece e Ele derrama já o Seu Sangue pela salvação do mundo. Contemplando-O, aprendemos que as obras valem mais que as palavras, e que quanto mais sacrifício custam, tanto mais são prova de verdadeiro amor. Toda a obra, para ser fecunda, deve ter o seu batismo de sangue. As obras de Deus, só florescem e frutificam à sombra da árvore da Cruz.
    Comecemos o ano circuncidando os nossos corações. Ano novo, vida nova; vida nova porque, circundando nós o "homem velho" com os seus vícios e as suas paixões, crescerá em nós o "cristão"; criatura nova, purificada com o Sangue de Cristo, vivificada e alimentada com a Sua graça, de modo que não mais vivamos nós, mas que Cristo viva em nós. O ano que hoje começa só tem valor se, dia após dia, a graça triunfar cada vez mais em nós, fazendo crescer nas nossas almas a vida de Cristo.
    Outra lição da festa de hoje é a humilde submissão de Jesus à vontade de Seu Pai manifestada através da lei; vejamos nisto um convite a aderir docilmente à vontade de Deus, qualquer que ela seja. Nenhum de nós pode saber o que nos espera neste ano novo; mas Deus sabe. Disponhamo-nos a aceitar e abraçar com coragem e prontidão todo o querer divino, toda a permissão divina, certos de que só na santa e santificante vontade de Deus encontraremos a nossa paz e poderemos levá-la aos demais.
   "A paz, diz Santo Agostinho, é a tranquilidade da ordem. É necessário ter bem em mente que há uma ordem nas coisas, e que esta ordem tem de ser reconhecida e respeitada. Acima de tudo está Deus; um Deus pessoal, eterno, infinito nas Suas perfeições, pelo qual tudo foi criado e de quem tudo depende. Ele é o nosso Senhor, o nosso Legislador e Juiz e sobretudo o nosso Pai. Viemos de Deus, dependemos d'Ele e para Ele devemos voltar, a fim de vivermos a eternidade no Seu amor. A vida presente é uma viagem a terras longínquas, destinada a provocar a nostalgia do lar paterno, é uma peregrinação no tempo para nos fazer sentir a necessidade da eternidade, é a vida no contingente e no finito para despertar em nós a necessidade do absoluto e do infinito.
   O repúdio dos mandamentos de Deus e de toda a autoridade, a anarquia que verificamos e deploramos, tudo isto é conseqüência lógica da situação que se criou com a negação de Deus, a negação do espírito, a negação da lei divina e dos valores superiores e eternos. Infelizmente, e isto também no Brasil, os comunistas fizeram nas escolas, faculdades e universidades, uma lavagem cerebral banindo na maior parte das mentes a ideia de Deus, inoculando o puro materialismo.
    Negada a existência de Deus, perturbada a ordem imposta por Ele, tudo se perturba, tudo se arruína, ficando só agitação e a desordem, que do coração de cada um passam para a família, para a sociedade, para o mundo inteiro. "Sinto-me como um rato que ingeriu veneno - confessava Göethe numa das suas obras: - mete-se em todos os buracos, bebe todos os líquidos, devora tudo o que encontra no caminho, mas não consegue extinguir o fogo que o devora". Assim acontece com a sociedade moderna que ingeriu o veneno da incredulidade e do indiferentismo propinado há séculos. Não encontra descanso, nem terreno onde se sustente. Os seus ídolos caem uns atrás dos outros, os seus ideais desfazem-se miseravelmente.
   A vida é mal entendida e mal dirigida. Colocam-se os valores materiais acima dos valores do espírito, os negócios que dizem respeito ao tempo acima dos negócios que se referem à eternidade; trabalha-se incansavelmente pelas coisas que têm um valor limitado e relativo, com prejuízo das que têm valor infinito e absoluto. A atividade de uma grande parte dos homens dirige-se toda para a conquista dos prazeres fugazes. Estamos numa época de materialismo absorvente, mais prático que teórico, que conquistou largas camadas da sociedade.
   Mas alguns dizem: sempre foi assim! Na verdade, ninguém ignora que também no passado a humanidade teve os seus desregramentos e que passou por situações morais muito graves. Mas há uma grave diferença!
Outrora o homem apercebia-se das condições à que chegara, do mal que o afligia e isso dava-lhe a força necessária para se recompor. Hoje, pelo contrário, perdeu-se o sentido dos valores eternos, de tudo o que vai além da matéria, da lei gravada no íntimo do nosso espírito, perdeu-se a noção das responsabilidades. Podemos exclamar: Ó humanidade de outrora, quando pecavas, sentias remorsos e eras infeliz; ó humanidade moderna, pecas, ris e não sentes remorsos. És mais infeliz ainda! Pois, tens mais possibilidade de sê-lo eternamente!
    Constatamos com grande tristeza: são muitos aqueles que atraiçoam Deus e a Sua Lei, sem experimentarem vergonha ou remorso, sem recearem os castigos divinos. Quando muito, têm a paz do mundo; mas esta é enganosa.
   Caríssimos e amados leitores, terminemos com a ORAÇÃO DO PRIMEIRO DIA DO ANO:
   "Ó Deus eterno e onipotente, com a vossa graça damos princípio a este novo ano! Que será de nós no seu decurso? Passá-lo-emos santamente? Chegaremos até seu fim? Só vós o sabeis, Senhor. A nós só cumpre entregá-lo totalmente em vossas mãos, confiando unicamente na vossa misericórdia. Começamo-lo oferecendo-Vos as mais devotas e fervorosas homenagens do nosso coração, como as primícias deste novo ano.
   Nós Vos adoramos, Vos louvamos e Vos bendizemos, ó fonte de todo bem. Desejamos que sejais adorado, louvado e engrandecido por todas as criaturas. Consagramo-Vos o nosso corpo, a nossa alma, todos os nossos sentidos, todas as nossas faculdades e potências, e toda a nossa vida. Nós Vos oferecemos todos os nossos pensamentos, afetos, palavras e obras. Oh, quem nos dera passar este ano em perfeito holocausto à Vossa divina glória! Tais são nossos desejos. Mas, Senhor, Vós bem sabeis quão fracos e mesquinhos somos.
   Dignai-Vos, pois, derramar sobre nós a torrente de Vossas graças, para que, com elas fortificados, superemos os obstáculos, vençamos as dificuldades e só vivamos para a vossa honra e glória, e para a santificação de nossas almas, Virgem Santíssima, São José, anjo da nossa guarda, todos os santos e santas da corte do céu, intercedei por nós no decurso deste novo ano. Assim seja.
  

A CIRCUNCISÃO DO MENINO JESUS E PRIMEIRO DIA DO ANO

   Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo a Tito II, 11-15.
                   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas, II, 21:


 "Naquele tempo, depois que se completaram os oito dias para o Menino ser circuncidado, puseram-Lhe o nome de Jesus, como Lhe havia chamado o Anjo, antes que fosse concebido no seio materno".

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Circuncisão era uma cerimônia humilhante e dolorosa, ordenada por Deus a Abraão e aos seus descendentes, para constituir o selo da sua aliança com eles e um como sinal distintivo de um povo eleito. Diz assim o Livro do Gêneses no capítulo XVII, 9-12: "Disse mais Deus a Abraão: Tu. pois, guardarás a minha aliança, tu e os teus descendentes depois de ti, nas suas gerações. Eis o meu pacto, que haveis de guardar entre mim e vós, e a tua posteridade depois de ti: Todos os homens entre vós serão circuncidados; circundareis a carne do vosso prepúcio, para que seja o sinal da aliança entre mim e vós. O menino de oito dias será circuncidado entre vós, todos os homens nas vossas gerações...".
   Prescrita na época em que todos os povos se entregavam ao pecados da impureza e da idolatria, a circuncisão era: 1º - um símbolo de consagração a Deus e um ato de reconhecimento da sua soberania; 2º - um sinal do pecado, e ao mesmo tempo uma espécie de tributo ou satisfação para expiá-lo; 3º - um testemunho perpétuo da maldição das gerações humanas, e da necessidade de cortar o que pelas paixões sensuais  o pecado introduzir;  4º - enfim, um símbolo de fé e de esperança no Messias prometido, que havia de vir a resgatar o homem da escravatura do pecado, e a santificar a natureza humana. 
   A circuncisão não podia por si mesma perdoar o pecado: significava somente a fé. Diz Santo Tomás: "Na circuncisão se conferia a graça enquanto era sinal da paixão futura". Era uma figura do Batismo. Impunha-se um nome à criança, em recordação da mudança de nome que Deus prescreveu a Abraão, ordenando-lhe a circuncisão (Conf. Gêneses, XXVII, 5). 

   Mas, que faz Jesus Cristo no mistério da Circuncisão? Humilha-se, padece, salva, e recebe o nome de Jesus. 
   1- HUMILHA-SE: Divindade, santidade, geração inefável e eterna de seu Pai, geração milagrosa no seio virginal de Maria Santíssima: todos estes títulos isentavam o Salvador da circuncisão, e pareciam proibir-Lhe que se sujeitasse a ela, e, contudo, sujeita-se. O que tornava esta lei infinitamente humilhante para o Homem-Deus, é que ela supunha o pecado naquele que era circuncidado. O pecado e a santidade, o pecado e a divindade, que coisas mais incompatíveis? Mas o Filho de Deus fez-se homem para nos salvar do pecado. Quer repará-lo de um modo superabundante; por conseguinte é necessário que ele se revista, que sofra a vergonha que lhe está anexa. Desde então desparecem todas as suas grandezas; já não Lhe é permitido valer-se dos direitos de sua santidade e divindade, nem opor à lei as preeminências da sua origem. 
   Jesus tomou sobre Si todos os pecados da Humanidade. Diz São Paulo: "Aquele que não tinha conhecimento do pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nos tornássemos nele justiça de Deus" (II Cor. V, 21).  É, já na circuncisão que se realiza este prodígio de humildade.

   2- SOFRE: Desde o primeiro momento de sua conceição, e durante todo o tempo que passara no seio de Maria Santíssima, Jesus não cessava de se oferecer a seu Pai, como Cordeiro que havia de tirar os pecados do mundo. Era a oblação do sacrifício; mas, agora vai começar a imolação. É cortada sua carne inocente, e seu sangue corre. Ei-lo já sacerdote e vítima; derramando seu próprio sangue entra no santuário. "O pouco sangue que derrama hoje, diz Bossuet, promete a Deus o restante". 
   Sua circuncisão é o prelúdio e a aceitação solene de sua morte na Cruz. É como se ouvíssemos o Menino Jesus dizendo: Meu Pai, tendes agora em quem vingar a vossa glória ofendida; feri o Vosso Filho, mas poupai os homens!

   3- SALVA: A quem? A todos os filhos de Adão, se quiserem, visto que Ele vem oferecer a todos abundantes meios de santificação e salvação. Salva-nos dos nossos pecados, porque os expia; das nossas desobediências, com sua sujeição às leis que não Lhe dizem respeito; da nossa soberba, com as maiores humilhações, descendo tanto, quanto um Homem-Deus pode descer, até à semelhança do pecado; dos nossos prazeres sensuais, padecendo em tão tenra idade. 

   4- RECEBE O NOME DE JESUS:  Nome de paz e de amor, de conquista e de triunfo; nome poderoso que dissipa os receios, reanima as esperanças, acalma as tempestades da alma, suspende os esforços do demônio. O primeiro, o mais nobre, o mais suave, o mais amável de todos os nomes. Como diz São Bernardo: "O nome de Jesus é mel para os lábios, é melodia para os ouvidos e é júbilo para o coração". 

   
   Caríssimos e amados leitores! De coração, desejo a todos um 2019 santo e feliz, com graças abundantes e escolhidas de Nosso Senhor Jesus Cristo através de Sua Mãe Santíssima. Permitam-me um só conselho deste sacerdote amigo: Como resolução para este ano: REZAR MELHOR, pedindo a pureza e  o amor para sofrer pela Fé. Rezar o melhor possível o Santo Terço tão recomendado por Nossa Senhora em Fátima! Vamos nos esforçar para fazer todos os dias orações para que o Brasil nunca mais caia nas mãos dos comunistas.  

 ORAÇÃO DO PRIMEIRO DIA DO ANO

   "Ó Deus eterno e onipotente, com a Vossa graça damos princípio a este novo ano! Que será de nós no seu decurso? Passá-lo-emos santamente? Chegaremos até seu fim? Só Vós o sabeis, Senhor. A nós só cumpre entregá-lo totalmente em Vossas mãos, confiando unicamente na Vossa misericórdia. Começamo-lo oferecendo-vos as mais devotas e fervorosas homenagens do nosso coração, como as primícias deste novo ano.
  Nós Vos adoramos, Vos louvamos e Vos bendizemos, ó fonte de todo bem. Desejamos que sejais adorado, louvado e engrandecido por todas as criaturas. Consagramo- Vos o nosso corpo, a nossa alma, todos os nossos sentidos, todas as nossas faculdades e potências, e toda a nossa vida. Nós Vos oferecemos todos os nossos pensamentos, afetos, palavras e obras. Oh! quem nos dera passar este ano em perfeito holocausto à Vossa divina glória! Tais são nossos desejos. Mas, Senhor, Vós bem sabeis quão fracos e mesquinhos somos.
   Dignai-Vos, pois, derramar sobre nós a torrente de Vossas graças, para que, com elas fortificados, superemos os  obstáculos, vençamos as dificuldades e só vivamos para a Vossa honra e glória, e para a santificação de nossas almas. Virgem Santíssima, São José, anjo da nossa guarda, todos os santos e santas da corte do céu, intercedei por nós no decurso deste novo ano. Assim seja!

domingo, 30 de dezembro de 2018

EXPLICAÇÃO DO EVANGELHO DO DOMINGO DENTRO DA OITAVA DO NATAL


S. Lucas II, 33-40

"José e Maria, Mãe de Jesus, maravilhavam-se das coisas que se diziam d'Ele. Simeão os abençoou e disse a Maria, sua mãe: Eis que este (Menino) está posto para ruína e para ressurreição de muitos em Israel, e para ser alvo de contradição. E uma espada trespassará a tua alma, afim de se descobrirem os pensamentos escondidos nos corações de muitos. Havia também uma profetisa, (chamada) Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser; estava em idade muito avançada, tinha vivido sete anos com seu marido, desde a sua virgindade, e (permanecido) viúva até aos oitenta e quatro anos. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia com jejuns e orações. Ela também sobrevindo nesta mesma ocasião, louvava a Deus, e falava dele a todos os de Jerusalém, que esperavam a redenção. Depois que cumpriram tudo, segundo o que mandava a lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. O Menino crescia e se fortificava cheio de sabedoria, e a graça de Deus era com ele."

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

José e Maria maravilhavam-se das coisas que se diziam de Jesus. Mas esta admiração não datava deste dia somente. Maria, santíssima Mãe de Jesus, já havia admirado  a anunciação do Anjo, a saudação de sua prima Isabel, a demonstração de alegria do Precursor nos seio de sua mãe, os transportes de alegria de Zacarias no nascimento de seu filho João. José e Maria juntos já haviam admirado a alegria dos Anjos, e seus santos cânticos no nascimento do Salvador, a visita dos pastores, as adorações dos Reis Magos e enfim maravilharam-se neste momento, a chegada inesperada do Velho Simeão e o testemunho que acabava de dar do Cristo. Realmente quantos motivos de admiração: "uma virgem concebe, uma mulher estéril dá à luz, um mudo fala, Isabel profetiza, João salta de alegria no seio materno, os Magos adoram, uma viúva O confessa, um justo espera" (Cf. Amb. L. II, in Luc.).

Simeão os abençoa: É óbvio que não abençoa Jesus porque é o justo Simeão que desejava ser abençoado por Ele. Abençoa, portanto, José e Maria. Embora Maria e José  o ultrapassavam em santidade, Simeão possuía a dignidade sacerdotal que lhe dava o direito de abençoar o povo.

Caríssimos, meditemos profundamente naquela profecia de Simeão. Aqui este idoso justo se dirige só à Maria  porque Maria somente era verdadeiramente a mãe de Jesus, e José era apenas seu pai adotivo, portanto, pai só de nome.

Quando Simeão prediz que o Menino será ruína para muitos, certamente já era a ponta da espada de dor a ferir o imaculado Coração de Maria! Deus quer que todos os homens se salvem (Cf. 1 Tim., II, 4). O velho Simeão, é obvio, não quis dizer que Jesus seria causa da ruína de muitos (seria blasfêmia dizê-lo); queria sim dizer que seria ocasião. Antes já o havia explicado o profeta Isaías: "E será para vós um motivo de santificação, ao passo que servirá de pedra de tropeço, e de pedra de escândalo às duas casas de Israel; de laço e de ruína aos habitantes de Jerusalém" (Isaías VIII, 14 e 15). S. Paulo também o diz em Romanos IX, 33: "Eis que eu ponho em Sião uma pedra de tropeço; e uma pedra de escândalo; e todo aquele que crê nela, não será confundido". O próprio Jesus explicá-lo-á: "Se eu não tivesse vindo e não lhes tivesse falado, não teriam culpa, mas agora não têm desculpa de seu pecado" (S. João XV, 22). Jesus Cristo é o único Salvador; mas muitos O odiaram sem motivo. E rejeitar o Salvador é atrair para si a ruína.

Mas quando o Velho Simeão diz à Maria que Jesus foi estabelecido para a ressurreição de muitos, ele quer dizer que Jesus é a causa, e não somente a ocasião de sua salvação. Ele é a causa geral da salvação de todos os homens, pelo benefício da Redenção; Ele é a causa particular da salvação dos justos pela Sua graça. Ele nos abre a porta do céu pela sua Paixão e Morte. Ele nos mostra o caminho pela Sua lei, Ele nos guia pelos seus exemplos. Ele nos sustenta na graça pelos seus socorros. Nossa salvação vem d'Ele, enquanto nossa condenação vem de nós: "A tua perdição, ó Israel, vem de ti mesmo, só em mim está o teu auxílio" (Oseias XIII, 9).

Assim, Jesus Cristo foi a ressurreição de uns e a ruína de outros entre os filhos de Israel. O que Ele foi para o tempo em que viveu e para a nação que O possuiu, Ele não cessa de ser para as idades seguintes e para a universalidade do gênero humano. Nosso Senhor Jesus Cristo é a ressurreição de todos aqueles que escutam sua voz, que creem em sua palavra, que observam sua lei e todos aqueles que confiam n'Ele como o único Mestre divino. Por outro lado, Ele é ruína para aqueles que não querem ouvir sua doutrina, que recusam crer n'Ele e rejeitam seus ensinamentos e desobedecem seus preceitos.

O Velho Simeão acrescenta que Jesus será um sinal de contradição. Esta profecia se realizou completamente na vida de Jesus. Que espécie de contradição tenha lhe faltado? Contradição à Sua pessoa, pois, não teve onde repousar a cabeça; contradição às Suas ações cujos motivos foram deturpados; contradição em Seus milagres que foram atribuídos a Belzebu; contradição às Suas palavras, que foram julgadas com intenções pérfidas; contradição da parte dos fariseus que O caluniaram; da parte dos doutores que O desprezaram; da parte dos sacerdotes que O perseguiram; da parte do povo que, logo após querer aclamá-Lo rei, quis apedrejá-LO; mesmo da parte dos Apóstolos cuja ignorância e ridículas pretensões  Jesus se viu obrigado a suportar. E nestes dois mil anos e hoje especialmente, Jesus é alvo de contradição, objeto de ofensas pelas heresias e impiedades. Quantos Judas Iscariotes!... Quantos hierarcas eclesiásticos negam a Jesus diante dos inimigos, muitos dos quais estão inclusive infiltrados dentro da Igreja!

Pelos conhecimentos das profecias Messiânicas e agora sobretudo pela profecia do Velho Simeão, Maria Santíssima contemplava o seu Filho e tinha diante dos olhos aquela imagem que fora mostrada no céu, por uma revelação divina, a S. João Evangelista: "Vi um Cordeiro que estava de pé, parecendo ter sido imolado" (Cf. Apoc. V, 6). O Cordeiro divino imolado pela salvação do mundo! E que dor  para Maria saber que o Sangue deste Cordeiro (que é o sangue de seu Coração Imaculado) será sem utilidade para muitos: "Quae utilitas in sanguine meo?" E sua dor era naturalmente em proporção com seu amor. Ora, ela amava Jesus não somente como seu Filho, mas também como seu Deus.

Mas estas dores de Maria, estes tormentos e esta morte de Jesus teriam por efeito manifestar os corações de muitos. É nestas circunstâncias, com efeito, que se revelarão e se descobrirão as secretas disposições dos Judeus a respeito de Jesus; é, então, que aparecerão seus verdadeiros discípulos e que se farão conhecer seus inimigos. A tentação tem portanto esta utilidade de separar a palha do bom grão e os justos dos pecadores. A perseguição faz aparecer os mártires e patenteia os apóstatas; a heresia e o cisma colocam de um lado os filhos dóceis da Igreja e de outro, seus adversários. As seduções do mundo arrastam os fracos no caminho do mal, mas confirmam o fortes na senda do bem. As lutas presentes, as quais assistimos durante algum tempo, estes combates encarniçados do erro contra a verdade, estes ataques violentos a Jesus Cristo, à Igreja, ao sacerdócio, aos dogmas obrigam os indecisos a se pronunciarem. E ai deles se não o fizerem! Na verdade, os maus tornam-se piores, mas os bons se tornam melhores. E grande número de indiferentes saem do sono de sua tibieza e alguns chegam mesmo a ser campeões da fé.

E havia também uma profetiza chamada Ana etc.: Caríssimos, grande número de pessoas habitavam o Templo, muito mais ilustres e mais elevados em dignidade que Simeão e Ana: sacerdotes, escribas, doutores. Jesus não se manifesta a eles. O Evangelho nos faz entender que foram as virtudes de Ana que lhe atraíram esta grande dita: sua vida de oração, penitência e pureza. Sobretudo esta última: "Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus" (S. Mat. V, 8).


Caríssimos e amados irmãos, devemos crescer sem cessar, progredir sempre na piedade, na virtude e na graça de Deus. É o preceito que nos dá o primeiro Chefe visível da Igreja: "Crescei em graça e no conhecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo" (2 Pedro III, 18). Amém!

HOMILIA DO DOMINGO NA OITAVA DO NATAL - Com explicação da Epístola

   Leituras: da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Gálatas IV, 1-7.
   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas II, 33-40.

  
EXPLICAÇÃO DA EPÍSTOLA DA MISSA DO DOMINGO NA OITAVA DO NATAL

   Irmãos: Enquanto o herdeiro é menino, em nada difere do servo, ainda que de tudo seja senhor; mas está sujeito a tutores e procuradores até o tempo determinado pelo pai. Assim também nós, quando éramos meninos, éramos sujeitos às leis do mundo. Quando, porém, se cumpriu a plenitude do tempo, enviou Deus o seu Filho, nascido de uma mulher, sujeito à lei, a fim de remir os que à lei estavam sujeitos e para que recebêssemos a adoção de filhos. E porque sois filhos, enviou Deus a vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Abba, Pai. Portanto, já nenhum de vós é servo, mas filho; e se é filho, é também herdeiro por Deus. 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Em primeiro lugar darei uma explicação geral desta Epístola que acabamos de ler. Assim queria dizer o Apóstolo São Paulo: Meus irmãos, até quando o herdeiro for menino, não há diferença alguma entre ele e um servo. Pois, ainda que seja dono de todo o patrimônio, ainda assim, até quando não chegar a maior idade ou ao tempo marcado pelo pai, não pode dispor do que possui, sendo pelo contrário governado pelos seus tutores e administradores. Assim também, nós, os judeus, durante todo o tempo em que vivíamos sob a Lei Antiga éramos como crianças e, portanto, submissos servilmente a todas as exigências materiais que constituem o cerimonial da Lei Mosaica. Mas quando chegou o tempo estabelecido por Deus, nosso Pai, para a nossa emancipação, Ele enviou ao mundo seu Filho, formado no seio puríssimo da Virgem Maria, a fim de que, livrando-nos dos grilhões da lei, fôssemos adotados como filhos. E pois que somos filhos de Deus, enviou aos nossos corações o Divino Espírito Santo, que é o Espírito do Unigênito do Pai, infundindo-nos o amor filial que nos faz clamar a Deus com esse grito: Pai, meu Pai! Portanto, não somos mais servos e sim filhos e, como tais, herdeiros das promessas outrora feitas a Abraão. 

   As várias etapas que precederam a vinda do Messias vêm constituir no dizer de São Paulo a época da minoridade, em que o gênero humano possuindo embora o grande tesouro das promessas, delas ainda não podia usufruir. Por Nosso Senhor Jesus emancipados da lei antiga que nos fazia escravos, por Ele entramos na plena posse da nossa herança, que nos faz, doravante, filhos de Deus. Assim, não somos mais escravos e sim filhos, e, como tais, herdeiros do reino dos céus. 

   Caríssimos, nisto está toda a nossa dignidade: Somos filhos de Deus! 
   A uma filha de um rei de França que repreendia asperamente uma sua criada, , dizendo-lhe: "Eu sou filha de um rei", retrucava-lhe a criada: "E, eu sou filha de Deus!" 

   Caríssimos, embora, demore um pouco mais, vale a pena meditarmos sobre esta filiação divina que Jesus nos mereceu. Na verdade, se quisermos apreciar pela sua justa medida o valor da graça, é mister vermos o que fizeram as três Pessoas Divinas para no-la comunicar. O Pai tem apenas um Filho, que é a sua imagem viva e substancial, um Filho que Ele ama como a si mesmo. Ora, este Filho, Ele entrega-O, encarna-O, sacrifica-O para nos dar a vida da graça, que tínhamos perdido pelo pecado de Adão. "De tal modo Deus amou o mundo, que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele acredita não morra, mas tenha a vida eterna" (S. João III, 16). O Filho era completamente feliz no seio do Pai; amado por Ele com um amor infinito e amando-O com um amor recíproco, não tinha nenhuma necessidade de nós. E, no entanto, por amor do Pai, como por amor de nós, consente em fazer-se homem para nos divinizar, consente em abraçar as nossas necessidades e dores, em sofrer e morrer por nós numa cruz, para nos ser restituída a vida que perdêramos em Adão. "Cristo amou-nos e entregou-se por nós em oblação e sacrifício de suave odor" (Efésios V, 2), a fim de que purificados pela virtude do seu sangue e do seu amor, vivêssemos da sua vida. O Espírito Santo, laço de amor entre o Pai e o Filho, igual aos dois, gozando da mesma felicidade que Eles, não tinha, certamente, necessidade do nosso amor. E, apesar disso, para nos santificar, aplicando-nos os méritos do Filho, desce ao nosso pobre coração, expulsa de lá o pecado, adorna-o da graça e das virtudes e dá-se-nos Ele próprio, para que gozemos da sua presença e dos seus dons, na expectativa da eterna posse de Deus: "O amor de Deus", diz-nos São Paulo, " foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi dado" (Romanos, V, 5).

   Caríssimos, terminemos com a exortação de São Leão Magno: "Reconhece, cristão, a tua dignidade e, visto que és participante da natureza divina, não voltes, por uma conduta desregrada, à tua antiga baixeza. Lembra-te de que corpo és membro e quem é o teu chefe. Lembra-te de como foste arrancado ao poder das trevas e transportado para o reino da luz, como o santo batismo te consagrou templo do Espírito Santo". Amém!.


DOMINGO DENTRO DA OITAVA DO NATAL

HOMILIA DOMINICAL COM EXPLICAÇÃO DO SANTO EVANGELHO

Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Gal. 4, 1-7.
                Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas, 2, 33-40:

   "Naquele tempo, José e Maria, Mãe de Jesus, maravilhavam-se das coisas que se diziam d'Ele. E Simeão abençoou-os, e disse a Maria, Sua Mãe: Eis que este menino está posto para ruína e ressurreição de muitos em Israel, e em sinal de contradição. E uma espada transpassará a tua alma, para que se manifestem os pensamentos dos corações de muitos. E estava também ali Ana, profetisa, filha de Fanuel, da tribo de Aser, a qual já era de idade avançada; e depois de sua virgindade tinha vivido sete anos com seu marido. E agora, sendo viúva de quase oitenta e quatro anos, não se afastava do templo, servindo a Deus com jejuns e orações, de dia e de noite. Tendo ela chegado àquela mesma hora, louvava ao Senhor e falava do Menino a todos os que esperavam a redenção de Israel. E quando cumpriram todas as coisas segundo a lei do Senhor, voltaram [José e Maria] para Galileia, para a cidade de Nazaré. E o menino crescia e se fortalecia, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com Ele."

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Depois que o santo velho Simeão satisfez a sua devoção, publicando o glorioso destino do Menino que tinha nos braços, entregou-O à sua Mãe Santíssima, e fez uma profecia sobre Jesus que seria já a ponta daquela espada de dor que transpassaria inteiramente o coração de Nossa Senhora lá no alto do Calvário: "Eis que este menino está posto para ruína e ressurreição de muitos em Israel, e em sinal de contradição."  Que aflição lhe causariam estas palavras do profeta! É a Maria diretamente, é ao seu coração de mãe que Simeão as dirige: "Disse a Maria, Sua Mãe". É como se dissesse: "Este Filho que vos é tão caro; este Deus, feito homem para salvar a todos os homens: ai! não os salvará a todos; será para muitos objeto de escândalo; oh! para quantos será ocasião de ruínas! O Salvador das almas será ocasião de perdição de almas, não de algumas somente, mas de um grande número, multorum (de muitos)! Triste mistério da perversidade humana! E isto já fora profetizado: "... E será para vós um motivo de santificação, ao passo que servirá de pedra de tropeço, e de pedra de escândalo às duas casas de Israel; de laço e de ruína aos habitantes de Jerusalém. Tropeçarão muitos de entre eles, cairão, serão feitos em pedaços" (Isaías, VIII, 14 e 15).
   São Paulo mostrava este oráculo já cumprido no seu tempo; e nos nossos dias não o está menos: "Mas Israel, que seguia a lei da justiça, não chegou à lei da justiça. Por que causa? Porque procurou atingi-la não pela fé, mas pelas obras; tropeçaram na pedra de tropeço, conforme está escrito: eis que eu ponho em Sião uma pedra de tropeço, e uma pedra de escândalo; e todo aquele que crê nela, não será confundido". São Paulo aqui quer dizer o seguinte: Israel não chegou a praticar a Lei, porque não compreendeu o seu espírito, mas somente a letra; nem chegou à justiça à qual a Lei tendia, porque não praticou a Lei pela fé em Nosso Senhor Jesus Cristo que haveria de vir, mas, acreditando que alcançaria a salvação graças ao esforço pessoal em praticar a Lei.
   Os judeus não quiseram receber o Messias: "E os seus não o receberam' (S. Jo. I, 11).  Recusando a luz e rejeitando a salvação, tornaram-se mais culpados e desgraçados pelo abuso que fizeram dos meios de salvação que lhes eram oferecidos. É portanto verdade que Jesus Cristo tem sido ocasião de ruína: mas para quem? Para cegos voluntários, para homens ingratos e invejosos, para escribas e fariseus, que se obstinavam em ser maus, porque Ele era bom, e não podiam perdoar-Lhe os seus milagres, os seus benefícios, a sua virtude, e a afeição do povo que essa virtude Lhe granjeava. Aqueles a quem a infinita misericórdia não justifica, a esses condena-os.

   "Será alvo de contradição!" Estas palavras são a explicação das precedentes. Por que não salva o Redentor dos homens a todos aqueles a quem oferece a salvação? Por que não eleva todas as almas justas ao grau de santidade e glória que lhes destinava? PORQUE É OBJETO DE CONTRADIÇÃO. Foi-o durante a sua vida, de todas as maneiras e da parte de todos; é-o ainda hoje. Os seus milagres, a sua doutrina, a sua condescendência e afabilidade: tudo n'Ele foi e é atacado e combatido. Que horrível contradição não sofreu no Calvário da parte dos pecadores! "Considerai, pois, Aquele que sofreu tal contradição dos pecadores contra si, e não vos deixeis cair no desânimo" (Hebr. XII, 3). Mas esses não O conheciam: "Se a (Sabedoria de Deus) tivessem conhecido, nunca teriam crucificado o Senhor da Glória" (1 Cor. II, 8). Jesus pôde dizer a seu Pai: "Perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem". Mas, que doloroso é para o seu coração, ver-se contradito por aqueles que Ele tinha instruído com tanto cuidado, e a quem tinha confiado a instrução de seus irmãos! Amar os elogios, rejeitar as humilhações, buscar as comodidades, não querer negar-se a si mesmo, nem tomar a sua cruz, é contradizer a Jesus Cristo, é combatê-Lo. E não é isto Senhor, o que eu faço muitas vezes? Minhas palavras são por Vós; mas a minha vida é contra Vós; o meu modo de proceder está em contradição com as vossas máximas e exemplos. Se, portanto, não me ponho de acordo convosco, enquanto estou no caminho desta vida, que acharei no termo da viagem, senão uma terrível sentença, uma rigorosa condenação? Meu Deus, suplico-Vos que extirpeis do meu coração tudo, absolutamente tudo quanto se opõe à Vossa santíssima vontade.
   Ó Maria Santíssima, que lágrimas derramastes, que angústias sofrestes por nossa causa! Apesar de nossos crimes, amais-nos sempre. Sede junto do Vosso Filho, a nossa poderosa advogada e Mãe. Alcançai-nos que não aflijamos mais o Seu divino Coração, mas sim, como vós, o sigamos com fidelidade até aos pés dessa Cruz que hoje se vos apresenta. Amém!


quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

AS LIÇÕES DO NATAL

AS LIÇÕES DO NATAL

                                                                                                                                                                                      Dom Fernando Arêas Rifan*
          

            Ainda no clima natalino, reflitamos um pouco na profunda e perene mensagem do Natal, nas personagens desse maravilhoso acontecimento, com seus maus e bons exemplos para nossa advertência e incentivo, e especialmente na sua figura principal, Jesus
            Exemplo dos que tiveram um mau natal temos em Herodes, o rei contemporâneo do nascimento de Cristo, que por inveja queria eliminar o que ele pensava ser seu rival e, por isso, mandou matar todas as crianças de Belém e arredores, sendo assim o precursor daqueles que escandalizam as crianças e as levam para o mal, matando a sua inocência. 
            Mau natal também passaram os judeus, especialmente os doutores da lei, que sabiam que era tempo da vinda do Messias e o local do seu nascimento, indicaram o caminho aos Reis Magos, mas não foram ver Jesus, cumprindo-se o que disse São João no prólogo do seu Evangelho: “Ele veio ao que era seu e os seus não o receberam” (Jo 1, 11). 
Bom natal tiveram os pastores, que guardavam suas ovelhas naquela noite e que, avisados pelos anjos, vieram ver e adorar o Menino Deus. Foram os primeiros convidados.  São exemplo de amor ao trabalho, pessoas pobres, simples e retas. 
            Igualmente os Reis Magos que, fazendo grandes sacrifícios, guiados pela estrela misteriosa, vieram do Oriente para adorar o Menino Deus. 
            Lugar importante no Natal teve São José, homem justo e trabalhador, o escolhido pelo Pai Eterno para substituí-lo junto ao seu Filho feito homem, Jesus, como Pai adotivo e esposo da Virgem Mãe.
            Mas um papel primordial no Natal teve a Virgem Santíssima, a cheia de graça, a escolhida para ser a Mãe do Verbo incarnado, a que foi preparada para ser assim a colaboradora fiel da obra da Redenção do mundo, iniciado com a vinda de Jesus. 
            Mas o Natal é de Jesus, o maior dom que o Pai nos deu. “Deus amou de tal maneira o mundo que lhe deu o seu Filho unigênito” (Jo 3, 16). O presépio de Belém é o princípio da pregação de Jesus, o resumo da sua boa nova, o Evangelho. Dali, daquele pequeno púlpito, silenciosamente, ele nos ensina o desprezo da vanglória desse mundo, o valor do espírito de pobreza e do desprendimento, o nada das riquezas, a necessidade da humildade, o apreço das almas simples, a paciência, a mansidão, a caridade para com o próximo, a harmonia na convivência humana, o perdão das ofensas, a grandeza de coração, a pureza de alma, enfim, todas as virtudes cristãs, que fariam o mundo muito melhor, se as praticasse. É a receita da felicidade. É a fórmula da paz. 
            É por isso que o Natal cristão é festa de paz e harmonia, de confraternização em família, de troca de presentes entre amigos, de gratidão e de perdão. Ao menos deveria ser.
            Desse modo a mensagem do Natal vai continuar durante todo o Ano Novo, que assim será abençoado e feliz. Mais uma vez: FELIZ NATAL E ABENÇOADO ANO NOVO!

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

FELIZ E SANTO NATAL!



 Aos caríssimos e amados leitores desejo do fundo do coração um feliz e santo Natal com graças e bênçãos copiosas e escolhidas do Menino Deus e de Sua Mãe Santíssima!

  É o aniversário de Jesus. E qual o presente que Lhe vamos dar?
   Lemos o seguinte episódio na vida de Santo Antônio de Pádua: Enquanto estava atento aos seus jogos, o pequeno Antônio viu, um dia, um menino da sua idade: belo de uma beleza nova na terra. Mantinha ele o aventalzinho levantado, e girava em torno os olhinhos, como que desejoso de receber algum presente.
   Perguntou-lhe o pequeno Antônio: "De onde vens? Como te chamas? Que você quer? - De onde venho? respondeu-lhe o encantador menino: Do céu. Como me chamo? O meu nome encontra-se escrito em letras de fogo sobre uma gruta em Belém; em letras de sangue sobre uma cruz em Jerusalém; em letras de ouro sobre todos os sacrários da terra. Sou o Menino Jesus, e ando em busca dos corações dos homens".
   "Ó Menino Jesus, que quereis de mim!" suplicou o pequeno Antônio pressurosamente.
  - "Antônio, dá-me o teu coração".
   Hoje no Santo Natal, Jesus chama cada um de nós pelo nome e diz: "Dá-me o teu coração".
   Mas, Menino Jesus, o meu coração não está preparado para vós, ele é muito diferente do de Antônio de Pádua. Infelizmente o pecado cavou nele tremenda voragem, um profundo poço lodoso e repelente.

   Recorramos ao exemplo de um homem de grande santidade e pureza: São Geraldo Majella.
   A São Geraldo, quando ainda menino sucedeu um caso tão belo que quase não pareceria verdadeiro, mas que é digno de fé porque foi examinado e reconhecido pela Igreja quando se tratou da sua beatificação.
   Geraldo Majella era muito pobre e servia como empregado ao Bispo de Lacedônia. O bispo, indo viajar, deixou as chaves da casa com o pequeno empregado e deixou-lhe a ordem de apanhar água no poço que ficava em frente da igreja.
   Na beira do poço, nem Geraldo saberia explicar como fora: em certo momento ele ouviu um baque na água, e eram as chaves da casa paroquial que lhe haviam escorregado dos dedos. Foi visto com a face pálida e cheia de espanto. Tendo nos olhos uma muda angústia, ele olhava para aquela escura profundeza. E agora, que fazer? Que lhe diria seu patrão que, pela idade e doenças, não era lá modelo de muita mansidão. Talvez o pusesse na rua. E para onde iria ele, sozinho, sem trabalho, sem teto? De repente luziu-lhe uma ideia. Atravessa, correndo, a praça, entra na catedral, e, do presépio apanha a imagenzinha do Menino Jesus.
   "Menino Jesus - suplica Geraldo como se estreitasse, não uma figura de gesso, ma o próprio Menino Jesus de carne, vivo e respirante. - Só tu podes ajudar-me. Tu e ninguém mais: faze-me, pois, apanhar a chave!" Em seguida, amarrou o Menino Jesus à corda do poço e fê-lo descer devagarinho. Quando sentiu dentro da água, gritou-lhe lá para dentro com toda a força de sua esperança: "Menino Jesus, traze-me para cima a chave!' E começou a puxar a corda.
   Um grito de alegria! Qual não foi a surpresa de todos que ali estavam quando viram nas mãozinhas da imagem do Menino Jesus as chaves. Geraldo apanhou-as da imagem, e depois, impelido como por um vento de alegria e de gratidão, correu a levar a imagem do Menino Jesus de novo para a manjedoura na catedral.
   Caríssimos e amados irmãos, quando pecamos, perdemos as chaves do Paraíso, a graça de Deus. Com astúcia e mentira, o demônio fizera-as escorregar das nossas mãos, ou seja, das nossas almas. Só Jesus pode no-las restituir. Para nos arrancar do fundo do poço lodoso e repelente do pecado nos oferece a corda da Confissão. Náufragos que fomos, Jesus nos oferece esta segunda tábua de salvação.

   Agora, Jesus quer vir ao nosso coração por Ele mesmo purificado, livre das águas imundas do pecado. Com que paz, com que alegria podemos agora nos aproximar da Mesa da Santa Comunhão. Temos aí o mesmo Jesus que nasceu em Belém, morreu em Jerusalém e ressuscitou imortal e impassível.
  
   Na noite de Natal, São Caetano de Thiene velava em oração ardente diante do presépio, na basílica de Santa Maria Maior em Roma. Com a sua fé viva ele recompunha a história daquela noite santa, e parecia-lhe ser também ele um pastor a quem o Anjo anunciasse a grande alegria. Parecia-lhe acorrer também, pelas estradinhas rupestres, à gruta de Belém, onde com um fio de voz gemia o Onipotente, nascido menino.
   E eis que, enquanto assim meditava, apareceu-lhe deveras a Virgem Maria carregando o Menino Jesus. E veio até ele, e sobre os seus braços abertos e trêmulos reclinou o pequenino Filho de Deus feito homem. E Caetano olhava-o, e ao seu coração de pobre homem estreitava aquele Coração de Deus, e sentiu   em si o Paraíso.
   Caríssimos e amados fiéis, reavivemos o nosso amor e a nossa fé para com o Santíssimo e Diviníssimo Sacramento. Que Jesus eucarístico não seja mais para nós o Desconhecido! Na Comunhão de Natal será Nossa Senhora mesma que colocará no nosso trêmulo coração de pobres pecadores, o seu pequenino Filho de Deus. Ó Maria, Mãe do Amor! Preparai meu coração para receber o Senhor!
   Que gratidão devemos ter também a Nossa Senhora que nos trouxe Jesus! No ano 2000 tive a graça de celebrar em Belém ao lado da mesma gruta em que Jesus nasceu. Depois da Consagração eu disse a Maria Santíssima: "Minha Mãe e Senhora, há 2000 mil anos a Senhora trouxe aqui neste lugar o mesmo Jesus que eu também acabo de trazer pelas palavras da Consagração. Mas eu não o poderia fazer, se a Senhora não O tivesse trazido primeiro".
   Deus Pai quis que tivéssemos Jesus através de Maria. Por gratidão a Nossa Senhora, quero terminar com mais um exemplo da vida de um grande devoto de Nossa Senhora: São Bernardo.
   Entre as recordações que da sua infância São Bernardo narrava, a mais doce era esta. Chegara a véspera do Natal, esperada com aquela fascinação que só conhecem as crianças de alma pura. A todo custo ele quis que os seus o levassem consigo à Missa da meia-noite. Mas, quando ele chegou na igreja, embalado pelo murmúrio das orações, envolto no calor da multidão, como a Missa demorasse a começar, vencido pelo sono ele adormeceu. Teve um sonho lindo, que, embora sonho, quem não o quisera ter? Ei-lo: Viu atravessar os céus a Virgem Maria, que segurava, estreitando ao coração, o seu belíssimo Menino, recém-nascido. Curvada sobre Ele com maternal gesto, ela dizia: "Olha lá na terra, no meio daquela gente, o meu pequeno Bernardo". O Menino abriu as pálpebras, girou os olhinhos para baixo, e viu-o. E os dois se sorriram mutuamente.
   Ó doce, ó Santa Mãe, essa palavra que um dia disseste para São Bernardo, repete-a hoje ao teu Filho Jesus também para nós! Dize-Lhe  que nos olhe.
   Dize-Lhe que O revestiste de pobres panos para que Ele nos revestisse com a glória da imortalidade.
   Dize-Lhe que o acomodaste entre o hálito de dois animais para que Ele nos elevasse para entre o canto dos anjos.
   Dize-Lhe que o puseste na estreita manjedoura para que Ele nos colocasse no imenso palácio dos céus. Amém!