SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

AS LIÇÕES DO NATAL

AS LIÇÕES DO NATAL

                                                                                                                                                                                      Dom Fernando Arêas Rifan*
          

            Ainda no clima natalino, reflitamos um pouco na profunda e perene mensagem do Natal, nas personagens desse maravilhoso acontecimento, com seus maus e bons exemplos para nossa advertência e incentivo, e especialmente na sua figura principal, Jesus
            Exemplo dos que tiveram um mau natal temos em Herodes, o rei contemporâneo do nascimento de Cristo, que por inveja queria eliminar o que ele pensava ser seu rival e, por isso, mandou matar todas as crianças de Belém e arredores, sendo assim o precursor daqueles que escandalizam as crianças e as levam para o mal, matando a sua inocência. 
            Mau natal também passaram os judeus, especialmente os doutores da lei, que sabiam que era tempo da vinda do Messias e o local do seu nascimento, indicaram o caminho aos Reis Magos, mas não foram ver Jesus, cumprindo-se o que disse São João no prólogo do seu Evangelho: “Ele veio ao que era seu e os seus não o receberam” (Jo 1, 11). 
Bom natal tiveram os pastores, que guardavam suas ovelhas naquela noite e que, avisados pelos anjos, vieram ver e adorar o Menino Deus. Foram os primeiros convidados.  São exemplo de amor ao trabalho, pessoas pobres, simples e retas. 
            Igualmente os Reis Magos que, fazendo grandes sacrifícios, guiados pela estrela misteriosa, vieram do Oriente para adorar o Menino Deus. 
            Lugar importante no Natal teve São José, homem justo e trabalhador, o escolhido pelo Pai Eterno para substituí-lo junto ao seu Filho feito homem, Jesus, como Pai adotivo e esposo da Virgem Mãe.
            Mas um papel primordial no Natal teve a Virgem Santíssima, a cheia de graça, a escolhida para ser a Mãe do Verbo incarnado, a que foi preparada para ser assim a colaboradora fiel da obra da Redenção do mundo, iniciado com a vinda de Jesus. 
            Mas o Natal é de Jesus, o maior dom que o Pai nos deu. “Deus amou de tal maneira o mundo que lhe deu o seu Filho unigênito” (Jo 3, 16). O presépio de Belém é o princípio da pregação de Jesus, o resumo da sua boa nova, o Evangelho. Dali, daquele pequeno púlpito, silenciosamente, ele nos ensina o desprezo da vanglória desse mundo, o valor do espírito de pobreza e do desprendimento, o nada das riquezas, a necessidade da humildade, o apreço das almas simples, a paciência, a mansidão, a caridade para com o próximo, a harmonia na convivência humana, o perdão das ofensas, a grandeza de coração, a pureza de alma, enfim, todas as virtudes cristãs, que fariam o mundo muito melhor, se as praticasse. É a receita da felicidade. É a fórmula da paz. 
            É por isso que o Natal cristão é festa de paz e harmonia, de confraternização em família, de troca de presentes entre amigos, de gratidão e de perdão. Ao menos deveria ser.
            Desse modo a mensagem do Natal vai continuar durante todo o Ano Novo, que assim será abençoado e feliz. Mais uma vez: FELIZ NATAL E ABENÇOADO ANO NOVO!

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

A NOVA CRIAÇÃO

A NOVA CRIAÇÃO

                                                                                                                        Dom Fernando Arêas Rifan*

            “Transcorridos muitos séculos desde que Deus criou o mundo e fez o homem  à sua imagem; - séculos depois de haver cessado o dilúvio, quando o Altíssimo fez resplandecer o arco-íris, sinal de aliança e de paz; - vinte e um séculos depois do nascimento de Abraão, nosso pai; - treze séculos depois da saída de Israel do Egito, sob a guia de Moisés; - cerca de mil anos depois da unção de Davi, como rei de Israel; - na septuagésima quinta semana da profecia de Daniel; - na nonagésima quarta Olimpíada de Atenas; - no ano 752 da fundação de Roma; - no ano 538 do edito de Ciro, autorizando a volta do exílio e a reconstrução de Jerusalém; - no quadragésimo segundo ano do império de César Otaviano Augusto, enquanto reinava a paz sobre a terra, na sexta idade do mundo: JESUS CRISTO DEUS ETERNO E FILHO DO ETERNO PAI, querendo santificar o mundo com a sua vinda, foi concebido por obra do Espírito Santo e se fez homem; transcorridos nove meses, nasceu da Virgem Maria, em Belém de Judá. Eis o Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo a natureza humana. Venham, adoremos o Salvador! Ele é Emanuel, Deus Conosco”. Este é o solene anúncio oficial do Natal, feito pela Igreja na primeira Missa da noite de Natal! 
        O Natal é a primeira festa litúrgica, o recomeçar do ano religioso, como a nos ensinar que tudo recomeçou ali. O nascimento de Jesus foi o princípio da revelação do grande mistério da Redenção que começava a se realizar e já tinha começado na concepção virginal de Jesus, o novo Adão. Deus queria que o seu projeto para a humanidade fosse reformulado num novo Adão, já que o primeiro Adão havia falhado por não querer se submeter ao seu Senhor, desejando ser o senhor de si mesmo e juiz do bem e do mal. Assim, Deus enviou ao mundo o seu próprio Filho, o Verbo eterno, por quem e com quem havia criado todas as coisas. Esse Verbo se fez carne, incarnou-se no puríssimo seio da Virgem, por obra do Espírito Santo, e começou a ser um de nós, nosso irmão, Jesus. Veio ensinar ao homem como ser servo de Deus. Por isso, sendo Deus, fez-se em tudo semelhante a nós, para que tivéssemos um modelo bem próximo de nós e ao nosso alcance. Jesus é Deus entre nós, o “Emanuel – Deus conosco”, a face da misericórdia do Pai. Uma nova criação!
            São Francisco de Assis inventou o presépio, a representação iconográfica do nascimento de Jesus, para que refletíssemos nas grandes lições desse maior acontecimento da história da humanidade, seu marco divisor, fonte de inspiração para pintores e místicos.
            Que tal se fizéssemos um Natal contínuo, pensando mais no divino Salvador, na sua doutrina, no seu amor, nas virtudes que nos ensinou, unindo-nos mais a ele pela oração e encontro pessoal com ele, imitando o seu exemplo, praticando as obras de misericórdia, convivendo melhor com nossa família...
            Desse modo a mensagem do Natal vai continuar durante todo o Ano Novo, que assim será abençoado e feliz. FELIZ NATAL E ABENÇOADO ANO NOVO!

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

NOSSA SENHORA DE GUADALUPE

GUADALUPE
                                                                                                                                             
                                                                                                              Dom Fernando Arêas Rifan*

            Hoje festejamos Nossa Senhora de Guadalupe, patrona do México, e Padroeira da América Latina por ter ocorrido a sua aparição nos primórdios do Novo Mundo.
           Em 1531, um índio convertido, Juan Diego, a caminho da Missa na missão franciscana, nos arredores da cidade do México, recebeu um chamado para subir à colina de Tepeyac, onde viu uma jovem de radiosa beleza, que o encheu de felicidade e lhe disse: “Eu sou a sempre Virgem Mãe do Deus verdadeiro, no qual vivemos, Criador e Autor do Céu e da Terra. É meu desejo que se construa aqui um templo em minha honra, onde eu derramarei o meu amor, socorro e proteção...”. E disse-lhe que fosse à casa do Bispo, transmitindo-lhe o seu pedido. 
            O Bispo o recebeu, mas não acreditou muito na sua história. Juan Diego foi dizer à Senhora que arranjasse outra pessoa mais digna para essa missão e não ele, pobre índio. A Senhora lhe disse que poderia ter escolhido outros, mas o queria para essa missão. Voltou ao Bispo, o qual lhe disse que deveria pedir à Senhora um sinal como prova de que ela era a Mãe de Deus. A Senhora mandou que ele colhesse ali, naquela colina rochosa e árida, onde nem vegetação havia, no frio do mês de dezembro, abundantes rosas de cor e perfume maravilhosos, as colocasse em sua manta e as levasse ao Bispo, como sinal. Apresentando-se ao Bispo, derramou na sua presença as rosas e o prelado caiu de joelhos maravilhado, não tanto pelas rosas, mas por algo mais extraordinário: na manta de Juan Diego aparecia impressa com beleza surpreendente a Senhora que o pobre índio tinha visto na colina de Tepeyac. Era o dia 12 de dezembro de 1531. 
            Essa manta do índio é a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, venerada por milhões de peregrinos no grande Santuário construído em sua honra, imagem que se constitui em um grande milagre até hoje. Sábios, técnicos, pintores e especialistas, usando os meios modernos da Química, Física e Raios X, não foram até hoje capazes de explicar como é que se combinam na mesma pintura a aquarela e o óleo, sem vestígio de pincel. O tecido, feito de cacto, não dura mais de 20 anos e este já dura há mais de quatro séculos e meio. A imagem nunca foi retocada e até hoje os peritos de pintura e química não encontraram na tela nenhum sinal de corrupção. Com a invenção e ampliação da fotografia, descobriu-se um prodígio ainda maior: tal como a figura das pessoas com quem falamos se reflete nos nossos olhos, foram descobertas três figuras refletidas nos olhos de Nossa Senhora, na tela. Exames feitos com todo o rigor científico por oftalmologistas americanos concluíram que essas três figuras não são pinturas, mas imagens gravadas nos olhos de uma pessoa viva. As três imagens são João Diego, o intérprete e o Bispo. 
            Por sua fidelidade, fé simples e humildade, Juan Diego foi canonizado pelo Papa São João Paulo II em 2002.  O nome “Guadalupe” em espanhol é a tradução da frase asteca que significa “aquela que esmaga a serpente”, a quem os astecas costumavam oferecer sacrifícios humanos. Nossa Senhora de Guadalupe é também invocada como protetora dos nascituros. 

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

domingo, 9 de dezembro de 2018

HOMILIA DO 2º DOMINGO DO ADVENTO

Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos, 15, 4-13.
                Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus, 11, 2-10: 


"Naquele tempo ouvindo João no cárcere, as obras de Cristo, tendo enviado dois dos seus discípulos disse-Lhe: És tu o que há de vir, ou devemos esperar por outro? E respondendo, Jesus lhes disse: Ide repetir a João o que ouvistes e vistes: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, os pobres são evangelizados e bem-aventurado é aquele que de Mim não se escandalizar. E quando eles partiram, começou Jesus a falar ao povo acerca de João: Que saístes a ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? Mas, que saístes a ver? Um homem vestido suntuosamente? Ora, os que vestem roupas finas habitam os palácios dos reis. Então, que saístes a ver? Um Profeta? Sim, eu vos digo, e mais que um Profeta. Porque, este é aquele do qual foi escrito: Eis que envio diante de tua face o meu Mensageiro, que preparará o teu caminho adiante de ti". 

  Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

  Hoje vamos meditar nas provas da missão divina de Jesus, que nos mostra este Evangelho colocado pela Santa Igreja à nossa meditação neste segundo domingo do Advento. 
  "És tu o que há de vir, ou devemos esperar por outro? E respondendo, Jesus lhes disse: Ide repetir a João o que ouvistes e vistes...
   Como já o explicamos no ano passado, o Santo Precursor, ao enviar seus discípulos para fazer esta pergunta a Jesus, evidentemente não duvidava de nenhum modo que Jesus fosse o Messias; queria, isto sim, vencer a incredulidade deles colocando-os na oportunidade de reconhecer a missão divina de Jesus vendo pessoalmente as suas obras, obras estas antecipadamente preditas pelos profetas como demonstração da veracidade do futuro Messias.
    Infelizmente ainda hoje quantos cristãos semelhantes a estes discípulos de João Batista! Não têm uma fé firme e prática em Nosso Senhor Jesus Cristo. Ficam apegados a certos pretensos sábios e se esquecem da verdadeira Sabedoria, d'Aquele que é a Verdade, o Caminho e a Vida. Uns por malícia e impiedade, outros por cegueira provocada pelas paixões, outros ainda por uma ignorância mais ou menos culpável... Que todos estes escutem e meditem a resposta do Divino Mestre. 
  Ora, o Salvador prova a divindade de sua missão mediante três meios:  1º - por sua doutrina; 2º - pela santidade de sua vida; 3º - por seus milagres.
   Consideremos brevemente cada uma destas provas: 
Sermão da Montanha. Na década de 1930 foi construída
esta igreja em forma octogonal e com oito vitrais onde se
encontram escritas as 8 Bem-Aventuranças.
O sermão que Jesus fez aí resume toda sua doutrina,
assim como as oito Bem-Aventuranças com que o
inicia, resumem todo o sermão. 
   Primeira: Pela sua doutrina: Todos a ouviam. Pois, Jesus pregava por toda parte, a todos, publicamente. Sua doutrina é sublime, celeste, divina, e portanto, simples e ao alcance de todos. Ele instrui os homens sobre a bondade e a providência de Deus, e, ao mesmo tempo, mostra Seu poder e Sua justiça; Jesus em suas pregações fala contra as fraquezas e misérias da humanidade, sobre a vida presente e a futura. Ensina a todos claramente seus deveres para com Deus, o próximo, e para consigo mesmos. Mostra todas a virtudes que devem praticar: a humildade, o desprendimento dos bens materiais e o amor à pobreza, a castidade, a penitência, a paciência, a caridade ... etc. Temos no sermão da montanha um resumo admirável de toda a sua doutrina.
   É claro que uma moral tão pura, uma doutrina tão santa não poderiam vir senão do céu, senão de um Deus. Assim os que a ouviam ficavam convencidos da missão divina do Divino Pregador: "Todos ficavam admirados a respeito de Sua doutrina... E perguntavam entre si: Que é isto? Que nova doutrina é esta?... Todos ficavam estupefatos, porque percebiam que Ele falava com autoridade. Nenhum homem, diziam as turbas, falou até hoje como este homem" (Cf. S. Mt. VII, 28; S. Mc, I, 27; S. Lc. IV, 32; S. Jo. VII, 46). 
   Quão culpáveis eram aqueles judeus ou que simplesmente não quiseram ouvir esta doutrina, ou, ouvindo-a, ficaram admirados, tocados pela graça, mas não quiseram segui-la, porque não quiseram reconhecer seu autor como Deus! Se Jesus diz que são bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática, devemos concluir que até muitos cristãos não são bem-aventurados. 
   
   Segunda: Pela santidade da vida de Jesus. São Lucas diz que Jesus começou a fazer e a ensinar... Ele é o modelo vivo e mais completo de todas as virtudes e de todas as perfeições. Que zelo pela glória de Seu Pai e pela salvação das almas! Como reluziam n'Ele a pobreza, a pureza, a humildade, a misericórdia, a caridade, a doçura, a paciência, a bondade e todas as demais virtudes. Jesus Cristo nos deu o exemplo para que façamos como Ele fez. "Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração!" Mostrou que era Deus em toda sua vida e na Sua morte. Por isso, aqueles que seguem a Jesus não andam nas trevas!

 Terceira: Pelos milagres que Jesus fez. "Ide dizer a João o que vistes: os cegos vêem, os coxos andam.. etc. Os discípulos de João, nesta ocasião, foram testemunhas, com todos os judeus, dos milagres de toda espécie, e sem número que Jesus fazia. Eles podiam e deviam claramente reconhecer nestes prodígios que Jesus era verdadeiramente o Messias prometido, anunciado, e esperado; porque Jesus Cristo operava exatamente aqueles milagres que os profetas atribuíam antecipadamente ao Messias. E os milagres eram evidentes, públicos, múltiplos, feitos em seu nome e as vezes, com uma única palavra sua. O próprio Jesus dizia aos judeus: "Estas mesmas obras que Eu faço,  dão testemunho de mim: provam que o Pai me enviou... Se não quereis acreditar em mim, acreditai em minhas obras". 
   Os próprios judeus eram tocados fortemente pelas obras maravilhosas que Jesus operava. Muitos chegavam a dizer: "Será que quando vier o Messias, ele fará tantas obras maravilhosas como este homem faz? Infelizes, mesmo assim se recusavam em acreditar. O pior cego é aquele que não quer ver, diz o ditado popular. Corações endurecidos, que recusam adorar e seguir a Jesus, malgrado tantos milagres!

  Ó Jesus, nós vos adoramos de todo nosso coração. Cremos firmemente que Vós sois o Cristo, o Filho de Deus vivo, descido do céu à terra para nos salvar, para nos ensinar o caminho da virtude e do céu. 
   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo! que a vossa fé seja firme e prática. Glorificai a Jesus Cristo por vossa fidelidade aos Seus preceitos, pela imitação de todas as suas virtudes. 
   Senhor! eu creio, mas aumentai a minha fé! Amém!
   

domingo, 18 de novembro de 2018

HOMILIA DOMINICAL - 26º Domingo depois de Pentecostes (6º depois da Epifania transferido)

   Estamos no 26º Domingo depois de Pentecostes; transfere-se para hoje o 6º Domingo depois da Epifania. (Este ano litúrgico tem 27 domingos depois de Pentecostes). 

  Leituras: Primeira Epístola de São Paulo Apóstolo aos Tessalonicenses, 1, 2-10.
                  Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus, 13, 31-35:


Dizem os Santos Evangelhos : "Naquele mesmo dia
saiu Jesus de casa e sentou-se à beira do mar.
Reuniu-se tanta gente perto dele, que subiu à uma
barca, onde se sentou, ficando todo o povo
na praia. E falou-lhes muitas coisas em parábolas".
As duas parábolas do Evangelho deste Domingo
foram feitas neste sermão.
Faz alguns anos que houve uma grande seca
na Galileia; o nível das águas do Lago de
Genesaré ficou muito baixo. Foi então encontrada
uma barca afundada na argila, que segundo os
cientistas dataria entre os anos 100 AC e 100 DC.
Seria a barca na qual Jesus pregou? Este detalhe
não é possível ser verificado pelas ciências.
Tive oportunidade de ver esta barca (foto) no
Museu construído ao norte da antiga
Magdala.
  Naquele tempo, propôs Jesus ao povo esta parábola: O Reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda, que um homem tomou e semeou em seu campo. Este grão é, em verdade, a menor de todas as sementes, mas depois de crescida, é a maior de todas as hortaliças e chega a tornar-se uma árvore, de maneira que as aves do céu vêm e fazem seus ninhos entre os seus ramos. Disse-lhes ainda outra parábola: O Reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até que ela fique levedada. Todas estas coisas disse Jesus ao povo, em parábolas; e não lhe falava senão em parábolas, para que se cumprisse o que estava escrito pelo Profeta? Abrirei em parábolas os meus lábios e publicarei coisas ocultas desde a criação do mundo.

  Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

  Neste domingo a Santa Igreja apresenta para nossa meditação, mais duas parábolas: a do grão de mostarda e a do fermento. 
   Os Santos Padres dão-nos vários sentidos da parábola do grão de mostarda: 
   1º - PRIMEIRA SIGNIFICAÇÃO:  A pregação do Evangelho, isto é, da doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo. Desde o princípio, com efeito, a pregação da doutrina  de Nossos Senhor foi como uma semente muito pequena, como um grão de mostarda, lançado primeiramente pelo próprio Divino Mestre e pelos Apóstolos na Judeia e depois em toda terra, no meio de contradições e de perseguições. Jesus dizia: "Quando Eu for levantado da terra, atrairei tudo a mim". E São Paulo diz: "Prego a Jesus crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios". Mas este grão de mostarda germinou, cresceu e fez-se árvore (na palestina o pé de mostarda chega até a três metros de altura) em que as aves do céu, isto é, as almas fiéis e generosas vêm pousar em multidão, à espera de voarem para o Céu. 
  2º - SEGUNDA SIGNIFICAÇÃO: A Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. Como o grão de mostarda, a Igreja era pequena em seus começos, e está hoje espalhada por todo o mundo; tornou-se uma grande árvore onde os pássaros, isto é, os cristãos de todos os séculos, vêm buscar abrigo e alimento. Os grandes e belos ramos desta grande árvore são os ensinos que saem do firmíssimo tronco, que é a Igreja. As almas nobres e verdadeiramente aladas, os que sabem erguer-se acima das misérias da vida, encontram repouso, paz e tranquilidade, à sombra de sua doutrina.
  O escândalo da cruz, a severidade da sua moral, as heresias nascentes, as terríveis perseguições durante séculos, devastando pastores e ovelhas, tudo isto parecia condenar a Igreja ao desaparecimento, como acontece com um grãozinho de mostarda que cai no chão e é pisado. Mas, ó maravilha! o pequenino grão de mostarda (já figurado pela pequenina pedra desprendendo-se da montanha, e mostrado ao profeta Elias sob a figura da pequenina nuvem que, pouco a pouco, se avoluma no horizonte) desenvolve-se admiravelmente de século para século, e transforma-se numa grande árvore que estende seus ramos até aos confins da terra e cobre o mundo inteiro com a sua benéfica sombra. 
  3º - TERCEIRA SIGNIFICAÇÃO: A graça de Deus em nossas almas. A graça é, muitas vezes, no princípio, quase imperceptível: é um bom pensamento, uma santa inspiração, uma secreta impulsão, um bom exemplo, uma simples palavra... Mas esta graça germina, cresce, aumenta na alma, torna-se como uma grande árvore, e produz frutos de santidade e de salvação, que edificam e alegram toda a Igreja. 
  4º - QUARTA SIGNIFICAÇÃO: O próprio Nosso Senhor Jesus Cristo: Referindo-se à sua Morte e Ressurreição Jesus disse que, se o grão não cair na terra e morrer, não germina e nem dá fruto. Tendo aparecido na terra pobre e humilde, vive nela vida obscura e pobre e é perseguido, reduzido a quase nada como um verme, na Sua Paixão; é sepultado e como que semeado na terra... Mas sai de lá triunfante e glorioso, estendendo a sua doutrina e o seu poder por toda a terra, e recebendo as adorações do mundo inteiro.

 Vejamos agora a parábola do fermento. Esta parábola parece-se com a da mostarda; mas suscita uma ideia de certo modo diferente. Se a parábola do grão de mostarda nos revela a expansão gradual do Evangelho e o seu extraordinário desenvolvimento, esta do fermento faz-nos ver o trabalho interior da graça na alma dos eleitos.
  Com efeito, aqui o fermento é tomado como figura da graça de Deus, que infundida em nossas alma por meio dos sacramentos, ali se desenvolve insensivelmente e produz frutos de santidade e de salvação, se não lhe pomos obstáculos. É mister o fervor, o calor do amor de Deus para que este fermento divino tenha todo o efeito em nossa alma. Aqui pensamos especialmente no Santíssimo Sacramento da Eucaristia. O pão eucarístico que a Igreja nos dá e que é posto em nós como um fermento sagrado, para nos penetrar, mudar e transformar em Jesus Cristo, fazer de nós com Ele, um mesmo espírito e uma mesma carne, a fim de que nos tornemos um pão místico, digno de ser oferecido a Deus. Todos os fiéis que comungam, e mais especialmente os que comungam com frequência, deveriam ser para todos aqueles que os cercam ou que eles frequentam, quer fossem cristãos quer descrentes, um como fermento salutar; isto é, assim como o fermento transforma a massa, assim, o verdadeiro cristão deve operar, naqueles com quem se mistura, uma feliz transformação, convertendo-os, tornando-os melhores, fazendo deles frutos saborosos, dignos e fiéis discípulos de Jesus Cristo.
  Senhor Jesus, abri os olhos da nossa alma, para que compreendamos as celestes instruções que nos dais em vossas divinas parábolas. Amém!
  

domingo, 11 de novembro de 2018

EVANGELHO DO 25º DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES



(Transferido o 5º domingo depois da Epifania)
S. Mateus XIII, 24-30

"Enquanto os homens dormiam, veio o seu inimigo e semeou o joio entre o trigo".
 "Naquele tempo, disse Jesus às turbas esta parábola: O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente em seu campo. Enquanto, porém, os homens dormiam, veio o seu inimigo, semeou o joio entre o trigo, e retirou-se. Quando a erva cresceu e deu fruto, apareceu também o joio. Então os criados do pai de família foram ter com ele e lhe disseram: Senhor, porventura não semeaste boa semente em teu campo? Donde vem, pois o joio? Respondeu-lhes ele: O homem inimigo fez isto. Perguntaram-lhe os servos: Queres que vamos arrancá-lo? Não, respondeu ele, para que não suceda que tirando o joio, arranqueis juntamente com ele o trigo. Deixai crescer um e outro até a ceifa; e no tempo da ceifa, direi aos segadores: Colhei primeiro o joio e atai em feixes para o queimar, o trigo, porém, recolhei-o em meu celeiro". 

  Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!
  
  Alguns versículos mais adiante, refere São Mateus que, depois de a multidão ter partido, os discípulos se aproximaram de Jesus, pedindo-Lhe: Explica-nos a parábola da cizânia no campo. Jesus Cristo atende o pedido e, em poucas palavras, explica a parábola assim: Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem, que desceu a trazer à terra a verdade e a virtude. - E o campo é o mundo, que Ele veio iluminar, fecundar e salvar. - Ora, a boa semente são os filhos do reino, isto é, os justos, os eleitos, aqueles em quem a doutrina e os exemplos de Jesus frutificaram (se bem que a virtude e o estado de graça desses sejam amissíveis neste mundo - o que não acontece na ordem natural: o trigo nunca vira joio). -  E a cizânia são os filhos do espírito maligno, isto é, os maus, os ímpios, os hereges, que, pelas suas ações, são verdadeiros filhos de Satanás, (se bem que a sua malícia e corrupção possam ser lavadas e apagadas neste mundo, pela penitência - o que não acontece na ordem natural: o joio nunca vira trigo). - E o inimigo que a semeou é o demônio, que, por ódio a Deus e aos homens, faz o contrário do Salvador e semeia o erro e a mentira para nos perder. - A ceifa é a consumação dos séculos, isto é, o fim do mundo, o juízo universal. - E os ceifeiros são os Anjos, que terão o encargo de separar os bons dos maus. 

  Do mesmo modo, pois, acrescenta o Salvador, que a cizânia é arrancada e queimada no fogo, assim será na consumação do século. O Filho do Homem enviará os seus Anjos; eles tirarão do seu reino todos os escândalos e aqueles que operam a iniquidade; e lançá-los-ão na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no reino de seu Pai. Aquele que tem ouvidos de ouvir, ouça!

 Caríssimos, esta parábola tem sobretudo por fim: 1º precaver-nos contra a malícia e embustes do demônio. 2º recomendar-nos a paciência com os pecadores, esperando a sua conversão; - 3º enfim, inspirar aos maus, salutar temor do juízo e do inferno, e aos bons, a desconfiança de si mesmos e a esperança da glória eterna. 

    Gostaria de insistir em uma observação final: Os superiores, sejam eclesiásticos, civis, militares e familiares, devem sempre vigiar porque o demônio, O INIMIGO, nunca dorme, e a ele não se pode dar lugar. Se os superiores, os governantes não estiverem sempre vigilantes, o diabo semeia a cizânia entre o trigo, isto é, introduz os maus, como por exemplo os comunistas, na Igreja, nos governos, nos exércitos; e quanto à família procuram introduzir o vírus da ideologia de gênero . Filhos que são do diabo, pai da mentira, os comunistas usam a falsidade, a astúcia, a duplicidade camaleônica, enfim a mentira. Foi sempre assim. Um padre missionário chamado George escreveu um livro com o título "God's Under Ground", livro este no qual narra seu apostolado clandestino em países comunistas. No capítulo V diz ter se encontrado num convento de monges com um general do Exército Vermelho. Era em território Polonês e o Padre George estava acompanhado de seus companheiros de resistência clandestina.  Os comunistas tinham expulsado do tal convento alguns monges e as suas celas foram tomadas por oficiais russos. Foi aí que o Padre George encontrou-se com este general que pensou estar conversando com camaradas e assim falou abertamente: "Quanto à religião, não se espantem em ver os monges ainda aqui. Meus amigos, sabemos o que estamos fazendo. Não esquecemos que existe um irreconciliável abismo entre a religião e o Estado Soviético. O materialismo dialético nunca poderá chegar a um acordo com o Cristianismo. Nunca existiu um comunista sincero, que não fosse também ateu. Não pensem que nos esquecemos disso. Mas, no momento, o problema é complexo. Estamos agora nos assenhoreando de grande número de países católicos, como a Polônia. Este povo retardado ainda tem grande apego à sua Religião; se a atacarmos abertamente, nunca atenderão à nossa propaganda. Isto é absurdo, mas é verdade. O melhor que temos que fazer  -  e isto foi decidido nos postos mais altos de Moscou  - é desarmar a oposição inicial desta gente, alterando um pouco a nossa tática. Queremos que eles acreditem que a política mudou e que a liberdade religiosa é o projeto da URSS. Os meus homens têm ordens severas para não destruir as Igrejas destes lugares e não importunar os monges que ficaram na parte do convento a eles destinada por mim, Ficarão aqui para mostrarmos à população polonesa que nós não somos anti-religiosos. Eu mesmo, de vez em quando, vou tomar um copo de vinho com o velho abade. Nas festas principais, apareço na Igreja. Somos muito mais espertos do que os nazistas; eles se tornaram detestáveis para as populações que conquistaram no oriente, porque atacaram de frente a religião. Os senhores vêem o resultado   -  são odiados em todos os lugares. Os senhores verão. Daqui em diante vão começar a acontecer coisas estranhas para a religião. Não permitam que a confusão se estabeleça entre os camaradas; expliquem bem este plano aos membros de nossas células, como expliquei aos senhores. Estamos projetando muitas novidades para esta zona. No dia da Páscoa, por exemplo, o embaixador soviético de Constantinopla deverá comparecer à procissão da tarde, levando uma vela a fim de manifestar o seu respeito ao Patriarca Ecumênico de lá".
Deu uma risada e comentou:
  - Imaginem só! Um homem que há trinta anos faz parte dos Militantes Ateus! Eu o conheço bem. Mas devemos fazer estas pequenas coisas sem importância para o bem do Partido. O embaixador não perderá praticando essa experiência sem maldade  -  e a imprensa mundial ficará emocionada. Deixemos essa velha gente daqui ter as suas Igrejas. O nosso trabalho é com os moços. Precisamos doutriná-los completamente. Precisamos chamá-los para nós. Devemos reforçar a nossa influência com os governos futuros destes países. Graças ao acordo de Yalta.[Não é supérfluo lembrar que foi por meio deste acordo que a Rússia Soviética pôde dominar os países da chamada "Cortina de Ferro].
Mas continuou: "E então, camaradas, poderemos acelerar a marcha. Arrasar todas as escolas religiosas. Abolir os seus crucifixos antiquados. Exterminar a imprensa católica e as organizações da juventude cristã. Então, anunciaremos à população que a tal organização religiosa ortodoxa que mantivemos em Moscou era falsa". E não há perigo. Muito em breve toda a Europa oriental será ateia. Mas agora, é mais prudente ganhar um pouco de tempo".

Caríssimos, creio que todos devem ter compreendido. Não podemos dormir, mesmo porque os esquerdistas dizem que o comunismo hodierno é diferente; levará a felicidade aos pobres porque será adequado à realidade de cada país; não é mais aquele comunismo do século passado. Não nos deixemos enganar, não durmamos nem um segundo! Fiquem sabendo que a infiltração nos governos democráticos, pela ocupação de cargos administrativos continua a constituir uma tática poderosa dos comunistas. Que S. Excelência, o Presidente eleito do nosso Brasil cristão, fique sempre vigilante!

    Ó bom Jesus, que haveis semeado em nossas almas a boa semente da vossa palavra e da vossa graça, ajudai-nos a conservá-las e a fazê-las frutificar sem mistura de cizânia, a fim de que sejamos sempre trigo puro, digno de ser recolhido nos celeiros do Vosso Pai celeste. Amém!

domingo, 4 de novembro de 2018

EVANGELHO DO 24º DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES



(Transferido o 4º domingo depois da Epifania)
S. Mateus VIII, 23-27
"Senhor, salvai-nos, que perecemos"

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

 Esta barca agitada pela tempestade é uma das mais perfeitas imagens da Igreja, que transporta sobre o mar deste mundo os discípulos e servos de Jesus. O divino Mestre está lá também, realmente presente, mas oculto e parecendo dormir. Quantas e quantas vezes, desde 20 séculos, a Igreja tem visto a sua existência ameaçada pelas tempestades! Quantas perseguições, ou cruentas e declaradas, ou surdas e hipócritas! Mas devemos ter fé porque Jesus disse: "Eu estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos". De fato, a Igreja conhece o poder d'Aquele que vela, quando parece dormir. A Igreja é indefectível, malgrado todas as borrascas: perseguições sangrentas, heresias e/ou cismas. As portas do inferno jamais prevalecerão contra a Igreja de Cristo! A Santa Madre Igreja, nas promessas de sua origem e no desenvolvimento de sua vida sempre trouxe  o signo inconfundível da Divindade; malgrado, pois, as tempestades, as maquinações dos comunistas, os escárnios lançados contra a sua moral e seus dogmas; e não obstante as infiltrações modernistas e comunistas em suas fileiras e mesmo como veneno em suas veias, ela regenera o mundo que se efemina no prazer e se dissolve na corrupção. Mais atualmente, serena e intangível assiste o esboroar dos tronos, o extinguir-se dos foros comunistas. Resistiu impávida e tranquila à violência dos criminosos, aos sofismas dos falsos doutores, ao gargalhar satânico da ironia impotente, à perfídia rebelde de filhos orgulhosos e corruptos, conjugados numa vasta conjuração contra a VERDADE. A Igreja, firme nas promessas de imortalidade do seu Divino Fundador, contemporiza com dignidade magnânima e, uns após outros, vai enterrando os seus inimigos não arrependidos, e generosa e alegremente, perdoando os que se humilham e se convertem. Ininterruptamente, e mesmo em tempo de crise como o nosso, a Igreja continua a semear a verdade e o bem nas almas. Se Deus conosco, quem contra nós?...

Mas em certas tempestades mais violentas, como se dá na crise atual na Igreja e na sociedade, Jesus parece dormir, enquanto que tsunamis parecem tragar-nos a nós e até a Santa Igreja. Máxime, nestas horas, é mister que resistamos fortes na fé, conservando inabalável a confiança de que Jesus, mesmo que pareça dormir, Ele vela por sua Esposa mística e por nós. Enquanto os maus tramam seus complôs, governantes conjurados contra a Igreja parecem prestes a subvertê-la e levá-la à ruína total, os fiéis atemorizados por tão ingentes perigos, chamam por Jesus. Jesus, então se levanta, comanda as ondas e os ventos; Jesus, com um seu olhar, com um sopro de sua boca, destroça os inimigos da Igreja, frustra seus malignos projetos, desfaz suas criminosas intrigas, e, então faz-se calma e a barca da Igreja retoma tranquila o seu curso através dos oceanos e serenamente leva seus filhos às praias da eterna bem-aventurança, ao porto da salvação, à Pátria do repouso eterno.

 Caríssimos, hoje, nesta crise sem precedentes, se considerarmos as coisas de maneira puramente humana, não se verá de onde possa vir o socorro. Sem sombra de dúvida, porém, este socorro virá. Jamais duvidemos disto! Nosso Senhor Jesus Cristo, que parece dormir no fundo da sua barca, a Igreja, levantar-se-á, estenderá suas mãos onipotentes, seus inimigos cairão à Sua direita e à Sua esquerda, e a Santa Madre Igreja sairá triunfante e mais forte da crise violenta em que os seus inimigos esperavam vê-la perecer. Assim sempre foi e assim sempre será!

  Esta barca é também figura de nossa pobre alma, tantas vezes batida por toda espécie de tempestades, durante a viagem no mar perigoso deste mundo. A alma fiel está com Jesus; Ele acompanha-a no mar tempestuoso do mundo. É por suas ordens, é por suas inspirações, é por seus sinais que ela se engajou no tumulto dos afazeres e nos cuidados daqui em baixo. E, no entanto, embora com Jesus, na sociedade de Jesus, embora unida a Ele pela graça, a alma é sujeita às tormentas. Abandonados a nós mesmos, pereceríamos infalivelmente. Mas se Jesus está conosco e é a nosso favor, que receio podemos ter? Felizes as almas que trazem Jesus consigo e sabem recorrer a Ele!

   Caríssimos e amados irmãos, as tempestades que acometem a nossa alma são muitas e variadas. São exteriores ou interiores. Entre as exteriores podemos enumerar: as doenças mais imprevistas, longas, dolorosas, dispendiosas; o luto, a perda dos que nos são caros, cuja morte nos enche de grande tristeza; a perda dos bens de fortuna, que nos precipita na miséria ou em dificuldades; calúnias, ódios, processos injustos, vinganças a que nos encontramos expostos, ainda que inocentes etc., etc.

   Tempestades interiores: Mais ordinariamente o demônio deixa em paz os seus escravos. "Os cães não mordem nas pessoas da casa" diz São Francisco de Sales. As almas fiéis a Jesus, porém, são agitadas pelas tentações que vêm do demônio, da carne e do mundo. As paixões se agitam dentro delas: o orgulho, a volúpia, a inveja, a cólera, a vingança, a ambição, fazem-lhes terríveis assaltos. Estas nossas paixões como que rugem no íntimo do nosso ser e tentam revoltar-se contra o espírito, para nos arrastar ao mal.  Podemos ainda enumerar: os escândalos, as seduções do mundo, com as suas máximas falsas, as suas ilusões e os seus prazeres.   O espírito de fé diz-nos, entretanto, que qualquer luta ou tempestade da vida é sempre querida, permitida ou pelo menos não impedida por Deus. Como dizia Santa Teresinha: "Tudo é graça, tudo é fruto do amor infinito de Deus". Deus é Pai que nos prova unicamente porque nos ama.

 As tempestades da nossa vida fazem que reconheçamos a nossa fraqueza e nos obrigam a recorrer a Jesus; porque sem Ele o que seria de nós?!  No meio das tempestades rezamos com mais fervor; praticamos as virtudes mais sublimes: a fé, a confiança em Deus, a submissão à Sua vontade, a paciência e a caridade. As provações servem para, nesta vida, expiarmos as nossas faltas e as nossas imperfeições e merecermos uma coroa melhor no céu. E sobretudo nos tornam mais semelhantes a Jesus.

   Assim, fazendo da nossa parte o que pudermos, ponhamos toda a nossa confiança em Jesus e apressemo-nos a recorrer a Ele com fé e amor. Caríssimos, não deixemos passar uma tão bela ocasião de praticar a humildade, a penitência, a paciência e de aumentar assim os nossos méritos para o céu.

   Irmãos caríssimos, não esqueçamos que, mesmo nestas tempestades, Jesus não teve em vista senão um maior bem para nós; agradeçamos-Lhe com toda a nossa alma; conservemo-nos sempre em união com Ele e seremos auxiliados. Ó doce Jesus, o importante é que estejais no coração de cada um de nós! Amém!