SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

domingo, 16 de dezembro de 2018

HOMILIA DOMINICAL - 3º Domingo do Advento

Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Filipenses, 4, 4-7.
                Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João, 1, 19-28: 

   "Naquele tempo, os judeus enviaram, de Jerusalém, sacerdotes e levitas a João, para lhe perguntar: Tu quem és? Ele confessou e não negou. E confessou: Eu não sou o Cristo. E perguntaram-lhe: Então, quem és? És tu Elias? Ele respondeu: Não sou. És tu o Profeta? Ele repetiu: Não. Disseram-lhe, então: Quem és, pois. para respondermos aos que nos enviaram? Que dizes de ti mesmo? E respondeu-lhes: Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías. Os que tinham sido enviados eram da seita dos fariseus. E interrogaram-no dizendo: Por que, então batizas se tu não és o Cristo, nem Elias, nem o Profeta? Respondeu-lhes João, dizendo: eu batizo na água, mas, no meio de vós está Um que vós não conheceis. Este é o que virá depois de mim, que existiu antes de mim e de quem não sou digno de desatar a correia dos sapatos. Isto se deu em Betânia, além do Jordão, onde João batizava."

  Caríssimos e amados fiéis em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Vamos, hoje, meditar nestas palavras do Precursor: "Medius vestrum stetit, quem vos nescitis", "No meio de vós está Um que vós não conheceis". É como se São João Batista dissera: eu já vos declarei que sou unicamente o que vai à frente, a voz que anuncia o Cristo, o Messias tão esperado! Ora, Aquele que anuncio, não é necessário esperá-Lo mais, nem ir procurá-Lo mais longe. Já O tendes no meio de vós, como homem e como Deus: e vós não O conheceis, vós que vos vangloriais de conhecer as Escrituras. Pelo que me diz respeito, eu conheço-O e vim adiante d'Ele para vos anunciar a realidade de Sua aparição no meio de vós. Se Ele não vem senão depois de mim, não penseis que seja por motivo de inferioridade; não, é ao contrário, por ser meu Mestre que Ele envia o seu servo a anunciar a sua próxima vinda. Ele existiu antes de mim. Sendo Deus, Ele existiu sempre. Portanto, Ele é infinitamente superior a mim pela sua excelência, pela sua nobreza, pelo seu poder e pela sua autoridade. Eu não sou mais que humilde lâmpada, destinada a mostrar-vos Aquele que se esconde ainda no meio de vós, e que é o Sol da justiça, a verdadeira Luz que ilumina o mundo. Sou tão pouca coisa diante d'Ele, que não me julgo digno de desatar as correias de suas sandálias. 
Trecho do Rio Jordão. Nasce aos pés do
Monte Hermon, a 300 metros acima do nível
do mar, desce até o lago de Tiberíades
(Mar da Galileia) que vem a ser o alargamento
e aprofundamento do rio e que se encontra
210 metros abaixo do nível do mar, daí
voltando a descer até o Mar Morto, cuja
superfície está  412 metros abaixo do nível
do mar.
     João Batista não deixou de fazer aos judeus uma censura, de certo muito merecida: "Ele está no meio de vós, e vós não O conheceis". Aqueles judeus censurados pelo Precursor, eram dignos filhos daqueles que, trinta anos antes, no reinado de Herodes, afetaram despreocupação por aquele Menino maravilhoso procurado pelos Magos. Sabiam as profecias, souberam indicar a esses estrangeiros o lugar exato do nascimento do Messias esperado; e todavia não foram adorá-Lo. Como os orgulhosos estão longe do reino dos céus! É que não são dignos dele. 
    Mas, caríssimos e amados irmãos, quantos cristãos de hoje, apesar de tantas luzes e graças recebidas, são cegos e surdos voluntários como estes fariseus! Ai! se compreendessem a sua desgraça!
     Como a vida de Jesus não correspondia às ideias ambiciosas do povo judeu, eles não fizeram caso de Jesus, embora constatando que n'Ele se realizavam todas as profecias. Hoje, são as mesmas paixões do orgulho, da avareza e da luxúria que impedem muitos de reconhecer a Jesus como seu Mestre e Rei. Muitos, se envergonhariam se não conhecessem os ídolos da Televisão, do Cinema, do futebol etc., mas não se envergonham de desconhecer a Nosso Senhor Jesus Cristo.
     Na verdade, Jesus está no meio de nós de muitos modos: Está na sua Igreja: "Eis que eu estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos". Está presente no seu Santo Evangelho, que contém suas ações, sua vida, sua doutrina, seu espírito. É a Palavra de Deus. Verbum Dei. Jesus Cristo está presente sobretudo na Santíssima Eucaristia. Está realmente e substancialmente presente. Ele a instituiu para permanecer no meio de nós, noite e dia, até o fim do mundo. Em toda parte em que há um padre, um altar, um tabernáculo, Ele consente em estar ali, como um terno pai no meio de seus filhos, para nos consolar, nos alimentar espiritualmente, para nos cumular de toda sorte de bens. 
Rio Jordão perto de Betânea da Transjordânia. Aí
São João Batista administrava o batismo de
penitência. 
      E por que muitos não conhecem a Jesus e muitos o conhecem mas O desprezam? Como já disse: por causa das paixões humanas, sobretudo, por causa dos vícios capitais. O orgulho que impede a pessoa de submeter sua inteligência aos mistérios de Deus e não creem em Jesus. A procura desenfreada dos bens terrenos impede muitos de meditar a vida de Jesus. Só pensam nas coisas da terra. Não querem conhecer o reino de Deus. A sensualidade impede muitos e muitos de gostar das coisas de Deus, de compreendê-las, pois, diz São Paulo: O homem animal não percebe as coisas que são de Deus. A luxúria impede os mundanos de ver a Deus. Pois, só os limpos de coração é que poderão ver a Deus. E assim Nosso Senhor Jesus Cristo é o grande desconhecido dos nossos tristes tempos.
    Terminemos com as palavras de Santo Agostinho: "Fazei, Senhor, que eu conheça a mim e conheça a Vós. Conheça a mim para me desprezar; conheça a Vós para Vos amar! Amém!
    

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

NOSSA SENHORA DE GUADALUPE

GUADALUPE
                                                                                                                                             
                                                                                                              Dom Fernando Arêas Rifan*

            Hoje festejamos Nossa Senhora de Guadalupe, patrona do México, e Padroeira da América Latina por ter ocorrido a sua aparição nos primórdios do Novo Mundo.
           Em 1531, um índio convertido, Juan Diego, a caminho da Missa na missão franciscana, nos arredores da cidade do México, recebeu um chamado para subir à colina de Tepeyac, onde viu uma jovem de radiosa beleza, que o encheu de felicidade e lhe disse: “Eu sou a sempre Virgem Mãe do Deus verdadeiro, no qual vivemos, Criador e Autor do Céu e da Terra. É meu desejo que se construa aqui um templo em minha honra, onde eu derramarei o meu amor, socorro e proteção...”. E disse-lhe que fosse à casa do Bispo, transmitindo-lhe o seu pedido. 
            O Bispo o recebeu, mas não acreditou muito na sua história. Juan Diego foi dizer à Senhora que arranjasse outra pessoa mais digna para essa missão e não ele, pobre índio. A Senhora lhe disse que poderia ter escolhido outros, mas o queria para essa missão. Voltou ao Bispo, o qual lhe disse que deveria pedir à Senhora um sinal como prova de que ela era a Mãe de Deus. A Senhora mandou que ele colhesse ali, naquela colina rochosa e árida, onde nem vegetação havia, no frio do mês de dezembro, abundantes rosas de cor e perfume maravilhosos, as colocasse em sua manta e as levasse ao Bispo, como sinal. Apresentando-se ao Bispo, derramou na sua presença as rosas e o prelado caiu de joelhos maravilhado, não tanto pelas rosas, mas por algo mais extraordinário: na manta de Juan Diego aparecia impressa com beleza surpreendente a Senhora que o pobre índio tinha visto na colina de Tepeyac. Era o dia 12 de dezembro de 1531. 
            Essa manta do índio é a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, venerada por milhões de peregrinos no grande Santuário construído em sua honra, imagem que se constitui em um grande milagre até hoje. Sábios, técnicos, pintores e especialistas, usando os meios modernos da Química, Física e Raios X, não foram até hoje capazes de explicar como é que se combinam na mesma pintura a aquarela e o óleo, sem vestígio de pincel. O tecido, feito de cacto, não dura mais de 20 anos e este já dura há mais de quatro séculos e meio. A imagem nunca foi retocada e até hoje os peritos de pintura e química não encontraram na tela nenhum sinal de corrupção. Com a invenção e ampliação da fotografia, descobriu-se um prodígio ainda maior: tal como a figura das pessoas com quem falamos se reflete nos nossos olhos, foram descobertas três figuras refletidas nos olhos de Nossa Senhora, na tela. Exames feitos com todo o rigor científico por oftalmologistas americanos concluíram que essas três figuras não são pinturas, mas imagens gravadas nos olhos de uma pessoa viva. As três imagens são João Diego, o intérprete e o Bispo. 
            Por sua fidelidade, fé simples e humildade, Juan Diego foi canonizado pelo Papa São João Paulo II em 2002.  O nome “Guadalupe” em espanhol é a tradução da frase asteca que significa “aquela que esmaga a serpente”, a quem os astecas costumavam oferecer sacrifícios humanos. Nossa Senhora de Guadalupe é também invocada como protetora dos nascituros. 

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

domingo, 9 de dezembro de 2018

HOMILIA DO 2º DOMINGO DO ADVENTO

Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos, 15, 4-13.
                Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus, 11, 2-10: 


"Naquele tempo ouvindo João no cárcere, as obras de Cristo, tendo enviado dois dos seus discípulos disse-Lhe: És tu o que há de vir, ou devemos esperar por outro? E respondendo, Jesus lhes disse: Ide repetir a João o que ouvistes e vistes: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, os pobres são evangelizados e bem-aventurado é aquele que de Mim não se escandalizar. E quando eles partiram, começou Jesus a falar ao povo acerca de João: Que saístes a ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? Mas, que saístes a ver? Um homem vestido suntuosamente? Ora, os que vestem roupas finas habitam os palácios dos reis. Então, que saístes a ver? Um Profeta? Sim, eu vos digo, e mais que um Profeta. Porque, este é aquele do qual foi escrito: Eis que envio diante de tua face o meu Mensageiro, que preparará o teu caminho adiante de ti". 

  Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

  Hoje vamos meditar nas provas da missão divina de Jesus, que nos mostra este Evangelho colocado pela Santa Igreja à nossa meditação neste segundo domingo do Advento. 
  "És tu o que há de vir, ou devemos esperar por outro? E respondendo, Jesus lhes disse: Ide repetir a João o que ouvistes e vistes...
   Como já o explicamos no ano passado, o Santo Precursor, ao enviar seus discípulos para fazer esta pergunta a Jesus, evidentemente não duvidava de nenhum modo que Jesus fosse o Messias; queria, isto sim, vencer a incredulidade deles colocando-os na oportunidade de reconhecer a missão divina de Jesus vendo pessoalmente as suas obras, obras estas antecipadamente preditas pelos profetas como demonstração da veracidade do futuro Messias.
    Infelizmente ainda hoje quantos cristãos semelhantes a estes discípulos de João Batista! Não têm uma fé firme e prática em Nosso Senhor Jesus Cristo. Ficam apegados a certos pretensos sábios e se esquecem da verdadeira Sabedoria, d'Aquele que é a Verdade, o Caminho e a Vida. Uns por malícia e impiedade, outros por cegueira provocada pelas paixões, outros ainda por uma ignorância mais ou menos culpável... Que todos estes escutem e meditem a resposta do Divino Mestre. 
  Ora, o Salvador prova a divindade de sua missão mediante três meios:  1º - por sua doutrina; 2º - pela santidade de sua vida; 3º - por seus milagres.
   Consideremos brevemente cada uma destas provas: 
Sermão da Montanha. Na década de 1930 foi construída
esta igreja em forma octogonal e com oito vitrais onde se
encontram escritas as 8 Bem-Aventuranças.
O sermão que Jesus fez aí resume toda sua doutrina,
assim como as oito Bem-Aventuranças com que o
inicia, resumem todo o sermão. 
   Primeira: Pela sua doutrina: Todos a ouviam. Pois, Jesus pregava por toda parte, a todos, publicamente. Sua doutrina é sublime, celeste, divina, e portanto, simples e ao alcance de todos. Ele instrui os homens sobre a bondade e a providência de Deus, e, ao mesmo tempo, mostra Seu poder e Sua justiça; Jesus em suas pregações fala contra as fraquezas e misérias da humanidade, sobre a vida presente e a futura. Ensina a todos claramente seus deveres para com Deus, o próximo, e para consigo mesmos. Mostra todas a virtudes que devem praticar: a humildade, o desprendimento dos bens materiais e o amor à pobreza, a castidade, a penitência, a paciência, a caridade ... etc. Temos no sermão da montanha um resumo admirável de toda a sua doutrina.
   É claro que uma moral tão pura, uma doutrina tão santa não poderiam vir senão do céu, senão de um Deus. Assim os que a ouviam ficavam convencidos da missão divina do Divino Pregador: "Todos ficavam admirados a respeito de Sua doutrina... E perguntavam entre si: Que é isto? Que nova doutrina é esta?... Todos ficavam estupefatos, porque percebiam que Ele falava com autoridade. Nenhum homem, diziam as turbas, falou até hoje como este homem" (Cf. S. Mt. VII, 28; S. Mc, I, 27; S. Lc. IV, 32; S. Jo. VII, 46). 
   Quão culpáveis eram aqueles judeus ou que simplesmente não quiseram ouvir esta doutrina, ou, ouvindo-a, ficaram admirados, tocados pela graça, mas não quiseram segui-la, porque não quiseram reconhecer seu autor como Deus! Se Jesus diz que são bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática, devemos concluir que até muitos cristãos não são bem-aventurados. 
   
   Segunda: Pela santidade da vida de Jesus. São Lucas diz que Jesus começou a fazer e a ensinar... Ele é o modelo vivo e mais completo de todas as virtudes e de todas as perfeições. Que zelo pela glória de Seu Pai e pela salvação das almas! Como reluziam n'Ele a pobreza, a pureza, a humildade, a misericórdia, a caridade, a doçura, a paciência, a bondade e todas as demais virtudes. Jesus Cristo nos deu o exemplo para que façamos como Ele fez. "Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração!" Mostrou que era Deus em toda sua vida e na Sua morte. Por isso, aqueles que seguem a Jesus não andam nas trevas!

 Terceira: Pelos milagres que Jesus fez. "Ide dizer a João o que vistes: os cegos vêem, os coxos andam.. etc. Os discípulos de João, nesta ocasião, foram testemunhas, com todos os judeus, dos milagres de toda espécie, e sem número que Jesus fazia. Eles podiam e deviam claramente reconhecer nestes prodígios que Jesus era verdadeiramente o Messias prometido, anunciado, e esperado; porque Jesus Cristo operava exatamente aqueles milagres que os profetas atribuíam antecipadamente ao Messias. E os milagres eram evidentes, públicos, múltiplos, feitos em seu nome e as vezes, com uma única palavra sua. O próprio Jesus dizia aos judeus: "Estas mesmas obras que Eu faço,  dão testemunho de mim: provam que o Pai me enviou... Se não quereis acreditar em mim, acreditai em minhas obras". 
   Os próprios judeus eram tocados fortemente pelas obras maravilhosas que Jesus operava. Muitos chegavam a dizer: "Será que quando vier o Messias, ele fará tantas obras maravilhosas como este homem faz? Infelizes, mesmo assim se recusavam em acreditar. O pior cego é aquele que não quer ver, diz o ditado popular. Corações endurecidos, que recusam adorar e seguir a Jesus, malgrado tantos milagres!

  Ó Jesus, nós vos adoramos de todo nosso coração. Cremos firmemente que Vós sois o Cristo, o Filho de Deus vivo, descido do céu à terra para nos salvar, para nos ensinar o caminho da virtude e do céu. 
   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo! que a vossa fé seja firme e prática. Glorificai a Jesus Cristo por vossa fidelidade aos Seus preceitos, pela imitação de todas as suas virtudes. 
   Senhor! eu creio, mas aumentai a minha fé! Amém!
   

HOMILIA DOMINICAL: 2º Domingo do Advento - Explicação da Epístola

   Leituras: Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos 15, 4-13.
   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 11, 2-10. 

EPÍSTOLA DE SÃO PAULO APÓSTOLO AOS ROMANOS 15, 4-13:

   "Irmãos: Tudo o que está escrito foi escrito para nosso ensinamento, para que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança. O Deus da paciência e da consolação vos dê que tenhais entre vós sentimentos segundo Jesus Cristo, para que, unânimes, a uma voz, honreis a Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso, socorrei uns aos outros, como também Cristo vos recebeu para glória de Deus. Digo-vos, pois, que Jesus Cristo foi ministro da circuncisão, em testemunho da fidelidade de Deus, e para confirmar as promessas feitas aos nossos pais. Quanto aos gentios, que também glorifiquem a Deus em sua misericórdia, como está escrito: Por isso confessar-Vos-ei entre os povos, Senhor, e cantarei hinos a vosso nome. E novamente diz: Alegrai-vos, nações, com o seu povo. E ainda: Louvai ao Senhor, todos os povos: engrandecei-O, todas as nações. E também diz Isaías: Sairá uma raiz de Jessé e as nações esperarão n'Aquele que dela se levantará para regê-las. O Deus da esperança vos encha de toda alegria e paz em vossa fé; para que abundeis na esperança e na virtude do Espírito Santo". 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Com a graça de Deus, vou explanar apenas a primeira frase da Epístola da missa deste segundo domingo do Advento. Na verdade, só estas palavras já nos oferecem assunto para mais de uma homilia. Trata-se, pois, de mostrar o valor da palavra de Deus e não a de um homem. 

   "Para mim, dizia Santa Teresinha do Menino Jesus, nada mais encontro nos outros livros que me desperte interesse. Tudo o que eu quero está no Evangelho". E o Livro da Imitação de Cristo afirma: "Duas coisas são necessárias para a vida do homem, o alimento e a luz. Por isso, deu-nos o Senhor o seu Corpo para alimento espiritual e a sua santa palavra para dirigir nossos passos". Dizia Taine: "O Evangelho é a força indispensável para alevantar o homem acima de si mesmo, de sua vida rasteira e de seus horizontes limitados, para conduzi-lo através da paciência, da resignação e da esperança até a tranquilidade de espírito; para conseguir a temperança, a pureza e a bondade até a dedicação e ao sacrifício". Belas são igualmente as palavras do Cardeal Maffi: "Náufrago no mar tempestuoso, o pobre Camões com uma das mãos batia as ondas e com a outra levantava fora d'água o manuscrito dos Lusíadas que o haviam de imortalizar. Sobre as ondas que se elevam e me envolvem está o poema de Deus que levantarei para o alto. É meu guia, minha esperança e minha salvação". 

   Tudo o que está na Sagrada Escritura foi escrito para a nossa instrução moral e religiosa, a fim de que, admoestados à paciência pelos exemplos dos livros santos e confortados com as palavras divinas, aumente em nós a esperança dos bens celestiais a que temos direito como filhos de Deus. 

   Toda doutrina, para ser perfeita, deve ser útil seja a inteligência como à vontade. Tal é a doutrina das Sagradas Escrituras: "Eu sou o Senhor teu Deus que te ensino coisas úteis" (Isaías 40, 17): é útil à inteligência: ensina a verdade e rejeita a falsidade; é útil à vontade: afasta-nos do mal e nos leva ao bem. Só uma grande doutrina pode fazer isso. Por isso São Paulo diz expressamente: "Toda a Escritura divinamente inspirada, é útil para ensinar, para repreender, para corrigir, para formar na justiça" (2 Timóteo 3, 16). A Sagrada Escritura é útil para ensinar a verdade; para repreender a falsidade e o erro; para corrigir o mal; para formar no bem, na virtude e na santidade. Como devemos ser agradecidos a Deus, Nosso Senhor e Pai, por nos ter dado tão inestimável dom!

   O fim primário que Deus teve em mira ao dar aos homens a instrução perfeita das Escrituras foi robustecer a nossa atitude em vista da bem-aventurança eterna, fim último para o qual fomos criados. Sua consecução exige violência, por causa das muitas dificuldades. Mas Deus dispôs as suas Escrituras, doutrinais e práticas, para que nos acompanhem e nos ajudem a superar estas dificuldades; e isto dando-nos ensinamentos e exemplos acerca do sofrimento e das consolações que dele promanam. Não se pode imaginar quanto os sofrimentos e as consolações nos ajudam; destas dois coisas estão cheias as Escrituras. "Tudo o que está escrito para o nosso ensino está escrito; a fim de que pela paciência e consolação (das quais lemos nas Escrituras), tenhamos esperança".

   As Escrituras, outrossim, não tratam só da paciência e da consolação de que falamos, mas as infundem, As palavras de Deus são operativas porque são dotadas de uma força admirável, não só de apresentar, mas de infundir o que querem: propõe-nos paciência e consolação e ao mesmo tempo nolas infundem. A palavra de Deus penetra até o íntimo sendo mais penetrante que uma espada de dois gumes: com um gume penetra na inteligência, com o outro, na vontade, apoderando-se completamente de nós. Como a espada de dois gumes, a palavra de Deus penetra também com suma rapidez e profundidade.

   Sejam, pois, caríssimos, as Sagradas Escrituras o nosso alimento predileto: tomemo-lo, e procuremos assimilá-lo. Assim teremos paciência e consolação como aqueles nobres Macabeus, que, em duríssimas provas, protestavam que não precisavam de nenhum auxílio neste mundo, porque tinham conforto suficiente nas Sagradas Escrituras que manuseavam continuamente, juntamente com as armas: "Temos para nossa consolação os livros santos, que estão em nossas mãos" (I Macabeus 12, 9).

   Este é o fim maravilhoso ao qual se destinam as Escrituras Sagradas: "Tudo o que está escrito para o nosso ensino está escrito; a fim de que pela paciência e consolação das Escrituras, tenhamos esperança". Amém!

   

domingo, 2 de dezembro de 2018

EVANGELHO DO 1º DOMINGO DO ADVENTO



S. Lucas XXI, 25-33

25. Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; na terra, consternação dos povos pela confusão do bramido do mar e das ondas, 26. mirrando-se os homens de susto, na expectação do que virá sobre todo o mundo, porque as virtudes dos céus se abalarão. 27. Então verão o Filho do homem vir sobre uma nuvem com grande poder e majestade. 28. Quando começarem, pois, a suceder estas coisas, erguei-vos e levantai as vossas cabeças, porque está próxima a vossa libertação. 29. Acrescentou esta comparação: Vede a figueira e todas as árvores. 30. Quando começam a desabrochar, conheceis que está perto o estio. 31. Assim, também, quando virdes que acontecem estas coisas, sabei que está próximo o reino de Deus. 32. Em verdade vos digo que não passará esta geração, sem que todas estas coisas se cumpram. 33. Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão.

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Hoje é o primeiro domingo do Advento, tempo de preparação para a comemoração do Santo Natal, data esta, como diz São Paulo escrevendo a Tito III, 4, "em que se manifestou a bondade de Deus nosso Salvador e o seu amor pelos homens, não pelas obras de justiça que tivéssemos feito, mas por sua misericórdia". Assim, à primeira vista, talvez tenhamos dificuldade em compreender porque no início do Advento, a Santa Madre Igreja, nos leva a meditar sobre a segunda vinda de Jesus, que será com grande poder e majestade e para julgar os vivos e os mortos. Na preparação de um mistério de bondade e amor a Igreja quer que meditemos num mistério da Justiça divina no Juízo Universal incutindo-nos temor, e, como diz Jesus no vers. 26: "Mirrando-se os homens de susto". A Santa Madre Igreja assim fazendo, age com sabedoria porque a Sagrada Escritura afirma que: "O temor do Senhor é o início da sabedoria" (Prov.. I, 7) e no Eclesiástico I, 27 diz: "O temor do Senhor expulsa o pecado; quem não tem este temor não poderá ser justo". Ora, caríssimos, a melhor preparação para celebrarmos o Santo Natal, é evitar o pecado, convertermo-nos e começarmos uma vida nova sempre na graça de Deus.
A Santa Igreja, aliás, não só inicia, mas, como vimos no domingo passado, o último do ano litúrgico, também falou-nos do fim do mundo e do Juízo Final. Ela quer que passemos santamente o ano e assim nos leva a meditar sobre os novíssimos, porque segue, outrossim, o conselho do próprio Divino Espírito Santo nas Sagradas Escrituras: "Em todas as tuas obras lembra-te dos teus novíssimos e nunca jamais pecarás" (Eclesiástico VII, 40).

Caríssimos, vamos resumir o que escreveu sobre o Juízo Universal, o grande Doutor da Igreja Santo Afonso M. de Ligório: O Redentor destinou o dia do Juízo Universal (chamado com razão, na Escritura, o dia do Senhor), no qual Jesus Cristo se fará reconhecer por todos como universal e soberano Senhor de todas as coisas (Sl  9, 17). Esse dia não se chama dia de misericórdia e perdão, mas "dia da ira, da tribulação e da angústia, dia de miséria e calamidade" (Sofonias I, 15). Nele o Senhor se ressarcirá justamente da honra e da glória que os pecadores quiseram arrebatar-Lhe neste mundo. Vejamos como há de suceder o juízo nesse grande dia.

A vinda do divino Juiz será precedida de maravilhoso fogo do céu (Salmo 96, 3), que abrasará a terra e tudo quanto nela exista (2 S. Pedro III, 10). Palácios, templos, cidades, povos e reinos, tudo se reduzirá a um montão de cinzas. É mister purificar pelo fogo esta grande casa, contaminada de pecados. Tal é o fim que terão todas as riquezas, pompas e delícias da terra. Mortos os homens, soará a trombeta e todos ressuscitarão (1 Cor. XV, 52). Dizia S. Jerônimo: "Quando considero o dia do juízo, estremeço. Parece-me ouvir a terrível trombeta que chama: Levantai-vos, mortos, e vinde ao juízo". Ao clamor pavoroso dessa voz descerão do céu as almas gloriosas dos bem-aventurados para se unirem a seus corpos, com que serviram a Deus neste mundo. As almas infelizes dos condenados sairão do inferno e se unirão a seus corpos malditos, que foram instrumentos para ofender a Deus.

Que diferença haverá então entre os corpos dos justos e dos condenados! Os justos aparecerão formosos, cândidos, mais resplandecentes que o sol (S. Mateus XIII, 43). Feliz aquele que nesta vida soube mortificar sua carne, recusando-lhe os prazeres proibidos, ou que, para melhor refreá-la, como fizeram os Santos, a macerou e lhe negou também os gozos permitidos dos sentidos! ... Pelo contrário, os corpos dos réprobos serão disformes,  e hediondos. Que suplício então para o condenado ter de unir-se a seu corpo! ... "Corpo maldito  -  dirá a alma   -  foi para te contentar que me perdi!" Responder-lhe-á o corpo: "E tu, alma maldita, tu que estavas dotada da razão, por que me concedeste aqueles deleites, que, por toda a eternidade, fizeram a tua e a minha desgraça?"

Assim que os mortos ressuscitarem, farão os anjos que se reúnam todos no vale de Josafá para serem julgados (Joel III, 14) e separarão ali os justos dos réprobos (S. Mat. XIII, 49). Os justos ficarão à direita; os condenados, à esquerda... Que confusão experimentarão os ímpios, quando, apartados dos justos, se sentirem abandonados! Disse S. João Crisóstomo que, se os condenados não tivessem de sofrer outras penas, essa confusão bastaria para dar-lhes os tormentos do inferno. Caríssimo irmão, abandona  o caminho que conduz à esquerda.

Os eleitos serão colocados à direita, e para maior glória   -  segundo afirma o Apóstolo  -  serão elevados aos ares, acima das nuvens, e esperarão com os anjos a Jesus Cristo, que deve descer do céu (1 Tess IV, 17). Os réprobos, à esquerda, como reses destinadas ao matadouro, aguardarão o Supremo Juiz, que há de tornar pública a condenação de todos os seus inimigos.

Abrem-se, enfim, os céus e aparecem os anjos para assistir ao juízo, trazendo os sinais da Paixão de Cristo, disse Santo Tomás. Singularmente resplandecerá a santa Cruz. "E então aparecerá o sinal do Filho do homem no céu; e todos os povos da terra chorarão" (S. Mat. XXIV, 30). Os Apóstolos serão assessores e com Jesus Cristo julgarão os povos. Aparecerá, enfim, o Eterno Juiz em luminoso trono de majestade: "E verão o Filho do Homem, que virá nas nuvens do céu, com grande poder e majestade. À sua presença chorarão os povos" (S. Mat. XXIV, 30). A presença de Cristo trará aos eleitos inefável consolo, e aos réprobos aflições maiores que as do próprio inferno, disse S. Jerônimo. Cumprir-se-á, então, a profecia de S. João: "Os condenados pedirão às montanhas que caiam sobre eles e os ocultem à vista do Juiz irritado" (Apoc. VI, 16).

Começará o julgamento, abrindo-se os autos do processo, isto é, as consciências de todos (Dan. VII, 10). A própria consciência dos homens os acusará depois (Rom. II, 15). A seguir, darão testemunho clamando vingança, os lugares em que os pecadores ofenderam a Deus (Hab. II, 11). Virá enfim, o testemunho do próprio Juiz que esteve presente a quantas ofensas lhe fizeram (Jer. XXIX, 23). Disse S. Paulo que naquele momento o Senhor "porá às claras o que se acha escondido nas trevas" (1 Cor. IV, 5). Os pecados dos eleitos, no sentir do Mestre das Sentenças e de outros teólogos, não serão manifestados, mas ficarão encobertos, segundo estas palavras de Davi: "Bem- aventurados aqueles, cujas iniquidades foram perdoadas, e cujos pecados são apagados" (Salmo 31, 1). Pelo contrário   -  disse S. Basílio  -  as culpas dos réprobos serão vistas por todos, ao primeiro relancear d'olhos, como se estivessem representadas num quadro. Exclama S. Tomás: "Se no horto de Getsêmani, ao dizer Jesus: Sou eu, caíram por terra todos os soldados que vinham para o prender, que sucederá quando, sentado no seu trono de Juiz, disser aos condenados: "Aqui estou, sou aquele a quem tanto haveis desprezado!".

Chegada a hora da  sentença, Jesus Cristo dirá aos eleitos estas palavras, cheias de doçura: "Vinde, benditos de meu Pai, e possuí o reino que vos está preparado desde o princípio do mundo" (S. Mat. XXV, 34). Que consolação não sentirão aqueles que ouvirem estas palavras do soberano Juiz: "Vinde, filhos benditos, vinde a meu reino. Já não há mais a sofrer, nem a temer. Comigo estais e permanecereis eternamente. Abençoo as lágrimas que sobre os vossos pecados derramastes. Entrai na glória, onde juntos permaneceremos por toda a eternidade". A virgem Santíssima  abençoará também os seus devotos e os convidará a entrar com ela no céu. E assim, os justos, entoando gozosos Aleluias, entrarão na glória celestial, para possuírem, louvarem e amarem eternamente a Deus.

Os réprobos, ao contrário, dirão a Jesus Cristo: "E nós, desgraçados, que será feito de nós?" E o Juiz Eterno dir-lhes-á: Já que desprezastes e recusastes minha graça , apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno (S. Mat. XXV, 34). Apartai-vos de mim, que nunca mais vos quero ver nem ouvir. Ide, ide, malditos, que desprezastes minha bênção..." Mas para onde, Senhor, irão estes desgraçados?... Ao fogo do inferno, para arder ali em corpo e alma..." E por quantos séculos?... Por toda a eternidade, enquanto Deus for Deus.


Depois desta sentença, abrir-se-á na terra um imenso abismo e nele cairão conjuntamente demônios e réprobos. Verão como atrás deles se fechará aquela porta que nunca mais se há de abrir... Nunca mais durante toda a eternidade!... Ó maldito pecado!... A que triste fim levarás um dia tantas pobres almas!... Ai! das almas infelizes às quais aguarda tão deplorável fim.

Meu Deus e meu Salvador! Já que declarastes pela boca do vosso Profeta: "Convertei-vos a mim, e eu me voltarei a vós" (Zac. I, 3), tudo abandono, renuncio a todos os gozos e bens do mundo, e converto-me, abraçando a Vós, meu amantíssimo Redentor. Recebei-me no vosso Coração e inflamai-me no vosso santo amor, de modo que jamais cogite em separar-me de Vós... Maria Santíssima, minha esperança, meu refúgio e minha mãe, ajudai-me e alcançai-me a santa perseverança. Amém!

domingo, 25 de novembro de 2018

HOMILIA DOMINICAL - 24º no próprio do tempo e último domingo do ano litúrgico Domingo depois de Pentecostes (24º no próprio do tempo)

Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Colossenses, 1, 9-14.
                 Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus, 24, 15-35:


     
Tijolos com o nome da "X Legio" romana e com o símbolo
do javali, encontrados em Jerusalém. A X  Legio era uma das
Legiões que estavam sob o comando de Tito e que, no ano
70 d.C., destruiu Jerusalém. 
  Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: "Quando virdes no lugar santo a abominação da desolação, que foi predita pelo profeta Daniel, quem ler, entenda. Então, os que estiverem na Judeia, fujam para os montes; e o que se achar no terraço, não desça para ir buscar coisa alguma de sua casa; e o que estiver no campo, não volte para tomar a sua túnica. Ai, porém, das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! Rogai, pois, que a vossa fuga não seja nem no inverno, nem em dia de sábado. Porque haverá grande aflição, qual nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem jamais haverá. E se estes dias não fossem abreviados, ninguém se salvaria; mas, por causa dos Eleitos, serão abreviados esses dias. Então, se alguém vos disser: Aqui está Cristo, ou Ele está ali, não lhes deis crédito. Porque, se levantarão falsos Cristos e profetas, e farão tão grandes prodígios e milagres, que (se fosse possível) até os Eleitos seriam enganados. Vede que já vo-lo predisse. Se, pois, vos disserem: Ei-lo, está no deserto, não saiais. Ei-lo, aqui, no interior da casa, não lhes deis crédito. Porque, como o raio parte do Oriente e é visível até o Ocidente, assim, será a vinda do Filho do homem. Onde quer que esteja o corpo, aí se ajuntarão as águias. Logo após a tribulação daqueles dias, o sol se escurecerá, a lua não dará mais a sua luz, as estrelas cairão do céu, e as forças do céu serão abaladas. Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu, com grande poder e glória. E enviará seus Anjos com forte clamor de trombetas e reunirão os eleitos, dos quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus. Da figueira aprendei, pois, uma comparação. Quando seus ramos já estão tenros e as folhas brotam, sabeis que já está próximo o verão; assim, também, quando virdes todas estas coisas, sabei que o Filho do homem está perto, às portas. Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estas coisas se cumpram. Passará o céu e a terra, mas minhas palavras não passarão". 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

  Estamos no último Domingo do Ano Litúrgico. É a profecia de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre a ruína de Jerusalém e sobre o fim do mundo.  Para boa compreensão deste Evangelho não se deve perder de vista que Nosso Senhor fala, ao mesmo tempo, da ruína de Jerusalém e do fim do mundo. Os desastres espantosos e extraordinários que assinalaram o fim do povo judeu, são apenas uma imagem da confusão e desordem que há de preceder o fim do mundo. Jesus parece ter diante de si, um só espetáculo, onde estão confundidos estes dois acontecimentos, e os pormenores que Ele profetisa, são aplicáveis, ora à tomada de Jerusalém, ora ao fim do mundo, ora aos dois fatos indistintamente.
  Em resumo Jesus Cristo ensina: que o Templo e a cidade de Jerusalém serão destruídos; que no fim do mundo (que só Deus sabe quando é) Ele voltará  em sua glória para julgar todos os homens. O Divino Mestre alerta os seus discípulos que não devem dar crédito aos falsos cristos que aparecerão e nem temer as perseguições, mas perseverar até o fim. Devem estar sempre preparados, porque o dia do juízo virá como um ladrão, quando menos se esperar. Alguns sinais, no entanto, podem indicar sua proximidade. Mesmo assim, é preciso lembrar o que diz a Bíblia: "Mil anos, diante do Senhor, é como um dia" (2 Pedro III, 8.
  Pouco depois da morte de Nosso Senhor, surgiram muitos falsos profetas que inculcavam como o Messias. Tinham por objetivo principal sublevar o povo contra a odiosa dominação dos romanos, e, entre muitos distinguiram-se Teudas que arrasta as multidões a caminho de Jerusalém, levando-as a acreditar que o Jordão se abriria à sua passagem; Barchochebas e Simão, o Mago, que multiplica simulacros de prodígios e esparge redes de enganos.Antiguidades, de Josefo, são como que um comentário das palavras evangélicas. Aos ruídos de guerra sucede a própria guerra, guerra de morte na Palestina, em todas as regiões do Império. A esterilidade é contínua - dizia o historiador Suetônio. Perto de Nápoles. o solo tremia já com rugidos sinistros. Jerusalém e Roma estremeciam com um terremoto, e se sentia já o começo das dores, quer dizer, a perseguição, as cruzes, as bestas, as luminárias, erguidas, soltas, acesas pelo verdugos de Nero. E chega a abominação da desolação; o Templo convertido em cidadela das tropas do governador da Síria, a cidade entregue à tirania, o efod pontifical adornando o peito de um labrego, as hordas de João de Giscala fechando as portas da cidade, e Tito caminhando a marchas forçadas, para erguer à sua volta fossos, torres e muros e fazer dela o sepulcro do povo de Israel. "Jamais povo algum, - dizia Josefo - terá sofrido tantas calamidades, misturadas com tantos crimes". O próprio Tito, imperador Romano, confessava que Deus tinha combatido pelos sitiantes, cegando os judeus e arrancando-lhes os seus baluartes inexpugnáveis. Em sete meses de assédio, morreu mais de um milhão de homens, e os que ficaram foram distribuídos por todas as províncias do Império com a marca de escravos na fronte. Josefo diz que tal foi a fome, que as mães chegaram a devorar os próprios filhos. Se as desgraças do mundo inteiro desde a criação, fossem comparadas às que os judeus sofreram então, achar-se-iam inferiores a elas".
Pináculo do Templo de Jerusalém
  Segundo São Jerônimo, é preciso ter estado na Palestina para julgar da situação das suas cidades e praças, após o seu tremendo castigo. "Apenas se descobrem, diz ele, alguns vestígios de ruínas onde outrora se levantaram grandes cidades. Os pérfidos vinhateiros, depois de ter assassinado os servos, e, finalmente, o Filho de Deus, não têm mais agora o direito de entrar na cidade de Jerusalém senão para chorar, e ainda para que lhes seja permitido chorar sobre as ruínas da cidade santa, são obrigados a pagar um certa soma de dinheiro. Os que outrora tinham comprado o sangue de Jesus Cristo, compram agora as suas próprias lágrimas. Vede este povo lúgubre que chega no aniversário da tomada de Jerusalém e da sua destruição pelos romanos. Essas velhas decrépitas, estes velhos carregados de anos e andrajos, são outras tantas testemunhas da cólera de Deus. O bando miserável se reúne, e enquanto brilha o instrumento do suplício do Salvador na Igreja da Ressurreição, enquanto o estandarte da Cruz está deslumbrantemente desdobrado por sobre o monte das Oliveiras, este povo desgraçado chora sobre as ruínas do seu Templo".
  Sobre o Templo de Jerusalém Jesus dissera que não ficaria pedra sobre pedra. Esta profecia se cumpriu no ano 70, quando depois de tomarem Jerusalém, os soldados chefiados por Tito atearam fogo ao Templo. Mais tarde Juliano Apóstata, com a intenção de reedificá-lo, destruiu completamente a parte que ficara.
  Caríssimos, no próximo domingo, se Deus quiser, meditaremos mais especialmente sobre o fim do mundo e o juízo universal.


    

domingo, 18 de novembro de 2018

HOMILIA DOMINICAL - 26º Domingo depois de Pentecostes (6º depois da Epifania transferido)

   Estamos no 26º Domingo depois de Pentecostes; transfere-se para hoje o 6º Domingo depois da Epifania. (Este ano litúrgico tem 27 domingos depois de Pentecostes). 

  Leituras: Primeira Epístola de São Paulo Apóstolo aos Tessalonicenses, 1, 2-10.
                  Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus, 13, 31-35:


Dizem os Santos Evangelhos : "Naquele mesmo dia
saiu Jesus de casa e sentou-se à beira do mar.
Reuniu-se tanta gente perto dele, que subiu à uma
barca, onde se sentou, ficando todo o povo
na praia. E falou-lhes muitas coisas em parábolas".
As duas parábolas do Evangelho deste Domingo
foram feitas neste sermão.
Faz alguns anos que houve uma grande seca
na Galileia; o nível das águas do Lago de
Genesaré ficou muito baixo. Foi então encontrada
uma barca afundada na argila, que segundo os
cientistas dataria entre os anos 100 AC e 100 DC.
Seria a barca na qual Jesus pregou? Este detalhe
não é possível ser verificado pelas ciências.
Tive oportunidade de ver esta barca (foto) no
Museu construído ao norte da antiga
Magdala.
  Naquele tempo, propôs Jesus ao povo esta parábola: O Reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda, que um homem tomou e semeou em seu campo. Este grão é, em verdade, a menor de todas as sementes, mas depois de crescida, é a maior de todas as hortaliças e chega a tornar-se uma árvore, de maneira que as aves do céu vêm e fazem seus ninhos entre os seus ramos. Disse-lhes ainda outra parábola: O Reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até que ela fique levedada. Todas estas coisas disse Jesus ao povo, em parábolas; e não lhe falava senão em parábolas, para que se cumprisse o que estava escrito pelo Profeta? Abrirei em parábolas os meus lábios e publicarei coisas ocultas desde a criação do mundo.

  Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

  Neste domingo a Santa Igreja apresenta para nossa meditação, mais duas parábolas: a do grão de mostarda e a do fermento. 
   Os Santos Padres dão-nos vários sentidos da parábola do grão de mostarda: 
   1º - PRIMEIRA SIGNIFICAÇÃO:  A pregação do Evangelho, isto é, da doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo. Desde o princípio, com efeito, a pregação da doutrina  de Nossos Senhor foi como uma semente muito pequena, como um grão de mostarda, lançado primeiramente pelo próprio Divino Mestre e pelos Apóstolos na Judeia e depois em toda terra, no meio de contradições e de perseguições. Jesus dizia: "Quando Eu for levantado da terra, atrairei tudo a mim". E São Paulo diz: "Prego a Jesus crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios". Mas este grão de mostarda germinou, cresceu e fez-se árvore (na palestina o pé de mostarda chega até a três metros de altura) em que as aves do céu, isto é, as almas fiéis e generosas vêm pousar em multidão, à espera de voarem para o Céu. 
  2º - SEGUNDA SIGNIFICAÇÃO: A Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. Como o grão de mostarda, a Igreja era pequena em seus começos, e está hoje espalhada por todo o mundo; tornou-se uma grande árvore onde os pássaros, isto é, os cristãos de todos os séculos, vêm buscar abrigo e alimento. Os grandes e belos ramos desta grande árvore são os ensinos que saem do firmíssimo tronco, que é a Igreja. As almas nobres e verdadeiramente aladas, os que sabem erguer-se acima das misérias da vida, encontram repouso, paz e tranquilidade, à sombra de sua doutrina.
  O escândalo da cruz, a severidade da sua moral, as heresias nascentes, as terríveis perseguições durante séculos, devastando pastores e ovelhas, tudo isto parecia condenar a Igreja ao desaparecimento, como acontece com um grãozinho de mostarda que cai no chão e é pisado. Mas, ó maravilha! o pequenino grão de mostarda (já figurado pela pequenina pedra desprendendo-se da montanha, e mostrado ao profeta Elias sob a figura da pequenina nuvem que, pouco a pouco, se avoluma no horizonte) desenvolve-se admiravelmente de século para século, e transforma-se numa grande árvore que estende seus ramos até aos confins da terra e cobre o mundo inteiro com a sua benéfica sombra. 
  3º - TERCEIRA SIGNIFICAÇÃO: A graça de Deus em nossas almas. A graça é, muitas vezes, no princípio, quase imperceptível: é um bom pensamento, uma santa inspiração, uma secreta impulsão, um bom exemplo, uma simples palavra... Mas esta graça germina, cresce, aumenta na alma, torna-se como uma grande árvore, e produz frutos de santidade e de salvação, que edificam e alegram toda a Igreja. 
  4º - QUARTA SIGNIFICAÇÃO: O próprio Nosso Senhor Jesus Cristo: Referindo-se à sua Morte e Ressurreição Jesus disse que, se o grão não cair na terra e morrer, não germina e nem dá fruto. Tendo aparecido na terra pobre e humilde, vive nela vida obscura e pobre e é perseguido, reduzido a quase nada como um verme, na Sua Paixão; é sepultado e como que semeado na terra... Mas sai de lá triunfante e glorioso, estendendo a sua doutrina e o seu poder por toda a terra, e recebendo as adorações do mundo inteiro.

 Vejamos agora a parábola do fermento. Esta parábola parece-se com a da mostarda; mas suscita uma ideia de certo modo diferente. Se a parábola do grão de mostarda nos revela a expansão gradual do Evangelho e o seu extraordinário desenvolvimento, esta do fermento faz-nos ver o trabalho interior da graça na alma dos eleitos.
  Com efeito, aqui o fermento é tomado como figura da graça de Deus, que infundida em nossas alma por meio dos sacramentos, ali se desenvolve insensivelmente e produz frutos de santidade e de salvação, se não lhe pomos obstáculos. É mister o fervor, o calor do amor de Deus para que este fermento divino tenha todo o efeito em nossa alma. Aqui pensamos especialmente no Santíssimo Sacramento da Eucaristia. O pão eucarístico que a Igreja nos dá e que é posto em nós como um fermento sagrado, para nos penetrar, mudar e transformar em Jesus Cristo, fazer de nós com Ele, um mesmo espírito e uma mesma carne, a fim de que nos tornemos um pão místico, digno de ser oferecido a Deus. Todos os fiéis que comungam, e mais especialmente os que comungam com frequência, deveriam ser para todos aqueles que os cercam ou que eles frequentam, quer fossem cristãos quer descrentes, um como fermento salutar; isto é, assim como o fermento transforma a massa, assim, o verdadeiro cristão deve operar, naqueles com quem se mistura, uma feliz transformação, convertendo-os, tornando-os melhores, fazendo deles frutos saborosos, dignos e fiéis discípulos de Jesus Cristo.
  Senhor Jesus, abri os olhos da nossa alma, para que compreendamos as celestes instruções que nos dais em vossas divinas parábolas. Amém!