SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

O MATERIALISMO ONTOLÓGICO DO COMUNISMO



Isto é sinônimo de ateísmo, porque Deus é espírito perfeitíssimo, subsistente por si mesmo. Para os comunistas a Religião é algo inventado para enganar o povo. Sabemos que é pela Religião que o homem se liga a Deus. Ora, se não existe Deus, como eles ensinam, logo, a religião é vã. Por isso, dizia Marx que a religião é o ópio do povo. Que quer dizer este fundador do Comunismo? Que é ópio? É uma droga que causa euforia e no uso contínuo (dependência) leva a uma decadência física e intelectual. É, na verdade, um veneno estupefaciente. Daí o significado figurado: tudo aquilo que causa embrutecimento moral. Os comunistas pensam que eles e só eles sabem como dar a verdadeira felicidade. No entanto, os que têm fé sabem que sem Deus não pode haver verdadeira felicidade. Deus é o sumo Bem; Jesus Cristo, o Filho de Deus Vivo feito Homem, é o caminho, a verdade e a vida. Onde, porém, é implantada a ditadura comunista, como Cuba e Venezuela  (para dar exemplos bem conhecidos de todos nós, e só não o vêem os cegos voluntários), reina a infelicidade, a igualdade na miséria.

Mas vamos citar algumas afirmações de alguns corifeus comunistas. No prefácio de uma obra escrito por Marx em 1859, lê-se: "Na produção social, os homens submetem-se a situações precisas, necessárias, independentes de sua vontade, a relações de produção que correspondem a um determinado grau de desenvolvimento de suas forças materiais de produção. A globalidade destas relações de produção forma a estrutura econômica da sociedade, a base real, sobre a qual se eleva uma superestrutura jurídica e política... É a própria forma de produção da vida material que condiciona o processo social, político e espiritual da vida. Não é a consciência do homem que determina o seu ser, mas ao contrário, é o seu ser social que determina a sua consciência... Com a mudança da situação econômica, toda a monstruosa superestrutura se transforma, de forma mais rápida ou mais lenta. Na consideração de tais transformações é preciso diferenciar sempre entre a revolução material, fielmente constatável pelas ciências sociais nas condições de produção, e as formas jurídicas, políticas, religiosas, artísticas ou filosóficas, numa palavra, ideológicas, pela quais os homens se tornam conscientes deste problema e o solucionam" (Livro: Crítica da Economia Política, p. 13).

Vamos procurar desfazer a grande obscuridade deste texto.  A primeira coisa que Marx aí quer ensinar é que a religião  é determinada pelas condições econômicas. Em outras passagens deste livro ele emprega outras expressões como: a religião é condicionada, é transformada, é determinada, é inserida no mundo, pelo fator econômico. É, na verdade, uma consequência lógica de seu materialismo ontológico, ou se quiserem, do seu ateísmo.

Como a realidade das coisas mostra o contrário do que ensina esta tese de Marx, ele mesmo e outros como Engels, procuraram reformulá-la, vesti-la com outra pele. Por exemplo, Engels em 1890 disse: "Segundo a interpretação materialista da história, o momento histórico que decide, EM ÚLTIMA INSTÂNCIA (destaque meu), é a produção e a reprodução da verdadeira vida. Nunca foi afirmado mais do que isto, nem por Marx, nem por mim. Mas, se alguém torcer a ideia e disser que o momento econômico é o único fator que decide, então ele transforma aquela frase numa retórica sem conteúdo, abstrata, absurda". O mesmo Engels, três anos depois, afirmava: "Marx e eu havíamos negligenciado o lado formal em favor do conteúdo". Na verdade, estes mentirosos, filhos que são do demônio, querem, no fundo, afirmar que o capitalismo, o feudalismo da Idade Média e outras situações semelhantes é que causam a religião, são o ópio que torna estúpido o homem a ponto de achar que é Deus que lhe dá  felicidade. Em outras palavras, Marx quer ensinar que "em última instância" são as condições econômicas que determinam o que é espiritual e, portanto, o que determina a religião.  Marx chega ter a ousadia de escrever: "O moinho movido pelo braço humano produz uma sociedade com senhores feudais, o moinho a vapor produz uma sociedade com capitalistas industriais".

Daí, os comunistas procuram destruir a religião, a crença na Providência divina, pelo método das contradições. Para eles a origem da religião vem somente de uma dupla impotência do homem: a impotência perante as forças da natureza (mas não sabem provar isto) e a impotência do homem subjugado em face dos exploradores. A primeira impotência, segundo Marx e Engels, teria levado o homem a acreditar em Deus e em milagres; e a segunda impotência (em face dos exploradores) teria levado o homem a acreditar num mundo melhor, no céu. Eis o que diz Marx: "Toda a história da religião que abstrair desta base material, não tem espírito crítico" (Seu livro Capital, I, p. 389).  Concluem que, envenenados pelo ópio das religiões, os homens acabam por não levar em conta as situações cruéis da sociedade. Mas, caríssimos, é o contrário que se dá, os comunistas, por não por Deus acima de tudo, levam o povo a maior miséria, acabam com os ricos e também com os pobres, e igualam todos na miséria. Só os ditadores comunistas é que comem do bom e do melhor em restaurantes de luxo.

Mas Lenine dizia: "Àquele que durante toda a sua vida trabalha e passa miséria, a religião ensina humildade e paciência aqui neste mundo, e o consola com esperanças e recompensa celestial. Mas àqueles que vivem do trabalho alheio, a religião manda praticar boas obras nesta vida, com o que ela  lhe dá uma solução muito barata para toda a sua existência exploradora e vende ingressos para a bem-aventurança celestial por preços bem camaradas".  Infelizmente, quantas pessoas, até católicos, que se deixam enganar por essas falácias. É preciso que as pessoas vejam que esta linguagem é de gente ateia e à toa.

A FELICIDADE


   "Eu nada temo tanto, dizia Santa Teresa d'Ávila, como ver nossas irmãs perderem a alegria do coração".
   Jesus é a felicidade infinita! Estar com Ele constitui já aqui na terra, um doce paraíso. Quem está no estado de graça, ou seja, com Nosso Senhor Jesus Cristo, então é feliz. É feliz a pessoa que pode dizer a si mesma com toda simplicidade: Eu sou filha de Deus! Tem todos os motivos para ser alegre no Senhor. E basta eu querer para ter a consciência e o coração unidos a meu Deus, que é o meu Pai do Céu, onipotente e a própria Bondade. Não há assim nenhuma razão para a alma se entregar à tristeza. Nossa Senhora, nas Ladainhas Lauretanas é chamada: Causa de nossa alegria. E devemos afirmar que Jesus é a Causa das causas de nossa alegria. Não invejo nada a ninguém porque o único bem invejável é o amor de Deus, e deste amor, obtenho tanto quanto peço. Eu não desejo nada com apego nem com força a não ser a graça de pertencer totalmente a Jesus. E sou também filho ternamente querido da Santíssima Mãe de Jesus. Ela me ama, e assim é completa a minha alegria. Eu amo a Jesus mais que tudo, porque Ele é o Bem Soberano. Posso alegrar o Coração de meu Jesus que morreu por mim; posso convidá-Lo para minha casa, hospedá-Lo no meu coração, viver com Ele numa intimidade inexprimível. Posso sofrer por amor a Jesus, associar-me à sua Paixão e à sua Redenção, posso povoar seu céu. Posso tornar minha vida fecunda para as almas. 

   A tristeza, dizia santa Catarina de Sena, é obra do demônio. Pela misericórdia de Jesus, somos filhos de Deus e então, a nós, filhos de Deus, compete rejubilar-nos. A tristeza é a irmã da dúvida e da cólera. Ela contrista o Espírito Santo e o expulsa. Deus gosta de nos ver contentes como crianças sadias e bem amadas por suas mães. Como a criança é feliz! Jesus quis que seus discípulos fossem como crianças, simples, humildes com aquela alegria franca que brota do fundo de uma alma pura. 

  Caríssimos, como é belo o coração sempre contente, calmo, humilde, simples, caridoso e benevolente. Como é confortante encontrar, na estrada da vida, pessoas que espalham a felicidade, pessoas que a gente nunca teme encontrar com o semblante fechado, com mau humor. Isto caríssimos, é porque estas pessoas aprenderam do Coração de Jesus a serem mansas e humildes. Na verdade, quanto mais um coração penetrou no de Jesus e entregou-se à sua benfazeja ação, mais aprendeu a ser sempre feliz e espalhar em redor de si a felicidade. 

  Jesus, manso e humilde de coração! Fazei o meu coração semelhante ao vosso! E eu encontrarei descanso para a minha alma e difundirei em torno de mim o vosso bom perfume da verdadeira felicidade. Amém!

domingo, 14 de outubro de 2018

HOMILIA DOMINICAL - 21º Domingo depois de Pentecostes

Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Efésios, 6, 10-17.

Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus, 18, 23-35: 

"Naquele tempo, disse Jesus esta parábola a seus discípulos: O Reino dos céus se compara a um rei, que quis pedir contas a seus servos. Começando a fazer contas, apresentou-se-lhe um que lhe devia dez mil talentos. Mas não tendo ele com que pagar, mandou o senhor que fossem vendidos ele, sua mulher e seus filhos, e tudo quanto possuía, para pagar a dívida. Então este servo, prostrando-se em terra, disse-lhe suplicante: Tem paciência comigo e pagarei tudo. E compadecendo-se desse servo, o Senhor libertou-o e perdoou-lhe a dívida. Saindo dali, porém, o servo encontrou-se com um de seus companheiros que lhe devia cem dinheiros; e logo o agarrou e, sufocando-o, disse: Paga-me o que me deves. E o seu companheiro, prostrando-se a seus pés, implorava-lhe: Tem paciência comigo e pagarei tudo. Ele porém não quis; retirou-se e fez com que o metessem na prisão, até pagar a dívida. Vendo os outros servos, seus companheiros, o que se passava, entristeceram-se muito e foram contar a seu senhor tudo o que tinha acontecido. Então seu senhor o chamou e lhe disse: servo mau, eu te perdoei toda a dívida porque me suplicaste; não devias tu também ter piedade de teu companheiro, como eu tive de ti? E, enraivecido, seu senhor entregou-o aos algozes, até que pagasse toda a dívida. Assim também vos fará meu Pai celestial, se do íntimo de vossos corações não perdoar cada um a seu irmão". 


  Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Quando fez esta parábola, Jesus encontrava-se em Cafarnaum, que é
chamada  "A Cidade de Jesus". Da época de Jesus só há ruínas
descobertas nos últimos tempos pelos arqueólogos.  Já tivemos
ocasião de mostrar as ruínas da Casa de São Pedro. A foto mostra
as ruínas de outras casas. 
  A finalidade desta parábola é bem determinada: a necessidade de perdoarmos as ofensas que o próximo nos faz para que sejamos perdoados dos pecados que cometemos diretamente contra Deus nos três primeiros mandamentos; e indiretamente nos outros sete. Dando-nos o exemplo da misericórdia, Deus ensina-nos a usar dela como Ele. As nossas dívidas são os nossos pecados que precisam de ser lavados pelo Sangue de um Deus. Portanto, nossas dívidas para com Deus, devem ser calculadas  segundo o preço do nosso resgate, o preciosíssimo Sangue de Jesus. O Sangue de Cristo é como um mar vermelho em que o exército enorme e terrível dos nossos pecados é inteiramente destruído, como afogado foi na Mar Vermelho o exército do Faraó. Mas é preciso estarmos sinceramente arrependidos, confessar humildemente os nossos pecados e perdoar do fundo do coração as ofensas que o próximo nos faz.

Ruínas da Sinagoga de Cafarnaum. Fora construída no século IV sobre
as ruínas da Sinagoga do tempo de Jesus e na qual Ele fizera o sermão
prometendo a Santíssima Eucaristia. Ainda podemos ver no local algumas
pedras e pedaços de peças da Sinagoga do tempo de Jesus. 
 A segunda parte da parábola fala justamente do nosso perdão. Diz Jesus na parábola que ao voltar a casa aquele afortunado servo que fora absolvido de toda a dívida, encontrou-se com um seu companheiro que lhe devia cem dinheiros, soma verdadeiramente ínfima em comparação com os dez mil talentos que lhe tinham sido perdoados; mas este homem, que fora tratado com tanta piedade, não demonstrou nenhuma para com o seu semelhante, antes fez que o metessem na prisão até pagar a dívida. Não atendeu às suas súplicas e lágrimas.

Caríssimos, embora corando, temos de reconhecer que, tal como a bondade do rei é a imagem da misericórdia de Deus, a crueldade do servo é a imagem da nossa dureza, da nossa mesquinhez em perdoar ao próximo. No entanto, que dívidas poderá ter o próximo para conosco em comparação das que nós temos para com Deus? A gravidade da ofensa se mede pela dignidade da pessoa ofendida. Ora, todo pecado é uma ofensa feita à Majestade infinita de Deus. Quando o próximo nos ofende em alguma coisa, na verdade, ofende a uma miserável criatura. Mas eis o contraste: Deus perdoa, esquece, anula inteiramente as nossas graves ofensas e não cessa de nos amar e de nos favorecer, apesar das nossas contínuas infidelidades; nós, ao contrário, só com grande custo somos capazes de perdoar alguma pequena ofensa e, ainda que perdoemos, não sabemos esquecer inteiramente. Caríssimos, pensemos bem nisto: que seria se o próximo cometesse todos os dias para conosco tantas infidelidades e indelicadezas como nós cometemos para com Deus?

 Assim também vos fará meu Pai celestial se não perdoardes do íntimo dos vossos corações cada um a seu irmão". Na medida em que perdoarmos, seremos perdoados. Isto significa que somos nós próprios a dar a Deus a medida exata da misericórdia que há de usar para conosco. Aliás Jesus ensinou no Padre-Nosso: "Perdoai as nossas dívidas (= pecados, ofensas) assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido". Quem sabe mentimos a esta protestação que repetimos a Deus milhares de vezes. Quem guarda ódio, rancor e vingança, e não perdoa, ao rezar o Padre-Nosso está pedindo a sua própria condenação.
Ma o servo cruel foi castigado: "irado, o rei entregou-o aos algozes até que pagasse toda a dívida". E Nosso Senhor Jesus Cristo dá a conclusão: "

  Na verdade muita gente fica preocupada sem entender como praticar o perdão "Ex cordibus vestris", isto é, de todo coração, do fundo do coração, seriamente. Evitando toda a hipocrisia, nós  devemos estar prontos a testemunhar àquele que nos ofendeu, uma verdadeira caridade e a dar-lhe, por todas as formas, sinais de benevolência. Alguém dirá: é difícil!!! Não há dúvida. Mas Deus não nos exige nada impossível. Neste caso ouçamos o conselho de Santo Agostinho: "É difícil, para mim, perdoar a quem me ofende? Recorrerei à oração. Em vez de repelir injúrias com injúrias, rezarei pelo injuriador. Se tiver vontade de lhe responder duramente, falar-Vos-ei, a Vós, Senhor, em seu favor. E em seguida lembrar-me-ei de que Vós prometeis a vida eterna, mas ordenais que perdoemos ao irmão. É como se me dissésseis: "Tu, que és homem, perdoa a outro homem, a fim de que Eu, que sou Deus, possa vir a ti". Amém!

domingo, 7 de outubro de 2018

HOMILIA DOMINICAL - 20º Domingo depois de Pentecostes

Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Efésios, 5, 15-21.
"Irmãos: Tende cuidado em andar com circunspecção; não como insensatos, e sim como prudentes. Aproveitai o tempo, porque os dias são maus. Assim, pois, não sejais imprudentes, mas aplicai-vos a conhecer qual seja a vontade de Deus. E não vos embriagueis com vinho, do qual nasce a impureza; mas ficai repletos do Espírito Santo. Entoai salmos, hinos e cânticos espirituais; cantai e salmodiai ao Senhor em vossas orações. Dai sempre e por tudo graças a Deus, nosso Pai, em Nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Submetei-vos uns aos outros no temor de Cristo."

Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João, 4, 46-53: 
"Naquele tempo havia um oficial do rei cujo filho estava doente em Cafarnaum. Tendo ouvido que Jesus voltara da Judeia para a Galileia, foi ter com Ele, e pediu-lhe que viesse à sua casa e curasse seu filho, que estava à morte. Disse-lhe, então, Jesus: Se não virdes milagres e prodígios, não credes. O oficial do rei respondeu: Senhor, vinde, antes que meu filho morra. Disse-lhe Jesus: Vai, o teu filho vive. Acreditou o homem na palavra de Jesus e partiu. Quando ele já ia para casa, vieram-lhe ao encontro seus criados e deram-lhe a notícia de que o seu filho vivia. Perguntou-lhes, então, a hora em que o doente se achara melhor. Responderam-lhe: Ontem pela sétima hora, a febre o deixou. Reconheceu logo o pai ter sido aquela a mesma hora em que Jesus lhe dissera: Teu filho vive. E acreditou ele e toda a sua família."

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!
  
  Deus infinitamente bom e sábio, serve-se, às vezes, da doença como um recurso para salvar a alma. No caso presente do Evangelho, vemos que a doença corporal do filho é motivo para a convalescênça espiritual do pai e conversão de toda aquela família. 
Vista parcial de Caná atual. Aí Jesus fez seu primeiro
milagre; e daí curou o filho do oficial em Cafarnaum,
que fica a alguns Km de Caná e abaixo 500 metros.
Por isso o oficial pediu que Jesus descesse até à
sua casa em Cafarnaum.
Como percebemos pela foto, Caná está construída numa
região montanhosa.
 Na verdade, a fé daquele oficial do rei Herodes era diminuta e imperfeita. Vinha pedir a Jesus a cura do filho, unicamente porque ouvira dizer que aquele homem de Nazaré estava fazendo milagres. Jesus se achava em Caná da Galileia; e ali mesmo havia transformado água em vinho. Este oficial nem sequer pensava na razão e origem de tanto poder, ou seja, não pensava que Jesus Cristo era o Filho de Deus, o Messias. Além disso, julgava que Jesus só podia operar a cura, vindo tocar o próprio doente, ou impor-lhe as mãos. É por isso que o Salvador parece censurá-lo, embora amenize as palavras, dirigindo-as mais aos circunstantes que ao pai aflito: "Se não virdes milagres e prodígios, não credes".  Os milagres são, sem dúvida, necessários. É por eles que o Messias, segundo os Profetas, devia manifestar a sua missão divina e a sua Igreja estender-se pelo mundo. Mas não deixa de ser verdadeira a palavra de Jesus a S. Tomé: "Bem-aventurados os que não viram e creram". Aliás, os milagres, a maior parte das vezes, só convertem os homens de boa fé e de boa vontade. Os Fariseus, na sua maioria, viram, com seus olhos todos os milagres feitos por Jesus e não quiseram crer e crucificaram-No. Tinham olhos mas não viam, por causa do orgulho. 
No fundo vemos a igreja católica construída no local
onde Jesus fez o seu primeiro milagre e "Seus discípulos
creram n'Ele"
. O serviço arqueológico descobriu duas das
seis talhas usadas nas Bodas de Caná: uma está na
igreja católica e a outra na igreja greco-ortodoxa que
vemos em primeiro plano, construída perto da outra. 
  O oficial, parecendo não compreender a censura de Jesus, insistiu: "Senhor, descei, antes que meu filho morra". Vemos que este oficial acredita no poder de Jesus, mas a sua fé continua imperfeita, pois que julga necessária a presença  do taumaturgo e não acredita ainda que Jesus possa curar o seu filho à distância ou ressuscitá-lo, se estiver morto. Devemos observar que Jesus estava na ocasião, no início de sua vida pública, e, portanto, não havia feito ainda muitos milagres. Veremos mais tarde, numa circunstância análoga, o Centurião romano dizer a Jesus com fé e humildade admiráveis, bem superiores às deste oficial do rei: "Senhor, eu não sou digno que vos incomodeis em vir a minha casa; dizei somente uma palavra e o meu servo será curado!" Por isso o Centurião mereceu ouvir de Jesus: "Não encontrei tamanha fé no meu povo de Israel!
  O Divino Mestre, no entanto, não despreza essa fé imperfeita do oficial, mas trata de a robustecer, curando o enfermo ausente. Cumpriu-se mais uma vez a palavra do profeta: "Não quebrará a cana fendida, nem apagará a mecha que ainda fumega".  Disse Jesus àquele pai aflito: "Vai, teu filho vive". 
  Acreditou o homem na palavra de Jesus e partiu. Não instou mais com Jesus: sinal de que acreditou. Sua fé já era bem mais viva e perfeita. 
  A meio do caminho encontrou seus servos que vinham ao seu encontro anunciar-lhe a feliz nova: seu filho  subitamente ficara curado. Perguntou o pai a que hora isto se deu. Se, deste modo quis, por assim dizer, verificar o fato, precisando o momento da sua realização, foi, para confirmar a sua própria fé e poder atribuir a Jesus e só a Jesus a cura do filho e assim se excitar a uma perfeita gratidão. Quis também, sem dúvida, que os seus servos partilhassem da sua admiração e da sua convicção, de que Jesus era o único autor dum tão grande milagre e assim levá-los a felicidade de acreditarem como ele. 

A fé deste oficial estava no começo, quando veio à procura de Jesus e pedir-lhe a cura do filho; aumentou, quando acreditou na palavra do Senhor: Vai, o teu filho vive; atingiu  perfeição, quando soube a boa notícia que os servos lhe traziam. Neste momento ele creu que Jesus era o verdadeiro Messias prometido, o Cristo, o Filho de Deus; e, não contente, de crer ele só, comunicou, pelas suas exortações e pelos seus exemplos, a sua fé, o seu amor e a sua felicidade a toda a sua casa. A partir deste dia, esta casa tornou-se uma espécie de igreja antecipada em que o Salvador recebeu as homenagens que lhe eram devidas. 
  Admiremos a fé ativa, o zelo e o amor deste oficial que, esclarecido pela graça, testemunha a Jesus o seu reconhecimento da maneira que mais lhe agrada, fazendo-o conhecer e amar pelos seus. É um verdadeiro apostolado. Belo exemplo que todos os pais de família e donos de casa verdadeiramente cristãos fariam bem em imitar, que as ocasiões não serão raras. 
  Infelizmente, numerosos cristãos, santificados desde o nascimento pelo Batismo, educados na verdadeira religião, cumulados por Deus de toda a espécie de benefícios, se bem que o não reneguem, contudo vivem de tal forma que, em vez de edificar as suas famílias, algumas vezes as escandalizam duma forma lamentável. Em lugar de se aproximarem dos sacramentos, de recitarem piedosamente as suas orações em comum, de praticarem as virtudes cristãs, vemo-los constantemente afastados de toda a prática religiosa, entregarem-se ao jogo, à bebida, a paixões vergonhosas e culpáveis.
  Concedei, Senhor, benignamente a vossos fiéis o perdão e a paz, para que sejam purificados de toda culpa, e Vos sirvam com firme confiança. Amém!

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

FAMÍLIA CRISTÃ

 Vemos com tristeza, como a sociedade está moralmente enferma, totalmente invadida e convulsionada pelo paganismo e a imoralidade. Mas não bastam lamentações. Mister se faz atacar o mal pela raiz. Ora, as famílias são as raízes que elaboram o alimento moral da sociedade. É a célula da sociedade; pois esta se forma de indivíduos e estes por sua vez se formam na família.

   Temos, então, que dedicarmos todos os nossos cuidados à família, para termos realmente uma sociedade sadia. A família é obra da mão de Deus. É inútil querer corrigir a crise da sociedade, se não se põe o primeiro cuidado em conservar a família. Os filhos das trevas, como disse Jesus Cristo, são muito espertos e nós vemos com tristeza, como as ideias comunistas estão se espalhando pelo mundo como um gás sumamente venenoso e que destrói em primeiro lugar as famílias, Pela imoralidade, imodéstia nas vestes, televisão, pornografia na Internet, divórcio, maus exemplos, principalmente nos colégios que vão se tornando focos de imoralidade e heresias, etc, etc. a indissolubilidade do matrimônio católico está em risco de dissolução quase total.  E, por outro lado, o sal na Igreja está perdendo sua força, deixando a corrupção reinar soberana. As paixões têm campo livre, os vícios, campeiam como chamas num canavial. 

   E não bastassem os comunistas por fora, há-os internos. E, horribile dictu, o próprio Sumo Pontífice reconhece que as últimas mudanças que ele fez nos processos matrimoniais quanto à declaração de nulidade podem colocar em risco a indissolubilidade do matrimônio. Muitos casamentos se dissolveram não porque nulos, mas por causa da ausência total ou quase das virtudes cristãs, e, por outro lado pelo reinado desenfreado das paixões as mais nefandas. Para estes não só a "a misericórdia" do divórcio mas a possibilidade de se casarem novamente e até comungarem. 

   Deus fez bem todas as coisas e se existe o mal no mundo, sua causa deve ser procurada na malícia humana que perverte a harmonia do Criador. A formação da família, poderia parecer algo profano, ao passo que, na realidade, ela tanto tem de santo como de sublime. O casamento não é um mal (como muitos hereges pensaram), pelo contrário, é um bem. Foi Deus quem o fez desde o Paraíso Terrestre. É bem verdade que devido o pecado original, o casamento decaiu de sua primitiva dignidade. Mas o Filho de Deus que veio ao mundo para remir a humanidade e iluminá-la restituiu o casamento à sua primitiva santidade elevando-o à dignidade de sacramento.

   Jesus Cristo, quis assistir em companhia de sua Mãe Santíssima a uma festa de casamento em Caná da Galileia, aprovando e santificando com sua divina presença. o vínculo conjugal, operando também nesta ocasião o seu primeiro milagre.

   Um dia os fariseus interrogaram a Jesus: "É lícito ao homem repudiar sua mulher? Ele, porém, lhes respondeu: Desde o princípio, Deus criou o homem e a mulher, logo o homem deixará seu pai e sua mãe e viverá com sua mulher. Não separe, portanto, o homem o que Deus uniu".

   Ter esta firme e inabalável convicção sobre a divina instituição do matrimônio, sempre foi de extrema necessidade, mas, hoje, ademais, tornou-se muito urgente. Pois são tantos os homens que ignoram de todo a grande santidade do matrimônio cristão. São inúmeros os que a negam e calcam aos pés. 

   Lacordaire, o grande conferencista francês, queria que seus amigos Ozonam e Luis Veuillot o imitassem e renunciassem o casamento. Mas Veuillot, com todo direito achou por bem se casar. E quando Lacordaire soube, exclamou: "Mais um que ficou na armadilha". Relataram ao papa a frase de Lacordaire e sorrindo comentou o Santo Padre: "Eu não sabia que Nosso Senhor havia instituído 6 sacramentos e 1 armadilha". 

   Outro exemplo bem diferente deste: São Francisco de Sales hospedava em sua casa um amigo. E o santo bispo, com aquela sua grande caridade, tratava o seu amigo com as maiores finezas, inclusive todas as noites ia acompanhá-lo até ao seu quarto. E o hóspede, confundido por tanta delicadeza, disse a São Francisco de Sales que não era digno de ser tratado assim por um bispo, ele que era um simples leigo. Mas o santo bispo perguntou-lhe: "Então o meu amigo não é casado?" - Ainda não, respondeu o amigo.  -  "Ah! , retrucou São Francisco de Sales, então tem razão de protestar: de hoje em diante tratá-lo-ei com mais confidência e com menores finezas". É que o Santo da mansidão pensava que uma pessoa casada devia ser cercada de uma veneração maior, pela dignidade do sacramento do matrimônio que confere aos esposos uma graça que os torna capazes de se amarem sobrenaturalmente, de educarem os seus filhos e de suportarem com serenidade os pesos da vida. 

   O matrimônio é portanto um sacramento, fonte de bênçãos, rico em simbolismos, expressivo no seu programa que é a comunhão da vida toda até a morte com todas as suas manifestações: Comunhão de vida natural: "serão os dois uma úncia carne", disse Deus. Comunhão de interesses: e portanto os bens materiais e as perdas andam em conjunto. Os afetos também se entrelaçam. E é por isso que São Paulo manda que o homem ame a sua esposa como a si próprio. Comunhão de fidelidades e deveres: ambos geram o corpo da criança e ambos concorrem para a geração moral, isto é, para a educação da mesma. Por isso é que Nosso Senhor impôs aos filhos o precito de honrar "pai e mãe". Comunhão de trabalhos: juntos devem cultivar o mesmo campo e nos mesmos espinhos sangram as mãos e ferem os corações. Comunhão de lutas e vitórias: em todas as fases da vida, e até a morte. 

   Assim é que deveria ser compreendido e sobretudo vivido o matrimônio. Como são belos os componentes de uma família verdadeiramente cristã! A família cristã tem Jesus que a consola e nunca será desolada. Diz o próprio Divino Espírito Santo na Bíblia: "Ditoso o homem que tem uma virtuosa mulher". "A mulher virtuosa é o prêmio dos que temem a Deus, e será dada ao homem em recompensa pelas sua boas obras".  "Cooperadora da Providência e complemento do homem, a mãe gera, nutre, educa, dá forma, brilho e esmalte à existência. É autora maravilhosa e destra escultora dos seres" (Palavras de um poeta castelhano). 

   Uma mãe verdadeiramente cristã, não é mais uma simples mulher, é uma santa! "Me deem mães verdadeiramente cristãs, e eu salvarei este mundo decadente" (S. Pio X). 

   Outro dom tão precioso na família são os filhos: Frederico Ozonam, o grande literato católico, fundador das conferências de São Vicente de Paulo escrevia estas linhas junto ao berço de sua primeira filhinha:  "Ah! que momento aquele em que ouvi o primeiro vagido de minha filha e vi a criatura imortal que Deus confiava ao meu cuidado, e que tantas doçuras e obrigações era portadora para mim! Não consigo mirar esses olhos que destilam suavidade e pureza, sem descobrir neles, menos apagado que em nós, o retrato sagrado do Criador". Na verdade, os filhos são um dom de Deus.

   Como é belo também o homem virtuoso na família, como a cabeça, o chefe, com a sua autoridade suave, com a sua proteção, como São José na Sagrada Família.  Vêm-nos à mente as palavras de Santa Terezinha: "Deus deu-me pais mais dignos do céu que da terra". Pai e mãe santos! Que graça!

   Não esqueçamos nunca que toda esta beleza e sublimidade da família estão na observância da lei de Deus. Por isso é que São Paulo diz que "o casamento é santo, mas no Senhor". Quantos casamentos, hoje embora válidos, são sacrílegos. Quantos pecados, quantos crimes! Uma coisa tão sublime, tão santa e, no entanto, tratada hoje com tanta leviandade, feita sem nenhuma preparação, . Pior: toda santidade, toda bênção são afastados por tantos pecados cometidos antes e depois do casamento. 

   Não consigo terminar este artigo, embora já longo, sem relatar pelos menos algumas palavras do Papa Pio XII: "Aqueles, pois, que nas igrejas exercem funções diretivas ou de magistério, exortem assiduamente os fiéis a que constituam e mantenham famílias segundo a norma da sabedoria do Evangelho - buscando assim com assíduo cuidado preparar para o Senhor um povo perfeito. Pelo mesmo motivo, cumpre também sumamente atender a que o dogma, que por direito divino afirma a unidade e indissolubilidade do matrimônio, seja compreendido em sua importância religiosa e santamente respeitado por todos os que contraem núpcias. Que tão capital ponto da doutrina católica tenha validíssima eficácia para a sólida estrutura da família, para o bem-estar crescente da sociedade civil, para a saúde do povo e para uma civilização cuja luz não seja falsa..." (Pio XII, "Sertum laetitiae).

Caríssimos, não podemos votar em candidatos da esquerda, porque sendo comunistas, de uma maneira ou de outra, procuram destruir as famílias.

domingo, 30 de setembro de 2018

HOMILIA DOMINICAL - 19º Domingo depois de Pentecostes

Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Efésios, 4, 23-28.


Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus, 12, 1-14: 


"Naquele tempo, falava Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos fariseus em parábolas, dizendo: O Reino dos céus é semelhante a um rei que quis celebrar as núpcias do seu filho. E mandou seus servos a chamar os convidados para as bodas; estes, porém, não quiseram vir. Novamente enviou outros servos, dizendo: Dizei aos convidados: Eis que já preparei o meu banquete; os meus bois e cevados já estão mortos, e tudo está pronto; vinde às bodas. Eles, porém, não fazendo caso, foram-se, um para sua casa de campo e outro para seu negócio; e ainda outros prenderam-lhe os servos e depois de os terem ultrajado, mataram-nos. Tendo conhecimento disto, o rei encolerizou-se, mandou seus exércitos e exterminou aqueles homicidas. pondo fogo à sua cidade. Então, disse a seus servos: As bodas estão preparadas, mas os convidados não foram dignos. Ide, pois, às encruzilhadas dos caminhos, e a quantos encontrardes, chamai para as núpcias. Saindo os servos pelas ruas, reuniram todos os que encontraram, bons e maus. E a sala do festim ficou cheia de convidados. Então entrou o rei para ver os que estavam à mesa e viu ali um homem que não trazia a vestimenta nupcial. E lhe disse: Amigo, como entraste aqui, não tendo a vestimenta nupcial? Ele nada respondeu. Então, disse o rei aos servidores: Amarrai-o de mãos e pés e lançai-o nas trevas exteriores. Ali haverá choro e ranger de dentes. Porque muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos". 

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

  Primeiramente, devemos fazer uma observação: O Evangelista São Lucas relata uma parábola muito semelhante a esta. O fundo e o fim são os mesmos. Diferem, contudo, quanto aos pormenores: a de São Lucas foi exposta em casa dum chefe dos Fariseus, alguns meses antes da outra, que hoje nos ocupa e que foi dita no Templo, na terça-feira antes da Paixão.

  A parábola de hoje compreende duas partes bem distintas: A primeira dirige-se aos Judeus que, tendo sido os primeiros convidados e chamados várias vezes a reconhecer o Messias, Deus feito homem, recusaram vir e chegaram mesmo a matar alguns dos enviados do Senhor e que, por causa da sua obstinação, foram excluídos do reino de Deus. A sua reprovação e a ruína de Jerusalém são claramente anunciados.

  A segunda parte refere-se aos Gentios, convidados em massa para o lugar dos Judeus. Entretanto, Nosso Senhor quer também instrui-los e mostrar-lhes, com o que aconteceu àquele que não tinha a veste nupcial, que não basta, para ser recebido no festim das núpcias divinas, ser batizado e ter fé, mas que é preciso ainda estar revestido da graça santificante. 
Vista parcial de Nazaré. Em primeiro plano, vemos a Basílica da Encarnação,
em estilo moderno, construída em 1968. Nesta Igreja está o local em que se
deu o mistério da Encarnação. "O Anjo anunciou a Maria, e Ela concebeu
do Espírito Santo", "O Verbo de Deus se fez carne e habitou entre nós".
  O rei que faz as bodas de seu filho é o Pai celeste. Estas núpcias do Filho de Deus realizam-se de várias maneiras:  Antes de tudo pela Encarnação, ou seja, o Filho de Deus, une-se hipostaticamente à natureza humana no seio da Bem-aventurada Virgem Maria. Há, portanto, a união da natureza divina com a natureza humana na pessoa divina do Verbo, ou seja, do Filho de Deus. 
  Núpcias também no sentido de que o Filho de Deus feito Homem fez uma aliança mística com a sua Igreja. Neste sentido diz São Paulo que o matrimônio é grande em Jesus Cristo e na sua Igreja (Ef. V, 32).
 Em terceiro lugar, podemos dizer que Filho de Deus feito homem como que desposa a alma fiel pela graça, consoante a fórmula do profeta Oséas: "Eu vos desposarei em fidelidade". (Oséas, II, 20). 
  Estas três núpcias santas, só têm por fim preparar as núpcias eternas no Céu.

  Assim, ser convidado para as núpcias do Filho de Deus, é ser chamado ao conhecimento e ao amor de Jesus, a entrar no grêmio da Igreja, a unir-se a Nosso Senhor pela Sagrada Comunhão, para um dia, enfim, entrar no reino dos Céus e lá gozar a eterna felicidade. Diz o Apocalipse XIX, 9: "Bem-aventurados os que foram chamados à ceia das bodas do Cordeiro!"

   E enviou seus servos a chamar os convidados para as bodas: Os judeus, os primeiros convidados, sempre se mostraram de cerviz dura, indócis e rebeldes ao convite divino.Os judeus rejeitaram este primeiro convite que foi feito desde Abraão até Moisés e os Profetas.

   Novamente enviou outros servos: Este novo chamamento, mais instante, representa a missão de João Batista e dos Apóstolos.

  O festim da Igreja de Jesus Cristo está pronto: eis que o Verbo se fez carne; eis também a doutrina de vida; eis os sacramentos, sobretudo a Eucaristia, para alimentar, para regozijar e fortificar as almas. Jesus morrendo na Cruz exclamou: "Tudo está consumado". Sim, tudo está pronto! o mistério da reparação está satisfeito eficazmente; a entrada do reino dos Céus, até então fechada pelo pecado, está aberta; a salvação é oferecida a todos: Vinde às núpcias! 

   Os Judeus recusaram o convite. Uns ocupados unicamente com os seus interesses materiais, ou com os prazeres, negligenciaram tão instantes convites. Outros, mais perversos, prenderam os servos enviados pelo rei. Estes homens ingratos e malvados, depois de terem ultrajado os servos do rei, mataram-nos. Na  parábola dos vinhateiros,  Nosso Senhor Jesus Cristo disse que eles mataram o próprio Filho do Rei, ou seja, o próprio Jesus Cristo.

  O rei encolerizou-se, mandou seus exércitos e exterminou aqueles homicidas, pondo fogo à sua cidade: Isto se cumpriu à letra quando as legiões romanas guiadas por Tito e Vespasiano, investiram contra Jerusalém e, depois do memorável cerco, a destruíram juntamente com o Templo e dispersaram por toda a terra os habitantes que sobreviveram. 

  Agora a segunda parte da parábola: Diz respeito especialmente a todos os cristãos. O rei diz aos seus servos, isto é, aos Apóstolos e a seus sucessores no decorrer dos séculos: O festim das núpcias está pronto, isto é, os mistérios da Encarnação e da Redenção estão consumados. Os judeus, pela sua incredulidade e obstinação, tornaram-se indignos dele. Diz São Paulo: "Pelo seu (dos judeus) delito, veio a salvação aos gentios" (Rom. XI, 12). Deus sabe tirar o bem do mal. Portanto, ide por toda a terra, ao meio dos povos mais remotos e mais bárbaros, e todos aqueles que encontrardes, sem distinção de idade e de sexo, de condição ou de dignidade, sem acepção de pessoas. E os Apóstolos diziam aos Judeus: "Porque vocês foram julgados indignos, nós nos voltaremos para os gentios". Efetivamente, os Apóstolos dispersaram-se e foram pregar por todo o mundo. A sua obra foi continuada através dos séculos.Por isso a Igreja militante está cheia duma multidão inumerável de todas as regiões e de todos os povos.

  Mas nela os justos e os pecadores, estão ainda confundidos: trigo e cizânia, bons e maus, porque, na verdade, todos foram chamados, mas nem todos se converteram sinceramente e são fiéis às obrigações contraídas no Batismo.

  O rei entrou na sala do festim para ver os que estavam à mesa: Esta visita súbita simboliza a que Deus fará a cada um de nós na hora do juízo que se seguirá logo após a morte.

  E o rei viu um homem sem a veste nupcial. Todos recebiam esta veste na entrada da sala do banquete. Todos os cristãos recebem a veste cândida da graça na entrada da Igreja pelo santo Batismo. Não basta, porém, vir assentar-se à mesa do banquete, participar dos sacramentos, praticar os atos exteriores da fé: é preciso ter ainda a veste da graça. É preciso tê-la conservado sempre ou, ao menos, tê-la recuperado pela penitência para participar do banquete da graça e depois do da glória.

   Disse o rei aos servidores: Atai este homem que não traz a veste nupcial. Amarrai-o de pés e mãos e lançai-o nas trevas exteriores. Ali haverá choro e ranger de dentes. Tudo isto é imagem dos castigos que Deus infligirá ao pecador encontrado sem a veste nupcial da graça na hora do juízo. De pés e mãos ligadas porque sua pena será eterna. As trevas exteriores são a figura das horríveis trevas da privação da visão beatífica de Deus. Choro e ranger de dentes, imagem da aflição indizível, dos remorsos pungentes e do desespero que causarão ao pecador, a lembrança das suas infidelidades e a eternidade do inferno, onde caiu por sua culpa, porque dependia dele só, fazer-se receber no Céu.

  Caríssimos, seremos nós do pequeno número dos eleitos? É segredo de Deus, mas isso depende de nós. São Pedro faz-nos esta recomendação que é, ao mesmo tempo, uma verdade dogmática e um preceito moral para assegurar a nossa salvação: "Portanto, irmãos, ponde cada vez maior cuidado em tornardes certa a vossa vocação e eleição por meio das boas obras, porque, fazendo isto, não pecareis jamais. Desde modo vos será dada largamente a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo" ( 2 S. Ped., I, 10 e 11). Amém!
  

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

SÃO CIPRIANO E SANTA JUSTINA


No dia 26 de setembro, a santa Igreja comemora S. Cipriano e Santa Justina, que foram martirizados no mesmo dia no ano de 304. Aqui falamos do Cipriano feiticeiro que se converteu. Nasceu em Antioquia na Fenícia. Seus pais eram pagãos e feiticeiros e em todos os segredos da superstição e feitiçarias  introduziram Cipriano. Entregou sua alma ao demônio e tornou-se muito rico e mestre em todas as artes diabólicas da feitiçaria. Obviamente, inimigo figadal da Religião Católica. Entregou-se a uma vida a mais depravada possível. Enforcava crianças inocentes e oferecia o seu sangue como holocausto ao demônio. Nas entranhas ainda palpitantes dos inocentes procurava conhecer os segredos do futuro. Com malefícios diabólicos conseguia seduzir as donzelas. Mas Cipriano, que cresceu achando que o demônio era o maior e invencível começou a perceber que deveria haver alguém mais poderoso porque nunca conseguira seduzir as jovens que praticavam o Catolicismo que ele odiava e vivia insultando. Todos os artifícios diabólicos malogravam diante das jovens cristãs.

Morava também em Antioquia uma jovem cristã muito fervorosa, embora seus pais fossem pagãos. Chamava-se Justina e era de uma beleza encantadora de corpo e muito mais de espírito. Com suas orações, penitências e bons exemplos convertera toda sua família. Daí o ódio maior do demônio contra ela. O demônio incutiu no coração de um jovem pagão chamado Agládio, uma paixão violenta por Justina. Não podendo, porém, cativar-lhe a afeição, inspirado certamente pelo Asmodeu, recorreu aos artifícios mágicos de Cipriano. Justina passou a sofrer terrivelmente os acessos diabólicos, mas, pela oração e pelo sinal da cruz, debelou a todos. Foi assaltada por tentações as mais horríveis contra a santa pureza. Mas, recorrendo sempre à Rainha das Virgens, saiu vitoriosa das insídias do inimigo.

Nisso, o feiticeiro Cipriano começou a duvidar do poder dos demônios. Justina rezava pela sua conversão. Cipriano tomou a resolução de se livrar do demônio e tomar conhecimento da origem de toda aquela fortaleza de Justina. O demônio evidentemente não queria perder sua presa, instrumento utilíssimo para perder almas que ele odeia, porque remidas com o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Que fez o espírito das trevas? Incutiu em Cipriano uma tristeza profunda para levá-lo ao desespero e ao suicídio, pretendendo tirar-lhe o tempo de chegar ao conhecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas, Deus, Pai todo-poderoso e infinitamente bondoso, enviou a Cipriano um sacerdote chamado Eusébio. As orações, conselhos e as palavras de conforto deste santo homem fizeram com que Cipriano não desfalecesse no meio do caminho. O Padre Eusébio entrou um dia na igreja conduzindo pela mão a Cipriano. Grande foi a surpresa dos fiéis quando viram o grande e terrível feiticeiro entrar na igreja acompanhado do sacerdote. Nem o bispo queria acreditar na sinceridade desta conversão. Cipriano, porém, na presença de todo povo, queimou todos os livros cabalísticos e de magia negra. Fez mais, distribuiu a sua grande fortuna entre os pobres. Então, depois de devidamente instruído, e tendo abjurado a feitiçaria foi batizado. Junto com ele foi batizado também Agládio.

Justina, vendo as maravilhas da divina graça, cortou a sua linda cabeleira e pelo voto de virgindade perpétua dedicou-se ao serviço de Deus. Justina sempre rezava para que Cipriano perseverasse. Realmente a conversão de Cipriano foi sincera e constante. Reparou seu terrível passado com muita penitência e praticou as mais belas virtudes. Assim foi ordenado sacerdote e depois sagrado Bispo.

Mas veio a perseguição de Diocleciano. Cipriano e Justina foram acusados de praticar o Cristianismo. Cipriano sofreu atrozmente. Também Justina foi cruelmente flagelada. E ambos finalmente condenados à decapitação. Há em Roma uma igreja dedicada a estes dois santos mártires e lá estiveram por algum tempo os seus restos mortais, mas que hoje se encontram na igreja de São João de Latrão em Roma.

Caríssimos, acabamos de ver um exemplo do poder da graça de Deus. Na verdade, na expressão de Santo Agostinho, o demônio é um cão amarrado que só morde em quem chega perto dele.

Infelizmente, hoje há inúmeras almas entregues ao demônio. Ele as domina. Há 43 anos, quando neo-sacerdote ainda, quis conversar comigo em particular um homem verdadeiramente estranho. Disse-me ele: Desde criança que sigo o Espiritismo, e agora, se eu quiser conseguir o máximo, terei que entregar minha alma ao demônio. Que você acha? Dei-lhe muitos bons conselhos. Saiu da igreja e nunca mais vi. Mais recentemente, conversei com uma moça que dizia estar se convertendo de uma seita satânica. Só Deus sabe! Fiz-lhe muitas perguntas. Entre outras coisas ela me disse que seduziu algumas pessoas para às práticas diabólicas, entre elas, a de matar crianças inocentes e oferecer seu sangue ao demônio. Fiquei achando estar diante do próprio demônio, tal a frieza com que contava estas coisas. E pior: falou que sentia certa saudade daquelas cerimônias diabólicas. Perguntei como era possível os satanistas cometerem tamanhos crimes e não serem presos. Ela disse que o demônio ocultava tudo. Esta moça é do Mato Grosso do Sul e também nunca mais a vi, nem quero, a menos que já se tenha convertido verdadeiramente.


Caríssimos leitores, precisamos, como Santa Justina, rezar muito, fazer penitência, dar o bom exemplo, ter uma devoção verdadeira e terna a Nossa Senhora, a São Miguel Arcanjo e ao nosso Anjo da Guarda. Amém!