SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

FAMÍLIA CRISTÃ

 Vemos com tristeza, como a sociedade está moralmente enferma, totalmente invadida e convulsionada pelo paganismo e a imoralidade. Mas não bastam lamentações. Mister se faz atacar o mal pela raiz. Ora, as famílias são as raízes que elaboram o alimento moral da sociedade. É a célula da sociedade; pois esta se forma de indivíduos e estes por sua vez se formam na família.

   Temos, então, que dedicarmos todos os nossos cuidados à família, para termos realmente uma sociedade sadia. A família é obra da mão de Deus. É inútil querer corrigir a crise da sociedade, se não se põe o primeiro cuidado em conservar a família. Os filhos das trevas, como disse Jesus Cristo, são muito espertos e nós vemos com tristeza, como as ideias comunistas estão se espalhando pelo mundo como um gás sumamente venenoso e que destrói em primeiro lugar as famílias, Pela imoralidade, imodéstia nas vestes, televisão, pornografia na Internet, divórcio, maus exemplos, principalmente nos colégios que vão se tornando focos de imoralidade e heresias, etc, etc. a indissolubilidade do matrimônio católico está em risco de dissolução quase total.  E, por outro lado, o sal na Igreja está perdendo sua força, deixando a corrupção reinar soberana. As paixões têm campo livre, os vícios, campeiam como chamas num canavial. 

   E não bastassem os comunistas por fora, há-os internos. E, horribile dictu, o próprio Sumo Pontífice reconhece que as últimas mudanças que ele fez nos processos matrimoniais quanto à declaração de nulidade podem colocar em risco a indissolubilidade do matrimônio. Muitos casamentos se dissolveram não porque nulos, mas por causa da ausência total ou quase das virtudes cristãs, e, por outro lado pelo reinado desenfreado das paixões as mais nefandas. Para estes não só a "a misericórdia" do divórcio mas a possibilidade de se casarem novamente e até comungarem. 

   Deus fez bem todas as coisas e se existe o mal no mundo, sua causa deve ser procurada na malícia humana que perverte a harmonia do Criador. A formação da família, poderia parecer algo profano, ao passo que, na realidade, ela tanto tem de santo como de sublime. O casamento não é um mal (como muitos hereges pensaram), pelo contrário, é um bem. Foi Deus quem o fez desde o Paraíso Terrestre. É bem verdade que devido o pecado original, o casamento decaiu de sua primitiva dignidade. Mas o Filho de Deus que veio ao mundo para remir a humanidade e iluminá-la restituiu o casamento à sua primitiva santidade elevando-o à dignidade de sacramento.

   Jesus Cristo, quis assistir em companhia de sua Mãe Santíssima a uma festa de casamento em Caná da Galileia, aprovando e santificando com sua divina presença. o vínculo conjugal, operando também nesta ocasião o seu primeiro milagre.

   Um dia os fariseus interrogaram a Jesus: "É lícito ao homem repudiar sua mulher? Ele, porém, lhes respondeu: Desde o princípio, Deus criou o homem e a mulher, logo o homem deixará seu pai e sua mãe e viverá com sua mulher. Não separe, portanto, o homem o que Deus uniu".

   Ter esta firme e inabalável convicção sobre a divina instituição do matrimônio, sempre foi de extrema necessidade, mas, hoje, ademais, tornou-se muito urgente. Pois são tantos os homens que ignoram de todo a grande santidade do matrimônio cristão. São inúmeros os que a negam e calcam aos pés. 

   Lacordaire, o grande conferencista francês, queria que seus amigos Ozonam e Luis Veuillot o imitassem e renunciassem o casamento. Mas Veuillot, com todo direito achou por bem se casar. E quando Lacordaire soube, exclamou: "Mais um que ficou na armadilha". Relataram ao papa a frase de Lacordaire e sorrindo comentou o Santo Padre: "Eu não sabia que Nosso Senhor havia instituído 6 sacramentos e 1 armadilha". 

   Outro exemplo bem diferente deste: São Francisco de Sales hospedava em sua casa um amigo. E o santo bispo, com aquela sua grande caridade, tratava o seu amigo com as maiores finezas, inclusive todas as noites ia acompanhá-lo até ao seu quarto. E o hóspede, confundido por tanta delicadeza, disse a São Francisco de Sales que não era digno de ser tratado assim por um bispo, ele que era um simples leigo. Mas o santo bispo perguntou-lhe: "Então o meu amigo não é casado?" - Ainda não, respondeu o amigo.  -  "Ah! , retrucou São Francisco de Sales, então tem razão de protestar: de hoje em diante tratá-lo-ei com mais confidência e com menores finezas". É que o Santo da mansidão pensava que uma pessoa casada devia ser cercada de uma veneração maior, pela dignidade do sacramento do matrimônio que confere aos esposos uma graça que os torna capazes de se amarem sobrenaturalmente, de educarem os seus filhos e de suportarem com serenidade os pesos da vida. 

   O matrimônio é portanto um sacramento, fonte de bênçãos, rico em simbolismos, expressivo no seu programa que é a comunhão da vida toda até a morte com todas as suas manifestações: Comunhão de vida natural: "serão os dois uma úncia carne", disse Deus. Comunhão de interesses: e portanto os bens materiais e as perdas andam em conjunto. Os afetos também se entrelaçam. E é por isso que São Paulo manda que o homem ame a sua esposa como a si próprio. Comunhão de fidelidades e deveres: ambos geram o corpo da criança e ambos concorrem para a geração moral, isto é, para a educação da mesma. Por isso é que Nosso Senhor impôs aos filhos o precito de honrar "pai e mãe". Comunhão de trabalhos: juntos devem cultivar o mesmo campo e nos mesmos espinhos sangram as mãos e ferem os corações. Comunhão de lutas e vitórias: em todas as fases da vida, e até a morte. 

   Assim é que deveria ser compreendido e sobretudo vivido o matrimônio. Como são belos os componentes de uma família verdadeiramente cristã! A família cristã tem Jesus que a consola e nunca será desolada. Diz o próprio Divino Espírito Santo na Bíblia: "Ditoso o homem que tem uma virtuosa mulher". "A mulher virtuosa é o prêmio dos que temem a Deus, e será dada ao homem em recompensa pelas sua boas obras".  "Cooperadora da Providência e complemento do homem, a mãe gera, nutre, educa, dá forma, brilho e esmalte à existência. É autora maravilhosa e destra escultora dos seres" (Palavras de um poeta castelhano). 

   Uma mãe verdadeiramente cristã, não é mais uma simples mulher, é uma santa! "Me deem mães verdadeiramente cristãs, e eu salvarei este mundo decadente" (S. Pio X). 

   Outro dom tão precioso na família são os filhos: Frederico Ozonam, o grande literato católico, fundador das conferências de São Vicente de Paulo escrevia estas linhas junto ao berço de sua primeira filhinha:  "Ah! que momento aquele em que ouvi o primeiro vagido de minha filha e vi a criatura imortal que Deus confiava ao meu cuidado, e que tantas doçuras e obrigações era portadora para mim! Não consigo mirar esses olhos que destilam suavidade e pureza, sem descobrir neles, menos apagado que em nós, o retrato sagrado do Criador". Na verdade, os filhos são um dom de Deus.

   Como é belo também o homem virtuoso na família, como a cabeça, o chefe, com a sua autoridade suave, com a sua proteção, como São José na Sagrada Família.  Vêm-nos à mente as palavras de Santa Terezinha: "Deus deu-me pais mais dignos do céu que da terra". Pai e mãe santos! Que graça!

   Não esqueçamos nunca que toda esta beleza e sublimidade da família estão na observância da lei de Deus. Por isso é que São Paulo diz que "o casamento é santo, mas no Senhor". Quantos casamentos, hoje embora válidos, são sacrílegos. Quantos pecados, quantos crimes! Uma coisa tão sublime, tão santa e, no entanto, tratada hoje com tanta leviandade, feita sem nenhuma preparação, . Pior: toda santidade, toda bênção são afastados por tantos pecados cometidos antes e depois do casamento. 

   Não consigo terminar este artigo, embora já longo, sem relatar pelos menos algumas palavras do Papa Pio XII: "Aqueles, pois, que nas igrejas exercem funções diretivas ou de magistério, exortem assiduamente os fiéis a que constituam e mantenham famílias segundo a norma da sabedoria do Evangelho - buscando assim com assíduo cuidado preparar para o Senhor um povo perfeito. Pelo mesmo motivo, cumpre também sumamente atender a que o dogma, que por direito divino afirma a unidade e indissolubilidade do matrimônio, seja compreendido em sua importância religiosa e santamente respeitado por todos os que contraem núpcias. Que tão capital ponto da doutrina católica tenha validíssima eficácia para a sólida estrutura da família, para o bem-estar crescente da sociedade civil, para a saúde do povo e para uma civilização cuja luz não seja falsa..." (Pio XII, "Sertum laetitiae).

Caríssimos, não podemos votar em candidatos da esquerda, porque sendo comunistas, de uma maneira ou de outra, procuram destruir as famílias.

domingo, 23 de setembro de 2018

EXPLICAÇÃO DO EVANGELHO DO 18º DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES



S. Mateus IX, 1-8

"Tem confiança, filho, os teus pecados te são perdoados"

 Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

O santo Evangelho oferece-nos ensejo de refletirmos sobre muitos assuntos. Quero falar sobre o poder de perdoar pecados, ou seja, sobre o sacramento da Penitência ou Confissão.

O poder de perdoar pecados é, na verdade, um poder divino, isto é, só Deus pode perdoar pecados. Jesus Cristo perdoava pecados justamente porque Ele era Deus. Mas quem tem o poder, pode delegá-lo a outrem. Foi o que Nosso Senhor Jesus Cristo fez. Assim como deu aos Apóstolos o poder de batizar, celebrar o Santo Sacrifício da Missa, o poder de pregar, deu-lhes também a eles e aos seus sucessores o poder de perdoar pecados. Por isso é que Jesus disse: "Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós. Tendo dito estas palavras, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos" (S. João XX, 21-23).

Todos reconhecem que os reis da terra têm o poder de mandar administrar a justiça em seu nome, quer dizer, de confiar a magistrados o direito de absolver e de condenar os culpados. Por que recusar a Deus o mesmo direito? O Rei do Céu terá menos poderes do que suas criaturas? Evidentemente Deus pode confiar a homens o poder de perdoar os pecados em seu nome. Ora, é um artigo de fé que Jesus Cristo comunicou este poder aos padres quando lhes disse: os pecados serão perdoados a quem vós os perdoardes. O Salvador não disse: os pecados serão perdoados a quem anunciardes que lhes são perdoados; não; pois, absolvendo, o padre perdoa verdadeiramente os pecados na qualidade de substituto de Jesus Cristo, em virtude do poder que lhe foi dado por Nosso Senhor, que é o principal ministro do Sacramento.

Caríssimos, é mesmo impossível que haja um outro meio de perdão. Com efeito, se houvesse na religião outro meio além da confissão, para se restabelecer na graça de Deus; se bastasse, por ex., humilhar-se em sua presença, jejuar, orar, dar esmolas, declarar-lhe sua falta no íntimo do coração, que aconteceria? Que ninguém mais se confessava. Pois quem seria bastante simples para ir solicitar, com um tom suplicante, aos pés de um homem, uma graça que poderia facilmente obter sem ele, e contra a sua vontade? Então que seria da confissão estabelecida pelo próprio Nosso Senhor Jesus Cristo (Cf. S. João, XX, 21 a 23).  - Cairia em desuso e ficaria sem efeito no mundo. Que seria do magnífico poder que Ele deu aos seus ministros de perdoar ou reter os pecados? Não é evidente que este poder tão admirável e divino tornar-se-ia um poder ridículo e completamente irrisório visto que nunca teriam de exercê-lo? Assim, ou há obrigação para todos os pecadores confessarem seus pecados ao padre, ou então Jesus Cristo zombou de seus ministros dizendo-lhes: os pecados serão perdoados a quem os perdoardes, etcE teria igualmente zombado deles quando lhes disse: dar-vos-ei as chaves do reino dos céus (S. Mateus, XVI, 19). De que lhes serviria ter as chaves do céu se nele se pudesse entrar sem que fosse aberto pelo seu ministério?

Os grandes adversários do Sacramento da Penitência são os protestantes. Estes, seguindo Calvino, e também os ímpios modernos ousam dizer que a confissão era desconhecida nos primeiros séculos do Cristianismo. Sustentam que a confissão data do 4º Concílio de Latrão em 1215, época em que o Papa Inocêncio III tê-la-ia inventado. Caríssimos, isto constitui um grave erro que denota a mais grosseira ignorância, ou, pior ainda,  uma demonstração da mais insolente má fé. Vamos ouvir Santo Afonso: este grande Doutor da Santa Igreja diz que o Papa Inocêncio III, não fez senão determinar o tempo em que a confissão deve ser feita pelos fiéis, isto é, ao menos uma vez por ano, como já haviam prescrevido os papas Inocêncio I (+ 417), Leão I (+ 474), Zeferino (+218). Além disso, sabemos que a Tradição e a História da Igreja se apóiam no Santo Evangelho de S. João XX, 21 a 23, para provar que a confissão foi instituída por Jesus Cristo. Suponhamos os Sacramento da Penitência como a Igreja o administra, realmente estabelecido por Nosso Senhor Jesus Cristo: Eis aqui os fatos que se devem produzir e dos quais a História Eclesiástica dá, sem dúvida, testemunho; os Padres da Igreja falarão da Confissão em seus escritos, e dirão que ela vem de Jesus Cristo; hão de afirmar que é necessária à salvação, que deve ser feita com sinceridade e com contrição; que só os sacerdotes podem absolver, etc. Os Concílios traçarão as regras aos confessores, para remediar os abusos que nascerão em diversas épocas da história. Conservar-se-ão muitos nomes de confessores que prestaram o socorro de seu ministério a personagens históricos. Talvez se encontre nas mais antigas igrejas o lugar dos tribunais da penitência; enfim, as seitas separadas da Igreja de Jesus Cristo, desde os primeiros séculos, terão provavelmente conservado alguns vestígios dessa salutar instituição.

Consultando as antiguidades eclesiásticas obteremos precisamente estes resultados que acabamos de enumerar. Até historiadores protestantes, devendo ser sinceros diante da evidência, declararam que a Confissão entre os Católicos já era exercida nos quatro primeiros séculos. Por exemplo, o historiador protestante Gibbon diz: "o homem instruído não pode resistir ao peso da evidência histórica que estabeleceu a Confissão como um dos principais pontos da doutrina católica em todo o período dos quatro primeiros séculos".

Entre outras seitas heréticas encontramos também quem dá testemunho histórico da existência da Confissão já nos primeiros séculos da Igreja Católica. Por exemplo: os eutiquianos, os jacobitas, os armênios, os nestorianos, em um palavra, as Seitas do Oriente, separadas da Igreja Romana desde o 4º e o 5º séculos, praticavam a confissão como necessária. Muitos sábios autores atestam que se vêem nas catacumbas de Roma os confessionários próximos aos altares, cujas pinturas, semelhantes às de Pompéia, remontam aos primeiros séculos do Cristianismo.

Em Teologia usam-se os argumentos tirados das Sagradas Escrituras e depois os argumentos da Tradição. Frequentemente, usam-se também os argumentos da reta razão humana.  Assim, em se tratando da origem divina do Sacramento da Penitência, vamos, com a graça de Deus, apresentar também os argumentos da reta razão, ou também chamados argumentos do bom senso.

Pois bem! O mais simples bom senso nos mostra que a confissão não pode ter senão uma origem divina. Suponhamos que seja uma invenção humana; certamente, uma tal invenção é bastante notável para que se conhecesse o seu autor. Sabe-se o primeiro cultor da ciência: foi Thales. Arquimedes inventou as espelhos-ustórios; Nilton descobriu a lei da gravidade; Gutemberg descobriu a arte de imprimir. Pedro Álvares Cabral descobriu o nosso querido Brasil; Colombo descobriu a América etc. etc., ... quem é, pois,o inventor da confissão? Foi, acaso, um grande santo? Mas  os santos Padres desde os mais próximos dos Apóstolos já supõem a confissão como um fato existente e conhecido. Logo, não foram eles que inventaram a confissão. Se os padres, os bispos e os papas fossem isentos da confissão, aquela afirmação teria alguma aparência de verdade; eles, porém, estão sujeitos a ela como os simples fiéis. Onde, pois, a razão que os induziria a impor-se uma obrigação tão humilhante? Por que força secreta teriam eles podido constranger os reis a irem ajoelhar-se ante um pobre padre para lhe fazer acusação de suas fraquezas, a submeter-se sem réplica às suas decisões, e receber dele, com respeito, uma penitência proporcionada às suas faltas? Se os padres tivessem inventado a confissão, teriam sido levados por um motivo qualquer. Qual seria este motivo? O interesse? Evidentemente que não; pois o confessor não recebe remuneração alguma pela confissão. O prazer? Mas sabeis o que é ser confessor?   - Ser confessor é ser escravo de todos - depender dos outros desde a manhã até à noite  -  a qualquer hora do dia e da noite. O confessor tem que sondar as chagas mais repugnantes, sem tremer, ouvir os crimes por maiores que sejam, sem arrepiar-se.

É sobretudo à cabeceira dos doentes e moribundos que os padres devem estar presentes. O padre deve administrar os sacramentos aos pestíferos com risco de contaminar-se do mal. Sua vida é uma vida de sacrifícios, de prisão e de fadiga, sobretudo no confessionário e junto aos leitos dos doentes.Quem teria inventado a confissão? Talvez os fiéis? Mas esta segunda suposição é tão absurda como a primeira. A confissão é um constrangimento, um ato de humildade. Ora, o homem, em lugar de submeter-se de boa vontade a uma coisa que o constrange e humilha, é ao contrário levado a repelir tudo que o contraria. Quando alguns do Anglicanismo quiseram introduzir a confissão na Inglaterra; que resultou? As revoltas populares, os gritos sediciosos levantaram-se ao mesmo tempo em todos os pontos do país. Uma tal imposição por parte de fiéis só merece a irrisão pública. Só Deus tem autoridade para impor este ato de humilhação como condição para se receber o perdão dos pecados. Portanto, o homem não podia inventar a confissão; ela é obra de Deus. Só Ele, o soberano Mestre, a poderia impor ao homem; e o homem, qualquer que seja, rei ou súdito, rico ou pobre, é obrigado a submeter-se a essa lei divina, sob a terrível pena de condenação eterna para os que, depois do Batismo, tenham cometido pecado mortal. 

 Quero terminar com a advertência de S. Pio V: "Sejam os confessores como eles devem ser [pai, médico, juiz, mediador, diretor das almas], ver-se-á para logo inteira reforma de todos os cristãos". Amém!

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

A PALAVRA DE DEUS

A PALAVRA DE DEUS 
                                                                                                                                        Dom Fernando Arêas Rifan*

        Setembro é o mês da Bíblia e, no próximo domingo, dia 23, celebraremos o dia nacional da Bíblia, dedicado a despertar e promover entre os fiéis o conhecimento e o amor dos Livros Sagrados, a Palavra de Deus escrita, redigida sob a moção do Divino Espírito Santo, motivando-os para sua leitura cotidiana, atenta e piedosa e, ao mesmo tempo, premunindo-os contra os erros correntes com relação à Bíblia mal interpretada.
       “Na Igreja, veneramos extremamente as Sagradas Escrituras, apesar da fé cristã não ser uma ‘religião do Livro’: o cristianismo é a ‘religião da Palavra de Deus’, não de ‘uma palavra escrita e muda, mas do Verbo encarnado e vivo’” (Bento XVI - Verbum Domini, 7)
       É de São Jerônimo, o grande tradutor dos Livros Santos, a célebre frase: “Ignorar a Sagrada Escritura é ignorar o próprio Cristo”. Portanto, o conhecimento e o amor às Escrituras decorrem do conhecimento e do amor que todos devemos a Nosso Senhor.
       O ponto central da Bíblia, convergência de todas as profecias, é Jesus Cristo. O Antigo Testamento é preparação para a sua vinda e o Novo, a realização do seu Reino. “O Novo estava latente no Antigo e o Antigo se esclarece no Novo” (Santo Agostinho).
       Dizemos que a Bíblia é um livro divino e humano: inspirada por Deus, mas escrita por homens, por Deus movidos e assistidos enquanto escreviam.  
       A Bíblia não é um livro só, mas um conjunto de 73 livros, redigidos por autores diferentes, em épocas, línguas, estilos e locais diversos, num espaço de tempo de cerca de mil e quinhentos anos. Sua unidade se deve ao fato de terem sido todos eles inspirados por Deus, seu autor principal e garantia da sua inerrância.
      Mas a Bíblia não é um livro de ciências humanas. Por isso a Igreja Católica reprova a leitura fundamentalista da Bíblia, que teve sua origem na época da Reforma Protestante e que pretende dar a ela uma interpretação literal em todos os seus detalhes, o que não é correto.

      Além disso, a Bíblia não é um livro fácil de ser lido e interpretado. São Pedro, falando das Epístolas de São Paulo, nos diz que “nelas há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para a sua própria ruína, como o fazem também com as demais Escrituras” (II Pd 3, 16).
        Por isso, o mesmo São Pedro nos adverte: “Sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal.Porque jamais uma profecia foi proferida por efeito de uma vontade humana. Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus” (2Pd 1, 20-21).  Assim, o ofício de interpretar autenticamente a Palavra de Deus escrita (a Bíblia Sagrada) ou transmitida oralmente (a Sagrada Tradição) foi confiado unicamente ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade se exerce em nome de Jesus Cristo, que disse aos Apóstolos e seus sucessores “até a consumação dos séculos”: “Ide e ensinai a todos os povos tudo o que vos ensinei... quem vos ouve a mim ouve”.

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/
 

domingo, 15 de julho de 2018

EVANGELHO DO 8º DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES



S. Lucas XVI, 1-9

PREPARAÇÃO PARA DAR CONTAS A DEUS

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

A Santa Igreja neste domingo coloca para nossa meditação a parábola do "Mau Administrador". O HOMEM RICO é figura de Deus, senhor de todas as riquezas que possuem os anjos no céu, e os homens na terra. O ADMINISTRADOR é todo homem que está neste mundo. Se aqui na terra o homem é considerado proprietário diante dos outros homens (por isso Deus proíbe o roubo), não o é diante de Deus, mas apenas um administrador, um simples ecônomo. Tudo o que possuímos, na ordem da natureza e da graça, de fato, não nos pertence, pois tudo nos foi confiado por Deus, a quem um dia havemos de prestar contas. À hora da nossa morte, encontraremos um livro onde se acha notado, com rigorosa precisão, todos os nossos créditos e todos os nossos débitos. Como o ecônomo infiel, seremos também acusados, diante de Deus, pelo demônio e por nossos próprios pecados. Nosso saldo será positivo ou negativo?!

Caríssimos, a vida inteira nos é concedida para regular as nossas contas, e podemos fazê-lo pelo exame de consciência e pela confissão sacramental. A cada instante posso ser chamado à presença de meu Juiz; acho-me em estado de responder às acusações que poderá fazer-me? "PRESTA CONTA DE TUA ADMINISTRAÇÃO". Esta intimação será feita, um dia, a cada um de nós, à hora da morte. Então todas as fontes da salvação estarão esgotadas para mim, porque me será tirado o tempo. Esta intimação logo após a morte, para uns será terrível, como o prelúdio do castigo; para outros será cheia de consolação, como o anúncio da recompensa. Depois da morte já não podemos exercer a nossa administração, é já passado o tempo de expiar os nossos pecados. É agora, enquanto temos vida, tempo e saúde, que devemos refletir: QUE HEI DE FAZER? Agora não nos faltam os meios, e se refletirmos seriamente, logo encontraremos a resposta: "JÁ SEI O QUE DEVO FAZER". No dia do Juízo o pecador dirá também, "que hei de fazer?" mas será um grito de desespero, a sua perda é irremediável.

TRABALHAR CAVANDO A TERRA, exposto ao sol e à chuva, é o penoso trabalho da penitência e da mortificação. MENDIGAR é orar, é suplicar o necessário para alimento da nossa alma. Se, porém não temos força ou coragem para as duras penitências da vida cristã, se não temos tempo e vagar para longas orações, podemos sempre praticar outras boas obras, fazer esmolas ainda mesmo do pouco que possuímos. Qual o pobre que não pode dar a outro pobre o óbolo da viúva ou ainda um copo d'água? A ESMOLA é, pois, um grande meio de salvação, sem excluir, todavia, a penitência e a oração que, segundo as circunstâncias, nos for permitido fazer.

Caríssimos, lendo com atenção esta parábola do divino Mestre, vemos bem a astúcia daquele mau ecônomo. Perdoando a uns mais do que a outros, toma precauções para que não seja descoberta a sua fraude. Além disso, ele conhecia talvez as disposições de cada um, e procede com toda a prudência. O Senhor louvou não a injustiça do seu mordomo, mas a sua prudência, habilidade e espírito de previdência. Enquanto o ecônomo não tinha o direito de dispor dos bens de seu amo, nós, caríssimos, recebemos de Deus, não somente uma permissão, mas ainda uma ordem formal de distribuir com largueza e liberalidade, os bens corporais e espirituais que ele nos confiou. Quis o Divino Mestre  fazer-nos compreender, diz Santo Agostinho, que se aquele mau servo é elogiado por saber acautelar os seus interesses, com mais razão seremos nós agradáveis a Deus se, conformando-nos com a lei divina, praticarmos as obras de misericórdia.

Em uma instrução, na qual se tratava também de nos preparar para sermos julgados, o Salvador exigira duas coisas para esta preparação: paixões mortificadas e obras santas: "Estejam cingidos os vossos rins, e acesas as vossas lâmpadas" (S. Lucas XII, 35). A fuga do mal e a prática do bem. Aqui Jesus só fala da esmola, considerando-a tão capaz de comover o Coração de Deus, que nos obterá todas as disposições necessárias para nos reconciliar com Ele, e nos restituir os nossos direitos à celeste herança. Com efeito, na Sagrada Escritura tudo é prometido à esmola. Ela livra-nos de todo o pecado e da morte, e não deixará cair a alma na trevas eternas: "A esmola livra de todo pecado e da morte e não deixará cair a alma nas trevas" (Tobias IV, 11). "A água apaga o fogo ardente, e a esmola resiste aos pecados". A esmola alcança-nos os dois maiores bens que pode desejar um homem prudente: a misericórdia neste mundo, e uma vida de felicidades no outro: "A esmola livra da morte, é a que apaga os pecados e faz encontrar a misericórdia e a vida eterna" (Tobias XII, 9). Quanto aos pecados veniais, apaga-os diretamente; quanto aos mortais, faz o pecador encontrar misericórdia enquanto Deus concede ao que a pratica, ou a graça do arrependimento (perfeito ou imperfeito) e a recepção da absolvição sacramental; ou, na hora da morte, o arrependimento perfeito com o desejo da confissão, ou a graça do arrependimento  imperfeito com a recepção da absolvição e, em alguns casos, "per accidens" também pelo sacramento da Extrema Unção.

"A esmola, diz Santo Agostinho, é a consolação da nossa fé, o amparo da nossa esperança, o remédio contra o pecado; ganha-nos a afeição do nosso Juiz, torna-nos credores de Deus. Oh! poder da esmola! Aqueles a quem tivermos socorrido, introduzir-nos-ão nos tabernáculos eternos: 'Quando chegar a vossa hora, eles vos recebam nos tabernáculos eternos'". Caríssimos, que suave luz difunde na nossa alma esta consoladora palavra! Agora sei o que hei de fazer, para encontrar o meu Juiz propício, quando comparecer no Seu tribunal: granjearei perante a Nosso Senhor Jesus Cristo intercessores e amigos, que falarão em meu favor. Cobrirei a multidão dos meus pecados, multiplicando as minhas obras de misericórdia, dando esmolas; se tiver muito, dando muito; se tiver pouco, dando pouco.

O ensinamento moral da parábola se resume nestas palavras: "OS FILHOS DO SÉCULO (os mundanos) SÃO MAIS PRUDENTES EM SEUS NEGÓCIOS DO QUE OS FILHOS DA LUZ" (o homem esclarecido pelas luzes da fé). Enquanto aqueles trabalham e se esforçam, e suam, e não medem dificuldades para satisfazer as suas paixões, estes adormecem imprudentemente sem nada fazer para Deus e para o céu.

Uma outra consideração sobe à nossa mente: Como chegou este homem a tornar-se um ladrão? Foi aos poucos, lentamente e de degrau em degrau. Por isso, Nosso Senhor, depois de nos ter recomendado a prudência, recomenda também a fidelidade nas pequeninas coisas. A delicadeza de consciência é a honra do cristão, que não quer ser justo somente diante dos homens, mas ainda diante de Deus, que é a Justiça por essência.

Por que Jesus fala de "RIQUEZAS INJUSTAS?" Porque enganadoras, mentirosas e também porque ou são, às vezes mal adquiridas, ou porque  mal empregadas, e, neste sentido, são a fonte de muitas injustiças. Em si mesma, a fortuna é um dom de Deus, é uma graça que convém aproveitar para a nossa salvação, proporcionado-nos a amizade dos pobres, conquistando-nos o coração de Jesus que neles se encarna e representa. Se um homem administrar mal as riquezas deste mundo, nega-lhe Deus os bens da graça; se não respeitar os bens alheios, que pertencem a Deus, perderá também o que lhe pertence, as graças a que tinha direito pelo sacramento do Batismo.

Ó misericordioso Jesus, dai-nos um coração sempre mais sensível às diversas necessidades do próximo. Descobri-nos todo o mistério do necessitado e do pobre, na ordem espiritual e temporal, para que no dia terrível do juízo sejais para nós o onipotente libertador: "Bem-aventurado o que cuida do necessitado e do pobre; o Senhor o livrará no dia mau" (Salmo 40, 2). Amém!

domingo, 8 de julho de 2018

HOMILIA DOMINICAL - 7º Domingo depois de Pentecostes

Extraído do   Livro "INTIMIDADE DIVINA" do P. Gabriel de S.ta M.  Madalena,O. C. D.

   No Evangelho de hoje, Jesus chama a nossa atenção para os "falsos profetas" que se apresentam "vestidos de ovelhas e por dentro são lobos rapaces". Muitos apresentam-se como mestres de moral ou mestres espirituais, porém são mestres falsos porque as suas obras não correspondem às suas palavras; aliás, é fácil falar bem, mas não é fácil viver bem. Às vezes as doutrinas propostas são falsas em si mesmas, embora à primeira vista o não pareçam, visto que se revestem de certos aspectos de verdade; é falsa a doutrina que, em nome de um princípio evangélico, ofende um outro, por exemplo, que em nome da compaixão para com uma pessoa lesa o bem comum, que em nome da caridade ofende a justiça ou esquece a obediência aos legítimos superiores. É falsa a doutrina que é causa do relaxamento, que perturba a paz e a união, que, sob pretexto de um bem melhor, separa os súditos dos superiores, que não se subordina à voz da autoridade. Jesus quer-nos "simples como pombas", alheios à crítica e ao juízo severo do próximo, mas quer-nos também "prudentes como as serpentes" (Mt. 10, 16), a fim de nos não deixarmos enganar pelas falsas aparências do bem que escondem perigosas insídias.
   Porém, ser mestre não é para todos, nem a todos se exige; mas a todos - sábios e ignorantes, mestres e discípulos - pede o Senhor a prática concreta da vida cristã. De que nos serviria possuir uma doutrina profunda e elevada, se depois não vivêssemos segundo essa doutrina? Portanto, em vez de querermos ser mestres dos outros, procuremos sê-lo de nós mesmos, empenhando-nos em viver integralmente as lições do Evangelho, imitando Jesus que primeiro "começou a fazer e depois a ensinar" (At.1, 1). O fruto genuíno que há-de comprovar a bondade da nossa doutrina e da nossa vida é sempre o que Jesus nos indicou: o cumprimento da Sua vontade. Cumprimento que significa adesão plena às leis divinas e eclesiásticas, obediência leal aos legítimos superiores, fidelidade aos deveres de estado, e tudo isto em todas as circunstâncias, mesmo quando exige de nós a renúncia à nossa maneira de ver e à nossa vontade.
   "Ó meu Deus, a Vossa suprema e eterna vontade não quer senão a nossa santificação, por isso a alma que deseja santificar-se despoja-se da sua vontade e reveste-se da Vossa. Ó dulcíssimo Amor, parece-me ser este o verdadeiro sinal dos que estão enxertados em Vós: que sigam a Vossa vontade à Vossa maneira e não à sua, que sejam revestidos da Vossa vontade" (cfr. Santa Catarina de Sena).

terça-feira, 3 de julho de 2018

O SANGUE DE JESUS NAS AÇÕES DE GRAÇAS APÓS A COMUNHÃO


LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Ação de graças.

E agora que estais aqui, ó meu dulcíssimo Jesus, agradeço-Vos do mais íntimo do meu coração, mas peço-Vos também uma graça: dai-me o Vosso Sangue. Não Vos contenteis em estar comigo como estais no tabernáculo: Deixai cair sobre a minha alma o orvalho dos Vosso Sangue. Ó Jesus,o Vosso Sangue que, por causa dos espinhos da coroa, banharam Vossa fronte, deixai-O cair sobre a minha alma; sobre minha inteligência e sobre a minha memória, afim de que eu conheça ao menos algum dos pensamentos que tínheis ao morrer por mim, e para que eu recorde para sempre quanto Vos custaram certas imaginações, certas ideias e certas obstinações da minha mente leviana, caprichosa e soberba. Dai-me o Sangue que Vos correu das mãos traspassadas pelos cravos, e venha ele santificar todas as minhas intenções. Dai-me o Sangue dos Vossos pés, e que eu veja sempre os vestígios d'Ele sobre o caminho da minha peregrinação e do meu calvário, e deste modo não dê um só passo fora das normas dos vossos exemplos e das vossas dores. Daí-me o Sangue de toda a Vossa adorável Humanidade, afim de que eu aprenda que não possuo uma só partícula do meu corpo que não possa e não deva sacrificar-ta por Vós, e saiba, com o Vosso exemplo e a Vossa graça, como se leva uma cruz, como se suporta um flagelo, como se recebe uma ultraje, como se consuma um sacrifício. Dai-me, ó Jesus, o Vosso Sangue, ou melhor, dai-me o Sangue do Vosso Coração. Ah! este Sangue deve ser o mais precioso que Vos correu pelas veias, porque o reservaste para fazer d'Ele o último dom: é o Sangue que melhor conhece as Vossas pulsações e até que ponto sabeis amar a Vossa criatura. Ah! que ânsias não sinto de achegar os meus lábios ao Vosso sagrado lado aberto pela lança! Tenho bebido já em mais de uma fonte terrena, mas aumentou-me sempre a secura misteriosa que me consome: só Vós, ó Jesus, podeis apagá-la com o Vosso Sangue. Deixai-O cair do Vosso Coração sobre o meu, gota a gota; venha substituir o meu sempre infecto de tantas más tendências e de tantas culpas; venha trazer-me a vida das duas virtudes que mais Vos são caras, a mansidão e a humildade.


Ó Jesus, confesso-Vos que aqui na intimidade desta Comunhão, estou cansado já de ter um coração tão mau; mas como posso eu melhorá-lo se Vós mesmo lhe não transformais a natureza, se não o vivificais com novas e santas pulsações? e como o fareis palpitar por Vós se não lhe infundirdes o Vosso Sangue? Ó Jesus, eu sinto já náuseas da terra e das criaturas; sinto-me sem vontade para nada, sem transportes de alegria, sem entusiasmo: é uma onda de tristeza intolerável que me afoga. Ah! o Vosso Sangue! Não sou um anjo, não tenho um cálice de ouro para recolhê-lo... sou uma alma infeliz, mas tenho sede... Tenho os lábios ressequidos... deixai-me chegar-los ao Vosso Coração aberto, deixai-me que eu beba, deixai que eu fique inebriado do Vosso Sangue. Sim, inebriado! Não quero mais pensar, querer, esperar, sofrer, senão sob o impulso e os ímpetos duma embriaguez santa de amor por Vós. Vós, ó Jesus, amastes tanto os homens a ponto de Santo Agostinho Vos chamar um louco de amor; pois bem, dai-me o Vosso Sangue; que eu O beba até à última gota, para que os anjos depois me chamem ébrio do Vosso Sangue, Amém! 

segunda-feira, 2 de julho de 2018

DISPOSIÇÕES PARA A SAGRADA COMUNHÃO

   A Comunhão só produz em nós os maravilhosos efeitos quando é recebida com as devidas disposições.

   As disposições mínimas e indispensáveis são: o estado de graça e a reta intenção. Contudo, acrescentaremos outras aconselhadas pela Santa Igreja, porque quanto melhores as disposições, tanto maiores são os frutos que se colhem da Comunhão.

   A - DISPOSIÇÕES DA ALMA.

   1- O ESTADO DE GRAÇA. Esta disposição é imposta por preceito grave. Estar em estado de graça é ter a consciência pura e livre de todo pecado mortal. "Que o homem examine a si mesmo, diz São Paulo, pois o que come e bebe indignamente o Corpo e o Sangue do Senhor, come e bebe a própria condenação." (1 Cor. XI, 28 e 29). Quem comungasse em pecado mortal, cometeria horrível sacrilégio. Receberia Jesus Cristo, mas para a própria condenação. De acordo com o Concílio de Trento, quem está consciente de ter pecado mortal, ainda que arrependido de sua culpa, não deve receber a Eucaristia, sem antes purificar-se pela confissão sacramental.

   2 - RETA INTENÇÃO: ter reta intenção na Comunhão é desejar agradar a Deus e unir-se a Ele, nosso Alimento e nosso Médico. Quem comungasse por vaidade, por rotina ou hábito, ou por outro motivo humano (como um político para ganhar voto; uma pessoa para conseguir um emprego etc.) não teria reta intenção e estaria cometendo um pecado.

   3 - FÉ VIVA NA PRESENÇA REAL: devemos crer que Jesus Cristo está realmente presente na Santíssima Eucaristia. É preciso que o comungante saiba distinguir entre a Mesa Sagrada  e a profana, entre o Pão do Céu e o pão comum.

   4 - HUMILDADE PROFUNDA: devemos considerar quanto somos indignos de que o Senhor nos faça este divino favor. Repetiremos as palavras do Centurião: "Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha casa".(S. Mat. VIII, 8-10).

   5 - AMOR PROFUNDO: se Jesus vem a nós é porque nos ama. Devemos recebê-Lo com igais sentimentos.

   6 - DESEJO ARDENTE: Nosso Senhor quer ser desejado ardentemente. Este Pão quer ser comido por almas famintas.

   7 - SINCERA CARIDADE FRATERNA: cada qual deve examinar-se a si próprio, se vive em paz com os outros, se ama realmente ao próximo de todo o coração.

   8 - PREPARAÇÃO E AÇÃO DE GRAÇAS: a preparação consiste em demorar-nos algum tempo a considerar quem vamos receber e quem somos nós; a fazer atos de fé, adoração, contrição, esperança e das outras virtudes de que falamos acima. A ação de graças, depois da Comunhão, consiste em nos recolhermos dentro de nós, por algum tempo (no mínimo 15 minutos), honrando ao Senhor, com atos de fé, adoração, agradecimento, caridade, oferecimento, esperança e petição das graças mais necessárias para nós e para os outros.

   B. DISPOSIÇÕES PARA O CORPO.

   1 - JEJUM: Além da alma, o corpo também precisa de preparação. Para chegarmos à Sagrada Mesa, devemos estar em jejum, de sorte que não tenhamos comido nem bebido nada, durante uma hora antes da Comunhão. Água natural não quebra o jejum.

   2 - MODÉSTIA E DECÊNCIA: é absolutamente indispensável. As senhoras, moças e meninas não só não devem usar nada de indecoroso, como trajes masculinos,  mas devem evitar também qualquer vaidade ou afetação, quando vão comungar. É uma falta de respeito, de fé e de modéstia muito grande apresentar-se sem manga, com vestidos decotados, transparentes ou que não cubram bem os joelhos, sem véu. Haja nas vestes: simplicidade, modéstia, asseio e dignidade, que refletem um coração puro e temente a Deus. Os homens e rapazes apresentar-se-ão de paletó ou, pelo menos, com camisa de mangas compridas. O Santo Padre Pio negava a comunhão aos que não seguiam estas normas.

   Comungam justo e perverso,           Morte, do mau; do bom, vida
   Mas seu destino é diverso,              Vê como a mesma comida
   Pois recebem vida e morte.              Produz efeitos contrários.
                       (Santo Tomás de Aquino)