SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

A PALAVRA DE DEUS

A PALAVRA DE DEUS 
                                                                                                                                        Dom Fernando Arêas Rifan*

        Setembro é o mês da Bíblia e, no próximo domingo, dia 23, celebraremos o dia nacional da Bíblia, dedicado a despertar e promover entre os fiéis o conhecimento e o amor dos Livros Sagrados, a Palavra de Deus escrita, redigida sob a moção do Divino Espírito Santo, motivando-os para sua leitura cotidiana, atenta e piedosa e, ao mesmo tempo, premunindo-os contra os erros correntes com relação à Bíblia mal interpretada.
       “Na Igreja, veneramos extremamente as Sagradas Escrituras, apesar da fé cristã não ser uma ‘religião do Livro’: o cristianismo é a ‘religião da Palavra de Deus’, não de ‘uma palavra escrita e muda, mas do Verbo encarnado e vivo’” (Bento XVI - Verbum Domini, 7)
       É de São Jerônimo, o grande tradutor dos Livros Santos, a célebre frase: “Ignorar a Sagrada Escritura é ignorar o próprio Cristo”. Portanto, o conhecimento e o amor às Escrituras decorrem do conhecimento e do amor que todos devemos a Nosso Senhor.
       O ponto central da Bíblia, convergência de todas as profecias, é Jesus Cristo. O Antigo Testamento é preparação para a sua vinda e o Novo, a realização do seu Reino. “O Novo estava latente no Antigo e o Antigo se esclarece no Novo” (Santo Agostinho).
       Dizemos que a Bíblia é um livro divino e humano: inspirada por Deus, mas escrita por homens, por Deus movidos e assistidos enquanto escreviam.  
       A Bíblia não é um livro só, mas um conjunto de 73 livros, redigidos por autores diferentes, em épocas, línguas, estilos e locais diversos, num espaço de tempo de cerca de mil e quinhentos anos. Sua unidade se deve ao fato de terem sido todos eles inspirados por Deus, seu autor principal e garantia da sua inerrância.
      Mas a Bíblia não é um livro de ciências humanas. Por isso a Igreja Católica reprova a leitura fundamentalista da Bíblia, que teve sua origem na época da Reforma Protestante e que pretende dar a ela uma interpretação literal em todos os seus detalhes, o que não é correto.

      Além disso, a Bíblia não é um livro fácil de ser lido e interpretado. São Pedro, falando das Epístolas de São Paulo, nos diz que “nelas há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para a sua própria ruína, como o fazem também com as demais Escrituras” (II Pd 3, 16).
        Por isso, o mesmo São Pedro nos adverte: “Sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal.Porque jamais uma profecia foi proferida por efeito de uma vontade humana. Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus” (2Pd 1, 20-21).  Assim, o ofício de interpretar autenticamente a Palavra de Deus escrita (a Bíblia Sagrada) ou transmitida oralmente (a Sagrada Tradição) foi confiado unicamente ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade se exerce em nome de Jesus Cristo, que disse aos Apóstolos e seus sucessores “até a consumação dos séculos”: “Ide e ensinai a todos os povos tudo o que vos ensinei... quem vos ouve a mim ouve”.

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/
 

domingo, 15 de julho de 2018

EVANGELHO DO 8º DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES



S. Lucas XVI, 1-9

PREPARAÇÃO PARA DAR CONTAS A DEUS

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

A Santa Igreja neste domingo coloca para nossa meditação a parábola do "Mau Administrador". O HOMEM RICO é figura de Deus, senhor de todas as riquezas que possuem os anjos no céu, e os homens na terra. O ADMINISTRADOR é todo homem que está neste mundo. Se aqui na terra o homem é considerado proprietário diante dos outros homens (por isso Deus proíbe o roubo), não o é diante de Deus, mas apenas um administrador, um simples ecônomo. Tudo o que possuímos, na ordem da natureza e da graça, de fato, não nos pertence, pois tudo nos foi confiado por Deus, a quem um dia havemos de prestar contas. À hora da nossa morte, encontraremos um livro onde se acha notado, com rigorosa precisão, todos os nossos créditos e todos os nossos débitos. Como o ecônomo infiel, seremos também acusados, diante de Deus, pelo demônio e por nossos próprios pecados. Nosso saldo será positivo ou negativo?!

Caríssimos, a vida inteira nos é concedida para regular as nossas contas, e podemos fazê-lo pelo exame de consciência e pela confissão sacramental. A cada instante posso ser chamado à presença de meu Juiz; acho-me em estado de responder às acusações que poderá fazer-me? "PRESTA CONTA DE TUA ADMINISTRAÇÃO". Esta intimação será feita, um dia, a cada um de nós, à hora da morte. Então todas as fontes da salvação estarão esgotadas para mim, porque me será tirado o tempo. Esta intimação logo após a morte, para uns será terrível, como o prelúdio do castigo; para outros será cheia de consolação, como o anúncio da recompensa. Depois da morte já não podemos exercer a nossa administração, é já passado o tempo de expiar os nossos pecados. É agora, enquanto temos vida, tempo e saúde, que devemos refletir: QUE HEI DE FAZER? Agora não nos faltam os meios, e se refletirmos seriamente, logo encontraremos a resposta: "JÁ SEI O QUE DEVO FAZER". No dia do Juízo o pecador dirá também, "que hei de fazer?" mas será um grito de desespero, a sua perda é irremediável.

TRABALHAR CAVANDO A TERRA, exposto ao sol e à chuva, é o penoso trabalho da penitência e da mortificação. MENDIGAR é orar, é suplicar o necessário para alimento da nossa alma. Se, porém não temos força ou coragem para as duras penitências da vida cristã, se não temos tempo e vagar para longas orações, podemos sempre praticar outras boas obras, fazer esmolas ainda mesmo do pouco que possuímos. Qual o pobre que não pode dar a outro pobre o óbolo da viúva ou ainda um copo d'água? A ESMOLA é, pois, um grande meio de salvação, sem excluir, todavia, a penitência e a oração que, segundo as circunstâncias, nos for permitido fazer.

Caríssimos, lendo com atenção esta parábola do divino Mestre, vemos bem a astúcia daquele mau ecônomo. Perdoando a uns mais do que a outros, toma precauções para que não seja descoberta a sua fraude. Além disso, ele conhecia talvez as disposições de cada um, e procede com toda a prudência. O Senhor louvou não a injustiça do seu mordomo, mas a sua prudência, habilidade e espírito de previdência. Enquanto o ecônomo não tinha o direito de dispor dos bens de seu amo, nós, caríssimos, recebemos de Deus, não somente uma permissão, mas ainda uma ordem formal de distribuir com largueza e liberalidade, os bens corporais e espirituais que ele nos confiou. Quis o Divino Mestre  fazer-nos compreender, diz Santo Agostinho, que se aquele mau servo é elogiado por saber acautelar os seus interesses, com mais razão seremos nós agradáveis a Deus se, conformando-nos com a lei divina, praticarmos as obras de misericórdia.

Em uma instrução, na qual se tratava também de nos preparar para sermos julgados, o Salvador exigira duas coisas para esta preparação: paixões mortificadas e obras santas: "Estejam cingidos os vossos rins, e acesas as vossas lâmpadas" (S. Lucas XII, 35). A fuga do mal e a prática do bem. Aqui Jesus só fala da esmola, considerando-a tão capaz de comover o Coração de Deus, que nos obterá todas as disposições necessárias para nos reconciliar com Ele, e nos restituir os nossos direitos à celeste herança. Com efeito, na Sagrada Escritura tudo é prometido à esmola. Ela livra-nos de todo o pecado e da morte, e não deixará cair a alma na trevas eternas: "A esmola livra de todo pecado e da morte e não deixará cair a alma nas trevas" (Tobias IV, 11). "A água apaga o fogo ardente, e a esmola resiste aos pecados". A esmola alcança-nos os dois maiores bens que pode desejar um homem prudente: a misericórdia neste mundo, e uma vida de felicidades no outro: "A esmola livra da morte, é a que apaga os pecados e faz encontrar a misericórdia e a vida eterna" (Tobias XII, 9). Quanto aos pecados veniais, apaga-os diretamente; quanto aos mortais, faz o pecador encontrar misericórdia enquanto Deus concede ao que a pratica, ou a graça do arrependimento (perfeito ou imperfeito) e a recepção da absolvição sacramental; ou, na hora da morte, o arrependimento perfeito com o desejo da confissão, ou a graça do arrependimento  imperfeito com a recepção da absolvição e, em alguns casos, "per accidens" também pelo sacramento da Extrema Unção.

"A esmola, diz Santo Agostinho, é a consolação da nossa fé, o amparo da nossa esperança, o remédio contra o pecado; ganha-nos a afeição do nosso Juiz, torna-nos credores de Deus. Oh! poder da esmola! Aqueles a quem tivermos socorrido, introduzir-nos-ão nos tabernáculos eternos: 'Quando chegar a vossa hora, eles vos recebam nos tabernáculos eternos'". Caríssimos, que suave luz difunde na nossa alma esta consoladora palavra! Agora sei o que hei de fazer, para encontrar o meu Juiz propício, quando comparecer no Seu tribunal: granjearei perante a Nosso Senhor Jesus Cristo intercessores e amigos, que falarão em meu favor. Cobrirei a multidão dos meus pecados, multiplicando as minhas obras de misericórdia, dando esmolas; se tiver muito, dando muito; se tiver pouco, dando pouco.

O ensinamento moral da parábola se resume nestas palavras: "OS FILHOS DO SÉCULO (os mundanos) SÃO MAIS PRUDENTES EM SEUS NEGÓCIOS DO QUE OS FILHOS DA LUZ" (o homem esclarecido pelas luzes da fé). Enquanto aqueles trabalham e se esforçam, e suam, e não medem dificuldades para satisfazer as suas paixões, estes adormecem imprudentemente sem nada fazer para Deus e para o céu.

Uma outra consideração sobe à nossa mente: Como chegou este homem a tornar-se um ladrão? Foi aos poucos, lentamente e de degrau em degrau. Por isso, Nosso Senhor, depois de nos ter recomendado a prudência, recomenda também a fidelidade nas pequeninas coisas. A delicadeza de consciência é a honra do cristão, que não quer ser justo somente diante dos homens, mas ainda diante de Deus, que é a Justiça por essência.

Por que Jesus fala de "RIQUEZAS INJUSTAS?" Porque enganadoras, mentirosas e também porque ou são, às vezes mal adquiridas, ou porque  mal empregadas, e, neste sentido, são a fonte de muitas injustiças. Em si mesma, a fortuna é um dom de Deus, é uma graça que convém aproveitar para a nossa salvação, proporcionado-nos a amizade dos pobres, conquistando-nos o coração de Jesus que neles se encarna e representa. Se um homem administrar mal as riquezas deste mundo, nega-lhe Deus os bens da graça; se não respeitar os bens alheios, que pertencem a Deus, perderá também o que lhe pertence, as graças a que tinha direito pelo sacramento do Batismo.

Ó misericordioso Jesus, dai-nos um coração sempre mais sensível às diversas necessidades do próximo. Descobri-nos todo o mistério do necessitado e do pobre, na ordem espiritual e temporal, para que no dia terrível do juízo sejais para nós o onipotente libertador: "Bem-aventurado o que cuida do necessitado e do pobre; o Senhor o livrará no dia mau" (Salmo 40, 2). Amém!

domingo, 8 de julho de 2018

HOMILIA DOMINICAL - 7º Domingo depois de Pentecostes

Extraído do   Livro "INTIMIDADE DIVINA" do P. Gabriel de S.ta M.  Madalena,O. C. D.

   No Evangelho de hoje, Jesus chama a nossa atenção para os "falsos profetas" que se apresentam "vestidos de ovelhas e por dentro são lobos rapaces". Muitos apresentam-se como mestres de moral ou mestres espirituais, porém são mestres falsos porque as suas obras não correspondem às suas palavras; aliás, é fácil falar bem, mas não é fácil viver bem. Às vezes as doutrinas propostas são falsas em si mesmas, embora à primeira vista o não pareçam, visto que se revestem de certos aspectos de verdade; é falsa a doutrina que, em nome de um princípio evangélico, ofende um outro, por exemplo, que em nome da compaixão para com uma pessoa lesa o bem comum, que em nome da caridade ofende a justiça ou esquece a obediência aos legítimos superiores. É falsa a doutrina que é causa do relaxamento, que perturba a paz e a união, que, sob pretexto de um bem melhor, separa os súditos dos superiores, que não se subordina à voz da autoridade. Jesus quer-nos "simples como pombas", alheios à crítica e ao juízo severo do próximo, mas quer-nos também "prudentes como as serpentes" (Mt. 10, 16), a fim de nos não deixarmos enganar pelas falsas aparências do bem que escondem perigosas insídias.
   Porém, ser mestre não é para todos, nem a todos se exige; mas a todos - sábios e ignorantes, mestres e discípulos - pede o Senhor a prática concreta da vida cristã. De que nos serviria possuir uma doutrina profunda e elevada, se depois não vivêssemos segundo essa doutrina? Portanto, em vez de querermos ser mestres dos outros, procuremos sê-lo de nós mesmos, empenhando-nos em viver integralmente as lições do Evangelho, imitando Jesus que primeiro "começou a fazer e depois a ensinar" (At.1, 1). O fruto genuíno que há-de comprovar a bondade da nossa doutrina e da nossa vida é sempre o que Jesus nos indicou: o cumprimento da Sua vontade. Cumprimento que significa adesão plena às leis divinas e eclesiásticas, obediência leal aos legítimos superiores, fidelidade aos deveres de estado, e tudo isto em todas as circunstâncias, mesmo quando exige de nós a renúncia à nossa maneira de ver e à nossa vontade.
   "Ó meu Deus, a Vossa suprema e eterna vontade não quer senão a nossa santificação, por isso a alma que deseja santificar-se despoja-se da sua vontade e reveste-se da Vossa. Ó dulcíssimo Amor, parece-me ser este o verdadeiro sinal dos que estão enxertados em Vós: que sigam a Vossa vontade à Vossa maneira e não à sua, que sejam revestidos da Vossa vontade" (cfr. Santa Catarina de Sena).

terça-feira, 3 de julho de 2018

O SANGUE DE JESUS NAS AÇÕES DE GRAÇAS APÓS A COMUNHÃO


LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Ação de graças.

E agora que estais aqui, ó meu dulcíssimo Jesus, agradeço-Vos do mais íntimo do meu coração, mas peço-Vos também uma graça: dai-me o Vosso Sangue. Não Vos contenteis em estar comigo como estais no tabernáculo: Deixai cair sobre a minha alma o orvalho dos Vosso Sangue. Ó Jesus,o Vosso Sangue que, por causa dos espinhos da coroa, banharam Vossa fronte, deixai-O cair sobre a minha alma; sobre minha inteligência e sobre a minha memória, afim de que eu conheça ao menos algum dos pensamentos que tínheis ao morrer por mim, e para que eu recorde para sempre quanto Vos custaram certas imaginações, certas ideias e certas obstinações da minha mente leviana, caprichosa e soberba. Dai-me o Sangue que Vos correu das mãos traspassadas pelos cravos, e venha ele santificar todas as minhas intenções. Dai-me o Sangue dos Vossos pés, e que eu veja sempre os vestígios d'Ele sobre o caminho da minha peregrinação e do meu calvário, e deste modo não dê um só passo fora das normas dos vossos exemplos e das vossas dores. Daí-me o Sangue de toda a Vossa adorável Humanidade, afim de que eu aprenda que não possuo uma só partícula do meu corpo que não possa e não deva sacrificar-ta por Vós, e saiba, com o Vosso exemplo e a Vossa graça, como se leva uma cruz, como se suporta um flagelo, como se recebe uma ultraje, como se consuma um sacrifício. Dai-me, ó Jesus, o Vosso Sangue, ou melhor, dai-me o Sangue do Vosso Coração. Ah! este Sangue deve ser o mais precioso que Vos correu pelas veias, porque o reservaste para fazer d'Ele o último dom: é o Sangue que melhor conhece as Vossas pulsações e até que ponto sabeis amar a Vossa criatura. Ah! que ânsias não sinto de achegar os meus lábios ao Vosso sagrado lado aberto pela lança! Tenho bebido já em mais de uma fonte terrena, mas aumentou-me sempre a secura misteriosa que me consome: só Vós, ó Jesus, podeis apagá-la com o Vosso Sangue. Deixai-O cair do Vosso Coração sobre o meu, gota a gota; venha substituir o meu sempre infecto de tantas más tendências e de tantas culpas; venha trazer-me a vida das duas virtudes que mais Vos são caras, a mansidão e a humildade.


Ó Jesus, confesso-Vos que aqui na intimidade desta Comunhão, estou cansado já de ter um coração tão mau; mas como posso eu melhorá-lo se Vós mesmo lhe não transformais a natureza, se não o vivificais com novas e santas pulsações? e como o fareis palpitar por Vós se não lhe infundirdes o Vosso Sangue? Ó Jesus, eu sinto já náuseas da terra e das criaturas; sinto-me sem vontade para nada, sem transportes de alegria, sem entusiasmo: é uma onda de tristeza intolerável que me afoga. Ah! o Vosso Sangue! Não sou um anjo, não tenho um cálice de ouro para recolhê-lo... sou uma alma infeliz, mas tenho sede... Tenho os lábios ressequidos... deixai-me chegar-los ao Vosso Coração aberto, deixai-me que eu beba, deixai que eu fique inebriado do Vosso Sangue. Sim, inebriado! Não quero mais pensar, querer, esperar, sofrer, senão sob o impulso e os ímpetos duma embriaguez santa de amor por Vós. Vós, ó Jesus, amastes tanto os homens a ponto de Santo Agostinho Vos chamar um louco de amor; pois bem, dai-me o Vosso Sangue; que eu O beba até à última gota, para que os anjos depois me chamem ébrio do Vosso Sangue, Amém! 

segunda-feira, 2 de julho de 2018

DISPOSIÇÕES PARA A SAGRADA COMUNHÃO

   A Comunhão só produz em nós os maravilhosos efeitos quando é recebida com as devidas disposições.

   As disposições mínimas e indispensáveis são: o estado de graça e a reta intenção. Contudo, acrescentaremos outras aconselhadas pela Santa Igreja, porque quanto melhores as disposições, tanto maiores são os frutos que se colhem da Comunhão.

   A - DISPOSIÇÕES DA ALMA.

   1- O ESTADO DE GRAÇA. Esta disposição é imposta por preceito grave. Estar em estado de graça é ter a consciência pura e livre de todo pecado mortal. "Que o homem examine a si mesmo, diz São Paulo, pois o que come e bebe indignamente o Corpo e o Sangue do Senhor, come e bebe a própria condenação." (1 Cor. XI, 28 e 29). Quem comungasse em pecado mortal, cometeria horrível sacrilégio. Receberia Jesus Cristo, mas para a própria condenação. De acordo com o Concílio de Trento, quem está consciente de ter pecado mortal, ainda que arrependido de sua culpa, não deve receber a Eucaristia, sem antes purificar-se pela confissão sacramental.

   2 - RETA INTENÇÃO: ter reta intenção na Comunhão é desejar agradar a Deus e unir-se a Ele, nosso Alimento e nosso Médico. Quem comungasse por vaidade, por rotina ou hábito, ou por outro motivo humano (como um político para ganhar voto; uma pessoa para conseguir um emprego etc.) não teria reta intenção e estaria cometendo um pecado.

   3 - FÉ VIVA NA PRESENÇA REAL: devemos crer que Jesus Cristo está realmente presente na Santíssima Eucaristia. É preciso que o comungante saiba distinguir entre a Mesa Sagrada  e a profana, entre o Pão do Céu e o pão comum.

   4 - HUMILDADE PROFUNDA: devemos considerar quanto somos indignos de que o Senhor nos faça este divino favor. Repetiremos as palavras do Centurião: "Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha casa".(S. Mat. VIII, 8-10).

   5 - AMOR PROFUNDO: se Jesus vem a nós é porque nos ama. Devemos recebê-Lo com igais sentimentos.

   6 - DESEJO ARDENTE: Nosso Senhor quer ser desejado ardentemente. Este Pão quer ser comido por almas famintas.

   7 - SINCERA CARIDADE FRATERNA: cada qual deve examinar-se a si próprio, se vive em paz com os outros, se ama realmente ao próximo de todo o coração.

   8 - PREPARAÇÃO E AÇÃO DE GRAÇAS: a preparação consiste em demorar-nos algum tempo a considerar quem vamos receber e quem somos nós; a fazer atos de fé, adoração, contrição, esperança e das outras virtudes de que falamos acima. A ação de graças, depois da Comunhão, consiste em nos recolhermos dentro de nós, por algum tempo (no mínimo 15 minutos), honrando ao Senhor, com atos de fé, adoração, agradecimento, caridade, oferecimento, esperança e petição das graças mais necessárias para nós e para os outros.

   B. DISPOSIÇÕES PARA O CORPO.

   1 - JEJUM: Além da alma, o corpo também precisa de preparação. Para chegarmos à Sagrada Mesa, devemos estar em jejum, de sorte que não tenhamos comido nem bebido nada, durante uma hora antes da Comunhão. Água natural não quebra o jejum.

   2 - MODÉSTIA E DECÊNCIA: é absolutamente indispensável. As senhoras, moças e meninas não só não devem usar nada de indecoroso, como trajes masculinos,  mas devem evitar também qualquer vaidade ou afetação, quando vão comungar. É uma falta de respeito, de fé e de modéstia muito grande apresentar-se sem manga, com vestidos decotados, transparentes ou que não cubram bem os joelhos, sem véu. Haja nas vestes: simplicidade, modéstia, asseio e dignidade, que refletem um coração puro e temente a Deus. Os homens e rapazes apresentar-se-ão de paletó ou, pelo menos, com camisa de mangas compridas. O Santo Padre Pio negava a comunhão aos que não seguiam estas normas.

   Comungam justo e perverso,           Morte, do mau; do bom, vida
   Mas seu destino é diverso,              Vê como a mesma comida
   Pois recebem vida e morte.              Produz efeitos contrários.
                       (Santo Tomás de Aquino) 

domingo, 24 de junho de 2018

SÃO JOÃO BATISTA É MODELO DOS SACERDOTES



Toda a grandeza e santidade do Precursor vêm das suas relações com o Messias: é Seu Precursor. Precederá a Jesus Cristo no espírito e virtude de Elias. Preparará o caminho para Jesus. É predestinado e consagrado por Deus para a obra de Jesus Cristo. João Batista será sempre pequeno aos seus próprios olhos e fará de tudo para sê-lo na estimação dos homens: "É preciso que Cristo cresça e que eu diminua" (S. João, III, 30). Ele será grande, sim, mas só diante do Senhor. Este, aliás, foi o belíssimo elogio que dele fez o Arcanjo S. Gabriel: "Ele será grande diante do Senhor" (S. Lucas I, 15). O seu nascimento e a sua vida, as suas palavras e ações, a sua glória e as suas virtudes referem-se a Jesus, como ao seu centro, e é principalmente sob este aspecto que João Batista oferece para os sacerdotes um modelo a seguir: Tudo deve ser para Jesus; tudo é de Jesus.

Qual foi o ministério que Deus confiou ao Precursor? Fazer conhecer o Filho de Deus encarnado, e com isto lançar os fundamentos de reino de Cristo na terra. Podemos dizer que esta foi precisamente o VOCAÇÃO  de João Batista. Zacarias, pai de João Batista, profetizou iluminado pelo Espírito Santo ao dizer no seu "Benedictus": "Bendito seja o Senhor, Deus de Israel!... E tu, menino, serás chamado o profeta do Altíssimo, porque irás 'adiante da face do Senhor a preparar os seus caminhos'; para dar aos seu povo o conhecimento da salvação, para remissão dos seus pecados, pelas entranhas da misericórdia de nosso Deus, graças à qual nos visitou do alto o Sol nascente, 'para alumiar os que jazem nas trevas e na sombra do morte'; para dirigir os nossos pés no caminho da paz" (S. Lucas I, 68 e 76-79). E diz o Evangelista S. João: "Houve um homem enviado por Deus que se chamava João. Este veio por testemunha para dar testemunho da luz, para que todos cressem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da Luz (o Verbo)" (S. João I, 6-8). 

S. João Batista confessará e não negará e confessará que ele não era o Messias, a Luz, que haveria de salvar o mundo. Ele, na verdade, nasceu com esta missão sublime: mostrar a Luz ao mundo, Jesus receberá dele não a sua missão, mas a autenticidade da sua missão. Mostrará Jesus Cristo ao povo como sendo o verdadeiro Messias para salvar a humanidade do pecado: "Eis Aquele que tira o pecado do mundo" (S. João I, 29). Que missão sublime a de João Batista! Por isso é que o Anjo assegurou: "Ele será grande diante do Senhor". E o próprio Jesus dirá de seu Precursor: "Na verdade vos digo que entre os nascidos das mulheres não veio ao mundo outro [profeta] maior que João Batista" (S. Mateus XI, 11). Na verdade, como precursor anunciado por Malaquias III, 1, é o maior profeta, porque enquanto os outros anunciaram o Cristo, ele com sua mão batizou-O, apontou-O com seu dedo e preparou os corações para recebê-Lo.

E assim, os sacerdotes devem reconhecer a sublimidade de sua missão e procurar fazer jus à ela. O sacerdote é o homem de Jesus Cristo, encarregado de O manifestar ao mundo e de Lhe franquear a entrada dos corações. Tenho cumprido esta sublime missão?

E para realizar esta tão sublime missão, que fez o Precursor? Levou uma vida santa. Quando Deus chama alguém para determinada missão, dá ao seu enviado os meios e graças necessárias para cumpri-la. Jesus concede-lhe a autoridade de missão capaz de dominar os espíritos e a autoridade de virtudes e santidade para comover os corações. Pois bem! as maravilhas que acompanham o seu nascimento dispuseram-no para influir eficazmente nos espíritos. Não fará milagres, porque os do seu nascimento serão suficientes para estabelecer a verdade do seu testemunho. João Batista, apenas nasce, é conhecido e respeitado, como o enviado de Deus; fale ele, e os povos o acreditarão.

Mas, era mister, outrossim, mover os corações, arrancá-los da paixões e trazê-los para Nosso Senhor Jesus Cristo. Para tanto, precisava de uma SANTIDADE que atraísse os olhares e a admiração. O retiro é o ambiente propício para a santidade; e ele retira-se desde bem novo ainda, para os desertos e aí se conserva até ao dia em que o Espírito Santo mandou que pregasse: "O Senhor, falou a João, filho de Zacarias, no deserto. E ele foi por toda a terra do Jordão, pregando o batismo de penitência para remissão dos pecados" (S. Lucas III, 2 e 3). Naquele santo retiro, em que se ocupou? Conversar com Deus e praticar rigorosa penitência. Ele já fora santificado no seio materno e, como diz o Espírito Santo: "Ora o menino crescia e se fortificava no espírito" (S. Luc. I, 30). Fazia penitências para aplacar a Deus em favor dos pecadores, aos quais ele havia de anunciar o Messias.

Ó Jesus! todas as graças por mim recebidas na qualidade de sacerdote, tiveram por fim, fazer de mim um digno ministro de Jesus Cristo, e, por que não dizê-lo? um santo, já que "sancta sanctis". Ó meu Deus! como me pesa não ter eu correspondido aos vossos desígnios tão fielmente como o vosso precursor!... Felizes dos sacerdotes que foram santos e que são santos imitando fielmente o Precursor!!! Mas para Deus nunca é tarde! Empreguemos, pelo menos, o resto de nossas vidas, procurando tudo só para Jesus, e que tudo em nossas pessoas seja de Jesus exclusivamente. Devemos, caríssimos colegas no sacerdócio, banir dos nossos corações toda tentação de vaidade, vício este infelizmente não tão raro.

S. João Batista, obtém os mais felizes resultados. É tido por Elias, ou por um dos antigos profetas ressuscitado; é tido pelo próprio Messias. Diante desta glória, O Batista confunde-se, humilha-se: "É preciso que Jesus cresça e que eu diminua". Dizia também: "Eu na verdade batizo-vos com água, mas virá um mais forte do que eu, a quem não sou digno de desatar a correia dos sapatos; Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo".

Muitos poderiam pensar que a humildade de João Batista torná-lo-ia complacente na presença dos grandes. Mas assim agiria um orgulhoso que só pensa em si. João Batista disse a verdade nas margens do Jordão, e di-la-á em face do rei Herodes: "NON LICET", "NÃO TE É LÍCITO". Com esta palavra arrojada, combate o escândalo intrepidamente. Prendem-no; degolam-no. E assim, no seio materno, no nascimento, na vida e na morte, o precursor de Jesus Cristo, dá testemunho d'Ele. Tudo nele é de Jesus Cristo, como tudo é para Jesus Cristo.

Ó Jesus, Vós desejais agora como então, entrar nas almas, para lhes levar a paz e a salvação; dai-nos, pois, santos sacerdotes, que vos preparem o caminho. Fazei de todos os vossos ministros, como de João Batista, lâmpadas acesas, para que à luz que alumia, juntem sempre a caridade que abrasa. Amém!


quarta-feira, 13 de junho de 2018

SANTO ANTÔNIO

SANTO ANTÔNIO 

                                                                                                                                                         Dom Fernando Arêas Rifan*

            

             No mês de junho, temos as tradicionais festas juninas. Ao menos originalmente, elas existem para comemorar três santos de grande importância, exemplo para nós, e cuja memória se celebra neste mês: Santo Antônio, dia 13, São João Batista, dia 24, e São Pedro, dia 29. Infelizmente, como muitas outras festas religiosas, as festas juninas são também um pouco desvirtuadas, ficando-se nos acessórios e esquecendo-se do principal. Hoje vamos nos deter no primeiro deles, Santo Antônio, cuja festa celebramos hoje. 
            Santo Antônio de Pádua é também chamado, sobretudo pelos portugueses, Santo Antônio de Lisboa. Ele nasceu em Lisboa, chamava-se Fernando, foi cônego da Ordem da Cruz em Lisboa e, depois, em Coimbra. Ali, como hospedeiro, recebeu alguns franciscanos que estavam de partida para Marrocos, na África, onde iriam trabalhar na evangelização dos muçulmanos. Lá foram martirizados e seus corpos foram trazidos para Coimbra, onde foram vistos pelo Cônego Fernando, que, assim, concebeu um grande desejo de ser também franciscano para também receber a palma do martírio. Entrou, pois, na Ordem Franciscana, recém fundada por São Francisco de Assis, recebendo o nome de Antônio. Foi, como era seu desejo, enviado à África, mas seu navio passou por grande tempestade e foi atirado nas costas da Itália. Lá teve oportunidade de conhecer São Francisco pessoalmente. 
            Frei Antônio ficou obscuro até que um dia, tendo faltado um pregador numa grande festa, pediram-lhe que fizesse a homilia. Então se revelou o grande gênio da oratória que ele era e seu profundo conhecimento das Sagradas Escrituras, fruto dos seus estudos e da sua vida de oração. Foi então nomeado o pregador oficial dos Franciscanos e professor de Teologia. 
            Pregou na Itália e na França, recebendo as alcunhas de “Doutor Evangélico” e “Martelo dos hereges”. Deus o abençoou com muitos milagres que confirmavam sua pregação. É chamado “o santo dos milagres”, tal a quantidade de fatos extraordinários e sobrenaturais que acompanhavam o seu ministério. Sua língua está miraculosamente conservada em Pádua, há mais de 700 anos. 
            Um dos grandes milagres da sua vida aconteceu em Rimini, na Itália, quando, ao pregar na praça, percebeu o total desinteresse dos ouvintes. Então lhes disse: “já que não me dais atenção, vou pregar aos peixes”. E foi fazer o seu sermão na praia. Ao começar, os peixes acorreram em profusão, ficando em ordem de altura, e balançando a cabeça em sinal de atenção. É claro que o povo todo o acompanhou admirado e daí por diante acudiu atento à sua pregação. 
            Os últimos seis meses da sua vida, passou em Pádua, na Itália, pregando sempre o Evangelho. Ali, exausto, aos 36 anos de idade, veio a falecer. Seu corpo ali se conserva, objeto de veneração de peregrinos de todo o mundo. Foi canonizado em menos de um ano após sua morte. Sua devoção está espalhada por toda a Igreja e seus exemplos são dignos de memória e imitação por todos os cristãos.

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
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