SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

domingo, 24 de junho de 2018

SÃO JOÃO BATISTA É MODELO DOS SACERDOTES



Toda a grandeza e santidade do Precursor vêm das suas relações com o Messias: é Seu Precursor. Precederá a Jesus Cristo no espírito e virtude de Elias. Preparará o caminho para Jesus. É predestinado e consagrado por Deus para a obra de Jesus Cristo. João Batista será sempre pequeno aos seus próprios olhos e fará de tudo para sê-lo na estimação dos homens: "É preciso que Cristo cresça e que eu diminua" (S. João, III, 30). Ele será grande, sim, mas só diante do Senhor. Este, aliás, foi o belíssimo elogio que dele fez o Arcanjo S. Gabriel: "Ele será grande diante do Senhor" (S. Lucas I, 15). O seu nascimento e a sua vida, as suas palavras e ações, a sua glória e as suas virtudes referem-se a Jesus, como ao seu centro, e é principalmente sob este aspecto que João Batista oferece para os sacerdotes um modelo a seguir: Tudo deve ser para Jesus; tudo é de Jesus.

Qual foi o ministério que Deus confiou ao Precursor? Fazer conhecer o Filho de Deus encarnado, e com isto lançar os fundamentos de reino de Cristo na terra. Podemos dizer que esta foi precisamente o VOCAÇÃO  de João Batista. Zacarias, pai de João Batista, profetizou iluminado pelo Espírito Santo ao dizer no seu "Benedictus": "Bendito seja o Senhor, Deus de Israel!... E tu, menino, serás chamado o profeta do Altíssimo, porque irás 'adiante da face do Senhor a preparar os seus caminhos'; para dar aos seu povo o conhecimento da salvação, para remissão dos seus pecados, pelas entranhas da misericórdia de nosso Deus, graças à qual nos visitou do alto o Sol nascente, 'para alumiar os que jazem nas trevas e na sombra do morte'; para dirigir os nossos pés no caminho da paz" (S. Lucas I, 68 e 76-79). E diz o Evangelista S. João: "Houve um homem enviado por Deus que se chamava João. Este veio por testemunha para dar testemunho da luz, para que todos cressem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da Luz (o Verbo)" (S. João I, 6-8). 

S. João Batista confessará e não negará e confessará que ele não era o Messias, a Luz, que haveria de salvar o mundo. Ele, na verdade, nasceu com esta missão sublime: mostrar a Luz ao mundo, Jesus receberá dele não a sua missão, mas a autenticidade da sua missão. Mostrará Jesus Cristo ao povo como sendo o verdadeiro Messias para salvar a humanidade do pecado: "Eis Aquele que tira o pecado do mundo" (S. João I, 29). Que missão sublime a de João Batista! Por isso é que o Anjo assegurou: "Ele será grande diante do Senhor". E o próprio Jesus dirá de seu Precursor: "Na verdade vos digo que entre os nascidos das mulheres não veio ao mundo outro [profeta] maior que João Batista" (S. Mateus XI, 11). Na verdade, como precursor anunciado por Malaquias III, 1, é o maior profeta, porque enquanto os outros anunciaram o Cristo, ele com sua mão batizou-O, apontou-O com seu dedo e preparou os corações para recebê-Lo.

E assim, os sacerdotes devem reconhecer a sublimidade de sua missão e procurar fazer jus à ela. O sacerdote é o homem de Jesus Cristo, encarregado de O manifestar ao mundo e de Lhe franquear a entrada dos corações. Tenho cumprido esta sublime missão?

E para realizar esta tão sublime missão, que fez o Precursor? Levou uma vida santa. Quando Deus chama alguém para determinada missão, dá ao seu enviado os meios e graças necessárias para cumpri-la. Jesus concede-lhe a autoridade de missão capaz de dominar os espíritos e a autoridade de virtudes e santidade para comover os corações. Pois bem! as maravilhas que acompanham o seu nascimento dispuseram-no para influir eficazmente nos espíritos. Não fará milagres, porque os do seu nascimento serão suficientes para estabelecer a verdade do seu testemunho. João Batista, apenas nasce, é conhecido e respeitado, como o enviado de Deus; fale ele, e os povos o acreditarão.

Mas, era mister, outrossim, mover os corações, arrancá-los da paixões e trazê-los para Nosso Senhor Jesus Cristo. Para tanto, precisava de uma SANTIDADE que atraísse os olhares e a admiração. O retiro é o ambiente propício para a santidade; e ele retira-se desde bem novo ainda, para os desertos e aí se conserva até ao dia em que o Espírito Santo mandou que pregasse: "O Senhor, falou a João, filho de Zacarias, no deserto. E ele foi por toda a terra do Jordão, pregando o batismo de penitência para remissão dos pecados" (S. Lucas III, 2 e 3). Naquele santo retiro, em que se ocupou? Conversar com Deus e praticar rigorosa penitência. Ele já fora santificado no seio materno e, como diz o Espírito Santo: "Ora o menino crescia e se fortificava no espírito" (S. Luc. I, 30). Fazia penitências para aplacar a Deus em favor dos pecadores, aos quais ele havia de anunciar o Messias.

Ó Jesus! todas as graças por mim recebidas na qualidade de sacerdote, tiveram por fim, fazer de mim um digno ministro de Jesus Cristo, e, por que não dizê-lo? um santo, já que "sancta sanctis". Ó meu Deus! como me pesa não ter eu correspondido aos vossos desígnios tão fielmente como o vosso precursor!... Felizes dos sacerdotes que foram santos e que são santos imitando fielmente o Precursor!!! Mas para Deus nunca é tarde! Empreguemos, pelo menos, o resto de nossas vidas, procurando tudo só para Jesus, e que tudo em nossas pessoas seja de Jesus exclusivamente. Devemos, caríssimos colegas no sacerdócio, banir dos nossos corações toda tentação de vaidade, vício este infelizmente não tão raro.

S. João Batista, obtém os mais felizes resultados. É tido por Elias, ou por um dos antigos profetas ressuscitado; é tido pelo próprio Messias. Diante desta glória, O Batista confunde-se, humilha-se: "É preciso que Jesus cresça e que eu diminua". Dizia também: "Eu na verdade batizo-vos com água, mas virá um mais forte do que eu, a quem não sou digno de desatar a correia dos sapatos; Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo".

Muitos poderiam pensar que a humildade de João Batista torná-lo-ia complacente na presença dos grandes. Mas assim agiria um orgulhoso que só pensa em si. João Batista disse a verdade nas margens do Jordão, e di-la-á em face do rei Herodes: "NON LICET", "NÃO TE É LÍCITO". Com esta palavra arrojada, combate o escândalo intrepidamente. Prendem-no; degolam-no. E assim, no seio materno, no nascimento, na vida e na morte, o precursor de Jesus Cristo, dá testemunho d'Ele. Tudo nele é de Jesus Cristo, como tudo é para Jesus Cristo.

Ó Jesus, Vós desejais agora como então, entrar nas almas, para lhes levar a paz e a salvação; dai-nos, pois, santos sacerdotes, que vos preparem o caminho. Fazei de todos os vossos ministros, como de João Batista, lâmpadas acesas, para que à luz que alumia, juntem sempre a caridade que abrasa. Amém!


quarta-feira, 13 de junho de 2018

SANTO ANTÔNIO

SANTO ANTÔNIO 

                                                                                                                                                         Dom Fernando Arêas Rifan*

            

             No mês de junho, temos as tradicionais festas juninas. Ao menos originalmente, elas existem para comemorar três santos de grande importância, exemplo para nós, e cuja memória se celebra neste mês: Santo Antônio, dia 13, São João Batista, dia 24, e São Pedro, dia 29. Infelizmente, como muitas outras festas religiosas, as festas juninas são também um pouco desvirtuadas, ficando-se nos acessórios e esquecendo-se do principal. Hoje vamos nos deter no primeiro deles, Santo Antônio, cuja festa celebramos hoje. 
            Santo Antônio de Pádua é também chamado, sobretudo pelos portugueses, Santo Antônio de Lisboa. Ele nasceu em Lisboa, chamava-se Fernando, foi cônego da Ordem da Cruz em Lisboa e, depois, em Coimbra. Ali, como hospedeiro, recebeu alguns franciscanos que estavam de partida para Marrocos, na África, onde iriam trabalhar na evangelização dos muçulmanos. Lá foram martirizados e seus corpos foram trazidos para Coimbra, onde foram vistos pelo Cônego Fernando, que, assim, concebeu um grande desejo de ser também franciscano para também receber a palma do martírio. Entrou, pois, na Ordem Franciscana, recém fundada por São Francisco de Assis, recebendo o nome de Antônio. Foi, como era seu desejo, enviado à África, mas seu navio passou por grande tempestade e foi atirado nas costas da Itália. Lá teve oportunidade de conhecer São Francisco pessoalmente. 
            Frei Antônio ficou obscuro até que um dia, tendo faltado um pregador numa grande festa, pediram-lhe que fizesse a homilia. Então se revelou o grande gênio da oratória que ele era e seu profundo conhecimento das Sagradas Escrituras, fruto dos seus estudos e da sua vida de oração. Foi então nomeado o pregador oficial dos Franciscanos e professor de Teologia. 
            Pregou na Itália e na França, recebendo as alcunhas de “Doutor Evangélico” e “Martelo dos hereges”. Deus o abençoou com muitos milagres que confirmavam sua pregação. É chamado “o santo dos milagres”, tal a quantidade de fatos extraordinários e sobrenaturais que acompanhavam o seu ministério. Sua língua está miraculosamente conservada em Pádua, há mais de 700 anos. 
            Um dos grandes milagres da sua vida aconteceu em Rimini, na Itália, quando, ao pregar na praça, percebeu o total desinteresse dos ouvintes. Então lhes disse: “já que não me dais atenção, vou pregar aos peixes”. E foi fazer o seu sermão na praia. Ao começar, os peixes acorreram em profusão, ficando em ordem de altura, e balançando a cabeça em sinal de atenção. É claro que o povo todo o acompanhou admirado e daí por diante acudiu atento à sua pregação. 
            Os últimos seis meses da sua vida, passou em Pádua, na Itália, pregando sempre o Evangelho. Ali, exausto, aos 36 anos de idade, veio a falecer. Seu corpo ali se conserva, objeto de veneração de peregrinos de todo o mundo. Foi canonizado em menos de um ano após sua morte. Sua devoção está espalhada por toda a Igreja e seus exemplos são dignos de memória e imitação por todos os cristãos.

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

domingo, 27 de maio de 2018

O MISTÉRIO DA SANTÍSSIMA TRINDADE



Evangelho de S. Mateus  XXVIII, 18-20

"Disse Jesus a seus discípulos: Todo poder me foi dado no céu e na terra. Ide, pois, ensinai a todos os povos, e batizai-os em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; ensinai-lhes a observar tudo o que vos mandei. E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos".


Dizendo Jesus: "Batizai-os EM NOME (e não no plural, NOS NOMES) estar a indicar 1 SÓ DEUS; ao dizer: DO PAI E DO FILHO E DO ESPÍRITO SANTO, estar afirmando claramente que são 3 Pessoas distintas. Mas estas três Pessoas divinas são iguais, ou seja, têm a mesma natureza, o mesmo poder, a mesma sabedoria. O "e" entre elas indica a distinção. São distintas (isto é, uma não é a outra);  o Pai é a primeira Pessoa, o Filho é a segunda Pessoa; o Espírito Santo é a Terceira Pessoa. Pois, o Pai tem a Paternidade, o Filho tem a Filiação; o Espírito Santo tem a Procedência do Pai e do Filho.  E estas três Pessoas são igualmente eternas: Desde toda a eternidade o Pai gera o Filho por via de inteligência, e, deste toda eternidade o Pai e o Filho se amam e deste amor procede o Espírito Santo. Deus é o único Ser que existe por si mesmo e É eterno, isto é, não teve princípio e nem terá fim; é o único ser que deve ser adorado (culto de LATRIA). 

"A festa de hoje leva-nos a louvar e a engrandecer a Santíssima Trindade, não só pelas imensas misericórdias que tem concedido aos homens, mas também e sobretudo em Si mesma e por Si mesma. Pelo Seu Ser supremo que jamais teve princípio e jamais terá fim; pelas Suas perfeições infinitas, pela Sua majestade, beleza e bondade essenciais; pela sublime fecundidade de vida, pela qual o Pai incessantemente gera o Filho e do Pai e do Filho procede o Espírito Santo (todavia o Pai não é anterior nem superior ao Verbo, nem o Pai e o Verbo são anteriores ou superiores ao Espírito Santo, mas as três Pessoas divinas  são coeternas e iguais entre Si); pela Divindade e por todas as perfeições e atributos divinos que são únicos e idênticos no Pai, no Filho e no Espírito Santo. O que pode dizer e compreender o homem em face de um tão sublime mistério? Nada! No entanto, aquilo que sabemos é certo, porque o mesmo Filho de Deus 'o Unigênito que está no seio do Pai, Ele mesmo é que o deu a conhecer' (Jo. 1, 18); mas o mistério é tão sublime e superior à nossa compreensão que não podemos senão inclinar a cabeça e adorar em silêncio'. 'Ó profundidade das riquezas da sabedoria e da ciência de Deus; quão incompreensíveis são os Seus juízos e imperscrutáveis os Seus caminhos!', exclama São Paulo na Epístola do dia (Rom. 11, 33-36), ele que 'tendo sido arrebatado ao terceiro céu' não soube nem pôde dizer outra coisa senão que ouviu 'palavras inefáveis que não é lícito a um homem proferir' (II Cor. 12, 2-4). Em presença do altíssimo mistério da Trindade, sente-se realmente que o mais belo louvor é o silêncio da alma que adora, reconhecendo-se incapaz de exprimir um louvor adequado à Majestade divina" (P. Gabriel de Sta M. Madalena, L. INTIMIDADE DIVINA).

 Há pagãos que pensam haver mais que um Deus. Adoram pedras, animais, ou os reis do país, como se fossem deuses. Assim, no tempo do profeta Daniel, o rei orgulhoso mandou que ninguém adorasse a outro Deus senão a ele mesmo. Daniel não quis adorar o rei, mas só o único e verdadeiro Deus, Criador do céu e da terra. O rei, então, mandou lançá-lo numa cova  profunda, onde havia leões. No outro dia o rei foi à cova e viu Daniel sossegado no meio dos leões. Imediatamente mandou que tirassem Daniel da cova e que todos adorassem o grande Deus, que tinha livrado Daniel das garras dos leões. O rei compreendeu o milagre e acreditou que HÁ UM SÓ DEUS. Pois Daniel quis adorar a um Deus só, e Deus o livrou dos leões para nos ensinar que há um só Deus.

   Há também pagãos que dizem que não há Deus nenhum. Dizem isto ou porque são maus ou porque nunca foram ao catecismo, e seus pais não lhes ensinaram a Religião. Um destes infelizes foi uma vez à casa de um grande sábio, chamado Atanásio. Atanásio tinha mandado fazer um lindo globo, com o mapa do mundo, onde se viam desenhados os mares, as terras, os rios e as cidades. O pagão perguntou quem tinha feito aquele globo tão bonito. O sábio Atanásio respondeu, sorrindo: "Ninguém fez este globo; este globo fez-se a si mesmo." O pagão não acreditou. Então o sábio disse: "O senhor tem razão em não acreditar. Pois, é impossível que este globo se tenha feito a si mesmo. Mas, como o senhor, então, pode pensar que este grande mundo veio assim por si mesmo, sem ser feito por um DEUS sábio e poderoso?" O pagão pensou algum tempo e começou a crer em DEUS.

Embora ímpio, eis o que disse com palavras semelhantes, Voltaire: "Como pode haver um relógio marcando exatamente as horas, os minutos e os segundos, e não haver alguém que o tenha feito?". O UNIVERSO é um relógio maravilhoso e imenso!!! Olhemos só o Sol. Se você penetra numa mata  e lá vê uma vela acesa, logo, mesmo sem ver ninguém, você conclui, alguém esteve aqui e acendeu esta vela. Quem acendeu e colocou nos espaços infindos o Sol diante do qual o Terra é um pontinho?! Quem terá criado estes milhões de estrelas que só agora depois de tantos séculos a ciência (NASA) está conseguindo ver?
  
"Ninguém jamais viu a Deus; o Unigênito que está no seio do Pai, ele mesmo é que o deu a conhecer" (S. João I, 18). Nada mais racional que sujeitarmos a nossa pequenina inteligência à fé, porque temos o testemunho do Filho Unigênito. Não podemos desejar mais para crer no maior mistério de nossa fé, no que há de mais inacessível ao entendimento humano. Devemos, sim, alegrarmo-nos de sacrificar a Deus a nossa razão, e de Lhe dizer: Creio, Senhor, tudo o que revelastes a respeito deste profundo mistério. Minha razão por si mesma se sente inteiramente impotente, mas sacrifico-a à Vossa glória. Sinto prazer em reconhecer a minha ignorância, para honrar a vossa suprema sabedoria, e digo com Jó: "Deus é grande e ultrapassa toda nossa ciência" (Jó XXXVI, 26).
"Perscrutar este mistério seria da minha parte uma temeridade; admiti-lo, confiando na vossa palavra, é um efeito da minha piedade; conhecê-lo plenamente, vê-lo às claras, será a minha eterna felicidade" (S. Bernardo). Caríssimos, devemos estar dispostos a dar a vida pela fé neste mistério. Assim como são três pessoas no Céu, o Pai, o Verbo e o Espírito Santo, assim também, aqui na terra, devemos desejar dar à Santíssima Trindade os três testemunhos: da minha fé, das minhas obras e do meu sangue.

Este mistério, que exige tanto sacrifício da parte do entendimento, na verdade, enche de consolações o coração. Encontramos nele as nossas delícias. Isto porque na Santíssima Trindade encontramos todos os benefícios divinos em seu princípio: a Criação, a Encarnação, a Igreja, os sacramentos, todos os favores pessoais que recebemos. Como não vibrar o coração de amor e de júbilo ao meditar nestas palavras divinas: "Eu amei-te [diz o Senhor] com amor eterno, por isso, compadecido de ti, te atraí a Mim" (Jeremias XXXI, 3). Não é pois sem razão, que a Igreja, na festa deste dia, primeiro domingo após o Pentecostes, nos conduz à fonte cujos arroios nos mostrou nas diferentes festas do ano; descobre-nos esse imenso mar, donde derivam todas as bênçãos que se derramam sobre nós. Quer que sejamos gratos a esta adorável Trindade, que achando em si toda a felicidade, cuida eternamente da nossa. Desde a criação do mundo que o Pai nos escolheu para seus filhos, o Filho para seus irmãos e o Espírito Santo para mostrar em nós as riquezas da sua graça: "A fim de mostrar aos séculos futuros as abundantes riquezas da sua graça, por meio da sua bondade para conosco em Jesus Cristo" (Efésios II, 7).

É por isso, caríssimos que a Santa Madre Igreja nos recorda continuamente a Santíssima Trindade. No começo, no decurso e no fim de seus ofícios, nas preces que faz,  nos sacramentos que administra, não cessa de exprimir a sua crença no Pai, no Filho e no Espírito Santo. Não canta um Salmo, um hino sem os concluir glorificando a adorável  Trindade. A Igreja quer que seus ministros repitam muitas vezes no dia: "Gloria Patri et Filio et Spiritui Sancto".

Caríssimos, duas coisas adoramos neste mistério: a unidade de natureza, e a trindade de pessoas. Quem é espiritual esforça-se por imitar uma e outra: a unidade pela união, amando sinceramente todos os homens, a trindade pela comunicação, fazendo-lhes todo o bem que puder. S. Paulo desejava ver esta união em todos os cristãos: "Com toda humildade e mansidão, com paciência, suportando-vos uns aos outros por caridade, solícitos em conservar a unidade do espírito pelo vínculo da paz" (Efésios IV, 2 e 3).

Assim como em Deus a Trindade só subsiste por inefáveis comunicações, derramando o Pai todos os tesouros da sua essência no seio de seu Filho, dando o Pai e o Filho ao Espírito Santo toda a sua divindade; assim também devemos tornar perfeita a nossa união, fecundando-a com as obras de caridade. Ouçamos o Salvador: "Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso" (S. Lucas VI, 36).

Deus é o Ser infinitamente amável, infinitamente amante, infinitamente amado. Deus é o Ser infinitamente feliz: "Ó meu Deus, Pai sem princípio, Filho unigênito do Pai, Espírito Consolador, Trindade santa e uma, com todo o fervor de nosso coração, com toda a força de nossa voz, nós vos confessamos, nós vos louvamos, nós vos bendizemos: glória a Vós em todos os séculos". Amém! (Ofício da SS. Trindade).                                                                        

SANTÍSSIMA TRINDADE - 8ª LIÇÃO

C -    COMO SE CHAMA O MISTÉRIO DE UM DEUS EM TRÊS PESSOAS?
CHAMA- SE MISTÉRIO DA SANTÍSSIMA TRINDADE.

   O PAI, O FILHO E O ESPÍRITO SANTO NÃO SÃO TRÊS DEUSES; MAS UM SÓ E MESMO DEUS. NÃO SÃO três deuses, mas são três pessoas distintas num só Deus.
   Jesus estava com os Apóstolos na última ceia. E Felipe pediu: "Senhor, mostra-nos o Pai, e ficaremos contentes." Jesus respondeu: "Há tanto tempo que estou convosco e ainda não me conheceis? Felipe, quem me vê, vê também a meu Pai. Eu estou no Pai e o Pai está em mim."
   Jesus quer dizer que o Pai e o Filho são um e o mesmo Deus. Quem vê o Filho vê a Deus, este mesmo Deus, que é também o Pai.
   Depois, em palavras mais difíceis, disse Jesus o mesmo do Espírito Santo. Jesus nos ensinou que o Pai e o Espírito Santo são um e mesmo Deus.
   O Pai Eterno não recebeu a natureza divina de ninguém. O Pai Eterno, desde toda a eternidade, tem de si mesmo a natureza divina. O Pai Eterno dá a sua própria natureza ao Filho. O Pai dá ao Filho a sua sabedoria, o seu poder, a sua santidade e tudo quanto Deus é. O Pai não dá outro poder, dá o seu próprio poder e todas as suas boas qualidades. O Pai dá ao Filho a sua natureza divina. Mas o Pai Eterno fica também com a mesma natureza divina. Por isso dizemos: o Pai comunica a sua natureza divina ao Filho. O Pai gera o Filho desde toda eternidade.
   O Pai é sábio. O Filho é sábio. O Espirito Santo é sábio. Mas há uma só sabedoria, que é das três Pessoas.
   O Pai é santo. O Filho é santo. O Espírito Santo é santo. Mas há uma só infinita santidade, que é do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
   O Pai é todo-poderoso. O Filho é todo-poderoso. O Espírito Santo é todo-poderoso. Mas há um só infinito poder, que é do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
   Assim há uma só infinita bondade. Por esta bondade o Pai é bondoso, o Filho é bondoso, e o Espírito Santo é bondoso.
   Há uma só infinita justiça. Por esta justiça o Pai é justo, o Filho é justo, o Espírito Santo é justo. Há uma só natureza divina, uma só divindade. Por esta divindade o Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus.

   Há uma pedra preciosa que brilha em três cores diferentes. De um lado se vê uma cor, do outro lado outra cor, do terceiro lado mais outra cor. Mas a pedra é uma só. Assim em Deus há três pessoas distintas, porém um só Deus. O Pai, o Filho e o Espírito Santo são um e mesmo Deus. É claro que toda comparação não bate em todos os pontos, mas serve para ajudar a gente entender. Assim também a gente compara a Santíssima Trindade a um triângulo de três lados iguais. São três lados iguais, mas formam uma só figura: o triângulo. Por isso, no quadro catequético, a Santíssima Trindade está dentro de um triângulo.
   Outra comparação: O sol é fogo, é luz , é calor. Mas é um sol só.    Esta doutrina de um Deus em três pessoas, chama-se o mistério da Santíssima Trindade. A palavra TRINDADE vem de três.

RESUMINDO: DEUS É   UNO    PORQUE É UMA NATUREZA SÓ .
                         DEUS É TRINO  PORQUE SÃO TRÊS PESSOAS

SANTÍSSIMA TRINDADE - 7ª LIÇÃO

 B -      QUANTAS PESSOAS HÁ EM DEUS?
EM DEUS HÁ TRÊS PESSOAS: PAI, FILHO E ESPÍRITO SANTO.

   Quem nos ensinou que há três pessoas divinas foi o próprio Deus. Vamos aprender como DEUS ensinou isto.
   Quando Jesus tinha trinta anos, saiu da casa de sua Mãe, Maria, e foi para o rio Jordão. São João Batista estava batizando ali, e Jesus aproximou-se dele para ser batizado. Neste momento abriu-se o céu, e o Espírito Santo desceu sobre Jesus e o PAI eterno falou do céu: "ESTE É MEU FILHO AMADO, OUVI-O!
   Aqui vemos bem claro que HÁ TRÊS PESSOAS EM DEUS: o PAI eterno fala do céu; e o Espírito Santo desceu do céu sobre Jesus. Aí temos as TRÊS PESSOAS. O PAI é a PRIMEIRA PESSOA DA SANTÍSSIMA TRINDADE. O FILHO é OUTRA PESSOA. O FILHO não é o PAI. O PAI não é o FILHO; pois o PAI disse: "Este é meu FILHO amado." O FILHO é a SEGUNDA PESSOA DA SANTÍSSIMA TRINDADE. O ESPÍRITO SANTO é a OUTRA PESSOA. Ele não é o PAI, nem é o FILHO. O ESPÍRITO SANTO é a TERCEIRA PESSOA DA SANTÍSSIMA TRINDADE.
   Todas estas três pessoas são DEUS. O PAI é DEUS. Jesus disse muitas vezes que seu Pai do céu é Deus. Nosso Senhor Jesus Cristo disse muitas vezes que ELE MESMO é DEUS. Jesus disse que sabe tudo o que o PAI sabe, que faz tudo o que o Pai faz. Jesus disse: "Quem me vê, também vê o Pai." Portanto, o FILHO é DEUS. Jesus disse também que o ESPÍRITO SANTO É DEUS.
   Há pessoas que querem saber tudo melhor. Não crêem em tudo o que Deus ensina pela Santa Igreja Católica. Elas querem saber mais que os padres. Os padres são enviados por Deus para ensinar a Religião. Estas pessoas falam contra o ensino do sacerdote. Elas deveriam pensar um pouco no MISTÉRIO DA SANTÍSSIMA TRINDADE e perguntar-se a si mesmas: Como é que três pessoas podem ser UM Deus? Então compreenderiam que não sabem bastante para fazer uma religião, e que devem aprender com docilidade o que Jesus Cristo nos ensina por seus ministros , os sacerdotes.
   Nossa inteligência é muito pequena e por isso não compreendemos os mistérios de Deus. Jesus vê a Deus e Jesus nos revela os mistérios e no-los ensina pela Igreja Católica. Dela devemos aprender.

EXEMPLO
   Santo Agostinho era um bispo muito sábio. Certo dia, Santo Agostinho tinha estudado o mistério da Santíssima Trindade. Já cansado, foi passear à beira-mar. Sempre ia pensando: "Como é que três pessoas podem ser um Deus? Continuando a passear, o Santo viu um menino. O pequeno tinha feito na praia um buraquinho, e com uma concha ia carregando água do mar para este buraquinho. O bispo olhou para o menino e perguntou: "Menino, que estás fazendo aí?" O menino respondeu: "Eu vou trazer todo o mar para dentro deste buraquinho." Santo Agostinho sorriu e disse: "Ora, menino, este grande mar não cabe aí." A criança respondeu: "Assim também o mistério da Santíssima Trindade não cabe na vossa pequena cabeça." E o menino desapareceu. Era um anjo que Deus enviara para instruir Santo Agostinho.
   De fato, Santo Agostinho entendeu que ninguém pode compreender o grande mistério de UM DEUS EM TRÊS PESSOAS. Devemos CRER, mas não podemos COMPREENDER.

QUANTAS PESSOAS HÁ EM DEUS?
EM DEUS HÁ TRÊS PESSOAS:
PAI, FILHO E ESPÍRITO SANTO.

SANTÍSSIMA TRINDADE - 6ª LIÇÃO

   A - HÁ UM SÓ DEUS E NÃO PODE HAVER MAIS DO QUE UM.

   Na montanha do SINAI, Deus deu os dez mandamentos. Deus começou assim: "Eu sou o teu Deus, não terás outros deuses além de MIM."

   Há pagãos que pensam haver mais que um Deus. Adoram pedras, animais, ou os reis do país, como se fossem deuses. Assim, no tempo do profeta Daniel, o rei orgulhoso mandou que ninguém adorasse a outro Deus senão a ele mesmo. Daniel não quis adorar o rei, mas só o único e verdadeiro Deus, Criador do céu e da terra. O rei, então, mandou lançá-lo numa cova  profunda, onde havia leões. No outro dia o rei foi à cova e viu Daniel sossegado no meio dos leões. Imediatamente mandou que tirassem Daniel da cova e que todos adorassem o grande Deus, que tinha livrado Daniel das garras dos leões. O rei compreendeu o milagre e acreditou que HÁ UM SÓ DEUS. Pois Daniel quis adorar a um Deus só, e Deus o livrou dos leões para nos ensinar que há um só Deus.

   Há também pagãos que dizem que não há Deus nenhum. Dizem isto ou porque são maus ou porque nunca foram ao catecismo, e seus pais não lhes ensinaram a Religião. Um destes infelizes foi uma vez à casa de um grande sábio, chamado Atanásio. Atanásio tinha mandado fazer um lindo globo, com o mapa do mundo, onde se viam desenhados os mares, as terras, os rios e as cidades. O pagão perguntou quem tinha feito aquele globo tão bonito. O sábio Atanásio respondeu, sorrindo: "Ninguém fez este globo; este globo fez-se a si mesmo." O pagão não acreditou. Então o sábio disse: "O senhor tem razão em não acreditar. Pois, é impossível que este globo se tenha feito a si mesmo. Mas, como o senhor, então, pode pensar que este grande mundo veio assim por si mesmo, sem ser feito por um DEUS sábio e poderoso?" O pagão pensou algum tempo e começou a crer em DEUS.
  
   O nosso primeiro dever é CRER EM UM SÓ DEUS.

   Vemos as obras de Deus e por elas sabemos que alguém fez tudo isto. Quem vê um relógio, sabe que algum relojoeiro o fez. Nunca viu um tal relojoeiro, mas sabe que existe. O mundo é obra mais perfeita que um relógio. Quem vê o mundo, sabe que alguém fez este mundo. Não vê o CRIADOR  do mundo, mas sabe que existe. Há um só Deus.
   Algumas pessoas dizem que creem em Deus, mas agem sempre como se não houvesse Deus. Quase nunca pensam em Deus, não rezam, quase nunca vão à igreja, e até na igreja não se ajoelham, não adoram a Deus. Conversam na igreja. Mandam seus filhos a escolas sem Deus, onde não se ensina a Religião.

   Num lugar onde há uma escola verdadeiramente católica, os pais são obrigados a mandar os seus filhos a essa escola. O governo não tem direito de expulsar Deus das escolas. Isto é fazer como se não houvesse Deus. A maior parte dos criminosos saiu das escolas sem Deus. Quando o governo expulsa Deus das escolas, o povo deve sustentar escolas católicas, em que Deus seja repeitado. Os governos que fazem leis contra a LEI DE DEUS, atraem castigos sobre o país. Devemos rezar pelos nossos governantes para que não façam isto.

   Agradeçamos a Deus que não nos fez nascer de pais pagãos. Somos cristãos, pela graça de Deus, e sabemos que há um só Deus. Devemos também viver como cristãos, e não como pagãos. Procuremos conhecer cada vez melhor, respeitar e obedecer ao ÚNICO E VERDADEIRO DEUS.

QUANTOS deuses HÁ?
UM SÓ DEUS E NÃO PODE HAVER MAIS DO QUE UM.

      

SANTÍSSIMA TRINDADE - QUADRO CATEQUÉTICO COM EXPLICAÇÃO



    Neste quadro a SANTÍSSIMA TRINDADE é representada no centro por um grande triângulo no qual vemos Deus Pai sobre o globo do mundo, e sustentando os braços da cruz na qual está pregado Seu Filho Jesus. O Espírito Santo, sob o forma de uma pomba, brilha entre o Pai e o Filho para significar que procede do Pai e do Filho. No alto do quadro, à esquerda, vemos Jesus dando a seus apóstolos, antes de subir ao céu, a missão de ensinar a todos os povos e de os batizar em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. À direita, vemos o batismo de Jesus Cristo no qual as três pessoas divinas são manifestadas. Em baixo do quadro à esquerda, vemos Abraão recebendo a visita de três anjos. Abraão estava diante de três anjos e, no entanto, saúda um só: "Senhor, diz ele, se encontrei graça diante de vossos olhos, não passeis adiante da casa de vosso servo." E falando assim, Abraão honrava nos três anjos um só Deus em três pessoas. Em baixo à direita, vemos Santo Agostinho e o menino. Isto está explicado no exemplo dado no fim da 7ª LIÇÃO.