SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

PENITÊNCIA EXTERIOR

   A penitência exterior também é importante. É o fruto, manifestação e natural consequência da penitência interior. 
   O homem não peca só com a alma, mas também com o corpo: os dois são cúmplices no ato do pecado. É justo, por conseguinte, que não só se doa a alma, mas também o corpo; e que o corpo e a alma conspirem, a uma, no exercício da penitência.

   MOTIVOS DA PENITÊNCIA EXTERNA:

  1. Conserva melhor a sensibilidade na submissão ao espírito e no cumprimento de tudo o que nos impõem os deveres do nosso estado. Se damos ao corpo tudo o que ele reclama, se afastamos dele tudo o que o mortifica, tornamo-lo indolente, inapto para o trabalho, revoltoso e indomável. Mas à força de penitência, o corpo se torna dócil, submisso, não se revolta tão facilmente contra o espírito e se torna mais apto para a virtude.
  2. Ajuda-nos a obter certas graças: como luzes na meditação, solução de certas dificuldades, socorro nas tentações, diminuição nos ataques da impureza, fervor na oração e união com Deus. Para todas estas graças é excelente a prática da penitência. Santo Inácio derramou muitas lágrimas e fez muitos jejuns para obter a luz celeste na redação de suas Regras e Constituições. Santo Tomás de Aquino se dispôs com sangrentas disciplinas para a interpretação das passagens difíceis da Sagrada Escritura. No Prefácio da Missa no tempo quaresmal diz-se: "Corporali jejunio vitia comprimis, mentem elevas, virtutem largiris et praemia" = "Com o jejum corporal reprimis os vícios, elevais a mente, concedeis virtudes e prêmios". É por isso que no tempo da Quaresma nos sentimos mais inclinados à virtude, santos e consoladores pensamentos nos iluminam a mente e nos movem o coração. 
  3. Satisfaz pelos pecados passados e pela pena temporal que lhes é devida. Desta maneira a penitência é uma réplica do espírito à rebelião da carne, e torna-se um ato de justiça, restabelecendo a ordem. Por este motivo, a prática da penitência nos é, todos os dias, necessária, pois todos os dias pecamos. Somos como um barco, que mete água, e que todo o dia deve ser esvaziado. É, pois, uma loucura deixar a solução desta dívida para a eternidade, onde a expiação será mais longa e penosa e sem merecimento. Agora tudo o que fazemos pela satisfação dos nossos pecados é fácil, proveitoso e meritório. Dizia Santo Agostinho: "Hic ure, seca, hic non parcas, ut in aeternum parcas" = "Aqui (Senhor) queimai, cortai, aqui não me poupeis, para que me poupeis na eternidade". É bom que nos exercitemos, cada dia, em algum ato de penitência para satisfazer a Deus pelos nossos pecados. 
  4. O exemplo dos Santos nos deve também mover à penitência, e, em primeiro lugar, o de Nosso Senhor Jesus Cristo, que passou quarenta dias de rigoroso jejum. E dos Santos, qual é o que não fez penitência? Todos se deram a ela com ardor, e só a obediência e a consideração de um bem maior lhes punha limites a suas rigorosas austeridades. O espírito de penitência é, pois, próprio de todo o cristão.
    PRÁTICA DA PENITÊNCIA: De três maneiras podemos praticar a penitência:
  1. Na comida. Quando nos privamos do supérfluo, ainda não é penitência; é só temperança. Praticamos a penitência, quando nos privamos do conveniente, e até do necessário contanto que nisto não prejudiquemos a saúde, nem nos exponhamos a alguma enfermidade. Moderar o excesso é temperança; cercear o conveniente é penitência. O jejum é penitência, porque nos impõe uma única refeição ao dia. Como a penitência não é fim, mas somente meio, devemos exercê-la tanto quanto conduz à nossa santificação. O que dissemos da comida, se deve dizer da bebida; e nesta, principalmente, convém exercitar a penitência; porque as sua abstenção não prejudica a saúde, antes a favorece. Nunca devemos fazer penitência de passar sede, pois, a água é indispensável para a saúde. Podemos sim, e devemos, caso passemos alguma sede inevitável, oferecê-la a Deus,com amor. 
  2. No dormir. Enquanto ao dormir, exercita-se a penitência tirando ao sono conveniente quanto se pode tirar sem prejuízo da saúde. Tirar o supérfluo de coisas delicadas e moles não é penitência, mas simplesmente temperança. Os Santos todos faziam penitência no modo de dormir: uns dormiam no chão, outros com uma pedra por cabeceira (vi em Pádua o travesseiro de Santo Antônio, - uma pedra; vi em Ávila o travesseiro de Santa Teresa, - um pedaço de madeira); outros colocavam alguma coisa para tornar o leito incômodo. Se o Espírito Santo nos mover a usar de alguns destes modos de penitência, devemos consultar o nosso diretor espiritual, para em tudo nos guiarmos por seus conselhos. Se ele não permitir, nunca devemos fazer. Do contrário, se a pessoa persistir no intento e desobedecer, é sinal de que não se tratava de inspiração do Espírito Santo mas do espírito maligno. Levantar cedo, desde que durma o necessário para a saúde, é uma ótima penitência: faz bem à saúde e à santidade. No tempo da Quaresma até o tempo da Paixão, os sacerdotes rezam no Breviário todos os dias: "Non sit vobis vanum mane surgere ante lucem, quia promisit Dominus coranam vigilantibus" = Não vos pareça coisa supérflua levantar bem cedo antes de aparecer a luz, porque o Senhor prometeu uma coroa aos que vigiam".
  3. No castigo do corpo. Este gênero de penitência consiste em causar a dor em nosso corpo com cilícios, disciplinas, cordas etc, que provocam dor, contanto que não prejudiquem a saúde. A penitência será sem perigo para a saúde e ao mesmo tempo deverá causar incômodos à nossa natureza inclinada à sensualidade. Na ascese inaciana castiga-se a carne conservando-a apta para o trabalho. Quem se preocupa DEMASIADAMENTE  com a saúde do corpo, termina prejudicando a do corpo e a da alma. Prejudica a saúde da alma, porque não faz penitência nenhuma; prejudica a saúde corporal, porque a preocupação demasiada com a saúde já é uma doença. Mas é mister estar sempre lembrando: a penitência deve ser discreta (o mais oculta possível, com muita prudência), humilde e obediente. 
     Ditosa penitência, que paga a dívida das nossas culpas, lavra a coroa da nossa glória, domina os nossos apetites, desfaz as nossas dúvidas, diminui os nossos vícios, obtém-nos as graças de Deus e estreita-nos à Cruz de Cristo! 

domingo, 21 de janeiro de 2018

EXPLICAÇÃO DO EVANGELHO DO 3º DOMINGO DEPOIS DA EPIFANIA


S. Mateus VIII 1-13

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Havendo Jesus descido do monte, grande multidão de povo O seguiu. Após o sermão da montanha, Jesus Cristo opera dois milagres: a cura do leproso e a de um paralítico, servo do Centurião de Cafarnaum. Diremos uma palavra de cada um deles e procuraremos tirar as lições que nos oferecem. Devemos sempre dar ações de graças pela descida de Jesus do mais alto dos Céus para nossa salvação! O VERBO DE DEUS SE FEZ CARNE E HABITOU ENTRE NÓS.

Este leproso é a humanidade repugnante e desfigurada para a qual o Salvador se digna descer. Na verdade, é para ela que o Filho de Deus, o Verbo Eterno, saindo das profundezas de sua eternidade, se inclina ao vir à terra. Se Ele não tivesse descido, jamais a humanidade teria podido subir até lá.

A lepra foi sempre considerada pelos Santos Padres e oradores sacros como a imagem do pecado. Objeto de horror pelos homens, os leprosos eram isolados da humanidade (hoje, graças a Deus, com o tratamento, é uma doença controlável e não mais contagiosa). O pecador também é objeto de horror para Deus e para os anjos. Separado da comunhão dos Santos nesta vida,  ver-se-á separado na outra, de sua bem-aventurada companhia. No entanto, ó cristãos, se sois acometidos desta horrível lepra do pecado, não deveis desesperar. Vamos considerar o duplo exemplo que o Evangelho deste domingo põe diante de nossos olhos, exemplo de humildade e de confiança da parte do leproso, exemplo de bondade e de misericórdia da parte do Salvador. E que a cura miraculosa do doente, vos faça pressagiar para vós uma cura semelhante.

O leproso vem a Jesus e se lança aos seus pés dizendo-Lhe: "Senhor, se quereis, podeis curar-me". Que humildade! Ele se ajoelha, adora, mostra suas chagas a Jesus, e isto diante de uma multidão que não tem por ele senão horror e aversão. Que confiança! Pede com um inteiro abandono à vontade de Deus. É como se ele dissesse: Sei, Senhor, que o vosso poder é grande e a vossa misericórdia também. Não quero senão o que Vós quereis. Sois o médico celeste; sabeis o que convém a este pobre doente: "Si vis, potes me mundare". Devemos observar que o leproso não pede que Jesus o toque. Mas Jesus em sua bondade vai além do desejo do pobre doente: toca-o e diz-lhe: "Eu quero, sê limpo". E incontinente ficou o leproso  curado.

Jesus tocou a lepra física para mostrar que Ele veio para tocar também a lepra moral, para colocar a mão sobre nossas chagas, sobre as chagas que o pecado nos fez. Sob a impressão desta mão divina, a graça se espalha pelo mundo todo, aos pagãos como aos Judeus, aos pecadores mas também aos justos. Jesus Cristo cura todas nossas enfermidades morais como cura outrossim nossas enfermidades físicas. Para a cura das enfermidades físicas, Ele exige uma fé grande e firme; para a cura das enfermidades morais, exige, além da fé, uma grande humildade e um arrependimento sincero e profundo. E neste último caso exige que mostremos nossa lepra, isto é, nossos pecados aos sacerdotes através de uma confissão sincera e íntegra.

Caríssimos, meditemos agora no segundo milagre: a cura do paralítico, servo do Centurião. Quando Jesus entrou em Cafarnaum, um Centurião aproxima-se d'Ele e diz-Lhe: "Senhor, um servo meu jaz em casa paralítico e sofre cruelmente". Jesus diz-lhe: "Eu irei e o curarei". Mas o Centurião Lhe respondeu: "Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha casa, mas dizei somente uma palavra e meu servo recuperará a saúde. Eu sou um homem que devo obedecer a autoridade superior e tenho soldados sob meu comando. Se digo a este: Vai, ele vai; ou a outro: Vem, e ele vem; ou a meu servo: Faze isto, ele faz".

Centurião era um oficial  que comandava 100 soldados. O procedimento deste oficial, embora pagão, faz sobressair três virtudes: a humildade, julgando-se indigno de receber Jesus em sua casa. Sua fé no poder sobre-humano do Salvador: acredita que do mesmo modo como ele obedece à palavra dos oficiais superiores e com sua palavra de centurião dá ordens aos simples soldados, também a palavra extraordinária de Jesus tem o poder de operar as transformações que quiser. E finalmente brilham neste Centurião as virtudes da caridade e compaixão para com seu empregado. O quadro patético que ele faz do estado do doente parece indicar que ele fala de seu filho e não de seu simples servo. Caríssimos, diante de sentimentos tão virtuosos e excelentes, Jesus imediatamente se dispõe a ouvir sua súplica: "Eu irei e o curarei".

Este Centurião está mais próximo da verdade do que os próprios Judeus. Era gentio e, no entanto, mostra mais fé do que  o povo escolhido de Israel. "Ele merece, diz S. Agostinho, receber, já neste mundo, na casa de seu coração Aquele que ele não ousa receber em sua casa de pedra e barro. Não há dúvida que o Centurião tenha se tornado um dos mais fiéis e dos mais zelosos discípulos de Jesus". 

Jesus, ouvindo as palavras do Centurião, enche-Se de admiração e disse: "Na verdade vos digo: Não encontrei fé tão grande entre os filhos de Israel". E Jesus depois acrescenta: "Digo-vos também que virão muitos do Oriente e do Ocidente e se assentarão à mesa junto com Abraão, Isaac e Jacó, no reino do céu. Mas os filhos do reino serão lançados às trevas exteriores, onde haverá choro e ranger de dentes". Jesus compara aqui o Reino do Céu a um banquete posto em sala profusamente iluminada. A ele são chamados todos os povos, ao passo que muitos descendentes de Abraão, filhos da casa, serão, por sua incredulidade, expulsos de lá e lançados às trevas que reinam do lado de fora. Estas trevas são a imagem do inferno com seus tormentos, sobretudo da privação da visão beatífica de Deus, que é a Luz, a Beleza e o Bem infinitos.   

Caríssimos, a Santa Madre Igreja também admira a fé e a humildade do Centurião. Na presença do Salvador na Eucaristia, no momento em que Ele está prestes em fazer sua entrada nas almas pela comunhão, a Igreja emprega as palavras do oficial romano e as coloca nos lábios de seus padres e de seus milhares de fiéis: "Domine, non sum dignus ut intres sub tectum meum, sed tantum dic verbum et sanabitur anima mea". Que honra para o Centurião que não tinha recebido as promessas, nem as preparações, nem as graças especiais do povo judeu, e cuja fé se mostrara no entanto tão superior àquela desta nação rebelde em um tão grande número de seus filhos!

Nós somos, caríssimos, pela antiguidade da fé, dada uma vez por todas (S. Judas Tadeu, vers. 3), pela multidão inumerável de benefícios com que Deus nos favoreceu em todos os países onde brilhou a pregação do Evangelho no decurso destes 2000 mil anos, que foram regados pelo sangue dos mártires, nós, digo, estamos de alguma maneira em uma situação análoga àquela em que se encontraram os Judeus no tempo de Nosso Senhor. As graças de Deus nos preveniram e fomos delas cumulados. Podemos verdadeiramente ser considerados OS FILHOS DO REINO. Pois bem! Devemos temer merecer por causa de nossas infidelidades reiteradas, por nossas resistências obstinadas, que os estrangeiros vindos do Oriente e do Ocidente, nos sejam preferidos. Devemos temer que eles sejam admitidos ao reino do céu, e nós rejeitados.


Ó Senhor, que a vossa misericórdia nos preserve de tamanha desgraça! Sim, é verdade que nossa alma está enferma na casa de nosso corpo. Ela  está doente da doença do pecado, doença do orgulho, doença da luxúria, doença da avareza, doença da inveja, doença do ódio. Ela perdeu suas forças sob a ação dessas paixões funestas, dessas febres cruéis; ela está paralítica, tetânica e sofre horrivelmente, sem movimento para o bem, sem vida para a virtude. Senhor, uma só palavra vossa poderá curá-la. Não somos dignos, mas por vossa misericórdia, todos os obstáculos serão retirados, e Vós podeis vir à nossa alma e ela estará salva. Amém!

domingo, 24 de dezembro de 2017

HOMILIA DOMINICAL - 4º DOMINGO DO ADVENTO

   Leituras: 1ª Epístola de S.Paulo Apóstolo aos Coríntios, 4, 1-5; Evangelho segundo S.Lucas, 3, 1-16.

  "Sic nos amantem quis non redamaret?"
"Amor com amor se paga!"

   Caríssimos e amados fiéis em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   "Amor com amor se paga!" Eis o lema que fez os santos, que estimulou uma multidão de almas a uma maior generosidade.
    Caríssimos, preparemo-nos para o Santo Natal com este amor e nele permaneçamos fiéis. "O que se requer dos dispenseiros, diz S. Paulo na Epístola, é que eles sejam encontrados fiéis".
   Da parte de Nosso Senhor, o seu amor por nós é eterno e infinito. A Encarnação do Verbo é a maior prova deste amor infinito pelos homens: "Eu, diz Deus pelo profeta Jeremias, amei-te com um amor eterno, por isso, compadecido de ti, te atraí a mim". Na verdade, Deus amou o homem desde toda a eternidade e para o atrair a Si não hesitou enviar-lhe o "Seu Filho em carne semelhante à do pecado" (Rom. VIII, 3). Vamos ao encontro deste Amor que está prestes a aparecer, "encarnado", no doce Menino Jesus! Vamos a Ele com o coração vazio de nós mesmos pela penitência, para que o próprio Jesus o encha de Si.
   "Preparai o caminho do Senhor, prega S. João Batista no deserto por ordem de Deus, endireitai as suas veredas; todo vale se encherá, e todo monte e colina serão abaixados; os caminhos tortuosos tornar-se-ão retos e os ásperos, planos; e toda carne, isto é, todo o homem verá o Salvador enviado por Deus".
   Quando se quer receber triunfalmente um grande rei, preparam-se os caminhos por onde ele deve passar, endireitando-os, refazendo-os, nivelando os acidentes do terreno, aplanando-os. Ora, todas estas figuras, todas estas imagens alegóricas significam o trabalho e os efeitos da penitência, que deve preparar as almas a fim de receberem o Messias. Todo vale será cheio: isto quer dizer que toda a vida estéril, tíbia e inútil será resgatada pela prática da virtude, e dará uma rica messe de méritos segundo aquilo das Escrituras no Salmo 64, 14: "...os vales estarão cheios de trigo"; todo coração verdadeiramente contrito e humilhado será repleto de graças e de bens espirituais, e encher-se-á de boas obras. - Todo monte e colina serão abaixados: isto é, os espíritos soberbos, os orgulhosos e ambiciosos deverão ser rebaixados e humilhados, porque o Deus que vai descer até à nossa miséria e ao nosso nada, resiste aos soberbos e dá, porém, a sua graça aos humildes. Até aqui as paixões tirânicas entorpeceram todas as almas, e tornaram difícil o caminho da virtude e da santidade. Mas eis que um Deus feito homem vem expiar o pecado na sua carne, e desde então todo o caminho será aplanado; todo aquele que quiser avançar na perfeição, não mais encontrará vale ou colina que lhe ponha obstáculos.
   Os caminhos tortuosos tornar-se-ão retos: Quer dizer que os corações que tenham sido entortados pela injustiça, pela dissimulação, pela mentira e por toda a espécie de vícios, serão endireitados pela conformidade com as regras da justiça, da verdade, da sinceridade e da pureza.
   Os caminhos ásperos e desiguais tornar-se-ão planos: isto é, as almas violentas e duras, que se deixam levar da ira, do rancor, da vingança, voltarão à doçura, à mansidão e à caridade por influência da graça de Deus; pelo exemplo do doce Menino Jesus. "Apareceu na terra a bondade e doçura de Deus, Nosso Salvador."
    Portanto, caríssimos e amados fiéis, é necessário que uma penitência sincera e generosa mortifique todas as paixões, destrua todos os vícios, tudo o que é feito do pecado, a fim de que todo o homem possa colher os frutos da salvação que o Messias traz ao mundo: "E todo homem verá o Salvador enviado por Deus".Quer dizer, todo o homem assim preparado pela penitência verá o Salvador, e participará dos seus méritos e da sua glória.
   Caríssimos, limpemos o nosso coração de tudo o que é indigno de Jesus, de tudo o que poderia desagradar-Lhe e contristá-Lo. Esforcemo-nos por viver de uma maneira digna de Jesus.
    Quantos comungam, e todavia não sentem Jesus, não recebem os frutos de salvação e de santidade que Ele traz consigo! Um protestante estava se convertendo, mas me expôs sua última dúvida: "Tenho visto católicos comungarem e não melhoram, e não se santificam. Se a Hóstia consagrada é Jesus, não posso entender que alguém receba Jesus e não melhore. Tenho dúvida se a Hóstia é realmente Jesus. Respondi-lhe: Infelizmente a preparação para a comunhão deixa a desejar em muitos. A própria maneira de muitos comungarem, lhes vai tirando imperceptivelmente a fé. E sem a fé, não podem agradar a Deus. Não trabalham na sua conversão, na correção dos seus defeitos, não se importam da recomendação de Isaías e da santa Igreja: Preparai o caminho para o Senhor, isto é, preparai os vossos corações... É a mesma explicação porque muitos não receberam a Jesus quando esteve entre os homens. Não aproveitaram a pregação do Precursor.
   Os ladrões Amalecitas tinham vindo pilhar  nos campos do povo de Israel. Mas, no tumulto da fuga, um pobre escravo, abandonado por seu amo porque estava doente, ficara estendido na terra nua, a morrer de febre e de prostração.
   E eis que passaram por ali os soldados do rei Davi, e viram-no estirado no campo como um morto. Levaram-no ao rei, o qual teve compaixão dele e ordenou lhe dessem pão para comer e água para beber, e uma porção de figos e alguns cachos de uvas.
   Pouco a pouco o infeliz escravo voltou a si e restaurou-se. "Não mais escravo, porém livre serás. Na guerra combaterás a meu lado como valoroso, e na paz viverás honrado com muitas recompensas". Assim lhe falou o rei Davi, e conduziu-o consigo a fazer grande matança de inimigos".
   Caríssimos e amados fiéis, o escravo Amalecita é um símbolo da nossa alma. Ela tem servido, quem sabe? o demônio, depredador e assassino dos corações, e, cansada e febricitante por causa dos pecados e dos afetos mundanos, tem ficado a definhar na estrada da vida. Mas eis que já vem o nosso rei Jesus: vem com o seu santo Natal.
   Ó Jesus, Salvador! Sede compassivo conosco. Restaurai-nos com o vosso alimento e com a vossa bebida, aquecei-nos com o hálito do vosso amor. Depois levai-nos sempre a Vosso lado: na guerra contra o demônio, a carne e o mundo. Na paz da vossa graça nesta vida e depois na Glória da outra, na Pátria do repouso eterno. Amém!

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

SÃO FRANCISCO DE ASSIS E A CARIDADE

   A alegria de São Francisco de Assis, que era, no fundo, o fruto e a consequência do seu extraordinário amor a Deus, recaiu sobre os homens sob a forma de uma incomparável caridade.
   Afirma Tomás de Celano: "Quero, dizia ele (Frei Francisco) - que os meus Irmãos mostrem ser filhos da mesma mãe, e que, se um deles pedir uma túnica, uma corda ou outro qualquer objeto, outro lho dê logo generosamente; que emprestem livros uns aos outros e tudo o que possa ser agradável, obrigando-os mesmo a aceitá-los..." . "Que os Irmãos, por caridade espiritual, se sirvam voluntariamente uns aos outros e uns aos outros se obedeçam mutuamente... Que se amem uns aos outros , como diz o Senhor: "O meu mandamento é que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei"... "Que nenhum Irmão diga ou faça mal a um outro... E que todos os Irmãos evitem caluniar quem quer que seja e andar em rixas e disputas, mas que antes cuidem de guardar silêncio, tanto quanto lho conceder a graça de Deus. Que não discutam com os outros, mas se esforcem em responder humildemente, dizendo:'Somos servos inúteis'.
   Diz Tomás Celano, I, n. 17: "Como ele (Frei Francisco) era belo, esplêndido, glorioso, na simplicidade das suas palavras, na sua caridade fraternal, no seu comércio agradável [in concordio obsequio], no seu aspecto angélico! De costumes suaves e natureza pacífica, mostrava-se doce nas suas palavras, benevolente nas exortações, sabia guardar fielmente um segredo, era previdente no conselho, gracioso em todas as coisas. Tinha o espirito sereno, a alma doce... era severo para consigo mesmo, indulgente para com os outros, sempre cheio de discernimento". É bom sabermos que Tomás Celano conviveu com São Francisco. 

   Logo antes da redação da Regra definitiva, escreveu Frei Francisco a um Ministro: "Eis o sinal que me fará conhecer se amas o Senhor e a mim, seu servo e teu: é que nenhum Irmão do mundo, que houver pecado, por culpado que seja, saia da tua presença sem haver obtido misericórdia, se tal implorar. E, se ele não implorar misericórdia, vai tu perguntar-lhe se não a quer aceitar. E se, depois, ele se apresentar mil outras vezes diante de ti (para o mesmo fim), ama-o mais que a mim, a fim de o conquistares para o Senhor. E  de tais tem sempre piedade". 

   São Francisco, no entanto, exigia ainda mais do que isto. "A caridade franciscana, como um sol benfazejo, espalhou seus raios pelo mundo inteiro. Francisco considerava todos os homens seus irmãos e suas irmãs. Inclinava-se humildemente para todos, tratava-os como amigos íntimos, e era solícito para cada um deles ".(Bernardo de Bessa: Liber de laudibus, c. 3). Quase sempre, quando recomenda a seus discípulos que pratiquem a caridade uns para com os outros, também os exorta a amarem os homens como a irmãos, sem examinar se estes últimos se mostram favoráveis às ideias franciscanas, ou se se conservam filhos do século, no sentido absoluto da palavra. O seráfico Pai proibia-os severamente de julgarem ou desprezarem os que vivem nos prazeres e envergam suntuosas vestes. "Deus - dizia ele - é seu Senhor, como o é também dos pobres, e pode chamá-los e santificá-los". Ordenava-lhes mesmo que respeitassem os ricos como irmãos e senhores: irmãos diante do Criador; senhores porque provêm às necessidades dos filhos de Deus e ajudam-nos assim a levar a sua vida penitente" (Cf. Tres Socii, n. 58).  (Destaques meus, endereçados aos que pregam luta de classes).

   Quando manda os seus primeiros discípulos pelo mundo afora, o santo Fundador fala-lhes deste modo: "Ide, meus bem-amados; parti dois a dois, para as diferentes regiões do universo, e pregai aos homens a paz e a penitência para remissão dos pecados. Sede pacientes na tribulação e ficai certos de que Deus realizará os seus desígnios e cumprirá a sua promessa. Se vos interrogarem, respondei humildemente; abençoai os que vos perseguirem; dai graças aos que vos cobrirem de injúrias e vos caluniarem, pois, em troca dessas tribulações, o reino eterno vos aguarda". (Tomás Celano, I, n. 29). "Atentemos todos, meus Irmãos, nestas palavras do Senhor: "Amai os vossos inimigos e fazei o bem àqueles que vos odeiam", pois Nosso Senhor Jesus Cristo, de quem devemos seguir o exemplo, deu a um traidor o título de amigo e entregou-se espontaneamente aos seus algozes. Nossos amigos são, pois, todos aqueles que injustamente nos causam pesares e aflições, humilhações, injúrias, dores, tormentos, o martírio e a morte. Cordialmente os devemos amar, pois o que eles nos fazem alcança-nos a vida eterna" (Regula I.c. 14, 16 22; cf. Tres Socii n. 38 e 41). 

   Caríssimos e amados leitores, poderíamos escrever ainda muito mais sobre a caridade de São Francisco de Assis, mas para quem tem boa vontade não será difícil ver em que consiste a verdadeira caridade franciscana, que é afinal a caridade praticada e ensinada pelo Divino Mestre, Nosso Senhor Jesus Cristo. 

domingo, 17 de dezembro de 2017

EXPLICAÇÃO DO EVANGELHO DO 3º DOMINGO DO ADVENTO


S. João I, 19-28

19. Eis o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas a perguntar-lhe: Quem és tu? 20. Ele confessou a verdade e não a negou; e confessou: Eu não sou o Cristo. 21. Eles perguntaram-lhe: Quem és pois? És tu Elias? Ele respondeu: Não sou. És tu o profeta? Respondeu: Não sou. 22. Disseram-lhe então: Quem és, pois, para que possamos dar resposta aos que nos enviaram? Que dizes de ti mesmo? 23. Disse-lhes ele: "Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor", como disse o profeta Isaías. 24. Os que tinham sido enviados eram fariseus. 25. Interrogaram-no, dizendo: Como batizas, pois, se não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta? 26. João respondeu-lhes dizendo: Eu batizo em água, mas no meio de vós está quem vós não conheceis. 27. Este é o que há de vir depois de mim, ao qual eu não sou digno de desatar a correia das sandálias. 28. Estas coisas passaram-se em Betânia, do lado de além do Jordão, onde João estava batizando.

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Neste domingo, o santo Evangelho mostra-nos o Precursor novamente dando testemunho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Quão humilde e desinteressado este testemunho! Os Sacerdotes, os Levitas, enviados de Jerusalém, a cidade santa, vêm  oferecer a João o título de Cristo, de Messias, e colocar aos seus pés as homenagens que este título reclama. O próprio Espírito Santo inspira a S. João Evangelista a frisar enfaticamente a confissão  do Precursor, deixando bem clara a retidão deste homem extraordinário: CONFESSOU A VERDADE E NÃO A NEGOU; E CONFESSOU: EU NÃO SOU O CRISTO.   Quantos hoje, seguramente com menos méritos e virtudes que João Batista, aceitam prazerosamente títulos análogos, ou até a si mesmos os atribuem!  Procuram atrair o povo não para Jesus pela santidade de vida; mas pela popularidade torna os fiéis seus fanáticos seguidores. Isto é uma rapina no Templo. Isto é trair a Jesus Cristo, porque para ser popular não se prega o que o Divino Mestre pregou, mas novidades ao sabor do mundo.  São precursores sim, mas do Anti-Cristo.

João Batista não é nem o Cristo, nem Elias, nem um profeta; ele é senão uma voz que clama no deserto. Sim, mas esta voz tão humilde, tão modesta se fez ouvir no mundo todo e ela aqui ainda ressoa e ressoará até o fim do mundo, enquanto que a voz destes falsos profetas modernos, desses pregadores de novidades e pretensas surpresas divinas, a voz, digo, destes soberbos "libertadores" está prestes a morrer, porque Jesus Cristo sempre vence, reina e impera. Cristo é sempre o mesmo e Seus verdadeiros profetas não pregam novidades ao sabor do mundo, mas sempre a Tradição, procurando levar as almas a Jesus e Jesus às almas.

No início de seu Evangelho, S. João Apóstolo, diz: "Estava no mundo (o Verbo Encarnado) e o mundo fora feito por Ele, e o mundo não o conheceu". E S. João Batista diz: "No meio de vós está quem vós não conheceis". Na verdade Jesus Cristo já estava há 30 anos entre o povo e este não o conhecia e não o recebia como o Messias, Ele, "glória como de Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade" (S. João I, 14). É uma coisa surpreendente! Mas, caríssimos, não é igualmente incompreensível que Jesus seja hoje também inteiramente desconhecido por muitos? Há vinte séculos, com efeito, que Jesus Cristo está no mundo, o mundo foi feito por Ele, o mundo com suas luzes, com suas grandezas, suas glórias, sua civilização. Tudo o que neste mundo há de santo, de bom, de nobre é obra de Jesus Cristo, é obra de seu sangue, de seus trabalhos, de suas lágrimas, de sua morte, é obra de sua doutrina, obra de sua Igreja, desta Igreja da qual Ele não cessa de ser a alma. E o mundo assim feito por Jesus Cristo não O reconhece, o mundo O ultraja, O blasfema, O rejeita. Cumulados de seus benefícios, esclarecidos por suas luzes, no entanto, rejeitam a vida abundante que Jesus lhes oferece. Os homens de nosso tempo, em grande parte, talvez na maioria, recusam seu Benfeitor, menosprezam o seu único Guia, perseguem-No por toda parte, desprezam Sua Lei nas instituições, nas famílias e nas escolas.

Quem hoje conhece verdadeiramente a Jesus Cristo? Quem estuda Sua doutrina, quem procura se compenetrar de Suas máximas? Quem possui à fundo Sua Moral? E o pior, caríssimos, é que se realiza a palavra de Davi: "O injusto (pecador) disse em si mesmo que queria pecar; não há temor de Deus ante seus olhos. Porque ele procedeu dolosamente na sua presença, de sorte que a sua iniquidade se tornou mais odiosa. As palavras de sua boca são iniquidade e engano; não quis instruir-se para fazer o bem" (Salmo XXXV, 2-4). Hoje a maioria das mentes esta abarrotada de lamas pútridas de novelas e filmes imorais. Há fanatismo para os "ídolos" do futebol, do cinema, da música etc. Sobre eles sabem os mínimos detalhes. Mas não sabem o mínimo sobre Jesus Cristo. Com isto é triste!

Temos que lembrar aos homens modernos que Jesus Cristo é o único nome dado aos homens pelo qual podemos ser salvos (Cf. Atos IV, 12); não podemos encontrar a salvação senão em Jesus Cristo. Para ser salvo por Jesus Cristo é necessário primeiramente conhecê-Lo. "A vida eterna é esta: Que te conheçam a ti como um só Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste" (S. João, XVII, 3). Embora já transcorridos mais de 2 mil anos, ainda se faz necessário lembrar à humanidade que Jesus é a Porta pela qual é preciso entrar na verdade e na vida: "Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, será salvo" (S. João X, 9). Jesus é porta pela qual entramos na verdade sem limite e na vida sem fim. É preciso conhecer esta porta. Sem isto, choca-se contra a muralha, cansa-se e esgota-se por querer fazer uma passagem onde não há passagem possível; permanece-se do lado de fora, sem a verdade e sem a vida; debate-se nas trevas do erro, e extingue-se nos estertores da morte. Jesus é, pois, o caminho, a porta, a verdade, a vida e a luz!

Caríssimos, seja, pois, nosso maior empenho conhecer sempre melhor a Jesus e amá-Lo sem limite. S. Paulo colocava este conhecimento de Jesus acima de todos os conhecimentos, perto do qual o universo com todos seus tesouros não é nada: "Aquelas coisas que eu considerava como lucro, considerei-as como perdas por amor de Cristo. E na verdade tudo isso tenho por perda perante o eminente conhecimento de Jesus Cristo, meu Senhor, pelo qual renunciei a todas as coisas e as considero como esterco, para ganhar a Cristo" (Filip. III, 7 e 8). O conhecimento de Jesus Cristo, no entanto, não é um conhecimento só especulativo; é acima de tudo um conhecimento prático. Devemos ser o perfume de Jesus na nossa conduta. Jesus é o modelo e nós somos como pintores. Nossa vida é a tela sobre a qual é necessário que reproduzamos traço por traço o protótipo divino que devemos ter sempre diante dos olhos. Se, portanto, conhecermos verdadeiramente a Jesus Cristo, infalivelmente este conhecimento aparecerá nos nossos atos.

O primeiro sinal pelo qual se manifesta o conhecimento de Jesus Cristo é o amor: "Quem não ama, não conhece a Deus, porque Deus é caridade" (1 João IV, 8). Deus, com efeito, sendo caridade, e Jesus Cristo não sendo senão a caridade de Deus tornada sensível pela Encarnação e Redenção, segue-se que conhecer a Jesus e não amá-Lo são duas coisas incompatíveis. E se amamos verdadeiramente a Jesus, amamos também os nossos irmãos. Daí S. João dizer neste mesmo capítulo no versículo 11: "Caríssimos, se Deus nos amou assim, devemos nós também amar-nos uns aos outros". Os primeiros cristão conheciam a Jesus Cristo e O amavam de verdade, e por este amor, amavam seus irmãos. Viviam como se fossem "um só coração e uma só alma", de tal modo que muitos pagãos se convertiam e exclamavam: "Vede como eles se amam!"

O segundo sinal pelo qual possamos saber se verdadeiramente conhecemos a Jesus é se nós observamos os seus mandamentos: "E sabemos que O(Jesus) conhecemos por isto: se guardamos os seus mandamentos. Quem diz que O conhece e não guarda os seus mandamentos, é um mentiroso e a verdade não está nele" (1 João II, 3 e 4).

Caríssimos, é possível, com efeito, conhecer a Jesus, ter penetrado no misterioso santuário de seu Coração Sagrado, ter medido a altura, a profundidade, a largura e o comprimento de seu amor por nós, sem se sentir animado de um santo zelo por observar seus mandamentos com uma fidelidade inviolável, a tal ponto que nem as ameaças, nem as torturas, nem a morte serão capazes de nos levar a nos afastarmos d'Ele,  de Seus mandamentos, de sua Doutrina, de Sua Igreja!? É o que nos mostra a vida dos santos, dos mártires, das santas virgens, das almas consagradas a Deus nos claustros e também dos leigos fervorosos que desprezam os prazeres que o mundo oferece. Eis o que o grande Apóstolo S. Paulo dizia num arroubo de amor a Jesus: "Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação? ou a angústia? ou a fome? ou a falta de agasalho, ou o perigo? ou a perseguição? ou a espada? ... "Nenhuma criatura nos poderá separar do amor de Deus que está em Jesus Cristo Nosso Senhor" (Rom. VIII, 35 e segs).


Termino com a oração de Sta. Catarina de Sena: "Ó doce e amoroso Verbo, Vós dissestes-me: 'Eis que eu te preparei o caminho e abri a porta com o meu Sangue; não sejas portanto negligente em segui-lo. Toma o caminho traçado por mim, eterna Verdade, e marcado pelo meu Sangue'. Ânimo, pois, alma minha, levanta-te e segue o teu Redentor, porquanto ninguém pode ir ao Pai senão por Ele. Ó doce Cristo, ó Cristo amor , Vós sois o caminho e a porta por onde nos convém entrar para chegar ao Pai". Amém!

HOMILIA DOMINICAL - 3º Domingo do Advento - Com explicação da Epístola

   Leituras: Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Filipenses 4, 4-7.
   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João 1, 19-28. 

LEITURA DA EPÍSTOLA DA MISSA DESTE 3º DOMINGO DO ADVENTO

   "Irmãos: Alegrai-vos sempre no Senhor. Ainda uma vez vos digo: alegrai-vos. Seja a vossa modéstia conhecida de todos os homens; o Senhor está perto. De nada vos inquieteis; mas, em toda oração e súplica, dando graças, apresentai a Deus os vossos pedidos. E a paz de Deus, que excede todo entendimento, guarde os vossos corações e os vossos espíritos em Cristo Jesus, Senhor nosso". 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

 A Epístola de hoje é curta; mas, embora, apresentando poucas palavras, oferece muitos pontos importantíssimos de meditação: a alegria, a modéstia, a oração e a paz. 
  Farei uma explicação sucinta de toda Epístola e depois me deterei um pouco mais em alguns tópicos. 

  São Paulo quer nos ensinar o seguinte: Meus irmãos caríssimos: Alegrai-vos sempre porque tendes no Senhor o motivo de vossa alegria. Repito: alegrai-vos. Que a vossa modéstia, simplicidade, humildade e doçura sejam manifestas a todos. O Senhor não tardará a socorrer-vos. Portanto, não vos inquieteis com coisa alguma deste mundo, quer presente, quer futura; mas em vossas necessidades recorrei a Deus, a Ele manifestando o que precisais, suplicando-o com vossas orações e pedidos, e agradecendo-o pelos benefícios já recebidos. E a paz de Deus que está acima de todo entendimento, aquela paz sobrenatural que não compreende senão quem já a provou, guardará os vossos corações e as vossas inteligências, unindo-os e sujeitando-os ao coração e à vontade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

   Caríssimos, embora o mundo não compreenda, ao cristão sobram motivos de alegria, de santa alegria. E o motivo é porque Jesus Cristo está perto de nós e, pela graça santificante, está mesmo dentro de nós. 

   Mestre experimentado, São Paulo acrescenta os meios para adquirir a alegria: "Manifestai a todos a vossa modéstia, que segundo o grego, pode ser traduzido como suavidade. Depondo todo hábito de violência, à ira e preferindo a bondade, a todos oferecendo o perdão, então, não tardaremos a ver que somos felizes. Diz ainda o Apóstolo: "Não vos angustieis por coisa alguma". A riquezas e os muitos prazeres não são portadores de felicidade. Quem já o experimentou, sendo sincero, o confessará. 

   Seria tão fácil ser feliz! É só fazer o que São Paulo diz nesta pequena Epístola lida na Missa deste domingo. Só não é feliz quem não quer. Coisa admirável! A Religião de Nosso Senhor Jesus que se nos afigura tendo como única meta a outra vida, na realidade faz-nos felizes já nesta terra. É só ter Jesus Cristo e segui-Lo fielmente. Embora as Bem-aventuranças de Nosso Senhor Jesus Cristo sejam diametralmente opostas às máximas do mundo, nelas verdadeiramente encontra-se a felicidade. Esta é a paz que está acima de todo entendimento humano! Só a entende aquele a quem o Divino Espírito Santo a revelar e a fizer entender. 

   Em troca da excessiva solicitude, o Apóstolo nos pede que em todas as coisas recorramos a Deus: Não vos afaneis por nada, mas as vossas petições sejam apresentadas a Deus". É muito mais o que podemos esperar da graça do que podemos esperar de nosso ardor. E isto "em tudo", sabendo com certeza que nunca seremos importunos a Deus ou insuportáveis com a multiplicidade de nossas instâncias. Multipliquemo-las generosamente. É o próprio Jesus que no-lo ensina fazer. Basta que as nossas petições sejam dignas de ser apresentadas diante de Deus, isto é, que não peçamos ao Senhor Deus e Pai, coisas não boas ou inúteis. Pelo resto, não nos espantem nem o número nem a grandeza dos nossos pedidos. Os grandes pedidos são justamente os mais dignos de um tal Senhor. Jesus disse para seus discípulos: "Até agora não pedistes nada" (S. João XVI, 24). 

   Caríssimos, não vos aflijais, mas em todas as coisas, em todas as vossas necessidades e dificuldades, apresentai as vossas súplicas a Deus, Nosso Senhor, e Nosso Pai. Amém!

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

NOSSA SENHORA DE GUADALUPE


Nossa Senhora de Guadalupe, Padroeira do Mexico e de toda a América Latina





Igreja antiga na colina
de Tepejac
   O Breviário Romano traz um resumo da História de Nossa Senhora de Guadalupe: Segundo reza uma antiga e constante tradição, em 1531 a Santíssima Virgem Maria Mãe de Deus apareceu na colina de Tepejac ao neófito Juan Diego, piedoso e inculto indígena, e comunicou-lhe seu desejo de ele se dirigir ao bispo com o pedido de, naquele local, construir uma igeja. O bispo, Dom João de Zumárraga adiou a resposta, prometendo fazer antes um exame meticuloso do caso. Pela segunda vez a Santíssima Virgem apareceu a Juan Diego renovando, e desta vez com insistência o seu pedido anteriormente feito. O indígena aflito e entre lágrimas se apresentou novamente ao sr. Bispo e suplicou, fosse atendido o pedido da Mãe de Deus. Dom João de Zumárraga exigiu como prova da veracidade, que Juan Diego trouxesse um sinal pelo qual a Mãe de Deus mostrasse sua vontade. Juan Diego estava de viagem à cidade do México, para procurar um padre para ir dar os últimos sacramentos a um tio seu  com grave enfermidade. Era bem longe da colina de Tepejac e a benigníssima Virgem lhe apareceu pela terceira vez. Primeiramente Nossa Senhora assegurou a Juan Diego que o seu tio já estava completamente curado. Era inverno e num lugar árido. Juan Diego, em atitude de devoção, estendeu aos pés da Santíssima Virgem o seu manto, e este, imediatamente se encheu de belíssimas rosas. "É este o sinal, disse-lhe Maria Santíssima, que darei a quem tal pediu: leva estas rosas ao Sr. Bispo". E a ordem foi cumprida, e no momento em que o índio Juan Diego espalhou as flores diante do Prelado, apareceu sobre o tecido do manto uma linda pintura de Nossa Senhora, reprodução fiel da primeira aparição na colina de Tepejac. O fato causou grande estupefação, e às centenas acorreram os fiéis ao palácio episcopal para verem as rosas e a imagem. Esta foi respeitosamente guardada na residência episcopal, e mais tarde em triunfo foi levada à grandiosa igreja que se construiu na colina de Tepejac, local indicado pela Santíssima Virgem. Desde então Guadalupe é o grande santuário nacional do México, visitado pelas multidões, atraídas pelos inúmeros milagres. O Papa Bento XIV proclamou Nossa Senhora de Guadalupe, a padroeira principal de todo México. E o Papa Pio XII declarou-a a Padroeira de toda a América Latina.
   O índio Juan Diego, o vidente de Nossa Senhora, hoje já é venerado nos altares, canonizado pela Santa Madre Igreja. O manto de Juan Diego, perfeitamente conservado apesar de se terem passado mais de 460 anos, é ainda hoje venerado no Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe.