SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

domingo, 3 de dezembro de 2017

HOMILIA DOMINICAL - 1º Domingo do Advento

Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos, 13, 11-14.
                Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas, 21, 25-33: 

  "Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; e na terra consternação dos povos por causa da confusão do bramido do mar e das ondas, mirrando-se os homens de medo, na expectativa do que sobrevirá a todo o orbe, porque as forças do céu serão abaladas. Então, verão o Filho do homem vindo sobre uma nuvem com grande poder e majestade. Quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e erguei vossas cabeças, porque se aproxima a vossa redenção. E lhes propôs uma comparação: Vede a figueira e as demais árvores; quando começam a dar frutos, sabeis que o verão está perto. Assim também, quando virdes que se realizam estas coisas, sabei que está perto o Reino de Deus. Em verdade, vos digo que não passará esta geração, sem que tudo isto aconteça. Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão".

  Caríssimos e amados fiéis em Nosso Senhor Jesus Cristo!

  Coisa digna de nota, a Igreja começa e acaba o ano eclesiástico pelo Evangelho do fim do mundo, tomado em São Mateus para o último Domingo do ano litúrgico (24º depois de Pentecostes) e em São Lucas para hoje. É que ela, como boa Mãe, quer lembrar-nos que o pensamento do Juízo final deve acompanhar-nos durante toda a vida e, por assim dizer, dirigir todos os nossos atos, afim de excitar em nós um temor salutar e fazer-nos evitar o pecado e praticar a virtude. Já o Espírito Santo nos disse: "In omnibus operibus tuis, memorare novissima tua, et in aeternum non peccabis", "Em todas as tuas obras, meditar em teus novíssimos, e jamais pecarás" (Ecles., VII, 40). 
  Os anos sucedem-se e passam depressa, tudo se transforma, tudo envelhece, mas o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo é inalterável e eterno. Prendamo-nos, portanto, com a fé e amor a esta infalível verdade, a estas palavras de vida. Meditemo-la com o coração reto dispostos a praticá-la.

  "O monge São Metódio (+ 861), que converteu à fé cristã a Bulgária e outras nações bárbaras, era também um bom pintor. Um dia ele foi chamado pelo rei dos búlgaros, de nome Bógoris, o qual lhe disse: 'Deveis fazer-me um belo quadro para eu pôr em meu palácio, e quero que esse quadro represente coisas que metam medo a todos os que o olharem'.  -  É mister saber que esse rei era pagão e meio selvagem, e só se deleitava com caçadas de animais ferozes e cenas terríveis. O santo então, recomendando-se a Deus, pintou o Juízo Universal. 
  "No meio do quadro via-se Jesus Cristo em sua tremenda majestade entre as nuvens e num trono de glória, rodeado pelos anjos; à direita uma fila de pessoas com os rostos resplendorosos de luz (os justos); à esquerda uma multidão de pessoas monstruosas com caras horríveis; cheias de pavor e de desesperada angústia (os pecadores). Em baixo afinal se via um abismo cheio de figuras horrendas de demônios, e desse abismo saíam chamas ameaçadoras e foscas.  -  Quando o rei viu esse quadro, ficou impressionado e perguntou: 'Que espetáculo é esse tão magnífico e pavoroso?' - Aí Metódio lhe deu a seguinte explicação:

  - "Majestade, iniciou S. Metódio, esse quadro representa o Juízo Universal. Ficai sabendo que logo após a morte haverá, para todos, o Juízo Particular; isto é, deveremos todos comparecer perante Deus para dar contas do bem e do mal que tivermos feito em vida. Mas além do Juízo Particular, haverá outro Juízo, que se diz Universal, e este será feito por Jesus Cristo no fim do mundo no Vale de Josafá. Ao Juízo Universal deverão apresentar-se todos os homens do mundo, que existiram, que existem e que existirem: grandes, pequenos, soberanos e súditos, sábios e ignorantes, ricos e pobres, bons e maus'. - Ao ouvir isso, o rei já começava a empalidecer e indagou: 'Quando e como será o Juízo Universal?' - Responde Metódio: 'Esse dia ninguém o sabe, nem os Anjos do Céu, exceto apenas o Pai (Deus) (S. Mt. 24, 36). - Como depois se dará o Juízo, di-lo a Sagrada Escritura. Primeiro haverá sinais: guerras espantosas dos povos e dos reinos, que se lançarão uns contra os outros (S. Mt. 24, 7); pestes, carestias, terremotos (S. Mt. 24, 36 e sgs). Depois o sol escurecerá, e a lua não dará mais a sua luz, e cairão do céu as estrelas e haverá a destruição do Universo (S. Mt. idem). Depois virá do céu um dilúvio de fogo que destruirá tudo: terra autem, et quae in ipsa sunt opera, exurentur = a terra, porém, e todas as obras que há nela, serão queimadas (1ª São Pedro, III, 10). E então será grande a tribulação, como não houve desde o início do mundo. (S. Mt. ibid., 21). E tudo isso é verdade do Evangelho. 
  "Quando estiver tudo destruído pelo fogo, os Anjos soarão uma trombeta que se fará ouvir nos quatro ventos; e os mortos ressuscitarão: 'Num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta (porque a trombeta soará) os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos mudados'. (1ª Cor. XV, 52). E aí se dará um grande espetáculo. Todos os mortos, saídos de seus túmulos, da terra, do mar, dos abismos, deverão estar vivos. - Mas com que diferença! As almas dos bons, vindas do Céu, retomarão o seu corpo belo, resplandecente, impassível: 'Então os justos brilharão como o sol (S Mt. XIII, 43). As almas dos réprobos, surgidas do inferno, unir-se-ão a seus corpos que no entanto serão disformes, horríveis, esquálidos, cheirando mal. 
  "Depois virão os Anjos, e separarão os malvados dos justos. E os justos ficarão à direita, e os pecadores à esquerda. Não vos parece vê-los, Majestade!?... Todos os blasfemadores, caluniadores,, desonestos, soberbos, ladrões, avarentos, escandalosos, sacrílegos, serão separados dos bons; e, vendo-os, dirão com raiva: 'Eis aqueles de quem zombávamos em vida. Estultos que fomos! Julgávamos uma insensatez a sua vida: eis no entanto como se incluíram entre os filhos de Deus' (Sab. V, 3-5). 
  "Feita a separação, abrir-se-ão os Céus, e entre fileiras de Anjos aparecerá o sinal do Filho do Homem: a Santa Cruz. E aí bater-se-ão no peito todas as tribos da terra. E eis a descer nas nuvens Jesus Cristo com grande poder e majestade (S. Mt. XXIV, 30 e sgs). Aí os réprobos cairão como fulminados. E que berros de choro!!! Que pavor!!! Que desespero!!! ao passo que os justos rejubilar-se-ão!!!
  "Depois o divino Juiz fará exame público: manifestará as consciências todos, revelando as culpas, diante de todo o mundo. Depois pronunciará a sentença de bênção sobre os bons e a de maldição sobre os maus; e estes irão para o eterno suplício com os demônios: os justos ao contrário para a vida eterna. (S. Mateus, 25, 46): "Esses (os maus), disse Jesus, irão para o suplício eterno, os justos para a vida eterna". 
  
  "Eis, Majestade, concluiu o monge São Metódio, o que ouvistes do quadro pintado: mas é uma realidade: a tremenda verdade do Juízo, que é verdade do Evangelho". (Extraído do Livro "A PALAVRA DE DEUS EM EXEMPLOS" de autoria do Padre Mortarino). 

  Ao ouvir isso, o rei Bógoris ficou aterrorizado; fêz-se logo instruir na religião, e, iluminado pela graça de Deus, converteu-se ao Catolicismo, e com ele se converteram também os seus súditos. Todo o país da Bulgária se tornou católico. Amém!
   

HOMILIA SOBRE A EPÍSTOLA DO 1º DOMINGO DO ADVENTO

   Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos 13, 11-14. 
                   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 21, 25-33. 


EPÍSTOLA DESTA SANTA MISSA DO 1º DOMINGO DO ADVENTO:

   "Irmãos: Sabeis que já é hora de despertar-vos do sono, pois, a salvação está agora mais perto de nós, do que quando abraçamos a fé. A noite passou e aproxima-se o dia. Renunciemos, portanto, às obras das trevas, e revistamo-nos das armas da luz. Caminhemos honestamente como quem anda em plena luz, não em excesso de comida ou de bebida, não em dissoluções e impurezas, nem em contendas e emulações. Pelo contrário, revesti-vos do Senhor Jesus Cristo."

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Primeiramente queria lembrar a todos que o pecador Agostinho, filho de Santa Mônica, passou definitivamente da trevas do erro e da morte do pecado para a luz da verdade e a vida da graça, através desta Epístola: Achando-se ele com seu amigo Alípio em um jardim, ouviu uma voz que lhe dizia: "Toma e lê". Impressionado com estas palavras misteriosas, segura o livro que vê ao seu lado e abre-o exatamente na página em que se encontra esta Epístola. Foi o golpe certeiro da graça a quebrar a última corrente férrea que ainda o detinha preso ao mundo de trevas e impurezas. Converteu-se! E oxalá, muitos e muitos lendo e meditando estas palavras inspiradas das Sagradas Escrituras, se convertam como aconteceu com Agostinho. 

   "Já é hora de despertarmos do sono".  Caríssimos, o sono é necessário para restaurar as forças, e por isto, reduz-nos à inércia. É indispensável para a vida física, mas referindo-se à vida espiritual, na linguagem ascética, o sono é sinônimo de negligência, de torpor nas coisas de Deus, é símbolo da tibieza. A alma vive esquecida de Deus, apegada que está muito mais à coisas exteriores da terra. Daí a oração ou é frequentemente omitida ou, então, feita com certo enfado. O mesmo acontece com a recepção dos sacramentos. A alma na tibieza fica alheia a todo amor divino e busca antes vãs consolações nos corações humanos. Quase não se mortifica. Preocupada com o tempo presente, não lhe interessam os destinos da vida futura. Nesta indolência espiritual a alma fica fraca e cai facilmente em pecado veniais deliberados e geralmente em quedas fatais. Do sono da alma passa facilmente à morte da alma. Por isso São Paulo define o pecado como sendo "obra das trevas". Na verdade é o príncipe das trevas que o inspira. E o pecado conduz ao reino das trevas. Por isso grita o Apóstolo: "Despojai-vos, pois, das obras das trevas" e "revistamo-nos das armas da luz". Devemos procurar a força na oração, meditação dos novíssimos, da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, procurar o força nos Sacramentos da Penitência e da Comunhão. Devemos estar acordados, bem vigilantes, para afastarmos as tentações do príncipe das trevas, com a mesma prontidão e energia com que afastamos uma brasa que cai em nossas vestes. 

   Assim com as palavras da Epístola da Missa deste 1º Domingo do Advento, São Paulo anima os tíbios a acordarem do sono do espírito; aos pecadores o Apóstolo ordena que rejeitem as obras das trevas. Aconselha os fracos que empunhem as armas da luz. A todos São Paulo exorta a que se revistam de Jesus Cristo. 

   Para terminar, caríssimos, vejamos o que significa afinal "revestir-se de Jesus Cristo". Significa tomar os mesmos sentimentos de Jesus Cristo, seguir a sua doutrina, imitar seus exemplos, reproduzir suas virtudes. Significa, outrossim, unir-se interiormente a Deus com o maior grau de santidade possível e exteriormente revelar, através da nossa conduta, a bondade, caridade, e doçura de Jesus Cristo. 

   Por isso, é com imensa tristeza que constatamos que muitos cristãos, em lugar de ser o perfume de Jesus Cristo entre os demais, violando, portanto, a missão que lhes cabe de revelarem Jesus aos homens, profanam com sua vida, a vida d'Aquele que deviam com suas virtudes honrar e glorificar. 

  Ó Jesus, fazei que, pela prática das virtudes, especialmente da humildade e mansidão, eu possa ser o bom odor vosso junto aos meus irmãos. Amém!

domingo, 26 de novembro de 2017

O JUÍZO UNIVERSAL
 "Tendo dito isto,(Jesus) elevou-se à vista deles; e uma nuvem os ocultou aos seus olhos. Como estivessem olhando para o céu, quando ele ia subindo, eis que se apresentaram junto deles dois personagens vestidos de branco, os quais lhes disseram: Homens da Galileia, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus que, separando-se de vós, foi arrebatado ao céu, virá do mesmo modo que o vistes ir para o céu" (Atos I, 9-11).
"Pois é necessário que todos nós compareçamos diante do tribunal de Cristo, para que cada um receba o que é devido ao corpo, segundo fez o bem ou o mal" (2 Cor. V, 10).
Vamos seguir o Catecismo Romano.

 SUA REALIDADE: Em prova do Juízo Final, basta citar esta passagem do Apóstolo: "Todos nós teremos de comparecer perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba retribuição do bem ou do mal, que tiver praticado em sua vida terrena" (2 Cor. V, 10 e Rom. XIV, 10).

A Escritura está cheia de textos, que os párocos descobrirão a cada passo, quando quiserem explicar este mistério e torná-lo mais acessível à inteligência dos fiéis (P. ex.: 1 Reis, 2, 10; Oséias  95, 13; Is 2, 12; Jer. 46, 10; Dan. 7, 26; Joel 2, 1-13; Sof. 1, 7-14; Mal. 4, 1; Mat. 13, 40; Luc. 17, 24; Atos 1, 11; Rom. 2, 16; 1 Cor. 15, 51; 1 Tess. 1, 10; Apoc. 20, 11).

O Juízo final é objeto de nossa esperança: Se desde o início do mundo, todos ansiavam pelo dia em que o Senhor Se revestiu de nossa carne, porquanto neste mistério punham a esperança de seu resgate, também agora devemos  -  depois da Morte e Ascensão do filho de Deus -  suspirar ardentemente pelo segundo Dia do Senhor, "aguardando a ditosa esperança e o aparecimento da glória do grande Deus" (Tito II, 13).

Explicação dos dois juízos: Na explicação desta matéria, os párocos terão de atender às duas ocasiões em que todo homem deve comparecer na presença do Senhor, para dar contas de todos os seus pensamentos, ações e palavras, e aceitar finalmente a sentença imediata do juiz. (Cf. Hebr. IX, 27).

O juízo particular: A primeira ocasião é o momento em que cada um de nós deixa este mundo; é levado incontinente ao tribunal de Deus, onde se examina, com a máxima justeza, tudo o que jamais fez, disse, e pensou em sua vida. [No original em latim: "Ibique de omnibus justissima quaestio habebitur, quaecumque aut egerit homo, aut dixerit, aut cogitaverit unquam". Tomo a liberdade de corrigir a tradução porque em latim "unquam" só significa "jamais" nas frases negativas, interrogativas e condicionais. Nos outros casos significa: em algum momento, em algum dia. Então a tradução correta: "Onde se examina com a máxima justeza, tudo o que em algum momento o homem fez, disse e pensou em sua vida"]. É o que se chama Juízo Particular.

O juízo universal: A segunda ocasião, porém, há de ser quando todos os homens comparecerem juntos, no mesmo dia e lugar, perante o tribunal do juiz, para que, na presença de todos os homens de todos os séculos, cada um venha a saber a sentença que a seu respeito foi lavrada. Para os ímpios e malvados, esta declaração de sentença constituirá a não menor parte de suas penas e castigos; ao passo que os virtuosos e justos nela terão boa parte de sua alegria e galardão. Naquele instante, será pois revelado o que foi cada indivíduo, durante sua vida mortal. Este Juízo se chama Universal.
Motivos para o Juízo Universal:

a) Abrir todas as consciências.  Será então necessário mostrar porque, além do Juízo Particular para cada um, se fará ainda outro geral para todos os homens. Ora, os mortos deixam às vezes filhos que imitam os pais; descendentes e discípulos que seguem e propagam seus exemplos em palavras e obras. Esta circunstância aumenta necessariamente os prêmios ou castigos dos próprios mortos (Basilius M. de vera virginitate). [A primeira vista isto parecer-nos-á estranho; por isso, abaixo no final, explicá-lo-ei]. Tal influência, cujo caráter benéfico ou maléfico empolga muitos, só acabará no último dia do mundo. Convinha, então, fazer-se uma perfeita averiguação de todas essas obras e palavras, quer sejam boas, quer sejam más. O que, porém, não seria possível sem um julgamento geral de todos os homens.

b) Reabilitar os justos. Outro motivo ainda. Muitas vezes, os justos são lesados na reputação, enquanto os ímpios passam por grandes virtuosos. Pede a divina justiça que, numa convocação para o público julgamento de todos os homens, possam os justos recuperar a boa fama, que lhes fora iniquamente roubada aos olhos do mundo.

c) Responsabilizar também o corpo. Além disso, em tudo o que façam durante a vida, bons e maus não prescindem da cooperação de seus corpos. Daí decorre, necessariamente, que as boas ou más ações devem atribuir-se também aos corpos, que delas foram instrumentos. Era, pois, de suma conveniência que os corpos partilhassem, com as almas, dos prêmios da eterna glória ou dos suplícios, conforme houvessem merecido. Isto, porém, não poderia efetuar-se, sem a ressurreição de todos os homens, e sem um julgamento universal.

d) Justificar a Providência de Deus. Como também a fortuna e a desgraça não fazem escolha entre bons e maus, era afinal necessário provar que tudo é dirigido e governado pela infinita sabedoria e justiça de Deus. Convinha, pois, não só reservar, na vida futura, prêmios aos bons e castigos aos maus, mas também decretá-los num juízo público e universal, que os tornasse mais claros e evidentes a todos os homens. Desta forma, todos renderão louvor a Deus pela sua justiça e providência, em desagravo daquela injusta queixa com que às vezes nos próprios Santos, por sentimento humano, se lastimavam, ao verem os maus na posse de grandes cabedais e dignidades. O Profeta (Davi) dizia: "Meus pés estiveram a ponto de vacilar. Por pouco se não transviaram meus passos, porque me enchi de zelo contra os maus, quando observava a vida bonançosa dos pecadores" (Salmo 72, 2 e 3). Mais adiante: "Eis que, sendo pecadores, e favorecidos pelo mundo, eles conseguiram riquezas. E eu disse: Então não me adiantou guardar puro meu coração, e lavar em inocência minhas mãos; em ser torturado o dia inteiro, e padecer aflição desde o romper da madrugada" (Salmo 72, 12-14). Por conseguinte, precisava haver um Juízo Universal, a fim de que os homens se não pusessem a comentar que Deus passeia pelos quadrantes do céu, e que pouco se Lhe dá a sorte das coisas terrenas (Cf. Jó 22, 14). Com toda razão foi incluída a fórmula desta verdade nos doze artigos do Credo, para apoiar, com a força da doutrina, os ânimos que duvidem da providência e justiça de Deus.

e) Alentar os bons e aterrar os maus. Sobretudo, era mister que a lembrança do Juízo alentasse os bons, e aterrasse os maus. Conhecendo a justiça de Deus, aqueles não viriam a desfalecer; estes seriam arredados do mal, graças ao temor e à expectação dos eternos castigos. Por isso, falando do Último Dia, Nosso Senhor e Salvador declarou que haveria um Juízo Universal. Descreveu os sinais do tempo em que há de chegar, para que, ao vê-los, reconhecêssemos estar perto o fim do mundo. Depois, no momento de subir aos céus, enviou Anjos que dissessem aos Apóstolos, tristes com Sua ausência, as seguintes palavras de consolação: "Este Jesus que de vosso meio foi arrebatado ao céu, há de vir assim como O vistes subir ao céu" (Atos I, 11).

Observação: O Catecismo Romano continua tratando do Juízo Universal; mas, para não me alongar por demais, e ao mesmo tempo, querendo desde já explicar o primeiro motivo do Juízo Universal aduzido pelo Catecismo Romano, omitirei o restante deste capitulo.

Que Deus me ajude a bem explicar o primeiro motivo do Juízo Universal acima aduzido pelo Catecismo Romano: Abrir todas as consciências. Em primeiro lugar citarei alguns escritores célebres a começar pelos santos que escreveram sobre isto. Santo Antônio Maria Claret, a primeira e mais lídima glória do Concilio Vaticano I, Missionário extraordinário e fundador dos Missionários do Coração de Maria, assim diz em seu Catecismo da Doutrina Cristã: "Os bons e os maus, com as obras que fizeram e com o bem que omitiram, deixaram neste mundo uma herdade plantada que, no bem ou no mal, continua a frutificar aumentando o prêmio ou o castigo; no dia do juízo (está falando sobre o Juízo Universal), porém chegará o seu fim, pois, então se verá todo o bem que fizeram os justos e todo o mal dos malvados". E hoje pensamos na aplicação destas palavras ao próprio Santo Antônio M. Claret que deixou escritos 144 livros, queimou 3 mil livros obscenos e estampas escandalosas e distribuiu gratuitamente só na Ilha de Cuba mais de 200 mil livros bons. Olhando o outro lado da moeda, Fidel Castro no dia do Juízo Final dará contas a Deus pelos males do Comunismo que perdurarem mesmo após a sua morte.

Ouçamos agora o célebre escritor Dom Plat: "Todo homem há de pagar tributo à morte. E desde aquele momento seus atos bons cessam de merecer, e os maus cessam de atrair novos castigos? Não, porque, ainda que o homem em questão, não mereça nem desmereça em virtude de atos pessoais, estes atos, realizados durante sua vida mortal, continuam tendo consequências boas, se foram louváveis, e consequências funestas, se foram maus ou criminosos. O Doutor Angélico, em seu magistral artigo sobre este tema (S. Thel. 3ª Parte, q. 59, a. 5. Este será o artigo do próximo sábado)   põe a Ario como exemplo: Ario que foi o primeiro dos grandes heresiarcas, Ario, o precursor, o inspirador, o pai, mais ou menos direto, da maior parte das heresias que hão desolado e que provavelmente desolarão o Oriente até a consumação dos séculos: "Ex deceptione Arri, et aliorum fautorum pullulat infidelitas usque ad finem mundi" (...) Passemos agora, continua Plat, a outra classe de coisas mui diferentes: Que bem não fez S. Vicente de Paulo durante os oitenta anos de sua existência mortal (...) e é mui provável que esta influência do santo se perpetuará até o fim dos séculos. O que equivale dizer que (...) o santo varão aumentará de dia em dia o número de seus méritos. (...) Oh! quão grande é a responsabilidade que contraímos por nossas ações! Para muitos esta responsabilidade será tal, que a conta da mesma não se encerrará até a consumação dos séculos. Por esta razão , podemos dizer com um autor espiritual (Gaussens): "É necessário o juízo final, para que todas nossas boas obras hajam dado seu fruto; é necessário o juízo final, para que, ao findar o tempo, havendo manifestado todas as consequências de nossa vida, o justo Juiz possa examinar, em toda sua extensão, nossa culpabilidade ou nosso mérito" (Cf. Expl. do Cat. de S, Pio V, Símbolo dos Apóstolos, sermão 50º).

Agora, o Catecismo Católico Popular por Francisco Spirago: "No Juízo (Final) Deus revelará também a sua JUSTIÇA, porque acabará o que ficou imperfeito no juízo particular. Os atos, as palavras, os escritos de muitos homens fizeram ainda bem e mal depois da morte deles; os apóstolos, os missionários encheram de benefícios numerosas gerações; assim também os hereges corromperam não só os contemporâneos, mas também a posteridade. O grão semeado pelo homem não chega à completa maturidade senão no Juízo Final".

Mas a mente humana exige ainda uma ulterior explicação: porque é de todos sabido que, após a morte não se pode mais nem merecer nem desmerecer. A parábola das dez minas(moedas de ouro) parece lançar uma luz sobre este assunto, à primeira vista, obscuro (S. Lucas XIX, 11-27). O homem nobre voltando depois de ter tomado posse de seu reino, chamou os dez servos para que prestassem contas e como o que recebera 1 moeda  não a fez frutificar, disse-lhe o Rei: "... Por que não puseste o meu dinheiro num banco, para que, quando eu viesse, o recebesse com os juros? E disse aos que estavam presentes: Tirai-lhe a moeda de ouro e dai-a ao que tem dez. Eles responderam-lhe: Senhor, ele já tem dez. Pois eu vos digo que a todo aquele que tiver, se lhe dará, e terá em abundância; ao que não tem, será tirado ainda mesmo o pouco que tem". Creio que nesta última palavra encontramos a explicação. Pois, quem no juízo particular foi aprovado é porque morreu sem pecado mortal. Isto significa que, se cometeu pecados mortais, por palavras, obras e omissões que causaram escândalos e prejudicaram gravemente o próximo, não só  ou se arrependeram com contrição perfeita e desejaram receber o sacramento da penitência, ou se arrependeram com a simples atrição e receberam os sacramentos da penitência e/ou extrema unção, mas também se propuseram ou procuraram reparar na medida do possível todo escândalo e prejuízo (do contrário não teria havido verdadeiro arrependimento). E diz a Sagrada Escritura: "Se o ímpio fizer penitência de todos os pecados que cometeu,(...) Eu não me lembrarei mais de nenhuma das iniquidades que praticou"(Ezequiel XVIII, 21 e 22).  Ora, se Jesus não vai se lembrar delas no Juízo Particular, também  no Juízo Universal e "a fortiori", nem das suas más consequências após túmulo até o fim do mundo. Portanto, quem se salva, além de não ser penalizado pelo mal que talvez praticou em vida (pois dele fez penitência), receberá um acréscimo de prêmios pelos frutos de suas boas obras mesmo aqueles posteriores à sua morte até o fim dos séculos. E assim: Todo aquele que tiver, se lhe dará, e terá em abundância.

Em relação aos condenados, os papéis se invertem: Se fizeram boas obras, ou já nasceram mortas pelo fato de seu ator estar em pecado mortal, ou perderam a vida (obras mortificadas) por pecado(s) mortais subsequentes e com os quais o pecador morreu. Estas obras boas mas mortas ou mortificadas e que não merecem prêmio sobrenatural, Deus, sendo a própria Justiça, as recompensa com bens naturais materiais aqui na terra. Por isso diziam os santos que era mau sinal para os pecadores públicos e inveterados  serem cumulados de fortunas, prazeres e gozarem  sempre de saúde. Por outro lado, os condenados receberão penas adicionais no Juízo Final pelos maus frutos de suas obras más, subsequentes à sua morte até o fim do mundo.  Ao que não tem, será tirado ainda mesmo o pouco que tem.

É óbvio, caríssimos e amados leitores, que em se tratando de mistérios de Deus, a inteligência humana, mesmo iluminada pela fé, poderá ir até certo ponto mas nunca lhe será permitido pretender compreender inteiramente os insondáveis desígnios divinos. Daí dizer S. Paulo: "Sapere ad sobrietatem" (Rom. XII, 3). Amém!


sábado, 11 de novembro de 2017

CONFESSOR COMO MESTRE

Na verdade, o confessor é o mestre e o diretor que Jesus Cristo nos deu para nos ensinar o verdadeiro caminho do céu. Donde, devemos receber seus salutares ensinamentos com toda fé, todo respeito e toda a submissão possíveis. Quando Nosso Senhor Jesus Cristo disse aos seus discípulos: "Ide e instruí a todas as nações, e ensinai-lhes a observar tudo o que vos mandei; e, - eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos" (Mat. XXVIII, 19) Ele se dirigiu tanto aos pregadores como também aos confessores. O confessor, pois, deve instruir o penitente em tudo que diz respeito à fé, a moral e à piedade. Isto, às vezes, se torna necessário ou útil. O confessor, é, portanto por direito divino, mestre da fé, mestre da moral e mestre da piedade.

Consideremos estes três pontos:

1º - O CONFESSOR É MESTRE DA FÉ: Porque ele deve certificar-se, em primeiro lugar, se o penitente crê e conhece o que é necessário crer, pois que "sem a fé é impossível agradar a Deus" ( Hebr. XIV, 6). Ora, a fé que é necessária para agradar a Deus, não é a fé dos judeus, nem a dos protestantes e nem a dos modernistas, mas é a fé firme e absoluta da santa Igreja católica, fé baseada na autoridade de Deus, a fé acompanhada das boas obras. O confessor deve, portanto, lembrar aos cristãos as verdades da religião, dissipar as dúvidas que assaltam sua inteligência e premuni-los contra os erros que a impiedade propaga. Daí dizer o próprio Espírito Santo em Malaquias II, 7: "Os lábios dos sacerdotes serão os guardas da ciência; da sua boca se há de aprender a lei...". O confessor é "intérprete da vontade de Deus" (Cf. Mat.II, 7); ele é "a luz do mundo" (Cf. Mat. V, 14). Pois, é ele que deve esclarecer as almas. "É o sal da terra" (Cf. Mat. V, 13) para a preservar da corrupção do erro; é ainda "a sentinela vigilante" (Cf. Ez. III, 17) justamente para pôr as almas em guarda contra os ímpios. Por isso o confessor é obrigado a proibir aos penitentes as festas profanas e mundanas (como e aqui em Varre-Sai, a Festa do Vinho), as conversas, as leituras, as escolas que seriam perigosas para a sua fé.

2º - O CONFESSOR É MESTRE DA MORAL CRISTÃ: É encarregado de lembrar aos fiéis a observância dos mandamentos de Deus e da Igreja e o cumprimento dos deveres de estado. Eis o que disseram alguns santos: S. Gregório disse a este respeito: "Ele (o confessor) é especialmente constituído por Deus para indicar o bom caminho àqueles que se desviam". Portanto, deve ensinar a cada um, o mal que evitar, as ocasiões de que fugir, os meios de salvação que praticar. 

S. Bernardo: "O sacerdote é o anjo visível encarregado de conduzir as almas ao céu através dos perigos desta vida". Depois que Nosso Senhor Jesus Cristo subiu ao céu, é ao confessor que o cristão cuidadoso pela sua salvação deve dirigir a pergunta do moço do Evangelho: "Que devo fazer para alcançar a vida eterna?" E a resposta será a mesma que deu o Salvador: "Observai os mandamentos... E, se quereis ser perfeitos, ide, vendei o que tendes, dai-o aos pobres: tereis assim um tesouro no céu; depois vinde, segui-me" (S. Mateus, XIX, 17).


3º - O CONFESSOR É MESTE DA PIEDADE: São Gregório de Nyssa chama o sacerdote o "mestre da piedade", e com razão, pois, o confessionário é uma escola em que se ensina às almas a prática de todas as virtudes. Ali, o orgulhoso recebe lições de humildade, o colérico lições de mansidão, o sensual lições de mortificação; lá, o rico aprende a dar as esmolas, o pobre a ser resignado, o magistrado a governar com sabedoria, o superior a mandar sem arrogância, o súbdito a obedecer com humildade; ali, são ensinadas com autoridade toda divina, as virtudes, as práticas e as devoções mais santificantes, tais como a oração, a meditação, a frequência dos sacramentos, a devoção ao Santíssimo Sacramento, à Paixão de Cristo, à Santa Virgem , a São José, etc. Ali no confessionário quantas famílias são levadas a rezar o Santo Terço todos os dias! Amém!

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

PURGATÓRIO - II - 38ª LIÇÃO

- QUE DEVEMOS FAZER PELAS ALMAS DO PURGATÓRIO? 
- DEVEMOS REZAR E MANDAR CELEBRAR MISSAS POR ELAS.

  
Na Sagrada Escritura lemos o seguinte: Judas Macabeu era um grande chefe militar, e combateu pela liberdade de sua religião e de sua pátria. Depois de vencer uma grande batalha, viu que muitos dos soldados, mortos na batalha, guardavam pequenas estátuas de deuses falsos. Isto era pecado. Mas Judas Macabeu supôs que não era pecado mortal, ou, se fosse pecado mortal, que teriam tido arrependimento perfeito antes de morrer. Judas Macabeu compreendeu que aqueles soldados não tinham satisfeito inteiramente à justiça divina. Ainda tinham de sofrer castigos de pecados veniais ou de pecados mortais já perdoados. Judas Macabeu quis satisfazer a justiça de Deus por eles. Fez uma coleta que rendeu duas mil moedas de prata. Mandou este dinheiro a Jerusalém para se oferecer no templo um sacrifício satisfatório por aqueles defuntos. E a Sagrada Escritura diz que fez muito bem.

Devemos ter compaixão das almas do purgatório e ajudá-las. Ajudamos as almas do purgatório encomendando Missas em intenção delas. Não convém adiar as Missas dos defuntos: as almas do purgatório, nos seus sofrimentos, estão contando os minutos que faltam para uma Missa, Convém fazer rezar mais de uma Missa por um defunto. O ideal é reunir a família e talvez mais alguns parentes próximos e mandar celebrar uma série (  30 missas em 30 dias seguidos) de Missas Gregorianas. Também ajudamos muito as almas quando, em favor delas, assistimos a uma Missa, recebemos a Santa Comunhão, damos esmolas, fazemos outras boas obras e ganhamos indulgências, por exemplo: rezando o Terço. Nem todos temos meios para mandar rezar muitas Missas pelas almas daqueles que nos eram caros neste mundo, mas todos podemos assistir a Santa Missa, comungar, e todos podemos rezar muitos terços por aquelas almas queridas. É muito bom rezar todos os dias, ao menos todos os domingos, o Santo Terço pelas almas do purgatório.
   Há poucos anos, um amigo meu ia acender um lampião. O lampião explodiu e pegou fogo na roupa dele. Felizmente a mãe estava perto, tomou rapidamente um cobertor e abafou o fogo.
   Muitas mães sabem que seus filhos estão no fogo muito pior do purgatório, mas deixam-nos lá sofrer. Elas não têm pressa em livrar seus filhos do fogo, de encomendar uma Missa pela alma dos filhos. Não têm dinheiro para dar esmolas em favor deles. E assim também os filhos deixam seus pais sofrerem no purgatório, esquecem estas pobres almas, que tão bem podiam ajudar.
   A piedade cristã reservou as segundas-feiras e todo o mês de novembro para a devoção às almas do purgatório.

EXEMPLO
   Vivia em Paris uma pobre empregada como criada. Do pouco dinheiro que ganhava, mandava dizer todos os meses, uma Missa pelas pobres almas do purgatório. E sempre assistia pessoalmente àquela Missa. Mas aconteceu ficar sem serviço e as suas economias estavam se acabando. Certo dia procurando emprego, passou em frente da igreja de Santo Eustáquio. Lembrou-se então de que naquele mês, ainda não tinha encomendado a Missa pelas almas. Mas tinha um só franco por uma Missa pelas almas. O padre não sabia que era o último dinheiro da pobrezinha. Depois de assistir à Missa, a órfã saiu da igreja, e encontrou um moço. O moço perguntou-lhe se procurava emprego. Ela admirada, disse que sim. Então o moço deu-lhe o endereço de uma casa e disse que ali precisavam de criada. Ela foi àquela casa, onde foi recebida por uma senhora elegante a quem disse por que vinha. A senhora perguntou: "Mas como sabia você que eu precisava de criada, se ainda não o disse a ninguém?"
   A moça contou que, ao sair da igreja, tinha encontrado um moço. Neste momento reparou um retrato que estava na parede, e disse: "Foi este senhor que me mandou aqui". Ao que a senhora disse muito comovida: "Foi este moço?" Então não serás minha criada, mas minha filha. Este moço é meu filho, que faleceu há dois anos. Você o livrou do purgatório e por gratidão ele a mandou para minha casa."
   Ficará sempre comigo e rezaremos juntas todos os dias pelas benditas almas que ainda precisam de orações.
   N.B. : Normalmente estas aparições não acontecem, mas nos desígnios de Deus Nosso Senhor, podem acontecer por um privilégio especial, como foi o caso acima citado.

PURGATÓRIO - I - 37ª LIÇÃO

- QUE É O PURGATÓRIO?
- PURGATÓRIO É O LUGAR ONDE AS ALMAS DOS JUSTOS SE PURIFICAM, SATISFAZEM COM PENAS TEMPORAIS O QUE FICARAM DEVENDO PELOS SEUS PECADOS.

- QUANTO TEMPO FICA A ALMA NO PURGATÓRIO?
- FICA ATÉ DESCONTAR AS PENAS DEVIDAS PELOS SEUS PECADOS.

  



O purgatório é um lugar de castigo temporário. Para o purgatório vão aqueles que merecem ainda castigo, mas não castigo eterno. Merecem penitência de pecados veniais ou de pecados mortais já perdoados pela confissão ou pelo arrependimento perfeito com desejo de se confessar.
   Para o purgatório vão todos os que morrem sem pecado mortal, mas que ainda não satisfizeram inteiramente à justiça divina. Lemos na Bíblia que no céu não entra nada que tenha a mínima mancha.
   Vamos compreender bem isto.
   Todos os que morrem sem pecado mortal vão para o céu. Mas não vão todos imediatamente para o céu. Muitos têm de pagar ainda uma dívida. Muitos não satisfizeram à justiça divina. Um homem que viveu toda a vida em pecado mortal e só na hora da morte se arrepende e faz uma confissão, não vai para o inferno. Este homem morre sem pecado mortal. Mas a justiça de Deus não permite que toda esta vida de pecado fique sem castigo. Deus é justo. Na confissão,  Deus perdoa todos os castigos eternos mas nem sempre perdoa logo todos os castigos temporais. Temporais quer dizer: que dura só algum tempo, não para sempre.
   Depois da confissão muitas vezes restam castigos temporais. Contudo, só por pecados veniais ninguém vai para o inferno. Mas Deus é justo e castiga também o pecado venial, não com um castigo eterno, mas com um castigo temporário.
   Este castigo temporário muitas vezes Deus já dá nesta vida, quando nos manda doenças, pobreza e outros incômodos, como castigos bem merecidos dos nossos pecados. Assim satisfazemos à justiça divina.
   Podemos também satisfazer à justiça divina por boas obras: dando esmolas, fazendo o nosso trabalho com boa intenção para a honra de Deus, rezando, assistindo à Santa Missa, ganhando indulgências.
   Muitos se descuidam destas boas obras e morrem sem ter satisfeito inteiramente à justiça divina. Têm ainda alguma satisfação a dar, têm ainda algum castigo a sofrer. Este castigo rebem-no eles no purgatório.
   Dizemos que o purgatório é um lugar de castigo temporário, porque ali o castigo não dura sempre. Quase todos os doutores da Igreja são de parecer que estas almas do purgatório sofrem também o fogo, e as vezes, durante muito tempo. Elas têm a graça santificante e amam a Deus muito mais do que nós. Mas ainda não podem ver a Deus. Primeiro devem pagar toda a dívida. No purgatório as almas sentem um grande arrependimento ainda dos menores pecados, porque as fazem sofrer muito, sobretudo porque retardam sua entrada no céu para ver a Deus. O pecado venial é pequeno em comparação com o pecado mortal: O pecado venial, porém, é um mal maior que toda a infelicidade do mundo, porque ofende a Deus e merece tão grande castigo no purgatório. As almas do purgatório se arrependem muito por não terem feito mais obras boas, mais comunhões, mais esmolas, mais penitências, sobretudo, assistido mais missas e com mais fé e devoção. Pois, com estas boas obras poderiam ter pago toda a dívida aqui na terra; e teriam ido logo para o céu.
   Antes de terminar, quero dar-vos um conselho importantíssimo: Receber o ESCAPULÁRIO DE NOSSA SENHORA DO CARMO, e cumprir, é claro, todas as condições da confraria do escapulário. Pois quem morre com o escapulário, tendo cumprido todas as condições, Maria Santíssima o vem tirar do purgatório, no primeiro sábado após a morte.

EXEMPLO
   Certa vez, um militar de alta patente, mas incrédulo, viu um menino com um escapulário ao pescoço. Pegando no escapulário, perguntou o homem, com riso de escárnio: "Que trapinho é este?" O menino que não era nada bobo, se esticou todo e colocou a mão no ombro do oficial e lhe perguntou por sua vez: "E que trapinho é este aqui?"  - "Isso, disse o militar, é o distintivo de almirante da nossa marinha". Respondeu o menino: "Pois meu "trapinho" é o escapulário de Nossa Senhora do Carmo, distintivo de filho de minha Mãe do céu." O oficial impressionou-se com a bela resposta do menino e lhe colocou no bolso uma moeda de ouro. 

COLÓQUIO COM JESUS SOBRE AS ALMAS DO PURGATÓRIO QUE CHEGAM NO CÉU


A ALMA: Meu dulcíssimo Jesus, como os discípulos de Emaús, quando falais ao meu íntimo, sinto-me inflamar o coração. Nesta visitinha que Vos venho fazer aqui no Tabernáculo, gostaria que continuásseis a descrever a chegada ditosa no Paraíso, das almas no Purgatório após a total purificação.

JESUS: Pois não, minha filha, fá-lo-ei  com muito gosto. Se ajudares sempre as almas do Purgatório haverá para ti um prêmio especial quando também, saindo do Purgatório, fores para o Céu. Então Eu irei ao teu encontro, cheio de doçura, jubiloso e sorridente, mas não estarei só. Comigo irá uma belíssima coroa de almas que tu logo reconhecerás... as almas dos teus caros, aquelas almas que tu tanto choraste, que tanto amaste ... uma a uma irão encontrar-te ... e tu as abraçarás, as estreitarás de encontro ao coração para não te separares delas jamais. Oh! como encontrarás belos aqueles rostos, como serenas aquelas frontes, como encantadores aqueles sorrisos! Quando viste pela última vez os teus caros, estavam desfeitos pela dor, pela agonia, pela morte! Mas então os verás felizes, bem-aventurados... e para sempre. Aquela alma que mais que nenhuma outra amaste sobre a terra, tua verás não já triste como era um dia, não já aflita, não já desventurada, mas radiante de glória, de felicidade, de amor eterno. Ela cairá em teus braços, os vossos corações confundirão as suas pulsações, e estareis juntos para sempre, por toda a eternidade, amar-vos-eis para sempre, gozareis juntos a mesma felicidade. E serei Eu, Eu mesmo, que então te restituirei ao coração as almas que agora recordas com tanto amor e com tantas lágrimas, como já um dia restituí à viúva de Naim o seu filho ressuscitado. A tua família, despedaçada agora pelos golpes repetidos da morte, será então reconstituída para não mais ser destruída. Então os doces nomes de pai, de mãe, de esposa, de filha, já não serão nomes perdidos entre as valas do cemitério, mas nomes que repousarão sobre almas adornadas de glória imortal, sobre almas que tornarão a ser tuas, eternamente tuas. E quando as tornarás tu a ver? Quando as abraçarás de novo? Quando despontará esse dia tão belo? Oh! esse dia está mais próximo do que tu pensas. As almas lá de cima já ensaiam os cânticos, já se preparam para vir ao teu encontro... Um pouco mais de sofrimento, e depois o Paraíso abrir-se-á também para ti: Deixa portanto as tristezas inconsoláveis para aqueles que não têm esperança; lança o teu olhar para além dos sepulcros, ergue o teu coração até à estrelas... mais acima ainda... em direção do Céu... Não ouves uma voz desconhecida, uma voz que emudeceu durante tantos anos, e que agora te chama, te convida e suspira por ti? ... Por ora é só uma voz... amanhã será um semblante... será um coração... será o amplexo eterno dos teus entes queridos. Mas, aproveita, filha, este tempo preciosíssimo de tua vida. Procure estar sempre na graça de Deus, esforça-te por crescer cada dia no meu amor e no de minha Mãe Santíssima. Sê caridosa, humilde, pura, em uma palavra, santa. É o que te desejo. Não só te espero no Céu, quero que estejas bem perto de Mim!


A ALMA: Dulcíssimo Jesus, enquanto essas vossas palavras penetravam em mim, eu sentia que a terra é realmente um vale de lágrimas, é desprezível quando assim olho para o Céu, para meus entes queridos que lá já estão ou estarão. O Céu é a casa de nosso Pai. Ali estará reunida um dia toda a família de Deus. Amém!