SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

sábado, 11 de novembro de 2017

CONFESSOR COMO MESTRE

Na verdade, o confessor é o mestre e o diretor que Jesus Cristo nos deu para nos ensinar o verdadeiro caminho do céu. Donde, devemos receber seus salutares ensinamentos com toda fé, todo respeito e toda a submissão possíveis. Quando Nosso Senhor Jesus Cristo disse aos seus discípulos: "Ide e instruí a todas as nações, e ensinai-lhes a observar tudo o que vos mandei; e, - eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos" (Mat. XXVIII, 19) Ele se dirigiu tanto aos pregadores como também aos confessores. O confessor, pois, deve instruir o penitente em tudo que diz respeito à fé, a moral e à piedade. Isto, às vezes, se torna necessário ou útil. O confessor, é, portanto por direito divino, mestre da fé, mestre da moral e mestre da piedade.

Consideremos estes três pontos:

1º - O CONFESSOR É MESTRE DA FÉ: Porque ele deve certificar-se, em primeiro lugar, se o penitente crê e conhece o que é necessário crer, pois que "sem a fé é impossível agradar a Deus" ( Hebr. XIV, 6). Ora, a fé que é necessária para agradar a Deus, não é a fé dos judeus, nem a dos protestantes e nem a dos modernistas, mas é a fé firme e absoluta da santa Igreja católica, fé baseada na autoridade de Deus, a fé acompanhada das boas obras. O confessor deve, portanto, lembrar aos cristãos as verdades da religião, dissipar as dúvidas que assaltam sua inteligência e premuni-los contra os erros que a impiedade propaga. Daí dizer o próprio Espírito Santo em Malaquias II, 7: "Os lábios dos sacerdotes serão os guardas da ciência; da sua boca se há de aprender a lei...". O confessor é "intérprete da vontade de Deus" (Cf. Mat.II, 7); ele é "a luz do mundo" (Cf. Mat. V, 14). Pois, é ele que deve esclarecer as almas. "É o sal da terra" (Cf. Mat. V, 13) para a preservar da corrupção do erro; é ainda "a sentinela vigilante" (Cf. Ez. III, 17) justamente para pôr as almas em guarda contra os ímpios. Por isso o confessor é obrigado a proibir aos penitentes as festas profanas e mundanas (como e aqui em Varre-Sai, a Festa do Vinho), as conversas, as leituras, as escolas que seriam perigosas para a sua fé.

2º - O CONFESSOR É MESTRE DA MORAL CRISTÃ: É encarregado de lembrar aos fiéis a observância dos mandamentos de Deus e da Igreja e o cumprimento dos deveres de estado. Eis o que disseram alguns santos: S. Gregório disse a este respeito: "Ele (o confessor) é especialmente constituído por Deus para indicar o bom caminho àqueles que se desviam". Portanto, deve ensinar a cada um, o mal que evitar, as ocasiões de que fugir, os meios de salvação que praticar. 

S. Bernardo: "O sacerdote é o anjo visível encarregado de conduzir as almas ao céu através dos perigos desta vida". Depois que Nosso Senhor Jesus Cristo subiu ao céu, é ao confessor que o cristão cuidadoso pela sua salvação deve dirigir a pergunta do moço do Evangelho: "Que devo fazer para alcançar a vida eterna?" E a resposta será a mesma que deu o Salvador: "Observai os mandamentos... E, se quereis ser perfeitos, ide, vendei o que tendes, dai-o aos pobres: tereis assim um tesouro no céu; depois vinde, segui-me" (S. Mateus, XIX, 17).


3º - O CONFESSOR É MESTE DA PIEDADE: São Gregório de Nyssa chama o sacerdote o "mestre da piedade", e com razão, pois, o confessionário é uma escola em que se ensina às almas a prática de todas as virtudes. Ali, o orgulhoso recebe lições de humildade, o colérico lições de mansidão, o sensual lições de mortificação; lá, o rico aprende a dar as esmolas, o pobre a ser resignado, o magistrado a governar com sabedoria, o superior a mandar sem arrogância, o súbdito a obedecer com humildade; ali, são ensinadas com autoridade toda divina, as virtudes, as práticas e as devoções mais santificantes, tais como a oração, a meditação, a frequência dos sacramentos, a devoção ao Santíssimo Sacramento, à Paixão de Cristo, à Santa Virgem , a São José, etc. Ali no confessionário quantas famílias são levadas a rezar o Santo Terço todos os dias! Amém!

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

COLÓQUIO COM JESUS SOBRE O PURGATÓRIO


A ALMA:  Aqui estou novamente pela vossa graça, ó meu bom Jesus. Nesta visita a Vós aí bem pertinho de mim realmente presente no Santíssimo Sacramento sob às espécies de Pão, hoje quero ouvir  de Vós, no meu íntimo, vossas palavras consoladoras sobre o Purgatório. No último colóquio muito me consolastes! E realmente só Vós podeis consolar-me. Ó Jesus, mesmo sabendo que as almas do Purgatório voarão um dia para o Céu, quando medito naquelas palavras de Jó que a Vossa Santa Igreja coloca na boca das benditas almas do Purgatório: "Compadecei-vos de nós, compadacei-vos de nós pelo menos vós que sois nossos amigos" fico muito comovido e penso em fazer o máximo por elas.

JESUS: Minha filha, é verdade que existe o Purgatório, e é verdade que muitas almas vão para lá expiar os seus pecados veniais e as penas temporais que são como que restos de seus pecados perdoados pelo sacramento de minha Misericórdia, a Penitência,  mas que não foram inteiramente reparados a tempo na terra. Mas não é menos verdade que tu podes, com as tuas boas obras, aliviar as suas penas e apressar-lhes a hora da libertação. Pede-me, portanto, por aquelas almas padecentes, e fica sabendo que o teu desejo de as ver livres daquelas penas é nada em confronto com o ardente desejo que Eu tenho de as chamar para o Paraíso. Pede-me, ora incessantemente, e eu te ajudarei sempre numa obra de caridade tão bela. Vê: Eu estou aqui no Tabernáculo à tua disposição: não tens mais que tomar o meu Sangue e oferecê-Lo à justiça de meu Pai por aquelas almas... e crê que este Sangue fala mais alto no Céu que o do justo Abel sobre a terra. É sobretudo com a comunhão e com a Missa que podes tratar eficazmente a causa dos teus queridos mortos, porque então não és tu somente a orar, mas oro também Eu contigo, oro com as minhas chagas, com as minhas agonias, com a minha morte; e tu não sabes o poder que têm sobre o coração de meu Pai as orações eucarísticas do seu Filho! Alma querida, quando fazes a Comunhão ou assistes à Missa, as almas do Purgatório, principalmente as que te pertencem, olham-te lacrimantes, mas confiadas em que tu as queiras aliviar. Oh! se visses então como te olha a alma de tua mãe, de teu pai, aquelas almas que tu tanto amaste e choraste sobre a terra!... o teu coração certamente se enterneceria de compaixão e piedade, e não serias avara para com elas, fazendo o mínimo, mas o máximo. E almas sobremodo amigas de meus sacerdotes, como sois felizes em poder fazer o máximo: celebrar santas Missas pelas almas do Purgatório!!! Prometeste aos vossos entes queridos quando estavam para morrer, que jamais os esquecerias, que havias de orar sempre por elas... Talvez não chegastes a falar, mas do fundo do coração, fizeste este propósito: haverias de orar sempre por suas almas... Ora muito, portanto, por aquelas pobrezinhas, ora para dares também ao meu Coração a consolação de poder abraçá-las quanto antes no Paraíso. A caridade que usares para com elas ser-te-á recompensada já durante a vida, na hora da morte, e quando também tu estiveres no Purgatório; mas o prêmio mais belo tê-lo-ás quando, por tua vez, puseres o pé no limiar do Paraíso. Então Eu irei ao teu encontro, manso, jubiloso e sorridente, mas não estarei só. Comigo irá uma bela plêiade de almas que tu logo reconhecerás... as almas dos teus caros, aquelas almas que tu tanto choraste, que tanto amaste... uma a uma irão encontrar-te... e tu as abraçarás, as estreitarás de encontro ao coração para não te separares delas jamais. Oh! como encontrarás belos aqueles rostos, como serenas aquelas frontes, como encantadores aqueles sorrisos! Quando viste pela última vez os teus caros, estavam desfeitos pela dor, pela agonia, pela morte! mas então os verás felizes, bem-aventurados... e para sempre...!!!


A ALMA:  Como tenho que agradecer a Vós!!! Sois nosso Salvador! Por isso temos esta firme esperança, esta consolação sem par. Meu doce Jesus, na próxima visita que vou fazer a Vós aqui no Tabernáculo, ousaria pedir que continueis a falar-me sobre esta felicidade inefável no encontro convosco e com as almas bem-aventuradas lá na Jerusalém Celeste, na Pátria do Repouso Eterno. Meu Jesus, para isto peço-Vos a graça de aproveitar o melhor possível de minha vida para Vos amar de todo coração. Sois o único digno de todo o meu amor!!! Sois Deus e Vos fizestes Homem para poder me salvar. Sou constrangido a dizer com São Paulo que quem não vos amar, que seja anátema. Meu Jesus, eu Vos amo, mas aumentai o meu amor. Amém!

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

ELES DORMEM NA PAZ

ELES DORMEM NA PAZ

                                                          Dom Fernando Arêas Rifan*
           
Amanhã, dia 2, faremos a comemoração de todos os fiéis defuntos, dos nossos falecidos, daqueles que estiveram conosco e hoje estão na eternidade, os “finados”, aqueles que chegaram ao fim da vida terrena e já começaram a vida eterna. Portanto, não estão mortos, estão vivos, mais até do que nós, na vida que não tem fim, “vitam venturi saeculi”. Sua vida não foi tirada, mas transformada. Por isso, o povo costuma dizer dos falecidos: “passou desta para a melhor!” Olhemos, portanto, a morte com os olhos da fé e da esperança cristã, não com desespero, pensando que tudo acabou. Uma nova vida começou eternamente.  
Para nosso consolo, ouçamos a Palavra de Deus: “Deus não criou a morte e a destruição dos vivos não lhe dá alegria alguma. Ele criou todas as coisas para existirem... e a morte não reina sobre a terra, porque a justiça é imortal” (Sb 1, 13-15).
Os pagãos chamavam o local onde colocavam os seus defuntos de necrópole, cidade dos mortos. Os cristãos inventaram outro nome, mais cheio de esperança, “cemitério”, lugar dos que dormem. É assim que rezamos por eles na liturgia: “Rezemos por aqueles que nos precederam com o sinal da fé e dormem no sono da paz”.
Os santos encaravam a morte com esse espírito de fé e esperança. Assim São Francisco de Assis, no cântico do Sol: Louvado sejais, meu Senhor, pela nossa irmã, a morte corporal, da qual nenhum homem pode fugir. Ai daqueles que morrem em pecado mortal! Felizes dos que a morte encontra conformes à vossa santíssima vontade! A estes não fará mal a segunda morte”. “É morrendo que se vive para a vida eterna!”. S. Agostinho nos advertia, perguntando: “Fazes o impossível para morrer um pouco mais tarde, e nada fazes para não morrer para sempre?”
Quantas boas lições nos dá a morte. Assim nos aconselha São Paulo: “Enquanto temos tempo, façamos o bem a todos” (Gl 6, 10). “Para mim o viver é Cristo e o morrer é um lucro... Tenho o desejo de ser desatado e estar com Cristo” (Fl 1, 21.23)“Eis, pois, o que vos digo, irmãos: o tempo é breve; resta que os que têm mulheres, sejam como se as não tivessem; os que choram, como se não chorassem; os que se alegram, como se não se alegrassem; os que compram, como se não possuíssem; os que usam deste mundo, como se dele não usassem, porque a figura deste mundo passa” (1 Cor 7, 29-31). Diz A Imitação de Cristo que bem depressa se esquecem dos falecidos: “Que prudente e ditoso é aquele que se esforça por ser tal na vida qual deseja que a morte o encontre!... Melhor é fazeres oportunamente provisão de boas obras e enviá-las adiante de ti, do que esperar pelo socorro dos outros” (I, XXIII). O dia de Finados foi estabelecido pela Igreja para não deixarmos nossos falecidos no esquecimento.
Três coisas pedimos com a Igreja para os nossos falecidos: o descanso, a luz e a paz. Descanso é o prêmio para quem trabalhou. O reino da luz é o Céu, oposto ao reino das trevas que é o inferno. E a paz é a recompensa para quem lutou. Que todos os que nos precederam descansem em paz e a luz perpétua brilhe para eles. Amém.


*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

terça-feira, 31 de outubro de 2017

FALTA DE ARREPENDIMENTO E PROPÓSITO


Consideremos atentamente os sinais certos pelos quais podemos reconhecer se a confissão foi feita sem dor dos pecados e sem resolução de não mais recair neles. Em outras palavras, veremos os sinais que mostram quando não há arrependimento verdadeiro (pelo menos imperfeito=atrição) e não há por conseguinte propósito firme e eficaz de fugir das ocasiões próximas de pecados. Pela confissão Deus perdoa quaisquer pecados; mas nunca perdoa quando há vontade de continuar nos pecados.

1   .      Quando nos confessamos sem querer renunciar o ódio ao próximo.
2   .       Quando se pode e não se quer reparar uma injustiça grave feita ao próximo, em seus bens ou em sua reputação.
3   .       Quando se reincide no pecado de hábito, quer dizer, quando, advertidos pelo confessor, não deixamos, entretanto, de recair com a mesma frequência nos mesmos pecados mortais do costume, sem nenhuma correção, e sem que sejam empregados os meios de emenda.
4   .       Quando nos confessamos sem querer sinceramente deixar a ocasião próxima voluntária do pecado mortal.
Os defeitos que acabamos de enumerar e explicar tornam as confissões inválidas, quer dizer, nulas; e portanto, é preciso renová-las, como se nunca tivessem sido feitas desde a época em que são nulas. São, além disso, sacrílegas quando assim feitas cientemente. O sujeito está consciente de não ter os sinais de arrependimento, sabe que quer continuar fazendo todos ou alguns ou mesmo que seja um só dos pecados mortais e faz a sua confissão assim mesmo. Faz sacrilégio, e, se comunga faz outro sacrilégio.
A esta altura, talvez haja quem pergunte: padre, devo fazer uma confissão geral? Caríssimo, é a tua consciência que cabe resolver esta questão, conforme tudo o que acabamos de dizer.
Ser-me-á impossível, dizeis, fazer uma confissão geral. Tenho já idade: como poderei lembrar-me de todos os pecados da minha vida?  -  Caríssimos, com boa vontade é possível e mesmo fácil fazer uma confissão geral.
Primeiro que tudo, recordai com mágoa todos os anos da vossa vida (Isaías, XXXVIII, 16). Tomai para este negócio o tempo suficiente para vos recolherdes, pois trata-se de uma coisa muito séria.
Para indicar o número dos vossos pecados, eis aqui como podeis fazer. Deixai de lado os pecados veniais, ou não os acuseis senão no fim; não resta, pois, senão a confissão dos pecados mortais, que serão   -  ou casos particulares ou pecados habituais. Se são casos particulares, um pouco de reflexão bastará para vos lembrardes deles. Se são pecados habituais, examinai por quanto tempo durou este hábito  e quantas vezes, pouco mais ou menos, caístes no pecado por ano, ou por mês ou por semana, ou mesmo por dia. Não é verdade que desta maneira é fácil fazer uma confissão geral?
Contudo, se encontrardes alguma dificuldade em fazê-la, dizei ao confessor: "Padre, desejo fazer uma confissão geral, peço-vos que me ajudeis". No mesmo instante, o confessor vos interrogará, de modo que vos basta responder-lhe com sinceridade. Oh! como é consolador para um ministro de Deus ver a seus pés uma alma bem disposta e arrependida! A alegria do padre é indescritível, e levá-la-á para o túmulo. Bem feita a confissão geral, grande outrossim é a alegria do penitente.
Vou contar-vos um fato lido na vida de São Vicente de Paulo: Este grande santo da caridade, foi um dia chamado para confessar um fazendeiro que estava perigosamente doente. Conquanto tivesse sempre gozado da reputação de homem honrado, o padre Vicente de Paulo o excitou a fazer uma confissão geral, para pôr a sua salvação em maior segurança. Ora, o resultado provou que aquele pensamento vinha de Deus, que queria retirar aquela pobre alma do abismo eterno em que ia cair. Era rico mas certamente praticava a caridade para com os pobres. Quem o acreditaria, se não conhecesse a fraqueza do coração humano? Ainda que esse homem tivesse recebido várias vezes os últimos sacramentos, em várias moléstias muito graves, que tivera, achava ele que tinha a consciência carregada de sacrilégios desde a mocidade. Na alegria que experimentava em ter feito a confissão com o padre Vicente de Paulo, ele mesmo anunciava abertamente a todos que iam vê-lo: "Ah! eu estaria condenado se não tivesse feito uma confissão geral, por causa dos pecados que nunca ousei confessar". Morreu três dias depois, com os mais vivos sentimentos de reconhecimento para com Deus. A senhora Duquesa de Gondi ouviu as declarações muito admirada: Ah! que acabamos de ouvir? Se este homem, que passava por um homem honrado, estava em perigo de condenação, que será dos outros que vivem tão mal!". Ela empregou desde então a sua fortuna em estabelecer e fundar missões, considerando-as uma obra necessária à salvação das almas. São Vicente de Paulo fundou a Ordem dos Missionários Lazaristas.


quarta-feira, 25 de outubro de 2017

PECADO MORTAL


"Criei filhos e engrandeci-os; mas eles me desprezaram" (Isaías I, 2).


Deus manifestou sua justiça propondo como vítima de propiciação a Seu Filho Jesus (cf. Rom. III, 25). E o divino Espírito Santo já havia declarado através do Profeta Isaías: "Será (o Messias) despedaçado por causa de nossos crimes". Jesus ressuscitado glorioso não sofre mais. Mas sendo também Deus já previu todos os pecados dos homens e por eles sofreu e morreu. Todo pecado fez Jesus sofrer.

O pecado mortal é uma ofensa grave que se faz a Deus. A malícia de uma ofensa , ensina Santo Tomás de Aquino, se mede pela pessoa que a recebe e pela pessoa que a comete. Assim, uma ofensa feita por um colega ao seu colega, é, sem dúvida, um mal; mas, se um súdito desacata o Rei, isto é muito mais grave. E quem é Deus? É o Rei dos reis (Apoc, XVII, 14). Deus é majestade infinita, perante quem todos os príncipes da terra e todos os santos e anjos do céu são menos que um grão de areia: "Todos os povos na Sua presença são como se não existissem, e ele considera como um nada, uma coisa que não existe" (Isaías XL, 17). Por outro lado, que é o homem? Responde São Bernardo: saco de vermes, pasto de vermes, que cedo o hão de devorar. O homem é um miserável que nada pode, um cego que nada vê; pobre e nu, que nada possui (Apoc, III, 17). E este verme miserável se atreve a injuriar a Deus? exclama o mesmo São Bernardo. Com razão, pois afirma Santo Tomás de Aquino, que o pecado do homem contém uma malícia quase infinita (S. Th. p. 3, q. 2, a. 2.). Santo Agostinho vai um pouco mais além e diz que, absolutamente, o pecado é UM MAL INFINITO. Na verdade, a gravidade de uma ofensa se mede pela dignidade da pessoa ofendida. Ora, o pecado ofende a Deus que é de uma DIGNIDADE INFINITA. Logo, sob este aspecto, é um mal INFINITO. Daí dizer o próprio Deus: "Delicta quis intelligit?" (Salmo 18, 13). Sendo o homem finito não poderá compreender toda gravidade do pecado mortal, porque é infinita.  E Santo Afonso conclui: "Todos os homens e todos os anjos não poderiam satisfazer por um só pecado, mesmo que se oferecessem à morte e ao aniquilamento. Deus castiga o pecado mortal com as penas terríveis do inferno; contudo esse castigo é, segundo dizem todos os teólogos, menor que a pena com que tal pecado deveria ser castigado". E alguns teólogos daí concluem que o inferno é eterno: sendo criatura, nunca poderá ser infinito. Mas a gravidade do pecado mortal é infinita. Como Deus é justo, a eternidade é algo infinito na duração.

Mas que pena bastará para castigar como merece um verme que se rebela contra seu Senhor? Somente Deus é Senhor de tudo, porque é o Criador de todas as coisas. Por isso, todas as criaturas lhe devem obediência. Mas o homem, quando peca, que faz senão dizer a Deus: Senhor, não quero servir-te. Deus diz: "Não te aposses dos bens alheios" e, no entanto rouba. "Abstém-te do prazer impuro, e o pecador não se resolve a privar-se dele. Lemos no Êxodo, V, 2 que quando Moisés comunicou a ordem de Deus de que Faraó desse liberdade ao povo de Israel, este ímpio respondeu: "Quem é o Senhor, para que eu obedeça à sua voz? ... Não conheço o Senhor". Caríssimos, o pecador diz a mesma coisa: Não conheço Senhor; eu sou senhor do meu querer; faço o que me agrada. Assim, na presença de Deus mesmo Lhe falta o respeito e se afasta d'Ele e nisto consiste propriamente o pecado mortal: o ato com o qual o homem se afasta de Deus e se volta paras as criaturas. Quando o homem peca, ele levanta a mão como que ameaçando o Onipotente.

"Tu desonras a Deus, transgredindo a lei" (Rom. II, 23). Além de ofender a Deus, também O desonra. Na verdade, renunciando à graça divina por um miserável prazer, menospreza e rejeita a amizade de Deus. E por conta de que? Diz o Espírito Santo: "Elas (falsas profetisas que perdem as almas) desonravam-Me diante do meu povo por um punhado de cevada e por um pedaço de pão, matando as almas" (Ezequiel XIII, 19). "Quando o pecador, diz Santo Afonso, começa a deliberar consigo mesmo se deve ou não dar consentimento ao pecado, toma, por assim dizer, em suas mãos, a balança e se põe a considerar o que pesa mais, se a graça de Deus ou a ira, a quimera, o prazer... E quando, por fim, dá o consentimento, declara que para ele vale mais aquela quimera ou aquele prazer que a amizade divina". Daí dizer Deus pela boca do profeta Isaías: "A quem me comparastes vós e me igualastes, diz o Santo?" (XL, 25). Ó pecador! terias pecado se soubesses que ao cometer o pecado perderias uma das mãos ou mil reais ou menos talvez? Só Deus parece tão vil a teus olhos que merece ser posposto a um ímpeto de cólera, a um gozo indigno.

Deus é o nosso único e último Fim. E, no entanto, quando o pecador, para satisfazer qualquer paixão, ofende a Deus, na verdade, converte em sua divindade essa paixão, porque nela põe o seu último fim. Daí dizer São Jerônimo: "Vício no coração é ídolo no altar". São Paulo diz chorando que para muitos o seu estômago é o seu deus: "Quorum Deus, venter est". Diz Santo Tomás de Aquino: "Se amas os prazeres, estes são teu Deus". E São Cipriano: "Tudo quanto o homem antepõe a Deus, converte-o em seu deus".

Os pecadores sabem que Deus está em toda parte e que os vê. Mas injuriam-No e O desonram face a face. Dizem que uns povos pagãos na antiguidade consideravam o Sol o seu deus e por isso procuravam evitar o pecado durante o dia. Os cristãos que pecam gravemente, não apresentam nem esta sensibilidade pagã.

O pecador despreza tudo o que Jesus Cristo fez e sofreu para tirar o pecado do mundo. Na expressão de São Paulo, o pecador calca aos pés o Filho de Deus (cf. Hebr. X, 29). Diz Santo Afonso: "Bem sabe o pecador que Deus não pode harmonizar com o pecado. Bem vê que, pecando, obriga Deus a  afastar-se dele. Rigorosamente, é como se Lhe dissesse: Já que não podeis ficar com meu pecado e tende de afastar-vos de mim,  -  ide quando vos aprouver. E expulsando a Deus da alma, deixa entrar o inimigo que dela toma posse. Pela mesma porta por onde sai Deus, entra o demônio". Caríssimos, que mágoa não sentiríamos se recebêssemos grave ofensa duma pessoa, a quem tivéssemos feito grande benefício? Pois bem, esta mágoa e infinitamente maior o pecador causa a Deus, que chegou a dar sua vida para nos salvar.


Ó Jesus, não, nunca mais quero me separar de Vós! Dai-me a santa perseverança... Maria Santíssima, minha Mãe, socorrei-me sempre; rogai a Jesus por mim e alcançai-me a dita de jamais perder graça divina. Amém!

sábado, 21 de outubro de 2017

O JUÍZO UNIVERSAL SEGUNDO S. AFONSO DE LIGÓRIO


(RESUMO)

"Cognoscetur Dominus judicia faciens"
Conhecido será o Senhor, que faz justiça (Salmo IX, 17).

O Redentor destinou o dia do Juízo Universal (chamado com razão, na Escritura, o dia do Senhor), no qual Jesus Cristo se fará reconhecer por todos como universal e soberano Senhor de todas as coisas (Sl  9, 17). Esse dia não se chama dia de misericórdia e perdão, mas "dia da ira, da tribulação e da angústia, dia de miséria e calamidade" (Sofonias I, 15). Nele o Senhor se ressarcirá justamente da honra e da glória que os pecadores quiseram arrebatar-Lhe neste mundo. Vejamos como há de suceder o juízo nesse grande dia.

A vinda do divino Juiz será precedida de maravilhoso fogo do céu (Salmo 96, 3), que abrasará a terra e tudo quanto nela exista (2 S. Pedro III, 10). Palácios, templos, cidades, povos e reinos, tudo se reduzirá a um montão de cinzas. É mister purificar pelo fogo esta grande casa, contaminada de pecados. Tal é o fim que terão todas as riquezas, pompas e delícias da terra. Mortos os homens, soará a trombeta e todos ressuscitarão (1 Cor. XV, 52). Dizia S. Jerônimo: "Quando considero o dia do juízo, estremeço. Parece-me ouvir a terrível trombeta que chama: Levantai-vos, mortos, e vinde ao juízo". Ao clamor pavoroso dessa voz descerão do céu as almas gloriosas dos bem-aventurados para se unirem a seus corpos, com que serviram a Deus neste mundo. As almas infelizes dos condenados sairão do inferno e se unirão a seus corpos malditos, que foram instrumentos para ofender a Deus.

Que diferença haverá então entre os corpos dos justos e dos condenados! Os justos aparecerão formosos, cândidos, mais resplandecentes que o sol (S. Mateus XIII, 43). Feliz aquele que nesta vida soube mortificar sua carne, recusando-lhe os prazeres proibidos, ou que, para melhor refreá-la, como fizeram os Santos, a macerou e lhe negou também os gozos permitidos dos sentidos! ... Pelo contrário, os corpos dos réprobos serão disformes,  e hediondos. Que suplício então para o condenado ter de unir-se a seu corpo! ... "Corpo maldito  -  dirá a alma   -  foi para te contentar que me perdi!" Responder-lhe-á o corpo: "E tu, alma maldita, tu que estavas dotada da razão, por que me concedeste aqueles deleites, que, por toda a eternidade, fizeram a tua e a minha desgraça?"

Assim que os mortos ressuscitarem, farão os anjos que se reúnam todos no vale de Josafá para serem julgados (Joel III, 14) e separarão ali os justos dos réprobos (S. Mat. XIII, 49). Os justos ficarão à direita; os condenados, à esquerda... Que confusão experimentarão os ímpios, quando, apartados dos justos, se sentirem abandonados! Disse S. João Crisóstomo que, se os condenados não tivessem de sofrer outras penas, essa confusão bastaria para dar-lhes os tormentos do inferno. Caríssimo irmão, abandona  o caminho que conduz à esquerda.

Os eleitos serão colocados à direita, e para maior glória   -  segundo afirma o Apóstolo  -  serão elevados aos ares, acima das nuvens, e esperarão com os anjos a Jesus Cristo, que deve descer do céu (1 Tess IV, 17). Os réprobos, à esquerda, como reses destinadas ao matadouro, aguardarão o Supremo Juiz, que há de tornar pública a condenação de todos os seus inimigos.

Abrem-se, enfim, os céus e aparecem os anjos para assistir ao juízo, trazendo os sinais da Paixão de Cristo, disse Santo Tomás. Singularmente resplandecerá a santa Cruz. "E então aparecerá o sinal do Filho do homem no céu; e todos os povos da terra chorarão" (S. Mat. XXIV, 30). Os Apóstolos serão assessores e com Jesus Cristo julgarão os povos. Aparecerá, enfim, o Eterno Juiz em luminoso trono de majestade: "E verão o Filho do Homem, que virão nas nuvens do céu, com grande poder e majestade. À sua presença chorarão os povos" (S. Mat. XXIV, 30). A presença de Cristo trará aos eleitos inefável consolo, e aos réprobos aflições maiores que as do próprio inferno, disse S. Jerônimo. Cumprir-se-á, então, a profecia de S. João: "Os condenados pedirão às montanhas que caiam sobre eles e os ocultem à vista do Juiz irritado" (Apoc. VI, 16).

Começará o julgamento, abrindo-se os autos do processo, isto é, as consciências de todos (Dan. VII, 10). A própria consciência dos homens os acusará depois (Rom. II, 15). A seguir, darão testemunho clamando vingança, os lugares em que os pecadores ofenderam a Deus (Hab. II, 11). Virá enfim, o testemunho do próprio Juiz que esteve presente a quantas ofensas lhe fizeram (Jer. XXIX, 23). Disse S. Paulo que naquele momento o Senhor "porá às claras o que se acha escondido nas trevas" (1 Cor. IV, 5). Os pecados dos eleitos, no sentir do Mestre das Sentenças e de outros teólogos, não serão manifestados, mas ficarão encobertos, segundo estas palavras de Davi: "Bem- aventurados aqueles, cujas iniquidades foram perdoadas, e cujos pecados são apagados" (Salmo 31, 1). Pelo contrário   -  disse S. Basílio  -  as culpas dos réprobos serão vistas por todos, ao primeiro relancear d'olhos, como se estivessem representadas num quadro. Exclama S. Tomás: "Se no horto de Getsêmani, ao dizer Jesus: Sou eu, caíram por terra todos os soldados que vinham para o prender, que sucederá quando, sentado no seu trono de Juiz, disser aos condenados: "Aqui estou, sou aquele a quem tanto haveis desprezado!".

Chegada a hora da  sentença, Jesus Cristo dirá aos eleitos estas palavras, cheias de doçura: "Vinde, benditos de meu Pai, e possuí o reino que vos está preparado desde o princípio do mundo" (S. Mat. XXV, 34). Que consolação não sentirão aqueles que ouvirem estas palavras do soberano Juiz: "Vinde, filhos benditos, vinde a meu reino. Já não há mais a sofrer, nem a temer. Comigo estais e permanecereis eternamente. Abençoo as lágrimas que sobre os vossos pecados derramastes. Entrai na glória, onde juntos permaneceremos por toda a eternidade". A virgem Santíssima  abençoará também os seus devotos e os convidará a entrar com ela no céu. E assim, os justos, entoando gozosos Aleluias, entrarão na glória celestial, para possuírem, louvarem e amarem eternamente a Deus.

Os réprobos, ao contrário, dirão a Jesus Cristo: "E nós, desgraçados, que será feito de nós?" E o Juiz Eterno dir-lhes-á: Já que desprezastes e recusastes minha graça , apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno (S. Mat. XXV, 34). Apartai-vos de mim, que nunca mais vos quero ver nem ouvir. Ide, ide, malditos, que desprezastes minha bênção..." Mas para onde, Senhor, irão estes desgraçados?... Ao fogo do inferno, para arder ali em corpo e alma..." E por quantos séculos?... Por toda a eternidade, enquanto Deus for Deus.

Depois desta sentença, abrir-se-á na terra um imenso abismo e nele cairão conjuntamente demônios e réprobos. Verão como atrás deles se fechará aquela porta que nunca mais se há de abrir... Nunca mais durante toda a eternidade!... Ó maldito pecado!... A que triste fim levarás um dia tantas pobres almas!... Ai! das almas infelizes às quais aguarda tão deplorável fim.

Meu Deus e meu Salvador! Já que declarastes pela boca do vosso Profeta: "Convertei-vos a mim, e eu me voltarei a vós" (Zac. I, 3), tudo abandono, renuncio a todos os gozos e bens do mundo, e converto-me, abraçando a Vós, meu amantíssimo Redentor. Recebei-me no vosso Coração e inflamai-me no vosso santo amor, de modo que jamais cogite em separar-me de Vós... Maria Santíssima, minha esperança, meu refúgio e minha mãe, ajudai-me e alcançai-me a santa perseverança. Amém!


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

A SENHORA APARECIDA

A SENHORA “APARECIDA”
 
                                                                                                                    Dom Fernando Arêas Rifan*



         No próximo dia 12,celebraremos a Padroeira do Brasil, nos 300 anos do achado milagroso da sua imagem. O Brasil em peso estará em prece pedindo sua proteção e bênção, especialmente no difícil momento político e social por que passamos.
        Tudo começou, quando, em 1717, por ocasião da visita do Conde de Assumar à cidade de Guaratinguetá, SP, foi pedido aos pescadores locais peixes para o banquete do nobre visitante. Três pescadores, amigos entre si, João Alves, Domingos Garcia e Filipe Pedroso, tentavam e não conseguiam os peixes que necessitavam, quando apanharam em suas redes uma pequena imagem truncada de Nossa Senhora da Conceição e a seguir, num lance de rede sucessivo, a cabeça da mesma imagem, conseguindo, num terceiro lance, imensa quantidade de peixes. A esse milagre sucederam muitos outros. A imagem foi chamada de “Aparecida” e colocada numa pequena capela que, com o tempo, tornou-se o monumental Santuário Nacional, maior centro de peregrinação do país.
        É óbvio que ali houve algo sobrenatural. Pois, como explicar que uma simples imagem, quebrada, sem uma intervenção divina e uma bênção especial da Mãe de Jesus, pudesse atrair milhões de pessoas em oração fervorosa, ininterruptamente, há quase três séculos?
        Em 1904, Nossa Senhora Aparecida, foi coroada Rainha do Brasil. No Congresso Mariano de 1929, quando se comemorou o Jubileu de Prata dessa Coroação, os bispos do Brasil decidiram enviar um pedido ao Papa para que declarasse Nossa Senhora Aparecida Padroeira de toda a nação brasileira. Este pedido tornou-se realidade através do Decreto do Papa Pio XI, de 16 de julho de 1930, no qual diz: “... Na plenitude de nosso Poder Apostólico, pelo teor da presente Carta, constituímos e declaramos a Beatíssima Virgem Maria concebida sem mancha, conhecida sob o título de Aparecida, Padroeira principal de todo o Brasil junto de Deus... concedendo isso para promover o bem espiritual dos fiéis no Brasil e para aumentar, cada vez mais, sua devoção à Imaculada Mãe de Deus...”.
        A proclamação oficial se realizou numa grande manifestação popular de um milhão de pessoas, no Rio de Janeiro, então capital federal, com o reconhecimento oficial do Governo do país, pela presença do seu Presidente, Dr. Getúlio Dornelles Vargas, e de outras autoridades civis, militares e eclesiásticas. Era o Brasil reconhecendo oficialmente sua padroeira.
        Que o Brasil, que nasceu católico desde a sua descoberta, cujo primeiro monumento foi um altar e uma cruz, que teve como primeira cerimônia uma Missa, que tem essa Senhora Padroeira, mostre-se digno de tais origens e de tal Patrona, em suas instituições, suas leis, seus governantes, sua política, seus legisladores, sua população e seu modo de viver, na verdadeira justiça e caridade, na ordem e no verdadeiro progresso, na harmonia e no bem comum, na lei de Deus e na coerência com os princípios da fé cristã, base da nossa identidade pátria e princípio de toda a convivência honesta, solidária e pacífica. 

 *Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney