SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

PECADO MORTAL


"Criei filhos e engrandeci-os; mas eles me desprezaram" (Isaías I, 2).


Deus manifestou sua justiça propondo como vítima de propiciação a Seu Filho Jesus (cf. Rom. III, 25). E o divino Espírito Santo já havia declarado através do Profeta Isaías: "Será (o Messias) despedaçado por causa de nossos crimes". Jesus ressuscitado glorioso não sofre mais. Mas sendo também Deus já previu todos os pecados dos homens e por eles sofreu e morreu. Todo pecado fez Jesus sofrer.

O pecado mortal é uma ofensa grave que se faz a Deus. A malícia de uma ofensa , ensina Santo Tomás de Aquino, se mede pela pessoa que a recebe e pela pessoa que a comete. Assim, uma ofensa feita por um colega ao seu colega, é, sem dúvida, um mal; mas, se um súdito desacata o Rei, isto é muito mais grave. E quem é Deus? É o Rei dos reis (Apoc, XVII, 14). Deus é majestade infinita, perante quem todos os príncipes da terra e todos os santos e anjos do céu são menos que um grão de areia: "Todos os povos na Sua presença são como se não existissem, e ele considera como um nada, uma coisa que não existe" (Isaías XL, 17). Por outro lado, que é o homem? Responde São Bernardo: saco de vermes, pasto de vermes, que cedo o hão de devorar. O homem é um miserável que nada pode, um cego que nada vê; pobre e nu, que nada possui (Apoc, III, 17). E este verme miserável se atreve a injuriar a Deus? exclama o mesmo São Bernardo. Com razão, pois afirma Santo Tomás de Aquino, que o pecado do homem contém uma malícia quase infinita (S. Th. p. 3, q. 2, a. 2.). Santo Agostinho vai um pouco mais além e diz que, absolutamente, o pecado é UM MAL INFINITO. Na verdade, a gravidade de uma ofensa se mede pela dignidade da pessoa ofendida. Ora, o pecado ofende a Deus que é de uma DIGNIDADE INFINITA. Logo, sob este aspecto, é um mal INFINITO. Daí dizer o próprio Deus: "Delicta quis intelligit?" (Salmo 18, 13). Sendo o homem finito não poderá compreender toda gravidade do pecado mortal, porque é infinita.  E Santo Afonso conclui: "Todos os homens e todos os anjos não poderiam satisfazer por um só pecado, mesmo que se oferecessem à morte e ao aniquilamento. Deus castiga o pecado mortal com as penas terríveis do inferno; contudo esse castigo é, segundo dizem todos os teólogos, menor que a pena com que tal pecado deveria ser castigado". E alguns teólogos daí concluem que o inferno é eterno: sendo criatura, nunca poderá ser infinito. Mas a gravidade do pecado mortal é infinita. Como Deus é justo, a eternidade é algo infinito na duração.

Mas que pena bastará para castigar como merece um verme que se rebela contra seu Senhor? Somente Deus é Senhor de tudo, porque é o Criador de todas as coisas. Por isso, todas as criaturas lhe devem obediência. Mas o homem, quando peca, que faz senão dizer a Deus: Senhor, não quero servir-te. Deus diz: "Não te aposses dos bens alheios" e, no entanto rouba. "Abstém-te do prazer impuro, e o pecador não se resolve a privar-se dele. Lemos no Êxodo, V, 2 que quando Moisés comunicou a ordem de Deus de que Faraó desse liberdade ao povo de Israel, este ímpio respondeu: "Quem é o Senhor, para que eu obedeça à sua voz? ... Não conheço o Senhor". Caríssimos, o pecador diz a mesma coisa: Não conheço Senhor; eu sou senhor do meu querer; faço o que me agrada. Assim, na presença de Deus mesmo Lhe falta o respeito e se afasta d'Ele e nisto consiste propriamente o pecado mortal: o ato com o qual o homem se afasta de Deus e se volta paras as criaturas. Quando o homem peca, ele levanta a mão como que ameaçando o Onipotente.

"Tu desonras a Deus, transgredindo a lei" (Rom. II, 23). Além de ofender a Deus, também O desonra. Na verdade, renunciando à graça divina por um miserável prazer, menospreza e rejeita a amizade de Deus. E por conta de que? Diz o Espírito Santo: "Elas (falsas profetisas que perdem as almas) desonravam-Me diante do meu povo por um punhado de cevada e por um pedaço de pão, matando as almas" (Ezequiel XIII, 19). "Quando o pecador, diz Santo Afonso, começa a deliberar consigo mesmo se deve ou não dar consentimento ao pecado, toma, por assim dizer, em suas mãos, a balança e se põe a considerar o que pesa mais, se a graça de Deus ou a ira, a quimera, o prazer... E quando, por fim, dá o consentimento, declara que para ele vale mais aquela quimera ou aquele prazer que a amizade divina". Daí dizer Deus pela boca do profeta Isaías: "A quem me comparastes vós e me igualastes, diz o Santo?" (XL, 25). Ó pecador! terias pecado se soubesses que ao cometer o pecado perderias uma das mãos ou mil reais ou menos talvez? Só Deus parece tão vil a teus olhos que merece ser posposto a um ímpeto de cólera, a um gozo indigno.

Deus é o nosso único e último Fim. E, no entanto, quando o pecador, para satisfazer qualquer paixão, ofende a Deus, na verdade, converte em sua divindade essa paixão, porque nela põe o seu último fim. Daí dizer São Jerônimo: "Vício no coração é ídolo no altar". São Paulo diz chorando que para muitos o seu estômago é o seu deus: "Quorum Deus, venter est". Diz Santo Tomás de Aquino: "Se amas os prazeres, estes são teu Deus". E São Cipriano: "Tudo quanto o homem antepõe a Deus, converte-o em seu deus".

Os pecadores sabem que Deus está em toda parte e que os vê. Mas injuriam-No e O desonram face a face. Dizem que uns povos pagãos na antiguidade consideravam o Sol o seu deus e por isso procuravam evitar o pecado durante o dia. Os cristãos que pecam gravemente, não apresentam nem esta sensibilidade pagã.

O pecador despreza tudo o que Jesus Cristo fez e sofreu para tirar o pecado do mundo. Na expressão de São Paulo, o pecador calca aos pés o Filho de Deus (cf. Hebr. X, 29). Diz Santo Afonso: "Bem sabe o pecador que Deus não pode harmonizar com o pecado. Bem vê que, pecando, obriga Deus a  afastar-se dele. Rigorosamente, é como se Lhe dissesse: Já que não podeis ficar com meu pecado e tende de afastar-vos de mim,  -  ide quando vos aprouver. E expulsando a Deus da alma, deixa entrar o inimigo que dela toma posse. Pela mesma porta por onde sai Deus, entra o demônio". Caríssimos, que mágoa não sentiríamos se recebêssemos grave ofensa duma pessoa, a quem tivéssemos feito grande benefício? Pois bem, esta mágoa e infinitamente maior o pecador causa a Deus, que chegou a dar sua vida para nos salvar.


Ó Jesus, não, nunca mais quero me separar de Vós! Dai-me a santa perseverança... Maria Santíssima, minha Mãe, socorrei-me sempre; rogai a Jesus por mim e alcançai-me a dita de jamais perder graça divina. Amém!

sábado, 21 de outubro de 2017

O JUÍZO UNIVERSAL SEGUNDO S. AFONSO DE LIGÓRIO


(RESUMO)

"Cognoscetur Dominus judicia faciens"
Conhecido será o Senhor, que faz justiça (Salmo IX, 17).

O Redentor destinou o dia do Juízo Universal (chamado com razão, na Escritura, o dia do Senhor), no qual Jesus Cristo se fará reconhecer por todos como universal e soberano Senhor de todas as coisas (Sl  9, 17). Esse dia não se chama dia de misericórdia e perdão, mas "dia da ira, da tribulação e da angústia, dia de miséria e calamidade" (Sofonias I, 15). Nele o Senhor se ressarcirá justamente da honra e da glória que os pecadores quiseram arrebatar-Lhe neste mundo. Vejamos como há de suceder o juízo nesse grande dia.

A vinda do divino Juiz será precedida de maravilhoso fogo do céu (Salmo 96, 3), que abrasará a terra e tudo quanto nela exista (2 S. Pedro III, 10). Palácios, templos, cidades, povos e reinos, tudo se reduzirá a um montão de cinzas. É mister purificar pelo fogo esta grande casa, contaminada de pecados. Tal é o fim que terão todas as riquezas, pompas e delícias da terra. Mortos os homens, soará a trombeta e todos ressuscitarão (1 Cor. XV, 52). Dizia S. Jerônimo: "Quando considero o dia do juízo, estremeço. Parece-me ouvir a terrível trombeta que chama: Levantai-vos, mortos, e vinde ao juízo". Ao clamor pavoroso dessa voz descerão do céu as almas gloriosas dos bem-aventurados para se unirem a seus corpos, com que serviram a Deus neste mundo. As almas infelizes dos condenados sairão do inferno e se unirão a seus corpos malditos, que foram instrumentos para ofender a Deus.

Que diferença haverá então entre os corpos dos justos e dos condenados! Os justos aparecerão formosos, cândidos, mais resplandecentes que o sol (S. Mateus XIII, 43). Feliz aquele que nesta vida soube mortificar sua carne, recusando-lhe os prazeres proibidos, ou que, para melhor refreá-la, como fizeram os Santos, a macerou e lhe negou também os gozos permitidos dos sentidos! ... Pelo contrário, os corpos dos réprobos serão disformes,  e hediondos. Que suplício então para o condenado ter de unir-se a seu corpo! ... "Corpo maldito  -  dirá a alma   -  foi para te contentar que me perdi!" Responder-lhe-á o corpo: "E tu, alma maldita, tu que estavas dotada da razão, por que me concedeste aqueles deleites, que, por toda a eternidade, fizeram a tua e a minha desgraça?"

Assim que os mortos ressuscitarem, farão os anjos que se reúnam todos no vale de Josafá para serem julgados (Joel III, 14) e separarão ali os justos dos réprobos (S. Mat. XIII, 49). Os justos ficarão à direita; os condenados, à esquerda... Que confusão experimentarão os ímpios, quando, apartados dos justos, se sentirem abandonados! Disse S. João Crisóstomo que, se os condenados não tivessem de sofrer outras penas, essa confusão bastaria para dar-lhes os tormentos do inferno. Caríssimo irmão, abandona  o caminho que conduz à esquerda.

Os eleitos serão colocados à direita, e para maior glória   -  segundo afirma o Apóstolo  -  serão elevados aos ares, acima das nuvens, e esperarão com os anjos a Jesus Cristo, que deve descer do céu (1 Tess IV, 17). Os réprobos, à esquerda, como reses destinadas ao matadouro, aguardarão o Supremo Juiz, que há de tornar pública a condenação de todos os seus inimigos.

Abrem-se, enfim, os céus e aparecem os anjos para assistir ao juízo, trazendo os sinais da Paixão de Cristo, disse Santo Tomás. Singularmente resplandecerá a santa Cruz. "E então aparecerá o sinal do Filho do homem no céu; e todos os povos da terra chorarão" (S. Mat. XXIV, 30). Os Apóstolos serão assessores e com Jesus Cristo julgarão os povos. Aparecerá, enfim, o Eterno Juiz em luminoso trono de majestade: "E verão o Filho do Homem, que virão nas nuvens do céu, com grande poder e majestade. À sua presença chorarão os povos" (S. Mat. XXIV, 30). A presença de Cristo trará aos eleitos inefável consolo, e aos réprobos aflições maiores que as do próprio inferno, disse S. Jerônimo. Cumprir-se-á, então, a profecia de S. João: "Os condenados pedirão às montanhas que caiam sobre eles e os ocultem à vista do Juiz irritado" (Apoc. VI, 16).

Começará o julgamento, abrindo-se os autos do processo, isto é, as consciências de todos (Dan. VII, 10). A própria consciência dos homens os acusará depois (Rom. II, 15). A seguir, darão testemunho clamando vingança, os lugares em que os pecadores ofenderam a Deus (Hab. II, 11). Virá enfim, o testemunho do próprio Juiz que esteve presente a quantas ofensas lhe fizeram (Jer. XXIX, 23). Disse S. Paulo que naquele momento o Senhor "porá às claras o que se acha escondido nas trevas" (1 Cor. IV, 5). Os pecados dos eleitos, no sentir do Mestre das Sentenças e de outros teólogos, não serão manifestados, mas ficarão encobertos, segundo estas palavras de Davi: "Bem- aventurados aqueles, cujas iniquidades foram perdoadas, e cujos pecados são apagados" (Salmo 31, 1). Pelo contrário   -  disse S. Basílio  -  as culpas dos réprobos serão vistas por todos, ao primeiro relancear d'olhos, como se estivessem representadas num quadro. Exclama S. Tomás: "Se no horto de Getsêmani, ao dizer Jesus: Sou eu, caíram por terra todos os soldados que vinham para o prender, que sucederá quando, sentado no seu trono de Juiz, disser aos condenados: "Aqui estou, sou aquele a quem tanto haveis desprezado!".

Chegada a hora da  sentença, Jesus Cristo dirá aos eleitos estas palavras, cheias de doçura: "Vinde, benditos de meu Pai, e possuí o reino que vos está preparado desde o princípio do mundo" (S. Mat. XXV, 34). Que consolação não sentirão aqueles que ouvirem estas palavras do soberano Juiz: "Vinde, filhos benditos, vinde a meu reino. Já não há mais a sofrer, nem a temer. Comigo estais e permanecereis eternamente. Abençoo as lágrimas que sobre os vossos pecados derramastes. Entrai na glória, onde juntos permaneceremos por toda a eternidade". A virgem Santíssima  abençoará também os seus devotos e os convidará a entrar com ela no céu. E assim, os justos, entoando gozosos Aleluias, entrarão na glória celestial, para possuírem, louvarem e amarem eternamente a Deus.

Os réprobos, ao contrário, dirão a Jesus Cristo: "E nós, desgraçados, que será feito de nós?" E o Juiz Eterno dir-lhes-á: Já que desprezastes e recusastes minha graça , apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno (S. Mat. XXV, 34). Apartai-vos de mim, que nunca mais vos quero ver nem ouvir. Ide, ide, malditos, que desprezastes minha bênção..." Mas para onde, Senhor, irão estes desgraçados?... Ao fogo do inferno, para arder ali em corpo e alma..." E por quantos séculos?... Por toda a eternidade, enquanto Deus for Deus.

Depois desta sentença, abrir-se-á na terra um imenso abismo e nele cairão conjuntamente demônios e réprobos. Verão como atrás deles se fechará aquela porta que nunca mais se há de abrir... Nunca mais durante toda a eternidade!... Ó maldito pecado!... A que triste fim levarás um dia tantas pobres almas!... Ai! das almas infelizes às quais aguarda tão deplorável fim.

Meu Deus e meu Salvador! Já que declarastes pela boca do vosso Profeta: "Convertei-vos a mim, e eu me voltarei a vós" (Zac. I, 3), tudo abandono, renuncio a todos os gozos e bens do mundo, e converto-me, abraçando a Vós, meu amantíssimo Redentor. Recebei-me no vosso Coração e inflamai-me no vosso santo amor, de modo que jamais cogite em separar-me de Vós... Maria Santíssima, minha esperança, meu refúgio e minha mãe, ajudai-me e alcançai-me a santa perseverança. Amém!


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

A SENHORA APARECIDA

A SENHORA “APARECIDA”
 
                                                                                                                    Dom Fernando Arêas Rifan*



         No próximo dia 12,celebraremos a Padroeira do Brasil, nos 300 anos do achado milagroso da sua imagem. O Brasil em peso estará em prece pedindo sua proteção e bênção, especialmente no difícil momento político e social por que passamos.
        Tudo começou, quando, em 1717, por ocasião da visita do Conde de Assumar à cidade de Guaratinguetá, SP, foi pedido aos pescadores locais peixes para o banquete do nobre visitante. Três pescadores, amigos entre si, João Alves, Domingos Garcia e Filipe Pedroso, tentavam e não conseguiam os peixes que necessitavam, quando apanharam em suas redes uma pequena imagem truncada de Nossa Senhora da Conceição e a seguir, num lance de rede sucessivo, a cabeça da mesma imagem, conseguindo, num terceiro lance, imensa quantidade de peixes. A esse milagre sucederam muitos outros. A imagem foi chamada de “Aparecida” e colocada numa pequena capela que, com o tempo, tornou-se o monumental Santuário Nacional, maior centro de peregrinação do país.
        É óbvio que ali houve algo sobrenatural. Pois, como explicar que uma simples imagem, quebrada, sem uma intervenção divina e uma bênção especial da Mãe de Jesus, pudesse atrair milhões de pessoas em oração fervorosa, ininterruptamente, há quase três séculos?
        Em 1904, Nossa Senhora Aparecida, foi coroada Rainha do Brasil. No Congresso Mariano de 1929, quando se comemorou o Jubileu de Prata dessa Coroação, os bispos do Brasil decidiram enviar um pedido ao Papa para que declarasse Nossa Senhora Aparecida Padroeira de toda a nação brasileira. Este pedido tornou-se realidade através do Decreto do Papa Pio XI, de 16 de julho de 1930, no qual diz: “... Na plenitude de nosso Poder Apostólico, pelo teor da presente Carta, constituímos e declaramos a Beatíssima Virgem Maria concebida sem mancha, conhecida sob o título de Aparecida, Padroeira principal de todo o Brasil junto de Deus... concedendo isso para promover o bem espiritual dos fiéis no Brasil e para aumentar, cada vez mais, sua devoção à Imaculada Mãe de Deus...”.
        A proclamação oficial se realizou numa grande manifestação popular de um milhão de pessoas, no Rio de Janeiro, então capital federal, com o reconhecimento oficial do Governo do país, pela presença do seu Presidente, Dr. Getúlio Dornelles Vargas, e de outras autoridades civis, militares e eclesiásticas. Era o Brasil reconhecendo oficialmente sua padroeira.
        Que o Brasil, que nasceu católico desde a sua descoberta, cujo primeiro monumento foi um altar e uma cruz, que teve como primeira cerimônia uma Missa, que tem essa Senhora Padroeira, mostre-se digno de tais origens e de tal Patrona, em suas instituições, suas leis, seus governantes, sua política, seus legisladores, sua população e seu modo de viver, na verdadeira justiça e caridade, na ordem e no verdadeiro progresso, na harmonia e no bem comum, na lei de Deus e na coerência com os princípios da fé cristã, base da nossa identidade pátria e princípio de toda a convivência honesta, solidária e pacífica. 

 *Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

OS NOVÍSSIMOS SEGUNDO S. JOÃO BOSCO


"Em todas as tuas obras, lembra-te dos teus novíssimos, e nunca jamais pecarás" (Eclesiástico VII, 40).

A MORTE.
 A morte é a separação da alma do corpo e o total abandono das coisas deste mundo. Todos sabem que um dia devem morrer, mas ninguém sabe onde e como morrerá. Você não sabe se a morte o surpreenderá na sua cama ou no seu trabalho, na estrada ou em outro lugar. A ruptura de uma veia, um infarto, um tumor que talvez já esteja crescendo em seu organismo, uma  queda, um acidente, um terremoto, um raio e outras mil causas de que você nem suspeita agora, podem privá-lo da vida. E isto pode acontecer daqui a um ano, a um mês, uma semana, a uma hora e, talvez, apenas terminada a leitura desta meditação. Quantos se deitaram à noite com boa saúde e de manhã foram encontrados mortos! Quantos ainda hoje morrem de improviso! E onde se encontram agora? Se estavam na graça de Deus, felizes deles! São para sempre bem-aventurados. Mas se estavam em pecado mortal, agora estão eternamente perdidos! Diga-me, meu caro jovem, se você devesse morrer neste instante, que seria de sua alma?

Embora o lugar e a hora de sua morte lhe sejam desconhecidos; você sabe com certeza que vai morrer. Esperemos que a sua última hora não venha de repente, mas aos poucos, por uma doença comum. De qualquer modo virá um dia em que, estendido em sua cama, você estará prestes a passar à eternidade assistido por um sacerdote e cercado por parentes que choram. Você terá a cabeça dolorida, os olhos embaçados, a língua ressequida, um suor gélido e o coração fraquíssimo. Assim que a alma expirar, seu corpo será vestido e colocado num caixão. Aí os vermes começarão a roer suas carnes, e bem depressa de você não restarão a não ser poucos ossos descarnados e um pouco de pó. Experimente abrir um sepulcro e verá a que ficou reduzido aquele jovem antes cheio de saúde, aquele rico, aquele ambicioso, aquele orgulhoso!

Meu caro filho, ao ler estas linhas, lembre-se de que elas falam de você, como de todos os outros homens! Agora, o demônio, para induzi-lo a pecar, procura desviar sua atenção destes pensamentos e escusá-lo de suas culpas, dizendo-lhe não ser um grande mal aquele prazer, aquela desobediência, aquela omissão da Missa no domingo ou em dia santo, e assim por diante; mas quando chegar o momento da sua morte, será ele mesmo que vai lhe revelar a gravidade destes e dos outros pecados, e vai lançá-los diante de sua consciência. Que fará você então? Ai de você se, naquele momento, se achar em desgraça de Deus!

Não se esqueça, meu jovem amigo, de que daquele momento depende a sua eterna salvação ou a sua eterna condenação. Duas vezes temos diante de nós uma vela acesa: no Batismo e na hora da morte. A primeira vez para fazer-nos ver os preceitos da Lei divina que devemos cumprir, e a segunda para fazer-nos ver se os cumprimos. À luz daquela vela quantas coisas se verão! À luz daquela vela, você verá se amou a Deus ou se O desprezou; se honrou seu santo Nome ou se O blasfemou; você verá as festas profanadas, as Missas perdidas, as impurezas cometidas, os escândalos dados, os furtos, os ódios, as soberbas ... Oh! meu Deus, verei tudo naquele momento em que se abrirá diante de mim a porta da eternidade!

Grande e terrível momento do qual depende uma eternidade de glória ou de sofrimentos! Você está compreendendo o que lhe digo? Eu lhe digo que daquele momento depende o ir para o céu ou para o inferno; ser para sempre feliz ou desesperado; para sempre filho de Deus ou escravo de Satanás; para sempre gozar com os anjos e os santos no céu ou gemer e queimar para sempre com os condenados no inferno! Por isso, prepara-se para aquele grande momento fazendo logo um ato de contrição e, o mais depressa que você puder, uma boa e santa confissão. Decida-se, depois, a viver sempre na graça de Deus, porque como se vive assim se morre.

O JUÍZO PARTICULAR.

O juízo é a sentença que Jesus vai pronunciar no fim da nossa vida, com a qual fixará o destino de cada um por toda a eternidade. Assim que sua alma tiver saído do corpo, comparecerá diante do Juiz Divino, que lhe pedirá conta rigorosa do bem e do mal que você praticou na sua vida. Num piscar de olhos, como que numa luz repentina, você verá toda a sua vida posta em confronto com a vontade de Deus. Então você ficará horrorizado com os pecados cometidos dos quais não se arrependeu, com as orações desleixadas, com os escândalos dados. Verá as almas que, com seus maus exemplos, levou ao pecado, as quais o amaldiçoam no inferno e pedem sua condenação. Verá os demônios ansiosos para arrastá-lo consigo e, embaixo, o inferno escancarado para recebê-lo. Você tentará, então, levantar o olhar suplicante para a face de Cristo, mas não conseguirá manter o olhar. Invocará o auxílio de Nossa Senhora, mas Ela não poderá mais fazer nada por você. Então, não encontrando acolhida, gritará às montanhas e às pedras que o cubram e o aniquilem, mas elas não se moverão. Sua alma imortal não poderá de maneira alguma refugiar-se no nada. Nesta hora, você mesmo, reconhecendo a Justiça de Deus, invocará o inferno como uma libertação!
Meu caro jovem, você está ainda em tempo de evitar um juízo de condenação! Peça logo perdão a Deus de seus pecados e comece desde hoje uma vida verdadeiramente cristã. Naquele dia tremendo, você será feliz por ter amado a Jesus e ter observado seus mandamentos. Até os sofrimentos, que você padece agora, ser-lhe-ão naquele momento fonte de alegria. Viva, portanto, hoje como gostaria de ter vivido então!

O INFERNO.
Quem recusa Deus até o fim, isto é, até a hora da morte, continuará a recusá-Lo para sempre. Por isso, a Justiça divina, respeitando a livre escolha feita pela sua criatura, afasta-a para sempre de Si, deixando-a caminhar para o destino de quem recusou o Sumo Bem para escolher o sumo mal, o Inferno Eterno. A primeira pena que os condenados sofrem no inferno é a pena dos sentidos, que serão atormentados por um fogo que queima terrivelmente sem jamais se consumir. fogo nos olhos, fogo na boca fogo em todas as partes. Cada sentido  padece a própria pena conforme o mau uso que dele fez em vida. Os olhos são aterrorizados pela vista dos demônios e dos outros condenados. Os ouvidos só escutam uivos e prantos de desespero. O olfato sofre com o mau cheiro do enxofre e a boca com sede e fome canina.

O rico epulão, no meio dos tormentos do inferno, levantou o olhar para o céu e pediu, suplicante, uma gota d'água para refrescar a ardência de sua língua: mas até essa gota d'água lhe foi negada!
Oh! Inferno, Inferno! Quão infelizes são os que caem nos teus abismos! Meu caro, jovem, se você devesse morrer neste momento, para onde iria? Mas agora você não pode suportar um minuto o dedo na chama de uma vela sem gritar de dor, como poderá suportar o tormento de todas aquelas chamas por toda a eternidade?

A segundo pena que os condenados padecem no inferno é a pena do dano. Esta é, sem comparação, mais terrível que a dos sentidos, porque é a privação completa e eterna do Bem Infinito para o qual fomos criados. Como os nossos pulmões têm necessidade do ar para viver, assim a nossa alma tem necessidade de Deus; e como a morte por afogamento é a mais terrível que existe, assim não há pena mais insuportável para a alma do que a necessidade insopitável que sente de "respirar" Deus. Sem contar que o sofrimento do afogado dura poucos minutos, enquanto que o padecimento do condenado dura para sempre! E com a privação de Deus, o condenado é privado também da companhia dos Anjos, de Nossa Senhora, dos Santos e dos seus caros defuntos, que não verá nunca mais.

Caro jovem, como poderá ainda viver em pecado, agora que você conhece que terríveis penas esperam quem não se decide a amar a Deus verdadeiramente! Não adie a sua conversão! Tem certeza de que esta não será a última chamada, e, se não corresponde a ela, não terá outras para salvá-lo do inferno?

Considere, meu caro jovem, que se você for para o Inferno, nunca mais dele sairá! Pois no Inferno não só se sofrem todas as penas, mas todas eternamente. Passarão cem anos desde que você caiu no Inferno, passarão mil anos e o Inferno terá apenas iniciado; passarão cem mil, cem milhões, passarão mil milhões de séculos, e o inferno estará ainda em seu começo.

Se um Anjo levasse aos condenados a notícia de que Deus os quer libertar do Inferno, depois de passados tantos milhões de séculos quantas são as gotas d'água do mar, as folhas das árvores e os grãos de areia da terra, esta notícia lhes causaria a maior satisfação. "É verdade  -  diriam  -  que devem passar ainda tantos séculos, mas um dia hão de acabar!" Pelo contrário, passarão todos esses séculos e todos os tempos que se possam imaginar, e o Inferno estará sempre no princípio.

Se ao menos o pobre condenado pudesse enganar-se a si mesmo e iludir-se pensando: "Quem sabe, um dia talvez Deus poderá me arrancar deste tormento..." Mas não, nem isto será possível, porque foi o próprio condenado que, na hora da morte, firmou sua vontade contra Deus a tal ponto que não quer mudá-la mais agora que entrou na eternidade. Será ele mesmo a querer para sempre aquelas chamas que o queimam, aqueles demônios que o atormentam, e a rejeitar para sempre  aquele Deus que ele ofendeu!

Meu jovem amigo, compreende bem o que você está lendo? Uma pena eterna por um só pecado mortal que, talvez, cometeu com tanta facilidade! Escute, pois, o meu conselho: Se a consciência o acusa de algum pecado mortal (mesmo que seja um só), vá depressa confessar-se e comece logo uma vida boa. Para isto, escolha um santo sacerdote ao qual você poderá recorrer para pedir conselho e, se necessário, faça uma confissão geral, ou seja, que abranja toda a sua vida.

Lembre-se sempre de que, para não cair no Inferno, qualquer sacrifício que você possa fazer é bem pouca coisa, porque todos os sacrifícios que você possa fazer é bem pouca coisa, porque todos os sacrifícios deste mundo duram pouco, enquanto que o Inferno dura para sempre!

O PARAÍSO.

Tanto apavora o pensamento do Inferno, quanto consola a lembrança do Paraíso que Deus preparou para aqueles que O amam. Se você pudesse gozar ao mesmo tempo de todas as alegrias deste mundo, desde as belezas criadas até os alimentos mais saborosos, desde as músicas mais suaves até os afetos mais puros, saiba que tudo isso é nada em comparação com as alegrias que o aguardam no Céu!

Pense, com efeito, na alegria que experimentará encontrando-se com os seus parentes e amigos, que virão correndo ao seu encontro para acolhê-lo no meio deles; pense na beleza e nobreza dos Anjos e dos Santos que, aos milhões, louvam ao seu Criador. No Céu você verá a grande multidão de jovens que conservaram intacta a virtude da pureza e daqueles que a reconquistaram pelo arrependimento e pela penitência: e os verá todos felizes cumulados de uma felicidade que nunca lhes será tirada.

Mas saiba que todas as alegrias do Paraíso não são nada em comparação com a alegria que se experimenta ao ver a Deus! Como o sol ilumina e embeleza todo o mundo, assim Deus, com sua presença, ilumina e embeleza todo o Paraíso e enche seus bem-aventurados moradores de delícias inefáveis. N'Ele você verá, como num espelho, todas as coisas, gozará todos os prazeres, amará todos os Santos do Céu.

São Pedro, no monte Tabor, por ter contemplado uma só vez o rosto de Jesus radiante de luz, sentiu-se repleto de tanta doçura que, fora de si, exclamou: "Senhor, como é bom estar aqui!" E ali teria ficado para sempre. Pense, portanto, naquela sua alegria de poder contemplar e amar, não por um instante apenas, mas para sempre, aquele rosto divino que encanta os Anjos e os Santos e que embeleza todo o Paraíso!

E pense que alegria será para você contemplar e beijar o rosto puríssimo e amável de Maria Santíssima, que na terra você invocou tantas vezes e agora o recebe como filho caríssimo e o apresenta a Jesus!

Crie coragem, portanto, meu caro filho; se ainda lhe couber padecer alguma coisa neste mundo, não importa; o prêmio que o aguarda no Céu recompensará infinitamente todos os seus sofrimentos.


Então sim, você poderá dizer: "Estou salvo! Estarei para sempre com o Senhor!" Então sim, você bendirá o momento em que deixou o pecado, o momento em que fez aquela boa confissão e começou a frequentar os Sacramentos, o dia em que deixou as más companhias, as más leituras e os maus espetáculos... Então, cheio de gratidão, você se voltará para Deus e Lhe cantará seus louvores por todos os séculos. 

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

A PAIXÃO DE JESUS NOS SANTIFICA


"Embora fosse Filho de Deus, aprendeu (por experiência própria) a obediência pelas coisas que sofreu; consumado (em perfeição), tornou-se a causa da salvação eterna para todos os que lhe obedecem, sendo chamado por Deus pontífice segundo a ordem de Melquisedeque" (Hebreus, V, 8 e 9).

Jesus Cristo é o novo Adão e representava toda a humanidade. Destruiu o pecado e restituiu-nos a graça. Filho de Deus, uniu-se a uma raça pecadora, embora o pecado O não tenha atingido pessoalmente. Mas tomou sobre Si os pecados de todos os homens, como, aliás, profetizara Isaías: "(Deus) colocou sobre Ele a iniquidade de todos nós" (Is. 53, 6). Jesus representa a todos, e, por isso mesmo, satisfaz por todos nós. Tornou-se, por amor, solidário dos nossos pecados, e nós, pela graça merecida por Ele na Cruz, tornamo-nos solidários das suas satisfações.

E, caríssimos, o valor dos merecimentos de Jesus, é infinito, porque Ele é um Deus. Sofreu como homem, isto é, na sua natureza humana, no entanto, essas dores e o mérito que trazem é dum Deus. Donde, conclui-se na Teologia que Jesus mereceu para nós, todas as graças e todas as luzes. Eis o que diz S. Paulo: "...Dando graças a Deus Pai,[q. nos deu seu Filho]que nos fez dignos de participar da sorte dos santos na luz, o qual nos livrou do poder das trevas, e nos transferiu para o reino do Filho do seu amor, no qual, pelo seu sangue, temos a redenção, a remissão dos pecados"  (Colossenses I, 12-14). Nosso Senhor Jesus Cristo é a causa de nossa santidade e salvação. A força de santificação dos sacramentos vem da Cruz; só têm eficácia em continuidade com a Paixão de Jesus. E assim n'Ele possuímos tudo; nada n'Ele falta do que precisamos para a nossa santificação. "Sua redenção é copiosa". como fora predito pelo profeta Rei no Salmo 139, vers. sétimo. O sacrifício de Jesus Cristo, oferecido em prol de todos, deu-Lhe o direito de nos comunicar tudo quanto mereceu. O próprio Jesus declarou que quando fosse levantado na cruz, seria tão grande o Seu poder, que atrairia a Ele todos aqueles que n'Ele tivessem fé (cf. João. XII, 32 ). E, caríssimos, quando fitarmos o Crucifixo, pensemos nesta promessa infalível do Nosso Pontífice Supremo; ela é a fonte da mais absoluta confiança. Como argumenta São Paulo: Se morreu por nós, sendo como éramos, seus inimigos, que graça de perdão, de santificação, poderá recusar-nos agora que detestamos o pecado, que procuramos desapegar-nos das criaturas e de nós mesmos para só a Ele agradar?

Mas, talvez alguém, um tanto envenenado por teorias protestantes, pense que agora, basta crer que o Senhor Jesus nos salvou. Para desfazer tal engano é suficiente refletirmos nestas palavras de São Paulo, palavras estas profundas, embora aparentemente estranhas: "Eu que, agora, me alegro nos sofrimentos por vós e que completo na minha carne o que falta aos sofrimentos de Cristo pelo seu corpo, que é a Igreja..." (Colossenses I, 24). Há uma verdade capital que devemos meditar: O Verbo Encarnado, Chefe da Igreja, tomou a Sua parte das dores, a maior; mas quis deixar à Igreja, que é o Seu Corpo Místico, uma parte de sofrimento. Dissemos palavras "estranhas": porventura falta alguma coisa aos sofrimentos de Cristo? Evidentemente que não, e Santo Agostinho responde: "O Cristo total, é formado pela Igreja unida ao seu Chefe, à sua Cabeça, que é Jesus Cristo. O Chefe sofreu tudo quanto devia sofrer. Só falta que os membros se quiserem ser dignos do Chefe, suportem a sua parte de dores". Temos, pois, como membros de Cristo, de nos unir aos Seus sofrimentos. Cristo reservou-nos uma participação na Sua Paixão, mas, ao mesmo tempo, colocou ao lado da Cruz a força necessária para a levar. É que, diz S. Paulo, Jesus Cristo, "tendo experimentado o sofrimento, tornou-se para nós um Pontífice cheio de compaixão" (Hebr. II, 17 e 18; IV, 15; V, 2).

Na Cruz Jesus Cristo representava a todos; mas, se sofreu por todos nós, não nos aplica os frutos da sua imolação, se não nos associarmos ao Seu sacrifício. E isto fazemos de três modos: 1º - Contemplando com fé e amor a Jesus nos diferentes passos da Sua Paixão. Este deve ser o tema principal de nossas meditações. Aliás ao rezarmos o Santo Rosário, fazemo-lo todos os dias. Quem reza quotidianamente o Terço, nas terças e sextas-feiras, faz esta meditação. Outro exercício muito benéfico às almas é a Via Sacra. E é óbvio, devemos todos os anos participar com fé e muita devoção as Cerimônias da Semana Santa.

2º - Participando com fé e grande devoção do Santo Sacrifício da Missa. O próprio Jesus Cristo instituiu-o para perpetuar  até ao fim do mundo, a memória e os frutos de Sua oblação no Calvário. No Altar reproduz-se a mesma imolação que no Calvário. É o mesmo Pontífice, Jesus Cristo, que se oferece ao Pai pelas mãos do sacerdote. É a mesma vítima. A única diferença é a maneira de oferecer: no Calvário foi cruenta, na Missa é incruenta. Caríssimos, participaremos de maneira mais perfeita e completa se nos unirmos a Jesus também pela comunhão sacramental.

3º - Associando-nos a Paixão de Jesus: fazemos isto na medida em que suportamos por amor d'Ele, os sofrimentos e adversidades, que nos desígnios de Sua Providência nos envia. A cada um de nós dá Deus também uma cruz para levar. Devemos aceitá-la sem discutir, sem dizer: "Deus podia mudar tal ou tal circunstância de minha vida". Nosso Senhor diz-nos: "Se alguém quer ser meu discípulo, tome a sua cruz e siga-me". Nesta aceitação generosa da nossa cruz, encontramos a união com Nosso Senhor Jesus Cristo. Porque, notai bem, levando a nossa cruz, levamos realmente uma parte da de Jesus. Jesus Cristo, que quis ser ajudado pelo Cirineu, diz-nos: "Aceitai esta parte dos meus sofrimentos que, na minha divina presciência, vos reservei no dia de minha Paixão". Digamos-Lhe com todo amor: "Sim, divino Mestre, aceito esta parte de todo o coração, porque vem de Vós". Tomemo-la por amor d'Ele e em união com Ele.

Caríssimos, as pessoas pouco espirituais e mais ainda, as que seguem as máximas do mundo, não são capazes de entender esta linguagem da cruz. Devem pensar que estamos aqui, mas a nossa Pátria definitiva é o Céu. Jesus disse: "Foi necessário o Filho do Homem sofrer antes de entrar na Glória"; e vamos pretender nós merecer o Paraíso, sem sofrer em união com Jesus Cristo? Meditemos, então nesta palavra do Apóstolo: "O mesmo Espírito dá testemunho ao nosso espírito, de que somos filhos de Deus. E, se somos filhos, também somos herdeiros: herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo; mas isto, se sofremos com Ele, para ser com Ele glorificados. Efetivamente, eu tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não têm proporção com a glória vindoura, que se manifestará em nós" (Rom. VIII, 16-18). É isto que os santos tinham sempre em mente e é com esta meditação  que os mundanos devem se converter. Dia virá, mais cedo do que pensamos, em que a morte estará próxima; estaremos deitados no leito, sem movimento; os que nos rodeiam fitar-nos-ão em silêncio, na impossibilidade de nos ajudarem; deixaremos de ter contato com o mundo exterior; a alma estará a sós com Jesus. Saberemos então o que é ter  "estado com Ele em suas provações"; ouvi-Lo-emos dizer, nesta agonia que é agora a nossa, suprema e decisiva: "Não me deixaste na minha agonia, acompanhaste-Me quando Eu ia para o Calvário, para morrer por ti; aqui estou Eu agora; estou ao teu lado para te ajudar, para ti levar comigo; não temas, tem confiança, sou Eu!" Poderemos, então, repetir com confiança a palavra do Salmista: "Por isso, ainda que ande nos meio da sombra da morte, não temerei males, porque estás comigo. Tua vara e teu báculo me consolaram" (Salmo XXII, 4).

Caríssimos, aprendamos as lições da Paixão de Jesus Cristo. Contemplando a Jesus na Sua Paixão, perguntemo-nos se há em nós honra, estima humana que defender, quando Ele sacrificou a sua pelos homens. Recorramos a Ele, confiemos n'Ele tão cheio de humilhações, e consideremos como inestimável vantagem ter parte nelas. Como beijar a cruz se não queremos honrá-la com o nosso próprio sacrifício? Jesus rechaçou tudo que pudesse suavizar seus tormentos. Sem dúvida foi plano Seu permitir que todos seus membros sucessivamente ou em conjunto, fossem maltratados, de tal sorte que na cruz era uma vítima perfeita e completa. Suficientemente sua vontade e máximas são manifestas por nós em sacrifício: não somente sua honra senão também seu corpo. Como ser discípulo de Jesus sem conformarmo-nos a estas máximas? Sem pô-las em prática? O divino Salvador entregou seu corpo a todo sacrifício e todo ultraje e nós queremos resguardar nosso corpo e tratá-lo com mais cuidado e veneração do que se fosse uma relíquia. Queremos, por assim dizer, trazê-lo dentro de uma caixa de algodão. "Fica bem, diz S. Bernardo, membros assim tão delicados, debaixo de uma Cabeça coroada de espinhos? Os santos sim, são tradução fiel da doutrina, sentimentos e exemplos de Jesus Cristo. São Francisco de Assis dizia: "Devemos aceitar o Evangelho sem interpretações e adaptações humanas". E sabemos como assim fez o "Poverello"!

Caríssimos, não imitemos a Barrabás que passando diante da Cruz, diria talvez: "Eu devia estar crucificado no lugar deste homem; eu estou livre e ele ... que se vire! Tais seriam em essência, nossos sentimentos se não quiséssemos sofrer nada. Mas, pelo contrário, nunca devemos esquecer que uma cruz que sabemos conservar secreta ou de que só falamos a Deus no fervor da oração, é fonte de muitas graças. No espelho do Crucifixo procuremos ver o abismo da divina misericórdia, a grandeza do divino Amor e o valor de uma alma. Um Deus dá sua vida pelas almas!!! Vemos o excesso do amor de Deus em nos dando todos os bens e vemos muito mais excessivo ainda este amor em tomar para Si todos os nossos males.


Ó Jesus, ó meu Deus, não compreenderei eu que sois o único Senhor cuja estima devo desejar e cujo vitupério devo temer? Ó doce Jesus, sede a única e total paixão de minha vida, meu tudo, todo meu amor! Senhor, que eu tenha não meras veleidades, mas que, por amor a Vós e em união convosco, eu trabalhe, lute, faça penitência e carregue a cruz. Amém! 

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

A PAIXÃO DE JESUS CRISTO


"Verdadeiramente ele foi o que tomou sobre si as nossas fraquezas, ele mesmo carregou com as nossas dores; nós o reputamos como um leproso, como um homem ferido por Deus e humilhado. Mas foi ferido por causa das nossas iniquidades, foi despedaçado por causa de nossos crimes; o castigo que nos devia trazer a paz, caiu sobre ele, e nós fomos sarados com as suas chagas... e o Senhor carregou sobre ele a iniquidade de todos nós" (Isaías 53, 4-6).

De todas as meditações que possamos fazer, esta é, sem sombra de dúvida, a que maior bem pode fazer às nossas almas!

A Paixão de Jesus Cristo marca o ponto culminante da obra que vem realizar neste mundo, obra esta para qual todas as outras convergem ou da qual tiram seu valor e eficácia. Para Nosso Senhor Jesus Cristo é a hora em que consuma o sacrifício que deve dar ao Pai glória infinita, redimir a humanidade e reabrir aos homens as fontes da vida eterna. Jesus chama "a sua hora"! "Devo ser batizado com um batismo  -   o batismo de sangue  -  e quão grande é a minha ansiedade até que ele se conclua!" (S. Lucas XII, 50). E quando chega esta hora, Jesus entrega-se com o maior ardor, apesar de conhecer de antemão todos os sofrimentos que devem despedaçar-Lhe o corpo e a alma: "Desejei com o maior ardor comer esta Páscoa convosco, antes de sofrer a minha Paixão" (S. Lucas XXII, 15). Diz S. Paulo: "Cristo amou a Igreja e por ela se entregou a si mesmo" (Efésios V, 25). A Igreja aqui significa o reino daqueles que devem formar o Corpo Místico de Jesus (cf. 1 Cor. XII, 27). Jesus amou esta Igreja, e foi por a ter amado que se entregou por ela. Eis o que moveu Jesus a sofrer e morrer: o amor. Sem dúvida, antes e acima de tudo, foi por amor ao Pai que Jesus Cristo quis sofrer a morte na Cruz, como Ele mesmo diz expressamente: "Mas é preciso que o mundo conheça que eu amo o Pai e que faço como Ele me ordenou. Levantai-vos, vamo-nos daqui"  (S. João XIV, 31), e foi para o Horto das Oliveiras (cf. S. João XVIII, 1). Mas é também o seu amor para conosco. Aliás esta era a vontade do Pai, como disse a Pedro: "Não hei de beber o cálice que o Pai me deu?" (S. João XVII, 11).

Na ultima Ceia, que diz aos Apóstolos, congregados em volta d'Ele? "Não há maior amor do que dar a vida pelos seus amigos" (S. João XV, 17). Demais, entregou-se à morte livremente: "Oblatus est quia ipse voluit" (Isaías 53, 7)= "Foi oferecido (em sacrifício) porque ele mesmo quis". E, caríssimos, esta liberdade com que Jesus Cristo dá a sua vida por nós, é absoluta. Meditemos: "Deus amou o mundo a ponto de lhe dar o Seu Filho único", e Jesus Cristo, por sua vez, amou os seus irmãos a ponto de se entregar a si mesmo total e espontaneamente para os salvar. Sua alma e seu corpo, em verdade, são dilacerados, esmagados pelos sofrimentos. Não há nenhum sofrimento que Jesus não experimente. Já no Getsêmani dissera: "A minha alma está triste até a morte!" Que abismo! Um Deus, Poder e Beatitude infinita, "acabrunhado pela tristeza, pelo pavor e pelo tédio". O Verbo Encarnado conhecia todos os sofrimentos que iam cair sobre Ele durante as longas horas de sua Paixão. Esta visão fazia nascer na Sua natureza sensível toda a repulsa que teria sentido uma simples criatura. Na Divindade a que estava unida a Sua alma via claramente todos os pecados dos homens, todos os ultrajes feitos à santidade e ao amor infinito de Deus. Via a inutilidade de Seu Sangue para muitos, para os quais Jesus seria ruína, como predissera o Velho Simeão. Tomou sobre si todas estas iniquidades e sentia pesar sobre sua cabeça toda a Justiça divina. Mas Jesus tudo aceita. Sai do Jardim e vai ao encontro dos seus inimigos. Traído pelo beijo de um dos Seus apóstolos, acorrentado pela soldadesca como um malfeitor, é levado ao Sumo Sacerdote. Ali cala-se no meio das falsas acusações. Fala apenas para proclamara que é o Filho de Deus. Jesus, Rei dos mártires, morre por haver confessado a Sua divindade, e todos os mártires darão a vida pela mesma causa.

Pedro, Chefe dos Apóstolos, por três vezes renegou a Jesus. Foi esse, sem dúvida, para o nosso divino Salvador um dos mais profundos sofrimentos daquela terrível noite.

Os soldados guardam Jesus e cobrem-No de injúrias e maus tratos. Vendam-Lhe os olhos e dão-Lhe bofetadas. Homens perversos, mancham com nojentos escarros aquela face adorável que arrebata os Anjos! 

Logo de manhã foi conduzido ao Sumo Sacerdote, depois arrastado de tribunal a tribunal; tratado por Herodes como louco e insensato, Ele, a Sabedoria eterna; açoitado por ordem de Pilatos; os algozes ferem sem dó a vítima inocente, cujo corpo se torna logo uma chaga viva. Enterram na cabeça de Jesus uma coroa de espinhos, e cobrem-No de escárnios.

O covarde governador romano imagina que o ódio dos judeus ficará satisfeito vendo Jesus Cristo naquele triste estado; apresenta-O à multidão: "Ecce homo", Eis aqui o homem! Contemplemos neste momento o divino Mestre mergulhado nesse abismo de sofrimentos e humilhações, e pensemos que o Eterno Pai também no-Lo apresenta, dizendo: "Eis aqui o meu Filho, o esplendor da minha glória, ferido por causa dos crimes do meu povo: "Eu o feri por causa dos crimes do meu povo" (Isaías 53, 8).

Jesus ouve os gritos daquela populaça enfurecida que Lhe prefere um bandido e em paga de todos os benefícios que d'Ele recebeu, reclama a Sua morte: "Crucifica-o, crucifica-o!" É, pois, pronunciada a sentença de morte; e Jesus Cristo tomando em seus ombros feridos a pesada cruz, dirige-se para o Calvário. À vista de Sua Mãe tão ternamente amada e cuja dolorosa aflição compreende melhor do que ninguém! A aflita Mãe vê quando o despojam das suas vestes, sente em seu Imaculado Coração o eco sinistro das cruéis marteladas que prendem-no na Cruz com pontiagudos cravos. Como Maria Santíssima deve ter sentido quando ouve Seu Filho dizer: "Tenho sede!" e não poder mitigá-la. Ouve os odiosos sarcasmos dos seus piores inimigos. Enfim, o abandono por parte do Pai Eterno: "Pai, por que me abandonaste?".

Jesus bebeu o cálice da amarguras até a última gota; realizou tudo o que fora predito: "Consummatum est" , sim tudo está consumado, só Lhe resta entregar a alma ao Pai: "E inclinando a cabeça, entregou o espírito" (S. João XIX, 30).

Ajoelhemo-nos e cada um diga do fundo da alma: "Ó Divino Salvador que tanto sofrestes por amor de nós, prometo-Vos fazer o possível por não mais pecar. Fazei pela Vossa graça, ó Mestre adorável, fazei com que morramos para tudo quanto é pecado, apego do pecado ou à criatura, e que só vivamos para Vós!" "O AMOR DE QUE JESUS CRISTO NOS DEU PROVA MORRENDO POR NÓS DEVE FAZER COM QUE AQUELES QUE VIVEM JÁ NÃO VIVAM PARA SI, MAS PARA AQULE QUE MORREU POR ELES" (2 Cor. V, 15).


sexta-feira, 22 de setembro de 2017

DEVOÇÃO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS


"Tirai as águas com alegria das fontes do Salvador" (Isaías XII, 3).

Ouçamos em primeiro lugar, duas almas privilegiadas do Sagrado Coração de Jesus, almas as quais Nosso Senhor Jesus Cristo fez revelações importantíssimas sobretudo referentes aos sacerdotes. Penso não ser supérfluo lembrar que estas revelações foram aprovadas pela Igreja e são citadas frequentemente por escritores sábios e santos, e até mesmo por santos canonizados pela Santa Igreja.

Por uma óbvia razão, cito primeiramente Santa Margarida Maria Alacoque, religiosa da Visitação: "Oh!  - exclama ela  -  não poder eu dizer a todo mundo o que sei desta amável devoção! Não sei de exercício mais próprio na vida espiritual para elevar uma alma à mais alta perfeição. Nosso Senhor me descobriu os tesouros de caridade e de graças para as pessoas que se consagrarem a honrá-Lo e amá-Lo, e são tesouros tão grandes que dizer me é impossível. Deu-me a conhecer que os que trabalham na salvação das almas, alcançarão êxito maravilhoso e possuirão o segredo de tocar os corações mais endurecidos, se estiverem penetrados de uma terna devoção a este Coração divino. Jesus Cristo me assegurou que sentia um prazer todo especial em ser honrado sob a figura deste coração de carne, e queria a sua imagem exposta em público afim de tocar os corações insensíveis dos homens. Declarou-me que derramaria em abundância no coração dos que O honrarem todos os tesouros de graças de que está cheio, e que lá onde a sua imagem fosse particularmente honrada atrairia toda sorte de bênçãos. O Sagrado Coração de Jesus é o tesouro de todas as graças e a nossa confiança n'Ele é a chave deste tesouro. Ah! como é doce morrer depois de ter tido uma devoção constante ao Coração daquele que nos deve julgar".

Outra alma privilegiada do Sagrado Coração foi sem dúvida a Madre Luisa Margarida Claret de La Touche. Fundou a "Aliança Sacerdotal Universal dos Amigos do Sagrado Coração" e, sob os auspícios de S. Pio X, fundou o novo instituto de "Betânia do Sagrado Coração", com a finalidade de servir a Jesus Sacerdote nos seus sacerdotes. É fruto de suas devotas contemplações o livro: "Le Sacré Coeur et le Sacerdote". Esta piedosa religiosa, que foi dirigida do Padre Charier, faleceu em 1915 em odor de santidade.

Em 1902, diz Mons. Ascânio Brandão, esta alma privilegiada ouviu a doce voz de Jesus no sacramento do amor: "Se o sacerdote soubesse que tesouros de amor lhe estão reservados no meu Coração! ... Que venha ao meu Coração, e beba desta fonte e encha-se de amor, até transbordar e derramá-lo sobre o mundo. Margarida Maria, continua Jesus, mostrou meu Coração aos homens, tu mostra-O aos meus sacerdotes, atrai-os todos ao meu Coração..., quero dar-lhes a conhecer um segredo todo particular do meu Coração ... Eu preciso deles, para coroar minha obra ... Meu Coração é o cálice do meu Sangue; se há alguém que tenha direito e obrigação de achegar-lhe os lábios, não é porventura o sacerdote que bebe todos os dias do cálice do Altar? Venha, portanto, ele ao meu Coração e beba" (Livro: Au service de Jésus Prêtre). E no outro livro: "Le Sacré Coeur et le Sacerdote" diz: "É principalmente aos sacerdotes que este Sagrado Coração quer manifestar-se, a esses chamados por Ele para reacender e vivificar sobre a terra o fogo da caridade. Por sua bondade inefável Ele quer ter necessidade deles, para completar seus desígnios, e o que poderia operar diretamente nas almas, por meio da graça, não o faz  -  por via de regra  -  senão mediante o concurso deles. Oh! se o sacerdote soubesse que tesouros de ternura encerra para ele o Coração de Jesus! Com que ardor se atiraria àquela fonte divina, para encher-se de amor, até transbordar".

"Oh! diz o piedoso e sábio Mons. Ascânio Brandão, bebamos o amor no Coração de Jesus e transbordemos em amor para as almas. A missão do padre é acender nos corações o fogo divino do amor que abrasa o Coração de Jesus! Não sejamos ingratos. Como ferem o divino Coração de Jesus, a indiferença, a tibieza, a ingratidão dos seus padres! "Os outros, disse Nosso Senhor a Santa Margarida, se contentam com açoitar o meu corpo, mas os sacerdotes dirigem seus golpes diretamente ao meu Coração".

Assim, amados irmãos no sacerdócio, celebremos com muito zelo as nove primeiras sextas-feiras para merecermos a promessa do Sagrado Coração de Jesus. Propaguemos o culto do Coração de Jesus. "Aí ,  -  diz Mons. Ascânio Brandão, de santa memória,  - está o segredo  do padre fervoroso e das paróquias reformadas e afervoradas em pouco tempo. A tibieza é o flagelo de muitos padres. Há um meio seguro para sair de um estado tão lastimável: a devoção ao Sagrado Coração de Jesus. É difícil, é um milagre sair da tibieza um sacerdote que abusou tanto da graça, mas este milagre o tem realizado centenas de vezes o Sagrado Coração de Jesus!"

"Oh! - exclama o Padre Santini, se todos os sacerdotes soubessem conduzir com fé, para este tesouro, para este oceano de felicidade, todos quantos sentem fome e sede de justiça! Como as almas fugiriam de boa vontade dos manjares mortíferos! Como se negariam a beber junto das mil  "cisternas rotas" (Jer. II, 3) que não sabem matar a sede! Como, unido ao Sagrado Coração de Deus, encontraria o coração completa satisfação na torrente de suas delícias (Salmo 35, 9), na paz profunda que o mundo não pode dar! "Quem beber da água que Eu lhe der, não terá mais sede" (S. João, IV, 13). E que fontes de méritos, caríssimos colegas no sacerdócio, encontramos neste sublime apostolado, nós os ministros do infinito Amor! Porque  -  notai bem  -  se um alimento material, se um copo d'água fresca oferecido por amor de Jesus, é digno de um prêmio eterno, que recompensa deverá esperar aquele que concorre com Jesus, por seu amor, para saciar a fome das almas, para extinguir a sede de Deus? Quem poderá descrever o agradecimento do Redentor para com os sacerdotes que souberam verdadeiramente conduzir as almas ao seu Coração, como o quer a Igreja, que é a coluna e o fundamento da verdade!

"Mas, diz o Padre Santini, é na verdade uma dolorosa contestação, fruto de uma longa experiência: dizei-me, quantas são as almas sacerdotais que tomam a sério e verdadeiramente praticam uma sólida e constante devoção ao Sagrado Coração? Quantos há que a propagam com zelo entre o povo?" Diz o célebre e piedoso Mons. D'Hulst: "O mistério não consiste tanto no fato de que existem almas nas quais Deus reina pelo amor, desde o momento em que Deus é amor, e que se revela ao coração humano. O profundo mistério consiste em que estas almas sejam tão raras e que a revelação do amor encontre tão pouco acolhimento da parte da humanidade. Este mistério, sim, faz passar a fé por uma dura prova! Como é possível que entre todos os patrões, seja o Onipotente o menos bem servido?"
Precisamos, mais do que nunca, do grande apostolado da Padroeira das Missões, Santa Teresinha do Menino Jesus: Rezar pelos padres!!! E, caríssimos, como precisamos do Coração de Jesus, para nós padres debelarmos esta crise terrível tanto na sociedade, como dentro da própria Igreja! Fenômeno impressionante, pavoroso: a ignorância, a incredulidade, o ódio e a corrupção atual, e pouco fagueiras as previsões do futuro. Os padres, infelizmente na sua grande maioria, não propagam com zelo entre o povo, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus. E não procuremos, portanto, somente em outras fontes, a origem  de tantas defecções públicas e particulares, de tantos deploráveis escândalos, desta lepra de impureza que contagia, desta enxurrada de impiedade que tudo envolve e afoga, desta leviandade insana, que leva sem motivo ao suicídio, como a um remédio radical, deste ceticismo que se propaga sempre mais e sacrifica todo o ideal mais santo ao instinto brutal e ao capricho, desta atmosfera paganizante que nos oprime pelas modas e pornografia oferecidas pela televisão e Internet (usada para o mal), saturada com os bacilos do pecado, impregnada de germens deletérios provindos de depósitos em putrefação, deste vento de insensatez que sopra implacável sobre o mundo, deste aborrecimento eterno, imenso, que se obstina em considerar a vida sem valor, vive-se um paganismo: "Comamos e bebamos, porque amanhã morreremos". Talvez mais do que nunca, Satanás é o príncipe deste mundo. Pobre mundo que vai em procura de adivinhos, consulta os astros, as mãos, os médiuns, os ciganos, os astrólogos e chega mesmo a consultar diretamente os demônios, evoca os mortos, entra nos templos da teosofia, do espiritismo, do ocultismo, da satanismo. Desconhece que tudo deve ser restaurado em Jesus Cristo. Ignora os tesouros do Sagrado Coração de Jesus. No Concílio Vaticano II, respirou-se ecumenismo, os Padres do Concílio (com poucas exceções) acharam que a solução seria elogiar as falsas religiões, inclusive o Islamismo. Agora, sofremos o castigo! Parece que os Padres do Concílio Vaticano II responderiam às revelações do Sagrado Coração de Jesus em Paray (pelo menos na prática): "Não entendemos nada, não Vos acreditamos, não nos interessa, não queremos saber... nada compreendemos desta cruz, destes espinhos, deste sangue, destas chamas!" Ah! caríssimos, como foi triste! E depois de mais de meio século colhemos os frutos que mostram claramente que a árvore não era boa. Poderia haver na própria Hierarquia da Igreja irreverência maior, insipiência mais deplorável e mais injustificada?

Será que os Padres no Concílio Vaticano II, pelo menos em sua grande parte, pensaram assim: vamos tomar como modelo o nosso Patrono, o Santo Cura d"Ars? Infelizmente não, com certeza!. E o que S. João Batista Maria Vianney dizia do Sagrado Coração? Exclama soluçando na sua lírica tão simples e eficaz: "Oh! Coração cheio de amor, flor do amor! e a quem amaremos nós, se não amamos o Coração de Jesus? Naquele Coração adorável não há outra coisa senão amor: como é possível esquecer que está tão cheio de amabilidade?"

O beato Pio IX dizia: "Pregai por toda parte a devoção ao Sagrado Coração: ela deve salvar o mundo!"

O célebre jesuíta (jesuíta dos seus bons tempos) o padre Quintana dizia assim: "A devoção ao Sagrado Coração é à Pessoa de Jesus que ama e não é amado; honra-se nela não um Cristo fantástico e idealizado, mas o mesmo Jesus do Evangelho e da Eucaristia, e considera-se a Pessoa de Jesus real, naquilo que Ele nos oferece de mais nobre e de mais atraente, isto é, seu amor. É ridículo, portanto, dizer: sou devoto de Jesus, mas não de seu Coração; porque o Sagrado Coração é Jesus todo inteiro, Jesus que nos ama; é seu amor expresso como em símbolo eficaz e natural, é seu amor centro de sua vida, e o motor principal, antes único, de todas as suas ações; é seu amor considerado em si mesmo, no seu complexo e na sua totalidade".

Caríssimos, daquele Coração divino saíram a Igreja, os sacramentos e as graças todas de que dispomos. O Coração aberto de Jesus é a fonte das águas da salvação. Tal é a doutrina dos Santos Padres: Como Eva saiu do lado de Adão, assim a Igreja saiu do lado de Jesus, A água é símbolo da batismo e o sangue é símbolo da Eucaristia.

Maria Santíssima e o escasso grupo que A rodeia: S. João Evangelista, e as Santas Mulheres, ali no alto do Calvário, contemplam este mistério, com sentimentos de dor, de compaixão, de adoração, de amor e reparação e nos oferecem um modelo a imitar. É a primeira homenagem de amor e reparação oferecida ao Sagrado Coração e o primeiro ato de sua devoção. Assim se revelou e se estabeleceu pela primeira vez a devoção ao Sagrado Coração de Jesus com seu objeto próprio, que é o mesmo Coração do Salvador, sede e símbolo do amor com os motivos e atos que constituem esta devoção que são fundamentalmente amor e reparação.


Eu Vos adoro, amoroso Coração de Jesus, que estás no Céu e na SS. Eucaristia junto conosco! Com a suavidade de Vosso Coração, minhas dores se dulcificam. Ó ferida feliz, aberta pela lança, fonte de graças que com ela se nos abriu e não se fecha mais. Sagrado Coração de Jesus, eu confio em Vós. Amém!