SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

A ORAÇÃO


"É preciso orar sempre e não cessar de o fazer"  (S. Lucas XVIII, 1)

A oração é o grande meio de salvação. E tanto isto é verdade, que Santo Afonso de Ligório afirma e prova que quem reza se salva e quem não reza, se condena.

O homem de si mesmo, é um nada e fraqueza, já que sua natureza corrompida é tão violentamente inclinada ao mal. Tem, na verdade, a razão para conhecer seus deveres. Mas isto não basta. "Vejo o bem e o aprovo, vejo o mal e o desaprovo, e, no entanto, faço a mal que desaprovo e não faço o bem que aprovo" assim diz do homem o Apóstolo S. Paulo (cf. Rom. VII, 15-20). Portanto, é absolutamente necessário ao homem o auxílio de Deus, auxílio este alcançado pela oração.

A oração bem feita produz sempre frutos e põe à nossa disposição a onipotência de Deus. Na verdade, a oração bem feita enternece o Coração de Deus, é uma homenagem aos seu poder, à sua sabedoria, à sua bondade, ao seu amor. Quem reza, pois, une-se a Deus que se compraz em espargir suas perfeições sobre todos os que d'Ele se aproximam pela oração. A oração também nos une aos Santos no Céu e às almas virtuosas na terra. Duas pessoas que rezam uma pela outra, embora separadas pelos oceanos, estão mais intimamente unidas que outras duas que vivem juntas mas não rezam.

Quão comovente são os convites de Nosso Senhor à oração! "Vigiai e orai"; "Pedi e recebereis, procurai e achareis; batei e vos será aberto" (S. Mat. VII, 21; S. Luc. XI, 9). E ainda: "Tudo quanto pedirdes com fé, ser-vos-á concedido" (S. Mat. XXI, 22); "Se dois dentre vós estiverem de acordo, aquilo que pedirdes vos será concedido por meu Pai que está no céu" (S. Mat. XVIII, 19); "Tudo quanto pedirdes  a meu Pai em meu nome, eu o farei" (S. João XVI, 13); "Se vós permanecerdes em mim e se minhas palavras permanecerem em vós, tudo quanto quiserdes pedir, ser-vos-á concedido" (S. João XV, 7).

Mas São Tiago diz: "Pedis e não obtendes", e logo dá a razão: "porque pedis mal, com o fim de satisfazerdes vossas paixões" (S. Tiago IV, 3). Deus é a própria sabedoria e não irá ceder aos caprichos de quem reza mal. Santo Agostinho assim resume em latim os motivos porque a oração não é atendida: "Petimus mali, petimus male, petimus mala. Traduzindo: Nós que pedimos somos maus; pedimos com oração mal feita; pedimos coisas más.

Petimus mali: sendo maus, isto é, em estado de pecado. Encontrar-se em estado de revolta contra Deus será disposição para alcançar suas graças? Reconciliemo-nos primeiro com Ele, façamos a sua vontade e Ele fará a nossa.

Petimus male: rezamos mal, ou seja, sem atenção; sem elevar a alma para Deus, sem humildade, sem confiança, sem perseverança. Santo Agostinho diz que "o latir do cão é menos desagradável aos ouvidos de Deus do que a oração mal feita".  

Petimus mala: isto é, o que pode ser inútil, mesmo prejudicial, sem o sabermos, como são às vezes, os bens relativos como saúde, recursos, talentos etc. Peçamos primeiro os bens absolutos: a graça, a virtude, a salvação, os bens sobrenaturais, e secundariamente, e sob condição de serem para a glória de Deus e  bem da alma, também os bens de ordem natural. É a regra que traçou Nosso Senhor Jesus Cristo: "Procurai em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas ser-vos-ão dadas por acréscimo" (S. Mat. VI, 33). Não esqueçamos de pedir "em nome de Nosso Senhor, isto é, "pelos merecimentos de Jesus Cristo e pelo amor que Deus Pai Lhe tem. Deus Pai nada recusa ao seu Filho, diz S. Paulo, por causa da consideração que Lhe tem: "propter reverentiam".

É mister, porém, observar que a oração feita de boa fé, nunca ficará sem resposta. Portanto se o vosso pedido é imprudente mas provém de vossa ignorância, Deus vos concederá então, não o que pedis, mas coisa muito melhor. Por ex. pedis recursos materiais, e Deus sabe que será uma pedra em que tropeçarás e perderás a fé, Ele então vos dará um pão, poderá ser uma fé e amor maiores para com a Santíssima Eucaristia. Caríssimos, quando pedirdes uma virtude, rezai, antes, para que vos seja dado um real desejo dessa virtude, e dizei depois, em toda a sinceridade de vosso coração: Senhor, fazei-me praticar essa virtude, custe o que custar. Por ex. pedimos a virtude da humildade; mas devemos pedir também que Nosso Senhor nos dê a graça de termos fortaleza para aceitarmos todas as humilhações que Ele se dignar enviar-nos.

O Pai-Nosso foi ensinado por Jesus como o modelo supremo. Aí a alma começa a dar a Deus o belo título de Pai. Só isto já nos mostra quais os sentimentos que devemos trazer no coração quando rezamos. Conversamos como o nosso Pai, não o da terra (o que já é tão agradável!) mas o Pai do Céu, a própria Bondade, a própria Perfeição , o Onipotente. Logo após, a alma pede a glória divina e só depois expõe sua próprias necessidades.

Na oração podemos pedir tudo que é bom e santo, tudo o que nos pode ser útil. Mas antes de tudo devemos desejar e pedir que Deus seja conhecido, amado e glorificado. O terceiro pedido do Pai-Nosso, pedido este que Jesus fez Ele mesmo de modo tão comovedor no Horto das Oliveiras, é um dos que devem brotar com frequência de nossos lábios, e que parece resumir todos os outros. "Meu Pai, se for possível, que se afaste de mim esse cálice; mas que a vossa vontade seja feita e não a minha". Assim devemos sempre adorar, louvar e amar a vontade de Deus. Com estas palavras: seja feita a vossa vontade", podemos formular todas as nossas orações. Peçamos para que se faça em nós a vontade de Deus. É certo que Deus quer sejamos piedosos, humildes, desapegados, mortificados, caridosos. Então peçamos: Senhor seja feita a vossa vontade, mesmo se for contra a minha, custe o que custar. E, Senhor, quantos aos meios pelos quais me santificareis, também escolhei-os Vós mesmo.

E se rezamos pelos outros, como por ex. pelos nossos parentes ou amigos, ou pelas almas que nos são confiadas (os pais pelos filhos, os padres pelos seus fiéis) será sempre a mesma regra: aliás, que podemos pedir de melhor para eles senão a vontade de Deus?! Então digamos sempre com sinceridade perfeita: Senhor, Vós sabeis e quereis o que convém mais: fazei a vossa vontade, inspirai-me e inspirai aos outros as medidas as mais sábias, dai a todos prudência e força, dai luz ao espírito e energia à vontade, e que tudo se faça segundo a vossa sabedoria e as vossas preferências, para vossa maior glória e para o nosso maior bem.


Caríssimos, já meditastes alguma vez sobre a vida de oração de Nosso Senhor Jesus Cristo? Nada mais próprio para incutir em nós o amor à oração, a convicção profunda da importância e necessidade da oração. Lembremos apenas algumas passagens: "Levantado-se muito antes de amanhecer, saiu, foi  a um lugar solitário e lá fazia oração" (S. Marc. I, 35); "Mas ele retirava-se para lugares desertos e fazia oração"(S. Lucas V, 15); "Despedidas as turbas, subiu só a um monte para orar" (S. Mat. XIV, 23); "Aconteceu naqueles dias que se retirou para o monte a orar e estava passando toda a noite em oração a Deus" (S. Lucas VI, 12); "Ora aconteceu que, recebendo o batismo todo o povo, batizando também Jesus, e estando em oração, abriu-se o céu..." (S. Lucas III, 21); na Transfiguração: "Tomou consigo Pedro, Tiago e João, e subiu a um monte para orar. Enquanto orava..." (S. Lucas IX,28, 29); "Então Jesus, falando novamente [ao Pai em oração] disse: "Graças te dou, ó Pai..." (S. Mat. XI, 25 e sgs). Já consideramos Sua oração no Getsêmani. Na cruz, sua primeira palavra foi uma oração de perdão: Pai perdoai-lhes porque não sabem o que fazem". Quão comovente é a oração que Jesus faz ao Seu Pai após a Santa Ceia (cf. (S. João XVII, 1-26). Caríssimos, leiam e meditem! Oremos como Jesus e nossa oração será perfeita. Amém!

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

O JUÍZO UNIVERSAL SEGUNDO S. AFONSO DE LIGÓRIO


(RESUMO)
"Cognoscetur Dominus judicia faciens"
Conhecido será o Senhor, que faz justiça (Salmo IX, 17).

O Redentor destinou o dia do Juízo Universal (chamado com ração, na Escritura, o dia do Senhor), no qual Jesus Cristo se fará reconhecer por todos como universal e soberano Senhor de todas as coisas (Sl  9, 17). Esse dia não se chama dia de misericórdia e perdão, mas "dia da ira, da tribulação e da angústia, dia de miséria e calamidade" (Sofonias I, 15). Nele o Senhor se ressarcirá justamente da honra e da glória que os pecadores quiseram arrebatar-Lhe neste mundo. Vejamos como há de suceder o juízo nesse grande dia.

A vinda do divino Juiz será precedida de maravilhoso fogo do céu (Salmo 96, 3), que abrasará a terra e tudo quanto nela exista (2 S. Pedro III, 10). Palácios, templos, cidades, povos e reinos, tudo se reduzirá a um montão de cinzas. É mister purificar pelo fogo esta grande casa, contaminada de pecados. Tal é o fim que terão todas as riquezas, pompas e delícias da terra. Mortos os homens, soará a trombeta e todos ressuscitarão (1 Cor. XV, 52). Dizia S. Jerônimo: "Quando considero o dia do juízo, estremeço. Parece-me ouvir a terrível trombeta que chama: Levantai-vos, mortos, e vinde ao juízo". Ao clamor pavoroso dessa voz descerão do céu as almas gloriosas dos bem-aventurados para se unirem a seus corpos, com que serviram a Deus neste mundo. As almas infelizes dos condenados sairão do inferno e se unirão a seus corpos malditos, que foram instrumentos para ofender a Deus.

Que diferença haverá então entre os corpos dos justos e dos condenados! Os justos aparecerão formosos, cândidos, mais resplandecentes que o sol (S. Mateus XIII, 43). Feliz aquele que nesta vida soube mortificar sua carne, recusando-lhe os prazeres proibidos, ou que, para melhor refreá-la, como fizeram os Santos, a macerou e lhe negou também os gozos permitidos dos sentidos! ... Pelo contrário, os corpos dos réprobos serão disformes,  e hediondos. Que suplício então para o condenado ter de unir-se a seu corpo! ... "Corpo maldito  -  dirá a alma   -  foi para te contentar que me perdi!" Responder-lhe-á o corpo: "E tu, alma maldita, tu que estavas dotada da razão, por que me concedeste aqueles deleites, que, por toda a eternidade, fizeram a tua e a minha desgraça?"

Assim que os mortos ressuscitarem, farão os anjos que se reúnam todos no vale de Josafá para serem julgados (Joel III, 14) e separarão ali os justos dos réprobos (S. Mat. XIII, 49). Os justos ficarão à direita; os condenados, à esquerda... Que confusão experimentarão os ímpios, quando, apartados dos justos, se sentirem abandonados! Disse S. João Crisóstomo que, se os condenados não tivessem de sofrer outras penas, essa confusão bastaria para dar-lhes os tormentos do inferno. Caríssimo irmão, abandona  o caminho que conduz à esquerda.

Os eleitos serão colocados à direita, e para maior glória   -  segundo afirma o Apóstolo  -  serão elevados aos ares, acima das nuvens, e esperarão com os anjos a Jesus Cristo, que deve descer do céu (1 Tess IV, 17). Os réprobos, à esquerda, como reses destinadas ao matadouro, aguardarão o Supremo Juiz, que há de tornar pública a condenação de todos os seus inimigos.

Abrem-se, enfim, os céus e aparecem os anjos para assistir ao juízo, trazendo os sinais da Paixão de Cristo, disse Santo Tomás. Singularmente resplandecerá a santa Cruz. "E então aparecerá o sinal do Filho do homem no céu; e todos os povos da terra chorarão" (S. Mat. XXIV, 30). Os Apóstolos serão assessores e com Jesus Cristo julgarão os povos. Aparecerá, enfim, o Eterno Juiz em luminoso trono de majestade: "E verão o Filho do Homem, que virão nas nuvens do céu, com grande poder e majestade. À sua presença chorarão os povos" (S. Mat. XXIV, 30). A presença de Cristo trará aos eleitos inefável consolo, e aos réprobos aflições maiores que as do próprio inferno, disse S. Jerônimo. Cumprir-se-á, então, a profecia de S. João: "Os condenados pedirão às montanhas que caiam sobre eles e os ocultem à vista do Juiz irritado" (Apoc. VI, 16).

Começará o julgamento, abrindo-se os autos do processo, isto é, as consciências de todos (Dan. VII, 10). A própria consciência dos homens os acusará depois (Rom. II, 15). A seguir, darão testemunho clamando vingança. os lugares em que os pecadores ofenderam a Deus (Hab. II, 11). Virá enfim, o testemunho do próprio Juiz que esteve presente a quantas ofensas lhe fizeram (Jer. XXIX, 23). Disse S. Paulo que naquele momento o Senhor "porá às claras o que se acha escondido nas trevas" (1 Cor. IV, 5). Os pecados dos eleitos, no sentir do Mestre das Sentenças e de outros teólogos, não serão manifestados, mas ficarão encobertos, segundo estas palavras de Davi: "Bem- aventurados aqueles, cujas iniquidades foram perdoadas, e cujos pecados são apagados" (Salmo 31, 1). Pelo contrário   -  disse S. Basílio  -  as culpas dos réprobos serão vistas por todos, ao primeiro relancear d'olhos, como se estivessem representadas num quadro. Exclama S. Tomás: "Se no horto de Getsêmani, ao dizer Jesus: Sou eu, caíram por terra todos os soldados que vinham para o prender, que sucederá quando, sentado no seu trono de Juiz, disser aos condenados: "Aqui estou, sou aquele a quem tanto haveis desprezado!".

Chegada a hora da  sentença, Jesus Cristo dirá aos eleitos estas palavras, cheias de doçura: "Vinde, benditos de meu Pai, e possuí o reino que vos está preparado desde o princípio do mundo" (S. Mat. XXV, 34). Que consolação não sentirão aqueles que ouvirem estas palavras do soberano Juiz: "Vinde, filhos benditos, vinde a meu reino. Já não há mais a sofrer, nem a temer. Comigo estais e permanecereis eternamente. Abençoo as lágrimas que sobre os vossos pecados derramastes. Entrai na glória, onde juntos permaneceremos por toda a eternidade". A virgem Santíssima  abençoará também os seus devotos e os convidará a entrar com ela no céu. E assim, os justos, entoando gozosos Aleluias, entrarão na glória celestial, para possuírem, louvarem e amarem eternamente a Deus.

Os réprobos, ao contrário, dirão a Jesus Cristo: "E nós, desgraçados, que será feito de nós?" E o Juiz Eterno dir-lhes-á: Já que desprezastes e recusastes minha graça , apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno (S. Mat. XXV, 34). Apartai-vos de mim, que nunca mais vos quero ver nem ouvir. Ide, ide, malditos, que desprezastes minha bênção..." Mas para onde, Senhor, irão estes desgraçados?... Ao fogo do inferno, para arder ali em corpo e alma..." E por quantos séculos?... Por toda a eternidade, enquanto Deus for Deus.

Depois desta sentença, abrir-se-á na terra um imenso abismo e nele cairão conjuntamente demônios e réprobos. Verão como atrás deles se fechará aquela porta que nunca mais se há de abrir... Nunca mais durante toda a eternidade!... Ó maldito pecado!... A que triste fim levarás um dia tantas pobres almas!... Ai das almas infelizes às quais aguarda tão deplorável fim!

Meu Deus e meu Salvador! Já que declarastes pela boca do vosso Profeta: "Convertei-vos a mim, e eu me voltarei a vós" (Zac. I, 3), tudo abandono, renuncio a todos os gozos e bens do mundo, e converto-me, abraçando a Vós, meu amantíssimo Redentor. Recebei-me no vosso Coração e inflamai-me no vosso santo amor, de modo que jamais cogite em separar-me de Vós... Maria Santíssima, minha esperança, meu refúgio e minha mãe, ajudai-me e alcançai-me a santa perseverança. Amém!


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

CINCO TENTAÇÕES PARA ENGANAR O PECADOR


"O demônio, vosso adversário, anda ao redor, como um leão que ruge, buscando a quem devorar" (1 S. Pedro V, 8).

Como alerta o chefe dos Apóstolos, o demônio anda em redor procurando matar e perder as almas. Sendo o pai da mentira, arma ciladas, sugere enganos. Aos que já estão em suas garras, e para delas não saírem, o adversário inspira cinco coisas: depois me confessarei; não posso resistir à tentação; o Senhor é Deus de misericórdia; já me perdoou tantas vezes no passado, vai perdoar-me ainda; ainda sou jovem e mais tarde entregar-me-ei a Deus. Com a graça de Deus vamos desfazer estas ciladas do inimigo das almas, do nosso adversário que é o demônio.

1º. Mesmo que cometa este pecado, confessá-lo-ei logo.

Caríssimos, o demônio é capaz de sugerir tal temeridade; esta quase zombaria feita à Majestade divina. Pecador assim tentado pelo demônio, dize-me: se tivesses na mão uma formosa e valiosíssima jóia, lançá-la-ias ao rio, dizendo: procurá-la-ei com cuidado, pois espero encontrá-la? Tens realmente em tua mão essa jóia riquíssima de tua alma, que Jesus Cristo resgatou com seu sangue. Voluntariamente a lanças no inferno, pois no ato de pecar cais condenado e dizes que a recobrarás pela confissão. E se não a recobras? Primeiro: para recuperá-la é necessário verdadeiro arrependimento, que é um dom de Deus. E de Deus não se zomba, porque Deus dará o que a pessoa semear. Deus sempre perdoa através da confissão, mas, para quem tem boa vontade e se humilha, Ele dá a graça necessária do arrependimento para a confissão válida. Então Deus pode não te conceder este arrependimento necessário. E aí, quando você chegar ao tribunal de Jesus e vir que sua confissão foi inválida! Não haverá mais jeito! Segunda coisa: E se a morte vier e te arrebatar o tempo para a confissão?! Então, alma amiga, sê vigilante e não vá atrás deste engano do Inimigo!

2º. Não poderei resistir à tentação que se apresenta.

Realmente o demônio procura fazer o pecador acreditar que não tem forças par combater e vencer suas paixões. Pecador assim tentado pelo demônio, preste atenção! "Deus é fiel, o qual não permitirá que sejais tentados além do que podem as vossas forças, antes fará que tireis ainda vantagem da mesma tentação, para a poderdes suportar" (1 Cor. X, 13). Além disso, se agora não és capaz de resistir, como podes ter esperança de consegui-lo depois, quando o inimigo não cessar de induzir-te a novos pecados e tiver sobre ti muito mais força que antes, enquanto tu serás mais fraco? Se pensas que agora não podes extinguir essa chama, como crês que a apagarás mais tarde, quando ela se desenvolver com mais violência, tornando-se como um incêndio num canavial? O próprio demônio poderá te enganar sibilando na tua consciência: "não te preocupes, o lá de cima te ajudará". Esse auxílio poderoso Deus está to dando agora. Por que, então, não queres valer-te dele para resistir? Esperas, acaso, que Deus multiplique seu auxílio e sua graça a teu favor, quando tiveres avolumado as tuas culpas? E se desejas maior socorro e mais forças, por que é que não os pedes a Deus? Duvidas, talvez, da fidelidade do Senhor, que prometeu conceder tudo o que se Lhe pedir? (S. Mat. VII, 7).Deus  - segundo a palavra do Santo Concílio de Trento  -  não ordena coisas impossíveis. Quer que façamos o que estiver ao nosso alcance com o auxílio atual que nos proporciona; e se este auxílio não for suficiente para resistir, nos exorta a que o impetremos mais, pois, pedindo-Lhe com os devidos requisitos, o concederá certamente." (C. Trento. sessão 6. c. XIII).

3º. Não importa pecar novamente, porque o Senhor é Deus de misericórdia.

Infelizmente sempre foram muitos a se condenarem por este engano do demônio. O Padre Pio viu o inferno e ficou aterrorizado como lá as almas caem como flocos de neve. Hoje podemos dizer sem medo de errar que é bem maior o número dos que se condenam. Diz Santo Afonso que não são poucos os que se condenam por este engano do demônio. Hodiernamente, quando é tão deturpada a noção de misericórdia, certamente o Inimigo das almas encontra mais facilidade em perdê-las sob o pretexto de uma falsa misericórdia divina.  Santo Afonso diz que um sábio autor escreveu que "mais almas envia ao inferno a misericórdia do que a justiça de Deus, porque os pecadores, confiando temerariamente naquela, não deixam de pecar, e se perdem". Isto acontece justamente porque o demônio falseia as consciências a este respeito. Porque, na verdade, quem duvida que o Senhor é Deus de misericórdia? Mas não podemos igualmente ignorar que o Senhor é o Deus de Justiça. Ele usa de misericórdia com aqueles que o temem (Salmo 102, 11-13) que Maria Santíssima lembrou no seu Magnificat. Naqueles, entretanto, que O desprezam e abusam da clemência divina para continuar a ofendê-Lo, tem que resplandecer somente a justiça de Deus. Deus perdoa misericordiosamente o pecador arrependido e que não quer mais pecar, mas, com toda justiça, nunca perdoa  a vontade que o pecador tem de pecar. Aquele que peca, diz Santo Agostinho, pensando que se arrependerá depois de ter pecado, não é penitente, mas zomba de Deus e o menospreza. Ora, o Apóstolo nos adverte de que Deus não consente que zombem d'Ele (Gál. VI, 7).

4º. Mas Deus já foi tão misericordioso para comigo em minha vida passada, espero que o será também no futuro.

A resposta é dada pelo próprio Espírito Santo: "Não digas: eu pequei, e que mal me veio daí? Porque o Altíssimo, ainda que paciente, é justiceiro. Não estejas sem temor da ofensa que te foi perdoada, e não amontoes pecados sobre pecados. E não digas: A misericórdia do Senhor é grande, ele se compadecerá da multidão dos meus pecados. Porque a sua misericórdia e a sua justiça estão perto uma da outra, e ele olha para os pecadores na sua ira. Não tardes em te converter ao Senhor, porque virá de improviso a sua ira, e no dia do castigo te perderá" (Eclesiástico V, 4-9). E São Paulo no mesmo sentido adverte: "Ou desprezaste as riquezas da sua[de Deus] bondade e paciência e longanimidade? Ignoras que a bondade de Deus te convida à penitência?" (Rom. II, 4). Portanto, a misericórdia que Deus já usou deve ser motivo para o pecador se converter de vez e fazer penitência, não só para reparar as penas temporais pelos pecados já perdoados, mas também para se fortalecer juntamente com a oração, para não mais ofender a um Pai tão bondoso.

5º. Ainda sou moço... Deus tem compaixão da mocidade; mais tarde entregar-me-ei a Ele.

É preciso o pecador saber que Deus conta os pecados de cada homem e não os anos. Que o pecador pense bem no seguinte: Se continuas pecando, irás perdendo o remorso da consciência; não pensarás na eternidade nem em tua alma; perderás quase de todo a luz que nos guia; acabarás por perder todo o temor. Com isto podes considerar abatida a cerca que te defendia, para dar lugar ao abandono de Deus. Não sou profeta e, portanto, não me é dado asseverar com certeza que, depois de cometido esse novo pecado, já não haverá par ti perdão de Deus. Contudo, não podes negar que se, depois de tantas graças que o Senhor te concedeu, voltas a ofendê-Lo, é muito fácil que para sempre te percas. "Os que cometem maldades serão exterminados" (Ecli III, 27). "Aquele que semeia pecados, colherá por fim castigos e tormentos" (Gálatas VI, 8).Caríssimos, não é uma tremenda loucura arriscar a eterna salvação por um TALVEZ?

Ó Virgem Maria, Mãe de Deus, recomendai-me a Vosso divino Filho e salvai-me. Amém!


segunda-feira, 31 de julho de 2017

EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS DE SANTO INÁCIO DE LOIOLA

   Os Exercícios Espirituais de Santo Inácio, (isto é, o Retiro) constitui uma verdadeira Arte de duas coisas: para converter o pecador e para a escolha de estado, ou seja, para descobrir a vocação e a ela ser fiel. 

   Há uma frase de Santo Agostinho que substancialmente resume o que é o Retiro: "Est hominis iter ad Deum, per Deum-Hominem". Em português: É para o homem o caminho para se chegar a Deus através do Deus-Homem. Em outras palavras: O homem é um viajante, o ponto de partida é o pecado do qual o homem deve ficar limpo e fortificado contra ele para não cometê-lo de novo. Feito isto, o homem caminha para Deus que é o termo da nossa viagem, e o caminho que conduz a este termo, é o Homem-Deus, é Nosso Senhor Jesus Cristo. 

   A primeira etapa do caminho é a chamada Via Purgativa que consiste em meditar as verdades que nos purificam e ensinam-nos a combater, a destruir o pecado, seja em si, seja em suas causas. O Retiro é constituído de quatro semanas ou melhor, quatro séries de meditações. A primeira (deformata reformat= reforma o que está deformado): tem por fim destruir o império do pecado e reformar o que havia de desordenado. 

   A segunda semana ou série (reformata conformat= as coisas reformadas são conformadas às virtudes de Nosso Senhor Jesus Cristo). Como Jesus Cristo é a nossa Luz, esta série de meditações tem por finalidade conformar a nossa vida á de Jesus Cristo que é nosso modelo. Ele torna-se a forma interior e exterior do verdadeiro cristão. Esta semana do Retiro corresponde à Via Iluminativa. A alma é iluminada pelas virtudes do Divino Mestre, que é Luz, Verdade e Vida. 

   A terceira semana ou série (conformata confirmat = as coisas conformadas, são confirmadas). É uma série de meditações sobre a Paixão e Morte do Salvador, justamente para firmar a alma nas suas generosas resoluções de imitar as virtudes de Nosso Senhor Jesus Cristo. Estas meditações são as mais próprias para nos levar ao arrependimento perfeito dos nossos pecados e ao mesmo tempo, levados em primeiro lugar pelo amor de Deus, continuar odiando e evitando o pecado e ao mesmo tempo, também por amor, ficar firme na imitação das virtudes de Nosso Divino Salvador. 

   A quarta semana ou série (confirmata transformat = as coisas confirmadas, são transformadas). Aplicando-nos a contemplar o Filho de Deus na sua vida gloriosa, tende a transformar-nos neste divino objeto do nosso amor.  Por isso é chamada Via Unitiva. O normal seria que no fim do Retiro a alma pudesse exclamar com São Paulo: "Vivo, mas já não sou eu que vivo, é Jesus que vive em mim". "A minha vida é Jesus"; "Agora, só quero viver por Aquele que morreu por mim". 

   Mesmo quando se prega o Retiro para o povo, o pregador procura fazer alguma meditação correspondente a estas 4 séries. Como devemos ter a humildade de reconhecer que somos pecadores, nunca se pode deixar de fazer pelo menos uma meditação correspondente à Via Purgativa. Do contrário, o Retiro pode ser até mais agradável, mas com certeza não terá a força própria do Retiro. Pois, como vimos no início, destruir e evitar o pecado deve ser o ponto de partida. Assim como não adiantaria trocar o telhado de uma casa ou pintá-la, se os alicerces estão abalados. É a alegria ilusória de estar morando numa casa nova, quando na realidade, continua correndo o risco da ruína. 

  É evidente, que uma alma assim preparada e unida a Deus tem todas as condições de ouvir a voz de Nosso Senhor que a chama para uma consagração especial a Ele. 

  Além das meditações como acabamos de explicar, o Santo Retiro, tem o recolhimento, o silêncio, a solidão; Assim a alma tem todas as condições de ouvir e seguir o voz de Deus. Porque, na verdade, como diz a Sagrada Escritura: Deus não está na agitação e no barulho. "Conduzirei a alma à solidão e ali lhe falarei ao Coração" (Oséas II, 14). 

EXEMPLO

   Um sacerdote, exorcizando um possesso, obrigou o demônio a declarar, qual a coisa que mais temia. Disse: "Tenho medo da oração, do jejum, da esmola, da confissão, da comunhão, mas muitas pessoas rezam tão mal, jejuam e dão esmolas por vaidade, confessam-se e comungam sem fruto, de sorte que pouco me incomodo com estas coisas; tenho porém horror ao retiro, é ele que me arrebata tantas almas e é tão difícil depois recuperá-las". 

domingo, 30 de julho de 2017

PAIXÕES E MAUS HÁBITOS


"O ímpio, depois de ter caído no abismo dos pecados, tudo despreza" (Provérbios XVIII, 3).

Nada mais perigoso na luta pela salvação eterna do que a nossa propensão ao pecado. Basta pensarmos nestas palavras do Espírito Santo pela boca do Apóstolo São Paulo: "Vejo nos meus membros outra lei que se opõe à lei do meu espírito, e que me faz escravo da lei do pecado, que está nos meus membros. Infeliz de mim! quem me livrará deste corpo de morte? somente a graça de Deus por Jesus Cristo nosso Senhor" (Rom. VII, 23 e 24). "Mas pela graça de Deus sou o que sou, e a sua graça, que está em mim, não foi vã. (1 Cor. XV, 10). É a terrível concupiscência, consequência do pecado original. Este é tirado da alma pelo santo Batismo, mas a concupiscência permanece, para termos campo de luta, pela qual devemos merecer o céu. O Apóstolo diz tudo: temos dentro de nós mesmos esta lei do pecado e é pela graça de Jesus Cristo que podemos vencê-la, mas é necessário que correspondamos a esta graça para que ela não fique estéril em nossa vida.

Caríssimos, justamente por não corresponder à graça de Deus, é que pode acontecer de o pecador adquirir uma atração para mal ainda maior, que é o hábito do pecado. Não correspondendo à graça, o pecador é levado pelas suas paixões, que além  de si mesmas já serem muito fortes, tornam-se dominantes pelo hábito dos pecados provocados por elas. E pior ainda, estas paixões podem se tornar verdadeiros ÍDOLOS.

Caríssimos, é evidente, que quem luta generosamente, pondo em Deus toda a esperança, alcança infalivelmente o triunfo. A luta poderá prolongar-se, tornar-se renhida, mas acabará por uma vitória. Quem cede, porém, sem se incomodar, aquele cuja vida é assinalada por capitulações contínuas, será finalmente derrotado e cairá na escravidão do pecado e de suas paixões. E, longe de gemer sob este terrível jugo, aceita-o, ama-o, e se recusa a fazer esforços para dele se libertar. Oh! estado terrível da alma que se torna assim escrava dos sentidos, prostrando-se até diante das criaturas e alienando sua liberdade para deixar o vício dominar-lhe o coração como senhor absoluto! É portanto, um idólatra. Dando o exemplo do vício capital da gula diz São Paulo: "Falo com lágrimas, muitos procedem como inimigos da cruz de Cristo: o fim deles é a perdição, o deus deles é o ventre; e fazem consistir a sua glória na sua própria confusão, gostando somente das coisas terrenas" (Filipenses III, 18 e 19).

Os homens não adoram mais, é verdade, ídolos de madeira ou metal; não dobram os joelhos para adorar imagens inanimadas como se elas fossem deuses ou deusas. Os homens haviam de corar de tal loucura. Mas será menor a culpa de quem se entrega às paixões? Na verdade, quem se abandona ao pecado mortal, rejeita a soberania de Deus e adora a sua paixão. Deus Nosso Senhor não pode assim reinar em corações que prestam homenagem e adoração a falsas divindades.

Quando começamos a ceder a uma tendência culpável, somos inclinados a iludir-nos; julgamo-nos ainda livres. O demônio pode até fazer a pessoa se orgulhar como se estivesse dando provas de energia. E aí esta pobre alma por fim, não conseguirá mais resistir. É escrava do pecado e este é o seu deus! Coisa terrível!!! Quando uma melodia suave nos encanta os ouvidos, (estou ouvindo uma destas) estes sentimentos nos impressionam fortemente e caímos em uma espécie de êxtase, que nos faz esquecer todos os seres, que deixam, por assim dizer, de existir para nós (estava digitando sem pensar no que escrevia, tal o atrativo da música, e aí desliguei-a). Assim, caríssimos, também a alma que, atraída por um objeto criado, que lhe parece fascinante, não se obriga a afastá-lo, será seduzida sem demora e perderá a noção de tudo; sua vida então se concentrará na contemplação do objeto que lhe prende os pensamentos, como se fosse para ela o único necessário. Tal é o estado da alma idólatra. O que as almas santas sentem por Deus e pelas coisas de Deus, a alma idólatra sente pelas criaturas às quais se apegou como se fosse o seu fim último.

E Deus não castigará esta idolatria de muitos cristãos ou que se dizem tais? Claro que sim! Ouçamos o que diz Santo Afonso Maria de Ligório: "É difícil que tais pecadores se salvem, porque os maus hábitos cegam o espírito, endurecem o coração e ocasionam provavelmente a obstinação completa na hora da morte.

Primeiramente, o mau hábito nos CEGA. Qual o motivo que faziam os Santos implorar incessantemente a luz divina, temendo converter-se nos pecadores mais abomináveis do mundo? É porque sabiam que, se chegassem a perder a luz divina, poderiam cometer culpas horrendas. E como se explica que tantos cristãos vivem obstinadamente em pecados, até que irremediavelmente se condenam? Porque o pecado os cega, e por isso se perdem: "Assim pensaram, mas enganaram-se, porque a sua malícia os cegou" (Sabedoria II, 23). "O costume de pecar não deixa o pecador reconhecer o mal que pratica" diz Santo Agostinho.

Além disso, os maus hábitos ENDURECEM O CORAÇÃO, permitindo-o Deus justamente em castigo da resistência que se opõe a seu convites. Pode haver castigo maior?!... São Paulo diz que Nosso Senhor "tem misericórdia de quem quer, e endurece a quem quer" (Rom. IX, 18). Santo Agostinho explica este texto, dizendo que Deus não endurece de um modo imediato o coração daquele que peca habitualmente, mas que o priva da graça em castigo da ingratidão e obstinação com que repeliu a que antes lhe havia concedido; e em tal estado o coração do pecador se endurece como se fosse de pedra: "O seu coração é duro como a pedra, e apertado com a bigorna do ferreiro" (Jó XLI, 15).
Teme, pois, meu irmão caríssimo, que não te suceda esta desgraça. Se tens algum mau hábito, procura libertar-te agora que Deus te chama. Enquanto sentes remorso na consciência, regozija-te, porque é indício de que Deus ainda não te abandonou. Mas você pode garantir-te que Deus está longe de o fazer? Urge, pois, corrigir-te e sair o mais breve possível desse estado, doutra maneira gangrenar-se-á a ferida e te verás perdido. Eis o que é mais terrível! O que explicarei a seguir.

OS MAUS HÁBITOS OCASIONAM PROVAVELMENTE A OBSTINAÇÃO NA HORA DA MORTE:

Só escrevo baseado que estou na incontestável autoridade de um Santo Afonso Maria de Ligório. Ouçamo-lo: "Privado da luz que nos guia e endurecido o coração, que admira que o pecador tenha mau fim e morra obstinado em suas culpas? "O coração duro será oprimido de males no fim; e aquele que ama o perigo perecerá nele" (Eclesiástico III, 27). Os justos andam sempre pelo caminho reto. "A senda do justo é direita" (Isaías XXVI, 7). Ao contrário, aqueles que pecam habitualmente caminham sempre em linhas tortuosas. Se deixam o pecado por algum tempo, voltam de novo a ele; pelo que São Bernardo os ameaça com a condenação no sermão sobre o Salmo 90. Talvez algum deles queira emendar-se antes que lhe chegue a morte. Mas é precisamente nisto que está a dificuldade: o pecador por hábito, ainda que chegue à velhice, não se emenda. "O homem, segundo o caminho que tomou sendo jovem, não se afastará dele, mesmo quando velho" (Provérbios XXII, 6). "Se um etíope pode mudar a sua pele, ou um leopardo as suas malhas, poderás vós também fazer o bem, vós que não aprendestes senão fazer o mal?" (Jeremias XIII, 23). "Bem-aventurado o homem que está sempre com temor; mas o de coração duro cairá no mal" (Provérbios XXVIII, 14).

Estou, portanto, condenado e sem esperança?  -  perguntará, talvez, algum destes infelizes pecadores ... Não, se deveras quiseres emendar-te. Mas os males gravíssimos requerem remédios heroicos. Não deves esperar um milagre da graça. Impende evitar resolutamente as ocasiões perigosas, fugir das más companhias e resistir às tentações, recomendando-te a Deus. É preciso que te confesses a miúdo, que faças cada dia leitura espiritual e te entregues à devoção da Virgem Santíssima, pedindo-lhe continuamente que te alcance forças para não recair. É necessário que te domines e empregues violência. Se não aplicares agora o remédio, quando Deus te ilumina, mais tarde dificilmente poderás remediá-lo. Teme que não seja este o último apelo que Deus te faz. "Temo a Jesus que passa e não volta mais", dizia Santo Agostinho.

Ó Senhor, quero mudar de vida e entregar-me a Vós. Dizei-me o que devo fazer, pois quero pô-lo em prática. Sangue de Jesus Cristo, ajudai-me! Virgem Maria, advogada dos pecadores, socorrei-me! Amém!


sexta-feira, 28 de julho de 2017

OS NOVÍSSIMOS SEGUNDO S. JOÃO BOSCO


"Em todas as tuas obras, lembra-te dos teus novíssimos, e nunca jamais pecarás" (Eclesiástico VII, 40).
A MORTE.

 A morte é a separação da alma do corpo e o total abandono das coisas deste mundo. Todos sabem que um dia devem morrer, mas ninguém sabe onde e como morrerá. Você não sabe se a morte o surpreenderá na sua cama ou no seu trabalho, na estrada ou em outro lugar. A ruptura de uma veia, um infarto, um tumor que talvez já esteja crescendo em seu organismo, uma  queda, um acidente, um terremoto, um raio e outras mil causas de que você nem suspeita agora, podem privá-lo da vida. E isto pode acontecer daqui a um ano, a um mês, uma semana, a uma hora e, talvez, apenas terminada a leitura desta meditação. Quantos se deitaram à noite com boa saúde e de manhã foram encontrados mortos! Quantos ainda hoje morrem de improviso! E onde se encontram agora? Se estavam na graça de Deus, felizes deles! São para sempre bem-aventurados. Mas se estavam em pecado mortal, agora estão eternamente perdidos! Diga-me, meu caro jovem, se você devesse morrer neste instante, que seria de sua alma?

Embora o lugar e a hora de sua morte lhe sejam desconhecidos; você sabe com certeza que vai morrer. Esperemos que a sua última hora não venha de repente, mas aos poucos, por uma doença comum. De qualquer modo virá um dia em que, estendido em sua cama, você estará prestes a passar à eternidade assistido por um sacerdote e cercado por parentes que choram. Você terá a cabeça dolorida, os olhos embaçados, a língua ressequida, um suor gélido e o coração fraquíssimo. Assim que a alma expirar, seu corpo será vestido e colocado num caixão. Aí os vermes começarão a roer suas carnes, e bem depressa de você não restarão a não ser poucos ossos descarnados e um pouco de pó. Experimente abrir um sepulcro e verá a que ficou reduzido aquele jovem antes cheio de saúde, aquele rico, aquele ambicioso, aquele orgulhoso!

Meu caro filho, ao ler estas linhas, lembre-se de que elas falam de você, como de todos os outros homens! Agora, o demônio, para induzi-lo a pecar, procura desviar sua atenção destes pensamentos e escusá-lo de suas culpas, dizendo-lhe não ser um grande mal aquele prazer, aquela desobediência, aquela omissão da Missa no domingo ou em dia santo, e assim por diante; mas quando chegar o momento da sua morte, será ele mesmo que vai lhe revelar a gravidade destes e dos outros pecados, e vai lançá-los diante de sua consciência. Que fará você então? Ai de você se, naquele momento, se achar em desgraça de Deus!

Não se esqueça, meu jovem amigo, de que daquele momento depende a sua eterna salvação ou a sua eterna condenação. Duas vezes temos diante de nós uma vela acesa: no Batismo e na hora da morte. A primeira vez para fazer-nos ver os preceitos da Lei divina que devemos cumprir, e a segunda para fazer-nos ver se os cumprimos. À luz daquela vela quantas coisas se verão! À luz daquela vela, você verá se amou a Deus ou se O desprezou; se honrou seu santo Nome ou se O blasfemou; você verá as festas profanadas, as Missas perdidas, as impurezas cometidas, os escândalos dados, os furtos, os ódios, as soberbas ... Oh! meu Deus, verei tudo naquele momento em que se abrirá diante de mim a porta da eternidade!

Grande e terrível momento do qual depende uma eternidade de glória ou de sofrimentos! Você está compreendendo o que lhe digo? Eu lhe digo que daquele momento depende o ir para o céu ou para o inferno; ser para sempre feliz ou desesperado; para sempre filho de Deus ou escravo de Satanás; para sempre gozar com os anjos e os santos no céu ou gemer e queimar para sempre com os condenados no inferno! Por isso, prepara-se para aquele grande momento fazendo logo um ato de contrição e, o mais depressa que você puder, uma boa e santa confissão. Decida-se, depois, a viver sempre na graça de Deus, porque como se vive assim se morre.

O JUÍZO PARTICULAR.

O juízo é a sentença que Jesus vai pronunciar no fim da nossa vida, com a qual fixará o destino de cada um por toda a eternidade. Assim que sua alma tiver saído do corpo, comparecerá diante do Juiz Divino, que lhe pedirá conta rigorosa do bem e do mal que você praticou na sua vida. Num piscar de olhos, como que numa luz repentina, você verá toda a sua vida posta em confronto com a vontade de Deus. Então você ficará horrorizado com os pecados cometidos dos quais não se arrependeu, com as orações desleixadas, com os escândalos dados. Verá as almas que, com seus maus exemplos, levou ao pecado, as quais o amaldiçoam no inferno e pedem sua condenação. Verá os demônios ansiosos para arrastá-lo consigo e, embaixo, o inferno escancarado para recebê-lo. Você tentará, então, levantar o olhar suplicante para a face de Cristo, mas não conseguirá manter o olhar. Invocará o auxílio de Nossa Senhora, mas Ela não poderá mais fazer nada por você. Então, não encontrando acolhida, gritará às montanhas e às pedras que o cubram e o aniquilem, mas elas não se moverão. Sua alma imortal não poderá de maneira alguma refugiar-se no nada. Nesta hora, você mesmo, reconhecendo a Justiça de Deus, invocará o inferno como uma libertação!

Meu caro jovem, você está ainda em tempo de evitar um juízo de condenação! Peça logo perdão a Deus de seus pecados e comece desde hoje uma vida verdadeiramente cristã. Naquele dia tremendo, você será feliz por ter amado a Jesus e ter observado seus mandamentos. Até os sofrimentos, que você padece agora, ser-lhe-ão naquele momento fonte de alegria. Viva, portanto, hoje como gostaria de ter vivido então!

O INFERNO.

Quem recusa Deus até o fim, isto é, até a hora da morte, continuará a recusá-Lo para sempre. Por isso, a Justiça divina, respeitando a livre escolha feita pela sua criatura, afasta-a para sempre de Si, deixando-a caminhar para o destino de quem recusou o Sumo Bem para escolher o sumo mal, o Inferno Eterno. A primeira pena que os condenados sofrem no inferno é a pena dos sentidos, que serão atormentados por um fogo que queima terrivelmente sem jamais se consumir. fogo nos olhos, fogo na boca fogo em todas as partes. Cada sentido  padece a própria pena conforme o mau uso que dele fez em vida. Os olhos são aterrorizados pela vista dos demônios e dos outros condenados. Os ouvidos só escutam uivos e prantos de desespero. O olfato sofre com o mau cheiro do enxofre e a boca com sede e fome canina.

O rico epulão, no meio dos tormentos do inferno, levantou o olhar para o céu e pediu, suplicante, uma gota d'água para refrescar a ardência de sua língua: mas até essa gota d'água lhe foi negada!
Oh! Inferno, Inferno! Quão infelizes são os que caem nos teus abismos! Meu caro, jovem, se você devesse morrer neste momento, para onde iria? Mas agora você não pode suportar um minuto o dedo na chama de uma vela sem gritar de dor, como poderá suportar o tormento de todas aquelas chamas por toda a eternidade?

A segundo pena que os condenados padecem no inferno é a pena do dano. Esta é, sem comparação, mais terrível que a dos sentidos, porque é a privação completa e eterna do Bem Infinito para o qual fomos criados. Como os nossos pulmões têm necessidade do ar para viver, assim a nossa alma tem necessidade de Deus; e como a morte por afogamento é a mais terrível que existe, assim não há pena mais insuportável para a alma do que a necessidade insopitável que sente de "respirar" Deus. Sem contar que o sofrimento do afogado dura poucos minutos, enquanto que o padecimento do condenado dura para sempre! E com a privação de Deus, o condenado é privado também da companhia dos Anjos, de Nossa Senhora, dos Santos e dos seus caros defuntos, que não verá nunca mais.

Caro jovem, como poderá ainda viver em pecado, agora que você conhece que terríveis penas esperam quem não se decide a amar a Deus verdadeiramente! Não adie a sua conversão! Tem certeza de que esta não será a última chamada, e, se não corresponde a ela, não terá outras para salvá-lo do inferno?

Considere, meu caro jovem, que se você for para o Inferno, nunca mais dele sairá! Pois no Inferno não só se sofrem todas as penas, mas todas eternamente. Passarão cem anos desde que você caiu no Inferno, passarão mil anos e o Inferno terá apenas iniciado; passarão cem mil, cem milhões, passarão mil milhões de séculos, e o inferno estará ainda em seu começo.

Se um Anjo levasse aos condenados a notícia de que Deus os quer libertar do Inferno, depois de passados tantos milhões de séculos quantas são as gotas d'água do mar, as folhas das árvores e os grãos de areia da terra, esta notícia lhes causaria a maior satisfação. "É verdade  -  diriam  -  que devem passar ainda tantos séculos, mas um dia hão de acabar!" Pelo contrário, passarão todos esses séculos e todos os tempos que se possam imaginar, e o Inferno estará sempre no princípio.

Se ao menos o pobre condenado pudesse enganar-se a si mesmo e iludir-se pensando: "Quem sabe, um dia talvez Deus poderá me arrancar deste tormento..." Mas não, nem isto será possível, porque foi o próprio condenado que, na hora da morte, firmou sua vontade contra Deus a tal ponto que não quer mudá-la mais agora que entrou na eternidade. Será ele mesmo a querer para sempre aquelas chamas que o queimam, aqueles demônios que o atormentam, e a rejeitar para sempre  aquele Deus que ele ofendeu!

Meu jovem amigo, compreende bem o que você está lendo? Uma pena eterna por um só pecado mortal que, talvez, cometeu com tanta facilidade! Escute, pois, o meu conselho: Se a consciência o acusa de algum pecado mortal (mesmo que seja um só), vá depressa confessar-se e comece logo uma vida boa. Para isto, escolha um santo sacerdote ao qual você poderá recorrer para pedir conselho e, se necessário, faça uma confissão geral, ou seja, que abranja toda a sua vida.

Lembre-se sempre de que, para não cair no Inferno, qualquer sacrifício que você possa fazer é bem pouca coisa, porque todos os sacrifícios que você possa fazer é bem pouca coisa, porque todos os sacrifícios deste mundo duram pouco, enquanto que o Inferno dura para sempre!

O PARAÍSO.

Tanto apavora o pensamento do Inferno, quanto consola a lembrança do Paraíso que Deus preparou para aqueles que O amam. Se você pudesse gozar ao mesmo tempo de todas as alegrias deste mundo, desde as belezas criadas até os alimentos mais saborosos, desde as músicas mais suaves até os afetos mais puros, saiba que tudo isso é nada em comparação com as alegrias que o aguardam no Céu!

Pense, com efeito, na alegria que experimentará encontrando-se com os seus parentes e amigos, que virão correndo ao seu encontro para acolhê-lo no meio deles; pense na beleza e nobreza dos Anjos e dos Santos que, aos milhões, louvam ao seu Criador. No Céu você verá a grande multidão de jovens que conservaram intacta a virtude da pureza e daqueles que a reconquistaram pelo arrependimento e pela penitência: e os verá todos felizes cumulados de uma felicidade que nunca lhes será tirada.

Mas saiba que todas as alegrias do Paraíso não são nada em comparação com a alegria que se experimenta ao ver a Deus! Como o sol ilumina e embeleza todo o mundo, assim Deus, com sua presença, ilumina e embeleza todo o Paraíso e enche seus bem-aventurados moradores de delícias inefáveis. N'Ele você verá, como num espelho, todas as coisas, gozará todos os prazeres, amará todos os Santos do Céu.

São Pedro, no monte Tabor, por ter contemplado uma só vez o rosto de Jesus radiante de luz, sentiu-se repleto de tanta doçura que, fora de si, exclamou: "Senhor, como é bom estar aqui!" E ali teria ficado para sempre. Pense, portanto, naquela sua alegria de poder contemplar e amar, não por um instante apenas, mas para sempre, aquele rosto divino que encanta os Anjos e os Santos e que embeleza todo o Paraíso!

E pense que alegria será para você contemplar e beijar o rosto puríssimo e amável de Maria Santíssima, que na terra você invocou tantas vezes e agora o recebe como filho caríssimo e o apresenta a Jesus!

Crie coragem, portanto, meu caro filho; se ainda lhe couber padecer alguma coisa neste mundo, não importa; o prêmio que o aguarda no Céu recompensará infinitamente todos os seus sofrimentos.


Então sim, você poderá dizer: "Estou salvo! Estarei para sempre com o Senhor!" Então sim, você bendirá o momento em que deixou o pecado, o momento em que fez aquela boa confissão e começou a frequentar os Sacramentos, o dia em que deixou as más companhias, as más leituras e os maus espetáculos... Então, cheio de gratidão, você se voltará para Deus e Lhe cantará seus louvores por todos os séculos. 

quinta-feira, 27 de julho de 2017

LOUCURA DO PECADOR


"A sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus" (1 Cor. III, 19)

CONSIDERAÇÃO XX SOBRE AS VERDADES ETERNAS (em resumo)
Segundo Santo Afonso Maria de Ligório

Há quem enlouqueça pelas honras; outros, pelos prazeres; não poucos, pelas futilidades da terra. E se atrevem a considerar loucos os santos, que desprezam os bens mesquinhos do mundo para conquistar a salvação eterna e o Sumo Bem, que é Deus. A seus olhos é loucura sofrer desprezos e perdoar ofensas; loucura, privar-se dos prazeres sensuais e preferir a mortificação; loucura, renunciar às honras e às riquezas, e amar a solidão, a vida humilde e oculta. Não consideram, no entanto, que a essa sua sabedoria mundana Deus chama loucura: "A sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus" (1 Cor. III, 19). Ah! ... Virá o dia em que confessarão e reconhecerão a sua demência... Quando, porém? quando já não houver remédio possível e tenham que exclamar desesperados: "Desgraçados de nós, que reputávamos loucura a vida dos santos! agora compreendemos que os loucos fomos nós. Eles já se contam no número feliz dos filhos de Deus e compartilham a sorte dos bem-aventurados, que durará eternamente e os fará felizes para sempre... ao passo que nós ficamos escravos do demônio, condenados a arder neste cárcere de tormentos por toda a eternidade!... Enganamo-nos, pois querendo cerrar os olhos à luz divina (cf. Sabedoria, V, 6) e nossa maior desventura é sabermos que o nosso erro não tem nem terá remédio enquanto Deus for Deus.

"Oxalá que eles tivessem sabedoria e compreendessem e previssem o fim" (Deuteronômio XXXII, 29). O homem que se guia razoavelmente em suas obras, prevê o futuro, isto é, considera o que lhe há de acontecer no fim da vida: a morte, o juízo, e depois dele o inferno ou a glória do Céu.. Quanto mais sábio é um simples aldeão que se salva, do que um monarca que se condena! "Vale mais um moço pobre, mas sábio, do que um rei velho e néscio, que não sabe prever nada para o futuro" (Eclesiastes IV, 13). Ó Deus! Não teríamos por louco aquele que, para ganhar um real, se arriscasse a perder todos os bens? E não deve passar por louco aquele que, a troco de um breve prazer, perde a sua alma e se expõe ao perigo de perdê-la para sempre? Esta é a causa da condenação de muitíssimas almas: ocupam-se em demasia dos bens e dos males presentes, e não pensam nos eternos.

Deus não nos colocou neste mundo para alcançarmos riquezas, nem adquirirmos honras ou contentarmos os sentidos, senão para procurarmos a vida eterna: "Mas agora que estais livres do pecado  e feitos servos de Deus, tendes por vosso fruto a santificação e por fim a vida eterna" (Rom. VI, 22). E a consecução desta finalidade deve ser o nosso único interesse. "Uma só coisa é necessária" (S. Lucas, X, 42). Ora, os pecadores desprezam este fim. Só pensam no presente. Caminham até ao término da vida e se acercam da eternidade, sem saberem para onde se dirigem. Sábio do mundo foi o rico avarento que soube enriquecer; e, todavia, morreu e foi sepultado no inferno (cf. S. Luc. XVI, 22).

"Ante o homem, a vida e a morte: aquilo que ele escolher, ser-lhe-á dado" (Eclesiástico XV, 18). Cristão! diante de ti se apresentam a vida e a morte, isto é, a voluntária privação das coisas ilícitas para ganhar a vida eterna, ou o entregar-te a elas e à morte eterna ...Que dizes? Que escolhes? ... Procede como homem e dize: Que aproveita ao homem ganhar o mundo todo e perder sua alma?" (S. Mateus XVI, 26).

Compenetremo-nos bem de que o verdadeiro sábio é aquele que sabe adquirir a graça divina e a glória do Céu. Roguemos ao Senhor para que nos conceda a ciência dos Santos, ciência que ele dá a quem lha pede (Sab. X, 10), Seremos eternamente venturosos, se soubermos amar a Deus, ainda que ignoremos todas as demais coisas, como dizia Santo Agostinho. Quantos ignorantes há, diz ainda o mesmo santo Doutor, que nunca aprenderam a ler, mas que sabem amar a Deus, e se salvam, quantos doutos do mundo que se condenam! ... Quão sábios, tantos mártires e tantas virgens que renunciaram a honras, prazeres e riquezas para morrer por Cristo!... Ainda os próprios mundanos reconhecem esta verdade, e proclamam feliz aquele que se entrega a Deus e sabe o que tem de fazer para salvar a sua alma. Em suma: aqueles que renunciam os bens da terra para se consagrar a Deus são chamados homens desenganados. Como deveremos chamar os que preferem a Deus os bens do mundo? ... Homens enganados.

Os sepulcros são escola excelente para reconhecer a vaidade dos bens deste mundo e para aprender a ciência dos Santos, adverte S. João Crisóstomo, saberíeis distinguir ali o príncipe do plebeu, o analfabeto do letrado?" "Eu, por mim, nada vejo, senão podridão e vermes". Todas as coisas do mundo passarão em breve, dissipar-se-ão como fábulas, sonhos e sombras.

Não há ninguém que se não quisera salvar e santificar, mas, como não empregam os meios convenientes, condenam-se. É preciso evitar as ocasiões de pecar, frequentar os sacramentos, fazer oração, e, sobretudo gravar no coração as máximas do Evangelho, como, por exemplo, as seguintes: "Que aproveita ao homem se ganhar o mundo todo e perder a alma?" Quem ama desordenadamente a sua vida, perderá a vida eterna". " Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo". Para seguir a Jesus Cristo é preciso recusar ao amor próprio a satisfação que exige. Nossa salvação consiste no cumprimento da vontade divina (Sl 29, 61).


Ó meu Jesus, que destes vosso sangue para me remir; não permitais que volte a ser, como fui, escravo do mundo! Arrependo-me, Sumo Bem, de ter-vos abandonado. amaldiçoo todos os momentos em que minha vontade consentiu no pecado, e abraço-me com vossa santíssima vontade, que só deseja a minha felicidade. Concedei-me, Eterno Pai, pelos merecimentos de Jesus Cristo, força para executar tudo quanto vos agrade, e fazei que prefira morrer a opor-me à vossa vontade. Ó Maria Santíssima, alcançai-me estas graças! O vosso divino Filho nada vos recusa. Amém!