SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

sábado, 22 de julho de 2017

A GRAÇA DE DEUS É UM BEM INEFÁVEL


"Ó se conhecêsseis o dom de Deus!" (S. João IV, 10).

Vejamos quão grande é a graça divina, e assim, consequentemente teremos todo o cuidado em não a perder, teremos, outrossim, mais horror ao pecado mortal que a destrói na alma do pecador que peca gravemente. Na verdade, caríssimos, são poucos os que conhecem o valor da graça divina. Poderíamos dirigir a multidão infeliz o mesmo lamento que Jesus Cristo expressou à mulher samaritana: "Ó se conhecêsseis o dom de Deus!".  Porque não conhecem o valor da graça divina, muitos e muitos trocam-na por ninharia, um fumo subtil, um punhado de terra, um deleite irracional.

Na parte superior do quadro vemos o símbolo de uma alma na graça de Deus;
Na parte inferior vemos o símbolo de uma alma em pecado mortal.
A graça santificante, vida da alma, participação real, embora limitada da própria natureza divina, é um tesouro de valor infinito, que nos torna dignos da amizade de Deus. A alma no estado da graça é amiga de Deus Nosso Senhor. O próprio Jesus Cristo disse: "Quem é meu amigo, guarda os meus mandamentos". Quem observa os mandamentos conserva em si a graça santificante, pela qual é amigo de Deus, e mais ainda, é filho de Deus. Devemos meditar frequente e profundamente nesta verdade: se estou na graça de Deus, sou amigo de Deus, sou seu filho. Filho adotivo, na verdade. Mas esta adoção é infinitamente superior à da terra, que  é só questão de assinatura de um documento, mas o sangue é outro. A adoção pela graça, porém, é uma participação real da natureza de Deus: "consortes divinae naturae" na expressão de São Pedro. É uma participação limitada, porque somos criaturas, mas é uma participação real. Tanta é esta dignidade que Jesus Cristo no-la mereceu por sua Paixão! Como diz São João Evangelista, Jesus Cristo nos comunicou, de certo modo, o resplendor que recebeu de Deus: "Eu (disse Jesus dirigindo-se a seu Pai) dei-lhes a glória que tu me deste, para que sejam um, como também nós somos um" (S. João , XVII, 22). A alma que está na graça  está intimamente unida a Deus: "Ao que está unido ao Senhor é um só espírito com ele" (1 Cor. VI, 17). O próprio Jesus disse que a Santíssima Trindade vem habitar na alma que está no estado de graça: "Aquele que retém os meus mandamentos e os guarda, esse é que me ama; e aquele que me ama, será amado por meu Pai, e eu o amarei (também), e me manifestarei a ele... Se alguém me ama, guardará a minha palavra, meu Pai o amará, nós viremos a ele e faremos nele morada" (S. João, XIV, 22).

Dizia Senta Brígida que ninguém seria capaz de ver a beleza de uma alma em estado de graça, sem morrer de alegria. Santa Catarina de Sena, ao contemplar uma alma em estado tão feliz, disse que preferia dar sua vida para que aquela alma jamais viesse a perder tanta beleza. Era por isso que a Santa beijava a terra que os sacerdotes pisavam, considerando que por seu intermédio recuperavam as almas a graça de Deus.

"Que tesouros de merecimentos, diz Santo Afonso de Ligório, pode adquirir uma alma em estado de graça! Em cada instante lhe é dado merecer a glória; pois, segundo disse Santo Tomás de Aquino, cada ato de amor, produzido por tais almas, merece a vida eterna. Por que, pois, continua o santo Doutor, invejar os poderosos do mundo? Estando na graça de Deus, podemos adquirir continuamente as maiores grandezas celestes".

Só aquele que desfrutou pode compreender quão suave é a paz de que goza, mesmo neste mundo, uma alma que se acha na graça: "Muita paz aos que amam a tua lei" (Salmo 118, 165). A paz que provém dessa união com Deus excede a quantos prazeres possam oferecer os sentidos e o mundo, como explica São Paulo: "E a paz de Deus, que está acima de todo o entendimento, guarde os vossos corações e os vossos espíritos em Jesus Cristo" (Filip. IV, 7).

Donde, caríssimos, devemos pedir sempre o amor de Deus, a sua graça e a perseverança neles. Devemos também pedir forças a Nosso Senhor para sofrermos com paciência todas as cruzes que Ele nos destinar, já que merecemos a separação e o fogo eternos se perdida a graça tivéssemos morrido assim. Devemos estar resolvidos a servir unicamente a Jesus Cristo, mesmo que for necessário vencer todo respeito humano. Devemos procurar agradar só a Jesus, e fazer de tudo para evitar o pecado mortal, e lutar também por evitar o venial. Só quero viver na graça de Deus, e quero, pelas graças atuais, crescer sempre mais na graça santificante.

Para terminar, vejamos o outro lado da moeda, a parte inferior do quadro ilustrativo: quão infeliz é a alma que cai em pecado mortal, que assim atrai o desagrado do próprio Deus. O profeta Isaías diz: "Mas são as vossas iniquidades que puseram uma separação entre vós e o vosso Deus, e os vossos pecados são os que lhe fizerem esconder de vós a sua face, para não vos ouvir" (Isaías, 59, 2). A pessoa que vive em pecado mortal, vive separado de seu Sumo Bem, que é Deus. Ela não é de Deus, nem Deus é seu. "E o Senhor disse a Oseias: Põe-lhe o nome de Não-meu-povo porque vós já não sois meu povo e eu não serei mais vosso (Deus)" (Oseias I, 9). Falando contra os pecados de idolatria diz a Sagrada Escritura: "Deus aborrece igualmente o ímpio e a sua impiedade". Se alguém tem por inimigo a um príncipe do mundo, não pode repousar tranquilo, receando a cada instante a morte. E aquele que foi inimigo de Deus, como pode ter paz? Pode-se escapar das mãos dos homens, mas das de Deus não: "A todo e qualquer lugar aonde vá, tua mão alcançar-me-á. E disse: Talvez me ocultarão as trevas; mas a noite converte-se em claridade para me descobrir no meio dos meus prazeres" (Salmo 138, 10 e 11). Além disso, a pessoa que vive no pecado mortal, traz consigo a perda de todos os merecimentos. Ainda que tivesse merecido tanto como uma Santa Teresinha do Menino Jesus, uma Santa Teresa d'Ávila, um São Francisco Xavier, um Santo Cura d'Ars, e até tanto como São Paulo que por si só alcançou  - segundo São Jerônimo  - mais merecimentos que todos os outros apóstolos, se tal pessoa cometesse um só pecado mortal, perderia tudo. De filho de Deus, o pecador converte-se em escravo do demônio; de amigo predileto torna-se odioso inimigo; de herdeiro da glória, em condenado do inferno.

Como é triste a gente ver como os homens em geral, relativamente com poucas exceções no mundo, choram por ter perdido algo de valor e/ou de estimação. Vi na Internet um sujeito chorando porque perdeu seu macaco de estimação. Aliás Santo Agostinho já dizia: "Aquele que perde um cavalo, uma ovelha, já não come, já não descansa , mas chora e lastima-se. Mas se perde a graça de Deus, come, dorme e não se queixa!". São Francisco de Sales dizia: "Se os anjos pudessem chorar, certamente chorariam de compaixão ao verem a desdita de uma alma que comete um pecado mortal e perde a graça divina". E Santo Afonso comenta: "Entretanto, a maior tristeza é que os anjos chorariam, se pudessem chorar, e o pecador não chora".


Ó meu dulcíssimo Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo, se na vida passada meu coração andou mal, amando as criaturas e as vaidades do mundo, de agora em diante, só viverei para Vós e só a Vós amarei, meu Deus, meu tesouro, minha esperança e minha fortaleza. Inflamai meu coração em vosso santo amor. Maria, minha Mãe, fazei que minha alma arda em amor de Deus. Amém! 

sexta-feira, 21 de julho de 2017

ABUSO DA MISERICÓRDIA DE DEUS


"E não digas: A misericórdia do Senhor é grande, ele se compadecerá da multidão dos meus pecados. Porque a sua misericórdia e a sua justiça estão perto uma da outra, e ele olha para os pecadores na sua ira" (Eclesiástico V, 6 e 7).

Não podemos duvidar que a misericórdia divina é infinita. Devemos igualmente estar convencidos pelo próprio Espírito Santo que Deus é justo. Não podemos entender "misericórdia",  como se fosse sinônimo de IMPUNIDADE. Não se admite isso nem em se tratando da Justiça Humana, quanto mais da Divina! Assim, ao terminar a parábola da dracma perdida, parábola esta que o Divino Salvador fez para mostrar a Misericórdia de Deus, conclui com estas palavras: "Haverá alegria no céu entre os anjos de Deus por um só pecador que faça penitência". Se não podemos deixar de ver aí a misericórdia divina, também não podemos fechar os olhos para a condição indispensável para que ela se efetue: "QUE FAÇA PENITÊNCIA". Seria até blasfêmia ou, pelo menos, chegaria às raias dela, dizer que Deus, em sua misericórdia perdoa sempre, com arrependimento ou sem ele, com conversão de vida ou sem ela.

São Paulo afirma categoricamente falando aos romanos; e, dados os escândalos oficiais das nações, é bom citarmos todo o contexto: "Pelo que Deus os  abandonou aos desejos do seu coração, à imundície; de modo que desonraram os seus corpos em si mesmos, eles que trocaram a verdade de Deus pela mentira e que adoraram e serviram a criatura de preferência ao Criador, que é bendito por todos os séculos. Amém. Por isso Deus entregou-os a paixões de ignomínia. Efetivamente, as suas próprias mulheres mudaram o uso natural em outro uso, que é contra a natureza, e, do mesmo modo, também os homens, deixando o uso natural da mulher, arderam nos seus desejos mutuamente, cometendo homens com homens a torpeza e recebendo em si mesmos a paga que era devida ao seu desregramento. Como não procuraram conhecer a Deus, Deus abandonou-os a um sentimento depravado, para que fizessem o que não convém, cheios de toda a iniquidade, de malícia, de fornicação, de avareza, de maldade, cheios de inveja, de homicídios, de contendas, de engano, de malignidade, mexeriqueiros, detratores, odiados por Deus, injuriadores, soberbos, altivos, inventores de maldades, desobedientes aos pais, insensatos, sem lealdade, sem afeto, sem lei, sem misericórdia. Os quais, tendo conhecido a justiça de Deus, não compreenderam que os que fazem tais coisas são dignos de morte; e não somente quem as faz, mas também quem aprova aqueles que as fazem" (Rom. I, 24- 32). E logo no capítulo II, 4-9: "Ou desprezaste as riquezas da sua bondade e paciência e longanimidade: Ignoras que a bondade de Deus te convida à penitência? Mas com a tua dureza e coração impenitente acumulas para ti um tesouro de ira no dia da ira e da manifestação do justo juízo de Deus, que há de dar a cada um segundo as suas obras: a vida eterna aos que, perseverando na prática do bem, buscam a glória, a honra e a imortalidade; ira e indignação aos que são pertinazes, não dóceis à verdade, mas dóceis à injustiça".

Diz Santo Agostinho que o demônio seduz os homens por duas maneiras: "Com desespero e com esperança. Depois que o pecador cometeu o delito, arrasta-o ao desespero pelo temor da justiça divina; mas, antes de pecar, excita-o a cair em tentação pela esperança na divina misericórdia". E o adverte: "Depois do pecado tenha esperança na divina misericórdia; antes do pecado tema a justiça divina". Caríssimos, na verdade não merece a misericórdia de Deus aquele que ser serve da mesma para ofendê-Lo. Daí dizer Santo Afonso: "A misericórdia é para quem teme a Deus e não para o que dela se serve com o propósito de não temê-Lo". Diz ainda um autor: "Aquele que ofende a justiça, pode recorrer à misericórdia; mas a quem pode recorrer o que ofende a própria misericórdia?" Santa Brígida dizia que os pecadores só pensam na misericórdia. São Basílio também dizia o mesmo: "Os pecadores só querem considerar a metade: o Senhor é bom; mas também é justo. Não queiramos, continua o santo, considerar unicamente uma das faces de Deus". "Tolerar quem se serve da bondade de Deus para mais O ofender, fora antes injustiça que misericórdia", diz também S. João d'Ávila. Maria Santíssima disse: "Et misericordia ejus timentibus eum" (São Lucas, I, 50).  "Acautelai-vos  -  diz S. João Crisóstomo  -  quando o demônio (não Deus) vos promete a misericórdia divina com o fim de que pequeis" (Hom. 50, ad populum Antiochenum). "Quem ofende a Deus, fiado na esperança de ser perdoado, é um escarnecedor e não um penitente", diz Santo Agostinho. São Paulo afirma: "De Deus não se pode zombar" (Gál. VI, 7). Mas seria zombar de Deus o querer ofendê-Lo sempre que quiséssemos e desejar, a seguir, o paraíso. Quem semeia pecados, não pode esperar outra coisa que o eterno castigo no inferno. "Em realidade, aquilo que o homem semear, isso também colherá. Aquele que semeia na sua carne, da carne colherá corrupção; mas o que semeia no Espírito, colhera do Espírito a vida eterna" (Gálatas VI, 7-9).  

O rei Manassés pecou; converteu-se em seguida, e Deus lhe perdoou. Mas para Amon, seu filho, que, vendo quão misericordiosamente seu pai havia conseguido o perdão, entregou-se à má vida com a esperança de também ser perdoado, mas para ele não houve misericórdia. Deus, na verdade vai à procura do pecador com toda solicitude; espera com toda paciência a sua conversão; se o pecador se converte, perdoa-o com toda misericórdia a tal ponto que nem se lembra mais das suas ofensas, e  há alegria até entre os anjos.  Se o pecador, porém, não se converte e até abusa desta paciência e misericórdia divinas, então, além de não ser perdoado, seus castigos serão maiores, porque desprezou a justiça e abusou da misericórdia.

Deus tem paciência e espera; mas, se o pecador não aproveitá-las para se converter e fazer penitência, chega afinal a hora da justiça e então, Deus não espera mais e castiga. Diz Santo Afonso de Ligório: "Deus aguarda o pecador a fim de que se emende (Isaías, XIX, 18); mas, quando vê que o tempo concedido para os pecados só serve para multiplicá-los, vale-se desse mesmo tempo para empregar a justiça" (Lam. I, 15). Deus, ou envia a morte ao pecador, ou o priva das graças abundantes (que sempre concede aos que aproveitam de sua misericórdia) e só lhe deixa a graça suficiente com que o pecador se poderia salvar, mas não se salva, porque estas graças DE SI SUFICIENTES, tornam-se, por culpa do pecador, INEFICAZES. Quando um pecador chega a perder o temor de Deus, não sente mais remorsos, seu coração já está empedernido, sua consciência já está cauterizada, aí só há trevas em sua alma e despreza a graça de Deus e só ama o que deveria odiar. Entrega-se inteiramente às suas paixões e assim morre. Muitas vezes, Deus nem os castiga neste mundo, porque esta vida de pecados é o seu maior castigo. Pode haver coisa mais terrível para um doente do que quando o médico diz (com sorriso forçado): não é caso de cirurgia, não precisa fazer mais dieta, nem precisa tomar mais remédio, pode ir para casa. É tão terrível que o médico não diz o motivo para o paciente. Mas chama os parentes e diz: infelizmente não há mais nada a fazer, é um câncer em fase terminal.

Se aquela figueira, encontrada estéril por seu dono, não desse fruto depois do ano concedido como prazo para cultivá-la, quem ousaria esperar que se lhe desse mais tempo e não fosse cortada. Santo Agostinho comenta: "Ó árvore infrutuosa! O golpe de derrubada não foi desferido mas diferido. Mas não creias mais segura, porque serás cortada! A pena foi adiada mas não suprimida. Se tornares a abusar da misericórdia divina, o castigo te atingirá: serás cortado. Esperas, portanto, que o próprio Deus te envie ao inferno? Mas, se te envia, já o sabes, jamais haverá remédio para ti. O Senhor se cala, mas não para sempre. Quando chega a hora da justiça, quebra o silêncio. "Isto fizeste, eu calei-me. Pensaste iniquamente que eu seria como tu; arguir-te-ei e porei (tudo) diante de teu rosto" (Salmo 49, 21).


Pelos merecimentos de vossa morte, ó caríssimo Redentor, concedei-me amor tão fervoroso que convosco me una estreitamente e jamais possa desprender-me de Vós. Ajudai-me, ó Virgem Maria, por vossa intercessão; alcançai-me a santa perseverança e ao amor para com Cristo Jesus. Amém!  

quinta-feira, 20 de julho de 2017

MALÍCIA DO PECADO MORTAL


"Criei filhos e engrandeci-os; mas eles me desprezaram" (Isaías I, 2).

Deus manifestou sua justiça propondo como vítima de propiciação a Seu Filho Jesus (cf. Rom. III, 25). E o divino Espírito Santo já havia declarado através do Profeta Isaías: "Será (o Messias) despedaçado por causa de nossos crimes". Jesus ressuscitado glorioso não sofre mais. Mas sendo também Deus já previu todos os pecados dos homens e por eles sofreu e morreu. Todo pecado fez Jesus sofrer.

O pecado mortal é uma ofensa grave que se faz a Deus. A malícia de uma ofensa , ensina Santo Tomás de Aquino, se mede pela pessoa que a recebe e pela pessoa que a comete. Assim, uma ofensa feita por um colega ao seu colega, é, sem dúvida, um mal; mas, se um súdito desacata o Rei, isto é muito mais grave. E quem é Deus? É o Rei dos reis (Apoc, XVII, 14). Deus é majestade infinita, perante quem todos os príncipes da terra e todos os santos e anjos do céu são menos que um grão de areia: "Todos os povos na Sua presença são como se não existissem, e ele considera como um nada, uma coisa que não existe" (Isaías XL, 17). Por outro lado, que é o homem? Responde São Bernardo: saco de vermes, pasto de vermes, que cedo o hão de devorar. O homem é um miserável que nada pode, um cego que nada vê; pobre e nu, que nada possui (Apoc, III, 17). E este verme miserável se atreve a injuriar a Deus? exclama o mesmo São Bernardo. Com razão, pois afirma Santo Tomás de Aquino, que o pecado do homem contém uma malícia quase infinita (S. Th. p. 3, q. 2, a. 2.). Santo Agostinho vai um pouco mais além e diz que, absolutamente, o pecado é UM MAL INFINITO. Na verdade, a gravidade de uma ofensa se mede pela dignidade da pessoa ofendida. Ora, o pecado ofende a Deus que é de uma DIGNIDADE INFINITA. Logo, sob este aspecto, é um mal INFINITO. Daí dizer o próprio Deus: "Delicta quis intelligit?" (Salmo 18, 13). Sendo o homem finito não poderá compreender toda gravidade do pecado mortal, porque é infinita.  E Santo Afonso conclui: "Todos os homens e todos os anjos não poderiam satisfazer por um só pecado, mesmo que se oferecessem à morte e ao aniquilamento. Deus castiga o pecado mortal com as penas terríveis do inferno; contudo esse castigo é, segundo dizem todos os teólogos, menor que a pena com que tal pecado deveria ser castigado". E alguns teólogos daí concluem que o inferno é eterno: sendo criatura, nunca poderá ser infinito. Mas a gravidade do pecado mortal é infinita. Como Deus é justo, a eternidade é algo infinito na duração.

Mas que pena bastará para castigar como merece um verme que se rebela contra seu Senhor? Somente Deus é Senhor de tudo, porque é o Criador de todas as coisas. Por isso, todas as criaturas lhe devem obediência. Mas o homem, quando peca, que faz senão dizer a Deus: Senhor, não quero servir-te. Deus diz: "Não te aposses dos bens alheios" e, no entanto rouba. "Abstém-te do prazer impuro, e o pecador não se resolve a privar-se dele. Lemos no Êxodo, V, 2 que quando Moisés comunicou a ordem de Deus de que Faraó desse liberdade ao povo de Israel, este ímpio respondeu: "Quem é o Senhor, para que eu obedeça à sua voz? ... Não conheço o Senhor". Caríssimos, o pecador diz a mesma coisa: Não conheço Senhor; eu sou senhor do meu querer; faço o que me agrada. Assim, na presença de Deus mesmo Lhe falta o respeito e se afasta d'Ele e nisto consiste propriamente o pecado mortal: o ato com o homem se afasta de Deus e se volta paras as criaturas. Quando o homem peca, ele levanta a mão como que ameaçando o Onipotente. 

"Tu desonras a Deus, transgredindo a lei" (Rom. II, 23). Além de ofender a Deus, também O desonra. Na verdade, renunciando à graça divina por um miserável prazer, menospreza e rejeita a amizade de Deus. E por conta de que? Diz o Espírito Santo: "Elas (falsas profetisas que perdem as almas) desonravam-Me diante do meu povo por um punhado de cevada e por um pedaço de pão, matando as almas" (Ezequiel XIII, 19). "Quando o pecador, diz Santo Afonso, começa a deliberar consigo mesmo se deve ou não dar consentimento ao pecado, toma, por assim dizer, em suas mãos, a balança e se põe a considerar o que pesa mais, se a graça de Deus ou a ira, a quimera, o prazer... E quando, por fim, dá o consentimento, declara que para ele vale mais aquela quimera ou aquele prazer que a amizade divina". Daí dizer Deus pela boca do profeta Isaías: "A quem me comparastes vós e me igualastes, diz o Santo?" (XL, 25). Ó pecador! terias pecado se soubesses que ao cometer o pecado perderias uma das mãos ou mil reais ou menos talvez? Só Deus parece tão vil a teus olhos que merece ser posposto a um ímpeto de cólera, a um gozo indigno.

Deus é o nosso único e último Fim. E, no entanto, quando o pecador, para satisfazer qualquer paixão, ofende a Deus, na verdade, converte em sua divindade essa paixão, porque nela põe o seu último fim. Daí dizer São Jerônimo: "Vício no coração é ídolo no altar". São Paulo diz chorando que para muitos o seu estômago é o seu deus: "Quorum Deus, venter est". Diz Santo Tomás de Aquino: "Se amas os prazeres, estes são teu deus". E São Cipriano: "Tudo quanto o homem antepõe a Deus, converte-o em seu deus".

O pecador sabe que Deus está em toda parte e que os vê. Mas injuriam-No e O desonram face a face. Dizem que uns povos pagãos na antiguidade consideravam o Sol o seu deus e por isso procuravam evitar o pecado durante o dia. Os cristãos que pecam gravemente, não apresentam nem esta sensibilidade pagã.

O pecador despreza tudo o que Jesus Cristo fez e sofreu para tirar o pecado do mundo. Na expressão de São Paulo, o pecador calca aos pés o Filho de Deus (cf. Hebr. X, 29). Diz Santo Afonso: "Bem sabe o pecador que Deus não pode harmonizar com o pecado. Bem vê que, pecando, obriga Deus a  afastar-se dele. Rigorosamente, é como se Lhe dissesse: Já que não podeis ficar com meu pecado e tende de afastar-vos de mim,  -  ide quando vos aprouver. E expulsando a Deus da alma, deixa entrar o inimigo que dela toma posse. Pela mesma porta por onde sai Deus, entra o demônio". Caríssimos, que mágoa não sentiríamos se recebêssemos grave ofensa duma pessoa, a quem tivéssemos feito grande benefício? Pois bem, esta mágoa e infinitamente maior o pecador causa a Deus, que chegou a dar sua vida para nos salvar.


Ó Jesus, não, nunca mais quero me separar de Vós! Dai-me a santa perseverança... Maria Santíssima, minha Mãe, socorrei-me sempre; rogai a Jesus por mim e alcançai-me a dita de jamais perder graça divina. Amém!

terça-feira, 18 de julho de 2017

A VIDA DO HOMEM É UMA VIAGEM PARA A ETERNIDADE


"Irá o homem à casa de sua eternidade" (Eclesiástico XII, 5).

"Morro todos os dias": São Paulo fala da morte mística, mas o mesmo podemos dizer da física. Somos como as velas acesas no altar: à medida que estão iluminando, estão simultaneamente se extinguindo. Enquanto vivemos e porque vivemos, estamos morrendo, caminhando para o fim desta vida passageira e aproximando-nos da vida que não passa, isto é, para a eternidade. "Não temos aqui cidade permanente, mas vamos buscando a futura" (Hebr. XIII, 14). A terra, portanto, não é nossa pátria, mas apenas lugar de trânsito. Como diz São Pedro, nós somos peregrinos e estrangeiros aqui neste mundo. Estamos viajando sem parar para a outra vida que não passa porque eterna. Ou feliz ou infeliz ETERNAMENTE! Assim um dia, uma cova será a morada no nosso corpo até o dia do Juízo Final no fim do mundo, e nossa alma, logo após o juízo particular que se dará logo após a morte, irá à casa da eternidade, ao céu, ou ao inferno. Por isso nos diz Santo Agostinho: "És hóspede que passa e vê. Néscio seria o viajante que, tendo de visitar de passagem um país, quisesse empregar ali todo o seu patrimônio na compra de imóveis, que ao cabo de poucos dias teria de abandonar. Considera, por conseguinte, que estás de passagem neste mundo, e não ponhas teu afeto naquilo que vês. Vê e passa, e procura uma boa morada, onde para sempre poderás viver".

Diz Santo Afonso: "Feliz de ti se te salvas!... quão formosa a glória!... Os palácios mais suntuosos dos reis são como choças em comparação à cidade celeste, única que se pode chamar Cidade de perfeita formosura (Lam. II, 15). Ali não haverá nada que desejar. Vivereis na gozosa companhia dos Santos, da divina Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo e sem recear nenhum mal. Vivereis, em suma, abismados num mar de alegrias, de contínua beatitude, que durará sempre": "Os remidos pelo Senhor voltarão e virão a Sião, cantando os seus louvores; e uma alegria eterna coroará a sua cabeça, possuirão gozo e alegria, e deles fugirá a dor e o gemido" (Isaías XXXV, 10). E esta alegria será tão grande e perfeita, que por toda a eternidade e em cada instante parecerá sempre nova... O que é infinito não se esgota, não enjoa. 

Mas há a eternidade infeliz. Não podemos omitir esta verdade, e, até, o devemos nela meditar para termos mais força para não pecar. "Desçamos vivos em espírito ao inferno para não descermos lá, depois da morte, com a alma; e no fim do mundo, também com o corpo por todo eternidade", dizia um santo.  Quem negar o inferno seria um herege. Jesus disse claramente: "A vós, pois, meus amigos, vos digo: Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, e depois nada mais podem fazer. Eu vos mostrarei a quem haveis de temer: temei aquele que, depois de matar, tem poder de lançar no inferno; sim eu vos digo, temei este" (S. Lucas XII, 4 e 5). Não menos claramente falou o divino Mestre ao discorrer sobre o Juízo Final: "Esses [os injustos] irão para o suplício eterno, os justos para a vida eterna"  (S. Mateus, XXV, 46). Nossa Senhora mostrou às três crianças de Fátima, o inferno como um mar de fogo. Quem se condenar sentir-se-á submerso neste mar de fogo, desesperado porque pensará a todo momento que dali não sairá jamais. E pior, ali o condenado estará privado eternamente da visão beatífica de Deus. Embora não possamos imaginar como é, a Teologia nos garante que esta pena chamada do dano, é a maior que possa existir: é pior que o fogo, e todos os demais tormentos possíveis. E o condenado sofre a eternidade dos tormentos, e o tormento da eternidade. Estará sempre pensando que aquele sofrimento nunca diminuirá nem acabará. É o peso da eternidade.

São João Crisóstomo, considerando que aquele rico, qualificado de feliz no mundo, foi logo condenado ao inferno, enquanto que Lázaro, tido como infeliz porque era pobre, foi depois felicíssimo no céu, exclama: "Ó infeliz felicidade, que trouxe ao rico eterna desventura!... Ó feliz desdita, que levou o pobre à felicidade eterna!"

Sou réprobo ou predestinado? Só depende de cada um querer. Queres morrer bem e ir para o Céu, viva bem! Tal vida, tal morte! É o que diz o Espírito Santo através de uma comparação: "Se a árvore cair para a parte do meio-dia, ou para a do norte, em qualquer lugar onde cair, aí ficará"  (Eclesiastes. XI, 3).  Assim, se a pessoa viver sempre voltado para Deus, quando sua alma sair do corpo, ficará com Deus; mas se ficou tombada para o lado do pecado onde está o demônio, quando vier a morte, ficará eternamente em companhia dos demônios: "Ide malditos para o fogo eterno, preparado para os demônios e seus SEGUIDORES" (S. Mateus, XXV, 41). "Irá o homem à casa de sua eternidade" (Eclesi. XII, 5). "IRA", para significar que cada qual há de ir à morada que quiser. Não será levado, mas irá por sua própria e livre vontade. "Deus quer certamente, afirma Santo Afonso, que nos salvemos todos; mas não quer salvar-nos à força. Põe diante de nós a vida e a morte (Ecles. XV, 18) e ser-nos-á dado o que escolhermos". Jeremias diz também o mesmo, acomodando aqui o sentido: "Isto diz o Senhor: Eis que ponho diante de vós o caminho da vida e o caminho da morte"  (Jeremias, XXI, 8). A nós cabe escolher. Mas quem se empenha em andar pela senda do inferno, como poderá chegar ao Céu? Exclama Santo Agostinho: "Quem será tão louco que tome veneno mortal com esperança de curar-se? No entanto, quantos insensatos se dão a morte a si próprios, pecando, e dizem: mais tarde pensarei no remédio... Ó deplorável ilusão, que a tantos tem arrastado ao inferno!" Dizia Santo Euquério: "Se tanto trabalho se dá o homem para adquirir uma casa cômoda, espaçosa, saudável e bem situada, como se tivesse certeza de que a poderia habitar durante toda a vida, por que se mostra tão descuidado quando se trata da casa que deve ocupar eternamente: "Negotium pro quo contendimus, aeternitas est. E dizia São Gregório Magno: "Em se tratando da eternidade, todo cuidado é pouco!". Quando Santo Tomás Morus foi condenado à morte por Henrique VIII, Luísa, sua esposa, procurou persuadi-lo a consentir no que o rei queria (aprovar o seu adultério). Tomás lhe replicou: Dize-me, Luísa: quanto tempo ainda poderei viver?  - Poderás viver ainda uns vinte anos - disse a esposa.  -  Oh! triste negócio!  -  exclamou então Tomás. Por vinte anos de vida na terra, querias que perdesse uma eternidade de ventura e que me condenasse à eterna desdita?" 


Caríssimos, se a doutrina da Eternidade (Céu e Inferno) fosse apenas uma opinião PROVÁVEL, ainda assim deveríamos procurar com empenho viver bem para não nos expormos, caso essa opinião fosse verdadeira, a ser eternamente infelizes. Mas esta doutrina e certíssima, é dogma de fé. O Divino Mestre falou, e muitas vezes, tanto sobre a existência do Céu, como sobre a do inferno. Reavivemos a nossa fé: "Creio na vida eterna!" Amém!

segunda-feira, 17 de julho de 2017

IMPORTÂNCIA DA SALVAÇÃO


"Que aproveitará a um homem ganhar todo o mundo, se vier a perder a sua alma? Ou que dará um homem em troca da sua alma?" (S. Mateus XVI, 26).
"Eu vos mostrarei a quem haveis de temer: temei aquele que, depois de matar, tem poder de lançar no inferno, sim, eu vos digo, temei este" (S. Lucas XII, 5).

A minha salvação é negócio todo meu. Se eu, pois, não trato dele, quem vai tratar dele por mim? E mais, é um negócio meu, e de mim todo, isto é, da minha alma e do meu corpo. Se salvo a minha alma, salvarei também o corpo que no fim do mundo será ressuscitado por Deus e subirá glorioso e imortal com Jesus para o Paraíso Eterno. Portanto a salvação é um negócio meu, de mim todo e por toda eternidade. Não se trata de uma dignidade, de um ofício, de um lucro temporal e que acabam ao muito com a morte. Santo Estanislau Kostkca, jovem de 16 anos, maltratado até fisicamente pelo seu irmão mais velho, por não querer acompanhá-lo nas festas mundanas, dizia: "Meu irmão perdes o tempo, não me posso resolver ao que queres; porque o meu negócio é superior a todos os demais negócios e é mais importante que tudo neste mundo, e é todo meu e de toda a eternidade; e este negócio é o da minha salvação".  

Segundo as palavras do Divino Mestre acima citadas, vemos que o negócio da salvação é, sem dúvida, o mais importante, e até devemos concluir que é o único necessário. Se alguém fosse tão grandioso e afamado, tão rico e que pudesse gozar todos os prazeres da carne como Salomão, mas, ao morrer, fosse para o inferno, que valeria tudo isto. Melhor seria a sorte do pobre Lázaro! E, no entanto, a maior parte das pessoas no mundo vive como se a morte, o juízo, o inferno, a glória e a eternidade não fossem verdades da fé, mas apenas fábulas inventadas pelos padres que seguem a Tradição. Hoje a gente lê na Internet como pessoas até choram, vivem com tranquilizantes quando perdem um animal de estimação como um cachorro, um macaco, uma vaca, um cavalo etc. Há casos em que a tristeza é tão grande que causa depressão, não se alimentam e nem dormem direito. E quantas diligências para encontrá-los! E, no entanto, muitos perdem a graça de Deus, e entretanto dormem, riem-se e gracejam!... Vendo-os como assim vivem, dir-se-ia que nunca hão de morrer ou nunca deverão prestar contas a Deus de suas vidas. Mesmo os poucos que ainda acreditam no inferno, não pensam nele e acabam perdendo-se. Os cuidados do mundo absorvem-nos e  nem pensam em suas almas. Os homens estão tão materializados que concentram toda sua atenção nas coisas da terra.
Persuadamo-nos, pois, diz Santo Afonso, de que a felicidade eterna é para nós o negócio MAIS IMPORTANTE, o negócio ÚNICO,o negócio IRREPARÁVEL se não o pudermos realizar. É, sem dúvida,, o negócio mais importante, porque é das mais graves consequências , em vista de se tratar da alma, e, perdendo-se esta, tudo está perdido. "Devemos estimar a alma como o mais precioso dos bens, dizia São João Crisóstomo: "Anima est toto mundo pretiosior". E caríssimo é só meditar um pouco sobre a alma para compreendermos o que estamos explicando: Deus criou a alma à Sua imagem e semelhança.  Deus sacrificou seu próprio Filho à morte para salvar nossas almas (S. João III, 16). O Verbo Eterno, o Filho Único de Deus, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, não vacilou em resgatá-las com seu próprio sangue (1 Cor. VI, 20). Daí esta palavra de Nosso Senhor Jesus Cristo: "Que dará o homem em troca de sua alma"? Na verdade, se alma tem assim tamanho valor, qual o bem do mundo que poderá dar em troca o homem que a vem perder? Por isso, São Filipe Nery chamava de louco ao homem que não trabalhava na salvação de sua alma.

Dizia Santo Afonso de Ligório: "Se houvesse na terra homens mortais [que acabassem como os animais]   e homens imortais [com um destino por toda eternidade] e aqueles vissem estes se aplicarem afanosamente às coisas do mundo, procurando honras, riquezas e prazeres terrenos, dir-lhes-iam sem dúvida: "Quanto sois insensatos! podeis adquirir bens eternos e só pensais nas coisas miseráveis e passageiras, condenando-vos a penas eternas na outra vida!... Deixai-os, pois; nesses bens só devem pensar os desventurados que, como nós, sabem que tudo se acaba com a morte!"...  E continua o Santo Doutor da Igreja: "Isto, porém, não é assim: todos somos imortais". Que loucura, portanto, a daqueles que, por causa dos miseráveis prazeres do mundo, perdem a sua alma? Não entendemos que os poucos cristãos que ainda creem no juízo, no inferno, na eternidade, possam viver sem receio de nenhuma dessas coisas? Basta morrer, e esta vem como um ladrão, e a pessoa entra na eternidade e não pode voltar atrás. Ou feliz ETERNAMENTE, ou infeliz ETERNAMENTE!

A salvação eterna não é só o mais importante, senão também o único negócio que nesta vida temos obrigação de cumprir: "Entretanto uma só coisa é necessária" (S. Lucas X, 42). São Bernardo deplora a cegueira dos cristãos que, qualificando de brinquedos infantis certos passatempos da infância, chamam negócios sérios suas  ocupações mundanas. Na verdade, maiores loucuras são as néscias puerilidades dos homens. Daí, caríssimos, a premente necessidade de meditarmos nesta advertência de Nosso Senhor Jesus Cristo: "Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro  se vier a perder sua alma?" (Mt XVI, 26). Perdida a alma, tudo está perdido: honras, divertimentos e riquezas . Ouçamos São Paulo: "Eis, pois, o que vos digo, irmãos: o tempo é breve; resta que os que têm mulheres, sejam como se as não tivessem; os que choram, como se não chorassem; os que compram, como se não possuíssem; os que  usam deste mundo, como se dele não usassem, porque a figura deste mundo passa como uma sombra". São Paulo exorta-nos a não termos apego a nada deste mundo, mesmo nas coisas permitas, porque devemos considerar os prazeres permitidos no matrimônio, os bens adquiridos com justiça, enfim todas as coisas agradáveis e também desagradáveis deste mundo,  como sombras, mas, além disso, não sombras permanentes, mas passageiras. 

Caríssimos, para alcançar a salvação é necessário que, na hora da morte, apareça a nossa vida semelhante à de Nosso Senhor Jesus Cristo: "Os que Ele (Deus) conheceu na sua presciência, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho..." (Rom. VIII, 29).  Para este fim devemos esforçar-nos em evitar as ocasiões perigosas e empregar os meios necessários para conseguir a salvação. Se chegarmos na praça das cidades e perguntarmos aos presentes: quem aí quer ganhar o Céu, ser feliz por toda eternidade? Todos responderão que sim. Mas quase todos, para não dizer todos, querem-no mais desde que seja sem o menor incômodo. Querem seguir a dois senhores ao mesmo tempo. Mas Jesus disse que isto é impossível e o Reino do Céu terá que ser conquistado com uma força de vontade em renunciar-se a si mesmo.

A salvação da alma, além de ser um negócio o mais importante, um negócio único, vamos ver agora afinal que é também um negócio IRREPARÁVEL. Caríssimos todos os erros de nossa vida podem ser reparados, mas se a pessoa errar quanto à sua salvação, então, não há como reparar este erro. Depois da morte, não se volta atrás. "Foi estabelecido a todo homem morrer uma só vez, e depois virá o juízo" (Hebr. IX, 27). O Espírito Santo condena a heresia espírita da reencarnação. Para quem se condena, não há possibilidade de remédio. Morre-se uma vez, e perdida uma vez a alma, está perdida para sempre. Disse Santa Teresa d'Ávila: "Se alguém perde, por sua culpa, um vestido, um anel ou outro objeto, perde a tranquilidade e, às vezes, não come nem dorme. Qual será, pois, ó meu Deus a angústia do condenado quando, ao entrar no inferno, se vir sepultado naquele cárcere de tormentos, e, atendendo à sua desgraça, considerar que durante toda a eternidade não há de chegar remédio algum! Sem dúvida exclamará: Perdi a alma e o paraíso, perdi a Deus; tudo perdi para sempre, e por que? por minha culpa!".

O demônio, pai da mentira, procura incutir no pecador apegado ao pecado, o seguinte pensamento: depois me confessarei, mais tarde mudarei de vida. E quantos, por causa dessa maldita esperança, se condenam! Aqui vale a advertência de São Paulo: "De Deus não se zomba! o que o homem semear, isso irá colher" (Gálatas, VI, 7). Depois, devemos considerar que a esperança dos obstinados no pecado não é esperança, mas sim presunção e ilusão que não promovem a misericórdia divina, mas provocam a justa indignação do Juiz Supremo. "Se dizes, observa Santo Afonso, que presentemente não estás em estado de resistir às tentações, à paixão dominante, como resistirás mais tarde, quando, em vez de aumentar, te faltará a força pelo hábito de pecar? Por uma parte a alma estará mais cega e mais endurecida na malícia, e por outra faltar-lhe-á o auxílio divino". Deus dá a graça suficiente, mas, por culpa do pecador, esta graça tornar-se-á ineficaz.


Ah!, meu Jesus! peço-vos amor e dor e estas graças unidas à da perseverança até à morte e vo-las peço através de Maria Santíssima. Ouvi-me por aquele amor que vos fez sacrificar por mim a vida no Calvário. Amém!

segunda-feira, 10 de julho de 2017

LAMENTOS DE JESUS À ALMA TÍBIA

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Com todo direito, Jesus na Eucaristia, Corpo, Sangue, Alma e Divindade, espera dos penitentes e comungantes uma fé mais viva e um amor mais ardente. Sobretudo nestes dois sacramentos,  Confissão e  Comunhão,  a tibieza causa náuseas a Nosso Senhor Jesus Cristo. Pois, no Sacramento da Penitência Jesus, com seu Sangue divino, lava com todo amor a alma do penitente. É o Sacramento, obra-prima da  Sua misericórdia. Na Eucaristia, Jesus se nos dá inteiramente como alimento para nos fortalecer, vivendo unidos estreitamente a Ele. Fica também no Sacrário para ser o nosso confidente. Se temos fé viva na presença real de Jesus na Eucaristia, não há explicação para comunhões frias, não tem explicação para umas visitas tão raras e rápidas. Jesus Cristo merece mais amor, aliás todo nosso amor, um amor ardente! Vamos meditar nos lamentos que Jesus faz, e com toda razão, às almas frias, tíbias e de amor medíocre.


JESUS CRISTO:  Eu desejo ver-te, ó alma remida e lavada pelo meu Sangue, com um coração mais contrito, mais cheio de dor, por ter Me ofendido, mesmo quando só com pecados veniais, mas plenamente deliberados. É muito de temer, ó alma remida com Meu Sangue, que caias, e pior, que permaneças na tibieza. É preciso ter muito cuidado para não cair na rotina, isto é, confessar-se e comungar mais por costume, quase por uma simples formalidade. E se a confissão é feita com tibieza, igualmente farás a comunhão. Desejo, ó alma minha remida, ver-te muitas vezes a meus pés, e desejo ainda mais entrar no teu coração. Às vezes, porém, quase que me fazes arrepender deste meu desejo. Vens à minha presença para adorar-me e fazer a Comunhão com tão poucas disposições, que quase me arrependeria de te ter chamado. Não quero dizer que tu cometas sacrilégios, não; mas poderias ser muito mais fervorosa do que és. Não pretendo de ti virtudes heroicamente extraordinárias, porque não tens ainda ânimo para tanto. Esse é o ideal! Mas pelo menos por enquanto é preciso que faças alguma violência ao teu caráter, um pouco mais de atenção na oração, em pouco de empenho em corrigir-te dos teus defeitos. Talvez, ó alma remida pelo Meu Sangue, achas estas coisas muito difíceis. Pensa, minha filha, que Eu não poupei nada por teu amor, derramei todo o meu Sangue para tua salvação. Quero que este Sangue continue a inebriar-te dum amor ardente. No entanto, vens à Comunhão, não digo com uma vontade má, mas com uma vontade entorpecida. Pretenderias que Eu fizesse tudo com a minha graça, e fizesse de ti uma santa alma sem exigir-te esforço algum e muito menos um sacrifício? Desejarias vir aqui, adormecer-te sobre o meu Coração e depois de meia hora despertares já toda outra, com as tuas paixões subjugadas com uma espécie de imunidade de toda a tentação, com uma natureza totalmente inclinada ao bem? Desde que tenhas evitado o pecado mortal, fazendo uma preparação qualquer, vens ter comigo julgando teres feito o bastante, e esperas que Eu te infunda no coração uma santidade já pronta e acabada? Como te enganas!... Para que a Comunhão produza efeitos grandes, é preciso dispor-se com uma vontade um pouco mais enérgica que a tua. Não quero dizer que seja preciso uma preparação extraordinária à maneira dos santos, mas ao menos deves fazer aquilo que podes, e fazê-lo todo. Não se chega às alturas dos santos, de uma vez. Mas para lá chegar é preciso esforço contínuo. Por exemplo: durante o dia, algum ato de virtude podes fazê-lo se quiseres que a ocasião não te falta. Portanto, desperta-te deste sono da tibieza, e quando se te apresentar oportunidade de calar, de humilhar-te, de mortificar-te, de usares de caridade, de perdoares uma ofensa, de seres gentil para com uma pessoa antipática, não a deixes passar em vão; e pensa que vindo à Comunhão apresentando-me algum destes atos de virtude, dar-Me-ás muito mais satisfação do que recitando-Me muitas orações... As palavras agradam-Me, mas as virtudes enamoram-Me. Portanto, ó alma querida remida por Meu Sangue, se queres realmente que Eu me enamore de ti, sê um pouco mais virtuosa, e consegui-lo-ás. Amém!

sábado, 8 de julho de 2017

O SANGUE DE JESUS E A COMUNHÃO


LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Na preparação para o comunhão.

Na Hóstia Consagrada, ó meu dulcíssimo Jesus, eu Vos contemplo como quando estavas sobre a Cruz na hora do grande sacrifício. Oh! com qual púrpura Vos adornais sobre o trono do Vosso amor! Sangue,,, Sangue... Sangue... desde a extremidade dos pés até ao vértice da cabeça é tudo uma ferida... O Sangue corre de mil chagas... Madalena apoiada sobre o pé da Cruz salpicada deste Sangue, os anjos vindos do Céu recolhem-no em cálices de ouro... Ó Jesus, de todo este Sangue não haverá um pouco também para mim? Estou tão sedento!... não poderíeis derramar também um pouco no cálice do meu coração? Bastar-me-ia uma gota, dai-me, ó Jesus, esta gota de Vosso Preciosíssimo Sangue redentor e purificador!

À vista de tanto Sangue eu deveria fugir para longe, como da presença dum meu delito, como Caim fugiu ao ver o sangue de Abel, porque fui eu que vo-Lo tirei das veias na hora da minha insensatez e da minha loucura. Contudo, embora Ele me grite bem alto com voz de reprovação, eu sei que é muito mais forte a voz do Vosso amor. Dei-Vos a morte, ó Jesus; contudo Vós amais-me sempre. Dei-Vos a morte, mas sabeis que estou arrependido da minha crueldade, sabeis que tenho chorado os meus pecados e que quisera apagar-lhes as mais leves manchas mesmo que fosse preciso sacrificar-me totalmente por Vós. Dei-vos a morte, mas Vós já me perdoastes, e estais prestes a vir visitar-me e tratar-me com tal ternura como se eu nunca Vos tivesse ofendido. Aqui estou como Madalena ao pé da vossa Cruz. Quereis que a lembrança e o testemunho do meu delito se convertam em prova do Vosso amor e da minha felicidade; quereis que aquele Sangue que a minha insensatez Vos fez sair das veias desça ao meu coração a levar-lhe o calor da sua ternura. Espero que digais de mim o mesmo que dissestes de Maria Madalena: "Muitos pecados lhe foram perdoados, porque muito amou! Assim, ó Jesus, espero-Vos, desejo-Vos, quero ter a suma dita de ter-Vos sempre juntinho do meu coração.

Fico encantado em ver a sorte das santas mulheres do Calvário; quero também eu experimentar o que seja aquele Sangue que, ó Jesus, Vos caiu abundante das mãos, dos pés, da fronte, do Coração, que corre copioso a santificar as almas. Quero também eu ver até onde chega a Vossa generosidade em derramá-Lo pela salvação do mundo... quero ser ainda mais venturoso que aquelas piedosas mulheres. Elas viram o Vosso Sangue com os olhos, eu quero recebê-Lo em meu coração, pois, na Hóstia Consagrada está também o Sangue de Jesus. As santas mulheres recolheram talvez algumas gotas e levaram-nas consigo depois da Vossa morte, ó Jesus. Eu quero recolhê-Lo todo e tê-Lo comigo enquanto me durar a vida: elas ajudaram Maria a lavar as manchas de Sangue do Vosso Corpo depois que morrestes e fostes descido da Cruz; eu, pelo contrário, quero que o Vosso Corpo fique unido ao Vosso Sangue, e que um e outro alimentem a minha alma; elas viram-No, contemplaram-No, mas com os olhos cheios de lágrimas e o coração despedaçado pela dor; eu, pelo contrário, quero gostá-lo, inebriar-me de amor com Ele, para gozar comigo uma hora de felicidade santa e celestial.


E vós, ó Jesus, não vindes de boa vontade dar-me o Vosso Sangue? Mas a quem o dareis senão a uma alma que tanto O deseja e que tanto necessita d'Ele? Se me prometestes que me tornaríeis participante do Vosso reino, não é justo que eu participe também da Vossa púrpura? Ó Jesus, desejo ardentemente a Vossa vinda ao meu coração! Espero que nele estareis melhor que no Calvário. Lá o Vosso Sangue caiu em parte sobre um tronco duríssimo da cruz, em parte sobre um terreno sem sentimento nem beleza, e quem sabe quanto não terão os algozes calcado aos pés! No meu coração não encontrareis por certo aquela dureza, nem Vos farei um acolhimento insensato, ninguém ousará calcá-Lo aos pés, não, não, pela vossa graça; nem uma só gota será profanada, mas todo, todo será recolhido, adorado, amado com a ternura devota dum coração que quer viver todo realmente inebriado de amor por Vós, ó dulcíssimo Jesus. Amém!