SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

quinta-feira, 20 de julho de 2017

MALÍCIA DO PECADO MORTAL


"Criei filhos e engrandeci-os; mas eles me desprezaram" (Isaías I, 2).

Deus manifestou sua justiça propondo como vítima de propiciação a Seu Filho Jesus (cf. Rom. III, 25). E o divino Espírito Santo já havia declarado através do Profeta Isaías: "Será (o Messias) despedaçado por causa de nossos crimes". Jesus ressuscitado glorioso não sofre mais. Mas sendo também Deus já previu todos os pecados dos homens e por eles sofreu e morreu. Todo pecado fez Jesus sofrer.

O pecado mortal é uma ofensa grave que se faz a Deus. A malícia de uma ofensa , ensina Santo Tomás de Aquino, se mede pela pessoa que a recebe e pela pessoa que a comete. Assim, uma ofensa feita por um colega ao seu colega, é, sem dúvida, um mal; mas, se um súdito desacata o Rei, isto é muito mais grave. E quem é Deus? É o Rei dos reis (Apoc, XVII, 14). Deus é majestade infinita, perante quem todos os príncipes da terra e todos os santos e anjos do céu são menos que um grão de areia: "Todos os povos na Sua presença são como se não existissem, e ele considera como um nada, uma coisa que não existe" (Isaías XL, 17). Por outro lado, que é o homem? Responde São Bernardo: saco de vermes, pasto de vermes, que cedo o hão de devorar. O homem é um miserável que nada pode, um cego que nada vê; pobre e nu, que nada possui (Apoc, III, 17). E este verme miserável se atreve a injuriar a Deus? exclama o mesmo São Bernardo. Com razão, pois afirma Santo Tomás de Aquino, que o pecado do homem contém uma malícia quase infinita (S. Th. p. 3, q. 2, a. 2.). Santo Agostinho vai um pouco mais além e diz que, absolutamente, o pecado é UM MAL INFINITO. Na verdade, a gravidade de uma ofensa se mede pela dignidade da pessoa ofendida. Ora, o pecado ofende a Deus que é de uma DIGNIDADE INFINITA. Logo, sob este aspecto, é um mal INFINITO. Daí dizer o próprio Deus: "Delicta quis intelligit?" (Salmo 18, 13). Sendo o homem finito não poderá compreender toda gravidade do pecado mortal, porque é infinita.  E Santo Afonso conclui: "Todos os homens e todos os anjos não poderiam satisfazer por um só pecado, mesmo que se oferecessem à morte e ao aniquilamento. Deus castiga o pecado mortal com as penas terríveis do inferno; contudo esse castigo é, segundo dizem todos os teólogos, menor que a pena com que tal pecado deveria ser castigado". E alguns teólogos daí concluem que o inferno é eterno: sendo criatura, nunca poderá ser infinito. Mas a gravidade do pecado mortal é infinita. Como Deus é justo, a eternidade é algo infinito na duração.

Mas que pena bastará para castigar como merece um verme que se rebela contra seu Senhor? Somente Deus é Senhor de tudo, porque é o Criador de todas as coisas. Por isso, todas as criaturas lhe devem obediência. Mas o homem, quando peca, que faz senão dizer a Deus: Senhor, não quero servir-te. Deus diz: "Não te aposses dos bens alheios" e, no entanto rouba. "Abstém-te do prazer impuro, e o pecador não se resolve a privar-se dele. Lemos no Êxodo, V, 2 que quando Moisés comunicou a ordem de Deus de que Faraó desse liberdade ao povo de Israel, este ímpio respondeu: "Quem é o Senhor, para que eu obedeça à sua voz? ... Não conheço o Senhor". Caríssimos, o pecador diz a mesma coisa: Não conheço Senhor; eu sou senhor do meu querer; faço o que me agrada. Assim, na presença de Deus mesmo Lhe falta o respeito e se afasta d'Ele e nisto consiste propriamente o pecado mortal: o ato com o homem se afasta de Deus e se volta paras as criaturas. Quando o homem peca, ele levanta a mão como que ameaçando o Onipotente. 

"Tu desonras a Deus, transgredindo a lei" (Rom. II, 23). Além de ofender a Deus, também O desonra. Na verdade, renunciando à graça divina por um miserável prazer, menospreza e rejeita a amizade de Deus. E por conta de que? Diz o Espírito Santo: "Elas (falsas profetisas que perdem as almas) desonravam-Me diante do meu povo por um punhado de cevada e por um pedaço de pão, matando as almas" (Ezequiel XIII, 19). "Quando o pecador, diz Santo Afonso, começa a deliberar consigo mesmo se deve ou não dar consentimento ao pecado, toma, por assim dizer, em suas mãos, a balança e se põe a considerar o que pesa mais, se a graça de Deus ou a ira, a quimera, o prazer... E quando, por fim, dá o consentimento, declara que para ele vale mais aquela quimera ou aquele prazer que a amizade divina". Daí dizer Deus pela boca do profeta Isaías: "A quem me comparastes vós e me igualastes, diz o Santo?" (XL, 25). Ó pecador! terias pecado se soubesses que ao cometer o pecado perderias uma das mãos ou mil reais ou menos talvez? Só Deus parece tão vil a teus olhos que merece ser posposto a um ímpeto de cólera, a um gozo indigno.

Deus é o nosso único e último Fim. E, no entanto, quando o pecador, para satisfazer qualquer paixão, ofende a Deus, na verdade, converte em sua divindade essa paixão, porque nela põe o seu último fim. Daí dizer São Jerônimo: "Vício no coração é ídolo no altar". São Paulo diz chorando que para muitos o seu estômago é o seu deus: "Quorum Deus, venter est". Diz Santo Tomás de Aquino: "Se amas os prazeres, estes são teu deus". E São Cipriano: "Tudo quanto o homem antepõe a Deus, converte-o em seu deus".

O pecador sabe que Deus está em toda parte e que os vê. Mas injuriam-No e O desonram face a face. Dizem que uns povos pagãos na antiguidade consideravam o Sol o seu deus e por isso procuravam evitar o pecado durante o dia. Os cristãos que pecam gravemente, não apresentam nem esta sensibilidade pagã.

O pecador despreza tudo o que Jesus Cristo fez e sofreu para tirar o pecado do mundo. Na expressão de São Paulo, o pecador calca aos pés o Filho de Deus (cf. Hebr. X, 29). Diz Santo Afonso: "Bem sabe o pecador que Deus não pode harmonizar com o pecado. Bem vê que, pecando, obriga Deus a  afastar-se dele. Rigorosamente, é como se Lhe dissesse: Já que não podeis ficar com meu pecado e tende de afastar-vos de mim,  -  ide quando vos aprouver. E expulsando a Deus da alma, deixa entrar o inimigo que dela toma posse. Pela mesma porta por onde sai Deus, entra o demônio". Caríssimos, que mágoa não sentiríamos se recebêssemos grave ofensa duma pessoa, a quem tivéssemos feito grande benefício? Pois bem, esta mágoa e infinitamente maior o pecador causa a Deus, que chegou a dar sua vida para nos salvar.


Ó Jesus, não, nunca mais quero me separar de Vós! Dai-me a santa perseverança... Maria Santíssima, minha Mãe, socorrei-me sempre; rogai a Jesus por mim e alcançai-me a dita de jamais perder graça divina. Amém!

terça-feira, 18 de julho de 2017

A VIDA DO HOMEM É UMA VIAGEM PARA A ETERNIDADE


"Irá o homem à casa de sua eternidade" (Eclesiástico XII, 5).

"Morro todos os dias": São Paulo fala da morte mística, mas o mesmo podemos dizer da física. Somos como as velas acesas no altar: à medida que estão iluminando, estão simultaneamente se extinguindo. Enquanto vivemos e porque vivemos, estamos morrendo, caminhando para o fim desta vida passageira e aproximando-nos da vida que não passa, isto é, para a eternidade. "Não temos aqui cidade permanente, mas vamos buscando a futura" (Hebr. XIII, 14). A terra, portanto, não é nossa pátria, mas apenas lugar de trânsito. Como diz São Pedro, nós somos peregrinos e estrangeiros aqui neste mundo. Estamos viajando sem parar para a outra vida que não passa porque eterna. Ou feliz ou infeliz ETERNAMENTE! Assim um dia, uma cova será a morada no nosso corpo até o dia do Juízo Final no fim do mundo, e nossa alma, logo após o juízo particular que se dará logo após a morte, irá à casa da eternidade, ao céu, ou ao inferno. Por isso nos diz Santo Agostinho: "És hóspede que passa e vê. Néscio seria o viajante que, tendo de visitar de passagem um país, quisesse empregar ali todo o seu patrimônio na compra de imóveis, que ao cabo de poucos dias teria de abandonar. Considera, por conseguinte, que estás de passagem neste mundo, e não ponhas teu afeto naquilo que vês. Vê e passa, e procura uma boa morada, onde para sempre poderás viver".

Diz Santo Afonso: "Feliz de ti se te salvas!... quão formosa a glória!... Os palácios mais suntuosos dos reis são como choças em comparação à cidade celeste, única que se pode chamar Cidade de perfeita formosura (Lam. II, 15). Ali não haverá nada que desejar. Vivereis na gozosa companhia dos Santos, da divina Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo e sem recear nenhum mal. Vivereis, em suma, abismados num mar de alegrias, de contínua beatitude, que durará sempre": "Os remidos pelo Senhor voltarão e virão a Sião, cantando os seus louvores; e uma alegria eterna coroará a sua cabeça, possuirão gozo e alegria, e deles fugirá a dor e o gemido" (Isaías XXXV, 10). E esta alegria será tão grande e perfeita, que por toda a eternidade e em cada instante parecerá sempre nova... O que é infinito não se esgota, não enjoa. 

Mas há a eternidade infeliz. Não podemos omitir esta verdade, e, até, o devemos nela meditar para termos mais força para não pecar. "Desçamos vivos em espírito ao inferno para não descermos lá, depois da morte, com a alma; e no fim do mundo, também com o corpo por todo eternidade", dizia um santo.  Quem negar o inferno seria um herege. Jesus disse claramente: "A vós, pois, meus amigos, vos digo: Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, e depois nada mais podem fazer. Eu vos mostrarei a quem haveis de temer: temei aquele que, depois de matar, tem poder de lançar no inferno; sim eu vos digo, temei este" (S. Lucas XII, 4 e 5). Não menos claramente falou o divino Mestre ao discorrer sobre o Juízo Final: "Esses [os injustos] irão para o suplício eterno, os justos para a vida eterna"  (S. Mateus, XXV, 46). Nossa Senhora mostrou às três crianças de Fátima, o inferno como um mar de fogo. Quem se condenar sentir-se-á submerso neste mar de fogo, desesperado porque pensará a todo momento que dali não sairá jamais. E pior, ali o condenado estará privado eternamente da visão beatífica de Deus. Embora não possamos imaginar como é, a Teologia nos garante que esta pena chamada do dano, é a maior que possa existir: é pior que o fogo, e todos os demais tormentos possíveis. E o condenado sofre a eternidade dos tormentos, e o tormento da eternidade. Estará sempre pensando que aquele sofrimento nunca diminuirá nem acabará. É o peso da eternidade.

São João Crisóstomo, considerando que aquele rico, qualificado de feliz no mundo, foi logo condenado ao inferno, enquanto que Lázaro, tido como infeliz porque era pobre, foi depois felicíssimo no céu, exclama: "Ó infeliz felicidade, que trouxe ao rico eterna desventura!... Ó feliz desdita, que levou o pobre à felicidade eterna!"

Sou réprobo ou predestinado? Só depende de cada um querer. Queres morrer bem e ir para o Céu, viva bem! Tal vida, tal morte! É o que diz o Espírito Santo através de uma comparação: "Se a árvore cair para a parte do meio-dia, ou para a do norte, em qualquer lugar onde cair, aí ficará"  (Eclesiastes. XI, 3).  Assim, se a pessoa viver sempre voltado para Deus, quando sua alma sair do corpo, ficará com Deus; mas se ficou tombada para o lado do pecado onde está o demônio, quando vier a morte, ficará eternamente em companhia dos demônios: "Ide malditos para o fogo eterno, preparado para os demônios e seus SEGUIDORES" (S. Mateus, XXV, 41). "Irá o homem à casa de sua eternidade" (Eclesi. XII, 5). "IRA", para significar que cada qual há de ir à morada que quiser. Não será levado, mas irá por sua própria e livre vontade. "Deus quer certamente, afirma Santo Afonso, que nos salvemos todos; mas não quer salvar-nos à força. Põe diante de nós a vida e a morte (Ecles. XV, 18) e ser-nos-á dado o que escolhermos". Jeremias diz também o mesmo, acomodando aqui o sentido: "Isto diz o Senhor: Eis que ponho diante de vós o caminho da vida e o caminho da morte"  (Jeremias, XXI, 8). A nós cabe escolher. Mas quem se empenha em andar pela senda do inferno, como poderá chegar ao Céu? Exclama Santo Agostinho: "Quem será tão louco que tome veneno mortal com esperança de curar-se? No entanto, quantos insensatos se dão a morte a si próprios, pecando, e dizem: mais tarde pensarei no remédio... Ó deplorável ilusão, que a tantos tem arrastado ao inferno!" Dizia Santo Euquério: "Se tanto trabalho se dá o homem para adquirir uma casa cômoda, espaçosa, saudável e bem situada, como se tivesse certeza de que a poderia habitar durante toda a vida, por que se mostra tão descuidado quando se trata da casa que deve ocupar eternamente: "Negotium pro quo contendimus, aeternitas est. E dizia São Gregório Magno: "Em se tratando da eternidade, todo cuidado é pouco!". Quando Santo Tomás Morus foi condenado à morte por Henrique VIII, Luísa, sua esposa, procurou persuadi-lo a consentir no que o rei queria (aprovar o seu adultério). Tomás lhe replicou: Dize-me, Luísa: quanto tempo ainda poderei viver?  - Poderás viver ainda uns vinte anos - disse a esposa.  -  Oh! triste negócio!  -  exclamou então Tomás. Por vinte anos de vida na terra, querias que perdesse uma eternidade de ventura e que me condenasse à eterna desdita?" 


Caríssimos, se a doutrina da Eternidade (Céu e Inferno) fosse apenas uma opinião PROVÁVEL, ainda assim deveríamos procurar com empenho viver bem para não nos expormos, caso essa opinião fosse verdadeira, a ser eternamente infelizes. Mas esta doutrina e certíssima, é dogma de fé. O Divino Mestre falou, e muitas vezes, tanto sobre a existência do Céu, como sobre a do inferno. Reavivemos a nossa fé: "Creio na vida eterna!" Amém!

segunda-feira, 17 de julho de 2017

IMPORTÂNCIA DA SALVAÇÃO


"Que aproveitará a um homem ganhar todo o mundo, se vier a perder a sua alma? Ou que dará um homem em troca da sua alma?" (S. Mateus XVI, 26).
"Eu vos mostrarei a quem haveis de temer: temei aquele que, depois de matar, tem poder de lançar no inferno, sim, eu vos digo, temei este" (S. Lucas XII, 5).

A minha salvação é negócio todo meu. Se eu, pois, não trato dele, quem vai tratar dele por mim? E mais, é um negócio meu, e de mim todo, isto é, da minha alma e do meu corpo. Se salvo a minha alma, salvarei também o corpo que no fim do mundo será ressuscitado por Deus e subirá glorioso e imortal com Jesus para o Paraíso Eterno. Portanto a salvação é um negócio meu, de mim todo e por toda eternidade. Não se trata de uma dignidade, de um ofício, de um lucro temporal e que acabam ao muito com a morte. Santo Estanislau Kostkca, jovem de 16 anos, maltratado até fisicamente pelo seu irmão mais velho, por não querer acompanhá-lo nas festas mundanas, dizia: "Meu irmão perdes o tempo, não me posso resolver ao que queres; porque o meu negócio é superior a todos os demais negócios e é mais importante que tudo neste mundo, e é todo meu e de toda a eternidade; e este negócio é o da minha salvação".  

Segundo as palavras do Divino Mestre acima citadas, vemos que o negócio da salvação é, sem dúvida, o mais importante, e até devemos concluir que é o único necessário. Se alguém fosse tão grandioso e afamado, tão rico e que pudesse gozar todos os prazeres da carne como Salomão, mas, ao morrer, fosse para o inferno, que valeria tudo isto. Melhor seria a sorte do pobre Lázaro! E, no entanto, a maior parte das pessoas no mundo vive como se a morte, o juízo, o inferno, a glória e a eternidade não fossem verdades da fé, mas apenas fábulas inventadas pelos padres que seguem a Tradição. Hoje a gente lê na Internet como pessoas até choram, vivem com tranquilizantes quando perdem um animal de estimação como um cachorro, um macaco, uma vaca, um cavalo etc. Há casos em que a tristeza é tão grande que causa depressão, não se alimentam e nem dormem direito. E quantas diligências para encontrá-los! E, no entanto, muitos perdem a graça de Deus, e entretanto dormem, riem-se e gracejam!... Vendo-os como assim vivem, dir-se-ia que nunca hão de morrer ou nunca deverão prestar contas a Deus de suas vidas. Mesmo os poucos que ainda acreditam no inferno, não pensam nele e acabam perdendo-se. Os cuidados do mundo absorvem-nos e  nem pensam em suas almas. Os homens estão tão materializados que concentram toda sua atenção nas coisas da terra.
Persuadamo-nos, pois, diz Santo Afonso, de que a felicidade eterna é para nós o negócio MAIS IMPORTANTE, o negócio ÚNICO,o negócio IRREPARÁVEL se não o pudermos realizar. É, sem dúvida,, o negócio mais importante, porque é das mais graves consequências , em vista de se tratar da alma, e, perdendo-se esta, tudo está perdido. "Devemos estimar a alma como o mais precioso dos bens, dizia São João Crisóstomo: "Anima est toto mundo pretiosior". E caríssimo é só meditar um pouco sobre a alma para compreendermos o que estamos explicando: Deus criou a alma à Sua imagem e semelhança.  Deus sacrificou seu próprio Filho à morte para salvar nossas almas (S. João III, 16). O Verbo Eterno, o Filho Único de Deus, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, não vacilou em resgatá-las com seu próprio sangue (1 Cor. VI, 20). Daí esta palavra de Nosso Senhor Jesus Cristo: "Que dará o homem em troca de sua alma"? Na verdade, se alma tem assim tamanho valor, qual o bem do mundo que poderá dar em troca o homem que a vem perder? Por isso, São Filipe Nery chamava de louco ao homem que não trabalhava na salvação de sua alma.

Dizia Santo Afonso de Ligório: "Se houvesse na terra homens mortais [que acabassem como os animais]   e homens imortais [com um destino por toda eternidade] e aqueles vissem estes se aplicarem afanosamente às coisas do mundo, procurando honras, riquezas e prazeres terrenos, dir-lhes-iam sem dúvida: "Quanto sois insensatos! podeis adquirir bens eternos e só pensais nas coisas miseráveis e passageiras, condenando-vos a penas eternas na outra vida!... Deixai-os, pois; nesses bens só devem pensar os desventurados que, como nós, sabem que tudo se acaba com a morte!"...  E continua o Santo Doutor da Igreja: "Isto, porém, não é assim: todos somos imortais". Que loucura, portanto, a daqueles que, por causa dos miseráveis prazeres do mundo, perdem a sua alma? Não entendemos que os poucos cristãos que ainda creem no juízo, no inferno, na eternidade, possam viver sem receio de nenhuma dessas coisas? Basta morrer, e esta vem como um ladrão, e a pessoa entra na eternidade e não pode voltar atrás. Ou feliz ETERNAMENTE, ou infeliz ETERNAMENTE!

A salvação eterna não é só o mais importante, senão também o único negócio que nesta vida temos obrigação de cumprir: "Entretanto uma só coisa é necessária" (S. Lucas X, 42). São Bernardo deplora a cegueira dos cristãos que, qualificando de brinquedos infantis certos passatempos da infância, chamam negócios sérios suas  ocupações mundanas. Na verdade, maiores loucuras são as néscias puerilidades dos homens. Daí, caríssimos, a premente necessidade de meditarmos nesta advertência de Nosso Senhor Jesus Cristo: "Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro  se vier a perder sua alma?" (Mt XVI, 26). Perdida a alma, tudo está perdido: honras, divertimentos e riquezas . Ouçamos São Paulo: "Eis, pois, o que vos digo, irmãos: o tempo é breve; resta que os que têm mulheres, sejam como se as não tivessem; os que choram, como se não chorassem; os que compram, como se não possuíssem; os que  usam deste mundo, como se dele não usassem, porque a figura deste mundo passa como uma sombra". São Paulo exorta-nos a não termos apego a nada deste mundo, mesmo nas coisas permitas, porque devemos considerar os prazeres permitidos no matrimônio, os bens adquiridos com justiça, enfim todas as coisas agradáveis e também desagradáveis deste mundo,  como sombras, mas, além disso, não sombras permanentes, mas passageiras. 

Caríssimos, para alcançar a salvação é necessário que, na hora da morte, apareça a nossa vida semelhante à de Nosso Senhor Jesus Cristo: "Os que Ele (Deus) conheceu na sua presciência, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho..." (Rom. VIII, 29).  Para este fim devemos esforçar-nos em evitar as ocasiões perigosas e empregar os meios necessários para conseguir a salvação. Se chegarmos na praça das cidades e perguntarmos aos presentes: quem aí quer ganhar o Céu, ser feliz por toda eternidade? Todos responderão que sim. Mas quase todos, para não dizer todos, querem-no mais desde que seja sem o menor incômodo. Querem seguir a dois senhores ao mesmo tempo. Mas Jesus disse que isto é impossível e o Reino do Céu terá que ser conquistado com uma força de vontade em renunciar-se a si mesmo.

A salvação da alma, além de ser um negócio o mais importante, um negócio único, vamos ver agora afinal que é também um negócio IRREPARÁVEL. Caríssimos todos os erros de nossa vida podem ser reparados, mas se a pessoa errar quanto à sua salvação, então, não há como reparar este erro. Depois da morte, não se volta atrás. "Foi estabelecido a todo homem morrer uma só vez, e depois virá o juízo" (Hebr. IX, 27). O Espírito Santo condena a heresia espírita da reencarnação. Para quem se condena, não há possibilidade de remédio. Morre-se uma vez, e perdida uma vez a alma, está perdida para sempre. Disse Santa Teresa d'Ávila: "Se alguém perde, por sua culpa, um vestido, um anel ou outro objeto, perde a tranquilidade e, às vezes, não come nem dorme. Qual será, pois, ó meu Deus a angústia do condenado quando, ao entrar no inferno, se vir sepultado naquele cárcere de tormentos, e, atendendo à sua desgraça, considerar que durante toda a eternidade não há de chegar remédio algum! Sem dúvida exclamará: Perdi a alma e o paraíso, perdi a Deus; tudo perdi para sempre, e por que? por minha culpa!".

O demônio, pai da mentira, procura incutir no pecador apegado ao pecado, o seguinte pensamento: depois me confessarei, mais tarde mudarei de vida. E quantos, por causa dessa maldita esperança, se condenam! Aqui vale a advertência de São Paulo: "De Deus não se zomba! o que o homem semear, isso irá colher" (Gálatas, VI, 7). Depois, devemos considerar que a esperança dos obstinados no pecado não é esperança, mas sim presunção e ilusão que não promovem a misericórdia divina, mas provocam a justa indignação do Juiz Supremo. "Se dizes, observa Santo Afonso, que presentemente não estás em estado de resistir às tentações, à paixão dominante, como resistirás mais tarde, quando, em vez de aumentar, te faltará a força pelo hábito de pecar? Por uma parte a alma estará mais cega e mais endurecida na malícia, e por outra faltar-lhe-á o auxílio divino". Deus dá a graça suficiente, mas, por culpa do pecador, esta graça tornar-se-á ineficaz.


Ah!, meu Jesus! peço-vos amor e dor e estas graças unidas à da perseverança até à morte e vo-las peço através de Maria Santíssima. Ouvi-me por aquele amor que vos fez sacrificar por mim a vida no Calvário. Amém!

segunda-feira, 10 de julho de 2017

LAMENTOS DE JESUS À ALMA TÍBIA

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Com todo direito, Jesus na Eucaristia, Corpo, Sangue, Alma e Divindade, espera dos penitentes e comungantes uma fé mais viva e um amor mais ardente. Sobretudo nestes dois sacramentos,  Confissão e  Comunhão,  a tibieza causa náuseas a Nosso Senhor Jesus Cristo. Pois, no Sacramento da Penitência Jesus, com seu Sangue divino, lava com todo amor a alma do penitente. É o Sacramento, obra-prima da  Sua misericórdia. Na Eucaristia, Jesus se nos dá inteiramente como alimento para nos fortalecer, vivendo unidos estreitamente a Ele. Fica também no Sacrário para ser o nosso confidente. Se temos fé viva na presença real de Jesus na Eucaristia, não há explicação para comunhões frias, não tem explicação para umas visitas tão raras e rápidas. Jesus Cristo merece mais amor, aliás todo nosso amor, um amor ardente! Vamos meditar nos lamentos que Jesus faz, e com toda razão, às almas frias, tíbias e de amor medíocre.


JESUS CRISTO:  Eu desejo ver-te, ó alma remida e lavada pelo meu Sangue, com um coração mais contrito, mais cheio de dor, por ter Me ofendido, mesmo quando só com pecados veniais, mas plenamente deliberados. É muito de temer, ó alma remida com Meu Sangue, que caias, e pior, que permaneças na tibieza. É preciso ter muito cuidado para não cair na rotina, isto é, confessar-se e comungar mais por costume, quase por uma simples formalidade. E se a confissão é feita com tibieza, igualmente farás a comunhão. Desejo, ó alma minha remida, ver-te muitas vezes a meus pés, e desejo ainda mais entrar no teu coração. Às vezes, porém, quase que me fazes arrepender deste meu desejo. Vens à minha presença para adorar-me e fazer a Comunhão com tão poucas disposições, que quase me arrependeria de te ter chamado. Não quero dizer que tu cometas sacrilégios, não; mas poderias ser muito mais fervorosa do que és. Não pretendo de ti virtudes heroicamente extraordinárias, porque não tens ainda ânimo para tanto. Esse é o ideal! Mas pelo menos por enquanto é preciso que faças alguma violência ao teu caráter, um pouco mais de atenção na oração, em pouco de empenho em corrigir-te dos teus defeitos. Talvez, ó alma remida pelo Meu Sangue, achas estas coisas muito difíceis. Pensa, minha filha, que Eu não poupei nada por teu amor, derramei todo o meu Sangue para tua salvação. Quero que este Sangue continue a inebriar-te dum amor ardente. No entanto, vens à Comunhão, não digo com uma vontade má, mas com uma vontade entorpecida. Pretenderias que Eu fizesse tudo com a minha graça, e fizesse de ti uma santa alma sem exigir-te esforço algum e muito menos um sacrifício? Desejarias vir aqui, adormecer-te sobre o meu Coração e depois de meia hora despertares já toda outra, com as tuas paixões subjugadas com uma espécie de imunidade de toda a tentação, com uma natureza totalmente inclinada ao bem? Desde que tenhas evitado o pecado mortal, fazendo uma preparação qualquer, vens ter comigo julgando teres feito o bastante, e esperas que Eu te infunda no coração uma santidade já pronta e acabada? Como te enganas!... Para que a Comunhão produza efeitos grandes, é preciso dispor-se com uma vontade um pouco mais enérgica que a tua. Não quero dizer que seja preciso uma preparação extraordinária à maneira dos santos, mas ao menos deves fazer aquilo que podes, e fazê-lo todo. Não se chega às alturas dos santos, de uma vez. Mas para lá chegar é preciso esforço contínuo. Por exemplo: durante o dia, algum ato de virtude podes fazê-lo se quiseres que a ocasião não te falta. Portanto, desperta-te deste sono da tibieza, e quando se te apresentar oportunidade de calar, de humilhar-te, de mortificar-te, de usares de caridade, de perdoares uma ofensa, de seres gentil para com uma pessoa antipática, não a deixes passar em vão; e pensa que vindo à Comunhão apresentando-me algum destes atos de virtude, dar-Me-ás muito mais satisfação do que recitando-Me muitas orações... As palavras agradam-Me, mas as virtudes enamoram-Me. Portanto, ó alma querida remida por Meu Sangue, se queres realmente que Eu me enamore de ti, sê um pouco mais virtuosa, e consegui-lo-ás. Amém!

sábado, 8 de julho de 2017

O SANGUE DE JESUS E A COMUNHÃO


LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Na preparação para o comunhão.

Na Hóstia Consagrada, ó meu dulcíssimo Jesus, eu Vos contemplo como quando estavas sobre a Cruz na hora do grande sacrifício. Oh! com qual púrpura Vos adornais sobre o trono do Vosso amor! Sangue,,, Sangue... Sangue... desde a extremidade dos pés até ao vértice da cabeça é tudo uma ferida... O Sangue corre de mil chagas... Madalena apoiada sobre o pé da Cruz salpicada deste Sangue, os anjos vindos do Céu recolhem-no em cálices de ouro... Ó Jesus, de todo este Sangue não haverá um pouco também para mim? Estou tão sedento!... não poderíeis derramar também um pouco no cálice do meu coração? Bastar-me-ia uma gota, dai-me, ó Jesus, esta gota de Vosso Preciosíssimo Sangue redentor e purificador!

À vista de tanto Sangue eu deveria fugir para longe, como da presença dum meu delito, como Caim fugiu ao ver o sangue de Abel, porque fui eu que vo-Lo tirei das veias na hora da minha insensatez e da minha loucura. Contudo, embora Ele me grite bem alto com voz de reprovação, eu sei que é muito mais forte a voz do Vosso amor. Dei-Vos a morte, ó Jesus; contudo Vós amais-me sempre. Dei-Vos a morte, mas sabeis que estou arrependido da minha crueldade, sabeis que tenho chorado os meus pecados e que quisera apagar-lhes as mais leves manchas mesmo que fosse preciso sacrificar-me totalmente por Vós. Dei-vos a morte, mas Vós já me perdoastes, e estais prestes a vir visitar-me e tratar-me com tal ternura como se eu nunca Vos tivesse ofendido. Aqui estou como Madalena ao pé da vossa Cruz. Quereis que a lembrança e o testemunho do meu delito se convertam em prova do Vosso amor e da minha felicidade; quereis que aquele Sangue que a minha insensatez Vos fez sair das veias desça ao meu coração a levar-lhe o calor da sua ternura. Espero que digais de mim o mesmo que dissestes de Maria Madalena: "Muitos pecados lhe foram perdoados, porque muito amou! Assim, ó Jesus, espero-Vos, desejo-Vos, quero ter a suma dita de ter-Vos sempre juntinho do meu coração.

Fico encantado em ver a sorte das santas mulheres do Calvário; quero também eu experimentar o que seja aquele Sangue que, ó Jesus, Vos caiu abundante das mãos, dos pés, da fronte, do Coração, que corre copioso a santificar as almas. Quero também eu ver até onde chega a Vossa generosidade em derramá-Lo pela salvação do mundo... quero ser ainda mais venturoso que aquelas piedosas mulheres. Elas viram o Vosso Sangue com os olhos, eu quero recebê-Lo em meu coração, pois, na Hóstia Consagrada está também o Sangue de Jesus. As santas mulheres recolheram talvez algumas gotas e levaram-nas consigo depois da Vossa morte, ó Jesus. Eu quero recolhê-Lo todo e tê-Lo comigo enquanto me durar a vida: elas ajudaram Maria a lavar as manchas de Sangue do Vosso Corpo depois que morrestes e fostes descido da Cruz; eu, pelo contrário, quero que o Vosso Corpo fique unido ao Vosso Sangue, e que um e outro alimentem a minha alma; elas viram-No, contemplaram-No, mas com os olhos cheios de lágrimas e o coração despedaçado pela dor; eu, pelo contrário, quero gostá-lo, inebriar-me de amor com Ele, para gozar comigo uma hora de felicidade santa e celestial.


E vós, ó Jesus, não vindes de boa vontade dar-me o Vosso Sangue? Mas a quem o dareis senão a uma alma que tanto O deseja e que tanto necessita d'Ele? Se me prometestes que me tornaríeis participante do Vosso reino, não é justo que eu participe também da Vossa púrpura? Ó Jesus, desejo ardentemente a Vossa vinda ao meu coração! Espero que nele estareis melhor que no Calvário. Lá o Vosso Sangue caiu em parte sobre um tronco duríssimo da cruz, em parte sobre um terreno sem sentimento nem beleza, e quem sabe quanto não terão os algozes calcado aos pés! No meu coração não encontrareis por certo aquela dureza, nem Vos farei um acolhimento insensato, ninguém ousará calcá-Lo aos pés, não, não, pela vossa graça; nem uma só gota será profanada, mas todo, todo será recolhido, adorado, amado com a ternura devota dum coração que quer viver todo realmente inebriado de amor por Vós, ó dulcíssimo Jesus. Amém!

sexta-feira, 7 de julho de 2017

CONTINUO A ACOMPANHAR A MISSA EM UNIÃO COM O SANGUE DE JESUS

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

3. Da Elevação à Comunhão.

Adoro a Sangue de Jesus já no Cálice sobre o Altar. Está aqui para mim, está todo à minha disposição. E eu tomo o Cálice do Sangue de Jesus, e, através do sacerdote, apresento-o a Vossa Majestade, ó meu Deus. E ouso dizer-Vos: eis a digna compensação que Vos ofereço pelos benefícios sem fim com que enriquecestes a minha existência. Vós criastes-me, e eu em paga deste primeiro benefício, ofereço-Vos o Sangue de Jesus. Vós conservastes-me a vida por tantos anos, protegendo-me contra inumeráveis perigos e aventuras, fazendo até por vezes desabrochar belas rosas entre os espinhos da minha vida: eis o meu agradecimento - O SANGUE DE JESUS.

Vós chamastes-me a fé, e ajudastes-me a conservá-la entre os escândalos de pobres almas que a sacrificavam ao interesse duma paixão ou a aviltavam com desonrosas transigências, e à fé acrescentastes mais tarde o dom inefável de graças especiais que entre o povo cristão me colocaram numa classe privilegiada. O meu reconhecimento por todos estes benefícios está todo aqui: o SANGUE DE JESUS. Vós marcastes sempre com um benefício cada instante da minha existência, cada respiração do meu peito, cada pulsação do meu coração, e não há uma só partícula do meu ser que não seja um testemunho da vossa bondade. Quisera demonstrar-Vos um agradecimento digno de tão grande amor, mas não sei fazer nada de melhor que oferecer-Vos o Sangue de Jesus.  Viverei ainda muito tempo? Morrerei em breve? Não o sei. O que sei é isto somente: que o meu futuro será repleto dos vossos favores; que Vós, ó grande Deus, me acompanhareis sempre com a generosidade do vosso divino amor; e eu Vos protesto que sempre, por toda a parte, agora e até ao meu último suspiro, Vos darei uma só homenagem de gratidão mas que será digna de Vós: apresentar-Vos-ei sempre o cálice do Sangue de Jesus.

4. Da Comunhão ao fim.


Quisera. ó meu Deus, nosso Pai que estais no Céu, pedir-Vos muitas graças para mim e para os meu caros parentes e amigos e até para aqueles que se consideram  meus inimigos; quisera levar a vossa misericórdia a compadecer-Vos da minha miséria, mas a minha voz é demasiado débil para subir até junto de Vós... Oh! fale-Vos por mim o Sangue de Jesus! Este Sangue que tantas vezes me vem correr pelas veias, que tantas vezes tem banhado a minha alma e o meu coração; este Sangue conhece todas as minhas misérias, conhece todas as minhas necessidades, tem contado  e pesado as minhas palpitações, as minhas aspirações, os meus propósitos, as minhas resoluções, saberá dizer-Vos, ó meu Deus, que coisa eu quero e que coisa espero de Vós. Ele tem uma voz mais potente e mais eficaz que não tem o fragor imenso de todas as dores e de todas as esperanças juntas da humanidade: fale-Vos, portanto, ele de mim, e segrede-Vos as virtudes a que eu aspiro e conceda-me a graça de possuí-las. Fale-Vos do frêmito das minhas paixões e alcance-me a força de subjugá-las. Fale-Vos daquele pouco de amor que tenho por Vós e ajude-me a fazê-lo inflamar como um incêndio. Fale-Vos das minhas esperanças e aspirações e ajude-me a purificá-las e realizá-las. Fale-Vos do desejo ardente que tenho de ver convertidas tantas almas que Vos fazem guerra, de ver amar-Vos tantas outras que agora nem sequer Vos conhecem, de se tornarem em serafins de amor aquelas que enlanguescem na sonolência da tibieza. Diga-Vos, ó meu Deus, que eu estou de braços abertos esperando a graça de conhecer-Vos sempre melhor, de amar-Vos com crescente fervor, de servir-Vos com indefectível constância e de chegar um dia a gozar-Vos no Céu para sempre. Ainda uma graça, ó meu Deus: pelo amor de Jesus, pelo valor do Sangue que por mim derramou, concedei-me a graça de ter sempre deste Sangue uma inextinguível sede... que Ele venha todos os dias umedecer e abrandar as securas da minha alma... que Ele venha infundir-me uma nova vida de virtude e de santidade... que Ele venha fazer-me viver todo, mas mesmo todo, de Jesus e só de Jesus. Amém!

quinta-feira, 6 de julho de 2017

ACOMPANHAR A MISSA EM UNIÃO COM O SANGUE DE JESUS

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

1. Do princípio aos Evangelho.
Volvei, ó meu Deus, um olhar de bondade sobre este altar. Aqui finalmente, vos posso oferecer um sacrifício digno da vossa Majestade infinita. Ofereci-Vos já o humilde trabalho das minhas mãos, as penas do meu coração, as lágrimas dos meus olhos. Mas o que são estas oblações tão mesquinhas perante as exigências da vossa justiça e os direitos do vosso amor? Mas, eis aqui um sacrifício em tudo digno de Vós: eis o Sangue sacratíssimo do vosso Filho Jesus! Eu vo-lo ofereço com a alma trêmula pela grandiosidade e o valor da mesma oferta, mas com a certeza de que será plenamente agradável à vossa infinita Majestade. Ó grande Deus, recordai a bondade imensa com que acolhestes um dia as ofertas simples do inocente Abel, recordai com quanta complacência contemplastes o sacrifício de Abraão, recordai quanto serviram para acalmar a vossa Justiça as milhares de vítimas em homenagem de adoração no Templo de Jerusalém. Recordai, ó meu Deus, recordai que uma só gota do Sangue de Jesus vale infinitamente mais que todas as vítimas antigas; que só aquele Calvário purpurado de um Sangue divino vale mais que um mundo inteiro inundado de sangue humano. E este Sangue de Jesus sou eu que hoje vo-lo ofereço! Eu me uno com o pensamento e com o coração ao vosso sacerdote que está celebrando. Eu que com o desejo e com todo o amor vo-lo apresento naquele Cálice que e daqui a pouco será levantado ao alto entre as mãos do vosso ministro... Ó meu deus, quanto me sinto grande e aventurado, neste momento! Pensar que Vos ultrajei até tirar a vida a vosso Filho... e agora poder oferecer-Vos o Seu Sangue para Voa fazer perdoar o meu delito consumado!

2. Do Evangelho à Elevação.

Deveria ser eu a vítima expiatória dos meus pecados; mas ainda que o meu sangue corresse todo pelos degraus deste altar, ainda que o meu corpo fosse esquartejado e calcado aos pés, ainda que exalasse o espírito em suplícios horrendos, bastaria porventura o meu sacrifício por si só para apagar a menor das minhas venialidades? Aceitai, pois, ó meu Deus, o Sangue de Jesus em satisfação de todas as minhas culpas: eu vo-Lo ofereço como satisfação devida à vossa Justiça infinita, que eu ultrajei de tantas maneiras; e enquanto este Sangue sobe até Vós em holocausto de expiação, desça também sobre a minha alma em lavacro de perdão e de purificação. Tenho já chorado as minhas culpas, é verdade, mas tantas lágrimas derramadas ainda me não restituíram a inocência perdida... ah! é só das veias de Jesus e do seu Sagrado Coração que pode cair uma chuva santa capaz de apagar todas as minhas iniquidades. Volvei, ó meu Deus o vosso olhar para este Sangue precioso! Ele passou através do Coração de Jesus, e é, portanto, um sangue que fez palpitar o maior amor que da terra tenha sido elevado para o Céu. Fez pulsar aquele Coração com as palpitações duma contrição infinitamente viva e profunda... a dor comprimiu-O como que dentro dum tenaz de ferro e fê-Lo espirrar da fronte e de toda a pessoa de Jesus até correr pela terra. É um Sangue que, à calma suave da inocência, reúne os frêmitos santos do zelo pela vossa causa. É um Sangue que tem já lavado as culpas de mil gerações, e não terá o poder de lavar as minhas? É um Sangue que durante tantos séculos tem aplacado a vossa ira, e só hoje, que se trata de mim, não terá o poder de mover-Vos à compaixão? Agora, logo após à Elevação do Cálice, direi: "Ó Sangue de Cristo, inebriai-me de amor por Vós! Amém!