SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

terça-feira, 4 de julho de 2017

NOSSAS ORAÇÕES E OBRAS NO CÁLICE DO SANGUE DE JESUS

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

A nossa oração, antes de se elevar para o Céu, deverá repousar sobre o Cálice do Sangue de Jesus para subir com mais força para o trono de Deus. Se oramos sem esta união ao Sangue Divino, que poderemos dizer a Nosso Senhor? Que eficácia poderão ter junto d'Ele as palavras d'uma alma abandonada a si mesma. Devemos, portanto, fazer mergulhar a parte mais viva do nosso coração no Sangue de Jesus. Será, antes, a nossa própria alma que se vestirá com a púrpura daquele Sangue divino para se tornar digna de falar com o Eterno Deus. Ah!, caríssimos, aquele Sangue, mais eloquente que o de Abel, dará ao meu coração a beleza do amor que tanto apraz a Deus; dará às nossas palavras a harmonia doce e sublime que tanto agrada a Deus; dar-nos-á o poder maravilhoso que subjuga a criatura à vontade soberana de Deus. Ao orarmos, à medida que a nossas palavras, banhadas no Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, subirem como uma onda de incenso para o céu, este se despirá de suas nuvens e nos aparecerá mais sereno e luminoso, e depois se abrirá para deixar penetrar até ao trono de Deus a voz das minhas dores, das minhas esperanças, dum amor que chora e goza ao mesmo tempo. Oraremos, e Deus voltando-Se benigno para nós, deixará cair das mãos os flagelos da sua justiça, e nos abrirá os tesouros da sua misericórdia. Oraremos, e a voz da nossa alma peregrina sobre a terra, confundir-se-á com o hino das almas que repousam na Pátria, formando um só cântico, que ecoará  no próprio coração de Deus. Tudo isto indica que nós oramos com o coração cheio do Sangue de Jesus! que nós oramos com os lábios purpurados com o Sangue de Jesus!

Nós, degredados filhos de Eva e Adão, neste vale de lágrimas, estamos condenados à fatiga; mas a homenagem da nossa fadiga não é aceita de Deus se não passa por Jesus. E Jesus lá está sobre o altar, lá nos espera no Cálice, para santificar com o seu Sangue todas as nossas obras do dia. O que nós fazemos durante o dia é coisa tão vulgar, que o mundo muitas vezes nem sequer se digna lançar-lhe um olhar; contudo, se nós quisermos, podemos torná-lo tão precioso, que os anjos venham à porfia tomá-lo das nossas mãos para apresentá-lo à Majestade de Deus. Basta que banhemos todas as nossas obras cotidianas no Sangue de Jesus.

Ó  todos aqueles que estão submetidos a trabalhos humildes e vis; ó almas generosas, votadas a um serviço fatigante, ingrato e por vezes repugnante, de doentes que nem sabem sequer dizer um obrigado ao vosso heroísmo; ó pobres operários, pacientes sob o peso duma fadiga superior às vossas forças, desprezados naquela fé que é o único conforto que vos ficou na vossa pobreza; ó vós todos que comeis um pão escasso e duro, recordai que o Cálice está lá no altar para vós. Fazei-O derramar sobre a vossa fronte de modo que fiquem purpurados os vossos suores e as vossas faces macilentas e quiçá precocemente envelhecidas; fazei-O cair sobre os vossos braços para que recebam força e vigor, sobre as vossas fadigas para que sejam aliviadas, sobre todos os vossos trabalhos do dia para que resplendam com a mesma luz de Jesus. Os soberbos da terra farão obras maravilhosas, mas aquelas obras, sem Jesus, serão como uma fumaça que apenas aparece logo se esvai; as vossas, ao contrário, não despertarão nem sequer por um instante a atenção dos soberbos, mas passando pelo Cálice do Sangue de Jesus, despertarão a admiração dos santos, atrairão as complacências de Deus.


Caríssimos, li agora uma notícia comovente: um pai cruza os EUA de bicicleta (quase 5 mil km) para ouvir o coração da filha bater no peito de um homem no qual foi feito o transplante. Este fato deu-me a inspiração no término desta leitura espiritual. Deus, o nosso Pai que está no Céu, com que complacência não deverá ver  e receber as nossas orações, trabalhos e dores banhados no  Sangue  de Seu Filho e colocados em seu Coração!!! Amém!

segunda-feira, 3 de julho de 2017

O VINHO CONSAGRADO NA SANTA MISSA

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

Após a Consagração do Cálice no Santo Sacrifício do Altar, temos realmente presente o Sangue de Jesus: "Este é o cálice do meu sangue que será derramado por vós".  Então o sacerdote genuflexa para adorá-Lo. Levanta o Cálice com o preciosíssimo verdadeiro Sangue do Cordeiro Imaculado. Ergue-o para o alto, para o Céu. Os anjos descem também para adorá-Lo, porque dentro do Cálice está todo Jesus, pois, por concomitância, onde está o Sangue, estão também o Corpo, Alma e Divindade. O Pai Eterno lança-Lhe um olhar de complacência, porque ali está quanto de mais augusto e de mais amável Ele pode desejar. Presente na Santa Missa, eu também fito n'Ele os meus olhos, adoro-O, e sinto renascer ao meu coração as minhas mais belas esperanças que pareciam enlanguescer, todos os meus afetos que pareciam já extintos.

Aquele Cálice com o Sangue de Jesus Cristo é meu, e o sacerdote ao oferecê-Lo a Deus, fá-lo também em meu nome; oferece a grande oblação também por mim. Lá dentro está o Sangue de Jesus, mas está também o meu coração, este meu pobre coração, qual turíbulo cheio de cinza e de fogo. Todas as vezes que assisto a Santa Missa, dela participo sobretudo quando comungo, porque assim Jesus encontra-se com o meu coração ali dentro do Cálice do Altar.

Caríssimos, talvez pareça pequeno ao olhar humano aquele Cálice, mas como se torna vasto e amplo ao olhar da fé!!! O meu coração está ali comodamente, ao passo que se sente sufocado nas estreitezas do universo inteiro. O Cálice do Preciosíssimo Sangue oferece-me um repouso, uma paz, uma tranquilidade que não encontro em nenhum outro lugar, e se não houvesse um Paraíso, pediria ao Senhor que me deixasse viver nele por toda a eternidade. Na verdade, como se está bem convosco, ó adorável Sangue do meu Jesus!!!


De manhã logo minha alma formula muitos e santos propósitos. Desejaria passar o dia somente em amar a Jesus. E como é belo amar a Jesus! Mas, dada minha miséria, como, por vezes é difícil! Prometo sempre amá-Lo, mas chegada a noite resta bem pouco dos propósitos feitos. O exame de consciência faz-me ver raros frutos por entre uma selva de espinhos... algumas obras boas afogadas num mar de imperfeições. E por que tantas desilusões quase todo dia? É porque esqueço o Cálice do Sangue de Jesus. Ao ouvir a Missa, dela pouco participo, porque teria que depois vivenciá-la. Deveria colocar no Cálice todas as minhas santas resoluções, todas as minhas boas obras, todas as minhas penas e dores, afim de que, banhadas e santificadas pelo Sangue de Jesus, se tornassem agradáveis ao Pai Celestial e fossem assim por Ele abençoadas. E é por causa deste esquecimento que as flores da minha alma , já na metade do dia, se encontram murchas, e é em vão que à noite espero colher os frutos. Ó Jesus, quero corrigir-me; dai-me a graça de nunca mais esquecer o Cálice de Vosso preciosíssimo Sangue máxime, quando na Santa Missa tiver a ditosa graça de comungar. Amém!

domingo, 2 de julho de 2017

EPÍSTOLA DO QUARTO DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES


"Efetivamente eu tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não têm proporção com a glória vindoura, que se manifestará em nós. Pelo que este mundo criado espera ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus. De fato, o mundo criado foi sujeito à vaidade, não por seu querer, mas pelo daquele que o sujeitou com a esperança de que também o mundo criado será livre da sujeição à corrupção, para participar da liberdade gloriosa dos filhos de Deus, Porque sabemos que todas as criaturas gemem e estão como que com dores de parto até agora. E não só elas, mas também nós mesmos, que temos as primícias do espírito; também nós gememos dentre de nós mesmos, esperando a adoção de filhos de Deus, a redenção do nosso corpo" (Rom. VIII, 18-23).

Ideia geral de todo o capítulo 8º: S. Paulo estabelece um contraste entre a carne e o espírito na vida moral. Os que são da carne, gostam das coisas materiais; os que são do espírito, apreciam o que é espiritual. A prudência da carne é morte, a do espírito é vida.

 Jesus Cristo presente na alma é quem realiza esta vida segundo o espírito: "Ele está em vós dando vida ao vosso corpo mortal". "Somos filhos de Deus. Filhos e herdeiros. Herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, desde que padeçamos com Ele para sermos glorificados com Ele", prossegue. E depois faz uma digressão: "Tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não têm proporção com a glória vindoura, que se manifestará em nós". E nos que sofrem, o Apóstolo procura excitar a esperança da posse da felicidade no reino do Pai, de quem somos filhos adotivos. E, afim de nos ajudar em nossa fraqueza, o Espírito Santo pedirá por nós orando como convém.

"Aos que amam a Deus, tudo contribui para o seu bem; e são os chamados santos, segundo os desígnios do Eterno". Portanto, quem ama verdadeiramente a Deus corre a passos de gigante nos caminhos da perfeição. Este amor é a caridade que é "o vinculo da perfeição.

E São Paulo dá a explicação de tudo isso: "Os que Ele conheceu na sua presciência, predestinou-os para fazê-los semelhantes à imagem de seu Filho, para que este seja o Primogênito dentre muitos irmãos. E aos que predestinou, também chamou; e aos que chamou, também justificou; e aos que justificou também glorificou". Assim, o esforço em imitar a Nosso Senhor Jesus Cristo é a maior segurança de conquistar o Céu. É sinal de predestinação. "Se Deus é por nós, quem será contra nós? Se Deus não poupou seu próprio Filho e O entregou por nós, não nos dará com Ele tudo o mais? Quem ousará acusar os escolhidos de Deus? Se Deus os justifica, quem os condenará". E assim conclui com toda lógica: "Quem nos separará da caridade de Cristo? a tribulação, a angústia, a fome, a nudez, o perigo, a perseguição, a espada?" e prossegue: "Eu estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os Anjos, nem os Principados,  nem as Virtudes, nem as coisas presentes, nem as futuras, nem a violência, nem a altura, nem a profundidade, nem coisa alguma poderá separar-nos da caridade de Deus, que está em Jesus Cristo Senhor Nosso".


Conclusão: Caríssimos, os sofrimentos da vida presente, se aceitos em união com Jesus Cristo, por amor a Ele, são as moedas para comprarmos a glória celeste. São Paulo foi arrebatado ao Céu e depois disse: "Nem olho  viu, nem ouvido  ouviu, nem  entrou no coração do homem, o que Deus preparou para aqueles que o amam". E aí compreendemos a exclamação do Apóstolo: "Sinto alegria em meus sofrimentos": é que sabia a glória imensa que o aguardava no Paraíso. Amém!

O SACRIFÍCIO DE JESUS CRISTO

   Os Sacrifícios da Lei Antiga eram imperfeitos. Não podiam satisfazer plenamente a Majestade Divina ultrajada. Pois a ofensa feita a Deus pelo pecado era, sob certo aspecto, infinita; e, para satisfazer por ela exigia-se uma vítima de merecimento infinito.
   Além disso, ao passar dos séculos, os sacrifícios oferecidos pelos judeus perderam o seu valor. Eram ritos externos apenas, aos quais não correspondiam sentimentos internos de adoração, de penitência, de amor. Não agradavam mais a Deus.
   Era necessário um sacerdote santo, justo, digno de seu papel e agradável a Deus; era preciso uma vítima pura, imaculada, cujo sacrifício aplacasse a Divindade ofendida.
   Logo no momento da queda de Adão, compreendendo a Sua infinita Sabedoria que jamais pelas próprias forças poderia o homem reconciliar-se, DEUS PROMETE A REDENÇÃO.
   Para executar este maravilhoso plano de sua Misericórdia e Bondade, a SEGUNDA PESSOA DA SANTÍSSIMA TRINDADE -  o FILHO ETERNO DO PAI CELESTE, vem ao mundo, toma uma natureza humana, formada no puríssimo seio de Maria Santíssima, faz-se HOMEM.
   Ele é Deus - como o Pai e o Espírito Santo, mas desde o primeiro instante da Encarnação, ficou sendo ao mesmo tempo VERDADEIRO HOMEM. Por essa união numa só PESSOA, a Pessoa do Filho, das DUAS NATUREZAS,  a divina e a humana, tornou-se possível ao homem oferecer a Deus um sacrifício aceitável.
   JESUS CRISTO É O ÚNICO SACERDOTE DIGNO E A ÚNICA VÍTIMA DE VALOR INFINITO.
   A finalidade da Redenção era: reparar a desordem causada pelo pecado de nossos primeiros pais, satisfazer a Justiça Divina irritada pela desobediência do homem, reatar a amizade entre o Céu e a terra.
   Semelhante reparação, satisfação e reconciliação realizou Jesus Cristo com o SACRIFÍCIO DA CRUZ - no qual ofereceu-se (oblação) e imolou-se a Si mesmo (imolação), a DEUS, como vítima imaculada, purificando nossas almas com Seu Sangue inocente, a fim de que pudéssemos servir ao Deus vivo.
   Jesus Cristo, com seu sacrifício, satisfez por todos os homens, padecendo e morrendo, como homem, e dando, como Deus, um valor infinito a seus padecimentos.
   Os antigos holocaustos consumia-os o fogo natural, o HOLOCAUSTO DO CALVÁRIO foi devorado pelo incompreensível AMOR DE DEUS.
   "Deus amou tanto o mundo que deu seu Filho Unigênito" (S. João, 3, 16).
   "Cristo nos amou e se entregou a Si mesmo por nós a Deus, como oferenda de suave odor" (Ef. 5, 2).

   Eis o que é o SACRIFÍCIO DA CRUZ: holocausto, homenagem de adoração sumamente agradável a Deus; sacrifício expiatório, que redime todos os pecados; sacrifício pacífico que agradece perfeitamente a Deus e nos impetra os seus bens: a graça e a vida eterna. Culto perfeito prestado ao Pai Eterno pelo Sumo Sacerdote do Novo Testamento: Nosso Senhor Jesus Cristo.
   Podemos em resumo assinalar quatro excelências do Sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo: 1º) Na antiga lei, as vítimas eram animais, oferecidos pelos donos; aqui é um Homem, capaz de vontade livre, que se oferece a si mesmo. 2º) A vítima não é apenas homem, senão HOMEM-DEUS. O derramamento de seu sangue revestirá pois infinito valor. 3º) A vontade do Pai determina todas as circunstâncias do Sacrifício perfeito, como anteriormente fixara o ritual dos sacrifícios figurativos. 4º) Jesus é, a um tempo, SACERDOTE E VÍTIMA. Ele mesmo oferece, Ele mesmo é a vítima oferecida.

  

domingo, 25 de junho de 2017

HOMILIA DOMINICAL - 3º Domingo depois de Pentecostes

   Leituras: Primeira Epístola de São Pedro Apóstolo 5, 6-11.
   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 15, 1-10:

Parábola da ovelha perdida

 
 "Naquele tempo, chegaram-se a Jesus os publicanos e os pecadores para ouvi-Lo. E os fariseus e os escribas murmuravam e diziam: Este recebe os pecadores e come com eles. Então, Ele lhes propôs esta parábola, dizendo: Qual é o homem, entre vós, que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove, e não vai procurar a que se desgarrou, até achá-la? E achando-a, não põe-na sobre os seus ombros com alegria, e vindo pra casa, não chama os seus amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Congratulai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida. Assim, digo-vos que haverá mais júbilo no céu por um pecador que faça penitência do que por noventa e nove justos que não necessitam de fazer penitência. Ou qual a mulher que, tendo dez dracmas e perdendo uma, não acende a candeia, não varre a casa e não procura diligentemente até encontrá-la? E encontrando-a, não chama as suas amigas e vizinhas, dizendo-lhes: Congratulai-vos comigo, porque achei a dracma perdida? Assim, digo-vos que haverá júbilo no céu entre os Anjos de Deus, por um só pecador que faça penitência". 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   1- A liturgia de hoje é um caloroso convite à confiança no amor misericordioso de Jesus. Desde o princípio da Missa a Igreja faz-nos rezar assim: "Olhai para mim, Senhor, tende compaixão, pois vivo só e ao desamparo. Reparai na minha miséria e sofrimento e perdoai todos os meus pecados" (Introito). Depois na oração da Coleta pedimos: "Ó Deus... multiplicai sobre nós a Vossa misericórdia", e um pouco mais adiante exorta-nos: "Descarrega o teu fardo no Senhor e Ele te sustentará" (Gradual). Mas como justificar tanta confiança em Deus, sendo nós sempre uns pobres pecadores? Esta justificação encontramo-la no Evangelho do dia (Lc. 15, 1-10) que refere duas parábolas de que Jesus Se serviu a fim de nos ensinar que jamais confiaremos demasiado na Sua misericórdia infinita: a parábola da ovelha perdida e a da dracma perdida. Primeiro é-nos apresentado o Bom Pastor que vai atrás da ovelha tresmalhada: é a figura de Jesus, descido do céu para ir à procura da pobre humanidade perdida nos antros obscuros do pecado; para a encontrar, para a salvar e conduzir novamente ao redil, Ele não hesita em enfrentar os sofrimentos mais amargos e até a morte. "E tendo-a encontrado, põe-na sobre os ombros alegremente e, indo para casa, chama os seus amigos e vizinhos, dizendo-lhes: "Congratulai-vos comigo porque encontrei a minha ovelha que se tinha perdido". É a história do amor de Jesus não só para com toda a humanidade, mas para com cada alma em particular; história bem sintetizada na doce figura do bom pastor, sob a qual Jesus Se quis apresentar. Pode dizer-se que a figura do bom pastor - tão amada nos primeiros séculos da Igreja - equivale à do Sagrado Coração; uma e outra são a expressão viva e concreta do amor misericordioso de Jesus e convidam-nos a ir a Ele com plena confiança.

   2- "Digo-vos que haverá maior júbilo no céu por um pecador que fizer penitência que por noventa e nove justos que não têm necessidade de penitência". Com este pensamento, embora expresso de forma diversa, terminam as três parábolas da misericórdia: a da ovelha perdida, a da dracma perdida e a do filho pródigo. Esta insistente repetição indica-nos o grande cuidado que Jesus teve em inculcar-nos um sentido profundo da misericórdia infinita, misericórdia que contrasta com a atitude dura e desdenhosa dos fariseus que murmuravam, dizendo: "Este (Jesus) recebe os pecadores e come com eles". As três parábolas são a resposta do Mestre à insinuação maliciosa e mesquinha dos fariseus. 
   A nós, criaturas limitadas e espiritualmente tão curtas de vista, não nos é fácil compreender a fundo este inefável mistério; e não só nos é difícil entendê-lo a respeito dos outros, mas mesmo quando se trata de nós próprios. Contudo Jesus disse e repetiu: "Haverá maior júbilo no céu por um pecador arrependido que por noventa e nove justos", e com isto quis declarar-nos quanta glória dá a Deus a alma que, após as suas quedas, volta para Ele arrependida e confiada. O sentido destas palavras não se há de aplicar somente aos grandes pecadores, aos que se convertem do pecado grave, mas também àqueles que se convertem dos pecados veniais, que se humilham e depois se levantam das infidelidades cometidas por fragilidade ou irreflexão. Esta é a nossa história de todos os dias: quantas vezes nos propusemos vencer a nossa impaciência, a nossa irascibilidade ou susceptibilidade, e quantas vezes recaímos! Porém, se reconhecermos humildemente o nosso erro e formos, com confiança, "pedir perdão a Jesus, lançando-nos nos Seus braços, Ele estremecerá de alegria" e "fará mais ainda: amar-nos-á mais do que antes de nossa falta" (Santa Teresinha do Menino Jesus)... (Meditação extraída do Livro INTIMIDADE DIVINA do Padre Gabriel de Sta M. Madalena, O.C.D.). 

   Terminemos com palavras de Santa Teresinha do Menino Jesus: "Ó Jesus, eu sei que o Vosso Coração fica mais magoado com as mil pequenas indelicadezas dos seus amigos do que com as faltas, mesmo graves, que cometem as pessoas do mundo. Todavia parece-me que é só quando as nossas indelicadezas se tornam habituais e não Vos pedimos perdão delas, que Vós podeis dizer: 'Estas chagas que vedes no meio das minhas mãos, recebia-as na casa daqueles que me amavam!' Mas se depois de cada pequena falta vimos pedir-Vos perdão, lançando-nos nos Vossos braços, Vós estremeceis de alegria e dizeis aos Vossos anjos o que o pai do filho pródigo dizia aos seus servos:'Vesti-o com a sua melhor roupa, ponde-lhe um anel no dedo e regozijemo-nos'. Ó Jesus, como são pouco conhecidos a bondade e o amor misericordioso do Vosso Coração!"
   

EPÍSTOLA DO 3º DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES


1 Pedro, V, 6-11

Vejamos primeiramente um sentido geral: Devemos humilhar-nos e aceitar com paciência da mão de Deus todas as tribulações e calamidades, afim de que no dia do juízo Jesus nos eleve à eterna glória. Em Nosso Pai do Céu devemos depositar todas a nossas preocupações e inquietações, porque Ele é que tem cuidado de nós. Devemos ser mortificados, sóbrios e vigilantes, porque o demônio, que é nosso adversário, anda em redor de nós, como leão rugidor em busca de sua presa, que é nossa alma. Devemos resistir-lhe com as armas que a fé nos oferece. Nem tampouco devemos ficar admirados por causa das perseguições e não esqueçamos que o mesmo acontece com todo mundo, já que o mundanos odeiam aqueles que são de Jesus Cristo. Mas tenhamos confiança! Jesus venceu o mundo. Deus, autor e doador de todas as graças, que nos chamou por meio de Cristo à glória eterna, ao ver a nossa boa vontade em meio aos sofrimentos, suprirá ao que falta à nossa fraqueza. Ele nos dá a força e a energia. A Deus, pois, toda glória para sempre!

Vejamos agora detalhadamente: "Humilhai-vos, pois, sob a mão poderosa de Deus, para que Ele vos exalte no tempo da sua visita; descarregando sobre Ele toda a vossa solicitude, porque Ele tem cuidado de vós". Deus quer que nos humilhemos, confessando sinceramente que tudo o que estamos sofrendo bem o merecemos e nos convém. Assim devemos nos humilhar com profunda reverência diante das disposições do nosso Pai do Céu que nos poderia enviar sofrimentos muito maiores, com sua mão todo poderosa. Isto Deus faz quando o homem se eleva no seu orgulho: "Deus resiste aos soberbos".  Mas, se nós nos humilhamos, Deus nos dá a sua graça, e, então, tudo podemos com a força que Ele nos dá.
No dia soleníssimo do Juízo Universal os servos fiéis e humildes de Deus, ou seja, aqueles que nunca tentaram diminuir a glória de Deus mas O glorificaram, serão exaltados. Portanto, devemos outrossim, inclinar a cabeça com humildade, diante das contrariedades comuns da vida.

Devemos para isso, ter uma confiança ilimitada em Deus, Nosso Senhor e Pai. São Pedro faz questão de frisar: "Deus tem cuidado de nós". Quer isto dizer que Ele nos assiste como Pai, ou melhor como mãe: "Pode uma mulher esquecer o seu filho? Mas, mesmo que alguma mãe se esqueça do fruto de suas entranhas, eu nunca me esquecerei de vós" ( cf. Isaías 49, 15). Caríssimos, nunca poderemos imaginar perfeitamente e com exatidão, o que o Senhor e Pai do Céu pensa e dispõe a nosso respeito! !Ele tem cuidado de nós".

São Pedro lembra, porém, que, se Deus é Pai que olha por nós, o demônio é nosso adversário que está em torno de nós procurando perder nossa alma: "Sede sóbrios e vigiai, porque o demônio, vosso adversário, como leão rugidor, dá voltas ao redor, procurando quem devorar: resisti-lhe fortes na fé".

Na luta contra o demônio a primeira arma a ser usada é a mortificação: "Sede sóbrios". A sobriedade é que vai nos ajudar a usar bem a segunda arma, isto é, a vigilância: "Vigiai". A vigilância e muitíssimo necessária. O diabo, que está sempre contra nós, é como um leão: é feroz, robusto, resoluto, soberbo e, além do mais, é como um leão que ruge de fome. Tem fome insaciável de almas, e sempre as persegue para fazê-las suas presas. É bem verdade, que o demônio é um leão amarrado numa corrente. Daí devemos estar atentos para não nos aproximarmos dele. Mortificando-nos, vigiando e rezando, ouviremos os rugidos do diabo, mas, perto de Nosso Pai do Céu podemos estar tranquilos.


"Dá voltas, procurando nos devorar". Nossa vigilância deve ser contínua e em toda parte. Podemos encontrar este leão faminto em toda parte, até na igreja, até na hora da oração. E ele procura nos atacar pelo nosso lado mais fraco. Procura tirar proveito do nosso defeito dominante. O que nos consola é que o demônio é um leão que só poderá o quanto nós permitirmos, porque São Pedro diz que podermos resistir a ele: "Resisti a ele, fortes na fé". São Tiago também diz: "Resisti ao diabo, e ele fugirá de vós" (S. Tiago IV, 7). Nas tentações devemos recorrer a Deus com fé inabalável e nesta fé Deus nos dará coragem, pois, o demônio pode rugir quanto quiser, pode mostrar-se feroz, mas não pode nada, se nós, fortes na fé, lhe soubermos dizer: "afasta-te, satanás! Estou com Jesus e sob o manto de sua Mãe Santíssima! Amém!

O CORAÇÃO DE JESUS FALANDO AO CORAÇÃO DO SACERDOTE

Caríssimos colegas no sacerdócio, imaginemos Jesus aparecendo a cada um de nós, como apareceu a Santa Margarida Maria Alacoque e dizendo-nos: "Eis aqui este Coração, que amou tanto os homens, e que por eles é tão pouco amado. Mas o que mais sinto, é que encontro ingratos até entre os meus ministros! Tu não podes mostrar-me maior amor do que fazendo o que já tantas vezes te pedi. Prometo-te, que o meu Coração se abrirá para derramar as suas bênçãos sobre os que o honrarem e empregarem o seu zelo em fazê-lo honrar".

   Caríssimos, meditemos nestas queixas do Sagrado Coração de Jesus. 

  "Eis aqui o Coração": Jesus no-lo oferece; é o seu. É a obra prima do Espírito Santo: "Nele habita corporalmente toda plenitude da divindade". É o órgão das mais nobres, das mais puras, das mais sublimes afeições. É o coração dos melhor dos pais, do mais sincero dos amigos. Sempre tão pronto a comover-se na presença dos que sofrem!

   "Que tanto amou os homens": Caríssimos, notai a palavra tanto. Sem dúvida que o Salvador dos homens os amou a todos, visto que morreu por todos. Mas até que ponto os amou? Quem o compreenderá? Quem o dirá? Lembremo-nos, por exemplo, do presépio, onde fez-se nosso irmão; do Cenáculo, onde fez-se nosso alimento; do Calvário onde foi o nosso resgate!...

   No céu, Jesus Cristo será a nossa recompensa! Um Deus  descendo dos resplendores da sua glória até às misérias da nossa humanidade, sujeitando-se a todas as humilhações, para nos elevar até ao seu trono, suportando todos os tormentos para nos alcançar uma suprema felicidade; um Deus fundando a Igreja, para nela estar sempre conosco, querendo que o seu corpo seja a nossa comida e o seu sangue seja a nossa bebida! Sendo poderosíssimo, não poderia dar mais!

   Caríssimos sacerdotes, se Jesus amou tanto os homens, que lugar ocupamos nós entre os que ele mais tem amado? Qual é o nosso ofício na Igreja, em que Ele reside, se oferece, e se nos dá? Que parte temos nós sacerdotes nos favores, que ele prodigaliza aos seus mais prezados amigos?

   'E que deles é tão pouco amado": Oh! que aflitiva palavra! Quantas almas desconhecem a generosa caridade do Coração de Jesus para com elas! Quantas outras a conhecem, sem que lha agradeçam! "Eu só recebo ingratidões da maior parte dos homens, sou abandonado, desprezado, insultado no sacramento do meu amor". Jesus procura consoladores, e não os encontra nem mesmo na classe sacerdotal, entre os que Ele distinguiu de todos os outros, com uma afeição incomparavelmente mais terna!

   "Mas o que mais sinto é que os meus ministros assim procedam comigo": Se eles não O amam, quem O amará? E contudo, quantos Sacerdotes dão ocasião a tão dolorosas queixas?! Sem falarmos dos que Lhe fazem uma guerra sacrílega com as profanações e os escândalos, quantos O tratam sem respeito, sem o amor verdadeiro? Enfastiam-se de Sua presença; celebram com tibieza; não têm tempo para conversar com Ele depois da Missa... Ó Jesus! quero confessá-lo, por mais que me custe: eu mereço cem vezes mais exprobrações que as que me dirigis. Humilho-me fazendo justiça: sou um dos ingratos de quem dizíeis: "Os outros limitam-se a ferir o meu corpo; mas estes ferem o meu Coração, que nunca deixou de amá-los".