SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

quinta-feira, 15 de junho de 2017

FESTA DO CORPO DE DEUS

   Pelo P. Gabriel de Sta M. Madalena, O.C.D.  Livro "INTIMIDADE DIVINA".


 1- De etapa em etapa, através do ano litúrgico, fomos subindo desde a consideração dos mistérios da vida de Jesus até à contemplação da Santíssima Trindade cuja festa celebramos no Domingo passado. Jesus, nosso Mediador, nossa vida, tomou-nos pela mão e levou-nos à Trindade, e hoje parece que a própria Trindade nos quer conduzir a Jesus considerado na Sua Eucaristia. 'Ninguém vai ao Pai senão por mim' (Jo. 14, 6) disse Jesus; e acrescentou: 'Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não atrair' (Ib. 6, 44). É este o itinerário da alma cristã: de Jesus ao Pai, à Trindade; da Trindade, do Pai, a Jesus; Jesus leva-nos ao Pai, o Pai atrai-nos para Jesus. O cristão, de maneira alguma pode prescindir de Cristo; Ele é, no sentido mais rigoroso da palavra, o nosso Pontífice, Aquele que Se fez ponte entre Deus e nós. Encerrado o ciclo litúrgico em que se comemoram os mistérios da vida terrena do Salvador, a Igreja como boa mãe, sabendo que a nossa vida espiritual não pode subsistir sem Jesus, conduz-nos a Ele, vivo e verdadeiro no Santíssimo Sacramento do altar. A solenidade do Corpo de Deus não é a simples comemoração de um fato sucedido historicamente há perto de dois mil anos, na noite da última ceia; é a festa de um fato atual, de uma realidade sempre presente e sempre viva no meio de nós, pela qual podemos muito bem dizer que Jesus não nos 'deixou órfãos', mas quis ficar permanentemente conosco na integridade da Sua pessoa, com toda a Sua humanidade, com toda a Sua divindade. 'Não há nem nunca houve nação tão grande - canta com entusiasmo o Ofício do dia - que tivesse os deuses tão próximos de si como está perto de nós o nosso Deus (BR.). Sim, na Eucaristia, Jesus é verdadeiramente o Emanuel, o Deus conosco.

   2- A Eucaristia não é só Jesus vivo e verdadeiro no meio de nós: é Jesus feito nosso alimento. É este  o aspecto principal, sob o qual a liturgia de hoje nos apresenta este mistério; pode afirmar-se que não há parte alguma da Missa que não trate dele diretamente, ou que ao menos lhe não faça referências. A ele alude o Introito,  recordando o trigo e o mel com que Deus alimentou o povo hebreu no deserto, manjar prodigioso e, contudo, só longínqua imagem do Pão vivo e vivificante da Eucaristia. Fala dele a Epístola (1 Cor. 11, 23 a 29), referindo a instituição do sacramento quando Jesus 'tomou o pão e, dando graças, o partiu e disse: 'Recebei e comei, isto é o meu corpo'; canta-o o Gradual: 'os olhos de todos esperam em Vós, Senhor e Vós dais-lhes de comer no tempo oportuno; mais amplamente lhe entoa um hino a belíssima sequência Lauda Sion, ao passo que o Evangelho (Jo. 6, 56-59), fazendo eco ao Aleluia, reproduz o trecho mais significativo do discurso em que Jesus anunciou a Eucaristia: 'a minha carne é verdadeiramente comida e o meu sangue é verdadeiramente bebida'; o Communio, depois, retomando uma frase da Epístola, recorda-nos a necessidade de receber dignamente o Corpo do Senhor e, finalmente, o Postcommunio diz-nos que a comunhão eucarística é penhor da comunhão eterna do céu. Mas para compreender melhor o valor imenso da Eucaristia, é preciso voltar às palavras de Jesus, que muito oportunamente, são citadas no Evangelho do dia: 'O que come a minha carne e bebe o meu sangue, fica em mim e eu nele'. Jesus fez-Se nossa comida para nos assemelhar a Ele, para nos fazer viver a Sua vida, para nos fazer viver n'Ele, como Ele mesmo vive em Seu Pai. A Eucaristia é verdadeiramente o sacramento da união ao mesmo tempo que é a prova mais clara e convincente de que Deus nos chama e solicita à íntima união com Ele". 

segunda-feira, 5 de junho de 2017

O CORAÇÃO AMÁVEL E HUMILDE DE JESUS


LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA
4º dia de junho

Nosso Senhor Jesus Cristo, sendo o Filho de Deus feito Homem, é o modelo perfeitíssimo de todas as virtudes. Mas já na sua vida publica pregou dizendo: "Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração" (S. Mateus XI, 29). Quis dar um destaque especial a estas duas virtudes, que, na verdade são irmãs gêmeas.

Caríssimos, vamos continuar contemplando a bondade e o amor do Coração de Jesus em sua vida pública. Já o contemplamos em sua vida oculta.

O Divino Salvador inicia sua vida de apostolado, com atos de profunda humildade: o seu batismo, o seu retiro de quarenta dias de jejum e oração para depois ser levado pelo Espírito Santo ao deserto para ser tentado pelo demônio.

Jesus Cristo Nosso Senhor, como Ele mesmo afirmou, nunca fez nada por ser de seu agrado, mas procurou fazer tudo segundo a vontade de Seu Pai: "Não procuro a minha satisfação mas aquilo que é do agrado de meu Pai que me enviou" (S. João V, 30). Se passou trinta anos junto de sua Mãe Santíssima, é porque assim o Pai determinou. Chegada, no entanto, a hora determinada pelo Pai, Jesus despede-se de Sua Mãe, e sai para pregar e fazer milagres. Serão três anos em que passará fazendo o bem. Com a graça de Deus vamos contemplar o Coração amabilíssimo de Jesus. Não precisava porque era o Filho de Deus humanado, mas quis antes se humilhar: ser batizado no Rio Jordão pelo seu precursor  João Batista. Depois prepara-se para a sua missão salvadora por meio de um jejum rigoroso de quarenta dias numa montanha inacessível a qualquer pessoa (pode ser avistada de Jericó). Aí quis dar o exemplo de humildade e de como devemos afastar as tentações do demônio. Tudo isto flui da bondade de seu Coração. Jesus não precisava  passar por estas humilhações: ser batizado e ser tentado pelo demônio; mas tudo aceitou por nosso amor, visando sempre o nosso bem.

Vai dar início à sua Igreja. Aqui também o Coração amabilíssimo de Jesus pensa em todos os homens. Será através de sua Igreja que receberemos a verdade e a graça. Para tanto, logo vai conquistando pelos seus exemplos, pregações e milagres, os primeiros discípulos. Escolhe dentre eles doze homens, que serão seus Apóstolos. Acompanhados por eles  durante três anos, percorre as terras da Palestina, ensinando a Boa Nova, fazendo bem a todos, e realizando os mais extraordinários milagres em confirmação da sua missão divina. Nosso Senhor Jesus Cristo vai no decorrer destes três anos instituir os Sacramentos. Seu Coração amabilíssimo, sabe que terá que passar pela Paixão e morrer pregado numa cruz e deseja ardentemente que chegue este dia em que será batizado com um batismo de sangue. Sabe que irá ressuscitar para nos dar a justificação e que depois ainda estará na terra por quarenta dias e depois subirá ao céu para nos preparar um lugar.  Seu Coração não suporta deixar-nos órfãos. Assim através da Sua Igreja, dos Sacramento e especialmente através da Santíssima Eucaristia, como Sacrifício e como Sacramento estará sempre conosco. O Filho de Deus se fez Homem através de sempre Virgem Maria, para ser o Emanuel, isto é, o Deus conosco. Amém!

domingo, 4 de junho de 2017

A NOSSA COLABORAÇÃO À AÇÃO DO ESPÍRITO SANTO

 1.   "Perante a santidade somos sempre como os estudantes e aprendizes que, tendo um conhecimento limitado da arte que estão a aprender, precisam continuamente da direção e das sugestões do seu mestre. O Mestre da santidade é o Espírito Santo. Falando d'Ele, Jesus disse: 'Ele vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito' (Jo. 14, 26). Ensina-nos o que devemos fazer para amar a Deus com todas as nossas forças, sugere-nos tudo o que não sabemos, tanto a respeito de Deus, como da prática da perfeição, e não só nos ensina, mas põe-nos em condições de realizar o bem que nos mostra. Agindo diretamente sobre a nossa vontade, fortifica-a, atrai-a e lança-a poderosamente em Deus, orienta-a perfeitamente para Ele. Assim o Espírito Santo 'ajuda a nossa fraqueza' (Rom. 8, 26) e já que esta é constitucional, inerente à nossa natureza humana, temos continuamente necessidade d'Ele. Na realidade Ele nunca nos abandona: toda a nossa vida espiritual está envolvida pela Sua ação; vimos como desde o início vem ao nosso encontro, preparando e secundando as nossas iniciativas pessoais. Em seguida, se nos encontra dóceis aos Seus convites, Ele próprio toma em nós as Suas iniciativas. Por isso toda a obra  da nossa santificação se reduz, no fundo, a uma questão de docilidade ao divino Paráclito. Antes de mais nada devemos estar muito atentos e ser dóceis aos Seus convites: 'Oxalá que ouvísseis hoje a Sua voz: não endureçais os vossos corações! (Salmo 94, 7 e 8).Os convites do Espírito Santo podem chegar até nós através das palavras da Sagrada Escritura, da pregação, dos ensinamentos da Igreja, de várias circunstâncias da vida, de bons pensamentos, de santas inspirações: correspondamos imediatamente, demonstremos a nossa boa vontade, aceitando e obedecendo prontamente aos Seus convites". (P. Gabriel de Sta M. Madalena - INTIMIDADE DIVINA). 

A AÇÃO DO ESPÍRITO SANTO

   "É importante saber que o Espírito Santo trabalha sempre nas nossas almas, mesmo nas primeiras etapas da vida espiritual, desde o início, ainda que então o faça de um modo mais escondido, e por isso menos conhecido. Mas a Sua ação existe, é preciosíssima, e consiste sobretudo em preparar e secundar as nossas iniciativas para a aquisição da perfeição. A primeira obra que Ele realiza em nós é a de nos elevar ao estado sobrenatural, comunicando-nos a graça, sem a qual não podemos fazer nada para chegar à santificação. A graça vem-nos de Deus, toda a Santíssima Trindade no-la dá, mas como ao Pai se atribui particularmente a sua criação, como o Filho, com Sua Encarnação, Paixão e Morte no-la mereceu, assim o Espirito Santo a difunde nas nossas almas. Com efeito a Ele, ao Espírito de amor, é atribuída, de modo especial, a obra da nossa santificação. Quando recebemos o batismo, fomos justificados 'em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo'. Todavia, a Sagrada Escritura atribui esta obra de regeneração e de filiação divina, de modo particular, ao Espírito Santo; o próprio Jesus nos apresentou o batismo como um renascimento 'pelo Espírito Santo' (Jo. 3, 5), e São Paulo afirma: 'Todos fomos batizados num único Espírito' e 'o mesmo Espírito atesta ao nosso espírito que somos filhos de Deus' (cf. 1Cor. 12, 13; Rom. 8, 16). Foi pois o Espírito Santo que preparou e dispôs as nossas almas para a vida sobrenatural, infundindo em nós a graça.

   Para nos tornar capazes de realizar ações sobrenaturais, o Espírito Santo, vindo à nossa alma, revestiu as potências - inteligência e vontade - com as virtudes infusas. Antes de tudo, Ele infunde em nós a caridade, e com a caridade, as outras virtudes teologais; a fé e a esperança; infunde também em nós as virtudes morais. Assim, pela Sua intervenção, tornamo-nos capazes de operar sobrenaturalmente. Mas a ação do Espírito Santo não se limita a isto. Como bom Mestre, continua a assistir-nos nas nossas ações, solicitando-nos para o bem e sustentando-nos nos nossos esforços. Convida-nos principalmente para o bem com as inspirações interiores e também mediante meios externos, particularmente a Sagrada Escritura e o Magistério da Igreja. A Sagrada Escritura é a Palavra de Deus escrita pelos homens, sob a moção do Espírito Santo. Na Sagrada Escritura é, portanto, o divino Paráclito que nos fala, iluminando com a Sua luz a nossa inteligência, impelindo, com o Seu impulso, a nossa vontade; por isso, meditar nos sagrados textos é um pouco como que 'ir à escola' do Espírito Santo. Além disso, o Espírito Santo continua a instruir-nos, a estimular-nos para o bem por meio da palavra viva da Igreja, pois que todos aqueles que têm na Igreja uma missão de ensino, enquanto expõem aos fiéis as sagradas doutrinas, estão sob o Seu influxo. Se aceitamos as inspirações do Espírito Santo, se, em face do Seu convite, nos decidimos a agir, Ele acompanha-nos e assiste-nos com a graça atual, a fim de que possamos levar a bom termo a obra virtuosa. É evidente que também quando a vida espiritual está ainda no início e se concentra na correção de defeitos e na aquisição  de virtudes, a atividade da alma é inteiramente penetrada e sustentada pela ação do Espírito Santo. Pensamos muito pouco nesta verdade e por isso, na prática, temos em pouca conta a obra contínua do Espírito Santo nas nossas almas. É preciso pensar nela para não deixar passar em vão as Suas inspirações e os Seus impulsos. 'Pela graça de Deus sou o que sou', dizia São Paulo, mas podia acrescentar: 'A Sua graça, que está em mim, não foi vã' (Cor. 15, 10)." (P. Gabriel de Sta. M. Madalena, O. C. D. - INTIMIDADE DIVINA). 

terça-feira, 16 de maio de 2017

O DIVINO MESTRE

"Jesus Cristo é sempre o mesmo ontem e hoje; e ele o será também por todos os séculos. Não vos deixeis levar por doutrinas várias e estranhas" (Hebreus XIII, 8 e 9).

Passará o céu e a terra, mas a verdade do Senhor permanecerá eternamente (Mt XXIV, 35). As palavras dos Pitagóricos, disse-o o mestre, não era entre eles senão a expressão de uma idolatria insensata, pois não há homem que não se engane; mas aplicada a Nosso Senhor Jesus Cristo, deve ser um primeiro princípio, um axioma sagrado para todo católico.

Jesus Cristo é eterno. N'Ele creram os justos de todos os séculos passados; n'Ele creem os seus apóstolos; cremos também nós n'Ele e todos os fiéis que vivem nos dias de hoje e n'Ele crerão todos os séculos futuros até ao fim do mundo. Sendo Deus é eterno, é imutável. Ele é o único Messias e depois d'Ele não devemos esperar nenhum outro.

O Apóstolo, com as palavras acima enunciadas, quis estabelecer a eternidade do Verbo Divino. E o próprio São Paulo tira a conclusão lógica, ou seja, que nossa fé deve ser também imutável, e os verdadeiros cristãos não devem ir atrás daqueles que lhes prometem um outro Cristo, um outro Messias. Sendo Jesus o Filho de Deus Vivo, só Ele tem palavras de vida eterna. Sua doutrina é perfeita; sua Igreja é uma só, como uma só é a verdade.

São Paulo combate aqui as seitas, nascidas de homens pecadores, mortais, mutáveis. As doutrinas das seitas são várias e consequentemente estranhas à única verdadeira que é a de Jesus Cristo. "Deus é a única verdade, escreveu Luiz Veuillot, a Igreja Católica é a única Igreja de Deus".

Jesus Cristo é a Verdade absoluta como Verbo de Deus e é ainda para nós a Verdade revelada, a luz da fé. Ele é assim o nosso Mestre por excelência: "Vós só tendes um mestre que é Cristo" (Mt XXIII, 10). Que os outros escolham, se quiserem, "mestres que deleitam os ouvidos e se desviam da verdade para se entregarem a fábulas" (II Tim., IV, 3 e 4).  Quanto a nós, pela graça de Deus, iremos Àquele que tem palavras de vida eterna, aquele que veio a este mundo para dar testemunho da verdade. Iremos a Ele com toda a nossa alma, com a dupla luz da razão e da fé. Diz Lacordaire: "Movemo-nos em duas esferas: a da natureza e a da graça; mas tanto uma como outra têm o Verbo, Filho de Deus, por autor e por guia. Eis porque a Igreja, infalivelmente assistida pelo Espírito que a instituiu, nunca abdicou na defesa da razão; teve-a sempre como uma parte da sua herança..."

Jesus Cristo, o Filho de Deus, desceu do céu à terra para constituir uma sociedade que pudesse "aparecer diante d'Ele gloriosa, sem mancha nem ruga, santa e imaculada" (Ef. V, 27).  E o divino Mestre quer nos levar até a Jerusalém celeste e diz que Ele mesmo é o Caminho, a Verdade e a Vida. Jesus Cristo é o Caminho que devemos seguir para  chegarmos ao Pai; a Verdade em que devemos acreditar, a Vida que almejamos conseguir. Aquele que estiver unido a Ele tem tudo: tem o Pai e vê o Pai, não com os olhos físicos, mas com os olhos do espírito. A união com o Pai é o próprio ser de Jesus; dela depende a sua vida humana; a sua doutrina é luz daquele foco; os seus milagres, manifestações do poder divino.

Segundo o pensamento do Beato Mons. Ollier, tenhamos habitualmente Jesus diante dos olhos, no coração e nas mãos.Tenhamos Jesus diante dos olhos: contemplando-O como o modelo mais completo de todas as virtudes que devemos praticar. Tenhamos Jesus no coração: quer dizer, supliquemos ao Espírito Santo, que animava a alma humana do Salvador e que é ainda hoje a alma do seu corpo místico, que venha até nós para nos tornar semelhantes a Jesus Cristo. Tenhamos Jesus nas mãos: isto é, roguemos-Lhe que faça com que a sua vontade se cumpra em nós, que, "como bons membros, devemos obedecer à cabeça, e cujos impulsos só devem vir de Jesus Cristo, o qual, enchendo a nossa alma do seu Espírito, da sua virtude e da sua força, deve operar em nós e por nós tudo quanto deseja".


Com São Paulo, digamos de todo o coração: "A minha vida é Jesus". Amém!

sábado, 13 de maio de 2017

APARIÇÕES DE NOSSA SENHORA EM FÁTIMA


                                                          + Dom Fernando Arêas Rifan


FÁTIMA: 100 ANOS!
                                                                                                                   Dom Fernando Arêas Rifan*
           No próximo sábado, dia 13 de maio, celebraremos o 100o aniversário da primeira de uma série de aparições de Nossa Senhora a três simples crianças, pastores de ovelhas, em Fátima, pequena cidade de Portugal, de onde a devoção se espalhou e chegou ao Brasil. São sempre atuais e dignas de recordação as suas palavras e seu ensinamento.
         O segredo da importância e da difusão de sua mensagem está exatamente na sua abrangência de praticamente todos os problemas da atualidade. Aquelas três simples crianças foram os portadores do “recado” da Mãe de Deus para o Papa, os governantes, os cristãos e não cristãos do mundo inteiro.
          Ali, Nossa Senhora nos alerta contra o perigo do materialismo comunista e seu esquecimento dos bens espirituais e eternos, erro que, conforme sua predição, vai cada vez mais se espalhando na sociedade moderna, vivendo os homens como se Deus não existisse: o ateísmo prático, o secularismo. “A Rússia vai espalhar os seus erros pelo mundo”, advertiu Nossa Senhora. A Rússia tinha acabado de adotar o comunismo, aplicação prática da doutrina marxista, ateia e materialista. Se o comunismo, como sistema econômico, fracassou, suas ideias continuam vivas e penetrando na sociedade atual. Aliás, os outros sistemas econômicos, se também adotam o materialismo e colocam o lucro acima da moral e da pessoa humana, assumem os erros do comunismo e acabam se encontrando na exclusão de Deus. Sobre isso, no discurso inaugural do CELAM, em 13 de maio de 2007, em Aparecida, o Papa Bento XVI alertou: “Aqui está precisamente o grande erro das tendências dominantes do último século... Quem exclui Deus de seu horizonte, falsifica o conceito da realidade e só pode terminar em caminhos equivocados e com receitas destrutivas”. Fátima é, sobretudo, a lembrança de Deus e das coisas sobrenaturais aos homens de hoje.
       Aos pastorinhos e a nós, Nossa Senhora pediu a oração, sobretudo a reza do Terço do Rosário todos os dias, e a penitência, a mortificação nas coisas agradáveis e lícitas, pela conversão dos pecadores e pela nossa santificação e perseverança.
        Explicou que o pecado, além de ofender muito a Deus, causa muitos males aos homens, sendo a guerra uma das suas consequências. Lembrança muito válida, sobretudo hoje, quando os homens perderam o senso do pecado e o antidecálogo rege vida moderna, como nos lembrou São João XXIII. Falou sobre o Inferno - cuja visão aterrorizou sadiamente os pastorinhos e os encheu de zelo pela conversão dos pecadores –, sobre o Purgatório, sobre o Céu, sobre a crise que sofreria a Igreja, com perseguições e martírios.

         Enfim, Fátima é o resumo, a recapitulação e a recordação do Evangelho para os tempos modernos. o Rosário, tão recomendado por Nossa Senhora, é a "Bíblia dos pobres"(São João XXVIII). Assim, sua mensagem é sempre atual. É a mãe que vem lembrar aos filhos o caminho do Céu.


*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

terça-feira, 9 de maio de 2017

LIÇÕES DE FÁTIMA (I)


"Fazei tudo o que Ele  vos disser" (S. João, II, 5).
"Importa orar sempre e não cessar de o fazer" (S. Lucas, XVIII, 1).
"Se não fizerdes penitência, todos perecereis do mesmo modo" (S. Lucas, XIII, 5).
"Em todas as tuas obras lembra-te dos teus novíssimos, e nunca jamais pecarás" (Eclesiástico, VII, 40).
"Donde vêm as guerras e as contendas entre vós? Não vêm elas das vossas concupiscências que combatem em vossos membros? (S. Tiago, IV, 1).

Excertos da Carta Pastoral  escrita pelo então Bispo de Campos, D. Antônio de Castro Mayer, de santa memória,  por ocasião do 250º aniversário do encontro da milagrosa imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida e do 50º aniversário das aparições de Nossa Senhora do Rosário de Fátima:
CARTA PASTORAL SOBRE A PRESERVAÇÃO DA FÉ E DOS BONS COSTUMES (Ano de 1967).

Lições de Fátima
Os fatos que se desenrolaram em Fátima contêm um amoroso apelo de Deus Nosso Senhor:
1. a que O desagravemos e ao Coração Imaculado de sua Mãe Santíssima, das ofensas de que continuamente são objeto;
2. a que nos compadeçamos dos pobres pecadores;
3. cuja conversão, assim como o desagravo, se obtêm pela oração e as mortificações, as voluntárias e as enviadas pelo mesmo Deus.
Ensinam-nos, outrossim:
4. que a meditação sobre o inferno tem eficácia especial na conversão dos pecadores;
5. que a guerra foi um meio de que Deus se utilizou para punir os pecados do mundo;
6. que entre as orações mais eficazes, está a reza do santo rosário;
7. que a salvação do mundo se condiciona à consagração e devoção ao Imaculado Coração de Maria.
Inculcam, enfim:
8. a devoção aos Santos Anjos;
9. o poder do milagre para autenticar a mensagem divina.

Estes pontos todos  concordam perfeitamente com o ensino tradicional da Igreja. É na visão celeste da Corte angélica que cresce no coração dos fiéis a confiança da Bondade Divina, que tão amorosamente providenciou os guias de nossa peregrinação terrena.

Sobre a Virgem Santíssima, de há muito a doutrina constante da Sagrada Hierarquia e a piedade ativa dos fiéis a associaram à obra redentora de Nosso Senhor Jesus Cristo, seu Divino Filho. Como por Maria recebeu o mundo ao Salvador, assim por Maria receberam os homens os frutos da Redenção. A Virgem Santíssima é chamada a Onipotência suplicante, por quanto está sempre a interceder por nós, e suas preces são sempre aceitas do Pai Eterno. Mais; por disposição da Providência, nenhuma graça desce do Céu à terra si se não interpuser a intercessão de Nossa Senhora. Como corolário dessa doutrina tradicional da Igreja, Nosso Senhor determina, em Fátima, que a salvação do mundo Ele a concederá por meio do Imaculado Coração de sua Mãe Santíssima. Nessa mesma ordem da Providência estão as graças especiais concedidas à reza do rosário mariano, como, aliás, já consta da história eclesiástica, desde que foi essa devoção introduzida entre os fiéis.

As guerras e calamidades, desde o Antigo Testamento, são apresentadas como consequência do pecado, e é doutrina tradicional que, como todos os males, também elas entraram no mundo pelo pecado original, fonte dos demais outros.

Importa, no entanto, nos detenhamos mais sobre o espírito de reparação, a penitência e a consideração sobre o inferno.

Reparação e penitência

Ao espírito de reparação, a compaixão nos sofrimentos do Divino Salvador e, consequentemente, nos de sua Mãe Santíssima, nos convidam as expressões cheias de ternura do Discípulo amado que auscultou o Coração de Jesus, e as queixas amorosas do próprio Divino Salvador. A palavra de São João, "Sic Deus dilexit mundum ut Filium suum Unigenitum daret - Deus de tal maneira amou o mundo que entregou seu Filho Unigênito" ( Jo. 3, 16), soa como um brado a despertar em nossos corações as fibras da gratidão; e a de Jesus Cristo, no Horto das Oliveiras, quando se viu oprimido pelos nossos pecados, e triturado pelas nossas ofensas: "Non potuistis una hora vigilare mecum?  -  Não pudestes vigiar uma hora apenas comigo?" (Mat. 26, 40), é uma amorosa censura por nossa falta de compaixão nos seus sofrimentos.

A penitência, a mortificação dos sentidos e da própria vontade são parte essencial da doutrina de Jesus Cristo, constantemente pregada pelos Apóstolos e pela Santa Igreja. É ela condição indispensável para que a pessoa possa entrar no Reino de Deus: "Fazei penitência, porque se aproxima o Reino de Deus" (Mat. 4, 7), prega-nos Jesus Cristo. "Fazei penitência e seja cada um de vós batizado no nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados" (At. 2, 38), confirma o Príncipe dos Apóstolos. Por seu turno, a mortificação, à imitação de Jesus Cristo, obediente até à morte, e aceitando todos os sofrimentos que torturaram seu Corpo sacrossanto, deve acompanhar o fiel que deseja manter sua união com o Divino Salvador: "Trazemos sempre em nosso corpo os traços da morte de Jesus para que também a vida de Jesus se manifeste em nós" ( 2 Cor. 4, 10), diz São Paulo de si mesmo, e recomenda a mesma norma aos seus discípulos: "Se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se, pelo Espírito [isto é, a graça de Deus], mortificardes as obras da carne, vivereis" (Rom. 8, 13). Depois, a Igreja inculcou sempre aos seus filhos o espírito de penitência. Foi este espírito que povoou os desertos com os santos anacoretas, como foi a renúncia até à morte que deu energia aos Mártires para sofrerem os mais atrozes tormentos por Jesus Cristo. E todos os grandes Santos, os Patriarcas das Ordens e Congregações religiosas puseram sempre a penitência como fundamento para chegarem, eles mesmos e seus discípulos, à vida de união com Jesus Cristo.

A natureza decaída exige a penitência

A razão por que a penitência é assim tão necessária é a concupiscência que habita em nosso corpo de pecado. É a lei da carne que se opõe à virtude: "Sinto nos meus membros, diz São Paulo, outra lei que luta contra  a lei de meu espírito e que me prende à lei do pecado, que está no meu corpo" (Rom. 7, 23). Este fato, esta luta, esta contradição íntima de nossa natureza, que nos leva a fazer o mal que reprovamos, é que nos obriga a uma vigilância, uma mortificação contínua, a fim de que, auxiliados pela graça de Deus, em nós não domine o pecado, mas vivamos segundo o Espírito de Jesus Cristo. A exortação, pois, do Salvador no Jardim das Oliveiras, "vigilate et orate ne intretis in tentationem" (Mat. 26, 41), vale para todos os tempos. Oração e penitência recomenda Maria Santíssima em Fátima, para a conversão dos pecadores.

De fato, a oração e a penitência, assumida com espírito de reparação, à imitação de Jesus Cristo, não apenas valem para o fiel que as pratica, como o torna colaborador na obra redentora do Filho de Deus, conforme a palavra do Apóstolo: "Alegro-me nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne por seu corpo que é a Igreja" (Col. 1, 24).

Em suma, deve o cristão, para santificar-se e colaborar na conversão dos pecadores, levar uma vida nova, santa em Cristo Jesus, e isso dele pede que, pela mortificação contínua dos seus membros, renuncie tudo o que há de mundano: a devassidão, a impureza, as paixões, os maus desejos, a concupiscência, a ira, a cólera, maledicência, a maldade, as palavras torpes, etc. (Cf. Col., 3, 5-8).

Não há dúvida que a luta que se pede ao fiel é um combate duro, porquanto o inimigo é interno, aliciante e, bem manejado pelo Príncipe deste mundo, é sem a graça de Deus, invencível.

Benefícios da meditação sobre o inferno

Uma dessas graças que devem ser arroladas entre as forças que vencem nossas tendências para o mal, é a consideração dos novíssimos, conforme a expressão da Escritura: "Memorare novissima tua, et in aeternum non peccabis" (Ec. 7, 40). E entre os novíssimos o que causa maior impressão e, por isso, goza de especial eficácia para arrancar o homem animal, que somos, ao vício, e orientá-lo à prática da virtude, é o inferno com suas penas eternas, a perda da bem-aventurança e o fogo interminável.

Frequentes vezes propôs o Salvador o fogo inextinguível do inferno como meio para levar seus discípulos à prática dos Mandamentos: "Se a tua mão for para ti ocasião de queda, corta-a; melhor te é entrares na vida eterna aleijado, do que, tendo duas mãos, ires para a Geena, para o fogo inextinguível [...]. Se o teu pé for para ti ocasião de queda, corta-o fora; melhor te é entrares na vida eterna aleijado, do que, tendo dois pés, seres lançado à Geena do fogo inextinguível [...]. Se o teu olho for para ti ocasião de queda, arranca-o; melhor te é entrares com um olho de menos na Reino de Deus do que, tendo dois olhos, seres lançado à Geena do fogo, onde [...] o fogo não se apaga" (Marc. 9, 42 ss.). Em São Mateus, o Senhor nos adverte que não devemos temer os que matam o corpo, mas não podem matar a alma, pois devemos "temer antes Aquele que pode precipitar a alma e o corpo na geena" (Mat. 10, 28). O mesmo intencionava o Salvador, quando declarava a sentença do Juízo Final: "Ide, malditos, para o fogo eterno que foi preparado para o demônio e seus anjos" (Mat. 25, 41).

Idêntica doutrina, igual exortação encontramos nos escritos dos Apóstolos. São Paulo frequentemente adverte que os pecadores não possuirão o Reino de Deus, e São João, no Apocalipse, assim fala do castigo eterno que aguarda os sequazes do demônio: "Se alguém adorar a fera e a sua imagem, e aceitar o seu sinal na fronte ou na mão, há de beber também o vinho da cólera divina, o vinho puro deitado no cálice da sua ira. Será atormentado pelo fogo e pelo enxofre diante dos seus Santos anjos e do Cordeiro. A fumaça do seu tormento subirá pelos séculos dos séculos [isto é, eternamente]. Não terão descanso algum, dia e noite, esses que adoram a fera e a sua imagem, e todo aquele que acaso tenha recebido o sinal do seu nome" (14, 9-11). Mais abaixo volta a falar da pena que espera os pecadores: "Cada um foi julgado segundo suas obras [...]. A segunda morte é esta: o flagelo do fogo. Se alguém não foi encontrado no livro da vida, foi lançado ao fogo" (20, 13 ss.).

Com semelhante doutrina, não admira que os autores ascéticos proponham a meditação do inferno como salutar para obter a conversão e salvação dos pecadores e, mesmo, o afervoramento dos bons, porquanto o inferno também nos mostra o amor que Jesus nos teve liberando-nos de cativeiro tão horrendo. Vem a propósito salientar que Santo Inácio de Loyola no Livro dos Exercícios Espirituais  -  livro elogiado e recomendado por inúmeros Papas  -  entre as meditações fundamentais da primeira semana, a semana que deve determinar a conversão do exercitante, coloca a reflexão sobre o inferno precisamente à maneira como Nossa Senhora o propôs aos videntes de Fátima: falando intensamente aos sentidos.