SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

sexta-feira, 17 de março de 2017

SÃO JOSÉ PATRONO E MODELO DOS OPERÁRIOS
17 DE MARÇO

MODELO DOS OPERÁRIOS.

Foi pobre e humilde carpinteiro. Viveu José na oficina. Teve as mãos calejadas no rude labor. Sustentou a Família Sagrada com o suor da sua fronte. Viveu na luta e no sacrifício do operário pobre, desprotegido e sofredor. Nenhum operário, no entanto, teve como José uma honra: trabalhar, para sustentar com o suor de sua fronte, Aquele que de ninguém tem necessidade e no entanto quis ter fome, quis sofrer como pobre para ser alimentado e vestido e sustentado por São José, seu Pai nutrício. Lá, na santa casa de Nazaré, se realizava à letra o que disse Nosso Senhor: Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber. O trabalho era desprezado e humilhante. A oficina pobre de José, o carpinteiro santíssimo, e do operário divino, Jesus Cristo, aquela oficina trouxe uma renovação do mundo pela dignificação do trabalho e do operário cristão.

Daí, compreendemos perfeitamente porque vários Papas, como Leão XIII, Bento XV, Pio XI, apresentaram como modelo dos operários, e a Santa Igreja com toda justiça, colocou São José como Patrono dos operários.

EXEMPLO

O velho José

   As irmãzinhas dos Pobres fundaram, em Barcelona, a sua primeira casa na Espanha. Num casarão pobre estabeleceram um Asilo de Velhos. A princípio recebiam só mulheres. Um dia, lhes aparece um velho em andrajos, trêmulo, em estado de extrema miséria. Pedia um abrigo. De há muito vagava pelas ruas, sem teto e sem pão. Com cerca de oitenta anos, o infeliz só esperava a morte num recanto onde pudesse se abrigar.
   -  Não há lugar aqui, diz-lhe a Madre Superiora; só recebemos mulheres. Como se chama?
   -  Meu nome é José.
   -  José! José! murmura a boa Madre, e toma logo uma resolução: pois receberei o velho, custe-me os maiores sacrifícios. Seja tudo por amor de São José. Como hei de abandonar um miserável que traz o nome de nosso Santo Patrono? E dá ordem a uma das Irmãs:
   -  Minha Irmã, saia já e compre roupa e o necessário para este velhinho.
   Imediatamente soa a campainha da portaria. Entregam um pacote enorme. Abrem-no. É um terno de roupa nova para homem e muitas outras peças necessárias de vestuário, cama, etc.. O bom velhinho sorria, feliz. E nunca mais São José deixou faltar coisa alguma no Asilo. Dentro em breve levantam o pavilhão dos homens e a Instituição se torna uma das maiores e mais famosas.

   Nasceu e se desenvolveu sob a proteção de São José. 

quarta-feira, 8 de março de 2017

AS SANTAS E PIEDOSAS MULHERES

   Se é certo pelas Sagradas Escrituras que tanto no Antigo Testamento como no Novo as mulheres nunca foram escolhidas para exercer o sacerdócio ministerial, também não é menos certo que Deus no Antigo Testamento e Deus Filho, feito Homem, Nosso Senhor Jesus Cristo no Novo Testamento não dispensaram a ajuda dedicada e carinhosa de piedosas mulheres. 

   Eis o que relata São Lucas no capítulo 8º, versículos de 1 a 3: "Depois disto, Jesus percorria cidades e aldeias pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus. Acompanhavam-nO os doze apóstolos e algumas mulheres que tinham sido curadas de espíritos malignos e de doenças. Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios, Joana, esposa de Cusa, intendente de Herodes, Susana e muitas outras, que os serviam com seus haveres".

   Já havia entre os judeus o costume de senhoras piedosas proverem à subsistência de rabinos, ou doutores que se dedicavam exclusivamente ao ensino da lei. Como Jesus não se fixava em lugar algum, mas percorria contantemente as diversas regiões do país, elas o acompanhavam. 
   São Lucas, depois de citar Maria Madalena, Joana e Susana, acrescenta que muitas outras também acompanhavam a Jesus. Sabemos por São Mateus 27, 56 e por São Marcos 15, 40, que, entre estas muitas, estavam Salomé, mãe de Tiago e de João, e esposa de Zebedeu, e também Maria, mãe de Tiago, o Menor, e de José.

   Quanto a Maria, chamada Madalena, parece que este nome "Madalena" deriva de Mádala, pequena localidade situada à margem ocidental do logo de Genesaré. Diversos intérpretes, entre eles alguns santos doutores da Igreja, seguindo a Liturgia da Igreja (Breviário na sua festa, dia 23 de julho) supõem que esta Maria Madalena seja a mesma pecadora que ungiu os pés de Jesus e que mais tarde Lhe ungiu a cabeça em Betânia. Seria, portanto, irmã de Marta e de Lázaro. 

   Quanto a Joana, sabemos que seu nome aparece mais tarde entre aquelas que foram ao sepulcro de Jesus, na manhã da ressurreição. 

   São Lucas diz que estas piedosas mulheres acompanhavam a Jesus e os Apóstolos para os servirem com seus haveres. Portanto, não só ofereciam seu trabalho como também custeavam despesas. É interessante observarmos que entre estas piedosas e dedicadas mulheres havia algumas que eram casadas. Seus esposos, portanto, têm o merecimento de haverem consentido que suas esposas ajudassem a Jesus e aos Apóstolos. Hoje, infelizmente há muitos homens que não ajudam nem permitem que suas esposas ajudem à Igreja.

   Limitar-me-ei a fazer apenas mais uma citação, que é de São Paulo na sua Epístola aos Efésios 4, 2 e 3: "Rogo a Evódia e suplico a Síntique que tenham os mesmos sentimentos no Senhor. Também, te rogo a ti, fiel companheiro, que as ajudes a elas que COMBATERAM COMIGO PELO EVANGELHO".

   Na verdade, caríssimos, como comenta o Padre Lincoln Ramos, o Cristianismo trouxe duas grandes prerrogativas à mulher: a) Elevou-a socialmente à altura do homem, pois antes era relegada a posição social inferior, sendo até, em certos países, considerada como escrava. b) Abriu mais largos horizontes para a influência benéfica de seu espírito de caridade e de dedicação. As que seguiam a Jesus, faziam-no também por gratidão, por haverem sido ou libertadas do demônio ou curadas de enfermidades.

   Nós padres, que abandonamos tudo por amor a Jesus, verificamos como a Providência Divina em todos os lugares que trabalhamos, suscita  assim piedosas e dedicadas mulheres que tanto nos ajudam. Que Deus lhes pague! E, de minha parte, deixo aqui o meu mais cordial e profundo agradecimento.

domingo, 5 de março de 2017

O SAL QUE PERDEU SUA FORÇA

Comentando a FOTA DA SEMANA no blog FRATRES IN UNUM, neste domingo, 05/03/2017.

Como o seu divino Fundador, a Santa Madre Igreja passa pela sua "Paixão". Não morre, mas é eclipsada pela maior crise nos seus 2000 anos de existência. Assim, porém, como Nosso Senhor Jesus Cristo, saiu glorioso do túmulo, sua Mística Esposa, a Santa Igreja, sairá gloriosa desta crise.
O Divino Mestre disse aos seus apóstolos: "Vós sois o sal da terra, e a luz do mundo. Se o sal perder sua força, não presta para mais nada senão para ser lançado fora e pisado pelos homens". Mais do que ninguém o Papa deve ser o Sal da terra e a Luz do mundo. Se o mundo está pisando Francisco é porque ele realmente perdeu sua força de sal  e em lugar de ser luz para espancar as trevas, infelizmente difunde as trevas do comunismo, máxime ao ajudar o mundo a destruir a família, a tirar a fé que resta ainda em poucos corações, inclusive a fé na presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo na Santíssima Eucaristia. Caríssimos, quando se chega a perguntar se o papa é católico, quando uma bispa luterana diz que o papa Francisco é um cripto protestante, máxime quando o próprio Francisco reconhece que pode passar para a história como o papa que dividiu a Igreja, digo, não seria necessário mais nada para aquilatarmos o tamanho da crise por que passa A Esposa Imaculada de Cristo.
Isto que os mundanos estão externando, nada mais é do que a alegria dos demônios em ver o que está acontecendo na Igreja de Nosso Senhor.
Caríssimos, cabe a nós desagravar o Sacratíssimo Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria. Deus espera muito daqueles, que, por graça de Deus, ainda conservam a Sagrada Tradição. Devemos rezar mais e procurar fazê-lo o melhor possível, com fé, com humildade, com confiança e perseverança; e também fazer mais penitências. E ainda; "no meio desta geração adúltera e pecadora" é mister que demos testemunho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Não podemos, nós padres, nos envergonhar de pregar a Sua Dourina, quer agrade quer desagrade.
Quando vier um Papa segundo o Coração de Jesus, (sendo a Igreja divina, um dia isso irá acontecer) certamente a primeira coisa que fará: eliminar a Missa Nova, ministros e ministras da Eucaristia, comunhão na mão e todo aquele lúgubre cortejo que comumente acompanha a Nova Liturgia pós-conciliar,  corrigir o Concílio Vaticano II ou até anulá-lo. Depois empregará para o bem a grande arma que atual e humanamente falando o papa tem nas mãos: a escolha dos cardeais. A FSSPX será simplesmente reconhecida como católica autêntica e dela poderão sair alguns destes cardeais. É óbvio que isto é o que eu penso. Deus tem os seus caminhos que não são os nossos e não podemos perscrutá-los. Baste pensarmos em Santa Catarina de Sena. 

Há poucos dias atrás houve uma eclipse total do sol, total em termos, porque via-se um anel luminoso. Representação do que está acontecendo na Igreja. As trevas do Modernismo, tomaram conta da Igreja. Mas nunca isso acontecerá totalmente, porque é divina, e assim brilhará mesmo em plena crise o anel luminoso da Tradição que conserva por graça de Deus, a luz da Doutrina do Divino Mestre. Este anel luminoso também está a indicar que por trás da mancha, o sol está presente e luminoso. Ele nunca se apaga, Assim, malgrado o Modernismo dominante na Igreja, esta continua sempre viva. Como toda eclipse passa, assim a Igreja sairá desta crise e brilhará novamente em todo seu zênite. Amém.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

NO TRIBUNAL DA MISERICÓRDIA O CONFESSOR É TAMBÉM JUIZ

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

 A Sagrada Escritura no Evangelho de S. João, V, 22 diz: "O Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo poder de julgar...". Também lemos no capítulo 20, 21 a 23: "Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós. Tendo dito estas palavras, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos". Portanto, o poder de julgar e daí o de perdoar ou não, foi dado a Jesus Cristo e este mesmo poder Jesus Cristo o comunicou aos sacerdotes no confessionário. Assim todo confessor é juiz e o juízo que exerce é o do próprio Deus.

São Cipriano, por isso mesmo, chama a confissão de: "O Juízo antecipado de Cristo". Na verdade, Nosso Senhor Jesus Cristo, na pessoa de seu ministro, pronuncia agora por antecipação uma sentença que não fará senão confirmar quando a alma comparecer diante d'Ele no momento da morte. São Cipriano com este expressão "o juízo antecipado de Cristo" quer significar que o homem culpado tem de sujeitar-se a dois juízos: um presente ao qual preside a mais tocante misericórdia; o outro futuro, onde tudo será pesado na balança da mais rigorosa justiça. Portanto está nas mãos do pecador se livrar, por assim dizer, do terrível tribunal da justiça, aproximando-se com fé do tribunal da misericórdia. Tudo que for apagado, remido, perdoado no juízo sofrido durante a vida, será suprimido no juízo que deve seguir à morte. Daí a exclamação de São Bernardo: "O Senhor não voltará sobre uma causa já julgada. O que tiver sido decretado no tribunal da Igreja, está decretado no tribunal de Deus; é uma só e mesma sentença".

Um juiz deve primeiramente  tomar conhecimento da causa que é chamado a julgar; em seguida deve examiná-la e considerar todas as circunstâncias, finalmente deve pronunciar a sentença. É isto também, caríssimos, o que deve fazer o confessor. Ele deve em primeiro lugar conhecer os pecados que o penitente cometeu, deve em seguida avaliar a sua gravidade, assim como atender às disposições do pecador. E, no caso de ter visto as boas disposições do penitente, dá a absolvição e impõe uma penitência proporcional na medida das possibilidades de cada um. Com já tivemos oportunidade de demonstrar, para o confessor exercer corretamente este poder divino de julgar e perdoar, terá que ouvir cada um em particular. Daí a confissão tem que ser auricular.


Finalmente devemos concluir que o confessor é juiz de nossas consciências, de nossas disposições; é juiz, outrossim, da própria absolvição  e é juiz para impor a devida e praticável penitência. Devemos, contudo, observar que Jesus Cristo é Juiz e, sendo Deus, julga vendo Ele mesmo o íntimo de cada um. Assim, por exemplo, perdoou ao homem paralítico. Mas o padre, julga somente pelo que o próprio penitente diz. Não pode julgar além disto. E a conclusão que se tira é a necessidade de o penitente ser sincero. Não o sendo por ocultar pecado mortal, e/ou por não dizer o número dos pecados mortais e/ou as circunstâncias que mudam a espécie de pecado, embora o confessor dê a absolvição, Jesus Cristo não perdoa e ainda pedirá contas ao pecador pelo sacrilégio. 





domingo, 26 de fevereiro de 2017

HOMILIA DOMINICAL - DOMINGO DA QUINQUAGÉSIMA

   Leituras: Primeira Epístola de São Paulo Apóstolo aos Coríntios 13, 1-13.
                  Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 18, 31-43: 


   "Naquele tempo, tomou Jesus consigo os doze, e disse-lhes: Eis que subimos a Jerusalém, e cumprir-se-á tudo o que os Profetas escreveram acerca do Filho do homem. Porque aos gentios há de ser entregue, e será escarnecido, açoitado, e cuspido; e havendo-O açoitado, matá-Lo-ão, e ao terceiro dia ressuscitará. Eles nada entenderam, pois esse discurso era para eles obscuro; e não entendiam o que lhes dizia. E aconteceu que, chegando Ele perto de Jericó, estava um cego sentado junto ao caminho, a mendigar. E ouvindo muita gente passar, perguntou que era aquilo. Disseram-lhe que passava Jesus Nazareno. Ele clamou, dizendo: Jesus, Filho de Davi, tende piedade de mim. E os que iam adiante o repreendiam, para que se calasse. Ele, porém, cada vez mais clamava: Filho de Davi, tende piedade de mim. Jesus parou e mandou que o trouxessem à sua presença. E, quando ele se aproximou, interrogou-o com estas palavras: Que queres que te faça? Ele respondeu: Senhor, que eu veja. E Jesus lhe disse: Vê, a tua fé te salvou. E logo o cego viu, e O foi seguindo, glorificando a Deus. E todo o povo, vendo isto, rendeu louvores a Deus".

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Quantos maus cristãos renovam nestes dias de carnaval o deicídio do povo judeu! São Paulo diz que muitos crucificam Jesus de novo em si mesmos. Para reconduzir esses pobres desvairados a melhores sentimentos, para os desviar de tais orgias, excessos, e para os impelir à penitência, é que a Igreja, como boa Mãe, lhes apresenta o quadro abreviado das dores e dos tormentos do Homem-Deus, de que eles são a causa; e acrescenta a narração da cura do cego, a fim de os impelir a suplicarem, do mesmo modo, a cura da sua cegueira espiritual. Oxalá todos a ouçam e a regozijem  com a sua docilidade. 
   Felizes os cristãos que nestes dias fazem o Santo Retiro! É na solidão e no recolhimento interior que devemos meditar e saborear a Paixão. "Nada me encanta tanto, dizia São Francisco de Assis, como a lembrança da Paixão do Salvador; e, mesmo que eu vivesse até ao fim do mundo, não teria necessidade de outra leitura". 
   O anúncio da Paixão é também uma dupla prova da divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo: mostra que Ele sabia antecipadamente todos os tormentos e todas ignomínias da sua Paixão, e que ia ao encontro dela por sua livre vontade; depois, deixava claro que vinha cumprir as profecias, e principalmente as de Davi (Salmos XV e XXI), e também as de Isaías (L, 6 e LIII).
   Notemos que Jesus Cristo prediz também a sua Ressurreição. Esta profecia era como um raio de luz destinado a temperar a dor dos Apóstolos e a fortalecê-los. Diz Santo Agostinho que Jesus quis mostrar-nos com a sua Paixão, o que temos de sofrer por amor da verdade; e, com a sua Ressurreição, fez-nos ver o que devemos esperar na vida eterna. 
    Mas, infelizmente, quantos cristãos à semelhança dos Apóstolos, não compreendem nada das dores e da cruz de Jesus Cristo! As palavras de penitência, de mortificação, de renúncia causam-lhes perturbações e espanto. Lembremo-nos das palavras de São Paulo: "Se sofrermos com Jesus, seremos também glorificados com Ele". Diz Santo Agostinho: "Toda vida do cristão sobre a terra, se vive segundo o Evangelho, é uma cruz contínua". 

   Caríssimos, passemos para a outra parte bem distinta do santo Evangelho de hoje: a cura do cego de Jericó. 
Um cego sentado à beira do caminho, a mendigar   : é a figura dos pecadores que, cegos pelas suas faltas, já não veem a fealdade do mal nem a beleza do bem; que estão despojados de toda a riqueza espiritual, reduzidos à pobreza mais extrema , e privados da amizade de Deus; que mendigam os prazeres e os bens tão enganadores do mundo, especialmente nestes dias de mais pecado, que é o carnaval; estão sentados miseravelmente à borda do grande caminho da perdição e da morte eterna, e não pensam em erguer-se nem em converter-se. Se a graça de Jesus Cristo não viesse procurá-los, ali permaneceriam até à morte.
   O cego, uma vez curado, seguiu a Jesus. Seguir a Jesus é amá-Lo de todo o nosso coração, é prender-nos a Ele irrevogavelmente; é amar o próximo por Deus e procurar fazer-lhe todo o bem; é imitar Jesus em tudo, e conformar o nosso procedimento pelo seu; é observar os seus preceitos e os da sua Igreja, é reproduzir em nós a sua vida e as suas virtudes. 

   Fazei, Senhor, que Vos sigamos sempre assim, durante a nossa vida aqui na terra, a fim de que mereçamos ver-Vos, possuir-Vos e amar-Vos para sempre no Reino da Vossa Glória. Amém!

domingo, 12 de fevereiro de 2017

HOMILIA DOMINICAL - Domingo da Septuagésima - Explicação da Epístola

   Tradução literal da Primeira Epístola de São Paulo Apóstolo, IX, 24-27 e X, 1-5, da Vulgata Latina de São Jerônimo:


   "Irmãos: Não sabeis que os que correm no estádio, todos correm em verdade, mas um só leva o prêmio? Correi, pois, de tal maneira que o alcanceis. Todo aquele que luta na arena, de tudo se abstêm. E eles em verdade o fazem só para receberem uma coroa corruptível, e nós uma incorruptível. Eu pois assim corro, não como ao acaso: assim combato, não como ferindo o ar: antes castigo o meu corpo e o reduzo à servidão, para que não suceda que, depois de ter pregado aos outros, eu mesmo seja reprovado. Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais todos estiveram debaixo da nuvem e todos passaram o mar, e todos foram batizados em Moisés, na nuvem, e no mar, todos comeram o mesmo manjar espiritual, e beberam a mesma bebida espiritual (porque bebiam da pedra espiritual que os seguia, e a pedra era Cristo), mas da maior parte deles não se agradou Deus".

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

 Vamos dar agora a tradução explicativa desta mesma Epístola da Santa Missa deste Domingo da Septuagésima: 

O quadro catequético representa em cima a alma que se converte e luta contra
suas paixões para se conservar na graça de Deus; em baixo a alma que não se
converte e/ou não luta contra suas paixões e defeitos e assim vive no pecado
mortal. 
   Meus irmãos, não sabeis que de todos aqueles que se alistam nas corridas do estádio, um só é que recebe o prêmio de campeão? Assim também não penseis que todos os que entram a fazer parte da Igreja serão salvos, mas somente aqueles que fizerem por onde o merecerem. Comportai-vos, portanto, de tal modo que possais conseguir o prêmio eterno no Céu. Ainda. Que fazem aqueles que lutam na arena? Eles abstêm-se de todos os prazeres, para alcançar uma honra de campeão que afinal acaba, uma coroa de louros que murcham. Quanto mais nos devemos abster nós, os cristãos, de todas os prazeres do mundo e da carne, em vista de uma glória eterna, uma coroa de perfeição e santidade que dura para sempre. Tal é também o meu procedimento. Eu não corro ao acaso, sem conhecer a meta à qual me dirijo; nem luto batendo no ar; e, sim, como um lutador que deseja derrubar o seu adversário. Ora, o meu adversário é o meu corpo com sua concupiscência. Por isso, castigo-o, com penitência e o reduzo à obediência do espírito, receando que, depois de haver pregado aos outros o caminho da salvação, eu mesmo seja condenado. É inútil, portanto, esquivar-se a essa luta contra si mesmo, apenas confiando nos dons de Deus. Deus exige também a nossa parte, a nossa colaboração. Com efeito, observai os antigos judeus no deserto. Todos foram protegidos, sob a nuvem  que os defendia contra os raios do sol durante o dia e os iluminava durante a noite, todos receberam uma espécie de batismo de Moisés representado na nuvem e no mar; todos comeram do prodigioso maná e todos beberam da água milagrosa que jorrou da pedra (a qual era figura de Jesus que na Pessoa do Filho de Deus estava entre eles, acompanhando-os). Pois bem, a maior parte deles pereceram no deserto, sem entrarem na terra prometida. (O mesmo vos poderá acontecer, negando-vos Deus a entrada no reino dos céus se, apelando unicamente para os dons de Deus, e pelo único fato de pertencerem a única verdadeira Igreja, vos recusardes a lutar contra os maus instintos do vosso corpo). 

  Caríssimos e amados fiéis, terminemos com esta oração: Infundi em nós, ó Jesus, nova força a fim de recomeçarmos com mais coragem a marcha que nos deve levar à conquista da incorruptível coroa da santidade. Com as palavras de Santa Teresa Margarida do Coração de Jesus a Vós me dirijo: "Para vencer a repugnância da minha natureza, prometo-Vos declarar uma guerra sem tréguas contra mim mesmo; as armas para o combate serão: a oração, a presença de Deus e o silêncio. Mas, ó meu Amor, Vós conheceis bem a minha incapacidade no manejo destas armas. Não obstante, armar-me-ei com as armas duma confiança absoluta em Vós, paciência, humildade e conformidade ao Vosso querer divino, unidas a uma suma diligência... E quem me ajudará a combater numa guerra contínua contra tantos inimigos que pelejam contra mim? Ah! bem vejo que Vós, ó meu Deus, quereis ser o meu capitão e, arvorando o estandarte da cruz, amorosamente me dizeis: - Vem após mim e não duvides" (Espiritualidade, pg. 323 e 324). Amém!

   

   

domingo, 29 de janeiro de 2017

EXPLICAÇÃO DA EPÍSTOLA DO 4º DOMINGO DEPOIS DA EPIFANIA


Romanos XIII, 8-10
"A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor mútuo, porque aquele que ama o próximo, cumpriu a lei. Em verdade, estes mandamentos: - "Não cometerás adultério; não matarás; não furtarás; não dirás falso testemunho; não cobiçarás" - e qualquer outro mandamento, todos se resumem nesta palavra: amará o teu próximo com a ti mesmo. O amor do próximo não faz o mal. Logo, o amor é o complemento da lei".


Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

São Paulo começa ensinando que, quem ama o próximo por amor a Deus cumpre, não somente a lei da caridade, senão também toda a lei de Deus, isto é, cumpre todos os mandamentos.

Na verdade, o amor do próximo, longe de ser de natureza diferente do amor de Deus é, uma única e mesma coisa. Não há, pois, separação entre esse dois sentimentos, sendo o amor do próximo o transbordar do próprio amor de Deus.  Como já ensinara o Divino Mestre, o amor verdadeiro se manifesta sobretudo em relação aos inimigos. Portanto o motivo do amor  verdadeiro ao próximo não pode se basear em motivos puramente humanos, ou seja, simpatia, beleza, interesse, liame de sangue etc. Seria amor puramente humano. E como disse Jesus: isto até os pagãos fazem. Portanto o amor verdadeiro é sobrenatural porque tem por motivo o amor de Deus. Por exemplo como fazer o bem a estranhos, e mais, como perdoar e fazer bem aos inimigos que nos odeiam. Só o amor de Deus nos pode levar a isto! Foi assim que Jesus fez, e assim os santos O imitaram. É o amor de Deus que me impele a amar o que o mundo rejeita. É o amor de Deus que me mostra em cada coração um templo do Espírito Santo, ou que possa vir a sê-lo. Assim o amor de Deus e o amor do próximo vêm, pois, a ligar-se de tal forma que lá não existe o primeiro onde falta o segundo. É no amor de Deus, que o amor do próximo tem seu motivo e sua fonte. E se quisermos saber se temos o lídimo amor a Deus, é só verificarmos se amamos o próximo verdadeira e desinteressadamente.


O afeto que liga dois corações não se revela apenas na íntima satisfação por ele experimentada  ou, então, na tristeza que os martiriza na separação, e sim, acima de tudo, no respeito, nos favores, nos sacrifícios, nos auxílios mutuamente dados e recebidos. Hoje infelizmente reina o egoísmo. Mas ama verdadeiramente quem deseja o bem da pessoa amada, e até se sacrifica em benefício dela, sempre por amor a Deus e para imitar a Jesus Cristo, Nosso Senhor. Quem tem este amor sobrenatural ao próximo cumpre toda lei, isto é, observa todos os mandamentos. Amém!