SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

domingo, 5 de março de 2017

O SAL QUE PERDEU SUA FORÇA

Comentando a FOTA DA SEMANA no blog FRATRES IN UNUM, neste domingo, 05/03/2017.

Como o seu divino Fundador, a Santa Madre Igreja passa pela sua "Paixão". Não morre, mas é eclipsada pela maior crise nos seus 2000 anos de existência. Assim, porém, como Nosso Senhor Jesus Cristo, saiu glorioso do túmulo, sua Mística Esposa, a Santa Igreja, sairá gloriosa desta crise.
O Divino Mestre disse aos seus apóstolos: "Vós sois o sal da terra, e a luz do mundo. Se o sal perder sua força, não presta para mais nada senão para ser lançado fora e pisado pelos homens". Mais do que ninguém o Papa deve ser o Sal da terra e a Luz do mundo. Se o mundo está pisando Francisco é porque ele realmente perdeu sua força de sal  e em lugar de ser luz para espancar as trevas, infelizmente difunde as trevas do comunismo, máxime ao ajudar o mundo a destruir a família, a tirar a fé que resta ainda em poucos corações, inclusive a fé na presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo na Santíssima Eucaristia. Caríssimos, quando se chega a perguntar se o papa é católico, quando uma bispa luterana diz que o papa Francisco é um cripto protestante, máxime quando o próprio Francisco reconhece que pode passar para a história como o papa que dividiu a Igreja, digo, não seria necessário mais nada para aquilatarmos o tamanho da crise por que passa A Esposa Imaculada de Cristo.
Isto que os mundanos estão externando, nada mais é do que a alegria dos demônios em ver o que está acontecendo na Igreja de Nosso Senhor.
Caríssimos, cabe a nós desagravar o Sacratíssimo Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria. Deus espera muito daqueles, que, por graça de Deus, ainda conservam a Sagrada Tradição. Devemos rezar mais e procurar fazê-lo o melhor possível, com fé, com humildade, com confiança e perseverança; e também fazer mais penitências. E ainda; "no meio desta geração adúltera e pecadora" é mister que demos testemunho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Não podemos, nós padres, nos envergonhar de pregar a Sua Dourina, quer agrade quer desagrade.
Quando vier um Papa segundo o Coração de Jesus, (sendo a Igreja divina, um dia isso irá acontecer) certamente a primeira coisa que fará: eliminar a Missa Nova, ministros e ministras da Eucaristia, comunhão na mão e todo aquele lúgubre cortejo que comumente acompanha a Nova Liturgia pós-conciliar,  corrigir o Concílio Vaticano II ou até anulá-lo. Depois empregará para o bem a grande arma que atual e humanamente falando o papa tem nas mãos: a escolha dos cardeais. A FSSPX será simplesmente reconhecida como católica autêntica e dela poderão sair alguns destes cardeais. É óbvio que isto é o que eu penso. Deus tem os seus caminhos que não são os nossos e não podemos perscrutá-los. Baste pensarmos em Santa Catarina de Sena. 

Há poucos dias atrás houve uma eclipse total do sol, total em termos, porque via-se um anel luminoso. Representação do que está acontecendo na Igreja. As trevas do Modernismo, tomaram conta da Igreja. Mas nunca isso acontecerá totalmente, porque é divina, e assim brilhará mesmo em plena crise o anel luminoso da Tradição que conserva por graça de Deus, a luz da Doutrina do Divino Mestre. Este anel luminoso também está a indicar que por trás da mancha, o sol está presente e luminoso. Ele nunca se apaga, Assim, malgrado o Modernismo dominante na Igreja, esta continua sempre viva. Como toda eclipse passa, assim a Igreja sairá desta crise e brilhará novamente em todo seu zênite. Amém.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

NO TRIBUNAL DA MISERICÓRDIA O CONFESSOR É TAMBÉM JUIZ

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

 A Sagrada Escritura no Evangelho de S. João, V, 22 diz: "O Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo poder de julgar...". Também lemos no capítulo 20, 21 a 23: "Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós. Tendo dito estas palavras, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos". Portanto, o poder de julgar e daí o de perdoar ou não, foi dado a Jesus Cristo e este mesmo poder Jesus Cristo o comunicou aos sacerdotes no confessionário. Assim todo confessor é juiz e o juízo que exerce é o do próprio Deus.

São Cipriano, por isso mesmo, chama a confissão de: "O Juízo antecipado de Cristo". Na verdade, Nosso Senhor Jesus Cristo, na pessoa de seu ministro, pronuncia agora por antecipação uma sentença que não fará senão confirmar quando a alma comparecer diante d'Ele no momento da morte. São Cipriano com este expressão "o juízo antecipado de Cristo" quer significar que o homem culpado tem de sujeitar-se a dois juízos: um presente ao qual preside a mais tocante misericórdia; o outro futuro, onde tudo será pesado na balança da mais rigorosa justiça. Portanto está nas mãos do pecador se livrar, por assim dizer, do terrível tribunal da justiça, aproximando-se com fé do tribunal da misericórdia. Tudo que for apagado, remido, perdoado no juízo sofrido durante a vida, será suprimido no juízo que deve seguir à morte. Daí a exclamação de São Bernardo: "O Senhor não voltará sobre uma causa já julgada. O que tiver sido decretado no tribunal da Igreja, está decretado no tribunal de Deus; é uma só e mesma sentença".

Um juiz deve primeiramente  tomar conhecimento da causa que é chamado a julgar; em seguida deve examiná-la e considerar todas as circunstâncias, finalmente deve pronunciar a sentença. É isto também, caríssimos, o que deve fazer o confessor. Ele deve em primeiro lugar conhecer os pecados que o penitente cometeu, deve em seguida avaliar a sua gravidade, assim como atender às disposições do pecador. E, no caso de ter visto as boas disposições do penitente, dá a absolvição e impõe uma penitência proporcional na medida das possibilidades de cada um. Com já tivemos oportunidade de demonstrar, para o confessor exercer corretamente este poder divino de julgar e perdoar, terá que ouvir cada um em particular. Daí a confissão tem que ser auricular.


Finalmente devemos concluir que o confessor é juiz de nossas consciências, de nossas disposições; é juiz, outrossim, da própria absolvição  e é juiz para impor a devida e praticável penitência. Devemos, contudo, observar que Jesus Cristo é Juiz e, sendo Deus, julga vendo Ele mesmo o íntimo de cada um. Assim, por exemplo, perdoou ao homem paralítico. Mas o padre, julga somente pelo que o próprio penitente diz. Não pode julgar além disto. E a conclusão que se tira é a necessidade de o penitente ser sincero. Não o sendo por ocultar pecado mortal, e/ou por não dizer o número dos pecados mortais e/ou as circunstâncias que mudam a espécie de pecado, embora o confessor dê a absolvição, Jesus Cristo não perdoa e ainda pedirá contas ao pecador pelo sacrilégio. 





domingo, 26 de fevereiro de 2017

HOMILIA DOMINICAL - DOMINGO DA QUINQUAGÉSIMA

   Leituras: Primeira Epístola de São Paulo Apóstolo aos Coríntios 13, 1-13.
                  Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 18, 31-43: 


   "Naquele tempo, tomou Jesus consigo os doze, e disse-lhes: Eis que subimos a Jerusalém, e cumprir-se-á tudo o que os Profetas escreveram acerca do Filho do homem. Porque aos gentios há de ser entregue, e será escarnecido, açoitado, e cuspido; e havendo-O açoitado, matá-Lo-ão, e ao terceiro dia ressuscitará. Eles nada entenderam, pois esse discurso era para eles obscuro; e não entendiam o que lhes dizia. E aconteceu que, chegando Ele perto de Jericó, estava um cego sentado junto ao caminho, a mendigar. E ouvindo muita gente passar, perguntou que era aquilo. Disseram-lhe que passava Jesus Nazareno. Ele clamou, dizendo: Jesus, Filho de Davi, tende piedade de mim. E os que iam adiante o repreendiam, para que se calasse. Ele, porém, cada vez mais clamava: Filho de Davi, tende piedade de mim. Jesus parou e mandou que o trouxessem à sua presença. E, quando ele se aproximou, interrogou-o com estas palavras: Que queres que te faça? Ele respondeu: Senhor, que eu veja. E Jesus lhe disse: Vê, a tua fé te salvou. E logo o cego viu, e O foi seguindo, glorificando a Deus. E todo o povo, vendo isto, rendeu louvores a Deus".

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Quantos maus cristãos renovam nestes dias de carnaval o deicídio do povo judeu! São Paulo diz que muitos crucificam Jesus de novo em si mesmos. Para reconduzir esses pobres desvairados a melhores sentimentos, para os desviar de tais orgias, excessos, e para os impelir à penitência, é que a Igreja, como boa Mãe, lhes apresenta o quadro abreviado das dores e dos tormentos do Homem-Deus, de que eles são a causa; e acrescenta a narração da cura do cego, a fim de os impelir a suplicarem, do mesmo modo, a cura da sua cegueira espiritual. Oxalá todos a ouçam e a regozijem  com a sua docilidade. 
   Felizes os cristãos que nestes dias fazem o Santo Retiro! É na solidão e no recolhimento interior que devemos meditar e saborear a Paixão. "Nada me encanta tanto, dizia São Francisco de Assis, como a lembrança da Paixão do Salvador; e, mesmo que eu vivesse até ao fim do mundo, não teria necessidade de outra leitura". 
   O anúncio da Paixão é também uma dupla prova da divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo: mostra que Ele sabia antecipadamente todos os tormentos e todas ignomínias da sua Paixão, e que ia ao encontro dela por sua livre vontade; depois, deixava claro que vinha cumprir as profecias, e principalmente as de Davi (Salmos XV e XXI), e também as de Isaías (L, 6 e LIII).
   Notemos que Jesus Cristo prediz também a sua Ressurreição. Esta profecia era como um raio de luz destinado a temperar a dor dos Apóstolos e a fortalecê-los. Diz Santo Agostinho que Jesus quis mostrar-nos com a sua Paixão, o que temos de sofrer por amor da verdade; e, com a sua Ressurreição, fez-nos ver o que devemos esperar na vida eterna. 
    Mas, infelizmente, quantos cristãos à semelhança dos Apóstolos, não compreendem nada das dores e da cruz de Jesus Cristo! As palavras de penitência, de mortificação, de renúncia causam-lhes perturbações e espanto. Lembremo-nos das palavras de São Paulo: "Se sofrermos com Jesus, seremos também glorificados com Ele". Diz Santo Agostinho: "Toda vida do cristão sobre a terra, se vive segundo o Evangelho, é uma cruz contínua". 

   Caríssimos, passemos para a outra parte bem distinta do santo Evangelho de hoje: a cura do cego de Jericó. 
Um cego sentado à beira do caminho, a mendigar   : é a figura dos pecadores que, cegos pelas suas faltas, já não veem a fealdade do mal nem a beleza do bem; que estão despojados de toda a riqueza espiritual, reduzidos à pobreza mais extrema , e privados da amizade de Deus; que mendigam os prazeres e os bens tão enganadores do mundo, especialmente nestes dias de mais pecado, que é o carnaval; estão sentados miseravelmente à borda do grande caminho da perdição e da morte eterna, e não pensam em erguer-se nem em converter-se. Se a graça de Jesus Cristo não viesse procurá-los, ali permaneceriam até à morte.
   O cego, uma vez curado, seguiu a Jesus. Seguir a Jesus é amá-Lo de todo o nosso coração, é prender-nos a Ele irrevogavelmente; é amar o próximo por Deus e procurar fazer-lhe todo o bem; é imitar Jesus em tudo, e conformar o nosso procedimento pelo seu; é observar os seus preceitos e os da sua Igreja, é reproduzir em nós a sua vida e as suas virtudes. 

   Fazei, Senhor, que Vos sigamos sempre assim, durante a nossa vida aqui na terra, a fim de que mereçamos ver-Vos, possuir-Vos e amar-Vos para sempre no Reino da Vossa Glória. Amém!

domingo, 12 de fevereiro de 2017

HOMILIA DOMINICAL - Domingo da Septuagésima - Explicação da Epístola

   Tradução literal da Primeira Epístola de São Paulo Apóstolo, IX, 24-27 e X, 1-5, da Vulgata Latina de São Jerônimo:


   "Irmãos: Não sabeis que os que correm no estádio, todos correm em verdade, mas um só leva o prêmio? Correi, pois, de tal maneira que o alcanceis. Todo aquele que luta na arena, de tudo se abstêm. E eles em verdade o fazem só para receberem uma coroa corruptível, e nós uma incorruptível. Eu pois assim corro, não como ao acaso: assim combato, não como ferindo o ar: antes castigo o meu corpo e o reduzo à servidão, para que não suceda que, depois de ter pregado aos outros, eu mesmo seja reprovado. Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais todos estiveram debaixo da nuvem e todos passaram o mar, e todos foram batizados em Moisés, na nuvem, e no mar, todos comeram o mesmo manjar espiritual, e beberam a mesma bebida espiritual (porque bebiam da pedra espiritual que os seguia, e a pedra era Cristo), mas da maior parte deles não se agradou Deus".

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

 Vamos dar agora a tradução explicativa desta mesma Epístola da Santa Missa deste Domingo da Septuagésima: 

O quadro catequético representa em cima a alma que se converte e luta contra
suas paixões para se conservar na graça de Deus; em baixo a alma que não se
converte e/ou não luta contra suas paixões e defeitos e assim vive no pecado
mortal. 
   Meus irmãos, não sabeis que de todos aqueles que se alistam nas corridas do estádio, um só é que recebe o prêmio de campeão? Assim também não penseis que todos os que entram a fazer parte da Igreja serão salvos, mas somente aqueles que fizerem por onde o merecerem. Comportai-vos, portanto, de tal modo que possais conseguir o prêmio eterno no Céu. Ainda. Que fazem aqueles que lutam na arena? Eles abstêm-se de todos os prazeres, para alcançar uma honra de campeão que afinal acaba, uma coroa de louros que murcham. Quanto mais nos devemos abster nós, os cristãos, de todas os prazeres do mundo e da carne, em vista de uma glória eterna, uma coroa de perfeição e santidade que dura para sempre. Tal é também o meu procedimento. Eu não corro ao acaso, sem conhecer a meta à qual me dirijo; nem luto batendo no ar; e, sim, como um lutador que deseja derrubar o seu adversário. Ora, o meu adversário é o meu corpo com sua concupiscência. Por isso, castigo-o, com penitência e o reduzo à obediência do espírito, receando que, depois de haver pregado aos outros o caminho da salvação, eu mesmo seja condenado. É inútil, portanto, esquivar-se a essa luta contra si mesmo, apenas confiando nos dons de Deus. Deus exige também a nossa parte, a nossa colaboração. Com efeito, observai os antigos judeus no deserto. Todos foram protegidos, sob a nuvem  que os defendia contra os raios do sol durante o dia e os iluminava durante a noite, todos receberam uma espécie de batismo de Moisés representado na nuvem e no mar; todos comeram do prodigioso maná e todos beberam da água milagrosa que jorrou da pedra (a qual era figura de Jesus que na Pessoa do Filho de Deus estava entre eles, acompanhando-os). Pois bem, a maior parte deles pereceram no deserto, sem entrarem na terra prometida. (O mesmo vos poderá acontecer, negando-vos Deus a entrada no reino dos céus se, apelando unicamente para os dons de Deus, e pelo único fato de pertencerem a única verdadeira Igreja, vos recusardes a lutar contra os maus instintos do vosso corpo). 

  Caríssimos e amados fiéis, terminemos com esta oração: Infundi em nós, ó Jesus, nova força a fim de recomeçarmos com mais coragem a marcha que nos deve levar à conquista da incorruptível coroa da santidade. Com as palavras de Santa Teresa Margarida do Coração de Jesus a Vós me dirijo: "Para vencer a repugnância da minha natureza, prometo-Vos declarar uma guerra sem tréguas contra mim mesmo; as armas para o combate serão: a oração, a presença de Deus e o silêncio. Mas, ó meu Amor, Vós conheceis bem a minha incapacidade no manejo destas armas. Não obstante, armar-me-ei com as armas duma confiança absoluta em Vós, paciência, humildade e conformidade ao Vosso querer divino, unidas a uma suma diligência... E quem me ajudará a combater numa guerra contínua contra tantos inimigos que pelejam contra mim? Ah! bem vejo que Vós, ó meu Deus, quereis ser o meu capitão e, arvorando o estandarte da cruz, amorosamente me dizeis: - Vem após mim e não duvides" (Espiritualidade, pg. 323 e 324). Amém!

   

   

domingo, 29 de janeiro de 2017

EXPLICAÇÃO DA EPÍSTOLA DO 4º DOMINGO DEPOIS DA EPIFANIA


Romanos XIII, 8-10
"A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor mútuo, porque aquele que ama o próximo, cumpriu a lei. Em verdade, estes mandamentos: - "Não cometerás adultério; não matarás; não furtarás; não dirás falso testemunho; não cobiçarás" - e qualquer outro mandamento, todos se resumem nesta palavra: amará o teu próximo com a ti mesmo. O amor do próximo não faz o mal. Logo, o amor é o complemento da lei".


Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

São Paulo começa ensinando que, quem ama o próximo por amor a Deus cumpre, não somente a lei da caridade, senão também toda a lei de Deus, isto é, cumpre todos os mandamentos.

Na verdade, o amor do próximo, longe de ser de natureza diferente do amor de Deus é, uma única e mesma coisa. Não há, pois, separação entre esse dois sentimentos, sendo o amor do próximo o transbordar do próprio amor de Deus.  Como já ensinara o Divino Mestre, o amor verdadeiro se manifesta sobretudo em relação aos inimigos. Portanto o motivo do amor  verdadeiro ao próximo não pode se basear em motivos puramente humanos, ou seja, simpatia, beleza, interesse, liame de sangue etc. Seria amor puramente humano. E como disse Jesus: isto até os pagãos fazem. Portanto o amor verdadeiro é sobrenatural porque tem por motivo o amor de Deus. Por exemplo como fazer o bem a estranhos, e mais, como perdoar e fazer bem aos inimigos que nos odeiam. Só o amor de Deus nos pode levar a isto! Foi assim que Jesus fez, e assim os santos O imitaram. É o amor de Deus que me impele a amar o que o mundo rejeita. É o amor de Deus que me mostra em cada coração um templo do Espírito Santo, ou que possa vir a sê-lo. Assim o amor de Deus e o amor do próximo vêm, pois, a ligar-se de tal forma que lá não existe o primeiro onde falta o segundo. É no amor de Deus, que o amor do próximo tem seu motivo e sua fonte. E se quisermos saber se temos o lídimo amor a Deus, é só verificarmos se amamos o próximo verdadeira e desinteressadamente.


O afeto que liga dois corações não se revela apenas na íntima satisfação por ele experimentada  ou, então, na tristeza que os martiriza na separação, e sim, acima de tudo, no respeito, nos favores, nos sacrifícios, nos auxílios mutuamente dados e recebidos. Hoje infelizmente reina o egoísmo. Mas ama verdadeiramente quem deseja o bem da pessoa amada, e até se sacrifica em benefício dela, sempre por amor a Deus e para imitar a Jesus Cristo, Nosso Senhor. Quem tem este amor sobrenatural ao próximo cumpre toda lei, isto é, observa todos os mandamentos. Amém! 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

O perigo da Ambiguidade e o Bom Senso

   Vimos no post anterior o que é uma coisa ambígua. O que pode ser interpretado em dois sentidos. Algo, portanto, perigoso. E por isto mesmo autores clássicos, como por exemplo Cícero, empregaram o adjetivo "ambiguus" para significar "perigoso". 

   Vamos compreendê-lo com um exemplo infelizmente  acontecido, e não simples ficção. Trata-se do maior desastre aéreo até hoje acontecido. Ocorreu em 27 de Março de 1977, no Aeroporto de Tenerife, que fica nas Ilhas Canárias. Dois Jumbos, um da Pan Am e outro da companhia aérea da Holanda KLM, se chocaram quando se preparavam para decolar. Morreram 612 pessoas. 

  Mas, qual a causa desta tão terrível tragédia? A ambiguidade, e foi uma ambiguidade apenas fônica. Foi o seguinte: a torre de controle havia ordenado a um dos pilotos "Hold position", isto é, sustente a posição, ou seja, FIQUE PARADO. Mas o piloto entendeu "Roll to position", o que quer dizer: vá para a posição, isto é, SIGA. O piloto do outro jumbo recebeu esta última ordem bem entendida. E foi assim que os dois aviões se chocaram em pleno aeroporto. 

   Então a partir deste dia a aviação internacional retirou do seu vocabulário a expressão "roll to position", trocando-a por outra que não provocasse dúvidas e novos desastres. A avião internacional agiu segundo o bom senso. Não se limitou a avisar que os pilotos ficassem mais atentos para não se equivocarem. Não disse que estivessem bem convencidos dos significados das duas expressões. Em se tratando de vidas humanas,  a voz do bom senso exigia a máxima segurança. 

   Agora, apenas, uma ficção. Suponhamos (só para efeito de argumentação) que desde Santos Dumont (início do século XX) a expressão de comando fosse outra sem a mínima ambiguidade de som, tanto assim que nunca tinha havido mal entendido neste ponto, e, consequentemente, nunca ninguém tinha morrido por isto. Pois bem, depois deste acidente tão fatídico, tão triste, suponhamos que a aviação internacional não  quisesse voltar à expressão tradicional que nunca apresentou perigo de ambiguidade. Isto seria o cúmulo da ausência de bom senso. Seria um absurdo inqualificável. 

   Caríssimos e amados leitores, sirva tudo isto como parábola.            
   A Santa Igreja é o avião que nos conduz ao Céu. Quando se trata de avião é mister empregar sempre o mais seguro. E todo cuidado é pouco quando se trata de se chegar ao Céu ou não. Céu e inferno são eternos. Felicidade eterna ou infelicidade eterna. Por isto, a Santa Igreja, como Mãe solícita e bondosa sempre ostentou uma clareza singular nos seus dogmas. Por exemplo, a Santa Missa, que é ao mesmo tempo a sua oração por excelência e uma explícita profissão de fé, clara e sem ambiguidades, deu tantos frutos de santidade! Foi sempre uma barreira inexpugnável contra as heresias, defendendo a fé dos seus filhos. Por isto os protestantes tinham ódio da Missa de sempre. E por que elogiaram tanto a Missa Nova? Porque em si mesma tem ambiguidades. E podendo ser feita em vernáculo poderia ser assim manipulada à vontade! 

   No Concílio Vaticano II, para dar apenas um exemplo, trocou-se a expressão "A Igreja de Cristo é a Igreja Católica" por esta outra tão ambígua que até os que querem explicá-la no bom sentido, sentem dificuldade: "A Igreja de Cristo subsiste na Igreja Católica". Quer dizer: a primeira expressão inequívoca deste o início do Cristianismo nunca pôde ser interpretada heterodoxamente e os católicos nunca tiveram a mínima dificuldade em entendê-la. Mas no Concílio Vaticano II, para dar azo ao ecumenismo, aquela expressão foi trocada pela outra mais difícil de ser entendida pelos católicos e com uma facilidade imensa de ser explorada pelos inimigos da Igreja, como realmente foi e está sendo mesmo após o Magistério Vivo dizer que o sentido verdadeiro é o da Tradição. É o perigo da ambiguidade. 

   O pior é que as almas estão se perdendo. Os desastres na fé provocados por estas ambiguidades têm consequências eternas. Milhões de católicos estão passando para as seitas. E o pior de tudo isto é que pessoas que comandam o avião da Igreja continuam com as expressões novas ambíguas. E péssimo é que as antigas são "detritos". As expressões inequivocamente tradicionais foram inseridas no Concilio Vat. II apenas como acessórios descartáveis, com a finalidade única de conseguir todas as assinaturas dos Padres do Concilio. A maioria do Concílio (que era modernista), terminado o Concílio, na prática, tiraria as consequências das ambiguidades, e descartaria os acessórios tradicionais. Uma árvore má só pode dar maus frutos.

Parece que não poderia haver algo mais triste, lamentável e desastroso do que o Papa empregar uma linguagem ambígua em questões dogmáticas (a indissolubilidade do Matrimônio e a presença real de Jesus Cristo Eucarístico). No entanto, mais desastroso, lamentável e triste do que isto, é o fato de o Soberano Pontífice, se recusar a responder às respeitosas e bem fundadas "DUBIAS"  que os quatro cardeais lhe apresentaram. Se se tratasse de um possível desastre ambiental certamente logo procuraria dar uma explicação (aliás, ao tratar deste assunto (LAUDATO SI) usou de muita clareza!). Às vezes, fico a pensar que as profecias de Nossa Senhora de La Salete já se estão cumprindo! Rezemos não só para que estes quatro cardeais vão à frente e não retrocedam, mas que apareçam outros em defesa da doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém!









AMBIGUIDADE

    O QUE É AMBIGUIDADE?

   Já que o Português veio do Latim, comecemos por este. E por trilhar caminho mais seguro, vejamos pelo uso clássico. Não resta dúvida que Virgílio foi um grande escritor latino. Pois bem, ele empregou a palavra ambiguus para significar: o que tem dois sentidos (Eneidas 3, 180). Este seria o sentido próprio. Cícero empregou o termo ambiguus no sentido de enganador (já no sentido figurado). Se um gesto, ato ou palavra têm dois sentidos, naturalmente podem levar ao engano. 

  Em Português, ambíguo significa equívoco, incerto, impreciso. O antônimo é: claro, preciso, firme. 

  Vamos, agora, ao mais importante e seguro: O que diz a Bíblia Sagrada?
   
  Disse Nosso Senhor Jesus Cristo: "Seja o vosso falar: sim, sim; não, não. Tudo o que disso passa, procede do maligno" (S. Mateus V, 37). 
  São Tiago repete a mesma pregação de Jesus: "Mas seja a vossa palavra: - sim, sim - não, não - para que não caiais sob o peso do juízo" (S. Tiago V, 12). 
  Lemos no Eclesiástico II, 14: "Ai do coração dobre... e do pecador que anda sobre a terra por dois caminhos". No capítulo V, 11 do mesmo livro: "Não te voltes a todo vento, e não andes por todos os caminhos, porque é assim que todo pecador se dá a conhecer pela duplicidade da sua língua". 
  Provérbios, VIII, 13: "O temor do Senhor odeia o mal. Eu detesto a arrogância e a soberba, o mau proceder e a LÍNGUA DUPLA".
  Destaquei esta última citação do Livro dos Provérbios porque é sobre ela que me deterei mais um pouco. Língua dupla é justamente a língua que profere ambiguidades, ou palavras de dois sentidos e portanto enganadoras.  Estudamos em Teologia que, todas as vezes que as Sagradas Escrituras empregam a palavra  detestar ou detestável etc. isto significa que se trata de algum mal grave. Estudamos isto na Teologia quando se trata de saber o que seria pecado grave ou leve. 
   
   Logo, em se tratando de ambiguidades que provocam desastres na fé e portanto, de consequências eternas, é evidente, que neste caso, se revestem de uma gravidade incomensurável. Sabemos que a Santa Madre Igreja sempre ostentou uma clareza singular nos seus dogmas, definidos no decorrer dos séculos pelos vários Papas e Concílios. 

   Como "Ut legem credendi statuat lex suplicandi" (A lei da oração =[liturgia] estabelece a lei da fé), o principal instrumento da Tradição da Igreja está encerrado nas suas orações e toda a Liturgia é um escrínio da Fé católica, e o culto que a Igreja rende a Deus é uma contínua profissão de fé católica. Daí o primeiro caráter do heresia anti-litúrgica é o ódio da Tradição nas fórmulas do culto divino. "Todo sectário - diz D. Guéranger - querendo introduzir uma nova doutrina, encontra-se infalivelmente em presença da liturgia, que é a Tradição no seu mais alto poder, e ele não terá repouso senão quando tiver feito calar esta voz, senão quando tiver rasgado estas páginas que exalam a fé dos séculos passados(...). Nada mais claro do que as rubricas da Liturgia tradicional!

  E os modernistas empregaram a ambiguidade em tudo, mas sobretudo no Concílio Vaticano II e no "Novus Ordo Missae" como a arma mais poderosa. Sem julgar as intenções, o que só pertence a Deus, objetivamente vemos sem dificuldade e com clareza que o Concílio Vaticano II não primou por uma linguagem inequívoca. 

  A ambiguidade é tão perigosa que não adianta o Magistério Vivo da Igreja ficar sempre dizendo qual é o sentido verdadeiro. Os inimigos da Igreja sempre tirarão suas consequências no sentido que não é o verdeiro. E 50 anos foram suficientes, sobretudo para quem os vem acompanhando, para se perceber que os modernistas no Concilio tiveram a intenção (como parece mostrar o cardeal Kasper) [houve até no Concílio quem declarou esta sua intenção; mas é claro não podemos julgar e generalizar; veremos no dia do Juízo] de colocar ambiguidades onde poderiam tirar depois suas conclusões. E tudo parece indicar que eles entendiam que Concílio Pastoral era sinônimo de Ecumenismo. E talvez a ambiguidade tenha sido empregada para se poder fazer  ecumenismo. Por amor à brevidade e a estreiteza do espaço de um post, cito apenas esta passagem do Concílio Vaticano II: "A Igreja de Cristo subsiste na Igreja Católica". Todos os Santos, Papas, Concílios  e Doutores sempre ensinaram que a Igreja de Cristo é a Igreja Católica. O povo católico nunca teve dificuldade em entendê-lo. Agora, o tal "subsist in", "subsiste em" é tão difícil de entender que até os teólogos se sentem embaraçados na ginástica que fazem para explicá-lo. Então a Pastoral não é para o povo entender melhor, mas para os protestantes se sentirem melhor e mais firmes nas suas heresias. Que Concílio Pastoral é esse!!! Queremos deixar claro o seguinte: o que o Concílio repetiu da Tradição e não o deturpou por nenhuma ambiguidade é bom!!! Mas há um axioma que diz: "Bonum ex integra causa, malum ex quocumque defectu".  Extraindo pela raiz  o que há de defeituoso, ambíguo e perigoso do Concilio Vaticano II, este não provocará mais meio século de discussões e desastres. Tornar-se-á uma boa árvore e dará bons frutos. É o que certamente fará o Magistério Vivo, Perene e Infalível da Santa Madre Igreja.  Quando não sabemos! Como o Concílio Vaticano II não definiu nada, restará o pouco que nele traz da Tradição. 

Continua no próximo post: Os perigos da ambiguidade.