SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

NO TRIBUNAL DA MISERICÓRDIA O CONFESSOR É TAMBÉM JUIZ

LEITURA ESPIRITUAL MEDITADA

 A Sagrada Escritura no Evangelho de S. João, V, 22 diz: "O Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo poder de julgar...". Também lemos no capítulo 20, 21 a 23: "Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós. Tendo dito estas palavras, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos". Portanto, o poder de julgar e daí o de perdoar ou não, foi dado a Jesus Cristo e este mesmo poder Jesus Cristo o comunicou aos sacerdotes no confessionário. Assim todo confessor é juiz e o juízo que exerce é o do próprio Deus.

São Cipriano, por isso mesmo, chama a confissão de: "O Juízo antecipado de Cristo". Na verdade, Nosso Senhor Jesus Cristo, na pessoa de seu ministro, pronuncia agora por antecipação uma sentença que não fará senão confirmar quando a alma comparecer diante d'Ele no momento da morte. São Cipriano com este expressão "o juízo antecipado de Cristo" quer significar que o homem culpado tem de sujeitar-se a dois juízos: um presente ao qual preside a mais tocante misericórdia; o outro futuro, onde tudo será pesado na balança da mais rigorosa justiça. Portanto está nas mãos do pecador se livrar, por assim dizer, do terrível tribunal da justiça, aproximando-se com fé do tribunal da misericórdia. Tudo que for apagado, remido, perdoado no juízo sofrido durante a vida, será suprimido no juízo que deve seguir à morte. Daí a exclamação de São Bernardo: "O Senhor não voltará sobre uma causa já julgada. O que tiver sido decretado no tribunal da Igreja, está decretado no tribunal de Deus; é uma só e mesma sentença".

Um juiz deve primeiramente  tomar conhecimento da causa que é chamado a julgar; em seguida deve examiná-la e considerar todas as circunstâncias, finalmente deve pronunciar a sentença. É isto também, caríssimos, o que deve fazer o confessor. Ele deve em primeiro lugar conhecer os pecados que o penitente cometeu, deve em seguida avaliar a sua gravidade, assim como atender às disposições do pecador. E, no caso de ter visto as boas disposições do penitente, dá a absolvição e impõe uma penitência proporcional na medida das possibilidades de cada um. Com já tivemos oportunidade de demonstrar, para o confessor exercer corretamente este poder divino de julgar e perdoar, terá que ouvir cada um em particular. Daí a confissão tem que ser auricular.


Finalmente devemos concluir que o confessor é juiz de nossas consciências, de nossas disposições; é juiz, outrossim, da própria absolvição  e é juiz para impor a devida e praticável penitência. Devemos, contudo, observar que Jesus Cristo é Juiz e, sendo Deus, julga vendo Ele mesmo o íntimo de cada um. Assim, por exemplo, perdoou ao homem paralítico. Mas o padre, julga somente pelo que o próprio penitente diz. Não pode julgar além disto. E a conclusão que se tira é a necessidade de o penitente ser sincero. Não o sendo por ocultar pecado mortal, e/ou por não dizer o número dos pecados mortais e/ou as circunstâncias que mudam a espécie de pecado, embora o confessor dê a absolvição, Jesus Cristo não perdoa e ainda pedirá contas ao pecador pelo sacrilégio. 





quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

O perigo da Ambiguidade e o Bom Senso

   Vimos no post anterior o que é uma coisa ambígua. O que pode ser interpretado em dois sentidos. Algo, portanto, perigoso. E por isto mesmo autores clássicos, como por exemplo Cícero, empregaram o adjetivo "ambiguus" para significar "perigoso". 

   Vamos compreendê-lo com um exemplo infelizmente  acontecido, e não simples ficção. Trata-se do maior desastre aéreo até hoje acontecido. Ocorreu em 27 de Março de 1977, no Aeroporto de Tenerife, que fica nas Ilhas Canárias. Dois Jumbos, um da Pan Am e outro da companhia aérea da Holanda KLM, se chocaram quando se preparavam para decolar. Morreram 612 pessoas. 

  Mas, qual a causa desta tão terrível tragédia? A ambiguidade, e foi uma ambiguidade apenas fônica. Foi o seguinte: a torre de controle havia ordenado a um dos pilotos "Hold position", isto é, sustente a posição, ou seja, FIQUE PARADO. Mas o piloto entendeu "Roll to position", o que quer dizer: vá para a posição, isto é, SIGA. O piloto do outro jumbo recebeu esta última ordem bem entendida. E foi assim que os dois aviões se chocaram em pleno aeroporto. 

   Então a partir deste dia a aviação internacional retirou do seu vocabulário a expressão "roll to position", trocando-a por outra que não provocasse dúvidas e novos desastres. A avião internacional agiu segundo o bom senso. Não se limitou a avisar que os pilotos ficassem mais atentos para não se equivocarem. Não disse que estivessem bem convencidos dos significados das duas expressões. Em se tratando de vidas humanas,  a voz do bom senso exigia a máxima segurança. 

   Agora, apenas, uma ficção. Suponhamos (só para efeito de argumentação) que desde Santos Dumont (início do século XX) a expressão de comando fosse outra sem a mínima ambiguidade de som, tanto assim que nunca tinha havido mal entendido neste ponto, e, consequentemente, nunca ninguém tinha morrido por isto. Pois bem, depois deste acidente tão fatídico, tão triste, suponhamos que a aviação internacional não  quisesse voltar à expressão tradicional que nunca apresentou perigo de ambiguidade. Isto seria o cúmulo da ausência de bom senso. Seria um absurdo inqualificável. 

   Caríssimos e amados leitores, sirva tudo isto como parábola.            
   A Santa Igreja é o avião que nos conduz ao Céu. Quando se trata de avião é mister empregar sempre o mais seguro. E todo cuidado é pouco quando se trata de se chegar ao Céu ou não. Céu e inferno são eternos. Felicidade eterna ou infelicidade eterna. Por isto, a Santa Igreja, como Mãe solícita e bondosa sempre ostentou uma clareza singular nos seus dogmas. Por exemplo, a Santa Missa, que é ao mesmo tempo a sua oração por excelência e uma explícita profissão de fé, clara e sem ambiguidades, deu tantos frutos de santidade! Foi sempre uma barreira inexpugnável contra as heresias, defendendo a fé dos seus filhos. Por isto os protestantes tinham ódio da Missa de sempre. E por que elogiaram tanto a Missa Nova? Porque em si mesma tem ambiguidades. E podendo ser feita em vernáculo poderia ser assim manipulada à vontade! 

   No Concílio Vaticano II, para dar apenas um exemplo, trocou-se a expressão "A Igreja de Cristo é a Igreja Católica" por esta outra tão ambígua que até os que querem explicá-la no bom sentido, sentem dificuldade: "A Igreja de Cristo subsiste na Igreja Católica". Quer dizer: a primeira expressão inequívoca deste o início do Cristianismo nunca pôde ser interpretada heterodoxamente e os católicos nunca tiveram a mínima dificuldade em entendê-la. Mas no Concílio Vaticano II, para dar azo ao ecumenismo, aquela expressão foi trocada pela outra mais difícil de ser entendida pelos católicos e com uma facilidade imensa de ser explorada pelos inimigos da Igreja, como realmente foi e está sendo mesmo após o Magistério Vivo dizer que o sentido verdadeiro é o da Tradição. É o perigo da ambiguidade. 

   O pior é que as almas estão se perdendo. Os desastres na fé provocados por estas ambiguidades têm consequências eternas. Milhões de católicos estão passando para as seitas. E o pior de tudo isto é que pessoas que comandam o avião da Igreja continuam com as expressões novas ambíguas. E péssimo é que as antigas são "detritos". As expressões inequivocamente tradicionais foram inseridas no Concilio Vat. II apenas como acessórios descartáveis, com a finalidade única de conseguir todas as assinaturas dos Padres do Concilio. A maioria do Concílio (que era modernista), terminado o Concílio, na prática, tiraria as consequências das ambiguidades, e descartaria os acessórios tradicionais. Uma árvore má só pode dar maus frutos.

Parece que não poderia haver algo mais triste, lamentável e desastroso do que o Papa empregar uma linguagem ambígua em questões dogmáticas (a indissolubilidade do Matrimônio e a presença real de Jesus Cristo Eucarístico). No entanto, mais desastroso, lamentável e triste do que isto, é o fato de o Soberano Pontífice, se recusar a responder às respeitosas e bem fundadas "DUBIAS"  que os quatro cardeais lhe apresentaram. Se se tratasse de um possível desastre ambiental certamente logo procuraria dar uma explicação (aliás, ao tratar deste assunto (LAUDATO SI) usou de muita clareza!). Às vezes, fico a pensar que as profecias de Nossa Senhora de La Salete já se estão cumprindo! Rezemos não só para que estes quatro cardeais vão à frente e não retrocedam, mas que apareçam outros em defesa da doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém!









AMBIGUIDADE

    O QUE É AMBIGUIDADE?

   Já que o Português veio do Latim, comecemos por este. E por trilhar caminho mais seguro, vejamos pelo uso clássico. Não resta dúvida que Virgílio foi um grande escritor latino. Pois bem, ele empregou a palavra ambiguus para significar: o que tem dois sentidos (Eneidas 3, 180). Este seria o sentido próprio. Cícero empregou o termo ambiguus no sentido de enganador (já no sentido figurado). Se um gesto, ato ou palavra têm dois sentidos, naturalmente podem levar ao engano. 

  Em Português, ambíguo significa equívoco, incerto, impreciso. O antônimo é: claro, preciso, firme. 

  Vamos, agora, ao mais importante e seguro: O que diz a Bíblia Sagrada?
   
  Disse Nosso Senhor Jesus Cristo: "Seja o vosso falar: sim, sim; não, não. Tudo o que disso passa, procede do maligno" (S. Mateus V, 37). 
  São Tiago repete a mesma pregação de Jesus: "Mas seja a vossa palavra: - sim, sim - não, não - para que não caiais sob o peso do juízo" (S. Tiago V, 12). 
  Lemos no Eclesiástico II, 14: "Ai do coração dobre... e do pecador que anda sobre a terra por dois caminhos". No capítulo V, 11 do mesmo livro: "Não te voltes a todo vento, e não andes por todos os caminhos, porque é assim que todo pecador se dá a conhecer pela duplicidade da sua língua". 
  Provérbios, VIII, 13: "O temor do Senhor odeia o mal. Eu detesto a arrogância e a soberba, o mau proceder e a LÍNGUA DUPLA".
  Destaquei esta última citação do Livro dos Provérbios porque é sobre ela que me deterei mais um pouco. Língua dupla é justamente a língua que profere ambiguidades, ou palavras de dois sentidos e portanto enganadoras.  Estudamos em Teologia que, todas as vezes que as Sagradas Escrituras empregam a palavra  detestar ou detestável etc. isto significa que se trata de algum mal grave. Estudamos isto na Teologia quando se trata de saber o que seria pecado grave ou leve. 
   
   Logo, em se tratando de ambiguidades que provocam desastres na fé e portanto, de consequências eternas, é evidente, que neste caso, se revestem de uma gravidade incomensurável. Sabemos que a Santa Madre Igreja sempre ostentou uma clareza singular nos seus dogmas, definidos no decorrer dos séculos pelos vários Papas e Concílios. 

   Como "Ut legem credendi statuat lex suplicandi" (A lei da oração =[liturgia] estabelece a lei da fé), o principal instrumento da Tradição da Igreja está encerrado nas suas orações e toda a Liturgia é um escrínio da Fé católica, e o culto que a Igreja rende a Deus é uma contínua profissão de fé católica. Daí o primeiro caráter do heresia anti-litúrgica é o ódio da Tradição nas fórmulas do culto divino. "Todo sectário - diz D. Guéranger - querendo introduzir uma nova doutrina, encontra-se infalivelmente em presença da liturgia, que é a Tradição no seu mais alto poder, e ele não terá repouso senão quando tiver feito calar esta voz, senão quando tiver rasgado estas páginas que exalam a fé dos séculos passados(...). Nada mais claro do que as rubricas da Liturgia tradicional!

  E os modernistas empregaram a ambiguidade em tudo, mas sobretudo no Concílio Vaticano II e no "Novus Ordo Missae" como a arma mais poderosa. Sem julgar as intenções, o que só pertence a Deus, objetivamente vemos sem dificuldade e com clareza que o Concílio Vaticano II não primou por uma linguagem inequívoca. 

  A ambiguidade é tão perigosa que não adianta o Magistério Vivo da Igreja ficar sempre dizendo qual é o sentido verdadeiro. Os inimigos da Igreja sempre tirarão suas consequências no sentido que não é o verdeiro. E 50 anos foram suficientes, sobretudo para quem os vem acompanhando, para se perceber que os modernistas no Concilio tiveram a intenção (como parece mostrar o cardeal Kasper) [houve até no Concílio quem declarou esta sua intenção; mas é claro não podemos julgar e generalizar; veremos no dia do Juízo] de colocar ambiguidades onde poderiam tirar depois suas conclusões. E tudo parece indicar que eles entendiam que Concílio Pastoral era sinônimo de Ecumenismo. E talvez a ambiguidade tenha sido empregada para se poder fazer  ecumenismo. Por amor à brevidade e a estreiteza do espaço de um post, cito apenas esta passagem do Concílio Vaticano II: "A Igreja de Cristo subsiste na Igreja Católica". Todos os Santos, Papas, Concílios  e Doutores sempre ensinaram que a Igreja de Cristo é a Igreja Católica. O povo católico nunca teve dificuldade em entendê-lo. Agora, o tal "subsist in", "subsiste em" é tão difícil de entender que até os teólogos se sentem embaraçados na ginástica que fazem para explicá-lo. Então a Pastoral não é para o povo entender melhor, mas para os protestantes se sentirem melhor e mais firmes nas suas heresias. Que Concílio Pastoral é esse!!! Queremos deixar claro o seguinte: o que o Concílio repetiu da Tradição e não o deturpou por nenhuma ambiguidade é bom!!! Mas há um axioma que diz: "Bonum ex integra causa, malum ex quocumque defectu".  Extraindo pela raiz  o que há de defeituoso, ambíguo e perigoso do Concilio Vaticano II, este não provocará mais meio século de discussões e desastres. Tornar-se-á uma boa árvore e dará bons frutos. É o que certamente fará o Magistério Vivo, Perene e Infalível da Santa Madre Igreja.  Quando não sabemos! Como o Concílio Vaticano II não definiu nada, restará o pouco que nele traz da Tradição. 

Continua no próximo post: Os perigos da ambiguidade. 


domingo, 1 de janeiro de 2017

A PARÁBOLA DA FIGUEIRA ESTÉRIL

   Caríssimos, chegados que fomos, pela graça de Deus, ao término de mais um ano, será um santo e salutar pensamento fazer uma pequena meditação sobre a nossa vida, especialmente um exame de consciência sobre o ano que está terminando. Para tanto muito nos ajudarão algumas reflexões sobre a parábola da figueira estéril, feita pelo Divino Mestre e relatada por São Lucas no capítulo XIII de seu Evangelho. 

   Eis a parábola: "Um homem tinha uma figueira plantada na sua vinha, foi buscar fruto, e não o encontrou. Então disse ao cultivador da vinha: Eis que há três anos venho buscar fruto a esta figueira e não o encontro; corta-a; para que está ela ocupando terreno inutilmente? Ele, porém, respondendo, disse: Senhor, deixai-a ainda este ano, enquanto eu a cavo em roda e lhe lanço esterco; se der fruto, está bem. senão, cortá-la-ás depois". 

 Esta parábola, que ao primeiro aspecto, parece terrível, é pelo contrário, cheia de misericórdia. Se Deus estivesse resolvido a castigar-nos sem misericórdia, não nos teria prevenido assim tão claramente. 

   História do povo judeu, ela é também a história de muitas almas. Quantas, abusando da graça, ocupam na Igreja um lugar inútil. 

   O sentido geral desta parábola é o seguinte: Deus até certo ponto espera com paciência a conversão dos pecadores. Deus é o dono da vinha, sendo vinhateiro o próprio Jesus Cristo, que tudo fez para conseguir a conversão do seu povo de Israel e continua fazendo para salvar todas almas pela quais morreu na Cruz. 

   Façamos agora mais detalhadamente a aplicação desta parábola a cada um de nós: "Um homem tinha uma figueira plantada na sua vinha, foi buscar fruto, e não o encontrou". Devemos notar que Jesus antes de dizer esta parábola, havia pronunciado por duas vezes esta terrível sentença: "Se não fizerdes penitência, todos haveis de perecer". Depois dos cuidados que havia usado comigo, o Senhor decerto esperava achar em mim os frutos de santidade, ou dignos frutos de verdadeira penitência. Perguntemo-nos: será que Jesus os tem encontrado em mim? Parece-me ver essa figueira com as suas largas folhas; tudo favorecia a sua fecundidade; e todavia talvez era estéril. Em que estado me encontro a este respeito? 

   "Então disse o cultivador da vinha: Eis que há três anos venho buscar fruto a esta figueira e não o encontro; corta-a; para que está ela ocupando terreno inutilmente?"  Caríssimos, quem sabe somos obrigados a dizer: Senhor, dizeis muito pouco; há mais tempo ainda, que eu engano a vossa esperança. Na verdade, mereci a terrível sentença: Morte, toma a tua gadanha, vai cortar o fio de uma vida praticamente inútil. E, talvez, ó que terrível!!! não tenha minha vida sido só inútil mas nociva e contrária aos planos divinos a meu respeito. Senhor, dai-me ainda mais algum tempo para eu fazer dignos frutos de penitência. Quero aproveitar o resto de tempo que me resta. Tenha paciência comigo, Senhor, que pagarei, com a vossa graça, toda a dívida.

   "Ele, porém, respondendo, disse: Senhor, deixai-a ainda este ano, enquanto eu a cavo em roda e lhe lanço esterco; se der fruto, está bem, senão, cortá-la-ás depois". Para mim, como para a figueira, pediu-se uma delonga; Maria Santíssima desviou o golpe fatal, como, em Caná, conseguiu que Seu divino Filho antecipasse a sua hora, aqui conseguiu que a retardasse e ainda me desse a possibilidade de ter a alma fortalecida com o vinho da vida eterna. 

 Caríssimos, não esqueçamos, porém, que a excessiva bondade de Deus e de sua Mãe Santíssima, se dela abusarmos, atrairá sobre nós maior severidade. Portanto, demos frutos dignos de penitência: dignos de Deus e sua infinita misericórdia para conosco; dignos de mim também e dos meus interesses espirituais. Vamos detestar o mal que porventura tenhamos feito, tornar por outros caminhos como os Reis Magos, ter outro espírito e coração. Ajudai-me, Senhor; hoje começo; esta mudança será obra da vossa graça e da minha fidelidade. Amém!

   

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Como o moribundo deve vencer certas tentações do demônio

   
 Devemos resistir ao demônio, firmes na fé. Deus é fiel e nunca permite que o inimigo de nossa alma nos tente acima das forças. Quando Deus permite a tentação, é para a gente tirar dela proveito. Deus dá a todos a graça suficiente para se salvarem.

   Não há dúvida que as tentações na proximidade da morte, são mais terríveis. Quando o corpo está debilitado, a alma perde muitas vezes parte do seu vigor. É pois da maior importância estar premunido contra estes últimos e temíveis assaltos do demônio. 

   NAS TENTAÇÕES CONTRA FÉ: Não disputar com o inimigo. Quando o moribundo se sentir agitado por pensamentos de dúvida, contente-se com dizer, ou mesmo exprimir por sinais que crê em tudo o que crê e ensina a Santa Madre Igreja. Católica. 

   NAS TENTAÇÕES DE PRESUNÇÃO: Quanto mais uma pessoa tenha durante a vida se empenhado em dar bom exemplo, quanto mais tenha sofrido e dado mais edificação, tanto mais também o demônio a incita a confiar na sua própria justiça. É tentada a considerar os elogios que lhe dão, como prova certa de sua pretensa virtude. Neste caso, humilhe-se profundamente, e diga com o santo Jó: "Eu sei verdadeiramente que é assim, que o homem comparado com Deus não é justo. E, se quiser disputar com Deus, não lhe poderá responder por mil coisas uma só" (Jó, IX, 2 e 3). 

   NAS TENTAÇÕES DE DESESPERAÇÃO: O Espírito das trevas procura lembrar ao moribundo as suas obrigações e os favores talvez extraordinários que recebeu de Deus em sua vida. Pinta-lhe, então, as suas faltas com as cores mais vivas, e algumas vezes as mais exageradas: esforça-se o demônio por lhe persuadir que não poderá escapar à ira de um Deus tão santo, por ter abusado dos seus benefícios. 

É preciso fazer um último ato de esperança e de amor. 
  
 Bossuet diz a respeito da morte: "Os meus sentidos extinguem-se, a minha vida esvai-se; em breve passarão por onde eu estava: eis o seu quarto, dirão, eis o seu leito; e não me encontrarão lá. Como isto é triste! Sim, seria muito triste, se eu não tivesse esperança. Mas se tudo cai em redor de mim, vou para onde está tudo. Deus poderoso, Deus eterno, Deus feliz, alegro-me do vosso poder, da vossa eternidade, da vossa felicidade. Quando vos verei, ó luz, ó bem, ó fonte do bem. ó bem único, ó todo o bem, ó toda a perfeição, ó única perfeição; ó vós, que sois o ser por excelência, que sois tudo, em que eu estarei, que estareis em mim, que sereis tudo a todos, com quem eu serei um só espírito! Quando vos verei, ó princípio que não tendes princípio? Quando verei sair do vosso seio vosso Filho, que vos é igual? quando verei o vosso Santo Espírito proceder da vossa união, terminar a vossa fecundidade? Cala-te alma minha, não fales mais; para que balbuciar ainda, quando te vai falar a mesma verdade?..."

   Na verdade, uma boa morte não se improvisa, prepara-se. Geralmente como for a vida, será a morte. Quem procurou viver com o coração reto diante de Deus. vigiando sempre para observar os mandamentos e cumprir os deveres de estado; tendo todo empenho e cuidado em receber os sacramentos com as devidas disposições, deve confiar na misericórdia divina e desprezar as tentações do demônio na hora da morte. Os humildes e de coração reto poderão dizer adeus à Igreja militante já saudando a Igreja triunfante: Meus novos irmãos, ou melhor dizendo, meus amigos concidadãos, meus antigos irmãos, eu vos saúdo; brevemente vos abraçarei. Adeus, meus irmãos mortais, adeus! Ó Santa Igreja, eu não me despeço de vós. vou ver os profetas e os apóstolos, vossos fundamentos; os mártires, vossas vítimas; as virgens, vossa flor; os confessores, vosso ornamento; os Anjos e os Santos, vossos intercessores... Sinto-me morrer, fechai-me os olhos, envolvei-me nesta mortalha, enterrai-me... Jesus, Maria, José, recebei a minha alma. Assim seja!

      

domingo, 27 de novembro de 2016

HOMILIA SOBRE A EPÍSTOLA DO PRIMEIRO DOMINGO DO ADVENTO

  Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos 13, 11-14. 
                   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 21, 25-33. 

Observação: Neste ano, se Deus quiser, vamos fazer as homilias dominicais explicando as Epístolas. 

EPÍSTOLA DESTA SANTA MISSA DO 1º DOMINGO DO ADVENTO:

   "Irmãos: Sabeis que já é hora de despertar-vos do sono, pois, a salvação está agora mais perto de nós, do que quando abraçamos a fé. A noite passou e aproxima-se o dia. Renunciemos, portanto, às obras das trevas, e revistamo-nos das armas da luz. Caminhemos honestamente como quem anda em plena luz, não em excesso de comida ou de bebida, não em dissoluções e impurezas, nem em contendas e emulações. Pelo contrário, revesti-vos do Senhor Jesus Cristo."

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Primeiramente queria lembrar a todos que o pecador Agostinho, filho de Santa Mônica, passou definitivamente da trevas do erro e da morte do pecado para a luz da verdade e a vida da graça, através desta Epístola: Achando-se ele com seu amigo Alípio em um jardim, ouviu uma voz que lhe dizia: "Toma e lê". Impressionado com estas palavras misteriosas, segura o livro que vê ao seu lado e abre-o exatamente na página em que se encontra esta Epístola. Foi o golpe certeiro da graça a quebrar a última corrente férrea que ainda o detinha preso ao mundo de trevas e impurezas. Converteu-se! E oxalá, muitos e muitos lendo e meditando estas palavras inspiradas das Sagradas Escrituras, se convertam como aconteceu com Agostinho. 

   "Já é hora de despertarmos do sono".  Caríssimos, o sono é necessário para restaurar as forças, e por isto, reduz-nos à inércia. É indispensável para a vida física, mas referindo-se à vida espiritual, na linguagem ascética, o sono é sinônimo de negligência, de torpor nas coisas de Deus, é símbolo da tibieza. A alma vive esquecida de Deus, apegada que está muito mais à coisas exteriores da terra. Daí a oração ou é frequentemente omitida ou, então, feita com certo enfado. O mesmo acontece com a recepção dos sacramentos. A alma na tibieza fica alheia a todo amor divino e busca antes vãs consolações nos corações humanos. Quase não se mortifica. Preocupada com o tempo presente, não lhe interessam os destinos da vida futura. Nesta indolência espiritual a alma fica fraca e cai facilmente em pecado veniais deliberados e geralmente em quedas fatais. Do sono da alma passa facilmente à morte da alma. Por isso São Paulo define o pecado como sendo "obra das trevas". Na verdade é o príncipe das trevas que o inspira. E o pecado conduz ao reino das trevas. Por isso grita o Apóstolo: "Despojai-vos, pois, das obras das trevas" e "revistamo-nos das armas da luz". Devemos procurar a força na oração, meditação dos novíssimos, da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, procurar o força nos Sacramentos da Penitência e da Comunhão. Devemos estar acordados, bem vigilantes, para afastarmos as tentações do príncipe das trevas, com a mesma prontidão e energia com que afastamos uma brasa que cai em nossas vestes. 

   Assim com as palavras da Epístola da Missa deste 1º Domingo do Advento, São Paulo anima os tíbios a acordarem do sono do espírito; aos pecadores o Apóstolo ordena que rejeitem as obras das trevas. Aconselha os fracos que empunhem as armas da luz. A todos São Paulo exorta a que se revistam de Jesus Cristo. 

   Para terminar, caríssimos, vejamos o que significa afinal "revestir-se de Jesus Cristo". Significa tomar os mesmos sentimentos de Jesus Cristo, seguir a sua doutrina, imitar seus exemplos, reproduzir suas virtudes. Significa, outrossim, unir-se interiormente a Deus com o maior grau de santidade possível e exteriormente revelar, através da nossa conduta, a bondade, caridade, e doçura de Jesus Cristo. 

   Por isso, é com imensa tristeza que constatamos que muitos cristãos, em lugar de ser o perfume de Jesus Cristo entre os demais, violando, portanto, a missão que lhes cabe de revelarem Jesus aos homens, profanam com sua vida, a vida d'Aquele que deviam com suas virtudes honrar e glorificar. 

  Ó Jesus, fazei que, pela prática das virtudes, especialmente da humildade e mansidão, eu possa ser o bom odor vosso junto aos meus irmãos. Amém!

sábado, 26 de novembro de 2016

A FINALIDADE DAS CONSOLAÇÕES DO DIVINO ESPÍRITO SANTO

   Só são consolados os que choram: Bem-aventurados os que choram porque serão consolados (S. Mateus V, 5).  Uma alma que se sente bem no seu desterro, que aí busca sua alegria, constantemente ocupada em afastar o que incomoda, a procurar o que a lisonjeia, não deve esperar nada da sabedoria do alto. "Mas a sabedoria, onde se encontra ela? O homem não conhece o seu valor, nem ela se encontra na terra dos que vivem em delícias" (Jó, XXVIII, 12 e 13). As consolações do Espírito Santo são a recompensa ordinária da generosidade que se sacrifica pela glória e serviço de Deus.

   Os Apóstolos foram açoitados por terem anunciado a Jesus Cristo, e não podem conter seu gozo: Os primeiros cristãos abraçaram a fé, expunham-se a todos os sofrimentos e à morte; São Lucas só fala das consolações de que estavam cheios: "A Igreja enchia-se da consolação do Espírito Santo" (Atos IX, 31).

   Entre as visitas do Espírito Santo, podem-se distinguir três: a) visita de compaixão, para nos curar, combatendo a cegueira do nosso espírito e a dureza do nosso coração; b) visita de provações, para nos purificar. Quer habitar em nossas almas; mas se as vê governadas pela natureza, sensuais, vaidosas, deixa-nos sentir o peso das nossas miséria, para nos obrigar a recorrer a Ele.