SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

domingo, 8 de janeiro de 2017

SAGRADA FAMÍLIA - 1º Domingo depois da Epifania

  Foi postado em 2012.

 Leituras: Epístola aos Colossenses, 3, 12-17; Evangelho segundo São Lucas 2, 42-52.

   "E quando Jesus teve doze anos, subiram eles (Jesus e seus pais) a Jerusalém segundo o costume daquela festa. E acabados aqueles dias, ao regressarem, ficou o Menino Jesus em Jerusalém, sem que os seus pais dessem por isto. Julgando que Ele vinha com os da comitiva, caminharam um dia inteiro, e O procuravam entre os parentes e conhecidos. Mas não O achando, voltaram a Jerusalém para O procurar. Aconteceu que, depois de passados três dias, O acharam no templo, sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. E todos os que O ouviam, pasmavam de sua sabedoria e de suas respostas. Vendo-O, ficaram admirados. E disse-Lhe sua Mãe: Filho, por que nos fizeste isso? Eis que teu pai e eu Te procurávamos cheios de aflição. E Ele lhes disse: Por que me buscáveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai? Eles não entenderam o que Ele lhes disse. Então desceu com eles e veio para Nazaré; e lhes era submisso. Sua Mãe conservava todas essas coisas em seu coração. Entretanto, Jesus crescia em sabedoria, em idade e graça diante de Deus e dos homens."

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   1 -   " - Hoje - e pela última vez no ciclo do ano litúrgico - a Igreja apresenta-nos o mistério da vida humilde e escondida de Jesus. Um sentido de profunda intimidade e de ternura caracteriza a festa de hoje e transparece na liturgia: "... é doce para nós recordar a casinha de Nazaré e a vida modesta que ali se leva... Nela aprende Jesus o humilde ofício de José, e, na sombra cresce em idade, mostrando-Se feliz por partilhar o trabalho de carpinteiro. "Que o suor banhe os meus membros - diz Jesus - antes que sejam banhados com a efusão do meu sangue, e esta pena sirva de expiação para o gênero humano" (Breviário). Eis-nos dentro da casinha de Nazaré; à vista de tanta humildade, que oculta a infinita grandeza de Jesus, digamos também nós com o texto sagrado: "Vós sois verdadeiramente um Rei escondido, ó Deus Salvador, Rei de Israel" (ib.).
   A liturgia de hoje salienta sobretudo um dos aspectos típicos da vida humilde deste Deus escondido: a obediência. "Mesmo sendo o Filho de Deus,... aprendeu a obedecer;... humilhou-se a Si mesmo, fazendo-Se obediente até à morte" (Breviário): esta é a obediência que acompanhou Jesus desde Belém até ao Calvário. Mas o Evangelho de hoje (Luc. 2, 42-52) quer especialmente sublinhar a obediência de Jesus em Nazaré e fá-lo com uma frase realmente bela: "era-lhes submisso". Perguntemos com São Bernardo: "Quem obedece?" "A  quem obedece?" E o Santo responde-nos: um Deus aos homens; sim, Deus a quem estão sujeitos os anjos, está sujeito a Maria, e não só a Maria, mas também a José. É uma humildade sem exemplo. Homem, aprende a obedecer; pó da terra, aprende a humilhar-te; pó, aprende a submeter-te. Um Deus sujeita-Se aos homens e tu, procurando dominar os homens, pões-te acima do teu Autor?"

   2 - "Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?" Jesus tão humilde, tão submisso, não hesita em responder deste modo a Maria que docemente O repreende por Se ter demorado no templo sem o seu conhecimento nem o de José, enquanto eles, angustiados, há três dias O andavam procurando.
   Estas são as primeiras palavras de Jesus que nos refere o Evangelho e por Ele pronunciadas para declarar a Sua missão e afirmar a supremacia dos direitos de Deus. Apenas adolescente, Jesus ensina-nos que primeiro devemos ocupar-nos de Deus e das coisas de Deus; que é necessário dar sempre a Deus o primeiro lugar e a primeira obediência, ainda que seja preciso sacrificar os direitos da natureza e do sangue. Não é virtude, antes é muitas vezes pecado, aquela condescência para com os parentes e amigos que nos faz descurar ou simplesmente retardar o cumprimento da vontade de Deus.
   Dar primazia aos deveres para com Deus não significa, porém, descuidar os que temos para com o próximo. Também para estes e particularmente para os que dizem respeito à família, a festa deste dia chama a nossa atenção. Hoje, com efeito, a Igreja convida-nos a modelar a nossa vida de família - quer seja família natural ou religiosa, quer de qualquer outro agrupamento - segundo o exemplo da família de Nazaré e na Epístola (Col. 3, 12-17) mostra-nos as virtudes que com esse fim devemos praticar: "Revesti-vos de entranhas de misericórdia, de benignidade, de humildade, de modéstia, de paciência; sofrendo-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente".
  
   Colóquio - Ó Jesus, como gosto de Vos contemplar pequenino na pobre casinha de Nazaré junto de Maria e de José! Na Vossa vida, tão singela e humilde, em tudo semelhante à de qualquer menino da Vossa idade, Vós, esplendor do Pai, não quisestes coisa alguma que Vos distinguisse entre os filhos dos homens; Vós, sabedoria incriada, quisestes aprender de Maria e de José, criaturas Vossas, as coisas mais elementares e simples da  vida. José ensinava-vos a manejar os instrumentos de trabalho, e Vós observáveis com atenção, aprendíeis e obedecíeis; Maria ensinava-Vos os hinos sagrados e narrava-Vos as Escrituras e Vós, que sois o único verdadeiro "Mestre" e a mesma verdade, escutáveis em atitude de humilde discípulo. Nenhum dos Vossos conhecidos ou compatrícios podiam supor quem Vós éreis realmente: todos Vos tomavam por filho do carpinteiro e não faziam mais caso de Vós que dum pequeno aprendiz de oficina.
   Só Maria e José sabiam, conheciam por revelação divina que Vós éreis o Filho do Altíssimo, o Salvador do mundo e sabiam-no mais pela fé que pela experiência. A Vossa conduta habitual ocultava aos seus olhos a Vossa grandeza e a Vossa divindade, de tal maneira que, quando, sem darem por isso, ficastes no templo entre os doutores, não puderam compreender o motivo dessa estranha atitude.
   Isso, porém, não passou de um instante porque depressa voltastes à Vossa humilde vida oculta: viestes com eles e éreis-lhes submisso. E assim, dia após dia, até à idade dos trinta anos.
   Ó meu dulcíssimo Senhor, fazei que ao menos eu possa imitar um pouco a Vossa infinita humildade. Vós que, sendo Criador, quisestes obedecer às Vossa criaturas, ensinai-me a baixar a minha soberba cabeça e a obedecer voluntariamente aos meus superiores. Vós que descestes do céu à terra, concedei-me a graça de me humilhar e descer de uma vez, do pedestal do meu orgulho. Como suportar, meu Deus e Criador, ver-Vos fazer tão pequeno e humilde, quando eu, nada e pecado, me sirvo do que recebi para me elevar acima dos outros e preferir-me ainda aos que me são superiores?"
   (Extraído do livro "INTIMIDADE DIVINA"  do P. Gabriel de S.ta M. Madalena, O. C. D.)

  
  

   

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

FESTA DA EPIFANIA

LEITURAS: Epístola, Profeta Isaías 60, 1-6.
                      Evangelho segundo São Mateus 2, 1-12: 

   "Tendo Jesus nascido em Belém de Judá, nos dias do Rei Herodes, eis que do Oriente vieram uns Magos a Jerusalém, perguntando: Onde está o recém-nascido Rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-Lo. Ouvindo isto, o rei Herodes turbou-se e com ele toda Jerusalém. E convocando todos os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo, indagava deles onde Cristo nasceria. E eles disseram: Em Belém de Judá, porque assim está escrito pelo Profeta: E tu, Belém. terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá; porque de ti sairá o Guia, que há de governar o meu povo de Israel. Então Herodes chamando secretamente os Magos, inquiriu cuidadosamente deles o tempo em que lhes aparecera a estrela. E enviando-os a Belém, disse-lhes: Ide e perguntai diligentemente pelo Menino, e assim que O achardes, avisai-me para que eu vá também e O adore. Tendo eles ouvido as palavras do rei, foram-se. E eis que a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até que chagando, parou sobre o lugar em que estava o Menino. Vendo a estrela, ficaram possuídos de grandíssima alegria. E entraram na casa, e, prostrando-se, O adoraram. E abertos os seus tesouros ofereceram-Lhe como presentes ouro, incenso e mirra. E, sendo avisados em sonho que não voltassem a Herodes regressaram por outro caminho a seu país".

  Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Hoje celebra a Santa Madre Igreja a grande Festa da Epifania, palavra de origem grega que significa manifestação. São Paulo, referindo-se ao Natal de Jesus, disse na Epístola a Tito III, 4: "Manifestou-se a benignidade e a humanidade de Deus, nosso Salvador". O Verbo de Deus se fez carne, e habitou entre nós. Primeiro manifestou-se aos pobres e humildes pastores através de um Anjo. Depois manifestou-se aos povos gentios na pessoa dos Magos através de uma estrela.
   Mas quem eram estes Magos? A palavra Mago não deve ser tomada no mau sentido que hoje tem. Então significava pessoa poderosa, honrada com o sacerdócio no seu país e muito considerada pela sua ciência, principalmente pelos seus conhecimentos de astronomia. A tradição apresenta-no-los como reis. O texto sagrado na verdade não diz quantos eram. Mas a tradição aponta três e dá-lhes os nomes de Melchior, Baltasar e Gaspar. Diz ainda a tradição que eles foram mais tarde batizados e elevados ao episcopado pelo Apóstolo São Tomé, e finalmente martirizados. As suas relíquias são conservadas e honradas na Catedral de Colônia na Alemanha. O texto sagrado diz simplesmente que vinham do Oriente. Mas de que parte do Oriente? Uns autores assinalam a Caldeia, outros a Arábia, outros ainda a Pérsia. Muitos acham que eram descendentes de Balaão. Provavelmente chegaram a Jerusalém pouco antes ou pouco depois da Purificação.
 
   Mas, caríssimos e amados irmãos, o mais importante é o exemplo belíssimo de fidelidade à graça que  os Magos nos oferecem. "Vimos a estrela e viemos". Esta estrela é o sinal da graça, é a inspiração de Deus. Os Magos seguem, portanto, a luz da graça com prontidão e com grande constância. Quantos viram a estrela  e se contentaram com admirar o seu brilho, sem tratarem de descobrir o seu mistério? Quantos certamente compreenderam em vão o ensinamento que lhes dava? Só os Magos se aproveitaram da graça oferecida a todos. Deus chama-os ao berço de Seu Filho; obedecerão, quaisquer que sejam os sacrifícios que lhes pedir: Sacrifício de seu descanso: que fadigas preveem numa tão longa viagem e em semelhante estação! Sacrifício das suas inclinações mais queridas: família, pátria, amigos. Sacrifício da sua reputação: eles eram tidos por sábios, e o seu proceder é qualificado de loucura. E tudo isto fazem homens que são noviços na fé! Que lição para aqueles que são mestres, pregadores, guardas da fé! Os sacerdotes judeus que instruem a Herodes e aos Magos, onde se deve ir para achar o Salvador do Mundo e eles mesmos não vão. Mostram o caminho da verdade e não o seguem!.
   Os Magos seguem a luz da graça com prontidão. Apenas viram a estrela e ouviram a voz interior, apressam-se a obedecer. Vimos, graça que alumia e fala ao coração; e viemos, é a correspondência a essa graça. Nenhum intervalo entre conhecer o dever e cumpri-lo. Passam num instante da convicção ao desejo, do desejo à resolução, da resolução à prática. É nisto mesmo, diz Santo Tomás que consiste a verdadeira devoção. Que sabedoria há nesta prontidão, que perigos nas demoras da indolência! Se os Magos demorassem sua partida por alguns dias, teriam achado o adorável Menino? Quando Deus fala, uma simples irresolução é uma infidelidade, a menor demora um perigo. A graça tem o seu tempo. Diferir obedecer-lhe, é correr o risco de nunca lhe obedecer; perdida a ocasião, voltará ela? Terá Deus obrigação de esperar que eu queira receber os dons do seu amor? Não é a mim que me compete esperar que Ele se digne concedermos? Ó Jesus, aquele que cede à vossa graça senão o mais tarde possível, mostra bem que só cede com repugnância. Sua obediência é uma flor murcha.

   Os Magos seguem a luz da graça com grande constância. Como nada pôde impedir que tomassem a resolução que Deus queria, também nada os desanima na sua execução. Quantos obstáculos porém, quantas contradições capazes de destruir uma resolução menos firme! Tinham andado uma grande parte do caminho, estavam perto de Jerusalém; de repente a estrela desaparece: ei-los sem guia num país estrangeiro; quantos motivos de temor! Pensam acaso em voltar para a sua terra? Não, continuam a caminhar, apoiando-se não já no que veem, mas no que viram; a verdade é imutável, como o mesmo Deus: Se no meio de Jerusalém encontram um povo indiferente que mostra não se importar com o seu Rei e Salvador recém-nascido; se os doutores e sacerdotes lhes declaram friamente o lugar do seu nascimento, e não falam em ir com eles adorá-Lo; se Herodes se contenta com enviá-los para que O procurem, tudo isto os espanta, sem dúvida e os aflige, mas não os desalenta.
   As provações fazem parte essencial do plano divino. As obras de Deus só florescem à sombra da árvore da cruz. Devo conservar-me sempre pronto a seguir a vontade de Deus, apenas a estrela da fé ma tiver feito conhecer.
   Ó meu Deus, eu quero obedecer à vossa graça, sem escusas, sem demoras, sem cansaços, seguindo pelo caminho dos vossos mandamentos, pois sei perfeitamente que só neles se encontra a verdadeira vida.
    Com Santo Ambrósio digamos a Jesus: "Oh!  que bom Mestre eu sirvo"! Oh! como é bom procurá-Lo a ele unicamente, e servi-Lo de todo o nosso coração! Oh! como um homem, repousando no seio da Providência, está justamente em paz e em toda a segurança! Que não devo eu esperar da sua bondade, se não ponho obstáculo algum à sua graça? Amém!

domingo, 1 de janeiro de 2017

A PARÁBOLA DA FIGUEIRA ESTÉRIL

   Caríssimos, chegados que fomos, pela graça de Deus, ao término de mais um ano, será um santo e salutar pensamento fazer uma pequena meditação sobre a nossa vida, especialmente um exame de consciência sobre o ano que está terminando. Para tanto muito nos ajudarão algumas reflexões sobre a parábola da figueira estéril, feita pelo Divino Mestre e relatada por São Lucas no capítulo XIII de seu Evangelho. 

   Eis a parábola: "Um homem tinha uma figueira plantada na sua vinha, foi buscar fruto, e não o encontrou. Então disse ao cultivador da vinha: Eis que há três anos venho buscar fruto a esta figueira e não o encontro; corta-a; para que está ela ocupando terreno inutilmente? Ele, porém, respondendo, disse: Senhor, deixai-a ainda este ano, enquanto eu a cavo em roda e lhe lanço esterco; se der fruto, está bem. senão, cortá-la-ás depois". 

 Esta parábola, que ao primeiro aspecto, parece terrível, é pelo contrário, cheia de misericórdia. Se Deus estivesse resolvido a castigar-nos sem misericórdia, não nos teria prevenido assim tão claramente. 

   História do povo judeu, ela é também a história de muitas almas. Quantas, abusando da graça, ocupam na Igreja um lugar inútil. 

   O sentido geral desta parábola é o seguinte: Deus até certo ponto espera com paciência a conversão dos pecadores. Deus é o dono da vinha, sendo vinhateiro o próprio Jesus Cristo, que tudo fez para conseguir a conversão do seu povo de Israel e continua fazendo para salvar todas almas pela quais morreu na Cruz. 

   Façamos agora mais detalhadamente a aplicação desta parábola a cada um de nós: "Um homem tinha uma figueira plantada na sua vinha, foi buscar fruto, e não o encontrou". Devemos notar que Jesus antes de dizer esta parábola, havia pronunciado por duas vezes esta terrível sentença: "Se não fizerdes penitência, todos haveis de perecer". Depois dos cuidados que havia usado comigo, o Senhor decerto esperava achar em mim os frutos de santidade, ou dignos frutos de verdadeira penitência. Perguntemo-nos: será que Jesus os tem encontrado em mim? Parece-me ver essa figueira com as suas largas folhas; tudo favorecia a sua fecundidade; e todavia talvez era estéril. Em que estado me encontro a este respeito? 

   "Então disse o cultivador da vinha: Eis que há três anos venho buscar fruto a esta figueira e não o encontro; corta-a; para que está ela ocupando terreno inutilmente?"  Caríssimos, quem sabe somos obrigados a dizer: Senhor, dizeis muito pouco; há mais tempo ainda, que eu engano a vossa esperança. Na verdade, mereci a terrível sentença: Morte, toma a tua gadanha, vai cortar o fio de uma vida praticamente inútil. E, talvez, ó que terrível!!! não tenha minha vida sido só inútil mas nociva e contrária aos planos divinos a meu respeito. Senhor, dai-me ainda mais algum tempo para eu fazer dignos frutos de penitência. Quero aproveitar o resto de tempo que me resta. Tenha paciência comigo, Senhor, que pagarei, com a vossa graça, toda a dívida.

   "Ele, porém, respondendo, disse: Senhor, deixai-a ainda este ano, enquanto eu a cavo em roda e lhe lanço esterco; se der fruto, está bem, senão, cortá-la-ás depois". Para mim, como para a figueira, pediu-se uma delonga; Maria Santíssima desviou o golpe fatal, como, em Caná, conseguiu que Seu divino Filho antecipasse a sua hora, aqui conseguiu que a retardasse e ainda me desse a possibilidade de ter a alma fortalecida com o vinho da vida eterna. 

 Caríssimos, não esqueçamos, porém, que a excessiva bondade de Deus e de sua Mãe Santíssima, se dela abusarmos, atrairá sobre nós maior severidade. Portanto, demos frutos dignos de penitência: dignos de Deus e sua infinita misericórdia para conosco; dignos de mim também e dos meus interesses espirituais. Vamos detestar o mal que porventura tenhamos feito, tornar por outros caminhos como os Reis Magos, ter outro espírito e coração. Ajudai-me, Senhor; hoje começo; esta mudança será obra da vossa graça e da minha fidelidade. Amém!

   

domingo, 18 de dezembro de 2016

QUARTO DOMINGO DO ADVENTO - Explicação do Evangelho

Homilia dominical com explicação do Santo Evangelho da Missa do 4º Domingo do Advento.

Leituras: Primeira Epístola de São Paulo Apóstolo aos Coríntios, 4, 1-5.
                Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas, 3, 1-6:
  
  "No décimo quinto ano do império de Tibério César, governando Pôncio Pilatos a Judeia, sendo Herodes tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe, tetrarca de Itureia e da província de Traconites, e Lisânias tetrarca da Abilínia, sendo Anás e Caifás príncipes dos sacerdotes, foi a palavra do Senhor ouvida no deserto por João, filho de Zacarias. E veio por toda a região do Jordão, pregando o batismo da penitência para a remissão dos pecados, como está escrito no Livro das palavras do profeta Isaías: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. Todo vale se encherá, e todo monte e colina serão abaixados: os caminhos tortuosos tornar-se-ão retos e os ásperos, planos; e todo o homem verá o Salvador enviado por Deus". 

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Com a graça de Deus, vamos meditar nesta passagem do Santo Evangelho de hoje: "Foi a palavra do Senhor ouvida no deserto por João".  Estas palavras significam que São João recebeu positivamente de Deus, por inspiração ou pelo ministério dum Anjo, a ordem de anunciar o advento do Messias, e de Lhe preparar os caminhos, pregando a penitência. A vocação do Precursor era portanto autêntica e divina. São Paulo, falando da vocação ao sacerdócio, diz que ninguém pode assumir esta honra se não for chamado por Deus como Aarão (Cf. Heb. V, 4). Em Jeremias XIII, 16 e segs. e em Ezequiel XIII, Deus queixa-se em termos severos dos pregadores sem missão, que ousam, por sua própria e ilegítima autoridade, assumir o ministério da palavra.
Zona tradicional do ministério de S. João Batista, segundo
os Gregos Ortodoxos, que visitam o local uma vez por ano.
Na íngreme margem, no alto, construíram o Mosteiro
de São Jerônimo (foto abaixo). 
  João Batista se tinha retirado para o deserto desde tenra idade. Ali se preparou para a missão divina com uma vida de recolhimento, de penitência, de oração e intimidade com Deus.

   Na verdade, exige-se uma vocação especial para ser sacerdote ou religioso(a). Não seguir a vocação a que Deus nos destina, escolher por capricho, presunção ou leviandade, um ou outro estado de vida diferente daquele a que Deus nos destina, é uma desordem. Fora da vocação nada sucede bem; fora da vocação não há perfeição, não há felicidade. É como um peixe fora d'água. O Profeta Jonas, em vez de embarcar para Nínive, como Deus tinha mandado, foi para Tarso. O que aconteceu? ...
   É, pois, necessário examinar a que estado Deus nos chama, conhecer qual a vontade de Deus a nosso respeito. Vai nisso a nossa felicidade neste mundo e no outro. No entanto, com que ligeireza muitos escolhem tal ou qual estado e se lançam nele!

Mosteiro de São Jerônimo, mantido pelos Gregos
Ortodoxos. Construção do período bizantino.
   É outrossim necessário dispor-se a ouvir o chamamento divino. A exemplo de São João Batista é mister passar uma vida de recolhimento, de oração, de penitência e de trabalho para se conhecer a vontade de Deus e ouvir com presteza e docilidade a Sua voz. O retiro é necessário porque Deus não está na agitação. A oração é indispensável porque conhecer a vontade de Deus é uma graça e é necessário pedi-la durante muito tempo.
   É preciso acrescentar uma vida de trabalho e penitência, evitando toda ociosidade. É preciso mortificar a carne. A ociosidade e a carne tornam a alma surda à voz de Deus. Quem se deixa escravizar pelas suas paixões nunca vai ouvir a voz de Deus.

   Mas como faz Deus conhecer a sua vontade atinente à vocação? Comumente Deus não chama miraculosamente como fez, por exemplo com São Paulo. Mas com certeza cumpre a sua promessa ajudando com as suas luzes todos aqueles que têm boa vontade e Lhe pedem. Mostrar-lhe-á o caminho a seguir, quer despertando neles uma inclinação interior e forte, dando-lhes aptidões especiais para tal ou tal estado, quer por meio de um confessor e diretor espiritual sábio e esclarecido, que fala em nome de Deus, ou ainda suscitando tal ou tal acontecimento inesperado que decide da vocação e do futuro duma pessoa. Deus conduz os justos por um caminho admirável.

   É também necessário ouvir a voz de Deus com coragem, prontidão e fidelidade. Corajosamente, isto é, custe o que custar. E quando se trata de seguir a vocação sacerdotal ou religiosa sempre aparecem obstáculos, às vezes até dos familiares, que neste caso são os nossos maiores inimigos.
    É preciso seguir o chamado de Deus, prontamente, isto é, sem demora. Toda a demora é uma espécie de resistência à vontade de Deus, que priva a vontade da sua graça e a enfraquece. A um rapaz que Jesus convida a que o siga, e que pede tempo até sepultar seu pai, Jesus responde: "Deixe que os mortos sepultem os mortos, tu, porém, vem e anuncia a reino de Deus".
    Por último, é preciso seguir a Jesus com fidelidade, isto é, é necessário ser muito exato no cumprimento de todos os deveres da sua vocação.
    Meus caríssimos irmãos, vede a vossa vocação. Que cada um se esforce, quanto possível, por conhecer a sua vocação e ser-lhe fiel. Livrem-se os pais de violentar seus filhos em assunto de tanta importância e de lhes impor a sua vontade com manifesto prejuízo da de Deus. Recordem-se que a fidelidade em seguir a vontade de Deus na escolha dum estado de vida é um penhor de bênçãos divinas e de salvação. Amém!
 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

"Tota pulchra es, Maria, et macula originalis non est in te".

   "Não, Maria não pôde cometer o pecado atual, como não pôde contrair o pecado original; pois se ela tivesse sido manchada pelo pecado, teria havido um instante em que a Mãe de DEUS foi inimiga de DEUS". (Duns Scotto).
     Achando-se em 1823, os Padres Mestres em Teologia Cassitti e Chignatara, da Ordem dos Pregadores, presentes ao exorcismo de um menino iletrado de 12 anos, em Ariano da Apúlia, Itália, impuseram-lhe provar teologicamente com um soneto de rimas obrigadas, a Imaculada Conceição de Maria Santíssima. Soneto estemporâneo, que em 1854, lido pelo imortal Pontífice Pio IX, hoje beatificado, lhe arrancou lágrimas de ternura. Para não me alongar vou dar só a versão portuguesa:

   Mãe verdadeira, eu sou dum DEUS que é Filho, 
   E d'Ele Filha sou bem que sua Mãe,
   Ab aeterno nasceu, e Ele é meu Filho, 
   Se bem nasci no tempo, eu sou sua Mãe:

   Ele é meu Criador, mas é meu Filho,
   Sua criatura eu sou e sou sua Mãe;
   Prodígio foi divino o ser meu Filho
   Um DEUS  eterno, e o ter-me por Mãe:

   Comum é quase o ser à Mãe e ao Filho:
   Porque do Filho teve o ser a Mãe,
   E da Mãe o ser também o Filho:

   Ora, se o ser do Filho teve a Mãe;
   Ou se dirá que foi manchado o Filho,
   Ou sem labéu se há de dizer a Mãe.

   Saudemos a Imaculada Conceição, com as palavras de São João Damasceno: "Salve, ó trono e assento de DEUS magnificentíssimo, no qual DEUS repousa mais dignamente que mesmo sobre os coros das potestades celestiais. Salve, ó lírio, cujo broto, Jesus Cristo, veste todas as açucenas do campo. Salve, ó paraíso, mais belo que o Eden, no qual medram todas as flores da virtude e se levanta a árvore da vida da qual saboreamos o fruto da imortalidade, não mais retidos pela espada chamejante do anjo".  

domingo, 4 de dezembro de 2016

HOMILIA DOMINICAL: 2º Domingo do Advento - Explicação da Epístola

   Leituras: Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos 15, 4-13.
   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 11, 2-10. 

EPÍSTOLA DE SÃO PAULO APÓSTOLO AOS ROMANOS 15, 4-13:

   "Irmãos: Tudo o que está escrito foi escrito para nosso ensinamento, para que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança. O Deus da paciência e da consolação vos dê que tenhais entre vós sentimentos segundo Jesus Cristo, para que, unânimes, a uma voz, honreis a Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso, socorrei uns aos outros, como também Cristo vos recebeu para glória de Deus. Digo-vos, pois, que Jesus Cristo foi ministro da circuncisão, em testemunho da fidelidade de Deus, e para confirmar as promessas feitas aos nossos pais. Quanto aos gentios, que também glorifiquem a Deus em sua misericórdia, como está escrito: Por isso confessar-Vos-ei entre os povos, Senhor, e cantarei hinos a vosso nome. E novamente diz: Alegrai-vos, nações, com o seu povo. E ainda: Louvai ao Senhor, todos os povos: engrandecei-O, todas as nações. E também diz Isaías: Sairá uma raiz de Jessé e as nações esperarão n'Aquele que dela se levantará para regê-las. O Deus da esperança vos encha de toda alegria e paz em vossa fé; para que abundeis na esperança e na virtude do Espírito Santo". 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Com a graça de Deus, vou explanar apenas a primeira frase da Epístola da missa deste segundo domingo do Advento. Na verdade, só estas palavras já nos oferecem assunto para mais de uma homilia. Trata-se, pois, de mostrar o valor da palavra de Deus e não a de um homem. 

   "Para mim, dizia Santa Teresinha do Menino Jesus, nada mais encontro nos outros livros que me desperte interesse. Tudo o que eu quero está no Evangelho". E o Livro da Imitação de Cristo afirma: "Duas coisas são necessárias para a vida do homem, o alimento e a luz. Por isso, deu-nos o Senhor o seu Corpo para alimento espiritual e a sua santa palavra para dirigir nossos passos". Dizia Taine: "O Evangelho é a força indispensável para alevantar o homem acima de si mesmo, de sua vida rasteira e de seus horizontes limitados, para conduzi-lo através da paciência, da resignação e da esperança até a tranquilidade de espírito; para conseguir a temperança, a pureza e a bondade até a dedicação e ao sacrifício". Belas são igualmente as palavras do Cardeal Maffi: "Náufrago no mar tempestuoso, o pobre Camões com uma das mãos batia as ondas e com a outra levantava fora d'água o manuscrito dos Lusíadas que o haviam de imortalizar. Sobre as ondas que se elevam e me envolvem está o poema de Deus que levantarei para o alto. É meu guia, minha esperança e minha salvação". 

   Tudo o que está na Sagrada Escritura foi escrito para a nossa instrução moral e religiosa, a fim de que, admoestados à paciência pelos exemplos dos livros santos e confortados com as palavras divinas, aumente em nós a esperança dos bens celestiais a que temos direito como filhos de Deus. 

   Toda doutrina, para ser perfeita, deve ser útil seja a inteligência como à vontade. Tal é a doutrina das Sagradas Escrituras: "Eu sou o Senhor teu Deus que te ensino coisas úteis" (Isaías 40, 17): é útil à inteligência: ensina a verdade e rejeita a falsidade; é útil à vontade: afasta-nos do mal e nos leva ao bem. Só uma grande doutrina pode fazer isso. Por isso São Paulo diz expressamente: "Toda a Escritura divinamente inspirada, é útil para ensinar, para repreender, para corrigir, para formar na justiça" (2 Timóteo 3, 16). A Sagrada Escritura é útil para ensinar a verdade; para repreender a falsidade e o erro; para corrigir o mal; para formar no bem, na virtude e na santidade. Como devemos ser agradecidos a Deus, Nosso Senhor e Pai, por nos ter dado tão inestimável dom!

   O fim primário que Deus teve em mira ao dar aos homens a instrução perfeita das Escrituras foi robustecer a nossa atitude em vista da bem-aventurança eterna, fim último para o qual fomos criados. Sua consecução exige violência, por causa das muitas dificuldades. Mas Deus dispôs as suas Escrituras, doutrinais e práticas, para que nos acompanhem e nos ajudem a superar estas dificuldades; e isto dando-nos ensinamentos e exemplos acerca do sofrimento e das consolações que dele promanam. Não se pode imaginar quanto os sofrimentos e as consolações nos ajudam; destas dois coisas estão cheias as Escrituras. "Tudo o que está escrito para o nosso ensino está escrito; a fim de que pela paciência e consolação (das quais lemos nas Escrituras), tenhamos esperança".

   As Escrituras, outrossim, não tratam só da paciência e da consolação de que falamos, mas as infundem, As palavras de Deus são operativas porque são dotadas de uma força admirável, não só de apresentar, mas de infundir o que querem: propõe-nos paciência e consolação e ao mesmo tempo nolas infundem. A palavra de Deus penetra até o íntimo sendo mais penetrante que uma espada de dois gumes: com um gume penetra na inteligência, com o outro, na vontade, apoderando-se completamente de nós. Como a espada de dois gumes, a palavra de Deus penetra também com suma rapidez e profundidade.

   Sejam, pois, caríssimos, as Sagradas Escrituras o nosso alimento predileto: tomemo-lo, e procuremos assimilá-lo. Assim teremos paciência e consolação como aqueles nobres Macabeus, que, em duríssimas provas, protestavam que não precisavam de nenhum auxílio neste mundo, porque tinham conforto suficiente nas Sagradas Escrituras que manuseavam continuamente, juntamente com as armas: "Temos para nossa consolação os livros santos, que estão em nossas mãos" (I Macabeus 12, 9).

   Este é o fim maravilhoso ao qual se destinam as Escrituras Sagradas: "Tudo o que está escrito para o nosso ensino está escrito; a fim de que pela paciência e consolação das Escrituras, tenhamos esperança". Amém!

   

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Como o moribundo deve vencer certas tentações do demônio

   
 Devemos resistir ao demônio, firmes na fé. Deus é fiel e nunca permite que o inimigo de nossa alma nos tente acima das forças. Quando Deus permite a tentação, é para a gente tirar dela proveito. Deus dá a todos a graça suficiente para se salvarem.

   Não há dúvida que as tentações na proximidade da morte, são mais terríveis. Quando o corpo está debilitado, a alma perde muitas vezes parte do seu vigor. É pois da maior importância estar premunido contra estes últimos e temíveis assaltos do demônio. 

   NAS TENTAÇÕES CONTRA FÉ: Não disputar com o inimigo. Quando o moribundo se sentir agitado por pensamentos de dúvida, contente-se com dizer, ou mesmo exprimir por sinais que crê em tudo o que crê e ensina a Santa Madre Igreja. Católica. 

   NAS TENTAÇÕES DE PRESUNÇÃO: Quanto mais uma pessoa tenha durante a vida se empenhado em dar bom exemplo, quanto mais tenha sofrido e dado mais edificação, tanto mais também o demônio a incita a confiar na sua própria justiça. É tentada a considerar os elogios que lhe dão, como prova certa de sua pretensa virtude. Neste caso, humilhe-se profundamente, e diga com o santo Jó: "Eu sei verdadeiramente que é assim, que o homem comparado com Deus não é justo. E, se quiser disputar com Deus, não lhe poderá responder por mil coisas uma só" (Jó, IX, 2 e 3). 

   NAS TENTAÇÕES DE DESESPERAÇÃO: O Espírito das trevas procura lembrar ao moribundo as suas obrigações e os favores talvez extraordinários que recebeu de Deus em sua vida. Pinta-lhe, então, as suas faltas com as cores mais vivas, e algumas vezes as mais exageradas: esforça-se o demônio por lhe persuadir que não poderá escapar à ira de um Deus tão santo, por ter abusado dos seus benefícios. 

É preciso fazer um último ato de esperança e de amor. 
  
 Bossuet diz a respeito da morte: "Os meus sentidos extinguem-se, a minha vida esvai-se; em breve passarão por onde eu estava: eis o seu quarto, dirão, eis o seu leito; e não me encontrarão lá. Como isto é triste! Sim, seria muito triste, se eu não tivesse esperança. Mas se tudo cai em redor de mim, vou para onde está tudo. Deus poderoso, Deus eterno, Deus feliz, alegro-me do vosso poder, da vossa eternidade, da vossa felicidade. Quando vos verei, ó luz, ó bem, ó fonte do bem. ó bem único, ó todo o bem, ó toda a perfeição, ó única perfeição; ó vós, que sois o ser por excelência, que sois tudo, em que eu estarei, que estareis em mim, que sereis tudo a todos, com quem eu serei um só espírito! Quando vos verei, ó princípio que não tendes princípio? Quando verei sair do vosso seio vosso Filho, que vos é igual? quando verei o vosso Santo Espírito proceder da vossa união, terminar a vossa fecundidade? Cala-te alma minha, não fales mais; para que balbuciar ainda, quando te vai falar a mesma verdade?..."

   Na verdade, uma boa morte não se improvisa, prepara-se. Geralmente como for a vida, será a morte. Quem procurou viver com o coração reto diante de Deus. vigiando sempre para observar os mandamentos e cumprir os deveres de estado; tendo todo empenho e cuidado em receber os sacramentos com as devidas disposições, deve confiar na misericórdia divina e desprezar as tentações do demônio na hora da morte. Os humildes e de coração reto poderão dizer adeus à Igreja militante já saudando a Igreja triunfante: Meus novos irmãos, ou melhor dizendo, meus amigos concidadãos, meus antigos irmãos, eu vos saúdo; brevemente vos abraçarei. Adeus, meus irmãos mortais, adeus! Ó Santa Igreja, eu não me despeço de vós. vou ver os profetas e os apóstolos, vossos fundamentos; os mártires, vossas vítimas; as virgens, vossa flor; os confessores, vosso ornamento; os Anjos e os Santos, vossos intercessores... Sinto-me morrer, fechai-me os olhos, envolvei-me nesta mortalha, enterrai-me... Jesus, Maria, José, recebei a minha alma. Assim seja!