SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

domingo, 1 de janeiro de 2017

A PARÁBOLA DA FIGUEIRA ESTÉRIL

   Caríssimos, chegados que fomos, pela graça de Deus, ao término de mais um ano, será um santo e salutar pensamento fazer uma pequena meditação sobre a nossa vida, especialmente um exame de consciência sobre o ano que está terminando. Para tanto muito nos ajudarão algumas reflexões sobre a parábola da figueira estéril, feita pelo Divino Mestre e relatada por São Lucas no capítulo XIII de seu Evangelho. 

   Eis a parábola: "Um homem tinha uma figueira plantada na sua vinha, foi buscar fruto, e não o encontrou. Então disse ao cultivador da vinha: Eis que há três anos venho buscar fruto a esta figueira e não o encontro; corta-a; para que está ela ocupando terreno inutilmente? Ele, porém, respondendo, disse: Senhor, deixai-a ainda este ano, enquanto eu a cavo em roda e lhe lanço esterco; se der fruto, está bem. senão, cortá-la-ás depois". 

 Esta parábola, que ao primeiro aspecto, parece terrível, é pelo contrário, cheia de misericórdia. Se Deus estivesse resolvido a castigar-nos sem misericórdia, não nos teria prevenido assim tão claramente. 

   História do povo judeu, ela é também a história de muitas almas. Quantas, abusando da graça, ocupam na Igreja um lugar inútil. 

   O sentido geral desta parábola é o seguinte: Deus até certo ponto espera com paciência a conversão dos pecadores. Deus é o dono da vinha, sendo vinhateiro o próprio Jesus Cristo, que tudo fez para conseguir a conversão do seu povo de Israel e continua fazendo para salvar todas almas pela quais morreu na Cruz. 

   Façamos agora mais detalhadamente a aplicação desta parábola a cada um de nós: "Um homem tinha uma figueira plantada na sua vinha, foi buscar fruto, e não o encontrou". Devemos notar que Jesus antes de dizer esta parábola, havia pronunciado por duas vezes esta terrível sentença: "Se não fizerdes penitência, todos haveis de perecer". Depois dos cuidados que havia usado comigo, o Senhor decerto esperava achar em mim os frutos de santidade, ou dignos frutos de verdadeira penitência. Perguntemo-nos: será que Jesus os tem encontrado em mim? Parece-me ver essa figueira com as suas largas folhas; tudo favorecia a sua fecundidade; e todavia talvez era estéril. Em que estado me encontro a este respeito? 

   "Então disse o cultivador da vinha: Eis que há três anos venho buscar fruto a esta figueira e não o encontro; corta-a; para que está ela ocupando terreno inutilmente?"  Caríssimos, quem sabe somos obrigados a dizer: Senhor, dizeis muito pouco; há mais tempo ainda, que eu engano a vossa esperança. Na verdade, mereci a terrível sentença: Morte, toma a tua gadanha, vai cortar o fio de uma vida praticamente inútil. E, talvez, ó que terrível!!! não tenha minha vida sido só inútil mas nociva e contrária aos planos divinos a meu respeito. Senhor, dai-me ainda mais algum tempo para eu fazer dignos frutos de penitência. Quero aproveitar o resto de tempo que me resta. Tenha paciência comigo, Senhor, que pagarei, com a vossa graça, toda a dívida.

   "Ele, porém, respondendo, disse: Senhor, deixai-a ainda este ano, enquanto eu a cavo em roda e lhe lanço esterco; se der fruto, está bem, senão, cortá-la-ás depois". Para mim, como para a figueira, pediu-se uma delonga; Maria Santíssima desviou o golpe fatal, como, em Caná, conseguiu que Seu divino Filho antecipasse a sua hora, aqui conseguiu que a retardasse e ainda me desse a possibilidade de ter a alma fortalecida com o vinho da vida eterna. 

 Caríssimos, não esqueçamos, porém, que a excessiva bondade de Deus e de sua Mãe Santíssima, se dela abusarmos, atrairá sobre nós maior severidade. Portanto, demos frutos dignos de penitência: dignos de Deus e sua infinita misericórdia para conosco; dignos de mim também e dos meus interesses espirituais. Vamos detestar o mal que porventura tenhamos feito, tornar por outros caminhos como os Reis Magos, ter outro espírito e coração. Ajudai-me, Senhor; hoje começo; esta mudança será obra da vossa graça e da minha fidelidade. Amém!

   

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Como o moribundo deve vencer certas tentações do demônio

   
 Devemos resistir ao demônio, firmes na fé. Deus é fiel e nunca permite que o inimigo de nossa alma nos tente acima das forças. Quando Deus permite a tentação, é para a gente tirar dela proveito. Deus dá a todos a graça suficiente para se salvarem.

   Não há dúvida que as tentações na proximidade da morte, são mais terríveis. Quando o corpo está debilitado, a alma perde muitas vezes parte do seu vigor. É pois da maior importância estar premunido contra estes últimos e temíveis assaltos do demônio. 

   NAS TENTAÇÕES CONTRA FÉ: Não disputar com o inimigo. Quando o moribundo se sentir agitado por pensamentos de dúvida, contente-se com dizer, ou mesmo exprimir por sinais que crê em tudo o que crê e ensina a Santa Madre Igreja. Católica. 

   NAS TENTAÇÕES DE PRESUNÇÃO: Quanto mais uma pessoa tenha durante a vida se empenhado em dar bom exemplo, quanto mais tenha sofrido e dado mais edificação, tanto mais também o demônio a incita a confiar na sua própria justiça. É tentada a considerar os elogios que lhe dão, como prova certa de sua pretensa virtude. Neste caso, humilhe-se profundamente, e diga com o santo Jó: "Eu sei verdadeiramente que é assim, que o homem comparado com Deus não é justo. E, se quiser disputar com Deus, não lhe poderá responder por mil coisas uma só" (Jó, IX, 2 e 3). 

   NAS TENTAÇÕES DE DESESPERAÇÃO: O Espírito das trevas procura lembrar ao moribundo as suas obrigações e os favores talvez extraordinários que recebeu de Deus em sua vida. Pinta-lhe, então, as suas faltas com as cores mais vivas, e algumas vezes as mais exageradas: esforça-se o demônio por lhe persuadir que não poderá escapar à ira de um Deus tão santo, por ter abusado dos seus benefícios. 

É preciso fazer um último ato de esperança e de amor. 
  
 Bossuet diz a respeito da morte: "Os meus sentidos extinguem-se, a minha vida esvai-se; em breve passarão por onde eu estava: eis o seu quarto, dirão, eis o seu leito; e não me encontrarão lá. Como isto é triste! Sim, seria muito triste, se eu não tivesse esperança. Mas se tudo cai em redor de mim, vou para onde está tudo. Deus poderoso, Deus eterno, Deus feliz, alegro-me do vosso poder, da vossa eternidade, da vossa felicidade. Quando vos verei, ó luz, ó bem, ó fonte do bem. ó bem único, ó todo o bem, ó toda a perfeição, ó única perfeição; ó vós, que sois o ser por excelência, que sois tudo, em que eu estarei, que estareis em mim, que sereis tudo a todos, com quem eu serei um só espírito! Quando vos verei, ó princípio que não tendes princípio? Quando verei sair do vosso seio vosso Filho, que vos é igual? quando verei o vosso Santo Espírito proceder da vossa união, terminar a vossa fecundidade? Cala-te alma minha, não fales mais; para que balbuciar ainda, quando te vai falar a mesma verdade?..."

   Na verdade, uma boa morte não se improvisa, prepara-se. Geralmente como for a vida, será a morte. Quem procurou viver com o coração reto diante de Deus. vigiando sempre para observar os mandamentos e cumprir os deveres de estado; tendo todo empenho e cuidado em receber os sacramentos com as devidas disposições, deve confiar na misericórdia divina e desprezar as tentações do demônio na hora da morte. Os humildes e de coração reto poderão dizer adeus à Igreja militante já saudando a Igreja triunfante: Meus novos irmãos, ou melhor dizendo, meus amigos concidadãos, meus antigos irmãos, eu vos saúdo; brevemente vos abraçarei. Adeus, meus irmãos mortais, adeus! Ó Santa Igreja, eu não me despeço de vós. vou ver os profetas e os apóstolos, vossos fundamentos; os mártires, vossas vítimas; as virgens, vossa flor; os confessores, vosso ornamento; os Anjos e os Santos, vossos intercessores... Sinto-me morrer, fechai-me os olhos, envolvei-me nesta mortalha, enterrai-me... Jesus, Maria, José, recebei a minha alma. Assim seja!

      

domingo, 27 de novembro de 2016

HOMILIA SOBRE A EPÍSTOLA DO PRIMEIRO DOMINGO DO ADVENTO

  Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos 13, 11-14. 
                   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 21, 25-33. 

Observação: Neste ano, se Deus quiser, vamos fazer as homilias dominicais explicando as Epístolas. 

EPÍSTOLA DESTA SANTA MISSA DO 1º DOMINGO DO ADVENTO:

   "Irmãos: Sabeis que já é hora de despertar-vos do sono, pois, a salvação está agora mais perto de nós, do que quando abraçamos a fé. A noite passou e aproxima-se o dia. Renunciemos, portanto, às obras das trevas, e revistamo-nos das armas da luz. Caminhemos honestamente como quem anda em plena luz, não em excesso de comida ou de bebida, não em dissoluções e impurezas, nem em contendas e emulações. Pelo contrário, revesti-vos do Senhor Jesus Cristo."

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Primeiramente queria lembrar a todos que o pecador Agostinho, filho de Santa Mônica, passou definitivamente da trevas do erro e da morte do pecado para a luz da verdade e a vida da graça, através desta Epístola: Achando-se ele com seu amigo Alípio em um jardim, ouviu uma voz que lhe dizia: "Toma e lê". Impressionado com estas palavras misteriosas, segura o livro que vê ao seu lado e abre-o exatamente na página em que se encontra esta Epístola. Foi o golpe certeiro da graça a quebrar a última corrente férrea que ainda o detinha preso ao mundo de trevas e impurezas. Converteu-se! E oxalá, muitos e muitos lendo e meditando estas palavras inspiradas das Sagradas Escrituras, se convertam como aconteceu com Agostinho. 

   "Já é hora de despertarmos do sono".  Caríssimos, o sono é necessário para restaurar as forças, e por isto, reduz-nos à inércia. É indispensável para a vida física, mas referindo-se à vida espiritual, na linguagem ascética, o sono é sinônimo de negligência, de torpor nas coisas de Deus, é símbolo da tibieza. A alma vive esquecida de Deus, apegada que está muito mais à coisas exteriores da terra. Daí a oração ou é frequentemente omitida ou, então, feita com certo enfado. O mesmo acontece com a recepção dos sacramentos. A alma na tibieza fica alheia a todo amor divino e busca antes vãs consolações nos corações humanos. Quase não se mortifica. Preocupada com o tempo presente, não lhe interessam os destinos da vida futura. Nesta indolência espiritual a alma fica fraca e cai facilmente em pecado veniais deliberados e geralmente em quedas fatais. Do sono da alma passa facilmente à morte da alma. Por isso São Paulo define o pecado como sendo "obra das trevas". Na verdade é o príncipe das trevas que o inspira. E o pecado conduz ao reino das trevas. Por isso grita o Apóstolo: "Despojai-vos, pois, das obras das trevas" e "revistamo-nos das armas da luz". Devemos procurar a força na oração, meditação dos novíssimos, da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, procurar o força nos Sacramentos da Penitência e da Comunhão. Devemos estar acordados, bem vigilantes, para afastarmos as tentações do príncipe das trevas, com a mesma prontidão e energia com que afastamos uma brasa que cai em nossas vestes. 

   Assim com as palavras da Epístola da Missa deste 1º Domingo do Advento, São Paulo anima os tíbios a acordarem do sono do espírito; aos pecadores o Apóstolo ordena que rejeitem as obras das trevas. Aconselha os fracos que empunhem as armas da luz. A todos São Paulo exorta a que se revistam de Jesus Cristo. 

   Para terminar, caríssimos, vejamos o que significa afinal "revestir-se de Jesus Cristo". Significa tomar os mesmos sentimentos de Jesus Cristo, seguir a sua doutrina, imitar seus exemplos, reproduzir suas virtudes. Significa, outrossim, unir-se interiormente a Deus com o maior grau de santidade possível e exteriormente revelar, através da nossa conduta, a bondade, caridade, e doçura de Jesus Cristo. 

   Por isso, é com imensa tristeza que constatamos que muitos cristãos, em lugar de ser o perfume de Jesus Cristo entre os demais, violando, portanto, a missão que lhes cabe de revelarem Jesus aos homens, profanam com sua vida, a vida d'Aquele que deviam com suas virtudes honrar e glorificar. 

  Ó Jesus, fazei que, pela prática das virtudes, especialmente da humildade e mansidão, eu possa ser o bom odor vosso junto aos meus irmãos. Amém!

sábado, 26 de novembro de 2016

A FINALIDADE DAS CONSOLAÇÕES DO DIVINO ESPÍRITO SANTO

   Só são consolados os que choram: Bem-aventurados os que choram porque serão consolados (S. Mateus V, 5).  Uma alma que se sente bem no seu desterro, que aí busca sua alegria, constantemente ocupada em afastar o que incomoda, a procurar o que a lisonjeia, não deve esperar nada da sabedoria do alto. "Mas a sabedoria, onde se encontra ela? O homem não conhece o seu valor, nem ela se encontra na terra dos que vivem em delícias" (Jó, XXVIII, 12 e 13). As consolações do Espírito Santo são a recompensa ordinária da generosidade que se sacrifica pela glória e serviço de Deus.

   Os Apóstolos foram açoitados por terem anunciado a Jesus Cristo, e não podem conter seu gozo: Os primeiros cristãos abraçaram a fé, expunham-se a todos os sofrimentos e à morte; São Lucas só fala das consolações de que estavam cheios: "A Igreja enchia-se da consolação do Espírito Santo" (Atos IX, 31).

   Entre as visitas do Espírito Santo, podem-se distinguir três: a) visita de compaixão, para nos curar, combatendo a cegueira do nosso espírito e a dureza do nosso coração; b) visita de provações, para nos purificar. Quer habitar em nossas almas; mas se as vê governadas pela natureza, sensuais, vaidosas, deixa-nos sentir o peso das nossas miséria, para nos obrigar a recorrer a Ele.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

CATECISMO DO SANTO CURA D'ARS SOBRE O SOFRIMENTO

   Queiramos ou não, temos que sofrer. Há uns que sofrem como o bom ladrão, e outros como o mau. Ambos sofriam igualmente. Mas um soube tornar seus sofrimentos meritórios; aceitou-os em espírito de reparação, e, voltando-se para o lado de Jesus crucificado, recolheu-lhe da boca estas belas palavras: "Hoje estarás comigo no paraíso". O outro, ao contrário, dava urros, vociferava imprecações e blasfêmias, e expirou no mais horroroso desespero.
   Há duas maneiras de sofrer; sofrer amando e sofrer sem amar. Os santos sofriam tudo com paciência, alegria e perseverança, porque amavam. Nós sofremos com cólera, despeito e frouxidão, porque não amamos. Se amássemos a Deus, amaríamos as cruzes, desejá-las-íamos, comprazer-nos-íamos nelas... Folgaríamos de poder sofrer por amor daquele que se dignou sofrer por nós. De que nos queixamos? Ai! os pobres infiéis, que não têm a ventura de conhecer a Deus e suas amabilidades infinitas, têm as mesmas cruzes que nós; mas não têm as mesmas consolações.
  Dizeis que é duro? Não, é doce, é consolador, é suave: é a felicidade!... Somente há que amar sofrendo, há que sofrer amando.
   No caminho da cruz, vede, meus filhos, só o primeiro passo custa. É o temor  das cruzes que é a nossa maior cruz...
   Não temos coragem de carregar a nossa cruz, andamos bem errados; porquanto, façamos o que fizermos, a cruz nos apanha, não lhe podemos escapar.
   Que temos pois a perder? porque não amarmos as nossas cruzes e não nos servirmos delas para irmos para o céu?... Mas, ao contrário, a maioria dos homens voltam as costas às cruzes e fogem diante delas. Quanto mais correm, tanto mais a cruz os persegue, tanto mais os fere e os esmaga de fardos... Se quereis ser prudentes, caminhai ao encontro dela como Santo André, que dizia, vendo a cruz erguer-se para ele nos ares: Salve, ó boa cruz! ó cruz admirável! ó cruz desejável!... recebe-me nos teus braços, retira-me de entre os homens, e restitui-me ao meu Mestre que me remiu por ti".
   Escutai bem isto, meus filhos: Aquele que vai ao encontro da Cruz, anda em sentido oposto às cruzes; encontra-as talvez, mas fica contente de encontrá-las; ama-as; carrega-as com coragem. Elas o unem a Nosso Senhor; tiram-lhe do coração todos os obstáculos; ajudam-no a atravessar a vida, como uma ponte ajuda a passar a água.
   Um bom religioso queixava-se um dia a Nosso Senhor de que o perseguiam. Dizia: "Senhor, que fiz eu para ser tratado assim?" Nosso Senhor respondeu-lhe: "E eu, que tinha feito quando me levaram ao calvário?... Então o religioso compreendeu, chorou, pediu perdão e não ousou mais queixar-se.
   As pessoas do mundo desolam-se quando têm cruzes, e os bons cristãos desconsolam-se quando não as têm. O cristão vive no meio das cruzes como o peixe vive n'água.
   Vede Santa Catarina, que tem duas coroas, a da pureza e a do martírio: quanto esta cara santa está contente de haver preferido sofrer a consentir no pecado!
   Havia bem perto daqui, numa paróquia da vizinhança, um rapazinho que estava todo esfolado no seu leito, bem doente e bem miserável; eu lhe dizia: "Meu pobre pequeno, tu sofres bem!" Ele respondeu-me: "Não, senhor cura, eu não sinto hoje o meu mal de ontem, e amanhã não sentirei o meu mal de hoje". - Quererias ficar bom? - Não, eu era mau antes de ficar doente; poderia ficar mau outra vez. Estou bem como estou..." Nós não compreendemos isso porque somos demasiado terrenos. Meninos em que o Espírito Santo reside metem-nos vergonha.
   Se o bom Deus nos manda cruzes, agastamo-nos, queixamo-nos, murmuramos, somos tão inimigos de tudo o que nos contraria, que quereríamos estar sempre numa caixa de algodão; é numa caixa de espinhos que nos deveríamos colocar.
   É pela cruz que se vai para o céu. As doenças, as tentações, as penas são outras tantas cruzes que nos conduzem ao céu. Tudo isso logo passará... Vede os santos que chegaram antes de nós... Deus não pede de nós o martírio do corpo, pede-nos apenas o martírio do coração e da vontade... Nosso Senhor é nosso modelo; tomemos a nossa cruz e sigamo-Lo.
   A cruz é a escada do céu... Como é consolador sofrer sob os olhos de Deus, e podermos dizer, à noite, por ocasião do nosso exame de consciência: "Eia! minh'alma, tiveste    hoje duas ou três horas de semelhança com Jesus Cristo: foste flagelada, coroada de espinhos, crucificada com Ele!... Oh! que tesouro para a morte!... Como é bom morrer quando se viveu na cruz!
   Deveríamos correr atrás das cruzes, como o avarento corre atrás do dinheiro... Só as cruzes é que nos tranquilizarão no dia do juízo. Quando chegar este dia, como seremos felizes das nossas desditas, ufanos das nossas humilhações e ricos dos nossos sacrifícios! ... A passagem para a outra vida do bom cristão, provado pela aflição, é como a de uma pessoa a quem transportam sobre um leito de rosas.
   As contradições põem-nos ao pé da cruz, e a cruz à porta do céu. Para chegar a este, é preciso que nos andem por cima, que sejamos vilipendiados, desprezados, pisados... Felizes neste mundo são só os que têm a calma da alma no meio das penas da vida: saboreiam as alegrias dos filhos de Deus... Todas as penas são doces quando sofridas em união com Nosso Senhor...
   Sofrer! Que importa? É só um momento. Se pudéssemos passar oito dias no céu, compreenderíamos o preço desse momento de sofrimento. Não acharíamos cruz bastante pesada, provação bastante amarga... A cruz é dádiva que Deus faz aos seus amigos.
   Devemos pedir o amor das cruzes: então elas se tornarão doces. Fiz a experiência disto durante quatro ou cinco anos. Fui bem caluniado, bem contradito, bem atropelado. Oh! eu tinha cruzes... quase as tinha mais do que as podia carregar! Pus-me a pedir o amor das cruzes: então fui feliz. Disse a mim mesmo: "Verdadeiramente, só há felicidade nisso!..." Nunca se deve olhar de onde vêm as cruzes: vêm de Deus. É sempre Deus que nos dá esse meio de lhe provarmos o nosso amor.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

POSSESSÃO DIABÓLICA


                                                   "Não deis lugar ao demônio" (Efésios IV, 27).
                                                                     "Sede, pois, sujeitos a Deus e resisti ao demônio, e ele fugirá de vós" (S. Tiago IV, 7).

Considerando que há muita desinformação atinente a este assunto tão angustiante, e isto até por parte de alguns exorcistas, achei por bem, visando a maior glória de Deus e o bem das almas, expô-lo aqui.

Caríssimos e amados leitores, em primeiro lugar serão de enorme utilidade algumas noções preliminares.

É certo que o demônio pode, por permissão de Deus, exercer influência e dirigir ataques contra o homem, produzindo nos sentidos externos ou internos, operações e impressões, anômalas, dolorosas e/ou aflitivas. Radicalmente perverso e maligno, lança mão de quanto possa contrariar a glória de Deus e a felicidade do homem.

Jesus Cristo diz que o demônio é invejoso e homicida deste o início da humanidade. Realmente com o pecado original dos nossos primeiros pais, o inimigo das almas passou a ter um grande império e a exercer uma acerba tirania. Mas com a vinda de Jesus Cristo que venceu este príncipe do mundo, do orgulho, da avareza e da impureza, o domínio do demônio diminuiu muito e visa muito mais atormentar as almas antes do que os corpos, acorrentando-as (quando elas se afastam de Jesus) com as cadeias do pecado. Quem não está com Jesus, estará com o demônio, como afirmou o divino Mestre: "Quem não está comigo, está contra mim" (Mat. XII, 30) . Este ataque do demônio às almas, é feito ordinariamente através das tentações de que já falamos em outro artigo. O ódio insaciável que o Maligno tem à humanidade leva-o também a lançar mão de todos os meios e, se lhe for dado, descarregar também sobre o corpo os mais pesados golpes. São os ataques extraordinários: possessão e obsessão.

O maior mal que pode acontecer a uma pessoa é ter sua alma possuída pelo demônio por meio do pecado mortal. De Judas Iscariotes Nosso Senhor Jesus Cristo disse que ele não estava limpo porque estava com o demônio. É infinitamente pior do que a possessão porque esta atinge o corpo, e, só indiretamente, às vezes, atinge a alma. Mas como a habitação da alma pelo demônio é algo invisível, são poucas as pessoas que se preocupam em sair deste estado o mais lastimável possível.

Falemos, então, da possessão propriamente dita. "Dois elementos  -   diz o Padre Tanquerey  -  constituem a possessão: a presença do demônio no corpo do possesso, e o império que ele exerce sobre esse corpo, e, por intermédio dele, sobre a alma. É este último ponto que nos cumpre explicar. O demônio não está unido ao corpo como a alma o está; não é com relação à alma senão um motor externo, e, se influi sobre ela, é por intermédio do corpo em que habita. Pode atuar diretamente sobre os membros do corpo e fazer-lhes executar toda a sorte de movimentos; indiretamente influi sobre as faculdades, na medida em que estas dependem do corpo para as suas operações". E continua o grande teólogo Padre Tanquerey: "Podem-se distinguir nos possessos dois estados distintos: o estado de crise e o estado de sossego. A crise é como uma espécie de acesso violento, em que o demônio manifesta o seu império tirânico, imprimindo ao corpo uma agitação febril que se traduz por contorções, explosões de raiva, palavras ímpias e blasfemas. Os pacientes parece que perdem então todo o sentimento do que neles se passa, e, voltando a si mesmos, não conservam lembrança alguma do que disseram ou fizeram, ou antes do que o demônio fez por eles. Só ao princípio é que sentem a irrupção do demônio; depois, parece que perdem a consciência de tudo isso".(...) "Nos intervalos de repouso, nada vem revelar a presença do espírito maligno: dir-se-ia que se retirou". [E aí alguns exorcistas se enganam].  

Como dizia o afamado exorcista, o Padre Gabriele Amorth, recentemente falecido: o demônio, às vezes, demora muito tempo para sair de um possesso.

Se, por um lado, muitos exorcistas  menos avisados ou nímia e apressadamente crédulos, fazem em vão o exorcismo, quando deveriam encaminhar o paciente ao médico; por outro lado, às vezes,  manifesta-se a presença do demônio por uma espécie de enfermidade crônica que desconcerta todos os recursos da medicina. O Exorcista prudente, quando subsiste alguma dúvida, deve enviar logo o paciente aos médicos. Daí, caríssimos leitores, será de suma importância conhecer os sinais certos da possessão diabólica. Um médico católico praticante, por outro lado,  como tenho a dita de conhecer alguns, pode fazer um bem imenso as almas. Quando fui Capelão de Hospitais, médicos católicos, procuravam-me e diziam: Padre,  V. Rev.ma pode atender tal paciente, porque não é caso para nós. E realmente não o era! E assim, pela graça de Deus, pude ajudar muitas almas e, talvez muitas vidas. 

Segundo o Ritual Romano Tradicional (De exorcizandis obsessis a daemonio), há três sinais principais que podem dar a conhecer a possessão: Primeiro: "ignota lingua loqui pluribus verbis vel loquentem intelligere", isto é, "falar uma língua desconhecida, fazendo uso de muitas palavras dessa língua, ou compreender quem a fala". Vede, caríssimos como o Ritual Tradicional é judicioso: "fazendo uso de muitas palavras dessa língua". (Certa vez, um falso exorcista fez um exorcismo de uma sua criada,  e querendo ela demonstrar que estava possessa, falou algumas poucas palavras em grego e hebraico, só com um detalhe, que ela as havia ouvido de seu amo. É preciso que todos saibam também que muitos pretensos exorcistas usam o hipnotismo de palco e enganam até multidões).  Mas passemos ao segundo sinal: "distantia, et occulta patefacere" "descobrir coisas remotas e ocultas". Por prudência, o exorcista deve hoje em dia, sobretudo por causa da Internet, procurar indagar se a pessoa não soube através da mídia (pode o sujeito dizer: em tal dia e em tal lugar haverá uma grande tempestade); e, em se tratando de predição do futuro, é prudente esperar se realmente vai realizar, e não se deve dar crédito com facilidade. Também o Exorcista não deve deixar se enganar por predições vagas. Hoje podemos dizer que este segundo sinal só oferece segurança juntamente com os outros dois sinais. Terceiro sinal: "vires supra aetatis seu conditiones naturam ostendere" "dar mostra de energias que ultrapassam as forças naturais da idade ou da condição". É evidente que se reunirem estes três sinais é quase certo que se trate de possessão. O Ritual Romano Tradicional, faz 21 observações antes das Orações do Exorcismo. Vou apenas resumir as principais: a que fala sobre os sinais de possessão já acabamos de mostrar. O Exorcista deve estar atento para descobrir possíveis artimanhas empregadas pelo demônio para se ocultar e não acontecer o Exorcismo, como p. ex. fazendo o possesso dormir, ou, então, deixando no momento o possesso em tranquilidade, fingindo não estar nele. Às vezes, também o demônio finge que já saiu e o exorcista, se não for prudente, cai na cilada. Outra coisa importante é o Exorcista está bem lembrado do que Jesus Cristo disse: "Há uma casta de demônios que só se expulsa pela oração e pelo jejum". O Exorcista, a exemplo do que fez Jesus Cristo, pode perguntar o número de demônios, seu nome e procurar saber por quanto tempo o possesso sofre nas garras do demônio. O Exorcista deve fazer o Exorcismo e ler com império e autoridade, com grande fé, humildade e fervor. Deve empregar palavras das Sagradas Escrituras e não próprias ou alheias. Deve obrigar o demônio a dizer se traz naquele corpo por magia signos ou instrumentos maléficos; e se os engoliu, obrigá-lo a vomitá-los. Também deve obrigar o diabo a revelar se existem tais coisas fora do corpo. Sendo encontrados, tudo deve ser recolhido e queimado. Deve, outrossim, admoestar o possesso a relatar ao Exorcista as tentações que sofre da parte do demônio. Finalmente, caso tenha certeza que o demônio foi expulso, o Exorcista deve admoestar o paciente que tenha todo o cuidado para evitar o pecado e não dar assim lugar ao demônio que volte, porque neste caso o estado do possesso ficaria bem mais crítico do que o anterior.

Gostaria ainda de fazer uma outra observação: o demônio pode querer mascarar a possessão aproveitando de certa loucura ou problemas de nervo. Uma vez levaram até ao Santo Cura d'Ars uma mulher furiosa e que se contorcia toda. E perguntaram ao santo o que ele achava. Ele disse: "É um pouco de loucura, um pouco de nervo e um pouco de "grapin" (=diabo). 

Além dos sinais indicados no Ritual Romano Tradicional, a experiência nos ensina muita coisa! Um padre contou-me certa vez, que ao fazer um exorcismo, tirou do bolso da batina o vidrinho de água benta e aspergiu o possesso, que riu escarninhamente; o padre achou estranho e procurou indagar se realmente aquela água tinha sido benta com os exorcismos, e verificou com certeza que não. Aí pegou água benta de fato e lançou no possesso e este ficou furioso e se contorcia. Os Exorcistas devem ter cuidado porque o demônio pode também querer ridicularizar as coisas sagradas e zombar do próprio exorcista e enganar os fiéis. Que faz o pai da mentira? Tenta alguém a dissimular que está possesso. Seria uma tentação do demônio, fazendo a pessoa pensar que seria uma maneira de resolver algum problema. E, então, o exorcista fica fazendo papel de palhaço e, pior ainda, usando inutilmente as coisas sagradas, e o que é mais grave, há padres que usam até a Hóstia Consagrada. 

Caríssimos, se às vezes se enganaram alguns Exorcistas, é porque se haviam afastado das regras traçadas pelo Ritual Tradicional. Para evitar esses erros, é oportuno fazer examinar o caso não somente por sacerdotes mas também por médicos católicos e de preferência, médicos especialistas em síndromes nervosas.

Indico sempre três grandes remédios contra a possessão: 1 - Purificação da alma com uma boa confissão, e de preferência, uma confissão geral. 2 - Usar a água benta, mas ter o cuidado de usar a água benta com o Ritual Romano Tradicional, que já inclui vários exorcismos. 3 - Ter o crucifixo em casa, e melhor ainda trazê-lo sempre consigo. Trazer consigo a Medalha Milagrosa, a medalha de São Miguel Arcanjo e também a do Anjo da Guarda.


Para terminar, quero lembrar o frase de Santo Agostinho: "O demônio é um cão amarrado e só morde em quem dele se aproxima". Daí dizer São Paulo: "Não deis lugar ao demônio".


domingo, 2 de outubro de 2016

OS ANJOS - 9ª E 10ª LIÇÃO


As criaturas mais perfeitas que Deus criou foram: os anjos e os homens.
Deus criou no céu os anjos. como estão representados no quadro catequético em baixo. 

QUE SÃO OS ANJOS?
OS ANJOS SÃO PUROS ESPÍRITOS QUE DEUS CRIOU PARA SUA GLÓRIA E SEU SERVIÇO.

Os anjos são espíritos muito santos, muito belos, muito sábios e muito fortes. Os anjos não têm corpo; mas nem por isso falta alguma coisa aos anjos. Pelo contrário, são superiores aos homens precisamente porque eles não têm corpo. Falta alguma coisa a nós, porque temos corpo. Nós nos movemos muito devagar por causa do nosso corpo. Os anjos são tão ligeiros como os nossos pensamentos: em um momento podem ir daqui até muito longe. Por isso os pintores representam os anjos com asas. Os anjos não têm asas, pois não têm corpo. Representamos os anjos com asas, para fazer compreender que são muito ligeiros em fazer a vontade de Deus. Mais tarde, se Deus quiser, vocês caríssimas crianças, vão aprender que, na Sagrada Escritura, Deus mesmo mandou fazer imagens de anjos com asas. Nós quando pensamos muito, ou rezamos muito, ficamos cansados. Muitos já sentem fadiga, quando pensam uma meia hora em Deus, durante o catecismo. Isto é do nosso corpo, que atrai para a terra e dificulta a nossa alma elevar-se para o céu. Os anjos não se cansam com nada porque eles não têm corpo.
   Na Sagrada Escritura conta-se a história de Tobias. Ele ia fazer uma grande viagem e não tinha um companheiro; Deus então enviou-lhe um anjo sob a forma de um belo moço, que guiou Tobias em toda viagem e o ajudou. Era o anjo São Rafael. Deus deu a cada um de nós um anjo, para ficar sempre perto de nós, para nos proteger nos perigos que corre o nosso corpo e a nossa alma. Como o anjo Rafael acompanhou Tobias, assim o nosso anjo da guarda sempre nos acompanha nesta vida. Não podemos ver o anjo da guarda porque é um espírito.
   Mas podemos ouvir a sua voz. O anjo da guarda não nos fala com palavras, ele fala dentro da alma. Quando estais na Missa, muitas vezes ouvireis uma voz a dizer na alma: "Agora rezai bem, pensai em Deus." 
Quando alguém vos ofendeu, ouvis uma voz dentro da alma: "Perdoar; não responder à ofensa com ofensa." É o anjo da guarda que fala.
  Quem se lembra de que seu anjo da guarda está perto, terá vergonha de cometer pecado e, assim, causar desgosto ao anjo da guarda. Em presença de uma pessoa que muito respeitamos, não cometeremos facilmente algum pecado maior. Muito menos pecaremos, se nos lembrar-mos que o anjo da guarda está conosco.
   Quando sentimos preguiça na escola ou no trabalho que mamãe ou papai mandam fazer, convém pensar: meu anjo da guarda está perto. Que pensará de mim o santo anjo do Senhor, se eu estou assim preguiçoso? Se o demônio nos quer tentar a fazer qualquer pecado, lembremo-nos: "Eu não estou só, meu anjo da guarda está comigo."

EXEMPLO
   Santa Francisca Romana muitas vezes via o seu anjo da guarda. Quando alguém falava mal do próximo ou cometia outro pecado, Santa Francisca percebia que o anjo desviava os olhos, para mostrar seu desgosto por aquela ofensa contra a divina Majestade.

   Devemos ter muita devoção ao nosso anjo da guarda e convém rezar muitas vezes a sua oração:
  


SANTO ANJO DO SENHOR, MEU ZELOSO GUARDADOR, SE A TI ME CONFIOU A PIEDADE DIVINA, SEMPRE  ME REGE, GUARDA, GOVERNA E ILUMINA. AMÉM


OS ANJOS  - 10ª LIÇÃO
OS ANJOS FORAM TODOS BONS?
NÃO, ALGUNS SE REVOLTARAM CONTRA DEUS: SÃO OS ANJOS MAUS OU DEMÔNIOS.

   Entre os anjos que Deus criou, havia um muito belo, muito forte, muito sábio. Chamava-se Lúcifer, isto é, "Portador de luz." Lúcifer é uma palavra,hoje, muito horrível; mas antes do pecado deste anjo, esta palavra indicava justamente a beleza que Deus deu bondosamente a ele. Esta palavra "Lúcifer" vem do latim = "lucem ferrens", isto é, "aquele que leva a luz" ou "portador da luz". Chamava-se assim por causa de sua brilhante beleza. Lúcifer reparou na sua própria beleza, força e sabedoria e pensou: que belo que eu sou! que forte! que sábio! E não quis lembrar-se de que tinha tudo isto de DEUS. Lúcifer foi orgulhoso.
   Deus fez saber a todos os anjos que deviam adorar a Deus e obedecer a Deus. E Lúcifer pensou: "Eu obedecer?! Não quero: Eu não servirei!" Foi a primeira desobediência a Deus, o primeiro pecado mortal.
   Muitos dos outros anjos também não quiseram obedecer a Deus. Viam o mau exemplo de Lúcifer, e o mau exemplo sempre prejudica os outros. Muitos anjos se revoltaram contra Deus.
   Então ressoou, alto no céu, o grito de guerra do arcanjo São Miguel. São Miguel clamou: "Quem é como Deus?" São Miguel e os anjos bons combateram contra os anjos maus. São Miguel venceu e precipitou os anjos maus no inferno, que Deus naquele instante criou.


E, enquanto caiam, Deus os mudou . Deus tirou-lhes toda santidade e toda beleza que tinham: e tornaram-se feios demônios. Também perderam muito da sua sabedoria e sua força: uma cruzinha com água benta... todos os demônios fogem. Em todo pecado mortal há a mesma malícia do pecado de Lúcifer. Para nós,  como para Lúcifer, a Bondade de Deus foi infinita. Nós, como Lúcifer, recebemos de Deus tudo quanto temos, tudo quanto somos. Se cometermos pecado mortal, diremos como Lúcifer: "Eu não servirei. Deus manda ir à missa, ao catecismo, à comunhão, mas eu não vou. Deus manda respeitar os pais, guardar castidade, mas eu não o faço. Eu não servirei." Todo pecado mortal é uma grande malícia. Nós, como Lúcifer, estamos no poder de Deus. Sua sabedoria nos vê, Sua Imensidade nos cerca. E, se cometemos pecado mortal, provocamos, como Lúcifer, a tremenda Majestade. Todo pecado mortal é uma cega tolice. Em todo pecado mortal há a mesma desgraça do pecado de Lúcifer. Se morrermos com pecado mortal sofreremos para sempre no mesmo inferno em que está Lúcifer. Todo pecado mortal é uma imensa desgraça. Lembrai-vos sempre destas três palavras: o pecado mortal é: malícia, tolice, desgraça.
   Nós podemos ganhar os lugares que os anjos maus perderam no céu. Por isso os demônios têm muita inveja de nós. Os demônios fazem todos os esforços para nos fazer perder o céu. Perdemos o céu pelo pecado mortal. Os demônios nos podem tentar, mas, se nós não queremos, não têm poder sobre nós.
   Os demônios querem tornar infelizes a nossa alma. Se cometermos pecado mortal, entregamos nossa alma ao poder do demônio. 
   As armas contra o demônio são: o trabalho honesto, a confissão e a comunhão; a penitência, a oração, principalmente a devoção à Virgem Maria; as orações jaculatórias e o sinal da Cruz especialmente se o fazemos com água benta. Devemos ter também muita devoção a São Miguel Arcanjo.

- QUAL O CASTIGO QUE TIVERAM OS ANJOS MAUS? 
- FORAM EXPULSOS DO CÉU E MANDADOS POR DEUS PARA O INFERNO.