SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

domingo, 27 de novembro de 2016

HOMILIA SOBRE A EPÍSTOLA DO PRIMEIRO DOMINGO DO ADVENTO

  Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos 13, 11-14. 
                   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 21, 25-33. 

Observação: Neste ano, se Deus quiser, vamos fazer as homilias dominicais explicando as Epístolas. 

EPÍSTOLA DESTA SANTA MISSA DO 1º DOMINGO DO ADVENTO:

   "Irmãos: Sabeis que já é hora de despertar-vos do sono, pois, a salvação está agora mais perto de nós, do que quando abraçamos a fé. A noite passou e aproxima-se o dia. Renunciemos, portanto, às obras das trevas, e revistamo-nos das armas da luz. Caminhemos honestamente como quem anda em plena luz, não em excesso de comida ou de bebida, não em dissoluções e impurezas, nem em contendas e emulações. Pelo contrário, revesti-vos do Senhor Jesus Cristo."

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Primeiramente queria lembrar a todos que o pecador Agostinho, filho de Santa Mônica, passou definitivamente da trevas do erro e da morte do pecado para a luz da verdade e a vida da graça, através desta Epístola: Achando-se ele com seu amigo Alípio em um jardim, ouviu uma voz que lhe dizia: "Toma e lê". Impressionado com estas palavras misteriosas, segura o livro que vê ao seu lado e abre-o exatamente na página em que se encontra esta Epístola. Foi o golpe certeiro da graça a quebrar a última corrente férrea que ainda o detinha preso ao mundo de trevas e impurezas. Converteu-se! E oxalá, muitos e muitos lendo e meditando estas palavras inspiradas das Sagradas Escrituras, se convertam como aconteceu com Agostinho. 

   "Já é hora de despertarmos do sono".  Caríssimos, o sono é necessário para restaurar as forças, e por isto, reduz-nos à inércia. É indispensável para a vida física, mas referindo-se à vida espiritual, na linguagem ascética, o sono é sinônimo de negligência, de torpor nas coisas de Deus, é símbolo da tibieza. A alma vive esquecida de Deus, apegada que está muito mais à coisas exteriores da terra. Daí a oração ou é frequentemente omitida ou, então, feita com certo enfado. O mesmo acontece com a recepção dos sacramentos. A alma na tibieza fica alheia a todo amor divino e busca antes vãs consolações nos corações humanos. Quase não se mortifica. Preocupada com o tempo presente, não lhe interessam os destinos da vida futura. Nesta indolência espiritual a alma fica fraca e cai facilmente em pecado veniais deliberados e geralmente em quedas fatais. Do sono da alma passa facilmente à morte da alma. Por isso São Paulo define o pecado como sendo "obra das trevas". Na verdade é o príncipe das trevas que o inspira. E o pecado conduz ao reino das trevas. Por isso grita o Apóstolo: "Despojai-vos, pois, das obras das trevas" e "revistamo-nos das armas da luz". Devemos procurar a força na oração, meditação dos novíssimos, da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, procurar o força nos Sacramentos da Penitência e da Comunhão. Devemos estar acordados, bem vigilantes, para afastarmos as tentações do príncipe das trevas, com a mesma prontidão e energia com que afastamos uma brasa que cai em nossas vestes. 

   Assim com as palavras da Epístola da Missa deste 1º Domingo do Advento, São Paulo anima os tíbios a acordarem do sono do espírito; aos pecadores o Apóstolo ordena que rejeitem as obras das trevas. Aconselha os fracos que empunhem as armas da luz. A todos São Paulo exorta a que se revistam de Jesus Cristo. 

   Para terminar, caríssimos, vejamos o que significa afinal "revestir-se de Jesus Cristo". Significa tomar os mesmos sentimentos de Jesus Cristo, seguir a sua doutrina, imitar seus exemplos, reproduzir suas virtudes. Significa, outrossim, unir-se interiormente a Deus com o maior grau de santidade possível e exteriormente revelar, através da nossa conduta, a bondade, caridade, e doçura de Jesus Cristo. 

   Por isso, é com imensa tristeza que constatamos que muitos cristãos, em lugar de ser o perfume de Jesus Cristo entre os demais, violando, portanto, a missão que lhes cabe de revelarem Jesus aos homens, profanam com sua vida, a vida d'Aquele que deviam com suas virtudes honrar e glorificar. 

  Ó Jesus, fazei que, pela prática das virtudes, especialmente da humildade e mansidão, eu possa ser o bom odor vosso junto aos meus irmãos. Amém!

sábado, 26 de novembro de 2016

A FINALIDADE DAS CONSOLAÇÕES DO DIVINO ESPÍRITO SANTO

   Só são consolados os que choram: Bem-aventurados os que choram porque serão consolados (S. Mateus V, 5).  Uma alma que se sente bem no seu desterro, que aí busca sua alegria, constantemente ocupada em afastar o que incomoda, a procurar o que a lisonjeia, não deve esperar nada da sabedoria do alto. "Mas a sabedoria, onde se encontra ela? O homem não conhece o seu valor, nem ela se encontra na terra dos que vivem em delícias" (Jó, XXVIII, 12 e 13). As consolações do Espírito Santo são a recompensa ordinária da generosidade que se sacrifica pela glória e serviço de Deus.

   Os Apóstolos foram açoitados por terem anunciado a Jesus Cristo, e não podem conter seu gozo: Os primeiros cristãos abraçaram a fé, expunham-se a todos os sofrimentos e à morte; São Lucas só fala das consolações de que estavam cheios: "A Igreja enchia-se da consolação do Espírito Santo" (Atos IX, 31).

   Entre as visitas do Espírito Santo, podem-se distinguir três: a) visita de compaixão, para nos curar, combatendo a cegueira do nosso espírito e a dureza do nosso coração; b) visita de provações, para nos purificar. Quer habitar em nossas almas; mas se as vê governadas pela natureza, sensuais, vaidosas, deixa-nos sentir o peso das nossas miséria, para nos obrigar a recorrer a Ele.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

CATECISMO DO SANTO CURA D'ARS SOBRE O SOFRIMENTO

   Queiramos ou não, temos que sofrer. Há uns que sofrem como o bom ladrão, e outros como o mau. Ambos sofriam igualmente. Mas um soube tornar seus sofrimentos meritórios; aceitou-os em espírito de reparação, e, voltando-se para o lado de Jesus crucificado, recolheu-lhe da boca estas belas palavras: "Hoje estarás comigo no paraíso". O outro, ao contrário, dava urros, vociferava imprecações e blasfêmias, e expirou no mais horroroso desespero.
   Há duas maneiras de sofrer; sofrer amando e sofrer sem amar. Os santos sofriam tudo com paciência, alegria e perseverança, porque amavam. Nós sofremos com cólera, despeito e frouxidão, porque não amamos. Se amássemos a Deus, amaríamos as cruzes, desejá-las-íamos, comprazer-nos-íamos nelas... Folgaríamos de poder sofrer por amor daquele que se dignou sofrer por nós. De que nos queixamos? Ai! os pobres infiéis, que não têm a ventura de conhecer a Deus e suas amabilidades infinitas, têm as mesmas cruzes que nós; mas não têm as mesmas consolações.
  Dizeis que é duro? Não, é doce, é consolador, é suave: é a felicidade!... Somente há que amar sofrendo, há que sofrer amando.
   No caminho da cruz, vede, meus filhos, só o primeiro passo custa. É o temor  das cruzes que é a nossa maior cruz...
   Não temos coragem de carregar a nossa cruz, andamos bem errados; porquanto, façamos o que fizermos, a cruz nos apanha, não lhe podemos escapar.
   Que temos pois a perder? porque não amarmos as nossas cruzes e não nos servirmos delas para irmos para o céu?... Mas, ao contrário, a maioria dos homens voltam as costas às cruzes e fogem diante delas. Quanto mais correm, tanto mais a cruz os persegue, tanto mais os fere e os esmaga de fardos... Se quereis ser prudentes, caminhai ao encontro dela como Santo André, que dizia, vendo a cruz erguer-se para ele nos ares: Salve, ó boa cruz! ó cruz admirável! ó cruz desejável!... recebe-me nos teus braços, retira-me de entre os homens, e restitui-me ao meu Mestre que me remiu por ti".
   Escutai bem isto, meus filhos: Aquele que vai ao encontro da Cruz, anda em sentido oposto às cruzes; encontra-as talvez, mas fica contente de encontrá-las; ama-as; carrega-as com coragem. Elas o unem a Nosso Senhor; tiram-lhe do coração todos os obstáculos; ajudam-no a atravessar a vida, como uma ponte ajuda a passar a água.
   Um bom religioso queixava-se um dia a Nosso Senhor de que o perseguiam. Dizia: "Senhor, que fiz eu para ser tratado assim?" Nosso Senhor respondeu-lhe: "E eu, que tinha feito quando me levaram ao calvário?... Então o religioso compreendeu, chorou, pediu perdão e não ousou mais queixar-se.
   As pessoas do mundo desolam-se quando têm cruzes, e os bons cristãos desconsolam-se quando não as têm. O cristão vive no meio das cruzes como o peixe vive n'água.
   Vede Santa Catarina, que tem duas coroas, a da pureza e a do martírio: quanto esta cara santa está contente de haver preferido sofrer a consentir no pecado!
   Havia bem perto daqui, numa paróquia da vizinhança, um rapazinho que estava todo esfolado no seu leito, bem doente e bem miserável; eu lhe dizia: "Meu pobre pequeno, tu sofres bem!" Ele respondeu-me: "Não, senhor cura, eu não sinto hoje o meu mal de ontem, e amanhã não sentirei o meu mal de hoje". - Quererias ficar bom? - Não, eu era mau antes de ficar doente; poderia ficar mau outra vez. Estou bem como estou..." Nós não compreendemos isso porque somos demasiado terrenos. Meninos em que o Espírito Santo reside metem-nos vergonha.
   Se o bom Deus nos manda cruzes, agastamo-nos, queixamo-nos, murmuramos, somos tão inimigos de tudo o que nos contraria, que quereríamos estar sempre numa caixa de algodão; é numa caixa de espinhos que nos deveríamos colocar.
   É pela cruz que se vai para o céu. As doenças, as tentações, as penas são outras tantas cruzes que nos conduzem ao céu. Tudo isso logo passará... Vede os santos que chegaram antes de nós... Deus não pede de nós o martírio do corpo, pede-nos apenas o martírio do coração e da vontade... Nosso Senhor é nosso modelo; tomemos a nossa cruz e sigamo-Lo.
   A cruz é a escada do céu... Como é consolador sofrer sob os olhos de Deus, e podermos dizer, à noite, por ocasião do nosso exame de consciência: "Eia! minh'alma, tiveste    hoje duas ou três horas de semelhança com Jesus Cristo: foste flagelada, coroada de espinhos, crucificada com Ele!... Oh! que tesouro para a morte!... Como é bom morrer quando se viveu na cruz!
   Deveríamos correr atrás das cruzes, como o avarento corre atrás do dinheiro... Só as cruzes é que nos tranquilizarão no dia do juízo. Quando chegar este dia, como seremos felizes das nossas desditas, ufanos das nossas humilhações e ricos dos nossos sacrifícios! ... A passagem para a outra vida do bom cristão, provado pela aflição, é como a de uma pessoa a quem transportam sobre um leito de rosas.
   As contradições põem-nos ao pé da cruz, e a cruz à porta do céu. Para chegar a este, é preciso que nos andem por cima, que sejamos vilipendiados, desprezados, pisados... Felizes neste mundo são só os que têm a calma da alma no meio das penas da vida: saboreiam as alegrias dos filhos de Deus... Todas as penas são doces quando sofridas em união com Nosso Senhor...
   Sofrer! Que importa? É só um momento. Se pudéssemos passar oito dias no céu, compreenderíamos o preço desse momento de sofrimento. Não acharíamos cruz bastante pesada, provação bastante amarga... A cruz é dádiva que Deus faz aos seus amigos.
   Devemos pedir o amor das cruzes: então elas se tornarão doces. Fiz a experiência disto durante quatro ou cinco anos. Fui bem caluniado, bem contradito, bem atropelado. Oh! eu tinha cruzes... quase as tinha mais do que as podia carregar! Pus-me a pedir o amor das cruzes: então fui feliz. Disse a mim mesmo: "Verdadeiramente, só há felicidade nisso!..." Nunca se deve olhar de onde vêm as cruzes: vêm de Deus. É sempre Deus que nos dá esse meio de lhe provarmos o nosso amor.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

POSSESSÃO DIABÓLICA


                                                   "Não deis lugar ao demônio" (Efésios IV, 27).
                                                                     "Sede, pois, sujeitos a Deus e resisti ao demônio, e ele fugirá de vós" (S. Tiago IV, 7).

Considerando que há muita desinformação atinente a este assunto tão angustiante, e isto até por parte de alguns exorcistas, achei por bem, visando a maior glória de Deus e o bem das almas, expô-lo aqui.

Caríssimos e amados leitores, em primeiro lugar serão de enorme utilidade algumas noções preliminares.

É certo que o demônio pode, por permissão de Deus, exercer influência e dirigir ataques contra o homem, produzindo nos sentidos externos ou internos, operações e impressões, anômalas, dolorosas e/ou aflitivas. Radicalmente perverso e maligno, lança mão de quanto possa contrariar a glória de Deus e a felicidade do homem.

Jesus Cristo diz que o demônio é invejoso e homicida deste o início da humanidade. Realmente com o pecado original dos nossos primeiros pais, o inimigo das almas passou a ter um grande império e a exercer uma acerba tirania. Mas com a vinda de Jesus Cristo que venceu este príncipe do mundo, do orgulho, da avareza e da impureza, o domínio do demônio diminuiu muito e visa muito mais atormentar as almas antes do que os corpos, acorrentando-as (quando elas se afastam de Jesus) com as cadeias do pecado. Quem não está com Jesus, estará com o demônio, como afirmou o divino Mestre: "Quem não está comigo, está contra mim" (Mat. XII, 30) . Este ataque do demônio às almas, é feito ordinariamente através das tentações de que já falamos em outro artigo. O ódio insaciável que o Maligno tem à humanidade leva-o também a lançar mão de todos os meios e, se lhe for dado, descarregar também sobre o corpo os mais pesados golpes. São os ataques extraordinários: possessão e obsessão.

O maior mal que pode acontecer a uma pessoa é ter sua alma possuída pelo demônio por meio do pecado mortal. De Judas Iscariotes Nosso Senhor Jesus Cristo disse que ele não estava limpo porque estava com o demônio. É infinitamente pior do que a possessão porque esta atinge o corpo, e, só indiretamente, às vezes, atinge a alma. Mas como a habitação da alma pelo demônio é algo invisível, são poucas as pessoas que se preocupam em sair deste estado o mais lastimável possível.

Falemos, então, da possessão propriamente dita. "Dois elementos  -   diz o Padre Tanquerey  -  constituem a possessão: a presença do demônio no corpo do possesso, e o império que ele exerce sobre esse corpo, e, por intermédio dele, sobre a alma. É este último ponto que nos cumpre explicar. O demônio não está unido ao corpo como a alma o está; não é com relação à alma senão um motor externo, e, se influi sobre ela, é por intermédio do corpo em que habita. Pode atuar diretamente sobre os membros do corpo e fazer-lhes executar toda a sorte de movimentos; indiretamente influi sobre as faculdades, na medida em que estas dependem do corpo para as suas operações". E continua o grande teólogo Padre Tanquerey: "Podem-se distinguir nos possessos dois estados distintos: o estado de crise e o estado de sossego. A crise é como uma espécie de acesso violento, em que o demônio manifesta o seu império tirânico, imprimindo ao corpo uma agitação febril que se traduz por contorções, explosões de raiva, palavras ímpias e blasfemas. Os pacientes parece que perdem então todo o sentimento do que neles se passa, e, voltando a si mesmos, não conservam lembrança alguma do que disseram ou fizeram, ou antes do que o demônio fez por eles. Só ao princípio é que sentem a irrupção do demônio; depois, parece que perdem a consciência de tudo isso".(...) "Nos intervalos de repouso, nada vem revelar a presença do espírito maligno: dir-se-ia que se retirou". [E aí alguns exorcistas se enganam].  

Como dizia o afamado exorcista, o Padre Gabriele Amorth, recentemente falecido: o demônio, às vezes, demora muito tempo para sair de um possesso.

Se, por um lado, muitos exorcistas  menos avisados ou nímia e apressadamente crédulos, fazem em vão o exorcismo, quando deveriam encaminhar o paciente ao médico; por outro lado, às vezes,  manifesta-se a presença do demônio por uma espécie de enfermidade crônica que desconcerta todos os recursos da medicina. O Exorcista prudente, quando subsiste alguma dúvida, deve enviar logo o paciente aos médicos. Daí, caríssimos leitores, será de suma importância conhecer os sinais certos da possessão diabólica. Um médico católico praticante, por outro lado,  como tenho a dita de conhecer alguns, pode fazer um bem imenso as almas. Quando fui Capelão de Hospitais, médicos católicos, procuravam-me e diziam: Padre,  V. Rev.ma pode atender tal paciente, porque não é caso para nós. E realmente não o era! E assim, pela graça de Deus, pude ajudar muitas almas e, talvez muitas vidas. 

Segundo o Ritual Romano Tradicional (De exorcizandis obsessis a daemonio), há três sinais principais que podem dar a conhecer a possessão: Primeiro: "ignota lingua loqui pluribus verbis vel loquentem intelligere", isto é, "falar uma língua desconhecida, fazendo uso de muitas palavras dessa língua, ou compreender quem a fala". Vede, caríssimos como o Ritual Tradicional é judicioso: "fazendo uso de muitas palavras dessa língua". (Certa vez, um falso exorcista fez um exorcismo de uma sua criada,  e querendo ela demonstrar que estava possessa, falou algumas poucas palavras em grego e hebraico, só com um detalhe, que ela as havia ouvido de seu amo. É preciso que todos saibam também que muitos pretensos exorcistas usam o hipnotismo de palco e enganam até multidões).  Mas passemos ao segundo sinal: "distantia, et occulta patefacere" "descobrir coisas remotas e ocultas". Por prudência, o exorcista deve hoje em dia, sobretudo por causa da Internet, procurar indagar se a pessoa não soube através da mídia (pode o sujeito dizer: em tal dia e em tal lugar haverá uma grande tempestade); e, em se tratando de predição do futuro, é prudente esperar se realmente vai realizar, e não se deve dar crédito com facilidade. Também o Exorcista não deve deixar se enganar por predições vagas. Hoje podemos dizer que este segundo sinal só oferece segurança juntamente com os outros dois sinais. Terceiro sinal: "vires supra aetatis seu conditiones naturam ostendere" "dar mostra de energias que ultrapassam as forças naturais da idade ou da condição". É evidente que se reunirem estes três sinais é quase certo que se trate de possessão. O Ritual Romano Tradicional, faz 21 observações antes das Orações do Exorcismo. Vou apenas resumir as principais: a que fala sobre os sinais de possessão já acabamos de mostrar. O Exorcista deve estar atento para descobrir possíveis artimanhas empregadas pelo demônio para se ocultar e não acontecer o Exorcismo, como p. ex. fazendo o possesso dormir, ou, então, deixando no momento o possesso em tranquilidade, fingindo não estar nele. Às vezes, também o demônio finge que já saiu e o exorcista, se não for prudente, cai na cilada. Outra coisa importante é o Exorcista está bem lembrado do que Jesus Cristo disse: "Há uma casta de demônios que só se expulsa pela oração e pelo jejum". O Exorcista, a exemplo do que fez Jesus Cristo, pode perguntar o número de demônios, seu nome e procurar saber por quanto tempo o possesso sofre nas garras do demônio. O Exorcista deve fazer o Exorcismo e ler com império e autoridade, com grande fé, humildade e fervor. Deve empregar palavras das Sagradas Escrituras e não próprias ou alheias. Deve obrigar o demônio a dizer se traz naquele corpo por magia signos ou instrumentos maléficos; e se os engoliu, obrigá-lo a vomitá-los. Também deve obrigar o diabo a revelar se existem tais coisas fora do corpo. Sendo encontrados, tudo deve ser recolhido e queimado. Deve, outrossim, admoestar o possesso a relatar ao Exorcista as tentações que sofre da parte do demônio. Finalmente, caso tenha certeza que o demônio foi expulso, o Exorcista deve admoestar o paciente que tenha todo o cuidado para evitar o pecado e não dar assim lugar ao demônio que volte, porque neste caso o estado do possesso ficaria bem mais crítico do que o anterior.

Gostaria ainda de fazer uma outra observação: o demônio pode querer mascarar a possessão aproveitando de certa loucura ou problemas de nervo. Uma vez levaram até ao Santo Cura d'Ars uma mulher furiosa e que se contorcia toda. E perguntaram ao santo o que ele achava. Ele disse: "É um pouco de loucura, um pouco de nervo e um pouco de "grapin" (=diabo). 

Além dos sinais indicados no Ritual Romano Tradicional, a experiência nos ensina muita coisa! Um padre contou-me certa vez, que ao fazer um exorcismo, tirou do bolso da batina o vidrinho de água benta e aspergiu o possesso, que riu escarninhamente; o padre achou estranho e procurou indagar se realmente aquela água tinha sido benta com os exorcismos, e verificou com certeza que não. Aí pegou água benta de fato e lançou no possesso e este ficou furioso e se contorcia. Os Exorcistas devem ter cuidado porque o demônio pode também querer ridicularizar as coisas sagradas e zombar do próprio exorcista e enganar os fiéis. Que faz o pai da mentira? Tenta alguém a dissimular que está possesso. Seria uma tentação do demônio, fazendo a pessoa pensar que seria uma maneira de resolver algum problema. E, então, o exorcista fica fazendo papel de palhaço e, pior ainda, usando inutilmente as coisas sagradas, e o que é mais grave, há padres que usam até a Hóstia Consagrada. 

Caríssimos, se às vezes se enganaram alguns Exorcistas, é porque se haviam afastado das regras traçadas pelo Ritual Tradicional. Para evitar esses erros, é oportuno fazer examinar o caso não somente por sacerdotes mas também por médicos católicos e de preferência, médicos especialistas em síndromes nervosas.

Indico sempre três grandes remédios contra a possessão: 1 - Purificação da alma com uma boa confissão, e de preferência, uma confissão geral. 2 - Usar a água benta, mas ter o cuidado de usar a água benta com o Ritual Romano Tradicional, que já inclui vários exorcismos. 3 - Ter o crucifixo em casa, e melhor ainda trazê-lo sempre consigo. Trazer consigo a Medalha Milagrosa, a medalha de São Miguel Arcanjo e também a do Anjo da Guarda.


Para terminar, quero lembrar o frase de Santo Agostinho: "O demônio é um cão amarrado e só morde em quem dele se aproxima". Daí dizer São Paulo: "Não deis lugar ao demônio".


O ROSÁRIO PROVA A MARIA O NOSSO RECONHECIMENTO


LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 31 de outubro



"14. Mas há outra razão que torna as nossas coroas mais agradáveis e mais meritórias em presença da Virgem. Quando, com devota recordação, repetimos a tríplice ordem dos mistérios, vimos a demonstrar-lhe mais claramente o nosso afetuoso reconhecimento; porque com isto nós professamos que nunca nos fartamos de recordar os benefícios dispensados pela sua inexaurível caridade, para a nossa salvação. Ora, nós podemos ter apenas uma vaga ideia da alegria, sempre nova, que a lembrança destes grandiosos fatos, repetidos com freqüência e com amor em sua presença, pode infundir no seu ânimo bendito, movendo-o a sentimentos de solicitude e de generosidade materna. Além disto, estas mesmas lembranças fazem com que as nossas orações se tornem mais ardentes e eficazes; porque cada mistério que passa diante do nosso pensamento fornece-nos um novo estímulo para orar, maximamente eficaz perante a Virgem. Sim, a ti recorremos, santa Mãe de Deus; e tu não desprezes estes míseros filhos de Eva! A ti suplicamos, ó poderosa e benigna Mediadora da nossa salvação, conjuramos-te com toda a alma; pelas suaves alegrias recebidas de teu Filho Jesus; pela participação nas suas indizíveis dores, pelo esplendor da sua glória que em ti se reflete. Eia, pois escuta-nos, se bem que indignos, e atende-nos!

domingo, 30 de outubro de 2016

O ROSÁRIO AJUDA-NOS A BEM REZAR


LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 30 de outubro

"12. Outra fortíssima razão para contarmos com maior segurança com a generosa bondade de Maria reside na própria natureza do Rosário, tão adequado para nos fazer rezar bem. Pela sua fragilidade, o homem, durante a oração, muitas vezes é levado a distrair-se do pensamento de Deus e a faltar ao seu louvável propósito. Ora, quem considera atentamente este fenômeno logo verá quão eficaz é o Rosário não só para fazer aplicar a mente e para sacudir a preguiça da alma, como também para excitar um salutar arrependimento das culpas, e, finalmente, para elevar o espírito às coisas celestes. E isto porque, como é bem sabido, o Rosário é composto de duas partes, distintas entre si, porém inseparáveis: a meditação dos mistérios e a oração vocal. Por consequência, este gênero de oração requer da parte do fiel uma atenção particular que não só o faz elevar, de algum modo, a mente a Deus, mas o leva também a refletir tão seriamente sobre as coisas propostas à sua consideração e contemplação, que ele é induzido também a tirar delas estímulo para uma vida melhor e alimento para toda forma de piedade. Realmente, não há nada maior ou mais maravilhoso do que estas coisas, que são como que o resumo da fé cristã, e que, com a sua luz e íntima força, têm sido fonte de verdade, de justiça e de paz, que assinalaram para o mundo uma nova ordem de coisas, rica de frutos maravilhosos.

13. Atende-se, além disso, no modo como estes profundíssimos mistérios são apresentados a quem reza o Rosário: isto é, um modo que bem se adapta às mentes mesmo dos simples e dos menos instruídos. O Rosário não tem em mira fazer-nos perscrutar os dogmas da fé e da doutrina cristã, mas principalmente pôr como que diante do nosso olhar e evocar à nossa memória fatos.  Visto como os fatos que são apresentados quase nas mesmas circunstâncias de lugar, de tempo e de pessoa em que aconteceram, impressionam mais a alma e a comovem salutarmente. E, visto que estas coisas são geralmente inculcadas a gravadas nas alma desde a infância, daí se segue que, apenas enunciado um mistério, todo aquele que efetivamente tem amor à oração percorre-o sem nenhum esforço de imaginação, mas com movimento espontâneo da mente e do coração, e, pelo auxílio de Maria, tira dele em abundância um orvalho de graças celestes".


(Encíclica "JUCUNDA SEMPER" de Leão XIII). 

sábado, 29 de outubro de 2016

O ROSÁRIO COMOVE MARIA EM NOSSO FAVOR


LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia  29  de outubro


"10. Porém a virtude que o Rosário tem de inspirar a confiança em quem o reza, possui-a também em mover à piedade para conosco o coração da Virgem. Quanto deve ser suave para ela o ver-nos e o escutar-nos, enquanto entrelaçamos em coroa pedidos para nós justíssimos e louvores para ela belíssimos! Assim rezando, nós desejamos e tributamos a Deus a glória que lhe é devida; procuramos unicamente o cumprimento dos seus acenos e da sua vontade; exaltamos a sua bondade e a sua munificência, chamando-lhe Pai e pedindo-lhe, embora indignos deles, os dons mais preciosos. Com tudo isto Maria exulta imensamente, e, pela nossa piedade, de coração "magnifica o Senhor". Porque, quando nos dirigimos a Deus pela oração dominical, nós o suplicamos mediante uma oração digna d'Ele.

11. Mas às coisas que nela pedimos, já de per si tão retas e ordenadas e tão conformes à fé, à esperança, à caridade cristã, junta-se um valor que não pode deixar de ser sumamente apreciado pela Virgem Santíssima. Este: que à nossa voz se une a de seu Filho Jesus, o qual, depois de nos haver ensinado, palavra por palavra, essa fórmula de oração, autorizadamente no-la impõe dizendo: "Vós, pois, rezareis assim" (Mt 6,9). Certos estejamos, pois, de que se formos fiéis a este mandato com a recitação do Rosário, de sua parte Maria não deixará de exercer com maior benevolência o seu ofício de solícita caridade; e, acolhendo com semblante benigno estas místicas coroas de orações, recompensar-nos-á com abundância de graças."

(Encíclica "JUCUNDA SEMPRER" de Leão XIII).