SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

domingo, 2 de outubro de 2016

OS ANJOS - 9ª E 10ª LIÇÃO


As criaturas mais perfeitas que Deus criou foram: os anjos e os homens.
Deus criou no céu os anjos. como estão representados no quadro catequético em baixo. 

QUE SÃO OS ANJOS?
OS ANJOS SÃO PUROS ESPÍRITOS QUE DEUS CRIOU PARA SUA GLÓRIA E SEU SERVIÇO.

Os anjos são espíritos muito santos, muito belos, muito sábios e muito fortes. Os anjos não têm corpo; mas nem por isso falta alguma coisa aos anjos. Pelo contrário, são superiores aos homens precisamente porque eles não têm corpo. Falta alguma coisa a nós, porque temos corpo. Nós nos movemos muito devagar por causa do nosso corpo. Os anjos são tão ligeiros como os nossos pensamentos: em um momento podem ir daqui até muito longe. Por isso os pintores representam os anjos com asas. Os anjos não têm asas, pois não têm corpo. Representamos os anjos com asas, para fazer compreender que são muito ligeiros em fazer a vontade de Deus. Mais tarde, se Deus quiser, vocês caríssimas crianças, vão aprender que, na Sagrada Escritura, Deus mesmo mandou fazer imagens de anjos com asas. Nós quando pensamos muito, ou rezamos muito, ficamos cansados. Muitos já sentem fadiga, quando pensam uma meia hora em Deus, durante o catecismo. Isto é do nosso corpo, que atrai para a terra e dificulta a nossa alma elevar-se para o céu. Os anjos não se cansam com nada porque eles não têm corpo.
   Na Sagrada Escritura conta-se a história de Tobias. Ele ia fazer uma grande viagem e não tinha um companheiro; Deus então enviou-lhe um anjo sob a forma de um belo moço, que guiou Tobias em toda viagem e o ajudou. Era o anjo São Rafael. Deus deu a cada um de nós um anjo, para ficar sempre perto de nós, para nos proteger nos perigos que corre o nosso corpo e a nossa alma. Como o anjo Rafael acompanhou Tobias, assim o nosso anjo da guarda sempre nos acompanha nesta vida. Não podemos ver o anjo da guarda porque é um espírito.
   Mas podemos ouvir a sua voz. O anjo da guarda não nos fala com palavras, ele fala dentro da alma. Quando estais na Missa, muitas vezes ouvireis uma voz a dizer na alma: "Agora rezai bem, pensai em Deus." 
Quando alguém vos ofendeu, ouvis uma voz dentro da alma: "Perdoar; não responder à ofensa com ofensa." É o anjo da guarda que fala.
  Quem se lembra de que seu anjo da guarda está perto, terá vergonha de cometer pecado e, assim, causar desgosto ao anjo da guarda. Em presença de uma pessoa que muito respeitamos, não cometeremos facilmente algum pecado maior. Muito menos pecaremos, se nos lembrar-mos que o anjo da guarda está conosco.
   Quando sentimos preguiça na escola ou no trabalho que mamãe ou papai mandam fazer, convém pensar: meu anjo da guarda está perto. Que pensará de mim o santo anjo do Senhor, se eu estou assim preguiçoso? Se o demônio nos quer tentar a fazer qualquer pecado, lembremo-nos: "Eu não estou só, meu anjo da guarda está comigo."

EXEMPLO
   Santa Francisca Romana muitas vezes via o seu anjo da guarda. Quando alguém falava mal do próximo ou cometia outro pecado, Santa Francisca percebia que o anjo desviava os olhos, para mostrar seu desgosto por aquela ofensa contra a divina Majestade.

   Devemos ter muita devoção ao nosso anjo da guarda e convém rezar muitas vezes a sua oração:
  


SANTO ANJO DO SENHOR, MEU ZELOSO GUARDADOR, SE A TI ME CONFIOU A PIEDADE DIVINA, SEMPRE  ME REGE, GUARDA, GOVERNA E ILUMINA. AMÉM


OS ANJOS  - 10ª LIÇÃO
OS ANJOS FORAM TODOS BONS?
NÃO, ALGUNS SE REVOLTARAM CONTRA DEUS: SÃO OS ANJOS MAUS OU DEMÔNIOS.

   Entre os anjos que Deus criou, havia um muito belo, muito forte, muito sábio. Chamava-se Lúcifer, isto é, "Portador de luz." Lúcifer é uma palavra,hoje, muito horrível; mas antes do pecado deste anjo, esta palavra indicava justamente a beleza que Deus deu bondosamente a ele. Esta palavra "Lúcifer" vem do latim = "lucem ferrens", isto é, "aquele que leva a luz" ou "portador da luz". Chamava-se assim por causa de sua brilhante beleza. Lúcifer reparou na sua própria beleza, força e sabedoria e pensou: que belo que eu sou! que forte! que sábio! E não quis lembrar-se de que tinha tudo isto de DEUS. Lúcifer foi orgulhoso.
   Deus fez saber a todos os anjos que deviam adorar a Deus e obedecer a Deus. E Lúcifer pensou: "Eu obedecer?! Não quero: Eu não servirei!" Foi a primeira desobediência a Deus, o primeiro pecado mortal.
   Muitos dos outros anjos também não quiseram obedecer a Deus. Viam o mau exemplo de Lúcifer, e o mau exemplo sempre prejudica os outros. Muitos anjos se revoltaram contra Deus.
   Então ressoou, alto no céu, o grito de guerra do arcanjo São Miguel. São Miguel clamou: "Quem é como Deus?" São Miguel e os anjos bons combateram contra os anjos maus. São Miguel venceu e precipitou os anjos maus no inferno, que Deus naquele instante criou.


E, enquanto caiam, Deus os mudou . Deus tirou-lhes toda santidade e toda beleza que tinham: e tornaram-se feios demônios. Também perderam muito da sua sabedoria e sua força: uma cruzinha com água benta... todos os demônios fogem. Em todo pecado mortal há a mesma malícia do pecado de Lúcifer. Para nós,  como para Lúcifer, a Bondade de Deus foi infinita. Nós, como Lúcifer, recebemos de Deus tudo quanto temos, tudo quanto somos. Se cometermos pecado mortal, diremos como Lúcifer: "Eu não servirei. Deus manda ir à missa, ao catecismo, à comunhão, mas eu não vou. Deus manda respeitar os pais, guardar castidade, mas eu não o faço. Eu não servirei." Todo pecado mortal é uma grande malícia. Nós, como Lúcifer, estamos no poder de Deus. Sua sabedoria nos vê, Sua Imensidade nos cerca. E, se cometemos pecado mortal, provocamos, como Lúcifer, a tremenda Majestade. Todo pecado mortal é uma cega tolice. Em todo pecado mortal há a mesma desgraça do pecado de Lúcifer. Se morrermos com pecado mortal sofreremos para sempre no mesmo inferno em que está Lúcifer. Todo pecado mortal é uma imensa desgraça. Lembrai-vos sempre destas três palavras: o pecado mortal é: malícia, tolice, desgraça.
   Nós podemos ganhar os lugares que os anjos maus perderam no céu. Por isso os demônios têm muita inveja de nós. Os demônios fazem todos os esforços para nos fazer perder o céu. Perdemos o céu pelo pecado mortal. Os demônios nos podem tentar, mas, se nós não queremos, não têm poder sobre nós.
   Os demônios querem tornar infelizes a nossa alma. Se cometermos pecado mortal, entregamos nossa alma ao poder do demônio. 
   As armas contra o demônio são: o trabalho honesto, a confissão e a comunhão; a penitência, a oração, principalmente a devoção à Virgem Maria; as orações jaculatórias e o sinal da Cruz especialmente se o fazemos com água benta. Devemos ter também muita devoção a São Miguel Arcanjo.

- QUAL O CASTIGO QUE TIVERAM OS ANJOS MAUS? 
- FORAM EXPULSOS DO CÉU E MANDADOS POR DEUS PARA O INFERNO.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

OBSESSÃO DIABÓLICA


Extrairei este artigo, em quase sua totalidade, do COMPÊNDIO DE TEOLOGIA ASCÉTICA E MÍSTICA escrito pelo célebre teólogo Padre Ad. Tanquerey.

Caríssimos, primeiramente é de grande utilidade trazer aqui a observação inicial do autor: "Sobre a ação do demônio, diz Tanquerey, há dois extremos que evitar: há quem lhe atribua todos os males que nos sucedem; é esquecer que existem em nós não só estados mórbidos que não supõem qualquer intervenção diabólica, mas também as tendências más que vêm da tríplice concupiscência, e que estas causas naturais bastam para explicar muitas tentações. Outros há, pelo contrário, que, esquecendo o que a S. Escritura e a Tradição nos dizem da ação do demônio, não querem admitir em caso algum a sua intervenção. Para nos conservarmos no justo meio, a regra que devemos seguir é não aceitar como fenômenos diabólicos senão aqueles que, ou pelo seu caráter extraordinário, ou por um complexo de circunstâncias denotem a ação do espírito maligno.

Como no artigo anterior já falei da possessão diabólica, aqui, inspirando-me no Teólogo Tanquerey, falarei da obsessão diabólica. O que é afinal? "A obsessão é em substância uma série de tentações mais violentas e duradouras que as tentações ordinárias [dessas falarei em outro artigo]. "É externa, quando atua sobre os sentidos externos, por meio de aparições; interna, quando provoca impressões íntimas. É raro que seja puramente externa, visto o demônio não atuar sobre os sentidos senão para perturbar mais facilmente a alma. Há, contudo, Santos que, com serem obsediados exteriormente por toda a qualidade de fantasmas, conservam na alma uma paz inalterável".

1º - "O demônio pode atuar sobre todos os sentidos externos: a) Sobre a vista, aparecendo umas vezes em formas repelentes, para aterrar as pessoas e afastá-las da prática das virtudes (...); outras, em formas sedutoras, para atrair ao mal, como sucedeu frequentes vezes a Santo Afonso Rodrigues. (Hoje podemos dar exemplos na vida do Padre Pio de Pietrelcina). b)  Sobre o ouvido, fazendo escutar palavras ou cantos blasfemos ou obscenos, como se lê na vida de Santa Margarida de Cortona; ou fazendo algazarra, para atemorizar, como sucedia ao Santo Cura d'Ars. c) Sobre o tato, de duas maneiras, infligindo golpes e feridas, como se lê nas bulas de canonização de Santa Catarina de Sena, de S. Francisco Xavier, e na vida de Santa Teresa (...).

Há casos, como nota o P. Schram, em que estas aparições são simples alucinações, produzidas por uma super-excitação nervosa; ainda mesmo nesse caso, são temerosas tentações.

2º - "O demônio atua também sobre os sentidos internos, a imaginação e a memória, e sobre as paixões, para as excitar. Como contra a própria vontade, é o homem invadido por imagens importunas, obsessoras, que persistem a despeito de enérgicos esforços; sente-se empolgado pela efervescência da cólera, pelas ânsias do desespero, por movimentos instintivos de antipatia, ou, ao contrário, por ternuras perigosas e que nada parece justificar. Não há dúvida que é por vezes dificultoso decidir se há obsessão verdadeira; mas, quando estas tentações são juntamente repentinas, violentas, persistentes e difíceis de explicar por uma causa natural,[sublinhado meu] pode-se ver nelas uma ação especial do demônio. Em caso de dúvida, é bom consultar um médico cristão, que possa examinar se estes fenômenos não serão devidos a um estado mórbido..."

Como deve proceder o Diretor Espiritual em relação às vítimas de obsessão diabólica? Diz Tanquerey: "Deve juntar a prudência criteriosa com a bondade mais paternal.

a) É claro que não há de crer, sem provas sérias, numa verdadeira obsessão. Haja, porém, ou não obsessão, deve o diretor ter compaixão dos penitentes assaltados de tentações violentas e persistentes, e sustentá-los com sábios conselhos (...). [O próximo artigo sobre as tentações poderá servir já de orientação espiritual].

b) Se, na violência da tentação, se produziram desordens sem consentimento algum da vontade, lembrar-lhes-á que não há pecado sem consentimento. Em caso de dúvida, julgará que não houve falta, ao menos grave, quando se trata de pessoa habitualmente bem disposta.
c) Tratando-se de pessoas fervorosas, perguntar-se-á a si mesmo o diretor se essas tentações persistentes não farão talvez parte das provações passivas... e neste caso, dará a essas pessoas os conselhos apropriados ao seu estado de alma.

d) Se a obsessão diabólica é moralmente certa ou muito provável, podem-se empregar, PRIVADAMENTE, os exorcismos prescritos pelo RITUAL ROMANO, ou fórmulas resumidas: neste caso, é bom não prevenir a pessoa que se vai exorcizá-la, havendo receio de que esta declaração lhe perturbe e exalte a imaginação; basta avisá-la de que se vai recitar sobre ela uma oração aprovada pela Igreja. Quanto aos exorcismos SOLENES, não é permitido empregá-los senão com licença do Ordinário, e com as precauções..." [já expostas quando falamos da possessão].


 Quero expor um exemplo que não é dado por Tanquerey mas é próprio meu, e dele fui testemunha: Faz já alguns anos quando fui transferido de uma paróquia para outra. E a primeira coisa que topei na nova paróquia foi um caso que me pareceu preternatural, ou seja, de uma ação do demônio. Um menino, aliás não inteiramente normal mentalmente, mas também não esquizofrênico, o fato é que este menino era molestado frequentemente. Suas roupas que estavam no varal dentro de casa e à noite,  eram jogadas pelo chão. Às vezes, o menino amanhecia vestido de mulher. Embora à noite ninguém visse e as portas e janelas fechadas, apareciam pedras e barros dentro da casa onde estava o menino. O pároco já havia feito exorcismos e levou até o Santíssimo para benzer a casa. Mas os fenômenos continuavam e por meses e meses. Bom! Primeiro pedi que vigiassem dia e noite o menino. Ficou constatado que não era ele que fazia tudo aquilo, mas o fato é que não viam ninguém fazendo.  Instruído já por um fato acontecido em outra paróquia, disse para seus pais de criação que procurassem averiguar bem se aquele menino era batizado. Todos achavam que sim, tanto que já tinha feito a primeira comunhão e se confessava e comungava regularmente. Mas fora constatado que não era batizado porque seus pais eram espíritas e o "batizaram" no Espiritismo. Foi logo preparado e foi batizado. E a partir do dia do batismo desapareceram todos aqueles fenômenos estranhos, e creio que até hoje, porque nunca mais tive notícia a respeito.  O feitiço virou contra o Feiticeiro!

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

O PECADO - I - 34ª LIÇÃO



Na parte superior da estampa, vemos representada
a alma no estado de graça; na parte inferior, a alma
no pecado mortal.

 TODOS AQUELES QUE FORAM BATIZADOS VÃO PARA O CÉU?
- NÃO. AQUELES QUE COMETERAM PECADO MORTAL DEPOIS DO BATISMO E MORRERAM COM O PECADO, NÃO VÃO PARA O CÉU. VÃO PARA O INFERNO.

   Jesus nos ensinou, numa parábola, que, para entrar no céu, é preciso ter o vestido de festa, isto é, a graça santificante. Quem não tem este vestido nupcial será lançado numa cadeia escura, onde haverá choro e ranger de dentes. Esta cadeia é o inferno.
   Jesus contou assim: Um rei celebrou as bodas de seu filho, isto é, uma festa de casamento. O rei convidou muitas pessoas, mas elas não quiseram vir. Então o rei convidou os pobres que mendigavam pelas ruas, e a sala do banquete ficou cheia. Depois o rei entrou para cumprimentar os que estavam à mesa e encontrou um homem sem o vestido de festa. Este homem também tinha ganho uma roupa nova, mas a tinha vendido ou perdido por sua culpa. O rei lhe disse: "Amigo, como vieste aqui sem o vestido nupcial?" O homem não soube responder. E o rei disse aos seus criados: "Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o às trevas exteriores: aí haverá choro e ranger de dentes".
   O rei é Deus. Deus convidou primeiro os judeus, povo escolhido, para as bodas de seu Filho, isto é, para sua santa Igreja Católica, e por meio da santa Igreja Católica para a felicidade do céu.
   Mas os judeus não quiseram entrar na Igreja Católica. Então Deus convidou os mendigos das ruas, isto é, convidou os pagãos, que entraram na Igreja Católica pelo Batismo, e todos ganharam o vestido de bodas, a graça santificante.
   Mas a graça santificante perde-se pelo pecado mortal, O homem sem vestido de bodas representa aqueles que perderam a graça santificante pelo pecado mortal.
   Deus olha para os convidados, a ver se todos têm a graça santificante. Quem não tem a graça santificante é condenado às trevas exteriores, onde haverá choro e ranger de dentes. Assim Jesus fala sempre do inferno.
  Aquele que na hora da morte se acha em pecado mortal e morre assim, lança-se no inferno. Ali haverá choro e ranger de dentes. O pecado mortal merece um castigo eterno. Quem comete um pecado mortal já está condenado ao inferno. Mas Deus é misericordioso, isto é, Deus gosta de perdoar o pecador contrito. Mas Deus perdoa só até à hora da morte. Depois da morte não há mais perdão para o pecado mortal.
   É uma grande tolice viver no pecado mortal, por exemplo, num pecado desonesto, ou não ir à confissão e comunhão uma vez por ano, ou viver em outro pecado mortal. Pois estas coisas dão um prazer ou um cômodo muito pequeno, e muitas vezes só aparente, e levam a um castigo eterno.
   Devemos ter compaixão daqueles que não se importam com a religião, que não querem confessar-se, não vão à missa ou zombam daqueles que vão à igreja. Devemos pedir a Deus que lhes dê a graça do arrependimento e da conversão. Pois, se morrerem assim, serão condenados ao inferno.
   Quando o demônio nos tenta ao pecado mortal, convém que nos lembremos do inferno. Muitos guardam a inocência porque se lembram do inferno. A Bíblia diz que quem medita na morte, no juízo, no céu e no inferno nunca tem coragem de pecar.
   Nosso Senhor diz: "De que serve ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder sua alma?"
  
EXEMPLO
   Vamos ouvir o próprio Jesus: "Havia um homem rico, que se vestia de púrpura e de linho fino, e todos os dias se banqueteava esplendidamente. Havia também um mendigo, chamado Lázaro, o qual, coberto de chagas, estava deitado à sua porta, desejando saciar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; porém até os cães vinham lamber-lhe as chagas.
   Sucedeu morrer o mendigo, que foi levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. E, quando estava nos tormentos do inferno, levantando os olhos, viu ao longe Abraão, e Lázaro junto dele. Gritando, disse: Pai Abraão, compadece-te de mim e manda Lázaro que molhe em água a ponta do seu dedo, para refrescar a minha língua, pois sou atormentado nesta chama. Abraão disse-lhe: Filho, lembra-te que recebeste os bens em tua vida, (e só quis gazar a vida e não praticou a caridade) e Lázaro, ao contrário, recebeu males; por isso ele é agora consolado e tu és atormentado".
Ó meu Jesus, livrai-me do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu, protegei principalmente as que mais precisarem. 

domingo, 25 de setembro de 2016

O "HOMEM VELHO" e o "HOMEM NOVO"



"Homem velho" e "homem novo" são expressões empregadas por São Paulo na Epístola aos Efésios. No capítulo IV, 17-19 o Apóstolo mostra os sinais inconfundíveis do "homem velho": "Isto, pois, digo e vos rogo no Senhor: que não andeis mais como os pagãos que andam na vaidade dos seus pensamentos, os quais têm o entendimento obscurecido, (e estão)afastados da vida de Deus pela ignorância que há neles, por causa da cegueira do seu coração, os quais, desesperados se entregaram à dissolução, à prática de toda a impureza, à avareza". Aí, caríssimos, está retratado o "homem velho". O Apóstolo dos Gentios exorta os fiéis convertidos a se afastarem da vida pecaminosa que antes levavam. Cada uma destas expressões sintetiza muita coisa! "Viver como pagãos" significa guiar-se por uma consciência falsa e enganadora que, pervertendo até o senso moral e religioso, não permite ao homem distinguir entre o bem e o mal, entre o falsos deuses e o verdadeiro Deus. Daí o crime é legalizado, as paixões são alforriadas de todas as leis, o vício é exaltado, até o pecado chega a ser louvado. E não menor é o descalabro religioso: onde todos os falsos deuses são reconhecidos, não há lugar  para o Deus único e verdadeiro. A causa de todas as maldades dos pagãos é justamente a rejeição do verdadeiro Deus. Através das criaturas deveriam chegar ao Criador; e, no entanto, adoram as criaturas. Tudo é deus, menos o verdadeiro Deus. E assim, surdos à voz da graça que os chamava à conversão, preferiram o erro à verdade. Alheios a todas as esperanças da eternidade, atiraram-se a toda sorte de imoralidade, chafurdando no lodo da desonestidade e, pela avareza, deleitaram-se nos efêmeros bens deste mundo. Este é o "HOMEM VELHO".

Mas antes de passar a explicar o lado antagônico a este, ou seja, o "HOMEM NOVO", quero responder a uma possível objeção: Jesus já veio ao mundo, não estamos mais no tempo do Paganismo. Devemos responder e com grande tristeza que o paganismo antigo revive hoje no materialismo dos nossos dias, e com a agravante justamente de termos diante dos olhos pelos Santos Evangelhos, pela pregação dos Apóstolos e da Tradição bimilenar, o protótipo de toda virtude, o 'HOMEM NOVO" por antonomásia, que é Nosso Senhor Jesus Cristo. Daí o pecado dos pagãos modernos é maior. Mais urgentes outrossim, são as exortações do Apóstolo. Quem não vê que às leis da moral evangélica os homens tentam substituir as leis arbitrárias de uma moral independente e situacionista; e as consciências, afastando-se do caminho reto, perderam a verdadeira noção do justo e do injusto, do licito e do ilícito. O Cristianismo Autêntico foi relegado entre as velharias, a Igreja de Sempre desprezada e até perseguida, odiada em suas leis e no seu dogma. A adoração de Deus sucedeu a adoração do homem. "Não podemos fechar os olhos, - dizia Pio XII, no Natal de 1941, -"ante a triste visão da descristianização progressiva individual e social... Uma anemia religiosa feriu muitos povos... e produziu nas almas tal vácuo que nenhum simulacro de religião nem mitologia nacional ou internacional podia enchê-lo. Com palavras e com fatos e com providências governativas, que outra coisa se tem sabido fazer, há decênios, senão arrancar dos corações dos homens, desde a puerícia até a velhice, a fé em Deus Criador e Pai de todos, Remunerador do bem e Vingador do mal, desnaturando a educação e a instrução, combatendo e oprimindo com a difusão da palavra e da imprensa, com o abuso da ciência e do poder,  a religião e a Igreja de Cristo? (...) "Precipitado o espírito no abismo moral, por se ter afastado de Deus e da prática cristã, que restava, senão que os pensamentos, os propósitos, os cuidados, a estima das coisas, a ação e o trabalho dos homens se voltassem e olhassem só para o mundo material?".  E podemos fechar os olhos hoje e dizer que tudo vai muito bem?! Daremos severas contas a Deus se o fizermos, e não estivermos dispostos a lutar contra esta descristianização hodierna quase total.


Que é o "HOMEM NOVO"? São Paulo resume toda a magnificência do "homem novo" nesta profundíssima expressão "foi criado, segundo Deus, na justiça e na santidade da verdade". "Façamos o homem à nossa imagem e semelhança" diz Deus ao criar o homem. "Eleva-te minha alma - diz Bossuet - acima dos céus e dos espíritos celestiais. Nestas palavras o teu Deus vem ensinar-te que, dando-te a vida não olhou para outro modelo que não a si mesmo. Não quer Ele assemelhar-te nem aos céus, nem aos astros, nem ao sol, nem mesmo aos anjos, ou arcanjos ou, ainda, aos próprios Serafins. "Façamos - Ele diz - o homem à nossa imagem" e para melhor clareza acrescenta: "à nossa semelhança" a fim de que nesta perfeita criatura apareçam, tanto quanto for possível à sua condição, os nossos mesmos traços"... (Elevações). Por isso o "homem novo" tem anseios divinos. Não lhe bastam os conhecimentos humanos; eleva-se qual águia ao conhecimento do seu Criador. O "homem novo" não fica satisfeito com a felicidade temporária. Volta-se para a eternidade e aspira a própria felicidade de Deus. A vida do "homem novo" é Jesus. Ele é o bom odor de Jesus Cristo. Se, de um lado, vimos toda a ignomínia do "homem velho", vimos, por outro,  toda dignidade do "homem novo". Amém!

sábado, 24 de setembro de 2016

"MORAL NOVA" OU "MORAL DE SITUAÇÃO"


   "O sinal distintivo desta moral está precisamente em não se basear nas leis morais universais, como por exemplo os Dez Mandamentos, mas nas condições ou circunstâncias reais e concretas, em que se deve agir, e segundo as quais a consciência individual tem de julgar e escolher. Este estado de coisas é único e vale uma vez só para qualquer ação humana. É por isso que a decisão da consciência, afirmam os defensores desta ética, não pode ser comandada pelas ideias, princípios e leis universais.

   A fé cristã fundamenta as suas exigências morais no conhecimento de verdades essenciais e consequentes relações. Assim fala São Paulo na Epístola ao Romanos (I, 19-21) da religião em geral, que seja cristã, quer anterior ao cristianismo [no A.Testamento]: pela criação, diz o Apóstolo, o homem descobre e encontra de algum modo o Criador, o seu poder eterno e a sua divindade, e com tanta evidência que se considera e sente obrigado a reconhecer Deus e a prestar-Lhe culto, de sorte que descurá-lo ou pervertê-lo pela idolatria é sempre falta grave para toda gente.

   Não afirma o mesmo a ética de que falamos. Não nega pura e simplesmente os conceitos e princípios morais gerais (embora se aproxime muito por vezes de semelhante negação), mas desloca-os do centro para as extremidades da periferia. Pode acontecer que a decisão da consciência lhes corresponda em muitas ocasiões. Mas não são, por assim dizer, uma série de premissas, das quais a consciência tira as conclusões lógicas para cada caso particular, o caso "duma vez".Não. No centro encontra-se o bem, que importa fazer ou guardar, no seu valor real e individual; por exemplo, no domínio da fé, a nossa relação pessoal com Deus. Se a consciência seriamente formada decidir que o abandono da fé católica e a adesão a outro credo conduz mais a Deus, este passo encontrar-se-á "justificado", apesar de ser tido geralmente como "deserção" da fé. Ou então, no domínio da moralidade, quanto ao dom corporal e espiritual de si mesmo, entre jovens. Aqui a consciência seriamente formada resolveria que, em virtude da sincera inclinação mútua, eram convenientes as intimidades físicas e sensuais, muito embora estas manifestações sejam permitidas apenas entre esposos.  -  A consciência atualmente reta decidiria assim, porque da hierarquia dos valores infere o princípio de superioridade dos valores pessoais, que podem utilizar os bens inferiores do corpo e dos sentidos, ou pô-los de parte, conforme sugerir cada situação. -  Precisamente segundo este princípio, pretendeu-se com insistência, em matéria de direitos conjugais, que era mister, em caso de conflito, deixar à consciência séria e reta dos esposos, conforme as exigências das situações concretas, a faculdade de impossibilitar diretamente a realização dos valores biológicos, em proveito dos valores pessoais.

   Por mais contrários que pareçam à primeira vista aos preceitos divinos, os juízos de consciência desta natureza valeriam, entretanto, diante de Deus, porque, diz-se, a consciência seriamente formada avança o "preceito" e a "lei" em presença do próprio Deus.

   Tal decisão é, pois, "ativa" e "produtiva", não "passiva" e "receptiva" da resolução de lei, gravada por Deus no coração de cada homem, e menos ainda do Decálogo, escrito nas tábuas da lei, pelo dedo do Senhor que concedeu à autoridade humana o encargo de o promulgar e defender' (Excertos da Alocução de Pio XII à FEDERAÇÃO MUNDIAL DAS JUVENTUDES FEMININAS CATÓLICAS sobre a "Moral Nova"). 

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

NOVENA EM HONRA DE SÃO MIGUEL E DOS NOVE COROS DOS ANJOS


(Extraída do "MANUAL DAS MISSÕES"  editado em Milão, Itália, em 1909 com aprovação do Card. Merry del Val).

Ó glorioso Príncipe S. Miguel, eu vos venero, e ao coro dos Serafins, supremos amantes de Deus; e vos peço me vistais com a duplicada vestidura do amor de Deus e do próximo, para que assim me assemelhe àquele Senhor, que em tudo quis para mim ser Mestre da caridade mais incendida.
Um Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai.

Ó glorioso Príncipe S. Miguel, eu vos venero, e ao coro dos Querubins, claríssimos lumes do Empíreo; e vos peço me instruais na ciência do temor santo, para que atine com o caminho da verdadeira e eterna luz.
Um P. N., A. M. e G. P.

Ó glorioso Príncipe S. Miguel, eu vos venero, e ao belíssimo e Celestial Coro dos Tronos, firmíssimos assentos de Deus; e vos peço me ensineis a humilhar-me, para que na hora de minha morte possa ser exaltado, para louvar ao Senhor em vossa companhia eternamente.
Um P. N., A. M. e G. P.

Ó glorioso Príncipe S. Miguel, eu vos venero, e ao Coro altíssimo das Dominações, que dominam as coisas, que lhes são confiadas com admirável ordem; e vos peço me alcanceis graça, para que refreie a minha carne, e reprima os meus afetos, que tanto me precipitam nos abismos da culpa.
Um P. N., A. M. e G. P.

Ó glorioso Príncipe S. Miguel, eu vos venero e ao Coro felicíssimo das Potestades, terrores formidáveis do inferno; e vos peço assistais ao meu lado, para que com vosso auxílio consiga sempre vitória dos infernais tiranos, meus inimigos crudelíssimos.
Um P. N., A. M. e G. P.

Ó glorioso Príncipe S. Miguel, eu vos venero e ao Coro santo das Virtudes, operadores de maravilhas, e prodígios; e vos peço deis saúde perfeita às minhas enfermidades, visão à  minha cegueira, e remédio a todas as misérias de minha alma.
Um P. N., A. M. e G. P.

O glorioso Príncipe S. Miguel, eu vos venero, e ao altíssimo Coro dos Principados, que presidem aos Espíritos inferiores; e vos peço me alcanceis uma sujeição perfeitíssima, com a qual sem repugnância, nem murmuração obedeça a todos os meus superiores.
Um P. N., A. M. e G. P.

Ó glorioso Príncipe S. Miguel, eu vos venero e ao nobilíssimo Coro dos Arcanjos, Embaixadores dos grandes mistérios do Altíssimo; eu vos peço ilustreis minha alma, para que entenda os Mistérios Divinos, movendo-me o coração a obrar o bem e fugir do mal.
Um P. N., A. M. e G. P.

Ó glorioso Príncipe S. Miguel, eu vos venero e ao felicíssimo Coro dos Santo Anjos, Ministros muito fiéis do Altíssimo, e vos peço me inspireis tudo aquilo que me for conveniente, para viver bem em todo o tempo até ao último suspiro de minha vida.
Um P. N., A. M. e G. P.

HINO A S. MIGUEL [Traduzindo do Latim para o Português].
Ó luz do Pai em que vivem                                                                    
 Os corações penitentes,
 Entre os anjos te louvamos
Desses lábios teus pendentes.

Em torno de ti militam
Principados aos milhares;
O teu estandarte arvora
Miguel dos mais singulares.

Este foi, que da serpente
Atroz cabeça esmagou,
E coros soberbos rebeldes
Aos infernos arrojou.

Pelejemos com o dragão
A par do excelso guerreiro,
Para que nossas frontes coroe
De glória o manso Cordeiro.

A ti, Pai e Filho amado,
A ti, Paráclito Santo,
Seja sempre, qual tem sido,
Glória eterna, eterno canto. Amém.

ANTÍFONA: Príncipe gloriosíssimo, S. Miguel Arcanjo, lembrai-vos de nós, neste e em todos os lugares; sempre rogai por nós ao Filho de Deus.
V. Na presença dos anjos entoarei, ó meu Deus, os vossos louvores.
R. Adorar-vos-ei no vosso santo templo, e confessarei a glória do vosso nome.

OREMOS
Ó Deus, que em admirável ordem determinais os ministérios dos anjos e dos homens; por vossa clemência concedei que aqueles que vos servem e assistem no Céu sejam os que na terra defendam nossa vida. Por nosso Senhor Jesus Cristo. Amém!

N.B. : Acrescentei esta oração composta pelo Papa Leão XIII:

Grande defensor do povo cristão, São Miguel Arcanjo, para cumprirdes dignamente a missão que vos foi confiada de defender a Igreja, extingui as heresias, exterminai os cismas e confundi a incredulidade. Multiplicai vossas vitórias sobre os monstros infernais que querem destruir nossa fé. Que a Igreja de Jesus Cristo acolha novos fiéis e agregue em seu regaço reinos inteiros, afim de que Ela possa povoar o Céu de almas eleitas, para a maior glória do divino Redentor, a Quem vós mesmo deveis vossos triunfos, vossos méritos e vossa eterna felicidade. Amém.

Obs. : Os fiéis devem rezar todos os dias a oração tradicional de São Miguel Arcanjo, ou seja, aquela que o Papa Leão XIII ordenou que se rezasse após a Santa Missa. 

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

O CRUCIFIXO

Esta invocação  é do pregador sacro,  D. Duarte Leopoldo e Silva, que fora Arcebispo de São Paulo.

    "Resta-nos, porém, a sua imagem veneranda e venerável. Resta-nos o crucifixo - dádiva preciosa do seu amor, já agora para sempre fixado no vértice das igrejas ou na sala nobre das famílias que não se pejam das suas ignomínias. Resta-nos o crucifixo pompeado, glorificado, no cimo dos tabernáculos, ou banhado de lágrimas ardentes na penumbra de um confessionário. Resta-nos o crucifixo à cabeceira do enfermo que sofre porque não vive, ou no cinto da religiosa que sofre porque não morre. Resta-nos o crucifixo nas mãos do missionário, rasgando-lhe caminho para a pátria celestial, e no peito do soldado, guiando-o intimorato para os triunfos da pátria desafrontada de estranhos atrevimentos. 
   Na grande avançada para o céu, sem ele, sem o sinal da cruz, não sabe a Igreja dar um passo, iniciar uma única cerimônia, esboçar uma bênção sequer. 
  Ó meu crucifixo! Pobre e humilde, banhado das minhas lágrimas na amorável penumbra de uma cela, como brilhas tu, iluminando-nos a vida e a morte, o sofrimento e o prazer, a terra e o céu, o tempo e a eternidade!
  Catecismo de ignorantes, Suma Teológica para sábios, tu és luminoso, todo invadido da presença de Deus. Tua voz me instrui com o calor de uma chama e com a doçura de uma unção - repreende e consola, fortalece e santifica. Melhor que os livros santos, tu me dizes a que extremos inatingíveis levaste o teu amor por mim, por mim pessoalmente, como se eu só - e mais ninguém - fora o objeto do teu amor - amor imolado, amor sacrificado, amor crucificado. 
   Levei-te aos lábios, cheguei-te ao coração. E ouvi, uma por uma, impressas em tuas chagas, todas as palavras dos livros sagrados. E cada palavra que te caiu dos lábios me foi direta ao coração como um dardo de fogo, desse fogo do Espírito Santo que, desde o meu batismo, permanece latente em minha alma pecadora. E eu disse: também eu te amo, também eu quero amar-te de todas as minhas forças. Tu me ensinas como e até quando ser-me-á  preciso amar o meu próximo. "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" - me dizes tu. Mandamento difícil e humilhante. Se se tratasse de fazer bem aos que fizeram bem - fácil e deleitoso me seria o cumprir a tua vontade, pois ela encontraria eco dentro em meu próprio coração. Mas, tu queres que eu perdoe aos que me fizeram mal, não somente que lhes perdoe, mas que os ame ainda como tu mesmo nos amaste. E eu vi as tuas chagas, contemplei-te as mãos e os pés traspassados de duros cravos, a cabeça coroada de espinhos, os braços abertos em atitude de perdão. E eu disse e repito, inteiramente rendido aos argumentos do teu amor: sim, ó meu Jesus, perdoo-lhes por amor de ti, perdoo-lhes porque mais gravemente tenho te ofendido que eles a mim.
   Tu me dizes ainda que o amor de Deus e do próximo nos faz viver, e que o amor de nós mesmos nos faz morrer. Ó meu Jesus, faze que eu te ame bastante, e que não me ame tanto! Ensina-me a dominar as rebeldias da minha natureza, a crucificar as minhas paixões por amor de Jesus crucificado. Ensina-me a prática da humildade, da vigilância e da oração, para que em ti e por ti, me fortaleça no obediência à tua santa lei.
   Como és belo e consolador, ó meu crucifixo! Se me mostrasses tão-somente a grandeza dos meus pecados, eu seria esmagado ao peso da minha dor; mas tu me abres o céu como prêmio e recompensa da paixão de Jesus. Agora que te conheço e te amo - já não temo os castigos da tua justiça, mas os castigos do teu amor, e porque os temo e porque te quero, deixa que me banhe no sangue do teu coração. Mas eis que o dia já declina sempre mais, lentamente... lentamente... As sombras da montanha obscurecem-me o caminho e já não vejo para onde me conduzem os passos incertos e vacilantes. É a tarde, é a noite, é a velhice, é a morte que se aproxima. Ah! eu tenho medo! Mas fica comigo, o meu amado crucifixo! Companheiro inseparável de todos os dias, faze-me companhia até o termo da longa e perigosa caminhada. Tu me falarás de Deus, tu me falarás da vida que se finda e da eternidade que se avizinha. Tu me falarás  dos meus pecados e da misericórdia de Jesus.
   Cansados, já os meus olhos te não podem fitar; enregelados, na agonia derradeira, já os meus braços não conseguem chegar-te à altura dos meus lábios. Mas os meus dedos crispados pela morte te sentem ainda e o meu coração, se não a boca, pode ao menos balbuciar: Meu Jesus, meu Redentor, eu te amo, eu creio em ti. Nas tuas mãos entrego o meu coração, a minha alma, a minha vida a minha eternidade. In manus tuas, Domine, commendo spiritum meum".