SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

PRESCRIÇÕES PARA O MÊS DE OUTUBRO

LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 05 de outubro

"13. Estabelecemos, pois, e ordenamos que, em todo o mundo católico, a solenidade de Nossa Senhora do Rosário seja este anos celebrada com particular devoção e com esplendor de culto. Ordenamos, além disso, que, no dia primeiro de outubro ao dia dois do seguinte mês de novembro, em todas as igrejas paroquiais e, se os Ordinários o julgarem vantajoso e conveniente, também nas outras igrejas e nas capelas dedicadas à Mãe de Deus, se recitem devotamente ao menos cinco dezenas do Rosário, com o acréscimo das Ladainhas Lauretanas. Depois, desejamos, que, quando o povo se reunir para tais orações, ou se ofereça o santo Sacrifício da Missa, ou se exponha solenemente o SS. Sacramento, e no fim se dê aos presentes a Bênção com a Hóstia sacrossanta."
(Encíclica "SUPREMI APOSTOLATUS" de Leão XIII escrita em 1883).

Passemos, agora, à outra encíclica que o mesmo Leão XIII escreveu no ano seguinte[1884]:

"1. O ano passado, como todos sabem, com uma Encíclica nossa dispusemos que durante todo o mês de outubro, em toda parte do orbe católico, se honrasse por meio do santo Rosário a grande Mãe de Deus, para obter dela um eficaz socorro nas angústias de que a Igreja estava oprimida. Com isso secundamos uma inspiração Nossa, e seguimos o exemplo dos Nossos Predecessores, os quais, nos tempos mais difíceis para a Igreja, tiveram o costume de, com aumentado ardor de piedade, recorrer à Virgem augusta, e de com fervorosa prece invocar-lhe o auxílio.

2. A solicitude e o consenso em secundar a Nossa vontade foram tais por toda parte, que se tornou evidente o quanto é intenso no povo cristão o espírito da religião e da piedade, e o quanto é viva a confiança de todos no celeste auxílio de Maria Santíssima. Este fervor em professar a própria piedade e a própria fé trouxe, certamente, um grande conforto ao Nosso coração, oprimido por tantas preocupações graves e por tantos males; antes, deu-nos força para suportar, se Deus assim quiser, males ainda piores. De fato, enquanto o espírito de oração se derramar sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém, nutrimos segura esperança de que, um dia, Deus se nos mostrará aplacado, e de que, movido a compaixão pela sorte da sua Igreja, atenderá às orações elevadas pelos fiéis por meio daquela que Ele quis administradora das graças celestes.

3. Portanto, visto ainda subsistirem as causas que, como já dissemos, nos impeliram, o ano passado, a estimular a piedade dos fiéis, julgamos nosso dever, Veneráveis Irmãos, exortar de novo, este ano, o povo cristão a perseverar na devoção do santo Rosário, para merecer a eficaz proteção da grande Mãe de Deus. Com efeito, se são tão obstinados os propósitos dos inimigos do cristianismo, necessário se torna que não menor seja a constância dos seus defensores; tanto mais quanto o auxílio celeste e os benefícios de Deus frequentemente são fruto da nossa perseverança. E aqui torna-se oportuno evocar o exemplo daquela ilustre heroína em quem era figurada a Virgem Maria: Judite, que conteve a impaciência dos Judeus, os quais, na sua estultícia, queriam a seu arbítrio fixar a Deus o tempo para socorrer a cidade. Assim também deve ter-se presente o exemplo dos Apóstolos, que esperaram o prometido dom supremo do Espírito Santo unidos em perseverante e unânime oração, com Maria Mãe de Jesus.

4. Efetivamente, agora também se trata de um negócio bastante árduo e importante: isto é, de abater o poder do antigo e astutíssimo inimigo, arrogante na sua força; de reivindicar a liberdade para a Igreja e para o seu Chefe; de conservar e defender os fundamentos sobre os quais deve apoiar-se a segurança e o bem-estar da sociedade. Grande deve, por isto, ser, nestes tempos tão lacrimosos para a Igreja, a solicitude de manter com piedosa diligência o santo costume do Rosário; sobretudo porque esta oração é composta de modo a evocar sucessivamente todos os mistérios da nossa salvação, e portanto particularmente adequada para fomentar a piedade."


(Encíclica "SUPERIORE ANNO",  de Leão XIII, em 30 de agosto de 1884). 

terça-feira, 4 de outubro de 2016

ROSÁRIO E OS MALES DOS TEMPOS PRESENTES

LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 04 de outubro
Observação: Caríssimos, o que Leão XIII em 1883 dizia sobre os males daquele tempo, aplica-se perfeitamente aos de hoje; males estes, entretanto, hodiernamente muito maiores: a moralidade pública e a própria fé não só correm riscos, mas estão sendo destruídas terrível e celeremente. O que torna a crise atual mais grave, é o que o remédio para tamanho mal, está sendo negligenciado nas famílias: a oração do Santo Terço. Enquanto Leão XIII alertava e apresentava o remédio para a crise sempre crescente, hoje a autoridade suprema da Igreja está mais preocupada com ecologia e chegou mesmo a dizer que "a Igreja nunca esteve tão bem!".  Mas ouçamos o Papa do Santo Rosário:

"10. Movido por estas considerações e pelos exemplos dos Nossos Predecessores, julgamos assaz oportuno, nas presentes circunstâncias, ordenar solenes preces a fim de que a Virgem augusta, invocada por meio do santo Rosário, nos impetre de Jesus Cristo, seu Filho, auxílios iguais às necessidades.

11. Bem vedes, ó Veneráveis Irmãos, as incessantes e graves lutas que trabalham a Igreja. Vedes que a moralidade pública e a própria fé - o maior dos bens e fundamento de todas as outras virtudes - estão expostas a perigos sempre mais graves. Assim também vós não só conheceis a nossa difícil situação e as nossas múltiplas angústias, mas, pela caridade que a nós tão estreitamente vos une, as sofreis juntamente conosco. Porém o fato mais doloroso e mais triste de todos é que tantas almas, remidas pelo sangue de Cristo, como que arrebatadas pelo turbilhão desta época transviada, vão-se precipitando numa conduta sempre mais depravada, e se abismam na eterna ruína; por isto a necessidade do divino auxílio certamente não é menor hoje do que a que era sentido quando o grande Domingos, para curar as feridas da sociedade, introduziu  a prática do Rosário mariano. Iluminado do alto, ele viu claramente que para os males do seu tempo não havia remédio mais eficaz do que reconduzir os homens a Cristo, que é "caminho, verdade e vida", mediante a freqüente meditação da Redenção pro Ele operada; e interpor junto a Deus a intercessão dessa Virgem a quem foi concedido "aniquilar todas as heresias". Por este motivo ele dispôs a prática do Rosário de modo que fossem sucessivamente recordados os mistérios da nossa salvação, e a este dever da meditação se entremeasse como que uma mística coroa de saudações angélicas, intercaladas pela oração a Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nós, pois, que andamos procurando um igual remédio para não diversos males, não duvidamos de que a mesma oração, pelo santo Patriarca introduzida com tão notável vantagem para o mundo católico, tornar-se-á eficacíssima para aliviar também as calamidades dos nossos tempos.

12. Portanto, em consideração destas razões, não somente exortamos calorosamente todos os cristãos a praticarem, sem se cansar, o piedoso exercício do Rosário, publicamente, ou em particular, nas suas casas e famílias, mas também queremos que todo o mês de outubro do ano em curso seja consagrado e dedicado à celeste Rainha do Rosário."


(Encíclica "SUPREMI APOSTOLATUS" de Leão XIII).

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

LOUVORES DO ROSÁRIO



"9. Portanto, visto que os fatos demonstram o quanto esta oração é agradável à Virgem, e o quanto é eficaz na defesa da Igreja e do povo cristão, e em alcançara os divinos favores para os simples indivíduos e para a sociedade inteira, não há de causar nenhuma admiração que também outros Nossos Predecessores, com palavras de fervoroso encômio, se hajam aplicado a incrementá-la. Assim Urbano IV afirmou que "cada dia o povo cristão recebe novas graças por meio do Rosário"; Sisto IV proclamou que esta forma de oração "é oportuna, não só para promover a honra de Deus e da Virgem, mas também para afastar os perigos que o mundo nos prepara"; Leão X disse-a "instituída contra os heresiarcas e contra o serpear das heresias"; e Júlio XIII chamou-lhe "ornamento da Igreja de Roma". Igualmente Pio V, falando desta oração, disse que, "ao difundir-se ela, os fiéis, inflamados por aquelas meditações e afervorados por aquelas preces, começaram de repente a transformar-se em outros homens; as trevas das heresias começaram a dissipar-se, e mais clara começou a manifestar-se a luz da fé católica". Finalmente, Gregório XIII declarou que 'o Rosário foi instituído por S. Domingos para aplacar a ira de Deus e para obter a intercessão da bem-aventurada Virgem'."


(Encíclica "SUPREMI APOSTOLATUS" de Leão XIII, sobre o Rosário de Nossa Senhora). 

domingo, 2 de outubro de 2016

OS ANJOS - 9ª E 10ª LIÇÃO


As criaturas mais perfeitas que Deus criou foram: os anjos e os homens.
Deus criou no céu os anjos. como estão representados no quadro catequético em baixo. 

QUE SÃO OS ANJOS?
OS ANJOS SÃO PUROS ESPÍRITOS QUE DEUS CRIOU PARA SUA GLÓRIA E SEU SERVIÇO.

Os anjos são espíritos muito santos, muito belos, muito sábios e muito fortes. Os anjos não têm corpo; mas nem por isso falta alguma coisa aos anjos. Pelo contrário, são superiores aos homens precisamente porque eles não têm corpo. Falta alguma coisa a nós, porque temos corpo. Nós nos movemos muito devagar por causa do nosso corpo. Os anjos são tão ligeiros como os nossos pensamentos: em um momento podem ir daqui até muito longe. Por isso os pintores representam os anjos com asas. Os anjos não têm asas, pois não têm corpo. Representamos os anjos com asas, para fazer compreender que são muito ligeiros em fazer a vontade de Deus. Mais tarde, se Deus quiser, vocês caríssimas crianças, vão aprender que, na Sagrada Escritura, Deus mesmo mandou fazer imagens de anjos com asas. Nós quando pensamos muito, ou rezamos muito, ficamos cansados. Muitos já sentem fadiga, quando pensam uma meia hora em Deus, durante o catecismo. Isto é do nosso corpo, que atrai para a terra e dificulta a nossa alma elevar-se para o céu. Os anjos não se cansam com nada porque eles não têm corpo.
   Na Sagrada Escritura conta-se a história de Tobias. Ele ia fazer uma grande viagem e não tinha um companheiro; Deus então enviou-lhe um anjo sob a forma de um belo moço, que guiou Tobias em toda viagem e o ajudou. Era o anjo São Rafael. Deus deu a cada um de nós um anjo, para ficar sempre perto de nós, para nos proteger nos perigos que corre o nosso corpo e a nossa alma. Como o anjo Rafael acompanhou Tobias, assim o nosso anjo da guarda sempre nos acompanha nesta vida. Não podemos ver o anjo da guarda porque é um espírito.
   Mas podemos ouvir a sua voz. O anjo da guarda não nos fala com palavras, ele fala dentro da alma. Quando estais na Missa, muitas vezes ouvireis uma voz a dizer na alma: "Agora rezai bem, pensai em Deus." 
Quando alguém vos ofendeu, ouvis uma voz dentro da alma: "Perdoar; não responder à ofensa com ofensa." É o anjo da guarda que fala.
  Quem se lembra de que seu anjo da guarda está perto, terá vergonha de cometer pecado e, assim, causar desgosto ao anjo da guarda. Em presença de uma pessoa que muito respeitamos, não cometeremos facilmente algum pecado maior. Muito menos pecaremos, se nos lembrar-mos que o anjo da guarda está conosco.
   Quando sentimos preguiça na escola ou no trabalho que mamãe ou papai mandam fazer, convém pensar: meu anjo da guarda está perto. Que pensará de mim o santo anjo do Senhor, se eu estou assim preguiçoso? Se o demônio nos quer tentar a fazer qualquer pecado, lembremo-nos: "Eu não estou só, meu anjo da guarda está comigo."

EXEMPLO
   Santa Francisca Romana muitas vezes via o seu anjo da guarda. Quando alguém falava mal do próximo ou cometia outro pecado, Santa Francisca percebia que o anjo desviava os olhos, para mostrar seu desgosto por aquela ofensa contra a divina Majestade.

   Devemos ter muita devoção ao nosso anjo da guarda e convém rezar muitas vezes a sua oração:
  


SANTO ANJO DO SENHOR, MEU ZELOSO GUARDADOR, SE A TI ME CONFIOU A PIEDADE DIVINA, SEMPRE  ME REGE, GUARDA, GOVERNA E ILUMINA. AMÉM


OS ANJOS  - 10ª LIÇÃO
OS ANJOS FORAM TODOS BONS?
NÃO, ALGUNS SE REVOLTARAM CONTRA DEUS: SÃO OS ANJOS MAUS OU DEMÔNIOS.

   Entre os anjos que Deus criou, havia um muito belo, muito forte, muito sábio. Chamava-se Lúcifer, isto é, "Portador de luz." Lúcifer é uma palavra,hoje, muito horrível; mas antes do pecado deste anjo, esta palavra indicava justamente a beleza que Deus deu bondosamente a ele. Esta palavra "Lúcifer" vem do latim = "lucem ferrens", isto é, "aquele que leva a luz" ou "portador da luz". Chamava-se assim por causa de sua brilhante beleza. Lúcifer reparou na sua própria beleza, força e sabedoria e pensou: que belo que eu sou! que forte! que sábio! E não quis lembrar-se de que tinha tudo isto de DEUS. Lúcifer foi orgulhoso.
   Deus fez saber a todos os anjos que deviam adorar a Deus e obedecer a Deus. E Lúcifer pensou: "Eu obedecer?! Não quero: Eu não servirei!" Foi a primeira desobediência a Deus, o primeiro pecado mortal.
   Muitos dos outros anjos também não quiseram obedecer a Deus. Viam o mau exemplo de Lúcifer, e o mau exemplo sempre prejudica os outros. Muitos anjos se revoltaram contra Deus.
   Então ressoou, alto no céu, o grito de guerra do arcanjo São Miguel. São Miguel clamou: "Quem é como Deus?" São Miguel e os anjos bons combateram contra os anjos maus. São Miguel venceu e precipitou os anjos maus no inferno, que Deus naquele instante criou.


E, enquanto caiam, Deus os mudou . Deus tirou-lhes toda santidade e toda beleza que tinham: e tornaram-se feios demônios. Também perderam muito da sua sabedoria e sua força: uma cruzinha com água benta... todos os demônios fogem. Em todo pecado mortal há a mesma malícia do pecado de Lúcifer. Para nós,  como para Lúcifer, a Bondade de Deus foi infinita. Nós, como Lúcifer, recebemos de Deus tudo quanto temos, tudo quanto somos. Se cometermos pecado mortal, diremos como Lúcifer: "Eu não servirei. Deus manda ir à missa, ao catecismo, à comunhão, mas eu não vou. Deus manda respeitar os pais, guardar castidade, mas eu não o faço. Eu não servirei." Todo pecado mortal é uma grande malícia. Nós, como Lúcifer, estamos no poder de Deus. Sua sabedoria nos vê, Sua Imensidade nos cerca. E, se cometemos pecado mortal, provocamos, como Lúcifer, a tremenda Majestade. Todo pecado mortal é uma cega tolice. Em todo pecado mortal há a mesma desgraça do pecado de Lúcifer. Se morrermos com pecado mortal sofreremos para sempre no mesmo inferno em que está Lúcifer. Todo pecado mortal é uma imensa desgraça. Lembrai-vos sempre destas três palavras: o pecado mortal é: malícia, tolice, desgraça.
   Nós podemos ganhar os lugares que os anjos maus perderam no céu. Por isso os demônios têm muita inveja de nós. Os demônios fazem todos os esforços para nos fazer perder o céu. Perdemos o céu pelo pecado mortal. Os demônios nos podem tentar, mas, se nós não queremos, não têm poder sobre nós.
   Os demônios querem tornar infelizes a nossa alma. Se cometermos pecado mortal, entregamos nossa alma ao poder do demônio. 
   As armas contra o demônio são: o trabalho honesto, a confissão e a comunhão; a penitência, a oração, principalmente a devoção à Virgem Maria; as orações jaculatórias e o sinal da Cruz especialmente se o fazemos com água benta. Devemos ter também muita devoção a São Miguel Arcanjo.

- QUAL O CASTIGO QUE TIVERAM OS ANJOS MAUS? 
- FORAM EXPULSOS DO CÉU E MANDADOS POR DEUS PARA O INFERNO.

INTERVENÇÃO DE MARIA NA HISTÓRIA DA IGREJA


LEITURA ESPIRITUAL - Dia 02 de outubro

"6. Nenhum de vós, ó Veneráveis Irmãos, ignora quantas dores e quantas lágrimas, no fim do século XII, proporcionaram à Igreja de Deus os hereges Albigenses, que, nascidos da seita dos últimos Maniqueus, haviam infectado de perniciosos erros a França meridional e outras regiões do mundo latino. Espalhando em torno de si o terror das armas, eles tramavam estender o seu domínio pelos morticínios e pelas ruínas. Contra esses péssimos inimigos Deus misericordioso suscitou, com vos é bem conhecido, um homem virtuosíssimo: o ínclito padre fundador da Ordem dominicana [S. Domingos]. Insigne pela integridade da doutrina, por exemplos de virtude e pelos seus labores apostólicos, ele se preparou com intrépida coragem para travar as batalhas da Igreja Católica, confiando não na força das armas, mas sobretudo na daquela oração que ele, por primeiro, introduziu sob o nome do santo Rosário, e que, ou diretamente ou por meio dos seus discípulos, depois divulgou por toda parte. Visto como, por inspiração ou por impulso divino, ele bem sabia que, com o auxílio desta oração, poderoso instrumento de guerra, os fiéis poderiam vencer e desbaratar os inimigos, e forçá-los a cessar a sua ímpia e estulta audácia. E é sabido que os acontecimentos deram razão à previsão. De feito, desde quando tal forma de oração, ensinada por S. Domingos, foi abraçada e devidamente praticada pelo povo cristão, de um lado começaram a revigorar-se a piedade, a fé e a concórdia, e, de outro foram por toda parte quebradas as manobras e as insídias dos hereges. Além disto, muitíssimos errantes foram reconduzidos à trilha da salvação, e a loucura dos ímpios foi esmagada por aquelas armas que os católicos haviam empunhado para reprimir a violência.

7. A eficácia e o poder da mesma oração foi, depois experimentada também no século XVI, quando as imponentes forças dos Turcos ameaçavam impor a quase toda a Europa o jugo da superstição da barbárie. Nesta circunstância, o Pontífice S. Pio V, depois de estimular os soberanos cristãos à defesa de uma causa que era a causa de todos, dirigiu todo o seu zelo a obter que a poderosíssima Mãe de Deus, invocada por meio do santo Rosário, viesse em auxílio do povo cristão. E a resposta foi o maravilhoso espetáculo então oferecido ao Céu e à terra; espetáculo que empolgou as mentes e os corações de todos! Com efeito, de um lado os fiéis, prontos  a dar a vida e a derramar o sangue pela incolumidade da religião e da pátria, junto ao golfo de Corinto esperavam impávidos o inimigo; de outro lado, homens inermes, em piedosa e suplicante falange, invocavam Maria, e com a fórmula do santo Rosário repetidamente a saudavam, a fim de que assistisse os combatente até à vitória. E Nossa Senhora, movida por aquelas preces, os assistiu: porquanto, havendo a frota dos cristãos travado batalha perto de Lepanto, sem graves perdas dos seus, desbaratou e matou os inimigos, e alcançou uma esplêndida vitória. Por este motivo o santo Pontífice, para perpetuar a lembrança da graça obtida, decretou que o dia aniversário daquela grande batalha fosse considerado festivo em honra da Virgem das Vitórias; festa que depois Gregório XIII consagrou sob o título do Rosário.

8. Igualmente são conhecidas as vitórias alcançadas sobre as forças dos Turcos, durante o século passado, primeiramente perto de Timisoara, na Rumânia, e depois perto da ilha de Corfu: em dois dias dedicados à grande Virgem, e após muitas preces a ela elevadas sob a forma do Rosário. Esta foi a razão que levou o Nosso Predecessor Clemente XI a estabelecer que, em prova de gratidão, a Igreja toda celebrasse cada ano a solenidade do santo Rosário."

(Encíclica "SUPREMI APOSTOLATUS" de Leão XIII). 

sábado, 1 de outubro de 2016

EXCELÊNCIAS DO ROSÁRIO DE NOSSA SENHORA

LEITURA ESPIRITUAL  - Dia 01 de outubro


A primeira excelência do Rosário é ser esta devoção instituída e ordenada para honra e veneração da Virgem gloriosa Nossa Senhora, a qual é mais bem-aventurada que nenhuma outra criatura; e por esta razão merece tanto que todos os louvores que os homens lhe dão e serviços que lhe fazem, tudo é menos do que se lhe deve. Todas as línguas não seriam bastantes para a louvar: "De Maria nunquam satis"! É fácil entendermos o porquê: É Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo. E seus rogos podem tanto diante de seu Filho, que lhe não nega coisa alguma que peça. Porque se Salomão depois de rei teve respeito a sua mãe, e lhe disse que pedisse o que quisesse, que não era razão negar-lhe nada, quanto mais o Filho de Deus à sua gloriosa Mãe, que o concebeu em seu ventre com tanta alegria, deu à luz com tanto júbilo e O criou com tanto amor e serviu sempre com tanto reverência e humildade, tratando sempre, mais do que qualquer outra criatura, de Lhe fazer a vontade. E assim, caríssimos, esta Senhora é a principal intercessora dos pecadores junto a Jesus, e mediante ela nos vêm todos os bens. Deus a constituiu tesoureira dos seus bens, pois quis que tivéssemos o Redentor através dela, e não quis mandar ao mundo o seu Filho como nos deu o primeiro pai Adão. "Factus ex muliere", feito de uma mulher, como diz São Paulo. E Deus fez com todo seu amor a Mãe para seu Filho. Maria Santíssima é a obra-prima saída das mãos do Onipotente!

A segunda razão com que se prova e manifesta a excelência desta devoção do Rosário é ser ordenada e instituída por particular revelação e mandado da Virgem gloriosa Nossa Senhora. Com efeito, o grande Patriarca São Domingos de Gusmão para conduzir à eterna felicidade os homens, que viviam nas trevas do erro, de nefastas heresias, que levavam o terror em sanguinolenta guerra à Igreja, não somente os persuade com fervorosas e contínuas pregações, mas com os mais santos exercícios que pratica. São Domingos recorre à Virgem Maria, tomando-a por medianeira dessa tão grande empresa. E a Virgem Maria aparece-lhe em visão: ensina-lhe a devoção do Rosário, e manda-lhe que a pregue: porque era o mais eficaz remédio para destruir as heresias, extinguir os vícios e alcançar a divina Misericórdia. E qual foi o resultado? Os hereges até então de cerviz dura se converteram em número de cem mil.


Se Deus quiser, veremos em outras leituras do mês de Outubro, que o Santo Rosário é excelente também porque se compõe das orações mais perfeitas e belas. É, outrossim,  além de vocal, uma oração mental, pois medita-se nos mistérios da vida de Jesus e de Maria. 

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

OBSESSÃO DIABÓLICA


Extrairei este artigo, em quase sua totalidade, do COMPÊNDIO DE TEOLOGIA ASCÉTICA E MÍSTICA escrito pelo célebre teólogo Padre Ad. Tanquerey.

Caríssimos, primeiramente é de grande utilidade trazer aqui a observação inicial do autor: "Sobre a ação do demônio, diz Tanquerey, há dois extremos que evitar: há quem lhe atribua todos os males que nos sucedem; é esquecer que existem em nós não só estados mórbidos que não supõem qualquer intervenção diabólica, mas também as tendências más que vêm da tríplice concupiscência, e que estas causas naturais bastam para explicar muitas tentações. Outros há, pelo contrário, que, esquecendo o que a S. Escritura e a Tradição nos dizem da ação do demônio, não querem admitir em caso algum a sua intervenção. Para nos conservarmos no justo meio, a regra que devemos seguir é não aceitar como fenômenos diabólicos senão aqueles que, ou pelo seu caráter extraordinário, ou por um complexo de circunstâncias denotem a ação do espírito maligno.

Como no artigo anterior já falei da possessão diabólica, aqui, inspirando-me no Teólogo Tanquerey, falarei da obsessão diabólica. O que é afinal? "A obsessão é em substância uma série de tentações mais violentas e duradouras que as tentações ordinárias [dessas falarei em outro artigo]. "É externa, quando atua sobre os sentidos externos, por meio de aparições; interna, quando provoca impressões íntimas. É raro que seja puramente externa, visto o demônio não atuar sobre os sentidos senão para perturbar mais facilmente a alma. Há, contudo, Santos que, com serem obsediados exteriormente por toda a qualidade de fantasmas, conservam na alma uma paz inalterável".

1º - "O demônio pode atuar sobre todos os sentidos externos: a) Sobre a vista, aparecendo umas vezes em formas repelentes, para aterrar as pessoas e afastá-las da prática das virtudes (...); outras, em formas sedutoras, para atrair ao mal, como sucedeu frequentes vezes a Santo Afonso Rodrigues. (Hoje podemos dar exemplos na vida do Padre Pio de Pietrelcina). b)  Sobre o ouvido, fazendo escutar palavras ou cantos blasfemos ou obscenos, como se lê na vida de Santa Margarida de Cortona; ou fazendo algazarra, para atemorizar, como sucedia ao Santo Cura d'Ars. c) Sobre o tato, de duas maneiras, infligindo golpes e feridas, como se lê nas bulas de canonização de Santa Catarina de Sena, de S. Francisco Xavier, e na vida de Santa Teresa (...).

Há casos, como nota o P. Schram, em que estas aparições são simples alucinações, produzidas por uma super-excitação nervosa; ainda mesmo nesse caso, são temerosas tentações.

2º - "O demônio atua também sobre os sentidos internos, a imaginação e a memória, e sobre as paixões, para as excitar. Como contra a própria vontade, é o homem invadido por imagens importunas, obsessoras, que persistem a despeito de enérgicos esforços; sente-se empolgado pela efervescência da cólera, pelas ânsias do desespero, por movimentos instintivos de antipatia, ou, ao contrário, por ternuras perigosas e que nada parece justificar. Não há dúvida que é por vezes dificultoso decidir se há obsessão verdadeira; mas, quando estas tentações são juntamente repentinas, violentas, persistentes e difíceis de explicar por uma causa natural,[sublinhado meu] pode-se ver nelas uma ação especial do demônio. Em caso de dúvida, é bom consultar um médico cristão, que possa examinar se estes fenômenos não serão devidos a um estado mórbido..."

Como deve proceder o Diretor Espiritual em relação às vítimas de obsessão diabólica? Diz Tanquerey: "Deve juntar a prudência criteriosa com a bondade mais paternal.

a) É claro que não há de crer, sem provas sérias, numa verdadeira obsessão. Haja, porém, ou não obsessão, deve o diretor ter compaixão dos penitentes assaltados de tentações violentas e persistentes, e sustentá-los com sábios conselhos (...). [O próximo artigo sobre as tentações poderá servir já de orientação espiritual].

b) Se, na violência da tentação, se produziram desordens sem consentimento algum da vontade, lembrar-lhes-á que não há pecado sem consentimento. Em caso de dúvida, julgará que não houve falta, ao menos grave, quando se trata de pessoa habitualmente bem disposta.
c) Tratando-se de pessoas fervorosas, perguntar-se-á a si mesmo o diretor se essas tentações persistentes não farão talvez parte das provações passivas... e neste caso, dará a essas pessoas os conselhos apropriados ao seu estado de alma.

d) Se a obsessão diabólica é moralmente certa ou muito provável, podem-se empregar, PRIVADAMENTE, os exorcismos prescritos pelo RITUAL ROMANO, ou fórmulas resumidas: neste caso, é bom não prevenir a pessoa que se vai exorcizá-la, havendo receio de que esta declaração lhe perturbe e exalte a imaginação; basta avisá-la de que se vai recitar sobre ela uma oração aprovada pela Igreja. Quanto aos exorcismos SOLENES, não é permitido empregá-los senão com licença do Ordinário, e com as precauções..." [já expostas quando falamos da possessão].


 Quero expor um exemplo que não é dado por Tanquerey mas é próprio meu, e dele fui testemunha: Faz já alguns anos quando fui transferido de uma paróquia para outra. E a primeira coisa que topei na nova paróquia foi um caso que me pareceu preternatural, ou seja, de uma ação do demônio. Um menino, aliás não inteiramente normal mentalmente, mas também não esquizofrênico, o fato é que este menino era molestado frequentemente. Suas roupas que estavam no varal dentro de casa e à noite,  eram jogadas pelo chão. Às vezes, o menino amanhecia vestido de mulher. Embora à noite ninguém visse e as portas e janelas fechadas, apareciam pedras e barros dentro da casa onde estava o menino. O pároco já havia feito exorcismos e levou até o Santíssimo para benzer a casa. Mas os fenômenos continuavam e por meses e meses. Bom! Primeiro pedi que vigiassem dia e noite o menino. Ficou constatado que não era ele que fazia tudo aquilo, mas o fato é que não viam ninguém fazendo.  Instruído já por um fato acontecido em outra paróquia, disse para seus pais de criação que procurassem averiguar bem se aquele menino era batizado. Todos achavam que sim, tanto que já tinha feito a primeira comunhão e se confessava e comungava regularmente. Mas fora constatado que não era batizado porque seus pais eram espíritas e o "batizaram" no Espiritismo. Foi logo preparado e foi batizado. E a partir do dia do batismo desapareceram todos aqueles fenômenos estranhos, e creio que até hoje, porque nunca mais tive notícia a respeito.  O feitiço virou contra o Feiticeiro!