SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

O SANTO NOME DE MARIA

   "Ninguém pode proferir devotamente o nome de Maria, sem dele tirar algum fruto".
                                         São Boaventura.

   "Pronunciar com afeto o nome de Maria ou é sinal de vida, ou de a ter brevemente".
                                          São Gemano 

   "Vosso nome, ó Maria, é um  bálsamo oloroso a exalar o perfume da divina graça".
                                          Santo Ambrósio

   "Os homens são atirados ao chão se ao lado deles cai algum raio. Assim também são abatidos os demônios logo que ouvem o nome de Maria".
                                                                                        Tomás de Kempis

 "No mundo não há inimigo que tanto tema um grande exército, como temem o nome e o patrocínio de Maria as potestades infernais"
Conrado de Saxônia

   Donna, se' tanto grande e tanto vali,
   che qual vuol grazia ed a te non ricorre,
   sua disïanza vuol volar senz'ali.
   La tua benignità non pur socorre
   a chi domanda, ma molte fiate
   liberamente al domandar precorre.
   In te misericordia, in te pietate,
   in te magnificenza, in te s'aduna
   quantunque in creatura è di bontate.
           Dante, Paraíso, Canto XXXIII.

   "Sois, Senhora, tão augusta e excelsa, que quem
    deseja alguma graça e a vós não recorre, quer em
   seu anelo voar sem asas.
   Tal é vossa bondade, que não somente socorreis
   a quem pede favores, mas com freqüência acudis
   antecipando a todo pedido.
   É grande vossa misericórdia, grande vossa piedade e magnificência,
   e brilham em vós as virtudes todas". 

  

A AVE-MARIA - 1ª parte - 25ª LIÇÃO

N.B.: Para aumentar os quadros catequéticos é só clicar em cima. A Ave-Maria neste quadro está escrita em francês, porque estes quadros catequéticos foram feitos na Suíça: Ed. Les Amis de Saint François de Sales - 1950.

Qual é a oração que mais convém rezar a Nossa Senhora? Há muitas boas orações para rezar a Maria Santíssima. E santa Joana de França pediu a Maria que lhe revelasse qual destas orações lhe era mais agradável. Maria revelou àquela santa que gostava mais da Ave-Maria.
 A oração que costumamos rezar mais a Nossa Senhora é a Ave-Maria. A primeira parte da Ave-Maria foi feita pelo Arcanjo São Gabriel; a segunda parte por Santa Isabel, prima de Nossa Senhora, e a Igreja acrescentou a terceira parte. Convém saber a Ave-Maria de cor. Todos queremos saber a Ave-Maria e também compreendê-la. Por isso vou explicar as palavras da Ave-Maria.
Com a palavra "AVE" antigamente a gente se cumprimentava, como nós hoje dizemos "Bom dia" ou "Boa tarde". "AVE MARIA" quer dizer: "Eu vos saúdo, Maria".Começamos a nossa oração assim; pois na Ave-Maria vamos falar com Maria e cumprimentamo-la primeiro.
   Chamamos a Maria: "CHEIA DE GRAÇA". Um copo está cheio, quando nada mais cabe. Maria está cheia de graça porque tem todas as graças, que em sua alma podem caber. Nossa senhora recebeu mais graças do que todos os outros santos, pois Deus dá mais graças conforme a dignidade da pessoa. A maior dignidade é a de Maria, porque é Mãe de Deus; por isso recebeu mais graças do que todos os outros. Deus também dá mais graças a quem melhor se esforçar por ser melhor, por ser santo. Maria trabalhou muito com a graça de Deus para ser cada vez mais santa. Por isso Deus lhe deu sempre mais graças.
   Dizemos: "O SENHOR É CONVOSCO". O "SENHOR" é Deus. Deus mora em nosso coração pela graça. Quanto mais esforços fazemos para sermos bons, para não pecar, tanto mais cresce em nós a graça. Maria nunca pecou. Maria todos os dias fazia progresso na virtude. Maria nunca foi ruim. Por isso, em Maria, a graça era maior do que nos outros santos. Pela graça o Espírito santo habita em nosso coração. Por isso o Espírito Santo estava com Maria de maneira muito mais perfeita do que com todos os santos. Por isso dizemos: "O SENHOR É CONVOSCO".
   Dizemos: "BENDITA SOIS VÓS ENTRE AS MULHERES". Com estas palavras queremos dizer que Nossa Senhora merece os nossos louvores mais do que todas as outras mulheres. Maria é a mais privilegiada, a mais favorecida por Deus, a mais abençoada que todas as mulheres. Por que? Porque só ela foi concebida sem pecado original, e porque ela é a Mãe de Deus. Por isso é bendita entre todas.
   Dizemos: "BENDITO É O FRUTO DO VOSSO VENTRE, JESUS". Conhece-se a árvore pelo fruto. Assim Maria é louvada por seu fruto, isto é, por seu filho, Jesus.

EXEMPLO
   São Bernardo, grande devoto de Nossa Senhora, sempre que passava  junto de uma imagem de Maria Santíssima, descobria-se e dizia com toda devoção: Ave, Maria! Saudação tão filial não podia deixar de agradar ao coração maternal da Mãe de Deus. Algum tempo depois, passando novamente Bernardo e repetindo a sua costumada saudação, a Imagem, inclinando graciosamente a cabeça, responde: Ave, Bernardo!

sábado, 10 de setembro de 2016

O SACRAMENTO DA ORDEM PELA EXPLICAÇÃO DO QUADRO CATEQUÉTICO

Quadro catequético representando
o Sacramento da Ordem
   No centro  está o objetivo deste quadro que é de representar São Pedro conferindo o sacramento da Ordem aos sete primeiros diáconos. 

   No alto à esquerda, vemos representadas duas ordens menores: Ostiário e Leitor. Vemos representado, em primeiro lugar a Ordem de Ostiário. O Bispo faz o candidato tocar as mãos nas chaves da igreja. No momento o Bispo pronuncia as palavras que conferem a guarda das chaves. 
   Ainda no alto à esquerda bem perto, vemos representada a Ordem menor de Leitor, cuja função é de ler na igreja, em voz alta, o Antigo e o Novo Testamento. Por isso, o Bispo faz o candidato tocar o Missal pronunciando as palavras que lhe conferem o poder de ler a palavra de Deus.

   No alto à direita, vemos representado o Bispo conferindo a Ordem menor de Acólito, cuja função é servir os ministros sagrados no altar. Por isso, o Bispo faz o candidato tocar um castiçal com a vela, depois as galhetas vazias. O Bispo dá-lhe o poder de acender as velas da igreja e de apresentar ao celebrante o vinho e a água durante a Missa. 
   O quadro não representa a Ordem menor de Exorcista. Como ele recebe o poder de expulsar o demônio do corpo dos possessos, o Bispo faz o candidato tocar o livro dos Exorcismos, dando-lhe o poder de impor as mãos sobre os possessos do demônio.

   Em baixo à esquerda, vemos representada a Ordem maior do Subdiaconato, cuja função é de servir ao diácono no altar e de cantar a Epístola. Para tanto, o Bispo faz aquele que deve receber o subdiaconato tocar o cálice, a patena e o livro das Epístolas, dando-lhe, assim, o poder de ler na Igreja. Ele coloca água no vinho destinado ao Sacrifício. Compromete-se a guardar a castidade e a rezar o Breviário. 

   Em baixo à direita, vemos representada a Ordem maior do Diaconato, cuja função é de assistir ao Padre no altar, cantar o Evangelho nas Missas Solenes, distribuir a comunhão, em caso de necessidade, pregar, com autorização do Bispo, administrar o Batismo solene, com licença do Bispo ou do Pároco.Pode também fazer encomendação. Vemos no quadro o Bispo impondo-lhe as mãos para lhe conferir estes poderes. No momento, o Bispo diz: "Recebe o Espírito Santo, para teres a força de resistir ao demônio e às suas tentações". 

Detalhe do quadro representando o Sacerdócio ou
Plesbiterato
   Em baixo no meio do quadro, vemos representado o Bispo conferindo o Sacerdócio, cujos poderes são: celebrar a Santa Missa, pregar e administrar os sacramentos, menos o da Crisma e o da Ordem. O sacerdote também administra a Crisma em caso de morte quando na hora não há bispo. Vemos representado no quadro o Bispo impondo as mãos sobre a cabeça dos diáconos ( e com ele todos padres presentes). O Bispo faz uma unção com óleo santo sobre as mãos, e faz tocar o cálice com vinho, e a patena com uma hóstia. No momento o Bispo diz: "Recebei o poder de oferecer a Deus o sacrifício e de celebrar a Missa pelos vivos e defuntos". Observamos que o Bispo e todos os padres presentes, depois de imporem as mãos sobre a cabeça do(s) candidato(s), permanecem com as mãos estendidas sobre ele(s). 

   

  

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

O MINISTRO DO SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA

   Em todas as Missas JESUS CRISTO, Vítima e Sacerdote, Se oferece pessoalmente a DEUS na Consagração, renovando os sentimentos de obediência de que estava possuído no Calvário. Na Consagração, o ministro humano apenas "empresta a Cristo a sua língua e lhe cede as suas mãos". Vê-se, com bastante clareza, que JESUS CRISTO intervém atualmente para Se imolar de modo incruento, oferecendo ao eterno Pai o Sacrifício, através de seus sacerdotes.

Consideremos o MINISTRO DA MISSA, de que Nosso Senhor se serve como instrumento.
   A) MINISTRO.
   Só os sacerdotes são ministros do Sacrifício da Missa. Nosso Senhor dirigia-se aos Apóstolos, e sucessores deles no Sacerdócio quando disse, após a instituição da Eucaristia: "FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM". (Luc. XXII, 19). A prática da Igreja, aliás, nenhuma dúvida deixa no assunto. Desde os tempos mais antigos, são os Bispos e os Padres que CELEBRAM o Santo Sacrifício da Missa.
   Quando dizemos que a Missa é o Sacrifício de toda a Igreja, afirmamos que todos os fiéis nela devem tomar parte; não queremos, contudo, significar que o Sacrifício da Missa seja obra de todos os membros da Igreja.
   Na sociedade sobrenatural, criada por Jesus Cristo, somente os Sacerdotes são os SACRIFICADORES, somente eles podem realizar o Sacrifício da Missa.
   "Só aos Apóstolos, diz Pio XII, e aos que deles e dos seus sucessores receberam a imposição das mãos, é conferido o PODER SACERDOTAL, por cuja virtude, assim como representam, perante o povo que lhes é confiado, a pessoa de Jesus Cristo, assim também, representam esse mesmo povo perante Deus". (Mediator Dei). 
   Contudo, também no ato sublime e singular da oblação sacrifical, o povo tem sua participação, com seu voto, com sua aprovação. Eis o que diz Inocêncio III: "O que em particular se cumpre pelo ministério dos sacerdotes, universalmente é cumprido pelo voto dos fiéis". Mas o fato de participarem no Sacrifício eucarístico NÃO CONFERE aos fiéis NENHUM PODER SACERDOTAL.
   "A imolação incruenta, por meio da qual, depois de pronunciadas as palavras da Consagração, Jesus Cristo torna-se presente sobre o altar no estado de vítima, é levada a cabo somente pelo SACERDOTE, ENQUANTO REPRESENTANTE DA PESSOA DE CRISTO,  e não enquanto representante da pessoa dos fiéis." (Pio XII - Mediator Dei).

   B) CONDIÇÕES REQUERIDAS:
   1º) para que o Sacrifício seja VÁLIDO: a) o poder da ORDEM;
                                                                b) intenção de fazer o que faz a Santa Igreja.

   2º) para que o Sacrifício seja LÍCITO:  O ministro deve:
                                               a)  possuir o estado de graça;
                                               b) estar em jejum;
                                               c) observar as cerimônias prescritas.

  
   Os padres ao celebrar, devem trazer as disposições mais santas, subindo o Altar com os sentimentos da maior pureza e caridade, piedade viva e profunda, como o exige função tão sublime.

   "Oh! quão grande e venerável é o ministério dos sacerdotes, aos quais é dado consagrar com palavras santas o SENHOR de majestade, bendizê-Lo com os lábios, tocá-Lo com as mãos, recebê-Lo em sua boca, distribuí-Lo aos outros!" (Imitação de Cristo).

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

SERMÃO: NOSSA SENHORA, CONSOLADORA DOS AFLITOS

Consolatrix aflictorum! Ora pro nobis!
Consoladora dos aflitos! Rogai por nós!

   Consoladora dos aflitos! A quem não arrebata este título que soa tão bem e sempre soará aos ouvidos humanos! Porque na verdade, caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo, quem há que não precise de consolação ou que presuma que não há de vir a precisar dela um dia? A aflição, a dor, o sofrimento apresentam-se-nos a todas as horas e debaixo de mil formas e é este o apanágio mais seguro e certo da humanidade. Desde que pelo pecado original se converteu em vale de lágrimas para o homem a terra que devia começar a ser o seu paraíso de flores, os espinhos são a primeira coisa que o infeliz colhe durante sua breve passagem por ela. Calca -os picantes e dolorosos, o potentado como o mendigo, o sábio como o rude, sem que nesse ponto haja condição de pessoas que possam considerar-se privilegiadas.
   Quem não buscar na Religião a sua única consolação e alívio, em vão os procurará noutra parte. Vejamos, então, segundo o ensinamento das Sagradas Escrituras a origem e a razão de ser do sofrimento. Desde o momento em que da fronte do primeiro homem rolou o diadema da justiça original com o primeiro pecado, entrou o sofrimento no mundo. A grande sentença da justiça eterna de Deus retumbou pelos horizontes do Éden: "De ora em diante, disse Deus a Adão, comerás com o suor de teu rosto o pão de cada dia. A dor misturar-se-á com todos os dias da tua existência. Tu és pó, e em pó tu hás de tornar".
   A dor! Eis a estranha palavra que de agora em diante ressoará na vida de todos os homens. Eis a origem universal da dor - o pecado. O homem que recebeu de Deus a liberdade para ser mais feliz merecendo para o céu, abusou desta liberdade e tornou-se infeliz pelo pecado. Mas Deus, como Pai amoroso que se inclina sobre seus filhos para derramar-lhes bálsamo nos corações dilacerados, ofereceu logo remédio para a dor, não eliminando-a da face da terra, mas transformando-a em meio de purificação e consecução da felicidade eterna. Logo depois da culpa de nossos primeiros pais, prometera um Salvador, que veio ao mundo não para eliminar a dor, mas Ele mesmo sofreu e morreu antes de entrar na Glória e assim nos deu a possibilidade, de sofrendo juntamente com Ele, podermos entrar também no céu.
   Caríssimos e amados irmãos, a dor tem, portanto, a sua razão de ser: É meio de purificação, é meio de conversão, é meio de aperfeiçoamento pela semelhança que nos dá com Jesus Cristo, e outrossim, é graça de predileção. Consideremos estes vários pontos.
   Primeiramente, o sofrimento, as doenças, as aflições, podem ser um castigo de pecados pessoais, e um meio de purificação e conversão. Eis um fato evangélico: o paralítico da piscina Probática. Subiu Jesus a Jerusalém. E lá ao lado do Templo havia uma piscina probática, chamada Betsaida, que quer dizer "das ovelhas", porque era aí que se lavavam as ovelhas e demais vítimas destinadas ao sacrifício. Era cercada de cinco pórticos e sob estes pórticos jazia uma grande multidão de enfermos, cegos, coxos e paralíticos que esperavam o movimento das águas, porque um anjo do Senhor descia a esta piscina em certos tempos e a água se agitava. Aquele que nela entrasse primeiro, depois do movimento da água, ficava curado de qualquer enfermidade que padecesse. Ali se achava um homem que estava enfermo havia 38 anos. Jesus vendo-o disse-lhe: "Queres ficar são?" "Senhor, respondeu-Lhe o enfermo, não tenho ninguém que me lance na piscina quando a água se agita, e enquanto eu vou indo, desce outro antes de mim". Disse-lhe Jesus: "Levanta-te, toma o teu leito e anda". E este homem ficou curado no mesmo instante. O paralítico vai depois ao templo dar graças a Deus por ter sido curado e recebido o perdão de seus pecados. Jesus o encontrou lá no templo e disse-lhe: "Eis que estás curado, mas não tornes a pecar, para que te não suceda alguma coisa pior". Estas palavras de Jesus provam que a longa enfermidade daquele homem era um castigo de seus pecados precedentes. Aliás, a Sagrada Escritura no livro do Eclesiástico capítulo XXXVIII, 15 diz:"Aquele que peca na presença de quem o criou,  virá a cair nas mãos do médico".
   Todavia, nem sempre se pode dizer que a doença é um castigo, mas é uma provação, uma ocasião para Deus Nosso Senhor mostrar o seu poder, sua bondade e por conseguinte sua Glória como aconteceu a Jó, Tobias e ao cego de nascimento. Sobre este último, lemos no Evangelho de São João IX, 1 e seguintes: Passando Jesus, viu um homem cego de nascimento. Perguntaram os discípulos: "Mestre quem pecou? Este homem ou os seu pais, para nascer cego?" Uma pergunta meio sem pé e sem cabeça. Mas Jesus bondosamente como sempre, respondeu: "Não nasceu cego porque ele ou seus pais tivessem pecado, mas para que se manifestassem nele as obras de Deus".
   Na verdade, para todos os homens, o sofrimento não deixa de ser uma graça de purificação. Quem pode gabar-se de ser inocente? Todos nós deveríamos dizer com Santo Agostinho: "Aqui, Semhor, na terra, queimai, cortai, mas poupai-me na eternidade".
   Nas provações devemos ver não a mão dos homens que nos afligem mas a mão de Deus que se serve deles para nos afligir. Vede Jó, a perda dos bens, a morte dos filhos, a doença, foram a consequência da malícia do demônio. No entanto, Jó não diz: o demônio me tirou tudo, mas Deus me despojou de tudo. Lemos na Bíblia que um servo do Rei Davi, chamado Semei, atirou-lhe pedras e o insultou. Abissai outro servo de Davi, indignado disse: "Eu irei e matarei este cão morto, qu insulta o meu rei. Davi respondeu: "Deixai-o maldizer conforme a permissão do Senhor, talvez o Senhor olhe para minha aflição e me dê bens pelas maldições que sofri neste dia".
   Deus, caríssimos irmãos, condena a malícia da má obra, mas reverte o efeito desta malícia em benefício de seus escolhidos.
   O sofrimento é também muitas vezes uma graça de conversão. Há realmente muitos que se convertem na doença. Para muitos pecadores, é o último recurso da misericórdia divina para dobrá-los.
   O sofrimento é também uma graça de aperfeiçoamento. "A tribulação, diz São Paulo, produz a paciência, a paciência produz a constância, e a constância produza a  fé e a caridade". (Rom. V, 3).
   Para ser justo e por ser justo Deus manda sofrimento. É o que Deus declara ao santo homem Tobias através do anjo São Rafael: " Porque eras agradável a aceito do Senhor, foi preciso seres provado pela aflição."
   Donde o sofrimento é uma graça de predileção. Que herança Deus preparou neste mundo a seu amantíssimo Filho? A pobreza, a humilhação, a morte mais cruel. Que herança Nosso Senhor deixou aos Apóstolos? "Sereis perseguidos e chorareis. Felizes sereis quando vos perseguirem, vos caluniarem. Alegrai-vos porque será grande a vossa recompensa no céu". Por uma curta e passageira tribulação um peso imenso de glória e felicidade por toda a eternidade.
   Que herança deixa Jesus à Sua Mãe Santíssima? Ele deixou os momentos tristes do Calvário. Reserva para ela esta hora de supremas amarguras. Ah! compreendemos: É porque Ele desejava dar muito maior glória à sua Mãe no seio da eternidade!.
  
   Deus como Pai cheio de misericórdia e bondade que é, mesmo permitindo os sofrimentos para nosso bem, não deixa de nos prodigalizar um consolo para nossas aflições. Como um pai que se sente forçado a castigar o filho para o seu bem, mas depois, sente pena e procura, de alguma maneira, suavizar o castigo, recorrendo ao carinho da mãe, assim, comparando dentro das devidas proporções, Deus age para conosco. E como está tão alto, infinitamente acima de nós, seu coração misericordioso dá-nos a Virgem Mãe, para consolação de nossas almas. E o provamos pelas Sagradas Escrituras e a experiência no-lo confirma.
   Abramos as primeiras páginas da Bíblia: Sobre aquele quadro fatídico e tenebroso em que Deus castigou nossos primeiros pais e amaldiçoou a serpente infernal, causadora do pecado, Deus lançou um raio de luz e de esperança. "Porei inimizades, disse Deus à serpente, entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela. E ela te esmagará a cabeça". (Gen. III, 15). E quem poderá ser esta mulher privilegiada, vencedora eterna da serpente e do pecado, senão Aquela que trouxe à terra o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo!
    Consideremos outra passagem da Sagrada Escritura (Is. VII, 1 e seg.): Quando Acaz, rei de Jerusalém, e todo o seu povo ficou com o coração agitado como se agitam as árvores das selvas com o ímpeto do vento por causa da ameaça de  guerra dos reis de Israel aliados com o rei da Síria, Deus, através do profeta Isaias, mandou dizer a Acaz que ele com o seu povo não se afligisse porque os inimigos seriam vencidos. E Deus mandou Acaz pedir um sinal como prova desta vitória e da paz. Algo extraordinário que lhe garantisse a tranquilidade. Por causa de sua incredulidade Acaz não quis pedir. Então, Deus mesmo lhe deu o grande sinal, algo extraordinário: "Eis que uma Virgem conceberá e dará a luz um filho e o seu nome será Emanuel". Quem é esta Virgem que deu a luz ao Príncipe da paz, senão a Sempre Virgem Maria Santíssima como atesta o próprio Evangelista São Mateus, I, 22. É a consoladora dos aflitos.
    Há outra passagem da Sagrada Escritura muito conhecida dos todos os carmelitas: 1 Reis, XVIII, 41 e segs. Houve em Israel uma terrível seca de três anos e meio e a consequente fome. O profeta Elias sobe o monte Carmelo e lobriga ao longe uma nuvenzinha, nuvem esta que vai crescendo e logo se desfaz em copiosa chuva. De quem esta nuvem é figura? Senão de Maria Santíssima, pois que os santos patriarcas da Antiga Lei, na aflição em que viviam entre o paganismo pediam ansiosamente a Deus, que as nuvens chovessem o justo, o Salvador: "Rorate coeli desuper, et nubes pluant justum". ( Isaias, XLV, 8): "Derramai, ó céus, lá dessas alturas o vosso orvalho, e as nuvens façam chover o Justo". Qual é esta benéfica nuvem que nos trouxe o Salvador: Maria Santíssima. Nossa Senhora do Monte Carmelo! Consoladora dos aflitos! Rogai por nós!
   Mas esta mística nuvem se desfez em uma chuva de lágrimas no alto de um outro monte: no Monte Calvário. Foi ali que Maria mereceu em toda plenitude o título de consoladora das nossas dores. Ninguém poderá consolar realmente aos que sofrem se não houver provado o cálice das amarguras humanas. Não houve decepção humana, não houve angústia humana, não houve ingratidão humana, não houve incompreensão humana, não houve sofrimento que a Virgem não provasse desde Belém até o alto do Calvário. As coroas todas que cingiram a sua fronte augusta a colocaram imensamente acima de nós, mas a coroa de espinhos que o Calvário lhe teceu a aproximou imensamente de nós. Fez com que ela fosse nossa Mãe pelo dom do sofrimento. Vendo extinguir-se a Vida que ela gerou sem dor, deu-nos a vida, gerando-nos na dor.
   Ah! caríssimos e amados irmãos, como é real o papel de Nossa Senhora na missão augusta de lenir os sofrimentos e consolar as aflições. Todos nós que sofremos, podemos abrir o coração como um livro de testemunhos e ler o depoimento de nossa alma escrito com a tinta das próprias lágrimas. Ter Nossa   querida Mãezinha do Céu no fundo do coração é rasgar o manto tenebroso do próprio infortúnio para que o seu olhar materno derrame bálsamo nas feridas mais ocultas e pungentes das nossas almas.
   Há quase 63 anos uma senhora   muito devota da Virgem Mãe de Deus teve o seu segundo filhinho quando o primogênito ainda não tinha  completado 11 meses. Sentiu grande aflição em ver a criança tão pequena e fraquinha. E mais aflição ainda ao ver que suas orelhinhas eram sem nenhuma consistência e portanto caídas. Fez de uma meia uma toquinha bem apertada. Mas qual não era sua angústia em ver que, ao tirar a toquinha, as orelhinhas do filho caím novamente. Foi aos médicos. Hoje não teriam dificuldade nenhuma; mas há  60 anos atrás a medicina neste ponto não tinha muito recurso. Disseram, para grande tristeza daquela angutiada mãe, que não havia jeito. Confiando em Nossa Senhora, Consoladora dos aflitos, fez uma novena a Nossa Senhora das Graças. No último dia da novena o menino estava curado, com as orelhinhas normais. Este menino, 26 anos depois, foi ordenado padre. E não teria podido sê-lo se Nossa Senhora não o tivesse curado. Hoje, pela graça de Deus este padre é usuário de dois blogs onde procura fazer o maior bem possível às almas. E este padre, é  o  mesmo que vos escreve. Ó minha Mãe do Céu, puxai minhas orelhas por eu não corresponder devidamente a tantos benefícios, ajudai-me e protegei-me!
   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo! Navegamos num grande e tenebroso mar, que é o mundo, à procura do novo mundo que é o céu, a pátria do repouso eterno. Mas não esqueçamos nunca que Maria Santíssima é a ponte mística por Deus mesmo estendida entre o paraíso que perdemos e o Paraíso que esperamos. Na verdade a viagem é longa e penosa. Quantas tempestades, quantos naufrágios. Caríssimos fiéis, no meio dos perigos, das angústias, consoante o conselho de São Bernardo, recorramos sempre à Maria.
   Se as tempestades das tentações se levantarem, se os escolhos das tribulações vos ameaçarem, erguei os olhos para a Estrela do Mar.
   Se as vagas da soberba, da cólera, da inveja vos sacudirem, se os prazeres da carne agitarem o barco de vossa alma, se a enormidade de vossos pecados vos perturbar, pensai em Maria, ou antes, lançai-vos em seus braços. Levados e protegidos por Ela, triunfareis de todos os perigos, vencereis todos os obstáculos, saireis incólumes de todas as tentações, e chegareis seguramente às praias de Eterna Bem-aventurança. Assim seja!
  
  
  
  

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Sacrifícios

   OS SACRIFÍCIOS DA LEI MOSAICA.
   Após a saída do Egito, Deus intervém diretamente, ditando a MOISÉS o ritual do culto. No Sinai, logo após a promulgação do decálogo, manda que se erga um altar de pedras não lavradas, para os sacrifícios. Sobre esse altar selou-se a ALIANÇA entre Deus e o povo escolhido. (Ex. 24, 2-8).
   Nos dez primeiros capítulos do LEVÍTICO, encontramos o ritual do culto da Antiga Lei. Os judeus praticavam 4 espécies de sacrifícios:
   A) O HOLOCAUSTO. Era o sacrifício por excelência, perfeito porque completo. Nele, a vítima era integralmente consumida pelo fogo, e não repartida, após a imolação. A finalidade deste sacrifício era o reconhecimento do domínio absoluto de Deus sobre as suas criaturas e expressava também o dom total que Lhe fazia o ofertante. Devia ser realizado todos os dias. Constava de quatro partes principais:
   a) a imposição das mãos do ofertante sobre a vítima para se identificar a ela;
   b) o derramamento de sangue, princípio de vida, como símbolo do sacrifício da vida do ofertante;
   c) a combustão da vítima, simbolizando o nada da criatura diante do Criador;
   d) a oblação: para testemunhar reverência, temor, arrependimento, desejo de purificação, súplica, amor...

   B) OS SACRIFÍCIOS EXPIATÓRIOS.

O bode expiatório
   Os sacrifícios expiatórios, também chamados "sacrifícios pelos pecados" e "pelo delito". Por eles os Israelitas pretendiam expiar seus erros, desagravar a Deus e reconciliar-se com Ele. O rito consistia na apresentação da vítima, imposição das mãos do transgressor sobre a cabeça da vítima, como para transferir-lhe o pecado, substitui-la ao pecador. Seguia-se a imolação da vítima, com numerosas libações de sangue - significando a vida que se dava para expiar. Enfim, a destruição parcial pelas chamas. As vítimas eram parcialmente queimadas, parcialmente comidas pelos sacerdotes.
   Todos os anos, os judeus celebravam a grande festa da Expiação. Nessa cerimônia, o sumo Sacerdote imolava um touro e um carneiro. Depois carregava um bode com todos os pecados do povo e expulsava-o para o deserto. Era o "bode expiatório".

   C) OS SACRIFÍCIOS PACÍFICOS.
   Eram oferecidos para render graças a Deus ou obter benefícios. Queimados o sangue e as gorduras, em honra de Deus, o resto era comido pelos doadores num banquete ritual, à mesa do Senhor.

   D) A OBRAÇÃO.
    Era a oferta de produtos agrícolas.

   Contudo, com o correr dos séculos  o culto vai se tornando apenas formalismo vão. Desaparece a adoração, a penitência, o amor. Ora, não basta fazer um sacrifício externamente; é preciso que ele corresponda aos sentimentos internos da alma e Deus o tenha por bom, perdoando o pecado e reconciliando consigo o pecador. Já dissera a Escritura que Deus não aceitou as oblações de Caim. Também não agradaram a Deus os sacrifícios do povo de Israel. Pela boca dos profetas, Deus fez ouvir as mais solenes censuras. Porém Malaquias, o último dos profetas, veio projetar um raio de esperança. Anteviu o advento de um novo Sacrifício, agradável ao Senhor, oferecido em todo lugar: "Desde o nascer do sol até o poente, será grande entre as nações o meu nome; e em todo o lugar se oferecerá ao meu nome incenso e uma OBLAÇÃO PURA; porque o meu nome é grande entre as nações, diz o Senhor dos exércitos". (Malaquias, 1, 10-11).

sábado, 3 de setembro de 2016

O SACERDÓCIO COMUM DOS FIÉIS

   Expliquemos, de acordo com a Tradição, a expressão de São Pedro na 1ª Epístola, II, 9 que chama o povo cristão de "sacerdócio régio". O próprio Apóstolo mostra que se trata do sacerdócio que implica, por parte dos fiéis, o dever de apresentar vítimas espirituais , e em primeiro lugar a si mesmos transformados em vítima pela imitação de Jesus Cristo, renúncia do amor próprio, mortificação, prática da virtude, etc. (cf. 1 Ped. II, 5).
   Santo Tomás de Aquino declara que o CARÁTER BATISMAL confere ao que se batiza uma assimilação ao sacerdócio de Jesus Cristo. Este sacerdócio comum a todos os membros da Igreja, dá-lhes a capacidade de se beneficiarem das graças com que Jesus enriqueceu a sua Igreja, especialmente os sacramentos, que os não batizados não podem receber. Neste sentido, podem eles se beneficiar dos frutos do Sacrifício Eucarístico, que é o Sacrifício da Igreja. Além disso, em virtude do caráter batismal que se lhes imprime na alma, são deputados para o culto divino: têm, por isso, a possibilidade de participar ativamente nesse mesmo sacrifício, enquanto são membros da Igreja, e portanto fazem parte do Corpo Místico de Cristo, em cujo nome Jesus oferece sua oblação sacrifical na Santa Missa. Tomam assim parte no Sacrifício do Altar, o que é proibido aos que se acham fora da sociedade eclesiástica. Mas tomam parte do modo conveniente ao seu estado de leigos.
   
SACERDÓCIO HIERÁRQUICO (dos padres) e SACERDÓCIO COMUM (dos fiéis)

   Há uma diferença essencial entre o Sacerdócio hierárquico, o sacerdócio daquele que foi ungido com o Sacramento da Ordem, e o sacerdócio comum dos fiéis, que é participação muito limitada no sacerdócio de Jesus Cristo, efeito do sacramento do Batismo. O padre, pela Ordem, é: MINISTRO  de Jesus Cristo; os fiéis, pelo BATISMO, são membros de Cristo.
   Na Missa, Jesus é a um tempo Sacerdote e Vítima; ou, mais explicitamente: é um Sacerdote que se oferece a si mesmo como Vítima. De ambas as funções de Cristo, o padre e o leigo participam, mas DIVERSAMENTE, cada qual segundo a sua condição.

   1º) O padre imola e oferece a Vítima; o fiel não imola, só pode unir-se ao sacerdote e a Jesus Cristo no oferecimento. Com efeito, a Missa consiste essencialmente na consagração transubstanciadora do pão e do vinho. Ora, só o padre, que recebeu a unção sagrada no Sacramento da Ordem, faz do pão e do vinho o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só ele, marcado pelo caráter sacramental da Ordem, representa a pessoa de Jesus Cristo, mediador entre Deus e os homens. Por isso, só ele pode repetir o rito da Última Ceia. O povo, ao contrário, não representa de modo algum o Redentor, logo não é mediador entre si e Deus, não pode consagrar os elementos eucarísticos.
   Os fiéis não podem equiparar-se aos sacerdotes, que na Igreja lhes são superiores e, como tais, se aproximam do altar, inferiores a Cristo e superiores ao povo.
   Na consagração, o sacerdote imola a Vítima divina e oferece-A ao Pai Celeste. Transubstancia como INSTRUMENTO EXCLUSIVO de Cristo, mas oferece em nome do Corpo Místico, todo inteiro, Cabeça e membros. Nessa oblação participam os fiéis, mas não na atividade transubstanciadora.

   2º) "Para que a oblação com que, neste Sacrifício, os fiéis oferecem ao Pai a celeste Vítima tenha o seu pleno efeito, outra coisa se requer ainda: é necessário que eles se imolem a si mesmos como vítimas".
   O elemento essencial da participação do fiel consiste em unir os próprios sentimentos de adoração, ação de graças, expiação e impetração aos que teve Jesus Cristo ao morrer por nós, e que devem animar o sacerdote que oferece o Sacrifício da Missa.